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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - FACULDADE DE ARQUITETURA

TECNICAS RETROSPECTIVAS

DOCENTE: ANTONIO BARBOSA

DISCENTE: SABRINA RACHEL RUBIO

A VILA DE PARANAPIACABA
"TRANQUILIDADE, BELEZA E PARAÍSO"

SALVADOR

2017
SUMÁRIO

1. APRESENTAÇÃO .................................................................................................. 4

2. OBJETIVO .............................................................................................................. 5

3. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 6

4. HISTÓRICO ............................................................................................................ 7

4.1. ESTAÇÃO FERROVIÁRIA .............................................................................. 13

5. ANÁLISE DA CIDADE .......................................................................................... 15

5.1. VILA VELHA.................................................................................................... 16

5.2. PARTE ALTA .................................................................................................. 20

5.3. VILA MARTIN SMITH...................................................................................... 26

5.3.1. CASAS ISOLADAS ............................................................................... 29

5.3.2. TIPO "A”................................................................................................ 32

5.3.3. TIPO "B”................................................................................................ 35

5.3.4. TIPO "C” ............................................................................................... 38

5.3.5. TIPO "D" ............................................................................................... 42

5.3.6. TIPO "E" ............................................................................................... 43

5.3.7. ALOJAMENTO PARA SOLTEIROS ..................................................... 46

5.3.8. MERCADO ........................................................................................... 47


5.3.9. CLUBE UNIÃO LIRA SERRANO .......................................................... 48

5.3.10. ESCOLA PRIMÁRIA ........................................................................... 49

5.3.11. HOSPITAL DO ALTO DA SERRA ...................................................... 50

5.4. ESTAÇÃO FERROVIÁRIA .............................................................................. 52

5.5. PÁTIO FERROVIÁRIO .................................................................................... 53

6. TOMBAMENTO: RECONHECIMENTO DO PAPEL CULTURA E DO VALOR


PATRIMONIAL DE PARANAPIACABA ................................................................... 56
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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 58

8. REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 60

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1. APRESENTAÇÃO
Paranapiacaba foi fundada como uma Vila Operaria, no intuito de abrigar os
trabalhadores que executavam a linha férrea que ligaria do topo da Serra do Mar a
Baixada Santista. Trata-se de um local tombado, de grande relevância para a
historia da ferrovia brasileira.

O trabalho a ser apresentado é um estudo desenvolvido pela aluna Sabrina Rachel


Rubio para a matéria de Técnicas Retrospectivas ministrada pelo professor Antônio
Carlos Barbosa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal
da Bahia como parte avaliativa da terceira unidade da disciplina.

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2. OBJETIVO
Este trabalho tem como objetivo fazer uma analise urbanística e arquitetônica
da Vila de Paranapiacaba, buscando demonstrar o processo de implantação com
grande influencia inglesa. Além de promover a dispersão de conhecimento sobre o
local analisado, como forma de difusão histórica e cultural.

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3. INTRODUÇÃO

O nome Paranapiacaba (em tupi guarani “paranã apiaca aba”) tem como
significado “Lugar de onde se vê o mar”. Este nome foi dado devido a vista que era
possível se ter depois de subir a Serra do Mar, rumo ao planalto. A cidade localiza-
se no município de Santo André, a uma média de 50 Km de São Paulo. Nela é
preservado um importante patrimônio histórico: a vila de Paranapiacaba.
Foi fundada em 1860 com a instalação do acampamento dos trabalhadores
da construção da primeira ferrovia do Estado de São Paulo, que ligaria o porto de
Santos e o planalto. A ferrovia entrou em funcionamento em fevereiro de 1867,
dando um grande impulso na economia com o aumento do volume do transporte do
café.
O aumento do transporte do grão torna necessária a construção de uma
segunda linha férrea no final do século XIX. A ampliação demandou a permanência
de um número significativo de trabalhadores para manutenção e operação da
ferrovia. Sendo este o caso, a empresa responsável pela operação da ferrovia, a
São Paulo Railway Company (SPR), decide então construir a vila para abrigar estes
trabalhadores.
Suas casas inglesas pré-fabricadas de madeira em estilo vitoriano, as oficinas
em tijolo aparente, ruas largas e geometricamente planejadas são objetos de grande
admiração. Seu misterioso relógio que lembra o Big – Ben londrino na parte baixa,
com o “Morro” na parte alta, com descendentes, traços e encantos das antigas vilas
portuguesas formam um Patrimônio Histórico, Cultural, Tecnológico e Ambiental sem
modelo similar no País.
A construção da vila, na Parte Baixa, segue as características inglesas com
construções em madeira. Ao mesmo tempo, do outro lado da linha, na Parte Alta,
são instaladas a Igreja Católica e o comércio para abastecer a vila.

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4. HISTÓRICO

Figura 1: Ferrovia de Paranapiacaba (RUBIO, Samantha)

"A vila aparece e desaparece...


Tem dia que você vê o morro
Tem horas que você não vê nada
Parece o grande caldeirão
Que você põe para esquentar
e a fumaça vem para a vila apagar..."
(Francisca Cavalcante de Araújo)

Paranapiacaba: 'lugar de onde se vê o mar', em tupi-guarani. Num dia claro,


esta era a visão que tinham os povos indígenas que passavam por ali, depois de
subir a Serra do Mar rumo ao planalto.
Neste local, todos os dias no final da tarde, uma grossa neblina recai sobre a
cidade, formando um grande breu, "escondendo" a cidade dos olhos da população.
A história dessa cidade confunde-se com o momento do nascimento da
ferrovia no Brasil.

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Em 1856, Dom Pedro II, por meio de um decreto, concedeu o direito de
explorar a ferrovia, que ligaria o interior do estado de São Paulo ao litoral, ao Barão
de Mauá e a recém criada empresa inglesa " São Paulo Railway Co.". Este projeto
formou-se devido a necessidade de escoamento da produção cafeeira até o porto de
Santos. Desta forma, as obras se iniciaram em 1860, seguindo o projeto do
engenheiro inglês Daniel M. Fox.
Dadas as características extremamente íngremes do trecho da serra, optou-
se pela adoção do chamado sistema funicular: o percurso foi dividido em quatro
planos inclinados, cada um com uma máquina fixa a vapor que tracionava as
composições através de cabos de aço. A ferrovia atravessaria 796 metros entre o
topo da Serra do Mar e a Baixada Santista.

Figura 2: Vista aérea de Paranapiacaba. (Fonte:http://spressosp.com.br/2014/04/17/santo-andre-


festeja-decisao-sobre-paranapiacaba/)

Os primeiros estudos para a implantação da ferrovia começaram em 1835,


mas foi apenas depois de 1850 que a ideia começou a sair do papel, graças ao
espírito empreendedor do Barão de Mauá. Ele encontrou nos ingleses os parceiros
ideais para executar o projeto. Além de ter interesses em dinamizar o fluxo de
exportação e importação brasileiro, a Inglaterra detinha uma vasta experiência na
construção de ferrovias, utilizando a tecnologia da máquina a vapor.
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Para a execução da obra, operários e técnicos estabeleceram um
acampamento no local e, após a inauguração em 1867, parte deles permaneceu ali
para fazer a manutenção, trazendo a necessidade da construção da Estação Alto da
Serra, que também foi o primeiro nome dado ao lugarejo. Por causa da sua
localização, último ponto antes da descida da serra, a vila começou a ganhar
importância. Também nessa época, foi fundada o que atualmente é a cidade de
Santo André, à qual pertence Paranapiacaba.
Nesta mesma época, a ocupação no interior do estado se consolidava graças
à estrada de ferro. O comércio e a produção agrícola aumentaram
significativamente. Em pouco tempo já era preciso duplicar a ferrovia, sendo que, em
1896, começaram-se as novas obras.
Paralelamente aos trabalhos de duplicação, a vila também sofreria
modificações: no alto de uma colina, os ingleses construíram a casa do engenheiro-
chefe (local que ficou conhecido como Castelinho). Tratava-se de um local de vista
privilegiada podendo-se avistar toda a movimentação no pátio ferroviário. Na mesma
época, foi erguida a Vila Martim Smith, com casas em estilo inglês, utilizando-se da
madeira e de telhados em ardósia, para servir de moradia aos funcionários da
empresa.
Do outro lado da estrada de ferro, o que ficou conhecido como a Parte Alta de
Paranapiacaba, local não pertencente a companhia, seguia-se padrões
arquitetônicos diversos daqueles da vila inglesa.
A área começou a ser ocupada por comerciantes para atender aos
ferroviários já na década de 1860. Ali também moravam os funcionários
aposentados, que não poderiam mais usar as casas cedidas pela empresa, o que
fez com que a Parte Alta ficasse conhecida também como Vila dos Aposentados.
Em 1899 foi construída uma passarela metálica, conhecida com Ponte, como
meio de travessia segura de pedestres sobre a linha férrea entre a Parte Alta e a
Parte Baixa. Esta construção é contemporânea a da Vila Martins Smith. Através de
uma rampa central que derivava da passarela é que se fazia o acesso à segunda
estação do Alto da Serra.
Em 1901, as obras do Segundo Sistema Funicular foram concluídas. A Vila
Nova abrigou o que hoje são os grandes atrativos arquitetônicos de Paranapiacaba.
Ela foi equipada com a Estação Alto da Serra (destruída por um incêndio em 1981),

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uma torre com relógio em estilo inglês, que controlava as horas de trabalho e lazer
dos funcionários da ferrovia, além de oficinas, pátios de manobra, escritórios, clube,
mercado, cinema e campos de golfe, equitação e futebol.
Em 1907, a cidade foi batizada de Paranapiacaba.
Tratava-se de um local onde a tecnologia chegava em primeira mão:
enquanto no Rio de Janeiro ainda se usava o penico, nesta cidade já existia o vaso
sanitário e a água quente na torneira da cozinha.
A concessão da São Paulo Railway Co. terminou em 1946 e não houve
acordo entre a companhia e o governo para sua renovação. A vila de Paranapiacaba
e a ferrovia, que passou a se chamar Estrada de Ferro Santos-Jundiai, ficaram
então sob o controle da União, fato este que é apontado por muitos como o inicio da
decadência da Vila.
Na década de 50, a eletrificação da rede e a utilização do diesel e do óleo cru,
em substituição ao carvão, foram algumas das mudanças consolidadas na cidade,
assim como o abandono das máquinas e locomotivas.

Figura 3: Imagem da neblina cobrindo a estação ferroviária. (Fonte:


http://eufui.blog.br/2017/01/paranapiacaba-sao-paulo/)

Com a desativação parcial do Sistema Funicular da Serra Velha, na década


de 1970, parte dos funcionários foi dispensada ou aposentada e outros foram
contratados para cuidar do novo sistema de transposição da serra, construído com
tecnologia japonesa e financiado por capital norte-americano.

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Em 1981, o Sistema Funicular foi totalmente desativado.

"Os armazéns vazios

onde outrora os homens trabalhavam

suavam suas camisas

seus rostos suados riam e brincavam

como crianças felizes

Hoje a vila esta morta

praças vazias armazéns sem ninguém

Estamos na vila morta...

Já não se houve ninguém a falar,

a trabalhar, a resmungar e a suar

Estamos na vila morta...

Com os olhos saudosos

procuro a civilização que se foi

não volta mais a vila morta

Pelas ruas ermas

fico a chorar

pela grandeza de outra hora

pela pobreza de agora

eu choro pela vila morta."

(Francisca Cavalcante de Araújo)

No ano de 1977 houve a criação do Parque Estadual da Serra do Mar com o


objetivo de conservar a biodiversidade das áreas de mananciais.
A partir da década de 1980, surgiram diversos movimentos para preservação
do patrimônio histórico e natural da Vila: o Castelinho, o clube e o mercado foram
restaurados.

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Em 1986, a Rede Ferroviária entregou restaurados o sistema funicular entre o
4° e o 5° patamares e o Castelinho. No ano seguinte, o núcleo urbano, os
equipamentos ferroviários e a área natural de Paranapiacaba foram tombados pelo
CONDEPHAAT - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico
do Estado de São Paulo.
Desde 2008 Paranapiacaba é candidata a patrimônio da humanidade pela
UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura). Em 2010 foi tombado como patrimônio Histórico Cultural da Humanidade
pelo IPHAN.
Atualmente, a principal fonte de renda da cidade é o turismo para o parque,
para o festival de inverno e as atrações impulsionadas pelas especiarias feitas com
o Cambuci (fruto de maior produção na região).

"Longos anos se passaram

A mocidade em saudade terminou

Meus cabelos brancos ficaram

Lembrando que a velhice chegou

Lembro dos meus passeios na estação

Das pessoas apressadas para embarcar

Um pipoqueiro chamava a atenção gritando

"pipocas, quem quer compra?"

Um homem servindo café

Pela estação anda sem cansar

Um menino vendendo picolé

para um trocado poder ganhar

A moça na estação

aguardava o trem chegar

radiante de tanta emoção

não via a hora do trem parar."


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(Francisca Cavalcante de Araújo)

Figura 4: Vagão abandonado (RUBIO, Samantha)

4.1. ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

A estação ferroviária está situada como local divisor entre a cidade alta e a
cidade baixa. Neste local, encontra-se também, atualmente, o museu ferroviário
composto pelo pátio de manobras e diversos prédios construídos para dar suporte
ao sistema funicular.
Os primeiros prédios compõem o complexo do Primeiro Sistema Funicular,
também conhecido como Serra Velha, datado de 1867, onde situavam-se oficinas,
salas administrativas, a 4ª Maquina Fixa e as caldeiras a carvão.
No anexo, localizado no final do prédio da 4ª Maquina, encontra-se em
exposição o Serrabreque, sistema utilizado para o funcionamento do trem.
Na 5ª Maquina, pertencente ao Segundo Sistema Funicular, estavam
instaladas as caldeiras a carvão e oficinas. Hoje, este abriga a locomotiva nº15 e o
carro do imperador D. Pedro II, dentre outros carros de importância relevante.

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A 5ª Máquina Fixa é uma construção feita no subsolo, pertencente ao
Segundo Sistema Funicular, onde atualmente encontram-se as ruínas das caldeiras
a óleo disel.
No final do pátio, é possível avistar uma bela vista do trecho inicial da ferrovia
e do seu primeiro túnel, encravados na Serra do Mar, no vale do rio Mogi.

Figura 5: Maria Fumaça, Paranapiacaba. (Fonte: https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-


g2429510-d2429520-Reviews-Railway_Station-Paranapiacaba_State_of_Sao_Paulo.html)

Figura 6: Estação ferroviária (RUBIO, Samantha)


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5. ANÁLISE DA CIDADE

Para facilitar a compreensão da cidade, tendo como base os estudos de Thais


Fátima dos Santos Cruz, em sua dissertação apresentada à Escola de Engenharia
de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), Paranapiacaba foi dividida em
três núcleos urbanos: Parte Alta, Vila Velha e Vila Martin Smith (Vila Nova).

Figura 7: Divisão da cidade em núcleos urbanos (fonte: Plano de


desenvolvimento sustentável da Vila de Paranapiacaba, 1997)

Responsável por segmentar a vila em Parte Alta e Parte Baixa, o pátio


ferroviário esta localizado no centro da cidade, o qual contorna o morro em uma
semicircunferência.
O pátio foi instalado no único local em que se apresenta uma topografia plana
(local de vale).

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Figura 8: Mapa de ocupação inicial da Serra do Mar (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

O mapa acima demonstra a configuração espacial da cidade no inicio da


ocupação do Alto da Serra no período do primeiro sistema funicular.

5.1. VILA VELHA

A Vila Velha possui uma implantação totalmente irregular quanto a lotes e


ruas, onde algumas de suas edificações foram construídas em torno do chamado
Caminho do Hospital Velho e, também, do eixo viário.
Pode-se dizer que sua conformação possui dois momentos distintos: o
primeiro onde passou-se de acampamento para moradias próximas aos
equipamentos ferroviários; o segundo momento, considerado como momento de
expansão, se deu em 1930, quando foram construídas novas casas geminadas ao
fim da Rua Direita e também na Rua Rodrigues Alves. Neste caso, as casas foram
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locadas em lotes preestabelecidos, mantendo o alinhamento em recuos em relação
ao traçado existente. Notamos então que neste momento existe uma certa
preocupação em seguir o plano urbano adotado na vizinha Vila Martin Smith.

Figura 9: Vista Vila Velha (Fonte: http://jeguiando.com/2010/01/18/vila-de-paranapiacaba-santo-


andresp/)

O local foi pensado, em princípio, apenas como local para equipamentos


ferroviários e de alojamento dos operários do sistema funicular. Todavia, se assim
fosse, não haveria a necessidade de um controle urbano por parte dos Ingleses.
Sendo assim, a ferrovia previa as seguintes construções: uma pequena estação
provisória, as oficinas e depósitos construídos em tijolo e pedra e cobertos com
folhas de ferro galvanizadas onduladas.
Aqui encontra-se a Rua Direita, considerada a primeira rua construída na vila,
local onde se estabeleceu um pequeno comércio (farmácia, padaria, etc.). Esta
denominação nos remete à cidade colonial, onde todas as cidades com algum grau
de importância possuíam sua "Rua Direita", geralmente era o local onde se
encontrava a igreja principal. Esta rua, então, constitui o eixo estrutural da Vila.

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Figura 10: Vila Velha e principais pontos referenciais (Fonte: O Urbanismo da
Vila ferroviária de Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

Neste eixo, as asas foram construídas de forma aleatória no sítio dando uma
característica de assentamento espontâneo, onde não havia uma preocupação de
se definir demais eixos viários, obedecendo uma regularidade do traçado.
Outras construções também foram se estabelecendo ao longo desse
caminho, como ocorreu com a casa do médico residente, situada ao final do
Caminho do Hospital.
Outro exemplo dessa ocupação eram os alojamentos de solteiros, localizados
ao lado direito do eixo principal, para quem vem da estação, não mantendo com a
rua nenhuma relação de paralelismo. Há também outros dois edifícios deste tipo no
caminho para o antigo hospital que consistem em um conjugado de portas e janelas
sem alpendre frontal.
A adequação do traçado urbano das edificações no terreno poder ser
entendidas como uma solução adotada pelos ingleses para evitar uma grande
intervenção no terreno local. Duas hipóteses são levantadas para embasar esta
decisão: ou esta postura foi adotada como forma de agilizar a construção, ou pelo
fato do solo possuir uma geologia frágil, evitando-se grande movimento de terra.

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Foram construídos alicerces em alvenaria sobre o terreno inclinado, além da
criação de cortes e aterro nos lotes, garantindo melhor estabilidade do solo (criação
de platôs).
Um outro tipo de moradia presente na Vila Velha são as casas geminadas.
Nestas construções, a estratégia de elevação do piso em madeira, em relação ao
nível do solo, está relacionada a requisitos de durabilidade para este elemento que,
ao ser elevado, distancia-se da umidade do solo, algo nocivo à sua integridade
física.
As pedras utilizadas para o embasamento das edificações foram adquiridas
no próprio local, enquanto que o restante do material foi importado. A madeira
utilizada para a construção foi o Pinho de Riga, madeira que poderia ser obtida com
diversos comprimentos e possui uma trabalhabilidade mais fácil que as madeiras
consideradas mais duras, presentes no Brasil.
O ferro pré-moldado, importado da Inglaterra para serem montados no local e
devidamente tratados para enfrentar as condições ambientais brasileiras, passou a
ser uma alternativa empregada nas estruturas e fundações.
A primeiras estações construídas tinham suas plataformas acabando no inicio
da Rua Direita. Os galpões e casas de máquinas foram distribuídos ao longo da
linha férrea e, na rua da Estação, estão situadas as oficinas.

Figura 11: Rua Direita vista da Parte Alta (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária
de Paranapiacaba; CRUZ, Thais) 19
5.2. PARTE ALTA

Figura 12: Parte Alta vista da Ponte (RUBIO, Samantha)

Paralela a formação da Vila Velha, outro aglomerado urbano foi surgindo do


lado oposto do pátio ferroviário, em um terreno de topografia acidentada. Este
espaço foi concedido a Bento José Rodrigues da Silva.
A notícia da construção da ferrovia chamou a atenção deste proprietário de
terras, proveniente de Mogi das Cruzes, o qual foi um dos primeiros moradores da
Parte Alta da cidade. Um de seus empreendimentos foi a abertura de um caminho
que ligava Mogi até o local onde os ingleses estavam construindo a estrada de ferro.
Diferente da Vila Martin Smith, construída pelos ingleses na segunda fase da
ferrovia, sua implantação foi condicionada pela topografia acidentada na encosta do
morro e voltada para o pátio ferroviário. Há uma forte presença da herança
portuguesa nesta parte da cidade, pois sua construção foi feita em base de ruas
estreitas, onde as edificações possuíam frentes estreitas, junto ao alinhamento da
rua. Essa arquitetura acabou definindo um arruamento de acordo com a inclinação
do terreno, sendo necessária a execução de muitos cortes e aterros no local.
A primeira rua existente nesta parte da cidade foi a Rua Rodrigues Quaresma,
a partir da qual se deu o seguimento para as outras ruas.
A parte Alta formou uma área concentrada nas atividades comerciais de
abastecimento da população local. Nela funcionavam os estabelecimentos
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comerciais e de prestação ode serviço como dentistas, alfaiates, sapateiros,
farmácias, hotéis, armazéns secos e molhados e pensões que recebiam possíveis
ferroviarios em busca de contratação pela SPR. Além disso, existia uma associação
cultural que promovia bailes e sessões de cinemas.
A construção em geral era de uso misto: comércio/ prestação de serviço no
térreo da edificação e habitação constituindo o primeiro e, em alguns casos, um
segundo andar.

Figura 13: Fachada da Rua na Parte Alta (RUBIO, Samantha)

As fachadas coloridas compunham uma parte continua junto à rua, com suas
aberturas principais fazendo frente, de preferência, para o pátio ferroviário.
A madeira de Pinho de Riga foi um material comum à construção de todo o
conglomerado, tanto na parte alta quanto na parte baixa. Este material foi importado
da Europa, onde eram utilizados como lastro de navios que retornavam ao porto
para o novo carregamento de café.

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Figura 14: Fachada de residência na Parte Alta (RUBIO, Samantha)

Enquanto na parte baixa a SPR impunha um controle sobre a moradia,


consumo, lazer, ensino, saúde e também sobre o espaço, a Parte Alta funcionava
como uma "válvula de escape", com eventos que iam desde quermesses e festas
juninas à bailes e exibição de filmes. Este local era também conhecido como a
"cidade livre", devido ao fato de não estar sobre controle da ferrovia.
Posteriormente, o local ficou conhecido como "Vila dos Aposentados", pois
era para lá que se dirigia a grande maioria dos aposentados da ferrovia. Temos,
então, a questão dos laços ferroviários: o pai se aposentava, mas o filho continuava
na ferrovia, e o vínculo familiar levava o individuo a permanecer na cidade, migrando
para a Parte Alta.

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Figura 15: Planta topografia da Parte Alta (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

A primeira capela foi erguida na Parte Alta, vizinha ao cemitério, no topo de uma
encosta. Construída pelos moradores do local, trabalhadores ou não da estrada de
ferro, recebeu sua primeira licença para celebração do Santo Sacrifício da Missa em
08 de agosto de 1884.

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Figura 16: Igreja Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba (RUBIO, Samantha)

Em 1889 foi fundada a "Irmandade do Senhor do Bom Jesus", irmandade que


deu nome a capela que recebeu, no frontão, a inscrição com esta data. Esta
irmandade realizava a administração da igreja e de seus cultos, além de organizar
festas e procissões religiosas.

Figura 17: Interior da Igreja Senhor Bom Jesus de Paranapiacaba (RUBIO,


Samantha)

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Figura 18: Igreja vista pelo cemitério (RUBIO, Samantha)

Figura 19: Planta Cadastral da Parte Alta (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

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Em 1909 o Reverendo Padre Luís Capra foi enviado para residir no Alto da
Serra e, assim que chegou, realizou reformas na Capela. Onde antes só havia
paredes com o telhado, sem capela-mor, foram construídos o forro, a capela-mor,
quatro janelas grandes com vitrais, uma torre lateral para o sino e providenciou
imagens sacras, tapetes e outros acessórios.

5.3. VILA MARTIN SMITH

A parte baixa da Vila Ferroviária de Paranapiacaba, compreendendo a Vila


Velha e a Vila Martin Smith, eram empreendimentos de responsabilidade da São
Paulo Railway. Em vários aspectos, Paranapiacaba, em especial a Vila Martin Smith,
em muito se assemelhava ao sistema fabril implantado nas cidades industriais da
Inglaterra em meados e fins do século XIX.
O sistema fabril mantinha a ideia de equipar o local com toda infraestrutura
para que não fosse necessário o deslocamento do trabalhador para fora do núcleo,
evitando assim contatos externos. Enquanto a vila estava sendo implantada, os
ingleses viviam na Inglaterra as experiências com as greves trabalhistas. Sendo
assim, pode-se cogitar que tiveram um raciocínio de que uma forma a evitar este
acontecimento, seria afastando os operários de contatos externos.
Quando a Vila Martin Smith foi projetada já contava com infraestrutura de
água, esgoto, sistema de combate a incêndios, alem de novas tipologias de
moradias ferroviárias.Também foram instalados equipamentos urbanos como
mercado, escola, clube, sala de projeção, campo de futebol, quadra de tênis e
playground.
A região escolhida possuía uma topografia favorável, com um ligeiro declive,
condição esta para garantir uma boa drenagem das águas pluviais, abastecimento
de água e esgotamento sanitário.
O engenheiro James C. Maleley, responsável pela obra de ampliação das
vias e instalações da SPR, previu, na obra de ampliação para o alto da serra,
construções de casas de máquinas, caixas d'água, carvoeiras, novos pátios e
desvios para melhoria das condições operacionais, uma nova estação com
plataformas de 160 m ligadas por uma ponte de passagem superior (ligando as

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partes alta e baixa), armazém de carga, alem de 46 casas que serviriam de moradia
para os operários da segunda linha férrea da serra.
As habitações seriam construídas com as necessárias acomodações
higiênicas, dotadas de canalização de água potável e de esgotos, sendo dispostas
ao longo de ruas arborizadas, com alinhamentos regulares, formando um núcleo de
pequeno povoado. Também foi previsto a necessidade de adquirir áreas para uma
futura expansão.
Foi adotado um traçado "xadrez" definido a partir do eixo leste-oeste o que
deveria proteger as fachadas das edificações da ação dos ventos predominantes,
sendo estes: leste, sudeste e sul; provenientes do mar ao longe.

Figura 20: projeto para a Vila Martin Smith (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

Nas estações existiam os seguintes cargos: chefes, maquinistas,


sinalizadores e guardas. Na operação dos trens, tínhamos os maquinistas, foguistas,
cabineiros, manobradores, dentre outros.

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Da mesma forma que existia uma hierarquia profissional dentro das empresas
ferroviárias, a hierarquia do traçado urbano era claro: as construções tiraram partido
das curvas de nível e estabelecem a hierarquia da ocupação, ou seja, nos lugares
mais elevados estavam as casas destinadas aos chefes dos setores.
Assim, o projeto das moradias era feito de acordo com a qualificação da mão
de obra operária, seu estado civil e o cargo que ocupava dentro da empresa. Essas
diferenças eram expressas, principalmente, no tamanho da casa e do lote e na
localização do banheiro (dentro ou fora do corpo do edifício). Como exemplo, a Rua
Rodrigues Alves, popularmente conhecida como Rua dos Ingleses, era o local onde
moravam os altos funcionários da companhia.
Existiam 5 categorias de habitação, classificadas pelos ingleses, sendo elas
A, B, C, D, E1 e E2. Além dessas, há ainda as residências isoladas, destinadas aos
funcionários do alto escalão da ferrovia e do barracão de solteiros.

Figura 21: Localização das tipologias e equipamentos (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

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5.3.1. CASAS ISOLADAS

O exemplar que corresponde a unidade isolada é uma variação do tipo B


(geminada). Sua área é maior do que nas demais tipologias e construída com a
finalidade de atender a técnicos engenheiros, geralmente ingleses.
Apenas 4 destas foram construídas, todas elas situadas na Rua Rodrigues
Alves, com um certo distanciamento das casas operarias. Seus terrenos variam de
1512 m² a 2040 m².

Figura 23: Primeira casa isolada (Fonte: O Figura 22: Segunda casa isolada (Fonte: O
Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba; Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba;
CRUZ, Thais) CRUZ, Thais)

Figura 25: Terceira casa isolada (Fonte: O Figura 24: Quarta casa isolada (Fonte: O
Urbanismo da Vila ferroviária de Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba;
Paranapiacaba; CRUZ, Thais) CRUZ, Thais)

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O que estas tipologias têm em comum são as mesmas esquadrias
regularmente dispostas, elementos em destaque como chaminés das lareiras,
lambrequins e cobertura em várias águas.
A primeira e a segunda casa tinham, originalmente, o telhado em ardósia.
Porém, com a reforma em 1950, receberam placas quadriculadas de cimento
amianto, os quais lá estão até hoje.
A terceira casa foi destruída em um incêndio provocado pelo próprio morador
em 2002.
A cobertura da quarta casa é constituída de telha francesa.
O que difere nelas, além da divisão interna onde cada qual segue um
programa, são alguns elementos arquitetônicos como a volumetria, o alpendre
avançado e a ornamentação em madeira abaixo do lambrequim (primeira casa), o
alpendre corrido e a presença de uma bay-window (segunda casa), a inexistência de
mão-francesa e o alpendre entalado (quarta casa).
As réguas dos vedos ora estavam presentes na horizontal (primeira e quarta
casa), hora na vertical, constituídas de pinho de Riga.
As casas estão centralizadas no lote, garantindo recuo dos quatro lados. Aos
fundos existem pequenas casas (edículas) constituídas dos mesmos materias que a
residência principal, porém com cobertura de duas águas.
São exemplares com áreas variando entre 212 e 288 m², com amplas
dependências de quartos e salas, cozinha geralmente ligada a dispensa, instalações
sanitárias com banheira de louça e armários embutidos, hall de circulação e
pátio.Todas são providas de lareiras e fogão-a-lenha.
Em geral, são moradias muito bem arejadas e iluminadas, cercadas por
alpendre e voltadas para o jardim.
Atualmente, a primeira casa é um antiquário, a segunda funciona como
pousada e a quarta é um centro de visitantes da subprefeitura de Paranapiacaba.

30
Figura 26: Primeira casa isolada (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

Figura 27: Segunda casa isolada (Fonte: O Urbanismo


da Vila ferroviária de Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

31
Figura 28: Quarta casa isolada (Fonte: O Urbanismo da Vila
ferroviária de Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

5.3.2. TIPO "A"

Exemplares desta tipologia são encontrados nas Avenidas Ford, Fox e uma
delas dando frente para Avenida Campo Sales, em esquina com o campo de futebol.
Possuem aproximadamente 50 m² por residência, geminadas, com planta
simples abrigando três cômodos pequenos em madeira e uma cozinha com parte
das paredes em alvenaria e piso cimentado, alpendre coberto e banheiro externo.
Todas as residências eram providas de um fogão-a-lenha, sendo que esta
tipologia estava destinada a uma família pequena, cabendo ao morador a destinação
de cada cômodo, uma vez que, com exceção da cozinha, os demais cômodos
possuíam praticamente o mesmo tamanho e todos eram denominados como "sala".
32
Os telhados possuem 6 águas, com cumeeira principal paralela à rua.
Originalmente, sua cobertura era feita de telhas francesas de Marseille, com beiral
largo sustentado por mão-francesa de madeira, contendo ornamentação de
lambrequins do mesmo material.
As janelas do tipo guilhotina emolduradas e protegidas pelo beiral. A porta
principal, em madeira, geralmente apresenta folha dupla com verga reta e bandeira
com vidro. Quando não, são folhas simples, com largura de 80 cm. O contrapiso é
elevado em relação ao nível da rua. Sobre este há um piso de assoalho, constituído
de réguas de pinho de Riga com 20 cm de largura. Na cozinha, o piso era
cimentado.
As paredes eram constituídas de tábuas que se encaixavam por meio de
encaixes macho-fêmea. Todas as dependências possuem iluminação direta, forros,
inexistência de corredores internos e os cômodos se comunicam diretamente.

Figura 29: Tipo A- planta baixa com acréscimos para adaptação à


atualidade (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba;
CRUZ, Thais)

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Figura 30: Tipo A - Elevação frontal (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

Figura 31: Tipo A - Elevação lateral (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de


Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

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Figura 32: Residência Tipo "A" (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba; CRUZ,
Thais)

5.3.3. TIPO "B"

A tipologia B, assim como a tipologia A, possui unidades germinados.


Contudo, diferente da primeira, esta apresenta mais dois ambientes presentes na
residência construídos em madeira.
Possui 5 cômodos denominados como sala, duas delas voltadas para a frente
do lote e, as outras, para a lateral, circundado por um alpendre coberto e forrado,
sendo o beiral bem mais largo e, por consequência, a mão- francesa é maior.
Sua fachada apresenta, para cada uma das casas, um conjunto de duas
janelas intercaladas pela porta. A cobertura possui 10 águas no total, com a
cumeeira principal paralela a rua.
Possuem residências com aproximadamente 70 m², onde o programa varia de
acordo com cada morador. Os montantes das paredes dão a possibilidade de ser
removidos ou deslocados para obter maior espaço ou mesmo criar um hall.

35
Nestes exemplares, destinados a funcionários de hierarquia superior, as
paredes são duplas tanto interna quanto externamente.

Figura 33: Tipo B - Planta Baixa com acréscimos para adaptação à atualidade (Fonte: O Urbanismo
da Vila ferroviária de Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

36
Figura 34: Tipo B - Elevação frontal (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

Figura 35: Residência Tipo "B" (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba;
CRUZ, Thais)
37
5.3.4. TIPO "C"

Figura 36: Residência Tipo "C" (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba; CRUZ,
Thais)

Conhecido como "Castelinho", foi o único exemplar da tipologia C construído


na cidade. Pertencente ao engenheiro chefe da SPR, foi construído em 1879, onde
um de seus moradores foi o engenheiro inglês Daniel Fox.
Localizado no alto da colina, possui vista para todo o núcleo urbano, assim
como, também, para o pátio de manobras, a estação e as instalações das maquinas
fixas no ultimo patamar.
A residência foi completamente importada, compreendendo estruturas,
vedações, coberturas, escadas e peças de acabamento, que eram aqui montadas
conforme as instruções e desenhos que a acompanhavam.
Alguns detalhes eram feitos em ferro. Porém, a grande maioria era de
madeira de pinho de Riga. Este tipo de construção era mais rápida e não
necessitava de mão de obra especializada.
38
A edificação conta com mais de 20 cômodos distribuídos em dois pavimentos,
mais um sótão. Em seu interior, existem seis lareiras, fogão a lenha, banheira com
água quente, dependências para empregados, adega e escritório.

Figura 37: Residência Tipo "C" (RUBIO, Samantha)

A casa é organizada em torno de um hall com seus espaços domésticos


específicos, sociais, íntimos e serviço. Ao fundo, estão localizados os setores de
serviço, como a cozinha e copa, que possuem ligação direta à sala de jantar, na ala
social. Próximos a esta, estão a dispensa e os aposentos para criados, ao lado da
lavanderia com acesso pelo fim do corredor central.
O banheiro está localizado próximo a cozinha, onde o fogão a lenha fornece
água quente pelo sistema de serpentinas.
Nesta edificação, o alpendre circunda toda a área social.
A qualidade que marca esta residência consiste no espaço e na privacidade
adquiridos em cada cômodo, cujo uso já estava determinado na casa. O escritório,
por exemplo, esta situado a direita do hall de entrada, local onde poderia receber
qualquer funcionário da ferrovia sem que fosse necessário maior acesso aos
cômodos da residência.
No andar superior está a ala privada da casa, também seguindo a distribuição
ao redor de um hall central. Dos quatro dormitórios, três deles contam com lareira e
dois com armários embutidos.
39
O tipo de arquitetura empregada aparenta ser do movimento "Arts & crafts"
com telhados inclinados, volumes sóbrios, simplicidade e honestidade no desenho
construtivo e adequação estrutural, presença de bay-window, volume das chaminés
em tijolo aparente projetando para o exterior.
Possui simetria na disposição das esquadrias, contando com duas janelas e
uma porta principal, no térreo e três janelas simetricamente dispostas no pavimento
superior, com venezianas de madeira e caixilhos de vidro.

Figura 38: Tipo C - Planta Baixa Térreo (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba;
CRUZ, Thais)

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Figura 39: Tipo C - Planta Baixa pavimento Superior (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

Figura 40: Tipo C - Elevação frontal (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de


Paranapiacaba; CRUZ, Thais)
41
Figura 41: Tipo C - Elevação lateral (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba;
CRUZ, Thais)

5.3.5. TIPO "D"

Estavam previstas a construção de dois exemplares, porém apenas um


edifício foi construído e, ao longo do tempo, teve seu projeto alterado para receber
as instalações da Sociedade Lyra da Serra, um clube musical, em 1899, juntamente
com o primeiro cinema da vila.
O edifício guarda uma volumetria com jogo de telhados, contendo anexos em
alvenaria com variação de altura (estes inseridos posteriormente). Possui os
mesmos elementos arquitetônicos das demais residências como vedos em réguas
horizontais, janelas em guilhotina com meia folha cega e meia folha veneziana, além
de conter lambrequins.

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Figura 42: Residência Tipo "D" (RUBIO, Samantha)

5.3.6. TIPO "E"

Sua implantação varia de 4 a oito unidades


geminadas, podendo ser encontradas de duas
formas: E1 e E2.
Aquelas pertencentes ao grupo E1,
geralmente eram destinadas a casais sem filhos,
com planta extremamente simples, contando apenas
com dois cômodos em madeira: sala e dormitório. A
cozinha e o banheiro estão situados externamente.
Existem dois exemplares desta categoria,
com agrupamentos germinados de 8 casas,
próximos ao mercado.
A segunda tipologia, conhecida como E2,
possui 4 cômodos: dois dormitórios e duas salas. Figura 43: Tipo E2 - Planta
Baixa (Fonte: O Urbanismo da
Nesta unidade, a cozinha e o banheiro, assim como Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)
na outra, estão localizados fora do corpo da casa.

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Nesta categoria, cada modulo é composto de quatro residências, todas
compartilhando uma mesma cobertura de duas águas com cumeeira paralela a rua.
A cobertura do telhado ora é feita de telha francesa ou também pode ser encontrado
em ardósia. Também existem grupos em que o lambrequim foi retirado para
utilização de calhas para escoamento das águas pluviais.
As demais características repetem as das primeiras tipologias citada.

Figura 44: Tipo E - Esquema de germinação (Fonte: O Urbanismo da Vila


ferroviária de Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

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Figura 45: Tipo E2 - Elevação lateral (Fonte: O Urbanismo da Vila
ferroviária de Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

Figura 46: Tipo E2 - Elevação frontal (Fonte: O


Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba;
CRUZ, Thais

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Figura 47: Residência Tipo "E" (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba;
CRUZ, Thais)

5.3.7. ALOJAMENTO PARA SOLTEIROS

A tipologia destinada para solteiros implantada na Vila Velha se difere


daquelas da Vila Smith pela presença de porta e janela, com acesso independente
em cada cômodo, enquanto que na outra o acesso é único e centralizado por um
corredor onde se distribuem os dez cômodos destinados aos trabalhadores.
A cozinha e o banheiro coletivo formam um bloco a parte do corpo do edifício.
Construção simples com cobertura em duas águas, cumeeira central, fachada
principal homogênea com janelas em guilhotina sem venezianas.

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Figura 48: Alojamento para solteiros - Planta Baixa (Fonte: O Urbanismo da Vila
ferroviária de Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

Figura 49: Alojamento para solteiros (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de


Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

3.3.8. MERCADO

O mercado está localizado na bifurcação das avenidas Campos Sales com a


Rua Rodrigues Alves.
Possui planta simples e retangulares de 12 x 26 m. Seu sistema construtivo
consiste, basicamente, de alvenaria e madeira: metade em painéis de madeira
vazados que contam ainda, cada um deles com uma janela em guilhotina, e a outra
metade em alvenaria.
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A cobertura não possui forro e seu revestimento consiste em telhas de barro
do tipo francesa, sustentada por tesouras (apoiadas em pilares menores no interior
do edifício e nos maiores, salientes na fachada), composta por duas águas, sem a
presença de calhas.
O espaço interno era dividido em boxes, agrupados nas laterais, permitindo a
fácil circulação no interior. Neste local funcionavam açougue, bar, empório de secos
e molhados, bazar, quitanda, torrefação de café e agencia de correio.

Figura 50: Antigo mercado de Paranapiacaba (fonte: https://spcity.com.br/esta-chegando-o-festival-


de-inverno-de-paranapiacaba/)

3.3.9. CLUBE UNIÃO LIRA SERRANO

Construído em 1907 e ampliado em 1938, teve sempre grande prestígio junto


à comunidade local. Possui um grande salão principal versátil para sala de cinema
ou salão de bailes; sala para jogos de biliar; sala para tênis de mesa; sala de
reuniões; campo de futebol; quadra de tênis de uso exclusivo dos ingleses.
O edifício e todos seus principais componentes como a estrutura, paredes de
vedação, esquadrias e escadaria, são constituídos de madeira de pinho de Riga,

48
seguindo a mesma técnica construtiva das casas da vila, porem adaptando-se ao
terreno, onde toda ela foi erguida sobre pilaretes de pedra e alvenaria, distribuídos
por todo o subsolo d edificação.
A edificação dividi-se em três alas principais: hall de entrada, grande salão e
as salas do segundo pavimento.
No piso térreo encontramos, a esquerda do hall a sala de jogos, enquanto que
o grande salão esta numa conta inferior a estes dois cômodos.
A fachada principal possui uma simétrica dada pela disposição das abertas.
Existem duas entradas principais, com folhas duplas e bandeiras envidraçadas logo
acima.

Figura 52: clube união lira serrano Figura 51: Fachada principal (Fonte:
(RUBIO, Samantha) http://paranapiacando.blogspot.com.br/2012/0
5/clube-uniao-lyra-serrano.html)

3.3.10. ESCOLA PRIMÁRIA

A administração inglesa construiu um edifício de madeira onde se instalou o


primeiro grupo escolar, construído na época do segundo sistema funicular, no fim da
Avenida Antonio Olyntho, que iniciou suas atividades em 1911. Porem as
informações sobre este edifício são escassas.
No ano de 1938 iniciou-se a construção de um novo prédio escolar feito em
tijolo de barro, contando com salas de aula bem ventiladas, sala da diretoria e um
pátio externo com play-ground para as horas de recreio.

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Figura 53: Grupo escolar construído na Vila Martin (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

3.3.11. HOSPITAL DO ALTO DA SERRA

Os edifícios que fazem parte deste complexo são enfermarias (1855), hospital
(1862) e casa do médico residente (1863). Todas estão localizadas ao fim do
Caminho do Hospital, já na encosta do morro, num platô isolado e completamente
afastado dos núcleos urbanos na intenção de evitar a propagação de doenças e
epidemias.
O hospital era formado por um conjunto de construções em madeira que
traziam alguns referenciais visuais fortes que denotavam o uso especifico do local,
como a marca da cruz vazada nas janelas dos edifícios, como também no eficiente
sistema de iluminação natural obtido por claraboias superiores na sala de
operações.

50
Todo o conjunto arquitetônico foi construído de acordo com a técnica padrão
utilizada na ferrovia: base de alvenaria, madeira encaixada para a solução das
paredes, telha de barro francesa. O edifício da enfermaria possui lambrequim
recortado no beiral.
A residência do medico segue o padrão utilizado nas moradias destinadas
aos mais altos cargos (casas isoladas). Possui salas, quartos, cozinha e área de
serviço interligados, um estreito e pequeno quintal ao fundo.
Seu diferencial esta em uma pequena sala para atendimentos médicos e um
corredor com iluminação feita pela claraboia.

Figura 54: Enfermaria e detalhe da cruz na janela (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

Figura 55: Antigo hospital e detalhe da iluminação zenital (Fonte: O Urbanismo da Vila ferroviária de
Paranapiacaba; CRUZ, Thais)

5.4. ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

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A Vila já contou com três estações. A primeira, provisória e muito simples,
estava situada em frente ao largo dos padeiros e fazia parte do primeiro sistema
funicular, sendo inaugurada em 1874. A segunda, localizada no centro do pátio
ferroviário, ficou conhecida como antiga estação, construída em 1898.
Tanto a primeira quanto a segunda não existem mais.
A terceira e atual estação conta apenas com a plataforma e a torre do relógio, que
sofreu algumas alterações quanto a sua altura e localização.
A estação ferroviária foi importada e chegou ao país completamente
desmontada, numerada peça a peça, o que facilitava a montagem, tornando a
construção mais rápida sem a necessidade de mão de obra especializada.
Em um eixo imaginário, simétrico em relação a passarela metálica, o corpo
principal abrigava o vestíbulo como uma grande sala de espera, o setor de
bagagens e encomendas, uma área destinada para o posto telegráfico e outras
dependências. Na ala a esquerda desse eixo, estavam as dependências do bar-café
e sanitários e, no outro extremo, a ala destinada ao chefe da estação.
Na estação, erguia-se a torre do relógio, acoplada ao edifício, feita de
madeira, com 14,4 m de altura.
A estação foi desativada em 1977. Pegou fogo em 1981, restando apenas a
plataforma da antiga estação. O mecanismo de funcionamento do relógio foi
recuperado e instalado numa nova torre reconstruída em alvenaria.

Figura 56: Estação Alto da Serra, primeiros anos do século 20 (Fonte:


http://www.estacoesferroviarias.com.br/p/paranapiacaba.htm)

52
Figura 57: Atual estação ferroviária (Fonte: http://onixcultural.com.br/paranapiacaba/)

5.5. PÁTIO FERROVIÁRIO

A arquitetura ferroviária se faz presente em Paranapiacaba com edifícios e


equipamentos como o relógio da estação, galpões e as casas de máquina, do qual
restam as 4ª e 5ª machine.
Aqui se faz presente a arquitetura de vigilância, uma vez que o sistema de
maquinas exige a observação, providenciando paredes elevadas e janelas abertas
no alto, impedindo a visão para o exterior.
Estes edifícios são construídos com alvenaria de tijolos aparentes sobre
embasamento de pedra.
As primeiras oficinas foram construídas em madeira, com embasamento em
alvenaria. A cobertura original era constituída de telhas de barro no estilo Frances.

53
Figura 59: Virador (RUBIO, Samantha) Figura 58: Casa de Manutenção (RUBIO,
Samantha)

Figura 60: Antiga locomotiva histórica (RUBIO, Samantha)

54
Figura 61: 5ª Machine onde hoje funciona o museu funicular (Fonte:
https://www.tripadvisor.com.br/LocationPhotoDirectLink-g2429510-d2429539-i151767599-
Parque_Natural_Municipal_Nascentes_de_Paranapiacaba-Paranapiacaba_State.html)

Figura 62: Parque ferroviário (RUBIO, Samantha)

55
6. TOMBAMENTO: RECONHECIMENTO DO PAPEL CULTURA E
DO VALOR PATRIMONIAL DE PARANAPIACABA

Figura 63: Poligonais de tombamento (Políticas de patrimônio e o desenvolvimento urbano na vila


ferroviária de Paranapiacaba; D'AGOSTINI, Fernanda)

O tombamento municipal de Parapiacaba por meio do COMDEPHAAPASA,


teve inicio em 1996 e foi homologado em 2003. Apresenta a maior área tombada,
dentre todas as outras relacionadas nas demais instancias, incluindo a área urbana,
o parque Natural Municipal de Nascentes de Paranapiacaba. Também são

56
tombados a linha férrea e seus complementos, como as ruínas das pontes da Serra
Velha e da maquina fixa do 4º Patamar.
No âmbito federal, o IPHAN iniciou o processo de tombamentos da Vila de
Paranapiacaba no ano de 1985, concluindo em 2002. O tombamento teve como
motivação o valor histórico do conjunto, desta forma, a área tombada esta contida
em uma poligonal, resalvados os bens móveis: máquinas, equipamentos,
locobreques, locomotivas e vagões.
No caso da CONDEPHAAT, o tombamento teve inicio em 1982, tendo sua
aprovação em 1987 por meio da resolução estadual nº 37/87, resolução que
determina o tombamento em esfera estadual como bem cultural de interesse
histórico, arquitetônico e urbanístico, ambiental e tecnológico.

Figura 64: Quadro síntese de tombamento (Políticas de patrimônio e o desenvolvimento urbano na


vila ferroviária de Paranapiacaba; D'AGOSTINI, Fernanda)

57
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Algo muito pertinente na sociedade contemporânea é a mudança constante e


em grande velocidade, sendo necessário a conciliação do novo e do antigo em um
mesmo ambiente. Com este fato, houve a necessidade da integração do patrimônio
histórico no planejamento da cidade de Paranapiacaba.
Essa inserção em planos de projeto urbano viabiliza a implantação e o
financiamento para a preservação do local, o qual depende das legislações para
mantê-lo integro.
A partir do potencial turístico identificado pela PMSA, que em 2002 comprou
a Vila de Paranapiacaba, foi implantada uma gestão urbana visando a melhoria da
qualidade de vida dos moradores. Neste caso, para que o desenvolvimento
sustentável embasado nas atividades políticas tenha êxito, é necessário a atuação
conjunta dos setores públicos e privados.
A opção pelo turismo adotada no plano mostra-se frágil e desarticulada em
relação a preservação do patrimônio, aplicadas em forma de eventos isolados em
espaços dentro da Vila, provocando um grande impacto ambiental pelo grande
numero de turistas em um tempo curto, gerando a super utilização da estrutura.
A gestão de patrimônio organizou e regulamentou o uso e ocupação dos
imóveis da área. Contudo, a divisão do território proposta, utizando-se da
setorização, mostra grande incompatibilidade com a realidade local e com a
valorização da paisagem. Alem de restringir a ocupação dos imóveis residenciais
pelo uso dificultado a ocupação dos mesmos por chamamento publico para a
ocupação de imóveis residências e licitações para ocupação dos empreendimentos
e outros usos comerciais.
O desenvolvimento local em ambientes cujo patrimônio faz parte, em que a
ferrovia é fundamental para seu desenvolvimento pelo turismo, torna necessário um
planejamento integrado capaz de articular interesse municipal e regional. Desta
forma, o ponto de convergência do planejamento integrado é a ferrovia, interesse
comum a vários municípios e ausente na abordagem do Plano Patrimônio,
desenvolvido para a Vila de Paranapiacaba com o intuito de instaurar diretrizes e
propostas para o desenvolvimento da cidade e planos turísticos.

58
Ao desconsiderar uma maior integração com a ferrovia - dando-lhe um papel
menor como um "turismo isolado" que se resume a um passeio de trem - o Plano
Patrimônio caracteriza-se como pontual e sem qualquer relação com a escala
regional, deixando clara a falta de estratégia para o desenvolvimento
socioeconômico local.
Em Paranapiacaba a ideologia de conservação integrada se deu apenas no
primeiro momento de implantação do Plano Patrimônio - instituído em 2014 - em
que empresas privadas investiram para a restauração e melhoria dos imóveis para
cumprir as exigências dadas ao turismo.
Atualmente, a cidade sofre com a falta de manutenção do patrimônio, onde
muitos dos bens tombados encontram-se em estado de degradação avançado. Este
fator influencia no turismo, pois houve uma redução considerável de frequência na
Vila com o passar do tempo.
O subtítulo "Tranquilidade, Beleza e Paraíso" é derivado de uma pergunta
feita à Dinora, moradora da cidade a 61 anos, onde lhe foi pedido para descrever a
cidade em três palavras.
Tranquilidade devido a calmaria, conforto e nostalgia que a Vila traz aos
moradores; Beleza por ser provida de maravilhas naturais e harmonia das
construções; e Paraíso pelo conjunto de todas as sensações que a pequena cidade
pode trazer.

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8. REFERÊNCIAS

TERRA. Conheça a história de Paranapiacaba. Disponível em:


http://www.terra.com.br/turismo/noticias/2002/08/27/002.htm

PREFEITURA DE SANTO ANDRÉ. História da Vila e da Ferrovia. Disponível em:


http://www2.santoandre.sp.gov.br/index.php/historia/historia-da-vila-e-da-ferrovia

ABPF. Museu tecnológico ferroviário - Paranapiacaba. Disponível em:


htttp://www.abpfsp.com.br/museu_ferroviario_paranapiacaba.htm

CRUZ, Thais. O Urbanismo da Vila ferroviária de Paranapiacaba, p. 1-195, 2007.

D'AGOSTINI, Fernanda. As Politicas e o Desenvolvimento Urbano na Vila


Ferroviária de Paranapiacaba, p. 1-143, 2014.

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