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Deus

A grande maioria dos seus amigos acredita nEle. São poucos os que duvidam de sua
existência e, na maioria das vezes, quando dizem não acreditar, na realidade estão mais contra os
que acreditam nEle do que contra Ele propriamente dito.
Você, com sua fina percepção das coisas, notará que nove entre dez amigos seus que não
praticam religião admitirão que, embora não acreditem em atos religiosos ou em sua necessidade,
todos eles acreditam em Deus. Infelizmente, a experiência ensina que um grande número deles, para
não dizer a maioria, dizendo não aceitar o Deus de certas religiões acabam criando, também eles,
um deus de acordo com a sua vontade pessoal.
Parece que, quanto mais cultura certos jovens adquirem, mais eles confundem o direito de
questionar com o direito de negar. Pensam que, por ressaltarem sempre o lado negativo da religião,
estão provando que eles estão certos. Comportam-se como o homem que se proclama sábio, porque
provou a todos que dois e dois não são cinco. Para se ter razão não basta provar que o outro não
tem. Você também pode estar tão errado quanto ele, embora tenha tirado conclusões diferentes.
Jesus Cristo anda meio rechaçado em certos meios estudantis. É um dos excedentes mais
importantes de nossas faculdades. Ele nunca passa nos testes de lógica, de certa gente, que não
gosta da religião que o apresenta, nem das idéias que Ele teria deixado ao mundo. Simplesmente,
NÃO HÁ VAGA PARA JESUS CRISTO em alguns colégios e faculdades de nosso país. Nem em
certos lares, nem em certas rodas de amigos.
Para muitos jovens, pode-se dizer que Deus já era. Mas o engano é de quem diz coisa
semelhante. Como poderia deixar de ser, alguém que nunca foi alguma coisa na vida deles? Para
muitos, nunca houve realmente um encontro consciente de filho para pai, nem de irmão para irmão
com Jesus Cristo. Na idade em que poderiam abrir os olhos e os ouvidos, preferem abrir a boca.
Falam do que não viram nem ouviram.
— “Não creio em Deus por causa das injustiças, da falta de liberdade, das crianças que
sofrem, da guerra, dos aleijados, dos inocentes que pagam, dos bons que sofrem e dos maus que
gozam a vida, da falsidade de certa gente que se diz religiosa etc, etc...”
Você já ouviu isso, não e verdade?
O argumento desses amigos seus deveria ser mais claro. Deveriam, por exemplo, dizer:
— “Deus não faz aquilo que eu acho certo. Por exemplo, Ele continua deixando a injustiça,
as doenças, a miséria, as guerras, os aleijados, o sofrimento e tantas outras coisas acontecerem por
aí. Se eu fosse Deus, eu não deixaria. Um Deus que é Deus não deixa nada de errado acontecer e só
permite coisas boas aos seus filhos. Por isso, eu não creio em Deus. Se Ele coubesse na minha
lógica e entrasse na minha, aí sim eu acreditaria nEle. Estou decepcionado com um Deus que não

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cuida dessas coisas”.
Não é bem assim que eles falam, mas é muito parecido. A fome de felicidade, porém,
continua no coração deles. E o desejo de moralizar o mundo e acabar com as injustiças, a fome, a
miséria, e o desejo de que haja paz, e mil coisas positivas, entram em sua mente. O homem tem
vontade de ser infinito e não sabe.
Os filósofos, que são recomendados em certas escolas, sabem fazer mil perguntas e levantar
mil questões. É o direito de um filosofo.
Jesus Cristo, que quase nunca é recomendado em certas escolas, sabe dar mil respostas e
fala como quem tem autoridade, sem dúvida, e sem sistemas filosóficos. Ao invés de um sistema,
Ele propõe a própria pessoa.
Para que você não caia na mesma tentação, reflita um pouco:
Deus nunca vai caber em nossa lógica. Não é o soquete que deve caber na lâmpada, e sim
esta que deve caber naquele. Enquanto alguém medir a presença ou bondade de Deus pelo que Ele
deveria ou poderia fazer de acordo com nossa fraca opinião, estaremos longe dEle; muito longe,
mesmo!
Deus não pode ser esquematizado. Ele é aquele que É. Nós perecemos. Ele vive, nós
recebemos vida. Um simples minuto de respiração, que para nós parece a coisa mais natural do
mundo, é um constante ato de criação daquEle que nos mantêm a vida pelo tempo e nas condições
que melhor lhe aprouverem. Ficamos feridos porque não é como imaginamos. E rompemos com
esse Deus!
Deus terá em você a dimensão que você quiser dar a Ele. Será um paizinho tolerante, se
você tem medo da responsabilidade; um amigão contemporizador se você insiste em criar a sua
própria moral; um policial muito atento, se você encara a vida como um campo de concentração;
um vigia distraído, se você vive reclamando da desordem do mundo atual; ou um Pai atento e
delicado ao educar para a vida, conduzindo sem ferir a liberdade, se você acredita que Ele é infinito
e sabe amar. A escolha é sua. Mas não imagine que, por você dar a Ele uma dimensão errada, Ele se
torne mais limitado por causa disso.
O infinito pode se dar ao luxo de caber dentro do finito. É este que, não conseguindo nem se
comparar àquele, vive teimando em enquadrá-lo dentro de uma lógica finita, humana e imperfeita.
O DEUS DE AMOR quer contar com as suas potencialidades para mudar o mundo. Você
entende ou não entende o que significa isso?... Se não entender, o mundo continuara girando. Quem
terá estacionado é você.