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Nutrição do paciente oncológico

Joaquim J. Pereira Henriques

Oncovet: Av Afonso Costa,36-1950-440 Lisboa


CICV- Fac. Medicina Veterinária- Univ. Lusófona Humanidades e Tecnologias
Av Campo Grande, 376- Lisboa
oncovet@gmail.com

A nutrição desempenha um papel fundamental na prevenção e tratamento do paciente


oncológico, seja ele Humano ou Veterinário.

É sabido que determinado tipo de alimentação está associado a um risco aumentado de


desenvolver neoplasias malignas. Nos animais, talvez o hipertireoidismo felino esteja
associado ao consumo de alimento enlatado. Mas nem tudo são más notícias. Os alimentos
são uma grande ajuda na terapêutica oncológica. Foi do conhecimento geral a notícia do
prémio de investigação atribuído a uma nutricionista portuguesa sobre a associação entre uma
correcta alimentação e a recuperação dos pacientes a receber tratamento para cancro. Na
veterinária, os estudos não são tão vastos como no campo humano. Contudo, já existem dados
que suscitam interesse na classe veterinária e com resultados interessantes.

O enfermeiro veterinário desempenha um papel crucial neste campo pois podem ser os olhos
e a palavra do veterinário fora do consultório. Através da conversa com os proprietários, o
enfermeiro pode aperceber-se de pormenores que muitas vezes os responsáveis pelos animais
não contam ao veterinário. Para além disto, são factores de ligação entre o clínico e o
paciente.

A náusea, o vómito e a anorexia são sintomas frequentemente presentes no paciente


oncológico, seja na fase pré-tratamento, como no caso de uma neoplasia gastrointestinal, seja
depois associado aos fármacos citotóxicos que se utilizam para tratar o cancro. Pode, ainda,
estar presente a aversão alimentar que se desenvolve no doente após experiência traumática
com a comida (ex. alimentos líquidos forçados ou que lembram período de stress) e que nos
gatos pode durar até 40 dias!

A avaliação nutricional do paciente, desde a primeira consulta até ao final dos tratamentos,
deve fazer parte, tal como a avaliação do hemograma, do esquema e planos terapêuticos.

O enfermeiro pode estabelecer parâmetros de avaliação nutricional, tabelas de condição


corporal e fichas nutricionais para cada paciente e ajudar o responsável pelo animal a
compreendê-las e a seguir o plano nutricional definido. É importante no ambiente hospitalar o
enfermeiro avaliar a condição corporal do animal e a evolução do peso ao longo do período de
internamento. No caso de balanço energético negativo, cabe ao enfermeiro elaborar, com a
ajuda do médico veterinário, um plano de recuperação para o paciente.

Não existe um alimento ou dieta específicos per se, para o cão ou gato com cancro. Existem
alimentos comerciais que demonstraram vantagens clínicas quando utilizados em doentes com
tumores particulares, como no caso do linfoma em cães. Contudo, face ao conhecimento que
temos, uma alimentação considerada adequada deve ser rica em proteína de boa qualidade,
carbohidratos de absorção lenta, ácidos gordos ómega 3 e fibra. Pode ainda considerar-se de
utilidade suplementar a alimentação com arginina e anti-oxidantes, estes últimos ainda
controversos. Existem no mercado alimentos comerciais muito completos, que incluem na sua
formulação estes micronutrientes de forma adequada. A presença de doenças concomitantes
ou alterações fisiológicas/metabólicas devidas ao próprio tumor ou terapêutica, devem
também ser consideradas no plano terapêutico alimentar. Por exemplo, o Psyllium, fonte de
fibra e absorvente de água, presente em alguns alimentos, pode ajudar a moldar as fezes num
paciente com dejecções diarreicas.

Em suma, não se pode dizer que existe uma dieta para os pacientes com cancro, mas sim que
cada paciente com cancro, deve ter uma abordagem nutricional que contemple tanto as
considerações metabólicas gerais como as particularidades de cada doente.