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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS


FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS
ETNOLOGIA INDIGENA E POLITICAS INDIGENISTAS
DOCENTE: KATIANE SILVA
DISCENTE: FERNANDO DA COSTA CRUZ

RESENHA DO TEXTO:MÉTODOS E RESULTADOS DA AÇÃO INDIGENISTA


NO BRASIL / HERBERT BALDUS.

BELÉM, 2018
Resenha :MÉTODOS E RESULTADOS DA AÇÃO INDIGENISTA NO BRASIL /
HERBERT BALDUS.

Fernando da Costa Cruz 1

Herbert Baldus, antropólogo Teuto-brasileiro é um daqueles personagens donos de


uma biografia singular, ao mesmo tempo comum, sem deixar porem de ser instigante,
dentro da história de constituição da antropologia nacional. Alemão de nascimento e ex
aviador durante a primeira guerra mundial, ele descobre a prática antropológica em uma
então rotineira expedição cientifica estrangeira a povos indígenas na américa do sul,
apaixonando-se pela pratica etnológica, alterando assim, mesmo sem saber, seu destino
para sempre. Com a ascensão nazista na Alemanha em 1933, segue para o exílio e
estabelece o Brasil de vez , como sua casa.(Silva, 2000)

Dono de vasta produção e influência acadêmica, durante sua vida produziu,


especialmente no período entre as décadas de 1940 e 1960, estudos sobre os mais
variados grupos indígenas brasileiros, relutando em seguir a tendência da especialização
em um único grupo, assim como participou enquanto docente da formação de vários
intelectuais, muitos dos quais teriam futuramente papel destacado nas ciências sociais
brasileiras. :

“Nos cursos e seminários que dirigiu na Escola de Sociologia e Política,


foram, de uma forma ou de outra, seus discípulos algumas pessoas que
vieram a ocupar lugares da maior importância nas Ciências Sociais no Brasil
(alguns com renome internacional), entre elas: Oracy Nogueira (mestrado em
1945), Gioconda Mussolini (idem), Virgínia Leone Bicudo (idem), Lucila
Hermann (mestrado em 1946), Florestan Fernandes (mestrado em 1947),
Fernando Altenfelder Silva (mestrado em 1949), Levy Cruz (mestrado em
1951), Sérgio Buarque de Holanda (mestrado em 1958), Darcy Ribeiro,
Juarez Brandão Lopes, Cândido Procópio Ferreira de Camargo, Alfonso
Trujillo Ferrari, EgonSchaden, João Baptista Borges Pereira, David
Maybury-Lewis, Roberto Cardoso de Oliveira, entre outros”(Silva, 2000)

1
Graduando de Ciências Sociais na Universidade Federal do Pará
No artigo “Métodos e resultados da ação indigenista no Brasil “, Herbert faz um
breve relatório histórico comparativo dos resultados alcançados pela política
indigenista nacional , partindo de uma categorização das formas que essa política
tradicionalmente apresentou, quais seriam: proteção , pacificação e aculturação dirigida.

Inicialmente amistosas e amigáveis, as relações entre indígenas e os colonos europeus,


segundo Baldus, com o passar do tempo se deterioram , proporcionalmente a expansão
territorial e econômica da colonização portuguesa, e o conseqüente extermínio,
exploração e expulsão de vários grupos indignas de suas terras tradicionais.
(Baldus,1954)

Baldus, data do fim do séc. XIX o inicio de um debate relativo a


institucionalização do trato a “questão indígena”, tendo como precursores de uma
política de defesa dos indígenas contra as agressões do “progresso” , José Bonifácio ,
que e o que posteriormente se tornaria a principal figura do indigenismo brasileiro no
inicio do século XX, o militar Cândido Mariano da Silva Rondon, (Baldus, 1954).

Rondon, de formação militar e influencia intelectual positivista. Se tornaria o “ pai


fundador” da política indigenista nacional e de sua primeira agência, o Serviço de
Proteção ao Índio , formado em 1910, este pautado e sob grande influência de Rondon,
pelo menos ate a década de 1940 na ausência de um quadro teórico qualificado e de
uma política definida, utiliza os “quatro princípios” de seu principal dirigente no tocante
a ação frente as populações indígenas :

''Morrer, se preciso for, matar, nunca'',respeito às tribos


indígenas como povos independentes''; ''garantir aos índios a
posse das terras que habitam e são necessárias à sua
sobrevivência''; ''assegurar aos índios a proteção direta do
Estado''(Baldus, 1954)

O SPI portando, sofre desde o seu inicio da grave ausência de uma política
indigenista pautada sobre paradigmas antropológicos, e sua devida interpretação ou
questionamento por profissionais qualificados para a missão, algo de que a instituição
também não dispunha. Apesar dos conselhos de Rondon como guias “morais” da
instituição , Baldus nos evidência nos sub-tópicos “Proteção” e principalmente em
“Pacificação” , o caráter assimilacionista da pratica diária do SPI junto aos índios, com
o uso de estratégias invasivas e questionáveis de contato – e conseqüente inclusão a
sociedade nacional -com grupos indígenas isolados, com o apoio ao desenvolvimento de
relações de dependência dos índios em relação ao mundo branco seja com a doação de
ferramentas em um primeiro momento, ou com a mutação de suas tradicionais
atividades econômicas com o incremento de moderno maquinário agrícola e a pecuária
extensiva , ou mesmo em ultima estância a ajuda dada pelo SPI e sua política de
“pacificação”, na abertura de novas áreas livres para a expansão econômica no interior
do pais, assim como no aumento do “rebanho” das variadas missões religiosas que de
pronto se dirigiam aos grupos pacificados, anunciar as “boas novas”.

A igreja segundo nosso autor, cumpre papel fundamental na história da política


indigenista brasileira, durante séculos regente exclusiva da questão indígena, a igreja
vê enquanto o surgimento de uma potencial rival a criação do SPI , argumentando ate
em prol de sua dissolução em proposta a câmara nos anos 1950 (BALDUS,1954),
temendo talvez um risco a continuação de suas tradicionais e já seculares atividades de
evangelização e destruição sócio-cultural no meio indígena .

É marcante no decorrer de todo o artigo do antropólogo, a critica ao assimilacionismo


como resposta a questão indígena, o autor esclarece no tópico “Resultados”, a realidade
fruto das políticas de proteção, pacificação e aculturação dirigida, propostas e
aplicadas pelo ocidente e sua agencia o SPI em contato com o índio. Carente de
recursos , servidores e pessoal qualificado , o SPI pouco pode fazer para conter o
extermínio indigna na imensidão do território nacional, onde agentes locais como
fazendeiros, latifundiários,seringueiros, políticos , entre outros em oposição a qualquer
lei institucional, ditavam e executavam a sua própria e injusta lei no trato aos indígenas,
lei muitas vezes sinônimo de genocídio, pequenos avanços como a criação do parque
nacional do Xingu porém, também são citados em contraposição a esse quadro.

A pacificação seja a praticada pelo SPI ou por seus “rivais” religiosos, tiveram um
impacto brutal na maioria dos grupos contatados e “pacificados”, com a destruição
sócio-cultural de suas comunidades em muitos casos ,e a sua inclusão em um projeto de
nação que não lhes via enquanto sujeitos plenos de direito e merecedores de igualdade.
O Antropólogo Herbert Baldus. (Silva, 2000) Orlando Sampaio-Silva