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MARCOS XAVIER DE ANDRADE

FUTSAL - Início, Meio e Finalidade


Noções Práticas sobre Preparação Física, Tática e Técnica

Marechal Cândido Rondon - PR


Gráfica Lider
2013
Autor
Marcos Xavier de Andrade

Dados de Catalogação na Publicação

ANDRADE, Marcos Xavier

Futsal - Início, Meio e Finalidade: Noções sobre Preparação Física,


Tática e Técnica. Marechal Cândido Rondon, 2010. 142 p.

ISBN 978-85-62935-03-9

1. Noções Básicas sobre Preparação Física - 2. Teorias e Técnicas de Jogo


3. Estrutura e Noções dos Sistemas Táticos - 4. Atividades Práticas-Jogos
Coletivos.

Diagramação Impressão e Acabamento


Cristiane Carla Johann Gráfica Lider
Av. Maripá , 796 - Centro
Revisão (45) 3254-1892 - 85960-000
Bruno Marcos Radunz Marechal Cândido Rondon - PR
Dedicatória
Ao maior motivo de minha vida, razão pela
qual é importante lutar, superar dificuldades e viver,
meu filho Leonardo que me faz renascer e me
condiciona a ser uma pessoa cada dia melhor.

05
Agradecimentos

Gostaria de agradecer a Deus pelas grandes oportunidades,


por continuar acreditando em mim e por colocar ao meu lado pessoas
especiais, que me incentivam, encorajam e me fazem crescer a
cada dia.
Agradecer aos meus atletas, companheiros de trabalho e aos
meus amigos, satisfação e muita alegria por compartilhar momentos
especiais com todos vocês.
Minha família, já mencionada no primeiro projeto desta obra e que
jamais poderei esquecer pela importância que ocupam na minha vida.
Aos apoiadores desta reedição que acreditaram na proposta de
manter viva uma obra pertencente ao Futsal.
Em especial ao meu filho Leonardo, minha grande motivação.
07
Apresentação
É coerente dizer que muito se tem feito na busca do
conhecimento e aperfeiçoamento do treinamento em várias
modalidades, mas ao final de tudo, se percebe que ainda há muito por
fazer e que este ciclo é intransponível.
Frente a esta incapacidade de total conhecimento, o que é
muito bom, pois assim estamos sempre buscando respostas e
acreditando descobrir qual o melhor caminho a ser seguido, é que
sigo desenvolvendo e propondo trabalhos, procurando oferecer algo
que permita auxiliar objetivamente a elaboração de novos
treinamentos.
Apesar de inúmeras limitações, espero atender parte da
expectativa, lembrando é claro, que não se deve esperar encontrar
aqui todas as respostas, pois este trabalho tem como proposta, a
construção de conhecimento e desenvolvimento de novos conceitos
e descobertas, tornando a evolução de nosso esporte “tão jovem”
ainda mais consolidada.
É de responsabilidade de todos nós, preenchermos as lacunas
existentes, abrir portas aos debates e confrontar nossos pontos de
vista.
O material tem elementos teóricos, apresentando um ponto de
vista sobre alguns dos principais assuntos, além de fornecer
subsídios práticos que ilustram o desenvolvimento de atividades,
proporcionando assim uma flexibilidade de adaptação conforme a
realidade de cada profissional.
Outra preocupação quanto à elaboração deste conteúdo, é
que o mesmo pode ser estudado de forma aleatória, sem seguir uma
sequência lógica, indo direto ao encontro do interesse de quem o lê.
Tenho a convicta certeza que este conteúdo irá despertar aos
leitores uma oportunidade de análise sobre os temas aqui expostos, e
por contra partida somente decidí elaborá-lo no momento em que
estivesse extremamente preparado para receber as críticas que me
forem feitas, utilizando deste processo como ferramenta do meu
desenvolvimento pessoal e profissional.
Agradecimentos a todos que colaboraram e me incentivaram
para a elaboração deste trabalho.
09
Prefácio I

Com alegria e muita responsabilidade recebi o convite para


prefaciar este livro do Prof. Marquinhos Xavier.

Vi a trajetória deste jovem treinador começar, ainda como


atleta nas categorias de base em Joinville (SC) e na grande Inpacel
(PR), equipe mais vitoriosa do Futsal Brasileiro no início dos anos 90.

Pela primeira vez, depois de ler muitos livros, dos mais


diferentes autores no Futsal alguém consegue trazer a realidade do
que se ensina e se aprende, na beira das quadras, todos os dias.

Até então, ou se falava muito daquilo que não se vivenciou ou


os mais experientes treinadores de Futsal Brasileiro não conseguiam
passar para o papel o muito que sabiam. Alguns por vaidade, outros
por incompetência.

Vejo com alegria esta nova era que se inicia com o Prof.
Marquinhos ensinando e falando como fazer, o dia-a-dia das grandes
equipes do Futsal Brasileiro.

Com certeza será fonte de estudo e inspiração para muitos


outros treinadores que buscavam capacitação através da vasta
bibliografia publicada e que se sentiam muitas vezes frustrados.

Espero que este seja o primeiro de uma série de muitos outros


livros e parabéns pela coragem de dividir o que sabe com aqueles
que estão ávidos por aprender. Este é o grande legado que todo
educador deveria deixar.

PROF. FERNANDO FERRETTI


Técnico de Futsal Sport Clube Corinthians - São Paulo-SP

11
Prefácio II

Há algum tempo conheci um jovem atleta, Marquinhos ou


como atualmente é conhecido, professor Marquinhos Xavier, em São
Caetano do Sul, na ADC GM, um jovem obstinado que distante de sua
terra natal buscava uma solidificação profissional no Futsal.

Tive o prazer de trabalhar com ele, enquanto atleta, eu na


função de preparador físico; e diga-se de passagem, um dos mais
disciplinados e interessados pelo Futsal, hoje dá mostras disso
tornando-se um dos mais competentes treinadores do Futsal
Nacional.

Este livro tem a sua marca pela praticidade, de alguém que já


esteve em diversos setores do Futsal, seja no passado como atleta,
ou num contexto recente na organização e direção técnica ou até
mesmo na sua experiência com a Preparação Física.

Sei muito bem o que é ficar longe dos entes queridos e que isso
nos trás momentos de tristeza, mas com certeza, ao vermos
concretizada esta obra literária, fruto de muito trabalho que começou
lá atrás, e com muito sacrifício, luta e competência de sua parte, lhe
trará muito orgulho.

Há poucos meses antes da finalização do livro, tive o prazer e


orgulho de receber a responsabilidade de escrever este prefácio e
proferir estas palavras sobre a obra do caro professor e amigo. Soube
com felicidade e até mesmo surpresa que o mesmo, enquanto atleta,
teve sua inspiração e desejo pela preparação física através da
convivência que juntos tivemos ao longo deste tempo e que também
por meio deste contato tornar-se-ia um profissional da Educação
Física, futuro real e certamente de muito brilhantismo.

O Prof. Marquinhos, como costumo chamá-lo, nos brinda e


nos enche de alegria com esta obra, dando mostras do que ainda vem
por ai nesta carreira vitoriosa.

13
Espero que esta obra seja o marco de muitas outras e que
todas elas reflitam como esta, a realidade de quem conhece o Futsal
em todos os seus setores.

Parabéns professor Marquinhos pela obra, pelo homem e pelo


grande profissional.

PROF. JOÃO CARLOS ROMANO


Preparador Físico da Seleção Brasileirra de Futsal e Jec/ Krona
Joinville (SC)

14
Sumário

Introdução.......................................................................................................... 17

Capítulo I - Noções Básicas sobre Preparação Física......................................19


Conhecimento e Aplicabilidade dos Trabalhos Físicos Específicos no Futsal...21
Divisão das Fases do Treinamento Físico........................................................22
Planejamento Aplicado às Fases do Treinamento............................................24
Treinamento de Acordo com sua Predominância............................................. 26
Valências Físicas e suas Combinações........................................................... 28
Composições Dominantes entre as Capacidades Biomotoras para Futsal.......31
Interdependência entre as Capacidades Biomotoras.......................................32
Intervalo de Descanso entre as Sessões de Treinamento...............................33
Elaboração dos Trabalhos Práticos.................................................................36
Circuitos Técnicos / Físicos............................................................................. 41
Sugestões de Testes Físicos Específicos........................................................ 45

Capítulo II - Teorias e Técnicas de Jogo............................................................ 47


Administre Bem sua Equipe.............................................................................49
Objetivos e Metas............................................................................................54
Treinamento x Criatividade..............................................................................56
Leitura de Jogo, Previsões e Análises.............................................................60
Importância da Estatística Coletiva..................................................................63
Conceitos de Jogo...........................................................................................67
Treinamento - Habilidades Motoras................................................................. 70
Jogo Individual................................................................................................ 73

Capítulo III - Estrutura e Noções dos Sistemas Táticos....................................77


Principais Noções sobre Sistemas Táticos.......................................................79
Sistema de Ataque e Defesa............................................................................ 80
Organograma dos Sistemas: Marcação / Movimentação / Contra-ataque........82
Divisão dos Sistemas de Ataque e Marcação...................................................88
Comportamento da Marcação nos Sistemas de Evolução............................... 91
Ações mais Frequentes nos Respectivos Setores........................................... 93
Sistema Defensivo...................................................................................93
15
Sistema Ofensivo.................................................................................... 94
Sistema Básico de Marcação de Gol-linha.......................................................95
Noções de Marcação - Fundamentos Básicos.................................................99

Capítulo IV - Atividades Práticas - Jogos Coletivos........................................103

Considerações Finais......................................................................................137

Referências Bibliográficas..............................................................................139

16
Introdução

Este livro irá abordar aspectos importantes sobre a


preparação física e fornecer subsídios para uma montagem de
programas de trabalhos específicos.
Contidas no primeiro capítulo estão dispostas informações
sobre a preparação física direcionada ao Futsal, com elementos e
combinações que poderão facilitar o entendimento e oferecer a
oportunidade para que preparadores físicos elaborem o seu próprio
programa de treinamento.
No segundo capítulo, abordo as teorias do jogo, que visam
difundir conceitos inerentes ao desenvolvimento técnico e tático de
uma equipe, além de promover um suporte técnico importante para a
montagem dos trabalhos práticos e na elaboração de atividades
técnicas.
No terceiro capítulo, um complemento importante para um
aprofundamento tático, onde poderemos entender o jogo na sua
plenitude, acreditando modificar e quebrar paradigmas já pré
estabelecidos. Oportunizar uma leitura tática mais consistente e que
transmita segurança nas estratégias de jogo.
Complementando este trabalho, deixo para o quarto e último
capítulo uma pequena contribuição prática de alguns trabalhos
desenvolvidos e adaptados do treinamento em quadra, onde exploro
com maior ênfase a criatividade do jogo.
Todos os trabalhos são elaborados através das necessidades
mais frequentes encontradas no jogo, adaptações de outros
trabalhos realizados por outros treinadores em suas equipes, abrindo
caminho para que outros possam surgir a partir desses.
Este livro denominado início, meio e finalidade visa
exatamente isso, não colocar fim ao que está disposto, proporcionar
oportunidades de sequência em todos os elementos abordados, pois
somente com essa proposta poderemos ter em breve outras obras
dentro do nosso apaixonante esporte.
Vivo do Futsal, tenho minha formação pessoal e profissional
integrada a este esporte, por este motivo deixo aqui uma contribuição
17
como agradecimento por tudo que este esporte me deu, torcendo
sempre para que a sua evolução possa ocorrer com a mesma
velocidade e dinâmica que esse fascinante esporte exige.

18
Capítulo I
Noções Básicas sobre Preparação Física
Conhecimento e Aplicabilidade dos Trabalhos Físicos
Específicos no Futsal

Indiscutivelmente a preparação física específica de toda


modalidade é uma das principais preocupações de uma comissão
técnica.
A evolução da preparação física pode ser visivelmente notada
nas equipes de grande porte do país, onde o grande investimento
realizado por estas equipes acaba refletindo-se em resultados, pois
uma grande equipe necessita de um trabalho específico de
preparação física para alcançar seus objetivos.
No Futsal também podemos observar a diferença que o
conhecimento e aplicabilidade dos trabalhos físicos específicos
proporcionam em uma equipe, basta ver os resultados de equipes
que apostam em profissionais cujo conhecimento sobre os aspectos
e as valências físicas do Futsal é sem dúvida muito grande.
Durante muito tempo estou acompanhando a evolução do
Futsal e percebendo a necessidade de um aprofundamento sobre os
trabalhos específicos que a modalidade exige.
Ainda não possuímos um grande número de literaturas e de
pesquisas que abordem o treinamento físico específico do Futsal, o
que muitas vezes dificulta o trabalho dos profissionais responsáveis
por esta importante função.
Nem mesmo a conscientização de dirigentes que estruturam
suas equipes, pois o que percebemos é que alguns não dão uma
grande importância na contratação deste profissional.
Sendo assim, gostaria de prestar minha colaboração em prol
do desenvolvimento de atividades que possam auxiliar estes
profissionais no que se refere à montagem das suas sessões de
treinamento.
O material visa, principalmente fornecer subsídios para a
montagem de seus programas, respeitando a particularidade de cada
equipe.

21
Divisão das Fases do Treinamento Físico

PERÍODO PREPARATÓRIO

Período Básico Período Específico

Desenvolvimento da Forma Esportiva

Período Preparatório: Elevar os níveis de possibilidades


gerais do organismo, preparando-o para desenvolver atos motores
específicos do Futsal, criar condições favoráveis para a busca e
aquisição da forma física/desportiva ideal devidamente estruturada
neste planejamento.

Objetivos do Período Básico:


 Adaptar o organismo às atividades;
 Trabalhar qualidades físicas fundamentais;
 Ênfase no volume da sessão de treinamento;
 Condicionamento físico generalizado.

Objetivos do Período Específico:


 Transição das qualidades físicas básicas para as necessidades
específicas do atleta;
 Redução do volume de treinamento dando ênfase na intensidade;
 Aprimoramento significativo na condição física geral/específico.

PERÍODO COMPETITIVO

Período Pré-Competitivo Período Competitivo

Aprimoramento da Condição Desportiva / Participação em Competições

22
Período Pré-competitivo: Os exercícios adquirem equilíbrio entre o
volume e a intensidade com o aumento aos realizados na preparação
básica.

Objetivos do Período Pré-competitivo:


 Ênfase nos trabalhos físicos/técnico/tático e psicológicos.

Período Competitivo: Diminuição do volume de treinamento,


preservando a integridade física dos atletas, com a finalidade de que
os mesmos possam mobilizar a máxima performance para as
disputas (competição).

Objetivos do Período Competitivo:


 Aperfeiçoar as qualidades técnicas e físicas mantendo a forma
desportiva avançada;
 Controlar e corrigir os estímulos de treinamento; avaliações dos
pontos específicos com a finalidade de que não se permita a
evolução dos pontos negativos;
 Potencializar os pontos fortes aumentando as opções
técnico/táticas, possibilitando melhores resultados.

Escala de Intensidade / Volume de Treinamento


% da intensidade máxima
Intensidade Prep. Prep. Pré Prep. Prep.
Básica Competitiva Competitiva Regenerativa
Muito Forte 80% 90% 100% -
Forte 70% 80% 90% -
Média 65% 75% 85% -
Fraca 60% 70% 80% 50%

% da intensidade máxima
Volume Prep. Prep. Pré Prep. Prep.
Básica Competitiva Competitiva Regenerativa
Alto 100% 90% 70% -
Médio 90% 80% 60% -
Baixo 80% 70% 50% 50
Fonte: (Benedito Daniel Olmos Hernandes Junior)

23
Planejamento Aplicado às Fases do Treinamento

Fases / Mesociclos: Preparação Básica

Conteúdo / Objetivos:
 Treinamento da potência aeróbica através de treinamento
intervalado (Ex.: tiros de 1.000 a 1.500m, num total de 5 a 7km
de volume por sessão).
 Utilização de exercícios aeróbicos de duração contínua. (Ex.:
corridas com durações entre 20 a 30 minutos, o que equivale
aproximadamente 3 a 5 km).
 Início do treinamento de força rápida, através de tiros de até
60m, realizados com e sem bola.
 Aumento da força máxima e da massa muscular através da
musculação, visando à prevenção de lesões.
 Condicionamento global, especialmente as capacidades onde
se encontram maiores deficiências.
 Treinamento Técnico dos fundamentos em que o atleta
apresente deficiências.

Fases / Mesociclos: Preparação Pré-competitivo

Conteúdo / Objetivos:
 Aperfeiçoamento da resistência aeróbica.
 Aprimoramento da potência aeróbica.
 Início do aprimoramento da força rápida, através de tiros de até
60m, realizados com e sem bola.
 Início do treinamento de força de potência em musculação,
priorizando a musculatura dos membros inferiores.
 Utilização de exercícios pliométricos.
 Aumento do volume dos treinos técnicos e início do treinamento
tático e psicológico visando ao aprimoramento do espírito da
equipe.

Fases / Mesociclos: Preparação Competitiva

Conteúdo / Objetivos:
 Treinamento para manutenção e aprimoramento da resistência
24
e potência aeróbica.
 Busca do máximo desempenho da força máxima e força de
potência através de movimentos técnicos específicos.
 Treinamento da resistência anaeróbica lática (tolerância ao
lactato), atingindo o máximo de intensidade e buscando o
treinamento das capacidades de reação, frente à fadiga
provocada por esta intensidade.
 Ênfase e aumento no volume de treinamento técnico e tático.
 Atenção ao estresse psicológico referente aos desgastes da
competição.

25
Treinamento de Acordo com sua Predominância

Resistência Aeróbica:
 Treinamento Aeróbico de intensidade baixa ou moderada com
duração de 20 , 30 ,40 e 50 min.
 Treinamento Aeróbico de intensidade moderada de 3, 4 e 5 km.
(80% da capacidade ou controle de tempo).
 Treinamento de Potência Aeróbica:
 6 tiros de 1.000m (intervalo de 3 a 4 min.)
 3 tiros de 1.500m (intervalo de 3 a 4 min.)

Resistência Anaeróbica:
 Treino anaeróbico moderado, tiros de 100m (10 x 100m,
intervalo de 2 a 3 min.)
 Treino anaeróbico forte, tiros de 50 e 60m (15 x 50 ou 60m,
intervalo de 1min.)
 Treino anaeróbico forte, tiros de 25m (15 x 25m, intervalo de 30s
a 1 min.)
 Treino anaeróbico forte, tiros de 30 a 40s (6 a 8 tiros x 30 a 40s,
intervalo de 2 a 3 min.)

Resistência de Velocidade:
 Treinamento de resistência de velocidade (10 tiros de 300m,
intervalo de 1 a 3 min.)
 Treinamento de resistência de velocidade (10 tiros de 400m,
intervalo de 1 a 3 min.)
 Treinamento de resistência de velocidade (5 a 7 tiros de 500m,
intervalo de 1 a 3 min.)

Resistência de Força Rápida:


 Treino de tiros de 10 séries de 2 x 60m (intervalo de 20s entre
cada série) intervalo ativo 2 min .
 Treino de tiros de 10 séries de 2 x 50m (intervalo de 20s entre
cada série) intervalo ativo 2 min .
 Intervalado de velocidade 3 séries de 10 tiros de 50 a 60m, trote
(recuperação ativa 100m)

26
Treinamento de Agilidade:
 Deslocamento frente, costas, laterais, giros, toque no chão,
senta, levanta, treino com ou sem bola.
 Deslocamento em diagonais, utilização de cones, barreiras etc.
Com ou sem bola.
 Utilização do teste “T-Drill”, “Agility Shuttle Run Test” e “lllinois
Agily Test” para realização de atividades de agilidade, com e
sem bola.

Treinamento de Velocidade:
 Tiros de 5 a 20m ( intervalo de 1 a 3 min.) Recuperação passiva.
 Tiros de 2 a 10s ( intervalo de 1 a 3 min.) Recuperação passiva.
Repetições de 1 a 6 e número de séries de 3 a 5 em execução
máxima.

Treinamento de Resistência Muscular:


 RML Abdômen.
 RML Membros superiores e inferiores (Musculação).

Treinamento de Força Rápida ou Explosiva:


 Multi-saltos (Vertical) 3 x 15 saltos.
 2 pés juntos
 2 pés com agachamento
 salto tesoura
 salto com flexão do joelho/tórax
 salto com flexão posterior calcanhar/glúteo
 salto com deslocamento lateral (pés juntos)
 salto com deslocamento frontal/costas (pés juntos).
 Multi-saltos (Horizontal) 3 séries
 15 saltos D – E em diagonal
 15 saltos D – D frontal
 15 saltos E – E frontal
 15 saltos rã DE frontal.

 Circuito de saltos com estações variadas 3 séries execução de


40 seg. e repouso passivo de 20 seg..
 Treinamento de força explosiva (musculação para membros
inferiores) RML para membros superiores (vise-versa Goleiros).
27
Valências Físicas e suas Combinações
Capacidades importantes para um desempenho bem-sucedido

Como é de conhecimento de todos os profissionais envolvidos


em programas de atividade física e condicionamento físico no
esporte, seja ele, de alto rendimento ou apenas na manutenção da
forma física do indivíduo, a observação de alguns componentes que
norteiam a montagem destes programas, quase sempre estão
focados em uma determinada valência física que acaba
complementando o objetivo do trabalho proposto, ou para atender as
expectativas de seus clientes, alunos ou atletas.
Falando mais especificamente sobre os Esportes de Alto
Rendimento e no que tange a Preparação Física dos atletas
envolvidos, sabemos que em quase todos os esportes estão
incorporados os elementos de Força, Resistência, Velocidade,
Flexibilidade, Amplitude dos Movimentos, entre outros. E que
exatamente por este motivo é que teremos obrigatoriamente que
desenvolver atividades que contemplem estas necessidades.
Mas o que gostaria de chamar a atenção neste assunto é
especificamente ao desempenho e importância das Capacidades
Dominantes, aquelas que realmente atendem as demandas exigidas
pela modalidade em questão.
Todos nós devemos saber que embora todas as valências
físicas são importantes dentro do programa, as que são
predominantes devem receber atenção especial em determinadas
fases do treinamento.
Quando elaboramos nosso planejamento quase sempre os
dividimos em fases; estas fases nos proporcionam identificar
evoluções, manutenções ou até mesmo estabilidades nas cargas de
treinamento.
Estas fases são elaboradas em cima de um calendário
esportivo específico de cada equipe e suas respectivas competições,
prioridades e necessidades.
A divisão destas fases pode ser feita da seguinte forma: Fase
Preparatória, Fase Pré-competitiva e Fase Competitiva, em alguns
casos o Período de Transição também está presente neste
programa.
Dentro de cada uma destas fases estão distribuídas as
28
valências físicas e seu grau de importância naquela etapa do
programa. No Futsal, gostaria de destacar algumas delas que julgo
serem fundamentais para superar as altas intensidades impostas
pela modalidade. Independentemente da fase com que elas
aparecerão no programa, elas irão nos seguir durante todo nosso
trabalho. A diferença será na forma com que iremos trabalhá-las, em
alguns momentos enfatizando mais o volume, em outras, muito mais
a intensidade.
Abaixo, elas estão dispostas em forma de uma grande
engrenagem. Sua importância não está necessariamente
proporcional ao tamanho das engrenagens, muito menos pela ordem
de suas importâncias, apenas dispostas para uma melhor
visualização e entendimento.

E é justamente a combinação destas valências que irá nos


proporcionar a conquista de altos níveis de desempenho.
Posso dizer ainda que dentre estas três valências citadas, a
Força e a Velocidade ocupam um papel dominante na modalidade, e
é muito simples entender suas razões!
Uma combinação dos trabalhos de Força Máxima e
Velocidade Máxima resultará em Potência, aumentando assim as
taxas de Ativação das Unidades Motoras, melhorando a performance
de nosso atleta, e por sua vez dando-lhe suporte para realizar
movimentos explosivos em curto espaço de tempo, característico na
modalidade.
Veja a seguir como os conhecimentos da combinação das
valências nos proporcionarão resultados interessantes no
29
treinamento diário:

FORÇA / VELOCIDADE FORÇA Máx/ VELOCIDADE Máx.


Resistência Muscular Potência

RESISTÊNCIA / VELOCIDADE
Resistência de Velocidade

Velocidade / Flexibilidade / Coordenação e Força


AGILIDADE
Fonte: Periodização no Treinamento Esportivo / Tudor O. Bompa

Segundo (Bompa, 2001), “Os exercícios de velocidade


maximizam a rapidez e a alta frequência. Os de longa distância ou
duração melhoram a resistência. Uma amplitude máxima resulta em
um movimento de flexibilidade, e os movimentos complexos, em
coordenação”.
Poderemos ter uma gama muito grande de possibilidades e de
melhora do condicionamento físico geral, mas nunca esquecendo
que o principal é saber identificar qual delas é realmente importante
para nosso esporte e que benefícios irão nos proporcionar na medida
em que nos aproximamos de uma importante competição.
Está cada vez mais evidenciado que o treinamento deve imitar
e simular as habilidades esportivas da modalidade, e que gestos ou
trabalhos que não atendam estas necessidades não devem ocupar
espaços tão significativos em nossos programas e planejamentos.
Sendo assim, sugiro que antes de tudo deve-se procurar
selecionar os métodos que julgamos ser os mais importantes e que
realmente sejam aplicados realisticamente nas nossas sessões de
treinamento.

30
Composições Dominantes entre as Capacidades
Biomotoras para Futsal

Força – Velocidade – Resistência

Lançamento/F.Reativa F RM Curta
Decolagem / Largada Duração

Força Aceleração RM Média


Futsal
Desaceleração Duração

Consiste em correr
rapidamente/mudar
const. Direção sem
RM Longa
perder velocidade
V R Duração

Velocidade
Limiar Anaeróbio Velocidade
Limiar Aeróbio
Conquistar alta aceleração

* Trabalho com alto grau de exigência de força dos membros inferiores.


Fonte: Periodização no Treinamento Esportivo / Tudor O. Bompa
Adaptação Futsal – Marcos Xavier de Andrade

As composições dominantes demonstram o grau de


prioridades das capacidades biomotoras no Futsal, a exemplo de
outras modalidades esportivas onde cada qual tem sua
especificidade. No Futsal torna-se importante conhecê-las para
elaboração de um bom plano de treinamento físico.
Na figura acima, os elementos “adaptados ao Futsal”, com o
grau de exigência, a velocidade e a força, demonstram a importância
dessas duas valências ao programa.
O círculo central (figura) se afasta levemente de alguns pontos
menos importantes, e se aproxima de outros cuja relevância é
fundamental.
Este é o objetivo, demonstrar os pontos onde devemos
enfatizar o planejamento físico da equipe.

31
Interdependência entre as Capacidades Biomotoras

FORÇA RESISTÊNCIA VELOCIDADE COORDENAÇÃO FLEXIBILIDADE

Resistência Resistência
Muscular de AGILIDADE MOBILIDADE
Localizada Velocidade

Força Resistência Resistência


Máxima Anaeróbia Aeróbia Velocidade Máxima

POTÊNCIA
Fonte: Periodização no Treinamento Esportivo / Tudor O. Bompa

A interdependência entre as capacidades biomotoras,


demonstra o resultado das combinações entre elas, trazendo um
referencial para a elaboração do programa.
O conhecimento das interdependências pode delimitar o
caminho a ser percorrido, tendo como objetivo principal o alcance de
performance ideal.
Como resultado das combinações entre as capacidades,
poderemos obter resultados eficientes, principalmente no ganho de
potência e força, elementos importantes em nossa modalidade.

32
Intervalo de Descanso entre as Sessões de Treinamento
As consequências de um intervalo de descanso inadequado

Todos os esportes necessitam de uma grande quantidade de


energia para atender as demandas físicas, em muitos casos as
grandes intensidades e os desgastes provocados pela prática
acabam esgotando estes estoques e sua reposição necessita de
cuidados especiais, a fim de preservar a integridade física e a
reposição de vários nutrientes.
A conscientização deste processo é muito importante para que
o bom andamento do trabalho seja mantido e respectivamente ocorra
o pronto restabelecimento físico dos envolvidos.
A reposição de nutrientes somente ocorrerá através de uma
alimentação adequada e um intervalo de descanso apropriado e
suficiente.
Em alguns casos, a reposição alimentar necessitará de uma
suplementação, mas isso somente deverá ser feito através de uma
avaliação nutricional com profissional habilitado, caso contrário, a
autossuplementação também poderá trazer malefícios ao nosso
organismo.
Já os intervalos de descanso podem ser administrados por
profissionais de Educação Física, por se tratar de aspectos inerentes
de nossa formação e experiência profissional.
Tanto a reposição nutricional, quanto os intervalos de
descanso são extremamente importantes para o bom desempenho
de qualquer atleta, desta forma gostaria de prestar uma contribuição
sobre o assunto com a seguinte frase:

‘Descanso faz parte do trabalho, e é tão importante quanto.’

Este pode ser o ponto de partida para iniciar esta abordagem,


já que por muito tempo praticou-se uma teoria de que “quanto mais se
trabalha mais se prepara”.
Realmente esta teoria não está dissociada da realidade do
esporte mundial, mas a única diferença é que hoje em dia sabemos
que a recuperação faz-se necessária para preservar a integridade
física, bem como, se executada criteriosamente, poderá proporcionar
uma melhora no condicionamento físico geral.
33
O ato de se planejar as sessões de treinamento é muito
importante para alcançar os objetivos, mas planejar os intervalos de
descanso é extremamente necessário, não somente para um ganho
no aspecto físico, mas para prevenir o estresse fisiológico e
psicológico de nossos atletas, já que a nossa responsabilidade é
sempre trabalhar com prevenção e não com reabilitação.
Não existem regras específicas para o cálculo certo dos
intervalos de descanso. Diversos fatores poderão determinar o
tempo correto e o momento de sua aplicabilidade, tais como:
 A duração total do trabalho;
 A carga e a velocidade empregada na atividade;
 O número de músculos envolvidos;
 O nível do condicionamento do atleta.

Poderia listar outros tópicos, entretanto acredito que cada


profissional poderá fazê-lo dentro de sua realidade e especificidade.
Listo estes quatro tópicos por entender que eles abrangem
uma gama suficiente de exemplos e que atendem o objetivo deste
tema, que nada mais é do que despertar o interesse pelo assunto.
Quando me refiro a intervalos de descanso, não me limito
apenas aos intervalos entre as sessões, que geralmente ocorrem
naquelas folgas dadas durante uma semana exaustiva de trabalho,
mas também aos intervalos entre os trabalhos ministrados nestas
sessões.
Uma atenção especial deve ser dada sempre que forem
realizados trabalhos de altíssima intensidade, de força, potência,
velocidade de curta duração, entre outros do gênero.
Estes tipos de trabalho provocam uma alta concentração de
Ácido Láctico (AL) e sua remoção necessita de um cálculo apropriado
de descanso e de trabalhos de recuperação, que na maioria das
vezes poderão ocorrer de forma ativa.
Quando este intervalo for menor do que o necessário torna-se
praticamente difícil de tolerar e prosseguir no trabalho sem prejuízos
ao organismo, mesmo que este atleta tenha um bom
condicionamento físico.
Já um intervalo de descanso apropriado e bem administrado
facilitará e muito na remoção do Ácido Láctico (AL).

34
Segundo (Bompa, 2001) “Uma consequência de um ID
inadequado é um maior uso do sistema AL para a energia. O grau de
ATP/CP são repostas dependendo da duração do ID. Quanto menor o
ID, menos ATP/CP são repostos e, consequentemente, menos
energia torna-se disponível”.
O que ocorre neste caso é que menos energia estará
disponível para a continuidade do trabalho, pois não ocorre a
restauração do ATP/CP de forma adequada, e o acúmulo de AL nos
músculos provocará dor e fadiga, prejudicando a capacidade física.
Existem trabalhos que necessitam mais de um dia para que as
fontes de energia utilizadas sejam prontamente restabelecidas.
As partidas de Futsal são um bom exemplo, pois a intensidade
dos jogos é extremamente alta e necessitam de um período
adequado para retornar as rotinas de treinamento, assim como as
substituições durante estas partidas ou competições. Elas devem
ocorrer sempre antes do atleta atingir os altos níveis de concentração
do AL, isso poderá proporcionar uma recuperação mais segura ainda
durante o próprio jogo.
Sem ID um atleta que permanece por muito tempo durante
uma partida, além de acumular excessivamente o AL ainda poderá ter
dificuldades para retornar aos treinamentos.
Competições ou Torneios que exigem do atleta um número de
partidas maior do que o comum aumentam ainda mais a preocupação
dos treinadores.
Infelizmente nossa realidade não nos permite, às vezes, um
revezamento adequado destes atletas, mas com certeza poderemos
minimizar os traumas decorrentes desta prática.
Por sua complexidade, este assunto mereceria um
aprofundamento muito maior, mas o objetivo do tema é de despertar o
interesse e provocar a real importância em nosso planejamento.
Transferindo estas informações para nossa realidade, com
certeza conseguiremos administrar melhor nossas sessões de
treinamento, já que o Futsal é uma modalidade de alta exigência
física e suas valências necessitam atenção.
O conhecimento científico a respeito do assunto é muito
importante, mas com certeza o bom senso e nossa sensibilidade para
negociar os Intervalos de Descanso poderão nos ajudar muito neste
processo complexo.
Palavras-chave
ATP – Adenosina Trifosfato / CP – Creatina Fosfato / AL – Ácido Láctico / ID – Intervalo de Descanso
35
Elaboração dos Trabalhos Práticos
Sugestões para construção de trabalhos físico/específicos

Neste tópico que requer uma atenção especial, nada melhor


do que ser o mais específico possível, desta forma, o melhor a fazer é
estabelecer aos programas de trabalho físico algo que se aproxime
da realidade do jogo.
Como observamos, nesse capítulo a montagem dos
programas e planejamentos devem respeitar as fases do
treinamento, e o ponto chave é conciliar as fases do trabalho físico
juntamente com as valências físicas, as composições dominantes e
as interdependências das capacidades biomotoras predominantes
no Futsal.
Digamos que este conjunto harmônico de fatores contempla o
bom planejamento físico, por contra partida atendem as exigências
que a modalidade requer.
Sugiro que os trabalhos físico/específicos de quadra tenham
em sua elaboração os seguintes deslocamentos:

Deslocamentos/Mudanças de Direções

Fonte: Antonio Carlos Gomes, PhD


36
Estes deslocamentos são frequentes no Futsal e servem de
base para a montagem dos trabalhos.
O próximo passo é criar atividades físicas e técnicas em cima
destes deslocamentos, que poderão ser executados em forma de
circuitos técnicos de movimentação, finalização e até mesmo
combinado com atividades de velocidade, agilidade, força, potência e
coordenação.
Segue então algumas sugestões, que reforço, servem para
exemplificar de forma prática a construção deste conteúdo.

Fonte: Antonio Carlos Gomes, PhD

Exercício I – Atividade de deslocamento frente/costas, esta atividade


pode ser executada com e sem bola.

Fonte: Antonio Carlos Gomes, PhD


37
Exercício II – Atividade de deslocamento em velocidade com
mudanças de direção (com e sem bola), poderá ser concluída com
finalizações a gol.

Fonte: Antonio Carlos Gomes, PhD

Exercício III – Atividade de sprints interrompidos, pode ser


executada com e sem bola e com deslocamento frente/costas.

Fonte: Antonio Carlos Gomes, PhD


38
Exercício IV – Atividade técnica com bola, velocidade frente/costas,
devolução de passes direita/esquerda.
Variações: Domínio/devolução e cabeceio.

Formação em duplas, Formação em duplas, Velocidade frente (1)


um atleta com bola (1), um com bola, deslocamento costas
outro sem (2), velocidade (2) velocidade frente
deslocamento em frente/costas/frente (3) condução e
velocidade (círculo) passe diagonal. Sem finalização.
passe lado contrário (3) bola velocidade frente,
agilidade cones,
para o atleta sem bola.
velocidade e finalização.

Passe pivô, velocidade frente (sem Velocidade frente (1) velocidade entre
bola), deslocamento lateral Direita, os cones sempre de frente, velocidade e
deslocamento lateral Esquerda, finalização (2). Pode ser executado sem
velocidade frente e finalização. bola como treinamento de velocidade.
39
Como pode-se observar, são atividades simples mas que
atendem algumas exigências do Futsal. O mais importante neste
momento é entender que os trabalhos e os planejamentos devem ser
divididos em trabalhos físicos de condicionamento geral e trabalhos
físicos específicos.
Reconhecer as principais valências, etapas do treinamento e a
administração entre o volume e intensidade, tornarão a elaboração
do programa ainda mais eficaz.
Desenvolver atividades que possam auxiliar o atleta no
aprimoramento dos fundamentos técnicos específicos do Futsal:
 Movimentos de condução e controle de bola em velocidade;
 Deslocamentos variados (frente, costas, lateralmente, etc);
 Mudanças constantes de direção com e sem bola;
 Trocas constantes de velocidade com e sem bola;
 Trabalhos de ação e reação, coordenação e equilíbrio;
 Estímulos perceptivos visuais e sonoros (comandos).

Estes itens primários nos acompanham durante todos os dias,


e devem ser revisados e aprimorados constantemente, servem de
base para o desenvolvimento técnico individual, e nos levam ao
sucesso coletivo.
Use sua criatividade, monte seu próprio programa de trabalho,
siga sua sensibilidade, somente assim poderá construir um
treinamento que atenda suas reais necessidades.

40
Circuitos Técnico/Físicos
Sugestões para construção de trabalhos físico/específicos
Montagem do Circuito I

Discriminação do Circuito

01) Salto duplo


02) Salto simples
03) Salto D – E
04) Salto com elevação do joelho
05) Salto triplo D – D – D / E – E – E
06) Salto de coordenação D – DE – E / E – DE – D
07) Salto rã DE
08) Salto escala – Médio / Alto
09) Salto diagonal – D – E – D – E
10) Recuperação ativa – Trote

Desenvolvimento do Circuito

Número Tempo Tempo Tipo


Estações Execução Recuperação Repouso
10 1 min. 40 seg. Passivo

Número Voltas Tipo Intervalo Ritmo Execução Intervalo Volta

02/03 Passivo Médio 5 min.

41
Montagem do Circuito II

Discriminação do Circuito

01) Velocidade frente / costas


02) Elevação de perna
03) Deslocamento lateral
04) Deslocamento frente / costas
05) Salto rã – DE
06) Deslocamento lateral – Cones
07) Velocidade frente
08) Velocidade costas
09) Velocidade frente
10) Deslocamento diagonal
11) Recuperação ativa – Trote

Desenvolvimento do Circuito
Número Tempo Tempo Tipo
Estações Execução Recuperação Repouso
10 1 min. 40 seg. Passivo

Número Voltas Tipo Intervalo Ritmo Execução Intervalo Volta

02/03 Passivo Médio 5 min.


* Este circuito poderá ser executado de forma continua, ou seja, um só atleta executa todas as estações
de uma só vez.
42
Montagem do Circuito III

Discriminação do Circuito

01) Condução de bola - Cones


02) Condução de bola frente / costas com velocidade
03) Condução de bola diagonal
04) Técnico – devolução pé - Interno
05) Técnico – domínio coxa / devolução
06) Técnico – domínio peito / devolução
07) Reação – posição sentado
08) Reação – posição deitado
09) Reação – posição entre as pernas
10) Recuperação ativa – Trote com bola

Desenvolvimento do Circuito

Número Tempo Tempo Tipo


Estações Execução Recuperação Repouso
10 1 min. 40 seg. Passivo

Número Voltas Tipo Intervalo Ritmo Execução Intervalo Volta

02/03 Passivo Médio 5 min.

43
Montagem do Circuito IV

Discriminação do Circuito

01) Velocidade frente / costas


02) Velocidade em diagonal
03) Velocidade com elevação de perna
04) Deslocamento lateral
05) Deslocamento diagonal costas
06) Deslocamento salto / cabeceio
07) Reação senta / levanta / desloca
08) Reação deita / levanta / desloca
09) Reação senta / levanta / salta
10) Recuperação ativa – Trote

Desenvolvimento do Circuito
Número Tempo Tempo Tipo
Estações Execução Recuperação Repouso
10 1 min. 40 seg. Passivo

Número Voltas Tipo Intervalo Ritmo Execução Intervalo Volta

02/03 Passivo Médio 5 min.


*Todos os circuitos podem serem adaptados conforme condição do tempo de execução e recuperação
passiva, número de voltas e ritmo de execução.

44
Sugestões de Testes Físicos Específicos

 Resistência Aeróbica
 Teste de Cooper (12 minutos)
 Teste de 3.200 m

 Resistência Anaeróbica
 Teste dos 40 segundos

 Teste de Condição Cárdio-respiratória


 500m (Resistência de Velocidade)

 Teste de Resistência de Força Rápida


 2 x 60 m (intervalo de 20 seg.) Resistência de Sprint

 Agilidade
 Teste de Shuttle Run
 Teste “ T-Drill”

 Velocidade
 Teste de 25 metros
 Teste de 30 e 60 m (Velocidade de Aceleração)
 Teste de 30 e 60 m lançado (Velocidade Máxima)

 Teste de Resistência Muscular


 Flexão de Braços (30 seg.)
 Abdominal (1 min.)

 Teste de Força Rápida ou Explosiva


 Salto Vertical (Sargent Jump Test)
 6 saltos horizontais D – E – D – E – D – E
 6 saltos horizontais D – D – D – D – D – D
 6 saltos “rã” DE – DE – DE – DE – DE – DE

 Antropometria
 Verificação de circunferências utilizando o padrão
mundial, com todos os segmentos em descontração
muscular.

 Dobras Cutâneas
 Mensuração da gordura corporal, coleta de pregas
cutâneas.
45
Capítulo II
Teorias e Técnicas do Jogo
Administre Bem sua Equipe

Não tenha dúvidas, sua equipe precisa apresentar resultados.

Objetivos, metas, competitividade e resultados, são algumas


das palavras mais comuns no nosso dia-a-dia. Alguém tem dúvidas
que estamos em uma busca constante por estes caminhos?
Não há como evitar estes novos modelos de administração, o
esporte é um grande exemplo disso e nossas equipes são uma
grande oportunidade de colocar em prática alguns conceitos.
Muitas empresas têm aprendido muito com o esporte e com
exemplos de atletas, mas acho que está na hora de também
aprendermos com algumas empresas, pois o alto rendimento
também necessita de controle e avaliação, de estratégias bem
definidas e principalmente de planejamento e organização.
Muitos devem estar se perguntando – Estamos falando do
quê? Minha resposta é simples e objetiva, de esporte, equipe e mais
precisamente do Futsal.
De uma equipe que precisa de conceitos baseados na
organização de grandes empresas.
Se analisarmos melhor o que ocorre no nosso dia-a-dia,
vivemos a mesma rotina: compromissos, cobranças, pressões e
principalmente tentando driblar nossos adversários.
E para nos mantermos no topo, faz-se necessário estarmos
muito atentos, principalmente aos nossos problemas, com olhos
voltados para nossa equipe, analisando sempre o que pode ser
melhorado, mas sem nos descuidarmos dos adversários.
Na prática, nem sempre isso ocorre já que muitos perdem
tempo se preocupando em demasia com os adversários,
esquecendo-se que essa preocupação acaba minando as suas
expectativas. O triste comportamento da comparação, desperdiça
seu precioso tempo comparando-se com os outros sem se preocupar
consigo mesmo. Perdem tempo focados nos problemas e esquecem
de buscar as soluções.
O grande desafio é sobreviver às inúmeras mudanças, a nova
realidade, onde existem muitos atletas despreparados para este novo
momento que requer um grande envolvimento na busca de soluções.
49
Muitas vezes, resultados anteriores disfarçam problemas,
outras vezes, algumas vitórias ocultam dificuldades, entretanto, a
primeira derrota pode não causar grandes preocupações à equipe,
mas uma série de resultados negativos poderá evidenciar o
problema. E aí, o que fazer?
Se rapidamente resolvidos poderão restaurar a equipe. Porém
se forem protelados, irão ocasionar tensões, e é exatamente neste
momento que as discordâncias provocarão conflitos internos e
externos, com prejuízos a todos os envolvidos.
E então inicia-se o período de busca aos culpados: os atletas
culpam os responsáveis técnicos da equipe, os responsáveis
técnicos culpam os diretores, os diretores culpam ambos e a ordem
se alterna de equipe para equipe, dependendo sempre do grau de
envolvimento e de produtividade de cada setor, normalmente o mais
frágil acaba recebendo todo o “mérito” da falta de resultado. O que
nem sempre é verdadeiro, pois como sabemos, achar culpados
nessa hora é eximir-se de responsabilidades.
E diante dessas turbulências no grupo, reuniões ocorrem com
mais frequência, muitas delas sem necessidade alguma, apenas
para achar o “culpado” e puni-lo. Os atletas não se envolvem mais,
têm receio de colocar seu ponto de vista, e os dirigentes aproveitam
para exercer ainda mais pressão sob suas cabeças. A tentativa de
convivência pacífica há muito tempo foi deixada de lado e dá espaço
ao pânico, o caos está instalado e “quem pode mais, chora menos”.
Segundo (Kohlraush, 1996) “Determinadas reuniões são
tensas, se tornam improdutivas e desnecessárias, ao ponto de deixar
de acontecer e achar que não adianta mais falar”.
Nossa! Quanta dificuldade não é mesmo? O que fazer diante
de tudo isso? Como sair dessa situação incômoda? Como voltar a
produzir resultados? Essas e outras centenas de perguntas são
lançadas ao ar, e o que é pior, muitas delas acabam mesmo sem
respostas. Como é importante conhecer tudo isso, para evitar que as
coisas cheguem a este ponto, pois realmente é sempre muito
complicado reestruturar um momento como este, mas se faz
necessário e temos que encontrar uma solução para que tudo se
resolva, pois muitas vezes este tipo de problema serve como uma
forma de testar o poder de resiliência do grupo.

50
Avaliar e reavaliar o grupo, resultados, desempenho, entre
outros fatores, tudo isso é primordial para o bom andamento das
coisas. Buscar o envolvimento de todos, fazer com que todos
participem e tenham liberdade na construção do trabalho, autonomia
de decisão, e principalmente a coragem para assumir
responsabilidades diante de fatos e momentos difíceis como esse.
Uma “crise” não se inicia de um dia para o outro, portanto, não
se resolve da mesma forma, é necessário estar atendo aos
movimentos, e substituir reuniões que visam apenas achar culpados,
por encontros informais que indiquem soluções.
Muitas equipes são formadas da seguinte maneira:

Ÿ Monta-se a estrutura física e o corpo diretivo;


Ÿ Monta-se uma comissão técnica;
Ÿ Contratam-se atletas, oriundos de vários lugares;
Ÿ Estabelecem-se os objetivos e metas, há uma inversão de valor.

Pois bem, poderia listar ainda mais tópicos neste espaço, mas
o objetivo é ir direto ao ponto principal, então, vejamos:
Esta ordem é constantemente alterada, pois muitas vezes o
técnico vem depois dos atletas. Os atletas não atendem o perfil da
equipe e muito menos da filosofia de trabalho do técnico. A estrutura é
precária, pois pensam que os profissionais apenas precisam receber
seus salários em dia.
O grupo formado pelos diretores, se reúne e aparece apenas
no dia da apresentação da equipe, quando muito fazem... E aí então,
estabelecem objetivos de uma forma bem simples e grosseira,
“queremos isso” viram as costas e aparecem apenas pra cobrar
resultados, porém, esqueceram de discutir o principal: “como fazer
para alcançar tudo isso”.
Então chega a minha vez de perguntar, como tudo isso pode
dar certo? Julgo sempre muito complicado buscar objetivos dessa
forma, falar apenas o que quer não é planejamento, planejamento é
estabelecer uma linha de trabalho para saber “como se pode
alcançar”, significa também exercer um monitoramento das ações do
grupo, avaliando e reavaliando constantemente tudo o que ocorre de
bom e também de ruim dentro dele, decidindo no momento certo e de
forma descentralizada.
51
A necessidade de confrontar informações e ideias de uma
forma profissional, sem impor o ponto de vista, querendo ser o “dono
da verdade”, poderá inibir a opinião de uma terceira pessoa,
impedindo o processo de construção e formação de opinião.
Segundo (Kohlraush, 1996) “Uma ‘crise’ não se inicia de um
dia para o outro, o vírus se instala e vai contaminando todas as áreas
e rapidamente, toma conta de tudo, e se tardarmos em combatê-lo,
(curá-lo) poderá sim ser tarde demais”. Então é importante estar
atento a tudo, porque embora não seja tão obvio, ele normalmente se
apresenta igual para todos, de uma forma crescente e sob pontos
específicos do trabalho, seguindo um caminho, minando as etapas, e
os setores.
(Kohlraush, 1996) Apresenta também um caminho, que
embora possa não ser exatamente nessa ordem, costuma seguir
estes sintomas:

Ÿ Falta de competitividade e comprometimento;


Ÿ Rotina no trabalho;
Ÿ Falta de comando e insubordinação;
Ÿ Ausência de comunicação entre os envolvidos;
Ÿ Atraso e/ou adiamento nas tomadas de decisões;
Ÿ Surgimento de conflitos (de parceiros a rivais);
Ÿ Perda do foco nos objetivos e metas, sem diretrizes ;
Ÿ Atos frequentes de indisciplina, descompromisso.
Ÿ RESULTADOS NEGATIVOS;
Ÿ Perda da credibilidade e identidade;
Ÿ Caos, momento da salvação individual.

O item em destaque, RESULTADOS NEGATIVOS, aparece


na lista quase na última posição, para demonstrar quantas coisas são
negligenciadas antes dos “resultados negativos”, por isso caros
amigos, quando o resultado negativo aparece, muitas coisas já
caminhavam para isso acontecer, o que houve é que possivelmente
não nos demos conta ou fingimos não vê-los.
Os passos seguintes aos resultados são apenas uma
confirmação de que o vírus se instalou de forma generalizada e só
resta a fazer é instalar o período de reconstrução do trabalho,
cuidando para que o erro não torne a se repetir em outros momentos.
52
Olhos atentos, conceitos bem definidos e acima de tudo, muito
trabalho na busca por resultados melhores. Honestidade no trabalho,
envolvimento e comprometimento de todos. Lembrando que não há
empreendimento ou atividade que atinge ou quer atingir resultados
que não se aplique os princípios básicos de administração: Planejar,
Fazer, Controlar e Avaliar - PDCA*.
Será que uma gestão administrativa no esporte é diferente?

Esquematização para Avaliação de Resultados

DIRETRIZ
(Rumo)

META ESTRATÉGICOS VALOR


OBJETIVOS

O QUE
COMO QUANDO
COM QUE QUANTO
COM QUEM

VISÃO
(Foco)

MISSÃO

RESULTADO

Fonte: Pedro Miguel de Andrade


PLANO DE AÇÃO

*PDCA, ciclo de Shewhart ou ciclo de Deming, é um ciclo de desenvolvimento que tem foco na melhoria contínua.
Introduzido no Japão após a Guerra, idealizado por Shewhart e divulgado por Deming, quem efetivamente o aplicou.
Segundo (CAMPOS, 2004) “O PDCA é aplicado para se atingir resultados dentro de um sistema de gestão e pode ser
utilizado em qualquer empresa independentemente da área de atuação”
53
Objetivos e Metas

Entendendo a importância de estabelecer objetivos no planejamento

É muito comum em nossas vidas ouvir pessoas dizendo que


têm objetivos e metas a cumprir. O mais estranho é observar de que
forma estão buscando alcançar esses objetivos e metas, nem
sempre conseguimos compreender onde querem chegar agindo
desta forma, costumamos dizer que estão andando na contramão,
dissociados da realidade e que não há coerência entre teoria e
prática.
Traçar metas é extremamente importante para qualquer
profissional, pois é desta forma que ele poderá avaliar ações,
detectar momentos de sucesso e insucesso.
O problema está na estratégia que utiliza para isso, o tempo
que tem para cumprir o cronograma, e principalmente de que forma
avaliamos as condições que possui.
Vivemos num mundo imediatista, onde resultados são
imprescindíveis para consolidar mudanças e fundamentar teorias.
Não é possível mudar radicalmente conceitos ou transformar
estruturas sem que os resultados os acompanhem, não quero dizer
com isso que já nos primeiros dias, semanas ou meses o resultado ou
a meta já tenha de ser visível, mas que é necessário visualizar
mudanças de comportamento e atitudes. Isso é o principal resultado,
perceber que as coisas estão se modificando. É um grande passo
para continuar crescendo, porém, pior é perceber a rejeição dos
envolvidos no processo.
Podemos dizer que é necessário caminhar para poder
modificar, mas existem várias formas de caminhar, andar ou correr 5
km, e ao final dos mesmos perceber o quanto avançamos do ponto
inicial, isso sem dúvida é uma progressão, por outro lado podemos
andar ou correr os mesmos 5 km em uma esteira, estas que
possuímos em casa ou em academias, e ao final perceber que não
saímos do lugar, não significa que os mesmos 5 km não tenham
trazido benefícios físicos, mas com toda certeza existe sim uma
grande diferença na informação e no cumprimento da tarefa.
Muitas pessoas quando determinam seus objetivos e metas
não o fazem de maneira correta, simplesmente acreditam que a meta
54
virá ao seu alcance e permanecerá no mesmo lugar, outros aceleram
demais o passo para alcançar rapidamente seus objetivos e na
metade lhe faltam fôlego para completar o percurso. Outros acham
que não precisam ter pressa e que têm a vida toda para atingir o
objetivo, o problema é que as coisas vão se modificando e sua
estratégia continua sempre a mesma, desta forma dificilmente verá
seu sonho realizado, vai passar a vida inteira se lamentando e
praticamente no mesmo lugar.
Acredito que o segredo está na sensibilidade e na
especificidade de cada objetivo e de cada meta, o que é bom para
alguns, pode ser terrível para outros, adotar regras e receitas prontas
não trazem mais benefícios para ninguém, cada um deve analisar em
que ponto está e de que forma irá chegar ao ponto que deseja.
Embora muito se tenha criado e disponibilizado para que as
pessoas possam melhorar seus desempenhos profissionais, a
melhor resposta para as inúmeras dúvidas e questionamentos que
surgem no nosso dia-a-dia ainda continua sendo “Depende”. Esta
resposta pode solucionar grandes problemas, evitar aborrecimentos
e minimizar erros, tudo irá sempre “depender” da situação de cada
um e da realidade profissional dos envolvidos.
Para quem quer dar um enfoque prático a esta obra, o discurso
parece estar um tanto quanto filosófico, mas acredito que para chegar
ao ponto principal necessito passar por este caminho.
Poderia iniciar este livro falando sobre o histórico do Futsal,
onde, como e quando tudo começou, ou então colocar a atualização
da regra para servir de instrumento de pesquisa aos interessados, um
livro com muitas páginas e coberto por temas comuns em outros
tantos. Optei por iniciar de forma diferente, abordando temas que
embora sejam comuns na vida de todos nós, ainda são confusos.
Gostaria que este livro servisse de ferramenta para auxílio dos
profissionais que atuam ou querem atuar no Futsal, mas principalmente
desses que acreditam que sempre é possível aprender coisas novas,
modificar, quebrar paradigmas e ser crítico em relação aos modelos de
treinamento que são impostos até hoje, não me excluindo também
deste grupo e oferecendo esta obra para que a mesma esteja à
disposição de críticas e sugestões que me auxiliem a melhorar sempre,
com o intuito de poder alcançar meus objetivos e metas.

55
Treinamento X Criatividade

Pequenas mudanças, grandes transformações no treinamento


O caminho para a criatividade

Embora seja objetivo no mundo de hoje sermos práticos,


talvez tenhamos por obrigatoriedade passar pela teoria para não
cometer erros, ou termos uma visão distorcida sobre este assunto, ou
seja, a criatividade.
Então me reservo no direito de utilizar exemplos
especificamente dentro de minha experiência e visão profissional.
Dou início a este assunto utilizando uma palavra que resume
meu ponto de vista sobre a utilização de metodologias mais criativas
nas sessões de treinamento: “transformação”. Talvez essa palavra
tenha uma dimensão maior do que imaginamos, pois inevitavelmente
todos os processos em nossas vidas estão em constante
transformação.
No treinamento, este processo ocorre de forma vertiginosa,
pois cada vez que se modifica uma regra ou se quebra algum
paradigma, um outro está se criando, este processo pode ser
denominado como evolução. E é através deste mecanismo que
alcançamos resultados positivos.
Após o conhecimento destes processos e do entendimento de
todo este mecanismo, o passo mais importante passa a ser o de
conscientização dos envolvidos para um melhor aproveitamento das
qualidades.
Não gostaria de criar regras ou atribuir novos conceitos sobre
o tema, apenas estabelecer um momento de reflexão e análise.
Acredito que através de pequenas mudanças nas sessões de
treinamento é possível melhorar a criatividade do atleta.
O Futsal é sem dúvida uma modalidade muito dinâmica e
requer uma atenção especial no que se refere à previsão das ações
coletivas dos nossos adversários. Muito se tem feito e proporcionado
ao atleta: Recursos tecnológicos, metodologias avançadas no
treinamento físico, técnico e tático, mas nada pode substituir a
capacidade criativa do atleta, é ela que faz a diferença no momento
decisivo, e é através dela que podemos diferenciar as habilidades e
capacidades individuais.
56
Experiências, estímulos e mudanças são fundamentais para
gerar atitudes inovadoras e proporcionar aos atletas ferramentas
para que os mesmos sejam capazes de enfrentar as dificuldades de
uma partida ou competição.
Viver emoções diferentes durante o treinamento poderá ajudá-
lo a superar dificuldades emocionais e principalmente a rejeição às
mudanças, comuns em atletas inseguros.
O caminho para a criatividade passa pelo hábito de buscar
novas soluções para resolver os problemas, informações diferentes
dos adversários, pois normalmente é dessa forma que se pode
fundamentar o sucesso individual de algum atleta ou de uma equipe.
Todos treinam, todos recebem informações, se preparam
física, técnica e taticamente, mas a diferença pode estar na forma
com que utilizam seu potencial criativo.
É muito comum verificarmos um atleta decidindo uma partida
ou competição num lance totalmente diferente do que costumamos
ver, geralmente o nível de preparação, confiança e informação deste
atleta é muito acima da média geral. Já os atletas “comuns” possuem
dificuldades de resolver problemas de forma criativa, esta dificuldade
vem de sua estrutura cerebral, que tende a resolver seus problemas
de forma simplificada. O problema é que as soluções simples
geralmente são de conhecimento de todos os adversários.
Você já se deparou com aquela situação em que sua equipe
treinou várias vezes uma determinada ação ou uma manobra de
ataque, e que tudo parecia ser imbatível? Pois é, na hora “H” algo saiu
diferente do cenário que você havia preparado, e seu atleta que
apenas mecanizou todo o movimento e limitou-se a reproduzí-lo sem
utilizar seu poder de criatividade e inovação, acabou falhando por lhe
faltar recursos de criatividade e ousadia.
Este pode ser um dos milhares de exemplos que
fundamentam a necessidade de buscar informações fora do nosso
“Banco de Dados”, pois quando temos que resolver esse tipo de
problema, nosso cérebro vai buscar soluções diretas, tornando a
equipe ou o atleta um alvo fácil para o adversário.
Se quisermos ter ideias diferentes, temos que buscar soluções
ousadas, ou então muito provavelmente elas serão parecidas para
todos.
Os modelos de treinamento atuais preconizam a mecanização
57
dos movimentos, e por sua vez a limitação da capacidade criativa do
atleta. Talvez essa seja uma boa explicação para o chamado “Leão
de Treino”, pois este atleta quase sempre possui boas qualidades
técnicas, bons fundamentos, mas apresenta dificuldades no seu
potencial criativo, afetando seu rendimento no jogo.
O atleta se habitua com a rotina dos treinamentos de sua
equipe e não desenvolve outras capacidades. Quando no jogo se
depara com situações não vivenciadas nos treinamentos, fica sem
reação para agir, ou pior, acaba ficando inibido diante das
dificuldades, o que é pior, frustra-se.
Acredito que o treinamento também tem a função de estimular
o atleta a pensar em soluções diferentes para a resolução de
problemas e poderá conseguir isso através de treinamentos que o
condicionem a raciocinar sobre o problema imposto. Alguns jogos de
regras e de setores criados nos treinamentos podem auxiliar neste
processo, tais como:
Ÿ JOGO DAS BOLAS NA MÃO - O técnico formará duas equipes.
Além de uma bola do jogo, cada equipe ficará com uma
bola na mão, e o jogo acontece com algumas regras
específicas. O atleta poderá dar apenas três toques na bola do
jogo, mas não poderá fazê-lo com a bola na mão.
Ÿ Sempre que estiver com a bola na mão e receber o
passe, terá que transferir a bola que está em sua mão para outro
companheiro antes de progredir, executar o passe ou uma
finalização com o pé.
Ÿ Não poderá executar marcação ao adversário com a
bola na mão também, por esse motivo terá que estar passando
constantemente a bola que está na sua mão.
Ÿ Outras variações poderão ser adicionadas, como por
exemplo: se deixar a bola da mão cair no chão será executado
um tiro livre.

O objetivo desse jogo é trabalhar membros inferiores e


superiores utilizando os dois hemisférios do nosso cérebro,
desenvolvendo coordenação dos movimentos motores primários e o
raciocínio criativo, pois a equipe terá que desenvolver estratégias
diferentes do jogo tradicional para obter sucesso, caso contrário não
obterá êxito.
58
Este é um treinamento totalmente diferente da realidade do
jogo, mas que com certeza irá evidenciar a importância de encontrar
soluções diferentes.
Costumo dizer que quando vamos enfrentar um adversário
prevemos inúmeras ações, mas não podemos esquecer que durante
uma partida outras tantas ocorrem, e se nossos atletas não estiverem
preparados para observá-las e reagir às mudanças, muito
provavelmente o sucesso poderá não ocorrer ou ocorrer de maneira
pouco satisfatória.
O tema apresentado tem o objetivo de servir de informação e
de alerta, acreditando que uma análise e discussão aprofundada
sobre o assunto poderá nos ajudar e consequentemente,
proporcionar aos nossos atletas subsídios para que possam
melhorar seus desempenhos individuais.

59
Leitura de Jogo, Previsões e Análises
Contrariando o que prega o senso comum

O que propõe o Adversário:

Talvez uma das tarefas mais difíceis, e que desafia os


profissionais, é ter um bom entendimento e ser capaz de ler, prever
ações e analisar as estratégias adversárias.
Ao contrário do que prega o senso comum, fazer previsões
pode não ser tarefa tão difícil assim; é necessário treinar esta
habilidade que muitas vezes só vem com a experiência profissional,
ou não.
Desmistificar esta teoria é objetivo deste tema, baseando-se
em algumas abordagens que garantem se não na totalidade, pelo
menos parte dela, deixando-a mais clarividente.
Não é tarefa tão difícil descobrir o que o adversário propõe. Se
faz necessário utilizar técnicas de previsão e leitura dos movimentos
da equipe em análise, e isso pode resultar em “tendências” e
características particulares e próprias, levando-se em consideração
algumas análises individuais, tais como: perfil do atleta e
técnico; predominâncias coletivas; características do jogo
(ofensivo/defensivo), entre outras observações que podem
proporcionar segurança na hora de traçar as estratégias.
O sucesso das análises dependem diretamente de um outro
fator importante conhecido como “filtragem colaborativa”, que nada
mais é do que a participação de todos os envolvidos.
Estas análises produzem recomendações importantes e
auxiliam na relação Atleta/Técnico e vice-versa, colaborando assim
para formação do banco de dados e avaliações correlacionadas.
Esses métodos de recomendações produzem modelos de
treinamentos que aproximam a relação de ambos, passando, a
contribuir mais com dados relevantes, além de fornecer subsídios
importantes na construção do relacionamento pessoal.
Cabe lembrar que o grau de dificuldade do atleta dentro de
quadra é o principal feedback que um Técnico pode ter, porém essas
informações precisam ser repassadas muito próximos da realidade,
sem que sejam apenas sintomas de dificuldades individuais e
desempenho.
60
A principal análise é em relação ao grau de dificuldade
coletiva, observações à cerca do modelo tático do adversário. As
questões individuais devem ser analisadas num momento posterior,
cabendo ao Técnico a realização de trabalhos de correção de
movimento tático, ou gestos técnicos individuais.
Quando o atleta percebe que suas informações são
valorizadas, ele passa a se interessar mais pela leitura, oferece
opiniões importantes e participa muito mais no processo de solução
da problemática do jogo.
Assim o Técnico passa a contar com “consultores” a sua inteira
disposição, no reconhecimento de problemas, e na ação de buscar
soluções rápidas e eficazes.
Uma boa razão para justificar este valor, são as inúmeras
escolhas para fazer com que as dificuldades não tragam prejuízos às
metas, e o poder de distinguir qual a melhor estratégia a ser seguida,
no momento de se tomar uma decisão inteligente num ambiente
lotado de informações.
Quando a informação é filtrada de maneira transparente, o
envolvimento na estratégia tende a ser muito maior pelo próprio
método de participação.
Se algumas ações podem ser previstas para obtenção do
sucesso, por que não recomendá-las previamente?
Podemos ajustar sempre as informações para obter variações
das teorias e possibilidades de estratégias.
Cada possibilidade de prevenção e estratégia possui margem
de erro e acerto. Elas podem ser classificadas quando apresentam
equilíbrio, dando margem para um redirecionamento rápido que
possibilitem correção.
É o ato de unir sempre senso comum à fundamentação teórica
do jogo preservando individualidades.
Num limite mais elevado estão as tentativas individuais,
assumindo sempre o risco das ações, e tomando decisões isoladas
do grupo, buscando apelos desesperados, o que aumenta o grau de
exposição e risco, porém é necessário muitas vezes, em razão da
exigência do jogo e/ou situação.
A identificação de padrões técnicos não são matemáticos,
mas apresentam normalmente alguns padrões lógicos escondidos
em tendências técnicas.
61
Outro ponto de observação de grande relevância é a
característica do técnico adversário que contribui de forma direta ao
modelo técnico da sua equipe, conhecer o seu perfil e estilo.
Prever e analisar requer conhecimento abrangente, pois
somente noção específica não assegura bons resultados.
Para tanto, análise estatística, características regionais,
relação pessoal, gestão de equipe entre outras, contribuem
diretamente nesse perfil.
Para finalizar o assunto, que requer uma abrangência ainda
maior, destaco como fundamental e importante no processo de
leitura, as análises do Pré e Pós-jogo.
O ciclo de análise é interligado, a boa análise pós-jogo permite
a reconstrução para o próximo compromisso.
Profissionais que de imediato buscam culpados pelo fracasso
ou se colocam a frente do êxito, não conseguem construir com
segurança a próxima análise, pois tendem a se eximir da culpa e da
responsabilidade.
Traçou-se uma estratégia no pré-jogo e não funcionou, é tão
culpado ou mais. Se não a fez, é o único culpado, pois deu liberdade
para o “achismo”, então não pode fazer ponderações sensatas a
respeito.
Cabe ao Técnico a função estratégica, seja ela tomada de
forma coletiva ou autoritária. A diferença é o comprometimento e o
auxílio que recebe quando compartilha ideias com os membros da
equipe.
Sem plano de voo é impossível voar com segurança, por isso
várias pessoas são envolvidas nele, não apenas o comandante.
Compartilhe ideias, receba as informações, encoraje seus
atletas, transmita segurança e avalie com bom senso os resultados,
só assim poderá contar com o apoio de todos e poderá formatar uma
boa leitura de jogo, uma previsão segura e uma análise coerente.

62
Importância da Estatística Coletiva

Identificação das ações coletivas através da estatística.

Este tema tem como principal objetivo despertar o interesse


para a utilização da Estatística Coletiva, aperfeiçoar os modelos
existentes e principalmente estabelecer parâmetros que possam
auxiliar no trabalho de preparação de uma equipe de Futsal.
A estatística sempre foi uma grande aliada dos profissionais
do esporte em geral, por isso cada modalidade tem suas planilhas
específicas que enfatizam determinado fundamento de acordo com
sua importância para a modalidade em questão.
No Futsal, as planilhas quase sempre valorizam os
fundamentos de passe (certo e errado), finalização (certa e errada),
desarme e fundamentos relacionados às ações do Goleiro.
Cada profissional monta sua planilha de acordo com o
interesse da sua equipe, ou que possa contribuir para o
aprimoramento técnico dos atletas.
Durante nove anos venho desenvolvendo uma planilha com
objetivo de identificar as ações coletivas (positivas e negativas) da
equipe durante uma competição ou até mesmo durante uma partida
específica. Uma coleta de mais de 500 jogos me proporcionou a
confecção de alguns modelos e a identificação de algumas áreas
específicas na qual ocorrem mais ações ofensivas, locais
estratégicos no sistema de marcação, fragilidades nas coberturas e
na postura de marcação, onde o erro é quase sempre fatal.
Toda essa coleta me auxiliou muito com relação ao
posicionamento de minhas equipes em determinadas situações do
jogo ou adversário, levando-se em consideração que toda equipe
quase sempre apresenta uma característica geral de enfrentar as
partidas, e possui ações previsíveis em determinados momentos.
A estatística coletiva tem por função básica servir de
complemento para a estatística individual, com uma grande diferença
que é de potencializar algumas ações conjuntas, tais como:

Ÿ Situação do gol;
Ÿ Local e distância do gol;
Ÿ Tempo de jogo em que ocorreu o gol.
63
Estes três simples tópicos têm uma importância muito grande,
tanto no aspecto ofensivo quanto defensivo, pois poderão ser
utilizados para as duas ações.
O primeiro tópico, Situação do Gol tem ações relacionadas à
origem da situação em que a equipe realizou ou sofreu um gol. Elas
podem ser modificadas de acordo com a necessidade da equipe, mas
minha sugestão seria esta:

Situação do Gol
Bola Parada Em Movimento
Canto Lateral Falta Falha Marcação Contra-ataque
x - - - -
- - - x -
* Nesta situação a identificação da ação poderá ser coletada também através do número do
atleta que a realizou.

O segundo tópico, Local e Distância do Gol tem como


objetivo principal identificar setores de fragilidade ou de
potencialidade da equipe, assim distribuídas:
Local e Distância do Gol
Local Distância
Ala Direita Meio Ala Esquerda Até 6m 6m a 10m + 10m
x - - x - -
- x - - x -

O terceiro tópico, Tempo de Jogo em que ocorreu o gol


poderá evidenciar aspectos com relação ao comportamento da
equipe, tanto no aspecto emocional quanto no aspecto físico, pois a
equipe pode apresentar uma grande incidência de gols sofridos no
início das partidas, podendo ser um problema de um aquecimento
inadequado ou até mesmo de uma baixa concentração. Também
poderá apresentar uma grande incidência de gols sofridos nos
minutos finais das partidas, aspectos que podem estar relacionados
ao condicionamento físico ou até mesmo no aspecto emocional de
não estar conseguindo suportar determinada pressão no jogo.

64
Tempo de Jogo
Primeiro Tempo Segundo Tempo
Até 5 min. De 5 a 15 min. + 15 min. Até 5 min. De 5 a 15 min. + 15 min.
2 min. 45s - - - - -
- x - - x 17 min. 23s

Estes três tópicos expostos configurariam em uma planilha


agrupada, facilitando a coleta dos resultados, sendo assim, cada
linha apresentaria o histórico geral de cada gol feito ou sofrido pela
equipe.

Mapa de Estatística Coletiva


Estatística Coletiva Gols Feitos e/ou Sofridos
Situação do Gol Local e Distância do Gol Tempo de Jogo
Bola Parada Em Movimento Local Distância 1° Tempo 2° Tempo
Cant Lat Falta F. Marc. Contr. AD Meio AE 6m 6a +10 5 5 a 15 +15 5 5 a 15 +15
10m min. min. min. min. min. min.
x - - - - x - - x - - - 6min. 23s - - - -
- x - - - - x - - x - - - 16min. 24s - - -
- - - x - - x - - x - - - 18min. 34s - - -
- - - - x x - - - x - - - - - 14min. 43s -
*Alteração do Item Falha de Marcação, se for computado gols feitos substituir por
Finalização.

Na planilha acima estão coletados os dados referentes a 4


gols sofridos numa determinada partida. A leitura e interpretação dos
gols ficariam assim estabelecidos:
1) Gol – de bola parada (canto) / na ala direita / dentro do
limite dos 6m / no primeiro tempo aos 6 min. 23s;
2) Gol – de bola parada (lateral) no meio / dentro do limite
de 6 a 10m / no primeiro tempo aos 16 min. 24s;
3) Gol – Uma falha marcação / no meio / dentro do limite
de 6 a 10m / no primeiro tempo aos 18 min. 34s;
4) Gol – Um contra-ataque / na ala direita / dentro do limite
de 6 a 10m / no segundo tempo aos 14 min. 43s.
Com a coleta dos gols sofridos por uma equipe numa fase de
uma competição, poderiam estar bem evidenciadas determinadas
fragilidades desta equipe, como por exemplo:
Ÿ Sofre muitos gols de bolas paradas;
Ÿ Sofre muitos gols pela ala direita;
Ÿ Sofre muitos gols dentro do limite dos 6m (dentro da área por
exemplo);
Ÿ Sofre muitos gols nos finais de cada período de jogo.
65
Estas informações poderiam auxiliar na condução das
sessões de treinamentos, corrigindo possíveis deficiências.
Lembro mais uma vez que todas estas informações podem
ocorrer com gols feitos pela equipe em uma partida, sendo assim,
ficariam evidentes também quais os setores e os momentos mais
eficientes da equipe, tais como:
Ÿ Marca muitos gols de contra-ataque;
Ÿ Marca muitos gols pela ala esquerda;
Ÿ Marca muitos gols com finalizações a mais de 10 metros;
Ÿ Marca muitos gols no inicio das partidas.

E assim o Técnico e seus auxiliares poderão ir moldando sua


equipe conforme os diagnósticos que juntos identificarem.
Apresento a seguir uma ilustração que demonstra as divisões
da quadra para planificação das ações, cujas divisões podem ser
modificadas conforme a necessidade de cada equipe e sua
realidade.
Ÿ Quadra de Futsal

Até 6m

Localização do Gol
6 a 10m

AE MEIO AD
+ 10m

Para facilitar ainda mais o entendimento e a visualização dos


resultados por parte dos membros da comissão técnica e atletas, os
dados poderão ser lançados em um gráfico utilizando um programa
de planilhas e gráficos como ferramenta.
66
Conceitos do Jogo
As três fases do jogo – abertura / meio / finalização

Os princípios gerais de uma partida

Um bom conceito do jogo pode definir caminhos mais seguros


dentro de uma partida, por este motivo dividi o jogo em três partes,
que na verdade não se referem ao tempo da partida nem a duração
do jogo, mas sim, ao jogo propriamente dito.
Se definirmos uma ação de ataque, ela terá um início, meio e
uma finalidade, por sua vez, estas três partes precisam estar
organizadas para que a extensão de todo movimento seja bem-
sucedida.
Entretanto é muito importante salientar que, precisamos partir
do princípio de que a dinâmica do Futsal exige organização, onde
devemos pensar em ataque sem nos descuidarmos da defesa.
A mesma ação que nos levará ao ataque exigirá uma
preparação para a recomposição da defesa, sendo assim, devemos
definir as três fases e potencializá-las para um rendimento mais
seguro e eficaz.

A Primeira Fase – Abertura (Saída de Jogo / Pressão)

Conceitos:
Ÿ Posicionamento que proporcione mobilidade para as manobras
de avanço. Para realizar uma boa saída de pressão é
necessário um posicionamento correto com possibilidades de
saída rápida;
Ÿ Rápido desenvolvimento de todos os atletas, criando
dificuldades para o encaixe da marcação;
Ÿ Determinar uma linha de avanço (Ex: linha central) para que
todos tenham a consciência de avançar de forma coordenada e
ao mesmo tempo o limite desejado;
Ÿ Evitar a saída pelo centro da quadra, ao menos que seja feito no
primeiro passe e com extrema segurança;
Ÿ Evitar a perda de tempo, movendo-se apenas 1, 2 ou 3
jogadores, onde todos devem ter movimentos definidos para
quebrar o sistema de marcação;
67
Ÿ Evitar que o posicionamento de um jogador prejudique o avanço
de outro, ou dos demais;
Ÿ Após a bola ter passado o centro da quadra, dando
possibilidade para utilização do goleiro como segurança,
dominar o centro do jogo para manter a posse da bola e elaborar
a ação de ataque.

A Segunda Fase – Meio (Organização do Ataque)

Conceitos:
Ÿ Ocupar as diagonais abertas com buscas e aproximações, linha
de passe e desmarcações;
Ÿ Alongar as saídas sem bola, prolongando as possibilidades de
ataque no fundo de quadra;
Ÿ Mobilidade dos atletas (alas) para tentativas de finalizações de
média e longa distância;
Ÿ Evitar passes para trás, pois representa atraso na construção
do ataque e a necessidade de um novo desgaste para se chegar
onde já se estava;
Ÿ Este setor precisa de criatividade, ousadia, e acima de tudo
objetividade, pois se trata de um local com baixa duração da
posse de bola;
Ÿ Disputar o domínio deste espaço, posicionando-se sempre de
forma avançada;
Ÿ Definir a forma de ataque (Ex: 3x1, 4x0, 2x2 com busca, etc.).
Os posicionamentos
Ala (E) Centro Quadra Ala (D)

Estes posicionamentos permitem que os atletas tenham uma visão


do ataque, bem como, dos demais companheiros.

Correr lateralmente nestas situações dificulta a visibilidade do


ataque e dos companheiros, facilitando a abordagem dos marcadores.

68
Ÿ Para evitar perda no rendimento, ter atenção:
Ø Movimentos atrasados, abandonando o atleta da bola;
Ø Posicionamento isolado, sem ser opção de movimento;
Ø Fora de linha de passe, facilitando a abordagem da marcação;
Ø Manter-se por muito tempo atrás da marcação adversária.

A Terceira Fase – Finalização (Definição do Ataque)

Conceitos:
Ÿ Buscar objetividade nas áreas de conclusão, não atrasar os
ataques. É possível encontrar muitas dificuldades em razão da
concentração da marcação;
Ÿ Não responder apressadamente aos ataques da marcação, a
perda da posse pode gerar contra-ataque;
Ÿ Ler a marcação antes de definir o lance final;
Ÿ Evite trocar uma finalização por mais um toque na bola, a menos
que seja inevitável;
Ÿ Assuma a iniciativa, atacando a marcação quando passiva;
Ÿ Muitos movimentos ofensivos podem limitar ou bloquear os
espaços;
Ÿ Concentre a ação ofensiva em mais de um jogador para não se
tornar previsível, busque opções pelas duas alas da quadra;
Ÿ Procure ter ações ofensivas definidas, para evitar muitas
improvisações;
Ÿ Quando estiver no ataque, não se descuide da marcação, a
dinâmica do jogo exige ações de contenção para evitar os
contra-ataques;
Ÿ Faça análises após o jogo para corrigir os erros ocorridos;
Ÿ Sinta-se desafiado em enfrentar equipes “teoricamente” mais
fortes, pois é uma grande oportunidade de evoluir;
Ÿ E tenha em mente que o sucesso é alcançado após algumas
derrotas.
Os conceitos das fases do jogo são preconizados pela
organização, criatividade e principalmente pelo trabalho de correção
e ajuste após as partidas.
A liberdade para o acréscimo de outros conceitos torna este
tema de uso coletivo, para a evolução do nosso esporte.

69
Treinamento – Habilidades Motoras

Utilização do treinamento para memorização das habilidades motoras

Memorização das habilidades motoras

Muito mais do que mesclar volume e intensidade, o


treinamento propõe outras variáveis importantes, tais como:
mecanização de movimentos, repetição de gestos específicos,
ajustes e substituição de movimentos, aprimoramento técnico, entre
outros.
É necessário entender que o treinamento está intimamente
ligado a repetição desses movimentos, e por sua vez, ao
condicionamento de gestos motores e sensoriais.
Não basta apenas treinar por várias horas, é importante
executar estes movimentos de forma correta, criando assim um
padrão de movimento e gesto eficiente.
Praticar um movimento ou gesto específico por várias vezes
(repetição) poderá torná-lo memorizado, ou seja, criar um padrão de
movimento.
Para (Fox et al, 2001) estes padrões são chamados de
“engramas motores”. Segundo ele “Um engrama é um traço
permanente deixado por um estimulo no protoplasma tecidual”. Diz
também que, “Este movimento ou gesto depois de memorizado ficará
armazenado, e sempre que o indivíduo desejar realizar, essa
determinada habilidade motora particular será ‘reinterpretada’
(replay), reproduzida conforme armazenada”.
Pois bem, com isso a palavra treinamento ganha importância
ainda maior, pois não basta apenas treinar, mas realizar o
treinamento de forma adequada, com a finalidade de se obter
padrões de movimentos corretos.
É comum escutarmos todos os dias atletas e treinadores
justificando resultados com as seguintes palavras: “Estamos
trabalhando muito, mas não estamos conseguindo os resultados”.
Talvez essa seja uma das explicações, pois muito mais importante do
que treinar horas e horas, é treinar de forma eficiente.
Uma finalização a gol, por exemplo, pode ser treinada de
forma desajustada, levando o atleta a ser perfeito em sua
70
imperfeição, quem nunca viu aquele atleta treinar finalizações a gol
sem o mínimo de concentração e preocupação com os movimentos
corretos? É normal vermos todos os dias o atleta muito mais
preocupado com a força em que vai finalizar e com a potência do seu
chute, do que com a direção que a bola irá percorrer. Por esse motivo
acerta sempre o mesmo lugar, mas fora do alvo (gol). Ele adquiriu um
padrão motor (engrama) incorreto e sempre que acionar este padrão
irá realizá-lo incorretamente tal como armazenado em seu cérebro.
Quando isso ocorre, existe a necessidade de um
“realinhamento”, ou seja, uma substituição do padrão anterior, este
realinhamento se transformará em uma memória motora para essa
habilidade especial.
Esse realinhamento (correção) poderá ser acionado com um
estímulo apropriado e utilizado imediatamente sempre que
necessário.
Para ilustrar esta teoria vamos imaginar agora que em nosso
cérebro existissem várias gavetas, como aqueles velhos arquivos
de escritórios, e que em cada um deles existisse uma tarefa
armazenada (fig.01)
xxxxxxxx Passe Recepção Condução
xxxxxxxxxxx xxxxxxxxx xxxxxxxxxxxx xxxxxxxx
Finalização xxxxxxxxxx Cabeceio xxxxxxxxxxxx
Fig. 01

Sempre que enviamos uma mensagem ao nosso cérebro


solicitando determinada função, ele irá recorrer ao seu arquivo, e lá
encontrará (ou não) a função desejada.
Se este movimento estiver arquivado de forma correta, a
probabilidade de acerto é garantida, já ao contrário será reproduzida
sem êxito.
É importante saber que esse mecanismo funciona da seguinte
forma: “os proprioceptores envolvidos na tarefa enviam uma
mensagem ao SNC (sistema nervoso central). Então o “engrama”
estocado é utilizado como modelo”.
Estes “engramas” uma vez aprendidos e armazenados
poderão ser utilizados sempre que necessários.
71
Segundo (Fox et al, 2001) “Se e quando ocorrem desvios em
relação ao engrama armazenado, uma correção é feita graças à
liberação de sinais motores adicionais pelo córtex motor, de acordo
com o que é lhe comunicado pelo cerebelo”. O que nos remete a
entender que podemos fazer pequenos ajustes nesses padrões, que
garantam a eficiência da tarefa proposta.
E como conclusão final deste tema, é importante analisar o
treinamento como um trabalho constante de correção. Um
movimento ou gesto uma vez aprendido de forma correta poderá
garantir o sucesso de sua equipe em uma partida.
O assunto é interessante e complexo, e pode ser ainda mais
aprofundado com o objetivo de se compreender todo este
mecanismo.

The Physiological Basis of Physical Educattion and Athletics


“Bases Fisiológicas da Educação Física e dos Desportos”
Edward L. Fox, Richard W. Bowers e Merle L. Foss
Editora Guanabara Koogan S. A. / Rio de Janeiro - RJ
72
Jogo Individual

Ações e mecanismos do jogo individual

Desenvolvimento dos processos e ações individuais

Se fosse definir as ações individuais sob meu ponto de vista e


de como compreendo este difícil mecanismo, diria que existem três
processos complexos dentro deste gigantesco sistema, ações
inteiramente integradas e que fazem toda a diferença na qualidade
individual de um atleta.
Dividiria desta forma e nesta ordem:
1) Análise / Recepção
2) Controle / Seleção
3) Decisão / Ação final

Neste entendimento os componentes individuais que formam


as qualidades do atleta passam necessariamente por estes três
processos.
Em alguns atletas podem também ocorrer dissociação dos
processos, tornando-os frágeis e previsíveis em algum ponto.
Estabelecer uma prioridade seria como interromper uma
mecânica muito bem sincronizada e que forma uma ação conjunta de
movimentos, exigindo do atleta fundamentos bem aprimorados,
concentração e equilíbrio emocional.
E para exemplificar melhor, poderia dizer que no momento em
que a bola vem em direção deste atleta, uma espécie de “botão” é
acionado e fará com que este mecanismo seja executado do seu
início ao término, sem interrupções.
Imaginamos então o desastroso final deste processo, ou o
belíssimo desfecho desta ação; tudo estará diretamente ligado à
forma de preparação destes processos.
Por este motivo muitas vezes o atleta tem dificuldades de
executar um perfeito desfecho para esta ação, que na sua grande
maioria não tem correlação com os movimentos motores, mas sim
com a preparação mental, equilíbrio emocional e autocontrole.
Acredito que o bom desenvolvimento de um atleta está
inteiramente ligado à forma com que ele se prepara ou é preparado
73
para executar estas ações.
Há algum tempo, nós treinadores deixamos de usar o
treinamento apenas como forma de condicionar fisicamente e
coordenativamente nossos atletas, estamos no estágio do
aperfeiçoamento mental, capacitando-os para momentos decisivos
de uma partida.
É no campo emocional que verifico os maiores problemas ou
as melhores soluções, pois estar preparado para executar
movimentos complexos sob uma forte pressão psicológica não é
tarefa fácil pra nenhum ser humano.
Por este motivo dividi os processos em três grupos, como já
mencionei anteriormente, e que de forma objetiva resumi para
facilitar o entendimento deste ponto de vista.
Então, o primeiro processo é denominado Análise / Recepção,
momento em que o atleta está sem a posse da bola e que
necessariamente precisa em frações de segundos “analisar”:
1) Espaços;
2) Distâncias;
3) Local;
4) Aproximações e etc.

Esta rápida análise antes de ter a posse da bola, irá contribuir


para o desenvolvimento da ação final.
A Recepção, processo agregado a análise do jogo é o
momento onde o atleta recebe a posse, em boas ou más condições,
dependendo de como ele elaborou seu primeiro processo, e
consequentemente o próximo pode estar comprometido ou não em
função do mesmo.
Lembrando que estou falando do jogo individual, em um
esporte coletivo, pois no momento em que este atleta executa seu
primeiro processo (análise / recepção), o que lhe passou a bola
estará executando seu terceiro processo (decisão / ação final), e isso
tem interferência direta na coletividade, mas é um assunto para uma
próxima oportunidade, senão fugimos do objetivo principal do tema.
Passamos então ao segundo processo: Controle / Seleção,
momento em que o atleta superou seu primeiro processo. É neste
momento em que o atleta irá checar sua primeira análise, verificar as
alterações ocorridas e prosseguir. Neste momento, ele executa um
74
controle da posse de bola sem estar “centrado na mesma”, pois se a
bola passar a ser o foco principal, certamente com a velocidade do
jogo e as mudanças, o atleta perderá a referência, dificultando assim
a seleção do seu passe, interferindo no próximo processo.
Após ter o controle e a seleção das opções disponíveis a ele,
encaminha-se o terceiro processo.
O processo de Decisão / Ação final: neste momento ele deve
estar preparado para fazer sua escolha. Após ter executado os dois
primeiros processos, deverá decidir o futuro desta ação que poderá
ser:
1) Continuidade do movimento;
2) Ação técnica individual (ex: um drible);
3) Reestruturação do jogo (ex: reinício ou envolvimento
do goleiro);
4) Interromper o processo de posse de bola (ex: uma
finalização).

Estes são apenas alguns exemplos, outras ações poderão ser


denominadas nesta lista.
Torna-se fascinante quando recordamos de que tudo isso é
executado em segundos, é um grande mecanismo que faz do Futsal
um jogo extremamente excitante.
Os processos são contínuos e em muitos casos são
interrompidos no seu desenvolvimento (construção e reconstrução).
Os conjuntos de ações individuais formam o sucesso coletivo,
onde a elaboração, o aperfeiçoamento e evolução podem e devem
ser constantemente praticados nas sessões de treinamento, um
trabalho bastante desgastante e prazeroso, um trabalho de correção,
mas necessário.
Sendo assim, é sempre importante criar possibilidades para
que o atleta habitue-se a este conjunto de ações, desenvolvendo sua
capacidade de agir sob pressão, reagir às adversidades e encontrar
soluções criativas para momentos decisivos.

75
Capítulo III
Estruturas e Noções dos Sistemas Táticos
Principais Noções sobre Sistemas Táticos

Futsal, um jogo de xadrez


‘Movimente uma peça errada e veja o que poderá acontecer.’

Esta frase resume bem o meu entendimento sobre o jogo,


sobre o que é administrar uma partida de Futsal.
Nós treinadores, quando falamos ‘movimente uma peça
errada’ não estamos nos referindo somente a questão das
substituições, pois isso deixou de ser algo tão relevante, já que as
novas estruturas preconizam as alterações frequentes no jogo
promovendo um rodízio de “todos” os atletas disponíveis em quadra.
Refiro-me mais precisamente às estratégias do jogo,
movimentar ou promover mudanças táticas numa partida, expondo a
equipe, retraindo-a demais, avançando muito o sistema de marcação
ou até mesmo adotando postura demasiadamente defensiva, entre
outras.
Tudo isso deve ser sempre muito bem observado, pois a cada
ação que promovemos no jogo recebemos uma reação, e este ciclo
se alterna entre as duas equipes durante todo o jogo.
Estar atento às “jogadas” do adversário a fim de perceber qual
será sua intenção em relação ao momento é algo que exige muita
atenção e concentração.
A leitura do jogo é mais do que uma grande responsabilidade,
é de fundamental importância, somente assim é possível neutralizar
as ações do nosso adversário.
Falei isso antes de iniciar este capítulo, pois muitos podem
estar esperando nele táticas surpreendentes ou arrasadoras,
lamento pois o objetivo continua sendo o de construção, apenas
mostrarei algumas ações que julgo serem importantes numa partida.
Não existem táticas infalíveis, o que ocorre, são ações bem
elaboradas para o momento propício do jogo.
Desta forma fracionei o jogo em duas divisões conhecidas, o
ataque e a defesa. É entre estas duas divisões que o jogo se
desenvolve quase que na sua totalidade.
As subdivisões desses dois sistemas incluem diversos itens,
que veremos de forma breve, apenas para promover o entendimento
e facilitar a elaboração dos planejamentos de trabalhos.
79
Sistema de Ataque e Defesa
As principais subdivisões dos sistemas de ataque e defesa

Neste tópico irei ser propositalmente objetivo, dividindo o jogo


em dois momentos bem definidos, o momento em que se tem a posse
da bola e o momento em que se está sem a possa da bola.
Desta forma defini o jogo em ataque e defesa, pois é
importante dizer que todas as ações que ocorrem antes, durante e
depois deste processo se chamam desenvolvimento.
Dentro do desenvolvimento existem as subdivisões, com os
principais pontos que merecem nossa atenção.

O Jogo

Sistema de
Sistema de
Defesa
Ataque
Sem a posse de
Posse de bola
bola

Manobras Definição da
ofensivas Contra-Ataque Definição da Linha de
Jogadas Postura marcação

Jogadas de bola Linha 1


Padrões de Zona
parada Linha 2
Jogo Mista
Canto/Lateral Linha 3
Movimentação Individual
Faltas Linha 4

Dentro de todas as subdivisões do jogo, existem outras tantas


que poderiam ser listadas, mas é importante se concentrar na forma
objetiva do jogo definindo prioridades.
Entendo que o Jogo se resume em Ataque, Marcação e
Contra-ataque, sendo o contra-ataque o ponto chave do jogo, porque
consiste em exercer a recuperação da posse de bola (momento em
que se está executando a marcação) consistindo no momento
primário do ataque, pois quem tem a posse de bola “ataca” e ataca em
duas situações: Em velocidade aproveitando-se da superação
numérica (característica do contra-ataque) ou na construção do
ataque, momento secundário, onde se constrói o ataque em
equilíbrio (4x4).
80
Os critérios de seleção são particulares e dependem de cada
equipe e a estratégia por ela definida.
Os trabalhos específicos que visam aprimorar os sistemas
táticos devem sempre contemplar estes dois sistemas de forma bem
definida, os quais são indiscutivelmente os momentos principais do
jogo.
Devo lembrar que outras tantas ações poderiam estar
relacionadas, entretanto desta forma alcanço o principal objetivo, o
da continuidade da construção deste material, proporcionando
àqueles que o lerem, ou se interessarem, que interajam e que
possam acrescentar seus conhecimentos neste organograma,
potencializando suas equipes.

81
Organograma dos Sistemas:
Marcação / Movimentação / Contra-ataque
Organização das estruturas metodológicas do treinamento

Na organização do organograma dos sistemas abaixo, uma


análise mais profunda merece destaque na estruturação das sessões
de treinamento.

FUTSAL

MARCAÇÃO MOVIMENTAÇÃO CONTRA-ATAQUE

Recuperação da
Objetividade Definição
Posse Passe Criatividade
Conclusão
De bola

Critérios de
Ações Inovadoras
Seleção

Aprimoramento dos
Vivência de novos
Fundamentos
mo delos
Básicos

Atitudes

Através de análises estatísticas e por intermédio de


experiência prática, observo que este esquema tem atendido com
extrema eficiência às necessidades na elaboração dos
planejamentos, sendo assim, gostaria de compartilhar comentários
sobre o organograma acima e apresentar “uma visão” em relação a
este assunto.
Destaco os sistemas de Marcação, Movimentação e os
Contra-ataques, já que estes três sistemas podem ser definidos
como “Início, Meio e Finalidade”.
82
Apesar de serem exaustivamente destacados na literatura,
achei interessante tecer alguns comentários sobre eles:

Ÿ MARCAÇÃO:
Ø Recuperação da posse de bola – disponibilizar recursos
táticos com objetivo de obter (recuperar) a posse de bola.
Ø Recursos táticos como sistemas de marcação coletiva e
individual, delimitações dos setores de marcação (linhas
e zonas), com utilização de vantagem e também em
desvantagens numéricas (gol linha e expulsões), ações
voluntárias e involuntárias de acordo com circunstâncias
do jogo (em vantagem e em desvantagem no placar).

Ÿ CONTRA-ATAQUE:
Ø Definição / Conclusão – disponibilizar recursos técnicos e
táticos com objetivo de aprimorar e potencializar as
investidas ao ataque, encerrando este ciclo com
velocidade e finalizações ao gol.
Ø Os esforços devem ser concentrados em executar os
contra-ataques em máxima velocidade e precisão
(selecionar passes e passagens dos atletas sem bola),
desenvolver percepção dos espaços a serem explorados
(nas finalizações e nas ações individuais “dribles”),
buscar aprimoramento individual (1x0 ação contra o
goleiro / finalizações ao gol / passes de “segunda trave”).
Define-se como contra-ataque toda ação que represente
uma superação da ação ofensiva, mais características
em situações de 2x1, 3x2, 4x3.
De forma proposital no último tópico que considero o mais
importante, abordarei com mais especificidade por se tratar da minha
linha de trabalho, pois acredito que a movimentação está
intimamente ligada à criatividade, além é claro de elementos técnicos
também presentes nos outros sistemas acima citados.
Ao longo deste trabalho desenvolvi pesquisas e treinamentos
que preconizaram o desenvolvimento dos aspectos criativos do
atleta, como forma de manter a essência do Futsal Brasileiro, por este
motivo todos os esforços têm sido na busca de ferramentas que
Palavra-chave
Segunda Trave: Lado oposto da ação de finalização, refere-se a segunda baliza da trave.
83
auxiliem nossos atletas na manutenção deste diferencial.
Ao abordar os elementos do organograma relacionados à
movimentação, gostaria de não privar os leitores de expor tópicos
que fundamentem estas conclusões.
É preciso ser entendido que os atuais modelos de treinamento
devam preconizar a criatividade e o poder de realizar coisas novas,
não apenas repetir o que já existe.

Ÿ MOVIMENTAÇÃO:

Ø Passe – Sem dúvida este é o fundamento primário do Futsal.


Um atleta deve sempre buscar a perfeição do seu passe. Uma
sequência de passes em deslocamento pode ser definida
como movimentação, por sua vez esta movimentação de forma
organizada e pré-estabelecida poderá ser definida como
padrão ou manobra, cujo principal objetivo é facilitar o
entendimento entre os membros da equipe, dificultando ao
adversário a recuperação da posse de bola.

Ÿ Critérios de Seleção – A responsabilidade em estar com a


bola aumenta na medida em que necessitamos nos
deslocar a fim de dificultar a recuperação da posse de bola
pelo adversário. Outro aspecto importante são os critérios
de seleção do passe, ou seja, identificar os momentos
corretos para transferir esta responsabilidade.
Alguns cuidados devem ser trabalhados para evitar riscos
e não comprometer o sistema defensivo da equipe,
cuidados como: ansiedade, pressão do adversário,
desorganização da equipe, utilização dos fundamentos
(passe rasteiro / meia altura / alto, fraco / forte, curta /
média / longa distância).
Ÿ Aprimoramento dos fundamentos básicos –
Evidentemente esta questão requer uma atenção
especial, pois os aprimoramentos técnicos dos
fundamentos formam a base de todo o trabalho tático de
uma equipe, sendo assim, necessitamos organizar
nossos planejamentos de trabalho com ênfase no
aprimoramento dos fundamentos (passe, recepção,
finalização, condução de bola, etc.).
84
Ø Criatividade – Diria que esta é a espinha dorsal deste trabalho,
porque está relacionada à busca e o desenvolvimento da
criatividade do atleta, motivo pelo qual desenvolvemos
atividades esquematizando uma estrutura de treinamento que
facilita o entendimento e o funcionamento eficiente destas
questões.
Segundo Conrado Schlochauer, que aposta na inovação como
verdadeiro impulsionador do aprendizado, “sem uma busca
ativa por novas ideias, os caminhos serão sempre os mesmos”
comenta ainda que “a tendência do ser humano é buscar fatos
e informações já conhecidos porque, com isso, economizamos
energia. E isso é neurológico”. O que esquecemos é que se
não utilizarmos outros caminhos, as respostas serão sempre
iguais, facilitando a prevenção de nossas ações por parte dos
nossos adversários.
Existem razões de sobra para entendermos a importância do
desenvolvimento criativo no ser humano, pois é justamente a
capacidade criativa que acaba nos tirando de situações de
adversidade, principalmente no Futsal, um esporte que exige
muita destreza. Nosso desafio é preparar nossos atletas para
livrá-los de sistemas de marcação precisos, adversários
qualificados, desvantagens entre outras situações.

Ÿ Ações Inovadoras – Embora pareçam a mesma coisa, as


diferenças são significativas. Possuímos como brasileiros
o dom de sermos criativos, mas necessitamos também
sermos inovadores e isso requer muito trabalho e
dedicação. Para Bob Wollheim “inovar requer trabalho,
pensar muito, quebrar regras e padrões, não se prender
ao que já foi feito ou a modelos que já existem e criar tudo
novo”. Segundo ele “quem souber pensar à frente do resto
do mundo – e agir dessa maneira – terá a capacidade de
crescer e progredir. Quem por outro lado ficar à margem
desse processo ficará à margem do processo e da renda”.

São depoimentos de consultores executivos bem-sucedidos


que servem de bons exemplos para nós desportistas, pois o que
ocorre no mundo dos negócios se aplica em nossas vidas esportivas
e vice-versa.
85
Por isso não podemos deixar para resolver nossos problemas
no exato momento em que eles ocorrem, necessitamos ter
organização e principalmente discernimento para encontrarmos
novos caminhos e driblar os já conhecidos. Devemos nos antecipar
aos problemas, devemos ter antevisão.

Ÿ Vivência de novos modelos – Significa oportunizar ao


atleta treinamentos diferentes do modelo original, ou seja,
implementar ao treinamento jogos de regras específicas,
alterar espaços na quadra, modificar a estrutura do jogo,
entre outras. Assim o atleta começa a buscar soluções aos
problemas encontrados no jogo, diferentes dos habituais,
proporcionando assim o desenvolvimento do raciocínio.

Ø Objetividade – A movimentação e as ações ofensivas que


levam a definição do lance, devem sempre conter o ingrediente
de objetividade. Assim como acontece no voleibol, o “rally” no
Futsal também tem um tempo determinado. Identificar o melhor
momento requer muita atenção e concentração, assim a
objetividade passa a ser o ponto fundamental e a chave de toda
essa questão, pois todo ataque necessita ter sua finalização ao
gol, caso isso não ocorra, todo o esforço irá gerar apenas
desgaste físico.
Ÿ Atitudes – Neste último tópico o destaque refere-se à
importância do envolvimento do atleta ao trabalho
proposto. Faz-se necessário que o atleta tenha atitudes e
comprometimento diante do trabalho. Adotar postura
sempre positiva, buscando auxiliar o seu companheiro e
fornecendo também o feedback ao seu Técnico, isso
contribuirá na evolução dos treinamentos, aumentando a
qualidade e proporcionando também uma melhor
adaptação ao jogo.

É muito importante destacar que o objetivo principal deste livro


é contribuir na elaboração dos planejamentos de trabalho,
proporcionando assim aos responsáveis pela função, elementos
básicos para a estruturação do seu programa de treinamento.

86
O assunto visa também apresentar um modelo de trabalho
baseado sempre na criatividade do atleta, dando a ele o poder e a
autonomia de decisão no jogo. É importante entender também, que o
técnico é o responsável pela estrutura e a estratégia do jogo, mas o
atleta deve participar ativamente das decisões aos problemas por ele
encontrados numa partida, isso é de suma importância para o
sucesso de todos.

87
Divisão dos Sistemas de Ataque e Marcação
Contextualização dos movimentos nos processos de evolução do Jogo

Sistemas, áreas de ataque e marcação

Para um melhor entendimento dos processos de evolução de


um jogo de Futsal, ou de forma simplificada tentar ajustar e fracionar
os setores da quadra a fim de que se possam trabalhar os
movimentos específicos de cada setor, potencializando assim o
rendimento da equipe, minimizando os riscos.
A organização do jogo nos leva inevitavelmente a
padronização de alguns movimentos, estruturando de forma
organizada todo o processo de construção dos movimentos
defensivos e ofensivos, de organização e reestruturação do ataque e
também de defesa.
O que aqui pretendo é fazer um “Raio-X” do sistema de
ataque, que se origina desde a saída de meta até a conclusão do
processo.
As minhas observações são baseadas em análises técnicas e
táticas, tenho como principal objetivo despertar o interesse para uma
melhor definição destes processos.
Isso facilitará a elaboração de trabalhos para cada setor e o
desenvolvimento técnico/tático de uma equipe.
Vou dividir a quadra em 3 setores aqui denominados de
Sistemas de Evolução, como demonstrados no quadro abaixo:
Sistema de Evolução III
Esta área destina-se a área de conclusão do
ataque, do avanço objetivo do movimento,
Sistema Evolução III proporcionando oportunidades efetivas de
ataque e conclusão.
Sistema de Evolução II
Esta área destina-se a área de construção e
organização do ataque, do avanço do movimento
Sistema Evolução II
para a linha de ataque, estruturando os
movimentos para a linha de conclusão.
Sistema de Evolução I
Esta área destina-se a área de saída de
Sistema Evolução I pressão, onde devem ser trabalhados movimentos
que proporcionem o avanço do jogo com
segurança, superando numericamente esta
primeira linha.

88
É fácil perceber que a maior dificuldade de alguns
profissionais é de conscientizar o atleta sobre suas
responsabilidades, e de transmitir a ele um embasamento capaz de
despertar um discernimento para identificar o lugar ideal para cada
ação a ser executada, o momento mais apropriado e por
consequência a ação em questão.
A administração do espaço, tempo e ações se tornam
complexos para o atleta à medida que não se definem estas
questões, pois quanto mais desorganizado em quadra, maior a
complexidade do jogo, maior a dificuldade de ajuste e por fim, maior
possibilidade de insucesso.
Quando faço referência à organização, em nenhum momento
estou me referindo ao “previsível”, muito menos criando um
paradigma de robotizar o jogo.
Quero apenas sugerir uma harmonia, criar estrutura para um
jogo criativo, com impacto menor ao sistema defensivo, pois como
vimos anteriormente o jogo se define em dois momentos, “Ataque e
defesa”, onde nenhum dos dois são independentes, pelo contrário,
um depende diretamente do outro.
O correto é utilizar bem um sistema sem provocar prejuízos ao
outro, isso define-se como organização do jogo. Quando nenhum dos
sistemas compromete diretamente o outro, é possível construir o
ataque com criatividade sem abrir mão da marcação.

Como podemos fazer isso?


Ÿ O primeiro passo é a conscientização dos envolvidos nesta
questão, demonstrando a importância da organização e dos
benefícios que se pode obter através dela.
Ÿ O segundo passo é fracionar o jogo dentro dos dois sistemas,
que por sua vez apresentarão subdivisões particulares, ou
seja:
Ø Sistema de Ataque – Ex: 1x1, 2x1, 3x2, 4x3, 5x4.
Ø Sistema de Marcação – Ex: Zona, Mista, Individual /
Linhas I, II, III ou IV.
Ÿ O terceiro passo é integrar os dois sistemas, proporcionando
um equilíbrio e que suas execuções não prejudiquem um ao
outro.

89
Vejamos então o Sistema Ofensivo, caracterizado pela posse
da bola, pois subentende-se que a equipe que obtém a posse de bola
deseja atacar o adversário.

Sistema de Evolução III


As manobras coletivas são importantes, mas
o desequilíbrio se dá nas ações individuais, a
qual deve acabar com finalização a gol,
potencializando assim a evolução do jogo.
Ser objetivo e utilizar as finalizações é a
Sistema Evolução III chave deste setor.
Sistema de Evolução II
A busca pela velocidade e objetividade é
característica deste sistema e do local, é
Sistema Evolução II neste processo que a organização ganha
importância. Utilização de manobras de
ataque pré-definidas poderão ajudar na
obtenção do sucesso da equipe.
Sistema de Evolução I
Sistema Evolução I Desenvolvimento de movimentações
objetivas, facilitando o avanço da equipe.
Utilização de movimentações de buscas e
aproximações, dando assim mais segurança
para evoluir sem comprometer a defesa,
onde todos devem avançar esta linha.

É importante frisar que em todos os Sistemas de Evolução faz-


se necessário a superação numérica, a fim de que a sequência do
movimento caracterize superioridade e garanta o sucesso da ação.
Outro ponto importantíssimo é não perder jamais a
objetividade e é fundamental conscientizar os atletas de que é
necessário transpor os setores sem pressa, mas com objetividade,
não perdendo as oportunidades de conclusão, mesmo que elas
ocorram em outro espaço de tempo.
Um detalhe importante refere-se à necessidade da utilização
das manobras de saída de pressão, as quais somente ocorrerão na
ocasião em que a marcação esteja pressionando a equipe ou
postada na ‘linha I’ de marcação.
Por isso, se a marcação estiver posicionada na ‘linha II ou III’
de marcação, o processo de ‘evolução I’ já foi superado sem a
necessidade de manobras e o avanço ao sistema de ‘evolução II’ já
começou a ser elaborado.
90
Comportamento da Marcação nos Sistemas de Evolução

Sistema de Evolução III – Risco Baixo


Ênfase no trabalho de retorno de marcação e
no acerto do tempo da marcação sob pressão.
Preenchimento dos espaços da quadra de
Sistema Evolução III defesa. Indução da marcação para as dobras
de pressão de saída.
Sistema de Evolução II – Risco Médio
Ênfase no trabalho de marcação coletiva e
individual, aproximação das coberturas.
Sistema Evolução II
Desenvolvimento de tentativas para
desarmar os ataques impedindo a
progressão do mesmo até o setor de
finalização.
Sistema Evolução I Sistema de Evolução I – Alto Risco
Ênfase dos trabalhos de ocupação dos
espaços, resistência no avanço do ataque,
trabalhando o estado de alerta das finalizações
de média distância e das jogadas individuais.
Cobertura das bolas de segunda trave.

Estas ações defensivas servem apenas de alerta aos setores.


A necessidade de ter atenção obrigatoriamente passa por
concentrar a marcação em um ponto de equilíbrio, onde melhor se
estrutura a marcação, observando sempre a característica da equipe,
do adversário e também da estratégia de jogo proposta.
Todo sistema de marcação é falível, o que pode diferenciar a
marcação de uma equipe para outra são os fundamentos, e também
a conscientização dos atletas quanto à importância dela para um jogo
eficiente.
Alguns ingredientes são fundamentais para que exista uma
boa marcação:
Ÿ Agressividade – representa estar sempre buscando o desarme;
Ÿ Equilíbrio – buscar o melhor tempo e ponto para executar a
pressão;
Ÿ Espaços – preencher os espaços executando as coberturas;
Ÿ Indução – saber conduzir o adversário para um ângulo
desfavorável;
Ÿ Comportamento – concentração, vontade, determinação e
envolvimento.
91
Estes são alguns pontos importantes para o bom
funcionamento de um sistema defensivo. Conhecê-los e aprimorá-los
pode fazer toda a diferença.
Também é muito importante lembrar que o perfil do atleta
moderno exige-lhe não somente uma eficiência no ataque, mas sua
participação efetiva no sistema defensivo.
Os trabalhos de marcação devem contemplar os
planejamentos de trabalho, sendo parte integrante e diária nas
sessões e em algumas oportunidades, será a parte principal do
treinamento.

92
Ações mais Frequentes nos Respectivos Setores
Identificação das principais ações e que merecem atenção
Setores de Risco

Sistema Defensivo

Setor Defensivo Setor 1 – Setor de Alto Risco


Ÿ Setor de Alerta:
Ø Saída de bola (Marcação
Pressão);
Ø Passe de longa distância (ala
Setor 1 para ala);
Ø Recepção de Bola em
desequilíbrio (em alta
velocidade);
Setor 2 Setor 3 Setor 2 Ø Jogando de costas para o Gol
adversário;
Ø Recuo para o goleiro com
marcação próxima ou em
laterais defensivos;
Ø Com marcação próxima e
ações individuais sem
cobertura.

Setor 2 – Setor de Baixo Risco


Ÿ Setor de Construção de Ataque:
Ø Setor favorável para passes
de ataque e ações individuais
com cobertura;
Ø Movimentação de
aproximação e superação
numérica.

Setor 3 – Setor de Alto Risco


Ÿ Setor de Alerta:
Ø Forçando passe com
marcação equilibrada e ações
individuais;
Ø Movimentação lenta, retenção
de bola demasiada e toques
excessivos na bola;
Ø Entrar com bola dominada
correndo lateralmente;
Ø Recuo de bola para o goleiro
com marcação equilibrada.
93
Sistema Ofensivo

Setor Ofensivo Setor 1 – Setor de Conclusão


Ÿ Setor de Ataque:
Ø Área de finalização e passes
(segunda trave);
Ø Ações individuais
1 x 0 (um contra o Goleiro);
1 x 1 (um contra um);
2 x 1 (dois ataques, um defensor)
Ø Passes e finalizações de Bola
Parada - Canto
Laterais
Faltas

Setor 2 – Setor de Conclusão


Setor 2 Setor 3 Setor 2 Ÿ Setor de Menor Ângulo:
Ø Setor de Finalização e Passes
(Finalizações cruzadas e
segunda trave);
Setor 1
Ø Setor de Recepção de bola e
conta-ataque;
Ø Passes de Paralela e Ações
individuais 1 x 1 (um contra
um)
2 x 1 (aproximação tabelas)

Setor 3 – Setor de Conclusão


Ÿ Setor de Maior Ângulo:
Ø Setor de Finalização e Passes
com ângulo favorável;
Ø Alto risco de contra-ataque do
adversário na perda da posse
de bola;
Ø Risco na retenção de bola e
ações individuais 1 x 1;
Bola de tempo PV (setor favorável
para giros).

94
Sistema Básico de Marcação de Gol-linha
Posicionamento e estrutura de marcação – Marcação Losango

Quadro 1 Quadro 2

Quadro 3 Quadro 4

Quadro 5

A marcação do goleiro linha (losango) visa principalmente


evitar a progressão do mesmo, normalmente quando ele apresenta
boa qualidade de finalização de longa e média distância. A marcação
de losango deverá sempre priorizar os passes para espaços com
menor ângulo de finalização. O tempo de bola deve ser um dos
fundamentos mais treinados a fim de que se possa alternar a postura
de marcação (a ponta da lança avança no mesmo tempo) dando
apenas opção de passes de fundo.
Quadro 1 - Posicionamento inicial com bola no meio.
Quadro 2 - Bola na ala direita, recuo das coberturas. Função do
atletas do meio é de interceptar a bola cruzada da ala D para a ala E.
O último atleta tem como função principal exercer marcação de
flutuação para coberturas das bolas de fundo, lado contrário e passes
diagonais.
95
Quadro 3 - Retorno da bola para o meio, consequentemente a
marcação irá retornar para a posição 1. O retorno deverá ser rápido,
recuperando o espaço perdido pelo lado contrário no Quadro 2.
Quadro 4 - Bola de ala esquerda, idem ao quadro 2.
Quadro 5 - Bola de fundo: O posicionamento deverá congestionar a
bola de fundo a fim de que se possa dificultar o seu retorno,
progressão (segunda trave), finalização de ala. Se ocorrer o passe, o
mesmo deverá ser induzido para trás, sendo assim a marcação
novamente deverá recuperar o espaço perdido.
Ÿ A marcação deverá estar postada de maneira que se consiga
achar um tempo de bola para o avanço dos atletas de frente,
acelerando assim o passe do adversário e consequentemente
diminuindo a qualidade do mesmo.
Ÿ A equipe poderá como forma de atrair o adversário para sua
quadra, permitir que a bola seja passada no homem de fundo,
permitindo que as coberturas se aproximem executando o
“caixote”.
Ÿ O aspecto mais importante deste posicionamento é ter a
consciência de que já se está em desvantagem e quanto mais o
adversário estiver com a posse da bola, mais propensos
estaremos a errar. A marcação deve ser agressiva.

96
Sistema Básico de Marcação de Gol-linha
Posicionamento e estrutura de marcação – Marcação Quadrado

Quadro 1 Quadro 2

Quadro 3 Quadro 4

Quadro 5

A marcação do goleiro linha (Quadrado) visa principalmente


neutralizar os passes de fundo. Permite a progressão do goleiro caso
o mesmo não seja um gol linha com característica de boa finalização.
A marcação de quadrado não deverá apresentar grande
deslocamento, pois se refere a uma marcação que prioriza as bolas
de tempo. A aproximação do lado contrário quando a bola estiver
numa das alas poderá proporcionar o “caixote” no goleiro.
Quadro 1 – Posicionamento inicial com bola no meio.
Quadro 2 – Bola na ala direita, aproximação do lado contrário para
congestionar o meio evitando os passes diagonais.
Quadro 3 – Retorno para a posição 1; o retorno deverá ser rápido
recuperando o espaço perdido pelo lado contrário no Quadro 2.
97
Quadro 4 – Bola de fundo: O posicionamento deverá aproximar-se
da bola evitando assim as bolas de segunda trave e as finalizações
curtas. Dificultando o seu retorno, o passe deverá ser induzido para
trás, sendo assim a marcação novamente deverá recuperar o espaço
perdido.
Quadro 5 – Caso haja progressão do ala, a cobertura deverá ocorrer
com o atleta de trás. O atleta do meio fará cobertura no fundo e o lado
contrário vem pra dentro da área fechar os passes de segunda trave.
O atleta que foi superado na bola de ala na posição inicial deverá
retornar pelo meio de quadra a fim de evitar os passes de retorno.
Ÿ Se houver investidas do goleiro pelo meio, um dos alas (de
preferência o do pé bom) deverá retornar para auxiliar na
marcação de cobertura do atleta do fundo, pois o mesmo irá
abandonar o seu marcador para exercer a marcação no goleiro.

98
Noções de Marcação – Fundamentos Básicos
Dicas para situações em que recebemos a marcação

Fundamentos de Marcação / Recebendo Marcação

Saída Pressão (linha 1)


Ø A equipe que recebe marcação pressão deve:
Ÿ Não aceitar passivamente a marcação, através do
posicionamento;
Ÿ Organizar as quebras de pressão;
Ÿ Utilizar o goleiro na execução do lançamento;
Ÿ Utilizar o atleta de frente como primeira opção.

Ø Na marcação individual:
Ÿ Mudanças frequentes de direção;
Ÿ Trocas de velocidade;
Ÿ Passe meia altura (tirando a bola do chão);
Ÿ Utilização de bloqueios.

Saída Meia Pressão (linha 2)


Ø A equipe que recebe marcação meia pressão deve:
Ÿ Passar a meia quadra com extrema velocidade;
Ÿ Aproximar-se um do outro para movimentar;
Ÿ Não executar passe na mesma ala;
Ÿ Não atravessar bola de ala para ala;
Ÿ Utilizar velocidade na movimentação;
Ÿ Trocar rapidamente de posicionamento;
Ÿ Trabalhar na linha de segurança;
Ÿ Utilizar o goleiro no sinal de aperto;
Ÿ Transferir a posse de bola caso a marcação seja alterada.

Saída Meia Quadra (linha 3 e 4)


Ø A equipe que recebe marcação meia quadra deve:
Ÿ Organizar jogo com o goleiro;
Ÿ Utilizar bola de tempo para finalização rápida e de longa
distância;
Ÿ Não permanecer demasiadamente com a posse de bola;

99
Ÿ Transferir a posse de bola com o objetivo de fazer o adversário
criar;
Ÿ Movimentação lenta para não proporcionar contra-ataque;
Ÿ Não forçar o passe pelo meio de quadra, e com marcação
equilibrada;
Ÿ Fazer a bola chegar ao fundo de quadra para posicionar a
marcação no contra pé.

Noções de marcação – Fundamentos Básicos


Dicas para situações em que executamos a marcação – Linhas

Fundamentos de Marcação / Executando Marcação

Saída Pressão (linha 1)


Ø A equipe que executa marcação pressão deve:
Ÿ Posicionar a marcação na linha 2 e sair na pressão na segunda
bola;
Ÿ O marcador sem bola deve achar o tempo de passe;
Ÿ Inibir a recepção do passe no armador;
Ÿ Dificultar a passagem da bola no meio de quadra;
Ÿ Flutuar na marcação de meio para contra-atacar;
Ÿ Acompanhar a marcação da quebra de meio perto, evitando a
recepção;
Ÿ No sinal de linha 1, todos devem tirar os espaços dos
adversários.

Ø Na marcação individual:
Ÿ Caminhar perto da marcação;
Ÿ Inibir a marcação nos atletas de quebra;
Ÿ Tirar o goleiro no lado do pé bom;
Ÿ Acompanhar a trajetória da bola para o goleiro, marcação de
tempo;
Ÿ Dar espaço de segurança quando o atleta estiver sem bola;
Ÿ Não perder a referência da bola / atleta.

100
Saída Meia Pressão (linha 2)
Ø A equipe que executa marcação meia pressão deve:
Ÿ Não ceder na movimentação;
Ÿ Dar intenção de passe sempre para trás;
Ÿ Dar preferência aos passes de fundo e lado contrário;
Ÿ Concentrar a marcação para não entrar passe pelo meio;
Ÿ Preferência de passe e finalização nas alas (menor ângulo);
Ÿ Jogador com bola na ala, lado contrário fecha segunda trave;
Ÿ Quando a movimentação aproxima-se, achar o tempo e
executar “caixote”.

Saída Meia Quadra (linha 3 e 4)


Ø A equipe que executa marcação meia quadra deve:
Ÿ Dar intenção de passe para contra-atacar;
Ÿ Fazer a movimentação, acelerar movimentação e passe;
Ÿ Último atleta na frente da referência (PV);
Ÿ Evitar que o passe vire de ala para ala e chegue ao fundo;
Ÿ Garantia na marcação individual e flutuar nas coberturas.

101
Capítulo IV
Atividades Práticas - Jogos Coletivos
Jogos de Treinamento

Este capítulo é dedicado às atividades práticas, jogos de


treinamento que visam aprimorar diversas fases do jogo.
Os jogos coletivos, além de auxiliar no condicionamento físico
da equipe pela dinâmica e intensidade, têm como objetivo exigir do
atleta um poder de criação, adaptação e principalmente inteligência.
Quando propomos uma atividade coletiva, precisamos pensar
nas regras deste trabalho e prever algumas situações que poderão
ocorrer durante o exercício.
A utilização dos jogos de regras adaptadas exige que o atleta
pense em soluções diferentes do cotidiano, ativando assim o seu
poder de leitura de jogo, já que em muitas situações durante uma
partida algumas ações que não são previstas ocorrem, exigindo do
atleta uma rápida adaptação e resposta.
Durante algum tempo venho desenvolvendo esse tipo de
atividade e obtendo alguns bons resultados, devendo lembrar que
este processo exige um tempo satisfatório, uma adaptação ao novo
método.
Vários exercícios são flexíveis, dando a possibilidade de
adaptá-los conforme necessidade, além de possuir elementos de
variações.
Por isso devo salientar que muitos dos exercícios são
desenvolvidos através de outros exercícios já existentes.
Outros foram criados em razão da necessidade de
desenvolver e aprimorar determinados elementos.
Embora o capítulo seja prático, é importante entender alguns
conceitos alavancados nos capítulos anteriores, pois as atividades a
seguir não necessariamente precisam ser executadas conforme o
desenvolvimento proposto.
O objetivo principal desse capítulo é estimular também nossa
criatividade, para criação de novos exercícios e atividades mantendo
assim o ciclo de criação sempre em movimento.

105
Trabalho Ataque móvel
Especificidade Ataque / Posse de bola
Objetivo Específico
Valorizar a posse de bola, selecionando os
ataques. Aprimoramento da consciência de
ocupação de espaço na quadra.
Objetivo Secundário
Trabalhar ataque de superação 4x3, desenvolvendo a capacidade de
criar situações diversas.
Trabalhar marcação em diferentes situações.
Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes, uma equipe com cinco


atletas que irá executar o ataque, e a outra equipe com seis jogadores
que ficarão distribuídos em dois grupos de marcação, sendo um em
cada metade de quadra. A equipe que fará o ataque será distribuída
da seguinte forma: os três atletas do meio poderão optar a qualquer
momento em que lado da quadra executar o ataque, podendo mudar
a todo tempo. Dois atletas serão chamados de “ajudas de ataque”
que irão completar o quarteto, configurando assim uma situação de
4x3. O ataque irá acontecer sempre se utilizando de dois toques na
bola, e o terceiro toque será permitido apenas para finalizações. O
jogo acontece normalmente. Se a equipe vermelha recuperar a bola,
107
deverá executar dez toques entre si, contabilizando um ponto (gol).
Permanecerá com a bola até que a outra equipe a recupere. Se a
equipe apenas tocar na bola a contagem deverá recomeçar,
permanecendo com a bola até que se perca a posse totalmente. Os
goleiros poderão participar da posse de bola, mas uma vez tocando
nela, a mesma deverá passar o meio da quadra para um novo toque.
O jogo então se transforma em um grande “bobinho”.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 11 jogadores - 2 goleiros
Material Bola
Duração 2 tempos de 20 minutos
Variação / Execução

Quando a marcação recuperar a posse de bola, todos os


atletas poderão ficar espalhados na quadra, saindo dos seus setores.
Deverão executar os dez toques para efetivar um ponto (gol). As
regras seguem normais, com laterais, tiro de canto e faltas quando
ocorrerem. A contagem continua a partir dos toques que haviam sido
realizados antes da falta. As equipes deverão retornar aos seus
lugares (setores) quando a posse for recuperada pelo ataque. E por
sua vez, o ataque não necessita esperar pela organização, poderá
fazê-lo em forma de contra-ataque.
108
Trabalho Ataque de setor lateral
Especificidade Organização do ataque
Objetivo Específico
Organizar o ataque no sistema 4x0, distribuindo de
forma organizada os atletas em seus setores.

Objetivo Secundário
Potencializar o lado predominante dos atletas, identificando seu lado
favorável para o ataque. Desenvolver o senso de busca e aproximações
para um jogo de 2x1.
Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes com quatro atletas cada,


depois se divide a quadra com cones em duas partes laterais iguais,
deixando espaços entre eles para que os passes aconteçam. Os
atletas não poderão passar de um lado para o outro, apenas a bola.
Os dois atletas deverão jogar dentro do seu setor podendo passar
para o outro lado apenas por dentro da área, sem poder sair dela, o
mesmo poderá fazê-lo tanto no ataque quanto na sua defesa
conforme na figura (variação) a seguir. Poderão ser limitados os
toques na bola para tornar o jogo mais dinâmico e favorecer o jogo de
duplas (2x1) bem como, as bolas de fuga no lado contrário,
envolvendo a marcação da equipe adversária. Os goleiros poderão
109
jogar em qualquer lado da quadra, mas não poderão passar entre os
cones. Um ataque mal executado poderá deixar a outra equipe em
vantagem para contra-atacar e os marcadores do lado contrário
poderão entrar na área para evitar um prejuízo maior à marcação.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 jogadores - 2 goleiros
Material Bola e Cones
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Podemos utilizar como variação os cones na diagonal,


liberando os atletas para percorrerem toda quadra desde que as
passagens sejam feitas apenas nos finais dos cones e nunca pelos
intervalos entre eles. Todos os jogadores poderão estar num mesmo
lado da quadra. A marcação também terá que executar as passagens
da mesma forma, sob pena de um tiro livre direto caso passem nestes
intervalos. Podemos também variar o número de toques na bola.
Toques liberados ou não.

110
Trabalho Jogo de ataque lançado
Especificidade Busca e aproximação
Objetivo Específico
Desenvolver a importância da ajuda na saída de
bola. Consciência da importância das
aproximações.
Objetivo Secundário
Trabalha o ataque 4x0, utilizando-se buscas e aproximações, tentando
manipular a marcação pressão adversária, os atletas iniciam um trabalho
de fugas e escapadas.
Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por quatro


atletas cada. O jogo de ataque lançado será caracterizado por uma
espécie de linha de impedimento, aqui no quadro acima representado
pelo traço vermelho, em cima da linha central da quadra. O atleta não
poderá receber a bola no ataque, nem estar esperando pelo passe,
poderá receber apenas se o passe for feito antes de sua saída, como
funciona na regra de impedimento no futebol. Os atletas poderão
trocar passes entre si quantas vezes forem possíveis e necessárias.
Após passar o meio da quadra, a equipe deverá manter a bola neste
setor, se a bola retornar a quadra de defesa o jogo deverá reiniciar,
sendo assim, os atletas somente voltarão ao ataque se forem
111
lançados novamente. O Goleiro não poderá fazer o lançamento direto
em sua saída de meta, obrigatoriamente deverá repor a bola na sua
quadra de defesa, obrigando assim os atletas a executarem o passe
ofensivo. O jogo poderá ter toques liberados facilitando assim a
condução e o controle de bola na defesa. Se a equipe adversária
recuperar a bola, passará também pelo mesmo jogo de regras.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 jogadores - 2 goleiros
Material Bola
Duração 2 tempos de 20 minutos
Variação / Execução

Como variação do jogo, podemos colocar a seguinte regra:

Limitar o número de toques na bola, ou então colocar uma


regra especifica de toques: ou faz o passe de primeira ou se não fizer,
terá que obrigatoriamente dar três toques na bola para passá-la ao
companheiro.
Também podemos limitar um jogador adversário de não
retornar para sua quadra de defesa para marcar, ficando um jogo
característico de 4x3. O mesmo deverá retornar apenas quando sua
equipe recuperar a posse de bola. A mesma regra então será adotada
pela outra equipe.
112
Trabalho Jogo de passes e passagens
Especificidade Espaço vazio e fugidas
Objetivo Específico
Desenvolvimento de estratégias criativas,
ocupando espaços vazios e fugidas nas costas dos
adversários.
Objetivo Secundário
Despertar nos atletas o senso de jogar sem bola, procurando espaços
vazios nas costas dos adversários. Desenvolver o senso de marcação
individual e coletiva.
Esquematização - Quadra

Quadra B

Quadra A
Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador

Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por quatro


atletas cada. Logo após, utilizando oito cones, delimitam-se as
"portas" que darão passagens ao ataque e o retorno às defesas.
Funcionará da seguinte forma: Representado pelos cones laranja
duas portas que levarão todos os jogadores da quadra A para quadra
B. Os atletas somente poderão passar para a outra quadra se saírem
por estas portas, uma vez saindo somente poderão retornar pelas
"portas" sinalizadas com os cones pretos. As duas "portas" de
passagens estão propositalmente na diagonal, para criar ainda mais
dificuldades para o jogo. Os cones poderão ser todos da mesma cor.
Na figura estão de cores diferentes apenas para facilitar o
113
entendimento do trabalho. Os passes poderão ocorrer de qualquer
forma e em qualquer lugar da quadra, apenas as passagens e
retornos é que deverão ocorrer nos locais específicos. Na figura
abaixo há variação do jogo, utilizando os cones somente nas laterais,
as duas portas (cones laranja) levarão os atletas da quadra A para a B
e os pretos da B para A. O exercício tem alto grau de intensidade e
criatividade, mudando assim a visão de jogo e as estratégias.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 jogadores - 2 goleiros
Material Bola / Cones
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Quadra B

Quadra A

Como variação do jogo, podemos então colocar as portas de


passagens nas laterais, sendo que as da quadra de defesa levam ao
ataque e as do ataque serão utilizadas para o retorno, como exposto
na figura acima. Também podemos utilizar uma segunda variação,
colocando as portas de passagens no centro da quadra, ou seja,
apenas duas portas que levam e trazem das duas quadras. Os
passes atendem as mesmas regras do jogo original. Poderemos
liberar os toques conforme a necessidade e dinâmica do jogo.

114
Trabalho Jogo das traves invertidas
Especificidade Mudança de referência
Objetivo Específico
Modificar a referência do jogo, desenvolvendo
assim a criatividade do atleta.

Objetivo Secundário
Com a mudança da referência do jogo, o atleta irá desenvolver sua
capacidade de criar novas estratégias, fazendo com que sua criatividade
seja incentivada.
Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por quatro


atletas cada. Invertem-se as duas traves, trazendo-as para o limite da
área pontilhada deixando-as viradas para sua linha de fundo. O
Goleiro poderá circular livremente apenas dentro desta área
limitando-se a isso. Poderá jogar com os pés dentro do seu limite e
não poderá sair da área para executar coberturas. Poderá
permanecer virado para o jogo enquanto não for acionado. O jogo
ocorrerá de forma normal, com limitação de dois toques e a
possibilidade de utilizar um terceiro toque apenas para finalização.
Os atletas deverão desenvolver estratégias de posicionamento que
favoreçam as finalizações já que as traves encontram-se invertidas.
115
O jogo proporciona uma referência diferente da habitual,
sendo assim, desenvolve o poder de criatividade do atleta, jogo de
linha de fundo e também passes de “segunda trave”.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 ou 10 jogadores - 2 goleiros
Material Bola / Inverter traves
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Como variação do jogo, podemos colocar mais um atleta em


cada equipe, sendo que este ficará somente dentro da área e poderá
finalizar apenas de primeira, não poderá dar dois toques na bola. Os
demais atletas não poderão entrar na área, podendo apenas passar e
defender a bola. Como segunda variação, poderemos liberar a
entrada de mais um atleta dentro da área com a mesma regra apenas
para finalizar de primeira e o atleta que já está dentro poderá dar dois
toques e não será mais finalizador. Podemos limitar para que
somente o atleta que passe a bola para a ajuda entre na área,
forçando ele a busca pelo passe e finalização.

116
Trabalho Jogo das traves na diagonal
Especificidade Mudança de referência
Objetivo Específico
Utilização de espaços diferentes na quadra,
proporcionando um jogo de criatividade.

Objetivo Secundário
Com a mudança da referência do jogo o atleta irá desenvolver sua
capacidade de criar novas estratégias, fazendo com que sua criatividade
seja incentivada.
Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por quatro


atletas cada. Invertem-se as duas traves, levando-as para as
diagonais. O responsável pelo trabalho deverá ou não limitar uma
área ao goleiro, para que o mesmo possa fazer intervenções com a
mão durante o trabalho. O jogo também poderá ocorrer com
limitações de toque ou de forma liberada. Se observarmos na figura
acima, muda-se a referência da quadra, mas percebemos que a
formação de saída neste caso é uma formação em 3x1. Apenas serve
para demonstrar que mesmo com referências diferentes é possível
se organizar no jogo. O desenvolvimento criativo e também a
ocupação de espaços na quadra são fatores importante para o jogo.
117
Neste trabalho o goleiro poderá ser acionado sempre que
necessário e as regras para devoluções de bola serão iguais as
regras do Futsal. É um excelente trabalho também para o
desenvolvimento do senso de marcação, cobertura e marcações
individualizadas. Na simulação, uma formação de ataque gol linha.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 ou 10 jogadores - 2 goleiros
Material Bola / Inverter traves
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Neste jogo podemos adotar a variação dos toques em setores


específicos, liberando os toques fora da quadra de voleibol e dentro
da quadra de voleibol apenas um toque na bola. Também podemos
estipular as finalizações para que sejam feitas apenas dentro da
quadra de voleibol ou somente fora dela. Poderá ser incluído mais um
jogador em cada equipe como variação do jogo, de início ou não,
conforme necessidade.

118
Trabalho Jogo das traves de meio
Especificidade Mudança de referência
Objetivo Específico
Modificar a referência do jogo, desenvolvendo
assim a criatividade do atleta.

Objetivo Secundário
Com a mudança da referência do jogo o atleta irá desenvolver sua
capacidade de criar novas estratégias, fazendo com que sua criatividade
seja incentivada.
Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por quatro ou


cinco atletas cada. Invertem-se as duas traves, trazendo-as para o
centro da quadra. Colocam-se as traves viradas para as linhas
laterais, ficando assim as duas de costas uma pra outra. Limita-se ou
não uma área específica ao goleiro, lembrando que as finalizações de
frente ao gol (delimitar área) somente poderão ser executadas de
primeira (em apenas um toque). Nos demais setores da quadra o
toque poderá ser liberado ou não, com toques limitados em dois e a
possibilidade de um terceiro toque para finalização o jogo se torna
ainda mais dinâmico e veloz. Nos demais setores da quadra poderão
também ocorrer finalizações. Sempre que a bola tocar as traves no
119
fundo ou a rede pelo lado de fora, a bola deverá ser retornada numa
cobrança de lateral contra a equipe infratora. As partes entre as duas
traves também podem ser utilizadas para passes e passagens dos
atletas. O goleiro poderá executar a saída de meta para qualquer
jogador e em qualquer local, inclusive por cima das traves.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 ou 10 jogadores - 2 goleiros
Material Bola / Inverter traves
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Este jogo caracteriza-se pela centralização do jogo, então


como variação podemos também limitar os toques em setores
específicos, além de determinar os limites de finalização, podendo
finalizar apenas fora da quadra de voleibol. Outra variação poderá
acontecer com passes com a mão do próprio goleiro, ou seja, a
equipe deve fazer os passes na mão do seu goleiro e o mesmo fará
um passe também com as mãos devendo o atleta finalizar de
primeira, com um domínio apenas no peito ou joelho, mas sempre
com a bola no alto.

120
Trabalho Jogo de posse de bola
Especificidade Manutenção posse de bola
Objetivo Específico
Valorização da posse de bola.

Objetivo Secundário
Selecionar os ataques, mantendo a posse de bola por maior tempo
possível.
Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por cinco atletas


cada. Marca-se dois setores nas duas quadras (ataque), em cada
setor um atleta representando cada equipe. Uma das equipes terá o
início da posse de bola, e fará o ataque. Todas as reposições de bola
(lateral, saídas de meta, canto, etc.), serão de posse da mesma. Se a
equipe adversária roubar a bola em jogo, deverá acionar a sua ajuda
no ataque para reverter a posse de bola. Se a equipe optar no
momento que roubar a bola em dar continuidade ao ataque sem
acionar sua ajuda, poderá fazê-la, mas mesmo que faça o gol a bola
ficará em posse da equipe adversária, por não ter adquirido o direito
da mesma. A equipe somente recupera a posse quando aciona sua
121
ajuda no ataque. A ajuda poderá jogar como quinto atleta no ataque,
mas não poderá finalizar a gol, receber marcação dentro do setor,
terá apenas três toques na bola e também não poderá sair do setor. A
marcação poderá impedir (fora) do setor que a bola chegue até ele. O
único que não poderá interceptar a bola nesta situação será o goleiro.
Outras regras poderão ser incluídas ou alteradas.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 ou 10 jogadores - 2 goleiros
Material Bola / Cones (separar área de posse)
Duração 2 tempos de 10 minutos
Variação / Execução

O setor de posse de bola passa a ser lateral, não podendo a


ajuda finalizar a gol, somente terá papel de auxílio aos passes,
podendo fazer com apenas quadro jogadores em quadra para
aumentar o grau de dificuldade e dinâmica. Liberar para a ajuda
finalizar a gol de primeira. Liberar ou limitar toques em setores
específicos são variações que podem ser incluídas.

122
Trabalho Regra de passagens
Especificidade Organização de ataque
Objetivo Específico
Organizar o ataque, induzir passes e passagens
em local específico.

Objetivo Secundário
Melhorar a qualidade nas saídas para o ataque, estabelecer padrões de
ataque por setores, dificultar as saídas em meia quadra.

Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por quatro


atletas cada. Com o auxílio de cones ou barreiras, fechar o centro da
quadra, deixando apenas duas laterais livres. Nestes intervalos é que
irão passar os passes e também todos os atletas, não podendo ser
executados passes pelo meio, inclusive por cima dos obstáculos. O
jogo poderá ser realizado em dois ou três toques. Não poderão
ultrapassar o centro da quadra com bola dominada, todas as
passagens deverão acontecer através de passes. Não serão
permitidos também lançamentos dos goleiros pelo meio seguindo as
mesmas regras dos atletas de linha.

123
Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 jogadores - 2 goleiros
Material Bola / Cones (Limitar áreas de passagens)
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Faz-se uma barreira nas laterais limitando os passes e as


passagens apenas pelo centro da quadra. Não serão permitidos
passes aéreos nas barreiras laterais, não será permitido também
passar com a bola dominada, somente com passes.

124
Trabalho Dentro / Fora
Especificidade Jogo duplo e posicionamento
Objetivo Específico
Desenvolver jogo de duplas e potencializar os
posicionamentos em quadra.

Objetivo Secundário
Desenvolver situações de superação 2x1 ala e centro de quadra:
manipular a marcação adversária.

Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por quatro


atletas cada, depois limita-se as áreas de atuação (dentro/fora). A
marcação poderá acontecer com quadras que possuam a marcação
de uma quadra de voleibol. As que não possuírem podem ser
marcadas com cones ou fita, representando um retângulo igual ao da
figura acima. Depois dividir os atletas, dois atletas jogarão dentro
desse setor e outros dois jogarão fora deste setor. Os que estão
dentro não poderão sair, e os que estão fora não poderão entrar, nem
passar por dentro desse setor, os que estão fora deverão percorrer
sempre por fora, mesmo para executar marcação, não sendo
permitido os atalhos. Os passes poderão passar por dentro
125
normalmente. O jogo poderá acontecer ou não com limites de toques.
Os atletas deverão ser trocados de setores, os que estão dentro
jogam fora e vice-versa. Os goleiros podem jogar somente nos
setores de fora.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 jogadores - 2 goleiros
Material Bola / Cones para marcar setor
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Na variação do jogo, podemos liberar a saída de um dos


atletas que estão dentro do setor para saírem apenas para atacar. Os
marcadores deverão permanecer dentro. Este ataque deverá
acontecer apenas com um toque na bola, para finalização mesmo. Os
goleiros podem interceptar o passe.

126
Trabalho Ajuda de meio
Especificidade Referência e auxílio no ataque
Objetivo Específico
Referência para saída pressão e auxílio no ataque.

Objetivo Secundário
Auxiliar o ataque na formação 3x2, simulação de dobra de ataque. Forçar
o jogo de fundo e nas costas da marcação.

Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por quatro


atletas cada e um atleta que fará a ajuda de meio. A ajuda irá jogar
para as duas equipes sempre na função de ataque 3x2. Servirá de
ajuda para a saída de meta auxiliando a defesa, pois o passe deverá
obrigatoriamente passar pela ajuda para ir ao ataque. Os toques da
defesa para saída serão liberados, obrigando a marcação a
pressionar a saída de defesa e executar marcação individual. No
ataque serão permitidos dois toques na bola e um terceiro somente
para finalização a gol. Quando os goleiros fizerem uma defesa ou as
bolas saírem nos laterais os passes poderão ir diretamente aos
atletas de ataque, não sendo obrigatório passar pela ajuda de meio.
127
Será obrigatório pelo menos um toque do atleta de ajuda antes
de finalizar para o gol. A ajuda não finalizará a gol e não poderá sair de
dentro do setor limitado.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 9 jogadores - 2 goleiros
Material Bola / Fita para marcação de área da ajuda
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Aumentar a área da ajuda, dando maior possibilidade de


recepção de passe e também maior mobilidade ao ataque. A ajuda
permanece sem finalizar a gol, cabendo ao mesmo apenas a
dinâmica de ajuda nos passes, forçando sempre o jogo nas costas da
marcação. A ajuda deverá ser orientada a forçar passes nas costas
da marcação, esse é o maior objetivo do trabalho, passes de
superação das linhas de marcação.

128
Trabalho Área de ataque
Especificidade Situação de ataque
Objetivo Específico
Proporcionar situação de ataque contra o goleiro
1 x 0.

Objetivo Secundário
Desenvolver passes nas costas da marcação, espaço vazio para
finalização contra o goleiro e assistência de finalização.

Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por quatro


atletas cada. Uma equipe fará a marcação, outra fará o ataque e terá
posse de bola durante sete minutos. Neste tempo somente esta
equipe fará o ataque. Determina-se um atleta que poderá entrar na
linha de ataque/finalização. Somente ele poderá entrar. A marcação
deverá impedir que a bola entre neste setor. Se roubar a bola terá o
direito de um contra-ataque. Apenas uma tentativa de atacar a
marcação em superação numérica 4x3 já que o atleta liberado para
entrar no setor de ataque não poderá retornar para marcar. O jogo
deverá acontecer com toques liberados, dando maior proximidade a
realidade do jogo. Quando a bola entrar no setor de ataque o atleta
129
poderá finalizar na saída do goleiro ou driblá-lo. Podemos também
acionar o goleiro da equipe que está atacando para auxiliar no jogo.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 jogadores - 2 goleiros
Material Bola / Fita para marcação de área da ajuda
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Na variação do jogo, podemos liberar a entrada de um outro


atleta de ataque, limitando o número de toques na bola, sendo que a
ajuda terá apenas dois toques ou finalizar apenas de primeira, e o
outro atleta que entrar no setor deverá apenas finalizar a gol. Os
marcadores não poderão entrar no setor, e poderão sair no contra-
ataque inclusive se a bola sair para arremesso de meta, obrigando os
retornos rápidos após as finalizações. Caso ocorra o gol, inicia-se
uma nova tentativa. Trocar as equipes a cada sete minutos de jogo.

130
Trabalho Ajuda ataque / contra-ataque
Especificidade Seleção ataque / contra-ataque
Objetivo Específico
Referência de passe no fundo, selecionar e
organizar o ataque e contra-ataque.

Objetivo Secundário
Manipular o sistema de marcação adversária, com opções de ataque e
contra-ataque.

Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Neste jogo dividimos duas equipes, uma com quatro atletas e


outra com apenas três atletas. Neste jogo a ajuda de ataque já estará
dentro do setor, não podendo sair dele. Os outros três atletas farão a
movimentação de ataque e os três adversários a marcação. Estes
devem impedir que a bola entre na ajuda, porque a partir do momento
que a bola entrar, a equipe poderá optar em atacar em qualquer uma
das traves, no sentido do ataque ou inverter o ataque para a sua
própria meta. Ele não poderá finalizar a gol, apenas fará a ajuda e os
passes. Quando o jogo for invertido para a sua própria meta, o setor
de marcação deverá retornar para impedir que isso aconteça,
podendo ainda o ataque retornar mais uma vez para a origem do
131
ataque, ou seja, novamente ao gol que já estava atacando no início.
Devemos mudar as equipes a cada sete minutos em média, assim
como a ajuda, que deverá entrar sempre com o quarteto de ataque.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 7 jogadores - 2 goleiros
Material Bola / Fita para marcação de área da ajuda
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Na variação do jogo, podemos liberar a finalização do atleta da


ajuda, podendo a mesma ser realizada somente no toque de
primeira. Outra variação, podemos liberar a ajuda para sair do setor e
atacar com seus companheiros 4x3 na quadra contrária apenas,
obrigando a marcação a se posicionar no outro lado da quadra.
Liberar os toques ou não, conforme o objetivo do trabalho.

132
Trabalho Marcação de indução
Especificidade Indução de ataque
Objetivo Específico
Induzir o ataque para um setor de marcação.

Objetivo Secundário
Potencializar a marcação para um ponto de aperto, marcar com indução
lateral, acionar cobertura e recuperação da posse de bola para contra-
ataque.
Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por quatro


atletas cada. Uma equipe fará a marcação de indução (Y), a outra fará
o ataque e terá posse de bola durante sete minutos. Neste tempo
somente esta equipe fará o ataque, possibilitando a marcação e o
direito de um contra-ataque, caso recupere a posse de bola. A
marcação de indução caracteriza-se pela formação de três linhas de
marcação numa figura representada pela letra Y, com a primeira linha
sendo formada por dois atletas, na segunda e terceira linha um atleta
cada. O ataque deverá se organizar da maneira que quiser, tentando
dificultar à marcação adversária. Por sua vez, a marcação deverá
encontrar o tempo para atrair o ataque para um dos dois lados,
133
cabendo aos demais executarem a marcação de indução e aperto,
forçando o ataque a acelerar os passes e perder a qualidade na
movimentação. O jogo poderá iniciar com apenas três toques na bola,
para dificultar um pouco mais o ataque. Depois pode-se liberar os
toques na bola para dar mais dinâmica ao trabalho.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 jogadores - 2 goleiros
Material Bola / Fita para marcar os pontos Y
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Na variação do jogo, para valorizar o empenho da marcação,


poderemos liberar para que a marcação quando recupere a posse de
bola, possa atacar em qualquer uma das traves, aumentando assim a
dificuldade e a valorização da posse de bola por parte do ataque
inicial, obrigando-os também a recuperar com velocidade a posse
novamente, para então executar outra tentativa de passar pelo
bloqueio. A cada sete minutos trocamos as equipes. Liberar ou não os
toques na bola, conforme necessidade do jogo.

134
Trabalho Marcação setorizada
Especificidade Acertos de cobertura
Objetivo Específico
Marcar dentro de setores para acertos de
cobertura.

Objetivo Secundário
Desenvolver noções de marcação em setores, acertos de cobertura e
responsabilidade de marcação em lado contrário.

Esquematização - Quadra

Equipe 1 Equipe 2 Goleiro Cone Bola Linha Bola Linha Jogador


Desenvolvimento do Trabalho

Divide-se o grupo em duas equipes formadas por quatro


atletas cada. Uma equipe fará a marcação setorizada, a outra fará o
ataque e terá posse de bola durante sete minutos. No jogo terá
apenas um goleiro que deverá ficar atrás da marcação, o outro gol
deverá estar vazio, para trabalhar a responsabilidade da equipe que
ataca, pois se a marcação roubar a bola terá duas opções: A primeira
é de finalizar a gol de primeira ou conduzindo a bola até executar a
finalização, a outra opção caso encontre dificuldades de contra-
atacar será de colocar a bola para linha lateral conquistando assim o
direito de trocar de posição, passando de marcador pra atacante e
vice-versa. Continuando assim a regra, poderá retornar caso a
135
equipe adversária proceda da mesma forma. Em caso de optar pelo
gol, o gol será validado, mas a posse de bola continuará sendo da
equipe atacante. Avaliar a situação e tomar a decisão mais adequada
para o momento. As marcações deverão estar postadas conforme a
figura, sendo que cada atleta terá o seu espaço determinado,
podendo apenas fazer coberturas dentro dos setores até o seu limite.
Para a equipe que ataca será permitida a permanência de dois atletas
em cada setor de defesa. Podemos limitar ou não os toques na bola.

Organização do Trabalho
Categoria A partir de Sub - 15
Nº Participantes 8 jogadores - 1 goleiros
Material Bola / Fita para demarcar a área de marcação
Duração 2 tempos de 15 minutos
Variação / Execução

Na variação do jogo, para valorizar o empenho da marcação,


poderemos liberar para que a marcação quando recupere a posse de
bola, possa atacar em qualquer uma das traves, aumentando assim a
dificuldade e a valorização da posse de bola por parte do ataque
inicial, obrigando-os também a recuperar com velocidade a posse
novamente, para então executar outra tentativa de passar pelo
bloqueio. Caso execute o gol, a regra segue da mesma forma. O gol é
validado mas a posse de bola continua com a equipe que estava no
ataque.
136
Considerações Finais

“Na natureza nada se cria nada


se perde, tudo se transforma”.
Teoria de Lavousier

Esta teoria contempla o meu maior objetivo dentro dessa


obra: Enfatizar e valorizar o processo de construção do treinamento.
Também o envolvimento de todos no processo de construção
das estratégias, pois entendo que tudo pode e deve ser facilitado
quando todos estão integrados e comprometidos com o mesmo
objetivo.
Não tenho como pretensão criar novos paradigmas, até
porque entendo que eles limitam nossos pensamentos e destroem o
poder criativo que possuímos.
Todos os capítulos deste livro são claros, simples e objetivos, e
não servem como “receita de bolo” para que sejam aplicados
exatamente como estão dispostos. O poder de adaptação,
sensibilidade e inovação proporcionarão mudanças importantes para
atender as expectativas de suas equipes, assim estaremos de fato
construindo nosso esporte.
Ficarei feliz em presenciar outras atividades sendo criadas a
partir deste protótipo, o que contemplará a finalidade deste guia
prático.
Por ser um esporte em constante evolução, necessitamos
produzir conceitos e material a respeito da especificidade que o
Futsal exige, não podemos continuar reféns da adaptação de outras
modalidades, seguir um caminho onde não sabemos para onde nos
levará.
O Futsal tem seu espaço reconhecido, com a possibilidade de
se tornar um esporte olímpico, um desejo de todos nós.
Para tanto, precisamos produzir elementos que fundamentem
cientificamente tudo o que dissemos, fazemos e elaboramos,
deixando de ser o Futsal um esporte “parecido” com o futebol, o
basquete e outras modalidades coletivas.
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Se aqui não consegui envolvê-los com meu trabalho, tão
pouco deixá-los impressionados com o conteúdo, espero despertar o
sentimento de que vocês podem fazer melhor que eu, para que se
sintam desafiados a escrever, criar e ousar na inovação.
Todas as citações e referências aqui contidas recebem uma
análise sob meu ponto de vista, mas faço aqui uma menção de
agradecimento especial aos profissionais cujas vidas são dedicadas
à busca do conhecimento, e que tanto me inspiraram para que
pudesse encontrar alguns caminhos.
Para finalizar, devo dizer que tudo em nossas vidas se
transforma a partir de alguma coisa. Que nossa vaidade muitas vezes
nos impede de reconhecer o que muitos nos deixaram como
ensinamentos e que não somos donos ou proprietários do
conhecimento e da teoria.
Esta é uma obra pertencente ao Futsal Brasileiro, cujo dono,
somos todos nós.

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