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INFORMAÇÕES

AGRONÔMICAS
No 155 SETEMBRO/2016
Desenvolver e promover informações científicas sobre
MISSÃO o manejo responsável dos nutrientes das plantas para o
ISSN 2311-5904
benefício da família humana

EFEITO DO SILÍCIO NA TOLERÂNCIA DAS PLANTAS


AOS ESTRESSES BIÓTICOS E ABIÓTICOS
Mônica Sartori de Camargo1

1. INTRODUÇÃO Tabela 1. Teores de argila e teores de Si solúvel em ácido acético (0,5 mol L-1)

O
e CaCl2 (0,01 mol L-1) em solos do estado de São Paulo.
silício (Si) é um elemento químico presente em
Argila Ácido acético CaCl2
grande quantidade na crosta terrestre, sendo o Solo
principal constituinte das rochas, dos minerais (%) - - - - (mg kg Si) - - - -
-1

silicatados e dos solos. Entretanto, os teores solúveis e disponíveis Neossolo Quartzarênico 6,0 1,0 1,0
às plantas podem ser baixos em alguns solos devido, principalmente, Latossolo Vermelho 22,0 8,1 5,0
à sua mineralogia, textura e teor de argila. Assim, solos com maior
Latossolo Vermelho eutroférrico 68,0 10,7 5,7
teor de óxidos de ferro e alumínio e solos arenosos e de textura média
apresentam menor teor de Si solúvel (Tabela 1). Entretanto, alguns Argissolo 28,1 27,5 11,5
solos com baixos teores de argila contém teores suficientes de Si para Fonte: Adaptada de Camargo, Rocha e Korndörfer (2013); Camargo, Korndörfer
as plantas, tal como o Argissolo textura média (> 8 mg kg-1 de Si solú- e Wyler (2014).
vel em CaCl2 0,01 mol L-1), e não respondem à adubação silicatada.
Embora Epstein e Bloom (2005) tenham citado o Si como maior parte do Si nas plantas encontra-se como opalina e menos de
um elemento “semi-essencial”, ele ainda é classificado como bené- 1% está solúvel na forma coloidal, iônica ou combinada a compostos
fico às plantas, porque sua essencialidade não foi comprovada para orgânicos (Ma e IAmaji, 2006).
todas as plantas pelos critérios diretos e indiretos de Arnon e Stout. Toda espécie vegetal tem capacidade de absorver Si e não são
Entretanto, o Si é considerado elemento essencial para algas dia- conhecidos sintomas de deficiência, sendo que seus teores podem
tomáceas (algas unicelulares) e para a cavalinha (planta vascular), variar de 0,1 a 10% na massa seca (Epstein, 2009). A quantidade
as quais não sobrevivem na sua ausência. de Si absorvida pelas espécies está relacionada à estrutura das raízes
A absorção de Si ocorre preferencialmente pelas raízes (MITANI e Ma, 2005), que é a principal entrada desse elemento
das plantas na forma de ácido monossilícico (H4SiO4), sendo para o interior das plantas.
posteriormente transportado pelo xilema e depositado na forma de O Si é o único elemento que não acarreta prejuízo quando absor-
dupla camada de sílica e cutícula na epiderme das folhas e colmos, vido em excesso pelas plantas, sendo algumas delas consideradas acu-
tornando-se imóvel quanto à redistribuição para outros órgãos. A muladoras, tais como arroz e cana-de-açúcar. Por exemplo, cultivares

Abreviações: As = arsênio; Cd = cádmio; Fe = ferro; LV = Latossolo Vermelho; LVdf = Latossolo Vermelho distroférrico; Mn = manganês; RQ = Neossolos
Quartzarênicos; Si = silício; Zn = zinco.

1
 ngenheira Agrônoma, Dra., Pesquisadora Científica, Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA)/ PRDTA Centro Sul, Piracicaba,
E
SP; email: mscamargo@apta.sp.gov.br.

ATENÇÃO! recadastramento!
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INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 1


INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS

Publicação trimestral gratuita do International Plant


N0 155 SETEMBRO/2016
Nutrition Institute (IPNI), Programa Brasil. O jornal
publica artigos técnico-científicos elaborados pela
comunidade científica nacional e internacional visando CONTEÚDO
o manejo responsável dos nutrientes das plantas.
Efeito do silício na tolerância das plantas aos estresses bióticos e
ISSN 2311-5904 abióticos
Mônica Sartori de Camargo....................................................................... 1
COMISSÃO EDITORIAL
Yield Gap – Conceitos, definições e exemplos
Editor Paulo Cesar Sentelhas, Rafael Battisti, Leonardo Amaral Monteiro,
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2 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016


antigas de cana-de-açúcar, cultivadas em solos argilosos do Havaí,
Ângulo de inserção Matéria seca Matéria seca
absorveram 379 a 408 kg ha-1 de Si em 12 meses. No Brasil, Camargo,
da folha das raízes
Korndörfer e Foltran (2014), estudando nove variedades de cana-
de-açúcar, observaram valores entre 120 e 237 kg ha-1 de Si em Sem Si 28,6 a 0,783 b 0,726 b
três colheitas, que variaram de acordo com a cultivar e o órgão Com Si 9,3 b 1,341 a 0,827 a
da planta analisado (Tabela 2). Isso mostra que, além do tipo de
solo, a espécie vegetal e as variedades influenciam sobremaneira
na quantidade de Si absorvida pelas plantas.
Tabela 2. Absorção de silício por variedades de cana-de-açúcar ao final
de três colheitas.

Si absorvido (kg ha-1)


Variedade
Palha (folhas + palmito) Colmo
IAC 86-2480 154,9 abc 157,9 a
IAC 87-3396 133,6 abc 145,9 a
IAC 91-1099 240,9 a 165,6 a
IAC 91-2101 167,0 ab 108,6 a
IACSP 93-3046 136,0 abc 118,7 a
IACSP 93-6006 139,0 abc 148,8 a
IACSP 94-4004 81,4 c 139,2 a Figura 1. Tamanho e arquitetura das folhas de arroz cultivadas na presença
e na ausência de silício.
IACSP 94-2094 143,9 abc 99,9 a Fonte: Adaptada de Zanão Filho (2007).
RB 84-7515 126,7 abc 171,9 a

Fonte: Adaptada de Camargo, Korndörfer e Foltran (2014). 2. ESTRESSES BIÓTICOS REDUZIDOS PELO SILÍCIO
Há duas hipóteses complementares sobre o modo de ação
Recentemente, foram identificados os genes Ls1 e Ls2 res- do Si na redução dos danos causados nas plantas por agentes pato-
ponsáveis por codificar transportadores de Si em plantas de arroz, gênicos e insetos: a barreira física e a barreira química.
contribuindo para o entendimento do processo ativo de absorção de A hipótese do Si atuar como barreira física na proteção das
Si pelas raízes. Foram descritos um modelo para o arroz, mostrando plantas contra doenças foi desenvolvida por pesquisadores japo-
a localização desses genes nas raízes, e outro para o milho e a cevada neses para a cultura do arroz contra doença fúngica (Yoshida,
(Ma e IAmaji, 2006). A localização desses genes explica a maior 1965). A deposição de Si na parede das células da epiderme dificulta
eficiência na absorção de Si pelas plantas de arroz em relação ao o desenvolvimento de fungos e a penetração de insetos nos tecidos
milho e à cevada. Outras pesquisas têm sido realizadas para maior das plantas. Essa hipótese foi comprovada para doenças e pragas em
compreensão do processo, para mensuração da quantidade absor- diversas culturas, mas não é suficiente para explicar os resultados
vida e para inserção desses genes em plantas que apresentam baixa positivos do Si na redução de doenças fúngicas em plantas não
absorção de Si, como a soja. acumuladoras de Si, ou seja, plantas que absorvem baixa quantidade
O Si absorvido proporciona muitos benefícios para as do elemento e não formam barreira física.
plantas. A sua deposição nas folhas promove melhoria do posi- A hipótese da barreira química fundamenta-se no fato do Si
cionamento das folhas para maior interceptação da luz solar, solúvel, presente no interior da planta, ativar o sistema de defesa
aumentando a capacidade fotossintética e a produtividade das natural quando um patógeno infecta a planta. Assim, o Si estimula
culturas. Em experimento com arroz cultivado em solução nutri- a produção de compostos fenólicos, quitinases, peroxidases e o
tiva, as folhas mostraram-se mais eretas no tratamento com Si acúmulo de lignina. Esses compostos são acumulados na parede
(Figura 1), observando-se menor ângulo de inserção das folhas, celular, impedindo ou dificultando a colonização da planta pelo
o que proporcionou aumentos de 71% e 13% na massa seca de fungo. Essa hipótese foi comprovada para brusone, em arroz
folhas e de raízes, respectivamente, comparado ao tratamento (Rodrigues et al., 2003, 2004), sendo complementar à da bar-
com ausência desse elemento. reira física para doenças.
Resultados positivos da ação do Si também têm sido Considerando que o Si pode ajudar na redução da severi-
verificados na redução de danos causados por estresses bióticos dade de algumas doenças, a utilização desse elemento benéfico
(pragas e doenças) e abióticos (seca, metais pesados, salinidade) possibilita minimizar o uso de agrotóxicos e reduzir a contami-
que, geralmente, ocorrem durante o desenvolvimento das plantas. nação do ambiente, contribuindo, assim, para a sustentabilidade
Como o Si não é considerado nutriente, em algumas situações, agrícola.
o aumento de produção com a adubação silicatada não é obser-
vado em algumas plantas consideradas não acumuladoras de
2.1. Doenças
Si, quando cultivadas sob condições controladas e adequadas
de água, luz, temperatura e umidade. Entretanto, quando algum O papel do Si na redução da incidência e/ou severidade
tipo de estresse, biótico ou abiótico, está presente no cultivo, os das doenças tem sido estudado nas culturas de algodão, feijão,
efeitos do Si são evidentes na atenuação desses efeitos, conforme soja, hortaliças e especialmente em gramíneas – arroz, cana-de-
será visto a seguir. açúcar e trigo (Tabela 2).

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 3


Tabela 2. Doenças fúngicas reduzidas com a utilização do silício em grandes severidade da mancha parda em até 96%, reduzindo também o
culturas e hortaliças. número de lesões.
Cultura Doença Referência Em cana-de-açúcar, ainda são poucos os estudos sobre
Grandes culturas a ação do Si na redução dos danos causados por doenças. Raid,
Anderson e Ulloa (1992) observaram acréscimo no teor de Si nas
Algodão Ramulária Curvelo et al. (2013)
folhas e redução média de 67% na severidade da mancha anelar,
Arroz Bruzone Datnoff et al. (1991),
causada pelo fungo Leptosphaeria sacchari, com a aplicação de
Santos et al. (2011)
6,7 t ha-1 de silicato de cálcio ao solo, comparada à testemunha
Mancha parda Dallagnol et al. (2014), Zanão sem Si, em condições de campo, nos Estados Unidos (Tabela 3).
Filho (2007)
Descoloração de grãos Prabhu et al. (2001) Tabela 3. T
 eor de silício nas folhas e severidade de mancha anelar em
Cana-de-açúcar Ferrugem marrom Raid, Anderson e Ulloa (1992); variedades de cana-de-açúcar com e sem aplicação de Si.
Camargo, Amorin e Gomes Severidade da mancha
Junior (2013); Ramouthar Si na folha (g kg-1)
Variedade anelar (%)
(2009)
- Si + Si - Si + Si
Mancha anelar Raid, Anderson e Ulloa (1992)
Feijão Antracnose Polanco et al. (2014) CP72-1210 2,8 6,7 23,4 7,3
Soja Ferrugem asiática Cruz et al. (2012) CP74-2005 2,9 5,9 8,5 3,1
Cercosporiose Nolla, Korndörfer e Coelho CP80-1827 2,9 5,5 5,2 1,7
(2006) CP70-1133 2,8 5,4 10,5 4,2
Cancro da haste Grothge-Lima (1998) CP72-2086 2,5 7,3 4,1 0,9
Trigo Bruzone Debona et al. (2014),
Cruz et al. (2015), Fonte: Adaptada de Raid, Anderson e Ulloa (1992).
Sousa et al. (2013)
Míldio Bélanger, Benhamou e Efeito semelhante foi verificado para a ferrugem marrom,
Menzies (2003) causada por Puccinia melanocephala, em cultivo de cana-de-açúcar
Hortaliças realizado em vasos. A adubação silicatada, na forma de silicato de
Abobrinha Míldio Menzies et al. (1992) potássio, promoveu diminuição nos danos da doença com o aumento
Batata Requeima Puzyrov et al. (1996) da deposição de Si nas folhas e nas nervuras das folhas de cana-de-
Melão Oídio Dallagnol et al. (2015)
açúcar (Figura 3), o que foi confirmado por imagens de raio X
(Ramouthar, 2009). Há uma clara distinção entre o tratamento
Pepino Míldio Menzies et al. (1992)
controle (sem Si) e o tratamento com aplicação de 800 mg L-1
Pimentão Murcha de fitóftora French-Monar et al. (2010) de Si. O pesquisador mensurou também a distribuição da área
Tomate Murcha de Fusarium Huang, Roberts e Datnoff coberta com Si na epiderme inferior, na epiderme superior e no
(podridão de raízes) (2011) mesófilo das folhas de cana-de-açúcar cultivada com doses de até
2.000 mg L-1 de Si (Figura 4). Nota-se que o incremento da deposi-
O arroz é uma cultura muito importante na alimentação da popu- ção de Si foi maior na epiderme inferior da folha e menor no mesó-
lação mundial e uma das mais estudadas em relação à adubação com Si. filo foliar. Foi verificado ainda que, à medida que a deposição de
As pesquisas com Si na cultura do arroz tiveram início no Japão, quando Si e o teor de Si total na folha aumentaram, a severidade da doença
pesquisadores observaram que as folhas afetadas por brusone continham reduziu linearmente. Embora o modo de ação desse fungo seja dife-
menos Si do que as folhas sadias. A brusone é uma doença fúngica que rente, ou seja, ele infecta a folha via estômato (Raid; Anderson;
causa prejuízos significativos na produtividade e qualidade dos grãos. Ulloa,1992) e não via cutícula, o acúmulo de depósitos de Si
Posteriormente, a relação entre redução dos danos por brusone e aumento nas folhas de cana-de-açúcar promoveu diminuição dos danos
da concentração de Si nas folhas foi comprovada em experimentos sob causados pela ferrugem marrom, mostrando o benefício do Si.
condições controladas no Japão (Datnoff e
RODRIGUES, 2005) e no Brasil (Prabhu et
al., 2001; Santos et al., 2011).
A mancha parda, causada pelo fungo
Bipolaris oryzae, é outra doença importante
na cultura do arroz. Seus danos, que incluem
decréscimo do peso e da qualidade dos grãos,
menor número de grãos cheios por panícula
e, consequentemente, menor produtividade do - Si + Si
arroz, podem ser reduzidos com a adubação
Período de incubação 20,50 b 29,33 a
silicatada. Zanão Filho (2007), estudando a
resistência do arroz à mancha parda, obser- Severidade da doença 68,89 a 2,46 b
vou que o Si proporcionou prolongamento Teor de Si (g kg )
-1
12,70 b 73,60 a
do período de incubação da doença em
aproximadamente 9 h (Figura 2), aumento Figura 2. Período de incubação, severidade da mancha parda e teor de silício nas folhas de arroz
no acúmulo de compostos fenólicos solúveis cultivado na presença e na ausência de silício.
e lignina nas folhas inoculadas e redução na Fonte: Zanão Filho (2007).

4 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016


Camargo, Amorim e Gomes Junior (2013) observaram
redução significativa na incidência de ferrugem marrom com o
aumento dos teores de Si na folha diagnóstica em cana-planta e
em duas soqueiras, aos 8 meses de idade (Figura 5), cultivadas
Controle em vasos (100 L), a céu aberto, em três diferentes solos: arenoso
(Neossolo Quartzarênico - RQ), textura média (Latossolo Verme-
lho - LV) e argiloso (Latossolo Vermelho distroférrico - LVdf). Na
cana-planta cultivada no solo com menor teor inicial de Si solúvel
(RQ), a incidência máxima de ferrugem marrom foi reduzida em
20%, 20% e 59% em relação ao tratamento controle com as doses
400 mg L-1 Si de 185 kg ha-1, 370 kg ha-1 e 555 kg ha-1 de Si, respectivamente.
Nos solos com teores superiores de Si (LV e LVdf), apenas as doses
Deposição de Si maiores (370 e 555 kg ha-1 Si) promoveram redução da incidência
máxima de ferrugem. Na segunda soca, apenas no solo argiloso a
incidência de ferrugem foi reduzida (14% do valor da incidência
máxima do tratamento controle) com a aplicação de Si.
800 mg L-1 Si Em trigo, dois trabalhos recentes, comprovando a atuação
do Si como barreira física para brusone (Pyricularia oryzae), foram
realizados pelo grupo de pesquisa do Dr. Fabrício A. Rodrigues,
Figura 3. Deposição de silício nas nervuras de folhas de cana-de-açúcar cultivada com professor da Universidade Federal de Viçosa, criador da hipótese
0, 400 e 800 mg L-1 de silício na forma de silicato de potássio e respectivas da barreira química (Rodrigues et al., 2003, 2004). Cruz et al.
imagens de raio X. (2015), com o auxílio da microscopia de luz e da microscopia eletrô-
Fonte: Ramouthar (2009).
nica de varredura, mostraram como o Si pode reduzir a colonização
de brusone nos tecidos da raque do trigo. Na ausência de Si ocorreu
intensa colonização e descoloração das espigas, em contraste com
as espigas de cor esverdeada do tratamento com Si. Aliado a isso,
2.000 no tratamento com Si foram encontradas poucas hifas do fungo na
epiderme, bem como material fenólico no parênquima da raque,
ao contrário do controle (sem Si), onde ocorreu intensa coloni-
1.600
zação. Isso mostra que o Si pode induzir mecanismos de defesa
da própria planta por meio da ativação de estratégias de defesa,
Silício (mg L-1)

1.200 como, por exemplo, a síntese de compostos fenólicos (barreira


química). Silva et al. (2015a), estudando também a brusone em
trigo, observaram que, além do incremento do teor de Si foliar de
800
2,6 para 36 g kg-1, houve acúmulo de flavonoides nas paredes das
folhas, o que representa uma forte defesa bioquímica em resposta
400 à infecção pelo patógeno.

2.2 Pragas
0
O Si pode atuar como atenuador dos danos causados por
0 5 10 15 20 25 30 pragas, sendo que o mecanismo de ação, na maior parte dos estu-
dos sobre ataque de insetos, está alicerçado na hipótese da barreira
Área coberta por depósitos de silício (%)
mecânica formada pela deposição de Si nos tecidos das plantas. Pes-
Figura 4. Área coberta por depósitos de silício na epiderme inferior, na quisas nacionais e internacionais têm comprovado os efeitos bené-
epiderme superior e no mesófilo da folha de cana-de-açúcar. ficos do Si contra pragas das culturas de algodão, arroz, cana-de-
Fonte: Ramouthar (2009). açúcar, girassol, milho, pastagens, trigo, soja e sorgo (Tabela 4).

Figura 5. Relação entre incidência da ferrugem marrom e teor de silício nas folhas diagnósticas do cafeeiro aos 6 meses, cultivado em três solos: arenoso
(RQ), textura média (LV) e muito argiloso (LVdf).
Fonte: Adaptada de Camargo, Amorim e Gomes Junior (2013).

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 5


Tabela 4. Pragas controladas com a utilização de silício em diversas culturas. Na África do Sul, a broca do colmo,
Eldana saccharina, pode causar graves prejuí-
Cultura Praga Referência
zos econômicos à cana-de-açúcar. Experimentos
Algodão Lagarta (Spodoptera frugiperda) Silva et al. (2014) de campo e em vaso têm mostrado incremento
Broca do colmo (Chilo suppresalis) Djamni e Pathak (1967) da resistência das plantas a essa praga com a
Arroz Cigarrinha (Sogatella furcifera) Kin e Heinrichs (1982) aplicação de silicato ao solo, devido ao aumento
Lagarta (Spodoptera frugiperda) Nascimento et al. (2014) da absorção de Si pelas plantas. Isso indica que
Broca do colmo (Eldana saccharina) Keeping e Meyer (1999, 2006) o Si aumenta a resistência mecânica da planta
Camargo, Kornörfer e Foltran
à penetração e alimentação da larva. Keeping e
Cana-de-açúcar Broca do colmo (Diatraea sacharalis) Meyer (1999) verificaram decréscimo do ataque
(2014)
Cigarrinha (Mahanarva fimbriolata) Korndörfer (2010)
da broca em 19% e 33% com a aplicação de
425 e 850 kg ha-1 de Si, respectivamente. Essa
Girassol Lagarta (Chlosyne lacinia saundersii) Assis et al. (2015)
redução de danos é especialmente observada
Lagarta do cartucho (Spodoptera
Goussain et al. (2002) em variedades suscetíveis, como demonstra-
Milho frugiperda)
ram Keeping e Meyer (2006). Eles obtiveram
Pulgão do milho (Rhopalosiphum maids) Moraes et al. (2005)
reduções dos danos variando entre 26% e 34%
Pastagens Gorgulho (Listronotus bonariensis) Barker (1989) em variedades tolerante e suscetível à broca,
Carvalho, Moraes e Carvalho respectivamente. A associação de N e Si tam-
Sorgo Pulgão verde (Schizaphis graminum)
(1999)
bém foi testada em estudos de Meyer e Keeping
Soja Mosca branca (Bemisia tabaci) Ferreira (2006) (2005), obtendo-se reduções de 70% e 35% dos
Trigo Pulgão verde (Schizaphis graminum) Costa e Moraes (2006) danos com a utilização de baixo e alto nível de
nitrogênio, respectivamente.
Djamni e Pathak (1967) estudaram variedades de arroz No Brasil, a broca do colmo Diatraea saccharalis também
resistentes, moderadamente resistentes e suscetíveis ao ataque pode reduzir a produtividade da cana-de-açúcar. Embora ela seja
da broca do colmo (Chilo suppresalis) em condições de campo. controlada com o emprego de métodos biológicos e/ou variedades
Eles verificaram que quanto maior o teor de Si nas hastes, menor resistentes, os seus danos podem ser reduzidos com a aplicação de
a ocorrência de danos (coração morto) nas plantas, sugerindo que Si, conforme mostrado por Elawad, Street e Gascho (1982). Em
o alto teor de Si na planta interfere na alimentação das larvas e condições de campo, Camargo, Korndörfer e Foltran (2014), utili-
causa desgaste de suas mandíbulas. Além disso, foi observada zando doses de até 165 kg ha-1 de Si, aplicadas no sulco de plantio
maior mortalidade de insetos em variedades de arroz com maior como silicato de cálcio, obtiveram redução linear dos danos de broca
teor de Si. Embora vários estudos tenham relatado os efeitos do Si nas variedades de cana-de-açúcar SP89-1115 (suscetível à broca) e
na suscetibilidade do arroz à broca do colmo, este é considerado IAC87-3396, em cana-planta, e aumentos do teor de Si no colmo e
o primeiro trabalho que relata a existência de diferenças varietais da produtividade (Figura 7). Em cana-soca, não houve redução da
significativas quanto ao teor de Si nas plantas. incidência da broca na variedade IAC87-3396, cuja porcentagem
O desgaste das mandíbulas de insetos em plantas supridas de danos foi inferior a 4%, mas houve redução linear da incidência
com Si foi reportado em milho no Brasil. Goussain et al. (2002), de broca na variedade suscetível. É importante ressaltar que o efeito
avaliando lagartas do 1º ao 6º ínstar de Spodoptera frugiperda, veri- do Si é verificado apenas quando a incidência da praga é maior que
ficaram que aquelas alimentadas com folhas de plantas ricas em Si o nível de dano econômico, sendo variável em função da tolerância
apresentaram maior desgaste na região incisora (Figura 6), além de da variedade e da dose de Si aplicada ao solo.
maior mortalidade a partir do 2º ínstar. Isso mostra que o Si aplicado Korndörfer (2010), estudando o comportamento de varie-
ao solo e absorvido pelo milho pode proteger as plantas do ataque dades de cana-de-açúcar resistentes (SP79-1011 e SP80-1816)
da lagarta, uma vez que dificulta sua alimentação, aumentando sua e suscetível (SP81-3250) à cigarrinha-das-raízes (Mahanarva
mortalidade e canibalismo. fimbriolata) em solos cultivados com e sem Si (800 kg ha-1 de Si),
observou que a adubação silicatada aumentou o teor de Si nas folhas
e a mortalidade das ninfas na média das duas variedades, mas não
influenciou na duração da fase de ninfas (Tabela 5).

3. ESTRESSES ABIÓTICOS REDUZIDOS PELO SILÍCIO


O Si pode atuar na redução dos estresses abióticos causados
por seca, salinidade e metais pesados, porém, os mecanismos envol-
vidos ainda são pouco compreendidos, sendo variável para cada
espécie. Aumentos da tolerância ao estresse hídrico pela ação do
Si foram verificados em arroz (Mauad, 2006), sorgo (Hattori
et al., 2005), trigo (Gong et al., 2005), batata (Crusciol et al.,
2009; Pilon et al., 2014) e cana-de-açúcar (Bezerra et al., 2015).
Em sorgo, Hattori et al. (2005) observaram que na ausência
de déficit hídrico (tratamento úmido) não houve diferença na taxa
fotossintética nas plantas dos tratamentos com e sem aplicação de
Figura 6. Aspecto visual de mandíbulas de lagarta do cartucho do 1º ao 6º Si (Figura 8). Entretanto, as plantas sob estresse hídrico com Si
ínstar alimentadas com plantas de milho supridas ou não com Si. apresentaram maior taxa de fotossíntese, comparadas às plantas
Fonte: Goussain et al. (2002). sem Si sob condições de seca.

6 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016


Figura 7. Incidência da broca do colmo (Diatraea saccharalis) em cana-de-açúcar cultivada com doses crescentes de silício em Latossolo textura média.
Fonte: Adaptada de Camargo, Korndörfer e Foltran (2014).

Tabela 5. Teor de sílica nas folhas de cana-de-açúcar cultivada com e sem Tabela 6. Potencial hídrico e teor de água em plantas de trigo com irriga-
Si e efeito sobre a mortalidade e a duração da fase de ninfas da ção contínua (controle) e sob déficit hídrico, na presença e na
cigarrinha-das-raízes. ausência de silício.

Si na Mortalidade Duração da fase Tratamento Potencial hídrico (MPa) Água (%)


Tratamento folha de ninfas de ninfas
Controle (irrigação) - 1,03 a 77,54 a
(%) (%) (dias)
Déficit hídrico - Si -1,49 c 74,79 b
+ Si 2,6 59,5 a 49,6 a
Déficit hídrico + Si -1,27 b 77,49 a
- Si 1,0 41,0 b 48,5 a
Fonte: Adaptada de Gong et al. (2005).
Fonte: Korndörfer (2010).
defesa antioxidante (Ahmed et al., 2013). A absorção de Si tam-
bém é útil para reduzir o estresse causado pela falta de água, pois
40 ele pode evitar a compressão dos vasos quando há altas taxas de
Fotossíntese (mmol CO2 m-2 s-1 )

a a transpiração pelas plantas.


b
30 A salinidade é outro estresse abiótico cujos efeitos preju-
diciais podem ser atenuados com a adubação silicatada, conforme
observado em arroz, trigo, cevada, milho, tomate e pepino. Esse
20 efeito benéfico está associado à redução do estresse oxidativo e à
c deposição de Si nas raízes, reduzindo a absorção e o transporte de
10
sais, como o sódio, da raiz para a parte aérea. Em cana-de-açúcar,
por exemplo, Ashraf et al. (2010) verificaram que a aplicação de Si
(2,8 mM Si) aumentou em 77% a produção da variedade sensível e
0 22% da variedade tolerante à salinidade comparadas ao tratamento
+ Si - Si + Si - Si
com estresse salino sem Si.
ÚMIDO SECO
O Si também tem se destacado na amenização de estresses
Figura 8. Efeito do silício e do déficit hídrico na fotossíntese de plantas causados por elementos tóxicos nas plantas, como os metais pesados,
de sorgo. atuando no processo de absorção pelas plantas, na complexação e
Fonte: Adaptada de Hattori et al. (2005). imobilização de íons e na compartimentalização dos metais no inte-
rior das plantas (Liang et al., 2007). O Si pode reduzir a toxidez
Em trigo, Gong et al. (2005) mostraram o efeito do Si no de ferro (Fe) em arroz (Okuda e Takahashi, 1962; Dufey et
potencial hídrico das plantas, que tende a ser cada vez mais negativo al. 2014) e de manganês (Mn) em feijão (Horst e Marschner,
com a seca (valor maior em módulo), e também no teor relativo de 1978) e em cevada (Horiguchi e Morita, 1987). Em solo com
água. Embora os potenciais hídricos dos tratamentos com déficit excesso de cádmio (Cd) e zinco (Zn), Cunha e Nascimento (2008)
hídrico, na presença e na ausência de Si, tenham sido maiores que também observaram decréscimo da toxidez, aumento do acúmulo
o controle (irrigação), eles foram diferentes entre si, sendo que o desses metais, com alterações estruturais nas plantas de milho, e
tratamento déficit hídrico + Si apresentou valor menor em módulo incremento da biomassa das plantas com a aplicação de Si.
que o tratamento déficit hídrico - Si (Tabela 6). Em consequência, Solos contaminados com arsênio (As) também podem ter
não houve diferença entre o teor de água nas folhas dos tratamentos seus efeitos prejudiciais reduzidos com a utilização de Si. Silva et
com irrigação e déficit hídrico + Si, e o tratamento déficit hídrico - Si al. (2015b) mostraram que o Si alterou as formas de As absorvidas e
apresentou menor teor de água. acumuladas em diferentes partes da planta de milho. O crescimento
Assim, a atenuação dos danos de déficit hídrico pela adu- vegetativo não foi afetado e não foram observados sintomas de toxi-
bação silicatada está ligada ao ajustamento do potencial hídrico, dez, mesmo com os maiores teores de As no tecido. Além disso, a
com aumento do teor relativo de água nas folhas, aumento da adição de Si aumentou o teor de pigmentos fotossintéticos em todas
fotossíntese, além de incremento da produção e da ativação da as doses aplicadas, diminuindo o estresse nas estruturas da folha.

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 7


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS GOUSSAIN, M. M.; MORAES, J. C.; CARVALHO, J. G.; NOGUEIRA, N. L.; ROSSI, M. L.
Efeito do silício em plantas de milho no desenvolvimento biológico da lagarta-do-cartucho Spo-
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8 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016


– YIELD GAP –
CONCEITOS, DEFINIÇÕES E EXEMPLOS
Paulo Cesar Sentelhas1 Yury Catalani Nepomuceno Duarte1
Rafael Battisti 1
Fábio de Araújo Visses1
Leonardo Amaral Monteiro 2

Introdução produtividade por meio da comparação entre as produtividades poten-

O
cial, experimental e comercial, sendo esta última reportada em levan-
presente artigo tem por objetivo apresentar o con- tamentos realizados por agências governamentais em nível nacional.
ceito de yield gap, ou quebra de produtividade, que
Considerando esses trabalhos, pode-se concluir que a pro-
vem sendo amplamente abordado nos últimos anos
dutividade é classificada em diferentes tipos e níveis, dependendo
em todo o mundo, bem como identificar as magnitudes e as principais
dos fatores que a controlam, sendo eles de ordem genética (genótipo
causas dessas perdas, auxiliando, assim, na definição de estratégias
empregado), climática e de manejo agrícola.
para o seu controle e contribuindo de forma efetiva para o aumento
da segurança alimentar e energética ao redor mundo. A Figura 1 ilustra os diferentes tipos de produtividade de
uma cultura hipotética, de acordo com Sentelhas et al. (2015). A
Para o pleno conhecimento desse conceito, é necessário
produtividade potencial (PP) é a máxima produtividade obtida por
compreender os principais tipos e níveis de produtividade e os
uma cultura em condições onde não há limitações de ordem hídrica,
fatores que afetam a expressão do potencial produtivo das culturas.
nutricional ou fitossanitária, sendo influenciada apenas pela intera-
ção da cultura (genótipo e população de plantas) com as condições
Tipos de produtividade e seus fatores
ambientais (radiação solar, temperatura e fotoperíodo). Por isso, a
condicionadores
PP é considerada como uma produtividade teórica, já que é difícil
A relação entre os diferentes tipos e níveis de produtividade de ser obtida em condições operacionais de campo, principalmente
de uma cultura agrícola e os fatores que a determinam define o que devido a variações constantes das condições climáticas e da evolução
se denomina de quebra de produtividade. Diferentes autores consi- genética das cultivares empregadas pelos produtores (Ittersum
deram diferentes tipos e níveis de produtividade. Lobell, Cassman e Rabbinge, 1997; Sentelhas et al., 2015). A PP pode ser
e Field (2009) definiram quatro tipos de
produtividade: (a) produtividade poten-
cial, como sendo a máxima produtivi-
dade a ser obtida por uma cultura em um
local; (b) produtividade experimental,
a obtida em experimentos de campo;
(c) produtividade máxima do produtor
e (d) produtividade média do produtor.
Bhatia (2008) e Battisti, Sentelhas e
Pilau (2012) classificaram a produti-
vidade em potencial, atingível e real.
Ittersum et al. (2013) denominaram a
produtividade atingível de produtividade
explorável, mostrando que a diferença
entre produtividade explorável e pro-
dutividade real é o máximo incremento
de produtividade que o produtor poderá
obter em condições de sequeiro por meio
de melhores práticas de manejo. Aborda- Figura 1. Níveis e tipos de produtividade agrícola de acordo com seus respectivos fatores determinantes,
gem semelhante foi feita por Hall et al. limitantes e redutores.
(2013), os quais avaliaram as quebras de Fonte: Adaptada de Sentelhas et al. (2015).

Abreviações: CONAB = Companhia Nacional de Abastecimento; IBGE = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; MAPA = Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento; PA = produtividade atingível; PIm = produtividade irrigada média; PI = produtividade irrigada; PIo = produtividade irrigada
ótima; PP = produtividade potencial; PR = produtividade real; PRm = produtividade real média; PRo = produtividade real ótima; YG = yield gap; YGDI =
yield gap causado pelo déficit hídrico; YGMA = yield gap causado pelo manejo agrícola.

1
Engenheiro Agrônomo, Departamento de Engenharia de Biossistemas, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP, Piracicaba, SP; email:
pcsentel.esalq@usp.br
2
Engenheiro Agrônomo, Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Brasília, DF.

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 9


determinada de diferentes formas, como, por exemplo, por meio de e PRm, está é denominada de quebra total, a qual sofre influência
experimentos de campo ou por modelos de simulação devidamente dos fatores limitantes e redutores.
calibrados, desde que sob manejo ótimo da cultura, de modo a não Na Figura 1, as diferenças entre as barras horizontais repre-
subestimá-la (Lobell; CASSMAN; FIELD, 2009; Ittersum sentam as quebras de produtividade. Essas quebras podem advir de
et al., 2013; Hoang, 2013). fatores associados à disponibilidade de água (déficit hídrico) ou ao
Outro tipo de produtividade, de menor magnitude, é aquela manejo agrícola da cultura, sendo este mais difícil de ser determi-
obtida pelas culturas irrigadas, nas quais o déficit hídrico é redu- nado, haja vista a grande complexidade dos sistemas agrícolas em
zido ao longo do ciclo. Neste caso, a produtividade é denominada condições de campo. Assim, a diferença entre PP e PI mostrará que
de produtividade irrigada (PI) e seu nível depende do manejo da a quebra advém dos manejos subótimos da irrigação e da cultura,
irrigação empregado (momento e lâmina de irrigação), podendo como enfatizado por Rodrigues et al. (2013). Eles observaram que
ser considerado como ótimo (PIo), no qual a irrigação aplicada é as diferenças de produtividade entre lavouras de soja irrigada foram
uma lâmina de água próxima da plena, ou médio (PIm), no qual a devidas aos fatores relacionados ao manejo da irrigação, cultivar,
irrigação supre apenas uma parte da necessidade da cultura. Além adubação e controle de pragas e doenças.
da água, a PI também considera os fatores relativos ao manejo da Quando o foco são as lavouras em condições de sequeiro,
cultura. Assim, as diferenças que existem entre PIo e PIm são causa- a quebra de produtividade é obtida pela diferença entre PP e PA, o
das pelo manejo agrícola e pelo manejo da água, os quais dependem que demonstra apenas o efeito do déficit hídrico na produtividade.
do nível tecnológico empregado pelos agricultores. Já a diferença entre PA e PR define a quebra de produtividade
O próximo nível de produtividade é a produtividade atin- devido ao manejo agrícola da cultura, considerando que, nessas
gível (PA), a qual é influenciada pelos fatores determinantes que condições, a máxima produtividade que poderá ser atingida é a PA
condicionam a PP e pelos fatores limitantes relacionados à dispo- (Ittersum et al., 2013).
nibilidade de água no solo. A PA reflete a penalização da PP pelo De acordo com Lobell, Cassman e Field (2009), existem dois
déficit hídrico e, consequentemente, pelo déficit nutricional que este motivos para o estudo e entendimento das quebras de produtividade:
causa, já que a absorção de água pelas raízes é o veículo para que as (1) eles auxiliam nas projeções futuras da produtividade, já que os
plantas absorvam os nutrientes disponíveis no solo. Assim, pode-se locais que apresentam produtividades próximas ao limite superior
considerar que a PA sofre influência da chuva, do tipo de solo e de têm menor chance de apresentar incrementos de produtividade no
sua capacidade de água disponível, da evapotranspiração de refe- futuro, e (2) permitem identificar os fatores que estão contribuindo
rência e da sensibilidade do genótipo ao déficit hídrico (Gilbert para a quebra de produtividade, o que é útil para o direcionamento
et al., 2011; Battisti, 2013). A PA, assim como a PP, é um valor de estratégias para o aumento da produtividade. Em ambos os casos,
teórico que representa a máxima produtividade a ser atingida por essas determinações contribuem para a obtenção da segurança ali-
uma cultura de sequeiro sob condições ótimas de manejo agrícola mentar, quando se visa culturas alimentícias ou energéticas.
(Lobell; CASSMAN; FIELD, 2009; Ittersum et al., 2013). Para as condições brasileiras, Sentelhas et al. (2015) determi-
O último nível é o da produtividade real de sequeiro (PR), naram os diferentes níveis de quebra de produtividade para a cultura
a qual sofre influência dos fatores determinantes (genótipo, popula- da soja por meio de um modelo de simulação calibrado com base
ção, ambiente), limitantes (déficit hídrico e nutricional) e redutores nos dados de ensaios de competição de cultivares da Fundação Pró-
(pragas, doenças, plantas daninhas e outras condições de manejo). Sementes realizados por Battisti e Sentelhas (2015). Os resultados
Neste caso, o nível tecnológico empregado pelos agricultores volta mostram que as quebras de produtividade da cultura da soja em
a ser decisivo na definição do nível de produtividade a ser obtido. diferentes regiões produtoras do Brasil variam consideravelmente
Para os produtores que detém melhores níveis tecnológicos, a PR e que grande parte delas é oriunda do déficit hídrico (73,8%),
é denominada de produtividade real ótima (PRo), enquanto para os enquanto o manejo inadequado da cultura representa apenas 26,8%
produtores que adotam manejo agrícola subótimo, a produtividade da quebra geral de produtividade (Tabela 1). Apesar dos valores
real será considerada como média (PRm). absolutos de PP, PA e PR serem variáveis com o tempo devido ao
Com base no exposto, pode-se afirmar que a produtividade avanço tecnológico, os valores relativos das quebras não devem
agrícola a ser obtida no campo dependerá da interação dos fatores mudar significativamente, representando adequadamente o que
determinantes, limitantes e redutores (Figura 1). Os fatores determi- atualmente ocorre com as lavouras de soja em todo o Brasil. Desse
nantes e limitantes associados ao clima e sua variabilidade podem ser modo, pode-se concluir que grande parte das quebras de produtivi-
manejados pelos agricultores por meio da escolha do local de cultivo dade na cultura da soja é causada pelo déficit hídrico ao longo do
e da época de semeadura, ao passo que os fatores redutores são mane- ciclo, o que evidencia a importância de se adotar as recomendações
jados por meio de práticas agrícolas, que incluem preparo, correção e das épocas de semeadura com menores riscos climáticos, do uso
manejo do solo e também controle fitossanitário. É importante salientar do plantio direto para conservação da água no solo e de cultivares
que qualquer alteração desses fatores acarretará em alterações da PP, com maior tolerância ao déficit hídrico (SENTELHAS et al., 2015).
PA e PR, independentemente do sistema, se irrigado ou de sequeiro. Resultados similares foram obtidos por Monteiro (2015) para
a cultura da cana-de-açúcar. Nesse estudo, as quebras de produtivi-
Quebra de produtividade – Definições, dade da cana-de-açúcar foram avaliadas em diferentes regiões bra-
sileiras. Observou-se que o déficit hídrico foi responsável, na média
conceitos e aplicações
nacional, por 75,6% da quebra total de produtividade, enquanto o
A quebra de produtividade, ou yield gap, é definida como a manejo agrícola representou 24,4%. No entanto, foram observadas
diferença entre distintos tipos de produtividade para uma condição diferenças entre as regiões, sendo que na região Nordeste o défi-
específica de cultivo, e serve para identificar as possíveis causas da cit hídrico respondeu por aproximadamente 86% das quebras de
redução da produtividade. Assim, dependendo do tipo de produti- produtividade, enquanto na região Sul as maiores quebras foram
vidade considerado, pode-se definir as principais causas da quebra causadas por fatores relacionados ao manejo agrícola e à ocorrência
de produtividade. Quando a quebra é obtida pela diferença entre PP de geadas. Um resumo desses resultados é apresentado na Tabela 2.

10 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016


Tabela 1. Produtividades potencial, atingível e real para a cultura da soja em diferentes regiões produtoras do Brasil e suas respectivas quebras de
produtividade causadas pelo déficit hídrico (Água) e pelo manejo agrícola (Manejo).

Quebra Quebra Produtividade


Produtividade Produtividade Produtividade Quebra Quebra
relativa relativa potencial
Região produtora potencial atingível real Água Manejo
Água Manejo 80%
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - (kg ha-1) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - (%) (%) (kg ha-1)

Cruz Alta, RS 5.506 2.956 2.286 2.549 670 79,2 20,8 4.404
Campos Novos, SC 5.094 3.538 2.826 1.556 713 68,6 31,4 4.075
Campo Mourão, PR 5.068 3.178 2.872 1.890 306 86,1 13,9 4.054
Assis, SP 5.099 3.094 2.523 2.004 571 77,8 22,2 4.079
Dourados, MS 5.359 3.450 2.810 1.909 640 74,9 25,1 4.287
Uberaba, MG 4.806 3.776 3.009 1.030 767 57,3 42,7 3.845
Jataí, GO 4.538 3.721 3.345 817 375 68,5 31,5 3.630
Formosa, GO 4.488 3.430 2.995 1.058 435 70,9 29,1 3.591
Primavera do Leste, MT 4.475 3.391 3.079 1.083 312 77,6 22,4 3.580
Correntina, BA 4.712 3.277 2.934 1.434 344 80,7 19,3 3.769
Tapurah, MT 4.210 3.710 3.243 500 467 51,7 48,3 3.368
Peixe, TO 4.556 3.407 3.063 1.149 344 76,9 23,1 3.645
Santana do Araguaia, PA 4.383 3.548 3.318 835 230 78,4 21,6 3.506
Bom Jesus, PI 4.734 3.202 2.723 1.532 480 76,2 23,8 3.787
Balsas, MA 4.482 3.237 2.956 1.245 281 81,6 18,4 3.586
Média geral 4.767 3.395 2.932 1.373 462 73,8 26,2 3.814
Desvio padrão 379 240 283 543 172 9,2 9,2 303
CV (%) 7,9 7,1 9,7 39,5 37,1 12,4 35,0 8

Fonte: Adaptada de Sentelhas et al. (2015).

Tabela 2. Yield gap total (YGT) da cultura da cana-de-açúcar em diferentes Assim, nas regiões onde a cultura é de subsistência, mas o clima é
regiões brasileiras e sua partição percentual no YG por déficit úmido, a quebra causada pelo manejo chega a atingir mais de 85%
hídrico (YGDH) e por manejo agrícola (YGMA). da quebra total, como se observa em Acará, PA (Tabela 3). Por outro
lado, nas regiões onde o clima é mais seco, a quebra ocasionada
YGT YGDH YGMA
Região pelo déficit hídrico chega a atingir mais de 93% da quebra total de
(t ha-1) (%) (%) produtividade, como observado em Rio Pardo de Minas, MG. Em
Sudeste 102,8 77,4 22,6
outras regiões, como em Araruna, PR, há maior equilíbrio entre as
quebras geradas pelo déficit hídrico e pelo manejo agrícola.
Nordeste 167,4 85,9 14,1
Centro-Oeste 136,4 68,6 31,4 Tabela 3. Yield gap total (YGT) da cultura da mandioca em diferentes
Sul 86,5 48,1 51,9 localidades brasileiras e sua partição percentual entre o YG
causado por deficit hídrico (YGDH) e por manejo agrícola (YGMA).
Fonte: Adaptada de Monteiro (2015).
YGT YGDH YGMA
Localidade
Para a cultura de milho no estado de São Paulo, Duarte (t ha )-1
(%) (%)
(2012) observou que a quebra de produtividade causada pelo déficit Acará, PA 35,2 14,3 85,6
hídrico variou com a época de semeadura e a região de cultivo,
Araruna, PR 35,2 50,0 50,0
sendo que a relação PA/PP variou de 0,80, para a safra das águas nas
regiões mais úmidas, a 0,20, para a safrinha nas regiões mais secas Rio Pardo de Minas, MG 54,5 93,7 6,3
do estado. Já a quebra de produtividade ocasionada pelo manejo Fonte: Adaptada de Visses (2016).
agrícola variou principalmente com a região, e a relação PR/PA
variou entre 0,5 e 0,7, o que indica que as quebras de produtividade Lobell, Cassman e Field (2009) comentam que o valor da
causadas pelo manejo podem variar de 30% a 50% do valor da PA. PP é basicamente teórico e difícil de ser alcançado, uma vez que
Para a cultura da mandioca, Visses (2016), avaliou a produti- inúmeros fatores podem afetar e reduzir a produtividade. Segundo
vidade nas principais regiões produtoras do Brasil, observando que esses autores, um valor em torno de 80% da PP pode ser alcançado
há uma variabilidade muito grande com relação à PR, que oscilou quando se utiliza irrigação e melhorias no manejo. Em uma esti-
de 5,40 t ha-1 a 26,55 t ha-1. A razão dessa variabilidade se deve mativa conservadora, considerando o valor médio de 3.800 kg ha-1
tanto às diferenças climáticas como às diferenças no desenvolvi- para PP de 80% (Tabela 1) e uma área de cultivo de 30 milhões
mento sócio-econômico entre as regiões do país, que se refletem de hectares, a produção nacional de soja seria de 114 milhões
nas eficiências climática (PA/PP) e agrícola (PR/PA) dessa cultura. de toneladas, sem a necessidade de aumentar a área de cultivo,

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 11


valor 20 a 30% maior do que a projeção realizada pela Companhia químicos do solo, parece ser a estratégia mais eficiente, porém é
Nacional de Abastecimento (CONAB) para a safra 2015/16. uma ação de médio-longo prazo, já que a construção de um perfil
Esse aumento de produtividade é resultado do estudo e do de solo mais equilibrado requer tempo. Como ações de curto prazo,
uso de estratégias para redução dos fatores limitantes e redutores a melhor fertilização dos solos e o controle racional e eficiente de
da produção. Um aspecto importante a ser considerado no plane- pragas, doenças e plantas daninhas são as mais indicadas, porém
jamento das culturas anuais diz respeito às janelas de cultivo, ou não se deve esquecer de outros aspectos básicos, como ajuste da
seja, às melhores épocas de semeadura para a cultura em uma dada população de plantas para o ambiente em questão, uso de sementes
região. Isso se refere ao zoneamento agrícola de risco climático e certificadas e de boa qualidade, realização da semeadura sob condi-
representa informação importante para minimizar as perdas oca- ções adequadas de umidade do solo, seguindo-se as recomendações
sionadas pelo déficit hídrico. No entanto, em algumas situações, da janela de cultivo do zoneamento de risco climático, e a adoção
mesmo com a adoção do calendário proposto pelo Ministério da da irrigação, quando possível.
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) ocorrem perdas de Todos esses aspectos são fundamentais para que a agricultura
produtividade expressivas, principalmente quando há déficit entre se torne, cada vez mais, uma atividade sustentável do ponto de
a germinação e a emergência da planta ou entre a floração e o final vista agronômico, com níveis de produtividade compatíveis com os
do enchimento dos grãos (CUNHA et al., 2001). recursos ambientais disponíveis; econômico, trazendo rentabilidade
adequada aos produtores; ambiental, evitando a contaminação dos
Nas regiões onde o déficit hídrico é o principal fator limitante
recursos naturais, especialmente solo e mananciais; e social, fixando
da produtividade é possível utilizar cultivares com melhor tolerância
e melhorando a vida dos produtores e de seus empregados.
à seca para minimizar as perdas de produtividade, considerando que
esses genótipos já estão disponíveis no mercado, como evidenciado Referências
no estudo de Battisti e Sentelhas (2015) para a cultura da soja. BATTISTI, R. Épocas de semeadura da cultura da soja com base no risco climático e na
Além disso, ações associadas ao manejo do solo, que aumentem o rentabilidade líquida para as principais regiões produtoras do Brasil. 2013. 261 f. Disser-
perfil do solo a ser explorado pelas raízes, contribuirão para que as tação (Mestrado em Engenharia de Sistemas Agrícolas) – Escola Superior de Agricultura Luiz
de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2013.
culturas tenham maior disponibilidade de água ao longo do ciclo,
BATTISTI, R.; SENTELHAS, P. C. Drought tolerance of brazilian soybean cultivars simulated
minimizando, assim, os possíveis danos dos veranicos, como bem by a simple agrometeorological yield model. Experimental Agriculture, Cambridge, v. 51,
evidenciado por Monteiro (2015) para a cultura da cana-de-açúcar. p. 285-298, 2015.

BATTISTI, R.; SENTELHAS P. C.; PILAU, F. G. Eficiência agrícola da produção de soja,


Nas regiões em que o manejo agrícola, associado ao controle milho e trigo no estado do Rio Grande do Sul entre 1980 e 2008. Ciência Rural, Santa Maria,
de pragas, doenças e plantas daninhas, e também à fertilização v. 42, p. 24-30, 2012.
do solo, são os principais aspectos redutores da produtividade, o BHATIA, V. S.; SING, P.; WANI, S. P.; CHAUHAN, G. S.; KESAVA RAO, A. V. R.; MISHRA,
A. K.; SRINIVAS, K. Analysis of potential yields and yield gaps of rainfed soybean in India
investimento em tecnologia é um dos meios de se alcançar maiores using CROPGRO-Soybean model. Agricultural and Forest Meteorology, Amsterdam,
produtividades. Nesse contexto, um importante aspecto a se con- v. 148, p. 1252-1265, 2008.
siderar é a qualificação dos produtores, de modo a estarem aptos a CUNHA, G. R.; BARNI, N. A.; HAAS, J. C.; MALUF, J. R. T.; MATZENAUER, R.; PASI-
absorver as novas tecnologias disponíveis no mercado. Para isso, NATO, A.; PIMENTEL, M. B. M.; PIRES, J. L. F. Zoneamento agrícola e época de semeadura
para a soja no Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Agrometeorologia, Passo Fundo,
há necessidade também de um eficiente sistema de difusão dessas v. 9, p. 446-459, 2001.
tecnologias, por meio de cursos, palestras e demonstrações de DUARTE, Y. N. Modelagem agroclimática para definição da eficiência agrícola da cultura
campo, ou seja, de eficientes estratégias de extensão rural. do milho no Estado de São Paulo. 2012. 46 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação
em Engenharia Agronômica) – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade
de São Paulo, Piracicaba, 2012.
Considerações finais GILBERT, M. E.; HOLBROOK, N. M.; ZWIENIECKI, M. A.; SADOK, W.; SINCLAIR, T. R.
Field confirmation of genetic variation in soybean transpiration response to vapor pressure deficit
As estimativas de quebra de produtividade e suas principais and photosynthetic compensation. Field Crop Research, Amsterdam, v. 124, p. 85-92, 2011.
causas figuram como uma das principais linhas de pesquisa da atua­ HALL, A. J.; FEOLI, C.; INGARAMO, J.; BALZARINI, M. Gaps between farmer and attai-
lidade, envolvendo diferentes áreas do conhecimento agronômico, nable yield across rainfed sunflower growing regions of Argentina. Field Crops Research,
Amsterdam, v. 143, p. 119-129, 2013.
como agrometeorologia, fitotecnia, fitossanidade, melhoramento
HOANG, V. N. Analysis of productive performance of crop production systems: An integrated
genético, entre outras. O primeiro passo nesse estudo envolve a cali- analytical framework. Agricultural Systems, Essex, v. 116, p. 16-24, 2013.
bração e o teste de modelos de simulação de culturas que permitam a ITTERSUM, M. K. van; RABBINGE, R. Concepts in production ecology for analysis and
determinação dos valores teóricos de produtividade potencial (PP) e qualification of agricultural input-output combinations. Field Crops Research, Amsterdam,
v. 52, p. 197-208, 1997.
atingível (PA), os quais serão utilizados para determinar o yield gap
ITTERSUM, M. K. van; CASSMAN, K. G.; GRASSINI, P.; WOLF, J.; TITTONELL, P.;
causado pelo déficit hídrico (YGDH), Neste caso, é de suma impor- HOCHMAN, Z. Yield gap analysis with local to global relevance – A review. Field Crops
tância o uso de dados de produtividade confiáveis, provenientes de Research, Amsterdam, v. 143, p. 4-17, 2013.
bases consistentes, para a calibração e avaliação desses modelos. LOBELL, D. B.; CASSMAN, K. G.; FIELD, C. B. Crop yield gaps: Their importance,
Uma vez ajustados para a realidade local, as estimativas de PP e magnitudes, and causes. Annual Review of Environment and Resources, Palo Alto, v. 34,
p. 179-204, 2009.
PA poderão ser empregadas, juntamente com os dados de produti-
MONTEIRO, L. A. Sugarcane yield gap in Brazil: a crop modelling approach. 2015. 132 f.
vidade real (PR), provenientes das bases de dados governamentais Tese (Doutorado em Engenharia de Sistemas Agrícolas) – Escola Superior de Agricultura Luiz
(IBGE ou CONAB), para a determinação do yield gap causado de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2015.
pelo manejo agrícola (YGMA). De posse dessas informações, o RODRIGUES, G. C.; MARTINS, J. D.; SILVA, F. G. da; CARLESSO, R.; PEREIRA, L. S.
próximo passo consiste em identificar possíveis estratégias para a Modelling economic impacts of deficit irrigated maize in Brazil with consideration of different
rainfall regimes. Biosystems Engineering, London, v. 116, p. 97-110, 2013.
minimização dessas perdas de produtividade, seja pela adoção de
SENTELHAS, P. C.; BATTISTI, R.; CÂMARA, G. M. S.; FARIAS, J. R. B.; NENDEL, C.;
genótipos mais tolerantes ao déficit hídrico, seja pelo emprego de HAMPF, A. The soybean yield gap in Brazil: Magnitude, causes and possible solutions. Journal
técnicas de manejos agrícola de médio-longo e curto prazos, que of Agricultural Science, Cambridge, v. 153, p. 1394-1411, 2015.
possam melhorar tanto a eficiência climática como a eficiência VISSES, F. A. Avaliação da produtividade e “yield-gap” da cultura da mandioca (Manihot
esculenta Crantz) nas principais regiões produtoras do Brasil. 2016. 38 p. Trabalho de
agrícola das culturas. Nesse contexto, o manejo profundo do solo, Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Agronômica) – Escola Superior de Agricultura
por meio de ações que envolvam aspectos físicos, biológicos e Luiz de Queiroz/USP, Piracicaba, 2016.

12 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016


CAFEEIRO:
VETORES PARA O AUMENTO DA PRODUTIVIDADE
Carlos Alberto Silva1
Paulo Tácito G. Guimarães2

INTRODUÇÃO

U
m terço do café produzido no mundo é colhido
no Brasil, que é o maior exportador do grão. Nos
cafezais, o desafio constante é o de aumentar a pro-
dutividade e produzir café de melhor bebida. O aumento da produti-
vidade assegura aos cafeicultores maior renda e torna a atividade mais
sustentável. A produtividade média nos cafezais brasileiros situa-se em Produtividade
25 sacas ha-1 de café (Conab, 2016), mas há lavouras nas quais o do cafeeiro
café colhido supera 50 sacas ha-1 (Valadares et al., 2013; Mera
et al., 2011). Essa amplitude de variação na produtividade sinaliza para
o fato de que há muito a ser feito para que as boas práticas adotadas
em lavouras de alta produtividade sejam transferidas a agricultores que
produzem menos café. Já há no país experiência acumulada, tecnolo-
gias e sistemas de adubação e de manejo das lavouras cafeeiras que
permitem aos cafeicultores mirar faixas de produtividade maiores do
que as registradas atualmente nos nossos cafezais.
Para explicar os fatores que regulam a produtividade dos
cafezais, o uso do conceito de vetor facilita a compreensão e pos-
sibilita aos técnicos e agricultores uma visão global dos ajustes que
podem ser feitos para aumentar o rendimento de grãos por unidade
de área. De forma muito simples, vetores que têm mesma direção,
mas sentidos opostos se anulam. Por outro lado, vetores que têm Figura 1. Vetores para ganhos de produtividade em lavouras cafeeiras e van-
mesma direção e sentido potencializam a resultante de suas forças. tagens associadas à maior produção de café por unidade de área.
O diagrama mostrado na Figura 1 ilustra os principais vetores Fonte: Adaptada de Malavolta e Lima Filho (2000).
que regulam a produtividade dos cafezais. Se esses fatores forem
manejados no sentido de determinarem, cada um deles, máximo aumento da produtividade se traduz também no uso mais eficiente
rendimento de grãos, conjuntamente, a resultante de suas somas de insumos (água e nutrientes), principalmente de fertilizantes.
pode determinar aumento da produtividade das lavouras.
As lavouras mais produtivas, invariavelmente, caracterizam-se
por adotar sistemas adensados de plantio (em geral, de 3.000 a
FATORES QUE REGULAM A PRODUTIVIDADE
5.000 plantas ha-1), sem que isso prejudique a mecanização da
Em função dos vetores (fatores que regulam a produtividade, lavoura. O cafeeiro que gera supersafras normalmente possui raí-
amplamente revisados por Guarçoni M., 2013) mostrados na zes no subsolo, o que possibilita a absorção mais eficiente de água
Figura 1, há ajustes que podem ser feitos no manejo da fertilidade do e nutrientes. A exploração dos horizontes de subsolo é típica nas
solo, visando produzir mais café por unidade de área, sem que o custo lavouras mais produtivas, fruto de situações cada vez mais frequen-
da adubação seja aumentado. Em alguns casos, é possível produzir tes no país de escassez de água (veranico) em plena estação chuvosa.
mais grãos com menos adubo simplesmente observando o princípio A melhoria do ambiente radicular no subsolo pode ser alcançada
do equilíbrio no suprimento de nutrientes ao cafeeiro. Produzir mais com o uso de gesso agrícola (Raij, 2008), de calagem em subsolo
café no mesmo espaço de terra é uma forma sustentável de preservar (pelo menos no sulco de plantio), suprimento balanceado de nitrogênio,
o ambiente, pois se produz mais alimento por unidade de área. O fósforo e potássio (NPK), balanço no fornecimento de cálcio (Ca) e

Abreviações: AF = ácido fúlvico; B = boro; Fe = ferro; FOMs = fertilizantes organominerais; K = potássio; Mg = magnésio; MO = matéria orgânica;
N = nitrogênio; P = fósforo; S = enxofre; SHs = substâncias húmicas; Zn = zinco.

1
Engenheiro Agrônomo, DSc. em Agronomia/Solos e Nutrição de Plantas, Professor Associado do Departamento de Ciência do Solo, Universidade
Federal de Lavras - UFLA, Lavras, MG; email: csilva@dcs.ufla.br
2
Engenheiro Agrônomo, Dr., Pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais-Sul de Minas Gerais, Campus da Universidade
Federal de Lavras - UFLA, Lavras, MG; email: paulotgg@epamig.ufla.br

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 13


magnésio (Mg) (escolha correta do corretivo) às plantas e criação das Em relação aos micronutrientes, o cuidado em lavouras de
condições que assegurem disponibilidade plena de micronutrientes, alta produtividade deve ser redobrado, com análise do solo, apli-
principalmente de zinco (Zn) e boro (B), nos cafezais. cação de doses e fontes adequadas e uso suplementar de micros
A análise foliar é uma ferramenta pouco utilizada nas lavou- na adubação foliar, quando a técnica exigir. No caso do B, se há
ras, mas ela é a chave para monitorar o efeito, sobre a planta, do deficiência (Figura 3), a correção deve ser feita no solo, pois, se há
adubo adicionado ao solo. Decididamente, não serão alcançadas deficiência severa do nutriente no solo, quando aplicado nas folhas,
supersafras de café se a análise foliar e de micronutrientes não a sua redistribuição é muito baixa dos locais de aplicação para os
forem utilizadas de modo mais frequente nas lavouras cafeeiras. tecidos mais novos do cafeeiro, como o de raízes em crescimento.
Se a análise foliar for feita corretamente e seus índices nutricionais
forem corretamente interpretados, ela pode, ao longo do ciclo de
cultivo, orientar o uso ou a supressão ou a redução do número de
aplicações de N e K em cobertura e de adubos foliares, reduzindo
os custos da adubação, sem perda de produtividade.
No rol dos nutrientes requeridos, ênfase deve ser dada a dois
nutrientes invariavelmente relegados a segundo plano na adubação:
o enxofre (S) e o Mg. O suprimento adequado de Mg simplesmente
é alcançado quando a escolha do corretivo de acidez é correta. Já
o fornecimento adequado de S ao cafeeiro requer a interpretação
de sua disponibilidade no solo e no subsolo e, quando necessária,
a fertilização pode ser feita simplesmente pela troca de fontes de
nutrientes, como, por exemplo, sulfato de amônio em vez de ureia,
superfosfato simples em vez do superfosfato triplo, uso de gesso
agrícola, etc. (Figura 1 e Figura 2).

Figura 3. C
 afeeiro com deficiência de boro.
Crédito da foto: Hélio Casale.

Na adubação de lavouras altamente produtivas, o manejo


do N tem que ser aperfeiçoado, de forma que sua disponibilidade
no solo seja corretamente avaliada. Para isso, é preciso considerar
o aporte de N pela matéria orgânica do solo (MO), por resíduos
diversificados adicionados nas lavouras cafeeiras e, sempre que
possível, pela análise do N mineral na faixa adubada. Um con-
ceito que emerge ao se determinar a dose de N-fertilizante é o de
avaliação dos créditos de N nos cafezais. O conceito de crédito
de N é importado dos EUA e ele emerge do simples fato de que a
matéria orgânica, palhas, adubos verdes, casca de café, estercos,
restos de podas, compostos e outros resíduos, aplicados nos cafe-
zais, contribuem para atender pelo menos parte da demanda do
cafeeiro por N (Figura 4). Quando os créditos de N são calculados
Figura 1. Aplicação de gesso em cafezal em formação. corretamente, ou a disponibilidade de N no sistema solo-planta é
Crédito da foto: Valter Casarin. plenamente avaliada (Cantarella; ANDRADE; MATTOS
JUNIOR, 2008), evita-se, nos cafezais, a aplicação de sub ou de
super doses de adubos nitrogenados, com ganhos para o ambiente
e para o agricultor, que aumenta a sua renda.
O ajuste nas doses de P aplicadas e recomendadas nas tabelas
atuais de adubação também pode significar maior produtividade nas
lavouras, dado que as doses requeridas para produzir safras de café
maiores que 80 sacas ha-1, em geral, principalmente nos solos com
maior capacidade de fixar P, superam as previstas na maior parte
das tabelas de adubação do cafeeiro. O uso da dose correta de P
pressupõe que sejam, simultaneamente, maximizadas as condições
que otimizam o uso do nutriente pelo cafeeiro e reduzem a retenção
de P pelos coloides do solo, ou seja, maior armazenamento de MO
(ver mecanismos em Guppy et al., 2005), plena disponibilidade de
água e maior profundidade efetiva do sistema radicular do cafeeiro,
que deve ocupar maior volume de solo possível, com raízes fisio-
logicamente mais ativas na superfície e nas camadas de subsolo.
Como se trata de cultura perene, a amostragem do solo deve
Figura 2. Deficiência de magnésio em café Obatã. ser feita para esse tipo de cultura. Assim, não faz sentido analisar
Crédito da foto: Hélio Casale. somente a camada de 0-20 cm, mas é necessário estratificar essa

14 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016


camada, com amostragens mais superficiais (camada de 0-10 cm), a fim Por fim, é certo que o uso de densidade correta de plantio,
de detectar desequilíbrios ou precipitação de nutrientes, em razão do pH redução da bienalidade, construção da fertilidade tendo como base
muito elevado, em cafezais onde aplicações continuadas de corretivo na o maior armazenamento de MO no solo, manejo correto da calagem
superfície do solo podem causar supercalagem. A análise em subsolo e escolha certa do corretivo, suprimento equilibrado de nutrientes
(20-40 cm) também não pode ser descartada, principalmente para se e aumento na taxa de recuperação de nutrientes nos fertilizantes
avaliar a disponibilidade de B, S e K (Raij, 2011). Com ajustes no podem assegurar, ao longo dos anos, produtividades altas, com
manejo da fertilidade e na eficiência de uso de nutrientes e fertilizantes, médias móveis na faixa de 40-60 sacas ha-1. A obtenção de produ-
é maior a possibilidade de alcançar a média móvel de 40-60 sacas ha-1, tividades elevadas nos cafezais, além de aumentar a rentabilidade
aqui denominada de café de alta produtividade. do setor, preserva o ambiente, pois supersafras de café somente são
Já foi dito que o manejo da fertilidade é etapa-chave para alcançadas nas lavouras onde a água, nutrientes e outros insumos
se alcançar altas produtividades de café, mas que o manejo da vitais às plantas são utilizados com a máxima eficiência agronô-
água do solo é condição básica para que a capacidade do solo em mica. É bem possível que o aumento da produtividade em bons
suprir nutrientes ao cafeeiro seja máxima. O aumento da dispo- cafezais seja acompanhado de melhoria na qualidade da bebida do
nibilidade de água no solo visando máxima eficiência no uso de grão colhido, o que pode traduzir-se em maior renda ao cafeicultor.
fertilizantes e nutrientes requer a adoção de práticas conservacio-
nistas de manejo, com plantio de adubos verdes, braquiária para
FERTILIZANTES ESPECIAIS
produzir palha (Figura 4), uso de estercos e resíduos orgânicos O adensamento da lavoura cafeeira é uma forma eficaz de se
diversificados, como a casca de café, enfim, matrizes que devem gerar mais resíduos nas lavouras, ou seja, flores, ramos, folhas, restos
ser adicionadas na área do solo sob influência do cafeeiro para da poda, frutos perdidos, etc. Se não for possível aumentar ou preservar
aumentar ou preservar a MO e construir a fertilidade do solo. a matéria orgânica em toda a lavoura, esforço deve ser feito para que
Aumentar o teor de MO nas condições tropicais não é tarefa fácil, isso ocorra pelo menos na zona de maior influência do solo sobre a
pois a tendência é a de os solos perderem MO à medida que se planta – na faixa ou na linha de plantio (Figura 5). Nas lavouras onde
aumenta o tempo de cultivo. é baixa a produção de resíduos ou reduzido o aporte de MO ao solo, é
preciso lançar mão de fontes de nutrientes que propiciem, pelo menos
na zona de influência do sistema radicular, alta disponibilidade de
ligantes orgânicos (quelatos), ácidos orgânicos ou bioestimulantes, que
estimulam a produção de hormônios e outras substâncias orgânicas que
asseguram ao cafeeiro melhor nutrição e maior crescimento.

Figura 4. Braquiária entre as linhas de cafeeiro para a produção de palha.


Crédito da foto: Valter Casarin.

Na lista de ações que visam altas produtividades de café está


incluído também o uso de fontes não convencionais de nutrientes,
ou seja, restos da cultura e da pós-colheita, fertilizantes orgânicos
e organominerais e bioestimulantes.
Um outro vetor importante para ganhos em produtividade é
Figura 5. A
 palha de braquiária protege o solo, aumenta a matéria orgânica
a atualização das tabelas de adubação existentes (Raij et al., 1997;
e fornece nutrientes à cultura.
RIBEIRO; GUIMARÃES; ALVAREZ, 1999). Para o cafeeiro, os siste- Crédito da foto: Valter Casarin.
mas de adubação devem considerar a exigência nutricional da cultura;
as faixas de produtividade esperada que superem 80 sacas ha-1; os Os biestimulantes podem assegurar maior crescimento de
aportes de nutrientes (principalmente N) por resíduos vegetais, podas raízes e eficiência de uso de nutrientes pelo cafeeiro. Na lista de
e estercos e resíduos de culturas intercaladas ao plantio de cafeeiro; fertilizantes especiais, podem ser elencados os organismos ou
a disponibilidade de nutrientes no solo e os teores de nutrientes nas culturas de organismos que (a) estimulam o crescimento de raízes,
folhas, a fim de balizar a necessidade e o número de adubações em visando aumentar a fixação biológica de N2 e estimular o cresci-
cobertura com N e K. No caso dos micronutrientes, a presença de mento das plantas, e (b) asseguram maior aquisição de nutrientes
teores no solo acima dos considerados adequados cessa a adubação, ou interferem positivamente na fisiologia da planta, aumentando a
para se evitar toxidez às plantas. No caso dos macronutrientes, o absorção de nutrientes, crescimento e desenvolvimento das culturas
mesmo princípio não se aplica, já que mesmo em situações de alta (Calvo; NELSON; KLOEPPER, 2014; Brown e Saa, 2015).
suficiência no solo de N, P, K e S as quantidades exportadas de Os bioestimulantes englobam aminoácidos, substâncias húmicas,
macronutrientes na colheita precisam ser repostas pela adubação. hormônios, poliamidas, fitoalexinas, hidrolisados de proteínas,
A descontinuidade na adubação anual das culturas em função cultura de microrganismos, etc. (Calvo; NELSON; KLOEPPER,
da escassez de recursos para compra de fertilizantes é outro fator 2014; Jardin, 2015; Nardi et al., 2016). O termo bioestimulante
que pode causar perdas no rendimento de café. refere-se a qualquer substância ou microrganismo aplicado ao solo

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 15


ou na planta com o propósito de aumentar a absorção de nutrientes, dose de NPK, quando a fonte é o fertilizante organomineral. Com
a resistência das plantas a fatores adversos e a qualidade do produto o tempo e a instalação a campo de experimentos de longa duração,
colhido, independentemente dos teores de nutrientes contidos no pro- essas dúvidas serão sanadas. Fato é que o suprimento de NPK com
duto comercializado (Jardin, 2015). As substâncias húmicas (SHs) matriz orgânica pode aumentar a eficiência de uso de nutrientes
são compostos que apresentam massa molar, cor, composição química nas lavouras cafeeiras, mas os mecanismos que determinam esses
e origem variadas, e efeitos (bioatividade) diretos e indiretos sobre as efeitos positivos não foram ainda completamente elucidados.
plantas (Rose et al., 2014; Calvo; NELSON; KLOEPPER, 2014).
Nos casos onde não é naturalmente possível enriquecer o meio AGRADECIMENTO
de cultivo com ligantes orgânicos, o fornecimento de micronutrientes Ao Dr. Valter Casarin e ao Dr. Hélio Casale pela cessão das
complexados por quelatos nas caldas foliares ou de fertirrigação, fotos utilizadas neste artigo.
como EDTA, ácido fúlvico e ácido húmico, estimulam as plantas,
em função da maior absorção de ferro (Fe) e Zn, aumento do teor REFERÊNCIAS
de clorofila e crescimento das plantas (Chen; CLAPP; MAGEN, BROWN, P.; SAA, S. Biostimulants in agriculture. Frontiers in Plant Science,
2004). Em revisões publicadas recentemente por Nardi et al. (2016) e v. 6, p. 1-3, 2015.
Rose et al. (2014), há amplo relato, por diferentes autores, dos efeitos
CALVO, F.; NELSON, L.; KLOEPPER, J. W. Agricultural uses of plant biosti­
diretos sobre as plantas (estímulo ao crescimento de raízes, maior mulants. Plant and Soil, v. 383, p. 3-41, 2014.
absorção de nutrientes, efeitos fisiológicos que se assemelham aos de
CANTARELLA, H.; ANDRADE, C. A.; MATTOS JUNIOR, D. Matéria
hormônios de plantas, etc.), e indiretos sobre o solo, que interferem orgânica do solo e disponibilidade de N para as plantas. In: SANTOS, G. A.;
na fisiologia e crescimento das culturas. Existe, assim, espaço para SILVA, L. S.; CANELLAS, L. P.; CAMARGO, F. A. O. (Ed.). Fundamentos
o teste e uso da adubação húmica e de bioestimulantes nas lavouras da matéria orgânica do solo: ecossistemas tropicais e subtropicais. 2ª ed.
cafeeiras, tanto em caldas foliares quanto na adubação via solo. Porto Alegre: Metrópole, 2008. p. 581-595.
Além dos bioestimulantes, os fertilizantes organominerais são CHEN, Y.; CLAPP, C. E.; MAGEN, H. Mechanisms of plant growth stimulation
cada vez mais utilizados nas lavouras cafeeiras, que são formulados em by humic substances: the role of organo-iron comlexes. Soil Science and Plant
função da mistura de fontes minerais de nutrientes com resíduos orgâ- Nutrition, v. 50, n. 7, p. 1089-1095, 2004.
nicos, na maior parte das vezes, previamente compostados. Por isso, é RIBEIRO, A. C.; GUIMARÃES, P. T. G.; ALVAREZ V. V. H. (Ed.). Reco-
comum que, no processo de formulação de fertilizantes organominerais, mendações para uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais. 5ª
aproximação. Viçosa: Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas
sejam utilizadas matrizes orgânicas humificadas. Existe uma grande Gerais, 1999. 359 p.
variedade de oferta de fertilizantes organominerais no mercado, com
CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra
teores diferenciados de NPK e micronutrientes, e diferentes graus de
agrícola brasileira – Café. v. 2, n. 1. Brasília, 2016. 68 p.
humificação e coeficientes de liberação/mineralização dos nutrientes,
principalmente N, P e S. Para que esses fertilizantes tenham efici- GUARÇONI, M. A. Fatores de sucesso no manejo nutricional do cafeeiro.
Informações Agronômicas, n. 114, p. 1-12, 2013.
ência agronômica equivalente a dos fertilizantes minerais de uso já
consagrado, é preciso que a taxa de liberação de nutrientes neles GUPPY, C. N.; MENZIES, N. W.; MOODY, P. W.; BLAMEY, F. P. C. Com-
petitive sorption reactions between phosphorus and organic matter in soil: a
contidos seja sincronizada com as fases de maior demanda nutricio-
review. Australian Journal Soil Research, v. 43, p. 189-202, 2005.
nal do cafeeiro. Há muito que se avançar no estudo dos fertilizantes
JARDIN, P. Plant biostimulants: definition, concept, main categories and
organominerais, visando aumentar a sua eficiência agronômica.
regulation. Scientia Horitulturae, v. 196, p. 3-14, 2015.
Nesse sentido, sugerem-se, em estudos de longa duração
MALAVOLTA, E.; LIMA FILHO, O. F. de. Nutrição mineral (e adubação) do
instalados no campo, os seguintes tópicos para pesquisas futuras: cafeeiro – lavouras tradicionais, adensadas, irrigadas, arborizadas e orgânicas.
determinação da fração de mineralização de N, P e S orgânicos In: Simpósio de Pesquisas dos Cafés do Brasil, 1., 2000. Poços
contidos nos fertilizantes organominerais; análise completa da de Caldas, MG. Palestras... Brasília, DF: Embrapa Café, 2000. p. 331-353.
composição química dos fertilizantes organominerais, com deter- MERA, A. C.; OLIVEIRA, C. A. S.; GUERRA, A. F.; RODRIGUES, G. C.
minação dos teores de macro e micronutrientes, CTC, pH em água e Regimes hídricos e doses de fósforo em cafeeiro. Bragantia, Campinas, v. 70,
em CaCl2, condutividade elétrica, teores biodisponíveis de N, P e S n. 2, p. 302-311, 2011.
e teores de substâncias húmicas, que podem ser aumentados na área NARDI, S.; PIZEGHELLO, D.; SCHIAVON, M.; ERTANI, A. Plant biostimu-
de aplicação com uso continuado de fertilizantes organominerais. lants: physiological responses induced by protein hydrolyzed-based products
Em campo, é necessário estudar o efeito do uso prolongado and humic substances in plant metabolism. Scientia Agricola, v. 73, n. 1,
p. 18-23, 2016.
dos fertilizantes organominerais nas propriedades físicas do solo e
sobre a produtividade das culturas. Nos fertilizantes organominerais RAIJ, B. van. Gesso na agricultura. Campinas: Instituto Agronômico, 2008.
233 p.
formulados a partir de materiais orgânicos muito humificados, é preciso
pesquisar se o aporte de carbono humificado, uma única aplicação ou RAIJ, B. van. Fertilidade do solo e manejo de nutrientes. Piracicaba: IPNI,
2011. 420 p.
com o uso sucessivo desses fertilizantes, é suficiente para determinar
na planta e no solo os efeitos benéficos das substâncias húmicas já RAIJ, B. van; CANTARELLA, H.; QUAGGIO, J. A.; FURLANI, A. M. C. (Ed.).
consagrados para diferentes classes de culturas (Rose et al., 2014). Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo.
Campinas: IAC/Fundação IAC, 1997. 285 p. (IAC, Boletim Técnico, 100).
Uma demanda recorrente é a ligada ao efeito de substituição
ROSE, T.; PATTI, A.F.; LITTLE, K. R.; BROWN, A. L.; JACKSON, W. R.;
e eficiência de uso do NPK do fertilizante organomineral em relação
CAVAGNARO, T. R. A meta-analysis and review of plant-growth response to
ao suprido por formulados NPK minerais. Não foram realizados humic substances; practical implications for agriculture. Advances in Agro-
experimentos a campo que demonstram que o NPK do fertilizante nomy, v. 124, p. 37-89, 2014.
organomineral pode ser utilizado pelas plantas de modo mais VALADARES, S. V.; NEVES, J. C. L.; ROSA; G. N. G.P .; MARTINEZ, H.
eficiente. Existem relatos de diminuição de dose com manutenção E.P.; ALVAREZ V., V. H.; LIMA, P. C. Produtividade e bienalidade da produção
de tetos de produtividade. Do mesmo modo, alguns dados preli- de cafezais adensados, sob diferentes doses de N e K. Pesquisa Agropecuária
minares mostram que é possível produzir mais café com a mesma Brasileira, Brasília, v. 48, n. 3, p. 296-303, 2013.

16 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016


DIVULGANDO A PESQUISA

Produtividade e composição mineral do feijão em resposta


às adubações com molibdênio e níqueL
José Francisco Lopes1; Fábio Cunha Coelho1; Wanderson Souza Rabello1; Otacílio José Passos Rangel2; Geraldo de Amaral Gravina1;
Henrique Duarte Vieira1. Revista Ceres, Viçosa, v. 63, n. 3, p. 419-426, mai/jun., 2016.

N
íquel e molibdênio são micronutrientes essen- Tabela 1. Teores foliares de N e P no feijoeiro comum, cv. Ouro Vermelho,
ciais que apresentam a capacidade de alterar o em função da adubação foliar com Mo, dentro de cada dose de Ni.
crescimento e o desenvolvimento do feijoeiro. O Mo (g ha-1)
objetivo deste trabalho foi avaliar a produtividade, o crescimento Doses de Ni
e a composição mineral do feijão Ouro Vermelho em resposta às 0 80 0 80
(g ha-1)
adubações com molibdênio (Mo) e níquel (Ni). O experimento N (g kg )
-1
P (g kg )
-1

foi conduzido a campo em Argissolo Acinzentado distrófico, no


0 29,7 b 36,5 a 2,9 a 2,5 a
arranjo fatorial 5 x 2, referente a cinco doses de Ni (0; 15; 30;
45 e 60 g ha-1) e duas de Mo (0 e 80 g ha-1), no delineamento em 15 39,1 a 41,7 a 2,7 a 3,2 a
blocos casualizados, com quatro repetições. A aplicação foliar de 30 40,9 a 40,3 a 2,9 a 2,8 a
Ni e Mo foi feita aos 25 dias após a semeadura, por meio de um
45 32,9 b 42,1 a 2,5 b 3,1 a
pulverizador manual. As características avaliadas foram: estande
final, altura, produtividade, número de vagens por planta, número 60 32,1 a 35,5 a 2,7 a 2,4 a
de sementes por vagem, massa de 100 sementes e os teores de N,
Médias seguidas de letras distintas na linha, para cada variável, diferem
P, K, Fe, Mo, e Ni.
entre si a 5% de probabilidade pelo teste F.

Conclusões:
Tabela 2. Matéria seca da parte aérea, número de vagens por planta e
• As adubações com 80 g ha-1 de Mo e com 60 g ha-1 com Ni produtividade do feijoeiro comum, cv. Ouro Vermelho, em
aumentaram em 12,71% e 27,5%, respectivamente, a produtividade resposta à adubação molíbdica.
do feijoeiro comum, cultivar Ouro Vermelho.
Dose Matéria seca Número
• A adubação molíbdica aumentou o teor de N, mas reduziu Produtividade
de Mo da parte aérea de vagens
o teor de Fe da semente. As doses de Ni aumentaram o teor de N da (kg ha-1)
(g ha-1) (g) por planta
folha e, na presença do Mo, aumentaram o teor de Fe da semente
(Tabela 1 e Tabela 3). Em doses elevadas de Ni, a adubação molí- 0 4,80 b 7,69 b 1.648,0 b
bdica reduziu o teor de Ni das sementes. 80 5,31 a 8,98 a 1.857,5 a
• As doses de Ni aumentaram o número de sementes por CV (%) 12,14 14,51 12,98
vagem e a matéria seca da parte aérea. A adubação molíbdica
aumentou o número de vagens por planta e a massa da matéria seca Médias seguidas de letras distintas nas colunas diferem entre si a 5% de
da parte aérea (Tabela 2). pro­babilidade pelo teste de F.

Tabela 3. Teores de Fe, Mo e Ni na semente do feijoeiro comum, cv. Ouro Vermelho, em função da adubação foliar com Mo, dentro de cada dose de Ni.

Mo (g ha-1)
Doses de Ni 0 80 0 80 0 80
Fe (mg kg-1) Mo (mg kg-1) Ni (mg kg-1)
0 61,8 a 46,4 b 0,079 b 0,295 a 8,39 b 10,29 a
15 51,0 a 47,9 a 0,179 b 0,279 a 8,63 b 9,31 a
30 47,8 a 46,2 a 0,091 b 0,281 a 10,11 a 8,93 b
45 49,2 a 44,1 b 0,111 b 0,367 a 11,42 a 9,10 b
60 57,5 a 41,7 b 0,071 b 0,295 a 11,48 a 8,90 b

Médias seguidas de letras distintas na linha diferem entre si, para cada nutriente analisado, a 5% de probabilidade pelo teste F.

1
Universidade Estadual Norte Fluminense Darcy Ribeiro, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, RJ.
2
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, Alegre, ES.

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 17


EM DESTAQUE

IX Simpósio Regional IPNI Brasil sobre Boas Práticas para Uso Eficiente de Fertilizantes
Visando o aumento da produtividade brasileira, o Internatio- O objetivo do evento foi apresentar e discutir localmente as
nal Plant Nutrition Institute (IPNI) realizou o IX Simpósio Regional boas práticas de manejo dos nutrientes das plantas visando maxi-
IPNI Brasil sobre Boas Práticas para Uso Eficiente de Fertilizantes mizar a produção agrícola. Foram abordados temas de suporte para
em Paragominas, PA. O evento abordou o manejo adequado dos a correta aplicação dos fertilizantes bem como a aplicação prática
fertilizantes, o qual preconiza a utilização da dose e da fonte certa em culturas de interesse regional. O conteúdo e a abordagem das
de insumos, no local e na época correta, com respeito ao ambiente. palestras visaram satisfazer as demandas dos produtores, consul-
O evento teve o apoio técnico da Associação Nacional para Difusão tores e extensionistas e da classe técnica agronômica regional em
de Adubos (ANDA) e da Universidade Federal Rural da Amazônia relação ao uso eficiente dos fertilizantes.
(UFRA), Campus Paragominas.

Dr. Valter Casarin e palestrantes do IX Simpósio Regional do IPNI. Vista geral da plateia do IX Simpósio Regional do IPNI.

DR. PROCHNOW PARTICIPA DE ESTUDO IPNI NO PRIMEIRO CONGRESSO BRASILEIRO


sOBRE MICRONUTRIENTES na soja ONLINE SOBRE AGRICULTURA
Dr. Luis Prochnow, Diretor do IPNI Brasil, é co-autor de De forma especial, o IPNI esteve presente no 1o Congresso
um estudo recentemente publicado no periódico Soil and Tillage Brasileiro Online sobre Agricultura, organizado pelo Portal Ciên-
Research sobre as formas químicas de manganês (Mn) e de zin- cia do Solo, com a participação de seus três diretores. Dr. Luís
co (Zn) no solo e sua disponibilidade para a soja cultivada em Prochnow apresentou a palestra “Eficiência na utilização eficiente
latossolo sob diferentes sistemas de preparo (Chemical forms de fósforo com ênfase na localização”. Dr. Valter Casarin abordou
in soil and availability of manganese and zinc to soybean in os temas “Boas práticas para uso de fertilizantes” e “Adubação
soil under different tillage systems). Os efeitos desses sistemas foliar: conceitos e aplicações”. Dr. Eros Francisco discorreu sobre
na complexação do Mn pelos ácidos húmicos do solo também “Adubação de pastagens: a hora é agora!”, tema que se alinha ao obje-
foram avaliados. Observou-se que a concentração de Mn na tivo do IPNI Brasil de ajudar a educar os pecuaristas sobre como usar
camada superficial do solo sob plantio direto foi maior do que adequadamente os nutrientes visando aumentar a produção de carne e
no solo sob plantio convencional. Em geral, a porcentagem leite e intensificar o uso da terra.
de Zn nas diferentes frações do solo não foi modificada pelos O objetivo do evento foi disseminar informações práticas
sistemas de cultivo. Durante o cultivo da soja, o teor de Mn nas para todas as regiões agrícolas por meio de uma plataforma online.
folhas não variou com os métodos de preparo e esteve próximo O público-alvo incluiu agricultores, profissionais do agronegócio,
ou abaixo da faixa considerada adequada para a cultura. Os re- pesquisadores e estudantes. Estima-se que cerca de 15.000 pessoas
sultados sugerem a necessidade de novos estudos de calibração assistiram as várias palestras e as atividades online durante todo
para Mn e Zn nos solos sob sistema plantio direto. o evento.

18 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016


IPNI NA XVI REUNIÃO TÉCNICA DA FUNDAÇÃO MT IPNI NO II SIMPÓSIO DESAFIOS DA FERTILIDADE DO SOLO
A Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato NA REGIÃO DO CERRADO
Grosso (Fundação MT) realizou a XVI Reunião Técnica em Cuiabá, Dr. Eros Francisco, Diretor-Adjunto do IPNI Brasil, participou
MT. O evento destacou os recentes resultados da pesquisa em como palestrante do II Simpósio Desafios da Fertilidade do Solo na
várias áreas do agronegócio brasileiro. Dr. Valter Casarin, Diretor- Região do Cerrado, um evento que atraiu 550 participantes, incluindo
-Adjunto do IPNI Brasil, participou do evento como palestrante, agricultores, consultores agrícolas, representantes da indústria e cien-
abordando o tema “ Dinâmica do zinco, cobre e manganês no solo tistas acadêmicos. O evento foi organizado pelo Departamento de
e disponibilidade às culturas”. O evento reuniu excelentes temas, Ciência do Solo da Escola Superior de Agronomia “Luiz de Queiroz”,
palestrantes e participantes, e desencadeou um debate sobre suces- da Universidade de São Paulo. Dr. Francisco falou sobre o balanço
sos e desafios da última safra. “A escolha do tema Micronutrientes de nutrientes na agricultura da região do Cerrado.
foi crucial, num momento em que a busca do equilíbrio nutricional
é um fator-chave para atingir incrementos na produtividade das
culturas”, enfatizou Dr. Casarin.

Momento da palestra do Dr. Eros Francisco.

Dr. Valter Casarin durante sua apresentação na Reunião Técnica. curso de especialização em manejo do solo
Dr. Valter Casarin, Diretor-Adjunto do IPNI Brasil, parti-
ciclo de palestras NO mato grosso cipou como professor convidado do Curso de Especialização em
Manejo de Solo nas cidades de Dourados (MS) e Balsas (MA).
Dr. Eros Francisco, Diretor-Adjunto do IPNI Brasil para a
O curso é organizado pelo Departamento de Ciência do Solo da
região Centro-Oeste do Brasil, ministrou uma série de palestras
Escola Superior de Agronomia “Luiz de Queiroz”, da Universidade
para produtores de grãos da região médio-norte do estado de Mato
de São Paulo. Em sua aula, Dr. Valter abordou o tema “Dinâmica
Grosso. As palestras foram organizadas pela equipe regional da
dos nutrientes no solo”, relacionando as bases teóricas e práticas
empresa Mosaic Fertilizantes nas cidades de Sinop, Sorriso, Lucas
do manejo para uma produção agrícola sustentável. “O intercâmbio
do Rio Verde e Nova Mutum. Durante cada palestra, os produtores
com os profissionais participantes deste curso permite levar para a
puderam interagir e discutir sobre o manejo mais adequado de ni-
sala de aula as problemáticas e soluções para os diferentes manejos
trogênio, fósforo e enxofre nas lavouras de soja e milho, visando a
do solo nas diversas regiões agrícolas brasileiras e para uma grande
nutrição balanceada do sistema de produção.
diversidade de culturas”, ressaltou Dr. Casarin.

DR. PROCHNOW PARTICIPA DE BANCA DE DEFESA DE TESE


IPNI NO VI SIMPÓSIO DA CULTURA DA SOJA
Dr. Luis Prochnow, Diretor do IPNI Brasil, participou, na
condição de examinador, da defesa de tese de Doutorado do pes- Dr. Eros Francisco, Diretor-Adjunto do IPNI Brasil, partici-
quisador Flávio Araújo Pinto, na Escola Superior de Agricultura pou como palestrante do VI Simpósio da Cultura da Soja, ocorrido
Luiz de Queiroz/USP. A pesquisa abordou os potenciais elementos em Piracicaba, SP. O Simpósio, organizado pelo Dr. Gil Câmara,
tóxicos existentes no solo. Estudos com diferentes metodologias e professor do Departamento de Produção Vegetal da Escola Superior
experimentos em estufa possibilitaram estabelecer concentrações de Agricultura Luiz de Queiroz, USP, contou com 300 participantes,
críticas desses elementos no solo e seu efeito potencial sobre a incluindo agricultores, consultores e pesquisadores. “A soja é a cultura
saúde humana. mais importante no Brasil, e responde por 40% do consumo de ferti-
lizantes, com 33 milhões de hectares produzindo cerca de 96 milhões
de toneladas de grãos”, comentou Dr. Francisco. “Ela também está
VÍDEO SOBRE SOLOS é traduzido para o português presente em sistemas de produção com outras culturas, como milho,
O vídeo Soils Support Agriculture, produzido pela Soil algodão e arroz, que exigem um manejo de nutrientes mais complexo,
Science Society of America, foi traduzido e adaptado para o Por- que considera a eficiência de uso dos nutrientes (EUN). O IPNI está
tuguês e está disponível no canal YouTube do IPNI, anunciou colaborando na difusão de conhecimento junto aos agricultores e
Dr. Luís Prochnow, Diretor do IPNI Brasil. O projeto faz parte de consultores agrícolas, ensinando-os a manejar adequadamente os
um esforço contínuo do IPNI de ampliar as atividades de extensão nutrientes das plantas em tais sistemas de cultivo, com a finalidade
de ensino relacionadas à implementação do manejo 4C no país. de aumentar a EUN”, acrescentou Dr. Francisco.

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 19


PAINEL AGRONÔMICO

DRONE PROPORCIONA MAIS RAPIDEZ EM PESQUISAS De tinta a remédio: cinco usos da soja


PARA CULTURAS AGROENERGÉTICAS Na última safra de grãos 2015/16, o Brasil produziu mais
Com o uso de uma câmera termográfica embarcada em um de 95 milhões de toneladas de soja. Do total produzido, de acordo
drone, os cientistas da Embrapa Agroenergia têm agora à disposi- com a Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja), 44%
ção uma técnica inovadora que pro- do grão é exportado in natura, 40% é processado e 7% é estocado.
porciona maior rapidez na avaliação Do volume processado, 79% vira farelo de soja e o restante, 21%,
de plantas. As imagens capturadas transformado em óleo. Praticamente metade do farelo é usado no
permitem identificar e selecionar as consumo doméstico como ração animal. E a maior parte do óleo
plantas mais tolerantes a determinado de soja tem com destino a alimentação humana e biodiesel. Mas os
tipo de estresse, a partir da temperatura derivados da soja podem ter muito mais utilidades do que se imagina:
da copa. Nesta perspectiva, a Embrapa • Tintas a base de soja: A tinta a base de soja pode ser utili-
Agroenergia adquiriu esses equipamen- zada na impressão de jornais e revistas no processo offset. Segundo
tos para avaliar genótipos de cana-de- especialistas, ela é mais fácil de ser removida do papel no processo
açúcar, utilizando as técnicas de fenotipagem de plantas por imagem. de reciclagem e possue cores mais vivas.
O pesquisador da Embrapa Agroenergia, Carlos Sousa, • Cosméticos: A lecitina (composto orgânico formado por
responsável por esse trabalho, salienta que as novas ferramentas um ou mais ácidos graxos), encontrada naturalmente na soja, pode
de fenotipagem de plantas que estão surgindo são complementares ser utilizada na composição de cosméticos, como pomadas e cremes,
às técnicas tradicionais. Porém, os resultados obtidos possibilitam e ajuda a evitar o ressecamento da pele.
a avaliação de parâmetros que interferem na tolerância à seca ou a • Indústria farmacêutica: O grão de soja contém grandes
qualquer outro tipo de estresse abiótico (altas ou baixas tempera- quantidades de isoflavonas, substância que reduz a degradação do
turas, salinidade, alumínio, seca, entre outras) em plantas. tecido e do colágeno na pele, pois combate os radicais livres e ajuda
Até o momento, utilizando a câmera térmica manualmente, na prevenção do envelhecimento.
sem uma plataforma para elevá-la acima da copa das plantas, • Espumas: No Brasil, ainda são muito pouco utilizadas, mas
somente conseguíamos tirar uma foto lateral do experimento, os norte-americanos já produzem espumas a base de soja há pelo menos
explica o pesquisador Carlos Sousa. “Estávamos fazendo o registro 10 anos. O material tem como destino o setor de móveis, além de ser
apenas das plantas que se encontravam na borda do experimento. utilizado por fábricas de colchões e até pela indústria automobilística.
A imagem capturada pela câmera a partir do drone nos possibilita
uma visão geral da plantação”. (Embrapa Agroenergia) • Broto de soja e soja verde: A Empresa Brasileiro de Pes-
quisa Agropecuária (Embrapa) tem se dedicado há vários anos no
melhoramento genético da soja voltado para o consumo humano.
EMBRAPA CRIA ARROZ PARA CULINÁRIA JAPONESA De acordo com a pesquisadora Mercedes Panizzi, a equipe trabalha
no desenvolvimento de alternativas de consumo, como o broto de
A Embrapa lançou recentemente a “BRS 358”, cultivar de
soja e a soja verde. “Temos linhagens avançadas em avaliação que
arroz de grão curto e com baixo teor de amilose – qualidade que
apresentam sementes pequenas para produção de brotos, sementes
o deixa mais pegajoso após
grandes para utilização como soja verde ou “edamame”, e soja preta,
o cozimento. “Com essa ca-
que, pelas suas propriedades antioxidantes, pode ser ingrediente de
racterística, é possível comer
alimentos funcionais. A soja verde, antes de amadurecer, pode ser
usando o palitinho, o hashi”,
consumida como amendoim”, explica Mercedes. (Gazeta do Povo)
explica um dos pesquisado-
res responsáveis pela nova
cultivar, Ariano Magalhães. Aminoácidos amenizam O impacto da geada
A nova planta é resul- A queda nas temperaturas na região Sul e Sudeste, durante
tado de mais de dez anos de trabalho dos pesquisadores da Embrapa o outono e inverno, impacta a produção de hortifruti no país, prin-
Clima Temperado (RS), da Embrapa Arroz e Feijão (GO) e de outros cipalmente quando há formação de geada. A queima das folhas
centros de pesquisa ligados ao programa de melhoramento de arroz do vegetal, devido ao congelamento da água no interior da planta,
especial da Embrapa. “A vantagem da BRS 358 é que ela tem os mes- resulta na diminuição da produtividade em diversos cultivos, refle-
mos padrões de qualidade de grãos do material japônico tradicional, tindo no resultado e na qualidade do produto final. A utilização de
mas com uma planta agronomicamente moderna”, informa Magalhães. complexos de aminoácidos no cultivo antes e após a ocorrência
O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, José Colombari do fenômeno tem sido uma prática natural e eficiente para auxiliar
Filho, atual coordenador do programa de melhoramento de arroz na produção. Segundo o engenheiro agrônomo Marcos Revoredo,
especial, destacou que essa nova cultivar poderá trazer diferentes gerente técnico de hortifruti da Alltech Crop Science, esses com-
oportunidades de negócios, com outras formas de consumo, como plexos atuam, de forma natural, na ativação e na aceleração do
arroz-cateto para o típico prato carreteiro ou na forma integral em metabolismo da planta. “O resultado é o aumento da temperatura
pratos da alta gastronomia e, portanto, com maior valor agregado. interna do vegetal e, consequentemente, a redução dos estresses
(Embrapa Clima Temperado) fisiológicos causados pelas baixas temperaturas”. (Agrolink)

20 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016


CONCURSO FOTOGRÁFICO do IPNI BRASIL – 2016

O International Plant Nutrition Institute (IPNI) continua a patrocinar o concurso fotográfico sobre deficiências nutricio-
nais em 2016 com o objetivo de incentivar a observação de campo e aumentar a compreensão sobre as deficiências
nutricionais nas plantas.
“Esperamos que esta competição estimule aqueles que trabalham na produção agrícola e em pesquisas”, disse
Dr. Terry Roberts, Presidente do IPNI. “Pesquisadores envolvidos em trabalho sob condições controladas também
são convidados a enviar suas fotos. Nós encorajamos consultores, agricultores e outros interessados a fotografar
e documentar as deficiências nutricionais nas culturas”.
Os vencedores serão anunciados e notificados no primeiro trimestre de 2017, e os resultados serão publicados no site
do IPNI: www.ipni.net.
Prazo: as fotos e as informações adicionais devem ser enviadas até 6 de Dezembro de 2016 (até às 23:00 h)
Os prêmios são os seguintes:
1° Prêmio: US$ 250 para a melhor fotografia entre todas as categorias.
1° Prêmio: US$ 150 e 2° Prêmio: US$ 100 para a melhor fotografia dentro de cada uma das quatro categorias (Nitro-
gênio, Fósforo, Potássio e Outros Nutrientes).
Além disso, todos os premiados receberão um USB com uma cópia de nossa mais recente coleção de imagens.
Mais detalhes sobre o concurso são encontrados no endereço: https://www.ipni.net/photocontest/learn

Deficiência de magnésio em milho. Deficiência de fósforo em nabo.

ATENÇÃO para o recadastramento!!


BIBLIOTECAS, EMPRESAS E INSTITUIÇÕES DE PESQUISA E DE EXTENSÃO
QUE RECEBEM MAIS DE UM EXEMPLAR DA VERSÃO IMPRESSA DO JORNAL
INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS DEVEM PROCEDER O SEU RECADASTRAMENTO
NO SITE DO IPNI, NO ENDEREÇO: http://brasil.ipni.net/article/jornal-ia

DATA LIMITE: MARÇO DE 2017

Não perca tempo!!


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INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 21


CURSOS, SIMPÓSIOS E OUTROS EVENTOS

1. Boron Day Brazil  7. CONGRESSO NACIONAL DAS MULHERES DO


AGRONEGÓCIO 
Local: A
 nfiteatro da Engenharia, ESALQ/USP, Piracicaba, SP
Data: 6/OUTUBRO/2016 Local: Transamérica Expo Center, São Paulo, SP
Informações: Elaine Abramides - Infobibos Data: 25 e 26/OUTUBRO/2016
Email: eabramides@terra.com.br Informações: Transamérica Expo Center
Website: http://www.borondaybrazil.net.br Telefone: (11) 5643-3056
Email: mulheresdoagro@transamerica.com.br
Website: h ttp://mulheresdoagro.com.br
2. 23º Congresso Internacional do Trigo 
Local: H
 otel Royal Palm Plaza, Av. Royal Palm Plaza, 277,
Jardim Nova California, Campinas, SP
Data: 16 a 18/OUTUBRO/2016 8. SUSTAINABLE INTENSIFICATION AGRICULTURE:
Informações: ABITRIGO BRAZIL
Email: abitrigo@wenter.com.br Local: Centro de Convenções da Bolsa do Rio, Rio de Janeiro, RJ
Website: http://www.abitrigo.com.br/congresso Data: 25 e 26/OUTUBRO/2016
Informações: Challenge Advisory
3. FERTBIO 2016  Email: karveh@challenge.org
Website: h ttp://www.challenge.org/events/
Local: Centro de Convenções de Goiânia, Goiânia, GO sustainable-intensification2016/
Data: 16 a 20/OUTUBRO/2016
Informações: F&B Eventos
Email: fertbio2016@fbeventos.com 9. international workshop on Granular
Website: http://www.eventosolos.org.br/ Fertilizers Production 
fertbio2016/home/
Local: Bangkok, Tailândia
Data: 7 a 11/NOVEMBRO/2016
4. XXIV Congresso Brasileiro de Fruticultura: Informações: IFDC
Fruteiras Nativas e Sustentabilidade  Email: training@ifdc.org
Telefone: +1 256 381-6600
Local: C
 entro de Convenções Pedro Neiva de Santana, São
Luís, MA
Data: 16 a 21/OUTUBRO/2016 10. III CONGRESSO BRASILEIRO DE ROCHAGEM 
Informações: Indústria
 d’Eventos
Local: Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS
Email: fruticultura2016@industriadeeventos.com.br
Data: 8 a 11/NOVEMBRO/2016
Website: http://www.fruticultura2016.com.br
Informações: Embrapa Clima Temperado
Email: congresso.rochagem@gmail.com
5. 1st INTERNATIONAL PLANT PRODUCTION Website: http://www.embrapa.br/en/clima-
SYMPOSIUM  temperado/rochagem

Local: C
 entro de Convenções da UNESP, Campus de Jabo­
ticabal, Jaboticabal, SP 11. 7th International Nitrogen Initiative
Data: 17 e 18/OUTUBRO/2016 Conference (INI2016) 
Informações: FUNEP Local: Melbourne Cricket Ground, Victoria, Austrália
Email: contato@funep.org.br Data: 3 a 8/DEZEMBRO/2016
Website: http://www.funep.org.br Informações: Conference Design
Email: mail@conferencedesign.com.au
Website: http://www.ini2016.com
6. XXI Congreso Latinoamericano de la
Ciencia del Suelo
XV Congresso Equatoriano de Ciência do 12. ENCONTRO NACIONAL DA CULTURA DO MILHO
Solo  Local: Sindicato Rural de Uberlândia, Parque de Exposição
Local: Hotel J.W. Marriott, Quito, Equador Camaru, Uberlândia, MG
Data: 24 a 28/OUTUBRO/2016 Data: 15 e 16/DEZEMBRO/2016
Informações: Secretaria Informações: FEALQ
Email: info@secsuelo.org Telefone: (19) 3417-6600
Website: http://www.secsuelo.org Website: h ttp://fealq.org.br

22 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016


PUBLICAÇÕES RECENTES

1. Calagem e adubação do tomate de mesa 4. Cana-de-Açúcar: do Plantio à Colheita


(Boletim Técnico IAC, 215)
Autores: Santos, F. e Borém, A.; 2016.
Autores: Trani, P. E. et al.; 2016. Conteúdo: Planejamento da lavoura; plantio; nutrição e aduba-
Conteúdo: Espaçamento; ciclo; produtividade; extração de ção; manejo de pragas; manejo de doenças e medidas
nutrientes; interpretação da análise foliar; calagem; de controle; plantas daninhas; irrigação; colheita;
adubação orgânica; adubação mineral de plantio; enfardamento de palha; qualidade da cana-de-açúcar
adubação de cobertura; adubação foliar. para processamento industrial.
Preço: g ratuito para download no site do IAC Preço: R
 $ 53,00
Número de páginas: 35 Número de páginas: 290
Editor: Instituto Agronômico (IAC) Editora: Editora UFV
Telefone: (19) 2137-0656 Telefone: (31) 3899-3551
Website: http://www.iac.sp.gov.br Website: http://www.editoraufv.com.br

5. Café na Amazônia
2. Agricultura, transformação produtiva e Editores: Marcolan, A. L. e Espindula, M. C.; 2015.
sustentabilidade Conteúdo: Aspectos
 econômicos da cafeicultura; clima; solos e
Organizadores: V  ieira Filho, J. E. R. e Gasques, J. G.; 2016. zoneamento pedoclimático; aspectos gerais da biolo-
Conteúdo: A publicação é composta por 13 capítulos e reúne gia e da diversidade genética de Coffea canephora;
material produzido por 39 especialistas. Cinco áreas melhoramento de Coffea canephora – considerações
básicas do conhecimento do agronegócio brasileiro e metodologia; produção de mudas; implantação da
são abordadas: desenvolvimento, acumulação de lavoura; manejo nutricional; Sistema Integrado de
capital e desafio da inclusão produtiva; expansão Diagnose e Recomendação (DRIS) no manejo da
recente da fronteira agrícola no Brasil; crescimento e adubação de cafeeiros; condução de cafeeiros Coffea
produtividade; macroeconomia e comércio interna- canephora; manejo de plantas daninhas; pragas do
cional; e agricultura de baixo carbono. cafeeiro; doenças do cafeeiro; irrigação em cafeeiros;
Preço: g ratuito para download no site do IPEA procedimentos de colheita do café; preparo, secagem
Número de páginas: 391 e armazenamento; beneficiamento e industrialização;
Editor: IPEA propriedades físicas e químicas interferentes na pós-
Telefone: (61) 2026-5336 colheita do café; café canéfora: em busca de quali-
Website: http://www.ipea.gov.br dade e reconhecimento; sistemas agroflorestais com
cafeeiro; aspectos de produção e comercialização da
cadeia agroindustrial do café em Rondônia.
3. Nutrição Mineral de Plantas: Anamnese e Preço: R
 $ 80,00
Diagnóstico Número de páginas: 474
Editora: Embrapa Rondônia
Autor: Paulo Cezar Rezende Fontes; 2016. Telefone: (69) 3225-9387
Conteúdo: Diagnose: parte de um sistema, conceitos e etapas; Website: http://www.embrapa.br
anamnese do sistema de produção; anamnese das
plantas-problema; análises para determinar o estado
6. Nutrição e Adubação de Hortaliças
nutricional de plantas; amostragem das plantas para
análise; análise direta: método visual, método da Editores: Prado, R. de M. e Cecílio Filho, A. B.; 2016.
análise foliar; análise foliar: etapas em laboratório, Conteúdo: Os temas abordados foram divididos em 22 capítulos,
interpretação de resultados; análise direta: nutrientes cobrindo uma ampla gama de informações técnico-
na seiva; análise indireta: enzimas, polifenóis carac- científicas voltadas à produção de hortaliças, na busca
terísticas biométricas; análise pela associação do teor do equilíbrio entre a produtividade e a qualidade dos
com características biométricas; análise indireta do produtos colhidos. Também são abordados temas
nitrogênio: tabela de cor e fita métrica, clorofilômetro como manejo de soluções nutritivas em hidroponia,
e fluorômetro, refletômetro, câmera digital; índices na em substrato de fibra de coco e a fertirrigação, apre-
planta, prescrição e manejo adaptativo do nitrogênio; sentando novos resultados em nutrição e adubação
verificação do resultado da diagnose. de hortaliças de expressivo valor socioeconômico.
Preço: R
 $ 75,00 Preço: R
 $ 105,00
Número de páginas: 315 Número de páginas: 600
Editora: UFV Editora: FUNEP
Telefone: (31) 3899-3551 Telefone: (16) 3209-1300
Website: http://www.editoraufv.com.br Website: http://www.funep.org.br

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016 23


Ponto de Vista

A HORA É AGORA!
Eros Francisco

A
pecuária de corte brasileira, em geral, apresenta índi- de fertilizantes são aplicados por hectare, ou, considerando-se
ces de produtividade abaixo do seu real potencial, um teor médio de nutrientes de 30% nas formulações comerciais,
pois os pecuaristas continuam a adotar o sistema irrisório 0,8 kg de nutrientes por hectare.
de produção extensiva que há décadas tem proporcionado baixa Por outro lado, diferente desta realidade, existem diversas
produtividade anual – cerca de 5 arrobas de carne por hectare na iniciativas de produtores, em várias regiões do Brasil, que promo-
recria/engorda. Terra barata e abundante, gramíneas tolerantes vem avanços significativos no sistema produtivo de pastagem por
a solos inférteis e baixo investimento na atividade, entre outros meio da melhoria da genética do rebanho, do manejo do pastejo e
fatores, explicam tal insucesso produtivo. da correção da fertilidade do solo, com o uso de calcário e fertili-
Os solos ocupados por pastagens, em geral, são marginais, zantes. Tal transformação permite a obtenção de índices produtivos
quando comparados aos utilizados pela agricultura de grãos, com excelentes, com retornos financeiros até melhores do que os obtidos
problemas de fertilidade natural, acidez, topografia, pedregosidade com a agricultura de grãos. Há relatos de propriedades produzindo
ou limitações de drenagem. Além disso, o manejo inadequado e na recria/engorda acima de 50 arrobas de carne/ha/ano, e algumas
as deficiências nutricionais do solo têm concorrido para reduzir a até 100 arrobas de carne/ha/ano.
produtividade das gramíneas. Portanto, amigo pecuarista, a hora da virada é agora! O olho
O pouco interesse do pecuarista tradicional em adotar as do dono engorda o boi! Investir na correção da fertilidade do solo
recomendações agronômicas e zootécnicas preconizadas pelas e ter um bom manejo da pastagem promove maior produtividade,
instituições de pesquisa, que também pode ser considerado como sustentabilidade e rentabilidade do sistema de produção.
um obstáculo ao crescimento produtivo, pode ser visto em dado esta- Por meio de palestras e publicações, o IPNI Brasil tem se
tístico divulgado pela Associação Nacional para Difusão do Adubo empenhado em difundir informações agronômicas básicas sobre o
(ANDA): a quantidade de fertilizantes entregue no país para uso em uso adequado de nutrientes na adubação das gramíneas forrageiras,
pastagens é de apenas 1,5% do total. Considerando-se que há, apro- visando a construção da fertilidade do solo e o aumento sustentável
ximadamente, 180 milhões de hectares utilizados com pastagens no da produção de carne. Mais informações sobre as boas práticas
Brasil e que a quantidade de fertilizantes nelas aplicada, em 2014, do uso eficiente de fertilizantes podem ser obtidas no site: http://
foi de 478 mil toneladas, calcula-se que, em média, apenas 2,6 kg brasil.ipni.net.

International Plant Nutrition Institute


Avenida Independência, nº 350, Edifício Primus Center, salas 141 e 142
Fone/Fax: (19) 3433-3254 / 3422-9812 - CEP 13416-901 - Piracicaba (SP) - Brasil

Luís ignácio prochnow - Diretor, Engo Agro, Doutor em Agronomia


E-mail: lprochnow@ipni.net

VALTER CASARIN - Diretor-Adjunto, Engo Agro, Engo Florestal, Doutor em Ciência do Solo
E-mail: vcasarin@ipni.net

EROS FRANCISCO - Diretor-Adjunto, Engo Agro, Doutor em Agronomia


E-mail: efrancisco@ipni.net

MEMBROS DO IPNI MEMBROS AFILIADOS Ao IPNI

• Agrium Inc. • PhosAgro • Arab Fertilizer Association (AFA)


• Arab Potash Company • PotashCorp • Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA)
• BHP Billiton • Shell Sulphur Solutions • Fertiliser Association of India (FAI)
• CF Industries Holding, Inc. • Simplot • Fertilizer Canada
• Compass Minerals Plant Nutrition • Sinofert Holdings Ltd. • International Fertilizer Industry Association (IFA)
• International Raw Materials Ltd. • SQM • International Potash Institute (IPI)
• K+S Kali GmbH • The Mosaic Company • The Fertilizer Institute (TFI)
• Kingenta Ecological Engineering Group Co., Ltd. • Uralchem, JSC • The Sulphur Institute (TSI)
• LUXI Fertilizer Industry Group • Uralkali
• OCP S.A. • Yara International ASA

24 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 155 – SETEMBRO/2016

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