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Ievaldo Rodrigues de Oliveira Filho

Boanerges Sacramento de Jesus


Advogados

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA


DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL FORO REGIONAL IX – VILA PRUDENTE DA
COMARCA DE SÃO PAULO/SP

HELENA MARÍLIA RIBEIRO, brasileira, divorciada,


aposentada, portadora da cédula de identidade R.G nº 15.580.855-2,
inscrita no CPF/MS sob o número 053.278.978-42, residente e
domiciliada na Rua Leonor de Siqueira, 173, Jd. Vera Cruz, CEP
08310-500, São Mateus, nesta capital, SP, pelo presente instrumento
de procuração anexa, nomeia e constituem seus bastante procuradores
os advogados INEVALDO RODRIGUES DE OLIVEIRA FILHO, brasileiro,
divorciado, advogado, inscrito junto a OAB seção São Paulo sob o nº
377.302 e BOANERGES SACRAMENTO DE JESUS, brasileiro, casado,
advogado, inscrito junto a OAB seção São Paulo sob o nº 379.844,
ambos com escritório sito na Rua Doutor Bernardino Ribeiro nº 105 –
Vila Ré - CEP nº 03658-080, no Município de São Paulo, Estado de São
Paulo, onde recebem notificações e intimações de praxe, vem à
presença de Vossa Excelência, com fundamento nos artigos art. 186 e
927 do Código Civil e do art. 14 do Código de Defesa do Consumidor,
propor a presente

AÇÃO DE RESTITUIÇÃO DE VALORES DE TAXA SATI C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO C/C


OBRIGAÇÃO DE FAZER

Rua Dr. Bernardino Ribeiro, 105 – Vila Ré - CEP 03658-080


São Paulo, SP – Fone: 11 3729-7071 / 11 94551-1178 1
Ievaldo Rodrigues de Oliveira Filho
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Advogados

em face de (1) HAPTOS ASSESSORIA E NEGÓCIOS LTDA,


pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº
12.928.839/0001-73, estabelecida na rua Olimpíadas, 66, Vila
Olímpia, CEP 04551-000, São Paulo, (2) PROJETO IMOBILIÁRIO E2 LTDA,
pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº
13.450.740/0001-71, estabelecida na Rua Olimpíadas, nº 66, 5º andar,
sala 2 A, Bairro Vila Olímpia, Cidade São Paulo, CEP 04551-000, fone
11 3048-2853, (3) ATUA CONSTRUTORA E INCORPORADORA S/A, pessoa
jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº 08.741.800/0001-75,
estabelecida na R Olimpíadas, 66, andar 5, Conj. 52, Bairro Vila
Olímpia, Cidade São Paulo, CEP 04551-000, fone 11 2626-5000; e de
(4) ECON CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA, pessoa jurídica de
direito privado, inscrita no CNPJ nº 04.580.953/0001-27,
estabelecida na R Olimpíadas, 66, andar 5, sala 4 B, Bairro Vila
Olímpia, Cidade São Paulo, SP, CEP 04551-000, fone 11 2626-5000,
pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos.

I – DA JUSTIÇA GRATUITA

A REQUERENTE faz jus à concessão da gratuidade de


Justiça, haja visto que a mesma não possui rendimentos suficientes
para custear as despesas processuais e honorários advocatícios em
detrimento de seu sustento e de sua família.

De acordo com a dicção do artigo 4º do referido


diploma legal, basta a afirmação de que não possui condições de
arcar com custas e honorários, sem prejuízo próprio e de sua
família, na própria petição inicial ou em seu pedido, a qualquer
momento do processo, para a concessão do benefício, pelo que nos
bastamos do texto da lei, in verbis:

Art. 4º A parte gozará dos benefícios da


assistência judiciária, mediante simples
afirmação, na própria petição inicial, de que
não está em condições de pagar as custas do
processo e os honorários de advogado, sem

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prejuízo próprio ou de sua família.

§ 1º Presume-se pobre, até prova em contrário,


quem afirmar essa condição nos termos da lei,
sob pena de pagamento até o décuplo das custas
judiciais.

Consoante o disposto nas Leis 1.060/50 e 7.115/83,


o Promovente declara para os devidos fins e sob as penas da lei, ser
pobre, não tendo como arcar com o pagamento de custas e demais
despesas processuais sem prejuízo do próprio sustento e de sua
família pelo que requer os benefícios da justiça gratuita. Anexo
declaração de pobreza (doc. 02).

III – DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO

Com fulcro no art. 319, VII, do NCPC, determinar a


designação de audiência de conciliação;

II – DOS FATOS

Os Requerentes em 28 de junho de 2013, celebrou


instrumento particular de promessa de compra e venda de imóvel com
as Requeridas, documento anexo (doc. 03), relativo ao apartamento 55
do Torre A do Condomínio Residencial Futura, situado na Rua
Nebulosas, nº 700, torre A, apartamento 55, Cidade Satélite Santa
Barbara, CEP 08330-430. O Requerente (consumidor) foi compelido
pelas empresas Requeridas (fornecedoras) a lhes pagar as quantias
discriminados na tabela abaixo, e que conforme planilha de cálculos,
documento anexo (doc. 04), é demonstrativo de todos os valores pagos
indevidamente pelo Requerido, documento esse expedido pela
Requerida:

VALOR VALOR
DATA DISCRIMINAÇÃO
ORIGINAL CORRIGIDO(*)

28/06/201 Serviço de Intermediação – 9.778,08

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3 Corretagem

22/08/200
Incorporador 185,56
9

25/09/200
Prestação de serviços 200,00
9

TOTAL: R$ 10.163,64 10.386,19

TOTAL DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO: R$ 10.386,19

(*) Nota: valores corrigidos monetariamente pelo site do TJDFT, sem


juros e sem multa.

Como se sabe, em contratos de adesão como esse, é


impossível ao consumidor concluir a negociação sem que efetivamente
faça o pagamento desses valores acessórios cobrados. Por isso, o
consumidor pagou por meio dos débitos em conta corrente, conforme
extratos bancários com valores detalhados dos referidos débitos,
documento anexo (doc. 05).

Informo ainda que o consumidor foi colhido pelas


divulgações do imóvel nos meios de comunicação, sendo que no momento
da assinatura da primeira documentação para reserva da unidade no
stand de vendas, não foi informado que a comissão de corretagem
ficaria totalmente a cargo da parte autora, até porque a maior
interessada na venda é a construtora do imóvel.

Por outras palavras, se realmente são empresas


pertencentes a grupos financeiros diversos, cabe à construtora pagar
a comissão de corretagem à corretora, não sendo justa a
transferência desse encargo ao consumidor, sob pena de violação de
vários dispositivos do Código do Consumidor, a exemplo dos arts. 39
e 51.

IV – DO DIREITO

IV.1 INCIDÊNCIA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

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A relação jurídica existente entre as partes é


nitidamente de consumo, atraindo, portanto, a incidência do Código
de Defesa do Consumidor, que é um conjunto de regras
principiológicas e não meramente uma lei geral.

IV. 2 NULIDADE DA COBRANÇA DE COMISSÃO DE CORRETAGEM AO CONSUMIDOR


– INDEVIDA E INÍQUA TRANSFERÊNCIA DE ENCARGO AO CONSUMIDOR –
NULIDADE DE PLENO DIREITO PREVISTA NO CDC

Parece absurdo, mas a parte autora pagou às


empresas Requeridas mais de dez mil reais apenas para fazer a compra
do imóvel e, assim, poder concluir um contrato. Isso contraria a
boa-fé objetiva, pois não corresponde a serviço prestado ao
consumidor.

Ademais, os serviços de intermediação (corretagem)


não foram prestados à parte autora/consumidora, uma vez que os
corretores atuavam sob as instruções e em benefício das empresas
Requeridas (fornecedoras), devendo elas responderem pela remuneração
de tais profissionais.

Mais por mais, sequer houve a prestação de serviços


de corretagem, e sim uma simples atuação de prepostos da empresa.
Note-se que a corretagem exige que o corretor não esteja subordinado
por qualquer relação de dependência com o contratante, conforme
dispõe o art. 722 do Código Civil:

Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma


pessoa, não ligada a outra em virtude de
mandato, de prestação de serviços ou por
qualquer relação de dependência, obriga-se a
obter para a segunda um ou mais negócios,
conforme as instruções recebidas.

Assim, deve ser declarada a nulidade de cláusula


que estabeleça a obrigatoriedade de o consumidor pagar despesas de
corretagem, pois essas cláusulas são nulas porque estabelecem
prestação desproporcional (art. 6º, V, do CDC), na medida em que

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fazem recair sobre uma única parte (o consumidor) toda a despesa


pela existência de um contrato em que ambas as partes são, em tese,
beneficiadas.

Ademais, o art. 51 do CDC diz serem nulas de pleno


direito as cláusulas que “estabeleçam obrigações consideradas
iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem
exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a eqüidade” (inc.
IV).

Da mesma forma, essa pactuação é nula por ser


considerada como prática abusiva pelo Código de Defesa do
Consumidor, cujo art. 39, inciso V, diz ser vedado “exigir do
consumidor vantagem manifestamente excessiva”.

É importante relembrar os seguintes dispositivos do


Código de Defesa do Consumidor, os quais falam por si só,
dispensando comentários:

Art. 51. São nulas de pleno direito, entre


outras, as cláusulas contratuais relativas ao
fornecimento de produtos e serviços que: III -
transfiram responsabilidades a terceiros;

IV - estabeleçam obrigações consideradas


iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor
em desvantagem exagerada, ou sejam
incompatíveis com a boa-fé ou a eqüidade;

VIII - imponham representante para concluir ou


realizar outro negócio jurídico pelo
consumidor;

X - permitam ao fornecedor, direta ou


indiretamente, variação do preço de maneira
unilateral;

XII - obriguem o consumidor a ressarcir os


custos de cobrança de sua obrigação, sem que
igual direito lhe seja conferido contra o
fornecedor;

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XIII - autorizem o fornecedor a modificar


unilateralmente o conteúdo ou a qualidade do
contrato, após sua celebração;

XV - estejam em desacordo com o sistema de


proteção ao consumidor;

Art. 51, § 1º Presume-se exagerada, entre


outros casos, a vontade que:I - ofende os
princípios fundamentais do sistema jurídico a
que pertence;III - se mostra excessivamente
onerosa para o consumidor, considerando-se a
natureza e conteúdo do contrato, o interesse
das partes e outras circunstâncias peculiares
ao caso.

Art. 52. No fornecimento de produtos ou


serviços que envolva outorga de crédito ou
concessão de financiamento ao consumidor, o
fornecedor deverá, entre outros requisitos,
informá-lo prévia e adequadamente sobre:I -
preço do produto ou serviço em moeda corrente
nacional;II - montante dos juros de mora e da
taxa efetiva anual de juros;III - acréscimos
legalmente previstos;IV - número e
periodicidade das prestações;V - soma total a
pagar, com e sem financiamento.

IV. 3 NULIDADE POR VENDA CASADA (ART. 39, I, DO CDC) –


CONDICIONAMENTO DA VENDA DO APARTAMENTO À CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE
CORRETAGEM DE PARCEIRO

Nota-se, também, que as empresas impuseram ao


consumidor uma prática abusiva expressamente vedada pelo CDC, pois
condicionaram a celebração do contrato de promessa de compra e venda
do imóvel à contratação paralela de serviços de corretagem, o que
configura venda casada.

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Com efeito, estabelece o Código do Consumidor:


"Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre
outras práticas abusivas: I - condicionar o fornecimento de produto
ou de serviço ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem como,
sem justa causa, a limites quantitativos;"

Sobre o tema, há vasta doutrina em defesa do


consumidor. Antes de se tornar ministro do STJ, ANTONIO HERMAN DE
VASCONCELLOS E BENJAMIN já esclarecia que configura venda casada
quando "o fornecedor nega-se a fornecer o produto ou serviço, a não
ser que o consumidor concorde em adquirir também um outro produto ou
serviço" (GRINOVER, Ada Pellegrini et al. Código brasileiro de
defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. 9. ed.
Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007, p. 380), que, no caso,
seria o serviço de corretagem.

Na mesma linha, o professor e Subprocurador da


República aposentado JOÃO BATISTA DE ALMEIDA explica os motivos de o
CDC proibir essa prática:

Objetiva-se preservar o direito básico da livre escolha do


consumidor, pois, se ele tem interesse na aquisição de determinado
produto ou serviço, não pode ser obrigado, para lograr tal intento,
a adquirir o que não lhe interessa, mas lhe é condicionalmente
impingido. (ALMEIDA, João Batista de. Manual de direito do
consumidor. 5. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 121, grifo
nosso)

IV. 4 NULIDADE DAS COBRANÇAS RELACIONADAS À FORMAÇÃO DO


CADASTRO DO CONSUMIDOR – NOMES INVENTADOS PARA SUBSTITUIR A
FAMIGERADA TAXA DE ABERTURA DE CRÉDITO – TAC

Parece absurdo, mas o consumidor foi compelido a


pagar às empresas Requeridas duzentos reais (R$ 200,00) apenas para
poder concluir um contrato de adesão em que elas já lucrarão com a
venda do imóvel de alto valor.

Deve ser declarada a nulidade dessas cláusulas que


estabelecem a obrigatoriedade de o consumidor pagar despesas e/ou

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taxas pela concretização do negócio, ou seja, pela própria


existência do contrato celebrado.

Essas cláusulas são nulas porque estabelecem


prestação desproporcional (art. 6º, V, do CDC), na medida em que
fazem recair sobre uma única parte (o consumidor) toda a despesa
pela existência de um contrato em que ambas as partes são
beneficiadas.

Ademais, o art. 51 do CDC diz serem nulas de pleno


direito as cláusulas que “estabeleçam obrigações consideradas
iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem
exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a eqüidade” (inc.
IV).

Da mesma forma, essa pactuação é nula por ser


considerada como prática abusiva pelo Código de Defesa do
Consumidor, cujo art. 39, inciso V, diz ser vedado “exigir do
consumidor vantagem manifestamente excessiva”.

A nulidade dessas cobranças é tema já pacificado


tanto no Superior Tribunal de Justiça quanto nos Tribunais de
Justiça do DF e do RS:

PROCESSO CIVIL. COMERCIAL. CONTRATO BANCÁRIO.


APLICAÇÃO DO CDC. ANATOCISMO. INEXISTÊNCIA.
LIMITAÇÃO DE JUROS A 12% AO ANO.
IMPOSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO EM DOBRO. MÁ-FÉ.
COMPROVAÇÃO. TAXA DE ABERTURA DE CRÉDITO.
INADMISSIBILIDADE DA COBRANÇA. 1. Aplica-se o
CDC às relações bancárias, restando
caracterizada relação consumerista. (omissis)
6. Ilegal a cobrança de tarifas
administrativas para a concessão de crédito,
entre as quais taxa de abertura de crédito,
devido a abusividade da cobrança. 7. É medida
legítima do credor, na hipótese de
inadimplência, inscrever o nome do devedor nos
cadastros dos órgãos de proteção de crédito.
8. Recurso conhecido e parcialmente provido

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apenas para determinar a devolução pela


cobrança de eventual taxa de abertura de
crédito. (20080110613037APC, Relator JOÃO
EGMONT, 6ª Turma Cível, julgado em 13/01/2010,
DJ 27/01/2010, p. 98).

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO DE


ABERTURA DE CRÉDITO PARA FINANCIAMENTO DE BENS
GARANTIDO POR ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. INCIDÊNCIA
DO CDC. (omissis). TARIFA/TAXA PARA COBRANÇA
DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS PELA CONCESSÃO DO
FINANCIAMENTO. A tarifa/taxa para cobrança de
despesas administrativas pela concessão do
financiamento é nula de pleno direito, por
ofensa aos arts. 46, primeira parte, e 51,
inc. IV, do CDC. (omissis). Apelação
parcialmente provida. (Apelação Cível Nº
70034205807, Décima Terceira Câmara Cível,
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Lúcia de
Castro Boller, Julgado em 28/01/2010)

IV. 5 REPETIÇÃO EM DOBRO DO VALOR DO INDÉBITO

Os valores discutidos nesta ação devem ser


devolvidos de forma dobrada ao consumidor, nos termos dos arts. 940
do CC e 42, parágrafo único, do CDC:

Art. 940. Aquele que demandar por dívida já


paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as
quantias recebidas ou pedir mais do que for
devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no
primeiro caso, o dobro do que houver cobrado
e, no segundo, o equivalente do que dele
exigir, salvo se houver prescrição.

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor


inadimplente não será exposto a ridículo, nem

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será submetido a qualquer tipo de


constrangimento ou ameaça.

Parágrafo único. O consumidor cobrado em


quantia indevida tem direito à repetição do
indébito, por valor igual ao dobro do que
pagou em excesso, acrescido de correção
monetária e juros legais, salvo hipótese de
engano justificável.

No caso, não há de falar em “engano justificável”,


pois as empresas Requeridas são empresas médio/grande porte, estando
entre que as que mais lucram no Brasil, tendo todos os anos
resultados positivos.

Essas empresas contam com assessoria de advogados,


juristas, administradores e contadores do mais alto nível, sendo-
lhes impossível ignorar o que diz a lei e a jurisprudência sobre
esses temas tão simples aqui tratados.

Somente uma pessoa muita ingênua acreditaria que


essas empresas agiram com “engano justificável” ao acrescentar, por
exemplo, mais de dez mil reais a título de corretagem, vindo
propositadamente a onerar o valor total do contrato em quase 6%.

Nesse sentido é a jurisprudência distrital:

JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS. CONSUMIDOR. COMPRA


E VENDA DE IMÓVEL. PRELIMINARES REJEITADAS.
COMISSÃO DE CORRETAGEM. DEVER DE RESTITUIÇÃO
DOS VALORES ILEGALMENTE COBRADOS EM DOBRO.
TAXA DE CONTRATO/ADMINISTRAÇÃO. ABUSIVIDADE.
(...) 9. O comportamento ilícito adotado pelo
fornecedor deve ser punido com a respectiva
sanção civil, nos moldes da principiologia
adotada pelo Código de Defesa do Consumidor.
Portanto, verificada a cobrança indevida da
comissão de corretagem e não configurado o

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engano justificável, cabível a repetição do


indébito, por valor igual ao dobro do que o
consumidor pagou em excesso, acrescido de
correção monetária e juros legais (CDC, art.
42, parágrafo único). (...) (Acórdão n.
864321, 20150110216196ACJ, Relator: CARLOS
ALBERTO MARTINS FILHO, 3ª Turma Recursal dos
Juizados Especiais do Distrito Federal, Data
de Julgamento: 30/04/2015, Publicado no DJE:
05/05/2015. Pág.: 377).

IV. 6 COMPETÊNCIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS – PROVEITO ECONÔMICO COMO


PARÂMETRO E NÃO O VALOR DO CONTRATO

Em ações como esta, normalmente a empresa ré alega


incompetência dos Juizados Especiais, pois o valor do contrato
principal ultrapassa a alçada. No entanto, a Turma Recursal vem
utilizando como parâmetro apenas o proveito econômico da lide:

DIREITO CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR.


COMPETÊNCIA PELO VALOR DA CAUSA. PROVEITO
ECONÔMICO. 1 - A redução do negócio jurídico,
com exclusão de cláusula considerada abusiva
(art. 51 do Código de Defesa do Consumidor e
art. 184 do Código Civil), não autoriza
atribuir à causa o valor do contrato na sua
totalidade. 2 - Nos processos com pedido de
condenação em pagamento de quantia certa, o
valor da causa corresponde ao valor do pedido,
pois este é o proveito econômico extraído da
lide, ainda que se postule a declaração de
nulidade de cláusula. 3 - O julgamento da
causa madura em segundo grau (art. 515, § 3º
do CPC) não é admissível se o réu não foi
citado. 4 - Recurso provido para anular a
sentença que reconhece a incompetência do
Juízo e determinar o processamento do feito.

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(20070111389414ACJ, Relator AISTON HENRIQUE DE


SOUSA, SEGUNDA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS
ESPECIAIS CÍVEIS E CRIMINAIS DO DF, julgado em
09/09/2008, DJ 28/10/2008, p. 159).

Esse entendimento está perfeitamente de acordo com


o Enunciado 39 do FONAJE (Fórum Nacional dos Juizados Especiais),
que diz “Em observância ao art. 2º da Lei 9.099/1995, o valor da
causa corresponderá à pretensão econômica objeto do pedido”.

V – DO DANO MORAL

Com a adoção da Teoria Objetiva, o risco é do


fornecedor do produto ou serviço, bastando ao consumidor provar a
existência do dano e a relação de causalidade, não se discutindo,
pois, a culpa ou o dolo daquele que tem o dever de indenizar. Sendo
assim, verifica-se que não é mais o consumidor quem arca com os
riscos do negócio.

Nesse sentido, o Requerente por meses arcou com os


custos de comissão de corretagem das Requeridas, diminuindo seu
poder de compra, de honrar seus compromissos, causando descompasso e
transtornos em seu dia-a-dia. Contudo, in casu, a falha reiterada
das Requeridas, causou frustração a legítima expectativa do autor,
bem como transtornos que ultrapassam o mero aborrecimentos,
inclusive por se mostrar excessivamente onerosa ao consumidor,
ameaçando inclusive o equilíbrio contratual, e por conseguinte
ofendendo os princípios fundamentais do CDC, devendo a mesma ser
presumidamente considerada como exagerada, e consequentemente
abusiva, nos termos do art. 51, 1º, I, II, III, todos do CDC.

Configurado o dano moral, com seus aspectos


preventivo e pedagógico, e demonstrado os pressupostos de ação ou
omissão do agente, ocorrência de dano, culpa e nexo de causalidade,
sendo o dano moral causado ao Requerente como uma dor, vexame,
sofrimento e humilhação que, fugindo à normalidade, interferiu

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intensamente no seu comportamento psicológico, causando-lhe


sofrimento, angústia e desequilibro em seu bem-estar e a sua
integridade psíquica, portanto, deve existir um dano a se reparar.

No mesmo sentido explica Antonio Jeová Santos:

(...) o dano moral também acarreta um


prejuízo. Porém, é valorado sob ótica não
pecuniária, porque o dano moral resulta da
lesão de um interesse espiritual que está
relacionado com a intangibilidade da pessoa
humana.

O que configura o dano moral é aquela alteração no


bem-estar psicofísico do indivíduo. Se do ato de outra pessoa
resultar alteração desfavorável, aquela dor profunda que causa
modificações no estado anímico, aí está o início da busca do dano
moral. (2003, p. 94/95).

VI – DA JURISPRUDÊNCIA

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VII. DO PEDIDO

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Em face a todo exposto, requer:

a) procedência da presente ação.

b) inversão do ônus da prova, nos termos do art. 6º, VIII, do CDC;

c) citação das empresas Requeridas para comparecerem à audiência de


conciliação e de instrução e julgamento, apresentando resposta, caso
queiram, sob pena de revelia;

d) ao final, quando da resolução do mérito, sejam as empresas


Requeridas condenadas solidariamente a restituir à parte autora a
quantia de R$ 20.327,28 (vinte mil trezentos e vinte e sete reais e
vinte e oito centavos), que corresponde ao dobro dos R$ 10.163,64
(dez mil cento e sessenta e três reais e sessenta e quatro
centavos), que lhes foram indevidamente pagos pelo consumidor a
título de Serviço de Intermediação Corretagem, Taxa de Contrato e
Comissão Imobiliária Parceira, devendo fazer-se incidir
oportunamente a correção monetária e os juros de mora, conforme
previsão legal;

e) subsidiariamente, caso não seja acatado o pedido acima no que


tange à condenação de restituição dos valores de forma dobrada,
requer sejam as empresas Requeridas condenadas à restituição simples
dos referidos valores;

f) a condenação das Requeridas por danos Morais no importe de R$


10.000,00 (dez mil reais), levando em consideração o aspecto
pedagógico das empresas e por não configurar este valor base para
enriquecimento ilícito do Requerente;

g) Pretende provar o alegado mediante prova documental,


testemunhal, e demais meios de prova em Direito admitidos, nos
termos do art. 369 do Novo Código de Processo Civil.

h) a condenação da Requerida ao pagamento das custas e dos


honorários advocatícios de sucumbência, estes últimos, no valor de
20% do valor da causa, em conformidade com o art. 85, § 2º do NCPC.

Rua Dr. Bernardino Ribeiro, 105 – Vila Ré - CEP 03658-080


São Paulo, SP – Fone: 11 3729-7071 / 11 94551-1178 16
Ievaldo Rodrigues de Oliveira Filho
Boanerges Sacramento de Jesus
Advogados

i) por fim, requer a condenação da Requerida em custas processuais


em caso de haver recurso por parte da mesma, nos termos da lei.

VIII – VALOR DA CAUSA

Exclusivamente para efeitos fiscais, atribui a presente causa o


valor de R$ 10.163,64 (dez mil cento e sessenta e três reais e
sessenta e quatro centavos)

Termos em que,

pede deferimento.

São Paulo, 26 de abril de 2016.

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BOANERGES SACRAMENTO DE JESUS

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