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Rafael de Paula

Perícia Aplicada à
Segurança do Trabalho
APRESENTAÇÃO

É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Perícia Aplicada à Se-
gurança do Trabalho, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado
dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar
aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina.
A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis-
ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.
Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br,
a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso,
bem como acesso a redes de informação e documentação.
Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple-
mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.
A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

Unisa Digital
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO................................................................................................................................................ 5
1 DEFINIÇÃO E CONCEITO................................................................................................................... 7
1.1 CPC – Auxiliares da Justiça e Provas Periciais.........................................................................................................8
1.2 CLT – Insalubridade e Periculosidade – Caracterização..................................................................................10
1.3 Lei nº 7.410 de 27/11/1985 – Art. 1º – Especialização de Engenheiros e Arquitetos...........................11
1.4 Lei nº 6.514, de 22 de Dezembro de 1977............................................................................................................11
1.5 Portaria nº 3.214, de 08 de Junho de 1978 – Normas Regulamentadoras..............................................13
1.6 NR-15 Atividades e Operações Insalubres...........................................................................................................14
1.7 Adicional de Insalubridade – Percentuais............................................................................................................15
1.8 NR-16 Atividades e Operações Perigosas ............................................................................................................16
1.9 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................16
1.10 Atividades Propostas.................................................................................................................................................17

2 PERITO.......................................................................................................................................................... 19
2.1 Habilitação Profissional...............................................................................................................................................19
2.2 Agendamento da Perícia – Modelo........................................................................................................................20
2.3 Poderes do Perito e Assistentes Técnicos.............................................................................................................20
2.4 Honorários Periciais......................................................................................................................................................21
2.5 Honorários Periciais – Modelo de Justificativa...................................................................................................21
2.6 Quesitos............................................................................................................................................................................22
2.7 Exemplos de Quesitos para Insalubridade..........................................................................................................22
2.8 Exemplo de Quesitos – Periculosidade Inflamáveis.........................................................................................24
2.9 Modelo de Laudo Pericial...........................................................................................................................................24
2.10 Resumo do Capítulo..................................................................................................................................................37
2.11 Atividades Propostas.................................................................................................................................................37

RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS...................................... 39


REFERÊNCIAS.............................................................................................................................................. 41
INTRODUÇÃO

Diversas são as definições de uma perícia. Podemos tratá-la como o meio ou a prova de se mostrar a
verdade de um fato. Comumente, nas contendas judiciais, onde uma das Partes alega verdades sobre um
fato e a outra Parte alega verdades (diferentes da primeira Parte) para o mesmo fato, pode o Juiz nomear
um especialista no assunto em pauta, que lhe trará uma luz a fim de elucidar a questão.
Esse especialista, nessa ocasião, recebe o título de Perito do Juiz (ou perito judicial). A ele compete
produzir uma prova pericial, ferramenta esta muito utilizada para elucidar as questões de matéria técnica
que fogem ao conhecimento do Douto Juiz. Portanto, ao perito compete, usando de todas as prerroga-
tivas legais, a investigação dos fatos e a elaboração de um parecer técnico, endereçado ao Juiz, com suas
conclusões sobre a questão pertinente ao caso.
As partes também podem eleger seus peritos, conhecidos nessa ocasião como assistentes técnicos,
que acompanharão o perito judicial na investigação dos fatos e cada qual também emitirá um parecer
concordante ou não com o parecer do perito judicial. Nesta apostila, não pretendemos esgotar o assun-
to nem discorrer sobre todos os tipos de perícia, mas tão somente aquelas perícias de engenharia que
tratam das questões referentes à INSALUBRIDADE e PERICULOSIDADE, conforme parâmetros da Lei nº
6.514/1977 do Ministério do Trabalho e Emprego, suas Normas Regulamentadoras e seus Anexos.

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1 DEFINIÇÃO E CONCEITO

Do novo dicionário (eletrônico) Aurélio, em Compareceram ao congresso alguns


sua quarta edição, extraímos que: historiadores peritos em egiptologia.
3. Hábil, destro, fino, sagaz:
PERÍCIA: [Do lat. peritia.]: Substantivo femi- O comerciante escolheu um advogado
nino. perito em direito trabalhista.
Substantivo masculino.
1. Qualidade de perito. 4. Aquele que é sabedor ou especialista
2. Habilidade, destreza. em determinado assunto; experto:
3. Vistoria ou exame de caráter técnico e “Tratava-se de Mr. Brown, o mais céle-
especializado (v. peritagem). bre perito do British Museum em maté-
4. Conjunto de peritos (ou um só) que faz ria de porcelanas do Oriente”.
essa vistoria: 5. Aquele que se acha habilitado para fa-
zer perícia (3).
A perícia está fazendo investigações
sobre o crime. 6. Aquele que é nomeado judicialmente
5. Conhecimento, ciência. para exame ou vistoria.

Atenção
Dicionário

Etimologicamente, ela vem do latim PERITIA e sig- Portanto, perícia é um instrumento que refletirá
nifica: “destreza, habilidade, capacidade de conhe- uma opinião conclusiva de um experto (perito)
cer.” expressada (escrita, transcrita) em um relatório,
obedecendo a padrões formais; relatório este
Fonte: http://origemdapalavra.com.br/?s=peritia conhecido como Laudo Pericial.

Esta apostila contém o resultado pormeno-


rizado do trabalho de investigação do perito, com
PERITO: [Do lat. peritu.] Adjetivo.
fulcro nas melhores técnicas e práticas que o esta-
do da arte permitir, fundamentado na legislação
1. Experimentado, experiente, prático, vigente, sendo uma prova cabal ao Juiz para a de-
versátil: monstração conclusiva sobre o fato questionado
“Lavradeira perita, bordava a branco, a em juízo.
matiz e a ouro”;
É pessoa perita em radiotelegrafia.
2. Sábio, douto, erudito, sabedor:

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1.1 CPC – Auxiliares da Justiça e Provas Periciais

Nosso Código de Processo Civil (CPC) nos a alegá-la (art. 423). (Redação dada pela Lei
traz, em dois capítulos, os seguintes itens referen- nº 8.455, de 1992)
tes à perícia:

Art. 147. O perito que, por dolo ou culpa, prestar in-


Capítulo V do Título IV – Dos Auxiliares da formações inverídicas, responderá pelos prejuízos
Justiça – artigo 139 e artigo 145 ao 147 que causar à parte, ficará inabilitado, por 2 (dois)
anos, a funcionar em outras perícias e incorrerá na
sanção que a lei penal estabelecer.
Art. 139. São auxiliares do juízo, além de
outros, cujas atribuições são determinadas
pelas normas de organização judiciária, o
escrivão, o oficial de justiça, o perito, o de- Capítulo VI do Título VIII – Das Provas – Seção
positário, o administrador e o intérprete. VII – Da Prova Pericial – do artigo 420 ao 439

Art. 145. Quando a prova do fato depender


de conhecimento técnico ou científico, o Seção VII
juiz será assistido por perito, segundo o dis- Da Prova Pericial
posto no art. 421. Art. 420. A prova pericial consiste em exa-
§ 1º Os peritos serão escolhidos entre pro- me, vistoria ou avaliação.
fissionais de nível universitário, devidamen- Parágrafo único. O juiz indeferirá a perícia
te inscritos no órgão de classe competente, quando:
respeitado o disposto no Capítulo Vl, seção I- a prova do fato não depender do conheci-
Vll, deste Código. (Incluído pela Lei nº 7.270, mento especial de técnico;
de 1984)
II - for desnecessária em vista de outras pro-
§ 2º Os peritos comprovarão sua especiali- vas produzidas;
dade na matéria sobre que deverão opinar,
III - a verificação for impraticável.
mediante certidão do órgão profissional em
que estiverem inscritos. (Incluído pela Lei nº Art. 421. O juiz nomeará o perito, fixando de
7.270, de 1984) imediato o prazo para a entrega do laudo.
(Redação dada pela Lei nº 8.455, de 1992)
§ 3º Nas localidades onde não houver pro-
fissionais qualificados que preencham os § 1º Incumbe às partes, dentro em 5 (cinco)
requisitos dos parágrafos anteriores, a in- dias, contados da intimação do despacho
dicação dos peritos será de livre escolha do de nomeação do perito:
juiz. (Incluído pela Lei nº 7.270, de 1984) I - indicar o assistente técnico;
Art. 146. O perito tem o dever de cumprir o II - apresentar quesitos.
ofício, no prazo que Ihe assina a lei, empre- § 2º Quando a natureza do fato o permitir,
gando toda a sua diligência; pode, todavia, a perícia poderá consistir apenas na inquiri-
escusar-se do encargo alegando motivo le- ção pelo juiz do perito e dos assistentes, por
gítimo. ocasião da audiência de instrução e julga-
Parágrafo único. A escusa será apresentada mento a respeito das coisas que houverem
dentro de 5 (cinco) dias, contados da inti- informalmente examinado ou avaliado. (Re-
mação ou do impedimento superveniente, dação dada pela Lei nº 8.455, de 1992)
sob pena de se reputar renunciado o direito

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Art. 422. O perito cumprirá escrupulosa- de perito e indicação de assistentes técni-


mente o encargo que Ihe foi cometido, inde- cos no juízo, ao qual se requisitar a perícia.
pendentemente de termo de compromisso. Art. 429. Para o desempenho de sua função,
Os assistentes técnicos são de confiança da podem o perito e os assistentes técnicos
parte, não sujeitos a impedimento ou sus- utilizar-se de todos os meios necessários,
peição.(Redação dada pela Lei nº 8.455, de ouvindo testemunhas, obtendo informa-
1992) ções, solicitando documentos que estejam
Art. 423. O perito pode escusar-se (art. 146), em poder de parte ou em repartições públi-
ou ser recusado por impedimento ou sus- cas, bem como instruir o laudo com plantas,
peição (art. 138, III); ao aceitar a escusa ou desenhos, fotografias e outras quaisquer
julgar procedente a impugnação, o juiz no- peças.
meará novo perito. (Redação dada pela Lei Art. 430. Parágrafo único. .(Revogado pela
nº 8.455, de 1992) Lei nº 8.455, de 1992)
Art. 424. O perito pode ser substituído Art. 431. (Revogado pela Lei nº 8.455, de
quando: (Redação dada pela Lei nº 8.455, 1992)
de 1992) Art. 431-A. As partes terão ciência da data e
I - carecer de conhecimento técnico ou local designados pelo juiz ou indicados pelo
científico; perito para ter início a produção da prova.
II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o (Incluído pela Lei nº 10.358, de 2001)
encargo no prazo que Ihe foi assinado. (Re- Art. 431-B. Tratando-se de perícia complexa,
dação dada pela Lei nº 8.455, de 1992) que abranja mais de uma área de conheci-
Parágrafo único. No caso previsto no inciso mento especializado, o juiz poderá nomear
II, o juiz comunicará a ocorrência à corpo- mais de um perito e a parte indicar mais de
ração profissional respectiva, podendo, ain- um assistente técnico. (Incluído pela Lei nº
da, impor multa ao perito, fixada tendo em 10.358, de 2001)
vista o valor da causa e o possível prejuízo Art. 432. Se o perito, por motivo justificado,
decorrente do atraso no processo. (Redação não puder apresentar o laudo dentro do
dada pela Lei nº 8.455, de 1992) prazo, o juiz conceder-lhe-á, por uma vez,
Art. 425. Poderão as partes apresentar, du- prorrogação, segundo o seu prudente arbí-
rante a diligência, quesitos suplementares. trio.
Da juntada dos quesitos aos autos dará o Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº
escrivão ciência à parte contrária. 8.455, de 1992)
Art. 426. Compete ao juiz: Art. 433. O perito apresentará o laudo em
I - indeferir quesitos impertinentes; cartório, no prazo fixado pelo juiz, pelo me-
II - formular os que entender necessários ao nos 20 (vinte) dias antes da audiência de
esclarecimento da causa. instrução e julgamento (Redação dada pela
Art. 427. O juiz poderá dispensar prova peri- Lei nº 8.455, de 1992)
cial quando as partes, na inicial e na contes- Parágrafo único. Os assistentes técnicos ofe-
tação, apresentarem sobre as questões de recerão seus pareceres no prazo comum de
fato pareceres técnicos ou documentos elu- 10 (dez) dias, após intimadas as partes da
cidativos que considerar suficientes.  (Reda- apresentação do laudo.(Redação dada pela
ção dada pela Lei nº 8.455, de 1992) Lei nº 10.358, de 2001)
Art. 428. Quando a prova tiver de realizar-se Art. 434. Quando o exame tiver por obje-
por carta, poderá proceder-se à nomeação to a autenticidade ou a falsidade de docu-
mento, ou for de natureza médico-legal, o

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perito será escolhido, de preferência, entre Art. 436. O juiz não está adstrito ao laudo
os técnicos dos estabelecimentos oficiais pericial, podendo formar a sua convicção
especializados. O juiz autorizará a remessa com outros elementos ou fatos provados
dos autos, bem como do material sujeito a nos autos.
exame, ao diretor do estabelecimento. (Re- Art. 437. O juiz poderá determinar, de ofício
dação dada pela Lei nº 8.952, de 1994) ou a requerimento da parte, a realização de
Parágrafo único. Quando o exame tiver nova perícia, quando a matéria não Ihe pa-
por objeto a autenticidade da letra e firma, recer suficientemente esclarecida.
o perito poderá requisitar, para efeito de Art. 438. A segunda perícia tem por objeto
comparação, documentos existentes em os mesmos fatos sobre que recaiu a primei-
repartições públicas; na falta destes, pode- ra e destina-se a corrigir eventual omissão
rá requerer ao juiz que a pessoa, a quem se ou inexatidão dos resultados a que esta
atribuir a autoria do documento, lance em conduziu.
folha de papel, por cópia, ou sob ditado, di- Art. 439. A segunda perícia rege-se pelas
zeres diferentes, para fins de comparação. disposições estabelecidas para a primeira.
Art. 435. A parte, que desejar esclarecimen- Parágrafo único. A segunda perícia não
to do perito e do assistente técnico, reque- substitui a primeira, cabendo ao juiz apre-
rerá ao juiz que mande intimá-lo a compa- ciar livremente o valor de uma e outra.
recer à audiência, formulando desde logo
as perguntas, sob forma de quesitos.
Parágrafo único. O perito e o assistente téc-
nico só estarão obrigados a prestar os es-
clarecimentos a que se refere este artigo,
quando intimados 5 (cinco) dias antes da
audiência.

1.2 CLT – Insalubridade e Periculosidade – Caracterização

Art. 195: A caracterização e a classificação § 1º - É facultado às empresas e aos sindica-


da insalubridade e da periculosidade, se- tos das categorias profissionais interessadas
gundo as normas do Ministério do Trabalho, requererem ao Ministério do Trabalho a rea-
far-se-ão através de perícia a cargo de Médi- lização de perícia em estabelecimento ou
co do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, setor deste, com o objetivo de caracterizar
registrados no Ministério do Trabalho. e classificar ou delimitar as atividades insa-
lubres ou perigosas.
§ 2º - Arguida em juízo insalubridade ou pe-
Atenção riculosidade, seja por empregado, seja por
Sindicato em favor de grupo de associados,
Apesar das perícias serem feitas por médicos
do trabalho e engenheiros de segurança do
o juiz designará perito habilitado na forma
trabalho, o conhecimento sobre o processo de deste artigo, e, onde não houver, requisitará
perícia é importante para todos, com o objeti- perícia ao órgão competente do Ministério
vo de preparar os profissionais para receberem do Trabalho.
peritos em suas empresas.
§ 3º - O disposto nos parágrafos anteriores
não prejudica a ação fiscalizadora do Minis-

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tério do Trabalho, nem a realização ex officio


da perícia.

Nota: O Engenheiro não tem mais seu re-


gistro profissional expedido pelo Ministério do
Trabalho, mas sim pelo órgão da classe, o Conse-
lho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA).

1.3 Lei nº 7.410 de 27/11/1985 – Art. 1º – Especialização de Engenheiros e Arquitetos

Dispõe sobre a Especialização de Engenhei- II - Ao portador de certificado de curso de


ros e Arquitetos em Engenharia de Segu- especialização em Engenharia de Seguran-
rança do Trabalho, a Profissão de Técnico de ça do Trabalho, realizado em caráter priori-
Segurança do Trabalho, e dá outras Provi- tário, pelo Ministério do Trabalho;
dências. III - Ao possuidor de registro de Engenharia
de Segurança do Trabalho, expedido pelo
Art. 1º - O exercício da especialização de Ministério do Trabalho, até a data fixada na
Engenheiro de Segurança do Trabalho será regulamentação desta lei.
permitido exclusivamente: Parágrafo único: O curso previsto no inciso
I - Ao Engenheiro ou Arquiteto, portador de I deste artigo terá o currículo fixado pelo
certificado de conclusão de curso de espe- Conselho Federal de Educação, por propos-
cialização em Engenharia de Segurança do ta do Ministério do Trabalho, e seu funcio-
Trabalho, a ser ministrado no País, em nível namento determinará a extinção dos cursos
de pós-graduação; de que trata o inciso II, na forma da regula-
mentação a ser expedida.

1.4 Lei nº 6.514, de 22 de Dezembro de 1977

Altera o Capítulo V do Título II da Consolida- nocivos à saúde, acima dos limites de to-
ção das Leis do Trabalho, relativo à Segurança e lerância fixados em razão da natureza e da
Medicina do Trabalho. intensidade do agente e do tempo de expo-
sição aos seus efeitos.
Capítulo V – da Segurança e da Medicina Art. 190: O Ministério do Trabalho aprovará
do Trabalho – Seção XIII – das Atividades o quadro das atividades e operações insalu-
Insalubres ou Perigosas bres e adotará normas sobre os critérios de
caracterização da insalubridade, os limites
de tolerância aos agentes agressivos, meios
Art. 189: Serão consideradas atividades ou
de proteção e o tempo máximo de exposi-
operações insalubres aquelas que, por sua
ção do empregado a esses agentes.
natureza, condições ou métodos de traba-
lho, exponham os empregados a agentes Parágrafo Único: As normas referidas neste
artigo incluirão medidas de proteção do or-

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ganismo do trabalhador nas operações que de ou integridade física, nos termos dessa
produzem aerodispersóides tóxicos, irritan- Seção e das normas expedidas pelo Minis-
tes, alergênicos ou incômodos. tério do Trabalho.
Art. 191: A eliminação ou a neutralização Art. 195: A caracterização e a classificação
da insalubridade ocorrerá: da insalubridade e da periculosidade, se-
I. com a adoção de medidas que conservem gundo as normas do Ministério do Trabalho,
o ambiente de trabalho dentro dos limites far-se-ão através de perícia a cargo de Médi-
de tolerância; co do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho,
II. com a utilização de equipamentos de registrados no Ministério do Trabalho.
proteção individual ao trabalhador que di- § 1º É facultado às empresas e aos sindica-
minuam a intensidade do agente agressivo tos das categorias profissionais interessadas
a limites de tolerância. requererem ao Ministério do Trabalho a rea-
Parágrafo Único: Caberá às Delegacias Re- lização de perícia em estabelecimento ou
gionais do Trabalho, comprovada a insalu- setor deste, com o objetivo de caracterizar
bridade, notificar as empresas, estipulando e classificar ou delimitar as atividades insa-
prazos para sua eliminação ou neutraliza- lubres ou perigosas.
ção, na forma deste artigo. § 2º Argüida em juízo insalubridade ou pe-
Art. 192: O exercício de trabalho em con- riculosidade, seja por empregado, seja por
dições insalubres, acima dos limites de to- Sindicato em favor de grupo de associados,
lerância estabelecidos pelo Ministério do o juiz designará perito habilitado na forma
Trabalho, assegura a percepção de adicio- deste artigo, e, onde não houver, requisitará
nal respectivamente de 40% (quarenta por perícia ao órgão competente do Ministério
cento), 20% (vinte por cento) e 10% (dez por do Trabalho.
cento) do salário mínimo da região, segun- § 3º O disposto nos parágrafos anteriores
do se classifiquem nos graus máximos, mé- não prejudica a ação fiscalizadora do Minis-
dio e mínimo. tério do Trabalho, nem a realização ex offi-
Art. 193: São consideradas atividades ou cio da perícia.
operações perigosas, na forma da regu- Art. 196: Os efeitos pecuniários decorrentes
lamentação aprovada pelo Ministério do do trabalho em condições de insalubridade
Trabalho, aquelas que, por sua natureza ou ou periculosidade serão devidos a contar
métodos de trabalho, impliquem o contato da data da inclusão da respectiva atividade
permanente com inflamáveis ou explosivos nos quadros aprovados pelo Ministério do
em condições de risco acentuado. Trabalho, respeitadas as normas do artigo
§ 1º O trabalho em condições de periculo- 11.
sidade assegura ao empregado um adicio-
nal de 30% (trinta por cento) sobre o salário
sem os acréscimos resultantes de gratifica- Art. 11: O direito de ação quanto a créditos resul-
ções, prêmios ou participações nos lucros tantes das relações de trabalho prescreve:
da empresa. I- em cinco anos para o trabalhador urbano, até o
limite de dois anos após a extinção do contrato;
§ 2º O empregado poderá optar pelo adi- II- em dois anos, após a extinção do contrato de
cional de insalubridade que porventura lhe trabalho, para o trabalhador rural;
seja devido. § 1º o disposto neste artigo não se aplica às ações
que tenham por objeto anotações para fins de
Art. 194: O direito do empregado ao adicio- prova junto à Previdência Social.
nal de insalubridade ou de periculosidade
cessará com a eliminação do risco à sua saú-

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1.5 Portaria nº 3.214, de 08 de Junho de 1978 – Normas Regulamentadoras

Aprova as Normas Regulamentadoras - NR Norma Regulamentadora nº 25 – Resí-


- do Capítulo V do Título II, da Consolidação das duos Industriais.
Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina Norma Regulamentadora nº 24 – Condi-
do Trabalho. ções Sanitárias e de Conforto nos Locais de Tra-
balho.
Normas Regulamentadoras Norma Regulamentadora nº 23 – Prote-
ção Contra Incêndios.
Norma Regulamentadora nº 35 – Trabalho Norma Regulamentadora nº 22 – Segu-
em Altura. rança e Saúde Ocupacional na Mineração.
Norma Regulamentadora nº 34 – Condi- Norma Regulamentadora nº 21 – Trabalho
ções e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria a Céu Aberto.
da Construção e Reparação Naval. Norma Regulamentadora nº 20 – Segu-
Norma Regulamentadora nº 33 – Segu- rança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e
rança e Saúde no Trabalho em Espaços Confina- Combustíveis.
dos. Norma Regulamentadora nº 19 – Explosi-
Norma Regulamentadora nº 32 – Segu- vos.
rança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos Norma Regulamentadora nº 18 – Condi-
de Saúde. ções e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria
Norma Regulamentadora nº 31 – Norma da Construção.
Regulamentadora de Segurança e Saúde no Tra- Norma Regulamentadora nº 17 – Ergono-
balho na Agricultura, Pecuária Silvicultura, Explo- mia:
ração Florestal e Aquicultura. ƒƒ Norma Regulamentadora nº 17 – Anexo
Norma Regulamentadora nº 30 – Norma I – Trabalho dos Operadores de Chec-
Regulamentadora de Segurança e Saúde no Tra- kouts.
balho Aquaviário: ƒƒ Norma Regulamentadora nº 17 – Anexo
ƒƒ Norma Regulamentadora nº 30 – Anexo II – Trabalho em Teleatendimento/Tele-
I – Pesca Comercial e Industrial. marketing.
ƒƒ Norma Regulamentadora nº 30 – Anexo Norma Regulamentadora nº 16 – Ativida-
II – Plataformas e Instalações de Apoio. des e Operações Perigosas.
Norma Regulamentadora nº 29 – Norma Norma Regulamentadora nº 15 – Ativida-
Regulamentadora de Segurança e Saúde no Tra- des e Operações Insalubres.
balho Portuário. Norma Regulamentadora nº 14 – Fornos.
Norma Regulamentadora nº 28 – Fiscali- Norma Regulamentadora nº 13 – Caldei-
zação e Penalidades. ras e Vasos de Pressão.
Norma Regulamentadora nº 27 – Revoga- Norma Regulamentadora nº 12 –- Segu-
da pela Portaria GM nº 262, 29/05/2008, Registro rança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos.
Profissional do Técnico de Segurança do Trabalho Norma Regulamentadora nº 11 – Trans-
no MTB. porte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio
Norma Regulamentadora nº 26 – Sinaliza- de Materiais:
ção de Segurança.

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ƒƒ Norma Regulamentadora nº 11 – Ane- Norma Regulamentadora nº 06 – Equipa-


xo I – Regulamento Técnico de Proce- mentos de Proteção Individual (EPI).
dimentos para Movimentação, Arma- Norma Regulamentadora nº 05 – Comis-
zenagem e Manuseio de Chapas de são Interna de Prevenção de Acidentes.
Mármore, Granito e outras Rochas. Norma Regulamentadora nº 04 – Serviços
Norma Regulamentadora nº 10 – Segu- Especializados em Eng. de Segurança e em Medi-
rança em Instalações e Serviços em Eletricidade. cina do Trabalho.
Norma Regulamentadora nº 09 – Progra- Norma Regulamentadora nº 03 – Embar-
mas de Prevenção de Riscos Ambientais. go ou Interdição.
Norma Regulamentadora nº 08 – Edifica- Norma Regulamentadora nº 02 – Inspe-
ções. ção Prévia.
Norma Regulamentadora nº 07 – Progra- Norma Regulamentadora nº 01 – Disposi-
mas de Controle Médico de Saúde Ocupacional: ções Gerais.
ƒƒ Norma Regulamentadora nº 07 – Des-
pacho SSST (Nota Técnica).

1.6 NR-15 Atividades e Operações Insalubres

15.1 São consideradas atividades ou opera- 15.2.1 40% (quarenta por cento), para insa-
ções insalubres as que se desenvolvem: lubridade de grau máximo;
15.1.1 Acima dos limites de tolerância pre- 15.2.2 20% (vinte por cento), para insalubri-
vistos nos anexos n.ºs 1, 2, 3, 5, 11 e 12; dade de grau médio;
15.1.2 (Revogado pela Portaria n.º 3.751, de 15.2.3 10% (dez por cento), para insalubri-
23-11-1990). dade de grau mínimo;
15.1.3 Nas atividades mencionadas nos 15.3 No caso de incidência de mais de um
anexos n.ºs 6,13 e 14; fator de insalubridade, será apenas conside-
15.1.4 Comprovadas através de laudo de rado o de grau mais elevado, para efeito de
inspeção do local de trabalho, constantes acréscimo salarial, sendo vedada a percep-
dos anexos n.ºs 7, 8, 9 e 10; ção cumulativa.
15.1.5 Entende-se por Limite de Tolerância, 15.4 A eliminação ou neutralização da insa-
para os fins desta Norma, a concentração ou lubridade determinará a cessação do paga-
intensidade máxima ou mínima, relaciona- mento do adicional respectivo.
da com a natureza e o tempo de exposição 15.4.1 A eliminação ou neutralização da in-
ao agente, que não causará dano à saúde salubridade deverá ocorrer:
do trabalhador, durante a sua vida laboral. a) com a adoção de medida de ordem ge-
15.2 O exercício de trabalho em condições ral que conserve o ambiente de traba-
de insalubridade, de acordo com os subi- lho dentro dos limites de tolerância;
tens do item anterior, assegura ao trabalha- b) com a utilização de equipamento de
dor a percepção de adicional, incidente so- proteção individual.
bre o salário mínimo da região, equivalente 15.4.1.1 Cabe a autoridade regional com-
a: petente em matéria de segurança e saúde
do trabalhador, comprovada a insalubri-

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dade por laudo técnico de engenheiro de 15.5 É facultado às empresas e aos sindica-
segurança do trabalho ou médico do traba- tos das categorias profissionais interessa-
lho, devidamente habilitado, fixar adicional das requererem ao Ministério do Trabalho,
devido aos empregados expostos à insalu- através das DRT’s, a realização de perícia em
bridade quando impraticável sua elimina- estabelecimento ou setor deste, com o ob-
ção ou neutralização. (Redação dada pela jetivo de caracterizar e classificar ou deter-
Portaria nº 3, de 1/7/1992). minar atividade insalubre.
15.5.1 Nas perícias requeridas às Delegacias
Atenção Regionais do Trabalho, desde que compro-
vada a insalubridade, o perito do Ministério
15.4.1.2 A eliminação ou neutralização da do Trabalho indicará o adicional devido.
insalubridade ficará caracterizada através de
avaliação pericial por órgão competente, que
15.6 O perito descreverá no laudo a técnica
comprove a inexistência de risco à saúde do e a aparelhagem utilizadas.
trabalhador. 15.7 O disposto no item 15.5 não prejudica
a ação fiscalizadora do MTb, nem a realiza-
ção exofficio da perícia, quando solicitado
pela Justiça, nas localidades onde não hou-
ver perito.

1.7 Adicional de Insalubridade – Percentuais

O Quadro 1 apresenta atividades que pos-


suem um adicional de insalubridade conforme
NR-15:

Quadro 1 – Adicional de insalubridade em seus percentuais.

Fonte: www.mte.gov.br

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1.8 NR-16 Atividades e Operações Perigosas

16.1 São consideradas atividades e opera- a) Degradação química ou autocatalítica;


ções perigosas as constantes dos Anexos b) Ação de agentes exteriores, tais como
números 1 e 2 desta Norma Regulamenta- calor, umidade, faíscas, fogo, fenôme-
dora (NR). nos sísmicos, choque e atritos.
16.2 O exercício de trabalho em condições 16.6 As operações de transporte de infla-
de periculosidade assegura ao trabalhador máveis líquidos ou gasosos liquefeitos, em
a percepção de adicional de 30% (trinta quaisquer vasilhames e a granel, são consi-
por cento), incidente sobre o salário, sem deradas em condições de periculosidade,
os acréscimos resultantes de gratificações, com exclusão para o transporte em peque-
prêmios ou participação nos lucros da em- nas quantidades, até o limite de 200 (duzen-
presa. tos) litros para os inflamáveis líquidos e 135
16.2.1 O empregado poderá optar pelo adi- (cento e trinta e cinco) quilos para os infla-
cional de insalubridade que porventura lhe máveis gasosos liquefeitos.
seja devido. 16.6.1 As quantidades de inflamáveis, con-
16.3 É facultado às empresas e aos sindica- tidas nos tanques de consumo próprio dos
tos das categorias profissionais interessadas veículos não serão consideradas para efeito
requererem ao Ministério do Trabalho, atra- desta Norma.
vés das Delegacias Regionais do Trabalho, 16.7 Para efeito desta Norma Regulamenta-
a realização de perícia em estabelecimento dora (NR) considera-se líquido combustível
ou setor da empresa, com o objetivo de ca- todo aquele que possua ponto de fulgor
racterizar e classificar ou delimitar atividade igual ou superior a 70ºC (setenta graus cen-
perigosa. tígrados) e inferior a 93,3ºC (noventa e três
16.4 O disposto no item 16.3 não prejudica graus e três décimos de graus centígrados).
a ação fiscalizadora do Ministério do Traba- 16.8 Todas as áreas de risco previstas nesta
lho, nem a realização ex officio da perícia. NR devem ser delimitadas, sob responsabi-
16.5 Para os fins desta Norma Regulamen- lidade do empregador. Redação dada pela
tadora (NR) são consideradas atividades ou Portaria nº 25, de 29.12.1994.
operações perigosas as executadas com ex-
plosivos sujeitos a:

1.9 Resumo do Capítulo

Estudamos, neste capítulo, que há diversas definições de perícia. Porém, para resumir, podemos
tratá-la como o meio ou a prova de se mostrar a verdade de um fato.
Vimos que o perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá pelos pre-
juízos que causar à parte e que ficará inabilitado, por dois anos, a funcionar em outras perícias e incorrerá
na sanção que a lei penal estabelecer.
Estudamos, ainda, que a caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade, se-
gundo as normas do Ministério do Trabalho, far-se-ão através de perícia a cargo de Médico do Trabalho

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ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho, mas que, apesar disso, o conhecimen-
to sobre o processo de perícia é importante para todos, com o objetivo de preparar os profissionais para
receberem peritos em suas empresas.
Por fim, estudamos que atividades ou operações insalubres são aquelas que, por sua natureza,
condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos
limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição
aos seus efeitos.

1.10 Atividades Propostas

1. O que pode ocorrer com o perito se ele prestar informações inverídicas por ocasião de suas
perícias?

2. Quais são os profissionais que podem realizar perícias de insalubridade e periculosidade?

3. O que são consideradas atividades ou operações insalubres?

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2 PERITO

Neste capítulo, iremos discorrer mais sobre Esse profissional assume o encargo judicial
as atividades de um perito, como estar habilita- de realizar a inspeção (vistoria técnica), que exige
do e alguns modelos de perícia. Apresentaremos, os seus conhecimentos especiais sobre a matéria
também, um modelo de honorários. Vamos ao questão da dúvida, consubstanciando suas con-
estudo! clusões no laudo pericial.

Atenção

Perito é o profissional legalmente habilitado


que realizará a perícia, mediante nomeação
pelo Juiz.

2.1 Habilitação Profissional

As perícias de insalubridade e periculosi- ƒƒ Engenheiros de Segurança do Trabalho;


dade são regulamentadas pelo art. 195 da CLT. A ƒƒ Médicos do Trabalho.
saber:

Art. 195 - A caracterização e a classificação


da insalubridade e da periculosidade, se-
gundo as normas do Ministério do Trabalho,
far-se-ão através de perícia a cargo de Médi-
co do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho,
registrados no Ministério do Trabalho. (Re-
dação dada pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977)

Esse artigo deixa bem claro sobre quais são


os profissionais habilitados para a realização de
perícias referentes à insalubridade e periculosida-
de, sendo estes tão somente os:

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2.2 Agendamento da Perícia – Modelo

Iremos apresentar neste subitem um mode- instrução da perícia técnica relativa ao pro-
lo de agendamento de perícia, conforme a Lei nº cesso supracitado, comunicamos que nos-
10.358, de 27 de dezembro de 2001. sos trabalhos se realizarão em nn/nn/nnnn
Em conformidade com o artigo 431-A, do às nnhnnmin, no(s) local(is) laborado(s)
Código de Processo Civil, introduzido pela Lei nº pelo(a) Reclamante, no endereço da Recla-
10.358, de 27/12/2001, cuja vigência iniciou-se mada, a saber:
em 28/03/2002, in verbis: “As partes terão ciência
da data e local designados pelo juiz ou indicados Rua Nonm no Nonono, nº XXX, Jd Nommm,
pelo perito para ter início à produção da prova”, Cidade - Estado
tem-se abaixo um modelo de termo de diligência. Caso haja divergência quanto ao endereço
do local de trabalho da(o) Reclamante, este
TERMO DE DILIGÊNCIA perito deverá ser informado com no míni-
1ª VARA DO TRABALHO DE JACAREI mo 72 horas de antecedência pelos meios
Processo nº 0000961-44.2011.5.15.0023 abaixo indicados.
Cidade, dia do mês, ano.
Reclamante: Fulano de Tal
Reclamada: Ciclano de Tal Atenciosamente,
Assinatura

Em conformidade com o artigo 431-A, do Ciclano de Tal


Código de Processo Civil, introduzido pela Eng. de Segurança do Trabalho/Médico do
Lei nº 10.358, de 27/12/2001, cuja vigência Trabalho
iniciou-se em 28/03/2002, in verbis: “As par- Perito Judicial
tes terão ciência da data e local designa- Contato: CEL.: (XX)XXXX.XXXX – e-mail: ci-
dos pelo juiz ou indicados pelo perito para clanodetal@peritojudicial.com
ter início a produção da prova”, para fim de

2.3 Poderes do Perito e Assistentes Técnicos

O art. 429 do CPC dá o poder necessário


tanto ao perito quanto aos assistentes técnicos Dicionário
para o bom desenvolvimento de seus trabalhos e
“Para o desempenho de sua função, podem o pe-
deve ser usado quando necessário. rito e os assistentes técnicos utilizar-se de todos
os meios necessários, ouvindo testemunhas, so-
licitando documentos que estejam em poder de
parte ou em repartições públicas, bem como ins-
truir o laudo com plantas, desenhos, fotografias e
outras quaisquer peças.” (CPC, art. 429).

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2.4 Honorários Periciais

Enunciado 236 do Tribunal Superior do Parágrafo único: O juiz poderá determinar


Trabalho (TST) que a parte responsável pelo pagamento
dos honorários do perito deposite em juí-
A responsabilidade pelo pagamento dos zo o valor correspondente a essa remune-
honorários periciais é da parte sucumbente ração. O numerário, recolhido em depósito
na pretensão relativa ao objeto da perícia. bancário à ordem do juízo e com correção
monetária, será entregue ao perito após a
apresentação do laudo, facultada a sua libe-
Art. 33 – Código de Processo Civil (CPC) ração parcial, quando necessária.

Cada parte pagará a remuneração do as- Art. 790 – B – CLT


sistente técnico que houver indicado; a do
perito será paga pela parte que houver re-
querido o exame, ou pelo autor, quando re- A responsabilidade pelo pagamento dos
querido por ambas as partes ou determina- honorários periciais é da parte sucumbente
do de ofício pelo juiz. na pretensão objeto da perícia, salvo se be-
neficiária de justiça gratuita.

2.5 Honorários Periciais – Modelo de Justificativa

Modelo de Justificativa de Honorários Peri- ƒƒ Elaboração de petições e/ou correspon-


ciais com base na tabela do Instituto Brasileiro de dências para informar as partes sobre a
Perícias de Engenharia (IBAPE) de São Paulo. realização das diligências;
ƒƒ Realização de diligências e exame de
Dos Honorários Periciais documentos;
ƒƒ Pesquisa e exame de livros e documen-
Os honorários periciais se justificam con- tos técnicos legais;
forme demonstração abaixo, seguindo as dire- ƒƒ Realização de cálculos, simulações e
trizes do “REGULAMENTO DE HONORÁRIOS análises de resultados;
PARA AVALIAÇÕES E PERÍCIAS DE ENGENHA- ƒƒ Elaboração e digitação do Laudo com
RIA”, aprovado na Assembleia Geral Ordinária de respostas aos quesitos das partes;
13/04/2010 do Instituto Brasileiro de Avaliações e ƒƒ Preparação de anexos e montagem do
Perícias de Engenharia de São Paulo. laudo;
O Trabalho se caracteriza por etapas distin- ƒƒ Revisão final;
tas: ƒƒ Entrega do Laudo.

ƒƒ Retirada e entrega dos autos;


A título de exemplo, para a execução con-
ƒƒ Leitura e interpretação do processo;
tando-se da retirada dos autos até entrega efeti-
ƒƒ Abertura de papéis de trabalho; va, não considerando a nova retirada dos au-

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tos para resposta a impugnações, elaboração e Total de horas: 20 horas


digitação das respostas a quesitos suplementares a) Valor Hora = R$ 210,00
e entrega dos autos e entrega das respostas, te- b) Número de Horas
mos a seguinte situação: c) Índice Conhecimentos Técnicos Especí-
ficos = 1,5
Análise dos autos: 3 horas d) Índice Experiência Superior a 10 anos =
Confecção das comunicações às partes e 1,5
demais atos processuais: 2 horas e) Índice de Trabalhos Fora do Domicílio =
Exames, diligências e outros procedimentos 1,2
não especificados: 10 horas Valor Total = A x B x C x D x E
Elaboração do Laudo: 5 horas Valor Total = R$ 210,00 x 20 x 1,5 x 1,5 x 1,2
Valor Total = R$ 11.340,00

2.6 Quesitos

Podem as Partes integrantes do processo sendo que no momento da vistoria técnica (perí-
apresentarem quesitos a serem respondidos pelo cia) o perito já tem conhecimento de tais ques-
perito judicial. Tais quesitos devem ser respondi- tionamentos que terá que responder no corpo de
dos pelo expert tecnicamente, interessando tão seu laudo pericial.
somente àqueles que versem sobre o objeto da Após a entrega do laudo efetuada pelo pe-
demanda (processo judicial), com base na investi- rito, as partes podem solicitar, também de forma
gação realizada por conta da perícia. expressa nos Autos, que o perito elucide questões
Tais quesitos são expressos no corpo dos que ficaram pendentes. Todos esses trâmites são
Autos (laudas do processo) através de petição autorizados pelo Juiz que está cuidando do caso.
elaborada pelos Patronos (advogados) das partes,

2.7 Exemplos de Quesitos para Insalubridade

ƒƒ Descreva o Senhor Perito, detalhada Norma Regulamentadora nº 15 e seus


e especificamente, o local de trabalho anexos, responda o Senhor Perito:
onde o Autor realizou suas tarefas en- •• Houve exposição do Autor a ruído
quanto empregado da Requerida. (Conforme Anexo I / NR-15) na rea-
ƒƒ Descreva o Senhor Perito detalhada- lização de suas tarefas, dentro do
mente no que consistiam as tarefas rea- local de trabalho descrito anterior-
lizadas pelo Autor enquanto emprega- mente?
do da Reclamada no local de trabalho •• Tal exposição ultrapassa os limites
descrito anteriormente. de tolerância estabelecidos para o
ƒƒ Em conformidade com a Lei nº agente ruído?
6.514/1977, Portaria nº 3.214/1978, •• Houve exposição do Autor a Calor
(Conforme Anexo 3/NR-15) na rea-

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lização de suas tarefas, dentro do •• O Autor realizava trabalhos ou ope-


local de trabalho descrito anterior- rações em contato permanente
mente? com pacientes em isolamento por
•• Tal exposição ultrapassa os limites doenças infectocontagiosas, bem
de tolerância estabelecidos para o como objetos de seu uso não pre-
agente Calor? viamente esterilizados?
•• Houve exposição do Autor a ruído •• O Autor realizava trabalhos ou ope-
(Conforme Anexo I/NR-15) na rea- rações em contato permanente
lização de suas tarefas, dentro do com carnes, glândulas, vísceras, san-
local de trabalho descrito anterior- gue, ossos, couros, pelos e dejeções
mente? de animais portadores de doenças
•• Tal exposição ultrapassa os limites infectocontagiosas (carbunculose,
de tolerância estabelecidos para o brucelose, tuberculose)?
agente ruído? •• O Autor realizava trabalhos ou ope-
•• Houve exposição do Autor a Radia- rações em contato permanente
ções Ionizantes (Conforme Anexo com esgotos (galerias e tanques)?
5/NR-15) na realização de suas ta- •• O Autor realizava trabalhos ou ope-
refas, dentro do local de trabalho rações em contato permanente
descrito anteriormente? com lixo urbano?
•• Tal exposição ultrapassa os limites •• O Autor realizava trabalhos ou ope-
de tolerância estabelecidos para o rações em contato permanente
agente Radiação Ionizante? com pacientes, animais ou com ma-
•• Houve exposição do Autor a Ra- terial infectocontagiante?
diações não Ionizantes (Conforme ƒƒ Informe o Senhor Perito se o reclaman-
Anexo 7/NR-15) na realização de te laborou em condições insalubres jus-
suas tarefas, dentro do local de tra- tificando a sua conclusão.
balho descrito anteriormente?
•• Tal exposição ultrapassa os limites
de tolerância estabelecidos para o
agente Radiações não Ionizantes?
•• Houve exposição do Autor a vibra-
ções (Conforme Anexo 8/NR-15) na
realização de suas tarefas, dentro
do local de trabalho descrito ante-
riormente?
•• Tal exposição ultrapassa os limites
de tolerância estabelecidos para o
agente Vibração?
•• Houve exposição da Autor a Agen-
tes Químicos (Conforme Anexo 11
e Anexo 13/NR-15) na realização de
suas tarefas, dentro do local de tra-
balho descrito anteriormente?
•• Tal exposição ultrapassa os limites
de tolerância estabelecidos para o
agente Químico?

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2.8 Exemplo de Quesitos – Periculosidade Inflamáveis

ƒƒ Descreva o Senhor Perito, detalhada ƒƒ Informe o Sr. Perito se existem líquidos


e especificamente, o local de trabalho inflamáveis no local de trabalho do re-
onde o Autor realizou suas tarefas en- clamante.
quanto empregado da Requerida. ƒƒ Informe o Senhor Perito se os líquidos
ƒƒ Descreva o Senhor Perito todas as ATI- inflamáveis estão armazenados e em
VIDADES DESENVOLVIDAS pelo recla- que quantidades no local de trabalho
mante. Reclamante.
ƒƒ Informe o Senhor Perito se o Reclaman- ƒƒ Informe o Senhor Perito se Reclamante
te desenvolvia suas atividades em área manuseia produtos inflamáveis duran-
classificada (conforme preconizado te sua jornada de trabalho.
pela NR-10). ƒƒ Informe o Senhor Perito se o reclaman-
ƒƒ Informe o Senhor Perito qual a defini- te exercia atividade considerada pe-
ção de líquido inflamável segundo a rigosa consoante a NR-16, Portaria nº
Portaria nº 3214/1978, NR-20. 3214/1978 do Ministério do Trabalho.

2.9 Modelo de Laudo Pericial

1 IDENTIFICAÇÃO Turno de Revezamento -


06h00min às 12h00min
Processo Nº: 0000000-00.0000.0.00.0000 12h00min às 18h00min
Nº Distribuição: 000.000/2008 18h00min ás 24h00min
Origem: 1ª Vara do Trabalho de Jacareí
Local de Trabalho: Avenida XXXXX, nº XX –
Data da Inicial: 10/01/2012 Cidade, Estado

Reclamante: Fulano de Tal Reclamada: Ciclano de Tal Ltda.


Data de Admissão: 05/09/2000 Atividade principal: Fabricação ........
CNAE: nnnn-n
Data do Desligamento: Não houve baixa. Grau de Risco: 3 (três)
Atualmente o Autor se encontra em gozo Nº Empregados: XXX
de benefício previdenciário.
2 REALIZAÇÃO DA PERÍCIA
Cargo/Função do Reclamante: Operador de
Empilhadeira
Informada às partes conforme Termo de Vis-
toria anexo, e com a presença dos representantes
Jornada: Até final de 2002 – 05h20min às abaixo descritos, a perícia se deu em 28/04/2011,
00h20min com início às 09h30min. A vistoria nos locais em

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que trabalhava o Reclamante visa a atingirmos o 5 TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO E EQUIPAMEN-


adequado encaminhamento e correta interpreta- TOS UTILIZADOS
ção final deste laudo pericial, sem subjetivismos
e com embasamento técnico-legal. Realizou-se, As técnicas de avaliação estão embasadas
primeiramente, o inquérito preliminar, item ad- nas Normas Regulamentadoras da Portaria nº
ministrativo obrigatório em qualquer perícia tra- 3.214, de 08 de junho de 1978, do Ministério do
balhista, participando e prestando todas as infor- Trabalho e seus anexos.
mações necessárias e esclarecimentos de ordem
Os equipamentos relacionados a seguir
prática os Srs:
atendem às normas e especificações nacionais
e na ausência destas, internacionais para a reali-
Pelo Reclamante: Sr. Fulano de Tal (Autor) zação das medições necessárias em função dos
Pela Reclamada: Sr. (Eng. Segurança do agentes agressivos em análise. Eles foram devi-
Trabalho) damente aferidos e calibrados, tendo com isso a
Sr. (Chefe de Produção) necessária confiabilidade nas leituras efetuadas e
Paradigmas: Sr. Nonm Nom Nom (Opera- respectivas conclusões.
dor de Empilhadeira) Ruído: medição realizada com uso de um
Sr. Gentil da Fonseca (Operador de Empi- medidor de nível de pressão sonora marca Ins-
lhadeira) trutherm, modelo RS232 dataloger DEC 5000. As
leituras foram realizadas na altura da zona auditi-
Os paradigmas conhecem o Autor
va do trabalhador exposto. O critério adotado foi
o dB(A), isto é, instrumento operando no circuito
3 OBJETIVO de compensação “A” e circuito de resposta lento
(SLOW), para ruído contínuo e intermitente. Com-
O objetivo do presente Laudo Pericial é o paração dos valores obtidos no instrumento, com
de relatar as evidências objetivas constatadas na os níveis de pressão sonora máximos, permitidos
vistoria realizada nos locais de trabalho do Recla- em função do tempo de exposição a que fica sub-
mante, avaliando a existência ou não de even- metido o trabalhador, de acordo com Anexo nº 1
tuais agentes considerados insalubres, conforme da Norma Regulamentadora nº 15, da Portaria nº
determinado em ata de audiência, nos termos da 3.214, de 08 de junho de 1978, do Ministério do
Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, Porta- Trabalho.
ria nº 3.214, de 08 de junho de 1978, Normas Re- Agentes Químicos: avaliação qualitativa e
gulamentadoras nº 15 e nº 16 e seus respectivos por inspeção no local de trabalho, de acordo com
Anexos, Lei nº 7.369, de 20 de setembro de 1985, o Anexo nº 11 – “Agentes Químicos cuja Insalu-
e Decreto nº 93.412, de 14 de outubro de 1986. bridade é Caracterizada por Limite de Tolerância
e Inspeção no Local de Trabalho”, Anexo nº 12 –
“Limites de Tolerância para Poeiras Minerais” e
4 DA METODOLOGIA
Anexo nº 13 – “Agentes Químicos” da Norma Re-
gulamentadora nº 15, da Portaria nº 3.214, de 08
A metodologia utilizada na elaboração des- de junho de 1978, do Ministério do Trabalho. A
te laudo segue o prescrito pela Lei nº 6.514, de 22 avaliação dos possíveis agentes químicos existen-
de dezembro de 1977, Portaria nº 3.214, de 08 de tes no local de trabalho, bem como nas atividades
junho de 1977, Norma Regulamentadora nº 15 – em estudo, foi objeto de avaliações qualitativas.
Atividades e Operações Insalubres, item 15.6, que
Periculosidade: avaliação qualitativa das
diz: “O perito descreverá no laudo a técnica e a
atividades desenvolvidas pelo reclamante e sua
aparelhagem utilizadas.”
relação com as atividades descritas no Anexos nº
1 – “ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS COM

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EXPLOSIVOS” e nº 2 – “ATIVIDADES E OPERAÇÕES do motor do cilindro principal e acoplava no ci-


PERIGOSAS COM INFLAMÁVEIS”, da Norma Regu- lindro reserva. Habitualmente, uma a duas vezes
lamentadora nº 16, da Portaria nº 3.214, de 08 de por dia realizava a operação de substituição do
junho de 1978, do Ministério do Trabalho e QUA- cilindro vazio, atividade que demanda, aproxi-
DRO DE ATIVIDADES/ÁREA DE RISCO do Decreto madamente, de 1 minuto e meio a dois minutos
nº 93.412, de 14 de outubro de 1986. por cilindro. Para tanto se dirigia até o depósito
de cilindros (área de risco por se tratar de armaze-
6 LOCAL DE TRABALHO DO RECLAMANTE namento de inflamáveis) e substituía o cilindro
vazio por um cheio. A partir de XXXX a empresa
passou a adotar o sistema conhecido como pit
Características gerais dos locais de trabalho: stop para a recarga dos cilindros, não sendo mais
Galpão Industrial com pé direito de 12 me- necessária a substituição do cilindro vazio realiza-
tros, estrutura em concreto e alvenaria, telha em da pelo operador da empilhadeira. Existe um em-
fibrocimento e laterais em alvenaria. Piso em con- pregado com a função exclusiva de abastecedor,
creto com revestimento/pintura em epóxi. Ilumi- não sendo mais o operador a realizar tal tarefa. O
nação natural, através de elementos translúcidos depósito de cilindros de GLP foi desativado após
e artificiais, através de lâmpadas de vapor metá- a adoção do novo sistema.
lico, ventilação natural através de frestas e vãos.
8 OBJETO DA INICIAL
7 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELO RE-
CLAMANTE
Questionado ao Autor o motivo da presente
Ação, este informou que ficava exposto a agentes
Pelas informações prestadas pelas duas par- INSALUBRES e agressivos, tais como: poeira, ruí-
tes durante a entrevista preliminar e confirmadas do e gás. O gás a que se refere o autor é o GLP, gás
pela vistoria in loco, o Reclamante ativava-se em liquefeito de petróleo, combustível utilizado nas
dois setores distintos: empilhadeiras. Os agentes em questão, em fun-
ção de sua intensidade e forma de exposição, po-
I – Armazém. dem ser considerados agentes insalubres e o GLP
por ser inflamável pode ser considerado também
II – Produção.
como perigoso, portanto estaremos abrangendo
no presente os agentes pertinentes à PERICULO-
Os dois setores possuem as mesmas carac- SIDADE.
terísticas construtivas e ambientais, pois se trata
de um galpão único (vide acervo fotográfico),
9 ASPECTOS TÉCNICOS E LEGAIS
onde o final das linhas de produção se encontra
com o início do armazém.
A rotina de serviço praticada pelo Autor em Características Técnicas
ambos os setores consistia na condução e ope-
ração de empilhadeiras a gás (GLP), hidráulicas, GLP: GÁS INFLAMÁVEL
Hyster com 4 marchas à frente e 4 reversas, do- O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) é com-
tadas de dispositivo especial. As máquinas a gás posto de uma mistura basicamente de 2 gases:
(empilhadeiras) eram dotadas de 2 cilindros de Propano (C3H8) e Butano (C4H10). Essa mistura é
GLP, estando um em uso e o segundo como re- normalmente de 50% de cada um desses 2 pro-
serva. A troca para o reserva se dava por meio de dutos. Como o GLP é inodoro (não tem cheiro), o
sistema de válvula troca rápida. O Autor desaco- cheiro que sentimos é misturado propositalmen-
plava a mangueira condutora do gás ao rodogás te com Metacaptano para identificarmos possí-

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veis vazamentos. O GLP é uma mistura de gases Figura 2 – P-20.


de hidrocarbonetos utilizada como combustível
em aplicações de aquecimento (como em fogões)
e veículos. O GLP é a mistura de gases conden-
sáveis presentes no gás natural ou dissolvidos no
petróleo. Os componentes do GLP, embora à tem-
peratura e pressão ambientais sejam gases, são
fáceis de condensar. Na prática, pode-se dizer que
o GLP é uma mistura dos gases propano e butano.
O propano e o butano estão presentes no petró-
leo (crude) e no gás natural, embora uma parte se
obtenha durante a refinação de petróleo, sobre-
tudo como subproduto da destilação fracionada
catalítica (FCC, da sigla em inglês Fluid Catalytic
Cracking). Fonte: www.ciadogas.com.br

Figura 1 – GLP. RECIPIENTE:


Cilindro Tipo P-20
Peso = 20 kg
Capacidade: 48 litros
Pressão Interna: 2 a 7 kg/cm2

10 ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE

A Constituição Federal assegura aos traba-


Fonte: www.ciadogas.com.br lhadores urbanos e rurais, entre outros, o adicio-
nal de remuneração para as atividades penosas,
insalubres ou perigosas, na forma da lei (art. 7º,
Dentro do recipiente, encontra-se no es- XXIII).
tado líquido e no de vapor. Do volume total do
O artigo 189 da CLT prescreve:
recipiente, 85% – no máximo – é de gás em fase
líquida e 15% – no mínimo – em fase de vapor.
Serão consideradas atividades ou ope-
Isso constitui um espaço de segurança que evita rações insalubres aquelas que, por sua
uma pressão elevada dentro do recipiente. natureza, condições ou métodos de tra-
O GLP é um produto extremamente infla- balho, exponham os empregados a agen-
tes nocivos à saúde, acima dos limites de
mável, com risco de explosão em ambientes fe-
tolerância fixados em razão da natureza e
chados, sendo que o poder explosivo de 1 kg de da intensidade do agente e do tempo de
GLP equivale a 0,98% de TNT. exposição aos seus efeitos.

Incumbe à Norma Regulamentadora nº 15


regular as atividades e operações insalubres e à
Norma Regulamentadora nº 16 regular as ativida-
des e operações perigosas.

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Lei nº 6.514/1977 – MTE bre o salário mínimo da região, equivalente


Portaria nº 3.214/1978 – MTE a:
Norma Regulamentadora nº 15 15.2.1 40% (quarenta por cento), para insa-
lubridade de grau máximo;

ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES 15.2.2 20% (vinte por cento), para insalubri-
dade de grau médio;
15.2.3 10% (dez por cento), para insalubri-
15.1 São consideradas atividades ou opera-
dade de grau mínimo;
ções insalubres as que se desenvolvem:
15.3 No caso de incidência de mais de um
15.1.1 Acima dos limites de tolerância pre-
fator de insalubridade, será apenas conside-
vistos nos Anexos n.º 1, 2, 3, 5, 11 e 12;
rado o de grau mais elevado, para efeito de
15.1.2 (Revogado pela Portaria MTE n.º acréscimo salarial, sendo vedada a percep-
3.751, de 23 de novembro de 1990) ção cumulativa. (grifo nosso)
15.1.3 Nas atividades mencionadas nos 15.4 A eliminação ou neutralização da insa-
Anexos n.º 6, 13 e 14; (grifo nosso) lubridade determinará a cessação do paga-
15.1.4 Comprovadas através de laudo de mento do adicional respectivo.
inspeção do local de trabalho, constantes 15.4.1 A eliminação ou neutralização da in-
dos Anexos n.º 7, 8, 9 e 10. salubridade deverá ocorrer:
15.1.5 Entende-se por “Limite de Tolerância”, a) com a adoção de medidas de ordem ge-
para os fins desta Norma, a concentração ou ral que conservem o ambiente de trabalho
intensidade máxima ou mínima, relaciona- dentro dos limites de tolerância; (grifo nos-
da com a natureza e o tempo de exposição so)
ao agente, que não causará dano à saúde
b) com a utilização de equipamento de pro-
do trabalhador, durante a sua vida laboral.
teção individual. (grifo nosso)
15.2 O exercício de trabalho em condições
de insalubridade, de acordo com os subi-
tens do item anterior, assegura ao trabalha-
dor a percepção de adicional, incidente so-

ANEXO Nº 01 - RUÍDO

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1. Entende-se por Ruído Contínuo ou Inter- ANEXO N.º 3 - LIMITES DE TOLERÂNCIA


mitente, para os fins de aplicação de Limites PARA EXPOSIÇÃO AO CALOR
de Tolerância, o ruído que não seja ruído de
impacto. 1. A exposição ao calor deve ser avaliada
2. Os níveis de ruído contínuo ou intermi- através do “Índice de Bulbo Úmido Termô-
tente devem ser medidos em decibéis (dB) metro de Globo” - IBUTG definido pelas
com instrumento de nível de pressão sono- equações que se seguem:
ra operando no circuito de compensação Ambientes internos ou externos sem carga
“A” e circuito de resposta lenta (SLOW). As solar: IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg
leituras devem ser feitas próximas ao ouvi-
Ambientes externos com carga solar: IBUTG
do do trabalhador.
= 0,7 tbn + 0,1 tbs + 0,2 tg
3. Os tempos de exposição aos níveis de
onde: tbn = temperatura de bulbo úmido
ruído não devem exceder os limites de tole-
natural
rância fixados no Quadro deste anexo.
tg = temperatura de globo
4. Para os valores encontrados de nível de
ruído intermediário será considerada a má- tbs = temperatura de bulbo seco.
xima exposição diária permissível relativa
ao nível imediatamente mais elevado. 2. Os aparelhos que devem ser usados nesta
5. Não é permitida exposição a níveis de ruí- avaliação são: termômetro de bulbo úmido
do acima de 115 dB(A) para indivíduos que natural, termômetro de globo e termôme-
não estejam adequadamente protegidos. tro de mercúrio comum.
6. Se durante a jornada de trabalho ocorre- 3. As medições devem ser efetuadas no lo-
rem dois ou mais períodos de exposição a cal onde permanece o trabalhador, à altura
ruído de diferentes níveis, devem ser con- da região do corpo mais atingida.
siderados os seus efeitos combinados, de
forma que, se a soma das seguintes frações: Limites de Tolerância para exposição ao
calor, em regime de trabalho intermitente
com períodos de descanso no próprio local
de prestação de serviço.

exceder a unidade, a exposição estará aci- 1. Em função do índice obtido, o regime de


ma do limite de tolerância. trabalho intermitente será definido no Qua-
dro Nº 1.
Na equação acima, Cn indica o tempo total
que o trabalhador fica exposto a um nível
de ruído específico, e Tn indica a máxima
exposição diária permissível a este nível, se-
gundo o Quadro deste Anexo.
7. As atividades ou operações que expo-
nham os trabalhadores a níveis de ruído,
contínuo ou intermitente, superiores a 115
dB(A), sem proteção adequada, oferecerão
risco grave e iminente.”

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QUADRO Nº 1

2. Os períodos de descanso serão conside- Onde: M é a taxa de metabolismo média


rados tempo de serviço para todos os efei- ponderada para uma hora, determinada
tos legais. pela seguinte fórmula:
3. A determinação do tipo de atividade M = Mt x Tt + Md x Td
(Leve, Moderada ou Pesada) é feita consul- 60
tando-se o Quadro n.º 3. Sendo: Mt - taxa de metabolismo no local
de trabalho.
Limites de Tolerância para exposição ao ca- Tt - soma dos tempos, em minutos, em que
lor, em regime de trabalho intermitente com pe- se permanece no local de trabalho.
ríodo de descanso em outro local (local de des- Md - taxa de metabolismo no local de des-
canso). canso.
Td - soma dos tempos, em minutos, em que
1. Para os fins deste item, considera-se se permanece no local de descanso.
como local de descanso ambiente termica- ______
mente mais ameno, com o trabalhador em
IBUTG é o valor IBUTG médio ponderado
repouso ou exercendo atividade leve.
para uma hora, determinado pela seguinte
2. Os limites de tolerância são dados segun- fórmula:
do o Quadro n.º 2.
______
IBUTG = IBUTGt x Tt + IBUTGd xTd
QUADRO Nº 2
60
Sendo: IBUTGt = valor do IBUTG no local de
trabalho.
IBUTGd = valor do IBUTG no local de des-
canso.
Tt e Td = como anteriormente definidos.
Os tempos Tt e Td devem ser tomados no
período mais desfavorável do ciclo de tra-
balho, sendo Tt + Td = 60 minutos corridos.

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3. As taxas de metabolismo Mt e Md serão


obtidas consultando-se o Quadro n.º 3.
4. Os períodos de descanso serão conside-
rados tempo de serviço para todos os efei-
tos legais.

QUADRO Nº 3

TAXAS DE METABOLISMO POR TIPO DE ATIVIDADE

ANEXO Nº 11 – AGENTES QUÍMICOS CUJA 4. Na coluna “VALOR TETO” estão assinala-


INSALUBRIDADE É CARACTERIZADA POR dos os agentes químicos cujos limites de
LIMITE DE TOLERÂNCIA E INSPEÇÃO NO LO- tolerância não podem ser ultrapassados em
CAL DE TRABALHO momento algum da jornada de trabalho.
5. Na coluna “ABSORÇÃO TAMBÉM PELA
1. Nas atividades ou operações nas quais PELE” estão assinalados os agentes quími-
os trabalhadores ficam expostos a agentes cos que podem ser absorvidos, por via cutâ-
químicos, a caracterização de insalubridade nea, e portanto exigindo na sua manipula-
ocorrerá quando forem ultrapassados os li- ção o uso da luvas adequadas, além do EPI
mites de tolerância constantes do Quadro necessário à proteção de outras partes do
n.o 1 deste Anexo. corpo.(Grifo nosso)
2. Todos os valores fixados no Quadro n.o 1 6. A avaliação das concentrações dos agen-
- Tabela de Limites de Tolerância são válidos tes químicos através de métodos de amos-
para absorção apenas por via respiratória. tragem instantânea, de leitura direta ou
3. Todos os valores fixados no Quadro n.o não, deverá ser feita pelo menos em 10
1 como “Asfixiantes Simples” determinam (dez) amostragens, para cada ponto - ao ní-
que nos ambientes de trabalho, em presen- vel respiratório do trabalhador. Entre cada
ça destas substâncias, a concentração míni- uma das amostragens deverá haver um in-
ma de oxigênio deverá ser 18 (dezoito) por tervalo de, no mínimo, 20 (vinte) minutos.
cento em volume. 7. Cada uma das concentrações obtidas nas
As situações nas quais a concentração de referidas amostragens não deverá ultrapas-
oxigênio estiver abaixo deste valor serão sar os valores obtidos na equação que se-
consideradas de risco grave e iminente. gue, sob pena de ser considerada situação

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de risco grave e iminente. Valor máxi- números 1 e 2 desta Norma Regulamenta-


mo = L.T. x F. D. dora - NR.
16.2 O exercício de trabalho em condições
Onde: L.T. = limite de tolerância para o agen- de periculosidade assegura ao trabalhador
te químico, segundo o Quadro n.° 1. a percepção de adicional de 30% (trinta
F.D. = fator de desvio, segundo definido no por cento), incidente sobre o salário, sem
Quadro n.° 2. os acréscimos resultantes de gratificações,
prêmios ou participação nos lucros da em-
presa.
16.2.1 O empregado poderá optar pelo adi-
cional de insalubridade que porventura lhe
seja devido.
16.3 É facultado às empresas e aos sindica-
tos das categorias profissionais interessadas
requererem ao Ministério do Trabalho, atra-
vés das Delegacias Regionais do Trabalho,
8. O limite de tolerância será considerado
a realização de perícia em estabelecimento
excedido quando a média aritmética das
ou setor da empresa, com o objetivo de ca-
concentrações ultrapassar os valores fixa-
racterizar e classificar ou determinar ativi-
dos no Quadro n° 1.
dade perigosa.
9. Para os agentes químicos que tenham
16.4 O disposto no item 16.3 não prejudica
“VALOR TETO” assinalado no Quadro n.° 1
a ação fiscalizadora do Ministério do Traba-
(Tabela de Limites de Tolerância) conside-
lho nem a realização ex-officio da perícia.
rar-se-á excedido o limite de tolerância,
quando qualquer uma das concentrações 16.5 Para os fins desta Norma Regulamen-
obtidas nas amostragens ultrapassar os va- tadora - NR são consideradas atividades ou
lores fixados no mesmo quadro. operações perigosas as executadas com ex-
plosivos sujeitos a:
10. Os limites de tolerância fixados no Qua-
dro n.° 1 são válidos para jornadas de tra- a) degradação química ou autocatalítica;
balho de até 48 (quarenta e oito) horas por b) ação de agentes exteriores, tais como, ca-
semana, inclusive. lor, umidade, faíscas, fogo, fenômenos sís-
10.1 Para jornadas de trabalho que exce- micos, choque e atritos.
dam as 48 (quarenta e oito) horas semanais 16.6 As operações de transporte de infla-
dever-se-á cumprir o disposto no art. 60 da máveis líquidos ou gasosos liquefeitos, em
CLT. quaisquer vasilhames e a granel, são consi-
deradas em condições de periculosidade,
exclusão para o transporte em pequenas
Lei nº 6.514/1977 – MTE
quantidades, até o limite de 200 (duzen-
Portaria nº 3.214/1978 – MTE tos) litros para os inflamáveis líquidos e 135
Norma Regulamentadora nº 16 (cento e trinta e cinco) quilos para os infla-
NR-16 ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGO- máveis gasosos liquefeitos.
SAS 16.6.1 As quantidades de inflamáveis, con-
tidas nos tanques de consumo próprio dos
16.1 São consideradas atividades e opera- veículos, não serão consideradas para efeito
ções perigosas as constantes dos Anexos desta Norma.

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16.7 Para efeito desta Norma Regulamenta- ANEXO 2 – ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERI-
dora - NR considera-se líquido combustível GOSAS COM INFLAMÁVEIS
todo aquele que possua ponto de fulgor
igual ou superior a 70ºC (setenta graus cen- 1 - São consideradas atividades ou opera-
tígrados) e inferior a 93,3ºC (noventa e três ções perigosas, conferindo aos trabalhado-
graus e três décimos de graus centígrados). res que se dedicam a essas atividades ou
16.8 Todas as áreas de risco previstas nesta operações, bem como a aqueles que ope-
NR devem ser delimitadas, sob responsabi- ram na área de risco, adicional de 30% (trin-
lidade do empregador. ta por cento), as realizadas:

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2 - Para os efeitos desta Norma Regulamen- ƒƒ Protetor Auricular;


tadora (NR) entende-se como : ƒƒ Óculos de Segurança;
I. Serviços de operação e manutenção de ƒƒ Luvas.
embarcações, vagões-tanques, caminhões-
-tanques, bombas e vasilhames de inflamá-
veis: A entrega de tais EPIs também se comprova
através das fichas assinadas pelo Autor encontra-
e) Quaisquer outras atividades de manu-
das nos Autos (DOCS 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 100,
tenção ou operação, tais como: serviço de
101, 102, 103, 104, 105, 106).
almoxarifado, de escritório, de laboratório
de inspeção de segurança, de conferência
de estoque, de ambulatório médico, de en- 12 LEVANTAMENTO AMBIENTAL
genharia, de oficinas em geral de caldeiras,
de mecânica, de eletricidade, de soldagem, RUÍDO
de enchimento, fechamento e arrumação
de quaisquer vasilhames com substân-
Conforme informações prestadas pelo mes-
cias consideradas inflamáveis, desde que
mo, o Autor sempre fez uso e recebeu as instru-
essas atividades sejam executadas dentro
ções de segurança necessárias ao uso do Protetor
de áreas consideradas perigosas, ad refe-
Auricular. Constam também os recebimentos na
rendum do Ministério do Trabalho.
ficha de entrega de EPI, anexa aos Autos. O Nível
de Redução de Ruído NRRsf apresentado nos cer-
IV. Armazenamento de inflamáveis gasosos tificados de aprovações (anexos) dos protetores
liquefeitos, em tanques ou vasilhames: entregues ao Autor são de 14 e 16 dB. Para efei-
a) Arrumação de vasilhames ou quaisquer to de cálculo usaremos a situação mais crítica, ou
outras atividades executadas dentro do seja, atenuação de 14 dB.
prédio de armazenamento de inflamáveis O nível de ruído apresenta-se de forma con-
ou em recintos abertos e com vasilhames tínua no ambiente, variando de um mínimo de
cheios de inflamáveis ou vazios não desga- 80,7 dB(A) e um máximo de 99,5 dB(A) (quando
seificados ou decantados. em aceleração do motor). Com a efetiva utiliza-
VIII. Enchimento de quaisquer vasilhames ção dos protetores auriculares temos:
(cilindros, botijões) com Inflamáveis Gaso-
sos Liquefeitos:
Nível de Ruído Equivalente = 91-14 =
a) Atividade de enchimento, pesagem, ins- 77dB(A)
peção, estiva e arrumação de cilindros ou
INFERIOR AO L.T. ESTABELECIDO EM NOR-
botijões cheios de GLP;
MA
b) outras atividades executadas dentro da
área considerada perigosa, ad referendum
CALOR: Não foram constatadas fontes de
do Ministério do Trabalho.
calor significativas nos locais de trabalho habi-
tuais do Autor.
11 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVI-
AGENTES QUÍMICOS: Não foi constatada a
DUAL (EPI)
presença de agentes químicos nas atividades de-
senvolvidas habitualmente pelo Autor.
Foi informado pelos representantes da em-
presa e o Reclamante confirmou o recebimento e
uso habitual dos seguintes EPIs:
ƒƒ Sapatos de Segurança;

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13 CARACTERIZAÇÃO DAS ATIVIDADES OU Regulamentadora n° 14 da Portaria nº


OPERAÇÕES INSALUBRES 3.214/1978 do Ministério do Trabalho.

Pela análise das atividades desenvolvidas 14 CARACTERIZAÇÃO DE ATIVIDADES OU


pelo Reclamante: OPERAÇÕES PERIGOSAS

ƒƒ Não foi constatada a exposição a fontes À luz da Portaria nº 3.214/1978, Norma Re-
de ruído contínuo ou intermitente aci- gulamentadora n° 16, que diz:
ma dos limites de tolerância estabeleci-
dos pela Portaria nº 3.214/1978 do MTE, 16.1 São consideradas atividades e ope-
Anexo 1; rações perigosas as constantes dos Ane-
xos números 1 e 2 desta Norma Regula-
ƒƒ Não foi constatada a exposição a níveis mentadora.
de ruído de impacto acima dos limites 16.2 O exercício de trabalho em condi-
de tolerância estabelecidos pela Porta- ções de periculosidade assegura ao tra-
ria nº 3.214/1978 do MTE, Anexo 2; balhador a percepção de adicional de
30% (trinta por cento), incidente sobre
ƒƒ Não foi constatada exposição a fon- o salário, sem os acréscimos resultantes
tes de calor acima dos limites de tole- de gratificações, prêmios ou participação
rância estabelecidos pela Portaria nº nos lucros da empresa.
3.214/1978 do MTE, Anexo 3;
ƒƒ Não foi constatada a exposição a radia- Bem como da Portaria nº 518, de 4 de abril
ções ionizantes; de 2003, que diz:
ƒƒ Não foi constatada exposição a pres-
sões acima da pressão atmosférica; CONSIDERANDO que qualquer exposição
do trabalhador a radiações ionizantes ou
ƒƒ Não foi constatada exposição a radia-
substâncias radioativas é potencialmente
ções não ionizantes consideradas insa- prejudicial à sua saúde;
lubres em decorrência de inspeção rea- CONSIDERANDO, ainda, que o presente
lizada no local de trabalho; estado da tecnologia nuclear não permi-
te evitar ou eliminar o risco em potencial
ƒƒ Não foram constatadas vibrações con- oriundo de tais atividades, resolve:
sideradas insalubres em decorrência de Art. 1º Adotar como atividades de risco
inspeção realizada no local de trabalho; em potencial concernentes a radiações
ionizantes ou substâncias radioativas, o
ƒƒ Não foi constatado frio considerado
“Quadro de Atividades e Operações Peri-
insalubre em decorrência de inspeção gosas”, aprovado pela Comissão Nacional
realizada no local de trabalho; de Energia Nuclear - CNEN, a que se refere
ƒƒ Não foi constatada umidade considera- o ANEXO, da presente Portaria.
Art. 2º O trabalho nas condições enuncia-
da insalubre em decorrência de inspe-
das no quadro a que se refere o artigo 1º,
ção realizada no local de trabalho; assegura ao empregado o adicional de
ƒƒ Não foi constatada exposição a agentes periculosidade de que trata o § 1º do art.
químicos; 193 da Consolidação das Leis do Trabalho
– CLT, aprovada pelo Decreto-lei n.º 5.452,
ƒƒ Não foi constatada exposição a poeiras de 1º de maio de 1943.
minerais;
ƒƒ Não foi constatado trabalho ou ope- E pela análise das atividades desenvolvidas
rações que se enquadrem nos rela- pelo Reclamante.
cionados pelo Anexo 14 da Norma

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Em conformidade com a legislação citada, Prejudicado. Objeto da perícia se atém so-


constata-se o desenvolvimento de atividades e/ mente aos fatos relevantes às atividades e locais
ou em áreas consideradas de risco de periculosi- de prestação de serviço pelo Autor e não à em-
dade. presa toda.

15 CONCLUSÃO 18 RESPOSTA AOS QUESITOS DA


RECLAMADA
Do anteriormente exposto no presente lau-
do pericial, concluímos que: Vide item x no corpo do presente laudo.
Vide item xx no corpo do presente laudo
Quanto à Insalubridade: pericial.
De acordo com a Portaria nº 3.214/1978 do Vide item x e item xxx no corpo do presente
Ministério do Trabalho, Norma Regulamentadora laudo pericial.
nº 15, o Autor, nas funções de Operador de Arma- Vide item x, X e X no corpo do presente lau-
zém e Expedição Não laborou em condições insalu- do pericial.
bres. Vide Conclusão.
Sim.
Quanto à Periculosidade: Sim, para o agente ruído.
De acordo com a Portaria nº 3.214/1978 do
Ministério do Trabalho, Norma Regulamentadora
nº 16, e seus anexos, verificou-se que o Autor, nas 19 ACERVO FOTOGRÁFICO
funções de Operador de Armazém e Expedição,
laborou em condições e/ou exposto aos efeitos da Pe- FOTOS RELEVANTES DAS ATIVIDADES/LOCAIS
riculosidade, durante a atividade de substituição dos DE TRABALHO DO RECLAMANTE
cilindros de GLP.

16 CONSIDERAÇÕES FINAIS
20 ENCERRAMENTO

O teor do presente laudo pericial e suas


O presente laudo contem XX(XIS) folhas,
conclusões estão embasados nas informações e
micrografadas somente no anverso, todas rubri-
locais indicados para serem periciados pelo Re-
cadas, sendo a última datada e assinada, além de
clamante, acompanhantes e representantes da
X(XIS) documentos anexos.
Reclamada, supondo-se que as condições obser-
vadas na perícia sejam representativas das condi-
ções existentes no período de trabalho do Recla- Cidade, dia de mês de ano.
mante.
Ciclano de tal
17 RESPOSTAS AOS QUESITOS DO RECLA- Engenheiro Mecânico
MANTE Engenheiro de Segurança do Trabalho
Perito Judicial
Vide item xx no corpo do presente laudo. CREA XXXXXXXXXX
Vide item x no corpo do presente laudo.

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2.10 Resumo do Capítulo

Neste capítulo, estudamos que o perito é o profissional legalmente habilitado que realizará a perí-
cia, mediante nomeação pelo Juiz. Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos
podem utilizar-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, solicitando documentos que es-
tejam em poder de parte ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com plantas, desenhos,
fotografias e outras quaisquer peças.
Apresentamos um modelo de Justificativa de Honorários Periciais com base na tabela do Instituto
Brasileiro de Perícias de Engenharia (IBAPE) de São Paulo.
Vimos que o trabalho do perito se caracteriza por etapas distintas, que são:

ƒƒ Retirada e entrega dos autos;


ƒƒ Leitura e interpretação do processo;
ƒƒ Abertura de papéis de trabalho;
ƒƒ Elaboração de petições e/ou correspondências para informar as partes sobre a realização das
diligências;
ƒƒ Realização de diligências e exame de documentos;
ƒƒ Pesquisa e exame de livros e documentos técnicos legais;
ƒƒ Realização de cálculos, simulações e análises de resultados;
ƒƒ Elaboração e digitação do Laudo com respostas aos quesitos das partes;
ƒƒ Preparação de anexos e montagem do laudo;
ƒƒ Revisão final;
ƒƒ Entrega do Laudo.

E, por fim, apresentamos alguns exemplos de quesitos para insalubridade e de periculosidade, es-
pecificamente de inflamáveis.

2.11 Atividades Propostas

1. Como se pode definir perito?

2. Quais são alguns dos meios necessários para o desempenho da função de peritos e assistentes
técnicos?

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RESPOSTAS COMENTADAS DAS
ATIVIDADES PROPOSTAS

CAPÍTULO 1

1. Responderá pelos prejuízos que causar à parte, ficará inabilitado, por 2 (dois) anos, a funcionar
em outras perícias e incorrerá na sanção que a lei penal estabelecer.

2. Segundo o art. 195 da CLT, a caracterização e a classificação da insalubridade e da periculo-


sidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho, far-se-ão através de perícia a cargo de
Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho.

3. Segundo o art. 189, serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por
sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes noci-
vos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do
agente e do tempo de exposição aos seus efeitos.

CAPÍTULO 2

1. Perito é o profissional legalmente habilitado que realizará a perícia, mediante nomeação pelo
Juiz.

2. Para o desempenho de sua função, podem o perito e os assistentes técnicos utilizar-se de todos
os meios necessários, ouvindo testemunhas, solicitando documentos que estejam em poder
de parte ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com plantas, desenhos, foto-
grafias e outras quaisquer peças.

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REFERÊNCIAS

BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Diário
Oficial da União, Rio de Janeiro, 1943.

______. Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Diário Oficial da
União, Brasília, DF, 1973.

______. Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Altera o Capítulo V do Titulo II da Consolidação das
Leis do Trabalho, relativo a segurança e medicina do trabalho e dá outras providências. Diário Oficial da
União, Brasília, DF, 1977.

______. Ministério do Trabalho. Portaria nº 3.214, de 08 de junho de 1978. Aprova as Normas


Regulamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas a
Segurança e Medicina do Trabalho. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1978.

______. Lei nº 7.410, de 27 de novembro de 1985. Dispõe sobre a Especialização de Engenheiros e


Arquitetos em Engenharia de Segurança do Trabalho, a Profissão de Técnico de Segurança do Trabalho, e
dá outras Providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1985.

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