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Denis Fernando Ramos

Modelagem e
Simulação de
Sistemas de Produção
APRESENTAÇÃO

É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Modelagem e Simu-
lação de Sistemas de Produção, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao
aprendizado dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila
é propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina.
A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis-
ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.
Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br,
a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso,
bem como acesso a redes de informação e documentação.
Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple-
mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.
A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

Unisa Digital
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO.......................................................................................................................................... 5
1 INTRODUÇÃO........................................................................................................................................... 7
1.1 Definindo Simulação de Sistemas..............................................................................................................................7
1.2 Por que Simular?...............................................................................................................................................................8
1.3 Sistemas...............................................................................................................................................................................9
1.4 Vantagens e Desvantagens da Simulação...........................................................................................................10
1.5 Modelos.............................................................................................................................................................................11
1.6 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................12
1.7 Atividades Propostas....................................................................................................................................................13

2 COMO FUNCIONA A MODELAGEM......................................................................................... 15


2.1 Exemplo de Sistema.....................................................................................................................................................15
2.2 Como Tratar e Analisar o Problema........................................................................................................................16
2.3 Emprego da “Suposição”.............................................................................................................................................16
2.4 Teoria das Filas................................................................................................................................................................17
2.5 Emprego de Modelagem e Simulação..................................................................................................................19
2.6 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................23
2.7 Atividades Propostas....................................................................................................................................................24

3 TERMINOLOGIA BÁSICA UTILIZADA EM MODELAGEM E SIMULAÇÃO DE


SISTEMAS...................................................................................................................................................25
3.1 Classificação dos Sistemas para Modelagem e Simulação............................................................................26
3.2 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................28
3.3 Atividades Propostas....................................................................................................................................................29

4 FORMULAÇÃO DE UM ESTUDO ENVOLVENDO MODELAGEM E


SIMULAÇÃO.............................................................................................................................................. 31
4.1 Erros Mais Comuns na Abordagem Via Simulação...........................................................................................35
4.2 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................36
4.3 Atividades Propostas....................................................................................................................................................37

5 PROMODEL............................................................................................................................................... 39
5.1 Menus do ProModel.....................................................................................................................................................39
5.2 Configurações do Sistema.........................................................................................................................................46
5.3 Opções...............................................................................................................................................................................49
5.4 Construindo Modelos de Simulação Usando o ProModel.............................................................................50
5.5 Gráfico de Fundo...........................................................................................................................................................52
5.6 Locais..................................................................................................................................................................................55
5.7 Inserindo os Locais da Fábrica..................................................................................................................................59
5.8 Entidades..........................................................................................................................................................................60
5.9 Inserindo Entidades no Modelo da Fábrica.........................................................................................................61
5.10 Chegadas........................................................................................................................................................................ 61
5.11 Padrões de Chegada para o Modelo da Fábrica.............................................................................................. 63
5.12 Processos........................................................................................................................................................................ 63
5.13 Regras de Roteamento............................................................................................................................................. 65
5.14 Lógica de Operação................................................................................................................................................... 66
5.15 Lógica de Movimentação......................................................................................................................................... 70
5.16 Executando a Simulação.......................................................................................................................................... 73
5.17 Caminhos de Rede e Recursos............................................................................................................................... 75
5.18 Desenhando a Rede de Caminho do Modelo da Fábrica............................................................................ 79
5.19 Recursos.......................................................................................................................................................................... 80
5.20 Criando Recursos para o Modelo da Fábrica.................................................................................................... 82
5.21 Movimentação com Recursos................................................................................................................................ 83
5.22 Cinco Erros Comuns................................................................................................................................................... 84

REFERÊNCIAS.............................................................................................................................................. 89
APRESENTAÇÃO

Caro(a) aluno(a),

O objetivo geral do curso é lhe oferecer subsídios para que conheça de forma geral a Modelagem e Si-
mulação de Sistemas Produtivos, sua aplicação, seus elementos principais, quando e em que situações devem
ser aplicadas e os principais softwares voltados a essa disciplina.
Esta apostila e a disciplina buscam uma definição dos conceitos fundamentais da modelagem e simula-
ção, explanando sobre os diversos recursos que podem ser utilizados. Dentro dessa perspectiva, o conteúdo
está organizado de forma a possibilitar o entendimento das diversas fases da modelagem e simulação, desde
o seu surgimento, passando pela sua evolução, até a aplicação nos dias atuais. Além do conteúdo, que pro-
move situações propícias à discussão e debates com o autor e demais alunos, será usado para melhor enten-
dimento da disciplina o software ProModel.
Com essa proposta, busca-se o aprimoramento dos fundamentos da modelagem e simulação como
importantes ferramentas na melhoria da qualidade e no aumento de produtividade dos diversos sistemas
produtivos, visando à diminuição de rejeitos e contribuindo para uma produção mais limpa.
Será um prazer acompanhá-lo(la) ao longo desta fase.

Denis Fernando Ramos

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1 INTRODUÇÃO

1.1 Definindo Simulação de Sistemas

Caro(a) aluno(a), A simulação tem sido cada vez mais aceita e


empregada como uma técnica que permite a ana-
Para definir a simulação de sistemas, usare- listas dos mais diversos seguimentos (administrado-
mos alguns autores; por exemplo, de acordo com res, engenheiros, biólogos, técnicos em informática
Schriber (1974), simulação implica a modelagem de etc.) verificar ou encaminhar soluções, com a pro-
um processo ou sistema, de tal forma que o modelo fundidade desejada, aos problemas com os quais
imite as respostas do sistema real, numa sucessão lidam diariamente. Mais do que nunca, a simulação
de eventos que ocorrem ao longo do tempo. Em computacional tem sido empregada. O crescimen-
1975, Robert Shannon definiu que modelo compu- to do uso dessa ferramenta deve-se, sobretudo, à
tacional é um programa de computador cujas va- atual facilidade de uso e sofisticação dos ambientes
riáveis apresentam o mesmo comportamento dinâ- de desenvolvimento de modelos computacionais,
mico e estocástico do sistema real que representa. aliadas ao crescente poder de processamento das
Pegden (1991), por sua vez, cita que simulação é o estações de trabalho. Contando com interfaces grá-
processo de projetar um modelo computacional de ficas cada vez mais amigáveis, destinadas às mais
um sistema real e conduzir experimentos com esse diversas plataformas, e, principalmente, fazendo
modelo com o propósito de entender seu compor- intenso uso da animação dos sistemas que estão
tamento e/ou avaliar estratégias para sua operação. sendo simulados, a simulação deixou para trás o es-
Portanto, entende a simulação como um processo tigma de ser utilizada apenas “quando tudo mais já
mais amplo, compreendendo não somente a cons- foi tentado”.
trução do modelo, mas também todo o método ex-
perimental que se segue, buscando, sobremaneira:

ƒƒ descrever o comportamento do siste-


ma;
ƒƒ construir teorias e hipóteses conside-
rando as observações efetuadas;
ƒƒ usar o modelo para prever o comporta-
mento futuro, isto é, os efeitos produ-
zidos por alterações no sistema ou nos
métodos empregados em sua opera-
ção.

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1.2 Por que Simular?

A simulação de modelos permite ao analista A maioria dos modelos de simulação é do


realizar estudos sobre os correspondentes sistemas tipo entrada-saída, isto é, são modelos interativos
para responder a questões do tipo “o que acontece- aos quais se fornecem dados de entrada, obtendo-
ria se...”. O principal apelo ao uso dessa ferramenta é -se respostas específicas para eles. Não são, por na-
que tais questões podem ser respondidas sem que tureza, modelos de otimização. Normalmente, cos-
os sistemas sob investigação sofram qualquer per- tuma-se desenvolver e experimentar com modelos
turbação, uma vez que os estudos são realizados no de simulação, objetivando o encaminhamento de
computador. A simulação computacional permite uma solução a um dado problema. As razões mais
que esses estudos sejam realizados sobre sistemas comuns para experimentar com modelos simula-
que ainda não existem, levando ao desenvolvimen- dos são as seguintes:
to de projetos eficientes antes que qualquer mu-
dança física tenha sido iniciada. ƒƒ o sistema real ainda não existe. Neste
caso, a simulação poderá ser usada para
ƒƒ Um estudo simulado possibilita que os planejar o futuro sistema, como um
analistas considerem níveis de detalhes novo hospital, uma nova fábrica ou um
jamais imaginados há pouco tempo, novo ambiente de suporte a negócios
permitindo que diferenças de compor- na internet, por exemplo;
tamento, às vezes sutis, venham a ser ƒƒ experimentar com o sistema real é dis-
notadas. As abordagens tradicionais, pendioso. O modelo poderá indicar,
ao contrário, empregam estudos preli- com muito menos custo, os benefícios
minares estáticos e com tantas simplifi- de investir em um novo equipamento,
cações que muitos projetos, depois de por exemplo;
implantados, acabam sofrendo inúme-
ƒƒ experimentar com o sistema real não é
ras modificações e adaptações.
apropriado. Um caso típico é o planeja-
ƒƒ Um estudo simulado pode economizar mento do atendimento de situações de
tempo e recursos financeiros no de- emergência, como um desastre aéreo
senvolvimento de projetos, trazendo em um aeroporto, por exemplo. Toda
ganhos de produtividade e qualidade. a logística para o acionamento e atua-
Os custos de tais análises são, em geral, ção de serviços prestados pela polícia,
insignificantes se comparados aos seus pelos bombeiros, por ambulâncias,
benefícios. pela emergência hospitalar etc. pode
ƒƒ Há a percepção de que o comporta- ser modelada e tratada no computa-
mento do modelo simulado é muito se- dor. Não se pode provocar um desastre
melhante ao do sistema real. desse tipo para testar planos de emer-
gência.
Em contraste com os modelos de otimização,
um modelo de simulação é executado, em vez de As razões para a adoção de modelos parecem
resolvido. As diferenças dessas duas abordagens claras. No entanto, é a identificação do sistema/pro-
implicam que o modelo simulado permite análises blema que leva à definição dos objetivos e do tipo
quase que a todo instante, à medida que novas in- de modelo e estudo de simulação que deve ser de-
dagações sobre o comportamento do sistema mo- senvolvido.
delado sejam aludidas.

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Existem inúmeros sistemas que podem ser


simulados; por exemplo, sistemas de produção: ma-
nufatura e montagem, movimentação de peças e
matéria-prima, alocação de mão de obra, áreas de
armazenagem, layout etc.

1.3 Sistemas

Até o momento, empregou-se, ainda que de 6. gerenciadores de bases de dados


forma subjetiva, uma associação existente entre etc.;
os conceitos de simulação, sistemas e modelos. Si- ƒƒ sistemas administrativos:
mulação é um dos muitos métodos existentes para
1. seguradoras;
estudar e analisar sistemas. No caso da simulação
2. operadores de crédito;
computacional, utilizam modelos computacionais
para esse propósito. Afinal, o que são sistemas e 3. financeiras;
quais são aqueles passíveis de modelagem e análi- ƒƒ sistemas de prestação de serviços dire-
ses via simulação? tos ao público:
Sistemas podem ser definidos como “um con- 1. hospitais;
junto de objetos, como pessoas ou máquinas, por 2. bancos;
exemplo, que atuam e interagem com a intenção de 3. restaurantes industriais e do tipo
alcançar um objetivo ou um propósito lógico” (TAY- fast food;
LOR, 1970). Inúmeros são os sistemas aptos à mode-
4. serviços de emergência (polícia,
lagem e simulação. Eis alguns exemplos:
bombeiros etc.);
5. serviços de assistência jurídica etc.
ƒƒ sistemas de produção:
1. manufatura e montagem;
2. movimentação de peças e matéria-
-prima;
3. alocação de mão de obra;
4. áreas de armazenagem;
5. layout etc.;
 sistemas de transporte e estocagem:
1. redes de distribuição;
2. armazéns e entrepostos;
3. frotas etc.;
ƒƒ sistemas computacionais:
1. redes de computadores;
2. redes de comunicação;
3. servidores de redes;
4. arquitetura de computadores;
5. sistemas operacionais;

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1.4 Vantagens e Desvantagens da Simulação

Apesar de a simulação ser uma excelente fer- em oposição à maneira que todos pen-
ramenta, é preciso conhecer um pouco mais as van- sam que ele opera.
tagens e desvantagens dessa ferramenta.

Desvantagens
Vantagens
ƒƒ A construção de modelos requer trei-
ƒƒ Uma vez criado, um modelo de simula- namento especial. Envolve arte; por-
ção pode ser utilizado inúmeras vezes tanto, o aprendizado se dá ao longo do
para avaliar projetos e políticas propos- tempo, com a aquisição de experiência.
tos. Dois modelos de um sistema construí-
ƒƒ A metodologia de análise utilizada pela dos por dois indivíduos competentes
simulação permite a avaliação de um terão similaridades, mas dificilmente
sistema proposto, mesmo que os dados serão iguais.
de entrada estejam, ainda, na forma de ƒƒ Os resultados da simulação são, muitas
“esquemas” ou rascunhos. vezes, de difícil interpretação. Uma vez
ƒƒ A simulação é, geralmente, mais fácil de que os modelos tentam capturar a va-
aplicar do que métodos analíticos. riabilidade do sistema, é comum que
ƒƒ Uma vez que os modelos de simulação existam dificuldades para determinar
podem ser quase tão detalhados quan- quando uma observação realizada du-
to os sistemas reais, novas políticas e rante uma execução se deve a alguma
procedimentos operacionais, regras de relação significante no sistema ou a
decisão, fluxos de informação etc. po- processos aleatórios construídos e em-
dem ser avaliados sem que o sistema butidos no modelo.
real seja perturbado. ƒƒ A modelagem e a experimentação as-
ƒƒ Hipóteses sobre como ou por que cer- sociadas a modelos de simulação con-
tos fenômenos acontecem podem ser somem muitos recursos, principalmen-
testadas para confirmação. te tempo. A tentativa de simplificação
ƒƒ O tempo pode ser controlado, compri- na modelagem ou nos experimentos
mido ou expandido, permitindo repro- objetivando economia de recursos cos-
duzir os fenômenos de maneira lenta tuma levar a resultados insatisfatórios.
ou acelerada, para que melhor estudá- Em muitos casos, a aplicação de méto-
-los. dos analíticos (como a teoria das filas,
por exemplo) pode trazer resultados
ƒƒ A identificação de “gargalos”, preocupa-
menos ricos e mais econômicos.
ção maior do gerenciamento operacio-
nal de inúmeros sistemas, como fluxos
de materiais, de informações e de pro-
dutos, pode ser obtida de forma facilita-
da, principalmente com a ajuda visual.
ƒƒ Um estudo de simulação costuma mos-
trar como realmente um sistema opera,

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1.5 Modelos

No encaminhamento de um estudo de simu- descrição toma a forma de relações matemáticas ou


lação, uma das principais etapas consiste na mo- lógicas que, no seu conjunto, constituem o que se
delagem do sistema em estudo, para que se possa denomina modelos.
observar seu comportamento em determinadas O modelo é utilizado como um veículo para
condições, de forma a, cientificamente, estudá-lo e a experimentação, muitas vezes em procedimen-
entendê-lo. tos do tipo tentativa e erro, procurando mostrar
A modelagem pressupõe um processo de os efeitos das várias políticas operacionais e de
criação e descrição, envolvendo um determinado gerenciamento. Aquelas que apresentam os melho-
grau de abstração que, na maioria das vezes, acarre- res resultados podem, então, ser empregadas no
ta uma série de simplificações sobre a organização e sistema real.
o funcionamento do sistema real. Usualmente, essa

Figura 1 – Representação esquemática de um modelo de sistema.

A modelagem de um sistema dependerá, fun- ção de um modelo voltado à simulação do sistema


damentalmente, do seu propósito e complexidade. pode ser a decisão mais correta. Os modelos trata-
São vários os tipos de modelo que podem ser em- dos nesta apostila são voltados à simulação discreta
pregados, tais como: modelos matemáticos, mode- de sistemas ou, como alguns se referem, à simula-
los descritivos, modelos estatísticos e modelos do ção discreta de processos.
tipo entrada-saída.
Se o sistema no qual se tem interesse for sim-
ples, as inter-relações entre seus elementos serão
descritas e estruturadas com o uso do cálculo, da ál-
gebra ou da teoria das filas, por exemplo. No entan-
to, os sistemas do mundo real costumam ser mais
complexos do que o desejado e, acima de tudo, não
apresentam um comportamento previsível. Simpli-
ficações sobre esses sistemas objetivando estudos
analíticos podem levar a soluções pobres e, até
mesmo, pouco confiáveis. Nesse momento, a ado-

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1.6 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a),

Neste capítulo, definiu-se o que é simulação de sistemas, ou seja, simulação implica a modelagem de
um processo ou sistema, de tal forma que o modelo imite as respostas do sistema real, numa sucessão de
eventos que ocorrem ao longo do tempo.
Por que simular? O principal apelo ao uso dessa ferramenta é que certas questões podem ser respon-
didas sem que os sistemas sob investigação sofram qualquer perturbação, uma vez que os estudos são reali-
zados no computador.
Sistemas podem ser definidos como “um conjunto de objetos, como pessoas ou máquinas, por exem-
plo, que atuam e interagem com a intenção de alcançar um objetivo ou um propósito lógico” (TAYLOR, 1970).
Principais vantagens da simulação:

ƒƒ uma vez criado, um modelo de simulação pode ser utilizado inúmeras vezes para avaliar proje-
tos e políticas propostos;
ƒƒ a metodologia de análise utilizada pela simulação permite a avaliação de um sistema proposto,
mesmo que os dados de entrada estejam, ainda, na forma de “esquemas” ou rascunhos;
ƒƒ a simulação é, geralmente, mais fácil de aplicar do que métodos analíticos.

Principais desvantagens da simulação:

 a construção de modelos requer treinamento especial. Envolve arte; portanto, o aprendizado se


dá ao longo do tempo, com a aquisição de experiência. Dois modelos de um sistema construí-
dos por dois indivíduos competentes terão similaridades, mas dificilmente serão iguais;
 os resultados da simulação são, muitas vezes, de difícil interpretação. Uma vez que os modelos
tentam capturar a variabilidade do sistema, é comum que existam dificuldades em determinar
quando uma observação realizada durante uma execução se deve a alguma relação significante
no sistema ou a processos aleatórios construídos e embutidos no modelo.

O modelo é utilizado como um veículo para a experimentação, muitas vezes em procedimentos do tipo
tentativa e erro, procurando mostrar os efeitos das várias políticas operacionais e de gerenciamento.

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1.7 Atividades Propostas

Caro(a) aluno(a),

Com o término deste capítulo, vamos verificar se o conteúdo foi bem fixado.

1. Como pode ser definido um sistema?

2. Para que servem os modelos dentro da simulação?

3. Quando deve ser aplicada a simulação?

4. Cite três sistemas aptos à modelagem.

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2 COMO FUNCIONA A MODELAGEM

Prezado(a) aluno(a), Para que o modelo computacional evolua di-


namicamente, uma das soluções encontradas pelos
Assim como qualquer programa de computa- pesquisadores foi construir programas de computa-
dor, um modelo computacional para simulação de dor orientados por eventos. Com as ferramentas e
um sistema executa, na grande maioria das vezes de ambientes computacionais disponíveis hoje, é pos-
forma sequencial e de maneira repetitiva, um con- sível construir modelos de simulação em computa-
junto de instruções. À medida que são executadas dores com um mínimo de conhecimento sobre uma
essas instruções, os valores que determinadas variá- linguagem de simulação, bem como sobre toda a
veis podem assumir são alterados, uma vez que se lógica de programação e a matemática envolvida
modificam as condições, influenciando o compor- nesses programas. O mais importante é que o usuá-
tamento do modelo. Sendo os modelos referentes a rio tenha domínio sobre a natureza do sistema e do
sistemas dinâmicos, essas variáveis mudam à medi- problema a ser tratado.
da que o tempo simulado progride, não tendo seus
valores antecipadamente determinados, por se tra-
tar de variáveis aleatórias.

2.1 Exemplo de Sistema

Para explicar melhor as relações existentes, o pados. Prevendo tal situação, o gerente do banco
dinamismo dentro de um sistema e como é possível criou uma área de espera na qual os clientes podem
coletar esses elementos, incluindo-os em um mo- aguardar sentados, por ordem de chegada, pelo
delo de simulação para o tratamento de seus pro- momento de ser atendidos. O gerente, no entanto,
blemas, apresentaremos nesta seção um exemplo tem certo receio de determinar a quantidade de
de sistema, que, embora simples, serve de analogia assentos e por isso necessita de uma análise mais
a inúmeros sistemas existentes. detalhada da situação.
O exemplo consiste no atendimento de um
caixa de banco. Esta é uma típica representação
de um conjunto conhecido como sistema de fila
simples, que pode ser associado a guichês de aten-
dimento como os de cinemas, teatros, pedágios,
drive-thru etc. Nesse sistema, os clientes chegam e
se encaminham ao caixa que estiver desocupado
para realizar transações bancárias. Dependendo do
dia do mês e da hora escolhida, é possível que, ao
chegar ao banco, o cliente encontre os caixas ocu-

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2.2 Como Tratar e Analisar o Problema

Levaremos em consideração que o gerente tes chegam a cada 3 minutos, em média, enquanto
está disposto a realizar alguns estudos desse siste- o TA é de aproximadamente 6 minutos. Em horário
ma visando a melhorar o atendimento aos clientes, normal (fora do horário de pico), o Tempo de Che-
principalmente nos momentos de pico. Algumas gada (TC) médio dos clientes é de 6 minutos e o TA
dúvidas foram levantadas pelo gerente: médio é de 4 minutos.
Um sistema com essas características pode
ƒƒ a quantidade de dez assentos é sufi- ter dois comportamentos. Na primeira situação,
ciente para acomodar os clientes nos observa-se que a frequência de chegada dos clien-
horários de pico? tes é maior que a de atendimento dos caixas, uma
ƒƒ o atendimento está sendo prestado em vez que o TA dos caixas é em média 6 minutos e o
tempo aceitável, de forma que os clien- TC dos clientes é de 3 minutos. No entanto, fora dos
tes não fiquem muito tempo no siste- períodos de pico, o sistema apresenta folgas, isto é,
ma? a área de espera não seria necessária. A partir das
ƒƒ é necessário aumentar o número de cai- informações disponíveis, fica claro que, mesmo
xas no período de pico? para um sistema simples como este, o alcance de
soluções adequadas passa, obrigatoriamente, por
abordagens apropriadas. Por se tratar de um siste-
Para que se possa estudar esse sistema por ma de fila simples, três alternativas tornam-se ime-
meio de um modelo, é necessário que duas infor- diatamente candidatas:
mações básicas estejam disponíveis:
1. tratamento por emprego de bom sen-
1. Com que frequência ocorre a chegada so e um pouco de adivinhação, o qual
dos clientes para o atendimento nos será chamado “suposição”;
caixas? 2. tratamento analítico, empregando, por
2. Qual é o Tempo de Atendimento (TA) exemplo, a teoria das filas;
médio a cada cliente? 3. tratamento por meio de modelagem e
simulação.
De acordo com as informações levantadas
pelos caixas do banco, em horários de pico os clien-

2.3 Emprego da “Suposição”

No primeiro caso citado, só o emprego do Mesmo sendo uma técnica baseada na su-
bom senso não permite a efetiva previsão do que posição de acontecimentos, é preciso, assim como
irá acontecer com o sistema. Nesse caso, faz-se ne- em qualquer outra técnica, ter dados. Os principais
cessário o uso da imaginação para “adivinhar” o fu- dados, nesse caso, são a frequência com que os
turo, ou seja, supor o que vai acontecer. Embora não clientes chegam ao caixa e o tempo necessário para
recomendada, esta é uma técnica utilizada no apoio efetuar o atendimento. A Tabela 1 reúne as informa-
à tomada de decisão. ções levantadas:

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Tabela 1 – Informações levantadas.

Situação TC TA
A ± 3 min ≈ 6 min
B ≥ 4 min ± 4 min

Na condição A, é possível verificar que, como Já perante a condição B, o que pode ser veri-
a chegada dos clientes é mais rápida que o atendi- ficado é que o sistema apresenta certa folga, isto é,
mento em si, é muito provável a ocorrência de filas como o TA é menor que o tempo decorrido entre as
de espera. Assim, considerando esse possível cená- chegadas, raramente ocorrerão filas de espera. Nes-
rio, as decisões poderiam ser: se caso, o gerente optaria por não tomar nenhuma
medida.
ƒƒ aumentar o número de assentos para Adotar uma ou mais ações com base nos re-
espera; sultados desse processo de suposição poderá con-
ƒƒ aumentar o número de caixas para duzir a resultados não compensadores. Um resulta-
atendimento; do real deve se encontrar entre esses dois extremos.
ƒƒ ambas as medidas.

2.4 Teoria das Filas

A segunda forma de solução do problema chamado markoviano (por isso a adoção das letras
emprega um conjunto de fórmulas matemáticas M/M). Sendo assim, considera-se que esses tempos
que permitem calcular a maioria das respostas de- são independentes uns dos outros e distribuídos
sejadas pelo gerente, sendo denominada “teoria exponencialmente. O algarismo 1 indica a existên-
das filas”. Entre as respostas, podem-se mencionar: cia de um único servidor (isto é, somente um cliente
TA médio, tamanho médio da fila na área de espe- pode ser atendido por vez). A falta de informações
ra, tempo médio de espera, proporção de ocupação sobre limites impostos à fila indica que na área de
dos caixas etc. Essas possibilidades são bem ade- espera não devem ser consideradas limitações. Por-
quadas ao encaminhamento de soluções aos pro- tanto, são adotadas as equações referentes a uma
blemas levantados. fila do tipo M/M/1. Dessa forma, teremos as seguin-
A teoria das filas tem sido desenvolvida e tes equações a ser utilizadas:
adotada há anos, podendo seu conjunto de fórmu-
las ser verificado em inúmeras referências (BANKS, ƒƒ número médio de clientes no sistema
1996; JAIN, 1991; LAW, 1991). Um fator importante (L):
é o reconhecimento do tipo de sistema com o qual
está se lidando, de tal forma que o formulário corre-
(1)
to seja adotado. Existem diversas variações, as quais
exigem o emprego de diferentes fórmulas. No caso
do exemplo estudado, pode-se considerar o siste- ƒƒ tempo médio despendido no sistema
ma como sendo do tipo M/M/1. Esse tipo de siste- (W):
ma, considerado o mais simples e popular, assume
que tanto os tempos relativos à chegada ao sistema (2)
quanto os TAs ocorrem de acordo com um processo ƒƒ taxa média de ocupação do servidor (Ρ):

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Analisando a taxa de chegada e a taxa de


(3) atendimento, concluímos que γ > μ; sendo assim, a
tendência, nesse caso, é de instabilidade no siste-
ma, ou seja, crescimento contínuo da fila de espera
Em que:
para atendimento.
Para a situação B, podem-se aplicar as equa-
ƒƒ γ: taxa de chegadas em um período de
ções descritas anteriormente. Realizando algumas
tempo;
projeções com os dados da Tabela 1, teremos:
ƒƒ μ: taxa de atendimento em um período
de tempo.
ƒƒ TC na situação B é maior ou igual a 6mi-
nutos e o TA é de ± 4 minutos. Anali-
Essas equações são válidas para estimativas sando o comportamento em outros ce-
do comportamento do sistema considerando lon- nários, assumem-se diferentes valores
gas observações dele e para situações em que γ < para o parâmetro das chegadas (4, 6 e
μ, pois, caso ocorra o contrário, a fila não parará de 10 minutos), fixando o TA em 4 minutos.
crescer e o sistema se tornará instável.
Aplicando as equações ao problema do ban- Utilizando a equação 4, teremos, respecti-
co, considerando inicialmente a situação A da Tabe- vamente, para os TCs de 4, 6 e 10 minutos:
la 1, teremos:

γ = 15 clientes/h
ƒƒ TC médio de clientes a cada 3 minutos e
γ = 10 clientes/h
TA de 6 minutos: adotaremos um perío-
do de tempo de 1 hora para a determi- γ = 6 clientes/h
nação da taxa de chegada γ e da taxa de
atendimento μ. Utilizando a equação 5, com o TA fixado em
4 minutos, teremos:
Portanto:
μ = 15 atendimentos/h
γ = período / TC (4)
γ = 60 min / 3 min → 20 clientes/h A Tabela 2 mostra o que ocorre no sistema
com os dados da situação B.

μ = período / TA (5)
μ = 60 min / 6 min → 10 clientes/h

Tabela 2 – Dados da situação B.

Informação Resultados
γ 15 10 6
L ∞ 2 0,68
W ∞ 0,2 0,11
P 1 0,68 0,4

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Podemos observar que, na coluna relativa ƒƒ o emprego de valores médios (estimati-


a γ = 15, L e W assumem valor igual a ∞, devido à vas) para os tempos decorridos entre as
divisão por zero, resultante da equação. Interpre- chegadas e os tempos de serviços pode
tamos, nesse caso, que a fila tende a crescer inde- levar a conclusões não precisas, devido
finidamente, com congestionamentos eternos no aos erros associados ao levantamento
sistema, e o servidor permanece 100% do tempo das estimativas;
ocupado. Avaliando o comportamento do sistema ƒƒ existem equações bastante sofistica-
para γ = 10 e γ = 6, notam-se, respectivamente, os das para estimar o comportamento
seguintes resultados: aleatório das variáveis envolvidas. Ge-
ralmente, o equacionamento empre-
ƒƒ o número médio de clientes no sistema gado pressupõe que uma distribuição
cai para 2 e 0,68; exponencial determina o processo de
ƒƒ o tempo médio de espera reduz para 12 chegada (sendo razoável) e o processo
e 6,6 minutos; de atendimento (o que pode ser inade-
ƒƒ a taxa média de ocupação baixa para 68 quado);
e 40%. ƒƒ as equações são apropriadas quando se
observa um grande período de obser-
vações; se o sistema funciona por perío-
Embora esses resultados tenham um grau de dos curtos, é possível uma considerável
confiança maior que os obtidos pelo método da “su- diferença entre as respostas do sistema
posição”, não se pode confiar cegamente neles. real e aquelas obtidas pelo equaciona-
A teoria das filas costuma ser empregada na mento analítico;
observação de diferenças mais “grosseiras” entre sis- ƒƒ torna-se complexa a possibilidade de
temas, empregando macrodados, isto é, os diversos analisar a variabilidade do sistema, isto
valores atribuídos às variáveis apresentam níveis é, seu comportamento dinâmico e esto-
com significativas diferenças. Em muitas situações, cástico ao longo de um período de tem-
essa técnica é efetiva, porém sua utilização pode re- po ou intervalo de interesse.
sultar em alguns problemas, tais como:

2.5 Emprego de Modelagem e Simulação

A ideia por trás do emprego da modelagem Num primeiro momento, podemos imaginar
e simulação de sistemas implica a realização de um que simulações só podem ser efetivadas via compu-
esforço computacional, no qual um programa exe- tador e com o emprego de programas e ambientes
cuta uma série de instruções. A simulação do mo- sofisticados, porém isso depende do nível de com-
delo transmite ao usuário a sensação de um com- plexidade do sistema. Sistemas menos complexos,
portamento semelhante ao do sistema real do qual como o do exemplo que estamos analisando, po-
deriva. A possibilidade de manuseio do modelo dem ser feitos de forma manual, conforme veremos
permite ao analista a realização de experimentos, a seguir. A realização da simulação de forma manual
os quais permitem estimar e concluir o comporta- normalmente implica a construção de tabelas, co-
mento do modelo e, por inferência, responder às nhecidas como tabelas de simulação, o que depen-
questões equacionadas na descrição do problema derá do tipo de modelo empregado para tratar o
sobre a conduta e desempenho do sistema a ser es- sistema a ser analisado e, principalmente, do tipo
tudado. de resposta que se está buscando.

19
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As tabelas de simulação apresentam o regis- No caso da simulação, usaremos os mesmos


tro do comportamento dinâmico do sistema ao lon- valores para os TCs, sendo eles 4, 6 e 10 minutos,
go do tempo. Para sua elaboração, empregaremos porém de forma aleatória, como no sistema real, em
os mesmos dados disponíveis e utilizados pelas que o TC não é sempre de 4, 6 e 10 minutos. Assumi-
abordagens anteriores, com exceção da situação A remos que essa variável pode apresentar esses três
mostrada na Tabela 1. Essa situação não será con- possíveis valores com as mesmas probabilidades,
siderada, uma vez que é conhecido que o sistema isto é, 1/3 para cada valor. Seguindo essa premissa,
não funcionará com aquelas condições. Referente o TA também poderá assumir, de forma randômica,
à situação B, serão empregados valores semelhan- os valores de 3, 4 e 5 minutos. A Tabela 3 resume o
tes aos utilizados no modelo da teoria das filas. A descrito.
diferença entre as duas abordagens fica por conta
do uso de valores não determinísticos, tanto para os
tempos entre as chegadas quanto para os TAs.

Tabela 3 – Resumo das probabilidades.

TC TA
Tempo (min) 4 6 10 3 4 5
Probabilidade 1/3 1/3 1/3 1/3 1/3 1/3

O modelo de simulação será construído com 3. taxa de ocupação do caixa.


as possibilidades definidas na Tabela 3. A constru-
ção da tabela deve ser feita de tal maneira que, ao
1) Para o número de clientes esperando na
final da simulação manual, seja possível dela extrair
fila, um constante monitoramento da área de espe-
elementos que permitam responder às questões
ra será realizado ao longo da simulação.
básicas formuladas pelo gerente do banco, sendo
elas: 2) Para o cálculo do tempo de um cliente no
sistema, é necessário guardar o tempo de sua entra-
da. Posteriormente, quando de sua saída, verifica-se
ƒƒ a quantidade de dez assentos é sufi-
o momento em que isso ocorre (tempo de ocorrên-
ciente para acomodar os clientes nos
cia) e deste subtrai-se o tempo de sua chegada. Por
horários de pico?
exemplo: se um cliente chega às 10h00 e sai do ban-
ƒƒ o atendimento está sendo prestado em
co às 10h25, faz-se: (10h25 – 10h00 = 25 min). Esse
tempo aceitável, de forma que os clien-
tempo de 25 minutos é armazenado como o tempo
tes não fiquem muito tempo no siste-
que esse cliente permaneceu no sistema. Isso per-
ma?
mitirá que posteriormente seja feita a verificação
ƒƒ é necessário aumentar o número de cai- de quem despendeu o menor tempo no sistema, o
xas no período de pico? maior tempo no sistema, o tempo médio etc.
3) Para calcular a taxa de ocupação do caixa, é
As respostas para tais questionamentos exi- necessário verificar a parcela do tempo de operação
gem que as seguintes estatísticas sejam calcula- do sistema (tempo simulado) em que se encontra
das: ocupado ou livre. Acumulam-se todos os períodos
de tempo em que o operador está no estado livre.
1. número de clientes esperando na fila; Ao final da simulação, faz-se a relação tempo livre/
2. tempo despendido pelos clientes no tempo de simulação e se obtém o percentual de
sistema; tempo livre. Seu complemento será o percentual de
ocupação do servidor.

20
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Uma vez determinados os dados que devem


ser colhidos ao longo da simulação, a tabela pode
então ser construída. Ela compreende a simulação
de um período equivalente aos trabalhos realizados
no banco, com início às 10h00 e término às 13h00.
Dessa maneira, o tempo da simulação deve cobrir
um intervalo de 3 horas ou 180 minutos. A Tabela 4
ilustra o descrito no texto.

Tabela 4 – Dados de simulação.

Tempo do Tempo
Tempo desde Tempo do Tempo do
início do final do Tempo livre
Cliente a última TC do relógio TA cliente na cliente no
atendimento atendimento do operador
chegada fila sistema
no relógio no relógio
1 10 10 5 10 0 15 5 10
2 6 16 4 16 0 20 4 1
3 4 20 3 20 0 23 3 0
4 6 26 4 26 0 30 4 3
5 6 32 3 32 0 34 3 2
6 10 42 5 42 0 47 5 7
7 4 46 5 46 0 51 5 0
8 6 52 3 52 0 55 3 1
9 4 56 4 56 0 60 4 1
10 4 60 4 60 0 64 4 0
11 4 64 3 65 1 68 4 0
12 6 70 5 72 2 77 7 3
13 10 80 5 80 0 85 5 5
14 6 86 3 86 0 89 5 1
15 6 92 3 92 0 95 5 3
16 10 102 4 103 1 107 5 7
17 10 112 4 113 1 117 5 6
18 6 118 5 118 0 123 5 2
19 4 122 5 122 0 127 5 0
20 4 126 4 126 0 130 4 0
21 6 132 3 132 0 135 3 2
22 10 142 5 142 0 147 5 7
23 10 152 3 155 3 158 6 5
24 6 158 3 161 3 164 6 3
25 6 164 4 164 0 168 4 3
26 10 174 5 174 0 179 5 6
27 4 178 5 178 0 183 4 0
109 11 123 78

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Iniciando a simulação, atribui-se valor zero à -se dados para o futuro cálculo da taxa de ocupa-
variável chamada relógio, responsável pelo controle ção do atendente. Como este ficou sem atender do
do relógio da simulação. Desse momento em diante, momento da abertura do banco até a chegada do
o sistema encontra-se em “funcionamento”, aguar- primeiro cliente, o valor de 10 minutos é apontado.
dando a chegada dos clientes, sabendo-se que os Conforme a Tabela 4, o segundo cliente chega
clientes chegam ao sistema com tempos entre si ao sistema 6 minutos após a chegada do primeiro.
fornecidos pela variável aleatória TC. Para a chegada Ao chegar, o relógio marcará 16 minutos e o caixa
do primeiro cliente no sistema, deve-se selecionar estará livre, uma vez que o primeiro cliente deixou
um entre os três possíveis valores de TC, conforme a o sistema aos 15 minutos. O tempo de atendimento
Tabela 3, sendo eles 4, 6 e 10 minutos. Como todos atribuído a esse cliente é de 4 minutos e ele deixa o
os valores possuem a mesma probabilidade (1/3), sistema aos 20 minutos do relógio.
basta a realização de um sorteio simples. A situação do 11º cliente é um pouco diferen-
Como o relógio foi iniciado em zero, sendo o te. Ele chega ao sistema 4 minutos após a chegada
valor de TC sorteado igual a 10 minutos, conforme do décimo cliente. Nesse instante, o relógio marca
mostra o primeiro valor da segunda coluna da Ta- 64 minutos, conforme se pode verificar na Tabela 4,
bela 4, quando o cliente chegar ao sistema, o reló- porém o atendimento não é iniciado. Essa situação
gio deverá estar marcando 10 minutos. Chegando faz com que o décimo primeiro cliente aguarde 1
ao sistema, o cliente encontra-o vazio, iniciando-se, minuto no primeiro lugar da fila de espera, inician-
assim, imediatamente o atendimento. A quinta co- do-se o seu atendimento após a saída do cliente an-
luna da Tabela 4 – Tempo de início do atendimento terior. Como seu tempo de serviço dura 3 minutos,
no relógio – mostra o mesmo valor de TC (10 minu- conforme sorteio realizado, ele deixa o sistema aos
tos), indicando que o cliente não teve que aguardar 68 minutos. O tempo no sistema desse cliente refle-
na fila. Para a simulação do término do serviço, é te dois diferentes períodos de passagem de tempo:
necessário atribuir um valor à variável aleatória TA. 1 minuto na fila e 3 minutos no atendimento, che-
Conforme a Tabela 3, TA pode assumir valores iguais gando ao total de 4 minutos. De maneira análoga,
a 3, 4 e 5 minutos. Por meio de sorteio simples, é é possível acompanhar o desenrolar das atividades
obtido e atribuído o valor de 5 minutos, que é so- realizadas por todos os 27 clientes. A simulação se
mado ao tempo de início de atendimento, indican- encerra no 27º cliente, que chega antes das 12h00,
do o tempo de término do atendimento (sétima deixando o sistema aos 183 minutos de simulação.
coluna) aos 15 minutos. Como esse cliente não teve Algumas das colunas da Tabela 4 apresentam
que aguardar na fila de espera, seu tempo no siste- valores de somatórios. A partir deles, uma série de
ma é de apenas 5 minutos, isto é, igual ao próprio estatísticas pode ser calculada, como, por exemplo:
tempo de atendimento. Na última coluna, coletam-

ƒƒ tempo médio de espera na fila (TMF):

(7)

ƒƒ probabilidade de um cliente esperar na fila (PCEF):

(8)

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ƒƒ probabilidade de o operador estar livre (POEL):

(9)

 tempo médio de atendimento (TMA):

(10)

 tempo médio despendido no sistema (TMDS):

(11)

No sistema modelado, o cliente, uma vez no ao final da simulação, mas a possibilidade de se ob-
sistema, encontra-se ou sendo atendido ou na área servar toda a dinâmica do sistema ao longo dela. A
de espera. Dessa forma, o tempo médio despendi- eventual formação de fila, a variabilidade associada
do no sistema também pode ser calculado soman- aos tempos entre as chegadas, as diferenças entre
do o tempo médio de espera na fila (0,41 minuto) e os tempos mínimo e máximo no sistema etc. per-
o TA médio (4,04 minutos). O valor encontrado será mitem ao gerente testar novas estratégias para o
o mesmo: 4,45 minutos. funcionamento do banco, incorporando ao modelo
O TA médio não foi considerado uma novida- detalhes que possam ser considerados importan-
de pelo gerente, mas o tempo de fila sim. No en- tes, verificando o comportamento do sistema antes
tanto, as descobertas mais importantes não foram de sua real implementação.
propriamente os números e estatísticas revelados

2.6 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a),

Este capítulo foi baseado em um exemplo de sistema em que foram aplicadas algumas teorias para
simulação, sendo elas:

ƒƒ emprego da “suposição”: neste caso, faz-se necessário o uso da imaginação para “adivinhar” o
futuro, ou seja, supor o que vai acontecer. Sendo uma técnica baseada na suposição de aconte-
cimentos, é preciso, assim como em qualquer técnica, ter dados;
ƒƒ teoria das filas: tem sido desenvolvida e adotada há anos, podendo seu conjunto de fórmulas
ser verificado em inúmeras referências (BANKS, 1996; JAIN, 1991; LAW, 1991). Um fator impor-
tante é o reconhecimento do tipo de sistema com o qual está se lidando, de forma que o formu-

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lário correto seja adotado. Existem diversas variações, as quais exigem o emprego de diferentes
fórmulas;
ƒƒ modelagem e simulação: num primeiro momento, podemos imaginar que simulações só po-
dem ser efetivadas via computador e com o emprego de programas e ambientes sofisticados,
porém isso depende do nível de complexidade do sistema. Sistemas menos complexos, como
o do exemplo que analisamos, podem ser feitos de forma manual. Isso normalmente implica
a construção de tabelas, conhecidas como tabelas de simulação, o que dependerá do tipo de
modelo empregado para tratar o sistema a ser analisado e, principalmente, do tipo de resposta
que se está buscando.

2.7 Atividades Propostas

Caro(a) aluno(a),

Com o término deste capítulo, vamos verificar se o conteúdo foi bem fixado.

1. Qual problema é encontrado quando aplicada a teoria da “suposição”?

2. Quando se costuma empregar a teoria das filas?

3. Quais problemas podem resultar da utilização da teoria das filas?

4. Quando a modelagem e simulação podem ser aplicadas de forma manual?

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TERMINOLOGIA BÁSICA UTILIZADA
3 EM MODELAGEM E SIMULAÇÃO DE
SISTEMAS

Caro(a) aluno(a), ƒƒ um início de processamento: pela má-


quina, pelo caixa ou pela CPU, respecti-
Uma série de termos é usualmente emprega- vamente, em cada um dos sistemas;
da quando da conceituação dos elementos básicos ƒƒ uma saída: de peças, de clientes ou de
envolvidos na modelagem e na simulação de siste- tarefas, respectivamente, em cada um
mas. Seguem alguns dos principais: dos sistemas.

Variáveis de estado: são as variáveis cujos Entidade: representa um objeto que neces-
valores determinam o estado de um sistema. As sita de uma clara e explícita definição. Ela pode ser
variáveis de estado constituem o conjunto de in- dinâmica, movendo-se através dos sistemas (peças,
formações necessárias à compreensão do que está clientes, tarefas), ou estática, servindo a outras enti-
ocorrendo no sistema, num determinado instante dades (máquinas, CPU).
no tempo, com relação aos objetos de estudo. Sua Atributos: são as características que definem
determinação é função do propósito do estudo; por totalmente as entidades. O que difere entidades se-
exemplo: melhantes são os valores dos atributos. Os atribu-
tos associados às entidades também dependem do
ƒƒ na fábrica: o número de peças a ser pro- tipo de investigação que está sendo levado a efeito.
cessadas na máquina, o status da má- No caso das peças, por exemplo, se o interesse re-
quina (ocupada ou livre); cair sobre o tempo médio no sistema de todas as
ƒƒ no banco: número de clientes esperan- peças que por ele transitam, independentemente
do na fila do caixa; do seu tipo ou código, esses atributos não serão de
ƒƒ no servidor: número de tarefas aguar- interesse.
dando na fila da unidade central de pro- Recursos: são considerados entidades estáti-
cessamento (CPU), número de tarefas já cas que fornecem serviços às entidades dinâmicas.
atendidas. Um recurso pode ter a capacidade de servir uma ou
mais entidades dinâmicas ao mesmo tempo, ope-
rando como um servidor paralelo.
Eventos: são acontecimentos, programados
Fila de recursos: é a forma como estes são
ou não, que, quando ocorrem, provocam uma mu-
gerenciados, dependendo, fundamentalmente, das
dança de estado em um sistema. Toda mudança
políticas operacionais adotadas no sistema ou no
de estado é decorrente de um evento. Sempre que
modelo que os apresenta, como, por exemplo, First
ocorre um evento, pelo menos uma variável de es-
In, First Out (FIFO).
tado se altera; por exemplo:
Atividades: uma atividade corresponde a um
período de tempo predeterminado. Logo, uma vez
ƒƒ uma chegada: de peças, de clientes ou
iniciada, seu final pode ser programado.
de tarefas, respectivamente, em cada
um dos sistemas;

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Período: é o tempo que uma determinada suas atividades; por exemplo, a simulação das tare-
atividade leva para ser concluída. fas que chegam a um servidor leva milissegundos
Espera: é um período de tempo sobre o qual, para acontecer e, na simulação, pode levar horas.
em geral, não se tem controle se o modelo contém Tempo de simulação: é o tempo que a simu-
variáveis aleatórias. Uma vez iniciada, não se pode lação leva para completar todas as atividades do
programar seu fim. sistema; por exemplo, as atividades de um porto
Tempo real simulado: é o tempo que supos- levam horas para acontecer, mas, na simulação, po-
tamente o sistema levaria para completar todas as dem ser feitas em segundos.

3.1 Classificação dos Sistemas para Modelagem e Simulação

A Figura 2 esquematiza como podem ser clas-


sificados os sistemas para modelagem e simulação.

Figura 2 – Sistemas para modelagem e simulação.

Na classificação dos sistemas para modela- tinuamente ao longo do tempo; por


gem e simulação, encontramos os seguintes mode- exemplo, ao retirar o tampão de uma
los: caixa d’água cheia, o nível da água va-
riará com o tempo, continuamente;
ƒƒ modelos discretos: são modelos em ƒƒ modelos voltados à previsão: a simula-
que as variáveis de estado mantêm-se ção pode ser usada para prever o esta-
inalteradas ao longo de intervalos de do de um sistema em algum ponto no
tempo e mudam seus valores somen- futuro, com base nas suposições sobre
te em pontos bem definidos, também seu comportamento atual e como con-
conhecidos como tempo de ocorrência tinuará se comportando ao longo do
do evento. Salienta-se que a variação tempo;
do tempo, nestes modelos, pode ser ƒƒ modelos voltados à investigação: al-
tanto discreta quanto contínua; guns tipos de estudo baseados em
ƒƒ modelos contínuos: nestes modelos, as simulação estão voltados à busca de
variáveis de estado podem variar con- informações e ao desenvolvimento de

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Modelagem e Simulação de Sistemas de Produção

hipóteses sobre o comportamento de a) quando e qual tipo de equipamento


sistemas. Como visto anteriormente, novo deve ser comprado;
nem sempre é verdade que os objetivos b) quando e como reorganizar os recursos
dos estudos estão claros e bem defini- voltados ao atendimento de clientes (fi-
dos no início. Nesse caso, as variáveis de las de atendimento em bancos, hospi-
resposta servem muito mais para cons- tais, supermercados etc.);
truir e organizar as informações sobre a c) decisão sobre a alocação de determina-
natureza do fenômeno ou sistema em do tipo de equipamento servindo uma
estudo. Os experimentos recaem sobre ou outra linha de produção;
as reações do sistema (modelo) a estí-
d) decisão sobre o poder de processamen-
mulos normais e anormais;
to necessário a um servidor de rede de
ƒƒ modelos voltados à comparação: uma comunicação, de acordo com diferen-
comparação de diferentes rodadas de tes tipos de carga no sistema.
simulação pode ser usada para avaliar
o efeito de mudanças nas variáveis de
controle. Os efeitos podem ser medidos Em geral, o tomador de decisão atribui gran-
sobre as variáveis de resposta e relacio- de interesse aos modelos e seus resultados.
nados aos objetivos traçados, se estes Os dados envolvidos em modelos específicos
forem bem específicos. devem ser confiáveis. Na maioria das vezes, serão
coletados para ser utilizados uma única vez.

Na classificação dos modelos com vistas ao


propósito de sua aplicação, eles podem ser sub- Modelos Genéricos
divididos em modelos únicos e específicos (de
curta utilização) ou modelos genéricos (de longa Em algumas organizações, existe a necessida-
utilização). de de desenvolver modelos que serão usados pe-
riodicamente por longos períodos. Eis alguns exem-
Modelos Específicos plos:

Uma vez que mais e mais facilidades voltadas a) decisões sobre aplicações orçamentá-
à modelagem vêm sendo incorporadas aos am- rias, baseadas em desempenho e proje-
bientes e linguagens de simulação, é comum que ções simuladas do futuro;
analistas e responsáveis pela tomada de decisão b) gerenciamento do tráfego em uma
nos diversos níveis gerenciais façam uso de mode- área em particular. Com o aumento da
los, mesmo considerando situações específicas e densidade populacional na área, existe
únicas ou o baixo volume dos recursos financeiros a necessidade de novos estudos sobre
envolvidos nas decisões. a implantação de novos semáforos,
Até o início dos anos 1990, o desenvolvimen- planejamento de trabalhos na rodovia,
to e o uso de modelos, visando à obtenção de infor- planejamento de tráfego etc.
mações quantitativas auxiliares à tomada de deci-
são, eram exclusivos de processos que envolvessem Modelos com características genéricas ne-
pelo menos algumas centenas de milhares de dóla- cessitam ser flexíveis e robustos a mudanças nos
res. No entanto, em algumas áreas, como serviços e dados de entrada, em certas atividades e nos pro-
manufatura, o crescimento de seu emprego é notá- cessos por eles contemplados. Mudanças nas polí-
vel. Eis algumas das decisões nas quais modelos de ticas internas e externas das empresas que os utili-
simulação específicos podem ser úteis: zam também devem ser consideradas. Existe aqui,

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obviamente, uma clara necessidade por dados re- à aquisição de dados e a atividades de provisão de
centes e confiáveis. Em geral, esse tipo de modelo é informações, conhecidos como Sistemas de Apoio à
parte de um conjunto de outros sistemas voltados Decisão (SAD).

3.2 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a),

Neste capítulo, vimos uma série de significados da linguagem de modelagem e simulação. Citaremos
alguns, mas isso não significa que são os mais importantes e, sim, que aparecerão com maior frequência:

ƒƒ variáveis de estado: são as variáveis cujos valores determinam o estado de um sistema. As


variáveis de estado constituem o conjunto de informações necessárias à compreensão do que
está ocorrendo no sistema, num determinado instante no tempo, com relação aos objetos de
estudo;
ƒƒ eventos: são acontecimentos, programados ou não, que, quando ocorrem, provocam uma
mudança de estado em um sistema. Toda mudança de estado é decorrente de um evento;
ƒƒ entidade: representa um objeto que necessita de uma clara e explícita definição. Ela pode ser
dinâmica, movendo-se através dos sistemas (peças, clientes, tarefas), ou estática, servindo a
outras entidades (máquinas, CPU);
ƒƒ recursos: são considerados entidades estáticas que fornecem serviços às entidades dinâmicas.
Um recurso pode ter a capacidade de servir uma ou mais entidades dinâmicas ao mesmo tem-
po, operando como um servidor paralelo.

Classificação dos Sistemas para Modelagem e Simulação

A classificação dos sistemas para modelagem e simulação pode ser feita da seguinte forma:

Sistemas estáticos
Sistemas dinâmicos Determinísticos
Aleatórios Discretos
Contínuos

ƒƒ Modelos discretos: são modelos em que as variáveis de estado mantêm-se inalteradas ao lon-
go de intervalos de tempo e mudam seus valores somente em pontos bem definidos, também
conhecidos como tempo de ocorrência do evento. Salienta-se que a variação do tempo, nestes
modelos, pode ser tanto discreta quanto contínua.
ƒƒ Modelos contínuos: nestes modelos, as variáveis de estado podem variar continuamente ao
longo do tempo.

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3.3 Atividades Propostas

Caro(a) aluno(a),

Com o término deste capítulo, vamos verificar se o conteúdo foi bem fixado.

1. Qual é a função da variável de estado?

2. Como podem ser classificados os sistemas para modelagem?

3. Como é denominado o modelo que prever o estado de um sistema em algum ponto no futuro?

4. Explique a principal diferença entre modelos discretos e modelos contínuos.

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FORMULAÇÃO DE UM ESTUDO
4 ENVOLVENDO MODELAGEM E
SIMULAÇÃO

As principais fontes sobre o assunto são os Formulação do Modelo Conceitual


textos clássicos de Banks (1984), Kelton e Sadowisk
(1997), Law e Kelton (1991) e Pegden (1990). Os
Traça-se um esboço do sistema, de forma
principais pontos serão:
gráfica (fluxograma, por exemplo) ou algorítmica
(pseudocódigo), definindo componentes e descre-
Formulação e Análise do Problema vendo as variáveis e interações lógicas que cons-
tituem o sistema. É recomendado que o modelo
Todo estudo de simulação inicia-se com a inicie de forma simplificada e vá crescendo até al-
formulação do problema. Devem ser respondidas cançar algo mais complexo, contemplando todas as
questões do tipo: suas peculiaridades e características. O usuário deve
participar intensamente dessa etapa. Para isso, as
seguintes questões devem ser respondidas:
ƒƒ por que o problema está sendo estuda-
do?
ƒƒ qual é a estratégia de modelagem: dis-
ƒƒ quais respostas o estudo espera alcan-
creta, contínua, uma combinação?
çar?
ƒƒ qual quantidade de detalhes deve ser
ƒƒ quais são os critérios para avaliação da
incorporada ao modelo?
performance do sistema?
ƒƒ como o modelo reportará os resulta-
ƒƒ quais são as hipóteses e as prerrogati-
dos: relatórios pós-simulação, anima-
vas?
ções durante a execução?
ƒƒ que restrições e limites são esperados
ƒƒ qual nível de personalização de cená-
das soluções obtidas?
rios e ícones de entidades e recursos
deve ser implementado?
Planejamento do Projeto ƒƒ qual nível de agregação dos processos
deve ser praticado?
Com o planejamento do projeto, pretende-se ƒƒ como os dados serão colocados no mo-
ter a certeza de que se possuem recursos suficien- delo: manualmente, leitura de arqui-
tes no que diz respeito a pessoal, suporte, gerência, vos?
hardware e software para a realização do trabalho
proposto. Além disso, o planejamento deve incluir
Coleta de Macroinformação e Dados
uma descrição dos vários cenários que serão inves-
tigados e um cronograma temporal das atividades
que serão desenvolvidas, indicando os custos e Macroinformações são fatos, informações e
necessidades relativos aos recursos anteriormente estatísticas fundamentais, derivados de observa-
citados. ções, experiências pessoais ou arquivos históricos.
Em geral, servem para conduzir os futuros esforços

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de coleta de dados voltados à alimentação de pa- o programador responsável, podem en-


râmetros do sistema modelado. Algumas questões tender o programa?
que se apresentam são:
Verificação e Validação
ƒƒ quais são as relações e regras que con-
duzem a dinâmica do sistema? O uso Durante o desenvolvimento de um modelo de
de diagramas de fluxo é comum para simulação, é preciso estar seguro de que ele esteja
facilitar a compreensão dessas inter- sendo corretamente implementado, entendendo
-relações; que representa o sistema real ou projetado. Assim,
ƒƒ quais são as fontes dos dados necessá- confirma-se que o modelo opera de acordo com a
rios à alimentação do modelo? intenção do analista (sem erros de sintaxe e lógica)
ƒƒ os dados já se encontram na forma de- e que os resultados por ele fornecidos possuem cré-
sejada? Comumente, os dados disponí- dito e são representativos dos resultados do mode-
veis encontram-se de forma agregada, o lo real. Esses dois procedimentos são conhecidos
que não é interessante para a simulação; como verificação e validação de um modelo. Na prá-
ƒƒ e quanto aos dados relativos a custos e tica, verifica-se que esses procedimentos estendem-
finanças? Incorporar elementos de cus- -se por todas as etapas de um projeto de simulação.
tos em um projeto torna sua utilização A qualidade e a validade de um modelo de si-
muito mais efetiva. Custos de espera, mulação são medidas pela proximidade entre os re-
custos de utilização, custos de transpor- sultados obtidos pelo modelo e aqueles originados
te etc., quando empregados, tornam os do sistema real. Devido às pressuposições e simpli-
modelos mais envolventes e com maior ficações que costumam ser feitas sobre o comporta-
credibilidade e valor. mento do sistema real perante o desenvolvimento
do modelo, qualquer decisão a ser tomada deve
ser precedida de uma avaliação de sua qualidade e
Tradução do Modelo apropriação.
Divide-se essa avaliação em duas etapas:
Codifica-se o modelo em uma linguagem
de simulação apropriada. Embora hoje os esforços 1. avaliar se as pressuposições e simplifi-
desta etapa tenham sido minimizados em função cações foram implementadas correta-
dos avanços em hardware e, principalmente, nos mente no modelo computacional;
softwares de simulação, algumas questões básicas
2. saber se, apesar das pressuposições e
devem ser propriamente formuladas e respondidas:
simplificações implementadas, o mo-
delo ainda é válido, isto é, se seu com-
ƒƒ quem fará a tradução do modelo con- portamento assemelha-se ao do siste-
ceitual para a linguagem de simulação? ma real.
É fundamental a participação do usuá-
rio, se ele não for responsável direto
Resumindo, validação relaciona-se com a re-
pelo código;
presentatividade dos pressupostos, enquanto veri-
ƒƒ como será realizada a comunicação en- ficação diz respeito à correção, isto é, à ausência de
tre os responsáveis pela programação e erros nas implementações computacionais.
gerência do projeto?
Segundo Jain (1991), após seu desenvolvi-
ƒƒ e a documentação? O nome das variá- mento, um modelo computacional de simulação
veis e os atributos estão claramente do- pode se encontrar em uma das seguintes catego-
cumentados? Outros analistas, que não rias:

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1. não validado e não verificado; plicações) do modelo para que se possa alcançar a
2. não validado e verificado; precisão estatística sobre os resultados desejados.
Questões que devem ser apropriadamente respon-
3. validado e não verificado;
didas:
4. validado e verificado.

ƒƒ o sistema modelado é do tipo terminal


Por exemplo, um modelo não validado e ve- ou não terminal?
rificado seria aquele em que todos os pressupostos ƒƒ quantas replicações são necessárias?
estão corretamente implementados, isto é, com-
ƒƒ qual deve ser o período simulado para
putacionalmente falando, o programa está correto,
que se possa alcançar o estado de regi-
mas seus resultados se encontram longe da realida-
me?
de do sistema real.

Comparação de Sistemas e Identificação das


Projeto Experimental Final
Melhores Soluções

Projeta-se um conjunto de experimentos que


Muitas vezes, o emprego da técnica de simu-
produzam a informação desejada, determinando
lação visa à identificação de diferenças existentes
como cada um dos testes deve ser realizado. O prin-
entre diversas alternativas de sistemas. Em algumas
cipal objetivo é obter mais informações com menos
situações, o objetivo é comparar um sistema exis-
experimentações. As principais questões são:
tente ou considerado padrão com propostas alter-
nativas. Questões próprias desse tipo de problema:
ƒƒ quais são os principais fatores associa-
dos aos experimentos?
ƒƒ como realizar esse tipo de análise?
ƒƒ de que níveis devem ser os fatores va-
ƒƒ como proceder para comparar alterna-
riados, de forma que se possa melhor
tivas com um padrão?
avaliar os critérios de desempenho?
ƒƒ como proceder para comparar todas as
ƒƒ qual é o projeto experimental mais ade-
alternativas entre si?
quado ao quadro de respostas deseja-
das? ƒƒ como identificar a melhor alternativa
de um conjunto?
ƒƒ como garantir estatisticamente os re-
Experimentação
sultados?

Executam-se as simulações para a geração


Documentação
dos dados desejados e a realização das análises de
sensibilidade.
A documentação do modelo é sempre neces-
sária, primeiramente para servir como um guia para
Interpretação e Análise Estatística dos
que alguém, familiarizado ou não com o modelo e
Resultados
os experimentos realizados, possa fazer uso dele e
dos resultados já produzidos; em segundo lugar,
Traçam-se interferências sobre os resulta- porque, se forem necessárias futuras modificações
dos alcançados pela simulação. Estimativas para as no modelo, toda a documentação existente facilita
medidas de desempenho nos cenários planejados muito os novos trabalhos. A implementação bem-
são efetuadas. As análises poderão resultar na ne- -sucedida de um modelo depende, fundamental-
cessidade de um maior número de execuções (re- mente, de que o analista, com a maior participação

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possível do usuário, tenha seguido os passos que ƒƒ alternativas rejeitadas e seus motivos;
sumariamente aqui foram relatados.  animações das alternativas propostas,
Em linhas gerais, pode-se dizer que os seguin- quando cabíveis;
tes elementos devem constar da documentação fi-  estabelecimento de conexões do pro-
nal de um projeto de simulação: cesso e resultados alcançados com o
modelo simulado e outros processos
ƒƒ descrição dos objetivos e hipóteses le- de reengenharia ou de reformulação
vantadas; existentes no negócio;
ƒƒ conjunto de parâmetros de entrada uti-  tentativa de mostrar que a simulação
lizados (incluindo a descrição das técni- é uma espécie de ponte entre a ideia
cas adotadas para adequação de curvas e sua implementação.
e variáveis);
ƒƒ descrição das técnicas e métodos em-
A Figura 3 representa o fluxograma das eta-
pregados na verificação e validação do
pas de um estudo envolvendo modelagem e simu-
modelo;
lação.
ƒƒ descrição do projeto de experimentos e
do modelo fatorial de experimentação
adotado;
ƒƒ resultados obtidos e descrição dos mé-
todos de análise adotados;
ƒƒ conclusão e recomendações. Nesta últi-
ma etapa, é fundamental tentar descre-
ver os ganhos obtidos na forma mone-
tária.

Apresentação dos Resultados e


Implementação

A apresentação dos resultados do estudo de


simulação deve ser realizada por toda a equipe par-
ticipante. Os itens a seguir devem estar presentes
como forma de encaminhamento das questões téc-
nicas, operacionais e financeiras no que diz respeito
aos objetivos da organização:

ƒƒ restabelecimento e confirmação dos


objetivos do projeto;
ƒƒ problemas resolvidos;
ƒƒ rápida revisão da metodologia;
ƒƒ benefícios alcançados com as soluções
propostas;
ƒƒ considerações sobre o alcance e preci-
são dos resultados;

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Figura 3 – Fluxograma das etapas de um estudo envolvendo modelagem e simulação.

4.1 Erros Mais Comuns na Abordagem Via Simulação

Agora iremos falar sobre os erros mais co- apropriada do problema a ser resolvido.
muns cometidos na abordagem via simulação, sen- É comum que usuários de ferramentas
do eles: de simulação modelem sistemas com
o propósito de implementar soluções,
ƒƒ pouco conhecimento ou pouca afini- quando o propósito deve ser a imple-
dade com a ferramenta utilizada: os mentação para solucionar problemas;
benefícios obtidos com o uso de uma ƒƒ construção de modelos muito deta-
ferramenta são diretamente relaciona- lhados: devido à fácil utilização dos
dos com o grau de conhecimento sobre softwares de simulação, um erro co-
a operação e seu correto emprego. A si- mum é a inclusão desnecessária de inú-
mulação não é uma técnica complicada meros detalhes. O modelo não deve ser
de ser usada, porém o treinamento na um espelho dos sistemas reais; muito
ferramenta computacional empregada raramente tal nível de detalhe será ne-
e a correta aplicação da metodologia cessário. O nível de detalhes deve ser
são essenciais para a condução a resul- apenas suficiente para satisfazer os ob-
tados plenamente satisfatórios; jetivos traçados;
ƒƒ objetivos com pouca clareza ou de- ƒƒ realização de conclusão com base em
finição: objetivos muito vagos ou am- uma única replicação: um exemplo é
plos não conduzem a uma definição um sistema estocástico – se fosse feita

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apenas uma simulação, baseando-se


apenas no seu resultado, seria o mesmo
que jogar um dado, ele cair com o nú-
mero seis voltado para cima e concluir
que em toda jogada ocorre o mesmo
resultado.

4.2 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a),

Todo estudo de simulação inicia-se com a formulação do problema. Para isso, devem ser respondidas
questões do tipo:

ƒƒ por que o problema está sendo estudado?


ƒƒ quais respostas o estudo espera alcançar?
ƒƒ quais são os critérios para avaliação da performance do sistema?
ƒƒ quais são as hipóteses e as prerrogativas?
ƒƒ que restrições e limites são esperados das soluções obtidas?

Para que essas questões sejam respondidas, é necessário que as seguintes etapas sejam feitas:

ƒƒ planejamento do projeto;
ƒƒ formulação do modelo conceitual;
ƒƒ coleta de macroinformação e dados;
ƒƒ tradução do modelo;
ƒƒ verificação e validação;
ƒƒ projeto experimental final;
ƒƒ experimentação;
ƒƒ interpretação e análise estatística dos resultados;
ƒƒ comparação de sistemas e identificação das melhores soluções;
ƒƒ documentação;
ƒƒ apresentação dos resultados e implementação.

Erros Mais Comuns na Abordagem Via Simulação

Os erros mais comuns na abordagem via simulação são:

ƒƒ pouco conhecimento ou pouca afinidade com a ferramenta utilizada;

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ƒƒ objetivos com pouca clareza ou definição;


ƒƒ construção de modelos muito detalhados;
ƒƒ realização de conclusão com base em uma única replicação.

4.3 Atividades Propostas

Caro(a) aluno(a),

Com o término deste capítulo, vamos verificar se o conteúdo foi bem fixado.

1. Qual é o objetivo do planejamento do projeto?

2. Separe as etapas de estudo envolvendo modelagem e simulação em forma de fluxograma.

3. Cite três elementos que devem constar na documentação do estudo para modelagem e simu-
lação.

4. Quem deve realizar a apresentação dos resultados do estudo de modelagem e simulação?

5. Cite dois dos erros mais comuns na abordagem via simulação e explique um deles.

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5 PROMODEL

Caro(a) aluno(a), O ProModel é um software usado para simular


cenários e criar combinações, ajudando, assim, na
escolha da solução mais eficaz para o projeto, sendo
Neste capítulo, será apresentado o software
ele uma implantação ou um novo projeto.
ProModel, ferramenta usada na modelagem e si-
mulação de sistemas, explicando como funciona e
como utilizá-lo.

5.1 Menus do ProModel

O objetivo desta seção é familiarizá-lo(la) com Depois de fechar a janela de abertura, você
os diferentes menus do ProModel. Por meio de vá- verá a imagem apresentada na Figura 4, que mostra
rias figuras, nós vamos cobrir cada um dos princi- a janela principal, com a barra de menus e a janela
pais menus do software e os tipos de informação e de layout.
assuntos que você pode acessar a partir deles. Isso
corresponderá a uma visão geral. À medida que os
modelos forem desenvolvidos, os tópicos serão de-
talhados.

Figura 4 – Janela principal, com barra de menus e janela de layout.

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Janela de Layout O quão grande deve ser o layout é uma deci-


são que você deve fazer. Obviamente, quanto maior
ele for, mais detalhes poderão ser representados. A
A janela de layout é o espaço da janela em
desvantagem é que você precisa ficar arrastando a
que você constrói o modelo; é onde a representa-
tela enquanto o modelo é executado para ver tudo
ção gráfica do modelo aparece. Você não está limi-
que está acontecendo nas áreas que não aparecem
tado ao tamanho pequeno da tela, como na figura.
na tela do computador. Quanto maior o layout, mais
Usando as barras de rolagem horizontal e vertical,
memória será necessária.
você pode rolar 99 vezes na largura e 50 vezes na
altura em relação às dimensões da tela mostrada. De acordo com a Figura 5, tem-se o seguinte:

Figura 5 – Menu Arquivo e seus submenus.

O menu Arquivo contém algumas ações pa- ou seja, desagrupa os arquivos, deixando-os na si-
drões, bem como algumas que são específicas do tuação original.
ProModel. As seleções Novo, Abrir, Salvar, Salvar A Figura 6 mostra o menu Editar.
como, Configuração da impressora e Sair são co-
muns à maioria dos softwares e operam da mesma
maneira. A seleção Mesclar permite escolher um
modelo já existente (ou submodelo) e combiná-lo
(fundi-lo) com outro modelo. Ver texto e Impri-
mir texto permitem ver (ou imprimir) todas as es-
pecificações do modelo num mesmo local na tela.
Imprimir layout imprime o esboço do background
do modelo que você desenhou ou importou. Criar
pacote do modelo agrupa todos os arquivos neces-
sários para rodar o modelo (o arquivo do modelo, o
arquivo da biblioteca gráfica e todos os arquivos ex-
ternos) dentro de um arquivo .pkg, para fácil loco-
moção. Já Instalar pacote do modelo faz o oposto,

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Figura 6 – Menu Editar e seus submenus.

Como o próprio nome sugere, o menu Editar opções dependendo do campo a partir do qual é
permite manusear as linhas das diversas tabelas do solicitado.
ProModel, deletando registros que você criou pre- A Figura 7 mostra os submenus do menu Exi-
viamente, inserindo novos registros entre registros bir.
existentes e acrescentando ou movendo registros
para uma nova posição na tabela. Ele muda suas

Figura 7 – Menu Exibir e seus submenus.

O menu Exibir contém itens que permitem Painel de atalhos torna o painel de abertura ligado
mudar o visual da sua tela ou os parâmetros com ou desligado. Exibir grade e Ajustar à grade so-
os quais você pode configurar suas preferências. O brepõem, na janela de layout, uma grade (que pode

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ser dimensionada), permitindo a você encaixar os layout encolhe ou expande os gráficos do modelo,
objetos nos nós da grade ou não. Isso é usado para de modo a ocupar o máximo de espaço da janela,
desenhar ou configurar a escala de distância. Exibir mostrando-o por completo. Ajustes de layout e
redes escondidas e Exibir roteamento fazem com Editar tabelas serão discutidos nas páginas futuras.
que as redes de caminho que foram escondidas an- Atualizar layout recompõe a tela do layout. Res-
teriormente voltem a ser exibidas e os roteamentos taurar posições de janelas retornará todas as jane-
sejam mostrados o tempo todo (em vez de somen- las abertas para suas posições e tamanhos padrões.
te na lógica de processos). Exibir permite predefi- Esta é uma maneira rápida de colocar as janelas or-
nir diferentes “panoramas” do layout do modelo e ganizadamente na tela de novo.
chamar essas vistas enquanto ele está rodando ou A Figura 8 mostra o menu Construir e seus
quando estiver construindo o modelo. As duas con- submenus.
figurações de Zoom mudam o tamanho do mode-
lo na janela de layout. O Zoom para se ajustar ao

Figura 8 – Menu Construir e seus submenus.

O menu Construir é a área foco da constru- do modelo e lhe acrescentam informações necessá-
ção do modelo; é onde você define todos os as- rias. A maioria desses elementos de construção do
pectos do modelo que está construindo. Nele, há modelo será discutida com mais detalhes à medida
tanto elementos requeridos por todos os modelos que as lições práticas do curso avancem.
quanto elementos opcionais. Os elementos requeri- A Figura 9 mostra o menu Simulação e seus
dos são Locais, Entidades, Processos e Chegadas, submenus.
sem os quais nenhum modelo funcionará. Elemen-
tos opcionais ajudam você a definir e detalhar ain-
da mais o modelo, tornando-o mais complexo. Tais
elementos, como Recursos, Variáveis, Atributos e
Macros, estão presentes para tornar o modelo mais
próximo do real e fazê-lo processar a lógica deseja-
da. Finalmente, as seleções Imagens de fundo e In-
formação geral ajudam a montar o cenário gráfico

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Figura 9 – Menu Simulação e seus submenus.

O menu Simulação executará o modelo por output com base nas mudanças que você definiu
meio da opção Executar. Você pode, se preferir, se- (você fará isso no quinto modelo deste curso). Se
lecionar Salvar e executar, se quiser salvar o mode- você dispõe do software SimRunner, pode abri-lo e
lo antes de executá-lo. A seleção Opções desempe- definir um projeto de otimização.
nha funções como configurar o endereço de destino A Figura 10 mostra o menu Resultados e seus
do arquivo que vai conter o relatório gerado, contro- submenus.
lar o tempo que a simulação deve rodar, selecionar
datas e tempos exatos em que o modelo deve rodar
(usualmente requeridos quando você está usando
Figura 10 – Menu Resultados e seus submenus.
turnos no modelo), declarar o tipo
de relatório de output desejado e
configurar o número de replicações
a ser executadas. A opção Parâme-
tros do modelo será discutida mais
tarde e está relacionada com altera-
ções de Run Time Interface (RTI) que
você possa ter definido. Cenários
são definidos e o modelo é executa-
do. Usar cenários permite predefinir
diferentes parâmetros do modelo
(como tempo de processamento
de um serviço) e salvar a diferença
para um cenário nomeado diferen-
temente no mesmo modelo. Então,
executando Cenários, o ProModel
irá automaticamente rodar ambos
os cenários, um após o outro, e for-
necer dois diferentes relatórios de

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Há dois elementos no menu Resultados. Ver enquanto o modelo é executado e salvá-lo em um


estatísticas abre o já criado arquivo de saída em arquivo. Essa função grava cada ação que o mode-
um modelo que está atualmente aberto. Se não lo executa e o tempo da execução. Ver rastreador
houver modelo aberto, ele abrirá o programa de abre o arquivo de rastreamento previamente salvo.
estatísticas. A partir daí, você pode selecionar Ar- Isso é usado para ajudar na depuração de modelos.
quivo > Abrir e escolher qualquer arquivo de saída A Figura 11 mostra o menu Ferramentas e
previamente salvo. Se você executou previamente seus submenus.
um modelo, você pode ativar a função Rastrear

Figura 11 – Menu Ferramentas e seus submenus.

Há vários itens diferentes no menu Ferramen- A Figura 12 mostra o menu Janela e seus sub-
tas. O Editor gráfico abre o programa que permite menus.
tanto ver quanto editar ícones usados pelo ProMo-
del. Você pode adicionar ícones, desenhar novos ou
movê-los de uma biblioteca gráfica para outra. Stat
Fit é o nome do software de ajuste de curvas da Geer
Mountain, o qual está agregado ao ProModel. Você
pode abri-lo diretamente nesse menu. Pesquisa de
expressão permite encontrar palavras ou parte de
palavras em qualquer lugar do seu modelo. Você
pode também fazer alterações em nomes univer-
sais usando essa ferramenta. Opções será coberto
numa próxima página com mais detalhes. Customi-
zar permite ajustar os valores padrões para a barra
de ferramentas, associar o pacote do modelo e criar
atalhos para o ProModel Power Tools, composto por
programas auxiliares que ajudam na construção do
modelo, usando ActiveX etc.

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Figura 12 – Menu Janela e seus submenus.

O menu Janela é comum à maioria dos pro-


gramas escritos para Windows.
A Figura 13 mostra o menu Ajuda.

Figura 13 – Menu Ajuda e seus submenus.

O menu Ajuda é disposto como a maioria dos


menus de ajuda.

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5.2 Configurações do Sistema

Agora, retornaremos ao menu Exibir para A Figura 14 mostra a expansão do submenu


falar sobre as seleções Ajustes de layout e Edição Ajustes de layout, em que aparecem as seguintes
de tabelas, como também da seleção Opções do configurações:
menu Ferramentas.

Figura 14 – Ajustes de layout.

Há três elementos que podem ser configu-


rados como você deseja a partir das configurações
de Ajustes de layout. O uso de Ajustes da grade, Figura 15 – Ajuste da grade.
Cor de fundo e Cor do caminho de
roteamento será abordado nas pró-
ximas figuras.
A Figura 15 mostra o Ajuste da
grade, conforme segue.

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A janela da esquerda é aberta quando se sele- A Figura 16 explica como configurar a grade.
ciona Exibir > Ajustes de layout > Ajustes da grade.
A janela do lado direito pode ser aberta clicando no Figura 16 – Configuração da grade.
botão Escala. A grade pode ser so-
breposta à janela de layout, ajudan-
do a desenhar um fundo para seu
modelo ou ajustar uma escala para
um fundo importado. Seu tamanho
pode ser alterado usando a barra de
rolagem vertical, na janela Grade. Di-
ferentes cores podem ser aplicadas
a cada linha de grade ou, também,
uma a cada dez linhas (dependendo
da sua cor do fundo).
Há dois campos na janela Es-
cala: Entre com a distância por
unidade de grade e Entre com o
tempo por unidade de grade.

Para ajustar corretamente a distância da es- A Figura 17 demonstra como mudar a cor de
cala em uma figura de fundo importado (como um fundo do layout.
desenho de CAD, por exemplo), encontre um obje-
to com uma distância conhecida (como uma parede
que mede 15 pés), conte o número de unidades de
grade que cobrem esse objeto (di- Figura 17 – Configuração da cor de fundo.
gamos que haja 12 unidades de gra-
de ao longo desse balcão) e divida
a distância conhecida pelo número
de unidades de grade (15/12 = 1,25).
Entre com o quociente (1,25) no
campo de distância de escala. Logo,
todas as distâncias no modelo terão
suas medidas corretamente basea-
das nessa escala.
Se você prefere usar tempo
como medida, faça a mesma coi-
sa e entre com a escala no mesmo
campo. A escala usada (distância ou
tempo) será determinada pela sele-
ção da Rede de caminho. Cobrire-
mos esse assunto quando discutir-
mos sobre como construir as redes
de caminho.

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Você pode mudar a cor do fundo da janela de ou faça sua nova cor. Deixe sua imaginação guiá-
layout ou do modelo, o que é feito para “embelezar” -lo(la). Nosso conselho é não usar cores escuras no
o modelo ou para poder colorir direto no gráfico de fundo. Isso vai tornar obscuros os outros gráficos e
fundo importado. Para alterar a cor cinza padrão, as animações.
clique em Exibir > Ajustes de layout > Cor de fundo. A Figura 18 mostra o caminho para alterar a
Uma paleta de cores aparecerá. Clique direto nela fonte e a cor das tabelas.

Figura 18 – Configuração de fonte e cor das tabelas.

A seleção Exibir > Edição de tabelas permite


a você selecionar o tamanho e estilo da fonte que
deseja usar e a cor das tabelas de edição. As próxi-
mas figuras explicam como mudar essas opções a Figura 19 – Como configurar a fonte das tabelas.
seu gosto.
A Figura 19 mostra como con-
figurar a fonte das tabelas.

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Selecionando Exibir > Edição de tabelas > Figura 20 – Como alterar a cor da tabela.
Fonte, uma janela irá aparecer per-
mitindo a você selecionar o nome
da fonte (serão mostradas todas
as fontes do seu Windows), o estilo
(regular, itálico, negrito ou negrito
itálico) e o tamanho. Os padrões são
Courier New, regular, tamanho 8.
A Figura 20 mostra como alte-
rar a cor das tabelas.

A definição dos objetos do ProModel, como sendo usada; as outras não ficam em destaque. Se-
locais, entidades, recursos etc., é feita em diferentes lecionar a cor para a tabela faz a linha destacada ser
tabelas de edição. Um exemplo de tabela de edição mais rapidamente identificada, por haver melhor
de locais é mostrado na Figura 20. A tabela de edi- contraste entre as cores.
ção tem múltiplas linhas e destaca a linha que está

5.3 Opções

No menu Ferramentas, encontramos Figura 21 – Tela de Opções.


Opções, cujas funções são: nomear pastas
padrões, definir o tempo entre salvamen-
tos automáticos (Auto-salvar) e marcar
algumas seleções de configurações.
A Figura 21 mostra a tela referente à
seleção Opções.

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No menu Ferramentas > Opções, você pode Ainda nessa janela, você pode ativar o menu
configurar as pastas em que quer guardar (ou pro- de construção detalhado, que é recomendável. Essa
curar) suas bibliotecas gráficas, modelos, relatórios opção exibe a maioria das seleções no menu Build.
de saída e o modelo salvo automaticamente. As Você também pode preferir exibir ou esconder o
pastas padrões são definidas na instalação do soft- Painel de Apresentação depois de carregar o soft-
ware. Você pode definir a biblioteca gráfica que os ware. Selecionando Confirmar deletação de regis-
novos modelos usarão como padrão em Informa- tro, você será sempre interrogado(a) se tem certeza
ção geral. que deseja deletar um registro definido. Finalmen-
Com frequência, o ProModel salva automati- te, você pode se assegurar de que o comprimento
camente o modelo em que você está trabalhando, de um segmento das redes de caminho seja recal-
com o nome autosave.mod e não com o nome do culado se for ajustado depois que você o desenhou.
modelo que está aberto. Você pode configurar a fre- Em Visualizador padrão de resultados,
quência do salvamento automático nessa tela. você pode selecionar o modo comum ou o visua-
lizador 3D.

5.4 Construindo Modelos de Simulação Usando o ProModel

Agora é hora de começar a construir modelos! Esta é a descrição narrativa do modelo. Por fa-
Vamos construir o primeiro modelo juntos. vor, leia-a por completo.
Mostraremos como se faz uma tarefa no ProModel.
Por favor, não tente ir além do ponto que estiver
sendo ensinado pelo instrutor.

MODELO PRÁTICO 1
FÁBRICA

Uma pequena indústria manufatureira recebe peças e as estoca para uso posterior. A peça é entregue a
cada 40 minutos, 5 unidades por vez. Ocorrem 10 entregas ao longo do dia. A peça se move da área de estoca-
gem até uma esteira. Esse movimento leva 2 minutos. A esteira leva o material ao início da área de máquinas.
A peça move-se da área de descarregamento da esteira para o separador, onde é processada e cortada em 3.
O movimento leva 1 minuto. O processo no separador leva 5 minutos e o aspecto gráfico da matéria-prima
muda para mostrar que foi cortada em 3 peças. Cada peça movimenta-se para um torno (ou para uma cesta,
caso o torno esteja ocupado). O tempo para ir até o torno é de 2 minutos e para a cesta é de 1,5 minuto. O
torno tem um processo automático cuja duração é de 2 minutos. As peças que vão para a cesta também vão
para o torno assim que há capacidade disponível. O movimento da cesta para o torno dura 1 minuto. Saindo
do torno, o gráfico da peça é alterado novamente. A peça é colocada em outra esteira. Esse movimento leva
2 minutos. Ela se move até o final da esteira e, então, para um destino final, onde é preparada para expedição.
Essa movimentação leva 0,5 minuto. No local final, 4 peças trabalhadas são acumuladas antes de receberem
uma última operação, que leva 1 minuto. Elas, então, deixam a fábrica.
Com o instrutor, desenvolva um modelo que use o cenário descrito e as seguintes informações adicio-
nais:

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Modelagem e Simulação de Sistemas de Produção

1. Informação geral
Biblioteca gráfica: pmTrain2003.GLB
Unidade de tempo: minutos.
Unidade de distância: pés.

2. Gráfico de fundo
PM_Prac.bmp. A parede tem 40 pés.

3. Locais (capacidades entre parênteses)


Estoque (32).
Esteira (Inf): acumulativa; comprimento 40 pés; velocidade 20 pés por minuto; entidade orientada
pela largura Separador (1).
Cesto (Inf): use um contador para mostrar o conteúdo do Cesto Torno (1) Esteira_final (Infinito);
acumulativa; comprimento 60 pés; velocidade 25 pés por minuto; entidade orientada pela largura
Destino_final (4)

4. Entidades
Peça: velocidade 150 pés por minuto; dimensões da esteira 1,5 pés de largura por 3 pés de com-
primento para cada gráfico (Gráfico 1 é um retângulo vertical preto, Gráfico 2 é o mesmo, mas em
laranja e na horizontal, e o Gráfico 3 é uma engrenagem violeta).

5. Opções para simulação


Rode o modelo no modo Tempo para uma replicação. Deixe o modelo rodar até que pare sozinho.

Para alcançar o pico do sucesso, nós devemos


construir modelos usando uma sequência padrão.
Como falado, todos os modelos devem ter Figura 22 – Informações gerais do modelo.
locais, entidades, processos e
chegadas. As próximas figuras vão
cobrir cada um desses tópicos, di-
zendo como eles são usados. Eles
constituirão peças-chave para cons-
truir o modelo da fábrica.
A Figura 22 mostra, no menu
Construir, onde são configuradas as
informações gerais do modelo.

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A Figura 23 ilustra a tela de configuração das


informações gerais.

Figura 23 – Configuração das informações gerais.

A tela Informação geral permite checar as sobre o modelo. Você pode ativá-la para que apa-
unidades de tempo e distância padrões e mudá- reça automaticamente na abertura da execução do
-las de acordo com o escopo de modelo. O Título modelo marcando Mostrar anotações do modelo,
é qualquer texto string que deseje usar para ajudá- no menu Simulação > Opções.
-lo(la) a descrever o modelo. Quando fornecido, o Você pode escolher qual biblioteca gráfica
título aparecerá na barra de títulos ou na janela do quer usar no modelo a partir da lista de bibliotecas
ProModel. Uma Observação (Nota) pode ser escri- gráficas disponíveis. A biblioteca gráfica contém os
ta por meio de um texto simples. É usada para in- ícones que podem ser usados no modelo para re-
serir qualquer informação, descrição ou instrução presentar objetos.

5.5 Gráfico de Fundo

Gráficos de fundo melhoram bastante o visual gráfico, é possível acessar a pasta de bibliotecas grá-
do modelo e ajudam outros usuários a se orientar ficas, na qual pode selecionar o arquivo que quer
para reconhecer os lugares do modelo. Você pode importar. Uma vez que o gráfico de fundo esteja
desenhar seu próprio background usando as fer- no lugar, você pode querer colocar outros ícones
ramentas fornecidas pelo ProModel ou importar no gráfico de fundo. Selecione o ícone a partir da
um desenho (frequentemente, a partir do software janela da biblioteca gráfica que está aberta, na par-
CADD). Os tipos de figura que podem ser importa- te superior, e clique no layout em que quer que o
dos são .bmp, .wmf, .pcx e .gif. ícone seja colocado. Você pode mudar o tamanho
O menu Editar permite a você importar um arrastando o canto do ícone.
gráfico de fundo. Selecionando Editar > Importar

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A Figura 24 mostra como acessar a configura-


ção da imagem de fundo.

Figura 24 – Configuração da imagem de fundo.

Quando entrar na opção Imagens de fundo, você precisar ajustar uma escala para o desenho do
terá que optar entre Na frente da grade e Atrás da gráfico de fundo.
grade. Isso significa que o gráfico será colocado em A Figura 25 mostra como importar o gráfico
cima ou atrás da grade que pode ser sobreposta na de fundo.
janela de layout. A regra básica é colocar o gráfico
atrás da grade. Desse modo, a grade ficará visível se

Figura 25 – Importar gráfico.

Selecionando Importar grá-


fico, no menu Editar, uma lista de
bitmaps salvos no arquivo da biblio-
teca gráfica aparecerá. Selecione a
partir dessa lista ou de outro lugar.
Você também pode usar arquivos
.wmf, .gif e .pcx.
A Figura 26 ilustra o gráfico de
fundo e seu posicionamento.

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Figura 26 – Gráfico de fundo.

O Gráfico de fundo sempre é posicionado no


canto superior esquerdo da janela de layout. Uma
vez lá, você pode arrastá-lo para qualquer posição
que quiser. Uma vez inserido, você pode colocar
outros ícones de gráficos de fundo da biblioteca
gráfica no layout. Simplesmente clique no ícone na
parte superior da janela Biblioteca gráfica e, então,
clique no layout, na posição em que quer que ele
apareça.
Você pode também colocar texto no gráfico
de fundo. A Figura 27 mostra como Figura 27 – Como inserir texto.
inserir o texto e lista alguns nomes
para serem colocados em seu plano
de fundo depois de importar o grá-
fico.

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Você pode adicionar texto ao gráfico impor- Insira os textos como mostrado: Estoque,
tado. Na janela vertical situada no lado esquerdo da Torno, Esteira etc.
tela contendo ferramentas de desenho e as funções A Figura 28 mostra a definição da escala da
Cortar, Copiar e Colar, selecione o caractere “A”. grade.
Este é o caractere de texto. Clique, então, no layout,
onde você quer que o texto apareça. Uma vez cli-
cado, uma janela de opções de texto
Figura 28 – Escala da grade.
aparece. Você insere o texto desejado
numa janela de edição e pode al-
terar o quadro em que ele aparece
e sua cor. Também pode mudar a
cor, tamanho e orientação do texto,
entre outros, com as opções dessa
janela. Quando terminar, clique em
OK e o texto aparecerá na janela
de layout. Se quiser editar um tex-
to previamente criado, basta clicar
com o botão direito do mouse ou
clicar duas vezes sobre ele.

Para tanto, clique em Exibir > Ajuste de la-


yout > Ajustes de grade. Conte o número de gra-
des incluídas ao longo do balcão de 40 pés. Clique
no botão Escala e mude o campo de distância por
unidade de grade para o quociente da divisão de
40 pés pelo número de unidades de grade que você
contou.

5.6 Locais

Locais são os lugares para onde os objetos tanto, que você os veja no modelo. Um exemplo de
vão para ter operações realizadas sobre eles. São local transparente pode ser a linha da fila na qual as
exemplos de locais: um torno em que uma peça é pessoas esperam para comprar um bilhete ou uma
usinada, uma prateleira na qual o material espe- porta pela qual os clientes entram.
ra para ser utilizado, uma esteira em que peças se A capacidade de um local é o número má-
movem para o próximo ponto de processamento, ximo de entidades (não incluindo recursos) que o
uma mesa na qual são processadas ordens e uma local pode processar em um dado momento. Uma
doca da qual pedidos são expedidos. Eles podem capacidade de 1 significa que no máximo uma
também ser transparentes, não permitindo, por- pessoa ou entidade pode estar no local ao mesmo

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tempo. A capacidade pode ser de 1, 2, 3 etc. ou infi- frente da mesa ou do balcão. Se você fizer o local do
nita. Quando um local é “capacitado”, significa que serviço na própria mesa ou balcão, o cliente acabará
ele tem tantas entidades quanto sua capacidade se posicionando em cima da mesa/balcão.
permite. Nenhuma outra entidade pode ir para lá. A Figura 29 mostra onde é configurada a ca-
Nesse caso, as entidades esperarão em seus atuais pacidade de cada local e o que deve ser feito para
locais até a capacidade se tornar disponível no local posicionar um local.
pretendido.
Estatísticas podem ser soli- Figura 29 – Capacidade e localização dos locais.
citadas nos locais. Você pode sele-
cionar Nenhuma, Básica ou Séries
temporais. Estatísticas básicas cole-
tam valores médios para o local. Sé-
ries temporais irão também calcular
dados de utilização.
O recurso que trabalha em
um local é diferente de um local e
tem características diferentes de
modelagem, sendo definido no
módulo de edição de recursos. Não
confunda os dois.
Se uma entidade, tal como
um cliente, deve ser atendida em
uma mesa ou balcão, certifique-se
de que o local onde isso ocorre é em

Para definir um local, selecione o ícone a par- ƒƒ Cap.: mostra a capacidade do local (nú-
tir da janela Graphics (gráficos), usando o botão es- mero de entidades que podem ocupar
querdo do mouse. Clique, então, na janela de layout simultaneamente o local);
em que quer que o local seja posicionado. ƒƒ Unidade: pode mostrar o número de
Um registro de local será automaticamente unidades do local que se quer criar;
criado na tabela de edição de locais. Da esquerda ƒƒ Paradas: representa os downtimes (pe-
para a direita, os campos significam: ríodos inoperantes) das máquinas;
ƒƒ Estatísticas: mostra o nível (nenhum,
ƒƒ Ícone: mostra qual ícone foi seleciona- básico e série temporal) de estatísticas
do; que você deseja coletar;
ƒƒ Nome: mostra o nome associado com ƒƒ Regras: apresenta como o local selecio-
o gráfico; quando não há nome asso- na as entidades que nele entram e as
ciado, mostra Loc1, Loc2 etc. Esse nome ordena para sair para o próximo local;
pode ser editado para qualquer nome
ƒƒ Anotações: você pode escrever anota-
que desejar. Não são permitidos espa-
ções sobre o local, como, por exemplo,
ços entre palavras; underscores (“_”) são
uma nota sobre a função do local ou os
automaticamente inseridos no lugar do
processos que ocorrem lá.
espaço;

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A Figura 30 mostra a região de um local e os


ícones referentes aos locais.

Figura 30 – Ícones e áreas dos locais.

Figura 31 – Gráficos especiais de locais.


Um local pode ser representa-
do com muitos ícones iguais ou di-
ferentes. Para usar mais de um ícone
para o mesmo local, desmarque a
checkbox na janela Imagens en-
quanto estiver usando o registro do
local (na janela Locais) em que você
quer usar uma representação com
múltiplos gráficos. Posicione, então,
a quantidade de ícones que quiser
na janela de layout. Não se esqueça
de clicar na checkbox Novo para
ativá-la antes de começar a defi-
nir um novo local, caso contrário
você não criará um novo registro de
local.
A Figura 31 mostra os gráficos especiais de
locais.

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Além dos ícones da biblioteca gráfica usados ƒƒ Região: área (invisível) usada para defi-
para representar locais, há gráficos especiais que nir locais em cima dos gráficos.
são usados somente quando se criam locais. Esses
gráficos especiais são apresentados na Figura 31 e
A Figura 32 demonstra como usar as esteiras.
serão melhor definidos a seguir. Use-os da mesma
maneira que os ícones da biblioteca gráfica.

Figura 32 – Utilização das esteiras.


ƒƒ Contador: mostra o nú-
mero de itens contidos
no local.
ƒƒ Medidor: mostra grafi-
camente o número de
itens contidos no local.
ƒƒ Texto: insere o nome do
local na janela de layout.
ƒƒ Luz de status: muda de
cor com base no status
do local. Azul = ocioso,
verde = em operação,
rosa = bloqueado, ver-
melho = fora de opera-
ção.
ƒƒ Local da entidade: lu-
gar onde as entidades
aparecem graficamente num local. É in-
visível durante a simulação.
Figura 33 – Opções das esteiras.

As próximas figuras mostram


como criar esteiras no seu modelo.
Use o ícone especial para esteiras lo-
calizado no lado esquerdo da janela
de gráficos de entidades. O início de
uma esteira é feito com um clique
no botão esquerdo do mouse. Mova
a seta na direção do movimento da
esteira e termine-a com um clique
no botão direito do mouse. Assim
que o gráfico da esteira for iniciado,
você pode fazer curvas ou mudan-
ças de ângulo na esteira com cliques
adicionais no botão esquerdo. Você
também pode editar a aparência, o
comprimento e a velocidade da es-
teira. Isso é feito em Opções de esteira. A Figura 33 mostra como acessar as opções
das esteiras.

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A Figura 34 mostra a caixa de diálogo das op-


ções da esteira.

Figura 34 – Caixa de diálogo das opções das esteiras.

A opção Editar gráfico permite que você A seleção Opções de esteira permite que
mude o local para uma fila em vez de uma esteira. você defina se a esteira é acumulativa ou não. Você
Você também pode modificar a aparência: um re- pode modificar novamente seu comprimento e ve-
tângulo sólido, roletes ou uma simples linha. Pode- locidade. Finalmente, você pode ajustar a orienta-
-se ver e/ou mudar o comprimento da esteira, como ção das entidades na esteira para que elas fiquem
também ajustar a esteira para ser invisível durante “de lado” ou “de frente”.
a simulação.

5.7 Inserindo os Locais da Fábrica

Conforme o Quadro 1, vamos inserir os se-


guintes locais, com suas respectivas capacidades:

Quadro 1 – Locais e capacidades.


LOCAL CAPACIDADE
Estoque_Pecas 32
Esteira_Pecas INF
Descarregamento 1
Separador 1
Torno 1
Cesto INF
Esteira_Final INF
Destino_Final 4

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5.8 Entidades

Entidades são os elementos que sofrem as móveis ou estacionárias. Também podem ter múlti-
ações no sistema, podendo ser objetos animados, plos gráficos (como uma pessoa que está em pé ou
como pessoas, ou inanimados, como formulários sentada), que podem ser invocados durante a exe-
de papel, peças, paletes etc. São representadas no cução do modelo.
modelo por meio de ícones gráficos e podem ser A Figura 35 ilustra a criação das entidades.

Figura 35 – Criando entidades.

Para criar uma entidade, selecione o ícone lecione um “segundo” gráfico para a entidade. Esse
que você quer na janela gráfica de entidades. O grá- gráfico aparecerá na janela número 2 e pode ser in-
fico será colocado na janela pequena. Você pode troduzido na lógica por meio do comando Graphic
deixar a entidade gráfica maior ou menor por meio 2 para essa entidade em particular. Você pode fazer
da barra de rolagem vertical. Ao selecionar o grá- um terceiro ou quarto gráfico para a mesma entida-
fico, os campos do registro da tabela de edição de de, de uma maneira similar.
entidades são preenchidos com os valores padrões.
Você pode mudar o nome como quiser. A unidade
da velocidade aparece em pés por minuto ou me-
tros por minuto. Esta é a velocidade que a entidade
usará apenas quando estiver se movendo sozinha.
Pode ser representada por qualquer expressão nu-
mérica.
Para criar gráficos múltiplos para a mesma
entidade, desmarque a opção Novo. Você verá três
janelas pequenas aparecerem debaixo da janela de
entidades maior. Selecione a de número 2. Então, se-

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5.9 Inserindo Entidades no Modelo da Fábrica

Agora, juntos criaremos entidades para o mo-


delo da fábrica, conforme descrito a seguir:

PEÇAS GRÁFICO 1 RETÂNGULO PRETO


GRÁFICO 2 RETÂNGULO LARANJA
GRÁFICO 3 ENGRENAGEM ROSA

5.10 Chegadas

Para inserir chegadas usando o mouse, sele- ƒƒ Lógica: você pode programar uma lógi-
cione a entidade que você quer que chegue à janela ca para a entidade que está chegando;
Ferramenta e então clique no local de chegada à ƒƒ Disab.: habilita (não) ou desabilita (sim)
janela de layout. Há oito campos na tabela de edi- esta linha de registro de chegada.
ção de chegadas:

ƒƒ O campo Primeira vez pode ser preen-


ƒƒ Entidade: a entidade que você quer chido ou deixado em branco. Para inse-
que chegue; rir, clique no botão.
ƒƒ Local: aonde essa entidade chega; ƒƒ INFinito pode ser usado no campo
ƒƒ Quantidade Cada: toda vez que há Ocorrências para criar um fluxo inter-
uma chegada, quantas dessas entida- minável.
des você quer que cheguem; ƒƒ Frequência pode ser uma constante,
ƒƒ Primeira Vez: a partir do começo da uma macro, uma variável ou uma distri-
execução do modelo, este é o tempo buição.
em que a primeira chegada irá ocorrer.
Se o número 10 for colocado aqui, le-
vará 10 minutos (ou outra unidade que A Figura 36 demonstra como inserir a entida-
você escolher) para ocorrer. Se o cam- de no local de chegada.
po for deixado em branco, o modelo
irá usar os dados do campo Frequência
para determinar a primeira vez. Você
pode também selecionar para come-
çar em um horário semanal ou em uma
data e hora específicos;
ƒƒ Ocorrências: o número de vezes que
uma chegada irá ocorrer. Pode ser usa-
do infinito (INF);
ƒƒ Frequência: o período de tempo entre
chegadas;

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Figura 36 – Inserindo entidade em um local.

A Figura 37 mostra a caixa de diálogo do bo-


tão Primeira vez e suas configurações.

Figura 37 – Caixa de diálogo do botão Primeira vez.

O botão Primeira vez deve ser usado para fa- ƒƒ Somente tempo: este é o tempo medi-
zer qualquer agendamento de chegadas. Primeira- do a partir do momento em que começa
mente, defina a chegada por: a execução do modelo até o momento
da primeira chegada (medido na uni-
dade padrão de tempo). Por exemplo,

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uma entrada de 15 neste campo signifi- ƒƒ Opções de planejamento: permite


ca que a primeira entidade chegaria 15 a você configurar chegadas indepen-
minutos depois de o modelo começar a dentes, não sendo a próxima chegada
ser executado; influenciada pelo momento da ocor-
ƒƒ Tempo semanal: você pode selecionar rência da última chegada. Por exemplo,
o dia da semana e a hora do dia da pri- quando clientes chegam periodica-
meira chegada; mente, a chegada do próximo cliente
ƒƒ Data de calendário: esta opção permi- não é uma função de quando o último
te selecionar dia, mês, ano e hora do dia chegou.
exatos para a primeira chegada. Exem-
plo: Monday, May 10, 2003, 8:25 AM;

5.11 Padrões de Chegada para o Modelo da Fábrica

Para o modelo da fábrica, iremos considerar


a seguinte condição de chegada: 5 peças chegam a
cada 40 minutos e ocorrem 10 entregas durante o
dia. A primeira entrega acontece quando a fábrica
abre.

5.12 Processos

As próximas figuras discutirão como defini- indicamos o próximo local para onde a entidade
mos os processos do nosso sistema dentro do Pro- deve ir e como será sua locomoção até esse destino.
Model. Para isso, levantaremos as seguintes ques- Há três novas janelas abertas na lógica de
tões: processos: a janela de processos, a janela de ro-
teamento e a janela de ferramentas. Existem
ƒƒ o que eu sou? muitas maneiras de inserir a informação na janela
ƒƒ onde estou? de processos e de roteamento. Você pode digitar
ƒƒ o que acontece? diretamente nelas ou usar a janela de seleção do
próprio campo (pop-up). Vamos usar um terceiro
ƒƒ o que serei?
método, que é gráfico e está descrito na Figura 3.
ƒƒ para onde devo ir? Esta é a maneira mais rápida.
ƒƒ em que circunstâncias? A lógica de operação e de movimento deve
ƒƒ como chego lá? ser inserida manualmente, mas nós também vamos
aprender como usar o construtor de lógica para
auxiliar nessas tarefas.
Essencialmente, iremos meramente respon-
der às questões levantadas. De maneira ordenada, A Figura 38 ilustra como selecionar a entidade
nós nomeamos as entidades, dizemos onde elas se para começar a definição do processo.
encontram atualmente (qual local), descrevemos o
que acontece com a entidade nesse local e, então,

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Figura 38 – Seleção de entidade para início do processo.

A Figura 39 mostra como começar a inserir


o fluxo de processos selecionando a entidade que
quiser na janela Ferramentas. Nesse caso, selecio-
ne a entidade Peça.

Figura 39 – Fluxo do processo.

Primeiramente, clique no local (na janela de de definido como Estoque_Pecas. Você obterá uma
layout) onde a entidade começa seu fluxo de pro- seta “elástica”. Depois, clique no local de destino da
cessos. Este é usualmente o local aonde a entidade entidade (neste caso, a Estoque_Pecas). Uma “seta
chega. Para este modelo, clique no local da entida- de processo” será criada mostrando a direção e o

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sentido do processo que foi definido entre esses o campo de saída da janela de roteamento mostra
dois locais. Um registro é criado automaticamente Peca, o campo de destino mostra Esteira_Pecas e o
nas janelas de processo e de roteamento. Apenas as campo Regra mostra First 1. Continue nesse proce-
duas janelas de lógica permanecem em branco. dimento até que todos os processos sejam registra-
O campo Entidade da janela de processos dos.
mostra Peca, o campo local mostra Estoque_Pecas,

5.13 Regras de Roteamento

Há várias regras de roteamento que podem O campo Quantidade na janela de regras


ser selecionadas para determinar quais condições permite a você declarar quantas entidades que
serão usadas quando da decisão do próximo local. saem irão para o destino. Por exemplo, se 1 peça
Nós vamos desenvolver o uso dessas regras à medi- está em uma seccionadora e ela gera 3 peças para
da que construirmos mais e mais modelos nos pró- irem ao torno, coloque simplesmente 3 no campo
ximos dias. Quantity na regra de roteamento. Isso transformará
A regra Primeiro Disponível é a regra pa- 1 peça em 3 peças.
drão. Ela seleciona o primeiro local listado que tem A Figura 40 mostra onde é selecionada a regra
capacidade disponível. Se não houver local disponí- de roteamento.
vel, os locais continuarão sendo checados até que
fiquem disponíveis.

Figura 40 – Regra de roteamento.

A caixa de diálogo Regra de roteamento é de não precisa ser necessariamente um número. O


onde você seleciona a regra de roteamento e muda campo aceita qualquer expressão numérica. Aplica-
a quantidade de saída desejada. Criando uma ções típicas para o uso de quantidades que aumen-
quantidade de saída X, ela fica registrada no campo tam nos campos de regras incluem operações como
Quantidade da tabela de roteamento. A quantida- corte, despaletização etc.

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O roteamento múltiplo é definido como roteamento nas quais os destinos seriam diferentes.
uma rota com múltiplos destinos. As rotas múlti- A primeira linha mostraria Torno1 como destino, a
plas (no lado do roteamento da janela de proces- segunda teria Torno2 e a terceira mostraria Torno3.
sos) permitem que uma entidade escolha um en- A regra de roteamento Primeiro disponível faria
tre vários destinos. Um número de rota (destinos com que o programa verificasse os 3 destinos e
múltiplos) permite que a entidade escolha um en- mandasse a peça para o torno que estivesse vazio
tre vários destinos baseada nas regras de roteamen- primeiro (começando a busca de cima para baixo na
to. Por exemplo, suponha que você tenha 3 tornos lista, ou seja, do Torno1 ao Torno3).
que foram criados como 3 locais diferentes (e não Na Figura 41, note como utilizamos essa lógi-
como 3 unidades do mesmo local) e que a peça ca para rotear do separador para os tornos ou para
possa ir do separador para qualquer um desses 3 o cesto neste modelo.
lugares. Você listaria uma rota, mas teria 3 linhas de

Figura 41 – Exemplo de múltiplos destinos.

5.14 Lógica de Operação

A lógica de operação descreve o que acon- X está no Local Y; o que acontece com a Entidade
tece com uma entidade em seu local atual, usando X lá? Ela usa recursos? Ela permanece lá por certo
uma série de declarações ou códigos para coman- intervalo de tempo? Ela muda de forma? Esses tipos
dar o ProModel a fazer o que você quer que acon- de questão definem o processo nesse local e corres-
teça. Pode ajudar você a escrever essas declarações pondem ao que deve ser “codificado” na lógica tal
corretamente. como acontecerá.
Essa lógica, posicionada na janela Operação O construtor de lógica é uma ferramenta
do processo, é o que faz a entidade realizar o que que o ProModel fornece para ajudar você a escrever
você quer em cada local. Um jeito de pensar na ló- essa lógica. Todas as declarações e ações que po-
gica de operação é perguntar a si mesmo: Entidade dem ser feitas no ProModel estão disponíveis para

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escrever por meio do construtor de lógica pelo mé- GRAPHIC 2


todo aponte e clique. Ele nunca irá fazer um erro de GRAPHIC Attr1
sintaxe. Nós vamos aprender como usar o constru-
GRAPHIC Var1-1
tor de lógica ao longo das próximas figuras.

ACCUM
Comandos de Operação

Acumula, sem consolidar, o número especifi-
Fazem com que a entidade faça algo ou reali-
cado de entidades em um local.
ze uma atividade.
Sintaxe: ACCUM <expressão numérica>.
O comando ACCUM trabalha como um portão
WAIT ou TIME
que impede que entidades sejam processadas até
que certo número delas chegue. Assim que o nú-
Faz a entidade esperar em um local por um mero especificado de entidades seja alcançado, elas
tempo especificado. atravessarão o portão e começarão a ser processa-
Sintaxe: WAIT <período de tempo>. das individualmente.
WAIT é usado para simular o tempo necessá- O comando não diferencia entidades pelos
rio para processar uma entidade. O comando atrasa seus nomes. Por exemplo, se EntA, EntB e EntC vão
o próximo processo da entidade até que o tempo para Loc1 e encontram o comando ACCUM 3, qual-
especificado se acabe. Se a entidade “possuir” um quer combinação de três entidades satisfará o co-
recurso, quando encontrar o comando WAIT, o re- mando.
curso ficará com a entidade durante o tempo de
espera. Há três diferentes “palavras” no ProModel ACCUM
que reapresentam esse tempo de processamento:
ACCUM 10
WAIT, TIME e o símbolo ^ . Se nenhum designador
ACCUM Var1
de tempo for informado após o valor numérico, o
ProModel usará a unidade padrão de tempo (que
está especificada em Construir > Informação geral). Construtor de Lógica

WAIT 3 O construtor de lógica é um jeito de construir


WAIT 3 min lógicas ou entrar com nomes de itens definidos,
funciona em qualquer campo que aceite expres-
TIME 3 hr
sões lógicas e é uma maneira fácil de garantir que a
WAIT Var1
sintaxe esteja correta.
Para chamar o construtor de lógica, clique no
Comandos Operatórios ícone que tem o desenho de um martelo com pre-
go. Você pode também clicar com o botão direito
GRAPHIC (#) do mouse para chamá-lo. O construtor de lógica se
configura para o campo do qual foi chamado e per-
mite a você inserir somente a lógica que é apropria-
Faz uma entidade mudar para um gráfico di-
da para esse campo.
ferente com base no número fornecido.
A Figura 42 mostra como é a caixa do constru-
Sintaxe: GRAPHIC <expressão numérica>.
tor de lógica.
Muda o gráfico da entidade para um gráfico
diferente do que foi previamente definido na tabela
de edição de entidades.

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Figura 42 – Caixa de diálogo do construtor de lógica.

A Figura 43 ilustra as opções fornecidas pela


caixa do construtor de lógica.

Figura 43 – Opções do construtor de lógica.

No construtor de lógica, selecione o coman- de Categoria, você pode exibir todos os comandos,
do que quer usar. Eles estão listados alfabetica- os comandos básicos para o campo selecionado,
mente. Na parte superior do construtor de lógica, apenas comandos relacionados com a entidade ou
há uma breve definição sobre o que faz o comando comandos relacionados com os recursos.
selecionado. O construtor de lógica mostrará a in- A Figura 44 demonstra como se constrói uma
formação que necessita para usar um determinado lógica com o construtor de lógica.
comando. Esses avisos aparecem como botões, que
permitem a inserir a informação necessária. Abaixo

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Figura 44 – Construção de lógica.

Neste exemplo, o comando WAIT foi sele-


cionado e requer uma expressão Figura 45 – Colocando a lógica.
de tempo, por isso o botão Tempo
aparece. Você pode clicar no botão
Tempo para obter opções no for-
mato em que a expressão de tem-
po aparece. Também pode inserir
um tempo diretamente. Clique no
botão Teclado e forneça um tempo
com seu mouse a partir do teclado.
Você também pode clicar em Cons-
truir expressão para obter as várias
formas que a expressão de tempo
pode assumir (como uma lista de
variáveis, macros ou atributos).
A Figura 45 mostra como deve
ser colocada a lógica após sua finali-
zação.

Uma vez que você inseriu a informação neces-


sária, clique no botão Paste e a lógica será colocada
no campo a partir do qual chamou o construtor de
lógica. Você pode fechar o construtor de lógica ou
mantê-lo aberto para a construção de uma lógica
adicional ou uma lógica para o próximo local.

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5.15 Lógica de Movimentação

Ativada a partir do campo Lógica de mo- até seu destino. Quando se move por
vimentação, na tabela Roteamento, especifica um período de tempo, a entidade se
a rede de caminho, tempo ou recurso para fazer a move ao longo da seta de processos.
movimentação. Pode-se criar lógica antes e depois
MOVE FOR <expressão de tempo>
da movimentação.
ƒƒ Recurso: especifica por meio de qual
A lógica de movimentação define como a en- recurso a entidade será movida para seu
tidade irá se movimentar de seu local atual para seu destino. Pode também especificar uma
destino. Há basicamente três categorias de como a prioridade para capturar o recurso e se
entidade pode se mover: o recurso será ou não liberado no final
do movimento. Quando se movimenta
ƒƒ Rede de caminho: especifica em qual com um recurso, a entidade se move na
rede de caminho a entidade irá se mo- rede de caminho à qual o recurso está
vimentar para chegar ao seu destino. associado e na velocidade do recurso.
Isso usualmente significa que a entida-
MOVE WITH <nome do recurso>
de está se movendo sozinha e com sua
própria “energia”.
A Figura 46 mostra como criar a lógica de mo-
MOVE ON <rede de caminho>
vimentação.
ƒƒ Tempo: especifica quantas unidades de
tempo a entidade levará para chegar

Figura 46 – Criando a lógica de movimentação.

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Clicando em Roteamento > Lógica de movi- A Figura 47 explica como montar a lógica de
mentação, aparece a janela de lógica de movimen- movimentação.
tação. Comece o construtor de lógica clicando no
botão com o martelo e o prego ou clicando com o
botão direito do mouse na janela Lógica de movi-
mento.

Figura 47 – Montando a lógica de movimentação.

Escolha a partir dos quatro comandos básicos.


A Figura 48 mostra como preencher os cam-
pos de construção da lógica de movimentação. Figura 48 – Preenchimento dos campos da lógica de
movimentação.

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Preencha a informação necessária e, então, A Figura 49 mostra como inserir juntas nas se-
clique em Paste. Você pode fechar o construtor de tas de movimentação.
lógica ou mantê-lo aberto para uma lógica de mo-
vimentação adicional.

Figura 49 – Inserindo juntas nas setas de movimentação.

Entidades que se movem por tempo, como


no movimento lógico usando o comando MOVE
FOR, deslocam-se em cima da seta do processo que
conecta o local corrente ao local de destino. A seta
do processo pode ser deslocada
Figura 50 – Seta dobrada.
para qualquer posição e ter qual-
quer comprimento que você de-
seje. Independentemente disso, a
entidade levará o tempo designado
no tempo do movimento.
A Figura 50 ilustra uma seta
que foi dobrada usando esse recur-
so.

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5.16 Executando a Simulação

Para simular opções, tenha certeza de que do calendário de duração ou agendamento sema-
o endereço do output está onde você quer que os nal. Para usar turnos de maneira adequada, o soft-
resultados sejam guardados. Verifique as opções, ware deve saber quando o modelo começa em
como mostrar notas, desabilitar custos, desabilitar termos de data e hora. Se você selecionar Tempo,
animação etc., para saber se estão como você quer. o ProModel assumirá que o modelo começa à zero
Verifique se suas declarações de execução, como hora de segunda-feira.
número de replicações, reportando relatórios ou A Figura 51 mostra o menu das opções da si-
tipo ou duração da execução, estão como quer. mulação.
Ao usar turnos (para recursos ou locais), você
deverá configurar a duração da execução por meio

Figura 51 – Opções da simulação.

A Figura 52 mostra como configurar as op-


ções da simulação.

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Figura 52 – Configurando as opções da simulação.

As seleções Tempo, Semanal e Calendário A Figura 53 mostra como alterar a velocidade


têm o mesmo significado das opções de Primeira de simulação pela barra de rolagem.
vez na tabela de edição de chegadas. A seleção aqui
normalmente equivale à seleção na tabela de che-
gadas. Você pode inserir também a Figura 53 – Alteração da velocidade de simulação via
quantidade de tempo, expressa em barra de rolagem.
horas, que você quer que o modelo
execute. O modelo irá parar depois
de terminada essa quantidade de
tempo. Você pode também deixar
esse campo em branco. Nesse caso,
quando todas as chegadas ocorre-
rem e todos os processos termina-
rem, o modelo irá parar, indepen-
dentemente do que foi registrado
aqui, simplesmente porque o Pro-
Model sabe que não há mais nada
para fazer.
O número de replicações é
configurado na janela Simulação
> Opções. Pode-se inserir um valor
entre 1 e 999. Você pode também
escolher um período de tempo especial para a co-
leta de dados para o relatório de saída em vez do
relatório padrão. O relatório padrão coleta dados ao
longo de todo o tempo de duração da simulação.

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A Figura 54 mostra como visualizar o status do


modelo durante o processamento.

Figura 54 – Visualização do status do modelo durante a simulação.

Você pode obter informações sobre o modelo ƒƒ Luz de status: esta seleção lembra a
enquanto ele está sendo executado. Há cinco áreas você o que as luzes de status significam;
de informação: ƒƒ Matrizes: informações sobre as matri-
zes mostrarão os valores de suas célu-
ƒƒ Locais: você pode obter informação so- las;
bre qualquer local ou todos os locais ao ƒƒ Variáveis: mostra o valor corrente de
mesmo tempo. A informação sobre um todas as variáveis globais definidas.
local é dinâmica. O modelo continuará Você pode forçar a mudança do valor
a ser executado e a informação irá mos- de qualquer variável a partir dessa jane-
trar as mudanças quando elas ocorre- la selecionando o botão Mudar;
rem. Já as informações sobre todos os
ƒƒ Plotagem dinâmica: você pode
locais são estáticas e o modelo irá pau-
visualizar até três diferentes gráficos
sar a execução enquanto você consulta
estatísticos enquanto o modelo está ro-
essas informações;
dando.

5.17 Caminhos de Rede e Recursos

Agora, iremos incrementar o primeiro mo-


delo. Salve o seu primeiro modelo com um novo
nome. Nós iremos adicionar caminhos de rede e re-
cursos no novo modelo. A maior parte dos proces-
sos permanecerá a mesma.

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MODELO PRÁTICO 2
FÁBRICA

Este modelo será construído em conjunto por você e pelo instrutor e acrescenta detalhes no modelo
anterior. Salve seu primeiro modelo com um novo nome e continue neste novo modelo.
Um recurso chamado Operador é utilizado para mover a peça entre alguns locais. O operador se move
sobre uma rede de trabalho que você definirá, pega a peça na esteira e a transporta para o separador. Neste
caso, o operador realiza um processo de 5 minutos e carrega cada nova peça até o torno ou o cesto. O torno
faz um processo automático e não necessita de operador. A peça que vai para o cesto será movimentada
deste pelo operador até o torno quando houver capacidade. Quando a operação do torno acaba, o operador
move a peça para a esteira final. Termina aí a sua responsabilidade. Desenvolva um modelo, com o instrutor,
que realize um cenário com as seguintes informações:

1. Redes de caminho
Rede_fabrica, Passante, Velocidade e Distância. Faça a rede invisível durante a simulação. Chame de
NOp o nó que se localiza ao lado do separador.

2. Recursos
Operador; o nó de origem (home node) é NOp; o recurso retorna para ele quando não há mais tra-
balho.

A Figura 55 mostra o exemplo de uma “rede


de caminho“.

Figura 55 – Rede de caminho.

Redes de caminho permitem aos recursos e bem como de outras maneiras. Essas redes consis-
entidades se mover ao longo do modelo. Recursos tem em segmentos de caminhos ligados, nós e
dinâmicos devem se mover nas redes de caminho. interfaces.
Entidades podem se mover nas redes de caminho,

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Segmentos de caminho podem se conectar terface com um local, significa que as entidades e
somente por meio de um nó. Uma junção permite os recursos se encaminharão para esse nó quando
que o segmento de caminho seja quebrado, mas forem destinados a esse local. Dessa forma, apenas
você não pode juntar outro segmento no vértice de um nó pode ter interface com um determinado lo-
uma junta, somente nos nós. Quando um segmen- cal a partir da mesma rede.
to de caminho é desenhado com o mouse, o ProMo- Recursos ficam nas redes de caminho o tem-
del mede automaticamente o seu caminho. Cada po todo. Isso significa que eles se movem de nó para
segmento de caminho começa e termina com nós. nó. Na verdade, eles não ocupam o local.
Quando for projetado para um local, o nó deverá es- A Figura 56 mostra a tabela de edição da rede
tar perto do local, mas não em cima dele. de caminho.
Interfaces definem o relacionamento entre
um nó e um local particular. Quando um nó tem in-

Figura 56 – Edição da rede de caminho.

A tabela de edição da rede de caminho tem a velocidade e ficar atrás da entidade/


oito campos: recurso mais lento, sem ultrapassar;
ƒƒ T/S: declara se a rede de caminho é me-
ƒƒ Gráfico: veja a próxima figura para a dida em velocidade e distância ou pelo
definição deste campo; tempo;
ƒƒ Nome: o nome padrão é Net1, Net2 etc. ƒƒ Caminhos: usado para definir os seg-
Você pode mudar o nome; mentos do caminho;
ƒƒ Tipo: apresenta as opções Passante ou ƒƒ Interfaces: usado para definir as inter-
Não Passante. Passante significa que faces dos nós com os locais;
uma entidade ou recurso se movendo ƒƒ Mapeamento: usado para definir de-
na mesma direção pode ultrapassar terminados caminhos e direções que as
uma entidade ou recurso mais lento. entidades e recursos devem usar mo-
Não passante significa que deve reduzir vendo-se na rede. Se as regras padrões
se aplicam, este campo é deixado livre;

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ƒƒ Nós: usado para mudar o nome de um A Figura 57 mostra como mudar a cor dos
nó ou definir um limite de capacidade segmentos do caminho e tornar a rede invisível du-
para o nó. A capacidade padrão de um rante a execução do modelo. Redes de caminho as-
nó é infinita. sumem duas cores. O segmento em destaque assu-
me uma das cores e o resto da rede assume a outra.

Figura 57 – Mudando a cor do segmento da rede.

A Figura 58 mostra o relacionamento entre os


nós do caminho e os locais.

Figura 58 – Relacionamento entre nós do caminho e locais.

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Interfaces mostram o relacionamento entre caminho, a entidade entraria na rede no nó que tem
um determinado nó e um determinado local. Por interface com a Local 1, então se moveria ao longo
exemplo, se uma entidade estivesse no Local 1 e da rede até que encontrasse o nó que tem interface
quisesse usar o Recurso 1, o recurso se moveria do com o Local 5. A entidade, então, sairia da rede e
seu presente nó ao longo da rede de caminho até o ficaria no Local 5.
nó que tem interface com o Local 1. Então, o Recur- A Figura 59 mostra como renomear os nós
so 1 ficaria ali parado. Se uma entidade estivesse no para facilitar a identificação.
Local 1 e fosse destinada para o Local 5 na rede de

Figura 59 – Renomeando nós.

Os nós podem ser renomeados para serem de nó com a letra “N” (exemplo: Ncaminho1). Os nós
mais facilmente identificados por seu nome. Nós frequentemente são nomeados como nós de ori-
recomendamos que você comece todos os nomes gem, nós de intervalo e nós de f. turno.

5.18 Desenhando a Rede de Caminho do Modelo da Fábrica

Agora, vamos inserir a única rede de cami- onde você quer que esse segmento termine e cli-
nho (Rede1) necessária para esse modelo. O mouse que com o botão direito. Dê continuidade a esse
é usado para desenhá-la. Comece onde você quer trabalho dessa forma.
o primeiro segmento de caminho. Para começar, Uma junção ou vértice em um segmento é
clique com o botão esquerdo. Você terá uma seta feito por um segundo clique com o botão esquerdo.
“elástica”. Clique com o botão direito onde você Interfaces são inseridas clicando com o botão es-
quer que o segmento termine. O próximo segmen- querdo (na janela de interface) no nó e então clican-
to começa em cima do nó do final do último seg- do com o botão esquerdo no local. Mude o nome
mento. Coloque o mouse em cima do nó e clique dos nós no campo Nós.
com o botão esquerdo. Mova a seta elástica para

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5.19 Recursos

Os recursos são representados por ícones. uma única rede. Lembre-se de que recursos sempre
Sua posição está vinculada aos nós, não aos locais. ficam na rede de caminho e se movem de nó para
O campo Especificações define o caminho, nós, nó. Eles nunca se encontram “no” local propriamen-
movimento e regras. te dito.
Selecione um ícone da biblioteca gráfica para O campo Especificações será discutido em
representar um recurso. Ele deve ser dimensionado detalhes nas próximas figuras.
para se adequar ao layout e à imagem de fundo. Ele A Figura 60 mostra a tabela de edição de re-
pode também ter gráficos múltiplos, da mesma ma- cursos.
neira que as entidades.
Recursos estáticos não devem ser associados
a uma rede de caminho. Recursos dinâmicos devem
ser associados a uma rede e podem ser associados a

Figura 60 – Tabela de edição de recursos.

Há dez campos na tabela de edição de recur- ƒƒ Estatísticas: seleciona o nível de esta-


sos. Ao selecionar um gráfico para o recurso, a maio- tísticas: Nenhuma, Resumo ou Por uni-
ria dos campos é preenchida com valores padrões. dade. Escolhendo Por unidades, são exi-
bidos os resultados para cada unidade
ƒƒ Ícone: exibe uma figura do ícone do re- de recurso.
curso selecionado. ƒƒ Paradas: períodos em que o recurso
ƒƒ Nome: o nome do recurso. fica inoperante, de acordo com o tem-
ƒƒ Unidades: a quantidade desse recurso. po ou utilização definida para o recurso.
Podem ser substituídas por uma macro ƒƒ Especificações: define as característi-
ou variável. cas do recurso (mais tarde).

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ƒƒ Pesquisa: define o “estacionamento” ƒƒ Pts: pontos de recurso permitem a ele


e a procura por trabalho. Permite que ocupar um local diferente do nó atual.
se apliquem regras específicas no mo- ƒƒ Notações: para escrever anotações so-
mento em que o recurso procura e acei- bre o recurso.
ta trabalho ou quando está retornando
ocioso.
A Figura 61 mostra como configurar as espe-
ƒƒ Lógica: recursos podem executar lógi-
cificações dos recursos.
cas limitadas quando entrando ou sain-
do dos nós.

Figura 61 – Configurando especificações dos recursos.

Estas são as características associadas ao re- babilística, variável, macro etc. A velo-
curso: cidade vazia representa que o recurso
está sozinho, enquanto a cheia significa
ƒƒ rede de caminho: selecione a rede de que ele está carregando ao menos uma
caminho à qual o recurso será associa- entidade. Tempos de aceleração e de-
do; saceleração podem ser acrescentados.
ƒƒ nós: associa-se o nó de origem, que é Podemos configurar o recurso com
o nó no qual o recurso começa no mo- tempos de coleta e depósito, de forma
delo. Marque a opção Voltar base se que ele irá parar automaticamente por
ocioso se quiser que o recurso retorne alguns segundos em cada final de tare-
automaticamente para o nó de origem fa de entrega;
assim que não tenha outra tarefa para ƒƒ regras: você pode selecionar uma re-
fazer. Selecione os nós de F. Turno e In- gra referente a como um recurso procu-
tervalo, se apropriados; ra uma entidade e, se há mais de uma
ƒƒ movimentação: a velocidade padrão unidade de recurso, como uma entida-
de um recurso é 150. Ela pode ser edi- de faz para escolher entre os diferentes
tada e pode ser uma distribuição pro- recursos.

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A Figura 62 mostra como usar os pontos de


recurso.

Figura 62 – Como usar os pontos de recurso.

Os pontos de recurso são definidos no cam- importante é que você pode ver todos os recursos
po Pts. Esse recurso descreve a posição física em que estão ocupando certo nó ao mesmo tempo. Por
que o recurso irá ficar quando estiver em um deter- exemplo, vamos dizer que um cliente está no bal-
minado nó. Qualquer nó pode ter pontos de recurso cão de serviço e solicita um encontro com o repre-
definidos para qualquer recurso ou para todos eles. sentante de serviço, um gerente e uma secretária.
Para definir um ponto de recurso, abra a janela Pts Se todos os três recursos ficarem apenas parados no
para um determinado recurso e clique no nó; então, nó que tem interface com o local do cliente, nós ve-
clique no lugar físico na janela de layout onde quer ríamos apenas um dos recursos. Tendo três pontos
que o recurso apareça enquanto estiver nesse nó. definidos para esses recursos na interface para o nó
O propósito dos pontos de recurso é definir do balcão de serviço, todos os três se ordenariam
que este apareça em certo ponto. No entanto, o mais em volta do nó e seriam, portanto, visíveis.

5.20 Criando Recursos para o Modelo da Fábrica

Agora, vamos definir o recurso para o modelo


da fábrica. Clique no ícone que você quer que re-
presente o recurso, dimensione-o adequadamente,
crie gráficos adicionais se quiser e nomeie o recurso.
Defina as especificações, defina o número de uni-
dades do recurso e mude qualquer outra configura-
ção/campos padrões conforme necessário. Defina
os pontos de recurso conforme necessário.

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5.21 Movimentação com Recursos

A lógica de movimentação pode usar os re- A Figura 63 mostra como configurar a movi-
cursos para fazer movimentos entre locais, da se- mentação com recurso.
guinte forma: abra a janela Move logic e o constru-
tor de lógicas, selecione MOVE WITH e complete os
campos apropriados.

Figura 63 – Configurando movimentação com recurso.

Utilizar a lógica para MOVE WITH (mover com) Você pode selecionar o botão Then free. Se
requer que você selecione o nome do recurso que selecioná-lo, o recurso será imediatamente liberado
deseja que mova a entidade. Você pode entrar com ao final do movimento. Se quiser manter o recurso
uma prioridade para a captura do recurso. Isso sig- no novo local ao final de um movimento para que
nifica que pode priorizar o quão importante é usar realize algum processo, não selecione o botão.
o recurso. Se nenhuma prioridade é colocada, a Após fazer todas as configurações, vamos ro-
prioridade padrão zero é usada. Este é um campo dar novamente a simulação.
opcional.
Você também pode entrar com um tempo
para o movimento. Se isso é assinalado, as medidas
da velocidade e da distância usando a velocidade
do recurso são ignoradas. Este é um campo opcio-
nal.

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5.22 Cinco Erros Comuns

Usuários novos e experientes muitas vezes es- 4. Falha ao liberar o recurso.


barram em erros de execução do modelo. As próxi- 5. Chegadas falham devido à capacidade
mas páginas explicam os cinco erros mais comuns, insuficiente.
o que eles significam e como resolvê-los.

Não Há Processo Definido no Destino


1. Não há processo definido no destino.
2. Falta uma interface com a rede de ca-
minho. A Figura 64 mostra a caixa de mensagem des-
te erro.
3. Nós da rede de caminho não conecta-
dos.

Figura 64 – Caixa de mensagem do erro “não há processo definido”.

Este erro ocorre na compilação do modelo e Todas as entidades para as quais se deu um
significa que você enviou uma entidade de seu local destino devem ter um novo registro de processo
corrente para um destino, mas errou no registro que diz a elas o que fazer quando chegarem ao lo-
do processo (qual entidade, em qual local, faz qual cal de destino.
lógica de operações) para essa entidade no novo
local destino. Falta uma Interface com a Rede de Caminho
Essa mensagem de erro nos informa, por
exemplo, que a Peca_trabalhada está atualmente Outro erro comum é se esquecer de fornecer
no local Esteira_final e naturalmente lhe foi dado uma interface entre um dos nós da rede de cami-
um destino (em nosso modelo, seria o local Desti- nho e um dos locais. Quando o modelo é executa-
no_final), mas falhamos na inserção do registro para do e uma entidade ou recurso tenta se mover para
o processo no local Destino_final (cujo destino sub- esse local, você vê uma mensagem de erro. Essa
sequente seria o destino Exit). mensagem aparece quando um recurso tenta se
movimentar para um nó correspondente ao local

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solicitado. Ela nos informa qual é o local que não caminho > Interfaces e lá inserir a interface com
tem interface com a rede de caminho para a qual a o local necessário. É uma boa ideia revisar todos os
entidade está tentando se mover. Ela também infor- locais e interfaces nessa hora, para o caso de você
ma de qual local essa entidade está vindo e, ainda, ter esquecido mais de uma.
qual a linha da lógica de movimentos que se está A Figura 65 mostra a caixa de diálogo deste
tentando executar. erro.
A solução é clicar em Terminar simulação ou
no botão OK, retornar para Construir > Redes de

Figura 65 – Caixa de mensagem do erro “falta de interface”.

Nós da Rede de Caminho não Conectados o erro de execução informa que não há um caminho
físico. A mensagem informa de qual nó o recurso ou
a entidade está vindo, para qual nó está destinado
Este erro de execução frequentemente apare-
e à qual nó não está conseguindo chegar. A solução
ce quando você tem uma quebra em algum lugar
é voltar para a rede de caminho e achar a região de
na rede de caminho. Como mostra o exemplo, dois
quebra. Arraste, então, um nó para cima do outro. O
segmentos de caminho estão quase (mas não bem)
ProModel vai perguntar se você quer fundir os nós.
conectados um ao outro. Em outras palavras, os nós
Responda Sim e o problema está corrigido.
no final de um segmento e no começo do outro não
estão conectados um ao outro. Quando isso ocorre, A Figura 66 mostra como ocorre este erro.

Figura 66 – Caixa de mensagem do erro “nós da rede de caminho não conectados”.

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Falha ao Liberar o Recurso deveria deixar a Tarefa_completa na Expedição, mas


se esqueceu de adicionar o comando THEN FREE à
lógica de movimentação. Portanto, o Técnico será
Quando você construir seu modelo, as en-
considerado recurso em uso e não estará disponível
tidades irão capturar e liberar recursos. Se você se
para outras atividades. Finalmente, quando a Tare-
esquecer de liberar um recurso quando necessário
fa_completa tentar sair do modelo, a mensagem de
e a entidade tentar mais tarde sair do modelo, essa
erro aparecerá. A solução é tentar observar a anima-
mensagem de erro irá aparecer. Por exemplo, supo-
ção e encontrar qual entidade está saindo com qual
nha que uma entidade chamada Tarefa_completa
recurso e então voltar e determinar em que ponto
capturou um recurso chamado Técnico para se mo-
você deve liberar (Free) esse recurso na lógica de
ver para um local chamado Expedição. Na Expedi-
operações ou de movimento.
ção, a entidade fica cerca de 15 minutos e depois sai
do modelo. Você pretendia dizer ao Técnico que ele A Figura 67 mostra a ocorrência deste erro.

Figura 67 – Caixa de mensagem do erro “falha ao liberar recursos”.

Chegadas Falham Devido à Capacidade Por exemplo, suponha que a peça chega ao
Insuficiente estoque, cuja capacidade deveria ser 28, mas você
se esqueceu de mudar a capacidade de 1 para 28.
Quando uma peça chegar e ocupar o estoque, ou-
Se seu local de chegada está programado
tras peças que chegarem serão recusadas e você
para processar e manter entidades, então deve ha-
verá essa mensagem de erro no final da execução
ver capacidade suficiente para comportar a chega-
do modelo. O relatório de saída, quando ocorrem
da de novas entidades. Se não há capacidade sufi-
falhas de chegada, avisa o nome das entidades e
ciente para todas as entidades que chegam, aquelas
quantas delas falharam na chegada. A solução é au-
que tentam chegar quando o local está cheio vão
mentar a capacidade de chegada do local ou mudar
apresentar falha de chegada. Em outras palavras,
o padrão de chegada da entidade.
essas entidades nunca aparecerão no modelo. Isso
é muito comumente causado pelo esquecimento A Figura 68 mostra a caixa de diálogo deste
de mudar a capacidade padrão do local de 1 para o erro.
valor correto.

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Figura 68 – Caixa de mensagem do erro “capacidade insuficiente”.

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REFERÊNCIAS

CHWIF, L.; MEDINA, A. Modelagem e simulação de eventos discretos: teoria & prática. São Paulo:
Bravarte, 2006.

FREITAS FILHO, P. J. Introdução à modelagem e simulação de sistemas. Florianópolis: Visual Books,


2001.

______. Introdução à modelagem e simulação de sistemas com aplicações arena. 2. ed. São Paulo:
Visual Books, 2008.

PRADO, S. H. Teoria das filas e da simulação. 4. ed. Belo Horizonte: Instituto de Desenvolvimento
Gerencial, 2006.

PROMODEL CORP. Apostila de treinamento ProModel. Orem, 2005.

SALIBY, E. Repensando a simulação: a amostragem descritiva. São Paulo: Atlas, 1989.

SOUZA, A. C. Z.; PEREIRA, C. A. M. Introdução à modelagem, análise e simulação de sistemas


dinâmicos. São Paulo: Interciência, 2008.

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