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DIREITO CIVIL

Leitura da Lei de Introdução

Art. 1º – salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar após 45 dias da sua publicação oficial.
§ 1º – no estrangeiro, a obrigatoriedade da lei brasileira se inicia após 3 meses da sua publicação
oficial.
§ 3º – os prazos começarão a correr da nova publicação, quando o texto da lei precisar ser corrigido.

Art. 2º – lei terá vigência até que outra a modifique ou revogue, com exceção das leis temporárias.
§ 1º – lei posterior revoga a anterior quando expressamente declare, seja incompatível ou regule
inteiramente a matéria da lei anterior.
§ 2º – a lei nova que estabelece disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga e
nem modifica a lei anterior.
§ 3º – salvo disposição em contrário a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a
vigência.

Art. 3º – ninguém pode alegar desconhecimento da lei.

Art. 4º – na omissão da lei o juiz se utilizará dos costumes, da analogia e dos princípios gerais do
direito.

Art. 5º – na aplicação da lei o juiz atenderá aos seus fins sociais e às exigências do bem comum.

Art. 6º – a lei em vigor terá efeito imediato, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e
a coisa julgada.
§ 1º – ato jurídico perfeito: ato já consumado sob a vigência da lei ao tempo que se efetuou.
§ 2º – direito adquirido: direitos que se possa exercer cujo começo tenha termo fixado previamente
ou condição preestabelecida inalterável.
§ 3º – coisa julgada: decisão judicial que não caiba mais recurso.

Art. 7º – a lei do país de domicílio da pessoa que estabelece o início e o fim da personalidade,
nome, capacidade e direitos de família.
§ 1º – realizado o casamento no Brasil será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos e
formalidades da celebração.
§ 2º – casamento de estrangeiros pode ser celebrado perante autoridades diplomáticas ou consulares
do país de ambos os nubentes.
§ 3º – tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade de matrimônio a lei do
primeiro domicílio conjugal.
§ 4º – o regime de bens obedece à lei do país em que os nubentes tiverem domicílio e, se este for
diverso, à lei do primeiro domicílio conjugal.
§ 5º – estrangeiro casado que se naturalizar brasileiro pode, com autorização do cônjuge, pode
requerer no ato da entrega do decreto de naturalização, se apostile ao mesmo a adoção do regime de
comunhão parcial de bens.
§ 6º – divórcio realizado no estrangeiro, se um dos cônjuges for brasileiro, só será reconhecido após
1 ano da sentença, salvo se for antecedida de separação por igual prazo, caso em que a
homologação terá efeito imediato.
§ 7º – salvo abandono, o domicílio do chefe de família se estende ao outro cônjuge e filhos não
emancipados, e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda.
§ 8º – quando a pessoa não tiver domicílio, será considerada domiciliada no lugar de sua residência
ou naquele em que se encontre.
Art. 8º – a lei do país em que estiverem os bens será responsável por qualificá-los e regular as suas
relações.
§ 1º – será aplicada a lei do país do proprietário quanto aos bens móveis que ele trouxer ou se
destinarem a transporte para outros lugares.
§ 2º – o penhor se regula pela lei do domicílio que tiver a pessoa, em cuja posse se encontre a coisa
empenhada.

Art. 9º – será aplicada a lei do país em que se constituírem as obrigações.


§ 1º – destinando-se a ser cumprida no Brasil e dependendo de forma essencial, essa será observada,
admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos do ato.
§ 2º – a obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente.

Art. 10 – sucessão por morte ou ausência obedece a lei do país de domicílio do defunto ou
desaparecido, independentemente da natureza ou situação dos bens.
§ 1º – sucessão de bens de estrangeiro, situados no Brasil, será regulado por lei brasileira em
benefício do cônjuge ou filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do
defunto.
§ 2º – a lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.

Art. 11 – sociedades e fundações obedecem à lei do Estado em que se constituírem.


§ 1º – não podem constituir agências, filiais ou estabelecimentos antes dos atos constitutivos serem
aprovados pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas às leis brasileiras.
§ 2º – governos estrangeiros, ou organizações que eles tenham constituído no Brasil, não podem
adquirir bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação.
§ 3º – governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos
representantes diplomáticos ou agentes consulares.

Art. 12 – autoridade brasileira é competente quando o réu for domiciliado no Brasil (art. 21, CPC)
ou aqui tiver que ser cumprida a obrigação.
§ 1º – ações relativas a imóveis situados no Brasil são de competência da autoridade judiciária
brasileira.
§ 2º – autoridade judiciária brasileira cumprirá a execução de diligências deprecadas por autoridade
estrangeira competente.

Art. 13 – provas de fatos ocorridos no estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar, não admitindo
os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça.

Art. 14 – não conhecendo a lei estrangeira, pode o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da
vigência.

Art. 15 – Execução de sentenças estrangeiras no Brasil quando:


(a) proferida por juiz competente;
(b) partes citadas ou verificação de revelia;
(c) ter passado em julgado e revestida de formalidades necessárias para execução no local em que
foi proferida;
(d) traduzida por intérprete autorizado;
(e) homologada pelo STF.

Art. 16 – na aplicação de lei estrangeira ter-se-á em vista a sua disposição, sem se considerar
qualquer remissão por ela feita a outra lei.
Art. 17 – leis, atos e sentenças estrangerias não serão aplicadas no Brasil quando ofenderem a
soberania nacional, ordem pública e bons costumes.

Art. 18 – autoridades consulares brasileiras são competentes para celebrar o casamento de


brasileiros no exterior, inclusive o registro de nascimento de filhos de brasileiro ou brasileira
nascidos no país da sede do Consulado.

Art. 19 – são válidos os atos indicados no artigo 18 e praticados pelos cônsules brasileiros na
vigência do Decreto 4657/42, desde que satisfaçam os requisitos legais. § único – caso a celebração
tenha sido recusada, podem os interessados renovar o pedido em até 90 dias contados da publicação
desta lei.