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DIREITO DO CONSUMIDOR

Leitura do Código de Defesa do Consumidor

Art. 1º - CDC estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem


pública e interesse social.

Art. 2º - Consumidor: toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou
serviço como destinatário final. § único – equipara-se a coletividade de pessoas
(ainda que indetermináveis) que haja intervindo nas relações de consumo.

Art. 3º - Fornecedor: toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou


estrangeira, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação,
construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização
de produtos ou prestação de serviços.
§ 1º - produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial;
§ 2º - serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, salvo as
decorrentes de relação trabalhista.

Art. 4º - Política Nacional das Relações de Consumo: atendimento das necessidades


dos consumidores, respeito à dignidade, saúde e segurança, proteção de interesses
econômicos, melhoria na qualidade de vida, transparência e harmonia das relações
de consumo. Princípios:
(i) vulnerabilidade do consumidor;
(ii) ação governamental para proteção do consumidor (direta, indireta, pela presença
no mercado, pela garantia dos produtos e serviços);
(iii) harmonização dos interesses dos participantes da relação e compatibilização com
a necessidade de desenvolvimento econômico;
(iv) educação e informação de fornecedores e consumidores;
(v) incentivo aos fornecedores para que sejam criados meios de controle de
qualidade e segurança de produtos e serviços;
(vi) coibição e repressão de abusos cometidos no mercado de consumo;
(vii) racionalização e melhoria dos serviços públicos;
(viii) estudos constantes das modificações do mercado de consumo.

Art. 5º - Instrumentos de execução da Política Nacional das Relações de Consumo:


(i) manutenção da AJG para consumidor carente;
(ii) instituição de Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, no MP;
(iii) criação de delegacias de polícia especializadas;
(iv) criação de JEC e Varas Especializadas para solução de litígios de consumo;
(v) concessão de estímulos à criação de Associações de Defesa do Consumidor.

Art. 6º - Direitos básicos do Consumidor:


(i) proteção à vida, saúde e segurança;
(ii) educação e divulgação sobre o consumo adequado de produtos e serviços;
(iii) informação adequada e clara;
(iv) proteção contra a publicidade enganosa e abusiva;
(v) modificações de cláusulas contratuais que estabeleçam prestações
desproporcionais;
(vi) efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais;
(vii) acesso a órgãos administrativos e judiciários;
(viii) facilitação da defesa e inversão do ônus da prova (em casos de
hipossuficiência);
(x) adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.
Art. 7º - direitos previstos não excluem outros que estejam previstos em tratados
internacionais ou convenções que o Brasil seja signatário. § único – tendo mais de um
autor a ofensa, todos respondem solidariamente pela reparação dos danos causados
nas normas de consumo.

Art. 8º - produtos e serviços não acarretarão riscos à saúde ou segurança dos


consumidores, exceto os normais e previsíveis, em decorrência de sua natureza
(fornecedor obrigado a dar informação necessária e adequada). § único – em caso de
produto industrial, o fornecedor deve prestar informações por meio de impressos
apropriados que devem acompanhar o produto.

Art. 9º - produtos e serviços nocivos devem ser ostensivamente informados pelos


fornecedores.

Art. 10 – não podem ser colocados no mercado produtos ou serviços de alta


periculosidade à saúde ou segurança do consumidor.
§ 1º - fornecedor deve informar as autoridades competentes e os consumidores
(anúncios publicitários) imediatamente, após saber da alta periculosidade do produto
ou serviço;
§ 2º - anúncios publicitários supra serão veiculados em rádio, TV e imprensa, arcados
pelos próprios fornecedores;
§ 3º - União, Estados, DF e Municípios deverão informar sobre a alta periculosidade
dos produtos e serviços que tiverem conhecimento.

Art. 12 – fabricante (produtor/construtor/importador) responde, independentemente


da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores, por
defeito decorrente de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas,
manipulação, apresentação ou acondicionamento de produtos, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.
§1º - produto é defeituoso quando não oferece segurança, levando em consideração:
(i) sua apresentação; (ii) uso e riscos que se esperam; (iii) época em que foi colocado
no mercado.
§ 2º - produto não é defeituoso quando outro de melhor qualidade tiver sido colocado
no mercado.
§ 3º - fabricante não será responsabilizado quando provar: (i) que não colocou o
produto no mercado; (ii) quando o defeito inexiste; (iii) por culpa exclusiva do
consumidor ou de terceiros.

Art. 13 – comerciante é igualmente responsável quando:


(i) fabricante (produtor/construtor/importador) não puderem ser identificados;
(ii) produto sem informação clara do fabricante;
(iii) não conservar adequadamente os produtos perecíveis.
§ único – quem pagar o prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os
demais responsáveis.

Art. 14 – fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de


culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à
prestação dos serviços.
§ 1º - serviço é defeituoso quando não oferece segurança pelo: (i) modo de
fornecimento; (ii) resultado e riscos que se esperam; (iii) época de fornecimento.
§ 2º - serviço não é defeituoso pela simples adoção de novas técnicas.
§ 3º - fornecedor não será responsabilizado quando provar: (i) defeito inexiste; (ii)
culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros.
§ 4º - responsabilidade dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação
de culpa.

Art. 17 – consumidores = todas as vítimas do evento.

Art. 18 – fornecedores de produto (durável ou não) respondem solidariamente pelos


vícios de quantidade e qualidade que os tornem impróprios ou inadequados ao
consumo ou lhes diminuam o valor, assim como aqueles decorrentes de disparidade
com indicações constantes do recipiente (embalagem, rotulagem), respeitadas as
variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição
das partes viciadas.
§ 1º - não sendo o vício sanado em 30 dias, pode o consumidor escolher entre: (i)
substituição do produto por outro da mesma espécie (pode de outra espécie, desde
que ocorra complementação ou restituição de eventual diferença de preço - § 4º); (ii)
restituição imediata da quantia paga; (iii) abatimento proporcional do preço.
§ 2º - podem as partes convencionar a alteração do prazo acima (mínimo 7 dias e
máximo 180).
§ 5º - produtos in natura: fornecedor imediato é o responsável, exceto quando
identificado prontamente o produtor.
§ 6º - impróprios para o consumo: (i) produtos vencidos; (ii) produtos deteriorados,
adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados; (iii) produtos que por
qualquer motivo se revelem inadequados ao fim a que se destinam.

CONTINUA...