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POTENCIAL BIOCIDA DO ÁCIDO PIROLENHOSO NO CONTROLE DE

NEMATOIDES DAS GALHAS NA CULTURA DA ALFACE


Alexandre Martins dos Santos (bolsista do PIBITI/CNPq), Fernandes Antonio de Almeida
(Orientador, DEN/CPCE/UFPI)
Introdução
A alface (Lactuca sativa L.) é uma das hortaliças mais difundida de fácil adaptação em todas
as regiões do país, possibilitando o cultivo sucessivo por apresentar ciclo curto, com produção o ano
todo e rápido retorno financeiro (MEDEIROS et al., 2007). Porém, são inúmeras as adversidades
encontradas pelos produtores, principalmente os dados provocados por microrganismos como os
nematóides de galhas. Tendo em vista a grande maioria das cultivares explorada serem altamente
suscetíveis, permite ao patógeno aumentar cada vez mais sua taxa reprodutiva, persistindo no solo
grandes populações de ovos após sucessivos cultivos (CAMPOS et al., 2001).
Dessa forma, este estudo teve como objetivo avaliar o potencial de diferentes concentrações
do ácido pirolenhoso no manejo de nematóides das galhas (Meloidogyne incognita) na cultura da
alface em condições de casa de vegetação.
Metodologia
O experimento foi conduzido em condições de casa de vegetação e Laboratório de
Fitopatologia, na área experimental do Campus da Universidade Federal do Piauí (UFPI) em Bom
Jesus-PI.
A alface semeada foi a cultivar “Repolhuda todo ano” (grupo Lisa) em bandejas de
poliestireno expandido com 200 células. O substrato utilizado foi a base de solo-areia-esterco na
proporção 3:2:1 (v/v) respectivamente, esterilizado em autoclave vertical a uma temperatura de 120
o
C. Após o décimo oitavo dia da semeadura, as mudas foram transplantadas deixando apenas por
vaso.
Passado quinze dias do transplante, foram extraídos de raízes de tomateiro pelo método
Coolen e D’Herde (1972) e inoculadas na superfície do solo de cada vaso uma suspensão (5.000
ovos/juvenis) estimada com auxílio da câmara de contagem de Peters, sob microscópio óptico.
Decorrido 72 horas da inoculação, foram realizadas as aplicações com ácido pirolenhoso
correspondendo a cada tratamento.
As avaliações foram realizadas após trinta dias da inoculação dos nematóides, para as
características do parasitismo como: número de galhas e de massa de ovos em 10g de raízes,
conforme escala proposta por Taylor e Sasser (1978); contagem do número de juvenis no solo pelo
método de Jenkins (1964) e número de juvenis na raiz. Foram avaliadas ainda todas as
características agronômicas: número de folhas, diâmetro foliar, altura de planta, comprimento do
caule, peso fresco da parte aérea das plantas, peso fresco do sistema radicular, comprimento
radicular total e volume da raiz.
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com 10 tratamentos que
correspondem às concentrações do Ácido Pirolenhoso diluído em água (T1 0,0%; T2 0,5%; T3 10%;
T4 15%; T5 20%; T6 25%; T7 30%; T8 35%; T9 40% e T10 50%), com cinco repetições. Os dados
foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste Scott & Knot (p<0,05).
Resultados e Discussão
De acordo com análise de variância para as características do parasitismo dos nematóides,
todos os tratamentos influenciaram acentuadamente com redução para número de galhas (NG),
número de massa de ovos (NMO) número juvenis na raiz (NJR) e número de juvenis no solo (NJS),
diferindo estatisticamente da testemunha. Todas as variáveis apresentaram resultados promissores
com os tratamentos a base de ácido pirolenhoso, ao mesmo tempo, não houve diferença entre as
mesmas, ou seja, a menor dose do ácido (0,5%) não diferenciou da maior concentração (50%)
empregada (Tabela 1). Os resultados corroboram com os obtidos por Cuadra (2000) onde demonstra
em seus resultados que o extrato pirolenhoso tem efeito nematicida sobre a mesma espécie de
nematoide desse estudo.

Tabela 1. Características de parasitismos de nematóides (M. incognita) para número de galhas (NG),
número de massa de ovos (NMO) nematoides juvenis na raiz (NJR) e número de juvenis no solo
(NJS) em alface tratados com ácido pirolenhoso avaliados. Bom Jesus-PI-2013.
1 2 2 2 2
Trat. NG NMO NJR NJS
1 8,2 a 6,4 a 4,8 a 20,6 a
2 2,6 b 1,4 b 0,2 b 4,4 b
3 2,6 b 1,6 b 0,2 b 6,2 b
4 1,4 b 1,2 b 0,2 b 5,0 b
5 1,2 b 0,8 b 0,2 b 3,8 b
6 2,4 b 2,0 b 0,1 b 4,0 b
7 3,6 b 2,6 b 0,2 b 9,0 b
8 1,4 b 1,4 b 0,2 b 1,0 b
9 2,8 b 2,2 b 0,2 b 5,6 b
10 1,0 b 0,0 b 0,4 b 1,8 b
CV (%) 13,06 13,12 5,58 17,73
Médias seguidas de mesma letra, na coluna não diferiram entre si pelo teste de Scott-Knott, a 1% de
probabilidade. 2Para análise estatística os dados transformados em √(x+05).

Para as variáveis altura de planta (ALT), número de folhas (NFL), comprimento do caule
(CCL) e peso fresco da parte aérea (PFPA), os tratamentos promoveram perdas significativa até
mesmo inferior a testemunha em alguns tratamentos. Dessa forma, as concentrações que foram
utilizadas tiveram efeitos em determinado período fitotóxico, inibindo o potencial de crescimento e
desenvolvimento vegetativo da cultura (Tabela 2).
Porém, para os resultados envolvendo as variáveis do sistema radicular em alguns
tratamentos favoreceram positivamente a planta. A exemplo o PFSR que apresentou ganho com os
T2; T3; T4; T5; T7 e T8, diferiram estatisticamente da testemunha, com destaque para T2 (91%) de
superioridade. Outro grande desempenho ocorreu para (VR) com um crescimento T8 (125%) a mais
que a testemunha. Para a variável (CRT) e (DF) os tratamentos se mostraram semelhantes ao
observado para a variável (PFSR), onde os melhores tratamentos diferiram estatisticamente de T6,
T9 e T10, com destaque para T2 (76,19 e 110,34%) de incremento radicular e crescimentos foliar,
respectivamente. Os tratamentos (T9 40%) e (T10 50%), apresentaram retardamento em todas as
variáveis analisadas em alguns casos inferiores até mesmo a testemunha (Tabela 2).
Tabela 2. Avaliação de características agronômicas de alface em casa de vegetação com solo
infestado com nematóides de galhas (M. incognita) empregando ácido pirolenhoso. Bom Jesus-PI-
2013.
1 1 1 1 1
Trat. ALT. NFL CCL PFPA PFSR VR CRT. DF
(cm) (und) (g) (g) (g) (ml) (cm) (cm)
Testemunha 22,6 a 20,4 a 6,5 a 25,2 a 4,5 b 4,0 b 10,5 b 11,6 b
T2 30,1 a 27,0 a 7,8 a 35,6 a 8,6 a 8,8 a 18,5 a 24,4 a
T3 17,5 b 18,0 a 6,2 a 13,8 b 7,2 a 7,6 a 13,6 a 15,8 a
T4 18,4 b 17,6 a 6,4 a 14,3 b 7,1 a 6,4 a 14,6 a 17,1 a
T5 15,2 b 16,4 a 6,0 a 10,1 b 6,4 a 5,8 a 15,6 a 15,6 a
T6 11,0 b 12,4 b 4,5 b 8,9 b 4,2 b 5,6 a 9,6 b 9,2 b
T7 25,0 a 25,0 a 7,5 a 29,6 a 7,9 a 6,8 a 17,0 a 18,1 a
T8 39,0 a 28,0 a 10,6 a 42,1 a 7,9 a 9,0 a 16,5 a 19,7 a
T9 2,8 b 1,8 b 0,9 b 0,82 b 1,4 b 2,0 b 3,1 c 2,5 b
T10 6,0 b 5,4 b 1,8 b 6,83 b 1,3 b 2,0 b 2,6 c 3,8 b
CV(%) 31,50 30,11 25,56 43,91 25,75 31,81 25,57 25,78
Médias seguidas da mesma letra, na coluna, não diferiram entre si pelo teste de Scott-Knott, ao nível
de 1% de sig. 1Altura de planta (ALT ), número de folhas (N.FL), comprimento de caule (C. CL) peso
fresco de parte aérea (PFPA), peso fresco sistema radicular (PFSR), volume de radicular (V R),
comprimento radicular total (CRT) e diâmetro foliar (DF).

Conclusão

O extrato pirolenhoso proporcionou redução acentuada no parasitismo de M. incognita em


alface;
A concentração a 0,5% do ácido demonstrou efeito similar as maiores concentrações na
redução do parasitismo;
As concentrações a 40% e 50% promoveram efeito negativos sobre todas as características
agronômicas da alface.
Apoio: Ao CNPQ pela conceição da bolsa de iniciação cientifica.

Referências
CAMPOS, V. P.; SILVA, L. H. C .P.; DUTRA, M. R. Manejo de nematoides em hortaliças. In: SILVA, L.
H. C. P.; CAMPOS, J. R.; NOJOSA, G. B. A. (ed.). Manejo integrado: doenças e pragas em
hortaliças. Lavras: UFLA, 2001. p.125-158.
COOLEN, W.A.; D’HERDE, C.J. A method for the quantitative extraction of nematodes from plant
tissue. Ghent, Belgian: State of Nematology and Entomology Research Station , 1972 , 77 p.
CUADRA, R.. Some natural compounds with nematicidal effect. Revista de Proteccion Vegetal, 15:
p. 31-37. 2000.
JENKINS, W.R.A. A rapid centrifugal-flotation technnique for separating nematodes from soil. Plant
Disease Reporter, p. 48. 1964.
MEDEIROS, D. C.; LIMA, B. A. B.; BARBOSA, M. R.; ANJOS, R. S. B.; BORGES, R. D.;
CAVALCANTE NETO, J. G.; MARQUES, L. F. Produção de mudas de alface com biofertilizantes e
substratos. Horticultura Brasileira, v. 25, n. 3, p. 433-436, 2007.
TAYLOR, A. L.; SASSER, J. N. Biology identification and control of root-knot nematodes
(Meloidogyne spp). Releigh, North Caroline State University Grafics. 111p. 1978.

Palavras chave: Manejo alternativo. Meloidogyne incognita. Lactuca sativa L.