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DEZEMBRO 1999

INBRAC S/A CONDUTORES ELÉTRICOS


DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUTO.

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CABOS DE POTÊNCIA 2
“A Eletricidade é tão importante quanto perigosa. Utilize equipamentos de proteção individual para os trabalhos que a
envolvam, ou peça ajuda a profissionais gabaritados. Nunca utilize produtos de baixa qualidade, a economia inicial
poderá lhe custar caro.

“PESSOAS COM PROBLEMAS CARDÍACOS OU PORTADORES DE MARCAPASSOS NÃO DEVEM SE SUBMETER


AO RISCO DE CHOQUES ELÉTRICOS, SOB RISCO DE VIDA”

CABOS DE POTÊNCIA 3
1
eletricidade
básica

CABOS DE POTÊNCIA 4
INTRODUÇÃO

Um pequeno imã é capaz de levantar da mesa um prego de ferro, contra a


força de seu peso, que vem da atração gravitacional de toda a Terra. Um
pente atritado sobre uma flanela atrai fragmentos de papel. Estes são
exemplos de forças magnéticas e elétricas, respectivamente.

Essas forças são conhecidas desde a antigüidade. Os antigos gregos sabiam


das propriedades de um minério de ferro (magnetita), que é um imã natural. As
palavras magnetita, magnetismo e outros termos relacionados, derivam de uma
cidade asiática, Magnésia, perto da qual foi encontrado o minério. Diz-se
também que o filósofo grego Thales teria observado forças elétricas há cerca
de vinte e cinco séculos. Teria verificado que o âmbar, quando atritado, atrai
pequenos objetos. A palavra eletricidade vem de "elektron", nome grego do
âmbar.

Entretanto, foi somente durante a Renascença que se desenvolveu de forma


sistemática o estudo da eletricidade e do magnetismo, e os físicos só
conseguiram uma compreensão clara do assunto no fim do século passado.
Dificilmente poderá ser encontrado um outro fato científico de conseqüências
tão profundas e de tão grande alcance. Dele resultaram inúmeras aplicações
práticas. A produção e a utilização da energia elétrica e o desenvolvimento das
comunicações no mundo de hoje modificaram completamente nosso sistema
de vida. Quanto ao aspecto científico, aprendemos que as forças elétricas
controlam a estrutura dos átomos e das moléculas. A eletricidade está
associada a vários processos biológicos como, por exemplo, a ação dos
nossos nervos e do nosso cérebro.

NOÇÃO DE CARGA ELÉTRICA

Diversas teorias foram propostas para justificar os fenômenos elétricos.


Atualmente, eles são explicados da seguinte maneira: todos os corpos são
formados de átomos, os quais são constituídos de partículas elementares
invisíveis, denominadas sub-atômicas, sendo as principais: elétrons, prótons
e nêutrons. Os prótons e os nêutrons acham-se localizados na parte central do
átomo chamada núcleo. Ao redor do núcleo movem-se os elétrons, como
planetas ao redor do sol. Os átomos tendem a se reunir, formando moléculas.
Os prótons em presença se repelem, o mesmo acontecendo com os elétrons.

CABOS DE POTÊNCIA 5
Entre um próton e um elétron há atração. Estes comportamentos são idênticos
aos observados em bastões de vidro e panos de lã (que quando atritados,
passam a se repelir) e, para explicá-los, associa-se aos prótons e aos elétrons
uma propriedade física denominada carga elétrica. Os prótons e os elétrons
apresentam efeitos elétricos opostos, e por este motivo, diz-se que há duas
classes de cargas elétricas: positiva, a carga elétrica do próton, e negativa, a
carga elétrica do elétron. Os nêutrons não apresentam efeitos elétricos, e são
portanto definidos como não tendo carga elétrica.

Fig. 1.1: prótons (+), nêutrons (n) e elétrons (-) formam um átomo

ISOLANTES E CONDUTORES

É comum classificarmos os vários materiais dizendo que alguns são


condutores elétricos e outros isolantes. Resumidamente, podemos caracterizar
como condutores elétricos os materiais que possuem partículas elétricas com
grande liberdade de movimento, e os isolantes como materiais cujas partículas
tem pouca ou nenhuma liberdade de movimento. Quanto maior a liberdade de
movimento das partículas do material, mais facilmente ele conduzirá a
eletricidade, e portanto, menor será sua resistência elétrica.

Quando alguns líquidos e gases conduzem eletricidade, tanto as cargas


positivas quanto as negativas se movem. Nos metais, contudo, a condutividade
é devida unicamente ao movimento das partículas negativas, denominadas de
"elétrons livres".

Fig. 1.2: Representação dos elétrons livres em


um condutor, em movimento desordenado.

CABOS DE POTÊNCIA 6
CORRENTE ELÉTRICA

Define-se corrente elétrica como o movimento ordenado das partículas livres


em um condutor, quando o mesmo é submetido a uma diferença de potencial
(também chamada tensão elétrica). Esta diferença de potencial é obtida a
partir de um gerador elétrico, que mantém em um ponto uma falta de elétrons,
e em outro ponto um excesso de elétrons. Estes pontos são denominados
pólos. A bateria de uma automóvel é um exemplo de um gerador elétrico. A
unidade de intensidade de corrente denomina-se Ampére (símbolo A), em
homenagem ao cientista francês de mesmo nome.

Relações:

1 kA (um kilo-ampére) = 1000 A


1 mA (um mili-ampére) = 0,001 A
1 µA (um micro-ampére) = 0,0000001 A

A unidade de diferença de potencial (ou tensão elétrica) denomina-se Volt


(símbolo V), em homenagem ao físico italiano Alessandro Volta.

Fig. 1.3: Ligando o condutor ao gerador, há uma diferença de potencial elétrico entre as
extremidades do condutor, e o movimento dos elétrons é ordenado. Temos aí uma corrente elétrica

EFEITOS DA CORRENTE ELÉTRICA

A passagem da corrente elétrica através dos condutores acarreta diferentes


efeitos, dependendo da natureza do condutor e da intensidade da corrente.

CABOS DE POTÊNCIA 7
É comum dizer-se que a corrente elétrica tem quatro efeitos principais: térmico,
químico, magnético e fisiológico.

O Efeito Térmico, também conhecido como Efeito Joule, é causado pelo


choque dos elétrons livres contra os átomos dos condutores. Ao receberem
energia, os átomos vibram mais intensamente. Quanto maior for a vibração dos
átomos, maior será a temperatura do condutor. Nestas condições, observa-se o
aquecimento do condutor. Este efeito é muito aplicado nos aquecedores em
geral, como os aquecedores de cabelos e ferros de passar roupa.

Fig. 1.4: Aquecedores em geral são uma


aplicação prática do Efeito Térmico, ou Efeito Joule,

O Efeito Magnético é aquele que origina um campo magnético em torno do


condutor. A constatação de um campo magnético, em determinada região, é
feita pelo desvio da agulha magnética (imã) de uma bússola (este é o princípio
de funcionamento de voltímetros e outros medidores elétricos).

Fig. 1.5: Efeito magnético.

O Efeito Fisiológico corresponde à passagem da corrente elétrica por


organismos vivos. A corrente elétrica age diretamente no sistema nervoso,
provocando contrações musculares; quando isto ocorre, dizemos que houve
um choque elétrico. O pior caso de choque é aquele que se origina quando
uma corrente elétrica entra pela mão de uma pessoa e sai pela outra. Neste
caso, atravessando o tórax de ponta a ponta ela tem grande chance de afetar o

CABOS DE POTÊNCIA 8
coração e a respiração. O valor mínimo de intensidade de corrente que se pode
perceber pela sensação de cócegas ou formigamento leve é 1 mA. Entretanto,
uma corrente com intensidade de 10 mA pode fazer com que a pessoa perca o
controle dos músculos, sendo difícil abrir a mão e livrar-se do contato (os
conhecidos casos de pessoas que ficam “grudadas” à fonte de corrente). O
valor mortal está compreendido de entre 10 mA e 3 A, aproximadamente.
Nestes valores, a corrente, atravessando o tórax, atinge o coração com
intensidade suficiente para modificar seu ritmo. Modificado o ritmo, o coração
interrompe o bombeamento de sangue para o corpo, e a morte pode ocorrer
numa fração de minuto. Se a intensidade for ainda mais alta, a corrente pode
paralisar completamente o coração, provocando danos cerebrais irreversíveis.

O Efeito Químico, ou Eletrólise, corresponde a certas reações químicas que


ocorrem quando a corrente elétrica atravessa as soluções químicas chamadas
de eletrolíticas. É muito aplicado, por exemplo, no recobrimento de metais
pelo processo conhecido como galvanização (niquelação, cromeação,
prateação, zincagem, etc.).

Fig. 1.6: Efeito químico

POTÊNCIA E ENERGIA ELÉTRICA

Denomina-se potência elétrica o resultado da multiplicação dos valores de


corrente elétrica pelo de tensão elétrica. A potência elétrica utilizada durante
um certo tempo é a energia elétrica.

A unidade de potência é o Watt (símbolo W), em homenagem ao físico inglês


de mesmo nome. A energia elétrica é expressa em quilowatt-hora (kWh), que
representa a quantidade de energia com potência de 1 kW que é transformada
em uma hora (1 kW = 1.000 W).

CABOS DE POTÊNCIA 9
É norma prática gravar-se, nos aparelhos elétricos, sua potência elétrica, bem
como a tensão elétrica à qual devem ser ligados. A inscrição (60 W - 120 V )
gravada em um aparelho qualquer indica que este consegue transformar a
potência de 60 W quando ligado a uma tensão de 120 V.

GERADORES

Os geradores são os aparelhos que transformam formas de energia diversas


em energia elétrica.

A energia química liberada em certas reações é a base de um grande número


de geradores químicos, dentre eles as baterias ou acumuladores, que podem
sofrer recargas, e também as pilhas, de duração limitada.

Nas usinas hidrelétricas a energia mecânica, obtida através de turbinas


impulsionadas pela força da água, é convertida em energia elétrica através de
geradores mecânicos.

Fig. 1.7: Dois tipos de geradores, Químico e Mecânico

RECEPTORES

Existem aparelhos capazes de receber a energia elétrica e transformá-la em


outras formas de energia, como mecânica, térmica, etc.. Esses aparelhos são

CABOS DE POTÊNCIA 10
denominados receptores. Motores elétricos transformam energia elétrica em
energia mecânica, através do efeito magnético. A bateria dos carros transforma
energia elétrica em energia química, durante o processo de recarga (depois
esta energia química poderá ser novamente convertida em elétrica, quando a
bateria estiver carregada e for ligada à um circuito). Aparelhos aquecedores em
geral são capazes de transformar energia elétrica em calor, através do efeito
térmico (efeito Joule).

Fig. 1.8: O ferro de passar e o chuveiro são receptores, e transformam energia elétrica em calor (energia térmica).

CABOS DE POTÊNCIA 11
2
condutores
elétricos

CABOS DE POTÊNCIA 12
INTRODUÇÃO

Entende-se como condutor o produto metálico, geralmente de forma cilíndrica e


de comprimento muito maior que a maior dimensão transversal, utilizado para
transportar energia elétrica ou transmitir sinais elétricos.

Os metais mais utilizados como condutores elétricos são o cobre e o alumínio.


O cobre tem sido preferido devido a suas superiores características elétricas e
mecânicas. O alumínio praticamente domina o campo dos condutores nus para
transmissão e distribuição de energia elétrica.

O alumínio algumas vezes é preferido devido ao seu menor custo. Nos cabos
isolados, no entanto, esta diferença é muitas vezes absorvida pelos demais
componentes, pois para transmissão da mesma quantidade de energia deve-se
utilizar uma seção 65% superior a do cobre, aumentando os volumes dos
demais materiais componentes e, consequentemente, os custos. Além disso o
alumínio apresenta certos problemas na execução das emendas e em
determinadas instalações leva a utilização de eletrodutos de maiores
dimensões.

O cobre ocupa o primeiro lugar entre os metais que podem ser


convenientemente utilizados como condutores elétricos, pois além de sua alta
condutividade elétrica, o cobre possui a vantagem de ser dúctil e maleável (o
que significa que pode ser mecanicamente trabalhado para a obtenção de fios
bastante finos). Possui características mecânicas satisfatórias, alta resistência
à intempéries e corrosão, e é encontrado em boa quantidade na natureza.
Característica Unidade Cobre Alumínio Liga Aço Zincado
Al-Mg-Si 150
duro mole duro mole
Carga de ruptura kg/mm2 38-45 23-28 17-23 7-10 30-35 150-190
Limite de elasticidade kg/mm2 22 - 8-11 1-2 17-19 -
Módulo de elasticidade kg/mm2 10000~13500 6000 6200~ 7200 20000
o -1
Coeficiente de dilatação térmica C 17x10-6 23x10-6 23x10-6 12x10-6
o
Ponto de fusão C 1083 658 600 1450
Calor específico kcal/kg oC 0,093 0,218 0,204~0,223 0,12
Calor de fusão kcal/kg 43-51 92,4 92,4 50
Resistividade Elétrica a 20o C Ω.mm2/km 17,5~17,9 17,24 28,2~28,5 27,5~28,4 31,0~33,3 140
o -1
Coef. Temp. p/ resistividade C 10 3 3,82 3,93 4,00 4,00 4,80~5,20
Massa específica kg/dm3 8,89 2,73 2,70 7,85

Tabela 2.1 - Características dos materiais usados na fabricação de fios para condutores

Além do cobre e do alumínio, suas ligas também são utilizadas na fabricação


de condutores elétricos, bem como certos tipos de aço zincado. Tendo em vista

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que o cobre é o metal mais empregado na produção de condutores elétricos,
este trabalho dará mais ênfase à este material.

HISTÓRICO DO COBRE

O cobre é conhecido e utilizado pelo homem desde a pré-história. Foram


encontrados utensílios de cobre egípcios que datam do ano de 2750 aC. Seu
nome é derivado de Cyprium, por ter sido encontrado na ilha de Chipre. Por
abreviação, passou a ser denominado Cuprum, a palavra latina que deu origem
ao seu símbolo químico (Cu)

OBTENÇÃO DO COBRE

O cobre é encontrado na natureza sob três formas: como sulfeto de cobre


(aproximadamente 85% do total mundial), como óxido de cobre (por volta de
15%) e sob a forma de cobre puro ou nativo (menos que 1 %).

Na América do Sul (nos países Peru e Chile, principalmente), o principal


minério encontrado é a calcopirita (sulfeto duplo de Ferro e Cobre). Na
metalurgia do cobre, a calcopirita é submetida aos seguintes processos:
flotação, método de purificação do minério através de um líquido floculante;
ustulação, aquecimento em presença de corrente de ar para redução do teor
de enxofre, refinação eletrolítica, deposição do cobre em catodo através de
eletrólise.

LAMINAÇÃO DO COBRE

A laminação é o processo utilizado para obtenção do vergalhão de cobre,


podendo ser do tipo convencional, realizada através do aquecimento e
estiramentos sucessivos do lingote, ou laminação contínua, realizada após a
fundição do catodo.

No Brasil, a INBRAC foi a pioneira na implantação da laminação contínua de


cobre. O sistema utilizado é do tipo "properzi", esquematizado na figura 2.1,
que se divide em cinco partes: forno de fusão, forno de espera, laminador,
tubo de decapagem e bobinador.

CABOS DE POTÊNCIA 14
Fig.2.1: Esquema do sistema de laminação contínua de cobre.

O processo de laminação contínua possui várias vantagens em relação ao


convencional: características mecânicas mais homogêneas devido ao processo
de laminação manter a temperatura constante do cobre; acabamento
superficial e decapagem mais eficientes; redução do número de soldas no
vergalhão, já que para um lance padrão de 4000 Kg, o processo contínuo não
necessitará de soldas, enquanto que serão necessárias no mínimo 36 no
processo convencional (deve-se salientar que a soldagem por fusão, processo
utilizado para soldar vergalhões, tem como consequência a fragilização do
material, tornando-o quebradiço); redução das perdas de processo, uma vez
que no processo convencional 1,5 m das pontas devem ser cortadas devido ao
alto teor de oxigênio, representando uma perda de aproximadamente 1,2 %.

TREFILAÇÃO E RECOZIMENTO

A trefilação consiste de um processo de estiramentos sucessivos do


vergalhão, até a obtenção do fio propriamente dito. O equipamento utilizado
para este processo é trefila, que conta com uma cadeia de fieiras que
realizam o estiramento gradual do vergalhão, até conseguir-se o diâmetro
desejado. As trefilas são divididas em grossa, intermediária e fina, dependendo
da faixa de diâmetros trabalhados. O processo de trefilação modifica a
estrutura do metal, alterando suas características mecânicas e,
conseqüentemente, sua têmpera.

O processo de recozimento consiste de um tratamento térmico executado de


modo a alterar as características mecânicas de maneira inversa à da trefilação.
Pode ser realizado em fornos com atmosfera controlada, ou de maneira
contínua no próprio processo de trefilação. Conclui-se, portanto, que as
diversas têmperas dos materiais são obtidas através da combinação dos
processos de trefilação e recozimento.

CABOS DE POTÊNCIA 15
2.2: Esquema simplificado do processo de trefilação, e representação do perfil de uma fieira.

TÊMPERA

Denomina-se têmpera o estado que adquire o material pela ação das


deformações plásticas a frio ou a quente, ou por tratamentos térmicos ou pela
combinação de ambos, que dão ao produto estruturas e propriedades
características.

TÊMPERAS DO COBRE

Para o cobre, as têmperas classificam-se em: mole, estado em que apresenta


menor resistência mecânica, com maior condutividade elétrica; dura, estado
em que apresenta maior resistência mecânica, com menor condutividade
elétrica; meio dura, estado intermediário entre o mole e o duro.

O cobre meio duro e duro são normalmente utilizados para fios e cabos nus
aplicados a redes aéreas onde necessita-se de alta resistência a tração, sem
se importar com a flexibilidade.

O cobre mole é recomendável para aplicação geral em condutores isolados ou


não, onde são desejadas alta condutibilidade e flexibilidade, sendo a
resistência à tração fator secundário.

TÊMPERAS DO ALUMÍNIO

Para o alumínio utilizado na fabricação de condutores elétricos, as têmperas se


classificam da seguinte forma: recozido (“O”), aplicável aos produtos acabados
no estado em que apresentam o menor valor de resistência mecânica;
encruada ("H"), aplicável aos produtos nos quais aumentou-se a resistência

CABOS DE POTÊNCIA 16
mecânica por deformação plástica a frio, podendo passar posteriormente por
uma operação de recozimento para produzir um amolecimento parcial. Esta
letra é seguida de dois dígitos: o primeiro indica o processo (ou processos) a
que foi submetido o material: primeiro dígito “1”, significa somente encruado,
produtos que sofrem deformação plástica a frio à fim de se obter a resistência
desejada sem recozimento complementar, neste caso o segundo dígito indica o
grau de encruamento; primeiro dígito “2” indica produto deformado
plasticamente a frio e parcialmente recozido, e aplica-se aos produtos que
sofrem deformação plástica a frio em grau maior do que o desejado, sendo
em seguida recozidos parcialmente para reduzir a sua resistência ao nível
especificado, neste caso, o segundo dígito indica o grau de encruamento que
permanece depois que o produto foi parcialmente recozido.

ESTANHAGEM

É o processo de revestimento do fio de cobre por uma fina camada de estanho,


tendo como finalidades principais a proteção contra ataque químico, a
soldabilidade e, em alguns casos facilitar as junções de conexões soldadas
durante a instalação dos cabos. O processo de estanhagem pode ser realizado
através de imersão a quente ou por eletrólise.

ENCORDOAMENTO

É a operação de reunir vários fios, em número e dimensões pré-definidas em


normas e especificações, formando um cabo, que poderá apresentar áreas
transversais (seções) maiores, impossíveis de se obter com simples fios.

Fig. 2.3: os cabos são formados por vários fios elementares.

As formas de encordoamento mais comuns para os condutores elétricos são:

Redondo normal, o produto da simples reunião de fios elementares, de forma


concêntrica e em espiral, colocados sobreum fio central de igual diâmetro. É o

CABOS DE POTÊNCIA 17
tipo mais comum de encordoamento utilizado em cabos de energia. As
formações mais comuns são:

- 7 fios (1+6)
- 19 fios (1+6+12)
- 37 fios (1+6+12+18)
- 61 fios (1+6+12+18+24)

- Encordoamento em feixe, o resultado da simples reunião dos fios


elementares de maneira não concêntrica.

- Redondo compacto, que apresenta construção semelhante à do redondo


normal, sendo que, durante o encordoamento dos fios elementares, o
conjunto sofre um esmagamento que reduz o diâmetro final do condutor (a
vantagem da utilização dessa construção é a redução do diâmetro final do
cabo, assim como na forma mais arredondada do condutor, mas háverá
uma ligeira diminuição da flexibilidade)

- Setorial compactado, uma construção na qual o cabo, ao final do


processo, passa por jogos de calandras que dão ao condutor a forma
setorial, com deformação dos fios elementares (esse tipo de
encordoamento é utilizado na construção de cabos de 3 ou 4 condutores,
com a vantagem de redução do diâmetro externo final e,
conseqüentemente, nos materiais de enchimento e cobertura)

- Anular, um encordoamento cujo núcleo é oco e destinado a cabos com


seções superiores a 500 mm2 , quando o efeito pelicular se torna apreciável
e uma considerável economia de material pode ser obtida

- Redondo segmentado, com finalidade semelhante ao do anular, ou seja,


minimizar o efeito pelicular, garantindo maior capacidade de condução de
corrente para o condutor. Sua construção se baseia na divisão do condutor
em segmentos isolados entre si, de forma a melhor distribuir a densidade de
corrente ao longo do condutor.

- Encordoamento composto, o resultado do encordoamento de vários fios


de diâmetro reduzido, formando "cochas", que por sua vez são reunidas
entre si, concentricamente, para a obtenção de cabos com alto grau de
flexibilidade.

CABOS DE POTÊNCIA 18
Além da forma, um fator a ser considerado na construção do condutor é a sua
classe de encordoamento, ou seja, o número de fios ideal para se atender a
uma flexibilidade desejada para o cabo. Para isso, as normas ABNT
padronizam cinco classes de encordoamento, cada qual prevendo um grau de
flexibilidade compatível com uma dada aplicação do cabo, conforme segue:

- Classe 1, condutores sólidos (fios) de seções de 0,5 mm2 a 35 mm2 , para


uso geral.

- Classe 2 : Condutores encordoados, compactos ou não, circulares ou não,


e condutores combinados circulares, de seções de 0,5 mm2 a 1200 mm2,
para cabos de energia em geral.

- Classes 4, 5 e 6: Condutores flexíveis com grau de flexibilidade crescente,


de 0,5 mm2 a 500 mm2 (classe 4); de 0,5 mm2 a 630 mm2 (classe 5) e de
0,5 mm2 a 300 mm2 (classe 6), bastante empregados em cabos para
utilizações que exijam mobilidade.

Fig. 2.4: Os tipos de encordoamento mais comuns

BLOQUEIO DO CONDUTOR

Consiste de um processo de aplicação de um composto vedante,


quimicamente inerte e termicamente compatível com os demais componentes
do cabo, durante a operação de encordoamento. Sua finalidade é, após a
instalação do cabo, impedir a migração longitudinal de fluidos (normalmente a
água), pelo condutor. A penetração de água nas camadas internas do
condutor, além de propiciar o efeito "treeing" (vincos fomados na isolação em
função da degradação do material), pode provocar a sua corrosão.

CABOS DE POTÊNCIA 19
Fig. 2.5: Condutor bloqueado.

BLINDAGEM DO CONDUTOR

O campo elétrico de um condutor encordoado envolto apenas por uma camada


isolante, apresenta-se de forma distorcida, acompanhando a superfície
irregular do condutor.

Esta distribuição não-uniforme provoca solicitações elétricas diferenciadas ao


longo da isolação, concentrando esforços elétricos em determinados pontos
que, caso superem os limites admissíveis pela isolação, ocasionarão uma
redução na vida do cabo.

Fig. 2.6: Linhas de campo em condutores sem e com blindagem.

Aplicando-se uma camada de material semicondutor sobre o condutor, sua


forma cilíndrica fará com que as linhas de campo elétrico sejam homogêneas e
radialmente distribuídas, garantindo a equipotencialidade dentro de limites
permissíveis pela isolação.

Outra função da blindagem do condutor é eliminar espaços vazios entre o


condutor e a isolação, evitando que descargas elétricas possam ocorrer por
ionização dos átomos de oxigênio do ar e posterior degradação da isolação. A
blindagem do condutor, obrigatória para cabos para tensão superior a 3,6/6
KV, pode ser aplicada através da extrusão de uma camada de composto
semicondutor, ou pelo enfaixamento com fita têxtil impregnada de material
semicondutor.

CABOS DE POTÊNCIA 20
3
isolação

CABOS DE POTÊNCIA 21
INTRODUÇÃO

A isolação é talvez a parte que mais influencia na escolha do tipo de cabo a ser
utilizado em um sistema elétrico, quer pelas características elétricas,
mecânicas e químicas, quer pelo seu custo. O dimensionamento da espessura
da isolação é função das características dielétricas (ou seja, a capacidade de
isolação) do material isolante e da tensão de isolamento especificada.

GRADIENTE DE POTENCIAL

No estudo do comportamento do dielétrico (dielétrico é o oposto de condutor,


ou seja, um isolante), o gradiente de potencial é o parâmetro fundamental de
avaliação.

Entende-se como gradiente de potencial a diferença de potencial elétrico


aplicada a uma camada elementar de dielétrico e a espessura dessa camada.
O gradiente é variável ao longo da espessura da isolação, assumindo seu valor
máximo nas proximidades do condutor, e mínimo na superfície externa da
isolação.

Fig. 3.1: Gradiente de potencial em um condutor isolado

Deduz-se, a partir do Teorema de Gauss, que o gradiente máximo pode ser


expresso através da seguinte equação:

2 * Vft
Gmax = _____________
d * ln (D/d)

onde:

CABOS DE POTÊNCIA 22
Vft = Tensão entre fase e terra (kV)
d = diâmetro sobre a blindagem
semicondutora (mm)
D = diâmetro sobre a isolação (mm)

Uma vez que o gradiente expressa uma relação entre a diferença de potencial
e a espessura de isolação, podemos reescrever a equação acima da seguinte
forma:

Vft
Gmax = ____

Se

onde Se é denominado “espessura equivalente, em mm:

d * ln (D/d)
Se = ____________

RIGIDEZ DIELÉTRICA

Rigidez dielétrica, também chamado de gradiente de perfuração, é outro


parâmetro importante na escolha do material de isolação. Este gradiente é
determinado a partir de testes de rigidez dos materiais dielétricos, e
experiências de fabricantes visando um projeto adequado para o
dimensionamento da espessura da isolação. Ressalva-se que existe uma
variação do valor de rigidez de seção para seção ao longo do comprimento do
cabo, resultando em uma variância em torno de um valor médio. Isto é devido a
vazios ou impurezas no interior da isolação, decorrentes do processo de
fabricação e materiais utilizados.

IONIZAÇÃO

Se por um motivo qualquer, no meio da isolação formar-se um vazio, este


ficará submetido a uma solicitação (gradiente) elétrica tanto maior quanto maior
a constante dielétrica da isolação. Isto ocorre porque quando se aplica uma
tensão a uma ou mais isolações ligadas em série, a divisão de tensão entre

CABOS DE POTÊNCIA 23
elas é inversamente proporcional à constante dielétrica. No caso de um vazio
(com constante dielétrica relativa = 1) em série com uma isolação de constante
ε , o gradiente elétrico no vazio será ε vezes superior ao da isolação. Isto
levará ao surgimento de descargas elétricas no interior dos vazios, com
conseqüente aumento de temperatura, formação de ozona e possibilidade de
deformação da estrutura química do material isolante. Este fenômeno
representa, do ponto de vista elétrico, o maior perigo para as instalações.

FATOR DE PERDA

Além das perdas de energia devido à circulação de corrente nos condutores


(efeito Joule), há aquelas devidas à existência de tensão aplicada, com
conseqüente circulação de corrente pelo interior da isolação (perdas
dielétricas).

Estas perdas são diretamente proporcionais ao produto da constante dielétrica


do material pelo seu fator de perdas tan δ , onde δ é o ângulo de defasagem
entre a corrente no condutor e a corrente capacitiva na isolação.

MATERIAIS EMPREGADOS

Para ter-se uma noção exata do tipo de material que deve ou que pode ser
utilizado como isolação de um cabo elétrico destinado a uma instalação
específica, faz-se necessário conhecer os diferentes tipos de materiais e suas
características principais.

Os materiais isolantes são divididos em duas categorias:

Os Dielétricos Laminados, constituídos por fitas de papel, aplicadas


helicoidalmente sobre o condutor, impregnadas com óleo isolante, sendo o
cabo revestido com uma capa de chumbo ou alumínio para evitar a migração
do óleo e a penetração de umidade na isolação; e os Dielétricos Sólidos são
polímeros aplicados sobre o condutor ou sobre a blindagem do condutor, por
extrusão.

Os dielétricos sólidos, atualmente mais utilizados, podem ser divididos em dois


grupos, os terrmoplásticos e os termofixos. Basicamente, a distinção entre

CABOS DE POTÊNCIA 24
termoplásticos e termofixos está na maior capacidade desses últimos em se
manter estáveis a temperaturas mais elevadas.

MATERIAIS TERMOPLÁSTICOS

Os materiais termoplásticos possuem a propriedade de se deformar, como


conseqüência do escorregamento das moléculas entre si, quando são atingidas
temperaturas acima da máxima permitida em regime contínuo, não mantendo
mais a forma original.

Fig.3.2: Disposição das moléculas em composto termoplástico

Os principais materiais termoplásticos atualmente em uso são o Polietileno


Linear (PE) e o Cloreto de Polivinila (PVC). Esses materiais geralmente se
mantêm no estado sólido até cerca de 120oC, temperatura a partir da qual
começam a perder suas características.

As características mais importantes destes materiais, comparativamente, estão


descritas a seguir:

- a rigidez dielétrica do PVC é maior que a do PE, porém em baixa tensão


este parâmetro não é significativo;
- a resistência de isolamento do PE é maior que a do PVC;
- ambos têm boa resistência aos agentes químicos;
- o PVC apresenta excelente resistência à propagação de chamas, o que não
acontece com o PE;
- a combustão do PVC produz elevada quantidade de fumaça, gases tóxicos
e corrosivos, problema bem menor no caso do PE.

MATERIAIS TERMOFIXOS

Esses dielétricos caracterizam-se por manter seu estado físico mesmo em


regime de altas temperaturas. Em regime de curto-circuito podem

CABOS DE POTÊNCIA 25
suportar até 250ºC sem se deteriorar.

Isto acontece em função do processo químico de reticulação de suas


moléculas, mediante a utilização de agentes que promovem ligações Carbono-
Carbono entre moléculas adjacentes, que impede o deslocamento
intermolecular que é característico dos termoplásticos.

Fig.3.3: Disposição das moléculas em composto termofixo

A excelente estabilidade térmica desses materiais permite que mais potência


seja transportada utilizando-se a mesma seção de condutor que de um similar
termoplástico.

Os principais materiais termofixos (vulcanizados) utilizados como compostos


isolantes são o Polietileno Reticulado (XLPE) e a Borracha Etileno-
Propileno (EPR). Observe suas principais características, comparativamente:

- a rigidez dielétrica inicial do XLPE é maior que a do EPR;


- a flexibilidade do EPR é bem maior que a do XLPE;
- intrinsecamente, o EPR é praticamente isento ao “treeing”, sendo que o
XLPE é mais sensível a este fenômeno;
- o XLPE apresenta resistência mecânica e às intempéries superior à do
EPR; mas ambos possuem bom comportamento em relação a propagação
de chamas;
- o melhor desempenho em relação à ionização é do EPR.

ESCOLHA DO MATERIAL ISOLANTE

A determinação da isolação adequada deve ser resultado do conhecimento do


conjunto de solicitações elétricas, mecânicas, químicas e ambientais às quais
o cabo poderá estar submetido. Alguns dos fatores preponderantes que devem
ser levados em consideração:

- PVC apresenta baixo custo e resistência à propagação de chamas, mas sua

CABOS DE POTÊNCIA 26
utilização é limitada aos cabos para baixas tensões;
- PE apresenta resistência química e baixa emissão de gases corrosivos,
mas também tem utilização limitada às baixas tensões;
- EPR apresenta acentuada flexibilidade, e suportar altas solicitações em
sobrecarga e curto-circuito;
- XLPE apresenta elevada resistência mecânica (impacto, abrasão) e ótima
resistência à intempéries.

Existem outros tipos de materiais para isolação de cabos elétricos, como


óxido de magnésio, borracha nitrílica, borracha de silicone, polietileno
clorossulfonado, etc., sã destinados à aplicações especiais que fogem ao
objetivo deste trabalho.
A características principais dos dielétricos abordados neste trabalho estão
indicadas na tabela abaixo:

Característica XLPE EPR PE PVC


Rigidez Dielétrica CA 50 40 40 25
(kV/mm) (1) Impulso 65 60 40 50
Fator de Perdas (tg δ) 0,001 0,003 0,0005 0,07
Constante Dielétrica (εε) 2,6 3,0 2,3 5,7
Resistividade Térmica (ºC cm/W) 350 500 350 700
Resistência ao Envelhecimento Boa Boa Boa Regular
Flexibilidade Regular Ótima Regular Regular
Limites Contínuo 90 90 70 70
Térmicos de Emergência (2) 130 130 90 100
Operação Curto-circuito (3) 250 250 130 160
Tensão Máx. de Fabricação (kV) (4) 400 138 400 6
Custo Relativo Médio Médio Baixo Baixo

(1) Valores Típicos dependentes da condição de teste.


(2) 100 horas por ano, total de 500 horas ao longo da vida útil do cabo.
(3) Duração máxima de 5 segundos.
(4) Valores atualmente conhecidos.

Tabela 3.1: Principais características dos materiais utilizados para isolação

ESPESSURA REDUZIDA

A espessura da isolação normalmente empregada nos cabos de média tensão


é baseada em gradientes de tensão da ordem de 2 a 2,5 kV/mm. No entanto,
sob determinadas condições de construção e instalação do cabo, ou seja,
instalalados em ambiente seco ou não sujeitos a contatos prolongados com
água e ainda possuindo condutor do tipo bloqueado, este valor de gradiente é
aumentado para 3.5 a 4 kV/mm, permitindo diminuição da espessura.

CABOS DE POTÊNCIA 27
EXTRUSÃO E VULCANIZAÇÃO

Denomina-se extrusão o processo de fabricação desenvolvido para converter


em forma definida, e de maneira contínua, materiais dielétricos ou não. O
equipamento utilizado para tal finalidade é denominado de extrusora.

No caso específico de condutores elétricos, tal processo é utilizado com a


finalidade de formar as camadas de isolação e capa.

Para os materiais termoplásticos, o processo de extrusão é seguido de


resfriamento em calha.

Fig. 3.4: Perfil típico de um modelo de extrusora, e esquema da linha típica para extrusão de termoplásticos.

A vulcanização é o processo pelo qual realiza-se a cura do elastômero,


conferindo-lhe propriedades elásticas e estabilidade física e química, obtendo-
se o material termofixo. A vulcanização é realizada em seguida ao processo de
extrusão, e o esquema básico do processo típico pode ser visto na figura a
seguir:

CABOS DE POTÊNCIA 28
Fig. 3.5: Processo de extrusão seguido de vulcanização em catenária

TRÍPLICE EXTRUSÃO

O processo de tríplice extrusão, utilizado nos cabos de média tensão,


consiste na aplicação simultânea de três camadas extrudadas (a blindagem
semicondutora do condutor, a isolação e blindagem semicondutora da
isolação), que são então vulcanização numa única passagem no tubo da
catenária. Este processo permite obter as aderências adequadas entre as três
camadas, garantindo a inexistência de “vazios” entre as mesmas. Ocorre
também a minimização da possibilidade de contaminações, já que o manuseio
do produto é reduzido em três vezes.

Fig. 3.6 : Esquema do processo de tríplice extrusão

CLASSES DE TENSÃO

Quando, em função do tipo de instalação (como, por exemplo, em sistemas de


distribuição subterrâneo, instalações industriais e prediais) houver a
necessidade de aplicação de isolação sobre os condutores, estes passam a ter

CABOS DE POTÊNCIA 29
uma classificação quanto à tensão de isolamento e ao tipo de material utilizado.

Quanto à tensão de isolamento, os cabos podem ser classificados como:

- Baixa Tensão: até 0,6/1 kV

- Média Tensão: de 1,8/3 kV até 40/69 kV

- Alta Tensão: acima de 40/69 kV

A norma NBR 6251 da ABNT prevê classes de isolamento (0,6/1kV, 1,8/3kV,


3,6/6kV, 6/10kV, 8,7/15kV, 12/20kV, 15/25kV e 20/35kV) para cabos de baixa e
média tensão, que são caracterizados por suas tensões V0/V, onde Vo é o
valor eficaz da tensão entre condutor e blindagem (ou seja, fase-terra), e V é o
valor eficaz da tensão entre condutores isolados (ou seja, fase-fase).

CABOS DE POTÊNCIA 30
4
blindagem
da isolação

CABOS DE POTÊNCIA 31
INTRODUÇÃO

Quando uma tensão é aplicada entre um condutor e uma superfície aterrada


plana (ou entre dois condutores), a isolação é solicitada eletricamente de uma
forma não uniforme, gerando esforços elétricos tangenciais e longitudinais.

Caso estes esforços elétricos sejam suficientemente grandes e não estiverem


devidamente controlados, pode ocorrer a deterioração do material dielétrico,
além dos riscos físicos ao ser humano.

Tal controle pode ser obtido mediante a introdução de um sistema de


blindagem ao redor da isolação. A blindagem confina o campo elétrico do cabo
à isolação do condutor.

Por essa razão, nos cabos de média e alta tensão é aplicada sobre a isolação
uma blindagem, constituída de camada de material não metálico e de fitas ou
fios de cobre ou alumínio.

Fig. 4.1: Comportamento das linhas de campo elétrico num cabo sem e com blindagem da isolação

As principais funções da blindagem, num cabo de média ou alta tensão, são:

- permitir uma distribuição simétrica e radial das linhas de campo elétrico


dentro da isolação, evitando o surgimento de campos elétricos tangenciais e
longitudinais na superfície da isolação.

- proporcionar uma capacitância definida entre o condutor e a "terra" e, com


isso, apresentar uma impedância de surto uniforme, minimizando a reflexão
de ondas de tensão ao longo do cabo.

- reduzir os riscos para o ser humano e as instalações, mediante o transporte


das correntes de fuga, induzidas e de curto-circuito diretamente para a
terra.

CABOS DE POTÊNCIA 32
BLINDAGEM NÃO METÁLICA

É empregada em cabos de média tensão, obrigatoriamente em cabos com


classe de tensão superior à 6/10kV, e opcionalmente nas classes de tensão
1,8/3kV e 3,6/6kV.

Pode ser aplicada através da extrusão e vulcanização de uma camada de


composto semicondutor, ou pelo enfaixamento de fita têxtil impregnada de
material semicondutor.

Sendo perfeitamente justaposta à isolação, e estando também em contato com


a blindagem metálica, a blindagem semicondutora garante a inexistência de
falhas na blindagem do cabo.

BLINDAGEM METÁLICA

Os tipos de blindagens metálicas mais comumente utilizadas em cabos de


média tensão são:

- Fitas de cobre ou alumínio, aplicadas helicoidalmente, com uma


determinada sobreposição.

- Fios de cobre ou alumínio, aplicados concentricamente ao condutor,


helicoidalmente (utiliza-se uma fita do mesmo metal, ou ainda um fio em
passo inverso, com função de amarração e curto-circuitamento da
blindagem).

- Fita APL (fita de alumínio com uma das faces recoberta por uma camada de
polímero, normalmente polietileno), aplicada longitudinalmente.

- Camada metálica extrudada.

BLINDAGENS EM BAIXA TENSÃO.

Eventualmente, utiliza-se blindagens em cabos de baixa tensão, especialmente


cabos para circuitos de controle e instrumentação, mas com a função de evitar
interferências mútua entre os condutores do mesmo cabo (crosstalk), ou evitar

CABOS DE POTÊNCIA 33
interferências causadas por campos eletromagnéticos gerados por cabos de
energia instalados nas proximidades.

Os tipos de blindagens mais comuns para cabos de baixa tensão são:

- Fitas de cobre ou alumínio, aplicadas helicoidamente, com sobreposição.

- Fitas de poliester aluminizadas, aplicadas helicoidalmente, com


sobreposição (devido à uma das faces deste tipo de fita não ser condutora,
utiliza-se um condutor de continuidade, denominado “dreno”, aplicado
longitudinalmente em contato com a face metálica da fita; a aplicação do
dreno também garante a manutenção do efeito de blindagem em caso de
rompimento da fita).

- Fios de cobre nus ou estanhados, aplicados na forma de malha ou trança.

CABOS DE POTÊNCIA 34
5
proteções
metálicas

CABOS DE POTÊNCIA 35
INTRODUÇÃO

Quando um cabo é destinado à instalações nas quais deverão ocorrer esforços


mecânicos, é comum a utilização de uma armação, ou seja, uma proteção
metálica adicional. Tração, compressão e impactos são os esforços aos quais
uma cabo poderá estar submetido.

MATERIAIS E PROCESSOS

A proteção contra esforços mecânicos é feita por aplicação sobre o núcleo do


cabo, de:

- Fitas metálicas planas (de cobre, aço galvanizado, alumínio, aço inoxidável,
bronze, etc.), que podem ser aplicadas com determinada sobreposição ou
com descontinuidade, sendo que neste caso são utilizadas duas fitas.

- Fitas metálicas de aço galvanizado ou alumínio intertravadas (interlocked),


aplicadas de maneira tal que as hélices formadas pela fita previamente
corrugada fiquem encaixadas sem vínculo rígido.

- Fios de aço galvanizado, bronze, cobre ou alumínio, aplicados


concentricamente ao condutor, de forma helicoidal.

- Fios de aço galvanizado, bronze ou cobre aplicados na forma de malha ou


trança.

CRITÉRIOS DE UTILIZAÇÃO

As armações com fitas metálicas planas ou corrugadas são utilizadas quando


o cabo é submetido a esforços radiais (cizalhamento), como, por exemplo,
quando diretamente enterrado sob vias de rolamento, à pouca profundidade;
também é comum o seu uso como proteção contra roedores, quando o cabo é
instalado em túneis e galerias.

A escolha entre a fita plana e a intertravada dependerá do grau de


flexibilidade desejado para o cabo, uma vez que a última enseja proteção radial
sem comprometer de modo acentuado a flexibilidade do cabo.

CABOS DE POTÊNCIA 36
Fig. 5.1: Exemplos de cabos armados

As armações com fios metálicos são empregadas quando o cabo for


submetido a esforços de tração, como no caso de cabos submarinos, ou
quando os cabos forem instalados na vertical, sustentando seu próprio peso.

Em cabos onde é desejado um grau maior de flexibilidade, é comum a


utilização de uma trança de fios de aço, cobre estanhado ou bronze, garantindo
resistência a tração, e também proteção contra ataques de roedores.

CABOS DE POTÊNCIA 37
6
cobertura

CABOS DE POTÊNCIA 38
INTRODUÇÃO

A cobertura é o elemento do cabo que geralmente tem o maior contato com o


ambiente da instalação. Como sua função é a de dar proteção ao núcleo do
cabo durante sua instalação, assim como durante a vida operacional do cabo, é
importante que a cobertura seja mecânica, térmica e quimicamente compatível
com as condições ambientais do local de uso do cabo, posto que estará sujeita
às influências destas condições.

MATERIAIS EMPREGADOS

Na escolha do material para cobertura é fundamental a observação de algumas


características, tais como resistência à penetração de umidade ou líquidos
(impermeabilidade) resistência à abrasão, rasgamento e impacto,
inflamabilidade, baixa emissão de gases tóxicos (durante eventual queima),
estabilidade térmica, resistência ao ataque de agentes químicos e
atmosféricos, e flexibilidade.

COMPOSTOS TERMOPLÁSTICOS

Apresentando características adequadas à maioria das aplicações, os


compostos termoplásticos mais comuns são descritos abaixo:

- Compostos de cloreto de polivinila (PVC) são econômicos e resistentes à


propagação de chama. Os designações comuns para os compostos
utilizados são: PVC, com características normais quanto a não propagação
de chama e PVC-RC, com características especiais quanto a não
propagação e auto-extinção de chama.

- Compostos de polietileno (PE) de baixa ou média densidade são utilizados


para situações de exposição do cabo à intempéries (sobretudo luz solar) ou
a ambientes com elevado teor de agentes químicos (ácidos, solventes,
bases, etc.).

Especialmente desenvolvido pela INBRAC, o composto de Polietileno


Antichama (PE-AC) pode ser utilizado em aplicações onde os teores de
agentes químicos são elevados, e faz-se também necessário garantir a máxima
confiabilidade na resistência à propagação de chama.

CABOS DE POTÊNCIA 39
COMPOSTOS TERMOFIXOS

A grande variedade de formulações utilizada pela INBRAC possibilita o


atendimento à uma vasta gama de requisitos e normas:

- Polietileno Clorossulfonado (CSP) é indicado para aplicações onde se


deseja flexibilidade e resistência aos óleos.

- Polietileno Clorado (CPE) oferece boa resistência térmica e às intempéries,


com bom comportamento ao fogo.

- Policloroprene (PCP) oferece boa flexibilidade e elevada resistência à


abrasão e laceração (cabos móveis), além de boa resistência à chama.

- Borracha Nitrílica (NBR) apresenta excelente resistência à óleos e


combustíveis.

- Composto Termofixo IH, não contendo halogêneos (grupo de elementos


químicos extremamente tóxicos), apresenta baixa emissão de gases
tóxicos, em caso de queima.

- Silicone, indicado para situações onde o fator preponderante é o


desempenho em relação à chama e às altas temperaturas, mas apresenta
baixíssima resistência mecânica.
CARACTERÍSTICAS PVC PE-BD PE-AD CSP Neoprene Nitrílica
Resistência a abrasão S~B S~B M B B~M B~M
Resistência a golpes B B B M M M
Flexibilidade R~B S S B B B
Estabilidade Térmica B~M B M M B B
Impermeabilidade B M M B~M B B~M
Inflamabilidade M B R B B B
Resistência a oxidação M M M M B S
Resistência a intempéries B~M M M M B S~B
Resistência a ozona M M M M B R
Resistência a radiação nuclear R~S B B B S~B S~B
Resistência a ácidos B~M B~M B~M M B B
Resistência a álcalis B~M B~M B~M M B S~B
Resistência a gasolina e querosene (1) B~M R~S R~S S B M
Resistência a solventes (2) R~S R R S R~S B
Resistência a solventes (3) R~S R R R~S R R
Resistência ao álcool B~M M M B S M

R = ruim (1) Hidrocabonetos alifáticos


S = sofrível (2) Hidrocarbonetos aromáticos
B = bom (3) Hidrocarbonetos halogenados
M = muito bom
Tabela 6.1: Principais características dos materiais utilizados para cobertura

CABOS DE POTÊNCIA 40
PROCESSOS DE FABRICAÇÃO

Os processos de fabricação da cobertura são, basicamente, os mesmos


utilizados para a isolação (preparação de compostos, extrusão e eventual
vulcanização), conforme já apresentado.

Sobre a cobertura é normalmente marcada a identificação do produto, onde


constam os dizeres previstos pelas normas aplicáveis. Esta marcação pode ser
feita de diferentes formas (impressão com tinta indelével, alto relevo, baixo
relevo), escolhidas em função das caracterísitcas do composto empregado
para a cobertura.

CABOS DE POTÊNCIA 41
7
ensaios

CABOS DE POTÊNCIA 42
INTRODUÇÃO

Como parte final do processo de produção dos condutores elétricos, são


realizados os ensaios de qualidade, cuja finalidade é constatar que as
características do produto fabricado estejam de acordo com as inicialmente
previstas pelo projeto, garantindo sua performance durante a utilização.

CLASSIFICAÇÃO

Os ensaios classificam-se em:

- ensaios de recebimento;
- ensaios de tipo;
- ensaios durante e após a instalação.

Os ensaios de recebimento por sua vez, são divididos em ensaios de rotina,


realizados em todos os lances de cabo produzidos, com a finalidade de
demonstrar a integridade dos cabos, e englobam os ensaios de resistência
elétrica dos condutores, tensão aplicada, resistência de isolamento e
descargas parciais (para cabos de média tensão); ensaios especiais,
realizados sobre amostras de cabos prontos com a finalidade de verificar se os
mesmos cumprem as especificações de projeto.

Os ensaios de tipo são realizados com a finalidade de demonstrar o


satisfatório comportamento do projeto do cabo para atender a aplicação
prevista, desta forma não há necessidade de que sejam realizados mais de
uma vez, a menos que ocorram mudanças nas matérias-primas empregadas,
ou alterações construtivas que possam alterar o desempenho do cabo.

Os ensaios durante e após a instalação são destinados a demonstrar a


integridade do cabo e seus acessórios após terem sido submetidos às
solicitações inerentes ao serviço de instalação.

CABOS DE POTÊNCIA 43
CONDUTORES ELÉTRICOS INBRAC

Uma grande diversidade de produtos é produzida pela INBRAC em sua


Unidade Industrial Santa Branca, atendendo à rigorosos critérios de projeto e
produção:

INSTALAÇÕES GERAIS

Fios e cabos para baixa tensão, cobrindo as necessidades dos mercados da


construção civil e dos eletrodomésticos.

POTÊNCIA BAIXA E MÉDIA TENSÃO

Cabos para tensões até 35kV, singelos e multicondutores, com isolação à base
de EPR, XLPE e PVC, com ou sem armações de proteção.

CONTROLE E INSTRUMENTAÇÃO

Cabos formados por condutores simples ou reunidos em pares, ternas, quadras


ou quinas, com ou sem blindagem, com ou sem armações de proteção.

USO MÓVEL

Cabos de potência ou comando adequados às severas solicitações dos


equipamentos móveis de mineração, siderurgia e afins, para tensões até 25kV.

USO NAVAL E PLATAFORMAS

Cabos de potência, comando e sinalização, com ou sem blindagem, com ou


sem armação, produzidos em todas as variações previstas nas normas
internacionais da construção naval. Cabos para bombeio centrífugo submerso
(BCS), adequados à vários níveis de pressão e temperatura.

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BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIA

- Catálogo de Cabos de Potência Baixa e Média Tensão – Inbrac

- Os Fundamentos da Física Volume 3, Ramalho/Ivan/Nicolau/Toledo,


1a. edição, 1977

- Física - Parte IV, Physical Science Study Committee, 2a. edição, 1971

- Apostila Fundição e Laminação Contínua de Cobre, Paulo Fernando


Damaglio

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