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1917-2017 (2) - APARIÇÕES DE FÁTIMA

As aparições, ou visões, de Fátima, com ou sem aspas, marcaram profundamente a


história portuguesa, não só na vertente religiosa, e repercutiram-se em quase todo o
mundo. Tornaram patentes, numa pequena localidade portuguesa, três realidades
ancestrais: a vida terrena condigna; a presença da vida celeste; e o espetro do pecado, da
guerra e do inferno.

A prossecução de uma vida terrena condigna caracterizava fortemente o meio social dos
três pastorinhos e a generalidade das populações do país. Essa prática envolvia,
nomeadamente: a subsistência familiar, mesmo com recursos escassos; a honradez, como
princípio orientador básico; e a religiosidade, como quadro de referência trancendente. A
luta pela subsistência não evitava situações de pobreza; e esta, em geral, determinava não
a dependência em relação a outrem mas sim a luta pela autonomia possível, contando
com a entreajuda familiar e vicinal em maior ou menor grau. A honradez, virtude
constitutiva básica da dignidade humana, reforçava o impulso para a subsistência e
constituía a base mais consistente da boa imagem pessoal e familiar, bem como da
confiança na salvação eterna. A religiosidade inseria a vida sobrenatural na quotidiana, e
transcendia-a eternizando-a.

A presença da vida celeste revelou-se de maneira mais flagrante nas aparições, que foram
aceites de maneira diferenciada pelos habitantes de Fátima e por outros povos. Tratou-se,
no fundo, de uma atualização da religiosidade cristã, relevando o sacrifício e a oração
pelos pecadores e pela paz, bem como pelas pessoas doentes ou com outras carências.

O espetro do pecado, da guerra e do inferno aparecia como o contrário da vida honrada,


bem como da paz e da felicidade. Perante estas realidades atrozes, Nossa Senhora
recomendou a vida condigna, a oração, o sacrifício e a conversão.(Continua)

Acácio F. Catarino (in «Correio do Vouga», 17.05.17)