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C onstrução s ustentável , M ateriais , t eCnologias e l egislação B rasília

Construção sustentável, Materiais, teCnologias e legislação

Brasília-DF.

Elaboração

Luiza Junqueira

Produção

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração

Sumário

APRESENTAÇÃO

4

ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA

5

INTRODUÇÃO

7

UNIDADE I

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

9

CAPÍTULO 1

BREVE INTRODUÇÃO AOS CONCEITOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

9

CAPÍTULO 2

IMPACTOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

24

CAPÍTULO 3

CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

28

CAPÍTULO 4

CONCEITOS E PREMISSAS DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

34

CAPÍTULO 5

O MERCADO DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL NO BRASIL

54

CAPÍTULO 6

TENDÊNCIAS GLOBAIS DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL 2016

58

CAPÍTULO 7

BENEFÍCIOS DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

66

UNIDADE II

MATERIAIS E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS

71

CAPÍTULO 1

AVALIAÇÃO DO CICLO DE VIDA

71

CAPÍTULO 2

PRODUTOS E MATERIAIS SUSTENTÁVEIS

82

CAPÍTULO 3

UNIDADE III POLÍTICAS PÚBLICAS E LEGISLAÇÃO

CAPÍTULO 1 A IMPORTÂNCIA DO ENGAJAMENTO GOVERNAMENTAL E BARREIRAS ENCONTRADAS NA PROMOÇÃO DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

REFERÊNCIAS

99

99

109

Apresentação

Caro aluno

A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD.

Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.

Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.

Conselho Editorial

Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa

Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa.

na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a
na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a
na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a
na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado.

Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado.
Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado.
Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado.

Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Para (não) finalizar

Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.

Introdução

O presente Caderno de Estudos foi desenvolvido com o objetivo de apresentar os conceitos de construção sustentável, os aspectos relacionados à cadeia produtiva da construção civil e seus impactos socioambientais, bem como os benefícios da construção sustentável no meio ambiente, na sociedade e na economia.

Introduzir o conceito de avaliação de ciclo de vida, produtos ambientalmente preferíveis e sistemas de certificação de produtos utilizados no Brasil e no mundo.

Também versar sobre a importância do engajamento do Governo no movimento da construção sustentável como sendo um agente primordial no que tange à definição de diretrizes e velocidade de transformação por meio da implantação de políticas públicas, campanhas de conscientização, aprovação de leis mandatórias e definição de incentivos de cunho financeiros, tributários e administrativos, além de apresentar legislação mandatória, ou de incentivos fiscais, financeiros e administrativos.

Objetivos

» Apresentar os conceitos e histórico de sustentabilidade.

Apresentar

» os

conceitos

de

construção

sustentável

e

de

produtos

sustentáveis.

» Apresentar a legislação atual relacionada à construção sustentável.

» Fomentar o pensamento crítico e aprofundar competências na área específica.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

UNIDADE I

CAPÍTULO 1

Breve introdução aos conceitos de desenvolvimento sustentável

A sociedade está chegando à conclusão de que, embora tenha trazido o maior desenvolvimento tecnológico que a humanidade já experimentou, o século XX também registrou a gênese daquele que vem sendo considerado o maior desastre ecológico do planeta. Quando acompanhamos os índices de poluição do ar, água ou solo, o consumo de recursos naturais e a capacidade do planeta de repor essas necessidades, temos realmente que nos preocupar.

O

novo contexto global exige, cada vez mais, por parte das empresas, dos governantes

e

da sociedade, a capacidade de levar em consideração fatores sociais, ambientais e

econômicos de uma forma equilibrada em suas tomadas de decisões.

Portanto, o desafio mundial para este século é conciliar o desenvolvimento tecnológico com a preservação dos recursos naturais, garantindo a aplicação de práticas sustentáveis por parte dos atores desse processo.

Há muitos anos que a sociedade vem estudando os impactos que causamos ao Planeta, como podemos observar neste breve resumo da Jornada do Pensamento Sustentável no mundo, conforme ilustra a Quadro 1:

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Quadro 1.

2010

Copenhagen - Dinamarca, Aquecimento Global

2002

Rio +10 Johanesburgo, África do Sul. Protocolo de Kyoto

1992

Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – RIO 92

1987

Relatório de Brundtland

1983

Criação da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

1972

Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano em Estocolmo

1968

Clube de Roma

Fonte: <http://cebds.org/linha-do-tempo-da-sustentabilidade/>.

Em 1972, em Estocolmo, foi realizada a primeira Conferência Mundial sobre Meio Ambiente Humano da Nações Unidas, que sucedeu uma série de conferências mundiais importantes, sendo a última a Rio+20, e com o tempo passou a ser conhecida, primeiro, como Conferência Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e, por fim, como Conferência de Desenvolvimento Sustentável.

Entretanto, foi durante a Conferencial Mundial da ONU, em Brundtland, em 1987, que, pela primeira vez, se definiu o conceito de “Desenvolvimento Sustentável” marcado pela célebre frase: “desenvolvimento sustentável é aquele que “satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”. (COMISSÃO BRUNDTLAND, 1987)

Esse conceito, hoje, faz parte da nossa “Carta Magna”, ou seja, nossa Constituição Federal que no caput do seu art. 225 define que: “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL, 1988).

Triple Bottom Line

O tripé da sustentabilidade, ou o Triple Bottom Line, é um termo originalmente cunhado pelo autor Inglês John Elkington, em 1994, que significa pessoas, planeta e lucro (people, planet, profit em inglês). Basicamente significa dizer que sustentabilidade só existe na prática se todos os três pilares estiverem presentes.

» People – refere-se ao tratamento do capital humano de uma empresa ou sociedade.

» Planet – refere-se ao capital natural de uma empresa ou sociedade.

» Profit – trata-se do lucro. É o resultado econômico positivo de uma empresa.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Figura 1.

– IMPACTOS E BENEFÍCIOS │ UNIDADE I Figura 1. Fonte: Role of NGO’s in Sustainable Development

Fonte: Role of NGO’s in Sustainable Development (Sustainability in 21st Century) <http://pt.slideshare.net/gauravwadhwa37/role- of-ngos-in-sustainable-development>

São apresentados nos relatórios corporativos das empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável. Por enquanto, são medições de caráter voluntário, mas empresas que apresentaram essa conta tripla de resultados perceberam, antes de outras, que, no futuro, o consumidor tornar-se-á cada vez mais responsável e exigirá saber qual é o impacto econômico, ambiental e social que gera os produtos que compõem a sua compra.

Um pouco sobre mudanças climáticas

Em 1988 for criado o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP). Entre setembro de 2013 e novembro de 2014, o IPCC lançou seu quinto Relatório de Avaliação (AR5) sobre Mudanças Climáticas, que fornece uma visão clara sobre a mudança climática. O sexto Relatório de Avaliação está previsto para ser concluído em 2022, a tempo de o Acordo Mundial de Paris, estabelecido em 2015 e assinado em 2016, entrar em vigor.

De acordo com o 5 o Relatório do IPCC, se não houver ação imediata das nações para limitar o aquecimento global em 2°C, em pouco tempo, não haverá muito o que fazer. “Se as taxas de emissão de gases de efeito estufa continuarem aumentando, os meios de adaptação não serão suficientes”, aponta o documento.

Entre 2000 e 2010, a produção de energia por meio da queima de combustíveis fósseis foi responsável por 47% da emissão global de gases de efeito estufa. A indústria respondeu por 30%, o transporte por 11%, e as construções por 3%.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Em dezembro de 2015, durante a COP21, foi assinado o Acordo de Paris, que é destinado a substituir o Protocolo de Kioto, em 2020, e o primeiro pacto universal para tentar combater a mudança climática. Sua obrigatoriedade passa a vigorar a partir de 4/11/2016 e tem como objetivo manter o aumento da temperatura média mundial “muito abaixo de 2°C”, mas “reúne esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C”, em relação aos níveis pré-industriais.

Um total de 92 países já ratificou (aprovaram internamente) o Acordo de Paris. O limite mínimo de 55 países que representam 55% das emissões mundiais de gases do efeito estufa, necessário para que o acordo entrasse em vigor, foi atingido antes do que os especialistas esperavam.

Entre os principais países emissores, a Rússia ainda não indicou quando ratificará

o acordo. Na Austrália e no Japão, o processo já está em andamento e, na Europa, Polônia, Bélgica, Itália e Espanha ainda devem ratificá-lo em nível nacional.

Na América Latina, Argentina, Brasil, México, Peru, Costa Rica, Bolívia, Honduras e

Uruguai também ratificaram o acordo.

Entretanto, o texto ainda deve ficar mais claro e entre os temas que devem avançar estão

a definição das regras de transparência (verificação dos compromissos nacionais), o

aumento da ajuda financeira aos países em desenvolvimento, a assistência técnica para

a criação de políticas de desenvolvimento “limpo” (energias renováveis, transportes e

residências que consomem menos energia, novas práticas agrícolas etc.) e a apresentação

de metas nacionais para 2050.

O conjunto dos compromissos atuais coloca o planeta em uma trajetória de +3°C, um

limiar que implica consequências mais graves que o aumento de 2ºC (meta prevista no

acordo), já em si causador de fenômenos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, inundações e elevação do nível do mar.

O acordo deverá ser revisto a cada 5 anos.

Já em 4/11/2016 entrou oficialmente em vigor o Acordo de Paris. Cada país signatário

apresentou um plano sobre como abordará as fontes de emissões de gases de efeito

estufa e o que poderá ser feito em nível nacional para ajudar a manter o aumento da

temperatura global, neste século, abaixo dos 2 o C.

O Brasil assumiu como objetivo cortar as emissões de gases de efeito estufa em 37% até

2025, com o indicativo de redução de 43% até 2030 – ambos em comparação aos níveis de 2005.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Entre as políticas para alcançar essas metas, o país terá, por exemplo, que aumentar a participação de fontes renováveis na matriz energética e recuperar e reflorestar áreas desmatadas. O país ainda se comprometeu a zerar o desmatamento da Amazônia Legal e a restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030.

Dados alarmantes

O relatório “The Truth About Climate Change” (A verdade sobre a mudança climática),

divulgado no dia 29 de setembro de 2016, coordenado por Robert Watson, ex-presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU), afirma que não podemos ficar confortáveis somente com os compromissos assumidos no Acordo de Paris.

O relatório aponta que mesmo se todas as metas para 2030 forem cumpridas, isso não

será suficiente para evitar o aquecimento acima de 2 °C. E parte dos compromissos assumidos pelos países depende de condições externas, como financiamento. Além disso, o relatório alerta sobre os muitos mal-entendidos e desinformações acerca do tema, o que leva um grande número de pessoas a entender as mudanças climáticas como algo abstrato, distante e controverso.

O documento reconhece que o Acordo de Paris foi bem-sucedido e representa um passo decisivo para que sejam tomadas medidas coletivas relacionadas ao clima global. Mas, somente em 2015, a temperatura média do planeta já superou a marca de 1 °C acima dos níveis registrados na época pré-industrial. Para não extrapolar o limite proposto para o fim do século, seria necessário reduzir em 22% a emissão de gases de efeito estufa até 2030.

Desta forma, no melhor dos cenários, se todas as metas propostas pelos 195 países forem totalmente cumpridas, as emissões devem se manter nos níveis atuais: 54 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (ou CO 2eq , medida usada para comparar as emissões de diversos gases de efeito estufa baseada na quantidade de CO 2 que teria o mesmo potencial de causar aquecimento global) por ano.

Se apenas forem cumpridos os compromissos assumidos de forma incondicional pelos países, ou seja, aqueles que não dependem de financiamento externo, transferência de tecnologia ou capacitação, as emissões devem crescer 6% até 2030. Já sem o Acordo de Paris poderia ser ainda pior, aumentando em 30%.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS

Em setembro de 2015, foi estabelecida a Agenda 2030, intitulada de “Transformando

Nosso Mundo”, que estabelece dezessete objetivos de desenvolvimento sustentável

(ODS), em substituição aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM),

estabelecidos em 2000 e vencidos em 2015.

Os dezessete objetivos compreendem 169 especificações, e seu processo de elaboração

aticulou, durante dois anos, não somente instâncias governamentais como instituições

da sociedade civil e especialistas em diversas áreas do mundo todo.

Os 17 objetivos são:

Figura 2.

áreas do mundo todo. Os 17 objetivos são: Figura 2. Fonte: <https://nacoesunidas.org>. Espera-se que

Fonte: <https://nacoesunidas.org>.

Espera-se que essa seja uma conspiração ética para que as futuras gerações mereçam tanta atenção quanto as atuais!

Não obstante, o planeta alcança, todos os anos, sua conta no cheque especial mais cedo, ou seja, a cada ano que passa, a quantidade de recursos naturais consumidos no mundo chega mais cedo em seu limite. Desde que começou a ser monitorada, no ano 2000, a Terra acabou com seus recursos pela primeira vez em 5 de outubro. No ano de 2016, a conta chegou mais cedo, no dia 8 de agosto. A partir dessa data, os recursos extraídos já batem o limite da subsistência da vida na Terra. Desta forma, seria necessário 1,5 planeta por ano para regenerar os recursos naturais que consumimos em apenas 1 ano. E, de acordo com estudos publicados pelo WWF, se continuarmos assim, até 2050, precisaremos do equivalente a 2,9 planetas para atender nossas demandas anuais.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Figura 3.

– IMPACTOS E BENEFÍCIOS │ UNIDADE I Figura 3. Fonte:

Fonte: <http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/overshootday/>.

De acordo, ainda, com o 5 o relatório do IPCC, “para frear as mudanças climáticas e gerenciar seus riscos, é preciso que as nações promovam ações combinadas de mitigação e adaptação. “Reduções substanciais nas emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas podem diminuir os riscos das mudanças climáticas e melhorar a possibilidade de adaptação efetiva às condições existentes”.

Com todas essas situações alarmantes e de domínio público, o mundo passa cada vez mais a ficar atento às preocupações relacionadas às mudanças climáticas globais e seus inúmeros impactos, tais como elevação do nível dos oceanos, que impactará diretamente muitas cidades litorâneas. Uma das ações recentes que chamou atenção do planeta quanto à preocupação das mudanças climáticas globais foi na abertura dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, em agosto de 2016.

Figura 4.

Olímpicos, no Rio de Janeiro, em agosto de 2016. Figura 4. Fonte:

Fonte: <http://atriaeenergy.com.br/midia/brasil-lanca-um-forte-apelo-ambiental-na-abertura-da-olimpiada/>.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Apesar disso, os jogos acabaram e os resultados quantificados de emissão de CO 2 ainda são altos, conforme demonstra a Figura 5.

Figura 5,

ainda são altos, conforme demonstra a Figura 5. Figura 5, Fonte: Fundação Espaço Eco.

Fonte: Fundação Espaço Eco. <https://www.facebook.com/fundacaoespacoeco/photos/a.750779808293827.1073741827.75

0766444961830/1134974983207639/?type=3&theater>.

Por isso, megaeventos como as Olimpíadas devem mapear seus impactos desde as etapas mais preliminares de planejamento, para que seja possível estabelecer metas reais de compensação de emissões, evitando assim grandes impactos.

De acordo com o Plano de Sustentabilidade dos jogos, será necessário o plantio de 34 milhões de árvores para compensar a emissão dos gases efeito estufa (GEE).

Essas reduções demandarão, entretanto, mudanças tecnológicas, econômicas, sociais e institucionais consideráveis e, neste caso, a construção não fugirá à regra.

Nova agenda urbana

A criação de uma nova “Agenda Urbana” deve ir além de pensar soluções para conflitos que atingem as cidades, como a pobreza, a desigualdade e os efeitos das mudanças

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

climáticas. Para a ONU, a urbanização deve ser, ela própria, uma ferramenta de desenvolvimento.

O documento contou com contribuições dos países e de organizações da sociedade civil

do mundo todo, e trouxe um diagnóstico do desenvolvimento das cidades desde 1996, data do Habitat II, conferência do programa para assentamentos urbanos da ONU. No Habitat III, ocorrido entre 17 e 20 de outubro de 2016, em Quito, no Equador, a Organização aprovou um novo texto.

O texto propõe soluções para os problemas que não foram solucionados nas últimas duas

décadas e para os que podem surgir em um mundo em transformação com o acirramento da urbanização e das mudanças climáticas. Para a ONU, é preciso redirecionar o eixo de desenvolvimento urbano, com vista à redução da desigualdade.

O relatório lista 5 princípios ou diretrizes que guiam essa mudança para a formulação

de políticas urbanas:

» A urbanização deve proteger e promover os direitos humanos e o princípio da legalidade.

» Garantir a equidade do desenvolvimento urbano.

» Empoderar a sociedade civil, expandindo a democracia.

» Promover sustentabilidade ambiental.

» Promover

inovação

conhecimento.

que

facilita

o

aprendizado

e

a

aquisição

de

Os cinco princípios da nova “Agenda Urbana” proposta pela ONU se desdobram em quatro “componentes”, que são ações mais propositivas desenhadas pela entidade para orientar os países na formulação de políticas públicas:

» a adoção e implementação de políticas urbanas nacionais;

» leis

e

regulação:

governance;

fortalecer

as

legislações

urbanas

e

sistemas

de

» revigorar o planejamento territorial e urbano;

» finanças municipais: aproveitar a economia urbana e criar oportunidades de emprego.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

As três grandes iniciativas globais apresentadas – Acordo de Paris, ODS e Agenda Urbana – trabalham em conjunto para criar um mundo mais sustentável e equitativo.

Embora as três iniciativas globais descritas possam parecer diferentes, elas se complementam de maneiras significativas. O Acordo de Paris, a maior das três iniciativas, mas também o mais voltado para as mudanças climáticas, é apoiado pela Nova Agenda Urbana e pelos ODSs.

As cidades serão uma força importante para ajudar as nações a cumprir seus compromissos sob o Acordo de Paris, já que geram mais de 80% do PIB mundial, consomem aproximadamente dois terços da energia mundial e respondem por mais de 70% das emissões de gases de efeito estufa. Cidades fortes traduzem nações fortes. A Nova Agenda Urbana estabelece o caminho para o desenvolvimento sustentável nas cidades e nos espaços urbanos.

Os ODSS complementam o Acordo de Paris e a Nova Agenda Urbana, definindo os elementos mais cruciais para um futuro mundo próspero e sustentável. Grande parte do trabalho que as nações e as cidades fariam, ao mesmo tempo em que visaria às emissões de gases de efeito estufa, também se concentraria principalmente na inclusão e na equidade para garantir que cada cidadão se beneficie dessas melhorias.

Pegadas ecológica, hídrica e de carbono

Vale compreender qual o impacto que cada um de nós deixa no planeta. Para isso existem diversas métricas e metodologias de avaliação. As três principais métricas são:

pegada ecológica, pegada de carbono e pegada hídrica.

A pegada ecológica é uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais. Expressada em hectares globais (gha), permite comparar diferentes padrões de consumo e verificar se estão dentro da capacidade ecológica do planeta. Um hectare global significa um hectare de produtividade média mundial para terras e águas produtivas em um ano.

Já a biocapacidade representa a capacidade dos ecossistemas em produzir recursos úteis e absorver os resíduos gerados pelo ser humano.

Sendo assim, a pegada ecológica contabiliza os recursos naturais biológicos renováveis (grãos e vegetais, carne, peixes, madeira e fibras, energia renovável etc.), segmentados em agricultura, pastagens, florestas, pesca, área construída e energia e absorção de dióxido de carbono (CO 2 ).

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

A pegada ecológica brasileira é de 2,9 hectares globais por habitante, indicando que o consumo médio de recursos ecológicos pelo brasileiro é bem próximo da média mundial da pegada ecológica por habitante, equivalente a 2,7 hectares globais.

Em sua série histórica, a pegada ecológica brasileira mostrou uma tendência de aumento pouco acentuada até 2005, o que indica estabilidade nos padrões de consumo nesse período.

Por outro lado, a biocapacidade brasileira vem sofrendo um forte declínio ao longo dos anos devido ao empobrecimento dos serviços ecológicos e degradação dos ecossistemas.

Ainda assim, o Brasil encontra-se em uma importante posição no cenário mundial, como um dos maiores credores ecológicos do planeta, situando-se em um favorável cenário na nova economia verde. Para se manter nessa posição de credor ecológico, o Brasil precisa reverter esse quadro de declínio de sua biocapacidade com ações de conservação e de produção ecoeficientes, buscando diminuir a pegada ecológica de sua população por meio do consumo consciente e da manutenção da estabilidade populacional.

Gráfico 1.

e da manutenção da estabilidade populacional. Gráfico 1. Fonte:

Fonte: <http://assets.panda.org/downloads/living_planet_report.pdf>.

Gráfico 2.

Gráfico 2. Fonte:

Fonte: <http://assets.panda.org/downloads/living_planet_report.pdf>.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Gráfico 3.

SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS Gráfico 3. Fonte:

Fonte: <http://assets.panda.org/downloads/living_planet_report.pdf>.

Entretanto a Pegada Ecológica não está sozinha e, juntamente com a Pegada de Carbono e Pegada Hídrica, forma o que se chama de família de pegadas.

Os três indicadores são complementares e permitem analisar os múltiplos aspectos das consequências das atividades humanas sobre o capital natural. Entenda melhor:

» Pegada ecológica – mede os impactos da ação humana sobre a natureza, analisando a quantidade de área bioprodutiva necessária para suprir a demanda das pessoas por recursos naturais e para a absorção do carbono.

» Pegada de carbono – mede os impactos da humanidade sobre a biosfera, quantificando os efeitos da utilização de recursos sobre o clima.

» Pegada hídrica – mede os impactos que as atividades humanas causam na hidrosfera, monitorando os fluxos de água reais e ocultos.

Todas as pegadas tentam capturar de diferentes formas as pressões do consumo humano sobre os recursos naturais e revelam a distribuição desigual do uso de recursos entre habitantes de diferentes regiões do mundo. Com base nesses dados, é possível subsidiar políticas de desenvolvimento e endossar conceitos como contração e convergência, justiça ambiental e partilha justa.

Com uma natureza rica em recursos naturais, o Brasil é campeão em desperdício, do total da água produzida no País: Aproximadamente 5,8

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

bilhões de m 3 por ano, ou 46% da água produzida se perdem por vários ralos, sendo este na sua maioria durante a distribuição da água tratada ou pelo mal uso dos usuários.

O desperdício de energia elétrica corresponde a 15% do total consumido no País, o equivalente à produção de Angra 2 (OMS).

Contudo, o maior desafio deste século será o equilíbrio entre a sustentabilidade e a igualdade social, pois os países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) têm grandes pegadas ecológicas enquanto os países com baixo IDH têm uma baixa pegada ecológica. Entretanto, com o crescimento vertiginoso dos países em desenvolvimento, que também têm direito a maior conforto e qualidade de vida, vai acelerar ainda mais essa curva de crescimento da pegada ecológica, o que sugere, então, uma equação de difícil resolução.

Um fator de aceleração desse problema é a concentração das pessoas nas cidades; recentemente o planeta atingiu mais de 50% da população mundial vivendo em cidades e semanalmente mais de 1 milhão de pessoas migram das áreas rurais para as áreas urbanas, no Brasil, esse número já ultrapassa os 80%.

Figura 6.

no Brasil, esse número já ultrapassa os 80%. Figura 6. Fonte:

Fonte: <http://geocartografiadigital.blogspot.com.br/2016/01/brasil-cartografia-da-populacao-com-o.html>.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

O impacto dos problemas ambientais cresce exponencialmente, em ritmos acelerados!

Figura 7. 82% da população brasileira vive hoje nas áreas urbanas Em 1950 São Paulo
Figura 7.
82% da população brasileira vive
hoje nas áreas urbanas
Em
1950 São Paulo tinha 2,4
milhões de habitantes, hoje já são
17,8
75% da produção mundial de CO2 é gerada nas
cidades,
e
é
responsável
por
60% do
aquecimento global
As
cidades
são
como
parasitas
das
zonas
rurais,
extraindo
recursos
vitais,
como
alimentos,
água
e
energia

Apesar de haver muito o que ser feito no sentido de reverter os danos ambientais causados pelo homem no planeta, é necessário enxergar a sustentabilidade como uma oportunidade de repensarmos os negócios, e mudar a mentalidade business as usual. A partir do momento que o homem começar a perceber que o planeta é de todos – ele recebeu das gerações passadas e vai deixar para as gerações futuras – e que não há classe social, credo, gênero ou raça que tenha privilégios perante a mãe natureza, ele vai entender que é necessário mudar. Pensamentos mesquinhos e egoístas, como “pensar no aqui e agora” ou lucrar “não importa como”, devem ser repudiados!

Por sorte, uma pesquisa realizada pelo Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável, com grandes corporações no Brasil, aponta que 71% das empresas consideram a pressão de compliance regulatório e gestão de risco ambiental como um dos fatores mais influentes na mudança de contexto de negócios

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

e consequentemente mais presentes na agenda executiva da organização. Além disso, 82% delas continuarão a aumentar os investimentos em inovação nos próximos 2 anos em virtude dos resultados tangíveis como redução de custos operacionais, e da perspectiva de novas oportunidades de inovação e crescimento.

Há no mercado brasileiro um potencial de R$ 150 bilhões de oportunidade de negócios sustentáveis para o setor empresarial. Ou seja, as oportunidades são reais e estão disponíveis. Cabe a cada um de nós, enquanto indivíduos, incutir o pensamento de sustentabilidade em nossos lares e em nossas empresas e fazer desse potencial não somente uma oportunidade de ganharmos mais dinheiro, mas de melhorarmos o planeta em que vivemos!

Bibliografia recomendada:

» Primavera Silenciosa, Rachel Carson

» Colapso – Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso, Jared Diamond

» Canibais de Garfo e Faca, John Elkington

» Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI, José Eli da Veiga

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» There’s no Tomorrow (Não Existe Amanhã)

» Uma Verdade Inconveniente

» Before the Flood (Antes da Enchente)

CAPÍTULO 2

Impactos da construção civil

De acordo com o World Economc Forum, a indústria da construção, no mundo, é a numero 1 em extração de recursos naturais, responsável por 50% da geração de resíduos sólidos e 30% dos gases de efeito estufa.

Impactos da construção no mundo:

» Água doce – a construção consome 16,6% da água doce do planeta. As principais fontes de água doce disponíveis no planeta estão nas geleiras (77,39%), nas águas subterrâneas (22,03%), nos lagos e rios (0,37%).

» Energia elétrica – a construção consome 40% dos combustíveis fósseis destinados à geração de energia por ano. As fontes primárias de energia derivadas de combustíveis fósseis vêm do petróleo (36,0%), do carvão mineral (27,4%) e do gás natural (23,0%).

» Florestas – a construção consome 25% de toda extração madeireira feita por ano. As áreas de florestas do mundo têm 4 bilhões de hectares, 50% estão localizadas em 5 países: Rússia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e China.

No Brasil, os dados são igualmente alarmantes. Segundo o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), a operação de edifícios no Brasil é responsável por 18% do consumo total de energia do país e por cerca de 50% do consumo de energia elétrica. A operação das edificações consome quantidade significativa da água, sendo grande parte desperdiçada. A construção e a manutenção da infraestrutura são responsáveis pelo consumo de até 75% dos recursos naturais extraídos. A construção civil no Brasil, entre novas construções e reformas, é responsável por 400Kg de entulho por habitante/ano.

Outros dados alarmantes:

» 50% de consumo de energia elétrica

» 16% da água potável

» 30% Extração de materiais 1

» 50% dos resíduos sólidos 2

1

GBC Brasil

2

Disponível em: <http://revistageracaosustentavel.blogspot.com.br/2011/09/construcao-civil-precisa-rever-geracao.html>.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

» 12% de ocupação de terras 3

» 220 milhões de toneladas de agregados naturais por ano

» A indústria cimenteira gera 5% do total de CO 2

» 1m2 de construção utiliza, grosseiramente, uma tonelada de materiais 4

Embora muitos impactos ambientais estejam associados aos edifícios, a mudança climática merece uma consideração especial porque os edifícios e o uso da terra são responsáveis por uma grande proporção das emissões de gases do efeito estufa. O ambiente construído, incluindo edifícios e sistemas de transporte, respondem por mais de dois terços de todas as emissões de gases do efeito estufa. As emissões são provenientes de muitos componentes do ambiente construído, incluindo sistemas de construção e uso de energia, transporte, uso de água e tratamento, mudança da cobertura do solo, materiais e construção. Ao melhorar a eficiência dos edifícios e das comunidades, é possível reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa.

Com relação ao uso de madeira, os dados são igualmente alarmantes. De acordo com o FSC, a construção civil é o maior usuário de madeira nativa: nas obras, é utilizada como escora e andaimes e também no acabamento como pisos, rodapés, portas, janelas etc. A maior parte da produção Amazônica é consumida nos grandes centros urbanos, como São Paulo. Por isso, cada vez mais, os hábitos de consumo nas metrópoles, incluindo o poder de compra dos governos e das empresas, influenciam o que acontece na floresta.

Uma pesquisa do Ministério do Meio Ambiente e do IBAMA mostra que 86% da extração de madeira no Brasil ainda ocorre de maneira irregular, e que mais de 90% da madeira comercializada degrada, de alguma maneira, o ambiente.

Segundo o Ministério das Minas e Energia (2009), a indústria da Construção consome 33% do aço produzido no país, além de ser um dos principais consumidores do calcário e rochas ornamentais, bem como de produtos escassos como zinco e cobre. Além disso,

as

jazidas de argila e areia próximas aos grandes centros urbanos já estão se exaurindo,

o

que provoca não só a exploração de novas jazidas, mas compromete o custo dos

materiais, cada vez mais situados distantes dos canteiros de obras.

Com relação aos impactos sociais negativos, outro dado alarmante refere-se à segurança do trabalho, uma vez que, no ano de 2011, foram registrados 59.800 acidentes de trabalho, o que não contabiliza os acidentes não registrados ou que ocorreram com

3 Levantamento do estado da arte: Consumo de Materiais (documento 2.5) - Tecnologias para construção habitacional mais sustentável – Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, Dr. Davidson Figueiredo Deana.

4 (BATELLE, 2002).

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

trabalhadores in- formais. A construção foi responsável, ainda, pelo triste quadro de 17% dos óbitos registrados por acidentes em 2011.

Sem deixar de lembrar da alta informalidade em toda cadeia, da expansão horizontal.

O impacto direto na deterioração dos ecossistemas, contribuição para a erosão,

sedimentação e impermeabilização dos solos, poluição em todos os meios (solo, água e ar) e as emissões associadas ao transporte de materiais e resíduos.

Gráfico 4 – Informalidade na Cadeia Produtiva da Construção Brasileira, FGV Projetos 2006.

Produtiva da Construção Brasileira, FGV Projetos 2006. Fonte:

Fonte: <http://www.cbcs.org.br/website/aspectos-construcao-sustentavel/show.asp?ppgCode=31E2524C-905E-4FC0-B784-

118693813AC4>.

Ainda, na operação e manutenção, as construções, até o final de suas vidas úteis, são responsáveis por consumo de água e energia, produção de esgoto e resíduos, interferência em mobilidade urbana e na saúde e qualidade dos ocupantes.

Portanto não há como se falar em construções sustentáveis sem conhecer os impactos

associados a esta atividade. Além disso, apesar de o tema “construções” estar diretamente ligado ao ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, não se pode deixar de pensar

de forma holística e se preocupar com os outros objetivos, como por exemplo:

» Saúde e bem-estar – já que as pessoas passam em média 90% do tempo em ambientes fechados, esses ambientes exercem grande influência sobre a saúde humana.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

» Água limpa e saneamento – água limpa necessária para abastecer as edificações e saneamento adequado para tratar as emissões geradas por elas.

» Energia acessível e limpa – cada vez mais cresce a necessidade por novas alternativas de geração e distribuição de energia que alimentem as edificações e residências, proporcionando energia limpa a locais remotos e barateando seu custo de implantação.

» Emprego digno e crescimento econômico – contribuindo diretamente para o combate à informalidade do setor.

» Indústria, inovação e infraestrutura – sem inovação e investimento em pesquisa e desenvolvimento, não há oferta de novas tecnologias mais baratas, acessíveis e que contribuam para o desenvolvimento do setor de forma cada vez mais sustentável.

» Combate às alterações climáticas – já que o setor de construção é um dos que mais impactam nas emissões globais de CO 2 , é seu dever trabalhar alinhado com matrizes energéticas limpas, adotando tecnologias de sequestro de carbono.

» Parcerias em prol das metas – fundamental que novos modelos de negócio, cada vez mais colaborativos, incentivem economias de compartilhamento, reduzindo a demanda por extração de recursos e emissões de gases EE.

CAPÍTULO 3

Construção sustentável

Construção ecológica ou sustentável?

O termo ecologia, cunhado pelo biólogo alemão Ernest Haeckel, em 1866, significa:

“relação dos seres vivos com o habitat ou meio ambiente natural”. Num ambiente urbano, criado e modificado pelo ser humano com o uso de maquinários e alta tecnologia, houve uma perda significativa dessa relação direta com a natureza. Não é convencional, portanto, utilizar o termo “construção ecológica” nesse ambiente, sendo o mais adequado a utilização do termo “construção sustentável”, que entre seus objetivos

está também o de resgatar a conexão entre o homem urbano e ambientes construídos com a natureza.

Figura 8.

urbano e ambientes construídos com a natureza. Figura 8. Fonte: idHea – instituto para o desenvolvimento

Fonte: idHea – instituto para o desenvolvimento de construção ecológica

Fonte: GBC Brasil - <http://www.gbcbrasil.org.br/>.

Construções sustentáveis fundamentalmente consistem em um processo de melhoria contínua. Trata-se de um processo pelo qual as “melhores práticas” de hoje se tornam as práticas padrão de amanhã, uma base de crescimento para níveis de desempenho cada vez mais elevados. A construção sustentável pode nos ajudar a criar comunidades mais vitais, espaços interiores e exteriores mais saudáveis e conexões mais fortes com a natureza. Torna-se cada vez mais importante efetuar uma mudança permanente no projeto, planejamento, construção e práticas operacionais atuais, resultando em ambientes construídos de menor impacto, mais sustentáveis

e, no fim, regenerativos.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

De forma geral, é possível afirmar que edifícios sustentáveis comparados a edifícios tradicionais duram mais tempo, são mais eficientes, custam menos para operar e contribuem para uma vida mais saudável para seus ocupantes, proporcionando ambientes de trabalho adequados e melhorando a produtividade, além de minimizarem os impactos nos recursos naturais.

Estudo de caso – Empire State Building, New York – EUA. Certificado LEED para Edifícios Existentes, Operação e Manutenção, nível Ouro

Talvez seja um dos estudos de caso mais relevantes e conhecidos no mundo sobre o poder de transformação de edifícios históricos e muito antigos em edifícios modernos e eficientes. O Empire State Building adotou como questão central em sua operação práticas sustentáveis, por meio de um programa desenvolvido internamente, chamado de Empire State ReBuilding. Procedimentos de baixo impacto ambiental nas operações foram postos em prática, além da implementação de um programa de modernização de eficiência energética.

Além da eficiência energética, as atividades que ajudaram a obter a certificação LEED Gold incluem:

» Instalação de equipamentos de ultrabaixo fluxo nos banheiros.

» Uso de produtos de limpeza verdes e produtos de controle de pragas.

» Reciclagem dos resíduos de inquilinos.

» Uso de produtos de papel reciclado.

» Uso de carpetes com conteúdo reciclado, revestimentos de paredes, tintas e adesivos com baixo teor de gaseificação (COVs).

» Um programa de engajamento de inquilinos, incluindo a submedição de energia, tornou-se requisito obrigatório nos contratos de locação.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Figura 9.

SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS Figura 9. Fonte: <http://sustentarqui.com.br>. Já com

Fonte: <http://sustentarqui.com.br>.

Já com relação às “bioconstruções” ou “ecoconstruções”, estas são pautadas em conceitos de permacultura. São mais utilizadas e tecnicamente mais adequadas a locais afastados dos grandes centros urbanos, geralmente com grande conexão com a natureza, pouca ou nenhuma infraestrutura de energia, saneamento e água, em que o baixo impacto e

a mínima interferência ao meio se fazem necessários, e com muita oferta de recursos naturais para utilização.

Entretanto, quando se fala em construções com materiais naturais como barro, bambu madeira, palha, areia e outros, muitos pensam que a estrutura não dura muito tempo

por aparentar fragilidade, mas não é verdade, essas são técnicas utilizadas há milênios,

e muitas das construções baseadas nessas técnicas resistem até hoje, como o caso da

muralha da China. O principal objetivo aqui é gerar a menor interferência possível no contexto em que a construção está inserida, permitindo maior conexão entre as

pessoas e o meio ambiente, utilizando-se das “tecnologias” naturais disponíveis, sem

a necessidade de incorporar equipamentos modernos, de última geração, como o caso das construções sustentáveis dos centros urbanos.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Figura 10. Casa na aldeia em Itacaré, Bahia.

│ UNIDADE I Figura 10. Casa na aldeia em Itacaré, Bahia. Fonte:

Fonte: <http://static-namu.s3.amazonaws.com/materias/interior_casa_madeira_barro.jpg>.

Em resumo, uma construção sustentável, seja “bioconstrução” ou uma construção moderna, tem diversos benefícios.

Ambientais:

»

uso racional dos recursos naturais, com redução do consumo de materiais, água e energia;

»

gestão adequada dos resíduos durante a construção e operação;

»

redução dos impactos na vizinhança e no meio ambiente durante a construção e operação;

»

redução do impacto em relação à emissão de CO2 na atmosfera, minimizando o efeito estufa.

Sociais:

»

capacitação e instrução dos trabalhadores para educação ambiental durante a construção;

»

diminuição da informalidade na cadeia da construção civil;

»

priorização da saúde e do bem-estar dos trabalhadores e ocupantes;

»

criação de um ambiente propício à geração de conhecimento para sustentabilidade.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Econômicos:

» gestão eficiente de todos os recursos (por exemplo, energéticos, hídricos etc.) com redução de custos operacionais e de operação;

» diminuição dos riscos regulatórios;

» estímulo a novos investimentos;

» aumento da produtividade dos ocupantes;

» valorização e aumento do valor de venda do imóvel;

» aumento do retorno no investimento;

» reputação e imagem;

» projetos de lei como IPTU Verde já é realidade em 55 municípios brasileiros, onde edifícios que possuam qualidades ambientais têm desconto no IPTU.

Qualidade de vida, conforto e saúde:

» não utiliza materiais e produtos que prejudiquem a saúde dos usuários (COV, metais pesados, amianto, ureia-formaldeído etc.);

» melhoria do conforto térmico, lumínico e acústico;

» aumento da satisfação e bem-estar dos usuários;

» redução do absenteísmo, turnover e ações trabalhistas.

A construção civil começa a demonstrar que está se adaptando mais aos conceitos de sustentabilidade impostos a todos pela sociedade e por demandas econômicas, e que a cada dia esses conceitos também passam a ser uma exigência, principalmente, da nova geração.

Os mais jovens estão começando a exigir de seus fornecedores uma postura correta em relação ao meio ambiente, desenvolvendo um dos maiores desafios corporativos deste milênio: o consumo consciente.

Grandes empreendedores, incorporadoras e construtoras, fornecedores de materiais, insumos e tecnologias estão, aos poucos, desenvolvendo expertise nessa área, em um movimento que ganhou força nos últimos anos e que hoje já começa a criar uma nova demanda no mercado da construção civil no Brasil.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Além das certificações ambientais que, com certeza, têm um peso importante nessa transformação (mas, por si só, não serão capazes de resolver todos os problemas), é muito importante o desenvolvimento de iniciativas educacionais para disseminar informações sobre as melhores práticas e tecnologias sustentáveis, a fim de capacitar os envolvidos na concepção, construção, operação e manutenção das edificações e nos espaços construídos.

Toda essa nova visão começa a demandar mais especialistas nas diversas áreas da arquitetura e engenharia, capazes de equacionar os desafios e demandas da construção sustentável.

CAPÍTULO 4

Conceitos e premissas da construção sustentável

Uma construção deve levar em conta uma série de premissas integradas para ser considerada “sustentável”. Ou seja, atribuir o título de construção sustentável a uma edificação que tenha adotado uma ou poucas estratégias de sustentabilidade como, por exemplo, um telhado verde ou a captação de água de chuva, não deveria ser correto, uma vez que para ser classificada como sustentável, ela deve olhar para o ciclo de vida completo da construção, desde a concepção de projeto até o final de seu uso.

A seguir é apresentada uma série de conceitos básicos que deve ser adotada em projetos

sustentáveis, não deixando de levar em consideração a seleção adequada dos materiais,

que será melhor detalhada na unidade II deste caderno.

Ciclo de vida da edificação

As construções sustentáveis devem ser pensadas de forma integrada e integral, desde

a seleção do terreno, desenvolvimento dos projetos, passando por todas as fases até o

final de sua vida útil de operação. Esse pensamento pode ser chamado de ciclo de vida da construção.

Figura 11.

de operação. Esse pensamento pode ser chamado de ciclo de vida da construção. Figura 11. Fonte:

Fonte: Própria autora.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

A ACV é uma ferramenta emergente que promete auxiliar o processo de decisão

arquitetônica, por meio da análise do impacto ambiental dos edifícios, contribuindo para reduzi-lo. Os resultados de um estudo de ACV podem incluir aspectos tais como o uso de energia, potencial de aquecimento global, destruição do habitat, esgotamento de recursos e emissões de CO 2 .

Projeto integrado

E para construir com um pensamento integral e holístico, que englobe todas as

etapas da construção e envolva todos os seus atores, é necessário mudar a forma tradicional de projetar, a qual estamos habituados, e adotar a metodologia de projeto integrado.

Figura 12.

e adotar a metodologia de projeto integrado. Figura 12. Fonte: Própria autora. Um projeto que adota

Fonte: Própria autora.

Um projeto que adota a metodologia de projeto integrado:

» integra pessoas, sistemas, estruturas de negócios;

» explora colaborativamente os talentos e insights de cada participante;

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

» busca melhorar os resultados do projeto;

» aumenta o valor para o proprietário;

» reduz o desperdício e maximiza a eficiência durante todas as fases do projeto e construção.

Um projeto integrado deve sempre considerar no mínimo os seguintes pontos:

» avaliação do entorno, terreno e orientação solar adequada;

» técnicas passivas, arquitetura bioclimática;

» técnicas ativas;

» tecnologias;

» materiais;

» vegetação;

» água;

» energia (geração, alimentação);

» qualidade de vida.

Ferramentas e softwares como o BIM (building information modeling) são grandes facilitadores desse processo.

De acordo com o Guia de Projeto Integrado do Instituto Americano de Arquitetos (American Institute of Architects – Integrated Project Delivery Guide):

O processo de Projeto Integrativo aumenta o nível de esforço durante as

fases iniciais, resultando em uma redução de tempo de documentação

e aumento do controle de custos e gerenciamento do orçamento, todos

os quais aumentam a probabilidade do projeto atingir seus objetivos, incluindo atender o cronograma, os custos do ciclo de vida, qualidade e

sustentabilidade (tradução nossa).

Principal diferença, de forma ilustrativa, entre um projeto integrado e um projeto tradicional:

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Figura 13.

– IMPACTOS E BENEFÍCIOS │ UNIDADE I Figura 13. Fonte: <http://www.gbcbrasil.org.br/>. A metodologia

Fonte: <http://www.gbcbrasil.org.br/>.

A metodologia de projeto integrado compreende 3 etapas principais:

1. Pré-projeto: fase mais importante do projeto integrado. Envolve coleta de informações, reconhecimento das necessidades dos stakeholders, estabelecimento das metas do projeto e seleção do terreno. Precisa ser realizada antes de se “colocar o lápis no papel ”

É improvável que as metas ambientais de um projeto sejam alcançadas de forma rentável, se esta fase não for rigorosamente aplicada como uma fase do processo de projeto integrado.

2. Concepção e construção (execução): assemelha-se à prática convencional em sua estrutura, mas integra todo o trabalho e compreensão coletiva das interações do sistema alcançadas durante a fase de pré-projeto.

3. Ocupação, operações e feedback de desempenho: esta terceira fase centra-se na implementação de medição de desempenho e criação de mecanismos de feedback. O feedback é essencial para informar aos operadores se as metas de desempenho estabelecidas foram cumpridas, se podem ser avaliadas e se devem ser adotadas medidas corretivas.

Como observado, a fase 1 é a mais importante, ela é a principal responsável pela mudança a ser adotada nos padrões atuais de projeto. Usualmente clientes se preocupam com o quanto um determinado empreendimento custará ou o quanto ele irá “gastar”. Junto

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

a isso, vem o pensamento de economizar os honorários dos profissionais projetistas, reduzindo o tempo de horas trabalhadas (pois há uma má interpretação de que custam caro) e usando esse valor “economizado” em honorários profissionais para ser empregado na construção. Desta forma, acaba-se gastando pouco tempo para projetar

e muito mais tempo para construir. Agindo assim, o projeto acaba tendo uma série

de revisões, atrasos em cronograma, gerada pela falta de planejamento, aumentando consequentemente o custo da obra. A famosa “economia burra”, pois no final é o barato que sai caro!

Na metodologia de projeto integrado, o valor está justamente no profissional. É ele que equacionará os possíveis problemas de projeto. Com isso, deve-se despender muito mais tempo na elaboração dos projetos, para que quando as obras se iniciem, o tempo de execução seja enxuto e dentro do planejado, quase que eliminando também os famosos projetos as built.

Outra preocupação importante do projeto integrado é sempre contar com o proprietário, um responsável pela equipe de projetos (que geralmente é o arquiteto) e um engenheiro com visão de custos no centro de todas as reuniões e principais definições de projeto.

Entretanto, sempre que possível, é importante dar voz a todos os profissionais envolvidos

e explorar as ideias de cada um deles, de forma colaborativa.

Figura 14.

ideias de cada um deles, de forma colaborativa. Figura 14. Adaptado de gráfico de Bill Reed

Adaptado de gráfico de Bill Reed - <http://www.gbcbrasil.org.br/>.

Custo do ciclo de vida

Os custos do ciclo de vida analisam os custos de compra e operacionais, bem como as economias relativas durante a vida de um edifício ou produto. Eles calculam os

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

períodos de retorno do investimento para custos iniciais, fornecendo um contexto para tomar decisões sobre investimentos iniciais. Por exemplo, sistemas mecânicos mais eficientes geralmente custam mais do que equipamentos ineficientes, mas analisando não só o preço de compra e calculando toda a energia, manutenção, substituição e os outros custos durante o ciclo de vida do equipamento, é possível compreender melhor os custos reais do equipamento – ao ambiente e ao proprietário do edifício.

Figura 15.

– ao ambiente e ao proprietário do edifício. Figura 15. Conceptual framework for Environmental LCC. Rebitzer

Conceptual framework for Environmental LCC. Rebitzer and Hunkeler, 2003. <http://link.springer.com/article/10.1007/s11367-

011-0287-5>.

Escolha adequada do local e terreno

Figura 16.

Escolha adequada do local e terreno Figura 16. Fonte:

Fonte: <psiusa.com/wp-content/uploads/2014/08/site_selection_new-e14146363391031.jpg>.

A localização é um elemento crucial de um edifício: ela pode definir estratégias apropriadas, contudo também pode limitar o quão sustentável um projeto pode realmente ser. Dependendo dos problemas ambientais mais importantes em uma determinada área, o local pode influenciar as prioridades da equipe de projeto. A localização inclui fatores como:

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

» Contexto natural: clima, sol, vento, orientação, solos, precipitação, flora e fauna locais.

» Contexto infraestrutura: recursos, materiais, habilidades e conexões disponíveis a serviços públicos, ruas e trânsito.

» Contexto social: conexões à comunidade e outros destinos, prioridades locais, história e tradições culturais, regulamentos locais e incentivos.

Edifícios bem localizados tiram proveito da infraestrutura pública existente, tais como redes de saneamento e abastecimento de água e energia. Escolher locais previamente desenvolvidos ou com infraestrutura municipal existente podem reduzir o impacto sobre o meio ambiente em função do espalhamento urbano (urban sprawling) e consequentemente os custos de implantação de novas infraestruturas.

Além disso, as comunidades compactas incentivam a caminhada, o uso de bicicleta e o transporte público.

A

Terra depende da diversidade biológica como florestas, pântanos, recifes de corais

e

outros ecossistemas conhecidos como “capital natural”, pois fornecem serviços

regenerativos. Um estudo das Nações Unidas indica que 60% desses serviços atualmente são degradados ou usados de forma insustentável.

Por isso a escolha do terreno tem grande impacto no desempenho de um edifício ao longo de sua vida útil e como o edifício coexiste com o ecossistema local e com os serviços ecossistêmicos. O projeto deve contribuir para restaurar elementos do terreno, integrando-os com os ecossistemas locais e regionais e preservando a biodiversidade na qual os sistemas naturais se apoiam.

Transportes

Figura 17.

qual os sistemas naturais se apoiam. Transportes Figura 17. Fonte:

Fonte: <www.factum.at/content/news-reader/items/reducing-car-trips-by-promoting-alternative-modes-of-transportation-154. html>.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

O uso do transporte alternativo como uma opção conveniente e viável deve ser

promovido por meio da escolha do local, do projeto e de incentivos quem beneficiam

os ocupantes e comunidade do entorno do edifício. O ideal é dar preferência àqueles

locais com fácil acesso a transportes públicos, sejam ônibus, metrôs, trens, entre outros.

Já no projeto, é possível reduzir os efeitos do transporte garantindo acesso a meios

alternativos, estimulando caminhadas e andar de bicicleta, fornecendo bicicletários, vestiários, instalações de abastecimento para veículos elétricos e vagas preferenciais para veículos menos poluentes e para aqueles que praticam caronas.

Eficiência hídrica

Figura 18.

que praticam caronas. Eficiência hídrica Figura 18. Fonte: <http://kopi-mega.inforce.dk/>. Com a demanda

Fonte: <http://kopi-mega.inforce.dk/>.

Com a demanda cada vez maior e a oferta cada vez menor, nossas fontes de água estão mais do que sobrecarregadas, ameaçando a saúde e a sobrevivência humana e do meio ambiente. A demanda atual por água nas grandes cidades é completamente insustentável.

Além disso, apenas 3% do total de água disponível na Terra é de água doce e, desse total, mais de 2/3 estão presos nas geleiras.

Conforme o desenvolvimento residencial, comercial, industrial e outros se expandem, a demanda por água potável nesses locais aumenta. A maioria dos edifícios utiliza fontes municipais de água potável para atender as suas necessidades – da descarga de vasos sanitários à lavagem de louça e irrigação do paisagismo. A alta demanda força o abastecimento e, em condições extremas, é necessário o racionamento de água. Além disso, grandes quantidades de água residuária podem sobrecarregar as instalações de tratamento, e o transbordamento não tratado pode contaminar rios, lagos e lençóis freáticos com bactérias, nitrogênio, metais tóxicos e outros poluentes.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Uma construção sustentável incentiva estratégias de economia de água inovadoras que, por sua vez, incentivam o uso da água de forma inteligente. O processo de projeto integrado ajuda a avaliar os recursos hídricos existentes, oportunidades para reduzir a demanda por água e o abastecimento alternativo. Por exemplo, grande parte da água que deixa o terreno como água residuária, ou o escoamento de águas pluviais, pode realmente ser usada para fins não potáveis.

Uma forma fácil de organizar o conhecimento sobre eficiência hídrica é ordenando-o em três esferas:

» Água externa – água usada fora do edifício para manutenção e paisagismo.

» Água interna – água usada dentro do edifício para descarga de vasos sanitários, lavar as mãos, beber, cozinhar etc.

» Água de processo – água usada nos sistemas do edifício para aquecer e resfriar o ar e manter as temperaturas do edifício. Também inclui a água usada em máquinas de lavar roupas e louças e máquinas de gelo.

O valor de qualquer medida particular para esforços de conservação de água depende das utilizações finais no projeto. Por exemplo, edifícios de escritórios normalmente não apresentam instalações de lavanderia e cozinha grandes; a água é utilizada para sistemas HVAC, banheiros e paisagismo. Em contraste, as pias de cozinha e lava-louças dominam o uso final dos restaurantes. Um perfil do uso final da água pode ajudar as equipes de projeto a identificar os maiores usuários de água e avaliar o custo-benefício de estratégias específicas de conservação de água, sejam eles dispositivos de baixa vazão, tecnologia de irrigação ou sistemas eficientes de torre de resfriamento. Outra preocupação com relação à demanda também se refere ao contexto climático em que o projeto esta inserido, ou seja, não adianta instalar sistemas de aproveitamento de água pluvial se o projeto estiver inserido em locais que não possuem índices pluviométricos adequados a essa necessidade.

Uma das melhores estratégias para reduzir o consumo de água nos edifícios é a instalação de dispositivos economizadores que consomem muito menos água do que aqueles metais e válvulas tradicionais. Hoje já existem no mercado válvulas economizadoras que consomem até 6l por acionamento, ou aquelas com botões de duplo acionamento (cuja função de menor fluxo chega a consumir somente 3l), chuveiros e torneiras com redutores de vazão, mictórios sem água, e uma série de outras tecnologias. Sem duvidas, um projeto que vise reduzir o consumo de água deve definir como premissa básica a especificação de válvulas e metais economizadores.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Além das estratégias para eficiência, combinadas com sistemas que monitoram o consumo de água e identificam problemas conforme eles surgem, podem melhorar drasticamente a conservação de água em comparação ao uso de água de um edifício convencional. A simples instalação de medidores, e se possível subdivididos por prumadas com usos diferentes, permite que a operação tenha maior gestão sobre os consumos de água, identificando aqueles usos que consomem mais ou até facilitando a identificação de eventuais vazamentos.

Por último, e tão importante quanto as estratégias acima, está a conscientização dos usuários. Não basta somente as construções adotarem as melhores tecnologias disponíveis no mercado, se os usuários não sabem que ocupam um edifício sustentável, muito menos como operá-lo, sua importância e benefícios!

Eficiência energética

Figura 19.

e benefícios! Eficiência energética Figura 19. Fonte: <http://www.eneergia.com.br/>. O fornecimento

Fonte: <http://www.eneergia.com.br/>.

O fornecimento insustentável de energia e o aumento cada vez maior da demanda

têm implicações sérias, desde orçamentos residenciais a relações internacionais. Os edifícios estão na linha de frente dessa questão por causa do seu elevado consumo de energia, chegando a representar 40% do total da energia consumida no mundo segundo a UNEP.

Antes de se iniciar qualquer novo projeto arquitetônico, é fundamental estudar o clima em que o projeto estará inserido; radiação solar, temperaturas, ventos, precipitação e umidade. Leve em consideração também a quantidade de ocupantes e atividades

a serem desempenhadas. Com essas informações, é possível estabelecer metas de

eficiência energética e conforto térmico, dimensionar as aberturas, tipo de vedações, coberturas e assim por diante.

A lógica de um projeto arquitetônico eficiente parte, em primeiro lugar, da adoção de todas as possíveis estratégias de arquitetura bioclimática e técnicas passivas no desenho do projeto.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

O site <http://projeteee.ufsc.br/> da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ajuda arquitetos a desenvolverem projetos mais eficientes para diversas regiões do Brasil, levando em consideração as variações climáticas de cada uma delas e apresentando as melhores técnicas de ventilação, iluminação, conforto e escolha correta dos materiais de envoltória.

Em seguida, devem ser consideradas as energias ativas, que são os sistemas eficientes e de baixo consumo, tais como iluminação, ar condicionado (quando necessário), automação, entre outros. E, por fim, considerar o tipo de energia que alimentará o projeto, dando preferência para energias renováveis geradas no próprio terreno ou adquiridas em concessionárias que produzam esse tipo de energia, tais como solar, eólica, biomassa, geotérmica e hidrelétricas (somente as que aproveitam o fio d`água e não geram alagamentos).

Figura 20.

PASSIVAS
PASSIVAS

Orientação solar adequada Uso de massa térmica e isolamento adequado Materiais refletivos Iluminação natural Ventilação natural Aquecimento solar passivo Sombreamento passivo

ATIVAS
ATIVAS

Iluminação interna Iluminação externa Sistemas de ar condicionado Aquecimento de água Motores e bombas Distribuição de tomadas Automação etc.

Energias eólica, fotovoltaica, geotérmica Coletores de ar Aquecimento de água etc.

Por último, outros dois pontos fundamentais, assim como a eficiência hídrica, são a manutenção adequada e a educação dos ocupantes e funcionários. Manter o correto funcionamento de sistemas elétricos garante que não haja desperdícios. Tanto a manutenção preventiva quanto corretiva são importantes para evitar possíveis falhas ou corrigi-las no menor tempo possível. O comportamento das pessoas também é parte fundamental na eficiência energética. Muitas vezes os equipamentos são eficientes, mas o mau uso pode implicar desperdícios.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Gestão de resíduos

Figura 21.

BENEFÍCIOS │ UNIDADE I Gestão de resíduos Figura 21. Fonte: Acervo pessoal. A construção de edifícios

Fonte: Acervo pessoal.

A construção de edifícios gera grandes quantidades de resíduos sólidos, e os resíduos

são gerados durante o ciclo de vida do edifício, conforme novos produtos chegam e materiais usados são descartados. Esses resíduos podem ser transportados para aterros

sanitários, incinerados, reciclados ou transformados em adubo. O descarte de resíduos sólidos contribui diretamente com emissões de gases de efeito estufa, por meio do transporte, e talvez ainda mais significativamente com a produção de metano – um gás de efeito estufa poderoso – nos aterros sanitários. A incineração de resíduos produz dióxido de carbono como subproduto. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA – Environmental Protection Agency), nos Estados Unidos, as emissões estimadas de gases de efeito estufa dos fluxos de resíduos de edifícios que reciclam aproximadamente 32% de seus resíduos sólidos, equivalem, em dióxido de carbono,

à remoção de quase 40 milhões de carros das ruas. Melhorar as taxas de reciclagem

para apenas 35% poderia resultar em economias equivalentes a mais de 5 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono.

Ainda de acordo com o EPA, existe uma hierarquia na classificação dos resíduos, também conhecida como “3 Rs”.

1. Redução da fonte é a forma mais eficiente de reduzir a quantidade e a toxicidade dos resíduos gerados, porque tem início no projeto do produto. Associa-se às compras que dão preferência ao meio ambiente e significa

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

comprar “produtos ou serviços com menor impacto à saúde humana e ao meio ambiente, em comparação com produtos e serviços semelhantes.”

A comparação desses produtos se aplica às matérias-primas, manufaturados, embalagens, distribuição, uso, reutilização, manutenção e descarte.

Figura 22.

uso, reutilização, manutenção e descarte. Figura 22. Fonte:

Fonte: <https://www.epa.gov/homeland-security-waste/waste-management-hierarchy-and-homeland-security-incidents>.

2. A reutilização contribui para minimizar a fonte de geração de resíduo, uma vez que atrasa ou impede a entrada de determinado item no lixo ou no sistema de coleta.

3. A reciclagem converte o material que se tornaria lixo em uma valiosa fonte de recurso.

Por ultimo, se não for possível enquadrar em nenhum dos Rs anteriores, verificar a possibilidade de utilizar o resíduo como fonte de energia.

Curiosidade: estudo de caso – Suécia

No país escandinavo, apenas 1% do lixo produzido pelos suecos vai para lixões, o restante é reciclado, reutilizado ou transformado em energia renovável.

A eficiência do sistema é tão grande, que o país é obrigado a importar lixo de outras nações para garantir a sua produção de energia. O pais conta hoje com 32 usinas especializadas no aproveitamento da biomassa para a produção de eletricidade, implementadas por meio de um projeto de mudanças de políticas publicas desde 1970, contando com leis de logística reversa e reciclagem. Um dos principais fatores de sucesso é a forma como o país encara o resíduo, pois é visto não como um problema, mas como um negócio.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS │ UNIDADE I <http://www.symbiocity.org/en/>. Portanto, em

<http://www.symbiocity.org/en/>.

Portanto, em construções sustentáveis, durante as fases de construção ou reforma, a geração dos resíduos deve ser evitada ou reduzida ao máximo. Em seguida, os materiais devem ser reciclados ou reutilizados sempre que possível. Durante as operações diárias do edifício, a reciclagem, reutilização e programas de redução podem limitar a quantidade de material destinada a aterros sanitários locais.

Qualidade interna do ambiente

Figura 23.

sanitários locais. Qualidade interna do ambiente Figura 23. Fonte:

Fonte: <www.scu.org/leed/indoor-environmental-quality/>.

Qualidade do ar, iluminação, condições térmicas, ergonomia possuem influências diretas nos ocupantes ou residentes das edificações. As estratégias para tratar da qualidade interna do ambiente incluem aquelas que protegem a saúde humana, melhoram a qualidade de vida e reduzem o estresse e ferimentos em potencial.

Em muitos países, e em algumas cidades do Brasil, a média de permanência das pessoas dentro de ambientes fechados chega a 90% de nossos tempos, seja dentro de nossas residências, trabalhos, escolas etc. Além disso, de acordo com uma pesquisa publicada na década de 1990 e ainda válida nos dias de hoje, em edifícios comerciais, os valores com as pessoas, entre salários e benefícios, chegam a 92% do valor total da propriedade, sendo somente 2% referentes aos custos de projeto e construção, e 6% para operação e manutenção do edifício.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Figura 24.

SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS Figura 24. Fonte: Osso, Annette. Sustainable Building Technical Manual.

Fonte: Osso, Annette. Sustainable Building Technical Manual. [Online] 1994. Public Technology, Inc. <http://smartenergy.illinois. edu/pdf/Archive/SustainableBuildingTechManual.pdf. >.

A melhor qualidade do ambiente interno também contribui para evitar a chama

ndrome do Edifício Doente (sick building syndrome – SBS); situação na qual os usuários experimentam situações agudas, no que diz respeito à saúde e ao conforto, que parecem estar relacionadas ao período de permanência na edificação. As queixas podem estar relacionadas a toda a edificação ou a áreas específicas. São causas comuns dessa síndrome: ventilação inadequada, contaminantes químicos provenientes de fontes internas, contaminantes químicos de fontes externas e contaminantes biológicos.

Por esses motivos, uma melhor qualidade do ambiente interno pode melhorar as vidas dos ocupantes do edifício, aumentar o valor de revenda do edifício e reduzir a responsabilidade para proprietários do edifício. Além disso, como os custos com salários e benefícios de funcionários normalmente ultrapassam os custos de operação de um edifício de escritórios, estratégias que melhorem a saúde e produtividade dos funcionários em longo prazo podem ter um grande retorno sobre o investimento,

evitando despesas com problemas jurídicos, absenteísmo dos funcionários e taxas altas

de turn-overs. Pensar em estratégias que garantam a boa qualidade do ambiente interno

resulta em ambientes estimulantes e confortáveis para ocupantes e a minimização do risco de problemas de saúde relacionados ao edifício.

De acordo com o World Green Building Council, existem oito fatores “chave” que podem ser adotados para melhorar a qualidade dos ambientes internos, principalmente em escritórios que geram retorno visível no investimento:

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

1.

Melhor qualidade do ar interior e ventilação – um escritório bem ventilado pode dobrar a capacidade cognitiva dos ocupantes.

2.

Conforto térmico – o desempenho pode cair 6% em escritórios muito quentes e 4% em escritórios muito frios.

3.

Iluminação natural e artificial – um estudo constatou que os trabalhadores em escritórios com janelas têm 46 minutos a mais de sono por noite do que os trabalhadores sem janelas.

4.

Ruídos e acústica – distrações em função de ruídos leva à queda de 66% no desempenho e concentração.

5.

Layout interior e projeto ativo – espaços de trabalho com postos flexíveis ajudam os funcionários a sentirem-se mais no controle da carga de trabalho e incentivam a confiança entre as equipes.

6.

Biofilia e vistas – um estudo de caso demonstrou que o tempo de processamento em um call center melhora em 7-12% quando as equipes possuem vistas para elementos naturais e áreas externas com natureza.

7.

Olhar e sentir – o apelo visual é o fator principal na satisfação do local de trabalho.

8.

Localização e acesso a amenidades – em um programa holandês, a jornada de trabalho chegou a economizar 27 milhões de euros em absenteísmo.

Segundo Beth Ambrose, diretora da equipe de Serviços de Sustentabilidade da JLL e presidente do Grupo de Trabalho dos Escritórios do WorldGBC:

Os estudos de caso para edifícios saudáveis estão sendo comprovados. Em todo o mundo, as empresas, grandes e pequenas, estão redesenhando seus escritórios, mudando as práticas de trabalho e testando novas tecnologias, para melhorar o bem-estar de seus funcionários, inquilinos e clientes.

Canteiro de obras sustentável

Antes da construção, é necessário ter um plano que descreva todas as atividades da construção e previna os possíveis impactos associadas a elas em cada uma das fases, tais como a erosão e sedimentação do solo, contaminação de corpos d’água, poeira em suspensão, impactos sonoros e na vizinhança, entre outros. Junto com os impactos,

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

deve vir sempre uma lista de ações preventivas, como limitar a área de intervenção de obra, estabilizar as áreas de solo expostas, controlar o fluxo da água no terreno, instalar lava-rodas, utilização adequada de EPIs e kits de mitigação, entre várias outras. Essas medidas podem ser muito mais baratas do que ter que corrigir problemas que possam vir a ocorrer.

Como sugestão para um canteiro sustentável:

1. planejamento prévio e adequação aos cronogramas;

2. levantamento dos impactos causados pela obra no terreno e vizinhança e redução do impacto direto da paisagem original;

3. redução das perdas de materiais pelo uso correto de novos recursos ferramentais e tecnológicos;

4. minimização do uso de água e energia;

5. gestão de resíduos;

6. redução das emissões de CO 2 totais com transporte de insumos e produtos;

7. planos de gestão – controle de sedimentação e erosão, qualidade do ar e resíduos:

mudanças no processo de gestão – com maior ênfase à fase de projeto

metodologias de industrialização em canteiro

novos materiais e tecnologias

qualificação da mão de obra – investimento em treinamentos e capacitação

O uso de inovações tecnológicas é fundamental para o alcance de obras mais sustentáveis, sem esquecer que a organização e o planejamento adequados geram redução de despesas!

De acordo com a cartilha Senado Verde, a etapa de obras e o gerenciamento do canteiro correspondem a uma importante parcela do custo final e do impacto ambiental que interfere diretamente no ciclo de vida da edificação.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

A adequação do canteiro de obras a uma agenda de trabalho voltada para a sustentabilidade envolve uma série de ações apresentadas abaixo:

Figura 25.

uma série de ações apresentadas abaixo: Figura 25. Ref. Cartilha Senado Verde Fonte:

Ref. Cartilha Senado Verde

Fonte: <https://www12.senado.leg.br/institucional/programas/senado-verde/pdf/Cartilhaedificios_publicos_sustentaveis_ Visualizar.pdf>.

1.

Planejamento adequado.

2.

Vedação adequada da obra.

3.

Aproveitamento de terra local.

4.

Uso de materiais certificados.

5.

Uso de fontes de energia renováveis.

6.

Componentes pré-fabricados.

7.

Tratamento de esgoto.

8.

Uso de EPIs.

9.

Correto acondicionamento dos materiais.

10.

Proteção contra erosões e assoreamento.

11.

Sistema de lava-rodas.

12.

Coleta seletiva e acondicionamento adequado.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

13.

Transparência das informações da obra à população.

14.

Proteção da vegetação existente.

Estratégias de sucesso para um projeto sustentável:

» começar cedo;

» encontrar a equipe e o processo corretos;

» compreender os sistemas através do espaço e tempo;

» desenvolver metas claras e mensuráveis;

» seguir um processo integrado para garantir a realização das metas;

» comprometer-se com a melhoria contínua.

Operação e manutenção

Figura 26.

a melhoria contínua. Operação e manutenção Figura 26. Fonte: <http://sunworksusa.com/>. A gestão,

Fonte: <http://sunworksusa.com/>.

A gestão, operação e manutenção de edifícios sustentáveis ou de edifícios que buscam tornar suas operações sustentáveis são caracterizadas pela adoção de critérios de operação de baixo impacto financeiro e ambiental. Inclui o uso eficiente da energia,

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

consumo racional da água, aquisição de produtos e suprimentos com compromisso ambiental documentado, descarte correto de resíduos, qualidade do ar interior, qualidade ambiental do edifício, além de utilização de produtos de limpeza e de procedimentos para a conservação predial não nocivos ao meio ambiente. As edificações que visam tal eficiência podem apresentar reduções significativas (anuais) com energia e manutenção.

Entre diversos fatores levados em consideração em uma edificação que busca uma gestão sustentável, figuram como alguns dos mais importantes a educação e a conscientização. Por isso, periodicamente, devem ser promovidos treinamentos quanto aos procedimentos adotados pelo empreendimento visando ao desempenho otimizado dos sistemas e ao uso eficiente de recursos naturais. A melhor maneira de fazer com que isso ocorra, e as informações não se percam com as pessoas que entram e saem para trabalhar no edifício, é garantir que todas as informações permaneçam nele, por meio de registros, atas de reuniões e outros documentos impressos que informem o histórico do projeto.

Além disso, a divulgação das estratégias deve ser permanente, podendo ser explorados os meios de comunicação interna como folhetos periódicos destinados aos usuários e publicação de campanhas em meios eletrônicos, tais como intranet e monitores instalados em elevadores.

É necessário também prover treinamento dos funcionários e usuários que ocupam a edificação, de modo a sensibilizá-los quanto às boas práticas para a conservação de água, uso racional da energia, entre outros. Determine ainda planos formais e rotinas para a manutenção preventiva e corretiva de equipamentos e sistemas. Vale também apresentar as diretrizes para a gestão sustentável da propriedade e documentação das ações nos manuais de contratação de terceiros. Os funcionários e os fornecedores terceirizados devem receber treinamentos de atualização periódicos.

devem receber treinamentos de atualização periódicos. Bibliografia Recomendada: Tornando Nossa Ambiente Construido

Bibliografia Recomendada:

Tornando Nossa Ambiente Construido Mais Sustentavel – Custos, Benefícios e Estratégias, Greg Kats

Projeto Integrado e Construções Sustentáveis, Jerry Yudelson

AIA Guide to Building Life Cycle Assessment in Practice, disponível em: <www.aia. org>.

CAPÍTULO 5

O mercado de construção sustentável no Brasil

No Brasil, o mercado de sustentabilidade na construção civil evoluiu, impulsionado, principalmente, pelos edifícios comerciais e corporativos, que foram os primeiros a buscar as certificações ambientais. A adaptação das edificações existentes às questões ambientais também tem ganhado força, auxiliando a valorização de edificações que perderam competitividade frente às novas exigências do mercado imobiliário.

No ano de 2009, as obras sustentáveis no Brasil representavam 1% de todo m 2 útil de construção, já em 2014, esse percentual atingiu o patamar de 7,3%, representando uma evolução de 780% ao longo dos últimos anos 5 .

Nos últimos anos, ainda, mais de 300 empreendimentos foram certificados por meio de sistemas de certificações ambientais conhecidos no Brasil. Essa crescente busca pela sustentabilidade foi fundamental para o desenvolvimento do mercado brasileiro, ampliando a disseminação das tecnologias, aumentando a escala e reduzindo os custos.

Embora o investimento inicial das construções sustentáveis seja em torno de 1% a 5% maior, a economia com os insumos podem compensar ao longo do tempo, podendo chegar a 50% no consumo de água e 40% no consumo de energia elétrica, tornando a taxa de condomínio 25% mais barata.

O órgão público de Administração de Serviços Gerais dos Estados Unidos reportou, em 2009, que, além de os edifícios sustentáveis custarem menos para serem operados e terem excelente performance energética, os ocupantes desses edifícios costumam estar mais satisfeitos com o desempenho geral do prédio do que aqueles que ocupam edifícios sem tecnologias sustentáveis 6 .

5 Fonte: Sustentabilidade. Tendências na Construção Civil Brasileira 2015

6 Fonte: GSA Public Buildings Service: Assessing Green Building Performance, 2009

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Perfil dos Edifícios Sustentáveis no Brasil:

Figura 27.

I Perfil dos Edifícios Sustentáveis no Brasil: Figura 27. Fonte: Sustentabilidade. Tendências na Construção Civil

Fonte: Sustentabilidade. Tendências na Construção Civil Brasileira 2015.

Das tipologias apresentadas acima, é importante destacar que no setor residencial há somente edifícios e, em infraestrutura, somente arenas esportivas.

Quadro 2.

COMERCIAL

COMERCIAL

Edifício corporativo

63%

Outros

22%

Edifício comercial (saletas)

10%

Shopping

5%

Total

100%

Fonte: Adaptado de Sustentabilidade. Tendências na Construção Civil Brasileira 2015.

Quadro 3.

INDUSTRIAL

INDUSTRIAL

Galpão

79%

Data center/CPD

9%

Centro de distribuição

4%

Frigorífico

4%

Indústria

4%

Total

100%

Fonte: Adaptado de Sustentabilidade. Tendências na Construção Civil Brasileira 2015.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Figura 28.

SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS Figura 28. Fonte: Sustentabilidade. Tendências na Construção Civil

Fonte: Sustentabilidade. Tendências na Construção Civil Brasileira 2015.

Figura 29.

na Construção Civil Brasileira 2015. Figura 29. A: Sudeste – 78% B: Sul – 10% C:

A: Sudeste – 78% B: Sul – 10% C: Nordeste – 6% D: Centro-Oeste – 4% E: Norte – 2%

Fonte: Adaptado de Sustentabilidade. Tendências na Construção Civil Brasileira 2015.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Gráfico 5.

– IMPACTOS E BENEFÍCIOS │ UNIDADE I Gráfico 5. Fonte: Green Building Council Brasil. Disponível em:

Fonte: Green Building Council Brasil. Disponível em: <http://www.gbcbrasil.org.br/>.

Em relação à certificação LEED, o Brasil fechou o ano de 2015 com 1.109 empreendimentos registrados para buscar a Certificação e 348 empreendimentos efetivamente certificados, números que colocam o Brasil em quarto lugar no ranking mundial de países com certificação LEED.

CAPÍTULO 6

Tendências globais de construção sustentável 2016

Em 2015, a Dodge Data & Analytics conduziu uma pesquisa, em 69 países, intitulada “Tendências Globais de Construção Sustentável 2016”. Os dados apresentados a seguir foram retirados dessa publicação e representam os números mais recentes sobre esse mercado. O estudo dá ênfase em treze países que se destacam como líderes em construção sustentável, por região e, entre eles, o Brasil destaca-se como o maior mercado na América do Sul e Caribe.

O estudo mostra que as construções sustentáveis já são adotadas globalmente, com forte crescimento na maioria dos países, mas, sobretudo, nos países em desenvolvimento.

Os resultados revelam que as construções sustentáveis são tendência global, com ênfase quase universal na importância da eficiência e conservação energética. No entanto, como observado pelo mesmo estudo, realizado em 2012, as prioridades e os obstáculos para seu desenvolvimento devem ser compreendidos país por país a fim de que realmente alcance sucesso como um negócio sustentável frente ao mercado global.

Média da parcela de mercado dos projetos sustentáveis Vs. construções convencionais no Brasil, Colômbia e outros 11 países na América do Sul e Caribe:

Figura 30.

e outros 11 países na América do Sul e Caribe: Figura 30. Fonte: World Green Building

Fonte: World Green Building Trends 2016: Developing Markets Accelerate Global Green Growth. Disponível em: <http://fidic.org/

sites/default/files/World%20Green%20Building%20Trends%202016%20SmartMarket%20Report%20FINAL.pdf>.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

O mercado de construção civil brasileiro ainda é emergente, com um marketing share médio de 29%. Apesar de ser o país com maior representação de construções sustentáveis na América do Sul e Caribe, o Brasil também espera um crescimento mais significativo nos próximos três anos, podendo chegar a 36% os que esperam construir mais do que 60% de seus projetos, adotando práticas sustentáveis.

Fatores de influência para a atividade futura de construção sustentável – Gatilhos:

No Brasil, as regulamentações ambientais são o principal gatilho para a atividade de construção sustentável. Isto é nitidamente contrastante com os resultados de 2012, quando a demanda de mercado era o principal gatilho, que, na época, representou o dobro do valor para qualquer outro fator. No estudo atual, ele caiu para apenas 12% que a consideram importante, com outros gatilhos impulsionando o mercado.

Outros gatilhos importantes que impulsionam o mercado no Brasil incluem:

» Demandas dos clientes: com 29%, a demanda dos clientes está em segunda colocação em termos de importância no Brasil. No entanto, 29% ainda é um valor bem abaixo da média global de 40%.

» Aumento do ROI: gatilho particularmente importante no Brasil, também selecionado por 29%. Esta percentagem não só ultrapassa os outros países da América do Sul, como também a média global de 11%.

» Fazer a coisa certa: empata em segundo lugar em nível de importância no Brasil. Entretanto este número, apesar de estar dentro da média global, fica bem aquém da média dos países da América do Sul e Caribe. O Brasil ainda fica atrás da Colômbia e Caribe em termos de importância de fatores de mercado, como as exigências do mercado e compromissos corporativos internos, sugerindo que uma chamada consistente para a sustentabilidade com base em benefícios para o negócio não é tão evidente no Brasil como no resto da região.

Há dois desafios considerados importantes por um grande percentual em toda a região:

» Falta de consciência pública: 41% dos entrevistados no Brasil e outros 11 países acreditam que esta é uma das três principais barreiras para a construção sustentável. Alinhado ainda com países como Arábia Saudita, Índia, China, Polônia e México, o que sugere que este é um problema comum para mercados emergentes de sustentabilidade.

» Falta de apoio político ou de incentivos: este obstáculo é notável no Brasil, com 39%, excedendo a média global de 30%.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Principais gatilhos para o futuro das construções sustentáveis no Brasil, Colômbia e em outros 11 países na América do Sul e Caribe:

Figura 31.

outros 11 países na América do Sul e Caribe: Figura 31. Fonte: World Green Building Trends

Fonte: World Green Building Trends 2016: Developing Markets Accelerate Global Green Growth.Disponível em: <http://fidic.org/

sites/default/files/World%20Green%20Building%20Trends%202016%20SmartMarket%20Report%20FINAL.pdf>.

Uma pesquisa publicada pelo Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), em 2015, mostra que os profissionais da construção carecem de informações e capacitação em relação às principais áreas da construção sustentável – energia, materiais e água. Os dados que mais chamam atenção referem-se à falta de conhecimento técnico e gente capacitada, bem como desconhecimento do potencial das tecnologias.

Em todas as três áreas estudadas, a falta de conhecimento público e técnico sobre o assunto, bem como a baixa oferta de profissionais capacitados, é relevante.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Quadro 4.

Treinamento e capacitação de projetistas e construtoras Barreira de marcado: desconhecimento do potencial econômico Desconhecimento do potencial e das tecnologias Barreira técnica: falta de conhecimento dos responsáveis de operação e manutenção

39%

45%

53%

55%

Compreensão de ganhos financeiros Conhecimento técnico da equipe Falta de informação e gente capacitada

43%

56%

66%

Treinamento e capacitação de projetistas e construtoras Falta de conhecimento técnico da equipe de projeto Falta de conhecimento dos responsáveis de operação e manutenção das edificações Desconhecimento do potencial econômico Campanha de mídia e conscientização Falta de capacitação técnica por parte dos gestores do empreendimento Desconhecimento do potencial e da tecnologia de uso de águas alternativas

33%

36%

39%

41%

45%

46%

50%

Fonte: Aspectos da Construção Sustentável no Brasil e Promoção de Políticas Públicas.

Outros fatores que chamam atenção dizem respeito à legislação, à regulamentação e às certificações ambientais. Ou seja, além de praticamente inexistir qualquer legislação, benefícios fiscais, regulamentações, incentivos e linhas de financiamento, essas informações são muito pouco difundidas.

Quadro 5.

Obrigação de utilizar geração renovável em novos empreendimentos Falta de regulamentação e normas técnicas de desempenho Etiquetagem energética obrigatória para mostrar a eficiência energética de novas construções Regulamentação do desempenho mínimo permitido em novas construções

19%

33%

49%

51%

Demolição controlada com plano de RCD explicando como serão tratados antes da demolição Obrigação de realizar e publicar análises de energia embutida e emissão de CO 2 das construções Legislação para incentivar a manutenção para garantir o desempenho das edificações a longo prazo

13%

20%

29%

Limites de vazão e pressão em projeto e equipamentos Leis de transparência, obrigando grandes consumidores a publicar o seu consumo Legislação e ferramentas para implantação de fontes de água não potável Falta de regulamentação e normas mínimas de desempenho Etiquetagem obrigatória para mostrar a eficiência de novas construções Regulamentação do desempenho mínimo permitido em novas construções

11%

12%

22%

3%

40%

47%

ÁguaRegulamentação do desempenho mínimo permitido em novas construções 11% 12% 22% 3% 40% 47% Energia Materiais

EnergiaMateriais

MateriaisEnergia

Fonte: Aspectos da Construção Sustentável no Brasil e Promoção de Políticas Públicas.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Os dados dos quadros apresentados anteriormente estão completamente alinhados com a pesquisa do World Green Building Trends, que aponta que os dois principais obstáculos para o desenvolvimento da construção sustentável no Brasil são a falta de conhecimento público sobre o assunto (41%), seguido da falta de incentivos públicos (39%). E, ainda, com 37% de representatividade, aparecem, como um dos principais gatilhos para alavancar o setor no Brasil, as políticas ambientais que exijam e sejam punitivas. Ou seja, enquanto as construções sustentáveis não se tornarem obrigatórias e exigirem medidas punitivas legais, uma parcela representativa do mercado não irá adotá-las como prática padrão de construção.

Razões sociais e ambientais para preocupações

Há um consenso geral, na maioria dos países da América do Sul e do Caribe, no que tange às razões sociais. O principal fator para todos é incentivar práticas de negócios sustentáveis, selecionado por 53% dos entrevistados no Brasil, 65% na Colômbia e 61% em outros países. Essas percentagens colocam o Brasil ligeiramente abaixo da média global de 58%.

O aumento na produtividade do trabalhador devido à construção sustentável é outro fator importante no Brasil (34%) e Colômbia (38%), sem dúvida, devido, em parte, ao foco de mercado em edifícios comerciais e retrofits de construção existentes.

Preocupações ambientais

A redução do consumo de energia é a principal razão ambiental para a construção sustentável no Brasil (51%), Colômbia (58%) e em outros países da região (72%). Esta constatação corresponde às prioridades globais em torno da energia refletida nos resultados globais do estudo.

Mais notável é a importância de proteger os recursos naturais, tanto no Brasil (47%) como na Colômbia (51%), semelhantes em percentual a energia. Também é notável a preocupação com o consumo de água no Brasil (47%).

Benefícios para os negócios

O Brasil é mais conservador em relação à diminuição esperada nos custos operacionais dentro de um ano, porém mais otimista quanto a reduções esperadas dentro de 5 anos, se comparado a outros países da América do Sul e Caribe. No entanto, períodos de retorno de investimentos sustentáveis no Brasil são bastante curtos, o que pode vir a ser um importante motor da construção sustentável no futuro.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Benefícios das construções sustentáveis esperados para a América do Sul e Caribe

Tabela 1.

 

Construções Sustentáveis Novas

Construções Sustentáveis Retrofits

Brasil

Colômbia

Outros 11 países

Brasil

Colômbia

Outros 11 países

Queda dos custos operacionais em 1 ano

8%

12%

12%

6%

12%

12%

Queda dos custos operacionais em 5 anos

20%

9%

12%

13%

13%

12%

Tempo de retorno nos investimentos verdes (anos)

4

5

8

4

4

8

Fonte: Adaptado de World Green Building Trends 2016: Developing Markets Accelerate Global Green Growth

Confira a seguir outros dados relevantes da construção sustentável no Brasil e no mundo.

Figura 32. Principais obstáculos para o desenvolvimento da construção sustentável (por pais).

o desenvolvimento da construção sustentável (por pais). Fonte: World Green Building Trends 2016: Developing Markets

Fonte: World Green Building Trends 2016: Developing Markets Accelerate Global Green Growth. Disponível em: <http://fidic.org/

sites/default/files/World%20Green%20Building%20Trends%202016%20SmartMarket%20Report%20FINAL.pdf>.

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Figura 33.

SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS Figura 33. Fonte: World Green Building Trends 2016: Developing Markets

Fonte: World Green Building Trends 2016: Developing Markets Accelerate Global Green Growth. Disponível em: <http://fidic.org/

sites/default/files/World%20Green%20Building%20Trends%202016%20SmartMarket%20Report%20FINAL.pdf>.

De longe, o benefício mais amplamente noticiado é reduzir os custos operacionais. Isto corresponde às conclusões do estudo de 2012. No entanto, como os dados dos países demonstra, existem variações significativas por mercado em termos da importância desse benefício. Uma percentagem particularmente elevada considera importante nas Américas, incluindo os EUA (81%), Colômbia (79%), México (73%) e Brasil (65%). Entrevistados de China (38%) e Arábia Saudita (29%), por outro lado, consideram outros benefícios mais importantes, incluindo valorização nos ativos futuros (66% e 38%, respectivamente) e um valor mais elevado de venda (47% e 31%, respectivamente), ambos podem ter implicações financeiras mais fortes do que os custos operacionais.

Globalmente, 30% a 31% consideram três benefícios adicionais importantes em seus mercados:

» garantia da qualidade da documentação e certificação;

» educação sobre sustentabilidade dos ocupantes;

» aumento do valor no ponto de venda.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

A produtividade é também uma questão fundamental para alguns países em desenvolvimento, com um peso especial para México (38%) e Índia (37%), mas com pouca ênfase para Austrália (12%), Alemanha (9%) ou no Reino Unido (13%). México e Índia são também os dois países com o maior percentual de entrevistados que esperam fazer projetos sustentáveis comerciais nos próximos três anos, o que talvez influencie a importância da produtividade como um benefício verde nestes mercados.

Figura 34. Benefícios mais importantes das construções sustentáveis.

mais importantes das construções sustentáveis. Fonte: World Green Building Trends 2016: Developing Markets

Fonte: World Green Building Trends 2016: Developing Markets Accelerate Global Green Growth. Disponível em: <http://fidic.org/

sites/default/files/World%20Green%20Building%20Trends%202016%20SmartMarket%20Report%20FINAL.pdf>.

CAPÍTULO 7

Benefícios da construção sustentável

O futuro da construção civil já tem um caminho traçado, e a sustentabilidade não será

apenas um modismo. As boas práticas do mercado devem ser disseminadas, assim como

o maior número de informações possível sobre as soluções implantadas, experiências de sucesso e iniciativas em prol da sustentabilidade.

A construção sustentável veio para ficar, talvez um pouco tarde, mas com o engajamento de toda a sociedade, revendo nossas ações e atitudes, certamente alavancará a formação de uma nova cultura baseada na visão sistêmica preconizada pela sustentabilidade.

São números de benchmarking e edifícios sustentáveis:

Figura 35.

de benchmarking e edifícios sustentáveis: Figura 35. ** Kats. G. (2003). The Costs and Financial Benefits

** Kats. G. (2003). The Costs and Financial Benefits of Green building: A Report to California’s Sustainable Building Task Force

*** GSA Public Buildings Service (2008). Assessing green building performance: A post occupancy evaluation of 12 GSA buildings

Fonte: *Turner. C. & Frankel. M. (2008). Energy performance of LEED for New Construction buildings: Final report.

Embora o investimento inicial das construções sustentáveis seja em torno de 1% a 5% maior, a economia com os insumos pode compensar em longo do tempo. Seguem

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

elencados alguns benefícios de custos visíveis dos edifícios sustentáveis de acordo com os proprietários 7 :

»

os custos operacionais diminuem 13,6% em novas construções e 8,5% para edifícios existentes, tendo uma redução média de 30 a 40% em consumos como água e energia;

»

taxas condominiais 25% mais baratas;

»

o valor do edifício aumenta 10,9% em novas construções e 6,8% para edifícios existentes;

»

retorno de investimento médio de 4 anos, e aumento de 9,9% em novas construções e de 19,2% para edifícios existentes;

o

»

locações mais rápidas com aumento da ocupação em 6,4% em novas construções e 2,5% para edifícios existentes;

»

aumento do valor do aluguel pode chegar em 10% em novas construções

e

1% para edifícios existentes;

»

para cada U$1 de economia em operação e manutenção, há aumento de U$10 no valor da propriedade;

»

redução dos riscos;

»

35% menos absenteísmo;

»

redução de turnover;

»

2 – 10% aumento de produtividade;

»

evita problemas associados à síndrome do edifício doente.

Embora ainda não haja, no Brasil, tantas pesquisas relativas a custos x benefícios e poucos dados disponíveis mapeados pelo setor, muitos dos números apresentados acima já se referem a nossa realidade local, tais como o retorno no investimento em 4 anos, o aumento do valor do edifício, taxas condominiais mais baratas e o aumento do valor do aluguel.

Para o setor residencial, menos explorado ainda, o diretor do Secovi-SP, Hamilton Leite, conduziu uma pesquisa que mostra que 61% dos incorporadores consideram

7 Fonte: McGraw Hill Construction (2010). Green Outlook 2011: Green Trends Driving Growth/USGBC/Sustentabilidade. Tendências na Construção Civil Brasileira 2015

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

a transformação de mercado uma das principais razões para o desenvolvimento de empreendimentos sustentáveis.

Figura 36.

desenvolvimento de empreendimentos sustentáveis. Figura 36. Fonte: tornando nosso ambiente construído mais sustentável

Fonte: tornando nosso ambiente construído mais sustentável – Greg Katspdf.pdf. Disponível em: <http://gbcbrasil.org.br/

sistema/docsMembros/121114111145000000683.pdf>.

Valor de Locação (R$/m2/mês)

 

São Paulo

     

Região

LEED

Conv.

 

Alphaville

66.23

54.05

 

Berrini

104.97

98.18

+40%up

Faria Lima

167.11

119.12

 

Jardins

110.00

120.00

 

Marginal

81.66

68.40

 

Vila Olímpia

107.12

107.39

 

(Média SP)

104.52

94.62

+10%up

Valor de Locação (R$/m2/mês)

 

Rio de Janeiro

   

Região

LEED

Conv.

 

Barra

11000

85.30

 

Centro

109.80

104.06

 

Orla

207.73

115.75

 

Zona Sul

170.00

165.83

 

(Média Rio)

146.63

117.74

+24%up

Fonte: GeoImóvel para Revista GBC Brasil. Disponível em: <https://issuu.com/vidaimobiliaria-brasil/docs/gbc_ed_08_web_ completo>.

INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS UNIDADE I

Benefícios informados por proprietários de projetos sustentáveis:

» Melhoras do retorno de investimento: 19,2% em média para projetos sustentáveis de retrofit em comparação com uma média de 9,9% para novos projetos.

Em um estudo realizado com uma amostra de 170 edifícios sustentáveis certificados, nos Estados Unidos, foi realizada uma comparação monetária quantitativa em função da potencial redução da emissão de CO 2 , levando em consideração dois cenários num horizonte de 20 anos: os negócios usuais atuais e um modelo de desenvolvimento dos negócios com construções sustentáveis. O resultado da avaliação é que, em comparação com o modelo atual, o cenário sustentável criaria US$ 650 bilhões a mais em benefícios financeiros líquidos 8 .

Com relação ao impacto na empregabilidade, um estudo também realizado nos Estado Unidos demonstrou que para cada US$1 milhão gasto em contas de serviços

públicos, os serviços relacionados à energia criam três a quatro empregos-ano, direta

e indiretamente. A aplicação do mesmo US$1 milhão em edifícios sustentáveis cria aproximadamente 8 a 12 empregos-ano, direta e indiretamente.

A Tabela 2, retirada do livro Tornando Nosso Ambiente Construído Mais Sustentável, de Greg Kats, ilustra como a economia pode se beneficiar de um investimento de US$1 milhão em construções sustentáveis: mostrando a mudança de despesas em 20 anos, multiplicada pela intensidade de mão de obra por setor. Concluindo que investir na construção sustentável resulta em:

» Mais dinheiro investido em construção;

» Menos dinheiro gasto com tarifas de energia.

A tabela também mostra que o US$1 milhão de investimento geraria um ganho líquido

de 16,4 empregos-ano devido ao aumento de investimento e ao uso mais produtivo da energia e da água. Resultando em um aumento anual médio de aproximadamente 0,8 empregos a cada ano durante 20 anos.

Impacto econômico líquido Em 20 anos resultante de um investimentode US$1 milhão em melhorias de edifícios sustentáveis: Exemplos Ilustrativos.

8 Fonte: Tornando Nosso Ambiente Construído Mais Sustentável, Greg Kats

UNIDADE I INTRODUÇÃO À CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL – IMPACTOS E BENEFÍCIOS

Tabela 2 .

Categoria de

 

Impacto

Montante (milhões)

Multiplicador de

Impacto ao

gastos

 

emprego

emprego

(empregos-ano)

Construção

O

acréscimo de custo da construção

US$ 1,0

12

12,00

sustentável aumenta os gastos com

a

construção

Gastos de consumo

Devido ao acréscimo de custo da construção sustentável, os consumidores gastam menos no curto prazo

US$ 0,6

11

-6,60

Economias de consumo

Devido a economias de energia, os consumidores gastam mais no longo prazo

US$ 1,0

11

11,00

Perda de receitas de empresas de serviços publicos

As receitas de empresas de serviços publicos diminuem devido a economias de anergia

US$ 0,8

3

-2,40

Juros de empréstimos

Juros pagos a bancos sobre empréstimos de construção

US$ 0,3

8

2,40

Empregos líquidos-ano

     

16,40

Fonte: adaptado de Tornando Nosso Ambiente Construido Mais Sustentavel, Greg Kats.

MATERIAIS E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS

UNIDADE II

CAPÍTULO 1

Avaliação do ciclo de vida

Não há como se falar em materiais e tecnologias sustentáveis sem entender o conceito de Avaliação do Ciclo de Vida ou Análise do Ciclo de Vida, como alguns preferem chamar.

A ACV avalia o impacto ambiental de determinado bem (incluindo edificações completas) ou serviço ao longo de todo o seu ciclo de vida: desde a extração das matérias-primas (nascimento), passando por todos os elos da cadeira industrial, distribuição, uso e disposição final (morte), analisando todos os meios: ar, água e solo, e todas as categorias de impacto (que são as classes de preocupação ambiental nas quais os resultados de um inventário de ciclo de vida devem estar relacionados), por isso a ACV é considerada uma ferramenta de caráter sistêmico.

Figura 37.

uma ferramenta de caráter sistêmico. Figura 37. Fonte: Jan Paul Lindner, Universtat Stuttgart, LBP-GaBi.

Fonte: Jan Paul Lindner, Universtat Stuttgart, LBP-GaBi. Disponível em: <http://www.dgnb-system.de/en/>.

UNIDADE II MATERIAIS E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS

A primeira referência conhecida de uma análise do ciclo de vida realizada para um

determinado produto ocorreu em 1965 pela Coca-Cola. A empresa realizou um estudo por meio do Midwest Research Institute (MRI), que objetivava comparar diferentes embalagens de refrigerante e medir os respectivos consumos de materiais, energia e emissões. O processo de quantificação dos recursos naturais e das emissões resultantes desse estudo se tornou conhecido como REPA (Resources and Environmental Profile Analysis). Mais tarde, em 1974, o modelo foi aprimorado pelo próprio MRI, a pedido da EPA, e se tornou um marco para o que hoje se conhece como Análise do Ciclo de Vida (ACV) (Life Cycle Assesment).

Na década de 1980, os estudos tiveram enfoque nas embalagens dos produtos, principalmente dos alimentos, incentivados pelo Green Movement, na Europa, pois havia, então, uma geração muito grande de lixo doméstico, e o objetivo dos estudos era dar enfoque à gestão ambiental e à reciclagem. Muitos estudos foram realizados, mas por não haver metodologia que os regulamentasse, os resultados eram muito divergentes, o que trouxe a necessidade de impor a padronização da técnica de ACV.

Na década de 1990, começam a se estabelecer as primeiras normas ISO, parte da família 14.000, para padronização da metodologia da análise de ciclo de vida. Desta forma, as empresas começam a enxergar e, consequentemente, a investir na ACV pelo seu benefício como ferramenta de gestão.

A ACV é uma ferramenta de tomada de decisão, seja dentro de uma indústria, por

processos produtivos mais eficientes; seja pelo governo, pela troca de bens e serviços que cumpram com regulamentações ou pela imposição de regulamentações e/ou isenções ou políticas de tarifação ligadas à produção mais limpa, rotulagem ambiental; seja por consumidores e/ou sociedade civil com conscientização crítica a respeito de escolhas mais conscientes. A ACV permite a comparação do desempenho ambiental entre bens ou serviços que cumpram uma mesma função, ou dentro de um único processo produtivo; permite focar a análise ambiental sobre a forma como é produzida e, de forma mais ampla, entender quais as interações da organização com o meio externo, ajudando a implementar melhorias no processo com o objetivo de torná-lo ambientalmente mais eficiente, resultando até na revisão das políticas ambientais da empresa. Desta forma, para uso interno, por ser uma ferramenta de gestão, a ACV pode contribuir para que o planejamento estratégico incorpore estratégias ambientais, identifique oportunidade de melhorias e otimização nos processos e minimização dos rejeitos na tomada de decisão, na avaliação de performance ambiental e facilite auditorias internas e externas. E para uso externo, pode ser usada como ferramenta de marketing verde, de transparência de informação, como auxílio na especificação de compras, diferencial de mercado e como um processo que antecede uma certificação ou uma Declaração Ambiental do Produto.

MATERIAIS E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS UNIDADE II

Figura 38.

E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS │ UNIDADE II Figura 38. Fonte: ABNT NBR 14.040. A estrutura da ACV

Fonte: ABNT NBR 14.040.

A estrutura da ACV pode ser dividida em 4 fases:

Objetivo de definição do escopo

Nesta fase, define-se o objetivo do estudo, a função do produto e sua unidade funcional (por exemplo, para uma tinta, quantos m 2 ela é capaz de pintar), as razões para a realização do estudo bem como o público-alvo. Deve-se, ainda, definir o fluxograma do sistema do produto bem como as fronteiras.

No caso da Figura Xi, a fronteira pode ser definida como qualquer uma das linhas pontilhadas, mas foi estudado o ciclo completo da produção de óleo de dendê.

UNIDADE II MATERIAIS E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS

Figura 39. Ciclo de vida de biodiesel do dendê.

Figura 39. Ciclo de vida de biodiesel do dendê. Fonte: <http://www.canalciencia.ibict.br/>. Ciclo de

Fonte: <http://www.canalciencia.ibict.br/>.

Ciclo de vida da produção de biodiesel de dendê:

1.

após pré-germinação na Costa Rica, as mudas são transportadas de avião para São Paulo e de São Paulo para Belém. Em seguida, são transportadas, de caminhão, de Belém para a região de plantio;

2.

etapa do cultivo do dendezeiro;

3.

etapa de extração de óleo.

Análise de inventário

Fase da avaliação do ciclo de vida envolvendo a compilação e a quantificação das entradas e saídas de um sistema de produto ao longo do seu ciclo de vida (NBR ISO

14044:2009).

MATERIAIS E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS UNIDADE II

» ENTRADA: material que entra em um processo elementar.

» SAÍDA: material ou energia que sai de um processo elementar.

Deve ser feita de acordo com a definição do objetivo e atendendo a requisitos da definição de escopo. É a fase que requer o maior esforço.

Tabela 3. Adaptado – Inventário do ciclo de vida para produção de 1 tonelada de óleo de dendê durante a fase de cultivo.

 

Entrada

Saída

Processos

 

Quantidades

 

Quantidades

Recepção

Cacho de frutos frescos

5000 Kg

Óleo de dendê

1000 Kg

Esterilização

Diesel

2,96 Kg

Óleo de palmiste

75 Kg

Debulhamento

Eletricidade

7,5 MJ

Dióxido de Carbono (inorgânico)

24,72 Kg

Digestão

   

Dióxido de Carbono (biótico)

801,37 Kg

Prensagem

   

Metano

0,04 Kg

     

Óxido Nitroso

1,36 Kg

Fonte: <http://www.canalciencia.ibict.br/>.

Tabela 4. Adaptado – Inventário do ciclo de vida para produção de 1 tonelada de óleo de dendê durante a fase de extração de óleo.

 

Entrada

Saída

Processos

 

Quantidades

 

Quantidades

Produção de mudas

Sementes

40 unidades

Cacho de frutos frescos

5000 Kg

Preparo do solo

Fertilizantes

82,15 Kg

Dióxido de Carbono (inorgânico)

9,01 Kg

Plantio

Pesticidas

0,69 Kg

Dióxido de Carbono (biótico)

595,15 Kg

Cuidados com a plantação

Diesel

0,84 Kg

Metano

0,02 Kg

Colheita

Polietileno

0,37 Kg

Polietileno

0,37 Kg

 

Dióxido de Carbono

1647,5 Kg

Óxido Nitroso

 
 

Água

2,23 Kg

   

Fonte: <http://www.canalciencia.ibict.br/>.

Avaliação de impacto

Fase da ACV que visa ao entendimento e à avaliação da magnitude e significância dos impactos ambientais potenciais de um sistema de produto ao longo do ciclo de vida do produto. (NBR ISO 14044).

“Descreve” as consequências ambientais (impactos ambientais) das cargas ambientais (aspectos ambientais) quantificadas no ICV.

UNIDADE II MATERIAIS E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS

Interpretação

Interpretação é a fase em que os resultados da análise de inventário e avaliação de impacto são considerados em conjunto ou apenas na análise de inventário. A fase de interpretação deve fornecer resultados que são consistentes com o objetivo definido no escopo e chegar a conclusões, explicar limitações e fornecer recomendações (traduzido da ISO 14044).

Qual a importância da ACV?

No exemplo do estudo de Biodiesel de dendê, “a pesquisa avaliou a emissão e a absorção de gases que contribuem para o efeito estufa durante o ciclo de produção do biodiesel de dendê. O dendezeiro absorve uma grande quantidade de CO 2 durante o seu crescimento. Essa quantidade chega a ser 10% maior do que a quantidade de CO 2 liberada durante o ciclo de vida dos dendezeiros (30 anos) e ao longo das etapas de produção do óleo. O resultado dessa conta faz com que o dendezeiro possa ser considerado um “sorvedouro de carbono”. A absorção de CO 2 durante o ciclo de produção de mudas, preparo do solo, plantio, cuidados com a plantação (tratos culturais) compensa as emissões desse gás e de outros gases de efeito estufa (GEEs) nas outras etapas do ciclo produtivo.

A pesquisa também mostrou que a substituição de fertilizante químico por orgânico, nas plantações de dendezeiro, reduz a emissão de gases, já que o processo de produção de fertilizantes químicos emite gases de efeito estufa como o metano”.

Desta forma, é possível notar a importância da ACV como ferramenta de gestão, pois possibilita fazer substituições ou adoções de novas tecnologias com base em resultados, como o caso da substituição de fertilizantes químicos por orgânicos. Além disso, favorece uma visão sistêmica, identificando os impactos dos produtos e serviços ao longo de toda a sua cadeia e não somente no momento de extração das matérias-primas ou de produção.

Características da ACV:

» ferramenta de apoio a tomadas de decisões;

» gera informações;

» não resolve problemas;

» avalia impactos associados à função do produto;

» única que compara desempenho ambiental de produto;

» nova, portanto busca consolidação da metodologia.

MATERIAIS E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS UNIDADE II

Limitações:

» falta de metodologia consolidada;

» critérios subjetivos para tomadas de decisões;

» falta de modelos para avaliação de impactos;

» grande número de dados a serem coletados.

Normalização

A diversidade dos resultados apresentados pelos estudos de ACV evidenciou a necessidade de uma padronização de metodologia e do estabelecimento de critérios rígidos que disciplinassem a forma como esses estudos eram conduzidos e levados a público.

Em 1993, a ISO criou o Comitê Técnico TC 207 para elaborar normas de sistemas de gestão ambiental e suas ferramentas. Esse Comitê é o responsável por umas das mais importantes séries de normas internacionais, a série ISO 14.000, que inclui as normas de avaliação de ciclo de vida.

Fazem parte da série ISO 14.000 as seguintes normas:

» ISO14.040 Environmental management – Life Cycle Assessment – Principles and Framework (1997). Estabelece os princípios básicos e requisitos para a realização e divulgação dos resultados de estudos de ACV.

» ISO14.041 Environmental management – Life Cycle Assessment-Goal scope definition and invetory analysis (1998). Detalha os requisitos para o estabelecimento do objetivo e escopo de um estudo de ACV.

» ISO 14.042 Environmental management – Life Cycle Assessment – Life cycle impact assessment (2000). Apresenta os princípios gerais para a realização da avaliação de impactos, a seleção das categorias de impacto; descreve as etapas de classificação e de caracterização.

» ISO 14.043 Environmental management – Life Cycle Assessment – Life cycle interpretation (2000). Apresenta os requisitos e recomendações para a interpretação dos resultados de uma análise de inventário ou avaliação de impacto.

UNIDADE II MATERIAIS E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS

Apesar de ser um estudo de complexa realização, a lógica da ACV é muito simples.

É importante compreender o objetivo por trás de um estudo de ACV para começarmos

a fazer escolhas mais conscientes sobre aquisição de bens e serviços. A lógica da ACV deve estar presente em nossas vidas, e devemos fazer o exercício de compreender

de onde vem e para onde vai cada produto novo que compramos. Será que esses

produtos são realmente necessários? Quais impactos eles causaram na extração de

sua matéria-prima, na produção na indústria, no transporte até a loja, no uso que dei

a eles e no descarte final?

Expandindo esse pensamento para o dia a dia, conseguimos adotá-lo também em nossos trabalhos e, enquanto arquitetos e engenheiros, repensarmos as escolhas de materiais para os nossos projetos.

Segundo o arquiteto e pesquisador colombiano Javier Barona (ano), especialista em construções sustentáveis, “o estudo da Análise de Ciclo de Vida (ACV) tem sido aceito por toda a comunidade internacional como a única base legítima sobre a qual comparar materiais, tecnologias, componentes e serviços utilizados ou prestados”.

componentes e serviços utilizados ou prestados”. Vídeo sugerido:

Vídeo sugerido: <https://www.youtube.com/watch?v=z5bNocDSyfg>.

Estudo de Caso – Performance das janelas de PVC e alumínio ao longo do ciclo de vida

A Fundação Espaço Eco realizou um estudo comparativo, com base na metodologia da ACV, para identificar qual o tipo de janela mais eficiente ao longo de seu ciclo de vida.

O resultado

apresentavam maior eficiência.

apresentado

por

esse

estudo,

demonstrou

que

as

janelas

de

PVC

Como visto anteriormente, o objetivo de uma ACV é sempre realizar comparações de produtos ou serviços que cumpram a mesma função. No caso do presente estudo, foram comparadas duas janelas (PVC e Vidro), do tipo veneziana de correr, na cor branca, constituídas de três folhas: uma folha veneziana móvel, uma folha de vidro móvel com espessura de cinco milímetros e uma folha cega fixa. Para realizar a comparação, detalhou-se todo o ciclo de vida dos produtos, desde a extração das matérias-primas

até a destinação final, com a medição dos impactos causados em cada estágio do ciclo

de vida, a saber:

» produção das esquadrias;

» utilidades;

MATERIAIS E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS UNIDADE II

» montagem;

» instalação;

» manutenção das janelas;

» consumo de eletricidade para funcionamento do ar condicionado;

» destinação final das janelas;

» transportes envolvidos nessas operações.

Considerou-se a mesma vida útil para as duas janelas, o preço de mercado e o custo da utilização do ar condicionado ao longo do dia (para o horário comercial, foram consideradas 10 horas; para o residencial, 14 horas).

Foram levados em conta ainda os aspectos ambientais e econômicos, ao longo de 40 anos, mantendo o ambiente a uma temperatura de 24°C na Região Metropolitana de São Paulo e avaliados os impactos em relação:

» consumo de energia;

» emissões;

» uso da terra;

» potencial de toxicidade;

» potencial de risco;

» consumo de recursos materiais.

O resultado mostrou que a janela de PVC possui melhor desempenho em 10 das 11

categorias ambientais analisadas. Em especial, a categoria “consumo de energia” se

destacou como a de maior relevância no estudo (31%), pois, no processo de produção, a janela de PVC apresenta consumo de energia 2,3 vezes menor em relação à produção

da janela de alumínio. Na montagem, foi observada vantagem da alternativa em PVC

por não precisar de pintura, uma vez que é naturalmente branca, ao contrário da de alumínio, que precisa ser pintada com pintura eletrostática, que consome muita energia elétrica. Além disso, a janela de PVC apresenta maior capacidade de isolamento

térmico e também melhoria em seu desempenho econômico, graças ao menor consumo de energia elétrica com o ar condicionado quando a temperatura externa se afasta da temperatura definida como conforto térmico (24°C).

UNIDADE II MATERIAIS E TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS

As categorias que apresentaram um melhor resultado foram:

» consumo de energia;

» consumo de recursos;

» potencial de toxicidade;

» resíduos sólidos;

» efluentes líquidos;

» uso da terra e potencial de aquecimento global;

» acidificação e formação fotoquímica de ozônio.

Dentre as categorias ambientais, o alumínio só possui melhor desempenho no Potencial de Deformação da Camada de Ozônio.

Embora o resultado do estudo mencionado tenha demonstrado que as esquadrias de PVC são mais ecoeficientes do que as de alumínio, vale reforçar que o estudo é sempre comparativo para dois objetos que cumprem a mesma função dentro de um mesmo cenário. Ou seja, a avaliação foi feita com base no comportamento de ambas as esquadrias para a cidade de São Paulo e levou em consideração todos os impactos ao longo do ciclo de vida para as diversas categorias, com base em indústrias localizadas no interior de São Paulo e na extração de matérias-primas em diferentes locais o Brasil. Desta forma, se as indústrias estivessem em outras localidades do país ou se o estudo fosse realizado para uma cidade ou até mesmo um pais diferente, o resultado seria outro.

Por isso, apesar de a ACV ser importantíssima para auxiliar os profissionais na escolha correta de produtos e serviços, com base em seus impactos ambientais, ela deve ser sempre observada com critério e utilizada para o contexto em que foi estudada.

É difícil, por exemplo, dizer se um mesmo carro é mais eficiente no Brasil do que na China, pois os impactos em relação à extração dos recursos é diferente em cada um desses países, além de a matriz energética também ser diferente, sem levar em consideração os impactos associados ao transporte.

Há alguns anos, os jornais noticiaram que churrasco era mais poluidor do que carros, mas isso é tão absurdo quanto comparar bananas com maçãs. Ou seja, leve sempre em consideração o contexto e as funções!