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Universidade Federal do Rio Grande – FURG

Escola de Engenharia
Grupo de Geotecnia

Técnicas de Reforço para Fundações


Submetidas à Tração

Dr. Cesar Alberto Ruver


Professor-Pesquisador

Novembro/2011
Introdução
Esforços atuantes nas fundações:
• horizontais (em ± x e ± y);
• verticais (compressão e tração);
• momento;
• torção
Introdução
Será dado enfoque...
Fundações sujeitas aos esforços de
TRAÇÃO ...
Estruturas sujeitas aos esforços Torres de transmissão
predominantes de tração
Cataventos

Estruturas atirantadas
em geral

Torres de
telecomunicação Torres eólicas
Tipos
• Cravação: percussão (estacas) , rotação (helicoidal), etc.;
• Sucção;
• Escavação e reaterro: placas de aço, grelhas ou
estruturas de concreto
Assentamento
e reaterro
Escavação
Histórico
• Por volta dos anos 1950: era considerado somente o peso
do solo de uma superfície de ruptura (Ws) + a fundação (Wf)
Q = Ws + W f
Cilindro ou prisma Tronco de cone ou pirâmide

• 0 < α < 2.φ´ (Mors, 1959)


• 0 < α < 30º (Tennesee Valley Authority – TVA)
• α = 30º/FS, FS ~ f(solo) (American Bridge Company – ABC)
Histórico
Porém... (ver exemplo)
16 Carga máxima: 15,95 kgf
14

12
Carga Aplicada (kgf)

10

8
Carga residual: 7,80 kgf
6
(peso da fundação + cone de solo)
4

0
0 2 4 6 8 10 Ensaio realizado na FURG: D=10 cm e H = 10
cm em areia compacta
Deslocamento Vertical (mm)

1) A carga máxima é maior que o peso do cone + a fundação...


Logo, a capacidade de carga (Qmax) não é somente devido ao
peso
2) Superfície de ruptura cônica não linear
Histórico
• Anos 60: peso do solo (Ws) e fundação (Wf) + cisalhamento (Qc);

Qmáx = Ws + W f + Qc

•Balla (1961): superfície circular

Outras
propostas
com o passar
dos anos...
Influência da geometria
• Os autores começaram a pesquisar a influência na capacidade
de carga com o aumento da profundidade  embutimento (H/D)...

Pequenos diâmetros
↑ H (ou H/D) - ↑ Carga

Ghaly et al (1991): resultado


de ensaios com placa-
parafuso com D=50 mm em
areia densa (φ´=40º)
Influência da geometria
• Outro exemplo...

7.5

7.25 kN Diâmetros maiores:


Carrga de arrancamento (kN)

6.0
↑ H (ou H/D) - ↑ Carga
5.24 kN
4.5

3.0

H/D=1.0
1.5 2.69 kN H/D=1.5
H/D=2.0
0.0
0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 Ruver (2011): resultado de
Deslocamento vertical (mm) ensaios com placa com D=30
cm em areia densa
Influência da geometria
Qmáx Q
N= = máx
A.σ v A.H .γ

• ↑ N com ↑ H/D
• até um H/Dcrítico
• após, fica constante

Tagaya et al (1988): resultado


de ensaios areia densa
Influência da geometria

Superfície de Ruptura:
Emerge na Superfície Ruptura Local
H<Hcr H<Hcr H>Hcr

H>Hcr
Hcr

Hcr
Influência da geometria
Superfície de Ruptura:
Emerge na Superfície Ruptura Local
H<Hcr H>Hcr

Ilamparuthi e Muthukrishnaiah (1999)


Influência da geometria
Superfície de Ruptura:
Emerge na Superfície Ruptura Local
H<Hcr H>Hcr

Ilamparuthi e Muthukrishnaiah (1999) e Dickin e Laman (2007)


Influência da geometria
• Variação da carga com o
tamanho da fundação

• ↑ L/B - ↑ Carga

Dickin (1988): resultado de


ensaios com fundação
retangular: largura (B=25
mm), variando o comprimento
(L) e 40.g em areia densa
Influência da geometria
Carga de Arrancamento (kN)

7
6 y = 0.0005x2.4978 • Outro exemplo...
5 R2 = 0.9999
4
3
2
1
0
10 15 20 25 30 35 40 45
Diâmetro da placa (cm)

14
12
N - Fator de Carga

10
8
-0.5022
6 y = 36.768x
4 R2 = 0.9979
2
0
Ruver et al (2011): ensaios
10 15 20 25 30 35 40 45
na FURG
Diâmetro da placa (cm)
Parâmetros Geotécnicos
• Influência da compacidade na carga de ruptura (Qmáxima);
• ↑ Compacidade (↑ φ´, ↓ e) - ↑ Qmáxima

Sakai e Tanaka (2007): resultado de ensaios com placa com D=5 cm em areia
com diferente compacidades
Parâmetros Geotécnicos
• Outro exemplo...
• ↑ Compacidade (↑ φ´, ↓ e) - ↑ Qmáxima

Ilamparuthi e Dickin (2001)


Grau de Compactação
• Metodologia de Grenoble (Martin, 1966; Biarez e Barraud, 1969; outros)

Reaterro melhor Reaterro pior


(ex.: controle de compactação) (ex.: sem controle)
que o solo natural que o solo natural

Q
Q

Ruptura no solo natural Ruptura no reaterro


Capacidade de Carga
Aumento de carga máxima (Qmáximo) esta associado:

1. Geometria: ↑ D (↑ L/B) e/ou ↑ H:


 Custos;
 Questões ambientais;
 Disponibilidade técnica.

2. Propriedades geotécnicas: ↑ φ’, ↑ c’ e/ou ↑ γ


Capacidade de Carga
Reforço/Melhora do Reaterro:
1. Compactação:
2. Substituição material: Argila por areia
Solo por Rocha
3. Reforço com geossintéticos;
4. Reforço com estacas ou grelhas;
5. Reforço com fibras;
6. Estabilização/Tratamento (solo+cimento/Argila+cal)

X = durante reaterro; X = durante/após reaterro


Substituição do Material

• Areia gera sobrepeso


na argila
• ↑ Qmáximo até H/D = 6;
• ↑ H/D > 6, = Qmáximo
• Qdensa > Q fofa (H/D = 9)

Stewart (1985):
Reforço com geossintético
542 N / 13.7mm
Pedra

312 N / 6,7 mm
Geogrelha

Ilamparuthi e Dickin (2001): placa de D = 100 mm


Areia sem reforço
Reforço com geossintético

1. Quanto mais próximo o geossintético da


placa, maior a carga

Bhattacharya et al
(2008): placa quadrada
↓ λ’ = H’/H - ↑ N
de 50 x 50 mm mm
Reforço com fibras

Ruver (2011): fibras


sintética, adição de
0,5%. Comprimento de
50 mm e espessura de
100µm

• ↑ Qmáximo com adição sintéticas;


• Maior deformação com as fibras;
• Maior superfície de ruptura
Adição de Cimento

• ↑ Qmáximo com ↑ % de cimento; Rattley et al (2007):


ensaio de centrífuga
(50g), um dia de cura
• ↑ % de Cimento, ↑ rígido (w/D)
Adição de Cimento +
Geometria
Programa Experimental (Ruver, 2011):
Solo: 5% areia média, 95% areia fina e < 0,5% finos
Cimento: CP-V Ari (teores: 0%, 3% e 7%)
Ensaio de compactação: 10% de w e γ = 17,4 kN/m3;
7 dias de cura;
D = 30 cm e 45 cm e H/D = 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0
Df = 5.D  análise numérica + técnica;

Df = 5.D
Adição de Cimento +
Geometria
Execução (Ruver, 2011):

Escavação e assentamento

Reaterro compactado
Adição de Cimento +
Geometria
Resultados (Ruver, 2011):
1200.0

Areia + 3% cim, D=30cm, H/D=0,5 (ensaio 1)


1050.0
Areia + 3% cim, D=30cm, H/D=1,0 (ensaio 2)
Areia + 3% cim, D=30cm, H/D=1,0 (ensaio 10)
900.0 Areia + 3% cim, D=30cm, H/D=1,5 (ensaios 3)
Areia + 3% cim, D=30cm, H/D=2,0 (ensaios 11)
Tensão (kPa)

750.0

600.0

450.0

300.0

150.0

0.0
0.00% 0.05% 0.10% 0.15% 0.20% 0.25% 0.30%
Deslocamento/Diâmetro da fundação
• ↑ Qmáximo com ↑ H/D;
Adição de Cimento +
Geometria
Resultados (Ruver, 2011):
35.0

30.0
Carga de Arrancamento (kN)

25.0

20.0

15.0
Areia + 3% cim, D=30cm, H/D=1,0 (ensaio 2)
Areia + 3% cim, D=30cm, H/D=1,0 (ensaio 10)
10.0 Areia + 7% cim, D=30cm, H/D=1,0 (ensaio 12)

5.0

0.0
0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0
Deslocamento (mm)
• ↑ Qmáximo com ↑ % cimento;
Adição de Cimento +
Geometria
Resultados (Ruver, 2011):

• ↑ Qmáximo com ↑ % de cimento;

Df = 5.D Deslizamento
na Interface

Ruptura no
reaterro ??? % cim, onde
Qmáx constante!!!
Adição de Cimento +
Geometria
Superfícies de ruptura
(Ruver, 2011):

Ruptura cônica sem cimento


(H/D = 1)
Ruptura com 3% de cimento e H/D = 1
Adição de Cimento +
Geometria
Superfícies de ruptura
(Ruver, 2011):

Arrancamento de todo
reaterro (sem ruptura)
7% de cimento e H/D=1
Adição de Cimento +
Geometria
Resultados (Ruver, 2011):

1400.0

1200.0 D=30cm - 3% cim


D=30cm - 7% cim Areia Cimentada x Areia:
1000.0
D=45cm - 3% cim
• + Cimento : ↑ Qmáx;
Tensão de Máxima (kPa)

D=30cm - sem cimento


D=45cm - sem cimento • 3% Cimento  ↑ Qmáx em 9x
800.0 Ajuste potencial  Df = 5.D;
R2 = 0.9894
• 7% Cimento  ↑ Qmáx em
600.0 13,5x  Df = 5.D;
• + Cimento : ↑ Rigidez;
400.0
• + Cimento : ↓ Deslocamento;
Ajuste logaritmíca
200.0 R2 = 0.9999

0.0
0.25 0.50 0.75 1.00 1.25 1.50 1.75 2.00 2.25
H/D
Principais Conclusões:
Aumento da capacidade de carga em fundações rasas tracionadas:
1. Aumento da geometria  aumento do peso;
2. Melhorar resistência ao cisalhamento  propriedades geotécnicas

• Solos argilosos: controle da compactação


substituir por solo granular;
• Solos arenosos: aumentar compacidade  compactação ou vibração;
• Reforço com geossintético (manta, geogrelha, fibras, etc)
 aumenta pouco a resistência (no máximo 2x)
 aumenta consideravelmente a deformabilidade/flexibilidade
• Material cimentante (ex.: cimento e cinza/cal – em estudo na FURG)
 aumenta consideravelmente a resistência (mais de 10x);
 enrijece o material e ruptura frágil
Bibliografia:
RUVER, C. A. Estudo do Arrancamento de Fundações em Solos Tratados
com Cimento. Tese de Doutorado. PPGEC/UFRGS, Porto Alegre/RS.
Versão Digital: http://hdl.handle.net/10183/28784
(LUME/UFRGS: Repósito Digital)

Projeto de Pesquisa (PROPESP/FURG no 250560/2011): Estudo de


Fundações Tracionadas Reaterradas com Areia Fina Natural e
Tratada com Cinza-Cal

Cesar Alberto Ruver


Professor-Pesquisador

Universidade Federal do Rio Grande – FURG

Rio Grande/RS

cesar.ruver@gmail.com