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Anhanguera Educacional S.A.

Diretoria
Antonio Carbonari Netto
José Luis Poli
Maria Elisa Ehrhardt Carbonari
Alex Carbonari
Marcos Lima Verde Guimarães Júnior
Centro Universitário Ibero-Americano - UNIBERO
Reitor
Prof. Dr. Valmor Bolan
Diretor Executivo
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Diretora Executiva
Dra. Maria Elisa Ehrhardt Carbonari

Secretária-Geral
Viviane Veras

Conselho Editorial Pareceristas ad hoc


Alzira Leite Vieira Allegro (Anhanguera Educacional S.A.)
Lenita Rimoli Esteves (USP) Almiro Pisetta (USP)
Valderez Carneiro da Silva (Anhanguera Educacional S.A.– Mackenzie) Audrei Gesser (UENP)
Adriano Thomaz (Anhanguera Educacional S.A.) Fábio Alves (UFMG)
Jeanne Dobgenski (Anhanguera Educacional S.A.) Kanavillil Rajagopalan (UNICAMP)
Marcelo Augusto Cicogna (Anhanguera Educacional S.A.) Maria Rita Salzano Moraes (UNICAMP)
Thais Costa de Sousa Pagani (Anhanguera Educacional S.A.) Silvana Matias Freire (UFG)
Sueli Fidalgo (PUC-SP)
Conselho Consultivo
Adriana Zavaglia (USP)
Álvaro Hattnher (UNESP)
Ana Elvira Luciano Gebara (Anhanguera Educacional S.A.– FGV)
Anthony Pym (Universitat Rovira i Virgili – ES)
Claudia Dornbusch (USP)
Cleide Maria Bocardo Cerdeira (Anhanguera Educacional S.A.) Maria José Coracini (UNICAMP)
Cristina Carneiro Rodrigues (UNESP) Maria Lúcia Vasconcellos (UFSC)
Deusa Maria de Souza (USP) Maria Tereza Celada (USP)
Douglas Robinson (University of Mississippi – USA) Mário Laranjeira (USP)
Elaine Trindade (UNINOVE) Maurício S. Dias (USP)
Eliana Fischer (USP) Mayra Pinto (Anhanguera Educacional S.A.)
Elisa Duarte Teixeira (USP) Michael Cronin (Dublin City University – IE)
Eva Genk (USP) Neusa Matte (UFRGS)
Flavia Trocoli (UNIANCHIETA) Neuza Vollet (PUC-PR)
Francis Henrik Aubert (USP) Ofir Bergemann de Aguiar (UFG)
Glória Regina Loretto Sampaio (PUC-SP) Paula Christina de Souza Falcão Pastore (Anhanguera Educacional S.A.)
Heloisa Gonçalves Barbosa (UFRJ) Rosemary Arrojo (Binghamton University – USA)
Jiro Takahashi (Anhanguera Educacional S.A.) Stella E. O. Tagnin (USP)
Joaquín García Palácios (Universidad de Salamanca – ES) Vera Lúcia Santiago Araújo (UECE)
John Milton (USP)
Jorge Cáceres (Anhanguera Educacional S.A.) Editoração
José Garcez Ghirardi (Anhanguera Educacional S.A. – FGV) Viviane Veras
Leila Cristina de Melo Darin (PUC-SP)
Arte Final
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Giulianna Carbonari Meneghello (Anhanguera Educacional S.A.)
Marcos A. Fiola (Ryerson University – CA) Ana Augusta Passador (Anhanguera Educacional S.A.)

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Centro Universitário Ibero-Americano - UNIBERO


Av. Brigadeiro Luís Antônio, 871 - Bela Vista, São Paulo, SP
fone/fax: (11) 3188.6700 - tc@unibero.edu.br

Trad. e Comun., São Paulo, n. 17, p. 1-201, setembro 2008.


Anual
Publicação do Centro Universitário Ibero-Americano - UNIBERO, São Paulo, SP, Brasil
ISSN 0101-2789
Sumário
Editorial

Artigos
A constituição identitária do tradutor: a questão da (auto-)censura 7
Maria José Coracini

A ética da apropriação 21
Cristina Carneiro Rodrigues

O papel de Hélène Cixous na divulgação de Clarice, à luz da teoria de Lefevere 29


Alexandra Almeida de Oliveira, Ofir Bergemann de Aguiar

Caliban as the prototype of the postcolonial translator 43


Kanavillil Rajagopalan

X-burger em outdoor: uma questão de fronteiras 49


Olivia Niemeyer Santos

Por um modelo de legendagem para surdos no Brasil 59


Vera Lúcia Santiago Araújo

Volpone, or The Fox, I.v: el juego verbal como artificio retórico y su traducción al
español 77
Jesús Ángel Marín Calvarro

Universals in translation: a look at the Asian Tradition 95


John Milton

A questão da equivalência funcional em tradução juramentada - O caso do


francês da Suíça 105
Maria Emília Pereira Chanut

Violência na linguagem e gestos de tradução: sobre a questão da identidade em


Arundhati Roy 121
Daniel do Nascimento e Silva

“Shakespeare in the bush” - história e tradução 135


Lenita Rimoli Esteves, Francis H. Aubert

Feminicídio: Mal-estar na tradução 161


Nícia Adan Bonatti

Os bastidores da tradução em Survivre, de Jacques Derrida 171


Érica Lima

Traduzir e autorizar: como errar pelo significante 185


Paulo Sérgio de Souza Jr.

Resenhas
O terceiro texto: paradigma da tradução perfeita - Em torno de Sur la traduction,
de Paul Ricœur 195
Maria Emília Pereira Chanut, Nícia Adan Bonatti

Tradução e Comunicação - Revista Brasileira de Tradutores • Nº. 17, Ano 2008


Editorial

Talvez seja demais pedir que – quando possível – cada tradução reconte seu percurso, o modo
como se engendrou, a comemoração do texto que traduziu e que, ainda, nessa travessia, deixe
um lugar para o leitor. Jorge Luis Borges, o homem de letras, acredita nessa possibilidade,
quando afirma que As mil e uma noites vêm sendo traduzidas para línguas européias desde o
início do século XVIII, e que tais noites terão ainda outros tradutores e tradutoras e, portanto,
muitos livros recriando As mil e uma noites, em outras Bagdás, com outros gênios, outros
orientes.
Os 14 artigos e uma resenha reunidos neste número (17) de Tradução &Comunicação,
Revista Brasileira de Tradutores, refazem em passos, cada um à sua maneira, as pegadas
deixadas ao longo de suas travessias, reafirmando, mesmo quando parecem desvelá-lo, o
mistério da escrita. A tradução é tomada em sua arte literária; marcada como forma de
resistência; pensada como escolha ou imposição ética; reconhecida como impossibilidade,
excesso e falta; vivenciada como lugar de desconforto, sob censuras; trasladada para culturas
outras; re-modelada para dar ao surdo brasileiro uma forma de acesso à cultura ouvinte.
A trama do astuto Volpone – escrita no inglês isabelino do poeta e dramaturgo Ben
Jonson – é captada em duas traduções espanholas por Jesús Ángel Marín Calvarro na sutileza
da transposição dos engenhosos jogos de palavras que constituem a comédia e precisam
também fazer rir na língua outra. Alexandra Almeida de Oliveira e Ofir Bergemann de Aguiar
revelam, na leitura de Hélène Cixous, a Clarice feminista que a crítica francesa populariza,
multiplicando as traduções da escritora dos mistérios. A poeta russa Marina Tsvietáieva,
traduzida para o português por Augusto de Campos, faz-se escutar, em outra possível escansão
de seus versos, na transcriação de Paulo Sérgio de Souza Júnior.
A cena da tradução de O deus das pequenas coisas, de Arundhati Roy, lida “de trás
pra frente” com o gesto de escrita de Daniel do Nascimento e Silva, re-escreve no corpo da
língua, na sua morfo-logia, a subversão da língua do colonizador. De fato, ninguém escapa às
cicatrizes da colonização, e é na Ilha expropriada de Caliban que Kanavillil Rajagopalan
descobre – como nas Imaginary homelands de Rushdie – que colonizadores e colonizados são,
ambos, “homens traduzidos”. “The red plague rid you / For learning me your language!” é a
praga de Caliban, dita na própria língua que lhe serviu de alimento, e que vai trespassá-la desse
momento em diante.
A tomada de decisão do tradutor no momento em que escolhe entre domesticar ou
estrangeirizar a obra que traduz constitui o foco do trabalho de Cristina Carneiro Rodrigues,
que se propõe a abordar, a partir do trabalho do historiador, sociólogo, antropólogo, folclorista
e tradutor Estevão Pinto, implicações decorrentes da adoção dessas estratégias tradutórias, que
trazem à luz as complexas relações entre o próprio e o estrangeiro. No caso de traduções
juramentadas, como mostra com clareza o artigo de Maria Emília Pereira Chanut, o que se
impõe ao tradutor é justamente a literalidade e, junto com ela, além da cultura em que essa
língua está inserida, o contexto legal, segundo diferentes sistemas de Direito, o que exige um
material lexicográfico que considere, além da variedade lingüística padrão, as variedades
regionais.
Percorrendo os bastidores da tradução, Erika Lima convida o leitor a experimentar o
entrelaçamento de línguas no texto imarginável de Jacques Derrida, que faz das notas do
tradutor um lugar de questionamento do próprio ato tradutório. É também Derrida o autor
convocado pela tradutora Olivia Niemeyer Santos para discutir a questão dos estrangeirismos e
do apelo à metáfora biológica da auto-imunidade como forma de resistir ao corpo estranho, ao
imigrante ilegal, mesmo que ele acabe fazendo fortuna por aqui. Há também o caso em que a
palavra falta e faz falta, como já fazia na língua em que também chega para nomear a morte da
mulher, o feminicide, traduzido de Le livre noir de la condition des femmes, de Christine
Ockrent, ligado ao mal-estar da tradutora, no título do trabalho de Nícia Adan Bonatti.

Tradução e Comunicação - Revista Brasileira de Tradutores • Nº. 17, Ano 2008


É a presença constitutiva da (auto)censura – da que surpreende aquele que julga ter
domínio sobre o que traduz à que interdita o livre arbítrio – o que entra em cena no tratamento
da constituição identitária do tradutor, traçada por Maria José Coracini no ser/estar entre
línguas, e marcada sempre por sua relação com o outro. A ilusão do domínio é também o que
leva Shakespeare para “o meio do mato”, no trabalho de Lenita Esteves e Francis Henrik
Aubert, que mostra as dificuldades do traslado de Hamlet para um tempo e um espaço que
põem em questão justamente essas categorias, tão naturais para quem vive no mundo
ocidentado.
Com base em pesquisas recentes sobre a tradução na Ásia, John Milton propõe uma
comparação com traduções na América do Sul, em busca de universais; contudo, como seu
trabalho mostra, tais padrões encontram resistências e, no momento em que se encontra a
pesquisa, talvez só se possa afirmar que apenas o ato de traduzir é universal.
Encerrando esta apresentação, um destaque para o trabalho de Vera Lúcia Santiago
Araújo; uma pesquisa cuidadosa e bem fundamentada de diversos tipos de legendagem, em
busca de um tipo mais adequado ao surdo brasileiro, tomando como base as expectativas desse
público.
Além dos artigos apresentados, encontramos também uma resenha (de Maria Emília
Pereira Chanut e Nícia Adan Bonatti) de Sur la traduction, de Paul Ricoeur, autor que põe à
prova o estrangeiro, fazendo prevalecer o desejo sobre o dilema do intraduzível.
Agradecemos a todos os colaboradores deste número, pelo interesse e pelo apoio.
Boa leitura!

Viviane Veras
Editora da Revista de Tradução & Comunicação

Tradução e Comunicação - Revista Brasileira de Tradutores • Nº. 17, Ano 2008

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