Você está na página 1de 10

Terminologia na Solda

A terminologia na soldagem reúne uma série de termos e definições sobre a solda


em todos âmbitos de aplicação, estudo, procedimento, etapas, critérios de soldas,
e etc. Elas estão reunidas em uma norma, AWS A3.0, que é uma norma inglesa e
a mais usual no território brasileiro.
A terminologia na solda é um conteúdo extenso que especifica cada termo técnico
e podem ser consultadas pela Norma AWS A3.0, há ainda a existência de outras
normas, nos quais existe a preocupação de aceitação, e no caso, qual norma é
vigente.

Algumas terminologias dos tipos de solda:


EGW (Electrogas welding) – Soldagem eletro-gás
FCAW (Fluxcored arc welding – Soldagem com arame tubular
GMAW (Gas Metal Arc Welding), mais conhecida como soldagem MIG/MAG (MIG
– Metal Inert Gas) e (MAG – Metal Active Gas)
GTAW (Gas tungsten arc welding) – Soldagem TIG
SMAW (Shielded metal arc welding) – Soldagem com eletrodo revestido
Termo Solda (weld): União localizada de metais ou não-metais, produzida pelo
aquecimento das matérias a temperatura adequada, com ou sem aplicação de
pressão, ou pela aplicação de pressão apenas, e com ou sem o uso de metal de
adição.
Algumas definições:
A abertura raiz é a mínima distância entre as peças a receber a solda. O conjunto
entre as duas peças e a abertura raiz, formam 2 ângulos importantes, o ângulo bisel
e o ângulo do chanfro, sendo esse último o ângulo total de abertura formada pelo
conjunto e a borda das superfícies da peça que irá receber a solda, leva o nome de
bisel.

Figura 1: Abertura da raiz, Ângulo do Bisel, Bisel e Ângulo do Chanfro.


A camada de solda e cordão de soldas são conceitos muito simétricos ligados ao
deposito de passes resultantes para cobrir a região que se quer soldar. Onde
passes resulta de uma progressão sucessiva de uma só poça de fusão.

Figura 2: Camada ou cordão de solda.

Chanfro, em inglês Groove, são técnicas de corte em arestas de maneira oblíqua,


diagonal, em bisel com o intuito de facilitar ou possibilitar a soldagem em toda a
sua espessura.

Figura 3: Tipos de Chanfros mais comuns.

O cobre – junta, termo em inglês backing é um material de apoio que pode ser
colocado junto a raiz ou em ambos os lados para servir como suporte do metal
fundido durante o processo de soldagem. Podendo também ser parcialmente
fundido para melhor apoio e não necessariamente um metal, pode ser carvão,
cerâmica, material granulado (fluxo), cobre etc.

Figura 4:Modelos de Cobre-junta ou Manta junta.

Outro termo interessante na soldagem é a diluição (dilution), trata-se da


modificação na composição química do metal de adição causado pela mistura do
metal base ou metal de solda. A variação a diluição é medida pela percentagem do
metal de base ou metal de base que entra na composição da zona fundida.
Figura 5: Representação da Diluição e equação para o seu cálculo.

Tipos de juntas, entende-se como juntas a região onde duas ou mais peças devem
ser unidas por soldagem. Ou seja, o posicionamento das peças para união
determina os vários tipos de juntas. Tipos mais comuns:

Figura 6: Tipos de Juntas mais comuns.

O termo polaridade direta e polaridade inversa são tipos de ligação para a soldagem
com corrente contínua. Na polaridade direta, os elétrons se deslocam do eletrodo
(considerada como polo negativo) para a peça (considerada como polo positivo).
Já a polaridade inversa, ocorre o contrário, tem-se a peça como polo negativo e o
eletrodo como polo positivo.

Figura 7: Esquematização da polaridade direta e reversa.

A posição da soldagem, relaciona a posição da peça a ser soldada e o eixo da


solda, classificadas em plana, horizontal, vertical (com direções ascendente e
descendentes) e sobre cabeça, comuns para exercício em soldas de topo, filete e
soldas circunferenciais em tubulações. Para o caso de tubulações fixas, as
posições mudam devido ao grau de dificuldade da operação.

Figura 8: Posição e soldagem: Em topo, tubulações e filete.

Em uma seção transversal de uma solda, podemos estudar diversas regiões,


A Zona fundida, referente a região da junta soldada que sofre fusão durante a
soldagem.
A Zona de ligação, é a região da junta soldada que envolve a zona que sofre fusão
durante a soldagem.
E por último o metal de base, metal ou liga a ser soldado, brasado ou cortado.

A zona afetada termicamente, como sendo a região do metal de base que não
participou da fundição durante a soldagem, mas que devido ao calor do processo
afetou suas microestruturas e propriedades mecânicas.
Metal de base
Figura 9: Seção transversal de uma solda de topo por fusão.

A soldagem pode ser classificada em manual, semiautomática (determinada pelo


controle do avanço do metal de adição realizada por um equipamento), mecanizada
(também determinada pelo controle automático da alimentação do metal de adição,
do deslocamento do cabeçote de soldagem pelo equipamento, porem com
supervisão da operação dada por um operador) e automática (toda a operação é
executada e controlada automaticamente), vai de acordo com a forma que é
executada.
Há também a terminologia das descontinuidades, em geral trata-se de interrupções
físicas causadas em um material devido ao aparecimento de trincas ou de um
segundo material como um gás, escória, etc. Essas descontinuidades são
detectadas por ensaios não destrutivos após o processo de soldagem. Nos
basearemos na Norma Petrobras N-1738/97, trata-se de uma norma exclusiva de
uso na Petrobrás e que tratam de variados termos das descontinuidades na
soldagem.

Ângulo excessivo de reforço Desalinhamento

Falta de fusão
Concavidade excessiva

Deposição insuficiente Falta de penetração


Trinca de cratera/ trinca na raiz/ Trinca
ramificada

Inclusão de escória

Porosidade

A Simbologia da Soldagem
Quanto a simbologia na soldagem vem reunir um conjunto de símbolos para
transferir informações, descrevendo as características tais como: geometria e
dimensões do chanfro, comprimento da solda, tipo, formato de solda a ser
desenvolvida, e etc. Essa linguagem de símbolos universais, também especificada
por normas, sendo elas a AWS A2.1, AWS A2.4, e NBR – 5874, vem facilitar a
especificação na solda em projetos fornecendo todas as informações necessárias
à soldagem. Esses símbolos consistem em sinais e números disposto numa forma
particular, segundo a norma:
Linha horizontal de referência, sempre colocada na posição horizontal e próxima
da junta a ser soldada, ela serve para posicionar o símbolo básico da solda,
símbolos suplementares e outros dados.
A seta indica a junta onde receberá a solda, já a Cauda – especificação do processo
de soldagem ou outra referência
A seta quebrada, formada por duas linhas, refere-se a peça a ser chanfrada.

Figura 10: Localização dos elementos de um símbolo de soldagem.

T= Especificação, processo ou outra referência;


S= Profundidade de preparação do chanfro, dimensões ou resistência para determinadas
soldas.
(E)= Garganta efetiva
(N) = Número de soldas por pontos ou de soldas por projeção;
R= Abertura de raiz ou altura do enchimento para soldas de tampão ou fenda;
A= ângulo de chanfro, incluindo o ângulo do escareado para soldas de tampão;
F= Método de acabamento
L= Comprimento de solda
P= Espaçamento entre centros de soldas descontinua.

Símbolos básicos de solda, é uma simbologia básica que classifica a solda em


solda em chanfro, solda em ângulo, solda de aresta, e etc. Esses símbolos se
assemelham ao perfil de solda real.
Quanto ao posicionamento dos símbolos na linha de referência, que vem variar
dependendo da localização da seta sob a junta, podendo ser abaixo da linha de
referência (logo a solda se realiza no mesmo lado que a seta aponta) e acima da
linha de referência (corresponde a uma solda realizada do lado oposto ao que a
seta aponta).
Figura 11: Símbolos básicos mais comuns.

Figura 12: Aplicações e simbologia básica.

Símbolos suplementares de solda, são símbolos que detalham ou explicam alguma


característica do cordão de solda. Em geral, são utilizados em posições específica
do símbolo e soldagem, se necessário. Os símbolos de acabamento da superfície
de solda, como C (rebarbamente), G(esmerilhamento), M(usinagem),
R(laminação), etc.
Figura 13: Símbolos suplementares.

O Dimensionamento de soldas, é representado por números que são posicionados


ao lado do símbolo ou até mesmo dentro deles, indicando a altura da perna da
solda, profundidade, ou ângulo do chanfro, o espaçamento do cordão de solda, a
penetração da solda e etc.

Figura 14: Solda de filete intermitente.

Figura 15: Exemplos de símbolos de soldas em


chanfro.

Figura 16: Exemplo de diversos tipos de soldas e seus respectivos símbolos.

A figura acima são exemplos soldas em chanfro, solda em chanfro entre uma face
plana e uma convexa;
Há também a simbologia para Dimensionamento de um as soldas descontínuas,
juntas de ângulo-soldas em ângulo descontínuos, e etc. A norma detalha cada
simbologia e seus requisitos.

Referências Bibliográficas
FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE TECNOLOGIA DA SOLDAGEM. Inspetor de
soldagem. Rio de Janeiro: FBTS, 1993.

MARQUES P.; MODENESI, P.J; BRCARENSE A.Q. Soldagem: Fundamentos e


tecnologia. 3ª ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009. 363 p.

PETROBRAS. N-1738:DESCONTINUIDADES EM JUNTAS SOLDADAS,


FUNDIDOS, FORJADOS E LAMINADOS. Santa Catarina Brasil. 2003.
AMERICAN WELDING SOCIETY. Sandard welding terms and definitions. Miami:
AWS, 2001 A.3.0. 153 p.

Sy mbols for welding, brazing, and nondestructive examination. Miami: AWS,


1998. A2.4 101 p.

Terminologia E simbologia De soldagem. Disponível em: <


http://cursos.unisanta.br/mecanica/ciclo10/CAPIT5.pdf>. Acesso em Outubro de
2017.

Referências de Soldadura. Disponível em: < http://www.kobelco-


welding.jp/portuguese/education-center/references/references02.html#s03>.
Acesso em Outubro de 2017.