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DIREITO CIVIL

Histórico:

1. Roma = direito da cidade; todo o d. vigente.

2. Era Medieval = Corpus Iuris Civilis; concorrência com o D. Canônico.

3. Séc. IX = ramo do direito privado; designa as instituições disciplinadas no CC.

CC Bras.

Parte Geral Apresenta normas sobre pessoas, bens e fatos jurídicos no


sentido amplo. (arts. 1º a 232)

Parte Especial Regula o direito das obrigações (arts. 233 a 965); o direito de
empresa (966 a 1.195); o direito das coisas (1.196 a 1.510); o
direito de família (1.511 a 1.783) e o direito das sucessões
(1.784 a 2.027).

Livro Compl. Disposições finais e transitórias (arts. 2.028 a 2.046).

Princípios do D. Civil

- personalidade;

- autonomia da vontade;

- liberdade de estipulação negocial;

- propriedade individual;

- intangibilidade familiar;

- legitimidade da herança e do direito de testar;

- solidariedade social.

Histórico dos CC brasileiros


- ideia de codificação do direito civil surgiu com a Independência, em 1822;

- Ordenações Filipinas continuaram a vigorar, aletradas por leis extravagantes (1823);

- CF de 1824 determinou a elaboração dos CC e CP;

- Carvalho de Moeriera, em 1845, apresentou estudo sobre revisão e codificação das leis civis;

- Em 1855, governo imperial encomendou antes da elaboração do CC uma consolidação das leis
civis, a cargo de Teixeira de Freitas, que em 1858 logrou aprovar sua Consolidação das Leis Civis
(1333 artigos);

- No mesmo ano (?) Teixeira de Freitas é contratado para elaborar o projeto do CC, que não foi
aceito por tentar unificar o direito civil com o direito comercial; Teixeira se demite, mas seu
Esboço influencia na elaboração do CC argentino;

- Em 1858 (?) Nabuco de Araújo, ministro da justiça, incumbe-se do projeto, mas morre antes de
completá-lo;

- Felício dos Santos apresenta em 1881 um projeto (Apontamentos, com 2.602 artigos), que
recebe parecer contrário da comissão composta por Lafayette Rodrigues Pereira, Justiniano de
Andarde, Felício dos Santos e outros;

- Essa comissão faz nova tentativa de codofocação, mas com a perda de Justianiano, ribas e o
afastamento de Lafayette, se dissolve em 1886;

- Em 1889 Cândido de Oliveiar, ministro da justiça, noemia comissão, que não chega a terminar
os trabalhos por conta da proclamação da República;

- Em 1890 o ministro da justiça Campos Sales incumbe Coelho Rodrigues de elaborar o projeto,
apresentado em 1893, mas sem se trasnforma em lei;

- Campos Sales, agora presidente, nomeia em 1899 a Clóvis Beviláqua para a tarefa; o jurista
apresenta seu projeto no final daquele ano, ficando em discussão durante 16 anos, sendo
finalmente promulgado em 01/01/1916, vigente a partir de 01/01/1917;

- Mudanças sociais ao longo do século XX exigiram a criação de leis específicas e mais próximas
da realidade (lei do divórcio, união estável, ECA etc.), exigindo a necessidade da revisão do CC de
1916;

- Em 1961 o governo neomeia comissão composta por Orlando gomes, Caio Mário S. Pereira e
Sílvio Marcondes, mas seu projeto, enviado ao Congresso em 1965, é reprovado;

- Em 1976 o ministro da Justiça nomeia nova comissão: Miguel Reale, José Carlos Moreira Alves,
Agostinho Alvim, Sílvio Marcondes, Ebert Chamoun, Clóvis Souto e Silva, Torquato Castro; que
aapresenta em 1972 o anteprojeto de revisão do CC, mantendo a estrutura básica do CC
anterior;
- em 1984 foi publicada a redação final do projeto, recebendo inúmeras emendas por conta da
elaboração/promulgação da nova constituição em 1988;

- Em 2002, após 26 em tramitação, chegou-se à redação definitiva, revogando o CC 1916, a


primiera parte do CCom.

- Nova orientação do D. civil: aspecto mais paritário e um sentido social; legislação especial trata
de questões polêmicas (contratos eletrônico,s consumidor, genoma, união homoafetiva etc.).

Parte Geral do CC

Parte Geral

1. Objeto

- 1.1 Pessoas (sujeitos do D)

- Pessoa natural (arts. 1º a 39)

- Pessoa jurídica (arts. 40 a 69)

- Domicílio (arts. 70 a 78)

- 1. 2 Bens jurídicos (objetos do D)

- 1.2.1 Bens condiderados em si mesmos

- Imóveis (arts. 79 a 81)

- Móveis (arts. 82 a 84)

- Fungíveis e consumíveis (arts. 85 e 86)

- Divisíveis e indivisíveis (arts. 87 e 88)

- Singulares e coletivos (arts. 92 a 97)

- 1.2.2 Bens reciprocamente considerados

- Principais e acessórios (arts. 92 a 97)

- 1.2.3 Bens públicos e particulares (arts. 98 a 103)

- 1. 3 Fatos jurídicos em sentido amplo

- Negócio jurídico (arts. 104 a 184); sua porva (arts. 212 a 232)

- Atos jurídicos lícitos (art. 185)


- Atos ilícitos (arts. 186 a 188)

- Prescrição e decadência (arts. 189 a 211)

2. Funções

- Fixar, para serem aplicados, conceitos, categorias e princípios que produzem reflexos
em todo o ordenamento jurídico;

- Conter normas relativas ao sujeito, ao objeto e à forma de criar, modificar e


extinguir direitos, tornando possível a aplicação da Parte Especial do CC;

- Dar certeza e estabilidade aos seus preceitos, por regular, de modo cogente [=
imperativo], não só elementos da relação jurídica, mas também os pressupostos de
sua validade, existência, modificação e extinção.

LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO (LINDB)

1. Conteúdo da LINDB

- Contém normas sobre normas, assinanando-lhes a maneira de aplicação e


entendimento, predeterminando as fontes de direito positivo, indicando-lhes as
dimensões espácio-temporais.

2. Funções da LINDB

- Regular a vigência e eficácia da norma jurídica, apresentando soluções ao conflito


de normas no tempo e no espaço.

- Fornecer critérios de hermenêutica.

- Estabelecer mecanismos de integração de normas.

- Garantir a eficácia global, a certeza e estabilidade da norma jurídica.

3. Aplicação de normas

- Há subsunção quando o fato individual se enquadra no conceito abstrato contido


na norma; para tanto é necessária a correta interpretação.

- Há integração quando, ao aplicar a norma ao caso, o juiz não encontra norma que
lhe seja aplicável.

4. Interpretação

4.1 Conceito
- É o meio de desvendar o sentido e o alcance da norma jurídica.

4.2 Técnicas de interpretação

- A gramatical, em que o interpréte examina cada termo do texto normativo,


atendendo a pontuação, colocação de vocábulos, origem etimológica etc.

- A lógica, que estuda as normas por meio de raciocínios lógicos.

- A sistemática, que considera o sistema em que se insere a norma,


ralcionando-a com outras relativas ao mesmo objeto.

- A histórica, que procura averiguar os antecedentes da norma.

- A sociológica ou teleológica, que objetiva adaptar o sentido ou finalidade


da norma às novas exigências sociais. (art. 5º).

5. Integração

5.1 Conceito

- É o preenchimento de lacunas, mediante a aplicação e criação de normas


individuais, atendendo ao espírito do sistema jurídico.

5.2 Meios de Integração

5.2.1 Analogia

5.2.1.1 Conceito

- Consiste em aplicar a um caso não previsto diretamente


por norma jurídica uma norma jurídica prevista para
hipótese distinta, mas semelhante ao caso não
contemplado.

5.2.1.2 Espécies

I - Legis, que consiste na aplicação de norma existente


destinada a reger caso semelhante ao previsto.

II - Juris, que se estriba num conjunto de normas para extrair


elementos que possibilitem sua aplicação ao caso concreto
não previsto mas similar.

5.2.2 Costume

5.2.2.1 Conceito
- É a prática uniforme, constante, pública e geral de
determinado ato com a convicção de sua necessidade
jurídica.

5.2.2.2 Condições

- Continuidade, uniformidade, diuturnidade, moralidade e


obrigatoriedade.

5.2.2.3 Espécies

I - Secundum legem é o que está previsto em lei. (ex: CC,


arts. 1.297, § 1º ; 569, II; 597; 615 e 965, I).

II - Praeter legem é o que tem caráter supletivo, suprindo a


lei nos casos omissos (LINDB, art. 4º ; CPC, art. 126).

III - Contra legem é o que se forma em sentido contrário à


lei (ex: desuso ou consuetudo abrogatoria).

5.2.3 Princípios Gerais do Direito

5.2.3.1 Conceito

- São normas de valor genérico que orientam a


compreensão do sistema jurídico em sua aplicação e
integração (LINDB, art. 3º; CC, art. 112; proibição do
locupletamento ilícito etc.)

5.2.3.2 Natureza múltipla

- Decorrem dos subsistemas normativos.

- Originam-se de ideas políticas, sociais e jurídicas vigentes.

- São reconhecidos pelas nações civilizadas os que tiverem


substractum comum a todos os povos ou a algum deles em
dada época histórica.

5.2.3.3 Roteiro de sua aplicação pelo juiz

- O juiz, empregando dedução, indução e juízos valorativos,


deve:

a) Buscar os princípios da instituição a que se refere


o caso.

b) Sendo isto inócuo, os que informam o livro ou


parte do diploma onde se insere a instituição,
depois o do diploma onde se encontra o livro, em
seguida o da disciplina a que corresponde o
diploma, até chegar aos princípios gerais de todo
direito escrito, de todo regime jurídico-político e da
sociedade das nações.

c) Procurar princípios de direito costumeiro.

d) Recorrer ao direito comparado.

e) Invocar elementos de justiça, entrando na seara


da filosofia do direito.

5.2.3.4 Acepções

- Latíssima: seria a suprema regra da justiça a que os


homens devem obedecer.

- Lata: confunde-se com os princípios gerais de direito e com


o direito natural.

- Restrita: seria o ideal de justiça aplicado na interpretação,


integração, individualização judiciária.

5.2.4 Equidade

5.2.4.1 Espécies

- Legal: quando está contida no texto normativo. (ex: CC, art.


1.584; LINDB, arts. 4º e 5º).

- Judicial, quando o legislador implícita ou explicitamente


incumbe ao juiz a decisão, por equidade, do caso concreto
(ex: Lei 9.307/96, art. 11, art. II; CPC, art. 127; CC, art. 1.740,
II).

5.2.4.2 Requisitos

- Autorização legal expressa ou não, o seu emprego decorre


do sistema e do direito natural.

- Inexistência de texto claro e inflexível sobre a matéria.

- O objeto, embora determinado legalmente, deve ser


defeituoso ou obscuro.
- Só se aplica em caso de lacuna depois de esgotados os
recursos integrativos do art. 4º da LINDB.

- Deve estar em harmonia com o espírito que rege o sistea e


com os princípios que informam o instituo, objeto da
decisão.

6. Correção de antinomia jurídica

6.1 Antinomia aparente (critérios: hierárquico, cronológico e da especialidade).

6.2 Antinomia real (LINDB, arts. 4º e 5º).

7. Vigência da Lei no tempo

7.1 Início de sua vigência

- Obrigatoriedade só surge com a publicação no Diário Oficial, mas sua


vigência não se inicia no dia da publicação, salvo se ela assim o determinar.
O intervalo entre a data de sua publicação e sua entrada em vigor chama-se
vacatio legis.

7.2 Duração da vacatio legis

- Prazo progressivo, pelo qual a lei entra em vigor em diferentes espaços de


tempos nos vários Estados do país. (antiga LICC, art. 2º)

- Prazo único, pelo qual a norma entra em vigor a um só tempo em todo o


país, ou seja, 45 dias após sua publicação; tendo aplicação no exterior 3
meses depois de sua publicação (LINDB, art. 1º, § 1º).

7.3 Cessação da vigência

7.3.1 Hipóteses

- A norma pode ter vigência temporária, porque o elaborador fixou o


tempo de sua duração (ex: LDO);

- A norma pode ter vigência para o futuro sem prazo determinado,


durando até que seja modificada ou revogada por outra (LINDB, art.
2º ).

7.3.2 Revogação

7.3.2.1 Conceito

- É tornar sem efeito uma norma.


7.3.2.2 Espécies

I - abrogação, supressão total da norma anterior.

II - Derrogação, torna sem efeito uma parte da lei.

III - Expressa, quando o legislador declara extinta a lei velha.

IV - Tácita, quando houver incompatibilidade entre a lei


velha e a nova (LINDB, art. 2º, § 2º).

7.4 Critérios para solucionar o conflito de leis no tempo

- O das disposições transitórias elaboradas pelo próprio legislador com o


objetivo de resolver e evitar os conflitos emergentes da nova lei com a
antiga.

- O dos princípios da retroatividade e irretroatividada da norma. É retroativa


a norma que atinge efeitos de atos jurídicos praticados sob a égide da norma
revogada. é irretroativa a que não se aplica a qualquer situação jurídica
constituída anteriormente. Não se podem aceitar esses princípios como
absolutos. O ideal seria que a lei nova retroagisse em alguns casos e em
outro não, respeitando o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa
julgada.

8. Vigência da lei no espaço

- Princípios da territorialidade, em que a norma se aplica apenas no território do


Estado que a promulgou.

- Princípio da extraterritorialidade, pelo qual os Estados permitem que em seu


território se apliquem, em certas hipóteses, normas estrangeiras.

- Princípio da territorialidade moderada

- Territorial// (LINDB, arts. 8º e 9º)

- Extraterritorial// (LINDB, arts. 7º, 10, 12, 17).

RELAÇÃO JURÍDICA

1. Conceito

- Segundo Del Vecchio, consiste num vínculo entre pessoas, em razão do qual uma
pode pretender um bem a que outra é obrigada.
2. Elementos

- Sujeito ativo e sujeito passivo.

- Objeto imediato e Objeto mediato.

- Fato propulsor.

- Proteção jurídica.