Você está na página 1de 82

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes

Escola Técnica Aberta do Brasil

Gerência em Saúde
Biossegurança e Controle de
Infecções em Serviços de Saúde
Beatriz Rezende Marinho da Silveira
Lauro Victor Souza de Brito

Ministério da
Educação
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes
Escola Técnica Aberta do Brasil

Gerência em Saúde

Biossegurança e Controle de
Infecções em Serviços de Saúde
Beatriz Rezende Marinho da Silveira
Lauro Victor Souza de Brito

Montes Claros - MG
2010
Presidência da República Federativa do Brasil
Ministério da Educação
Secretaria de Educação a Distância
Ministro da Educação Coordenadores de Cursos:
Fernando Haddad Coordenador do Curso Técnico em Agronegócio
Augusto Guilherme Dias
Secretário de Educação a Distância
Carlos Eduardo Bielschowsky Coordenador do Curso Técnico em Comércio
Carlos Alberto Meira
Coordenadora Geral do e-Tec Brasil
Iracy de Almeida Gallo Ritzmann Coordenador do Curso Técnico em Meio
Ambiente
Governador do Estado de Minas Gerais Edna Helenice Almeida
Antônio Augusto Junho Anastasia
Coordenador do Curso Técnico em Informática
Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia Frederico Bida de Oliveira
e Ensino Superior
Alberto Duque Portugal Coordenador do Curso Técnico em
Vigilância em Saúde
Simária de Jesus Soares

Coordenador do Curso Técnico em Gerência


em Saúde
Zaida Ângela Marinho de Paiva Crispim
Reitor
João dos Reis Canela BIOSSEGURANÇA E CONTROLE DE
INFECÇÕES EM SERVIÇOS DE SAÚDE
Vice-Reitora e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes
Maria Ivete Soares de Almeida
Elaboração
Pró-Reitora de Ensino Beatriz Rezende Marinho da Silveira
Anette Marília Pereira Lauro Victor Souza de Brito

Diretor de Documentação e Informações Projeto Gráfico


Huagner Cardoso da Silva e-Tec/MEC

Coordenador do Ensino Profissionalizante Supervisão


Edson Crisóstomo dos Santos Wendell Brito Mineiro

Diretor do Centro de Educação Profissonal e Diagramação


Tecnólogica - CEPT Hugo Daniel Duarte Silva
Juventino Ruas de Abreu Júnior Marcos Aurélio de Almeda e Maia

Diretor do Centro de Educação à Distância Impressão


- CEAD Gráfica RB Digital
Jânio Marques Dias
Designer Instrucional
Coordenadora do e-Tec Brasil/Unimontes Angélica de Souza Coimbra Franco
Rita Tavares de Mello Kátia Vanelli Leonardo Guedes Oliveira

Coordenadora Adjunta do e-Tec Brasil/ Revisão


CEMF/Unimontes Maria Ieda Almeida Muniz
Eliana Soares Barbosa Santos Patrícia Goulart Tondineli
Rita de Cássia Silva Dionísio

S587b Silveira, Beatriz Rezende Marinho da.


Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde / Beatriz Rezende
Marinho da Silveira, Lauro Victor Souza de Brito. – Montes Claros: Unimontes, 2010.
78 p. : il. ; 21 x 30 cm.

Caderno didático e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes do curso Técnico Gerência em


Saúde.
Bibliografia: p. 76-77.
ISBN 978-85-7739-169-1

1. Ensino superior. 2. Biossegurança. 3. Infecção hospitalar. 4. Serviços de saúde


– Administração. I. Silveira, Beatriz Rezende Marinho da. II. Brito, Lauro Victor Souza
de. III. Escola Técnica Aberta do Brasil – e-Tec Brasil. IV. Centro de Ensino Médio Fun-
damental - CEMF. V. Universidade Estadual de Montes Claros - Unimontes. VI. Título.

CDD 378.007
AULA 1

Alfabetização Digital
Apresentação e-Tec Brasil/Unimontes

Prezado estudante,

Bem-vindo ao e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes!

Você faz parte de uma rede nacional pública de ensino, a Escola


Técnica Aberta do Brasil, instituída pelo Decreto nº 6.301, de 12 de dezem-
bro 2007, com o objetivo de democratizar o acesso ao ensino técnico público,
na modalidade a distância. O programa é resultado de uma parceria entre
o Ministério da Educação, por meio das Secretarias de Educação a Distancia
(SEED) e de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC), as universidades e
escola técnicas estaduais e federais.
A educação a distância no nosso país, de dimensões continentais e
grande diversidade regional e cultural, longe de distanciar, aproxima as pes-
soas ao garantir acesso à educação de qualidade, e promover o fortalecimen-
to da formação de jovens moradores de regiões distantes, geograficamente
ou economicamente, dos grandes centros.
O e-Tec Brasil/Unimontes leva os cursos técnicos a locais distantes
das instituições de ensino e para a periferia das grandes cidades, incenti-
vando os jovens a concluir o ensino médio. Os cursos são ofertados pelas
instituições públicas de ensino e o atendimento ao estudante é realizado em
escolas-polo integrantes das redes públicas municipais e estaduais.
O Ministério da Educação, as instituições públicas de ensino téc-
nico, seus servidores técnicos e professores acreditam que uma educação
profissional qualificada – integradora do ensino médio e educação técnica,
– não só é capaz de promover o cidadão com capacidades para produzir, mas
também com autonomia diante das diferentes dimensões da realidade: cul-
tural, social, familiar, esportiva, política e ética.

Nós acreditamos em você!

Desejamos sucesso na sua formação profissional!

Ministério da Educação
Janeiro de 2010

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 3 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


AULA 1

Alfabetização Digital
Indicação de ícones

Os ícones são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas


de linguagem e facilitar a organização e a leitura hipertextual.

Atenção: indica pontos de maior relevância no texto.

Saiba mais: oferece novas informações que enriquecem o assunto ou


“curiosidades” e notícias recentes relacionadas ao tema estudado.

Glossário: indica a definição de um termo, palavra ou expressão utilizada


no texto.

Mídias integradas: possibilita que os estudantes desenvolvam atividades


empregando diferentes mídias: vídeos, filmes, jornais, ambiente AVEA e
outras.

Atividades de aprendizagem: apresenta atividades em diferentes níveis


de aprendizagem para que o estudante possa realizá-las e conferir o seu
domínio do tema estudado.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 5 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


AULA 1

Alfabetização Digital
Sumário

Palavra do professor conteudista..............................................9


Projeto instrucional............................................................ 11
Aula 1 - Princípios de Biossegurança........................................ 13
1.1 Conceituando Biossegurança....................................... 13
1.2 Aspectos legais....................................................... 16
Resumo.................................................................... 17
Atividades de aprendizagem............................................ 17
Aula 2 - Riscos em ambientes de saúde..................................... 19
2.1 Riscos profissionais................................................... 20
Resumo.................................................................... 25
Atividades de aprendizagem............................................ 25
Aula 3 - Doenças infecciosas.................................................. 27
3.1 Acidentes ocupacionais ou de trabalho........................... 29
Resumo.................................................................... 30
Atividades de aprendizagem............................................ 30
Aula 4 - Como reduzir riscos.................................................. 33
4.1 Normas e precauções padrão ...................................... 34
Resumo.................................................................... 42
Atividades de aprendizagem............................................ 43
Aula 5 - Condutas após acidentes............................................ 45
5.1 Avaliação do acidente............................................... 46
5.2 Cuidados locais....................................................... 46
Resumo.................................................................... 50
Atividades de aprendizagem............................................ 50
Aula 6 – Higiene ambiental e pessoal........................................ 51
6.1 Higiene ambiental................................................... 52
6.2 Higiene pessoal...................................................... 54
Resumo.................................................................... 55
Atividades de aprendizagem............................................ 55
Aula 7 - Meios de controle de microrganismos............................. 57
7.1 Conceitos básicos .................................................... 57
7.2 Assepsia............................................................... 57
7.3 Limpeza e desinfecção de ambiente.............................. 60
Resumo.................................................................... 61
Atividades de aprendizagem............................................ 61
Aula 8 – Gestão dos resíduos dos serviços de saúde....................... 63
8.1 Considerações gerais................................................ 63
8.2 Classificação dos resíduos sólidos................................. 64
8.3 Da geração de resíduos ao transporte externo.................. 65

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 7 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


8.4 Reciclagem........................................................... 68
Resumo.................................................................... 68
Atividades de aprendizagem............................................ 69
Aula 9 - Prevenção e controle de infecções em serviços de saúde...... 71
9.1 História das infecções hospitalares................................ 72
9.2 Legislação brasileira................................................. 73
9.3 Funcionamento da CCIH............................................. 73
9.4 Vigilância epidemiológica........................................... 74
9.5 Prevenção e controle das infecções............................... 74
Resumo.................................................................... 74
Atividades de aprendizagem............................................ 75
Referências...................................................................... 76
Currículos dos professores conteudistas.................................... 78

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 8
AULA 1

Alfabetização Digital
Palavra do professor conteudista

Sejam bem vindos à nossa disciplina!

Estão gostando do curso até agora? Como está sendo a experiência


de fazer um curso técnico a distância? Espero que estejam gostando e apro-
veitando muito.

A partir de agora, estaremos estudando a disciplina de Biossegu-


rança e Controle de Infecções em Serviços de Saúde. Já ouviram falar nesse
assunto antes? Não se preocupem se ainda não o conhecem; em nosso ma-
terial abordaremos o conteúdo de forma objetiva e de fácil compreensão.
Em nossas aulas, buscaremos relacionar o assunto aos trabalhos que vocês,
quando formados no curso Técnico em Gerência em Saúde, poderão exercer.

Salientamos que essa disciplina é de extrema importância na for-


mação de vocês, por abordar temas (que são constantemente citados nas mí-
dias) relacionados à saúde do homem e do meio ambiente (aqui representado
pelo local de serviço). Veremos como realizar nossas atividades sem colocar
em risco nossa saúde, a de nossos colegas de trabalho e a de pacientes.

Como pré-requisitos para o início dos estudos, concordamos que,


somente, interesse e dedicação são necessários. Portanto, vamos nos dedi-
car aos estudos, lendo os textos com atenção, realizando as atividades no
tempo correto e participando das discussões para que possamos aprender e
entender o tema.

Então, não percam tempo! Aproveitem bem nosso material.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 9 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


AULA 1

Alfabetização Digital
Projeto instrucional

Disciplina: Biossegurança e controle e infecções em serviços de


saúde (carga horária: 30h).
Ementa: Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Gestão
de Serviços de Saúde.

CARGA
AULA OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM MATERIAIS
HORÁRIA

• Definir Biossegurança;
• Identificar e exemplificar os usos da
Aula 1.
Biossegurança;
Princípios
• Reconhecer alguns aspectos da - 3h
de Biossegu-
história da Biossegurança;
rança
• Resumir acerca da legislação que
envolve a Biossegurança.

• Identificar e exemplificar os tipos de


ambientes de saúde;
Aula 2. Riscos • Analisar os diferentes riscos exis-
em ambien- tentes nos serviços de saúde; - 2h
tes de saúde • Reconhecer fatores contribuintes
para a existência dos riscos.

• Definir doenças infecciosas;


• Exemplificar fatores contribuintes
para o aparecimento e aumento des-
Aula 3. Doen-
sas doenças.
ças infeccio- - 3h
• Definir acidentes ocupacionais;
sas
• Reconhecer fatores de risco para a
ocorrência dos acidentes ocupacio-
nais.

• Reconhecer a importância das nor-


mas e precauções padrão;
• Reconhecer a importância da
higienização das mãos e do uso dos
Aula 4. Como
equipamentos de proteção individual - 3h
reduzir riscos
e coletivo nos ambientes de saúde;
• Identificar e exemplificar os tipos de
equipamentos de proteção individual
e suas funções.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 11 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


• Reconhecer a importância das con-
dutas adequadas para o atendimento
de vítimas de acidentes de trabalho;
Aula 5. Con- • Resumir acerca das principais
dutas após condutas a serem tomadas após o - 3h
acidentes acidente;
• Identificar os principais cuidados
locais a serem tomados em cada tipo
de acidente.

• Reconhecer a importância da higie-


Aula 6. Higie- ne ambiental e pessoal na prevenção
ne ambiental de doenças; - 2h
e pessoal • Aplicar o tema estudado em situa-
ções do nosso cotidiano.

• Conhecer os principais meios de


Aula 7. Meios controlar os microrganismos;
de controle • Definir a importância da desinfecção
- 6h
de micro- nos serviços de saúde;
-organismos • Resumir e exemplificar os diferentes
tipos de desinfecção.

• Definir resíduos dos serviços de


saúde;
• Diferenciar resíduos de saúde de
resíduos domiciliares;
• Reconhecer a importância de plano
Aula 8.
de gerenciamento de resíduos de
Gestão dos
serviços de saúde;
resíduos dos - 6h
• Resumir as etapas do plano de ge-
serviços de
renciamento de resíduos de serviços
saúde
de saúde;
• Explicar a importância da recicla-
gem para a saúde do homem e do
meio ambiente, em relação aos resí-
duos de saúde.

• Definir infecções hospitalares;


• Resumir acerca da história das
Aula 9.
infecções;
Prevenção e
• Definir vigilância epidemiológica;
controle de
• Reconhecer a importância da exis- - 6h
infecções em
tência de uma CCIH e de uma vigilân-
serviços de
cia epidemiológica para a prevenção e
saúde
controle de infecções em serviços de
saúde.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 12
AULA 1

Alfabetização Digital
Aula 1 - Princípios de Biossegurança

Objetivos
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja
capaz de:

• Definir Biossegurança;
• Identificar e exemplificar os usos da Biossegurança;
• Reconhecer alguns aspectos da história da Biossegurança;
• Resumir acerca da legislação que envolve a Biossegurança.

1.1 Conceituando Biossegurança


Alguém aí sabe o que é ou já ouviu falar sobre a Biossegurança?
Como é sabido, a Biossegurança (que significa Vida + Segurança) é
alvo constante de preocupações e ações que estão ligadas à área da saúde.
A Biossegurança é, atualmente, entendida como um conjunto de procedi-
mentos, ações, técnicas, regras e equipamentos que são capazes de eliminar
ou diminuir riscos que estão ligados às atividades de pesquisa, produção,
ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação dos mais variados serviços.
Tais riscos podem comprometer a nossa saúde, a saúde dos animais, do meio
ambiente ou a qualidade dos trabalhos que desenvolvemos.

Figura 1: Símbolo da Biossegurança.


Fonte: Biorritmo. Disponível em: <http://profjabiorritmo.blogspot.com/2010/08/niveis-de-
biosseguranca.html>. Acesso em 27/09/2010.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 13 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Por ser de extrema importância nas mais diversas áreas de traba-
lho, fala-se que a Biossegurança não possui uma identidade própria; que ela
pode ser entendida como um somatório de conhecimentos, hábitos, compor-
tamentos e sentimentos, que devem ser incorporados pelo homem, para que
esse desenvolva ou para que a gente desenvolva, de forma segura, nossas
atividades. Devido à tão vasta atuação e significados, a Biossegurança está
aliada ou anda junto com a Engenharia de Segurança, a Medicina do Traba-
lho, a Saúde do Trabalhador, a Higiene Industrial, Pessoal e Ambiental e com
a Infecção Hospitalar.
As discussões envolvendo a Biossegurança já existem há muitas dé-
cadas, mas antigamente os assuntos tratados por esse tema eram aqueles re-
lacionados a alguns procedimentos específicos, como a manipulação de orga-
nismos geneticamente modificados (conhecidos também como transgênicos,
como exemplo alguns alimentos); envolviam profissionais ligados a trabalhos
em laboratórios. Então, nem sempre a Biossegurança esteve relacionada aos
riscos envolvendo seres humanos, animais e meio ambiente, como citamos
antes.
Durante a história da humanidade, diversos foram os estudiosos ou
pensadores que criaram teorias para o surgimento e a propagação das do-
enças ou moléstias que afetavam a população de um modo geral. Muitas
Portanto, hoje, a teorias explicavam a propagação das doenças devido a bruxarias, contato
Biossegurança está
presente em qualquer com vapores contaminados, devido ao toque ou o contato com roupas e ob-
atividade onde o risco jetos contaminados, entre outros. Também, foram muitas as ideias de como
à saúde humana esteja
prevenir o contágio das doenças. Com o passar dos tempos e com o apri-
presente.
moramento de muitas dessas ideias, o homem foi descobrindo formas de se
evitar essa propagação, através da diminuição dos riscos nos ambientes de
trabalho, tendo, aí, indiretamente, surgido a Biossegurança.
A Biossegurança é utilizada também em ambientes como indústrias,
hospitais, laboratórios, universidades, entre outros, no sentido de prevenir
riscos/perigos gerados por agentes químicos (substâncias tóxicas), físicos (ra-
diação ou temperatura), ergonômicos (posturais, excesso de peso), biológicos
(agentes infecciosos) e psicológicos (como o estresse).
Outros bons exemplos do uso e da importância da Biossegurança
são as academias de ginástica, as clínicas de estética, os salões de beleza,
as lanchonetes, os consultórios odontológicos e os diversos outros ambientes
presentes em nosso cotidiano.
Em nossa maioria, não nos damos conta ou não percebemos que
estamos cercados de riscos para a nossa saúde e bem-estar; que em peque-
nas ações como comer um sanduíche ou fazer as unhas existem riscos que
podem causar graves doenças.
Quantas de vocês, meninas, têm o costume de ir ao salão de beleza
sem a preocupação de como é feita a limpeza dos materiais que serão usados
em suas mãos, pés, cabelos? Quantas de vocês emprestam seu alicate e/ou
lixa de unha?

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 14
Figura 2: Materiais usados nos salões de beleza.
Fonte: Kátya Santos. Disponível em: <http://katyasantos.com.br/v1/acontece/ver/Coluna+Social+1
8+de+agosto+de+2009>. Acesso em 27/09/2010.

E vocês, rapazes, ao utilizarem aparelhos de uma academia, usam


algum tipo de material de limpeza, como álcool, para limpar esses aparelhos
antes de utilizá-los? E quando frequentam esses “carrinhos de cachorro quen-
te” espalhados pelas ruas? Vocês já pararam para pensar como foi preparado
esse alimento, já pensaram na higiene do ambiente e na do vendedor?

Figura 3: Academia de ginástica.


Fonte: Blog do Armilc. Disponível em: <http://armilc.zip.net/>. Acesso em 29/09/2010.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 15 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Como é sabido, todos esses hábitos, muito comuns, podem ser con-
siderados perigosos para a sua saúde! Sabem por quê?
Os materiais utilizados nos salões de beleza e até aqueles que usa-
mos em casa possuem diversos germes ou micróbios que podem causar e
transmitir doenças quando usados de forma incorreta. Ao usar um alicate de
outra pessoa, esse objeto pode conter algum germe que poderá ser trans-
mitido a você, causando alguma doença; o mesmo vale para lixas de unha,
palitos, entre outros.
O que vale também para os aparelhos de ginástica; devendo, por-
tanto, estar sempre limpos para o nosso uso. Em relação aos sanduíches,
estes podem, quando “sujos”, estragados ou contaminados, causar grandes
problemas de saúde em quem os consome causando desde uma diarréia até
infecções mais graves.
Você já havia pensado sobre esses riscos? Então aproveite para, além
de pensar nesses citados, imaginar outros que existem em nosso dia-a-dia e não
percebemos. Outro exemplo muito importante são os consultórios odontoló-
gicos; quando os materiais usados pelos dentistas não se encontram em boas
condições de uso (limpos e esterilizados – veremos na aula 7) ou são usados
de maneira errada, são importantes fatores de transmissão de doenças para
pacientes e para os próprios profissionais.
Para pensarmos um pouco o quanto é importante a Biossegurança,
você conseguiria imaginar, hoje (com o vasto número de doenças existentes),
como seria o trabalho em algum serviço de saúde sem o uso da Biosseguran-
ça? Como seria cuidar e tratar diferentes pacientes com diferentes doenças
sem a preocupação de nos proteger durante o nosso trabalho? Seria impos-
sível, não é? E porque não nos preocupamos tanto com os riscos em nosso
dia-a-dia? Por que não nos preocupamos mais com a higiene dos ambientes
ou lugares que frequentamos ou com o que comemos ou usamos? Essa é a
preocupação que todos nós temos que ter sempre em mente.

1.2 Aspectos legais


Que tal conhecermos um pouco a respeito da legislação relacionada
à Biossegurança?
Com relação à legislação (leis) internacional, até a década de 80,
tratava-se somente a respeito de micro-organismos geneticamente modifica-
dos. Foi somente a partir de 1980, por meio de muitas discussões e reuniões
em todo o mundo, da criação de muitas leis, portarias e diretrizes envol-
vendo os mais diversos usos da Biossegurança, que o seu foco passa a ser a
proteção dos trabalhadores quanto à exposição a riscos biológicos.
No Brasil, essa nova abordagem só aconteceu a partir de 2002 (através
da Portaria n° 343/GM), que estabeleceu a Biossegurança no campo do Minis-
tério da Saúde. Assim, a biossegurança que utilizamos em nosso dia-a-dia e em
nosso local de trabalho passou a ser aquela percebida em relação à saúde
do trabalhador e da prevenção de acidentes, ou seja, voltada à segurança
ocupacional frente aos riscos existentes (veremos em nossa próxima aula).

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 16
Com a publicação da Norma Regulamentadora (NR) n°32, intitulada
Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde, de novembro de 2005,
o Brasil passa a focalizar de vez o olhar sobre os riscos presentes nos serviços Para o conhecimento
de saúde para os profissionais neles inseridos. integral dessa norma
Essa norma tem como objetivo a prevenção de acidentes ou doen- regulamentadora,
acesse o site: http://
ças em profissionais que trabalham na área da saúde, através de medidas de www.mte.gov.br/
proteção à segurança, sendo que, por um lado, esses trabalhadores possuem legislacao/normas_
direito a medidas de segurança, e, por outro, as instituições possuem obriga- regulamentadoras/

ção de oferecerem esse ambiente seguro aos trabalhadores.

Resumo
• B iossegurança é o conjunto de medidas e ações que visam à
prevenção e/ou a diminuição de riscos em nosso ambiente de
trabalho e em nossas atividades diárias.
• A Biossegurança busca o bem-estar do homem, dos animais e do
meio ambiente.
• A atuação da Biossegurança está presente desde o trabalho em
uma instituição de saúde (hospitais, postos de saúde, laborató-
rios) até ambientes de uso diário, como salões de beleza.
• A história da Biossegurança passou por muitas mudanças, focali-
zando no início a manipulação genética de alimentos, até o foco
nos seres humanos, animais e meio ambiente, como é nos dias
atuais.
• Para adaptar-se a essas mudanças, foram criadas as leis relacio-
nadas à Biossegurança.
• No Brasil, a legislação de maior importância na Biossegurança
em relação ao trabalho em instituições de saúde está represen-
tada pela NR 32.
• A NR 32 destaca a prevenção dos riscos presentes nos serviços
de saúde.

Atividades de aprendizagem
Com base em sua experiência pessoal e considerando as leituras
desta aula, realize as atividades seguintes:

A) Identifique algumas situações no seu dia-a-dia que colocam em risco a


vida das pessoas.

B) Aponte 6 ou mais situações de vida em sua comunidade que contribuam


positivamente para um estado de saúde dos indivíduos.

C) Conceitue Biossegurança.

D) Descreva quais os cuidados que um trabalhador da saúde deve ter para


garantir a sua saúde.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 17 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Informações sobre a próxima aula

Em nossa próxima aula, veremos sobre os diversos riscos existentes


em ambientes de saúde para seus funcionários e clientes.

Não percam e até lá!

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 18
AULA 1

Alfabetização Digital
Aula 2 - Riscos em ambientes de saúde

Objetivos
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja
capaz de:
• Identificar e exemplificar os tipos de ambientes de saúde;
• Analisar os diferentes riscos existentes nos serviços de saúde;
• Reconhecer fatores contribuintes para a existência dos riscos.

Para começar, você sabe o que são os ambientes ou serviços de


saúde?

Os ambientes de saúde ou serviços de saúde são locais que prestam


serviços específicos de saúde à população em geral e onde essa população
busca se recuperar e/ou prevenir doenças. Alguns exemplos desses serviços
são os hospitais, os postos de saúde, os PSF (Programa de Saúde da Família),
os laboratórios, as clínicas, entre outros.

Figura 4: Imagem de um hospital.


Fonte: A Bola. PT. Disponível em: <http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=210883>. Acesso em
27/09/2010.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 19 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Você sabia que até os Serviços de Saúde podem apresentar riscos
para trabalhadores e pacientes?
Pois é verdade, os ambientes de saúde, além de prevenir ou tratar
doenças, podem, também, representar perigo a seus trabalhadores e às pes-
soas que usam seus serviços, ou seja, os pacientes/usuários. Isso acontece
porque os serviços de saúde, além de possuírem uma grande variedade de
ações desenvolvidas, possuem também um grande fluxo de pessoas (sadias e
doentes), diferentes tipos de micro-organismos causadores de doenças e um
grande número de problemas (riscos).
Os serviços de saúde podem ser caracterizados pelo risco de con-
tato com materiais e objetos contaminados (como agulhas com sangue); ma-
nuseio ou descarte inadequado de substâncias contaminantes (como o lixo
hospitalar); a limpeza feita de forma incorreta ou não feita, e até mesmo
a falta de equipamentos necessários para se prevenir os riscos e acidentes
(como os Equipamentos de Proteção Individual, EPI, e os Equipamentos de
Proteção Coletiva, EPC, que veremos na aula 4).
Esses riscos que os ambientes de saúde podem trazer aos trabalha-
dores e usuários são classificados em: riscos profissionais, riscos de aciden-
tes, riscos físicos, químicos, ergonômicos e biológicos.
Vamos estudar cada um deles? Será muito interessante!

2.1 Riscos profissionais


Os serviços de saúde possuem muitas áreas de insalubridade, que
variam de acordo com o tipo de ambiente (laboratório, lavanderia, pronto
Risco: é a probabilidade socorro) ou tipo de trabalho realizado (atendimento a doentes, limpeza, tra-
aumentada de algum balho administrativo).
evento ou situação
ocorrer; pode ser Os riscos profissionais são caracterizados ou exemplificados por to-
considerado um dos os riscos aos quais os trabalhadores estão sujeitos em seu ambiente de
“perigo”.
trabalho, como os citados anteriormente. Tais riscos, como, por exemplo, os
Insalubre: significa
tudo que gera doença; de acidentes, podem ser agravados por problemas administrativos e financei-
a insalubridade é a ros, devido, entre outros, à falta de manutenção de equipamentos.
qualidade de insalubre.
Atividades ou locais
insalubres: são 2.1.1 Riscos de acidentes
condições ou métodos
de trabalho que expõem
os trabalhadores a Esses riscos existem quando o trabalhador e/ou usuários ficam ex-
agentes nocivos (que postos a qualquer situação de perigo que possa afetar sua integridade e
fazem mal) à saúde.
bem-estar físico e moral. Como exemplos desses riscos existem o uso de
máquinas e equipamentos sem proteção adequada, a estrutura física inade-
quada, riscos de incêndio, entre outros.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 20
Figura 5: Funcionária da limpeza em risco de acidente de trabalho.
Fonte: Acervo do autor (2010).

A respeito da figura 5, observe a imagem e reflita se está adequada


a maneira como a funcionária está realizando a limpeza da janela! O que
você orientaria nesta situação?

2.1.2 Riscos ergonômicos

Os riscos ergonômicos estão presentes quando o trabalhador e/ou


usuários ficam expostos a situações que possam afetar suas características
psicofisiológicas, ou seja, situações que possam afetar seu corpo e sua men-
te. Como exemplos podemos citar o trabalho excessivo, a cobrança excessi-
va, o levantamento excessivo de peso, a má postura, os movimentos repeti-
tivos, entre outros.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 21 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Figura 6: Funcionária da limpeza em má postura no trabalho (risco ergonômico).
Fonte: Acervo do autor (2010).

Em relação à figura 6, será que esta posição da funcionária de lim-


peza está correta? Pense quais as consequências para esta trabalhadora!

2.1.3 Riscos físicos

Quando o trabalhador e/ou usuários ficam expostos a diversas for-


mas de energia que possam causar danos em diversas funções do corpo,
então falamos que eles estão sujeitos aos riscos físicos. Os exemplos desse
tipo de risco são a exposição aos Raios X, a altas temperaturas, a materiais
cortantes, ao ruído excessivo, entre outros.

Figura 7: Bancada com materiais cortantes (agulhas, vidros, etc).


Fonte: Acervo do autor (2010).

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 22
2.1.4 Riscos químicos

Os riscos químicos existem quando o trabalhador e/ou usuários en-


tram em contato (através da respiração, ingestão ou contato com a pele)
com substâncias, como poeiras, gases, medicamentos, venenos, entre ou-
tros, que possam causar algum dano ao seu organismo. Alguns exemplos são
os profissionais que trabalham em laboratórios de análises clínicas ou de
manipulação de medicamentos, entre outros.

Figura 8: Profissional paramentada, manipulando produtos químicos (reduzindo o


risco químico).
Fonte: Universitário. Disponível em: < http://www.universitario.com.br/noticias/noticias_noticia.
php?id_noticia=7311http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=210883 > acesso em 27/09/2010.

Figura 9: Profissional paramentada manipulando materiais químicos.


Fonte: Acervo do autor (2010).

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 23 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Observe a paramentação da funcionária da figura 8. Ela está com
uma touca, protegendo os cabelos; com óculos de proteção; com máscara
cobrindo o nariz e boca; com avental de manga comprida e com luvas. Estes
Paramentar-se: vestir-
se com adornos,
são os principais EPI indicados para a segurança do trabalhador.
paramentos; no
exemplo da foto, seria
vestir-se com vestuário
2.1.5 Riscos biológicos
e adornos necessários
ao trabalho, como Quando nos ambientes de saúde estão presentes micro-organismos
o jaleco, óculos de
proteção, luvas e como bactérias, fungos, parasitas e vírus (causadores de doenças infecto-
máscaras. -contagiosas), dissemos que o trabalhador e/ou usuários estão em contato
com riscos biológicos.

Figura 10: Frasco derramando algum tipo de material biológico.


Fonte: SGS in Portugal. Disponível em: < http://www.pt.sgs.com/pt/hazardous_goods?catId=10638
&lobId=30893&type=service>. Acesso em 27/09/2010.

Na figura 10, observamos um frasco derramando algum material


biológico, colocando em risco o profissional que irá manipular este material,
se ele não estiver devidamente paramentado.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 24
Concluindo, independente da função que exercemos, a adoção de
normas e padrões de biossegurança é essencial para a existência de um
ambiente seguro e para a saúde de todos os envolvidos na área da saúde
Como falamos
(trabalhadores e usuários). anteriormente, foi
somente a partir
da década de 1980
Resumo que o enfoque
mundial a respeito da
biossegurança mudou,
• O
s ambientes de saúde são locais destinados a tratamento e pre- passando a tratar de
venção de doenças e agravos de saúde. assuntos ligados à
• O trabalho em serviços de saúde envolve diferentes profissões e saúde do homem e seu
pessoas. trabalho. Essa mudança,
em muito, ocorreu
• Por apresentar grande fluxo de pessoas, de trabalho e de orga- devido ao surgimento
nismos causadores de doenças, os ambientes de saúde represen- da AIDS (Síndrome
tam, também, perigo à saúde de todos neles envolvidos. da Imunodeficiência
• Os riscos em serviços de saúde podem ser classificados, basica- Adquirida) e logo
depois, do primeiro
mente, em profissionais, de acidentes, físicos, químicos, biológi- caso de transmissão
cos e ergonômicos. desse vírus devido a
• A existência e a adoção de normas e rotinas de biossegurança acidentes em ambientes
tornam os ambientes de saúde mais seguros aos funcionários e de trabalho sofridos
por profissionais
usuários.
de saúde. Com tais
acontecimentos,

Atividades de aprendizagem buscou-se aprofundar


mais nos estudos
a respeito da
A) Identifique e liste os serviços de saúde existentes em seu município. biossegurança e dos
riscos profissionais ou
ocupacionais.
B) Classifique os riscos dos ambientes de saúde e dê exemplos dos fatores
contribuintes para a existência dos riscos.

Informações sobre a próxima aula

Em nossa próxima aula, veremos sobre as doenças infecciosas e os


acidentes ocupacionais existentes em ambientes de saúde. Esperamos vocês lá!

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 25 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


AULA 1

Alfabetização Digital
Aula 3 - Doenças infecciosas

Objetivos
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja
capaz de:
• Definir doenças infecciosas;
• Exemplificar fatores contribuintes para o aparecimento e aumen-
to dessas doenças;
• Definir acidentes ocupacionais;
• Reconhecer fatores de risco para a ocorrência dos acidentes ocu-
pacionais.

Alguém sabe o que são germes?


Bem, os germes ou micróbios (micro – pequeno; bio – vida) são or-
ganismos vivos que podem ou não causar algum tipo de doença e que, por
serem extremamente pequenos, só conseguimos vê-los por meio de um mi-
croscópio (aparelho usado para aumentar em muitas vezes o tamanho de
algum material).

Figura 11: Imagem de vírus e bactérias, que podem causar doença.


Fonte: Instituto Nacional de Saúde. Disponível em: <http://www.insa.pt/sites/INSA/Portugues/
AreasCientificas/DoencasInfecciosas/Paginas/inicio.aspx>. Acesso em 27/09/2010.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 27 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Os germes podem ser de vários tipos, como: protozoários (causam
diarréia, doença de chagas, entre outras); fungos (causadores de micose de
pele, frieira, entre outras); vírus (causam AIDS, gripe, hepatite, entre outras)
e bactérias (causadoras da pneumonia, tuberculose, entre outras).
E as doenças infecciosas? Conhecem?
Doenças infecciosas são doenças causadas pelos micro-organismos
que podem ser transmitidas ao ser humano por várias formas (pelo ar, pelo
contato com a pele, com os olhos, através de relações sexuais, entre outras).
As transformações que ao longo dos anos ocorreram no mundo,
Erradicar: eliminar ou como as transformações demográficas, ambientais e sociais facilitaram o sur-
zerar. Em relação às gimento de novas doenças (como a AIDS), novas formas de transmissão e até
doenças, a erradicação
seria a extinção do o retorno de doenças que já não existiam mais - estavam erradicadas (como
agente causador da a cólera e a dengue).
doença (patógeno). É importante ressaltar que muitas dessas doenças causam grande
impacto negativo à saúde de uma população ou de um país, por ainda não
existirem, para elas, formas de prevenção e de cura.
Como dissemos antes, somente a partir do surgimento de novas
doenças e o aumento de outras já existentes é que o rumo da Biossegurança
Há pouco tempo (no mudou e passou a ter mais importância para a saúde de todos.
ano de 2009/2010)
Os ambientes dos serviços de saúde são, muitas vezes, reconheci-
um novo tipo de vírus
da gripe (conhecido dos como locais insalubres, possuindo diversos tipos de agentes infecciosos
como gripe suína ou (vírus, fungos, bactérias e protozoários), somados aos outros riscos que já
H1N1) foi identificado e
assustou todo o mundo, estudamos anteriormente (físicos, químicos, entre outros). A existência de
sendo notícia na mídia tantos problemas nesses locais enfatiza a preocupação em se evitar a trans-
durante muito tempo. missão de doenças (entre elas, o HIV e as hepatites virais [Hepatite B e C],
Imediatamente após
da descoberta desse transmitidas pelo sangue).
novo vírus, medidas
de prevenção foram
tomadas (vacinação,
uso de máscaras e
mudanças de hábitos
de vida) pelos governos
mundiais, devido
ao risco que o vírus
representava aos seres
humanos, podendo
levar, em algumas
circunstâncias, à morte.

Figura 12: Profissional realizando curativo com e sem a paramentação adequada


Fonte: Acervo do autor (2010).

Em relação à figura 11, observe as duas fotos e comente o que está


incorreto na primeira foto!
Essas doenças podem ser transmitidas de um usuário para outro,
de um usuário para o profissional, de um profissional para outro e de um
profissional para o usuário.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 28
Com a evolução da humanidade e, consequentemente, da medici-
na, os estudos que envolvem os agravos de saúde (seus causadores, agravan-
tes, tratamentos e prevenção) têm facilitado o uso de medidas que reduzem
o risco de contaminação e de disseminação de várias doenças infectoconta-
giosas.
Mesmo com toda essa evolução, é importante ressaltar que existem
muitos casos documentados de transmissão de alguns agentes infecciosos
(vírus da hepatite, do HIV, varicela, bactérias causadoras da tuberculose,
entre outros) devido a acidentes com materiais de trabalho (como agulhas)
e/ou através das vias respiratórias, ambos devido à falta ou ao não uso de
materiais de segurança (equipamentos de proteção).

3.1 Acidentes ocupacionais ou de trabalho


Os acidentes ocupacionais acontecem quando os trabalhadores so-
frem algum tipo de acidente devido à exposição a agentes químicos, físicos
ou biológicos.
As exposições ocupacionais a materiais contaminados são um sério
risco aos profissionais em seus locais de trabalho, devido ao grande número
de materiais contaminantes existentes nesses locais.

Figura 13: Equipe paramentada para a prevenção de acidentes e transmissão


doenças.
Fonte: Centro Brasileiro de Implantodondia. Disponível em: <http://www.cbi.odo.br/portugues/
biosseguraca.htm>. Acesso em 28/09/2010.

Você já pensou como seria trabalhar, sem o uso de aparelhos de


proteção, em locais onde exista contato com sangue, agulhas e outros mate-
riais que possam estar contaminados?

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 29 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Entre os tipos de acidentes, estudos mostram que aqueles envol-
vendo sangue e outros fluídos corporais correspondem às exposições mais
frequentemente relatadas (principalmente acidentes envolvendo materiais
Acidente ocupacional
ou de trabalho: é o que
perfurocortantes contaminados).
ocorre pelo exercício Pesquisas mundiais também mostram que entre as principais causas
do trabalho a serviço da de acidentes em ambientes de saúde estão: a instrução inadequada, práticas
empresa, no exercício
de suas atividades, inadequadas, uso incorreto de equipamentos de proteção, falta de higiene
provocando lesão ao pessoal, falta de planejamento do trabalho, o não cumprimento das normas
trabalhador. de trabalho, a falta de manutenção em equipamentos e ambientes, o traba-
Doença ocupacional:
são doenças provocadas lho excessivo, entre outros.
por fatores relacionados Devido a todo esse problema, fica bem claro que evitar o acidente
ao ambiente de
trabalho, causando
por exposição ocupacional é o principal caminho para prevenir a transmissão
alterações na saúde do dos mais diversos tipos de doenças.
trabalhador.
Materiais
perfurocortantes: Resumo
são objetos e/ou
instrumentos que
possuem pontas, bordas • O s germes (bactérias, vírus, entre outros) são micro-organismos
ou cantos, capazes que estão presentes nos ambientes de saúde e que podem cau-
de cortar e perfurar. sar doenças ao homem.
Exemplos: vidros,
• As doenças infecciosas podem ser transmitidas de diversas for-
bisturis, tesouras,
agulhas, entre outros. mas; as principais existentes nos ambientes de saúde são pelo ar
e pelo contato (com a pele, com os olhos e com as mãos).
• A falta de estrutura, o uso inadequado de equipamentos são al-
guns dos fatores que contribuem para o aumento dos acidentes
ocupacionais.
• Os ambientes de saúde são locais insalubres em que o risco de
acidentes e de transmissão de doenças deve ser evitado todo o
tempo.

Atividades de aprendizagem
1) Releia atentamente o texto e discuta com seus colegas os seguintes pon-
tos:

a. Quem é responsável pelos acidentes ocupacionais que ocorrem nos servi-


ços de saúde?

b. O que pode ser feito para reduzir o número de acidentes nos serviços de
saúde?

c. O que você, como profissional, poderia fazer em relação aos riscos e aci-
dentes em ambientes de serviços de saúde?

2) Converse com profissionais de saúde de seu município sobre os riscos no


ambiente de saúde. O que a prática deles pode ensinar a você?

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 30
Informações sobre a próxima aula

Em nossa próxima aula, aprenderemos como nos proteger e reduzir


os riscos em ambientes de saúde.
Aguardamos você lá!

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 31 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


AULA 1

Alfabetização Digital
Aula 4 - Como reduzir riscos

Objetivos
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja
capaz de:
• Reconhecer a importância das normas e precauções padrão;
• Reconhecer a importância da lavagem das mãos e do uso dos
Equipamentos de Proteção Individual e Coletivo nos ambientes de saúde;
• Identificar e exemplificar os tipos de equipamentos de proteção
individual e suas funções.

O que devemos fazer para reduzirmos os riscos em nosso ambiente


de trabalho?
Como trabalhadores da saúde, em nossas mais diversas atividades,
devemos estar sempre atentos aos riscos a que estamos sujeitos. Devemos
lembrar que em nosso ambiente de trabalho estão presentes várias situações
de risco que podem colocar a nossa saúde e a dos usuários em condições de
perigo.
Exemplos importantes desses riscos são os referentes aos materiais
biológicos (sangue, secreções, urina, fezes, escarro e tantos outros que po-
dem estar presentes nos pacientes ou em equipamentos), por representarem
a maior parcela de acidentes ocupacionais envolvendo os trabalhadores e
usuários da saúde.

Figura 14: Algumas formas de Proteção usadas no dia-a-dia dos serviços de saúde.
Fonte: Acervo do autor (2010).

Podemos observar na figura 14 alguns tipos de proteção utilizados


em nosso serviço de saúde que são de grande importância para a prevenção

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 33 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


de acidentes. O uso de luvas, a caixa para descarte de material perfurocor-
tante e o uso de vestuário adequado são alguns exemplos muito importantes
para nossa proteção.

4.1 Normas e precauções padrão


Já ouviu falar sobre esse assunto?
Diversas são as formas de proteção que podem ser usadas em nosso
dia-a-dia. Em seu conjunto, as medidas de proteção são chamadas de Nor-
mas e Precauções Padrão, sendo constituídas por cuidados e equipamentos
que irão evitar o contato direto dos trabalhadores, usuários e ambiente de
trabalho com os micro-organismos que poderão causar algum tipo de doença
ou problema de saúde.
Com o maior conhecimento a respeito das formas de transmissão
dos micro-organismos e dos meios de se evitar a contaminação de pacientes,
profissionais e ambientes/equipamentos vão se tornando mais eficazes, redu-
zindo, assim, a propagação das infecções.
Como meios para se evitar essa contaminação, temos a higiene pes-
soal (com ação de maior importância nesse aspecto, a lavação adequada e
rotineira das mãos), o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI),
como luvas, botas, aventais, máscaras e óculos (utilizados quando existe o
risco de contato com materiais biológicos e/ou químicos), e os Equipamentos
de Proteção Coletiva (EPC), como extintores de incêndio, caixa de primeiros
socorros e chuveiros de segurança.
Outras medidas importantes de precauções padrão envolvem o con-
trole adequado do lixo hospitalar (veremos na aula 8), a segurança no des-
carte de materiais perfurocortantes (agulhas, vidros) em recipientes adequa-
dos, a manipulação adequada de roupas contaminadas e a descontaminação
adequada e eficiente de equipamentos e superfícies.

Figura 15: Vacinação de um funcionário (profilaxia para doenças).


Fonte: Diário do Nordeste. Disponível em: <http://diariodonordeste.globo.com/materia.
asp?codigo=641030>. Acesso em 28/09/2010.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 34
A vacinação, como medida profilática, também é de extrema im-
portância para profissionais de saúde. Esses profissionais devem ser vaci-
nados contra o tétano e a hepatite B, doenças que podem ser transmitidas
através dos acidentes de trabalho.

4.1.1 Lavagem de mãos

Quantos de vocês têm o hábito de lavar as mãos antes de comer ou


após o uso do banheiro? Por quê? E no trabalho, também tem esse costume?
Como seres humanos e, principalmente, por estarmos na condição
de trabalhadores da saúde, nossas mãos são nossos principais instrumentos
de trabalho; nas tarefas diárias, tocamos os mais diversos objetos e/ou pes-
soas possíveis e, assim, entramos em contato com uma infinidade de germes
presentes nesses locais.

Figura 16: Passo a passo da lavagem das mãos.


Fonte: Prevervida. Disponível em: <http://www.prevervida.com.br/Arquivo/20091101/asp/
Principal.asp?Tipo=90&cod_conteudo_site=16>. Acesso em 27/09/2010.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 35 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Ao manipularmos pessoas, objetos e materiais diferentes, estamos
trocando, também, na maioria das vezes sem percebermos, diferentes micro-
-organismos; assim, o risco de levarmos germes contagiosos ou infecciosos
Durante a ameaça
de epidemia do vírus para outras pessoas, outros ambientes ou até para nós mesmos é enorme.
H1N1 (como vimos na Algumas medidas importantes para se interromper essa cadeia de
aula 3), o uso do álcool
transmissão são:
para higienização
das mãos foi muito • A lavagem correta das mãos com água e sabão sempre que ne-
difundido, despertando cessário;
a população em geral • Antes e depois do contato com usuários, materiais/objetos/equi-
para os benefícios do pamentos contaminados;
uso deste produto e
para a interrupção da • Antes e depois do uso de luvas;
transmissão da doença. • Sempre que apresentar sujeira visível.
Tais medidas eliminam as sujeiras que aderem às mãos durante nos-
sas atividades diárias, visíveis ou não.
Além da lavagem das mãos, o uso (após a lavagem) do álcool (glice-
rinado, gel) tem grande importância na diminuição do número de organismos
causadores de doenças presentes nas mãos.

4.1.2 Equipamentos de Proteção Individual (EPI)

Alguém sabe falar o que são esses equipamentos? Já viram ou usa-


ram algum?
São equipamentos que têm como função proteger a saúde e a inte-
gridade física do trabalhador durante a realização de atividades diárias, de
acordo com as necessidades do trabalho, do tipo de exposição e dos riscos
presentes.
Os EPIs podem variar de acordo com o tipo de trabalho exercido,
mas todos com a mesma função, proteger o trabalhador dos acidentes de
trabalho. Como exemplo, podemos citar os trabalhadores da construção ci-
vil; eles utilizam capacetes, cintos de segurança, botas e luvas de material
mais grosso e resistente. Você já observou algum trabalhador com este tipo
de equipamento?
Os principais tipos de EPIs utilizados em serviços de saúde são: lu-
vas, máscaras, óculos, avental/jaleco, toucas/gorro, calçados etc.
Vamos estudar cada um?

4.1.2.1 Luvas

As luvas mais utilizadas nos ambientes de saúde são dos tipos:


a) Luvas de procedimento: são limpas (não estéreis) utilizadas du-
rante a manipulação de objetos/materiais e superfícies contaminadas e em
procedimentos em que existe o risco de contato com materiais biológicos
como sangue, secreções e fluídos corporais.
b) Luvas cirúrgicas: são estéreis, utilizadas durante a realização de
procedimentos invasivos (como cirurgias) e manipulação de material estéril
(curativos, suturas, entre outros).

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 36
Esterilização: é o
processo físico ou
químico que elimina
todas as formas de
vida microbiológica
(bactérias, esporos,
vírus e fungos)
existentes nos
materiais. Um objeto
é considerado estéril
quando passa por este
processo (veremos mais
na aula 7).
Não estéril: um objeto é
considerado não estéril
quando não passou
por um processo de
esterilização; quando o
processo não foi eficaz
ou quando ocorreu
contato do material
estéril com algum tipo
de microrganismo.
Figura 17: Tipos de luvas.
Fonte: Acervo do autor (2010)

c) Luvas de toque ou de plástico: podem ou não ser estéreis, tam-


bém são utilizadas em procedimentos em que existe o risco de contato com
materiais biológicos como sangue, secreções e fluídos corporais. Exemplo:
exames ginecológicos.
d) Luvas de borracha: estão indicadas para limpeza de materiais e
de ambiente.
As luvas, de um modo geral, nos protegem em procedimentos que
envolvem sangue, secreções, fluidos corporais, durante a manipulação de
objetos contaminados, entre outros.
Em relação ao uso das luvas, a lavagem das mãos antes e após o uso
das mesmas sempre é recomendada; elas devem ser trocadas sempre após
contato com algum tipo de material biológico, entre atividades diferentes,
entre pacientes diferentes e serem removidas logo após o uso, para que não
ocorra a disseminação de micro-organismos em outros ambientes (exemplo:
maçanetas de portas, balcões, roupas, entre outros).

4.1.2.2 Máscaras

As máscaras, assim como as luvas, também podem ser de vários


tipos, de acordo com a necessidade de uso; as mais comuns em ambientes
de saúde são:
a)Máscara cirúrgica (de uso único, sendo desprezada após o uso):
mascara de pano, que têm como função a proteção do funcionário (boca e
nariz): contra gotículas (respingos) contaminadas provenientes da boca (tos-

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 37 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


se, espirro, fala) de usuários, respingos durante a limpeza de materiais e equi-
pamentos durante suas atividades e no manuseio de produtos químicos ou em
locais onde haja o risco de entrar em contato com estes tipos de produtos.

Figura 18: Máscara cirúrgica.


Fonte: Alibaba.com. Disponível em: <http://portuguese.alibaba.com/product-gs/surgical-
mask-204825109.html>. Acesso em 27/09/2010.

b) Máscara N95: é uma máscara com mais camadas de material,


tendo uma capacidade de filtração maior (partículas menores) que a cirúr-
gica; pode ser utilizada períodos maiores do que a máscara comum, desde
que seca, íntegra e limpa. São utilizadas em situações especiais, como por
exemplo, por profissionais de saúde em isolamento de pacientes com tuber-
culose, sarampo, varicela, etc.

Figura 19: Máscara N95.


Fonte: Multiply. Disponível em: <http://warken.multiply.com/journal/item/1708/1708>. Acesso: 27/09/2010.

4.1.2.3 Óculos de proteção

Os óculos têm como função a proteção do trabalhador (proteger


seus olhos) dos mesmos riscos citados nas máscaras: contra gotículas (res-
pingos) contaminadas provenientes da boca (tosse, espirro, fala) de usuários,
respingos durante a limpeza de materiais e equipamentos, durante suas ati-
vidades e no manuseio de produtos químicos ou em locais onde haja o risco
de entrar em contato com estes tipos de produtos.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 38
Figura 20: Óculos de proteção.
Fonte: Acervo do autor (2010)

4.1.2.4 Avental/jaleco e gorro/touca

O jaleco também varia de tipo de acordo com a função ou com o


tipo de proteção esperada:
O jaleco de plástico é utilizado em área de lavagem de materiais,
tendo como função a proteção contra a umidade e respingos;

Figura 21: Jaleco ou avental de tecido.


Fonte: Eu trabalho seguro.com. Disponível em: <http://eutrabalhoseguro.blogspot.com/2010/02/
uso-de-jaleco-fora-do-ambiente.html>. Acesso em 27/09/2010.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 39 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


O de pano/tecido (não estéril) protege a roupa e a pele do traba-
lhador contra as sujeiras comuns do ambiente de trabalho e sujeiras como
respingos (sangue, secreções, entre outros) que podem ser gerados duran-
te algum tipo de procedimento; jaleco impermeável e estéril (chamado de
capote) que é utilizado em ocasiões onde se exige a utilização somente de
materiais estéreis (cirurgia, por exemplo) devido ao grande risco de trans-
missão de algum microorganismo que venha a causar danos tanto para o
usuário (infecções hospitalares, como veremos mais adiante) quanto para os
profissionais envolvidos no procedimento.
O gorro ou touca são utilizados para proteger o trabalhador contra
possíveis poeiras, respingos, entre outros e, para a proteção do usuário/pa-
ciente em procedimentos considerados estéreis, evitando-se, assim, o risco
de contaminação do procedimento e, consequentemente, do paciente.

Figura 22: Gorro ou touca.


Fonte: GIBA. Disponível em: <http://www.gibaaluguel.com.br/site/galeria/popup.php?idfoto=127>.
Acesso em 27/09/2010.

4.1.2.5 Calçados

Os calçados a serem utilizados em ambientes de saúde são os fe-


chados e, de preferência, impermeáveis, para evitar o contato da pele do
trabalhador com algum tipo de material contaminante (materiais biológicos,
por exemplo).
As botas de borracha são utilizadas quando o ambiente ou a ati-
vidade desenvolvida apresentam muita umidade, como para a equipe de
limpeza.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 40
Figura 23: Bota de borracha.
Fonte: Acervo do autor (2010)

É importante ressaltar, sobre os EPIs, que de acordo com a Norma


Regulamentadora 32 (citada na aula 1), os profissionais deverão ter disponí-
veis, em suas instituições de trabalho, para seu uso tais equipamentos em
número suficiente, inclusive para troca imediata quando necessário.

4.1.3 Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC)

E esses, você conhece ou já viu algum?


São equipamentos com a função de proteger um número maior de
trabalhadores contra acidentes ou minimizar os danos causados por esses
acidentes; são de uso coletivo.

Figura 24: Extintor de incêndio.


Fonte: DM Extintores. Disponível em: <http://www.dmextintores.com.br/05.html>. Acesso em
27/09/2010.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 41 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Como exemplos de EPCs, temos os extintores de incêndio (previnem
tragédias controlando o fogo), lava olhos (usados em situações de emergência
envolvendo acidentes com os olhos), caixa de primeiros socorros (indispen-
sável em qualquer empresa ou instituição para prestar os primeiros cuidados
ao acidentado) e o chuveiro de segurança (utilizado para retirar pela água,
materiais que estão em contato com o corpo), entre muitos outros.

Figura 25: Pia lava olhos.


Fonte: Seton. Disponível em: <http://www.seton.com.br/aanew/produtos/secao.asp?sitegrpid=31&
sitefamid=3110&sitesubid=311030&clickmenu=>. Acesso em 27/09/2010.

Resumo
• O s ambientes de saúde são locais reconhecidos também por
apresentarem variados riscos a trabalhadores e usuários, ou
seja, por serem locais insalubres.
• Para a redução dos diversos riscos, existem as precauções pa-
drão, que são constituídas por atitudes, normas, cuidados e
equipamentos que visam à proteção das pessoas envolvidas nos
serviços de saúde de micro-organismos causadores de doenças.
• Uma das formas mais importantes e simples de proteção contra
a transmissão de doenças nesse meio é a lavagem rotineira e
adequada das mãos.
• Os equipamentos de proteção podem ser divididos em individual
(protege o trabalhador durante a realização de suas atividades)
e coletivo (quando tem a função de proteger um número maior
de pessoas).
• Com o uso adequado dos EPIs e EPCs e seguindo de forma ade-
quada as normas e precauções padrão, conseguiremos nos pro-
teger da maior parte dos riscos a que estamos sujeitos em nosso
dia-a-dia.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 42
Atividades de aprendizagem
A) Reflita sobre o que leu nesta aula e sintetize quais as medidas de pre-
venção que um trabalhador da saúde deve adotar para evitar que ocorram
acidentes em seu trabalho.

B) Registre em uma pequena redação porque é importante a lavagem das


mãos na nossa vida cotidiana e quando se trabalha em serviços de saúde.

Informações sobre a próxima aula

Em nossa próxima aula, veremos as condutas e os cuidados a serem


adotados após os acidentes ocupacionais.
Continue se esforçando e chegaremos lá!

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 43 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


AULA 1

Alfabetização Digital
Aula 5 - Condutas após acidentes

Objetivos
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja
capaz de:
• Reconhecer a importância das condutas adequadas para atendi-
mento de vítimas de acidentes de trabalho;
• Resumir acerca das principais condutas a serem tomadas após o
acidente;
• Identificar os principais cuidados locais a serem tomados em cada
tipo de acidente.

Você sabe o que fazer diante de um acidente de trabalho? Sabe


quais as etapas a serem seguidas?
Após o acidente, depois de tomada todas as medidas de socorro
adequadas, deverá ser feita a notificação (comunicação) do acontecido. Essa
notificação será feita imediatamente à chefia, para que o acidente possa
ser avaliado o mais rápido possível e para que sejam tomadas as medidas
cabíveis, como a avaliação do acidente, instalação de medidas profiláticas e
notificação pelos setores responsáveis, Serviço de Controle de Infecção Hos-
pitalar (SCIH) e Vigilância Epidemiológica.

Figura 26: Imagem de primeiros socorros.


Fonte: Blog Professor Robson. Disponível em: <http://professorrobsoncosta.blogspot.
com/2009/01/srie-record-primeiros-socorros-o-que.html>. Acesso em 27/09/2010.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 45 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Os passos a serem seguidos são a notificação do acidente, que aca-
bamos de ver, a avaliação do acidente e a prestação de cuidados locais.

5.1 Avaliação do acidente


O acidente deverá ser analisado pela equipe responsável (S.C.I.H./
Vigilância Epidemiológica/Médico do Trabalho) ou outro setor que cuide da
saúde do trabalhador, em relação ao tipo de material envolvido e ao tipo de
acidente.
a) Em relação ao material envolvido (biológico, por exemplo), al-
guns fluídos e secreções são considerados de risco, pois podem transmitir
Profilaxia: vem
algum tipo de doença (HIV, Hepatites), neste caso são exemplos: o sangue, o
da palavra grega
(prophylaxis), sêmen, as secreções vaginais, entre outros.
significando a aplicação b) Quanto ao tipo de acidente, pode ser observado o contato com
de meios para se
evitar doenças ou
materiais perfurocortantes (lesionam o local de contato) como agulhas, pin-
sua disseminação ou ças e tesouras contaminadas com sangue ou outros líquidos; o contato direto
propagação. da pele, olhos, boca ou algum ferimento com esses fluídos que podem estar
Medida profilática: é
uma medida utilizada contaminados.
para impedir a É importante ressaltar que as medidas profiláticas pós-exposição
interação entre agentes
(após o acidente) não são totalmente eficazes; o que enfatiza ainda mais a
causadores de doença e
o organismo humano (o necessidade da implementação de ações educativas permanentes, que fami-
que causaria a doença). liarizem os trabalhadores com as precauções básicas e os conscientizem da
necessidade de empregá-las adequadamente, como medida mais eficaz para
a redução do risco de infecções em ambientes de saúde.
Após acidente envolvendo material contaminado, a profilaxia com
uso de alguns medicamentos pode evitar a transmissão de doenças.
A transmissão da AIDS e da Hepatite B, com o uso de vacinas e
imunoglobulina, pode ser evitada. O uso ou não da profilaxia para tais doen-
ças, deve ser considerado de acordo com o tipo de exposição, gravidade do
acidente, profundidade da lesão, tempo decorrido desde o acidente, entre
outros.
Medidas de extrema importância que devem ser sempre tomadas
para a prevenção de acidentes são as conhecidas como Precauções Básicas,
sendo utilizadas quando existe o risco de contato com algum material que
possa transmitir algum tipo de micro-organismo (como sangue, excreções e
secreções).
Você conhece alguém que sofreu algum tipo de acidente de tra-
balho? Caso conheça, pergunte a ele se foram realizadas essas etapas de
atendimento.

5.2 Cuidados locais


Em qualquer tipo de acidente de trabalho, a prestação de forma
rápida e adequada dos primeiros socorros pode determinar as consequências
do acidente (podendo minimizar problemas e preservar a vida do acidentado).

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 46
Após um acidente ocupacional, alguns cuidados com o trabalhador
ou usuário devem ser tomados imediatamente. Entre esses, quando se trata
de acidentes envolvendo material biológico, o cuidado com a área exposta é
de extrema importância ao retirar o material que estiver em contato com o
acidentado; sendo, então, essencial a lavagem abundante com água ou soro
fisiológico dos olhos, boca e pele envolvidos.

Figura 27: Prestação de primeiros socorros.


Fonte: Aquadive. Disponível em: <http://www.aquadive.com.br/aquadivev02/portugues/cursos/
PageRecreativos.aspx?KeyResource=28>. Acesso em 27/09/2010.

Após os cuidados iniciais, deve-se dar destaque à fase de orien-


tações e aconselhamento ao acidentado, em que são expostos os riscos de
transmissão de doenças, o possível uso de medicação para prevenir essa
transmissão e outros aconselhamentos.
Agora aprenderemos um pouco sobre os principais tipos de aciden-
te de trabalho em serviços de saúde?

5.2.1 Vítimas de acidentes com materiais biológicos

Os ambientes dos serviços de saúde são locais onde, de forma dire-


ta ou indireta, os profissionais estão lidando com sangue, secreções e excre-
ções corporais (chamados materiais biológicos). Tais materiais podem estar
contaminados com microorganismos causadores de doenças (vírus e bacté-
rias, por exemplo).

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 47 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Assim, mesmo com o uso de equipamentos de proteção (precauções
padrão), ainda estamos sujeitos a acidentes com exposição a esses materiais
biológicos.
É importante frizar que acidentes envolvendo materiais biológicos
são sempre prioridade de atendimento, devido ao risco de transmissão de
doenças como o HIV e Hepatite B.
Após a exposição ao material, recomenda-se:
• Contato com mucosas:
• Olhos: lavar abundantemente durante 5 minutos com solução
fisiológica.
• Boca: durante 5 minutos, lavar abundantemente com água,
bochechando e desprezando repetidamente.
• Contato com pele:
• Íntegra: durante 5 minutos, lavar abundantemente com água
corrente e sabão comum. Após secar com toalha, aplicar ál-
cool a 70% e aguardar secar espontaneamente.
• Lesionada:
• Dermatite, escoriação ou ferimento prévio: lavar abun-
dantemente durante 5 minutos com água corrente e sa-
bão. Não aplicar álcool.
• Lesão perfurante (agulha): se apresentar sangramento,
deixar sangrar por pouco tempo e, a seguir, lavar com
água e sabão por 5 minutos.
• Lesão cortante (vidro, bisturi): limpeza, antisepsia e sutu-
ra (se necessário).

5.2.2 Vítimas de acidentes com materiais perfurocor-


tantes

Os materiais perfurocortantes mais comuns nos serviços de saúde


são as agulhas, vidros, lâminas, entre outros que podem estar contaminados
com fluídos orgânicos.
Como a pele humana é considerada a nossa principal barreira de
proteção, os cuidados em acidentes que lesionam esse órgão devem ser re-
dobrados, sendo necessários cuidados imediatos.
O primeiro e mais importante cuidado local após um acidente desse
tipo é a lavagem com água corrente ou soro fisiológico do local afetado. Po-
derão ser usadas, também, em alguns casos, soluções antissépticas (álcool,
clorexidina).
Após os primeiros cuidados, o acidentado deverá ser encaminhado
para atendimento médico.
Como os acidentes com materiais cortantes podem causar muitos
danos à saúde, a principal maneira de se evitar ou diminuir o número de aci-
dentes desse tipo é através do uso dos equipamentos de proteção individual
(EPI) indicados.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 48
5.2.3 Vítimas de queimaduras

As vítimas de queimaduras podem apresentar lesões causadas por


calor excessivo (como fogo e materiais muito quentes), por frio intenso (va-
pores congelados), por substâncias corrosivas (ácidos e outras substâncias
químicas), entre outras.
O primeiro cuidado a ser tomado com a vítima de calor excessivo
é o resfriamento do local lesionado (com água ou soro fisiológico, frios). A
remoção de objetos (anéis, pulseiras, sapatos) e de vestuário só deverá ser
feita se esses não estiverem aderidos à pele. A área queimada deverá ser
coberta com panos limpos e úmidos.

Figura 28: Pessoa vítima de queimadura.


Fonte: Portal Costanorte.com. Disponível em: <http://www.portalcostanorte.com/v1/blogs/dicas/
guia_de_primeiros_socorros.html>. Acesso em 27/09/2010.

É importante ressaltar que, em acidentes envolvendo fogo e ener-


gia elétrica, o socorro a ser prestado a vítima traz perigo a quem irá prestar
o atendimento; este devendo ser feito somente após tomadas medidas de
segurança.

5.2.4 Vítimas de acidentes com substâncias químicas Em algumas empresas


e instituições
hospitalares existe a
a) Contaminação dos olhos “pia lava olhos” (um
Nos acidentes envolvendo os olhos, a rapidez do início dos primei- tipo de Equipamento
de Proteção Coletiva),
ros socorros pode determinar a gravidade da lesão. O primeiro cuidado a ser utilizado para a lavagem
tomado é a lavagem abundante do olho afetado com água corrente ou soro dos olhos após contato
com algum material
fisiológico por pelo menos 10 minutos.
prejudicial.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 49 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


O olho afetado, após a lavagem, deverá ser tampado utilizando-se
gaze e esparadrapo e o acidentado encaminhado à avaliação médica.

b) Contaminação de roupas
Após contato das roupas com algum material contaminante, elas
deverão ser retiradas e a vítima encaminhada para processos de desconta-
minação, como o banho em “chuveiro de segurança” (aparelho utilizado para
retirar materiais impregnados no corpo humano) por pelo menos 15 minutos.
Após essas condutas, o acidentado deverá ser encaminhado para avaliação
médica.

Resumo
• A s condutas a serem tomadas após um acidente de trabalho de-
vem ser rápidas e efetivas para diminuir os riscos de complica-
ções à vítima.
• É importante estar atento ao tipo de material envolvido no aci-
dente para que as medidas e cuidados sejam tomados de manei-
ra correta.
• É de extrema importância, também, a comunicação do acidente
para que sejam tomas as medidas de notificação, encaminha-
mento e tratamento.

Atividades de aprendizagem
A) Analise o dito popular “é melhor prevenir que remediar”. Como podemos
aplicá-lo aos serviços de saúde?

B) Tente imaginar a reação de um trabalhador ao se acidentar com uma


agulha contaminada oriunda de um paciente com Hepatite B. Descreva como
seria esta reação.

Informações sobre a próxima aula

Na próxima aula, estudaremos sobre higiene ambiental e pessoal.


É uma aula muito importante para nosso dia- a-dia! Então, não percam!

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 50
AULA 1

Alfabetização Digital
Aula 6 – Higiene ambiental e pessoal

Objetivos
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja
capaz de:
• Reconhecer a importância da higiene ambiental e pessoal na pre-
venção de doenças;
• Aplicar o tema estudado em situações do cotidiano.

Você sabe o que é ter uma boa higiene? Você se preocupa com isso?
A higiene se relaciona com as formas de se conservar a saúde e
prevenir as doenças, procurando, continuamente, o bem-estar físico e social
do indivíduo e a integridade do ambiente.

Figura 29: Higiene das mãos.


Fonte: Ecolab. Disponível em: <http://www.ecolab.com/br/M-Varejo-Higiene.asp > Acesso 27/09/2010.

Os termos higiene e limpeza começaram a fazer parte das preo-


cupações dos serviços de saúde há mais de 250 anos, devido a alguns estu-
diosos relacionarem a sujeira (presença de germes) com o grande índice de
infecções hospitalares ocorridos na época. Notava-se que, quando os proce-
dimentos cirúrgicos hospitalares eram realizados em ambientes sem o devido
cuidado com a higiene pessoal e também do ambiente, ocorriam mais casos
de infecção do que quando comparado com locais onde os mínimos processos
de limpeza eram utilizados.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 51 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Essa descoberta, da redução das infecções através da limpeza, hi-
giene e desinfecção, foi o primeiro passo para o constante estudo de novas
formas e novos produtos que possam tornar o ambiente de saúde mais sau-
dável e seguro para trabalhadores e usuários, além do bem-estar proporcio-
nado por um ambiente limpo.

6.1 Higiene ambiental


O principal objetivo da higiene é a remoção da sujeira, além da
manutenção de um ambiente limpo. Essas funções da higiene são de ex-
trema importância nos ambientes de saúde, devido aos riscos que micro-
-organismos, presentes na sujeira, podem representar à saúde. Esses micro-
-organismos, quando presentes, podem ser transmitidos a profissionais e a
usuários através do contato direto ou pela poeira suspensa no ar, podendo
resultar em doenças ou infecções hospitalares.
Vocês conseguem imaginar como seria trabalhar em um ambiente
sujo, empoeirado e, ainda, com o risco de transmissão de doenças?
Para facilitar a limpeza dos ambientes dos serviços de saúde (pro-
cessos de limpeza e desinfecção), eles são classificados de acordo com o
risco de contaminação que cada área (críticas, semicríticas e não críticas)
apresenta aos profissionais e aos usuários dos serviços.

6.1.1 Áreas críticas

Locais onde existem pacientes graves, elevado número de proce-


dimentos médicos e, maior número de infecções. Como exemplos, temos
os centros cirúrgicos, as unidades de tratamento intensivo (UTI), bancos de
sangue, laboratórios, entre outros.

6.1.2 Áreas semicríticas

São locais onde também existem pacientes internados, mas com


É importante para o menor risco de transmissão de infecções. Exemplos são as enfermarias, os
profissional que irá ambulatórios, sala de curativos, banheiros, entre outros.
trabalhar nos serviços
de limpeza procurar nas
instituições de saúde 6.1.3 Áreas não críticas
as normas e rotinas de
limpeza (frequência,
tipo de material São aquelas áreas em que não existe o risco de transmissão de
utilizado, entre outros) infecções, não sendo ocupadas por pacientes, ou áreas destinadas somente
que são preconizadas
em suas diversas áreas à realização de exames. Os exemplos são: o almoxarifado, as recepções, os
e equipamentos. serviços administrativos, as salas de RX, entre outros.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 52
Figura 30: Higiene do ambiente.
Fonte:Tomki. Disponível em: <http://www.tomki.com.br/produtos.php?cod_categoria=conjunto_
balde_esp>. Acesso em 27/09/2010.

A limpeza deve ser realizada em:


QUADRO 1
Frequência da Limpeza Concorrente
Classificação das áreas Frequência mínina
Áreas críticas 3x por dia; data e horário preestabelecidos e sem-
pre que necessário
Áreas não-críticas 1x por dia; data e horário preestabelecidos e sem-
pre que necessário
Áreas semicríticas 2x por dia; data e horário preestabelecidos e sem-
pre que necessário
Áreas comuns 1x por dia; data e horário preestabelecidos e sem-
pre que necessário
Áreas externas 2x por dia; data e horário preestabelecidos e sem-
pre que necessário

Fonte: BRASIL, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2010. Segurança do paciente em serviço
de saúde: limpeza e desinfecção de superfícies/Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Lembrando que nosso ambiente de trabalho pode ser dividido em:


• Área física - piso, paredes, teto, portas e janelas;
• Mobiliário - cadeiras, mesas, balcões, macas, bancadas e pias;
• Equipamentos - televisores, aparelhos de RX, ultrassom, entre outros;
• Artigos hospitalares - instrumentos cirúrgicos, utensílios para
exames, entre outros.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 53 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


6.2 Higiene pessoal
Os cuidados básicos de higiene, além de mostrar uma boa aparên-
cia, também são considerados sinais de saúde. Entretanto, às vezes nos de-
pararmos, em alguns estabelecimentos de saúde, com trabalhadores “mal
vestidos”, com cabelos despenteados, com unhas grandes e esmaltadas, en-
tre outros.
Muitas doenças, principalmente as de pele, decorrem de falta de
higiene. O descuido com a higiene pessoal é ainda fator muito comum nos
dias de hoje, sendo a aparência a primeira impressão que passamos para os
outros.
Entre os cuidados básicos de higiene, os principais ou as principais
regras que estão relacionadas com o trabalho em ambientes de saúde são:
• O banho diário;
• Retirar todos os acessórios como anéis e pulseiras antes de ini-
ciar a jornada de trabalho, pois eles são possíveis fontes de ger-
mes;
• Lavar sempre as mãos após quaisquer trabalhos de limpeza, an-
tes das refeições, ao verificar sujeira visível nas mãos, antes e
após a utilização do banheiro, ao término do dia de trabalho;
• É importante, também, realizar a antissepsia das mãos com so-
lução alcoólica a 70% glicerinado ou álcool gel quando as mãos
não apresentarem sujidade visível.
• Manter as unhas sempre curtas e limpas; é importante, em rela-
ção à remoção de cutículas, que se aguarde um intervalo de 24
horas para voltar ao trabalho, pois a sua retirada pode facilitar
a entrada de microrganismos;
• Manter as unhas sempre curtas e limpas; lembrando que as cutí-
culas não devem ser removidas, pois podem facilitar a entrada
de micro-organismos;
• Quando tiver cabelos longos, estes devem ser presos antes do
início do trabalho, pois podem desprender-se e ser encontra-
dos em locais inadequados como pratos de pacientes, roupas de
cama, etc. levando à contaminação;
• O uso de avental/uniformes limpos; sendo importante que o ves-
tuário seja de cor clara para que apareça a sujidade.
Portanto, a higiene ambiental e pessoal são fatores que influen-
ciam diretamente a saúde das pessoas, sejam elas trabalhadoras da saúde
ou usuárias desses serviços. O descuido com a higiene, além da distorção da
aparência física ou do ambiente, aumenta a disseminação de doenças pro-
vocadas por micro-organismos presentes na sujeira. Tal descuido, na maioria
das vezes, ocorre devido à falta de orientação em relação aos hábitos de
higiene ou pela não cobrança de sua eficácia.
A existência, nos serviços de saúde, de normas a respeito da reali-
zação da limpeza do ambiente e o incentivo ao funcionário quanto a sua hi-
giene pessoal, são fatores indispensáveis para que possamos ter nosso corpo
e ambiente de serviço saudáveis.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 54
Resumo
• A
higiene é uma das principais maneiras de se evitar a transmis-
são de doenças em ambientes de saúde.
• A higiene ambiental relaciona-se com a limpeza das diferentes
áreas hospitalares, removendo a sujeira e reduzindo os riscos de
contaminação de profissionais e usuários.
• As áreas hospitalares são classificadas em críticas, semicríticas e
não críticas, dependendo dos riscos de transmissão de doenças
apresentado.
• A higiene pessoal é considerada sinal de saúde, favorecendo a
boa aparência e a diminuição de doenças causadas por micro-
-organismos presentes na sujeira.
• É indispensável a existência de protocolos e normas a respeito
das rotinas de limpeza nos serviços de saúde.

Atividades de aprendizagem
De acordo com o risco de contaminação das áreas dos serviços de
saúde, classifique as áreas abaixo:
• AC= Área Crítica;
• SC= Área Semicrítica;
• NC= Área Não Crítica.

A) Almoxarifado ( )
B) Unidades de emergência ( )
C) Hemodiálise ( )
D) Unidade de queimados ( )
E) Enfermarias ( )
F) Serviços administrativo ( )
G) Recepção ( )
H) Consultórios ( )
I) Laboratório ( )
J) Farmácia ( )
K) Ambulatório ( )
L) Centro obstétrico ( )
M) Lavanderia ( )

Informações sobre a próxima aula

Na próxima aula, veremos como controlar os microrganismos atra-


vés das ações de limpeza, descontaminação, desinfecção, esterilização.
Não percam!

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 55 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


AULA 1

Aula 7 - Meios de
Alfabetização controle de microrga-
Digital
nismos

Objetivos
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja
capaz de:
• Conhecer os principais meios de controlar os microrganismos;
• Definir a importância da desinfecção nos serviços de saúde;
• Resumir e exemplificar os diferentes tipos de desinfecção.

7.1 Conceitos básicos


É importante lembrar que os micro-organismos podem ser trans-
mitidos de várias formas, entre elas: de pessoa para pessoa ou através de
superfícies e equipamentos de uso comum do serviço. Também é importante
ressaltar que, entre as medidas de prevenção dessa transmissão, estão as O assunto limpeza,
desinfecção e
mais importantes: a lavagem adequada e rotineira das mãos pelos profis- esterilização e suas
sionais de saúde, a limpeza, a desinfecção e a esterilização adequada do relações com casos de
transmissão de doenças
material a ser utilizado para os procedimentos e a limpeza e desinfecção do
é algo tão importante
ambiente. que existe uma
Vamos conhecer um pouco sobre os diferentes métodos de contro- legislação brasileira
e mundial a respeito
lar os micro-organismos? do assunto; nessa
Os casos de infecções que ocorrem em ambientes de saúde, como legislação são indicados
hospitais, em grande parcela, podem ser associados a uma desinfecção ina- e preconizados
os tipos ideais de
dequada de ambientes e de objetos ou artigos médicos. procedimentos para
Os procedimentos que são indicados estão classificados em: limpe- cada tipo de ambiente e
equipamento.
za, desinfecção e esterilização. Estes procedimentos são de extrema impor-
tância para a prevenção da disseminação de doenças em serviços de saúde.
Alguém aí já ouviu falar de assepsia e antissepsia? Sabem qual a
diferença entre elas?

7.2 Assepsia
É um procedimento realizado com o emprego de um conjunto de
medidas utilizadas para impedir a penetração de micro-organismos (conta-
minação) em local que não os contenha.

7.2.1 Antissepsia

É o processo de eliminação ou inibição do crescimento dos micror-


ganismos na pele e mucosas (boca, olhos, etc) humanas.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 57 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Como exemplos temos:
a) A antissepsia cirúrgica das mãos: que é o processo que remove
e destrói micro-organismos que adquirimos através do contato com objetos
contaminados, e reduz a flora residente (bactérias que fazem parte de nossa
pele) das mãos dos profissionais;
b) A degermação: consiste na remoção ou redução de bactérias da
pele por limpeza mecânica (esfregação) e agentes químicos (antisséptico com
sabão).

7.2.2 Descontaminação

É o processo utilizado em artigos/objetos (pinças, tesouras) conta-


minados ou em superfície ambiental (chão, bancadas, camas), a fim de des-
truir micro-organismos patogênicos (que podem causar doenças), tornando-
-os seguros ao manuseio.
É realizada antes de se iniciar o processo de limpeza e tem por ob-
jetivo proteger as pessoas que irão proceder à limpeza desses objetos.
A descontaminação pode ser realizada por processo químico (co-
locando os artigos em solução desinfetante antes da limpeza), por processo
mecânico (usando uma máquina chamada de termodesinfectadora), ou, ain-
da, por processo físico (colocando o artigo/objeto em água fervente durante
30 minutos).

7.2.3 Limpeza

Consiste no processo de remoção de toda matéria orgânica (sujei-


ra) dos artigos, utilizando água e sabão, detergentes ou produtos chamados
enzimáticos.

Figura 31: Limpeza de material cirúrgico.


Fonte: Biológica Consultoria Integrada. Disponível em: <http://www.selobiologica.com.br/
protocolo.asp>. Acesso em 27/09/2010.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 58
A limpeza é o primeiro passo para um processo de esterilização
eficiente, devendo ser realizada imediatamente antes da desinfecção ou es-
terilização.
A presença de matéria orgânica nos artigos, como óleo, gordura,
pus e outras secreções, protege os micro-organismos do contato indispensá-
vel com a substância utilizada para matá-los (substância esterilizante).

7.2.4 Desinfecção

É o processo de destruição de micro-organismos (com exceção de


alguns micro-organismos mais resistentes, chamados de formas esporuladas),
existentes em superfícies inertes (sem vida, como bancadas), mediante a
aplicação de agentes químicos ou físicos.

Quadro 2
Produtos de Limpeza e Desinfecção de Superfícies em Serviços de Saúde
Produtos de limpeza/
Indicação de uso Modo de usar
desinfecção
Técnica de varredura úmida
Água
ou retirada de pó
Água e sabão ou deter- Friccionar o sabão ou deter-
Limpeza para remoção
gente gente sobre a superfície
de sujidade
Água Enxaguar e secar
Desinfecção de equipa- Fricções sobre a superfície a
Álcool a 70%
mentos e superfícies ser desinfetada
Desinfecção de equipa- Após a limpeza, imersão ou
Compostos fenólicos
mentos e superfícies fricção. Enxaguar e secar.
Desinfecção de equipa- Após a limpeza, imersão ou
Quaternário de amônia
mentos e superfícies fricção. Enxaguar e secar.
Compostos liberadores Desinfecção de superfí- Após a limpeza, imersão ou
de cloro ativo cies não-metálicas fricção. Enxaguar e secar.
Oxidantes, Ácido
peracético (associado
Desinfecção de super- Após a limpeza, imersão ou
ou não a peróxido de
fícies fricção. Enxaguar e secar.
hidrogênio )

Fonte: BRASIL, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2010. Segurança do paciente em serviço
de saúde: limpeza e desinfecção de superfícies/Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

7.2.5 Esterilização

É o processo de destruição de todas as formas de vida microbiana


(bactérias, fungos, vírus e até os mais resistentes), com a finalidade de pre-
venir infecções e contaminações decorrentes de procedimentos cirúrgicos e
invasivos.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 59 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Figura 32: Central de material esterilizado (local para preparar e esterilizar o
material hospitalar).
Fonte: Comentários em Enfermagem. Disponível em: <http://comentariosemenfermagem.
blogspot.com/2009/05/nocoes-basicas-de-central-de-material.html>. Acesso em 28/09/2010.

A esterilização pode ser realizada por:


a) Processos químicos: através da imersão dos artigos em substân-
cias químicas como o glutaraldeído, o formaldeído e o ácido peracético;
b) Processos físicos: através do vapor saturado ou úmido (equipa-
mento chamado autoclave - oferece maior segurança e economia), calor seco
(equipamento chamado estufa) e por raios gama (realizado em indústrias);
c) Processos físico-químicos: realizado em autoclave com o uso,
principalmente, do óxido de etileno.

7.3 Limpeza e desinfecção de ambiente


Depois do que vimos você sabe diferenciar limpeza de desinfecção?
A limpeza ou lavagem é a remoção de sujeira de paredes, do piso,
do teto, dos móveis e de equipamentos, com o uso de água e detergente.
É um processo fundamental que antecede a desinfecção e necessá-
rio para que essa ocorra corretamente.
É importante ressaltar que a limpeza mecânica com detergente
elimina em torno de 80% dos microrganismos, sendo que os desinfetantes
químicos eliminam entre 90% e 95%.
Já a desinfecção é um processo de destruição de micro-organismos
existentes em superfícies sem vida, através da aplicação de agentes físicos
e químicos.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 60
Tipos de limpeza:
a) Limpeza Concorrente: é aquela realizada diariamente e/ou quan-
do necessário, em todas as unidades, com ou sem a presença de pacientes.
b) Limpeza Terminal: é aquela realizada após alta, óbito ou trans-
ferência do paciente; objetivando a redução dos micro-organismos do am-
biente e consequentemente sua contaminação, além de deixar o ambiente
seguro para um novo paciente.

Tipos de Desinfecção:
a) Desinfecção Concorrente: acontece antes da limpeza, sendo rea-
lizada após contaminação com matéria orgânica como sangue, fezes e urina.
b) Desinfecção Terminal: acontece após a limpeza terminal.

Resumo
• O
s processos de limpeza, desinfecção e esterilização são de
grande importância para a saúde de pacientes e trabalhadores,
ao diminuir ou evitar a existência de micro-organismos em am-
bientes e equipamentos.
• Os procedimentos para reduzir e/ou eliminar os microrganismos
são subdivididos em limpeza, desinfecção e esterilização.
• A assepsia mantém um local (ser vivo ou inerte) isento de micro-
-organismos; já a antissepsia elimina ou inibe o crescimento des-
ses micro-organismos na pele e mucosas humanos.
• A limpeza é o processo que retira toda a sujeira (com uso de
sabão e detergentes) de artigos e ambientes.
• A desinfecção destroi quase todos os tipos de micro-organismos
de superfícies sem vida, através de agentes químicos e físicos.
• A esterilização destroi todas as formas de vida microbiana, atra-
vés de processos físicos, químicos e físico-químicos.

Atividades de aprendizagem
Reflita sobre o que você leu neste capítulo e marque a alternativa correta:

A) A limpeza remove apenas a sujidade orgânica e os resíduos.


( ) sim ( ) não

B) A esterilização elimina todas as formas de vida microbiana (bactérias,


vírus, fungos, esporos e protozoários).
( ) sim ( ) não
C) A desinfecção destroi todas as formas de vida microbiana (bactérias, ví-
rus, fungos, esporos e protozoários).
( ) sim ( ) não

D) A antissepsia refere-se ao processo de eliminação ou inibição do cresci-


mento dos micro-organismos na pele e mucosas (boca, olhos, etc.) humanas.
( ) sim ( ) não

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 61 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


E) A assepsia refere-se a todos os meios utilizados para impedir a penetração
de micro-organismos em locais que não os contenha.
( ) sim ( ) não

Informações sobre a próxima aula

Em nosso próximo encontro, estudaremos a gestão dos resíduos dos


serviços de saúde.
Não percam: é uma matéria muito importante para o nosso meio
ambiente e para a nossa saúde!

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 62
AULA 1

Aula 8 – GestãoDigital
Alfabetização dos resíduos dos servi-
ços de saúde

Objetivos
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja
capaz de:
• Definir resíduos dos serviços de saúde;
• Diferenciar resíduos de saúde de resíduos domiciliares;
• Reconhecer a importância de Plano de Gerenciamento de Resídu-
os de Serviços de Saúde (PGRSS);
• Resumir as etapas do plano de gerenciamento de resíduos de
serviços de saúde;
• Explicar a importância da reciclagem para a saúde do homem e
do meio ambiente, em relação aos resíduos de saúde.

8.1 Considerações gerais


Você sabe diferenciar o lixo que é produzido em sua casa do lixo
dos serviços de saúde?
Todas as atividades, sejam elas comerciais, residenciais ou até dos
serviços de saúde, produzem, de alguma forma, resíduos ou lixo; porém, es-
ses resíduos variam conforme o processo gerador, ou seja, para cada tipo de
processo são gerados resíduos com características específicas.
Se pararmos para pensar que, de acordo com estudos, mais ou me-
nos 90% do lixo recolhido no Brasil é lançado a céu aberto (nos “lixões”),
veremos o quanto é problemático e polêmico o assunto e a gravidade dos
danos causados ao meio ambiente, que acabam afetando toda a sociedade.
Os resíduos ou lixo recolhidos das residências e dos pequenos co-
mércios são denominados “resíduos domiciliares”; já os provenientes dos
serviços de saúde, “resíduos dos serviços de saúde” (RSS), são um tipo es-
pecífico de resíduos, considerados uma categoria específica, devido a suas
particularidades, devido à presença de risco biológico.
Apesar dos RSS serem uma pequena parte do lixo urbano (cerca de
1% a 3%), essa parcela possui alto potencial de risco à saúde e ao meio am-
biente, comprometendo os recursos naturais e a qualidade de vida das atuais
e futuras gerações.
Atualmente, no Brasil, com uma maior preocupação com o meio
ambiente como um todo, está ocorrendo uma intensificação da fiscalização
e exigência no cumprimento de normas e leis que tratam do assunto. A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o Conselho Nacional do
Meio Ambiente (CONAMA) possuem essa função, em relação à geração e ao
manejo dos resíduos dos serviços de saúde.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 63 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Com o objetivo de minimizar os riscos causados pelos RSS foi criado
o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Saúde (PGRSS), que deve
contemplar: geração do lixo, segregação ou separação, identificação, acon-
dicionamento, coleta interna, transporte interno, armazenamento, coleta
externa, transporte externo, tratamento e disposição final.
Com tal importância, é fundamental a existência de um PGRSS em
todo serviço de saúde, promovendo a proteção à saúde pública e ao meio
ambiente.

8.2 Classificação dos resíduos sólidos


Por que classificar e separar o lixo?
A classificação dos RSS, estabelecida nas Resoluções ou legislações
do CONAMA e da ANVISA (RDC n° 306 pela ANVISA, em dezembro de 2004,
e da Resolução n° 358 pelo CONAMA, em maio de 2005), com base na com-
posição e características biológicas, físicas e químicas, tem como finalidade
propiciar o adequado gerenciamento desses resíduos, no âmbito interno e
externo dos estabelecimentos de saúde.

Figura 33: Lixeiras especiais para coleta seletiva de lixo.


Fonte: Blog George Dantas. Disponível em: <http://georgedafloresta.blogspot.com/2009_11_01_
archive.html>. Acesso em 28/09/2010.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 64
Os RSS são classificados em cinco grupos distintos:
• Grupo A – é o grupo dos resíduos com risco biológico. Repre-
sentam risco à saúde e ao meio ambiente devido à presença de
agentes biológicos. Como exemplos, temos: sangue, secreções,
excreções e outros fluídos orgânicos, placas e lâminas de labora-
tório, carcaças de animais, entre outros.
• Grupo B – grupo dos resíduos com risco químico. Representam
risco devido a características como corrosividade, reatividade,
toxicidade, entre outras. Exemplos: medicamentos vencidos e/
ou contaminados, objetos perfurocortantes contaminados com
produtos químicos.
• Grupo C – grupo dos resíduos radioativos. Exemplos desse grupo
são os resíduos dos grupos A, B e D contaminados com substân-
cias radioativas.
• Grupo D – grupo dos resíduos comuns. São aqueles que não se
enquadram nos grupos anteriores, pois não apresentam risco
biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente.
Exemplos desse grupo são as sobras de alimentos e resíduos das
áreas administrativas.
• Grupo E – grupo dos materiais perfurocortantes. Como exem-
plos, têm-se as lâminas de barbear, agulhas, ampolas de vidro,
lâminas de bisturi, entre outros.

8.3 Da geração de resíduos ao transporte externo


E então, vamos conhecer um pouco das etapas do manejo dos resí-
duos dos serviços de saúde?
O primeiro passo para o adequado manejo dos RSS é conhecer os ti-
pos de resíduos gerados, identificando-os de acordo com os diferentes grupos
que estudamos anteriormente. Os próximos passos seriam, em sequência,
a segregação ou separação, o acondicionamento, a coleta interna, o trans-
porte interno, o armazenamento, a coleta externa, o transporte externo, o
tratamento e a disposição final.

8.3.1 Segregação e acondicionamento

O processo de segregação consiste em separar e selecionar os re-


síduos de acordo com a classificação adotada, no local de geração do lixo.
Tem como objetivos a minimização da contaminação de resíduos
comuns, a redução dos riscos à saúde e a prevenção de acidentes com per-
furocortantes, a separação do lixo reciclável e, consequentemente, a dimi-
nuição dos custos no manejo dos resíduos.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 65 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Figura 34: Acondicionamento do lixo hospitalar.
Fonte:Sistemas de Gestão. Disponível em: <http://sistemasdegestao.blog.terra.com.
br/2010/07/18/sala-de-cirurgia-verde´-reduz-producao-de-lixo-hospitalar/>. Acesso em
24/12/2010.

O acondicionamento ou processo de guarda dos resíduos reduz o


risco de contaminação, além de facilitar a coleta, o transporte e o armaze-
namento desse material.

8.3.2 Coleta interna

É de extrema importância que a coleta interna seja realizada por


trabalhadores qualificados e providos de EPI.
É dividida em 2 tipos ou níveis:
a) Coleta Interna I: é a remoção dos recipientes (resíduo acondi-
cionado) do local de geração dos resíduos para o local de armazenamento
temporário.
b) Coleta Interna II: quando os resíduos são transportados do local
de armazenamento temporário para o local de armazenamento interno.

8.3.3 Transporte interno

O transporte tem como objetivo recolher o material das diferentes


fontes geradoras para o armazenamento temporário ou interno.
Durante o transporte, deve-se ter o cuidado de não danificar os
recipientes (sacos plásticos, caixas de papelão, etc.) contendo os resíduos.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 66
Para isso, eles devem ser transportados em carrinhos exclusivos para
esse fim.

8.3.4 Armazenamento de resíduos

Consiste na guarda ou estocagem, de forma segura, dos resíduos em


locais apropriados.
a) Armazenamento Interno ou Temporário: os resíduos são mantidos
em locais seguros até o momento da coleta interna II.
b) Armazenamento Externo: os resíduos são mantidos em locais se-
guros até a realização da coleta externa.

8.3.5 Coleta e transporte externo

A coleta externa deverá ser diária para os resíduos dos grupos A e


D, para se evitar o risco de contaminação ambiental e proliferação de veto-
res e odores desagradáveis.
Alguns estabelecimentos, dependendo do tipo de trabalho desen-
volvido, terão uma coleta específica para os resíduos do grupo B.
Na maioria dos estabelecimentos de saúde, os resíduos do grupo C
são tratados por eles próprios, sendo coletados posteriormente.
O transporte externo tem o objetivo de levar o resíduo do local
onde foi armazenado ao local de tratamento e disposição final, através de
veículos devidamente equipados.

Figura 35: Transporte do lixo hospitalar.


Fonte: Tribuna do Norte. Disponível em: <http://tribunadonorte.com.br/noticia/lixo-hospitalar-e-
jogado-nos-lixoes/122062>. Acesso em 28/09/2010.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 67 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


8.3.6 Tratamento

Tem como objetivo alterar as características físicas, físico-quími-


cas, químicas ou biológicas dos resíduos, diminuindo, assim, os riscos à saúde
e à qualidade do meio ambiente.

8.3.7 Disposição final dos RSS

Nessa etapa, são realizados procedimentos que visam à destruição


ambientalmente adequada dos resíduos em concordância com as exigências
legais.
Dentre as técnicas para a disposição final dos resíduos, as mais usa-
das são o aterro sanitário e as valas sépticas.
Lembrando que, para cada grupo de resíduos, existem diferentes
tipos de riscos, sendo necessário, portanto, o emprego do tratamento e des-
tinação final adequados para cada um.

8.4 Reciclagem
Com o aumento populacional e, consequentemente, a evolução nas
tecnologias da saúde, é possível observar, também, o aumento na produção
de resíduos e aumento dos custos para lidar com esse lixo.
Esse processo de causas e consequências afeta diretamente a saúde
do homem e do meio ambiente, à medida que surgem maiores dificuldades
na busca de áreas ambientalmente seguras disponíveis para receber os resí-
duos produzidos pelo homem.
Assim, torna-se necessário a minimização da produção de resíduos,
com um processo de segregação eficiente e uma diminuição do volume dos
resíduos a serem dispostos no ambiente, através da reciclagem.
A reciclagem reduz consideravelmente o volume de resíduos enca-
minhados para tratamento ou disposição final. Por isso, a reciclagem, pro-
porcionada pela segregação e coleta seletiva dos resíduos, é muito importan-
te no processo de gerenciamento dos RSS. Outras vantagens da reciclagem
seriam a economia de matéria prima retirada do ambiente, a economia de
energia elétrica, a preservação ambiental e a consciência ecológica.

Resumo
• A pesar de compor pequena parcela dos resíduos produzidos pelo
homem, os resíduos dos serviços de saúde são perigosos por tra-
zerem muitos riscos (biológicos, principalmente) ao homem e
meio ambiente.
• No Brasil, a ANVISA e o CONAMA possuem a função de fiscali-
zarem o cumprimento da legislação em relação à geração e ao
manejo dos resíduos dos serviços de saúde.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 68
• O
PGRSS tem como função minimizar os riscos gerados pelos resí-
duos, sendo composto pelas etapas: geração do lixo, segregação
ou separação, identificação, acondicionamento, coleta interna,
transporte interno, armazenamento, coleta externa, transporte
externo, tratamento e disposição final.
• Os RSS podem ser classificados em quatro grupos (A, B, C, D e
E), diferenciados de acordo com os riscos que representam aos
seres humanos e meio ambiente.
• A reciclagem é de grande importância, em relação à produção
de resíduos, por reduzir custos e produtos que degradem a na-
tureza, através da redução do volume de resíduos encaminhados
para tratamento ou disposição final.

Atividades de aprendizagem
A) Complete os espaços abixo com as etapas do manejo dos resíduos dos
serviços de saúde:

1- ________________________________________________________

2- ________________________________________________________

3- ________________________________________________________

4- ________________________________________________________

5- ________________________________________________________

6- ________________________________________________________

7- ________________________________________________________

8- ________________________________________________________

9- ________________________________________________________

10- _______________________________________________________

B) Conheça como está organizado o gerenciamento dos resíduos dos serviços


de saúde em seu município. Faça um relatório e envie-o para o seu facilita-
dor.

Informações sobre a próxima aula

Em nossa próxima aula, abordaremos a prevenção e controle de


infecções em serviços de saúde.
É nossa última aula. Esperamos por você!

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 69 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


AULA 1

Aula 9 - Prevenção
Alfabetização e controle de infec-
Digital
ções em serviços de saúde

Objetivos
Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja
capaz de:
• Definir infecções hospitalares;
• Resumir acerca da história das infecções;
• Definir Vigilância Epidemiológica;
• Reconhecer a importância da existência de uma CCIH e de uma
Vigilância Epidemiológica para a prevenção e controle de infecções em ser-
viços de saúde.

Você sabe falar o que são as infecções hospitalares?


Como é sabido, a infecção hospitalar (IH) é entendida como aquele
tipo de infecção que se adquire no ambiente hospitalar, após o paciente ter
dado entrada no hospital.
É importante ressaltar que, mesmo a infecção sendo adquirida em
ambiente hospitalar, devido ao tempo que o paciente demora a demonstrar
a doença ou infecção (podendo variar alguns dias), o aparecimento dos sin-
tomas pode ocorrer já depois do paciente ter saído do hospital. Portanto,
mesmo nas manifestações que ocorrem após a alta hospitalar (fim da inter-
nação), a infecção pode ser considerada como hospitalar.
A infecção hospitalar ou, também, as infecções relacionadas aos
ambientes de saúde é um grande problema da assistência à saúde por afetar
não somente o paciente que a adquire (piora da qualidade de vida, altos
custos dos tratamentos, danos permanentes à saúde, entre outros), mas tam-
bém os estabelecimentos de saúde (devido aos prejuízos financeiros).
Você já parou para pensar como seria difícil estar internado em
um hospital para algum tratamento e durante este período adquirir uma IH?
A partir daí viriam outros tratamentos, juntamente com o afastamento do
trabalho, dos familiares e amigos, os gastos com medicamentos e, conse-
quentemente, perda da qualidade de vida! Essa é uma realidade para milha-
res de pessoas em todo o mundo, devido, muitas vezes, à falta de cuidados
essenciais por parte dos trabalhadores da saúde.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 71 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Lembramos que os
agentes causadores de
infecção podem estar
presentes no próprio
corpo do paciente, nas
mãos dos pacientes e
dos profissionais, em
materiais e objetos
contaminados, na água
e alimentos, entre
muitos outros.

Figura 36: Uso de equipamentos para evitar a transmissão de infecções.


Fonte: Blog da Oirs. Disponível em: <http://www.oirs.com.br/blog/biosseguranca-em-
odontologia/>. Acesso em 28/09/2010.

Entre os fatores causadores de uma IH, podemos destacar a falta


de lavagem das mãos (principalmente por parte dos profissionais da saúde);
a internação do paciente por tempo prolongado (o que aumenta o risco de
contato deste paciente com agentes causadores de infecções); o uso incor-
reto de antibióticos (que favorece o surgimento de micro-organismos mais
resistentes a tratamentos), os procedimentos realizados nos serviços de saú-
de (procedimentos de risco como cirurgias, procedimentos invasivos sem as
devidas precauções padrão) e o estado geral do paciente.

9.1 História das infecções hospitalares

Se você conhece algum


As infecções existem desde o surgimento dos hospitais, sendo rela-
idoso ou tem parentes cionadas à existência de muitas doenças e à precariedade na higiene pessoal
como avós ou bisavós, e ambiental.
pergunte a eles como
era feito o tratamento Durante muitos séculos, diversas foram as formas utilizadas para o
de ferimentos na época cuidado de ferimentos, usando-se desde fórmulas caseiras (com uso de plan-
em que eram crianças; tas e outros produtos naturais) até rituais de bruxaria e curandeiros.
o que os pais e avós
deles utilizavam para Com o passar dos anos, dos séculos, na medida em que a ciência, a
cuidar das lesões! medicina e a tecnologia evoluíam, o mundo se globalizava, ocorreu também
um crescimento e aparecimento de novos tipos de doenças, novos agentes
infecciosos, novas infecções e novas formas de tratamento.
Já nessa época, com o uso de antibióticos de forma incorreta e
descontrolada, causou o aparecimento de micro-organismos resistentes a
tratamentos existentes até então.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 72
Talvez, assim como para a Biossegurança, o principal acontecimen-
to que incentivou a mudança de foco em relação às infecções hospitalares
(buscando-se maiores estudos) tenha sido o surgimento da Síndrome de Imu-
nodeficiência Adquirida (SIDA ou AIDS), pois o medo da doença, por parte dos
profissionais, causou mudanças no relacionamento do pessoal hospitalar com
pacientes infectados.

9.2 Legislação brasileira


Vamos conhecer um pouco sobre as leis relacionadas às infecções
hospitalares?
O assunto infecção hospitalar passou a ter maior importância no
cenário mundial a partir da criação das Comissões de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH) nos Estados Unidos na década de 1950, sendo essas co-
missões responsáveis pela investigação, controle e prevenção das infecções
adquiridas em ambientes hospitalares.
No Brasil, a primeira CCIH foi implantada em Porto Alegre/RS em
1963, quando, de fato, começou a preocupação brasileira em relação às IH,
devido à ocorrência de surtos de doenças resistentes a alguns antibióticos;
época em que o país passava por um grande momento de industrialização e
desenvolvimento.
A legislação brasileira referente ao assunto teve seu início com a
criação da Portaria 196 do Ministério da Saúde, em 1983, que obrigava a
criação de CCIH nos hospitais brasileiros, incluindo nas atividades da comis-
são a vigilância epidemiológica, a criação de normas técnicas, medidas de
isolamento, entre outras.
Posteriormente foram criadas novas portarias, como a 930 (de 1992)
e a 2616 (de 1998), no sentido de melhorar e adequar à primeira portaria,
buscando sempre a redução e controle das infecções hospitalares.

9.3 Funcionamento da CCIH


A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar é uma equipe mul-
tiprofissional (composta por diferentes profissionais) com representantes das
áreas médica, enfermagem, farmácia, laboratório e administração. Cada
profissional dentro da comissão possui seu papel distinto, trabalhando juntos
para o efetivo controle das infecções hospitalares.
Como falamos antes, a função principal da CCIH está relacionada ao
controle e prevenção das IH, aliado à ação educativa para a conscientização
de todos envolvidos no ambiente hospitalar em relação a tais infecções.
Ressaltamos que para se conseguir um programa efetivo de contro-
le de infecções é necessária a existência de uma vigilância epidemiológica
organizada.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 73 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


9.4 Vigilância epidemiológica
Então, o que é e para que serve a vigilância epidemiológica?
Pode ser definida como de extrema importância para o controle
das infecções hospitalares devido a sua função de produzir dados e gerar
informações e conhecimento.
A vigilância, através de seu trabalho de coleta, análise e interpre-
tação de dados, consegue planejar, implementar e avaliar as ações de saúde
(prática essencial para o controle e prevenção de infecções).

9.5 Prevenção e controle das infecções


Vimos que as infecções hospitalares são um grande problema de
A Portaria 2616/98
define as características saúde, tanto para os pacientes (causando sofrimento e até mortalidade)
desejáveis de formação quanto para as instituições de saúde (aumento dos custos). Assim, melhor
dos profissionais e
parâmetros para
para pacientes e hospitais é o foco na prevenção e controle das infecções.
determinação do No Brasil, órgãos federais como a ANVISA, através de portarias (196,
número de membros 930, 2616), buscam esse controle. O incentivo e a obrigatoriedade da criação
executores da CCIH,
com base no número de das CCIH e o funcionamento da Vigilância Epidemiológica são fatores inques-
leitos e tipos de unidade tionáveis na busca da redução dos índices de IH em pacientes e de custos
de que se compõe o para as instituições.
hospital; aborda, ainda,
conceitos e critérios Lembramos que a efetiva prevenção e controle das IH necessitam
para os diagnósticos das de uma boa combinação de recursos humanos, tecnológicos e financeiros,
infecções hospitalares,
sendo um desafio para as equipes de saúde.
orientações
sobre a vigilância
epidemiológica e
seus indicadores Resumo
epidemiológicos,
lavagem das mãos • I nfecção Hospitalar é o tipo de infecção que é adquirida nos
e recomendações
sobre normas de
ambientes dos serviços de saúde.
limpeza, desinfecção • A infecção é um grande problema de saúde pública, por acarre-
e esterilização, tar, além de danos aos pacientes, prejuízos financeiros às insti-
uso de germicidas, tuições e governos.
microbiologia,
lavanderia e farmácia.
• Na maioria das vezes, a infecção é transmitida devido à falta de
cuidados por parte dos profissionais de saúde.
• A IH existe desde o surgimento dos hospitais e vem acompa-
nhando a evolução da medicina, com novos tipos de doenças e
infecções.
• No Brasil, a legislação responsável pelo assunto, Portaria
2616/98, preconiza a existência de uma CCIH e um programa de
Vigilância Epidemiológica para agir na prevenção e controle das IH.
• As CCIH são responsáveis pela investigação, controle e preven-
ção das infecções hospitalares.
• A Vigilância Epidemiológica tem como funções primordiais a pro-
dução de dados, informações e conhecimento.
• Portanto, a criação da CCIH e seu funcionamento junto à Vigi-
lância Epidemiológica são imprescindíveis na busca da redução
das IH em pacientes e de custos para as instituições.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 74
Atividades de aprendizagem
Tendo presente o que discutimos até aqui, destaque quais as con-
sequências da ocorrência das infecções hospitalares para o usuário dos ser-
viços de saúde, para as instituições que atendem estes usuários e para os
profissionais envolvidos. Escreva um texto e compartilhe suas ideias com os
seus colegas.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 75 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Referências
ANDRADE, A.C.; SANNA, M.C. Ensino de Biossegurança na Graduação de En-
fermagem: uma revisão da literatura. Revista Brasileira de Enfermagem. v.
60, n.5, p. 569-72. 2007.

ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução de Diretoria


Colegiada - RDC n. 48, de 02 de junho de 2000. Dispõe sobre o roteiro de
inspeção dos programas de controle de infecção hospitalar. Brasília, 2000.
Disponível em: //http://e-legis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=6182
(Acesso em 06 jabril. 2007).

BRASIL, Ministério da Saúde – Portaria n°2616, de 12/05/98. Dispõe sobre di-


retrizes e normas para a prevenção e o controle das infecções hospitalares.
Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 1998.

______. Ministério da Saúde – Secretaria de Políticas de Saúde – Coorde-


nação Nacional de DST e AIDS. Exposição ocupacional a material biológico:
hepatite e HIV. Brasília, 1999.

______. Ministério da Saúde. Projeto de Profissionalização dos Trabalhado-


res da Área de Enfermagem. Profissionalização de auxiliares de enfermagem:
cadernos do aluno: fundamentos de enfermagem/Ministério da Saúde; Fun-
dação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública. Brasília: Ministério
da Saúde, Rio de Janeiro: Fiocruz, 2001.

_______. Ministério da Saúde. Saúde ambiental e gestão de resíduos de ser-


viços de saúde. Brasília, 2002.

_______. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ma-


nual de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Brasília, 2006.

_______. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do paciente


em serviço de saúde: limpeza e desinfecção de superfícies/Agência Nacional
de Vigilância Sanitária. Brasília, 2010.

BRITO, L.V.S. Comissão de controle de infecção hospitalar: realidade de hos-


pitais do norte de Minas Gerais. Monografia. Montes Claros: Universidade
Estadual de Montes Claros (Unimontes), 2007.

COREN-MG. Informativo do COREN-MG, v. 29, n.2, jun./set. 2007.


COSTA, M. A .F. Protegendo a vida. Revista Proteção, n. 86, p. 46-47, fev.
1999.

COSTA, M. A. F.; COSTA, M. F. B. Biossegurança: elo estratégico de SST. Re-


vista CIPA. n. 253, jan. 2002.

GOMES, F.V.L. Comissão de controle de infecção hospitalar, serviço de con-
trole de infecção hospitalar, artigos, roupas e ambientes: recomendações
para equipe assistente. Local: editora, 2008.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 76
JUNIOR, P.S.B. Dimensões subjetivas da biossegurança nas unidades de saú-
de. Boletim de pneumologia sanitária. v. 9, n. 2, jul-dez. 2001.

NELSON, M. O hospital: manual do ambiente hospitalar. 6ª ed. Curitiba: Os


Autores, 2006.

NHAMBA, L.A. Acidentes ocupacionais com material biológico entre profis-


sionais de enfermagem em um hospital de angola. Dissertação (Mestrado em
Enfermagem) Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de
São Paulo. Ribeirão Preto, 2004.

MARTINS, M. A. Manual de infecção hospitalar. Epidemiologia, prevenção e


controle. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Medsi, 2001.

MATROENI. M. F. Biossegurança aplicada a laboratórios e serviços de saúde.


2ª ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2006.

OPPERMANN, L. C. P. Manual de biossegurança para serviços de saúde. Porto


Alegre: PMPA/SMS/CGVS, 2003.

SAMU, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Manual de desinfeção e


biossegurança do SAMU. Florianópolis: 2006.

SÃO PAULO. Secretaria do Estado da Saúde. Atualidades em DST/AIDS. Pro-


grama Estadual de DST/AIDS. 2 ed. São Paulo: 2003.

SILVEIRA, B.R.M. O Controle de infecção hospitalar no Norte de Minas Ge-


rais, 2001. Dissertação (Mestrado). Belo Horizonte: Faculdade de Medicina
da UFMG, 2001.

SOUZA, V.H.S.; MOZACHI, N. O hospital: manual do ambiente hospitalar. 6ª


ed. Curitiba: Os Autores, 2006.

TEIXEIRA, P.; VALLE, S. Biossegurança: uma abordagem multidisciplinar. Rio


de Janeiro: Ed. Fiocruz, 1996.

TORRES, S., LISBOA, T. C.. Limpeza, lavanderia hospitalar. São Paulo: CLR
Balieiro, 1999.

UNERJ. Manual de Biossegurança. Centro Biomédico da Faculdade de Odon-


tologia. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 2002.

UNESP. Universidade Estadual do Estado de São Paulo. Manual de Biossegu-


rança Laboratório de Hemoglobinas e Genética das Doenças Hematológicas.
Sem data.

ZANON, U.; AZEVEDO, A.C.; NEVES, J. A realidade sanitária e o controle de


infecções hospitalares. In: ZANON, U.; NEVES, J. Infecções hospitalares: pre-
venção, diagnóstico e tratamento. Rio de Janeiro: MEDSI, 1987, p. 3-33.

Biossegurança e controle de infecções em serviços de saúde 77 e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes


Currículos dos professores conteudistas

Beatriz Rezende Marinho da Silveira


Graduada e Bacharel em Enfermagem e Obstetrícia, pela Universidade Fe-
deral de Minas Gerais - UFMG, especialista em Saúde Pública pela Escola de
Saúde de Minas Gerais e mestre em Saúde Pública pela Faculdade de Medi-
cina da UFMG. Atua como professora adjunta da Universidade Estadual de
Montes Claros e como conteudista no Curso de Educação Profissional Técnica
de Nível Médio em Gerência em Saúde.

Lauro Victor Souza de Brito


Graduado e Bacharel em Enfermagem, pela Universidade Estadual de Montes
Claros (Unimontes), pós-graduando em Gestão Microrregional. Possui experi-
ência como docente em cursos profissionalizantes na área da saúde e como
enfermeiro assistencial na saúde pública. Atua como professor conteudista
e formador no Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio em
Gerência em Saúde.

e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 78
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes
Escola Técnica Aberta do Brasil
e-Tec Brasil/CEMF/Unimontes 80