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BOLETIM DE Nº 24

CONHECIMENTO junho 2016


TÉCNICO

HOSPITAL DE COURTRAI
EMPREITADA DE CARPINTARIA
O Hospital de Courtrai irá caracterizar-se como um hospital moderno, quer pela sua dimensão,
quer pela capacidade em albergar no seu interior equipamentos de última geração para um
maior número de serviços clínicos.
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CASAIS GLOBAL SOURCING ENGENHARIA ENGENHARIA

Ferramentas de Logística: Sistema de Cofragem do Problemas Correntes em Edifícios


Contentorização Edifício Provinciehuis e Soluções de Reparação
// pág. 6 // pág. 10 // pág. 18

GESTÃO DIREITO A FALAR


PARTICIPAÇÃO ESPECIAL Como influenciar pessoas Carta de Condução

BÉLGICA Técnicas fundamentais (parte 2)


// pág. 22
por Pontos
// pág. 25

“O Engenho” é um Boletim de Conhecimento Técnico Mensal, os conteúdos não podem ser reproduzidos ou copiados sem a devida autorização dos autores.
Todos os direitos reservados. Grupo Casais © 2016 www.casais.pt | www.casaisnet.casais.pt
ENGENHARIA

HOSPITAL DE COURTRAI
EMPREITADA DE CARPINTARIA

Boletim de Conhecimento Técnico Nº 24/2016

O Hospital de Courtrai irá caracterizar-se como um hospital moderno,


David Lopes Cancela quer pela sua dimensão, quer pela capacidade em albergar no seu
Carpincasais, Bélgica interior equipamentos de última geração para um maior número de
serviços clínicos.
O mesmo resulta de uma fusão entre um hospital público e três
hospitais privados.

Implantado na cidade de Courtrai ços destinados aos serviços clínicos,


(Kortrijk), num terreno de 14 hectares, desde gabinetes médicos, salas de
este hospital distingue-se pela confi- cirurgias, blocos operatórios, salas de
guração de cinco blocos, dos quais um exames, quartos individuais, quartos
central que agarra os restantes quatro. duplos, sala de conferências, restau-
No subsolo encontram-se todas as rante, cafetaria, etc.
áreas técnicas e nos quatro pisos su- Uma grande área está destinada para
periores localizam-se todos os espa- acolher 1.000 quartos. E é precisamen-

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te nestes quartos que se centra a atividade da Carpincasais, Falamos de cerca de 4.500 metros de armários que se dis-
em dois elementos muito específicos: um relacionado com tinguem por terem uma parte fixa e uma parte amovível
a ventilação – armário ventiloconvector, e o outro, muito para acesso ao ventilador, para manutenção e/ou reparação.
peculiar, único e de enorme importância, uma coluna téc- No entanto, o estudo da configuração que partiu de dese-
nica para as salas de diálise (que denominámos “as colunas nhos base do arquiteto, exigia um estudo mais aprofun-
para a vida”). dado, em consonância com as empresas de ventilação, de
eletricidade e de carpintarias – Carpincasais.
Armários Ventiloconvectores
O armário ventiloconvector tinha de assegurar uma parte
fixa para as partes elétricas, e uma parte móvel para os ven-
tiloconvectores com a grelha incorporada. Para a furação da
grelha, havia a questão estética, levantada pelo arquiteto e a
questão funcional levantada pelos técnicos. Quanto à parte
estética, o arquiteto pretendia uma furação circular, da qual
chegamos a fazer um protótipo, mas que colidia em dois
pontos cruciais:
1. O fluxo de ar em que o débito de ar quente em circu-
lação à saída era inferior ao pretendido;
2. O diâmetro da furação pretendida que punha em cau-
sa a possibilidade de introdução e bloqueio de um
dedo de uma criança.

Caracterizam-se por serem armários em fenólico, com um ob-


jetivo claro de “camuflar” os ventiladores e as partes técnicas
como as elétricas e as hidráulicas.

Feita a análise de todos os prós e contras, a furação circular


foi posta de parte e partiu-se para outras soluções, entre as
quais, os rasgos longitudinais ou transversais, fosse em gre-
lhas de alumínio ou com os rasgos nos próprios armários.

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Após vários estudos, dos quais também pesaram os eco- Tendo por base todas as partes conjugadas e calculadas, foi
nómicos, a solução recaiu sobre os rasgos transversais e de possível então dimensionar o móvel, e garantir o seu fun-
modo a garantir que face às diferentes dimensões de ven- cionamento, no que diz respeito à ventilação.
tiloconvectores, o número de rasgos por cada tipo fosse o
suficiente para o fluxo de ar regulamentar. Quanto à parte elétrica desenvolvemos em coordenação
↘ Anexo: Dimensions Grilles Câches Convecteurs (DGCC.pdf) com os responsáveis um estudo de vários tipos de móvel fixo
e com vários sistemas e posições para as tomadas elétricas.
↘ Anexo: Types de Prises (TP.pdf)

As quantidades eram definidas em função dos espaços


onde os armários iam ser incorporados e já quantificados
pelos eletricistas.

Para além da importância dos rasgos no tampo superior (ar


quente), foi também determinante o dimensionamento da
entrada de ar frio, feito pela parte inferior do armário.
A mesma tinha de garantir que o ar frio que entrasse fosse su-
ficiente para garantir o fluxo de ar quente à saída das grelhas.
 

Colunas Diálise

As colunas para as salas de diálise surgem no alinhamento


do desenvolvimento e dos estudos feitos para os armários.
De base, estava previsto a colocação de umas colunas es-
tandardizadas e existentes no mercado, mas que não se
enquadravam de todo com a parte estética generalizada no
hospital e tinham também algumas lacunas quanto à capa-
cidade de resposta para a utilidade que deviam ter.

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Posto isso, analisou-se o fato de as mesmas poderem ser 1. O transporte de energia (parte elétrica);
feitas também em fenólico, mas havia uma questão pri- 2. O transporte de sangue (“a vida”).
mordial para a solução, que se prendia com o facto de fa- Ambas incorporadas numa mesma coluna, mas ao mesmo
larmos de colunas que iriam “transportar” sangue e alguns tempo separadas por elementos físicos.
elementos químicos, e por isso as apelidamos como “As co-
lunas para a vida”. Estes estudos que se prolongaram por um período de 7/8
meses, originaram nove versões em desenho, sempre em
cooperação, quer com eletricistas, quer com especialistas da
área clínica.
Era primordial assegurar o funcionamento de todas as par-
tes, a incorporação de aparelhos muito específicos e tudo foi
estudado ao milímetro.

Fizeram-se protótipos, ensaios e muitos desenhos e, de


tudo isto resultou uma coluna vertical, dividida no seu in-
terior na vertical em duas partes interligadas entre si; na
horizontal em três partes das quais a superior para a zona
de suporte de ecrãs clínicos.

Foi feita então uma pesquisa rigorosa, a começar pelo próprio


material – o fenólico. Foi preciso recorrer para além de uma
marca muito específica – a mesma dos armários ventilocon- Pese embora todas as dificuldades técnicas em encontrar
vectores –, também a uma referência muito concreta, de base as soluções, só com a cooperação e coordenação de todas
antibacteriana, com uma série de características adicionais. as equipas é que foi possível criar uma coluna de extrema
complexidade e importância, que servirá certamente, no fu-
Encontrado o material, partimos para o estudo e desenvol- turo, para o propósito para o qual foi criada: “transportar”
vimento dos desenhos das colunas – 81 unidades – e que sangue nas melhores condições e continuar a dar vida a
se centravam em dois pontos cruciais: quem dele precisa.

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CASAI S GLOBA L SOURC ING

CASAIS GLOBAL SOURCING

DIVULGA…

Ferramentas de Logística
CONTENTORIZAÇÃO
Alexandra Costa
Departamento de Logística, Portugal

A Logística, por definição, é a área da Gestão da Cadeia


de Operações que planeia, implementa e controla o fluxo
e armazenagem eficiente e eficaz de matérias-primas,
materiais semiacabados, componentes e produtos
acabados, assim como as informações a eles relativas,
desde o ponto de origem (também designado fornecedor
ou produtor) até o ponto de consumo (também designado
por cliente); com o propósito de melhor atender às
exigências dos clientes (Carvalho, 2002).

*Fontes: Carvalho, 2002 / Cargooptimizer /


www.pier2pier.com

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CASAI S GLOBA L SOURC ING

Não é possível uma organização ter sucesso em operações Inicialmente, dado o volume diário, conseguíamos de forma
localizadas em geografias dispersas se deixar que a logística simples efetuar uma esquematização e planeamento ma-
seja uma obra do acaso. nual de cada contentor.

Ao longo dos tempos, a nossa organização tem evoluido


e melhorado a eficiência e a forma como executa todos os
processos logísticos. Ser exemplo, estar na vanguarda, ga-
rantir mente aberta e melhoria contínua, é o rumo que per-
seguimos ao longo da última década.

Com o crescimento da atividade para uma média diária de


envio de quatro TEUS, a busca de novas formas de executar
passou a ser uma prioridade.

Exemplo disto foi a aposta inicial no Cargoptimizer:

Um bom exemplo de tudo isto tem sido a nossa evolução


no planeamento das contentorizações.
Passamos de uma realidade de 200 TEU/ano para 1000 TEU/ano.

Atualmente usamos um software que para já é de acesso


livre, e que pode ser utilizado em todas a geografias em que
estamos presentes.

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Executado diretamente no site http://www.pier2pier.com é 4. Permite escolher a disposição dos volumes no contentor:
uma ferramenta muito prática e útil que permite planear e
otimizar toda a nossa contentorização.

1. Dá-nos a possibilidade de inserir todos os volumes que


pretendemos carregar:

5. Identifica quantos contentores são necessários e a forma


como o devemos carregar:
2. Escolher o tipo de volume que pretendemos:

3. O tipo de contentor (20’; 40’…)

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6. Finalmente, transforma em PDF um relatório do carrega-


mento sequencial por cada volume no contentor.

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ENGENHARIA

SISTEMA DE COFRAGEM
DO EDIFÍCIO PROVINCIEHUIS
Empreitada da CNT Europe - Bélgica

Esta empreitada da CNT Europe na Bélgica é da responsabilidade do Di-


retor de Obra Pedro Mota e do Diretor de Obra Estagiário Henrique Rios.
Henrique Rios
CNT Europe, Bélgica

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ENGENHARIA

Para a construção do edifício emblemático da sede admi-


nistrativa da Província de Antuérpia, na Bélgica, o arquiteto
Xaveer de Geyter idealizou um edifício de 15 pisos compos-
to por duas torres separadas e independentes, unindo-se
ao quarto piso. Este edifício, de geometria variável, tem a
particularidade de as paredes serem inclinadas em relação
ao eixo vertical e horizontal (direção X e Y), criando um efei-
to de curvatura em todo o edifício.

Em toda a estrutura é utilizado betão branco. O pano inte-


rior das paredes vai estar à vista, o que obriga a um maior
cuidado na betonagem, quer na vibração do betão, quer no
tratamento dos painéis.

Outra singularidade geométrica que o arquiteto projetou foi


instalar umas janelas triangulares que têm de acompanhar
as inclinações e curvaturas das paredes, dificultando o pro-
cesso de cofragem.

Painéis exterior e interior inclinados


Descrição dos painés

Para que estas condições fossem satisfeitas, foi planeado


um método de cofragem sofisticado da “Construx”, consti-
tuídos por painéis de cofragem em que cada um pesa cerca
de 6.000 kg com dimensões de 7x3 metros. Estes painéis
são compostos por um sistema que permite regular a in-
clinação e a rotação da estrutura através de um sistema de
regulação nos eixos X e Y.

Em cada painel existem três barras horizontais com três pa-


rafusos que regulam a amplitude nas direções horizontal e
vertical. Desta forma, controlando nove pontos do painel, é
possível criar uma superfície curva.

Conforme descrito anteriormente, o lado interior das pare-


des ficará à vista, exigindo um tratamento especial ao painel
interior. Desta forma, as faces adjacentes ao betão são de aço Painel do canto
inox, em vez de ferro como as faces dos painéis exteriores.

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Painel interior (montar) Gancho para transporte

As janelas anteriormente referidas também são colocadas


após uma preparação prévia. Essa preparação requer o ajus-
te de ângulo interno entre as faces do triângulo, e o ângulo
das faces com o plano vertical. Todas estas estruturas para
a cofragem das janelas são constituídas por ímãs que per-
mitem a fixação da cofragem das janelas ao painel em Inox,
sendo este o único método de fixação utilizado.

A avaliação dos ângulos das janelas é feita ao milímetro as-


sim como a inclinação dos painéis de cofragem é monitori-
zada diariamente por um topógrafo.
↘ Anexo: Preparação das janelas (JANELAS.pdf)

Painel interior (desmontar)

Como acessório à preparação e ao transporte dos painéis, é


utilizado um gancho que consegue tomar várias posições,
consoante o ângulo dos painéis. Esta estrutura permite
transportar o painel desde a sua zona de armazenamento
até ao local a betonar já com a inclinação desejada, tornan-
do o processo de betonagem mais rápido e eficaz.
↘ Anexo: Esquemas dos painéis com o gancho (GANCHO.pdf)

Janela entre painéis Janela instalado

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Metodologia Problemas e dificuldades

Este tipo de cofragem exige uma grande preparação antes O método de cofragem usado foi de difícil adaptação uma vez
de colocar os painéis ao local de betonagem. Deste modo que é um método inovador e de complexo manuseamento.
diferentes equipas foram organizadas de modo a executar Numa fase inicial foi necessário familiarizar as equipas com
a cofragem em duas fases. A primeira fase é realizada no este método de cofragem, desconhecido pela maioria.
chão e engloba toda a preparação dos painéis e da cofragem O peso e tamanho deste tipo de cofragem torna todo o pro-
das janelas. Esta fase reveste-se de primordial importância cesso de cofragem pouco prático e a necessidade de aten-
pois aqui são definidas as diferentes inclinações que o pai- ção redobrada relativamente a práticas de segurança, já que
nel apresentará, assim como é executada a cofragem das o mínimo deslize poderá ter consequências.
janelas. É também realizada nesta fase uma lavagem com
jato de água e depois é aplicado um produto de forma a O facto de as paredes a betonar não serem sempre iguais
proteger a face que vai estar em contacto com o betão. em termos de inclinação é um desafio que se coloca à equi-
pa e que exige desta máxima concentração na execução dos
A segunda fase consiste em colocar o painel ao sítio com o trabalhos.
recurso a um gancho que transporta o taipal com inclinação Uma constante comunicação entre o gruísta, o encarregado
definida. De seguida, através de escoras e “puxa-empurras” e a equipa que instala o painel é essencial.
o painel fica fixo e imóvel de modo a fazer outros trabalhos
sem prejudicar o inicial. Em jeito de conclusão este tipo de cofragem exige um enor-
Depois de colocado o ferro da armadura, são instaladas as me rigor e atenção ao detalhe de modo a que os resultados
janelas com o auxílio dos ímãs. sejam satisfatórios. Deste modo a formação das equipas e
competentes que compreendam todas requisitos técnicos e
Para finalizar o processo antes da betonagem, é colocado o de segurança é o primeiro passo para o sucesso. O facto de
painel exterior com um método semelhante ao do painel as paredes a betonar não serem sempre iguais em termos
interior. O painel é preparado inicialmente fora do local de de inclinação é um desafio que se coloca à equipa.
cofragem, de forma a ter a inclinação e rotação aproxima-
das, e no momento de instalação, é ajustado, sendo fixo ao
painel interior já instalado.

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MEDIÇÕES

As regras básicas de medições destinam-se a quantificar os diferen-


Carlos Alberto Vilaça tes trabalhos de construção, que resultam de um trabalho base que
Departamento Técnico/ o Técnico de Medição desenvolve e que no final vai ter como objeti-
Secção Desenho e Medição,
Portugal
vo a quantificação de matéria construtiva.

Para permitir esse objetivo, existem cargos que carecem de ser analisados
regras de medição com base em cri- em simultâneo.
térios mais precisos. No caso da cons- Salienta-se que, embora não existam
trução civil, temos como unidade de normas oficiais de medição nem nor-
medida o metro quadrado, metro li- mas definidas pelo LNEC, tem vindo a
near, metro cúbico e o quilograma, ser prática corrente considerar como
para isso ser possível tem que existir “normas do LNEC” a publicação edi-
um mapa de trabalhos baseado e sus- tada por este organismo denominada
tentado por projeto e caderno de en- “Regras de Medição”.

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As medições na construção e as regras a elas associadas


constituem o modo de definir e quantificar, de forma ob-
jetiva, os trabalhos previstos em projeto ou executados em
obra. Constitui assim uma das grandes atividades em pro-
jeto, concurso, orçamento e obra. É uma atividade funda-
mental para as entidades envolvidas no processo constru-
tivo, nomeadamente o dono de obra e o empreiteiro, desde
o anúncio do concurso, passando pelo projeto, medição,
proposta avaliação da proposta, elaboração de documentos
contratuais, autos de medição, controlo de faturação, ges-
tão económica e fases de planeamento. O conjunto destas
diversificadas atividades tem como base o documento ob-
tido e resultante das medições.

No essencial, as medições consistem na elaboração do


mapa de quantidades. Um bom Técnico de Medição para
saber medir tem que, em primeiro lugar, saber executar.
A medição de um projeto ou de uma obra são a determi-
nação analítica e ordenada das diferentes quantidades dos
trabalhos que são a base determinação dos encargos defi-
nidos no projeto ou que integram a obra. Após a determi-
nação destas quantidades e aplicação de preços unitários
às mesmas, temos como resultado o orçamento da obra.

As medições devem descrever, de forma completa e precisa Semanalmente é realizada uma reunião de coordenação
os trabalhos previstos no projeto ou executados em obra. para fazer o ponto da situação da grelha de medições a
adotar e coordenar os trabalhos seguintes, bem como arti-
As dimensões a adotar são em regra as de cada elemento cular com os diversos responsáveis comerciais.
a aplicar em obra, arredondadas à casa decimal em causa. A Secção de Desenho e Medição executa medições essen-
Em resumo: temos medições em planos horizontais, com- cialmente de Arquitetura e Estrutura. Temos vindo a medir
primento x largura x altura ou espessura; em planos verti- projeto em Português, Inglês, Francês, Holandês, Alemão
cais, comprimento x largura ou espessura x altura, consi- e Espanhol, estes dois últimos com um pouco mais de di-
derando-se como comprimento e largura as dimensões em ficuldade na interpretação da linguagem. No primeiro tri-
planta dos elementos a medir. mestre do ano de 2016 no âmbito desta Seção foram me-
didos sessenta e um concursos num total de 128094.40m2.
Na Casais Engenharia e Construção, existe o Departamento
Técnico, composto pela Secção de Engenharia e pela Sec-
ção de Desenho e Medição. Esta última secção é composta
por cinco técnicos de medição e um responsável de secção,
que presta todo o apoio e coordena os técnicos de medição.

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Apresentam-se de seguida alguns gráficos que elucidam a distribuição por País,


bem como, a evolução entre quadrimestres homólogos 2015/2016.

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PROBLEMAS CORRENTES
EM EDIFÍCIOS E SOLUÇÕES
DE REPARAÇÃO
Partilha de conhecimento Formação FUNDEC (parte 2)*

Ana Costa Nos dias 9 e 10 de maio, a APV participou na formação sobre Proble-
Assistência Pós-Venda, Portugal mas correntes em edifícios e Soluções de reparação, no Fundec, cujo
objetivo era dar a conhecer as manifestações patológicas mais cor-
rentes em edifícios, as respetivas técnicas de diagnóstico e caracteri-
zação, e as soluções de reparação mais adequadas a cada situação.

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Capítulo 3 g. Variações higrotérmicas e ausência/deficiência de juntas


ANOMALIAS EM PAREDES de dilatação (aplicável em edifícios com estrutura de be-
tão armado e paredes de alvenaria de tijolo).

Anomalias estruturais e causas 2. Abaulamentos das paredes:


a. Sobrecargas;
Técnicas de Reabilitação de Coberturas b. Alterações estruturais;
c. Obras vizinhas (perda de confinamento/ apoio lateral);
1. Fendilhação: d. Constituição da parede (falta de perpianhos, deficiente
a. Assentamentos diferenciais (efeitos tendem a concentrar- aparelhamento, argamassas);
-se nos pontos mais fracos) provocados por: e. Presença de água (fator de agravamento, ao se acumular
• Deficiente solução / profundidade de fundação (edifí- nos vazios criados).
cios jovens);
• Fundação sobre aterros mal compactados (edifícios jovens); 3. Esmagamento:
• Construções vizinhas com escavação; a. Pontos de aplicação de cargas concentradas excessivas ou
• Demolição em construção contígua - desencosto e per- com deficiente apoio (ex: descarga de vigas em paredes,
da de confinamento; sem pedra aparelhada ou frechal);
• Alteração do regime hídrico do subsolo; b. Zonas de descarga de vigas metálicas substitutas de pare-
• Sobrecargas excessivas; des demolidas;
• Alterações descuidadas na estrutura dos edifícios. c. Construção de edifícios adjacentes: a pressão de injeção
das ancoragens das paredes das caves pode criar pressões
b. Impulsos horizontais: ascendentes no solo, que se transmitem às fundações e
• Coberturas inclinadas (alteração estrutural, sobrecargas); destas às paredes.
• Arcos.
4. Desagregação:
c. Vãos: a. Progressão e agravamento da fendilhação;
• Concentração de tensões nos cantos; b. Ação dos agentes climatéricos:
• Falta de apoio (contorno em pedra talhada ou tijolos • Alternância calor / frio – expansões e contrações su-
maciços). cessivas
• Vento e poeiras/areias transportadas.
d. Deformação de pavimentos de apoio das paredes. c. Água proveniente das chuvas ou infiltrações de origens
diversas;
e. Desligamento entre elementos: d. Vandalismo (> incidência 1º piso);
• Comportamento estrutural e termo-higrométrico diferencial; e. Choques (> incidência 1º piso).
• Erros de construção (ausência de perpianhos, falta de
ligação/imbricamento entre panos ortogonais)

f. Ações sísmicas e outras ações de acidente.

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Técnicas de Reparação/Consolidação Estrutural Capítulo 4

1. Injeção de caldas ligantes em alvenarias;


Anomalias em
2. Injeção/ reparação de fissuras/ fendas; Elementos de Madeira
3. Substituição de elementos afetados;
4. Reconstrução de paredes; Tipos de Ações de degradação das Madeiras
5. Reconstrução de pavimentos;
6. Consolidação de terrenos.

Técnicas de Reforço de Alvenarias Química

1. Reforço e consolidação de fundações;


2. Execução de lâminas de argamassa ou betão – rebocos
armados e lâminas de argamassa/ betão armado; Fogo
3. Execução de nova estrutura de betão armado em rasgos Fendas e Empenhos Física
Agentes Atmosféricos
abertos na alvenaria;
4. Introdução de novos elementos estruturais, sem des-
compressão da alvenaria;
5. Desmonte de pavimentos de madeira e sua substituição Fungos
por lajes de betão armado ou mista; Biológica Insetos
Xilófanos Marinhos
6. Reforço da ligação dos pisos de madeira à alvenaria ex-
terior com recurso a peças metálicas;
7. Reforço de pisos de madeira com vigas metálicas;
8. Pré-esforço exterior;
9. Contrafortes de alvenaria; Preservação com Produtos Líquidos
10. Juntas estruturais;
11. Cintagem dos pisos; 1. Técnicas de Auto-Clave:
12. Tirantes ativos (pós-esforçados); Nesta técnica, a madeira é impregnada do produto por
13. Tirantes passivos não aderentes; ação de pressão no interior de uma câmara hermética,
14. Tirantes passivos aderentes; garantindo uma impregnação profunda.
15. Conectores de confinamento da alvenaria, apertados É o método mais eficaz e o que permite maiores reten-
mecanicamente; ções de produto, seja aquoso ou de solvente orgânico.
16. Conectores de confinamento da alvenaria, dotados de Deve ser aplicado apenas a peças transportáveis.
manga injetada;
17. Pregagens aderentes em alvenaria; Soluções de Conservação e Reabilitação
18. Materiais compósitos em alvenaria.
1. Pavimentos:
a. Introdução de vigas adicionais intermédias;
b. Introdução de tarugamento;
c. Introdução de vigas transversais ao vigamento do pa-
vimento;

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ENGENHARIA

d. Empalme de vigamentos; Descontinuidades visíveis no betão


e. Colocação de próteses de madeira durável ou tratada;
f. Colocação de próteses em argamassa epoxídica; Descasques
g. Ligações com elementos metálicos; • Tempo de descofragem muito curto;
h. Introdução de sistemas de pré-esforço exterior. • Posologia inadequada (resistência reduzida);
• Ineficácia do agente descofrante;
1. Coberturas: • Deficiente rigidez ou irregularidade da cofragem.
a. Substituição de nós das asnas com próteses de madeira;
b. Empalme com elementos de madeira; Manchas no betão
c. Substituição ou reforço dos nós das asnas com elemen- • Deficiente colocação/ preparação/ qualidade da cofragem;
tos metálicos; • Ação de óleos descofrantes;
d. Introdução dos sistemas de pré-esforço exterior; • Ação dos materiais incorporados no fabrico do betão;
e. Reforço de elementos com barras ou varões colados. • Deficiente colocação de armaduras (corrosão).

Fissuração
• Colocação incorreta das armaduras e cabos de pré-esforço;
• Retração plástica do betão/calor de hidratação;
Capítulo 5 • Remoção prematura das cofragens.
Anomalias em Betão
Armado e Pré-Esforçado Anomalias de Durabilidade

Anomalias decorrentes do processo de construção 1. Exposição/ corrosão de armaduras (ataque de cloretos,


carbonatação do betão, outros);
Tipos e Causas: 2. Fissuração;
Vazios e zonas porosas 3. Desagregação do betão;
• Deficiente compactação do betão; 4. Descasque do betão;
• Posologia inadequada (reduzida trabalhabilidade); 5. Coloração.
• Cofragem impermeável/ flexível;
• Qualidade do agente descofrante;

Segregação - distribuição não uniforme dos seus constituintes


• Preparação incorreta do betão; * Este artigo é a continuação (última parte) do anterior, publicado n’ O
• Excesso de vibração; Engenho número 23 “Problemas Correntes em Edifícios e Soluções de
• Betonagem de alturas excessivas; Reparação – Partilha de conhecimento Formação FUNDEC.”
• Espaçamento das armaduras quando muito pequeno não
permite a passagem dos agregados durante a betonagem.

Erros de geometria
• Deficiente controlo da qualidade na execução:
- Posicionamento incorreto da cofragem/ armaduras;
- Cofragem excessivamente flexível;
- Velocidade de colocação excessiva.

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G E S T ÃO

COMO INFLUENCIAR PESSOAS*


Técnicas fundamentais para lidar com pessoas
(PARTE 2)

Pedro Vilaça Dale Carnegie é famoso por ter desenvolvido diversos cursos de
Departamento Produção,
Portugal
interação humana, tais como autoaperfeiçoamento, vendedor,
treino corporativo, falar em público, e habilidades interpessoais.

Uma das ideias centrais em seus livros tros que discordamos, é nestes pontos
é que é possível mudar o comporta- que temos de convencer o nosso rece-
mento das outras pessoas mudando tor que o ponto de vista dele pode não
seu comportamento em relação a eles. ser o mais correto, mas como o fazer
sem que surja sentimentos de repulsa?
Todos nós lidamos com pessoas todos
os dias, quer seja com familiares, co- O autor efetuou uma pesquisa durante
legas, fornecedores ou clientes, nessa anos, recolhendo depoimentos de diver-
*Artigos adaptados do livro “Como fazer amigos e interação existe sempre diversos pon- sas pessoas de forma a tentar obter um
influenciar pessoas” da autoria de Dale Carnegie
tos que concordamos mas existe ou- veio condutor entre todas essas pessoas.

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G E S T ÃO

Eis algumas aspetos que todos nós - Quer desenvolver amizades verdadeiras? seu interlocutor, vai surpreender-se ao
devemos ter em consideração quando - Quer ajudar os outros e ao mesmo descobrir que, assim, conseguirá mais
pretendemos melhorar o nosso rela- tempo ajudar-se a si próprio? facilmente um compromisso. Com sor-
cionamento com todas as pessoas que risos vai conseguir realizar desejos, e
nos rodeiam tanto ao nível familiar e Para que a amizade se desenvolva, atrair bons negócios que se traduzem
profissionalmente. cresça de forma pura, devemos dis- em muito euros por dia.
ponibilizarmo-nos para ajudar outras
pessoas, dedicar tempo e energia, o Ao defrontar-se com erros e proble-
altruísmo e preocupação em primeiro. mas tente não criticar, mas avalie o
Seis maneiras problema de forma mais positiva. Dei-
de fazer com que as Com este princípio em mente será bem- xe de falar daquilo que quer e passe
pessoas gostem de si -vindo em todo o lado permitindo-lhe, a focar-se no que todos queremos.
não só conquistar amigos pessoais, Tente colocar-se no ponto de vista da
Interesse-se genuinamente pelas mas também clientes e fornecedores, outra pessoa.
outras pessoas. leais para consigo e com a sua empresa. Se conseguirmos encarar o trabalho
Segundo Alfred Adler, “o individuo que de forma divertida, é quase absoluto
não se interessa pelos seus semelhan- Sorrir. Uma forma fácil de causar atingir o sucesso.
tes é o que mais tem dificuldade na uma boa impressão.
vida, e mais prejudica os outros. É a James V. McConnel, um psicólogo da Não esquecer o nome de uma
partir deste tipo de indivíduos que sur- Universidade de Michigan expressou pessoa. Se não fizer isto, terá
gem todos os erros humanos.” os seus sentimentos sobre o sorriso. problemas.
“As pessoas que sorriem tendem a gerir, Todos os indivíduos gostam de ser re-
Sabe qual o vocábulo mais usado numa ensinar e vender mais facilmente, e a conhecidos: a sensação de que somos
conversa telefónica? De acordo com um educar crianças saudáveis. Existe muita únicos individuais, o fato de o interpe-
estudo de mercado efetuado por uma mais informação num sorriso do que larmos pelo nome vamos distingui-lo
companhia de telefone de Nova Iorque, no sobrolho franzido. É por isso que o dos demais indivíduos.
descobriu-se que a palavra mais usado incentivo é uma ferramenta de ensino
é o pronome “Eu”. Foi utilizado 3900 ve- muito mais eficaz do que o castigo.” Podemos considerar que o nome de
zes em 500 telefonemas. uma pessoa é a única posse total e
Se o sorriso for pouco sincero, este vai completa da pessoa com quem esta-
A maioria das vezes nós intencional- ser reconhecido, e não será apreciado. mos a lidar.
mente somos egocêntricos, pretende- No entanto se o sorriso for verdadeiro,
mos que tudo e todos se foquem em este será caloroso, pois provém de den- Não se esqueça de que o nome de
nós. Não acredita? Quando olha para tro. E com esse sorriso conseguiremos uma pessoa representa, para essa pes-
uma fotografia de um grupo em que obter a cotação mais alto no mercado. soa, o som mais doce e mais impor-
está presente qual o rosto que procura tante de qualquer língua.
primeiro? Quando alguém estiver a negociar,
- Quer que os outros gostem de si? mantenha um sorriso afável e ouça o

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G E S T ÃO

Ouvir: Uma forma fácil de se tornar Como despertar o interessar das Existe um mundo imenso em toda a
um bom conversador. pessoas. nossa volta, estamos rodeados por di-
Se pretender que as pessoas o consi- Todos nós temos interesses de toda a versas pessoa que podem de alguma
derem como sendo uma pessoa muito ordem, uns gostam de futebol, outros forma contribuir para o sucesso da
boa conversadora, ouça o que essas gostam de arte, uns gostam de lazer nossa atividade, do nosso objetivo.
pessoas têm para dizer. Estimule-os a outros de ganhar dinheiro.
que falem de si próprios. Questione- Não se esqueça que não somos deten-
-os sobre algum assunto que sabe ser Antes de partir para uma negociação tores de toda a sabedoria, não possuí-
do interesse do seu interlocutor. Esteja tente estudar quem é o seu interlo- mos conhecimento de toda a matéria,
atento a todos os pormenores, tanto cutor, quais os seus interesses, e suas existirá sempre alguém ao seu lado
ao nível da linguagem verbal e não- motivações. Ao deter este conheci- que sabe mais do que você em deter-
-verbal, pois vão-lhe transmitir mais mento poderá contribuir para o seu minado assunto. E que o pode ajudar
do que apenas palavras. enriquecimento. se você apenas souber alegrar o dia,
Falar em função dos interesses de ou- apenas com um elogio.
Será que existe alguma fórmula má- tra pessoa acaba por compensar para
gica, para a realização de um negócio ambas as partes.
bem-sucedido?
Bem, segundo o antigo presidente de Como fazer com que gostem de si
Harvard, Charles W. Eliot: “Não há mis- instantaneamente.
térios quanto a uma relação de negó- Seja generoso, ofereça um elogio. Faça
cios de sucesso…Uma atenção exclusi- com que a outra pessoa se sinta im-
va à pessoa que está a falar consigo é portante. Mas faça-o com sinceridade.
muito importante. Não há nada mais Se formos egoístas ao ponto de não
lisonjeador do que isso”. conseguir oferecer um elogio positivo
e honesto, por forma a espalhar um
Jamais se esqueça que todas as pes- pouco de alegria por quem nos rodeia,
soas gostam de se sentir como sendo sem tentarmos obter algo em troca,
o centro das atenções. Para a maioria então é porque as nossas almas não
das pessoas, a dor que as aflige é mui- são maiores do que uma amêndoa
to maior do que a dor de todas as pes- amarga. Muito em breve vamos des-
soas juntas. cobrir que estamos sozinhos e conde-
nados ao fracasso.

No próximo mês, a edição d’ O Engenho vai divulgar a 3ª parte deste artigo dedicada ao
tema "Como conquistar pessoas para a sua forma de pensar".

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DIREITO A FALAR

CARTA DE CONDUÇÃO POR PONTOS


EM VIGOR DESDE 1 DE JUNHO DE 2016

Manuel Luís Gonçalves Entrou em vigor no passado dia 1 de junho o sistema da “Carta por Pontos”.
Departamento Jurídico Todos os condutores passam a ter um "cadastro", com uma pontuação inicial
de 12 pontos, que aumenta ou diminui em função das infrações praticadas.

1. O que é a carta por pontos? rios, podem ser atribuídos pontos.


Um título de condução ao qual são Se praticar uma contraordenação gra-
atribuídos pontos. Doze para começar. ve ou muito grave, além da coima e
Por cada contraordenação grave ou eventual inibição temporária de con-
muito grave, ou crime rodoviário, serão duzir, também perderá pontos.
subtraídos pontos.
Se não praticar contraordenações gra-
ves, muito graves ou crimes rodoviá-

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DIREITO A FALAR

2. É necessário substituir a atual carta condutor de veículo de socorro ou km/h (motociclo ou automóvel li-
de condução? de serviço urgente, de transporte geiro) ou superior a 20 km/h (outro
Não. O novo sistema de carta por pon- coletivo de crianças e jovens até aos veículo a motor) em zonas de coe-
tos não implica qualquer substituição 16 anos, de táxi, de automóvel pe- xistência.
de documentos. Os pontos são subtra- sado de passageiros ou de mercado-
ídos e adicionados informaticamente. rias ou de transporte de mercadorias 7. Quantos pontos são retirados por
perigosas; crime rodoviário?
3. As infrações praticadas antes de 1 • Excesso de velocidade superior a 20 Seis pontos.
de junho de 2016 tiram pontos? km/h (motociclo ou automóvel li-
Não. Qualquer contraordenação grave geiro) ou superior a 10 km/h (outro 8. Qual o máximo de pontos que po-
ou muito grave, ou crime rodoviário, veículo a motor) em zonas de coe- dem ser retirados se praticar várias
praticado antes da entrada em vigor xistência; contraordenações em simultâneo?
deste sistema, será punido ao abrigo • Ultrapassagem efetuada imediata- São retirados, no limite, seis pontos.
do regime anterior e não terá como mente antes e nas passagens assi- No entanto, se entre as condenações
consequência a subtração de pontos. naladas para a travessia de peões ou por contraordenação grave ou muito
velocípedes. grave estiver em causa a condução sob
4. Quando é que são retirados pontos influência do álcool ou sob influência
após praticar a infração? 6. Quantos pontos são retirados em de substâncias psicotrópicas, são ainda
Os pontos só são subtraídos na data contraordenações muito graves? retirados os pontos respetivos – três,
definitiva da decisão administrativa ou Na maioria dos casos são retirados cinco ou seis, consoante seja grave,
do trânsito em julgado da sentença. quatro pontos. muito grave ou crime.
Ou seja, caso as decisões de aplicação São retirados cinco nas seguintes con-
de coimas e/ ou inibição de conduzir traordenações muito graves: 9. Com o regime de carta por pontos
sejam impugnadas junto da ANSR ou • Condução sob influência de álcool, também é necessário entregar a carta
objeto de recurso judicial da contra- com uma taxa de alcoolemia igual de condução para cumprir a inibição
ordenação, só depois da decisão final ou superior a 0,8g/l e inferior a de conduzir?
destas decisões é que são retirados 1,2g/l ou igual ou superior a 0,5 g/l Sim, os pressupostos da determinação
pontos em função dessa decisão. e inferior a 1,2 g/l quando respeite da medida da sanção acessória man-
a condutor em regime probatório, têm-se. Após a prática de contraorde-
5. Quantos pontos são retirados em condutor de veículo de socorro ou nação grave ou muito grave, o proces-
contraordenações graves? de serviço urgente, de transporte so corre os seus trâmites legais e, no
Na maior parte dos casos, são retirados coletivo de crianças e jovens até aos caso de haver decisão condenatória
dois pontos. 16 anos, de táxi, de automóveis pe- de sanção acessória de inibição tem-
São retirados três pontos nas seguin- sado de passageiros ou de mercado- porária de conduzir, o condutor deverá
tes contraordenações graves: rias ou de transporte de mercadorias entregar o seu título de condução para
• Condução sob influência de álcool, perigosas, bem como quando o con- cumprimento da mesma.
com uma taxa de alcoolemia igual dutor for considerado influenciado
ou superior a 0,5g/l e inferior a pelo álcool em relatório médico; 10. É possível ganhar pontos?
0,8g/l ou igual ou superior a 0,2 g/l • Condução sob influência de subs- Sim. No final de cada período de três
e inferior a 0,5 g/l quando respeite tâncias psicotrópicas; anos, sem que sejam praticadas con-
a condutor em regime probatório, • Excesso de velocidade superior a 40 traordenações graves ou muito graves,

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DIREITO A FALAR

ou crimes de natureza rodoviária, são 12. O que acontece se ficar com três
atribuídos três pontos ao condutor, ou menos pontos?
não podendo ser ultrapassado o limite Será obrigado a realizar a prova teóri-
de 15 pontos. ca do exame de condução. A falta não
justificada ou a reprovação na prova
A cada período da revalidação do título implica a cassação do título de condu-
de condução, sem que sejam pratica- ção, isto é, fica sem carta de condução
dos crimes rodoviários, e o condutor e terá que aguardar dois anos para a
tenha frequentado voluntariamente tirar novamente, suportando os respe-
ação de formação de segurança rodo- tivos custos.
viária, é atribuído um ponto ao con-
dutor não podendo ser ultrapassado o 13. Se ficar sem pontos, o que aconte-
limite de 16 pontos. ce ao título de condução?
No caso de se encontrarem subtraídos
Este limite é aplicado apenas em si- todos os pontos, é ordenada a cassa-
tuações em tenham sido atribuídos ção do título de condução em proces-
pontos conforme previsto no parágrafo so autónomo – isto é, fica sem carta
anterior. Caso contrário, mantém-se o de condução.
limite máximo de 15 pontos. Efetivada a cassação do título de con-
dução, fica impedido de obter novo tí-
Os três anos, para efeitos de adição de tulo durante o período de dois anos.
pontos, são contados a partir da data Após este período poderá tirar nova-
de definitividade da decisão adminis- mente a carta, suportando os respeti-
trativa ou do trânsito em julgado da vos custos.
sentença da última infração praticada
(contraordenação grave ou muito gra- 14. Como é que sei quantos pontos
ve, ou crime rodoviário) e não a partir tenho?
da data da última infração praticada. Através de registo no Portal de Contra-
ordenações Rodoviárias.
11. O que acontece se ficar com cinco
ou quatro pontos?
Será obrigado a frequentar uma ação
de formação de Segurança Rodoviária.
A falta não justificada implica a cassação
do título de condução, isto é, fica sem
carta de condução e terá que aguardar
dois anos para a tirar novamente, su-
portando os respetivos custos.

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