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BOLETIM DE Nº 20

CONHECIMENTO fevereiro 2016


TÉCNICO

REBOCO TRADICIONAL
EM PAREDES EXTERIORES
CASO PRÁTICO ZENITH TOWERS
Os edifícios caracterizam-se, no que se refere aos elementos mais relevantes para
a execução de revestimentos de reboco, por se tratar de uma construção de grande
dimensão com cerca de 60m de altura e cerca de 25m de largura...
// pág. 02

CASAIS GLOBAL SOURCING ENGENHARIA SEGURANÇA EM 1º LUGAR

Danos nos pneus: Betão Colorido Utilização, manutenção e


// pág. 11
Causas e Prevenção requalificação de equipamentos
// pág. 7
base madeira // pág. 31

CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL DIREITO A FALAR


PARTICIPAÇÃO ESPECIAL Instrumentos Ambientais Como proceder em caso de
ANGOLA
// pág. 38
acidente automóvel?
// pág. 42

“O Engenho” é um Boletim de Conhecimento Técnico Mensal, os conteúdos não podem ser reproduzidos ou copiados sem a devida autorização dos autores.
Todos os direitos reservados. Grupo Casais © 2016 www.casais.pt | www.casaisnet.casais.pt
Boletim de Conhecimento Técnico Nº 20/2016

REBOCO TRADICIONAL
EM PAREDES EXTERIORES
CASO PRÁTICO ZENITH TOWERS

Por Ângelo Gonçalves


// Departamento de Produção Casais Angola

O presente documento refere como tema, o processo de


aprovação por parte da Fiscalização, Ficangol dos rebocos
exteriores método tradicional, FAM 87, na empreitada TA01
Zenith Towers em Luanda, Talatona – Angola. A exigência da
Fiscalização em causa nesta empreitada, num país Africano,
caso particular de Angola foi extremamente elevada.

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O presente texto refere o parecer so- COMPOSIÇÃO DA ARGAMASSA cidade originou a redução de rigidez
bre as condições em que foi executa- O cimento, a areia e a água utilizadas da argamassa e consequentemente
do o revestimento de reboco exterior não apresentam questões específicas, minoraram o risco de fendilhação da
de paredes de fachada dos edifícios, tendo características que permitem mesma, nomeadamente por efeito da
Torres 1 e 2 de escritórios. a sua utilização em argamassas retração restringida que ocorre quan-
para reboco, sem grandes restrições, do a argamassa seca após aplicação
Os edifícios caracterizam-se, no que nomeadamente no que se refere à nas paredes; além disso, este tipo de
se refere aos elementos mais relevan- presença de sais nocivos ou de partí- materiais ajudaram à trabalhabilidade
tes para a execução de revestimen- culas finas em excesso. da argamassa fresca, e permitiram
tos de reboco, por se tratar de uma uma redução da quantidade de água
construção de grande dimensão com Assim, a solução encontrada e apro- de amassadura e um aumento da
cerca de 60m de altura e cerca de vada passou por uma composição capacidade de adesão da argamassa à
25m de largura; localizam-se numa cimento, areia e água, numa relação base de alvenaria e de betão.
zona caracterizada climaticamente por volumétrica de 1:3 (cimento:areia),
temperaturas elevadas (frequente- com uma dosagem de água que de- Inicialmente executou-se uma amas-
mente acima dos 30ºC) e por elevados verá ser ajustada às condições efetivas sadura experimental, para afinação
níveis de humidade, comuns a climas de trabalhabilidade da argamassa. das condições de fabrico da argamas-
tropicais e equatoriais. sa, nomeadamente para controlo da
Recorreu-se ao uso do adjuvante quantidade de água de amassadura,
Nestas condições, a confeção e Super Skalite e Sikalatex, utilizados na sua relação com a trabalhabilida-
execução de revestimentos de reboco de acordo com as especificações dos de e com a facilidade de aplicação;
apresentam algumas dificuldades respetivos fabricantes, ambos os ad- com essa amassadura experimental
específicas, às quais se soma o facto juvantes oriundos da mesma marca, executou-se um painel experimen-
de não virem a ser usadas argamassas no caso concreto produtos Sika, onde tal de reboco de argamassa, sobre
predoseadas e não estarem disponí- assegurámos assim a inexistência de o qual se efetuou a observação do
veis no mercado Angolano, generali- incompatibilidades, nomeadamente comportamento nos primeiros dias
zadamente alguns materiais como a de natureza química. e realizaram-se testes de aderência
cal aérea, cujo uso poderia ter inte- através de ensaios de pull-out; esse
resse neste caso; assim utilizaram-se A utilização dos adjuvantes permitiu painel experimental auferiu dimen-
rebocos de argamassa de cimento e a obtenção de funções hidrofugantes, sões de cerca de 2mx2m e foi execu-
areia, com adição de adjuvantes para melhorando o desempenho da arga- tado seguindo os procedimentos que
melhorar o desempenho das arga- massa, sobretudo no estado seco, no a seguir se indicam.
massas, compensando os problemas que se refere à relação com a absor-
específicos inerentes a argamassas de ção de água da chuva, e aumentaram Um fator muito importante foram as
cimento e areia. a elasticidade da argamassa resultante dosagens dos adjuvantes referidos
(após secagem), através da redução do que seguiram escrupulosamente as
respetivo módulo de elasticidade. prescrições dos fabricantes.

Os aditivos que podem ser uma resina


acrílica ou látex, tiveram uma primeira
função, primordial, na medida em
que a redução do módulo de elasti-

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MODO DE APLICAÇÃO Seguiu-se o enchimento ou encasque remos ao auxílio no processo de cura


A argamassa a confecionada segundo nas zonas de maior espessura de reboco. através do humedecimento das arga-
as condições referidas no ponto ante- Todas as zonas em que a espessura massas aplicadas, de modo a evitar
rior, foi aplicada seguindo um conjunto total de reboco foi superior a 30mm, uma perda demasiadamente rápida e
de cuidados, de modo a minimizar os armámos com rede Tecarm 13 da So- excessiva da água de amassadura.
riscos de descolamento da base e de tecnisol, ou seja, redes tecidas de malha
fendilhação da própria argamassa, que apertada, à base de fibras de vidro ou Nesta altura, a superfície da parede
são os riscos principais associados à similar, com proteção anti alcalina. Estas estará em condições quase uniformes
realização de rebocos de argamassa em redes incorporaram zonas singulares no que se refere às espessuras de ar-
grandes superfícies, como o caso desta. das paredes, como é o caso das transi- gamassa a aplicar, embora se verifique
ções alvenaria-betão e todos os cantos que ainda podem existir variações
Assim, o primeiro cuidado que tivemos e dobras dos rebocos, como sucede no entre cerca de 15mm e 30mm; em
relaciona-se com os períodos do dia contorno de portas e janelas, nos vérti- qualquer caso, a regra a seguir é a de
durante os quais as argamassas devem ces das quais existem concentrações de aplicar mais de uma camada de rebo-
ser aplicadas (o que, naturalmente, tensões de tração que as redes referidas co até perfazer a espessura final, asse-
condiciona, o período de confeção se destinam a contrariar. gurando que nunca se ultrapassam os
das mesmas): devendo evitar-se a 15mm por camada e que se garante
aplicação com temperaturas superiores Estes enchimentos foram realizados um tempo de espera entre camadas
a 30ºC, a aplicação das argamassas sucessivamente com a argamassa base sucessivas não inferior a 72h, com
executou-se como recomendam as descrita no ponto anterior, embora os cuidados de acompanhamento da
regras, ou seja, concentrou-se nos fosse desejável que houvesse uma cura como atrás foram mencionados.
períodos da manhã, antes do meio-dia graduação da resistência mecânica das
e nos fins da tarde, evitando-se com camadas sucessivas, com redução da A colocação de malhas tecidas de fibra
este procedimento a incidência direta mesma do interior para a superfície. de vidro ou similar nas zonas onde
dos raios solares nas superfícies de haja risco de concentração de tensões,
trabalho, e as temperaturas extremas. Caso se utilizassem argamassas bas- como é o caso do contorno das aber-
tardas com recurso a cal aérea, seria turas de portas e janelas, foi efetuada
A execução do reboco iniciou-se pela mais prático, pois bastaria “jogar” com na última camada de reboco, uma vez
aplicação, em toda a superfície das as proporções de cal e cimento para que irá ficar sujeita às ações climáticas
paredes (seja alvenaria ou betão da obter essa graduação. mais agressivas; já o reforço nas zonas
estrutura) de uma camada de pe- de transição reboco-alvenaria foram
quena espessura, cerca de 2 a 3mm, Em qualquer caso, cada camada não integradas na primeira camada de
(crespido ou chapisco), com uma ar- teve mais de 15mm de espessura reboco após o chapisco.
gamassa muito rica em ligante (traço e entre duas camadas sucessivas
volumétrico cimento:areia de 1:1) com deixou-se decorrer um prazo não
adição de resina acrílica ou látex (Si- inferior a 72h, de modo a que nesse
kalatex), como promotor de aderência. período ocorresse uma parte relevante
Embora se trate de uma argamassa da retração da argamassa da camada
com elevada retração específica, não aplicada, minorando os efeitos finais
há riscos de fendilhação e garantiram- da retração. Houve naturalmente
-se assim, condições excelentes de casos em que as superfícies rebocadas
ligação entre as camadas de reboco e ficaram sujeitas a temperaturas supe-
a base de aplicação. riores a 30ºC, e nestes casos, recor-

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ESQUARTELAMENTO
O esquartelamento dos rebocos é uma medida destinada a
reduzir os riscos de fendilhação dispersa e aleatória.

O projeto não referia qualquer esquartelamento do reboco.


A Casais Angola propôs um à aprovação do projetista de ar-
quitetura, que só com a intervenção técnica da Fiscalização e
a quase imposição do Dono de Obra, foi proposta aprovada.

A proposta de esquartelamento das fachadas rebocadas


definiu-se uma malha de cerca de 4mx4m, correspon-
dendo a primeira destas dimensões à altura total entre
andares, e a segunda a uma divisão simétrica da totalidade
da largura da fachada.

Cortou-se a superfície do reboco com incisões verticais e


horizontais, conseguiu-se com isso a redução localmente
da espessura do reboco, reduzindo, por essa via, os efeitos
da retração; essas incisões de esquartelamento atingiram
uma profundidade da ordem de grandeza da espessura da
camada final de reboco.

Considerou-se que seria conveniente, no que se refere às


juntas horizontais, que elas fossem definidas pela locali-
zação da estrutura de fachada (lajes ou vigas), e em vez de
uma junta por piso foram criadas duas, cada uma corres-
pondente às faces inferior e superior das estruturas hori-
zontais da fachada (lajes ou vigas); em condições normais
de temperatura e exposição, a distância máxima entre
juntas não deve ultrapassar os 4m, daí a nossa proposta
registada na preparação de obra 104 e 105.

Um fator muito importante foi a escolha do esquema de


pintura das paredes rebocadas.

Foi usado um sistema de pintura pouco rígido, de modo


a assegurar que a pintura permitisse o acompanhamento
dos movimentos estruturais e não estruturais que a parede
tem tendência a sofrer.

Fig 1. Preparação 104 e 105 – Esquartelamento proposto pela Casais Angola.

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Como dica, os sistemas à base de tintas de resinas acrílicas, CONCLUSÃO


preferencialmente microporosas podem dar a resposta O sucesso deste procedimento que resultou igualmente no
adequada; esses sistemas caracterizam-se pela elevada sucesso do trabalho em termos de qualidade e durabili-
capacidade de adesão à superfície das argamassas de dade, só foi possível com a afetação física a 100% em obra
reboco, a qual deve ser previamente preparada, através de dois chefes de equipa expatriados experientes e da
de escovagem para eliminação de partículas soltas. A confiança da Direção de Obra, no controlo do procedimen-
aplicação de um primário promotor de aderência à base to, quer a nível de execução de argamassas no estaleiro de
de resina acrílica aumentará o nível de desempenho do obra, quer no local de execução dos rebocos, mais concre-
sistema de pintura. tamente nas fachadas dos edifícios.

À data de hoje, e já passados quase dois anos da conclusão


da Torre 1, a Casais Angola orgulha-se de poder afirmar
que não existe qualquer problema de fissuração ou outros,
nos rebocos exteriores das suas Torres de escritórios no
empreendimento Zenith Towers.

Fig 2. Foto Torre 1 concluída

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CASAIS GLOBAL SOURCING

CASAIS GLOBAL SOURCING

DIVULGA…

DANOS NOS PNEUS:


CAUSAS E PREVENÇÃO
(PARTE I)
Por José Luís Marques* Os quatro pneus de um veículo são
// Departamento Logística - Portugal
Quando existe uma os únicos pontos de contacto com
a estrada. Muitos automobilistas
falha no pneu, o esquecem-se disto, pondo em causa
utilizador procura saber a sua segurança ao negligenciarem
a manutenção dos pneus. O uso
imediatamente se o indevido destes componentes pode
dano foi causado por resultar em desgaste ou conduzir a
uma falha. Enquanto a durabilidade
material fraco ou com é apenas uma questão económica, os
defeito, se se deveu a danos nos pneus podem dar origem
montagem errada ou a danos materiais ou ferimentos.
Felizmente, os acidentes com pneus
se a manutenção foi são cada vez mais raros. Isto deve-se,
deficiente. principalmente, à elevada qualidade
técnica da indústria de pneus. Mas,
*Revista dos Pneus, dezembro 2015 também, aos conselhos e ao serviço
dos revendedores.

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Pneus danificados podem ser a … MAS TAMBÉM INFLUENCIÁVEL


causa de avarias e potenciam a O nível de desgaste e a quilometragem de um veículo de
passageiros dependem, entre outros aspetos, da ocorrência
ocorrência de acidentes graves. de derrapagens. E o desgaste por derrapagens depende
Por isso, esteja atento! muito do estilo de condução de quem vai ao volante.

Dobro de derrapagens significa o quádruplo do desgaste


››› O DESGASTE É INEVITÁVEL… e um quarto da performance (em termos de quilóme-
Quando um veículo está em movimento, o piso de cada tros). No caso de uma aceleração delicada, em piso seco,
um dos pneus está em constante desgaste, provocado pelo os valores do desgaste pela derrapagem atingem os 2%.
contacto com a estrada. Este facto torna-se evidente pela No caso em que um veículo é forçado até ao limite, pode
diminuição gradual da profundidade do piso do pneu. acontecer um desgaste por derrapagem de 20%.

Normalmente, acontece de forma uniforme e lenta, sendo Os valores de desgaste variam conforme o estilo de con-
tal inevitável e até necessário. Isto porque as leis da física dução, se for normal, o desgaste é menos e o pneu pode
determinam que haverá uma derrapagem se houver uma fazer cerca de 40.000km. Se for um condutor “agressivo”, o
força transmitida contra a estrada, quer seja circunferencial desgaste será muito maior e o pneu não durará muito mais
(no caso de acelerações ou travagens), quer seja lateral (o do que 5.000km. No entanto, o nível de desgaste depende,
que ocorre ao curvar). essencialmente, da velocidade a que o veículo se move nor-
malmente, da qualidade do piso e da pressão dos pneus.
A derrapagem acontece no movimento relativo entre a
estrada e o pneu quando existe uma transmissão de força.
Derrapagem significa que a velocidade do veículo é maior
ou menor do que a velocidade circunferencial da roda. Por ››› DESGASTE PARCIAL
outras palavras, a distância que o veículo cobre é maior ou A causa do desgaste mais frequente tem a ver com o facto de
menos do que a circunferência de rolamento do pneu. a geometria do pneu não estar de acordo com a especificação.
Estes desvios acontecem ao longo do tempo e são o preço a
pagar pelos maus hábitos de condução, como, por exemplo,
subir passeios. Rebaixar um veículo com pneus de baixo perfil
também afeta negativamente o alinhamento. Esta modifica-
ção agrava a tendência do alinhamento ficar com um desvio.
O resultado traduz-se num desgaste não uniforme.

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››› DESGASTE NA SUPERFÍCIE CENTRAL Na área do pneu mais afetada pelo desgaste diagonal há
Este padrão de desgaste encontra-se, na maioria das vezes, certas partes da estrutura do pneu que estão em contacto
em pneus de automóveis de alta cilindrada. Hoje em dia, frequente. O facto de a pressão do pneu poder estar dema-
até os automóveis de média cilindrada gerem altos níveis de siado baixa ou de os amortecedores não estarem a funcionar
energia, capazes de produzir fortes derrapagens. devidamente, também pode agravar este tipo de desgaste.

Estes elevados níveis de potência, que surgem com a forte


aceleração ou em situações de “para-arranca” características ››› DESGASTE EM FORMA DE “SERRA”
do trânsito dos grandes centros urbanos, também podem É causado pelo uso quotidiano, com a suspensão posicionada
aumentar o desgaste central. Por razões de segurança, a pres- normalmente. É a manifestação visível e (audível) de várias
são de insuflação dos pneus (operação que deve ser efetuada forças distorcionais que afetam o piso do pneu.
com eles frios) nunca deve exceder os níveis recomendados
pelo fabricante do veículo. As ranhuras e os blocos que formam o piso de um pneu –
fonte de ruídos – são essenciais para uma condução segura
em piso molhado. No caso dos pneus de baixo perfil, grande
percentagem do desenho do piso é estudada para conseguir
afastar a água e evitar o aquaplaning.

As ranhuras cruzadas (para drenar a água) formam verdadei-


ros blocos na zona lateral dos ombros.

Estes blocos nos ombros podem levar ao tal desgaste em


forma de “serra”, resultado do rolamento de mecanismos sob
certas condições de utilização.
››› DESGASTE DIAGONAL LOCALIZADO
Este desgaste ocorre a cerca de 45º do plano circunferencial.
Geralmente, aparece só numa zona de circunferência do piso,
embora possa aparecer em mais. Os veículos mais afetados
são os de tração dianteira.

Este tipo de desgaste é mais ou menos associado aos pneus


colocados nos eixos sem tração, especialmente na posição
traseira esquerda. Enquanto alguns veículos são particular-
mente suscetíveis a este desgaste, outros não são. Este efeito
é agravado quando o desalinhamento é grande.

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Estas condições de utilização podem ser: ››› DESGASTE DO PISO CAUSADO POR TRAVAGENS
Este tipo de desgaste resulta de travagens “a fundo” com
• Longos trajetos, sem grandes curvas, a uma os pneus bloqueados, deixando marcas na estrada. Mesmo
velocidade constante; em veículos equipados com ABS, as travagens conseguem
• Estilo de condução moderado; provocar um breve bloqueio do pneu, embora o desgaste
• Geometria de suspensão (alinhamento/camber). causado seja menor.

À medida que o pneu vai rolando ao longo da estrada, os


blocos deformam, conforme se aproximam da zona de
contacto com o piso, sendo comprimidos ao entrarem em
contacto com a estrada. Ao perderem este contacto, friccio-
nam a superfície enquanto voltam à sua forma original.

O resultado traduz-se num desgaste maior nos cantos


dos blocos exteriores do piso. Este tipo de desgaste é
mais frequente nos pneus que estão montados nos eixos
não motrizes.

ESTE ARTIGO CONTINUA NA EDIÇÃO 21


DO ENGENHO (MARÇO/2016)

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ENGENHARIA

BETÃO COLORIDO

Por Vasco Fernandes Os óxidos de ferro/pigmentos vieram acrescentar uma nova


// Central de Betão e Agregados dinâmica aos Betões Estruturais e, ao mesmo tempo, ampliar
Angola o leque de utilização deste, nomeadamente em soluções que
aliem a estética à durabilidade.

A incorporação de pigmentos ao betão conferem-lhe um leque


extenso de cores com diferentes tonalidades. Estes pigmentos são
inorgânicos e têm como características a sua insolubilidade em
água e ácidos diluídos, resistentes à alcalinidade do cimento, bem
como absolutamente resistentes a intempéries e à luz.

Ao fabricar betão colorido deve-se recorrer à utilização do cimento


cinzento para cores escuras e branco para cores mais claras.

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ENGENHARIA

Na central de betão da Casais Angola FASE I


testamos uma composição com óxido
de ferro preto, com a finalidade de Produziu-se 1.2 m3 de betão com
apresentar a um cliente uma solução um tempo de amassadura de 180
para uma fachada arquitetónica de segundos após a entrada de todos os
uma residência habitacional. constituintes, de modo a garantir a
homogeneidade do produto final.

OBJETIVOS DO CLIENTE:

1. Betão da Classe C20/25;


2. Cor preta;
3. Amostras com diferentes tipos de
acabamento.

MODO DE PREPARAÇÃO:

Formulou-se uma composição de


características C20/25, classe de
abaixamento S3 (100 – 150mm) e
com máximo diâmetro do agregado
de 12mm.

Agregados: fabrico Casais (godos); FASE II


Cimento: II 42,5 R;
Adjuvante: Sikaplast 571; Verificou-se o índice de trabalhabili- De registar que o aspeto visual deste
Óxido de Ferro: preto 318; dade do betão e foi transportado para betão é semelhante ao asfalto.
o local de enchimento dos moldes.

COMPOSIÇÃO:

Quantidade
Designação
kg/m3 betão

Cimento CEM II/A-L x 42,5N 294,00


Ox. Ferro preto 318 11,00
Brita 5-12 910,00
Areia 0-5 625,00
Areira 0-2 380,00
Água 168,00
Superplastificante (SkP 571) 3,20

total 2.391,20

Nota: foram adicionadas fibras de poli-


propileno (600 gr / m3) para garantir a
estabilidade estrutural das amostras.

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ENGENHARIA

FASE III

Enchimento dos diferentes moldes e


recolha de provetes.

FASE IV FASE V

Definição do tipo de acabamento nas Desmoldagem das amostras e provetes.


diferentes amostras.

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ENGENHARIA

CARACTERÍSTICAS, PROPRIEDADES
E CUIDADOS A TER COM O PRODUTO: VANTAGENS:

• Desempenho idêntico ao betão normal; • Evita/Elimina pintura;


• Disponibiliza novos efeitos arquitetónicos;
• Exige maior controlo e cuidados especiais, • Economiza manutenção;
nomeadamente na dosagem de água (não • Dispensa revestimentos.
deve ser adicionada posteriormente para
prevenir além das propriedades mecânicas a
uniformidade da cor);
APLICAÇÃO:
• Sobredosagem pode provocar a quebra de
resistência mecânica – impede o normal de-
sempenho do cimento na mistura (devem-se • Fachadas diferenciadas,
fazer sempre ensaios prévios); • Pavimentos,
• Obras especiais,
• Utilizar descofrante incolor; • Edifícios e Moradias,
• Espaços Comerciais.
• As juntas das betonagens devem garantir boa
estanquicidade do molde;

• Quando endurecido recomenda-se a utili-


zação de um agente hidrófugo para garantir
melhor proteção.

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ENGENHARIA

NOÇÕES EM PROTEÇÃO ANTICORROSIVA,


PROTEÇÃO PASSIVA AO FOGO E
CONTROLO DE SISTEMA DE SOLDADURA
EM ESTRUTURAS METÁLICAS

Por Luís Silva PROTEÇÃO ANTICORROSIVA


// Metalser - Angola
O aço é uma matéria-prima mui- construção. No entanto, não é perfei-
to versátil e resistente pelo que to. Sofre corrosão.
tem aplicação em várias indústrias, Corrosão é a reação química que ao
nomeadamente na construção civil. aço em contacto com outro agente
Na construção civil tem (além da (água, químicos, etc.) provoca perda
construção tradicional – betão arma- de material e massa. Esta perda de
do) especial relevância na construção massa pode implicar a perda ou inu-
metálica, na construção mista e na tilização da peça ou estrutura metáli-
produção de serralharias, além da ca. Existem estimativas que apontam
conceção de diversos utensílios, que a corrosão é responsável pela
maquinaria e ferramentas de apoio à perda de 4 a 7% do PIB mundial.

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ENGENHARIA

Principais tipos de corrosão: E três categorias de corrosividade METALIZAÇÃO


de água e solos, mediante o tipo de
• Corrosão Uniforme ou Geral agente em contacto: A metalização é uma proteção que
• Corrosão em Picadas pretende, como na galvanização, criar
• Corrosão Galvânica • Im1 – Água Doce uma camada metálica de proteção ao
• Corrosão Intersticial • Im2 – Água salgada ou salobra aço, também normalmente de Zinco.
• Corrosão por Concentração Celular • Im3 – Solo No entanto, a deposição de zinco na
• Corrosão Grafítica metalização é obtida pela projeção de
Usualmente existem três tipos princi- metal (zinco, alumínio, etc.) em que
pais de revestimentos para proteção micropartículas do metal são projeta-
metálica: das através de pistola de ar comprimi-
do que, juntamente a uma fonte de
• Revestimento por Zinco (Galvanização) calor (chama ou arco elétrico), funde
• Revestimento por Projeção Térmica a matéria-prima (normalmente em
(Metalização) fio). As normas que definem as regras
• Revestimento por Pintura e procedimentos da metalização a
zinco são a EN 14616:2004 Thermal
spraying - Recommendations for
GALVANIZAÇÃO termal spraying, a EN ISO 14713 –
Guidelines and recommendations
A galvanização consiste na imersão for the protection against corrosion
do material aço em banho de zinco of iron and steel in structures – Zinc
fundido - Galvanização por imersão coating. É possível aplicar acabamento
a quente. Essa imersão implica que sobre este tipo de proteção.
Fig.1 Corrosão Uniforme (cima) e Corrosão em Picadas (baixo)
in CIN – Norma EN ISO 8501 uma camada de zinco se adira ao
aço, criando uma barreira protetora.
O zinco funciona assim como uma
Assim, torna-se necessário proteger camada de desgaste, protegendo a PINTURA
as estruturas metálicas para con- camada inferior de ferro.
trariar a perda de material e conse- O método mais comumente utilizado
quente perda de valor. As normas que definem as regras para a proteção de estruturas metá-
e procedimentos para a galvaniza- licas é a pintura com recurso a tintas
A EN 12944 - Proteção Anticorrosiva ção para estruturas metálicas são e vernizes.
de Estruturas de Aço por Esquemas a EN ISO 14713 – Guidelines and
de Pintura, define seis categorias de recommendations for the protection A norma que define a metodologia e
corrosividade atmosférica: against corrosion of iron and steel in regras de pintura, assim como, o es-
structures – Zinc coating e a NP EN quema a adotar nos diversos cenários
• C1 – Muito Baixa ISO 1461 – Revestimentos de zinco de exposição é a (NP) EN ISO 12944 –
• C2 – Baixa por imersão a quente sobre produtos Tintas e Vernizes – Proteção anticorro-
• C3 – Média acabados de ferro e aço-Especifi- siva de aço por esquemas de pintura.
• C4 – Alta cações e métodos de ensaio (ISO
• C5-I – Muito Alta (Industrial) 1461:1999). É possível aplicar acaba-
• C5-M – Muito Alta (Marinha) mento sobre este tipo de proteção.

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A EN ISO 12944 divide-se Como já descrito acima, na parte 2 – Classificação de Ambientes descreve-se o
em oito partes: tipo de ambiente a que as peças metálicas poderão estar sujeitas, em ambien-
tes atmosféricos e água e solo. Para a construção civil corrente têm especial
Parte 1 – Introdução Geral relevância compreender os tipos de ambientes atmosféricos.

Parte 2 – Classificação de Ambientes

Parte 3 – Conceção e Disposições


Construtivas

Parte 4 – Tipo de Superfície e de


Preparação de Superfície

Parte 5 – Esquemas de Pintura

Parte 6 – Ensaios de Desempenho


em Laboratório

Parte 7 – Execução e Supervisão dos


Trabalhos de Pintura

Parte 8 – Desenvolvimento de
Especificações para Obras Novas e
Manutenção
Fig. 2 – Categorias de corrosividade atmosférica e exemplos de ambientes típicos
(in NP EN ISO 12944-2, 1999)

Antes de pintar é essencial preparar de proteção de estruturas com recurso


a superfície a proteger. As superfícies a pintura e pode ser:
deverão estar limpas, livres de con-
taminantes, como gorduras e pó, etc. • Limpeza manual;
Na parte 4 da EN ISO 12944 definem- • Limpeza com ferramentas pneumá-
-se os tipos de limpeza e graus de ticas ou elétricas;
limpeza a obter. • Decapagem por projeção de abrasivos;
• Decapagem por jato de água;
A limpeza pode ser obtida com água, • Decapagem à chama
com solventes, com agentes quími-
cos, por limpeza mecânica. A limpeza
mecânica é usualmente o método
escolhido para limpeza em processos

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Estes métodos de limpeza originam


graus de preparação diferentes, a
aplicar conforme o tipo de tratamento
necessário e esperado e dependendo
do grau de oxidação inicial verificado
no aço (de A a D, sendo que A é mais
limpo e D mais oxidado):

• St 2 – Limpeza cuidada com ferra-


mentas manuais e mecânicas;

• St 3 – Limpeza muito cuidada com Fig. 3 - Padrões fotográficos dos graus de preparação de superfície,
in CIN – Norma EN ISO 8501
ferramentas manuais e mecânicas;

• Sa 1 – Limpeza ligeira por projeção A parte 5 da EN ISO 12944 descreve No quadro A.1 da (NP) EN ISO 12944-5
de abrasivo (“Brushoff ”); os tipos de tintas e esquemas de estão descritos e enumerados vários es-
pintura e orienta a seleção de es- quemas de pintura, para durabilidades
• Sa 2 – Limpeza cuidada por proje- quemas de pintura disponíveis para (L – Baixa (2 a 5 anos), M – Média (5 a
ção de abrasivo (“Comercial”); os diferentes ambientes, define os 15 anos) e H – Alta (mais de 15 anos)).
graus de preparação e apresenta as
• Sa 2½ - Limpeza muito cuidada durabilidades esperadas. Atente-se que a durabilidade não é
por projeção de abrasivo (a metal um tempo de garantia, mas sim uma
quase branco); Existem tintas de base aquosa, de previsão do tempo que o esquema
base solvente e isentas de solvente, de pintura se demonstrará eficaz, ou
• Sa 3 – Limpeza a metal branco por para serem usadas em esquemas de seja, até atingir um grau de corrosão
projeção de abrasivo; pintura reversíveis ou irreversíveis. considerado admissível.
Os tipos de tintas mais usuais são as
• Fl – Limpeza à chama; tintas de combinações epoxídicas, Por exemplo, para a uma zona de
acrílicas, vinílicas e poliuretanos. corrosividade C2, pode-se usar um
• Be – Decapagem ácida esquema de pintura A1.03 (indicado
Os primários podem dividir-se em para C2 até durabilidade M e C3 até
dois tipos: durabilidade L):

• Primários ricos em zinco, Zn, que • Preparação da superfície: Sa 2 ½;


são aqueles em que a parte de pó • Primário: Mist p.e. Epóxi Fosfato de
de zinco na parte não volátil da Zinco, com 80µm de ENPS (es-
tinta é igual ou superior a 80%; pessura nominal de película seca)
• Outros primários (Mist.) como (aplicado em 1 ou 2 demãos);
aqueles com pigmento de fosfato • Acabamento: AK p.e. Esmalte Alquí-
de zinco, ou outro tipo de pigmen- dico de base aquosa, com 40µm de
to e aqueles em que o teor de pó ENPS (aplicado em 1 demão).
de zinco é inferior a 80% da massa
não volátil da tinta.

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Estes quadros definem esquemas de PROTEÇÃO PASSIVA AO FOGO


pintura tipo. Outros esquemas com
iguais ou melhores resultados podem O aço sobre temperaturas elevadas É essencial a definição correta das
ser definidos por fabricantes de tintas. sofre uma diminuição de resistência. categorias de risco de incêndio. Os
Entre os fabricantes mais comuns e Visto esta diminuição de resistên- fatores a ter em conta são vários (a
mais experientes podem-se encontrar cia torna-se essencial nalgumas utilização, a localização, a função,
a CIN, a HEMPEL, a PPG e a CARBOLI- estruturas metálicas a sua adequada etc.). O quadro IX da portaria n.º
NE. Estes fabricantes pela experiência proteção para situações de incêndio 1532 de 2008 resume os requisitos
podem ajudar a definir esquemas de com o intuito de proteger estruturas, de resistência por tipo de utilização,
pintura adequados e testados, até valor material e vidas. função e categoria de risco:
com garantia associada se o aplicador
for reconhecido pela empresa.

Em certos países existem ainda or-


ganizações de comprovada exigência
que testam e definem esquemas de
pintura como seguros e outras orga-
nizações ainda que definem garantias
associadas a esquemas de pintura Fig. 4 – Resistência ao Fogo Mínima de Elementos Estruturais de Edifícios

aplicados por entidades de qualidade


reconhecida. A título exemplificativo,
em países de língua francesa é comum A proteção ao fogo em estrutu-
seguir como institucionais as regras de ras metálicas pode ser obtida pela
entidades como a ACQPA e a OHGPI. proteção dos perfis metálicos com o
recurso a materiais de elevado calor
específico e baixa condutividade tér-
mica, como por exemplo com placas
de gesso ou outro material incom-
bustível, por paredes, por deposição
de argamassas ou por pinturas com
tintas intumescentes.

Fig.5 – Vigas Metálicas protegidas com placas de gesso, por paredes e com projeção de argamassa
(in Segurança contra incêndios, Lurdes Belgas)

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As tintas intumescentes são materiais A aplicação de intumescente e arga- O gráfico em baixo demonstra a
que em incêndio reagem quimica- massas é bastante usual e facilmen- importância de proteger um elemen-
mente entre os seus componentes te combinada com esquemas de to estrutural ao fogo, ao exemplifi-
e formam uma espuma carbonosa, proteção anticorrosiva em elementos car que uma secção não protegida
com aumento de volume na ordem metálicos. No entanto em caso de demora menos tempo a atingir uma
das 40 a 50 vezes o volume inicial. necessidade de acabamento estético, temperatura crítica (TC), ponto a
o recurso a tintas intumescentes é a partir do qual as secções perdem
única situação em que tal é possível. resistência (cerca de 50%).

Fig.7 – Curvas Nominais – Método da Temperatura Crítica (ISO 834)


Fig.6 – Vigas Metálicas com pintura intumescente
(in Seminário Eurocódigos Estruturais – LNEC, 2010)
(in Segurança contra incêndios, Lurdes Belgas)

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ENSAIOS DE SOLDADURA

As estruturas metálicas são construí- Ensaios de Soldadura – NDT verificação de fendas superficiais,
das na maior parte das vezes pela A resistência de uma peça ou ele- mas totalmente ineficaz para deteção
transformação de elementos em bru- mento estrutural depende muitas de possíveis fendas interiores. Não
to que implicam o corte e união de vezes da qualidade de uma solda- implica a paragem de produção.
diferentes peças e partes metálicas. dura, no que respeita à garantia da
Essa união é muita das vezes obtida uniformização da ligação, ao tipo de Os ensaios por ultrassons são ensaios
por soldadura. material acrescentado, concentração de grande qualidade e ao mesmo
de calor e método escolhido para a tempo baratos. Permitem através de
realização da soldadura. ultrassons verificar a existência de
Soldadura fendas e a sua extensão. É vantajoso,
Soldadura consiste então em es- Assim, é importante a verificação porque além de relativamente barato,
tabelecer uma união sólida entre destas ligações antes da aprovação não implica a paragem de produção.
dois materiais semelhantes com um das peças para uso em construção.
material de resistência e característi- Para verificação das soldaduras, Ainda é possível e usual recorrer a
cas idênticas. usualmente realizam-se testes e raios x para análise mais aprofun-
ensaios de soldadura não destrutivos, dada de ligações. No entanto é um
Habitualmente a soldadura obtém-se NDT (Non Destructive Test). método mais caro e perigoso, devido
por fusão do material que vai unir as Tipos de ensaios não destrutivos: às radiações emitidas. Além de caro,
duas peças. Ao arrefecer, essa união pode implicar a paragem do processo
ganha consistência e fica fixa. • Inspeção Visual; de produção. No entanto, em obras de
• Ensaios por Líquidos Penetrantes; importância e caráter mais complexo,
Para conseguir a fusão do material de • Ensaios por partículas Magnéticas; pode ser essencial. Estes ensaios são
adição é necessário recorrer, por exem- • Ensaios de Ultrassons; realizados por empresas especiali-
plo, a um laser, a ultrassons, a chama • Radiografia industrial (raios x) zadas, como por exemplo a Bureau
gerada por gás ou a um arco elétrico. • Gamagrafia industrial (raios gama) Veritas, o ISQ e a TUV Rheinland.
• Correntes Induzidas
• Medição de espessuras por ultrassons
Tipos de Soldadura • Emissão acústica
REFERÊNCIAS
Existem vários tipos de soldadura
usados em construção metálica: A inspeção visual permite de forma »» CIN, 2016 – Ação de Formação para Prescritores
»» Pereira, Elsa Vaz – LNEC 2006 – Proteção de Estruturas Metálicas
simples e com base no conhecimento »» NP EN ISO 12944:2008
»» EN ISO 8501:2007
• TIG: Tungsten Inert Gas do aspeto, fazer uma primeira verifi- »» Almeida, Óscar Coelho de – Universidade de Aveiro, Compa-
• MAG: Metal Ative Gas cação da qualidade da soldadura. »»
ração da proteção ao fogo: Perfis de secção aberta e fechada
L. M. R. Mesquita 1, P. A. G. Piloto 2, M. A. P. Vaz 3, P. M. M.
• MIG: Metal Inert Gas Vila Real 4 e F. Ramos, V Congresso de Construção Metálica
e Mista – Comportamento de Vigas em Aço Protegidas em
• SER: Soldadura por Elétrodos Os ensaios de líquidos penetrantes Tinta Intumescente
Revestidos permitem através da injeção de um »» Real, Paulo Vila – LNEC 2010 – Seminário Eurocódigos Estru-
turais – EC3 Estruturas de Aço – Regras Gerais – Verificação
• FF: Soldadura por Fios Fluxados Teste líquido ou vários líquidos, em que da Resistência ao Fogo
»» Belgas, Lurdes – Segurança Contra Incêndios Em Edifícios
um deles possui um revelador que »» http://elearning.isq.pt
permite a visualização de possíveis »» http://bureauveritas.pt
»» http://www.tuv.com/pt
fendas. É um bom método para

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REDES DE EFLUENTES INDUSTRIAIS


EM PLÁSTICO REFORÇADO A
FIBRA DE VIDRO (PRFV)

A HidroAngola iniciou em janeiro 2016 na Obra da SODIBA uma nova


atividade de canalização que consiste na aplicação, mecanização e
Por Pedro Carreira
operação de soldadura química em tubagem destinada a saneamento
// HidroAngola
industrial fabricada em PRFV - Plástico Reforçado a Fibra de Vidro.

Trata-se de uma tarefa para a qual É um material composto por aglo-


foi necessário efetuarmos uma meração de finos filamentos de vi-
formação na empresa fornecedora dro que não são rígidos e apresen-
de material - a VIDROPOL - que tam elevada flexibilidade. Quando
nos recebeu, formou e treinou para adicionados à resina poliéster (ou
os detalhes construtivos deste tipo outro tipo de resina), transforma-
de materiais. -se num composto que apresenta
alta resistência à tração, flexão e

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impacto. Tem uma elevada resistência cado para fabrico de tubos e acessórios • O revestimento exterior TOPCOAT,
química, técnica e mecânica e oferece destinados a aplicações industriais es- composto por resina VINILESTER
uma incomparável estabilidade aos peciais exigindo resistências químicas com a incorporação de um absor-
raios solares e às intempéries, razão muito elevadas. vedor de ultravioletas, de baixa
por que substituem, em grande nú- absorção de água e boa resistên-
mero de casos, os materiais tradicio- O tubo é composto por três camadas cia química.
nais, atendendo às suas características distintas:
específicas, das quais destacamos: A gama normal de produção inclui o
fabrico de tubos e acessórios de PRFV
• Maior resistência química (resis- para classes de Pressão Nominal (PN)
tência química a cerca de 90% dos entre 1 e os 25 bar, classes de rigidez
agentes químicos conhecidos); (SN) entre os 630 e os 10000 N/m2 e
• Insensibilidade à corrosão eletro- diâmetros até DN2000 PN4, DN1100
química; PN16 ou DN700 PN25.
• Elevada resistência mecânica para
um peso específico baixo; Como modo de união desta tubagem,
Elevada resistência Ultravioleta; estão a ser efetuadas juntas soldadas
• Ausência de perigo de contamina- topo a topo, que são realizadas por
ção química ou bacteriológica, em aplicação de camadas sucessivas de
contacto permanente com produtos fibra de vidro impregnadas de resina,
alimentares; método especialmente indicado para
• Maior capacidade de isolamento tubagens industriais com fluidos
térmico; quimicamente agressivos, ou para
• Inferior perda de carga unitária; casos de condutas que exijam elevada
• Menor número de juntas de ligação; resistência ao esforço axial da pressão.
• Flexibilidade superior; • O revestimento interior denomi-
• Imunidade ao ataque bacteriológico; nado por GELCOAT é constituído
• Maior resistência a pressões de por resina VINILESTER reforçada
serviço. com duas camadas de manta de
superfície de densidade superior
O processo de fabrico da tubagem a 21 g/m2 e camadas da mesma
consiste em enrolamento filamentar resina reforçadas com MAT no
helicoidal automático e moldação por total de 900 m/m2. Este compos-
contacto, segundo as normas: EN 1796, to confere a resistência química
EN 14364, DIN 16965-2 e 4 (tubos do material;
tipo B e D) ou DIN 16965-1 e 5 (tubos
tipo A e E). É um processo que permite • O núcleo é um composto estratifi-
produzir com elevada rentabilidade, cado através de deposição suces-
tubos com boa resistência química e siva e automática de mechas de
características mecânicas otimizadas. fibras (roving) tipo E, impregnadas
A moldação por contacto é, por outro de resina, enroladas e cruzadas
lado, um processo especialmente indi- sob o mandril até à espessura final
determinada.

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PROCESSO DE EXECUÇÃO DE
JUNTA SOLDADA TOPO A TOPO

1. Preparação da superfície e das 2. Posicionamento dos tubos e 3. Aplicação do laminado


extremidades do tubo aplicação de massa
Acelerar e catalisar a quantidade de
Lixar a extremidade do tubo ou a zona Posicionar os tubos a soldar de forma resina a usar. Ver no procedimento de
onde será aplicado o laminado, com a a ter acesso a todo o perímetro, catalisação as quantidades a utilizar.
máquina de forma a retirar a camada colocando-os na posição pretendida. Aplicar os reforços de fibra de vidro
brilhante da superfície. A zona lixada Usando a massa de resina, previa- nas sequências e dimensões especifi-
deve prolongar-se por 1 a 2 cm para mente acelerada e catalisada (ver cadas, impregnando-os com a resina
além das extremidades da camada procedimento de catalisação), aplicar usando o rolo e/ou a trincha.
mais larga a aplicar. Os extremos dos pontos de massa e aguardar que estes
tubos a ligar, topo a topo, devem ficar solidifiquem. Aplicar massa em toda a
com um chanfro a 45º. É importante periferia de forma a colmatar os chan-
que a zona onde será aplicada a sol- fros das extremidades e/ou os espaços
dadura, esteja limpa, seca, isenta de entre as peças a ligar.
óleos/gorduras e solventes.

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PROCESSO DE ACELERAÇÃO
E CATALISAÇÃO DAS RESINAS
DE VINILESTER

1. Utilização de acelerador Exemplos de trabalhos preparatórios Exemplo de tubagem já aplicada em


efetuados antes da colocação da vala com berço de areia:
Em primeiro lugar adicionar à resina, tubagem nas valas:
proporcionalmente, a quantidade de
acelerador de acordo com a tabela
abaixo:

Min. Máx. Min. Máx.


Aceleradores
% % g/kg g/kg

Co 1% 0,5 2,0 5 20
NL 63/100 0,01 0,1 0,1 1

2. Utilização de catalisador

Adicionar a quantidade de catalisador,


imediatamente antes da utilização da
resina, nas quantidades abaixo em
proporção à quantidade de resina:

Min. Máx. Min. Máx.


Catalisador
% % g/kg g/kg

Butanox M50 1,5 2,0 15 20

As quantidades de aceleradores e cata-


lisador a usar deverão ser ajustadas em
função do tempo de trabalho preten-
dido, tendo em conta as condições at-
mosféricas, nomeadamente a tempera-
tura ambiente. Para uma determinação
correta dos tempos de cura deverão ser Mais um desafio ao qual a HidroAngola
feitos ensaios em amostras. se submeteu e cujas maiores dificulda-
des já se revelam ultrapassadas após a
totalidade dos ensaios executados não
apresentarem qualquer fuga.

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EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM EDIFÍCIOS


SOLUÇÃO DOMOVEA BY HAGER

Por João Magalhães A eficiência pode ser interpretada como a capacidade de


// EIA - Electro Ideal Angola produzir com o mínimo de erros ou de meios. No fundo,
fazer mais e melhor com menos.

Relacionando estes princípios com a utilização e gestão de edifícios


chegamos ao conceito de eficiência energética dos edifícios. Na óti-
ca da Hager, a eficiência energética só é realmente possível quando
conseguimos uma gestão integrada dos recursos do edifício, de
forma a otimizar os gastos energéticos, proporcionar um elevado
nível de conforto e promover a segurança dos seus utilizadores.

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Com este mindset estabelecido, a Hager concebeu o

domovea
O Domovea é uma solução para o comando e visualiza- É possível criar inúmeras páginas representativas da ins-
ção de uma instalação domótica KNX (standard mundial talação, que o utilizador usará para navegar até à zona ou
de controlo de edifícios; ver mais em www.knx.pt). função que deseja controlar ou visualizar. As páginas são
personalizáveis, sendo possível importar imagens.
Fruto de uma colaboração entre a Hager e a Micro-
soft, esta solução permite controlar todos os sistemas e
equipamentos elétricos de uma instalação residencial
ou terciária, através de um PC, touch panel, iPhone, iPad,
smartphone ou tablet Android. Toda a gestão da insta-
lação é possível realizar local e remotamente, através de
qualquer um dos equipamentos acima referidos.

O Domovea assenta na utilização de um webserver, que


faz a combinação entre as redes KNX e IP.

Através dos diversos menus podemos aceder às várias


funções disponibilizadas.

É possível comandar e consultar os estados de variados


circuitos e equipamentos elétricos.

Na área da iluminação, além do comando simples de


ligar/desligar, destaca-se a capacidade de comandar
iluminação variável (incluindo CFL e LED), sendo possí-
vel conhecer a percentagem de variação usada a cada
momento. Também é possível o comando de iluminação
decorativa tipo RGB, em que o utilizador tem a possibili-
dade de escolher uma cor específica ou acionar um ciclo
contínuo de cores. Uma das funções mais procuradas é
a utilização de cenários ambiente, também possível via
o Domovea. A utilização de comandos gerais permite
evitar desligar, de uma vez, uma zona ou mesmo toda a
iluminação. Desta forma evitam-se os esquecimentos e
os gastos desnecessários.

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Também está previsto o comando de sistemas de


aquecimento e arrefecimento. Uma função interessan-
te do Domovea é a construção automática de gráficos
de temperatura ao longo do tempo, através dos quais
é possível comparar diferentes zonas. De forma visual,
conseguimos facilmente identificar as curvas de tem-
peratura de determinada zona, o que nos permite, por
exemplo, acionar o aquecimento por programa horário
de forma manter sempre a temperatura pretendida.

Para o controlo de estores/persianas/toldos motorizados


é possível o posicionamento preciso do equipamento.
Esta função é especialmente interessante quando se
comanda a instalação à distância e se pretende uma po-
sição específica do estore (ex.: estore aberto a 25%, com
lamelas abertas a 50%).

Outra função interessante pode ser o aproveitamento


da luminosidade natural para diminuir a necessidade da
utilização de iluminação artificial, conseguida através da
medição constante da luminosidade e acionamento auto- Na realidade, o Domovea poderá controlar praticamen-
mático dos estores. te qualquer tipo de circuito ou equipamento elétrico,
como motores de piscinas, sistemas de rega, portões de
Podemos ainda usar a função Proteção Solar, que baixa garagens, tomadas comandadas, entre muitos outros.
ou sobe os estores para diminuir ou aumentar a tempe-
ratura interior, ao aproveitar mais ou menos a luz solar.
É na fusão e equilíbrio de todas estas funções que obte-
mos a verdadeira eficiência energética!

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A componente de segurança também pode ser incluída. Programação astronómica: através da introdução das
É possível integrar um sistema de alarme de intrusão, coordenadas geográficas da instalação, o Domovea
onde a interação com a central de alarme só é possível consegue determinar, para cada dia, a hora exata do
através da introdução do código secreto via um teclado nascer e pôr do sol. Uma excelente função a usar para o
numérico virtual. Através da criação de sequências, é comando automático da iluminação exterior ou mesmo
possível definir o que deverá acontecer ao ser deteta- dos estores.
do um alarme (ex.: ligar toda a iluminação interior e
exterior, envio por email de mensagem de alarme com Sequências lógicas: o Domovea permite a criação de
imagens das câmaras vídeo, etc). macros, que podem ser despoletadas por qualquer um
dos equipamentos existentes na instalação, e segundo
uma lógica predefinida. Alguns exemplos:

1. Em caso de ventos superiores a 60 Km/h, os


estores devem fechar, exceto se algum dos con-
tactos magnéticos das janelas indicar que existe
uma janela aberta;
2. A ativação do Alarme deve colocar todos os ter-
móstatos em stand-by e desligar toda a ilumina-
ção após uma espera de 20 segundos;
3. A bomba de circulação da água quente só deve
ser desligada se todos os termóstatos estiverem
desligados; assim que um dos termóstatos for
ativado a bomba de circulação deve entrar em
Também é possível definir o funcionamento automático funcionamento.
da instalação ou de certos equipamentos. As escolhas
são inúmeras:

Programação horária: o utilizador pode criar, modifi-


car, suspender ou apagar os programas horários que
pretender.

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ENGENHARIA

O Domovea também permite a visualização em tempo Outra função recentemente lançada no Domovea foi o Video-
real de câmaras de vídeo IP, local e remotamente. Podem porteiro. Integrando um videoporteiro IP, através do Domovea
ser gravados fotogramas, a serem enviados após determi- podemos ver e falar com quem está à porta, e abrir o portão
nados eventos. Por exemplo, o acionamento do detetor se o desejarmos. Caso não esteja ninguém em casa, o Domo-
de movimento do exterior provoca o envio, por email, da vea guarda uma notificação no ecrã principal. Esta notificação
imagem captada pela câmara IP exterior. contém informações sobre a hora e data do evento, assim
como a fotografia de quem tocou à campainha.

São lançadas atualizações frequentes do software interno do


servidor Domovea. A retro compatibilidade é sempre garan-
Não foi esquecida a questão dos consumos energéticos da tida, o que significa que o Domovea é um produto/solução
instalação. O Domovea poderá receber informações sobre “viva” que evolui no tempo, disponibilizando cada vez mais
consumos elétricos, de água e gás. A criação automática funções aos seus utilizadores.
de gráficos permite uma consulta fácil e rápida dos valores,
sendo ainda possível comparar dois períodos diferentes.
É possível criar agrupamentos, conseguindo assim obter
consumos por zonas, por tipo de equipamentos, etc. A Finalizando, a Hager defende que só é possível controlar
informação pode ser exportada, se necessário. o que se conhece. E o Domovea dá-nos conhecimento:
permite-nos saber, a todo o momento e de forma centraliza-
da, tudo o que se passa no edifício, permite-nos atuar, local
ou remotamente e ainda, como complemento, o Domovea
também pode estar dotado de instruções que lhe permitam
o comando automático do edifício, sempre com o intuito de
obter uma gestão integrada dos recursos, de forma a otimizar
os gastos energéticos, proporcionar um elevado nível de con-
forto e promover a segurança dos seus utilizadores. No fundo,
fazer mais e melhor com menos…

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Boletim de Conhecimento Técnico Nº 20/2016

SEGURANÇA EM 1º LUGAR

Utilização, manutenção
e requalificação
de equipamentos base madeira
Por Marco Bento
// Departamento de Prevenção e
Segurança Casais Angola

Sendo a madeira um
material naturalmente
resistente e relativamente
leve é frequentemente
utilizado para fins
estruturais e integrantes Não obstante a obrigação de uma segurança estrutural e ocupacional,
atuação racional e economicista que definem-se critérios internos a serem
dos projetos auxiliares as condições de mercado impõem, integrados e cumpridos no processo
para sustentação de importa garantir a integridade dos logística que intermedeia a aplica-
construções. meios em utilização nas frentes de ção, transporte e armazenamento de
obra, regrando a respetiva utilização, equipamentos de base madeira.
manutenção e requalificação. Neste
contexto, visando a integridade e
a garantia de condições intrínsecas
de segurança das soluções constru-
tivas - garantindo-se preceitos de

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SEGURANÇA EM 1º LUGAR

CRITÉRIOS TÉCNICOS DE VERIFICAÇÃO DO ESTADO DE CONSERVAÇÃO


E UTILIZAÇÃO DE VIGAS E TÁBUAS PRANCHA DE MADEIRA

Para efeito de estabelecimento de Só deverão ser objeto de despacho


critérios de admissibilidade de tábuas para serviços centrais para as obras, os
de prancha e vigas de madeira a materiais em condições de reutilização.
serem aplicadas nas frentes e postos
de trabalho, deverão apresentar-se O despacho de/para obra deverá ser
desempenadas, com secção constante, efetuado em lotes (paletes), seleciona-
não apresentarem fissuras e/ou “nós” dos por comprimentos e secção, devi-
soltos ou agrupados que possam afetar damente acondicionados e amarrados.
a respetiva resistência estrutural.
As paletes deverão ser protegidas de
condições climatéricas desfavoráveis
(sensibilidade à humidade e calor
excessivos).

Os materiais não reutilizáveis deverão


ser colocados em local devidamente
demarcado do Estaleiro da obra, para
posterior remoção em respeito pelas
regras de impacto ambiental.

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SEGURANÇA EM 1º LUGAR

CRITÉRIOS TÉCNICOS DE VERIFICAÇÃO DO ESTADO DE CONSERVAÇÃO


E UTILIZAÇÃO DE VIGAS TIPO DOKA

VIGAS TIPO DOKA OU SIMILARES

Só deverão ser objeto de despacho dos O procedimento de requalificação passará pelo cumprimento dos seguintes crité-
serviços centrais para as Obras, e entre rios de admissibilidade de danos:
obras, os equipamentos em estado de
conservação adequado a condições de
reutilização; deverão portanto ser cor-
rentemente, e antes das suas reaplica- Separação Banzo-Alma
ções, rastreados com base nos critérios
para seleção deste tipo de vigas.

Fissuras diagonais transversais ao banzo

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SEGURANÇA EM 1º LUGAR

BANZOS

Fissuras longitudinais (paralelamente ao banzo):

Paralelamente ao banzo permitidas até uma


largura a = 2mm;

Se o banzo pode ser separado na zona da fissura,


a viga não está em condições de ser utilizada.

Cortes Laterais:

Permitidos só num dos lados com


a = 15mm de espessura máxima e b = 900mm
de comprimento máximo.

Cortes Inclinados nas Arestas:

Permitidos se a dimensão na diagonal for:


a = 35mm no máximo, e comprimento
b = 900mm no máximo.

Cortes de Serra:

São permitidos cortes de serra superficiais


até uma profundidade a = 2mm;

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SEGURANÇA EM 1º LUGAR

Topo do Banzo:

São permitidos danos no topo do banzo,


até a = 100mm de comprimento;

Os danos do topo de plástico não têm qualquer


influência sobre a capacidade de carga, mas
também não correspondem necessariamente
aos critérios de qualidade para cofragens.

Furação:

Não permitidos com exceção dos furos do sistema;

Fixação da cinta com parafuso de fixação de viga;

Fixação da cabeça de suporte para mesa com


parafuso de fixação de viga
a ... 15 mm; b ... 112 mm; c ... 396 mm
Diâmetro máx. do furo 10 mm;

ALMAS

Danos na alma

Permitido pequeno dano num só lado da viga

Danos no topo da alma

Permitido até máx. a = 60 mm

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SEGURANÇA EM 1º LUGAR

CRITÉRIOS DE RECONDICIONAMENTO
DE VIGAS TIPO DOKA

As vigas cujo estado de degradação O recondicionamento de comprimentos das vigas, baseiam-se por princípio,
implique ser objeto de requalificação, nas dimensões homologadas pelo fornecedor (doka):
deverão ser devidamente organizadas
por lotes, amarradas por compri-
mentos e enviadas para os serviços
Viga Doka H20 top N/P 1,80m 9,50kg Para normalizar internamente os comprimentos das
centrais, para rastreio e requalificação. Viga Doka H20 top N/P 2,45m 12,8kg vigas tipo “doka”, subentende-se a sua diminuição,
Viga Doka H20 top N/P 2,65m 13,8kg para comprimentos homologados precedentes:
Viga Doka H20 top N/P 2,90m 15,0kg
No seguimento dos critérios de Viga Doka H20 top N/P 3,30m 17,0kg Viga Doka H20 top N/P 2,45m 12,8kg
danos que tornam não utilizáveis os Viga Doka H20 top N/P 3,60m 18,5kg Viga Doka H20 top N/P 2,90m 15,0kg
respetivos meios, importa por uma Viga Doka H20 top N/P 3,90m 20,0kg Viga Doka H20 top N/P 3,90m 20,0kg
Viga Doka H20 top N/P 4,50m 23,0kg Viga Doka H20 top N/P 4,90m 25,0kg
questão economicista e de interesse Viga Doka H20 top N/P 4,90m 25,0kg
de produção, garantir a requalificação Viga Doka H20 top N/P 5,90m 30,0kg
das peças redimensionando-as.

OPERAÇÕES DE REQUALIFICAÇÃO

↓ ↓ ↓
CORTE DAS VIGAS MARCAÇÃO DAS VIGAS OPERAÇÕES DE ATUALIZAÇÃO
REQUALIFICADAS DE STOCKS
As vigas a requalificar serão objeto de
corte perpendicular ao eixo da viga, a Todas as vigas objeto de requalificação Tendo em vista a permanente atuali-
executar por serra elétrica em oficina, serão devidamente identificadas, após zação das quantidades e comprimen-
de forma a retirar as extremidades requalificação, sendo para tal pinta- tos de vigas existentes, as operações
danificadas das vigas. O comprimento dos os topos das vigas, com tinta de de requalificação serão suportadas
final da viga requalificada será um dos esmalte na cor azul (CASAIS). pela elaboração de mapas de controlo.
comprimentos atrás indicados. O corte
a efetuar nos topos reconstituirá a
forma das vigas originais.

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SEGURANÇA EM 1º LUGAR

CRITÉRIOS DE TRANSPORTE, EMPILHAMENTO


E ARMAZENAMENTO (GERAL)

CONSTITUIÇÃO DE LOTES DE VIGAS TRANSPORTE


REQUALIFICADAS

Após as operações de requalificação, Utilizar sempre cintas para elevar lote


as vigas serão enlotadas em paletes de vigas, não utilizar correntes:
de aproximadamente 50 unidades,
conforme esquema anexo:

EMPILHAMENTO ARMAZENAMENTO

Inclinação máx. do pavimento 3 a 4%. A proteção das paletes de vigas com


O pavimento deve ser suficientemente uma cobertura para não estarem
resistente e plano. Conforme os com- expostas a condições atmosféricas
ponentes armazenados devem ser extremas, como a radiação solar e a
colocados, adicionalmente, barrotes humidade, reduz a potencial fissura-
de apoio, tiras de painéis de cofragem ção e deformação provocadas pelas
ou chapas metálicas, para garantir a condições atmosféricas; esta ação
distribuição da carga. contribuirá para o aumento da longe-
vidade do equipamento.

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CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

INSTRUMENTOS AMBIENTAIS

Por Orlando Lopes* Durante muitos anos as preocupações da construção


// Saioz - Angola civil foram centradas na qualidade do produto, tempo
despendido e custos associados. Com o aumento
da consciencialização pública e a necessidade da
*Artigo baseado na publicação “Ambiente e
Construção Sustentável” de Manuel Pinho. construção de uma imagem ambientalmente correta
das instituições, surgiram as preocupações ambientais,
“obrigando” a pensar sustentável no domínio da
construção civil, alterando desta forma a tradicional
triangulação de preocupações associadas à construção e
pensar e criar de uma forma sustentável.

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CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

SUSTENTABILIDADE As fases de desenvolvimento percorrem:

→→ Desenvolvimento do projeto/empreendimento;
→→ Planeamento;
→→ Conceção;
→→ Construção;
ECONÓMICA SOCIAL
→→ Operação;
→→ Desconstrução/Demolição.

As escalas espaciais em que se debruça a premissa da cons-


AMBIENTAL
trução sustentável são, muito diferenciadas, podendo ser:

→→ Escala global;
→→ Escala nacional;
CONSTRUÇÃO →→ Escala regional;
→→ Espaço urbano;
Fig. 1 - Triangulação da Sustentabilidade. →→ Escala do empreendimento;
→→ Escala do edifício;
→→ Escala do material.
Não se consegue ser sustentável se não se identificarem
os aspetos essenciais, e essa identificação é o fator chave
no apoio e avaliação da construção sustentável. As áreas Partindo do acima apresentado, os principais instrumentos
consideradas abrangem os domínios ambiental, social e ambientais para uma construção sustentável são:
económico, sendo que de um ponto de vista mais analíti-
co, as questões ambientais têm vindo a ser mais destaca- →→ Estudos de Avaliação Ambiental Estratégicos (AAE);
das, devido às emergentes preocupações ambientais. • No que respeita a planos.
→→ Estudos de Impacte Ambiental (EIA);
A identificação dos principais aspetos da sustentabilidade • No que respeita a conceção.
é fulcral para a avaliação da construção sustentável. Deste →→ Avaliação do ciclo de vida, materiais, soluções e edifícios.
modo será possível aplicá-los no desenvolvimento de • No que respeita aos materiais usados.
ferramentas para assegurar esses mesmos aspetos nos
empreendimentos, através da avaliação, reconhecimento e
certificação das práticas de construção sustentável. Existem
atualmente abordagens que identificam os seus aspetos-
-chave no edificado e infraestruturas que se diferenciam
consoante a fase de desenvolvimento do projeto/atividade.

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CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

A | Avaliação Ambiental Estratégicos (AAE) B | Estudos de Impacte Ambiental (EIA)

Os estudos de AAE assentam numa lógica de definição da O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) é um instrumento na
estratégia em causa e das possibilidades de decisão, assu- Avaliação de Impactes Ambientais preventivo da política
mindo como base de análise a diferenciação dos efeitos de de ambiente e do ordenamento do território que permite
cada uma destas (em muitos casos, através de indicadores assegurar que as prováveis consequências sobre o ambiente
chave), de modo a avaliar os efeitos ambientais de cada (impactes ambientais) de um determinado projeto sejam
uma das alternativas (no sentido mais amplo, incluindo as analisadas e tomadas em consideração no seu processo de
consequências económicas e sociais). aprovação, através de medidas mitigadoras ou potenciando
os impactes ambientais positivos. Surge da necessidade legal
e controlo do desenvolvimento ou é utilizado como um ins-
trumento de autoavaliação, orientação e de suporte à decisão.

Fig. 2 - Área de abordagem na Avaliação Ambiental Estratégica (AAE). Fig. 3 – Fases/estrutura de um Estudo de Impacte Ambiental.

Com base nos efeitos ambientais estratégicos e na respe- As principais fases de um EIA são a caracterização do pro-
tiva compatibilidade com planos ou programas, é possí- jeto, a caracterização do ambiente sobre as suas múltiplas
vel contribuir para selecionar ou melhorar a alternativa vertentes, os impactes ambientais do projeto, a medidas mi-
estratégica proposta, através da consideração de medidas tigadoras e potenciadoras, planos de monitorização e gestão
específicas, bem como da definição de uma forma de me- ambiental, as lacunas técnicas do EIA e as conclusões finais.
dir o respetivo desempenho e os eventuais efeitos.

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CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

C | Avaliação do Ciclo de vida, materiais, soluções considerados. Em muitos casos, os custos dos serviços e
e edifícios (ACV) operações das construções, durante o seu ciclo de vida,
excedem os custos iniciais.
Definida pela SETAC (Society for Environmental Toxico-
logy and Chesmistry), a ACV é um “processo para avaliar Seguindo estes aspetos, é de todo o interesse que todos os
as implicações ambientais de um produto, processo ou agentes envolvidos no processo, fomentem um genuíno
atividade, através da identificação e quantificação dos usos interesse na procura de construções com reduzidos custos
de energia e matéria e das emissões ambientais; avaliar o de operação e manutenção, daí a grande importância na
impacte ambiental desses usos de energia e matéria e das análise de ciclo de vida, em especial das análises dos cus-
emissões; e identificar e avaliar oportunidades de realizar tos no ciclo de vida.
melhorias ambientais”.
NOTA:
De uma forma simplificada é a análise de todas a inte- Hoje em dia é legítimo afirmar que a incorporação de práticas
rações que um material, componente ou conjunto de ambientais e socias, no caso em questão, pelas construtoras, tem
componentes tem com o ambiente ao longo da sua vida, vários aspetos positivos, sendo os mais relevantes os seguintes:
por partir da premissa que todas as fases de vida de um
produto (desde a aquisição de matérias-primas até à •• Estabelecimento da sustentabilidade como valor estratégico
deposição final de todos os materiais) geram impacte am- da empresa;
biental e por isso devem ser analisados. •• Difusão dos conceitos de sustentabilidade nos diversos
níveis da organização, visando a motivação pessoal e profis-
sional dos diversos agentes;
•• Desenvolvimento de diretrizes de processos e produtos
comprometidos social e ambientalmente, criando diferen-
ciais competitivos a serem percebidos pelos seus clientes e
partes envolvidas;
•• Deteção de oportunidades de otimização dos processos e
redução de custos pela diminuição dos impactes ambientais
e sociais e pelo compromisso com o desenvolvimento do
capital humano e intelectual de seus colaboradores;
•• Desenvolvimento e seleção de fornecedores de materiais,
serviços e equipamentos que atendam às diretrizes ambien-
tais e critérios sociais;
•• Melhoria nas relações com as partes envolvidas (público
interno, consumidores e clientes, fornecedores, meio am-
biente, comunidade, sociedade, vizinhança de empreendi-
Figura 4 - Ciclo de Vida de materiais
mentos, sindicatos, entidades ambientais, etc.);
•• Padronização e controle do desempenho económico, ambien-
A análise tem sido entendida de forma a incluir os custos, tal e social da empresa e de seus processos e produtos;
já que a maior parte dos edifícios projetados e construídos •• Estruturação dos indicadores de monitorização do desem-
baseavam-se num critério simples, de ajustamento aos penho e emissão de relatórios sócio ambientais;
fins previstos e o correspondente custo de construção, em •• Melhoria da imagem corporativa da empresa pelas práticas
regra o mais baixo possível. Aspetos como a operação e sociais e ambientais aplicadas e comunicação desse diferen-
os custos de manutenção, bem como os impactes globais cial aos clientes e partes interessadas.
da construção, até há bem pouco tempo, têm sido menos

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D I R E I T O A FA L A R

COMO PROCEDER EM CASO DE

ACIDENTE
AUTOMÓVEL?
Por Filipa Teixeira
// Departamento Jurídico
Um acidente na estrada, por mais pequeno
que seja, pode acontecer a qualquer um.
Estar preparado para atuar de forma correta
é bastante importante.

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D I R E I T O A FA L A R

Ficam aqui alguns conselhos sobre como


atuar depois de um acidente de viação: 1
No caso de existirem apenas danos
2
Se não for possível chegar a acordo:
• Os condutores devem vestir os materiais e se for possível chegar a
coletes refletores e, em seguida, acordo sobre o modo como ocorreu • Cada condutor deve preencher e
sinalizar o local com o triângulo co- o acidente, não há necessidade de assinar o seu próprio formulário
locado de forma visível a aproxima- chamar as entidades policiais, sendo de Declaração Amigável (DAAA) e
damente 30 metros do local. que os condutores devem preencher e entregá-la à sua seguradora. Esta
assinar a mesma Declaração Amigável vai servir sempre de participação
• De seguida devem ser obtidos os de Acidente Automóvel. do acidente.
elementos de identificação dos
intervenientes: Instruções de como preencher a DAAA • Nestes casos, é ainda mais impor-
tante juntar fotografias dos danos e
a. Dados dos condutores: BI, carta Veja a declaração (DAAA) do local do acidente;
de condução, contacto telefóni-
co e morada; • Cada condutor deve ficar com um • Também é importante solicitar a
exemplar para entregar ao seu presença da P.S.P. ou G.N.R.
b. Dados dos veículos: marca e segurador. É indiferente ser a cópia
modelo, cor, matricula, número ou o original desde que estas este- • Não retire o veículo da posição em
da apólice de seguro e dados jam legíveis. que ficou.
da empresa seguradora (que
podem ser encontrados num • Sempre que possível, deve juntar fo- • Consoante a autoridade policial, a
selo que deverá estar colocado tografias dos danos e do local do aci- participação do acidente é feita de
no vidro da viatura) e dente. A utilização de fotografias é útil maneira diferente, em determina-
como prova, por isso confirme sempre das situações é entregue aos con-
c. Dados das testemunhas ocu- se estas permitem mostrar claramente dutores uma folha para escreverem
lares (independentemente de o que se quer documentar. a sua versão do acidente, noutras
terem sido ou não chamadas é o próprio agente que vai reco-
as autoridades): BI, morada e • Para preencher a Declaração Amigá- lhendo os dados e no final pede
contacto telefónico. vel não é necessário que qualquer ao condutor para assinar. Muita
dos condutores se declare culpado. atenção: nunca assinem sem lerem
Se o condutor não for responsável cuidadosamente o que foi escrito!
pelo acidente, o facto de ter preen- Por vezes, no meio da confusão
chido a Declaração Amigável não irá pode haver equívocos graves, que
afetar o preço do respetivo seguro. podem custar a responsabilidade
ou não do acidente.
• Se ninguém tiver a declaração, des-
creva, numa folha em branco, como • Quando existem testemunhas,
ocorreu o acidente e os danos que re- devem constar no auto levantado
sultaram. Este documento deverá ser pela polícia.
assinado pelos dois intervenientes.

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• Se existirem dúvidas quanto às


circunstâncias, a sua versão não
coincidir com a do outro condutor
4
Se o outro condutor fugir, deve tomar
6
Em caso de acidente em autoestrada,
ou este não assinar a declaração, a as seguintes medidas: provocado por objeto ou animal na
polícia elabora um auto de ocorrência via, que procedimentos devem ser
que pode vir a ser útil na avaliação de • Identificar a matrícula do automóvel seguidos:
responsabilidades. do condutor em fuga;
• Chamar a P.S.P. ou G.N.R. para

3
Em caso de acidente com veículo
• Arranjar testemunhas no local que
tenham estado presentes no mo-
mento do acidente;
tomar conta da ocorrência e assistir
à elaboração da respetiva Participa-
ção de Acidente de Viação efetuada
sem seguro: por esta e solicitar que, no final de
• Contactar a polícia de imediato. tal documento, sejam, desde logo,
• Deve recolher todos os elementos indicadas as testemunhas, bem
de identificação, quer do condutor, • Caso consiga identificar a matrícula como, se tal ocorrer, mencionar,
quer do veículo. do responsável pelo acidente, po- por exemplo, que foi encontrado o
derá contactar o Fundo de Garantia animal/objeto causador do aciden-
• Nestes casos recomenda-se que Automóvel que tomará as diligên- te ou a deficiência na vedação.
chame a polícia para dar conta da cias necessárias pela identificação
ocorrência. Através dos dados reco- do mesmo. • Recolher testemunhas (nomes,
lhidos, nomeadamente da matrícula moradas e telefones) dos conduto-
da viatura poderá verificar junto do • É possível também através da res que eventualmente passem no
Instituto de Seguros de Portugal matrícula do automóvel saber se a local naquele momento.
(quer no sitio de internet do ISP, viatura tem ou não seguro e qual a
quer através do Serviço de Atendi- companhia. • Dentro do possível, enquanto se
mento ao Público), qual o segurador permanece no local, fotografar o lo-
e se existe ou não seguro válido.

• No caso de se verificar que não


5
No verso da DAAA encontra-se uma
cal do acidente e a viatura e procu-
rar vistoriar o estado das vedações e
da restante infraestrutura envolven-
existe seguro válido deverá apre- Participação de Sinistro normal que te da via, nomeadamente, os "rails",
sentar reclamação ao Fundo de deverá ser preenchida e entregue à com o objetivo de detetar alguma
Garantia Automóvel. seguradora, no prazo de oito dias, deficiência ou situação anómala (se
conjuntamente como o auto e toda for possível fotografá-la).
a informação complementar que
possa ter reunido, fotografias, estado • Após o acidente, dever-se-á sair da
da via, tipo de sinalização no local, autoestrada na portagem imedia-
testemunhas. tamente seguinte e apresentar, por
escrito, a correspondente reclamação
à concessionária (cada Barreira de
Portagem tem um Livro de Reclama-
ções onde o automobilista deverá
lavrar o relato factual do sucedido).

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D I R E I T O A FA L A R

• Comunicar à empresa o sucedido


para que esta possa encaminhar a
respetiva reclamação e custos para
7
Sempre que necessitar de Assistên-
a concessionária responsável. cia deverá de imediato contactar a
Seguradora, cujo número de telefone
consta na Carta Verde, que o informará
Estes procedimentos são importantes como deve proceder. A Assistência em
dado o previsto no art. 12º da Lei Viagem será prestada de acordo com as
24/2007, de 18 de julho que define condições Gerais e Especiais subscritas.
os direitos dos utentes nas vias ro-
doviárias classificadas como autoes-
tradas concessionadas, itinerários
principais e itinerários complemen-
tares, designadamente o n.º 2. sem
os quais dificilmente a empresa será
8
Tenha atenção aos prazos para
ressarcida dos danos ocorridos: participar o acidente à seguradora.
O Tomador de seguro ou o Segurado
1 — "Nas autoestradas, com ou deve participar à sua seguradora no
sem obras em curso, e em caso de mais curto prazo, não superior a oito
acidente rodoviário, com consequên- dias. Caso seja apresentada à Segu-
cias danosas para pessoas ou bens, radora reclamação por terceiro lesado
o ónus da prova do cumprimento e o Tomador/Segurado não participar
das obrigações de segurança cabe à o acidente, o processo será regulari-
concessionária, desde que a respetiva zado com base na prova apresentada
causa diga respeito a: pelo terceiro e nas averiguações e
peritagens que se revelem neces-
a) Objetos arremessados para a via sárias. A lei estabelece penalidades
ou existentes nas faixas de rodagem; para a falta de participação.
b) Atravessamento de animais;
c) Líquidos na via, quando não
resultantes de condições climatéricas
anormais.

2 — Para efeitos do disposto no


número anterior, a confirmação das
causas do acidente é obrigatoriamen-
te verificada no local por autoridade
policial competente, sem prejuízo do
rápido restabelecimento das condições
de circulação em segurança.”

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