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BOLETIM DE Nº 26

CONHECIMENTO agosto 2016


TÉCNICO

NOVAS TECNOLOGIAS NO
APOIO À GESTÃO DO PROCESSO
DE CONSTRUÇÃO
— SESSÃO TÉCNICA MA —
A Sessão Técnica de Marrocos decorreu no dia 28 de maio de 2016, na obra do “Lycée D’excellence”
de Ben Guerir. Esta formação, ou com maior rigor, partilha de boas práticas e soluções inovadoras,
teve como objetivo a apresentação da plataforma FIELDWIRE a todo o universo Casais Marrocos...
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ENGENHARIA
Reforço de elementos estrututrais SEGURANÇA EM 1º LUGAR
em betão armado com recurso a Meios auxiliares de elevação
materiais compósitos // pág. 11
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GESTÃO
DIREITO A FALAR
Como influenciar pessoas
Alteração do IMI
Seja um líder (parte 4) // pág. 16
// pág. 14

“O Engenho” é um Boletim de Conhecimento Técnico Mensal, os conteúdos não podem ser reproduzidos ou copiados sem a devida autorização dos autores.
Todos os direitos reservados. Grupo Casais © 2016 www.casais.pt | www.casaisnet.casais.pt
Boletim de Conhecimento Técnico Nº 26/2016

SESSÃO TÉCNICA

NOVAS TECNOLOGIAS NO
APOIO À GESTÃO DO PROCESSO
DE CONSTRUÇÃO SESSÃO TÉCNICA MA

A Sessão Técnica de Marrocos decorreu no dia 28 de maio


de 2016, na obra do “Lycée D’excellence” de Ben Guerir. Esta
formação, ou com maior rigor, partilha de boas práticas e
soluções inovadoras, teve como objetivo a apresentação da
plataforma FIELDWIRE a todo o universo Casais Marrocos.
Sérgio Laranjeira
Casais Maroc

Esta sessão permitiu inicialmente e de nesta obra), talvez uma das ferramen-
forma muito breve, introduzir as fer- tas de uso diário e transversal a todos
ramentas tecnológicas que ao longo os intervenientes em qualquer obra
dos anos nos têm ajudado a construir que participemos. O FIELDWIRE foi a
como até agora e como poderão vir a plataforma que entre várias soluções
ser no futuro. Depois, e de forma mais existentes no mercado, pareceu ser a
aprofundada, foram então expostas que melhor se adequa ao core busi-
e aclaradas as características que tor- ness da Casais.
nam esta plataforma ( já em utilização

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SESSÃO TÉCNICA

O FIELDWIRE permite-nos colocar 2. Gestão da construção: O 5. Telas finais: O FIELDWIRE torna


desenhos (o projeto), pessoas e tarefas FIELDWIRE apresenta-se como fácil manter todos os desenhos
numa única plataforma com base em a plataforma que faz a ponte atualizados sem ter de voltar ao
alojamento online, tornando mais fácil entre os planos de execução e a escritório, fazendo uso de todas
para gestores de projetos, diretores de fase de construção. Assumindo as ferramentas de anotação. No
obra, encarregados e todos os partici- que nos fornece as ferramentas final, estes desenhos podem ser
pantes, colaborar em tempo real. necessárias para esta ligação. exportados permitindo o registo
Dispomos de versões gratuitas e de todos os dados.
As características: pagas; a versão gratuita permite
até 10 utilizadores, gerir 5 obras e
1. Gestão de desenhos e anotações: comportar até 500 desenhos. As Em suma, o FIELDWIRE tem-se
O FIELDWIRE incorpora nos pro- versões pagas são variadas. mostrado como uma ótima ferramenta
jetos a capacidade de gestão dos para o acompanhamento diário da
seus desenhos, de modo a que 3. Lista de pendentes: O sistema obra no sentido da melhoria contínua.
seja bastante fácil aos utilizadores de rastreamento permite alertar
a sua visualização, edição e parti- toda a equipa quando questões Para conhecer melhor e mais pormeno-
lha no terreno. O projeto pode ser importantes são reportadas e res deste tema e iniciativa, a apresenta-
carregado diretamente ou através assim, estas possam rapidamente ção e os vídeos estão disponíveis aqui:
de sincronização com pastas das ser tratadas.
“nuvens” Dropbox ou Box, tendo → Video 1
atualização automática; Assim, 4. Inspeções: Esta solução torna → Video 2
esta aplicação permite que a mais fácil o processo de inspe- → Video 3
equipa trabalhe sempre com a ções internas. Podem ser criadas → PDF
informação mais atualizada. “checklists”, fazer por si só a
inpeção, e facilmente gerar os
relatórios finais.

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ENGENHARIA

REFORÇO DE ELEMENTOS
ESTRUTUTRAIS EM
BETÃO ARMADO COM RECURSO
A MATERIAIS COMPÓSITOS
(SISTEMAS FRP)

FRP (Fiber Reinforced Polymer) são sistemas compósitos refor-


João Morgado Eira çados com fibras. Estes sistemas são indicados principalmente
Departamento Técnico - PT para o reforço de estruturas, visando o aumento da resistência e/
ou ductilidade dos seus elementos, melhorando assim o seu de-
sempenho relativamente ao seu estado inicial. Apesar de relati-
vamente dispendiosos são materiais de alto desempenho, leves,
de fácil aplicação e com ótimo aspeto estético, o que os torna
especialmente interessantes no reforço de estruturas existentes.

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ENGENHARIA

Porquê reforçar? Nos FRP as fibras são a parte descontínua e são responsá-
A necessidade de reforçar parcial ou totalmente uma estru- veis pela capacidade de carga e rigidez do compósito.
tura poderá dever-se:
A matriz, a parte contínua, tem menor capacidade de
• eliminação de danos em elementos estruturais – danos carga e rigidez. Garante a transferência de tensões entre
que poderão dever-se à ocorrência de acidentes naturais, fibras, bem como a sua proteção ao meio ambiente.
aplicação de sobrecargas excessivas, erros grosseiros na A interface existe por culpa da reação química entre a
elaboração do Projeto de Estabilidade, má execução ou matriz e o reforço. Controla o modo de rotura e é res-
ainda a deterioração dos materiais estruturais; ponsável pelo comportamento global do compósito em
• a alterações do valor da sobrecarga de utilização; termos de resposta tensões-extensões.
• à necessidade de conformidade da estrutura para com
uma regulamentação específica;
• a exigências específicas.

É habitual classificar as técnicas de reforço em dois gru-


pos distintos: recorrendo à adição de novos elementos
resistentes; ou através do reforço de elementos resis-
tentes já existentes. O reforço dos elementos existentes
é normalmente conseguido através do alargamento da
secção, realização de uma construção compósita (com
adição de outros materiais, como é o caso dos FRP’s) ou Figura 2 – Diagramas tensão-extensão correspondentes à matriz e
aplicação de pós-tensão. fibras que constituem o material compósito.

FRP (Fibre Reinforced Polymer) Tipos de fibras


FRP são sistemas compósitos reforçados com fibras. As fibras mais usadas no fabrico dos compósitos são: vidro;
Do ponto de vista da macroescala, os materiais compósitos carbono; aramida. As propriedades mecânicas de referência
são constituídos por duas ou mais fases (materiais), cuja para estes materiais apresentam-se na Tabela 1 em com-
performance é projetada de modo a que o conjunto seja paração com os materiais mais tradicionais: betão e aço.
superior às partes individuais.
Módulo
Tensão Rotura Extensão Última
Material Elasticidade
(MPa) (%)
(GPa)

Betão 20 - 40 1–3 0.26 - 0.35


Aço 200 - 210 240 - 690 2.5 – 7.5
Carbono
Alta resistência 215 – 235 3500 – 4800 1.4 – 2.0
Res. ultra elevada 215 – 235 3500 – 6000 1.5 – 2.3
E elevado 350 – 500 2500 – 3100 0.5 – 0.9
E ultra elevado 500 – 700 2100 – 2400 0.2 – 0.4
Vidro
E-Glass 70 1900 – 3000 3.0 – 4.5
S-Glass 85 - 90 3500 - 4000 4.5 – 5.5
Figura 1 – Constituição dos materiais compósitos.
Aramida
E baixo 70 – 80 3500 – 4100 4.3 – 5.0
E elevado 115 - 130 3500 - 4000 2.5 – 3.5

Tabela 1 – Propriedades mecânicas de referência p/ diferentes materiais.

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ENGENHARIA

No gráfico abaixo é representada comparativamente a evo- Dentro dos FRP’s, os sistemas mais utilizados na constru-
lução dos diagramas tensão-extensão para alguns tipos de ção civil são os que recorrem às soluções de fibras de vidro
fibra. São evidentes as diferenças de rigidez e a mais alta (GFRP) e carbono (CFRP). De forma prática é apresentada
resistência destes materiais quando comparados com o aço na Tabela 3 comparação entre os dois.
tradicionalmente utilizado em estruturas de betão armado.
No caso das fibras referidas, evidencia-se a não existência
CFRP (Carbono) GFRP (Vidro)
de um patamar de cedência.
Alta rigidez (E) Baixa rigidez (E)

Alta resistência Resistência mais reduzida ainda que elevada.


(frotura = 2100 a 4800 MPa) (frotura = 1900 a 4000 MPa)

Elevada resistência fadiga Baixa resistência à fadiga

Mais caro Mais barato

Mais indicado para estruturas de betão Mais indicado para estruturas de


madeira e alvenaria

Tabela 3 – Comparação entre os sistemas CFRP e GFRP.

Finalmente, no gráfico na Figura 4, são confrontados os


diagramas tensão-extensão relativos aos compósitos CFRP
Figura 3 – Diagrama tensão-extensão comparativo de diferentes materiais.
(com fibras de carbono), GFRP (fibras de vidro) e AFRP (fi-
bras de aramida) com aqueles que se obtêm para os casos
dos aços tradicional e de pré-esforço.
A Tabela 2 resume prós e contras de diferentes tipos de fibras.

Fibra Prós Contras

Vidro Alta resistência. Baixa rigidez (E);


(E-glass, Baixo custo. Sensível a altas
S-glass) temperaturas;
Baixa resistência á fadiga.

Aramida Alta resistência á tração; Baixa resistência à


Baixa densidade. compressão;
Alta absorção de
humidade;
Custo elevado.

Carbono Alta resistência. Custo moderadamente


Alta rigidez (E). elevado.
Figura 4 – Diagrama tensão-extensão comparativo de diferentes materiais.
Grafite Alta rigidez (E). Baixa resistência;
Custo elevado.
Os CFRP’s (Fibras de Carbono + Matriz Epoxídica) são
Cerâmica Alta rigidez (E). Baixa resistência; apontados por vários autores como os mais indicados
(carboneto de silício, Pode ser usada a altas Custo elevado.
alumina) temperaturas. para o reforço de estruturas de betão e/ou betão armado
principalmente por terem módulo de elasticidade pró-
Tabela 2 – Prós e contras de diferentes tipos de fibras. ximo do aço; elevada resistência à tração; elevado rácio
resistência/densidade.

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ENGENHARIA

Tipos de Sistemas FRP Propriedades, vantagens e


As fibras são feitas de filamentos contínuos extremamente
finos, cuja manipulação individual é muito difícil. Por esse
desvantagens dos FRP
motivo, as fibras são comercializadas em diferentes formatos. As propriedades do material compósito dependem das pro-
priedades de cada uma das fases que o constitui, da geome-
Os sistemas FRP para reforço de estruturas de betão arma- tria e da distribuição das três fases no compósito.
do podem ser fornecidos na forma de:
Os FRP têm larga aplicação em Engenharia Civil devido fun-
• Laminados – de fibra de carbono unidirecionais, já en- damentalmente às seguintes propriedades:
durecidos (pré-curados, prontos a usar), colados com um
adesivo de resina epoxídica. • Boas propriedades mecânicas: resistência e rigidez;
• Mantas e Tecidos – aglomerados de fibras contínuas • Baixo peso específico;
e unidirecionais (mantas) ou bidirecionais (tecidos), • Elevada resistência à corrosão;
endurecidas in situ, aglutinadas e coladas com uma • Boa resistência à fadiga;
matriz epoxídica. • Fácil aplicação;
• Disponibilidade quase ilimitada em termos de geometria.

Em forma de resumo são apresentadas no quadro abaixo


algumas das principais vantagens e desvantagens da
utilização de sistemas FRP como reforço de estruturas de
betão armado.

Vantagens Desvantagens

Figura 5 – Sistemas FRP – laminados e mantas/tecidos, respetivamente. • Aumento da resistência à flexão, à • Não tem reserva plástica de defor-
tração e ao corte; mação – comportamento frágil. Não
• Melhoria do confinamento que se existe de um patamar de cedência
no diagrama tensão-extensão;
Campo de aplicação traduz num aumento da resistência
à compressão; • Alto custo;

dos Sistemas FRP • Redução da deformação;


• Controlo da abertura de fendas e
• Baixa resistência ao fogo, pelo que
é necessário adotar medidas de
sua distribuição; enclausuramento para proteção;
Os Sistemas FRP podem ser utilizados principalmente como
• Espessura reduzida; • Suscetibilidade a raios UV;
reforço em vigas ao momento fletor e esforço transverso, • As propriedades de interesse à
• Flexibilidade;
reforço em lajes ao momento fletor ou reforço de pilares à engenharia são muito variáveis em
• Leveza; função do tipo e orientação das
compressão por confinamento do betão.
• Fácil aplicação; fibras, do processo construtivo, etc.
• Não existe corrosão;
Revela-se uma solução interessante nos casos em que: • Grande capacidade de dissipação
de energia.
• Há deficiência de armaduras;
• O betão é de boa/média qualidade; Tabela 4 – Vantagens e desvantagens da utilização de sistemas FRP.
• O aspeto estético é importante;
• É inconveniente o aumento de secções;
• O reforço é moderado.

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ENGENHARIA

Técnicas de reforço

A) Viga reforçada com laminados FRP. B) Laje fungiforme reforçada com laminados FRP.

Figura 6 – Sistemas FRP - Técnicas de Reforço.

EBR: Externally bonded reinforcement technique;


NSM: Near-surface mounted technique;
MF-FRP: Mechanically fastened FRP technique;
MF-EBR: Mechanically fastened and externally bonded rein- C) Laje maciça vigada reforlada com laminados FRP. D) Laje reforçada com mantas FRP.
forcement technique.
Figura 8 – Técnica EBR – exemplos de aplicação.

Técnica EBR (Externally bonded


reinforcement technique)
Esta técnica, designada de reforço por colagem externa, Técnica NSM (Near-surface
consiste na aplicação de compósitos FRP na face dos mounted technique)
elementos a reforça.
Esta técnica consiste na introdução de FRP’s em ranhu-
ras de pequenas dimensões pré-executadas no betão
de recobrimento dos elementos a reforçar. Geralmente
os FRP’s são fixos ao elemento por intermédio de um
adesivo epoxy.

Figura 7 – Técnica EBR (Externally bonded reinforcement technique).

Da investigação que tem sido efetuada tem-se verificado


que esta técnica não permite mobilizar a resistência má-
xima dos FRP’s, dado ocorrer o seu deslocamento precoce
em relação ao elemento a reforçar, rotura que pode ser frá- Figura 9 – Técnica NSM (Near-surface mounted technique).
gil pondo em risco a viabilidade do reforço. Adicionalmen-
te, os reforços aplicados ficam expostos diretamente à ação
do fogo, às condições ambientais e a atos de vandalismo.

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ENGENHARIA

Quando comparada com a técnica EBR esta permite uma Técnica MF-EBR (Mechanically
maior mobilização da resistência à tração dos FRP’s, uma
melhor ligação com o elemento a reforçar (ligação menos
fastened and externally bonded
propícia a descolagem), maior facilidade de ligação dos FRP reinforcement technique)
em elementos adjacentes (prevenindo problemas de anco-
ragem), maior proteção à ação de agentes externos (ações Esta técnica combina os benefícios derivados da aplicação
mecânicas, atos de vandalismo, fogo e meio ambiente. de ancoragens usadas na técnica MF-FRP com os intrín-
secos à ligação colada segundo a técnica EBR. Além disso,
todas as ancoragens são pré-esforçadas.

Técnica MF-FRP (Mechanically


fastened FRP technique)
Esta técnica surge como uma tentativa de contornar os
problemas mencionados relativamente à técnica EBR. É
caracterizada pelo uso de laminados de FRP que são fixa-
dos mecanicamente ao betão usando “pinos” de fixação
com espaçamento entre eles muito reduzido ao longo do
FRP. Para prevenir destacamento precoce do reforço, nas
extremidades deste tipo de laminado podem ainda ser
aplicadas ancoragens mecânicas correntes.
Figura 11 – Técnica MF-EBR (Mechanically fastened and externally
bonded reinforcement technique).

A técnica de reforço MF-EBR tem como vantagens:

• Fácil aplicação sem requerer técnicos especializados;


• Não requer o tratamento da superfície;
• A estrutura reforçada fica apta a ser utilizada
imediatamente após a aplicação do reforço.

Figura 10 – Técnica MF-FRP (Mechanically fastened FRP technique).

Vários benefícios são apontados a esta técnica, nomea-


damente, a rápida instalação com recurso a ferramentas
manuais simples, a quase ausência da necessidade de
mão de obra especializada, ausência da necessidade de
preparação da superfície, bem como o facto da estrutu-
ra reforçada poder ser imediatamente carregada após a
instalação do FRP.

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ENGENHARIA

Eficiência das técnicas de Regulamentação e bases


reforço - comparação de dimensionamento
Os resultados de um estudo realizado na Universidade do Os seguintes documentos poderão ser utilizados como
Minho, avalia comparativamente a eficiência das técnicas base de dimensionamento do reforço de elementos es-
de reforço EBR, MF-EBR e NSM. truturais em betão armado com sistemas FRP:

Vigas foram submetidas a ensaios de flexão. Em compa- Fib Bulletin 14 (2001) – “Externally bonded FRP reinforce-
ração com a viga de referência (não reforçada), foi obtido ment for RC structures”;
um aumento na capacidade de carga de 37%, 87% e 86%,
para as vigas EBR, MF-EBR e NSM, respetivamente. ACI 440.2R-08 (2008) – “Guide for the Design and Cons-
truction of Externally Bonded FRP Systems for Strengthe-
ning Concrete Structures”;

CNR DT200R1 (2013) – “Guide for the Design and Cons-


truction of Externally Bonded FRP Systems for Strengthe-
ning Existing Structures”.

Figura 12 – Eficiência das técnicas de reforço com Sistemas FRP. Figura 13 – Bases de dimensionamento do reforço de elementos estruturais
em betão armado com sistemas FRP.

A regulamentação disponível apresenta em geral filosofia


semelhante à do Eurocódigo.

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SEGURANÇA EM 1º LUGAR

MEIOS AUXILIARES
DE ELEVAÇÃO
PREVENÇÃO E SEGURANÇA

PRINCIPAIS RISCOS:
• Queda de objetos por desprendimento/desmoronamento
Margarida Santos • Queda de objetos em manipulação
Departamento de Prevenção • Esmagamento
e Segurança – PT • Entalamento
• Cortes ou dilacerações
• Sobreesforços

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SEGURANÇA EM 1º LUGAR

CABOS DE AÇO (feixe de fios de aço entrançados)

• Devem ser armazenados em locais limpos e secos.

• Devem ser lubrificados com massas apropriadas, sendo


proibido lubrificar cabos com óleos queimados.

• Devem ser retirados de serviço e inutilizados todos os


cabos que:
→→Apresentem 10% de fios partidos num comprimen-
to correspondente a oito vezes o seu diâmetro;
→→Apresentem um cordão com 5% de perda de secção;
→→Apresentem diminuição do diâmetro em 10% em
qualquer ponto.
MEDIDAS DE PREVENÇÃO:
• Devem ser retirados de serviço e inutilizados de imediato
• Devem ser bem definidas as capacidades dos acessórios todos os cabos que apresentem pontos de corrosão:
de elevação, em função das cargas a movimentar, antes →→Apresentem deformações permanentes (vincos,
de proceder à sua utilização. esmagamentos, nós,…);
→→Apresentem zonas com perda de secção devido a
• Todos os acessórios devem ser homologados, ter apos- desgastes;
ta a marca “CE” e ter marcada de forma bem visível a →→Apresentem deficiências nos apertos.
carga de rutura.
• Os cerra-cabos devem ser verificados antes da sua
• Deve ser exigido ao fabricante ou fornecedor o certi- aplicação, nomeadamente sinais de corrosão, fissuras,
ficado de conformidade que deve conter os seguintes desgastes, deformações da sua geometria, defeitos nas
elementos mínimos: data de fabrico, carga de rutura, roscas e porcas de aperto.
cumprimento e diâmetro.
• Os cerra-cabos devem estar dimensionados para o
• Devem ser rigorosamente proibidos todos os acessórios diâmetro do cabo a utilizar.
de elevação não dimensionados para a atividade, no-
meadamente cabos, cordas, correntes ou cintas com nós. • Devem evitar-se tensões e vincos que reduzem a sua
resistência e duração.
• É extremamente proibido utilizar meios de elevação de
carga em mau estado de conservação.

• Os acessórios de elevação, quando não estão a ser utili-


zados, deverão ficar acondicionados em local adequado.

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SEGURANÇA EM 1º LUGAR

GANCHOS (haste curva de metal para suspender CORRENTES (cadeia de elos metálicos)
quaisquer pesos)
• Devem ser retiradas de serviço todas as correntes que
• Devem possuir patilha de segurança em bom estado. apresentes elos com sinais de corrosão, fissuras, desgas-
tes (superiores a 5%), ou deformações da sua geometria.
• Devem ser retirados de serviço todos os ganchos que
apresente sinais de corrosão, fissuras, desgastes, deforma- • Deve ser rigorosamente proibido alterar correntes,
ções da sua geometria ou falta de patilha de segurança. nomeadamente proceder à sua substituição dos seus
elos ou soldá-los.
• Deve ser proibido fabricar ganchos no estaleiro com
ferro de obra, independentemente da sua resistência. • As correntes não devem ser utilizadas com nós, torcidas
ou com ramais cruzados.
• Deve ser rigorosamente proibido alongar a abertura dos
ganchos de forma a poder passar um cabo ou acessó- • As correntes devem ter um fator de segurança de 5.
rios de maior diâmetro.
• O critério de seleção deve ter em conta a carga a movi-
• Os ganchos giratórios devem estar bem lubrificados, de mentar bem como a volumetria da mesma, sendo que
forma que girem livremente. devem estar sempre dimensionadas para o efeito.

MANILHAS (argola, elo de cadeia com sistema CORDAS (peça de fios unidos e torcidos uns sobre
de abertura e fecho) os outros) OU CINTAS (tira de material sintético com
que se cerca uma carga)
• Devem ser retiradas de serviço todas as manilhas que
apresentem sinais de corrosão, fissuras, desgastes, • Quando são entregues na ferramentaria, deve-se pro-
deformações da sua geometria, defeitos nas roscas ou ceder à secagem à sombra, em local seco e arejado e
parafusos de aperto. verificar o desgaste ao longo da corda.

• Devem ser armazenadas em locais secos, à temperatura am-


biente e resguardadas da exposição direta aos raios solares.

• Devem ser retiradas de serviço as cordas com 10% de


fios partidos e as cintas que apresentem cortes ou des-
gastes nos olhais ou em qualquer outro ponto e que
ponha à vista as fibras internas.

• Deve ser sempre respeitada a carga máxima definida


pelo fabricante do equipamento.

NOTA:
→→De cânhamo, são muito sensíveis à água e agentes
químicos, pelo que não é aconselhável o seu uso
em locais molhados;
→→De poliamida, são resistentes à tração brusca e aos
agentes químicos.

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G E S TÃ O

COMO INFLUENCIAR PESSOAS*


Seja um líder: como mudar as pessoas sem
as ofender ou despertar ressentimentos
(PARTE 4)

Pedro Vilaça COMO CRITICAR E NÃO SER ODIADO POR ISSO


Departamento Produção - PT Se tem de identificar um erro ou corrigir alguém por algo que não
foi devidamente executado, deverá começar a salientar os aspetos
positivos do seu trabalho. Ao elogiar através de apreciações honestas
verificará que a reação será muito mais profícua do que se optar por
criticar e acusar de erros constantes. Os elogios funcionam como a
Novocaína que o dentista aplica sobre a gengiva (para adormecer a
dor) enquanto perfura o dente com uma broca.
No seguimento do elogio, deve alertar para os erros de forma indireta.

PRIMEIRO, FALE DOS SEUS PRÓPRIOS ERROS


Uma outra forma de abordar uma situação crítica é mostrar ao outro
que nós próprios cometemos erros durante a nossa vida e que, ao
*Artigos adaptados do livro “Como fazer amigos e longo do tempo, tentamos melhorar, ultrapassar, eliminar esses erros.
influenciar pessoas” da autoria de Dale Carnegie

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G E S TÃ O

FAÇA PERGUNTAS EM O psicólogo Jess Lair observa: "o elogio MOSTRE COMO O ERRO
VEZ DE ORDENAR é como um raio de sol para o espírito É FÁCIL DE CORRIGIR
Um líder eficaz faz perguntas em vez humano quente; não podemos flores- Para ajudar os outros a melhorar uti-
de dar ordens diretas. Tenha cons- cer nem crescer sem ele. E, todavia, lize incentivos. Faça com que os erros
ciência de que a maioria das pessoas embora muitos de nós estejam sem- pareçam fáceis de corrigir. Se incutir
não gosta de receber ordens e que pre prontos para aplicar aos outros o a ideia de que será fácil ultrapassar
qualquer um dos nós é mais colabo- vento frio das críticas, ficamos relu- pequenos erros ou pequenas limi-
rativo se se sentir parte integrante da tantes em dar ao nosso semelhante o tações, destacando as capacidades
decisão que provocou essa ordem. brilho quente de um elogio". de cada um, conseguirá fomentar a
Esta técnica incentiva as pessoas a autoconfiança e inspirar as pessoas a
corrigirem erros, salvaguardando Enalteça o desenvolvimento mais ter coragem, fé e a dar o seu melhor.
o orgulho delas e estimulando a ínfimo e todas as melhorias. Seja
cooperação em vez da revolta. Ao afetuoso na sua aprovação e bondoso FAÇA COM QUE OS OUTROS
recorrer a esta técnica é possível nos elogios. FIQUEM FELIZES POR FAZER
“camuflar” uma ordem e estimular a AQUILO QUE SUGERE
criatividade das pessoas. ESCOLHA A REPUTAÇÃO CERTA Um líder eficaz deve estar ciente das
Como gostaria de ser reconhecido? seguintes regras quando necessita de
DEIXA A OUTRA PESSOA Como um chefe autoritário ou como alterar posturas ou condutas.
SALVAR A FACE um líder que todos desejam a acom-
É importante possibilitar que a outra panhar? Se pretende aperfeiçoar-se • Seja verdadeiro. Não garanta
pessoa salve a face, mesmo que no difícil papel da liderança, deverá nada que não possa concretizar.
tenha cometido uma ação grave. Re- influenciar e mudar as atitudes e a
preender, criticar e ameaçar alguém conduta dos outros e conceber uma • Centre nos benefícios da outra
perante uma plateia de pessoas só reputação que os outros respei- pessoa e não nos seus próprios
vai ferir os sentimentos e o orgulho tem. Os diversos estudos efetuados benefícios.
de quem se enganou. indicam que a maioria das pessoas
Se em vez de seguir o impulso in- podem ser orientadas se conseguir- • Instrua corretamente a outra pes-
tempestivo recorrer a uma palavra de mos o seu respeito e mostrarmos soa com o que é pretendido dela.
compreensão genuína, vai conseguir que as respeitamos por alguma das
aliviar profundamente o sentimento suas competências. • Seja Simpático. Interrogue-se
de amargura da pessoa e permitir sobre os desejos e aspirações da
que essa pessoa fique determinada a Então, como proceder quando algum outra pessoa.
não voltar a enganar-se. bom colaborador começar a demons-
trar-se desmotivado? Pode despedi- • Atente quais os benefícios que
COMO INCENTIVAR AS PESSOAS -lo, mas isso não resolve nada. Pode essa pessoa receberá se corres-
PARA O SUCESSO repreendê-lo, mas isso geralmente ponder ao que lhe sugeriu.
Elogiar em vez de julgar é o princípio provoca ressentimento. Se desejar
dos ensinamentos de B.F. Skinner. potenciar determinada aptidão de • Adapte esses benefícios aos
Através de experiências realizadas em alguém, comporte-se como se essa desejos da pessoa.
animais e humanos demonstrou que, característica já fizesse parte das suas
quando as críticas são reduzidas e os capacidades (mesmo que o mesmo • Quando fizer uma solicitação,
elogios salientados, as ações positivas não a possua). Poderá ser profícuo formule-a de forma a transmitir
são potenciadas e as negativas ficam assumir e declarar francamente que à outra pessoa a ideia de que be-
enfraquecidas por falta de atenção. essa pessoa tem uma virtude que neficiará pessoalmente com isso.
deseja ver expandida.

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Boletim de Conhecimento Técnico Nº 26/2016

D I R E I T O A FA L A R

ALTERAÇÃO DO IMI
Filipa Teixeira O IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) é um imposto aplicado
Departamento Jurídico sobre o valor patrimonial tributário de todos os imóveis que se
encontram em território nacional, é pago pelos proprietários de
imóveis e reverte a favor dos municípios.

O valor patrimonial tributário é calcu- A Lei do Orçamento do Estado para


lado com base em vários critérios: o 2016 autorizou que se procedesse a
valor de construção por metro quadra- alterações ao Código do IMI, no sen-
do, a área bruta, a localização, a qua- tido de equiparar os coeficientes de
lidade e conforto e a idade do imóvel. qualidade e conforto relativos à loca-
O valor do imóvel para efeitos fiscais é lização e operacionalidades relativas
revisto pelas Finanças a cada três anos. dos prédios destinados à habitação

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D I R E I T O A FA L A R

aos utilizados nos prédios de comércio, ções diferentes no mesmo bloco, pelo Ou seja, o contribuinte fica sem saber
indústria e serviços. facto de uma ter terraço ou encontrar- qual o IMI que irá pagar para o ano,
-se em situação privilegiada em ter- pois não sabe se o seu município vai
Assim, entrou em vigor, no dia 2 de mos de vista, por exemplo. solicitar uma nova avaliação de alguns
agosto de 2016, o Decreto-Lei n.° ou todos os imóveis, por achar, por
41/2016, de 1 de agosto que introduz Isto porque o decreto-lei define agora exemplo, que determinado bairro ou
alterações, entre outros, ao Imposto que o coeficiente de “localização e ope- imóvel isolado tem uma vista excelen-
Municipal sobre Imóveis. racionalidade relativas” possa ser aumen- te e/ou ótima exposição solar.
tado até 20% ou diminuído até 10%, caso
A medida que mais destaque tem tido fatores como a exposição solar, o piso ou As alterações aprovadas pelo Decreto-Lei
é a da alteração em sede de cálculo do a qualidade ambiental sejam considera- n.° 41/2016, de 1 de agosto entraram
coeficiente de Qualidade e Conforto, dos positivos ou negativos. em vigor no dia 2 de agosto de 2016,
quanto a prédios urbanos destinados mas não ocorrem automaticamente.
a habitação, coeficiente que é utilizado Assim, caso um imóvel tenha uma
na determinação do Valor Patrimonial boa exposição solar, seja um piso mais As alterações no valor patrimonial
Tributário desses imóveis. elevado ou tenha uma “área especial”, dos imóveis só produzirão efeito se
como um terraço, o coeficiente pode houver uma reavaliação do imóvel (a
Um aumento da ponderação máxima subir até 20%. Em sentido inverso, se pedido do proprietário, das Finanças
prevista para o coeficiente de "locali- o imóvel receber pouca luz natural, ou das autarquias) ou em imóveis no-
zação e operacionalidade relativas" é for uma cave ou tiver uma qualidade vos. Haverá casos em que a mudança
a grande mudança nas regras do IMI. ambiental prejudicial (como poluição se poderá traduzir num aumento do
Significa isto que dependendo da ex- atmosférica, sonora ou outra) ou ele- IMI, outros em que ele poderá baixar.
posição solar que o seu andar tiver ou mentos visuais negativos (como uma Enquanto não houver uma iniciativa
da qualidade ambiental da sua habita- ETAR ou um cemitério), o coeficiente de reavaliação, estas mudanças estão
ção, este imposto pode subir ou descer. pode diminuir até 10%. como que "adormecidas".

No fundo, a alteração prende-se com a Até aqui, o código do IMI previa que o
equiparação dos prédios urbanos des- coeficiente de “localização e operacio-
tinados a habitação com os destinados nalidade relativa” tivesse uma ponde-
a comércio, indústria e serviços, quan- ração máxima de 5% - o que significava
to aos majorativo e minorativo "locali- que estes elementos podiam aumentar
zação e operacionalidade relativa". ou diminuir o coeficiente até esse valor.

Procedeu-se, assim, ao aumento, quer Além disso, a partir de agora, os


do majorativo quer do minorativo re- municípios e as juntas de freguesia
ferido: o majorativo passa de até 5% (quando estas últimas obtêm receitas
para até 20%, enquanto o minorativo de IMI) também podem contestar e
aumenta de até 5% para até 10%. Ou solicitar a atualização dos valores pa-
seja: agora é possível diferenciar posi- trimoniais das casas dos contribuin-
tivamente em 20% duas frações iguais tes, se não concordarem com o valor
de um mesmo prédio mas com situa- encontrado pelo Fisco.

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