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E XC E L E N T Í S S I M O S E N HO R D O UT O R J U I Z DE D I RE I T O DA V A RA

E S PE C I A L I ZA D A DAS A Ç ÕE S C I V I S P ÚB L I C AS E A Ç ÕE S P O PUL A RE S DA

COMARCA DE C U I A B Á , E S T A DO DE M AT O G R OS S O .
“NÃO ME VENHAM APONTAR TÃO COMUNS

TALENTOS: MOSTREM VIRTUDES NE CESSÁRIAS AO

ESTADO.” E U R Í P E D E S 1.

S IN D IC A TO D OS S ER V IDOR ES DO P OD ER
J UD IC IÁ R IO DO ESTADO DE M A TO G R O S S O – S IN J US M A T , pessoa
jurídica de direito privado, cadastrado no CNPJ sob o número
36910081/0001-04, com a sede localizada à Rua Barra do Garças,
número 74, bairro Consil, Cuiabá/MT, CEP 78.048 -730, neste ato
representado pelo presidente legalmente constituído, o Senhor
R O S EN W A L R O D R IG U ES D OS S A N TOS , brasileiro, servidor público
estadual do Poder Judiciário, inscrito no RG sob o n.º 463.148
SSP/MT, cadastrado no CPF sob o n.º 459.451.791 -91, residente e
domiciliado à Avenida República do Líbano, número 10, bairro
Senhor dos Passos, Cuiabá – MT, CEP. 78.000 -000, na forma de seu
estatuto e atas (doc.n.º 01), todas devidamente registradas em
Cartório, vem, através de seu advogado e bastante procurador, in fine
assinado, conforme procuração em anexo ( doc. n.º 02 ), intentar a
presente:
AÇÃO CÍVEL PÚBLICA COM PEDIDO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER

COM PE D I D O D E T U T E L A P R OV I S Ó RI A DE U R GÊ N CI A A NT E C I PA DA ,
com fulcro no controle de conformidade constitucional no interesse
público da preservação da autonomia financeira do Poder Judiciário
prevista na Constituição Federal, em razão do artigo 99 e 168; e na
obrigação legal contida na alínea b) do inciso II artigo 2º da Lei de
Responsabilidade Fiscal 2, e com base na tese de repercussão geral e
com efeito erga omnes da decisão da ADPF n.º 339 do S U PRE M O
T R I B U N A L F E D E R A L . Em face de:

1
Na tragédia Aeolus, apud Aristóteles. In: Política. Tradução de Torrieri Guimarães. SP: Martin Claret,
2002. p.83.
2
Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais: (...) II -
na esfera estadual: (...) b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
E S T A DO DE M AT O G RO S S O , podendo o
representando legal ser facilmente encontrado no Centro Político
Administrativo Bloco III, Cuiabá – MT. CEP 78.050.970.

G OV E R NA D OR DO E S T A DO DE M AT O
G R OS S O , cargo esse ocupado pelo cidadão José Pedro Gonçalves
Taques, a ser localizado no Palác io Paiaguas no Centro Político
Administrativo, Cuiabá – MT. CEP 78.050.970. Passa a seguir a
Autora a expor os motivos fáticos e jurídicos dos presentes pedidos.

I. P RE L I M I N ARM E NT E

I.I DO OBJETO

1. A presente ação tem como objeto de


causa de pedir o não repasse na integralidade dos duodécimos do
Poder Judiciário pelo Poder Executivo sem que haja para tanto a
caracterização da justificativa da “frustação de receitas” pelas
seguintes razões jurídicas: I) fiscalização do cumprimento daquilo
que é determinado pelo artigo 168 da Constituição Federal que
disciplina que o Poder Executivo deve repassar até o dia 20 de cada
mês o duodécimo ao Poder Judiciário 3; II) controle de conformidade
constitucional do interesse público da preservação da autonomia
financeira do Poder Judiciário prevista na Constituição Federal, no
artigo 99 4; II) obrigação legal contida na alínea b) do inciso II artigo
2º da Lei de Responsabilidade Fiscal 5.

3
“Art. 168. Os recursos correspondentes às dotações orçamentárias, compreendidos os créditos
suplementares e especiais, destinados aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Ministério
Público e da Defensoria Pública, ser-lhes-ão entregues até o dia 20 de cada mês, em duodécimos, na forma
da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º”
4
Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.” (Grifos nossos).
5
Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais: (...) II -
na esfera estadual: (...) b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
I.II DA E XI S T Ê NCI A DE I NT E RE S S E
P ÚB L I C O

2. O interesse público em questão s eria a


“defesa de prerrogativa de ordem jurídico -institucional de realização
do orçamento”, conforme já decido no S U PRE M O T RI B U NAL F E DE R AL
no MS 34483 Ref, Relator(a): M I N . D I A S T O FF OL I , Segunda Turma,
julgado em 13/12/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe -174
DIVULG 07-08-2017 PUBLIC 08 -08-2017.

I.II D O I NT E RE S S E DE A GI R D A E NT I DA DE :

DA DE F E S A D OS DI RE I T O S DOS

T RAB AL HA D ORE S

3. São prerrogativas do S INJUSMAT


(artigo 2°, letras „a‟ a „f‟): a) Representar os interesses gerais da
categoria e os interesses individu ais dos seus sindicalizados,
representando -os, ativa ou passivamente, judicial ou
extrajudicialmente, nos termos constitucionais e legais, na defesa dos
interesses e direitos difusos, coletivos, individuais ou individuais
homogêneos, garantias e predicamen tos, inclusive quanto a
retribuições pecuniárias e demais vantagens, aspirações, autonomia,
podendo, para tanto, ajuizar Mandado de Segurança Coletivo, Ação
Civil Pública, Mandado de Injunção e outras medidas judiciais cuja
legitimação lhe seja outorgada, tudo isso em especial através do
instituto de legitimação processual extraordinária ou representação;
b) Celebrar acordos e/ou convenções coletivas de trabalho; c) Eleger
ou designar os representantes da categoria, na forma deste estatuto;
d) Estabelecer mensalidades para os sindicalizados e contribuições
excepcionais para toda a categoria; e) Representar a categoria nos
congressos, conferências e encontros de qualquer âmbito; f) Lutar
pela manutenção de transparência dos poderes públicos, fiscalizando
suas atribuições e cobrando melhor qualidade na prestação de
serviços à sociedade, e condições de trabalho para a categoria.

3. A intenção da presente entidade é evitar


a perda da qualidade do serviço público através da precarização da
relação de trabalho , ante o não pagamento de créditos reconhecidos
administrativamente pelo próprio Conselho da Magistratura ,
conforme documento em anexo ( doc. n.º 03).

I.III D A L E GI T I M I D ADE A T I V A AD CAUSUM

AUT O RI ZA DA PE L A LEI

4. A aplicabilidade dos dispositivos do


Código de Defesa do Consumidor na presente Ação resulta do artigo
51 da Lei n o 7.347, de 24 de jul ho de 1985, que disciplina a ação
civil pública, senão vejamos:

“Art. 21. Aplicam-se à defesa dos direitos e interesses difusos, coletivos e


individuais, no que for cabível, os dispositivos do Título III da lei que
instituiu o Código de Defesa do Consumidor. (Incluído Lei nº 8.078, de
1990)”

5. Os artigos 81 e 82 do Código de Defesa


do Consumidor por sua vez tratam da possibilidade de que associações
da sociedade civil organizada possam pleitear em juízo a defesa dos
interesses e direitos coletivos, ipisis literis:

“Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas
poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo.
Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I -
interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código,
os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas
indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II - interesses ou
direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os
transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo,
categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por
uma relação jurídica base; III - interesses ou direitos individuais
homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum.
Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados
concorrentemente: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995). (...)
IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que
incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos
protegidos por este código, dispensada a autorização assemblear.”

6. Na tentativa de dar ênfase ao


esclarecimento sobre a substituição processual, corrobora para tanto,
as lições do mestre processualista N E L S ON N E R Y J ÚNI O R a cerca da
natureza jurídica deste instituto, colocando o como uma entidade
associativa (associação civil) sem fins lucrativos que tem
legitimidade autônoma para pleitear os direitos coletivos como
substituto processual 6.

7. Os valores a serem pagos a título de


indenização por danos morais coletivos serão estipulados em favor
dos substituídos que no momento da liquidação, e respectiva
execução serão devidamente chamados a se habilitarem no processo
para poderem receber o valore a ser arbitrado judicialmente.

8. A não observância do preceito legal à


coletividade representou em prejuízo à todos encaixados nesta
situação. A substituição processual no caso em tela dá -se em razão
da sua eficácia ante ao grande número de pessoas atingidas pelo ato
danoso.

9. A presente entidade é mecanismo


associativo da sociedade importante para tutela dos d ireitos da
coletividade que ora representa. A legitimidade ativa no caso de
substituição processual deverá ser sempre analisada pelo prisma dos
substituídos. A doutrina de A RR UD A A L V I M assim evidencia a analise
da legitimidade através da realidade concreta 7.

6
In: Código de Processo Civil Comentado. 6 ed. SP : RT, 2002. p.269.
7
“Na hipótese de substituição processual, a relação a ser estabelecida, entre o autor (substituto processual)
e o réu, carece ser estabelecida. E isto no sentido de que a temática das condições da ação será reportada
I.III D A S UB S T I T UI ÇÃ O P RO CE S S U AL

10. A substituição processual estabelecida


constitucionalmente é extraordinária e ampla, sendo assim de pleno
direito o Sindicato substituto exerce -la na medida que cumpra com o
que estabelece a Lei, conforme dispõe o inciso III do artigo 8º e ainda
o artigo 3º da Lei n.º 8.073/90, bem como no artigo 21 1º da Lei n.º
12.016/2009 8.

11. Na tentativa de dar ênfase ao


esclarecimento sobre a substituição processual, corrobora para tanto,
as lições do mestre processualista N E L S ON N E R Y J ÚNI O R a cerca da
natureza jurídica deste instituto, colocando o sindicato com
legitimidade autônoma para pleitear os direitos de seus
sindicalizados como substituto processual 9.

12. A não observância do preceito legal aos


trabalhadores da edu cação representou em prejuízo à todos os
servidores encaixados nesta situação. A substituição processual no
caso em tela dá -se em razão da sua eficácia ante ao grande número
de trabalhadores atingidos pelo ato ilegal.

ao substituído processual, dado que é ele quem sofrerá a eficácia da sentença, no sentido de que o bem
jurídico a ele respeita e não ao seu substituto. O substituto deverá, apenas, evidenciar que tem tal
qualidade em relação ao substituído. A legitimidade é idéia que há de ser aferida em face da realidade
concreta, pelo menos concreta, como hipótese de trabalho.” (Grifo nosso).
8
“Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: (...) III - ao sindicato cabe a
defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou
administrativas;(...) Art. 3º As entidades sindicais poderão atuar como substitutos processuais dos
integrantes da categoria.(...) Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido
político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus
integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação
legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e
certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que
pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial.”
9
“Para a propositura de ação civil pública na defesa de direitos difusos ou coletivos (v.g. dissídio coletivo:
CF 114 §2º), têm os sindicatos legitimidade autônoma para a condução do processo, já que possuem
natureza jurídica de associação civil (LACP 5º, CDC 82 IV) (Nery, CDC Coment. 635/636). Na defesa dos
direitos individuais dos associados e integrantes da categoria, em ações relativas a atividade da categoria e
ações de cumprimento (CF 5º XXI e 8º III, CLT 872 par. ún.), age o sindicato como substituto processual.”
In: Código de Processo Civil Comentado. 6 ed. SP : RT, 2002. p.269.
13. A autonomia evidentemente ressalta a
possibilidade do Sindicato autodeterminar o melhor caminho para a
defesa de seus sindicalizados. É da liberdade sindical fazer com que
a substituição processual possa ser exercida com independência e
autonomia, conforme ressalta os ensinamento de S I QUE I R A N E T O :
“Liberdade sindical é um direito histórico decorrente do reconhecimento
por parte do Estado, do direito de associação, que posteriormente adquiriu
a qualidade de um dos direitos fundamentais do homem, conferido a
trabalhadores, empregadores, e por respectivas organizações, consistente
no amplo direito, em relação ao Estado e às contrapartes, de constituição
de organizações sindicais em sentido teleológico (comissões,
delegados...), em todos os níveis e âmbitos territoriais, de filiação então
filiação sindical, de militância e ação, inclusive nos locais de trabalho,
gerador da autonomia coletiva, preservado mediante a sua garantia contra
todo e qualquer ato voltado a impedir ou a obstaculizar o exercício dos
direitos a ele inerentes, ou de outros a ele conexos, instituto nuclear do
Direito do Trabalho, instrumentalizador da efetiva atuação e participação
democrática dos atores sociais nas relações de trabalho, em todas as suas
esferas econômicas, sociais, administrativas públicas.”10

14. O Sindicato é mecanism o associativo


importante para tutela dos direitos da categoria que representa. A
legitimidade ativa no caso de substituição processual deverá ser
sempre analisada pelo prisma dos substituídos. A doutrina de
A R R U D A A L V I M assim evidencia a analise da legitim idade através da
realidade concreta 11.

15. Por último, ressaltar de que no regime


de substituição processual não há necessidade da entidade sindical
ter a autorização expressa bem como a relação nominal dos
substituídos, senão vejamos os acórdãos do S U PE RI OR T RI B U NAL DE

J U S T I Ç A que servem de base para tal entendimento: AgRg no


RECURSO ESPECIAL Nº 998.455 - PR (2007/0247923 -6) - R E L AT OR

10
SIQUEIRA NETO, José Francisco. Liberdade sindical e representação dos trabalhadores nos locais
de trabalho. São Paulo: LTr, 2000, p.133-134.
11
“Na hipótese de substituição processual, a relação a ser estabelecida, entre o autor (substituto processual)
e o réu, carece ser estabelecida. E isto no sentido de que a temática das condições da ação será reportada
ao substituído processual, dado que é ele quem sofrerá a eficácia da sentença, no sentido de que o bem
jurídico a ele respeita e não ao seu substituto. O substituto deverá, apenas, evidenciar que tem tal qualidade
em relação ao substituído. A legitimidade é idéia que há de ser aferida em face da realidade concreta, pelo
menos concreta, como hipótese de trabalho.” (Grifo nosso).
: M I N I S T R O J OR GE M U S S I 12; AgRg no REsp 1239671 / SC - R E L AT OR
: M I N I S T R O A R N A L D O E S T E V E S L I M A 13; AgRg no REsp 1331592 / RJ
- R E L A T O R : M I N I S T R O M AU R O C AM PB E L L M AR Q UE S 14.

16. Assim sendo a presente entidade,


conforme a supra mencionada orientação jurisprudencial, tem
legitimidade para atuar judicialmente na defesa dos interesses de
todos da categoria que estejam na circunstância da causa de pedir sem
a necessidade de apresentação da relação nominal.

II. D O M É RI T O

II.I D O S F AT OS

17. É público e notório de que o Poder


Executivo não vem repassando ao Poder Judiciário a totalidade do
valor estabelecido constitucional como duodécimo, conforme ,
inclusive, nota de esclarecimento emitida pelo próprio E GR É G I O
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE M A T O G R OS S O , conforme documento em
anexo (doc. n.º 04).

18. As últimas notícias do dia 30.01.18


esclarecem que o P R E S I D E NT E DO E GRÉ G I O T RI B U NAL DE J US T I ÇA DE

M A T O G R O S S O não aceitou mais o parcelamento dos valores em atraso


relativo ao duodécimo, conforme em anexo (doc. n.º 05), vejamos em
síntese na tabela a seguir:

12
Ementa – (...)Os Sindicatos têm legitimidade para representarem seus filiados em juízo, seja em ações
coletivas ou mandamentais, pela substituição processual, sem necessidade de autorização expressa ou da
relação nominal dos substituídos. Precedentes desta Corte.
13
Ementa – (...)Esta Corte afirmou a legitimidade ativa ad causam dos sindicatos e entidades de classe para
atuarem na defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais dos integrantes da categoria que
representam. Também afastou a necessidade de autorização expressa ou relação nominal dos
associados, por se tratar de substituição processual (Precedentes).
14
Ementa – (...)O Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento no sentido de que os sindicatos e
associações, na qualidade de substitutos processuais, detém legitimidade para atuar judicialmente na defesa
dos interesses coletivos de toda a categoria que representam, sendo dispensável a relação nominal dos
afiliados e suas respectivas autorizações.
ÓRGÃO DA IMPRENSA MANCHETE LINK DA MATÉRIA
O livre Judiciário avalia fechar http://olivre.com.br/polit
varas e comarcas caso ica/mato-
duodécimo seja reduzido grosso//judiciario-avalia-
fechar-varas-e-
comarcas-caso-
duodecimo-seja-
reduzido/13555
Mato Grosso econômico Presidente do TJ não http://www.matogrossoe
aceita proposta de conomico.com.br/noticia
pagamento do s/presidente-do-tj-nao-
duodécimo em maio aceita-proposta-de-
feita pelo governo pagamento-do-
duodecimo-em-maio-
feita-pelo-
governo/17352
Mato Grosso mais Tribunal de Justiça http://matogrossomais.co
rejeita proposta de m.br/2018/01/30/tribunal
Taques sobre -de-justica-rejeita-
cronograma do proposta-de-taques-
duodécimo sobre-cronograma-do-
duodecimo

19. A nota oficial do Presidente do Egrégio


TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE M AT O G R OS S O é no sentido de que não há
o aceite do repasse inferior aquele previsto para manutenção das
comarcas, vejamos:

“O Poder Judiciário de Mato Grosso informa que, de fato, não pode aceitar
a proposta de pagamento do duodécimo efetuada pelo Governo do Estado.
O motivo é simples. Os valores são inferiores aos necessários para a
manutenção dos serviços jurisdicionais realizados nas 79 comarcas do
Estado.
Também informa que uma comissão interna realiza estudos nesse
momento para a viabilização dos serviços jurisdicionais no Estado, mas
que há possibilidade de alteração e até de diminuição do horário de
funcionamento do Poder, bem como desativação de varas e fechamento de
comarcas. A comissão também averígua contratos com fornecedores
internos a fim de se evitar atrasos e não pagamentos.
Reforça que compreende as dificuldades enfrentadas pelo Estado e que
está em consonância com os demais Poderes e Órgãos competentes para
enfrentar o período da melhor maneira possível, sempre pensando no
melhor ao povo mato-grossense.

20. O que se tem notícia é de que o diálogo


institucional foi tentado a ser realizado, porém sem qualquer
perspectiva prática de que se tenha chegado a uma solução da
regularização do respeito da independência entre os Poderes.

21. O não repasse integral do duodécimo do


Poder Judiciário só poderia ser justificado por aquilo que o S U P RE M O
T R I B U N A L F E D E R A L definiu como “frustação de receitas”.

22. Porém, em analise as contas anuais de


2016 do Governo do Estado de Mato Grosso, o T RI B UN AL DE C ON T AS
DE M A T O G R OS S O nos processos n.º 12.041-3/2016, 28.017-8/2015,
28.153-0/2015 e 426-0/2016 constatou que naquele ano em questão
não houve frustração na arrecadação de receitas pelo Estado de Mato
Grosso, e sim um excesso de arrecadação das receitas correntes no
valor de R$ 878.239.005,08.

23. No Parecer número º 2696/2017


referente também as contas anuais de 2016 do Governo do Estado de
Mato Grosso, o Procurador -geral de Contas asseverou que: 1º) no
exercício o saldo apresentado foi de superávit e não déficit , razão
pela qual o governador deveria ter regularizado o repasse atraso aos
demais Poderes; 2º) É certo que o Supremo Tribunal Federal tem
aplicado certa relativização quanto ao repasse de duodécimos no caso
de frustração da arrecadação orçamentária, nota damente como
ocorreu nos autos de N. 5157 MC/RN e do MS 34.483 -RJ; 3º)
diferenciou que as circunstâncias daqueles autos são completamente
diversas da apresentada no Estado de Mato Grosso. Nosso estado ao
final do exercício apresentou execução orçamentária positiva
muito além do esperado, suficiente para arcar com o repasse
integral - mesmo que atrasado - dos duodécimos, não havendo
justificativa para o descumprimento da norma constitucional ; 4º)
ressaltou que fora até mesmo firmado Termo de Ajuste de Condut a
entre os Poderes e o Governo do Estado, o qual fora sumariamente
descumprido sem qualquer respeito ou justificativa idônea aos
interessados.

24. Finalmente concluiu pelo


enquadramento em tese de crime de responsabilidade pelo seguinte,
conforme o documento em anexo (doc. n.º 06):
31. O Governador, neste ponto, feriu um dos mais comezinhos
princípios do Estado Democrático de Direito Brasileiro, qual
seja, o da separação dos poderes (funções), haja vista que
ameaçou gravemente o livre funcionamento dos demais, sem
qualquer razão idôn ea para tanto, considerando que o
superavit apurado ao final do exercício financeiro que
apresentou-se mais do que suficiente para adimplir o débito.
32. Tamanha a gravidade, vislumbra-se a possibilidade de
que tais atos enquadram -se, em tese, como crime d e
responsabilidade do Governador Pedro Taques, diante da
redação do art. 4º, II, V; e VI, da Lei Nacional n.
1.079/1950, razão pela sugere -se a expedição de
recomendação à Assembleia Legislativa para que avalie a
conveniência de instauração de respectivo e eventual
processo de impedimento .” (Grifos nossos).

25. A decisão plenária ainda exortou ao


Governador, Pedro Taques, a regularizar no ano de 2017 os repasses
constitucionais dos duodécimos, vejamos, conforme documento em
anexo (doc. n.º 07):
“10) adote providências, ainda em 2017, no sentido de promover a
regularização do saldo remanescente do duodécimo devido aos poderes e
órgãos autônomos, repassando os valores na forma e prazos a serem
formalizados entre o Executivo e os demais poderes e órgãos – subitem
20.5.4”

26. No ano de 2017, os números


transparecem no Relatório Resumido da Execução Orçamentária de
que a Receita Corrente Líquida - base de cálculo do duodécimo do
Judiciário - está com superávit em relação ao que foi previsto. A
tabela abaixo é o resumo das Execuções Bimestrais do ano de 2017.
Vejamos que o previsto para a Receita Corrente Líquida dos últimos
12 meses (novembro de 2016 à outubro de 2017) foi de R$
12.797.483.535,69 e o que foi arrecadado no período foi quase R$
13.552.144.793,39, c onforme documento em anexo ( doc. n.º 08):
26. Tal resumo também pode ser verificado
no Relatório de Acompanhamento da própria Secretaria de Fazenda
que demonstra que o excesso da Receita Corrente Líquida até
novembro de 2017 em comparado ao previsto para o ano inteiro de
2017 foi de 105,90%, vejamos, conforme documento em anexo ( doc.
n.º 09):

27. São documentos públicos e teem por


isso fé pública. A presunção juris tantum do documento público é
determinada pelos artigos 374, inciso IV, 405 e 427, todos do Código
de Processo Civil Brasileiro, conforme segue:

“Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV - em cujo favor milita presunção
legal de existência ou de veracidade.

Art. 405. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos
que o escrivão, o chefe de secretaria, o tabelião, ou o servidor declarar que ocorreram em
sua presença.
Art. 427. Cessa a fé do documento, público ou particular, sendo-lhe declarada
judicialmente a falsidade.”

28. Denota-se que a informação contida na


DECLARAÇÃO FUNCIONAL que até que se provasse o contrário
possuiu a presunção de veracidade, como bem já entende há muito
tempo o T R I B U N A L DE J U S T I ÇA DO E S T A DO DE M AT O G RO S S O :
RECURSO DE APELAÇÃO C ÍVEL Nº 49867/2006 – RELATOR:
E XM O . SR. DR. ALBERTO P AM P AD O NE T O 15; RECURSO DE AGRAVO
DE INSTRUMENTO Nº 28989/2007 – RELATOR: E XM O . S R . DE S .

M A R I A N O A L ON S O R I B E I R O T RAV AS S OS 16; RECURSO DE APELAÇÃO


CÍVEL Nº 26675/2005 – RELATOR: E XM A . S RA . DE S A . M ARI A

HE L E N A G A R G A GL I ON E P ÓV OA S 17; RECURSO DE AGRAVO DE


INSTRUMENTO Nº 43951/2006 – RELATOR: E XM A . S R A . DR A .

MARILSEN ANDRADE AD Á RI O 18; REEXAME NECESSÁR IO DE


SENTENÇA Nº 29105/2006 – RELATOR: E XM O . S R . DE S . J OS É

T A D E U C U R Y 19; RECURSO DE APELAÇÃO C ÍVEL Nº 10609/2005 –


RELATOR: E X M O . S R . D E S . E R NA NI V I E I RA DE S O U ZA 20.

III. D O D I RE I T O

15 EMENTA - O boletim de ocorrências policiais e documento público e goza de presunção juris tantum
de veracidade dos fatos nele contidos, de modo que se não produzido prova suficiente e convincente em
sentido contrário, tem valor probatório quanto ao fato nele narrado, nos termos do art. 364 do CPC.
16 EMENTA - O documento público merece fé até prova em contrário.
17 EMENTA - O documento público merece fé pública até prova em contrário, ainda que emanado da
própria parte que o exibe.
18 EMENTA - A validade do documento público presume-se enquanto a suposta falsidade permanece no
campo das meras conjecturas, a teor dos arts. 364, 387 e 389, inc. I do CPC.
19 EMENTA - O documento público goza de presunção de veracidade, dispensando autenticação e o fato
público e notório dispensa prova, ex vi do artigo 334, I do CPC.

20 EMENTA - Deve prosperar ato jurídico realizado com base em documento público que possui presunção
juris tantum, assim como as cópias de documentos públicos, desde que devidamente autenticadas por oficial
público ou conferidas em cartório, com os respectivos originais, consoante extrai-se dos artigos 364 e 365
do CPC.
29. O artigo 168 disciplina que o Poder
Executivo deve repassar até o dia 20 de cada mês o duodécimo do
Poder Judiciário, vejamos:
“Art. 168. Os recursos correspondentes às dotações
orçamentárias, compreendidos os créditos suplementares e
especiais, destinados aos órgãos dos Poderes Legislativo e
Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública, ser -
lhes-ão entregues até o di a 20 de cada mês, em duodécimos,
na forma da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º”

30. A obrigação constitucional pode ser


judicializada, inclusive, para assegurar a preservação da autonomia
financeira do Poder Judiciário prevista no próprio texto da
Constituição Federal, no artigo 99 21. Bem admitido pelo Supremo
Tribunal Federal, entre os casos, no julgamento da AI 322399 AgR,
Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em
20/03/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe -081 DIVULG 25-04-
2012 PUBLIC 26-04-2012; no MS 23267, Relator(a): Min. GILMAR
MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 03/04/2003, DJ 16 -05-2003
PP-00092 EMENT VOL-02110-02 PP-00295; MS 22384,
Relator(a): Min. SYDNEY SANCHES, Tribunal Pleno, julgado em
14/08/1997, DJ 26-09-1997 PP-47479 EMENT VOL-01884-01 PP-
00154.

31. Em sede de Ação de Descumprimento


de Preceito Fundamental - ADPF 339 intentada pela A S S O C I AÇ Ã O
N A C I ON A L D OS D E FE N S ORE S P ÚB L I C O S , o S UP RE M O T RI B UN AL
F E D E R A L entendeu institui r a seguinte tese:

“É dever constitucional do Poder Executivo o repasse, sob a forma de


duodécimos e até o dia 20 de cada mês (art. 168 da CRFB/88), da
integralidade dos recursos orçamentários destinados a outros Poderes e

21
Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.” (Grifos nossos).
órgãos constitucionalmente autônomos, como o Ministério Público e a
Defensoria Pública, conforme previsão da respectiva Lei Orçamentária
Anual.”
32. A decisão é um marco da relação
jurídico institucional entre os Poderes em que se estabeleceu o
Executivo como mero arrecadador e não gestor da independência e da
autonomia administrativo -financeira-orçamentária do Poder
Judiciário, vejamos:

Ementa: ARGUIÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE


PRECEITO FUNDAMENTAL. ATO DO GOVERNADOR DO
ESTADO DO PIAUÍ CONSISTENTE NO NÃO REPASSE DE
DUODÉCIMOS ORÇAMENTÁRIOS À DEFENSORIA
PÚBLICA ESTADUAL. AÇÃO PROPOSTA PELA
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DEFENSORES PÚBLICOS –
ANADEP. ART. 103, IX, DA CRFB/88. LEGITIMIDADE
ATIVA. PERTINÊNCIA TEMÁTICA CARACTERIZADA.
PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE ATENDIDO.
PRECEDENTES. CABIMENTO DA AÇÃO. DEFENSORIA
PÚBLICA. AUTONOMIA FUNCIONAL, ADMINISTRATIVA
E ORÇAMENTÁRIA. ART. 134, § 2º, DA CRFB/88.
REPASSES ORÇAMENTÁRIOS QUE DEVEM SE DAR PELO
CHEFE DO PODER EXECUTIVO SOB A FORMA DE
DUODÉCIMOS E ATÉ O DIA VINTE DE CADA MÊS. ART.
168 DA CRFB/88. IMPOSSIBILIDADE DE RETENÇÃO, PELO
GOVERNADOR DE ESTADO, DE PARCELAS DAS
DOTAÇÕES ORÇAMENTÁRIAS DESTINADAS À
DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL, ASSIM TAMBÉM AO
PODER JUDICIÁRIO, AO PODER LEGISLATIVO E AO
MINISTÉRIO PÚBLICO. DESCUMPRIMENTO DE
PRECEITO FUDAMENTAL CARACTERIZADO. ARGUIÇÃO
JULGADA PROCEDENTE PARA A FIXAÇÃO DE TESE. 1.
Às Defensorias Públicas Estaduais são asseguradas autonomia
funcional e administrativa, bem como a prerrogativa de
formulação de sua própria proposta orçamentária (art. 134, § 2º,
da CRFB/88), por força da Constituição da República, após a
Emenda Constitucional nº 45/2004. 2. O repasse dos recursos
correspondentes destinados à Defensoria Pública, ao Poder
Judiciário, ao Poder Legislativo e ao Ministério Público sob a
forma de duodécimos e até o dia 20 de cada mês (art. 168 da
CRFB/88) é imposição constitucional; atuando o Executivo
apenas como órgão arrecadador dos recursos orçamentários,
os quais, todavia, a ele não pertencem. 3. O repasse dos
duodécimos das verbas orçamentárias destinadas ao Poder
Legislativo, ao Poder Judiciário, ao Ministério Público e à
Defensoria Pública quando retidos pelo Governado do Estado
constitui prática indevida em flagrante violação aos preceitos
fundamentais esculpidos na CRFB/88. Precedentes: AO 1.935,
rel. Min. Marco Aurélio, DJe de 26/9/2014; ADPF 307-MC-Ref,
rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, DJe de 27/3/2014; MS
23.267, rel. Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJ de
16/5/2003; ADI 732-MC, rel. Min. Celso de Mello, Tribunal
Pleno, DJ de 21/8/1992; MS 21.450, rel. Min, Octavio Gallotti,
Tribunal Pleno, Dj de 5/6/1992; ADI 37-MC, rel. Min. Francisco
Rezek, Tribunal Pleno, DJ de 23/6/1989. 4. O princípio da
subsidiariedade, ínsito ao cabimento da ADPF, resta atendido
diante da inexistência, para a Associação autora, de outro
instrumento processual igualmente eficaz ao atendimento célere
da tutela constitucional pretendida. Precedentes: ADPF 307-MC-
Ref, rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, DJe de 27/3/2014;
ADPF 187, rel. Min. Celso de Mello, Tribunal Pleno, DJ de
29/5/2014. 5. A Associação Nacional de Defensores Públicos é
parte legítima a provocar a fiscalização abstrata de
constitucionalidade (art. 103, IX, da CRFB/88). Precedentes:
ADPF 307-MC-Ref, rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 27/3/2014;
ADI 4.270, rel. Min. Joaquim Barbosa, DJe de 28/9/2012; ADI
2.903, rel. min. Celso de Mello, DJe 19/09/2008. 6. Arguição por
descumprimento de preceito fundamental julgada procedente,
para fixar a seguinte tese: “É dever constitucional do Poder
Executivo o repasse, sob a forma de duodécimos e até o dia 20 de
cada mês (art. 168 da CRFB/88), da integralidade dos recursos
orçamentários destinados a outros Poderes e órgãos
constitucionalmente autônomos, como o Ministério Público e a
Defensoria Pública, conforme previsão da respectiva Lei
Orçamentária Anual.”

(ADPF 339, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado


em 18/05/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-159 DIVULG
29-07-2016 PUBLIC 01-08-2016).” (Grifos nossos).

33. Recentemente, o STF alterou o


entendimento anteriormente concedido pelo julgado do MS
21.450/MT, DJU de 5.6.1992 de que o repasse duodecimal não se
sujeita à programação financeira e ao fluxo de arrecadação do Poder
Executivo 22.
34. O S U PRE M O T RI B UN AL F E DE RAL
definiu então de que a possibilidade jurídica do pedido é condicionada
a inexistência da demonstração da chamada “frustação de receita”, ou
seja, de que não tenha o Poder Executivo em um diálogo institucional
publicizado de que há diferença entre o c álculo do que fora
projetado no momento da edição da lei orçamentária e a receita
efetivamente arrecadada no curso do exercício financeiro de
referência, tomando como base “relatório detalhado com todos os
recursos que compõem a Receita Corrente Líquida ”, conforme o
MS 34483 MC, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma,
julgado em 22/11/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe -174
DIVULG 07-08-2017 PUBLIC 08 -08-2017.

35. Ante a expressa invocação de


precedente quanto a matéria objeto desta a Ação, a parte Requerente
requer que se digne o Douto Magistrado a seguir o precedente ou se
manifestar como elemento essencial da sentença se existe distinção
ou superação em relação ao mencionado precedente e em que termos
se faz presente tal distinção ou superação, com fulcro no inciso VI
do artigo 489 do Código de Processo Civil. 23

36. Assim urge a entidade Requerente


suscitar o critério da universalidade ou também denomina do de
exigência da justiça formal , atribuído à ciência normativa,
conceituada como exigência do respeito aos precedentes, e o conceito

22
Entendeu que o repasse duodecimal deve ocorrer até o dia vinte de cada mês, nos termos do disposto no
art. 168 da CF, de modo a garantir o autogoverno do Poder Judiciário — que não se sujeita à programação
financeira e ao fluxo de arrecadação do Poder Executivo —, tendo em vista ser o repasse uma ordem de
distribuição prioritária de satisfação de dotação orçamentária (MS 21.450/MT, DJU de 5.6.1992).
23
“Art. 489. São elementos essenciais da sentença: (...) VI - deixar de seguir enunciado de súmula,
jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em
julgamento ou a superação do entendimento.”
de corrente do direito dito por R O N AL D D W O R KI N 24, como a
necessidade de justificativa com razões imperiosas para a não
respeitabilidade de tal preceito, como coloca C HAÏ M P E RE L M AN 25.

III.I D A P O S S I B I L I DA DE DO E XE RC Í CI O DO

C O NT R OL E DE C ON F ORM I DA DE
C O NS T I T U CI ON AL

37. O homem público ao longo dos séculos


há de ter aprendido que uma sociedade justa, independentemente da
legitimação do domínio do poder, necessita de auto -limitação do
poder, incorporada em instituições livres e democráticas, pelo que
pondera K A R L L OE W E N S T E I N 26.

38. A auto-limitação pressupõe dois pré -


requisitos: a própria consciência jurídica do controle do poder pelo
poder e o estabelecimento dos contornos destes limites. Um exemplo
histórico, e de muita relevância sobre circunscrição do poder,
referenciado por J OS É A F O NS O DA SILVA, CI T AN D O J A CQ UE S
R O B E R T , é a construção paulatina pelo Conselho Constitucional da
França do “bloco de constitucionalidade”, baseado em princípios,

24
“Ao decidir o novo caso, cada juiz deve considerar-se como parceiro de um complexo empreendimento
em cadeia, do qual essas inúmeras decisões, estrutura, convenções e práticas por meio do que ele faz agora.
Ele deve interpretar o que aconteceu antes porque tem a responsabilidade de levar adiante a incumbência
que tem em mãos e não partir em alguma direção. Portanto, deve determinar, segundo seu próprio
julgamento, o motivo das decisões anteriores, qual realmente é, tomado como um todo, o propósito ou tema
da prática até então.” DWORKIN, Ronald. Uma questão de princípio. SP: Martins Fontes, 2005. p.238.
25
“Pois, por causa do grande crédito atribuído à regra de justiça, que ordena o tratamento igual para casos
essencialmente semelhantes, são necessárias razões imperiosas para motivar uma reforma à regra da
jurisprudência”. PERELMAN, Chaïm. Lógica Jurídica – Nova Retórica. Tradução de Vergínia K. Pupi.
SP: Martins Fontes, 2004. p.219
26
“Siendo la naturaleza humana como es, no cabe esperar que el detentador o los detentadores del poder
sean capaces, por autolimitación voluntaria, de liberar a los destinatarios del poder y a sí mismos del trágico
abuso del poder. Instituciones para controlar el poder no nacen ni operan por sí solas, sino que deberían ser
creadas ordenadamente e imcorporadas conscientemente en el processo del poder. Han pasado muchos
siglos hasta que el hombre político ha aprendido que la sociedad justa, que le otorga y garantiza sus derechos
individuales, depende de la existencia de límites impuestos a los detentadores del poder en el ejercicio de
su poder, independientemente de si la legitimación de su dominio tiene fundamentos fácticos, religiosos o
jurídicos”. LOEWENSTEIN, K. Teoría de la Constitución. Tradução de Alfredo Gallego
Anabitarte.Barcelona: Editorial Ariel, 1986. p.54.
nem sempre previstos nos textos magnos, consoantes com os valores
de seu tempo. Esta seria então a responsabilidade do juiz
constitucional: acompanhar o seu tempo, mesmo que ele seja
inelutavelmente conduzido a criar ele próprio novos princípios para
responder às múltiplas indagações da época 27.
39. O prevalecimento das teses favorávei s
ao controle ponderado da Administração é o produto desta dialética
história, não menos que E D UA RD O G A RC I Á DE E NT E RR Í A conclui:

“A história da redução destas i munidades, desta constante


resistência que a Admi nistração opôs à exigência de um controle
j udicial pleno de seus atos mediante a constituição de redutos
isentos e não fiscalizáveis de sua própria atuação, podemos di zes
que, em geral, é a própria história do Direito Administrativo”. 28

40. O Poder Jurisdicional detém a partir do


século XX, com o transmudar do eixo central do sentido da lei, agora
não mais como vontade geral absolutamente representada, e o Poder
Executivo se transformando em pedra angular de toda atividade
pública administrat iva, um novo papel: o de tanger os atos e fatos
administrativos em conformidade com a Constituição. F L ÁV I O D I N O
DE CASTRO E C OS T A , A PU D M A UR O C A PP E L L E T T I salienta o papel do

27
“Jacques Robert, que foi membro do Conselho Constitucional durante nove anos (1989-1998), conta que
o "bloco de constitucinalidade" foi sendo construído pouco a pouco, pedra por pedra. Inicialmente, o
Conselho descobriu um feixe de direitos especialmente guarnecidos na Declaração de 1789, direitos do
homem e do cidadão que são os direitos individuais e políticos, ditos hoje de primeira geração. A esse rol
se junta em 1946 certo número de "princípios políticos, econômicos e sociais", tais como os direitos de
asilo, de greve, direitos ao desenvolvimento, à saúde, ao trabalho, à solidariedade nacional, à instrução, à
cultura, ao ensino, ditos hoje de segunda geração. Mas o Preâmbulo da Constituição de 1946 não se limitou
a essa enumeração. Foi além, mencionando a reafirmação solene pelo povo francês dos "princípios
fundamentais reconhecidos pelas leis da República" para proceder à integração constitucional de todas as
liberdades proclamadas ao longo dos anos, tais como a liberdade de imprensa, a liberdade de reunião, a
liberdade sindical, a liberdade de associação. Bastava isso. (...) Enfim, para resumir, a partir dessas
considerações e do princípio de que é indispensável, para que o juiz constitucional cumpra a missão que
consiste em acompanhar seu tempo, que seja ele inelutavelmente conduzido a criar ele próprio novos
princípios para responder às múltiplas indagações da época. DA SILVA, José Afonso. Interpretação da
Constituição e Democracia. Revista de Interesse Público. Porto Alegre: Notadez. n.º 35, ano 2005. p.16
28
DE ENTERRÍA, Eduardo Garciá. La lucha contra las inmunidades Del poder. Madri: Gaudernos Civitas,
1983. p.22
novo Judiciário, com a metáfora que juízes neutros somente são
encontráveis no cem itério 29.

41. A tangibilidade dos atos do Poder


Executivo não significa ingerência de poderes, pois o poder
jurisdicionalcomo todos outros segue parâmetros de legitimidade de
sua atuação finalística, como bem assevera S É R GI O D´ A ND RÉ A
F E R R E I R A 30.

42. O constitucionalista A L E XA ND RE DE

M OR A E S ratifica a função da justiça constitucional em controlar o


bom funcionamento dos poderes públicos e de suas respectivas
competências 31. Este bom funcionamento para J.J.G OM E S
C A N O T I L H O é feito através da conformação do que é efetivado na
prática do agir institucional com o dado como forma pela
Constituição, ou seja, a Constituição é uma lei proeminente que
conforma o Estado 32.

29
“Em primeiro, o agigantamento dos aparatos administrativos e das tarefas legislativas. Em segundo, a
configuração do sistema jurídico como um espaço heterogêneo, plural e contraditório. Em terceiro lugar, a
ampliação da incidência do código “lícito/ilícito”, alcançando uma maior quantidade de conflitos
interindividuais e também políticas públicas (necessárias à tutela dos direitos sociais, coletivos e difusos).
Estes três fatores estão na base da ‘explosão de litigiosidade’ que os sistemas judiciais vivenciaram no Século
XX, exigindo que eles se transformassem no “terceiro gigante”, de que fala Mauro Cappelletti: ‘... a dura
realidade da história moderna logo demonstrou que os tribunais (...) não podem fugir de uma inflexível
alternativa. Eles devem de fato escolher uma das duas possibilidades seguintes: a) permanecer fiéis, com
pertinácia, à concepção tipicamente do Século XIX, dos limites da função jurisdicional, ou b) elevar-se ao
nível dos outros poderes, tornar-se enfim o terceiro gigante, capaz de controlar o legislador mastodonte e o
leviatanesco administrador.(...) Ao contrário da tese montesquieuniana, o juiz não é, nem nunca foi, a ‘boca
inanimada da lei’. DE CASTRO, Flávio Dino. A função realizadora do Poder Judiciário e as políticas
públicas no Brasil. Revista Interesse Público. ano 6, n.º 28, novembro/dezembro de 2004. Porto Alegre:
Notadez. p.70 , 71.
30
“É certo de que o juiz não se vai substituir ao administrador, no núcleo do poder discricionário. Mas não
o estará fazendo se verificar que, diante de uma aparente legalidade, esteja em face de uma grande injustiça,
de um procedimento administrativo desarrazoado, ilógico, contrário à técnica, à economicidade, à
logicidade, que são parâmetros do controle jurisdicional, nesse campo específico da legitimidade”.
FERREIRA, Sérgio D´Andréa. A identidade da função de controle da Administração Pública. Perspectivas
do Direito Público – Estudos em Homenagem a Miguel Seabra Fagundes. Carmem Lúcia Antunues Rocha
(Coord.). Belo Horizonte: Del Rey, 1995. p.368.
31
“E a justiça constitucional, normalmente, possui cinco ramos de competência: a) o controle da
constitucionalidade das leis e atos normativos do poder público; b) a proteção dos direitos fundamentais;
c) controle das regras da democracia; d) controle do bom funcionamento dos poderes públicos e de suas
competências; e e) o equilíbrio da federação.” MOARES, Alexandre. Legitimidade da justiça
constitucional, as vertentes do direito constitucional contemporâneo. América Jurídica, 2002. p.560.
43. O doutrinador O S W A L D O L UI Z P A L U é
enfático ao dispor sobr e o controle jurisdicional dos atos do Poder
Executivo, lembrando que tal controle recebe a denominação de
controle de conformidade constitucional:

“E não há como deixar de admitir que existem limites tanto no que


concerne à ação do legislador (controle de constitucionalidade) como
em relação à função governamental e à atuação da burocracia (controle
de conformidade), sendo, estes, verso e reverso da mesma moeda, o que
diz que as técnicas de controle em face de um (lei) podem ser do outro
(ato de governo, ato administrativo).
(...)

O controle de conformidade abrange atos outros que não a lei formal


e funda-se nas leis e também na Constituição. Sua conseqüência não é a
insconstitucionalidade, mas a desconformidade constitucional, muito
mais que simples legalidade. Atinge inclusive os atos de governo, atos
normativos que não leis, atos de efeito concreto e as omissões estatais.
Assim dirige-se à: a) omissão governamental ou administrativa; b) o
poder regulamentar “autônomo”; e c) a execução das leis pelo
governo”.33

44. A subordinação dos atos


governamentais perante a Constituição é freio às possíveis
arbitrariedades cometidas pela Administração Pública no uso das
competências atribuídas pela própria Constituição Federal.

45. Por fim, o efeito jurídico do controle de


conformidade do ato governamental com a Constituição é a
determinação de uma obrigação, e ainda, a declaração de nulidade de
tal ato.

46. Assim, o controle de


constitucionalidade leva à nulidade da lei; o controle d e conformidade

32
“A constituição pretende “dar forma”, “constituir”, “conformar” um dado esquema de organização
política”. (...) A Constituição só se compreende através do Estado. O Conceito de Estado Constitucional
servirá para resolver este impasse: a constituição é uma lei proeminente que conforme o Estado.”
CANOTILHO, José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 5 ed. Coimbra:Almedina.
2001. p.87-89
33
PALU, Oswaldo Luiz. Controle de atos de governo pela jurisdição. São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2004. p. 24 e 361.
tem como conseqüências as injunctions, ou seja, determinações de
obrigação de fazer e não fazer ao agente estatal, além da nulidade dos
atos desconformes 34.

IV. D O S P E DI D OS

IV.I DA TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA


ANTECIPADA

47. É indubitável que o Judiciário pode e


deve asseverar se a parte Requerida agiu com observância à Lei,
dentro de sua competência. É esta função específica do Poder
Judiciário, conforme mostra o preceito do inciso XXXV do artigo 5º,
da nossa Magna Carta: “XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário a lesão ou ameaça a direito.” A respeito do dispositivo
constitucional, assim assevera o processualista G UI L H E RM E
M A R ON I 35:

“... a constituição afirma que a Lei não excluirá da apreciação do Poder


Judiciário a lesão ou ameaça, deixa claro a intenção de se garantir a tutela
inibitória. ... em se tratando de demanda declaratória, o Autor poderá
requerer, mediante tutela antecipatória, que o réu se abstenha de praticar
atos que possa impedir o exercício das faculdades que estão contidas no
direito a ser constituído.”

48. O Novo Código de Processo Civil


estabelece no artigo 300 os requisitos necessários para o deferimento
de tutela de urgência provisória antecipada, vejamos:
“Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando
houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito
e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.”

34
Ibid., p.119 e 159.
35
In: A Antecipação da Tutela. 5ª Ed. 1999. Pág. 49.
49. O professor processualista, Dr. A N TO N I O
CLÁUDIO DA C O S T A M A C HA D O 36 em sua tese de doutorado pela USP-
SP nos traz a tona o raciocínio ora evidenciado da possibilidade de
tutela antecipada ser deferida em sede de Ação Declaratória:

“A respeito do tema, não podemos deixar de referir a precisa lição de Teori


Albino Zavascki, fundada em Pontes de Miranda, com que encerramos
essa pequena introdução e passamos ao rol de ações. Diz Zavascki: “A
carga de declaração - que consta de todas as sentenças e que é
preponderantemente nas ações declaratórias e bem significativa nas ações
constitutivas – tem eficácia de preceito. Daí dizer-se que a ação
declaratória é uma ação de preceito e que a sentença nela proferida é uma
sentença com efeito de preceito. Preceito é norma, é prescrição, é regra de
conduta, obrigatória a seus destinatários. O preceito, na sentença constitui
a essência do que se costuma chamar de ‘ lei entre as partes’. Como toda
a norma, como toda a lei, o preceito da sentença tem, pois, a eficácia
(positiva) de prescrever, estabelecendo certeza sobre o conteúdo da
relação jurídica litigiosa, mas tem também a eficácia (que se poderia
chamar eficácia negativa) de impedir, de proibir, de vedar futuros atos ou
comportamentos do réu contrários ou incompatíveis com o conteúdo do
preceito emitido”. E conclui mais à frente: “Ora, essa eficácia negativa é,
certamente, passível de antecipação, o que se dá, necessariamente,
mediante ordem de não fazer contra o preceito, ou seja, ordens de
abstenção, de sustentação, de suspensão de atos ou de comportamentos”.

50. A causídica, G L ÁU CI A C A RV AL H O
S A N T O R O 37 citando o mestre H UM B E RT O T HE OD O R O J Ú NI OR também
acrescenta o seguinte:

“Na abalizada opinião de Humberto Theodoro Junior, “qualquer sentença,


mesmo as declaratórias e constitutivas, contem um preceito básico que se
que se dirige ao vencido e traduz a necessidade de não adotar um
comportamento que seja contrário ao direito subjetivo reconhecido e
declarado ou constituído em favor do vencedor”. É a sujeição do réu a tal
comportamento que pode ser imposta em antecipação de tutela.”

51. Anteriormente ao pedido cumpre


destacar que o artigo 12 da Lei nº 7.347/85 (Lei da Ação Civil
Pública) preceitua que “poderá o juiz conceder mandado liminar, com

36
In: Tutela Antecipada. 3. ed. São Paulo : Editora Juarez de Oliveira, 1999. pág. 497.
37
In: Tutela antecipada : a solução. Rio de Janeiro : Forense, 2.000. pág. 39
ou sem justificação prévia, em decisão sujeita a agravo”. Tal
dispositivo é assim comentado pe lo professor J O S É D OS S ANT OS
CARVALHO FILHO:

“Na ação civil pública também pode ser concedido o mandado liminar.
Embora as medidas cautelares guardem maior adequação com a ação
cautelar, a doutrina tem entendido que normas processuais prevêem,
algumas vezes, esse tipo de providência em diversas ações. É o chamado
poder geral de cautela conferido ao juiz pelo art. 798 do Código de
Processo Civil, que autoriza a expedição de medidas provisórias quando
julgadas necessárias em determinadas situações fáticas. Como bem anota
HUMBERTO THEODORO JÚNIOR, tais providências que carecem da
qualidade de processo e ação, apresentam-se essencialmente como
acessórios do processo principal, motivo por que não devem sequer ensejar
autuação apartada ou em apenso. Aliás, já houve ensejo a manifestação
judicial a respeito da possibilidade de ser a medida liminar expedida dentro
da própria ação civil pública. O que é importante é que se façam presentes
os pressupostos da medida – o risco de lesão irreparável em vista da
eventual demora e a plausibilidade do direito. Desse modo, o autor da ação
civil pública, vislumbrando situação de risco aos interesses difusos ou
coletivos a serem protegidos, pode requerer ao juiz, antes mesmo de
formular o pedido na ação, a concessão de medida liminar, a exemplo,
aliás, do que ocorre naturalmente em outros procedimentos especiais,
como o mandado de segurança e ação popular”.38
52. Existem os requisitos autorizadores
para o deferimento da tutela antecipada, haja vista de que se faz
contar no presente processo: (a) prova inequívoca; (b)
verossimilhança das alegações; (c) fundado receio de dano
irreparável ou de difícil reparação e, alternativamente, a
caracterização do abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito
protelatório do réu; (d) inexist ência de perigo de irreversibilidade.

53. A prova inequívoca se faz presente nos


documentos que demonstram os valores arrecadados a título de
Receita Corrente Líquida no ano de 2017 em levantamento do balanço
orçamentário realizado pelo próprio Estado de Mato Grosso.

54. O fundado receio de dano irreparável


está sob a vertente de mantença de ato administrativo omissivo

38
Ação Civil Pública Comentários por Artigos, 7ª Edição, Ed. Lúmen Juris, Rio de Janeiro - 2009,
páginas 356/357).
flagrantemente em desconformidade com a Constituição Federal que
continuará a causar prejuízos financeiros aos substituídos da parte
Requerente ante ao não adimplemento de crédito de natureza
alimentar já reconhecidos pela Administração Pública como devidos ,
trazendo assim um grande transtorno a vida destes e de suas famílias.

54. A fumaça do bom direito é ventilada


com fulcro no controle de conformidade constitucional no interesse
público da preservação da autonomia financeira do Poder Judiciário
prevista na Constituição Federal, em razão do artigo 99 39 e 168 40; e
na obrigação legal contida na alínea b) do inciso II artigo 2º da Lei
de Responsabilidade Fiscal 41, e com base na tese de repercussão geral
e com efeito erga omnes da decisão da ADPF n.º 339 do S UP RE M O
T R I B U N A L F E D E R A L 42.

55. A concessão de tutela antecipada para


que se tenha a regularização dos repasses dos duodécimos do Poder
Judiciário, os repassando os de forma integral em relação os meses
pretéritos bem como ao período vincendo ante a não possibilidade de
caracterização de “frustração de receita” em conformidade com o
Balanço Relatório Resumido da Execução Orçamentária em que se
demonstrou que a Receita Corrente Líquida no ano de 2017 teve
excesso em relação aquilo que foi previsto inicialmente, sob pena de
bloqueio.

39
Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.” (Grifos nossos).
40
“Art. 168. Os recursos correspondentes às dotações orçamentárias, compreendidos os créditos
suplementares e especiais, destinados aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Ministério
Público e da Defensoria Pública, ser-lhes-ão entregues até o dia 20 de cada mês, em duodécimos, na forma
da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º”
41
Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais: (...) II -
na esfera estadual: (...) b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
42
É dever constitucional do Poder Executivo o repasse, sob a forma de duodécimos e até o dia 20 de cada
mês (art. 168 da CRFB/88), da integralidade dos recursos orçamentários destinados a outros Poderes e
órgãos constitucionalmente autônomos, como o Ministério Público e a Defensoria Pública, conforme
previsão da respectiva Lei Orçamentária Anual.”
56. Bem como estipulação de multa diária
como medida de coerção, conhecida também como astreintes, e o
valor a ser posteriormente apurado seja revertido à própria
Impetrante nos termos do Art. 461, §§ 4º e 5°, do Código de Processo
Civil, c/c ao Art. 84, § 4°, da Lei n° 8.078/90.

IV.II D O M É RI T O

57. Ante o Exposto a Requerente pede o


julgamento como procedente da presente demanda, condenando assim
o Requerido na seguinte obrigação de fazer: a regularização dos
repasses dos duodécimos do Poder Judiciário, os repassando os de
forma integral em relação o s meses pretéritos bem como ao período
vincendo ante a não possibilidade de caracterização de “frustração de
receita” em conformidade com o Balanço Relatório Resumido da
Execução Orçamentária em que se demonstrou que a Receita Corrente
Líquida no ano de 20 17 teve excesso em relação aquilo que foi orçado,
com fulcro no controle de conformidade constitucional no interesse
público da preservação da autonomia financeira do Poder Judiciário
prevista na Constituição Federal, em razão do artigo 99 43 e 168 44; e na
obrigação legal contida na alínea b) do inciso II artigo 2º da Lei de
Responsabilidade Fiscal 45, e com base na tese de repercussão geral e
com efeito erga omnes da decisão da ADPF n.º 339 do S U PRE M O
T R I B U N A L F E D E R A L 46.

43
Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.” (Grifos nossos).
44
“Art. 168. Os recursos correspondentes às dotações orçamentárias, compreendidos os créditos
suplementares e especiais, destinados aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, do Ministério
Público e da Defensoria Pública, ser-lhes-ão entregues até o dia 20 de cada mês, em duodécimos, na forma
da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º”
45
Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais: (...) II -
na esfera estadual: (...) b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
46
É dever constitucional do Poder Executivo o repasse, sob a forma de duodécimos e até o dia 20 de cada
mês (art. 168 da CRFB/88), da integralidade dos recursos orçamentários destinados a outros Poderes e
órgãos constitucionalmente autônomos, como o Ministério Público e a Defensoria Pública, conforme
previsão da respectiva Lei Orçamentária Anual.”
IV.III D A E XI B I ÇÃ O D OS D OC UM E NT OS

58. Em razão da ausência de transparência


pública quanto aos valores exatos não repassados a título de
duodécimo do Poder Judiciário, foi requerido ao Presidente do
Tribunal de Justiça tal informação pública, conforme comprova o
protocolo em anexo ( doc. n.º 10). Porém, até o presente momento não
foi respondido.

59. O Código de Processo Civil Brasileiro


nos artigos 130 e inciso II do artigo 399 47 autoriza o Magistrado a
requisitar tal documentação para fim de instrução do presente
processo, especificadamente det ermina a obrigatoriedade da
apresentação dos documentos necessários para instrução do presente
processo, sendo assim requer -se que o Diretor Geral do Tribunal de
Justiça a apresentar o seguinte documento, com fundamento ainda no
parágrafo 10º do artigo 129 da Constituição do Estado de Mato
Grosso, e no caput do artigo 37, e implicitamente referido nos incisos
XXXIII, XXXIV, do artigo 5º, todos da Constituição Federal:

1º) certidão contendo os valores que foram repassados como


duodécimos ao Poder Judiciário de Mato Grosso em todo o
ano de 2017, bem como os respectivos percentuais
comparados ao total da receita corrente líquida do referido
período para fins de constatação ou não de repasse no valor
total devido; 2º) do Termo de Ajustamento de Conduta
assinado entre os Poderes do Estado de Mato Grosso bem
como a sua adição e/ou revisão, se houver; 3º) de qualquer

47
Art. 130. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias à
instrução do processo, indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias. Art. 399. O juiz
requisitará às repartições públicas em qualquer tempo ou grau de jurisdição: (...) II - os procedimentos
administrativos nas causas em que forem interessados a União, o Estado, o Município, ou as respectivas
entidades da administração indireta.
documento público relativo a regularização dos repasses dos
valores integrais dos duodécimos emitidos ou recebidos pelo
Poder Judiciário de Mato Grosso referente ano de 2017.

IV.III D O S D E M AI S P E DI D O S

60. A citação do Requerido no endereço


supra citado, nas pessoas de seus representantes legais, para
apresentar a devida resposta, sob pena se o não fizer recair nos efeitos
da revelia.

61. Requer-se com fulcro no inciso I do


artigo 535 do Código de Processo Civil Brasileiro, o julgamento
antecipado da lide, ante a total ausência de possibilidade das partes
transigirem, ante a caracterização dos fatos através de documentos
presentes no feito, e a matéria controversa ser exclusiva de direito, é
indubitável a desnecessidade de designação de audiência para a
produção de provas.

62. Requer finalmente a condenação da


Requerida ao pagamento das custas e taxas judiciárias, bem como
honorários advocatícios a serem atribuídos com base no valor da
condenação, estes em conformidade com o artigo 85 do Código de
Processo Civil.

63. Dá-se a causa o valor de R$ 250.000,00


(duzentos e cinqüenta mil reais).

Nestes Termos,
Pede Deferimento.
Cuiabá, 30.01.18.

D R . B R UN O B O AV E N T UR A
OAB/MT 9.271.