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e fomento, bem como junto às empresas, privadas e públicas, na captação de recursos para o desenvolvimento de projetos ( SIENA, 2002). Com o objetivo177 de apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão, além de prestar serviços de desenvolvimento científico e tecnológico de interesse desta e de outras Instituições de Ensino Superior a

177 Objetivos estatutários da RIOMAR: Promover e apoiar a pesquisa científica, tecnológica, filosófica e cultural em todos os seus aspectos e fases; promover os estudos no campo da produtividade e qualidade empresarial; prestar serviços técnicos, científicos e administrativos, inclusive com fornecimento de mão-de-obra às instituições de ensino superior e à comunidade; promover a elaboração de estudos, projetos, pesquisa e prestação de serviços públicos e privados em todas as áreas do conhecimento; promover o intercâmbio de pesquisadores; promover estudos, cursos e investigação científica; promover o desenvolvimento e a manutenção dos laboratórios e a parte prática de cursos; promover cursos, simpósios, seminários, conferências, congressos e estudos; colaborar na implementação de cursos de graduação e pós-graduação nas; promover a divulgação de conhecimentos administrativos, técnicos e científicos, por meio de publicações; realizar concursos públicos ou processos seletivos para órgãos e entidades em geral; firmar convênio, acordos, protocolos, ajustes ou contratos para a consecução dos seus objetivos (Januário, presidente da

RIOMAR2002).

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RIOMAR consiste numa instituição que extrapola os interesses específicos contribuindo para o

surgimento

de universidades paralelas. O relatório de atividades 2002 apresenta a RIOMAR como agenciadora

e

produtora de “grandes negócios educacionais”. Esse relatório destaca a figura do Prof. Dr. José Januário de

Oliveira Amaral como diretor-presidente da Diretoria executiva da Fundação Rio Madeira – Instituto de apoio à UNIR. Segundo - RIOMAR com a responsabilidade de “superintender os negócios da

RIOMAR,

assegurando o cumprimento dos objetivos da instituição. Participar de todas as atividades exercidas

pela

Fundação, a fim de atingir os objetivos propostos”. Nesse mesmo documento e nas palavras associadas a figura da Prof. Dr. Wany Bernadete de Araújo Sampaio, Diretora de Desenvolvimento e Marketing da RIOMAR, constatamos o reforço a condição da educação e dos serviços da RIOMAR como “grande negócio”. Nessa direção, é afirmado que os trabalhos relacionados a diretoria executiva dessa fundação de apoio aponta como responsabilidade dessa “Coordenar, elaborar e acompanhar o planejamento e orçamento da RIOMAR, buscando oportunidades de

negócios e captando recurso em agencias nacionais e internacional”. Na visão de seus idealizadores e dirigentes, suas atividades de ensino e extensão, vem servindo de elo entre a Universidade e a sociedade, através da oferta “de produtos e serviços” à comunidade, visando o desenvolvimento, científico, tecnológico e cultural da região, prestando os serviços demandados

pela

sociedade. Assim, apesar da afirmação dos dirigentes de que “a fundação RIOMAR é mantida

exclusivamente com a remuneração dos serviços prestados” é fato comprovado que desde o início,

essa

fundação se beneficia da estrutura e da credibilidade da UNIR, o que facilita e abre as portas do mercado e para o mercado de serviços educacionais, que se amplia consideravelmente na década de 90. É fato

também

que desde sua criação vem fomentando e apoiando atividades da UNIR, tornando-se um forte elo de

ligação

entre as universidades, centros produtores de conhecimento, e os mais variados segmentos das

localidades abrangentes pela universidade. Na medida em que essa fundação amplia suas atividades outras necessidades não previstas são geradas, por exemplo, a apresentação do catálogo de produtos e negócios onde o carro chefe é materializado no programa de pós-graduação lato sensu, com a oferta de especializações, de iniciativas de professores, alunos, prefeituras e outros parceiros interessados na possibilidade da certificação, que cumpre papel burocrático favorecendo aumentos salariais” (DUARTE, 2004). O ganho curricular em termos de formação ou cultura geral fica a reboque dos critérios estabelecidos pelo mercado. Do ponto de vista histórico dessa pesquisa, importa nominar e dar voz aos sujeitos que participam da origem do patrimônio da RIOMAR178, que foi oriundo de uma cota bancada pelos servidores da UNIR.

178 Osmar Siena, Francisco Paulo Duarte, Sidnei Aparecido Pereira, José Moreira da Silva Neto, Catia Elisa Zulfo, Ana Cristina Teixeira Alves, José Dettoni, Ricardo Farias Santos Canto, Miguel Joaquim Sant'Ana Filho, Theophilo Alves de Souza, Mariluce Paes de Souza, Antônio Carlos Ferracioli, José Rodrigues Carvalho, Nair Gurgel Amara, Zeide Moreira de Oliveira, Augusto Sérgio Pinto da Silveira, Maria Rocha de Carvalho, Elaine Filgueiras Fechine, Vasco Pinto da Silva Filho, José Celi Neto, Adilson Siqueira de Andrade, Luiz Carlos Rodrigues, Carlos Luiz Ferreira da Silva, Jorge Luiz Coimbra de Oliveira, Kátia Fernanda Alves Moreira, Haroldo Cristovam Teixeira

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Como resultado constatamos o patrimônio179 da RIOMAR que cresce visivelmente e apresenta relevância

para os campi da UNIR:

Importantíssima foi a implementação da Fundação RIOMAR que contemplou diversos pedidos dos campi da UNIR e basta verificar os relatórios de gastos, investimentos realizados num momento de total corte de recursos por parte do governo federal: no campus de Guajará foi realizada a iluminação externa; em Cacoal um conjunto de reformas nos prédios do campus; em Rolim foi adquirido um laboratório completo para o curso de Agronomia; Vilhena houve investimentos para reformas, em Ji-paraná, investimento na ampliação das salas de aulas e poderíamos aqui tomar todo esse espaço só para citar as ações positivas destinadas a interiorização da universidade.(MIYKAWA, Diretora do Campus de Cacoal, 30/01/ 1998).

No processo de fundação da RIOMAR constatamos que não aparece nenhum representante do Campus de Guajará-Mirim. Segundo Ferrarezi (2002), esse Campus sempre esteve na direção contrária das orientações da sede da UNIR (Porto velho). Assim antecipando a criação dessa fundação o Campus de Guajará-Mirim criou a Associação de Servidores do Campus (ASEC) que cumpria a tarefa de arrecadar recursos e desenvolver atividades de apoio ao Campus local, desde 1990. Em 2004, o Campus de Vilhena destaca-se como referência de oposição às diretrizes defendidas pela ala conservadora da UNIR. Osvaldo Copertino Duarte (2004), defende a interiorização da UNIR, a começar pela proposta da eleição de um dirigente do interior no comando da reitoria da comprometido com a reestruturação da instituição. A relevância do pioneirismo, e o risco dessa fundação de apoio em desviar dos seus objetivos iniciais, remete-nos aos sujeitos responsáveis pela idealização, fundação e implantação da RIOMAR. Assim, dando voz aos primeiros responsáveis pela organização dessa fundação de apoio da UNIR, registramos o seguinte depoimento:

Aroldo Leite foi escolhido pelo fato de ter acumulado experiência na administração publica estadual, onde fui secretario de planejamento no governo de Rondônia; Na articulação dessa escolha, destacamos Osmar Siena, então diretor da UNIR; Sidney, pró-reitor de administração; Neide Myakawa, vice-reitora e representante do campus de Cacoal; José Carlos Cintra, Diretor do Campus de Ji-paraná; José Eduardo, Campus de Vilhena; Maria Cristina

Borges, Diretora do Campus de Rolim de Moura, observando aqui, a ausência da representação do Campus de Guajará-Mirim, que destoava, em parte da política de ensino, pesquisa e extensão e orientações das pró-reitorias e demais campi universitários, o que demonstra que as praticas realizadas não são as mesmas nos mesmos campi (MIYAKAVA, 2004).

Conforme o presidente da Fundação Rio Madeira José Januário a RIOMAR180 contribui com:

Leite, Antônio Rocha de Souza, Joel Bombardelli, Silvio Roberto de Oliveira Amorim, Célio José Borges, José Carlos Cintra, Adi Bordignon., José Eduardo Martins de B. Melo, Maria Cristina Ramos Borges, Pedro Origa Neto, Luiz Alberto Lourenço de Matos. Tiene Medeiros de Castro, Sebastião Pinto. Antônio Carlos Maciel. Cláudio Emelson Guimarães Dutra. Neide I. Miyakava. 179 No momento de sua fundação a RIOMAR tinha um patrimônio equivalente a quantia de R$ 4.200,00 (quatro mil

e duzentos reais), constantes da Escritura Pública lavrada em Cartório. Em 2002, o patrimônio imobiliário dessa fundação girava em torno de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais). 180Em 2002, a RIOMAR apresenta o Conselho Curador composto pelo presidente, José Carlos Cintra-Professor de Vilhena; e membros: Marcelino Pereira da Silva (Campus de); José Ferreira Costa (Campus de) Ivanda da Silva Pinto (Porto Velho); Uda Mello França (Campus), Marilza Miranda (Campus de Rolim de Moura) e pela suplente Marluce Paes Souza (Campus). Destaca-se que se trata do órgão máximo de deliberação da RIOMAR e possui a

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ampliação e reformas de prédios, destacando: Campus de Guajará-Mirim: aquisição de equipamentos de informática

e aquisição de livros; Campus de Porto Velho, sala de pós-graduação; centro de estudos em saúde do índio de

Rondônia (CESIR); laboratório de anatomia, reforma e aquisição de livros na Biblioteca Central e aquisição de equipamentos de informática; Campus de Cacoal, reforma das instalações do Campus de Rolim de Moura, reforma do prédio, aquisição de veículos e livros; Campus de Vilhena, reforma do prédio (pintura). Esse detalhamento consta

do Relatório de atividades da RIOMAR do ano de 2002, onde destacamos a publicação de 31 obras de pesquisadores da UNIR (JANUÁRIO, 2002).

Dentre os vários projetos executados pela RIOMAR, o Programa Especial de Habilitação e Capacitação para Professores Leigos – PROHACAP181 da rede pública de ensino, registrou 3 mil alunos no

ano de 2000, aumentou para 5 mil alunos no ano de 2001 e totalizou 7.800 alunos no final do ano de

2002.

Foto 075 Fonte: EJSM. Profa. Cristiane da Escola Rural Prof. João Sátiro

Mendonça, Distrito de Triunfo - Candeias do Jamari (RO). Representante discente da Turma do PROHACAP no município de Candeias do Jamari,

2004.

As atividades do PROHACAP são identificadas em todos os 52 municípios do Estado de Rondônia através da parceria entre a RIOMAR, a UNIR, o governo do Estado e as prefeituras municipais. A “parceria público e privado” no processo de interiorização da UNIR foi reforçada e responde as necessidades imediatas requeridas pelos municípios; entretanto contribui com o processo de materialização

seguinte composição: 04 membros indicados pelo Conselho Universitário da UNIR, sendo 03 titulares e um suplente. 04 membros indicados pelo Reitor da UNIR,sendo 03 titulares e um suplente. 181 Esse projeto conta com a participação do Governo do Estado de Rondônia; Sindicato dos Servidores Federais (SINDISEF); Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Rondônia (SINTERO); Sindicato dos Servidores Municipais de Alvorada D’Oeste (SIDSERMA); contando ainda com a participação direta das prefeituras das cidades de Alta Floresta, Alto Alegre dos Parecis, Alto Paraíso, Alvorada D’Oeste, Buritis, Cabixi, Cacaulândia, Candeias do Jamari, Campo Novo de Rondônia, Castanheiras, Cerejeiras, Chupinguaia, Colorado D’Oeste, Corumbiara, Costa Marques Cujubim, Espigão D’Oeste, Governador Jorge Teixeira, Itapuã, Jarú, Machadinho D’Oeste, Ministro Andreazza, Mirante da Serra, Monte Negro, Nova Brasilãndia D’Oeste, Nova Mamoré; Nova União, Novo Horizonte, Ouro preto D’Oeste, Pimenta Bueno, Pimenteiras, Porto Velho, Presidente Médice, Primavera de Rondônia, Rolim de Moura, Santa Luzia D’Oeste, São Felipe, São Francisco do Mamoré, São Miguel do Guaporé, Seringueiras, Teixerópolis, Theobroma, Urupá, Vale do Anari e Vale do Paraíso. Os trabalhos de operacionalização e o resultados já alcançados reforçam o projeto de interiorização e evidencia as necessidades dos municípios do Estado de Rondônia, o que contribui para compreender, como a universidade tem respondido e responde as necessidades educacionais da região e localidades envolvidas

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das idéias neoliberais, que aprofundam o projeto de redefinição do Estado brasileiro e com isso a educação, a função e o papel da universidade pública, na prática, manifestava-se no processo de interiorização da

UNIR. Na medida em que a instituição chega nas cidades e amplia sua influência institucional, os valores da privatização são assimilados pelos “alunos-cliente”, Isto é, alunos da UNIR e clientes da RIOMAR, da ASEC etc., pagam para cursar o PROHACAP, cursos de especialização e por projetos negociados. É comum encontrarmos professores da UNIR envolvidos com os projetos da RIOMAR reconhecendo o caráter privativista das fundações de apoio e concordando com o fato dessa instituição se constituir em braço da privatização do ensino superior. Assimilam a privatização da política educacional, produzindo mão-de-obra qualificada e serviços para o mercado e contribuindo efetivamente para a expansão privada das localidades. A compatibilização de horários de trabalho permitindo que o professor da UNIR participe das atividades das instituições privadas que exploram os serviços educacionais e as parcerias entre a universidade e a sociedade sinalizam mais um processo de assimilação das políticas neoliberais, do que formas de resistências concentradas em poucas alas do movimento sindical e militante de esquerda da instituição pesquisada. Os campi e constituição da UNIR numa instituição multicampi desenvolvem-se num contexto de influencias e reformas neoliberais de perspectivas imediatas da educação:

como serviços e negócios. 3 - Necessidades da UNIR e Necessidades Sociais: desafios e enfrentamentos

Foto 076 Fonte: VÊNERE, Mário. Diretor do Campus de Guajará-Mirim acompanhando o projeto de parceria de caráter internacional, Dr.Jean Pierre Angenot (Bélgica); Dr Peter Ladefogd da Universidade de Oxford; Celso Ferrarezi (UNIR) no momento em que era doutorando do curso de Lingüística Indígena e Dr. Daniel Everetty da Universidade de Pittsburgh, do Estado da Pensilvânia (EUA), 1996.

Na falta de condições adequadas e das necessidades internas da UNIR, parcerias são realizadas através de articulação de recursos humanos interessados nos problemas localizados na fronteira

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Brasil/Bolívia. Assim na soma de interesses comuns, potencialidades são articuladas na direção da universidade multicampi. Paralelamente, parte das necessidades sociais da região vai sendo atendida pela instituição, principalmente na formação educacional. Cada campus da UNIR necessita fazer avançar sua produção acadêmica no ritmo imposto atualmente pela velocidade do avanço do conhecimento em todas as áreas; adaptar-se a realidade de um tempo onde o conhecimento se espalha no mundo, por Internet, televisão e outras formas de mídias, que pouco respeitam o “local”, participar da solução dos problemas, especialmente os éticos, ecológicos, sociais, científicos e tecnológicos, da civilização contemporânea, zelar pela credibilidade e legitimidade dos diplomas universitários, conviver com o saber no mundo globalizado, ao mesmo tempo em que não se desliga da realidade ao redor; ampliar a oferta de cursos e vagas, sem sacrificar a qualidade, em um tempo de escassez de recursos financeiros. As necessidades sociais materializam-se no alto índice de pobreza, ignorância e ainda, como diria Maurício Tragtemberg, na “delinqüência acadêmica” também. Especificamente, tratando-se do

nosso objeto de pesquisa e do ambiente onde se relacionam os sujeitos da pesquisa, consideramos um conjunto de necessidades básicas sintetizadas na falta de uma adequada organização social e da distribuição dos bens produzidos. Destacamos as dificuldades das pessoas na organização para o trabalho, bem como na dificuldade no aproveitamento das riquezas das potencialidades locais e na capacidade de articulá- las na direção de desenvolvimento local, o que exige-nos elevado nível de consciência organizativa. A resposta democrática a esses desafios exige um processo de diálogo, debate e crítica, que possibilite uma reorientação da universidade brasileira. Tal reorientação não acontece desde a reforma universitária de 1968, que ancorado no acordo MEC-USAID, serviu mais para os ajustes da dinâmica brasileira, internacional de cunho capitalista, do que às necessidades sociais. A sociedade requer uma reforma radical que esbarra no interesse econômico. A reforma como ato político enfrenta os interesse ocultos no campo de luta dos grupos. É nesse momento que teorias críticas e pressupostos enunciados nos diversos autores aqui citados contribuem para o nosso esclarecimento e visão de futuro182. As políticas de interiorização aplicadas nas universidades federais cumprem a função social pouco privilegiando o “social”.Contempla o “econômico” numa perspectiva discursiva de direito e cidadania, mas de materialização efetivamente excludente, pois, cidadania implica em participação e ser contemplado pela

182 Pensando no futuro da universidade brasileira, e especificamente d UNIR, consideramos os seguintes pontos fundamentais: a definição de carreiras e recursos de formação, o reconhecimento e mobilidade dos diplomas, o reconhecimento de notório saber adquirido em processos extra-universitários de aprendizagem, a implementação de novas carreiras e diplomas, as modalidades de pós-graduação, o aperfeiçoamento de técnicas de ensino a distância, revisão do marco regulatório do ensino superior etc, as formas de ingresso nas atividades acadêmicas, incluindo novas turmas de vestibular (sem taxas) e repensar os aspectos como as cotas para pobres e portadores de necessidades especiais, isenção total das inscrições dos vestibulares etc.; os novos métodos de ensino e convivência universitária, incluindo a universidade aberta e todas as formas de ensino a distância, os reconhecimentos internacionais de saber, os riscos da mercantilização do ensino e a validade dos diplomas; a responsabilidade social relacionada as questões da internacionalização, da regionalização e interiorização das atividades acadêmicas etc. (MÁRIO VÊNERE, 2004).

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produção social de bens e materiais necessários a vida humana. A presença da UNIR eleva o nível de escolarização e conscientização dos sujeitos das cidades, porém o alcance da crítica não tem eliminado a reprodução neoliberal e de seus respectivos efeitos perversos. Apesar dos resultados estatísticos demonstraram que o governo de Rondônia procura zerar o quadro de funcionários “leigos” na estrutura administrativa de Rondônia, continua sendo elitista, excludente. Esse Estado continua a divulgar o seu interesse na expansão do ensino superior, cabendo as universidades federais um papel determinante como instituições “modelo” alinhadas com as políticas do governo federal, daí a importância de questionar quais são e como se desenvolvem tais políticas, como por exemplo, a dimensão, dinâmica e resultados do PROHACAP. Como a universidade responde as necessidades da sociedade? Essa foi uma das nossas questões de

estudo que colabora na elucidação do problema da pesquisa onde destacamos a falta de

profissionais

qualificados para os diversos cargos e funções disponíveis no estado de Rondônia, e a constatação de cerca de 11 mil professores “leigos” no sistema de ensino municipal e estadual desse Estado. Uma análise

detalhada do PROHACAP possibilita-nos considerá-lo como significativa resposta da UNIR às

reivindicações educacionais das localidades abrangentes. Assim consideramos que aqui cabe uma recuperação teórica (Conferencia de Genebra de 1901) e essencial, na discussão do tema das

necessidades,

das palavras de Plekhanov:

Os homens fazem, pois, sua história procurando satisfazer suas necessidades. Evidentemente, essas necessidades são determinadas em sua origem pela natureza; logo, porém transformam-se de modo considerável, quantitativa e qualitativamente, por influência das propriedades do meio artificial. As forças produtivas que os homens têm à sua disposição condicionam todas as suas relações sociais.

Quais eram as forças produtivas do ambiente e dos sujeitos pesquisados? Nossa tentativa de

responder essa interrogação passa pelos movimentos migratórios mencionados no quarto capítulo,

que

atribui uma especial atenção ao processo de ocupação de Rondônia, destacando-se que o fato de

Guajará-

Mirim e Porto Velho terem atraído um movimento migratório eminentemente vinculado a economia

extrativista – da borracha, ouro castanha e madeira - fez a diferença cultural e marcou um relativo

“atraso”

quando comparado com as demais cidades que se desenvolveram a longo da BR-364, como por

exemplo,

Vilhena, Cacoal, Rolim de Moura, Ji-paraná e Ariquemes, que apresentam uma população e cultura “diferente” daquelas situadas no início da construção e movimento da Estrada de Ferro Madeira-

Mamoré,

inaugurada em 1912. Em 1982, a universidade respondeu as necessidades sociais do Estado de Rondônia assumindo

compromissos com a comunidade de Porto Velho, iniciando um processo de formação de mão-de-

obra

qualificada para atender uma demanda social decorrente da implantação da nova unidade federativa, que até 1981, era um território federal.

A partir da instalação do Estado de Rondônia, é gerada uma estrutura de governo que necessita de

professores e profissionais dos diversos campos do saber. Nesse contexto é que surge a UNIR, para

formar

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quadro de pessoal responsável para administração, planejamento e educação. A partir do ano de

1988,

cidades contempladas com os campi da UNIR, recebem serviços de extensão universitária, formação de professores de nível superior, campus avançado e na década de 90 constituem-se como Campus

Universitário com “relativa autonomia”. No ano de 2002, a universidade soma seis campi, apresenta estrutura multicampi e responde as necessidades da sociedade através de projetos, parcerias e

iniciativas

decorrentes do processo de interiorização que avança na mesma proporção em que conflitos são gerados.

O primeiro conflito surge das conseqüências da opção em levar a universidade para o interior. O

problema está diretamente relacionado ao número de cargos comissionados e das pessoas repensáveis pela instituição. Na medida em que um campus é aprovado, gera necessidade de estruturar cargos e salários, que

obriga uma divisão de funções e dos cargos. Muitos se posicionam contra a abertura dos campi por não concordarem na divisão dos a divisão do “bolo orçamentário”. Na medida em que existe uma resistência contra o processo de interiorização, a força do interior aparece de várias formas: iniciativas de prefeitos, deputados, liderança, igreja e movimentos organizados pelas associações de professores, sindicatos e movimentos populares. Esse envolvimento muitas vezes extrapola as ações programadas, assumindo posições de radicalismo e teimosias. Exemplo de conflito interno na UNIR pode ser localizado na decisão radical da reitoria em relação ao diploma de doutorado do primeiro doutorando titulado nessa universidade.

A UNIR nunca admitiu o fato de Guajará-Mirim, no fim da linha manter uma equipe de doutores e um programa de pós-graduação para formação de mestres e doutores em lingüística indígena, primeiro do Brasil, muito menos o fato de Guajará abrigar o único pós-doutor e único professor titular da instituição. O pessoal de Porto Velho nunca engoliu o fato da revista veja ter realizado uma entrevista comigo de nove páginas tratando das minhas pesquisas e equipe de trabalho. Com muito custo e desgaste pessoal, além dos investimentos do meu bolso, pois fui eu quem banquei computadores, biblioteca e prédio do Messias para criar o CEPLA. Fui parar na justiça trabalhista na mesa de acordo para quitar débitos dessa universidade. No final, orientei teses, trouxe doutores para Guajará-Mirim, formamos o primeiro doutor do campus e sendo o único programa de pós-graduação da UNIR. Celso Ferrarezi torna-se o primeiro doutor formado pela UNIR, e aí, ninguém engole ao ponto do reitor se recusar a assinar o diploma temendo problemas com a CAPES e com o Ministério de Educação (ANGENOT, J. P., Guajará-Mirim,

1999).

Na fala de Jean Pierre, pioneiro no processo de implantação do Programa de Pós-graduação em Lingüística Indígena, afirma que questão de poder e de disputa interna no âmbito da UNIR pesquisada é chave para alguns esclarecimentos. Nesse sentido, entrevistas realizadas e especificamente, na fala do primeiro doutor formado pela instituição, fica evidente que o fortalecimento e conquistas de um campus passa a ser objeto de conflitos e justificativas para maior ou menor poder na instituição. Questionado sobre a condição de doutorando, atualmente na condição de doutor e dirigente do Campus de Guajará- Mirim, da UNIR, temos o seguinte depoimento:

Virei doutorando assim como os outros cinco. O curso era da minha área, eu tinha condições de entrar e interesse científico nessa linha de trabalho. Meu ingresso foi simplesmente acadêmico. O que passar disso é estupidez e elucubração. Mas foi uma burrice imensa o que eu fiz. Deveria ter saído para a Unicamp, onde tinha possibilidade de aceitação, deveria ter ganhado minha bolsa, estudado tranqüilo ao invés de fazer o curso trabalhando feito um maluco, dando aulas, cuidando do Departamento, sendo seu secretário geral, escrevendo tese das duas às quatro da manhã. Foi uma estupidez não ter enxergado que isso ia gerar muitos problemas no futuro, como gerou. Arrependome profundamente da escolha que fiz. Não precisava ter feito o doutorado aqui. Foi mesmo uma escolha, embora muito infeliz (CELSO FERRAREZI, 2003).

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O arrependimento mencionado pode ser explicado pelos inúmeros conflitos decorrentes do processo de implantação e consolidação do projeto de pós-graduação local, bem como as dificuldades impostas no sentido do não reconhecimento dos títulos, onde os dirigentes e pró-reitores ao invés de defender o programa de pós-graduação, recorriam a CAPES para emperrar os respectivos trabalhos. Documentos apontam para o fato da CAPES recomendar “reparos técnicos-acadêmicos” o que não significava numa constante produção de obstáculos. No caso da CAPES ter recomendado uma quantidade de doutores permanentes visando a substituição do quadro de doutores visitantes do Campus. A UNIR

(sede) invés de contratar e disponibilizar tais servidores, usa o seguinte argumento: “tem que fechar

o

programa, pois a CAPES não reconhece um curso só com doutores visitantes”. Questionado sobre esses entraves no processo de abertura, aprovação e diplomação e como pode ser resumida a história dessa pós-graduação, o entrevistado Ferrarezi (2003) responde:

Minha interpretação é a de que, uma vez que o MEC acabara de estabelecer que os dirigentes universitários tinham que ser doutores e que a elite administrativa de então não tinha um doutor sequer (Osmar, Jorge, Sidney, Adilson, Kátia etc.) uma leva de doutores visados como nós vinda do interior poderia balançar as forças dentro da instituição. Mas, posso estar errado sobre isso: é apenas uma opinião.). O doutorado foi uma loucura que não deu certo, baseada nos interesses pessoais de um fulano. Até hoje sofremos a Cristina, a Wany, o Valteir e eu por conta dessa loucura. Os benefícios financeiros de receber como doutor não compensam a dor de cabeça que tivemos nos últimos anos (eu, desde 1998!); o mestrado foi uma loucura que deu certo, porque houve meios de levá-la adiante, com uma briga imensa, um prejuízo pessoal tremendo para muitas pessoas e um sacrifício institucional impensável. O mestrado só se manteve por teimosia. O doutorado só formou quatro doutores por pura teimosia, para parafrasear o próprio Reitor de então.Houve muitas brigas diferentes. As da Administração central com a gente acho que expliquei acima. As outras, inclusive as internas, cada uma tem sua história, mas grande parte dessa "história íntima" do curso não deve ser contada.

O grupo de professores desse Campus enfrento um triplo desafio: da cultura local, das políticas

ditadas e da política interna, que passou ser mais favorável aos campi e projetos de pós-graduação, a

partir

de 1999. Nesse ano, Ene Glória assume a reitoria com um compromisso específico, qual seja, o de

regularizar a pós-graduação do campus e motivar novas iniciativas na direção de novos programas

de

pesquisa local e interinstitucional. Foi esse reitor que concordou assinar o diploma dos doutores do

Campus

de Guajará-Mirim, assinatura negada pelo reitor anterior, Osmar Siena.

As dificuldades estão vinculadas ao fato da instituição ser dependente de uma estrutura social excludente, sendo ela própria idealizada e produzida para “alguns” privilegiados, reproduzindo mais do que inovando. Entretanto, a universidade constitui-se por sujeitos idealizadores como, por exemplo, os professores pioneiros dos campi universitários: Anna Maria, Osvaldo Copertino Duarte (Vilhena);

Neide

Miakawo, Neusa Manfredine (Cacoal); Maria Cristina Borges, Marilza, Moises (Rolim de Moura);

José

Carlos Cintra (Ji-paraná), e Carmen Tereza Velanga Moreira (Guajará-Mirim), cujo principal debate era da universidade para todos e como alterar comportamentos nas localidades possibilitando

desenvolvimento

social. Porém, acreditar que a universidade possa transformar a realidade e conscientizar a

população acerca de questões éticas e de exploração e domínio dos homens, divide opiniões e traz a tona o perfil

multicultural

e as questões de alteridade. Nesse sentido, os campi universitários e no conjunto, a universidade frente às

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injustiças sociais, monopólios e formas diversas de exploração social, surge, ainda, de forma

“capenga183”,

palavra usada por Oscar Massuo Kusano no nas atas das reuniões e de atividades da ASEC:

Consideramos urgência as medidas e ações da reitoria em melhorar as condições de trabalho dos funcionários do interior, principalmente daqueles que enfrentam problemas junto as prefeituras e setores da comunidade que trabalham contra o desenvolvimento da cidade. Falo especificamente da população de Guajará-Mirim, que alienada, continua alienada depois de mais de dez anos da presença da universidade na cidade. Os idealizadores do ensino superior e da construção desse campus acreditavam que a universidade iria formar consciências capazes de mudar o estado de atraso desse município, a começar pela mudança dos políticos locais. O que constatamos no município é a apropriação das vagas e da própria instituição pelas mesmas famílias que até então eram contra a presença da universidade nessa região, começamos capengas e continuamos capengas como compromisso contra esse estado

capenga de coisas (KUSANO, dezembro de 1995).

São muitos os depoimentos onde as críticas cruzam com formas diversas de esperanças e teimosias na direção e responder os desafios e enfrentamentos. O fato é que resolvido um problema muitos outros aparecem. Um exemplo marcante, que emerge dos dados e documentos da pesquisa é o registro de 99% dos professores da rede de ensino de educação do município de Guajará-Mirim, em 1983 sem diploma de nível superior, quando a presença da universidade naquela localidade não passava de uma da utopia, no ano 2002 esse déficit foi praticamente zerado. O problema decorrente passou a ser o da qualidade das especializações e do comprometimento profissional com a educação e com a inclusão social, daí nossa preocupação em trazer para o corpo dessa tese as reflexões acerca da educação, da ética, da conjuntura nacional e internacional tendo como base os escritos críticos, o que significa vincular a curiosidade epistemológica ao compromisso ético no sentido do esclarecimento das coisas e da valorização da vida para ampliar as possibilidades de compreensão e intervenção social. Uma das formas de como os campi respondem as necessidades consiste no uso da sua condição de entidade federal, sua credibilidade e o status de agentes individuais e coletivos “federais” para agendar reuniões e convocar encontros, garantindo “olhar esperançoso” em função do histórico “respeito” associado ao “medo e hierarquia dos órgão federais naquela fronteira. Não se trata de um detalhe, a presença de funcionários federais de Rondônia é uma singularidade que agrega poder, cultura e economia de um povo que não conheceu o movimento operário, o que dificulta maior grau de consciência das coisas. Os depoimentos demonstram uma população influenciada pela economia extrativista e pela economia do contracheque federal, estadual e municipal. As inovações tecnológicas, empreendimentos empresariais instalados nas cidades dessa unidade federativa é de período recente 80/90. Outra forma relevante de estratégias e mecanismos de respostas às necessidades sociais se materializam nos convênios orientados pelas parcerias Universidade, Estado e Sociedade, onde destacamos parcerias com sindicatos, associações de bairros, empresas privadas, ongs, municípios e estados, ministérios e órgãos de governo, igrejas, partidos políticos, fundações e institutos de apoio e parcerias internacionais.

183 Essa palavra é usada no sentido de demonstrar a ausência de condições favoráveis onde falta “tudo”.

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Importam nessa reflexão os limites da instituição frente as respostas sociais e em especial numa situação de fronteira geográfica e cultural. Ora, constatamos que os campi e os dirigentes da instituição realizam as parcerias e convênios com o outro lado do mundo e apresentam dificuldades ou desinteresse na parceria com a Bolívia. Visitando as cidades de Guayaramerim e Riberalta, identificamos a influência brasileira e do lado brasileiro na cidade de Guajará-Mirim, a cultura boliviana está impregnada no dia-a-dia da cidade, como atesta o líder comunitário Almir Candury Pinheiro:

Os melhores trabalhos de entalhe e pintura, serviços de marcenaria tem a mão de bolivianos, o bairro Santa Luzia é composto pela grande maioria de bolivianos. Encontramos bolivianos em todos os tipos de trabalho da cidade de Guajará-Mirim. Atualmente, na qualidade de secretário municipal de saúde, posso afirmar que se os médicos bolivianos deixam nossa cidade fecham nosso hospitais e postos de saúde hospitais.

Identificamos a fragilidade da instituição em responder problemas do tipo de participação e interação social, que, por exemplo, poderia ser minimizado pela inclusão no currículo da universidade o ensino do espanhol, da cultura espanhola, da história da América Latina, como estratégia de formação política e de quadros capazes de compreender, resistir e enfrentar as políticas neoliberais, terroristas, imperialistas, discordando terminantemente da supremacia americana ou qualquer outro tipo de supremacia nefasta à vida humana. Limites e possibilidades da instituição universitária em contemplar a sociedade com iniciativas e práticas inovadoras e includentes coloca a universidade numa condição de permanente reforma, em função da distância entre as novas tecnologias e conhecimentos apropriados. A universidade como reflexo da estrutura do Estado brasileiro, recebe também o impacto das políticas internacionais aplicadas na educação mundial. Políticas de cunho mercadológico e de base teórica tendencialmente econômica. Partindo do local registramos experiências comprobatórias de mudanças de atitudes e de desenvolvimento local decorrentes da presença da universidade na cidade. No caso da fronteira com a Bolívia, esse país criou vários cursos de nível superior paralelamente ao processo de interiorização da UNIR. Enquanto os campi da UNIR concentraram vestibulares nos curso direcionados a formação de professores, principalmente na área de Educação Ciências e Letras, o lado boliviano, no mesmo período implantou o curso de Direito Internacional, Engenharia Naval, onde muitos brasileiros cursaram os referidos cursos. Diferentemente, do lado brasileiro registra-se número insignificante de matrículas de alunos bolivianos nos campi da UNIR. Essa instituição cumpre seu papel e atinge sua finalidade adaptando-se a conjuntura e acumula na sua trajetória o vínculo e o alinhamento com as políticas do governo federal, sendo funcional, apresentando resultados e entra na década de 80 e 90 combinando tendências operacionais e tendências de

resultados. A crítica que pode ser feita aponta à possível substituição do saber científico da cultura acadêmica ser

258

substituído pelo volume exagerado de informações diárias, aliado ao processo da fragmentação do conhecimento. Tratando-se da sociedade brasileira, alinhada aos interesses capitalistas, num contexto de mercantilização da educação, a primeira resposta da UNIR no universo pesquisado é a perspectiva de esperança e de mudança social. A base de sustentação das políticas elaboradas na década de 80 se vinculam a instalação do Estado de Rondônia como “eldorado brasileiro” com um conjunto de necessidades e simultaneamente a um conjunto de ofertas de riquezas e possibilidades de melhoria de vida de brasileiros de todas as partes do país. Tudo acontece ao mesmo tempo: instalação do novo Estado; criação da nova Universidade Federal,

que na condição de instituição universitária periférica enfrenta a divisão do orçamento com as demais universidades brasileiras em condições desfavoráveis. A presença do Governo Militar e de sua influência nos mistérios da federação brasileira garante uma parceria internacional resultando no financiamento do Campus de Porto Velho. Até o ano de 1988 a universidade funcionou no prédio onde funcionou o Porto Velho Hotel, doação do Governo Federal, que iniciou sua construção em 1948, sendo inaugurado em 1953 e desativado em

1974.

Posteriormente foi ocupado pela FUNDACENTRO, encampada pela universidade por ocasião da

criação da UNIR

atualmente funciona a reitoria da instituição e o prédio é conhecido como UNIR-CENTRO.

Foto 077 Fonte: VÊNERE, Mário. Prédio da Reitoria da UNIR, 2005.

Na trajetória administrativa dessa universidade destacamos os critérios de nomeação dos reitores conforme quadro cronológico de 1982 a 2004.

259

Quadro 5: Relação de Reitores da UNIR

Ano Reitores da UNIR Critérios de nomeação Governo Federal

Nesse local foi instalada a estrutura administrativa e os primeiros cursos e,

1982 Euro Tourinho Filho Indicação

João Batista de Figueiredo

1983

1983

1984

1985

1986

1987

Antonino

1988

Álvaro Lustosa

1989

1990

Dettoni Eleição Collor de Melo

1991

1992

1993

1994

Francisco Aparecido Intervenção Itamar Franco

1995

Osmar Siena FHC

1996

FHC

1997

FHC

1998

FHC

1999

Ene Glória FHC

2001

FHC

2002

LULA

2003

LULA

2004

Ene Glória LULA

Fonte: Gabinete da.Reitoria da UNIR, 2004

Fazendo uma comparação entre as administrações dos reitores, os resultados e as respostas e resultados relacionados a interiorização da UNIR, observamos que os recursos destinados para essa instituição foram mais expressivos nas gestões autoritárias e intervencionistas. Na dinâmica de expansão dessa universidade é importante considerar, o processo de interiorização, projeto de interiorização; os movimentos organizados, partidários e políticos pró-ensino superior; as iniciativas da reitoria da gestão Dettoni no sentido de legitimar ações dos dirigentes dos campi através de procurações e ainda as inúmeras reuniões dos conselhos internos e das iniciativas de parcerias. Dos registros e dos documentos que marcam o inicio do processo da interiorização da universidade, que levaria a instituição a condição de universidade multicampi, destacamos o convênio Nº

de 24 de junho de 1988, assinado pelo reitor Álvaro Lustosa Pires e o Prefeito Municipal Roberto Jotão Geraldo, de Ji-paraná; o convênio N º 002/UNIR-PMV, de 14 de julho de 1988, assinado pelo

prefeito

de Vilhena, Élcio Carlos Rossi; o convênio Nº 003/PM; o convênio Nº 004/UNIR-Rolim de Moura, de 25

de julho de 1988, assinado pelo prefeito Valdir Raupp de Mattos; o convênio N º 007/UNIR- PMGM, de 25

de julho de 1988, assinado pelo Prefeito Isaac Bennesby. Os convênios utilizados como instrumento

formal,

apresentam as mesmas cláusulas, seguindo um padrão de “acordo” entre a universidade e as

prefeituras das

que assumiram a responsabilidade de bancar o ônus da implantação dos campi universitários nas

cidades,

com os seguintes compromissos:

260

1) tomar todas as providências no sentido de consumar a doação de uma área com o objetivo de nela se construída a futura sede local do campus; 2) tomar todas as providências no sentido de comodatar prédio provisório para o funcionamento dos primeiros cursos; 3) dotar a biblioteca da UNIR dos livros identificados no projeto de implantação; 4) colocar a disposição da UNIR, sem ônus para a mesma, todo o pessoal administrativo necessário à implantação dos futuros cursos, pessoal docente contratados e lotados no município, ressalvado à UNIR o direito de oferecer relação de pré-requisitos e a indicação de coordenadores: 5) fornecer todo o material de consumo e mão de obra necessários à realização de pesquisa conjunta com a UNIR, visando a elaboração de projetos com a finalidade de implantar novos cursos de extensão; 6) fornecer todo o serviço de manutenção e limpeza das instalações ocupadas pela UNIR e encargos decorrentes dos serviços de água, luz e telefone.

Dessa forma registramos que o primeiro passo dado em direção à interiorização da UNIR, aponta a

transferência da responsabilidade das atividades de ensino pesquisa e extensão da União para as

prefeituras

e comunidades das cidades através das parcerias e dos interessados na questão universitária. Assim

o

embrião dos primeiros campi (Guajará-Mirim, Ji-paraná e Vilhena) é lançado é determinado na

gestão

universitária, entretanto, antecedentes importantes vinculados ao reitor Álvaro Lustosa Pires e aos movimentos organizados localizados principalmente em Guajará-Mirim (com a participação direta

da

comunidade pressionando o prefeito, local a posicionar-se a favor do ensino superior e da

universidade na

cidade) e Rolim de Moura (com a participação direta do prefeito que motivava a população a lutar

pelo

ensino superior na cidade) e da participação direta dos prefeitos, secretários municipais e professores e

lideranças políticas de outras localidades. São dados, que numa visão de conjunto, colaboram e

determinam

ações relevantes no processo de constituição dos campi. Da mesma forma, destacamos a equipe

responsável

pela seleção dos primeiros professores dos campi pesquisados: João Sátiro, Maria de Lurdes e

Benedito

Lisboa. As descobertas emergentes da pesquisa revelam intencionalidades de bastidores que em nome da

construção dos campi universitários gestões universitária desenvolvem ações para captação de recursos que nem sempre são aplicados nos campi. É o caso do convênio Nº 156/88; processo Nº 002769/88 da

SUDAM

com a UNIR para aplicação de recursos financeiros nos campi de Vilhena Ji-paraná e Guajará- Mirim. Esse

documento apresenta o seguinte objetivo:

O convênio firmado entre a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e a Fundação Universidade de Rondônia objetivando a aplicação de CZ$ 300.000,00 (trezentos mil cruzados) na execução de projeto constante da programação da ‘coordenação de educação e desenvolvimento regional da Amazônia – CEDRA’. Cláusula primeira: constitui objeto do presente convênio o aporte de recursos financeiros pela SUDAM, a fim de possibilitar à executora o atendimento de despesas com o desenvolvimento da programação da “coordenação de educação e desenvolvimento Regional da Amazônia – CEDRA”, visando a capacitação de recursos humanos

nos municípios de Vilhena, Ji-paraná e Guajará-Mirim, no Estado de Rondônia (

realização do objeto deste convênio, entregará a SUDAM à executora a importância de CZ$ 300.000,00 (trezentos

mil cruzados) em parcela única, logo após o início da validade deste acordo (

)

Claúsula terceira: para a

)

subscrevem: “Belém, 24 de junho de

1988: Henry C. Kayath – Superintendente da SUDAN; Álvaro Lustosa Pires – Reitor da Fundação Universidade

Federal de Rondônia e as testemunhas: Miryam Ribeiro Borges e Sandra Melo”.

Ao mesmo tempo em que UNIR divulga a impossibilidade de implantar os cursos da universidade nas cidades interessadas, a menos que as prefeituras assumam todo o ônus e despesas decorrentes,

os dirigentes dessa instituição trabalham paralelamente junto aos órgãos e agencias de investimentos e de desenvolvimento para a captação de recursos justificando a necessidade da expansão da universidade nas

261

cidades mencionadas. Segunda constatação: esse documento “original” não estava no arquivo oficial da UNIR e sim no “lixão da universidade”. A terceira constatação é o fato de ter existido recursos financeiros da UNIÃO para ações de interiorização da UNIR, porém o discurso era outro. Direcionava as prefeituras interessadas à idéia de que deveriam assumir todas as responsabilidades financeiras, ocultando a existência de recursos oficiais para a execução dos projetos de extensão e interiorização da universidade. Luciano de Lucas, primeiro professor e coordenador do programa de Pós-Graduação da UNIR (1984) ao falar na interiorização nas cidades de Ji-paraná, Vilhena e Guajará-Mirim. discorre que :

Minas e labirintos ocultam interesses

falo de Fouché, alerto para os fatos advindos de pequenos golpes que não serão permanentes nem impedirão que a UNIR promova grandes golpes de conscientização (Porto Velho, 1984).

Luciano de Lucca adverte para formas espúrias e negativas que toma conta da universidade em função da formação, qualificação, titulação e regime de gestão pouco participativa. Faz opção pela interiorização e na chefia de gabinete do reitor José Dettoni articula diferentes grupos de pessoas na direção da interiorização. Torna-se o primeiro a liderar um movimento pró-universidade multicampi no âmbito do Campus de Porto Velho e em seguida sai a campo, visitando e fazendo palestras sobre a importância da interiorização da universidade, ocasião em que alerta existência dos sujeitos que usam as instituições sociais, mas pouco contribuem com a o desenvolvimento da sociedade. Nesse processo de respostas dadas às necessidades sociais da região, verificamos que os cursos regulares implantados nos campi instalados não responderam as necessidades, assim como os investimentos da União e as políticas aplicadas foram insuficientes para resolver as condições de funcionamento da UNIR no sentido de expandir as atividades de ensino, pesquisa e extensão, iniciativas que tem sido reconfigurada como serviços de educação184. Tratando-se do financiamento da instituição, dados referentes ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD) apontam investimentos na UNIR. O ex-reitor Antonino, atualmente

chega de pequenos golpes à necessidade de grandes golpes e por onde passa

consultor de serviços educacionais em Uberlândia nos revela a existência da relação entre a UNIR e o BIRD, o que recomenda novas pesquisas, acerca do financiamento das universidades federais e a manutenção e renovação do quadro docente. Como forma de superação do desafio da falta de professores concursados enfatizamos a contratação dos professores conveniados, pelas prefeituras nas localidades e colocados a disposição da UNIR. Por ocasião da aula inaugural que marca a presença da universidade no cumprimento

184 Consequêntemente os sujeitos dessa universidade tomaram a iniciativa de criar a RIOMAR e essa fundação ganha destaque na tarefa de formalizar contratos com agencias e instituições que podem pagar pelos serviços que a universidade não pode cobrar. Exemplo: o PROHACAP. Projeto que surge justamente pelo fato da universidade não ser capaz de atender de forma regular toda necessidade de formação de professores dos sistemas de ensino instalado em Rondônia, onde depois de mais de duas décadas essa unidade federativa registra cerca de 11 mil professores contratados e atuando no sistema regular de ensino sem os respectivos diplomas de ensino superior.

262

de seu papel de formação de quadros para o Estado de Rondônia, foram apresentados pelo Reitor Álvaro Lustosa, à comunidade acadêmica de cada cidade, os primeiros professores dos campi da UNIR.

Quadro 6: Os Primeiros Professores

Campus de Guajará-Mirim Campus de Jiparaná Campus de Cacoal Campus de Rolim de Moura Campus de Vilhena Carmen Tereza Velanga Moreira Walter Rocha Neusa Manfredine Maria Cristina Borges Ana Maria Marquesini Dorosnil Alves Moreira Márcio Valentino Zilda Klemz Eller Orestes Zivieri Neto Maura Profeta Osvaldo Copertino Duarte Eudes Barbosa Junior Floripes Matuda Maria da Graça Martins José Eduardo Carlos Del Lhano Milca Lopes de Oliveira Avones Antonia Favoreça Iracema Glabler Luiz Carlos Rocha Eliana Guimalhães Rosivaldo Rodrigues Dirceu Betiol

Neiva Pociano de Campos

Fonte: Arquivo do Campus de Guajará –Mirim, 2004.

Esses professores são responsáveis pelos primeiros cursos dos campi, coordenados pelos Diretores de Núcleos de Porto Velho. Juntamente com esses nomes destacam-se os primeiros funcionários de

apoio

do campus que eram convidados da prefeitura para lotação nas repartições públicas municipais colocadas a disposição da universidade Como resposta específica no campo da formação de quadros de profissionais titulados de 1987 até

2002 os campi da UNIR apresentam diplomas em licenciaturas e bacharelatos:

Quadro 7: Profissionais Titulados entre 1987-2002.

Campus de Guajará-Mirim Campus de Jiparaná Campus de Cacoal Campus de Rolim de Moura Campus de Vilhena

566 498 887 522 863 Fonte: Arquivos Campus de Guajará-Mirim, 2004.

A UNIR interiorizada responde as necessidades sociais, possibilitando qualificação, titulação e

formação profissional. Numa visão de conjunto, a instituição universitária apresenta credibilidade e esperança de soluções para os problemas e de qualidade de vida. Configura-se como importante instrumento de desenvolvimento local. O acúmulo de atividades de rotina, a falta de recursos

humanos e da própria política da União aplicada na instituição constitui-se em desafios superados pela participação da comunidade nos respectivos enfrentamentos.

263

Foto 078 Fonte: SILVA, J.Silva: Reunião da Direção do Campus de Guajará- Mirim, com representantes da comunidade local para resolver problemas de falta de carteiras universitárias, fala de professores, e sugestões para o cerimonial de inauguração do Campus, 1999.

O maior aliado da universidade na cidade é a comunidade local organizada. Os recursos da

instituição, através da triagem da sede em Porto Velho chegam nos campi, porém de forma inadequada, o

que gera tensões e conflitos, principalmente quando os mais entendidos no assunto sentem seus

poderes

ameaçados. O ponto decisivo está na distância entre aqueles que entendem do problema da

universidade,

interesses e comprometimentos ocultos. Consolidar a UNIR desafia os sujeitos envolvidos, pois,

frente as

necessidades sociais, enfrenta necessidades internas, como, por exemplo, a falta de pessoal, quebra

de

compromissos, dificuldades financeiras etc) paralelamente, as influências neoliberais apresentam-se

como

um desafio paralelo, qual seja da fragmentação das potencialidades institucionais e regionais.

A UNIR multicampi implica na distribuição de recursos humanos e financeiros ao mesmo tempo

em que os projetos temporariamente finitos recebem pressão das localidades no sentido de renovar as ações e expandir os serviços de ensino, pesquisa e extensão universitária nas cidades. Como amazônida, militante político e na condição de professor dessa instituição, Adilson Siqueira (2005) contribuiu com o seguinte depoimento:

A Universidade Federal de Rondônia – UNIR é uma Instituição nova, está na região desde 1982. Ou

seja, está em processo de formação, tanto de seus quadros intelectuais, quanto de criação de cursos de graduação e de pós-graduação que venham atender satisfatoriamente os desafios apresentados pela região. A região Amazônica é inóspita tanto do ponto de vista da saúde, quanto das condições que oferece a sua população. Carece de projetos governamentais que venha ao encontro das necessidades das populações tradicionais e as novas. Nesse contexto a UNIR, nova na região, necessita de estrutura para manter e implantar cursos tanto na área de graduação, quanto de programas de pós-graduação voltados para atender a essas realidades, bem como de financiamentos de projetos de pesquisa que proporcione a compreensão da realidade local e de projetos de extensão que possa dar retorno a essas populações e com isso ajudar o desenvolvimento local. A implantação da UNIR acompanha a criação do Estado de Rondônia. Com isso, mesmo sem infra-estrutura adequada, inicia-se de forma interiorizada com seus seis campi (Porto Velho, Guajará-Mirim, Ji-paraná, Cacoal, Rolim de Moura e Vilhena). A atuação nesses pólos fez com que na parte educacional venha servir como um referencial, visto que hoje em muitas áreas do conhecimento, principalmente na educação está sendo bem atendida. Hoje a UNIR inicia com a criação de novos cursos em outras áreas do conhecimento, como Agronomia em Rolim de Moura; Química, Medicina, Biologia e Ciências Sociais em Porto Velho,

264

entre outros e Comunicação Social em Vilhena. Além dos cursos existentes, tanto na área da educação, quanto nas ciências naturais e ciências sociais aplicadas. Além desses cursos, visando atender as determinações da LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em convênios com o Governo, tanto Estadual, quanto municipais e até com sindicatos, a Universidade vem realizando o PROHACAP – Programa de Habilitação e Capacitação de Professores Leigos. Esse Programa fez com o número de discentes fosse dobrado. Além dos cursos, existem laboratórios referenciais como o de pesquisa em mercúrio, aonde vem desenvolvendo trabalhos importantes nessa área, entre outros.

Essa visão acerca da forma como a UNIR responde as necessidades sociais sintetiza a opinião da perspectiva de quem está em Porto Velho, na sede da UNIR. 4 - UNIR multicampi: Os Campi da UNIR A UNIR está estruturada e legitimada nos termos estatutários e com patrimônio legalizado nas cidades de Porto Velho, Guajará-Mirim, Ji-paraná, Cacoal, Rolim de Moura e Vilhena, contempladas pelos campi universitários, no Estado de Rondônia.

Fonte: Arquivo Campus de Guajará-Mirim

Entendendo o processo de interiorização como a extensão, expansão e dinamização da universidade além da capital do Estado de Rondônia, estacamos três fases: primeira a autorização de cursos nas cidades na forma de extensão universitária vinculados aos Núcleos185 da UNIR, principalmente Núcleo de

185 O Núcleo de Educação (NED) congrega os departamentos de Ciências da Educação; Sociologia e Filosofia; História, Línguas Estrangeiras; Línguas Vernáculas. Esses departamentos são responsáveis pelos cursos de

GUAJARÁ-

MIRIM

PORTO

VELHO

JI-PARANÁ

ROLIM DE

MOURA

ARIQUEMES

CACOAL

VILHENA

265

Educação; segunda, a adaptação das estruturas físicas e implantação dos campi que funcionavam como extensão universitária e campus avançado, com coordenadores e representantes locais, indicados pelos prefeitos e nomeados pela reitoria; terceira, a construção do campus local e implantação da estrutura de “Campus Universitário” com relativa autonomia, com estrutura mínima administrativa composta pela direção, coordenação e pelos departamentos.

A dinâmica da construção dos campi depende da capacidade de articulação das potencialidades do poder local de cada comunidade acadêmica e autoridades interessadas nesse desafio, que ainda depende de iniciativa e criatividade local. Em Vilhena, a prefeitura “doou” o prédio onde funcionava a sede da própria prefeitura municipal; em Rolim de Moura, o prefeito Valdir Raupp construiu as instalações; em Ji-paraná, o prefeito disponibilizou barracões de madeira e a prefeitura se encarregou de construir algumas salas; em

Guajará-

Mirim o processo foi mais complexo em função dos conflitos políticos entre comunidade acadêmica e a prefeitura municipal, onde a construção inicia-se com campanhas de doações de terreno e material de construção, mão de obra de “apenados”, com a participação “tímida” da prefeitura; chega a um processo efetivamente prático de construção após convênio entre UNIR e Estado, no que resulta em repasse de recursos estaduais para construção de três blocos de alvenaria com vinte salas de aula. No Campus de Porto Velho, houve recursos para as obras físicas dos prédios e das instalações de laboratórios e para a titulação definitiva do patrimônio imobiliário. Foi o único Campus que executou obras com gastos federais relacionados às agências internacionais. Antonino, ex-reitor da UNIR relata que:

Administrei recursos do BIRD e como interventor entreguei o Campus de Porto Velho pronto em condições de atender serviços administrativos da reitoria, coordenações e departamentos, salas de aula, almoxarifado, uma biblioteca em funcionamento etc. local em prédios emprestados e só no terceiro momento, ocorre a construção e reformas os relatórios da UNIR cujo patrimônio é contabilizado pela instituição.

Na cidade de Ariquemes um conjunto de investimentos vem sendo aplicado em laboratórios de informática e prédios identificados como “Campus Universitário de Ariquemes da UNIR”. Outras cidades apresentam ações semelhantes, como Buritis, Campo Novo, Colorado do Oeste, Ouro Preto, Nova Mamoré, que trabalham para criar o fato político, desenvolvendo praticas acadêmicas que possam comprometer a universidade com os interesse locais (Comissão Municipal Pró-Ensino Superior de Buritis, 2003). A disponibilização de áreas para construção de prédios, elaboração e aprovação de leis de incentivo ao ensino superior destacam-se como iniciativas comuns desses municípios interessados na presença da instituição universitária na cidade.

Pedagogia, História, Letras (português), Letras (inglês) e Letras (espanhol); o Núcleo de Saúde (NUSAU) congrega os departamentos de Ciências Biomédicas, Enfermagem, Psicologia e de Educação Física. Esse departamento responsabiliza-se pelos cursos de Medicina, Enfermagem Psicologia e o curso de Educação Física; o Núcleo de Ciências Sociais (NUCS), congrega os departamentos de Ciências Jurídicas, Ciências Econômicas, Ciências Contábeis e do departamento de Administração. Esses Departamentos são responsáveis pelos cursos de Direito, Economia, Contabilidade e de Administração; o Núcleo de Ciência e Tecnologia (NUCT), congrega os Departamentos de Matemática, Informática, Geografia; Química; Ciências Biomédicas. Esses departamentos são responsáveis pelos cursos de Matemática, Informática, Geografia, Química e do curso de Biologia

266

Os campi da UNIR estão atrelados a reitoria da universidade, observando que o Campus de Porto Velho, não apresenta uma estrutura administrativa, sendo operacionalizado pela estrutura administrativa da própria reitoria. Na prática, a política do Campus de Porto Velho é determinada pelos Núcleos de Educação, Ciências Sociais, Ciências e Tecnologia e o Núcleo de Saúde, onde os dirigentes apresentam status de próreitor

o que equivale ao status de diretor de campi, ambos com relativa autonomia e com ligação direta

com

a reitoria. Essa, sempre que cobrada, apresenta dados quantitativos e raramente qualitativos. O volume de atividades “corriqueiras” atropela o desenvolvimento de “grandes” projetos. Entretanto, MEC,

exige dos

dirigentes federais relatórios detalhados da “produção” da instituição que consta do relatório de

Gestão186

(2002).

A reitoria apresentou resultados através de números e procedimento técnico burocrático exigido

pelo MEC numa valorização quantitativa da produção institucional; preocupações das demais

universidades

federais, pois atreladas ao sistema federal de ensino, correm o risco de sofrerem os cortes orçamentários e financeiros determinados pelo MEC que não admite “desalinhamento”. Entretanto, oculta inúmeras

iniciativas realizadas diretamente vinculadas às necessidades sociais locais. No processo de interiorização da instituição e da implantação dos campi, constatamos a importância dos Núcleos. Trata-se de órgãos acadêmicos da instituição, que congregam os departamentos do Campus de Porto Velho. Por outro lado, os departamentos e coordenações nos campi do interior têm vínculo com a direção de cada campus local. Na origem os campi surgem das articulações políticas desenvolvidas por sujeitos vinculados nos cursos de pedagogia e letras, que eram coordenados pelo Núcleo de Educação, que administrou e

conduziu

as extensões da UNIR nas cidades. Essas extensões transformam-se em “Campus Avançado” e em

1991,

posteriormente adquire a denominação de “Campus universitário”. Os Núcleos da UNIR são vinculados - com ajustamento “confuso” – na estrutura organizacional da

UNIR, dinamizados no Campus de Porto Velho. Apresentam papel relevante no processo de

interiorização

da UNIR, onde muitas das políticas idealizadas ou contestadas passavam pelas orientações dos

respectivos

dirigentes de núcleos, como por exemplo, com José Carlos Cintra; Cláudio Edílson Guimarães

(88/92),

pioneiros nas atividades de implantação dos primeiros cursos da UNIR no interior do Estado de Rondônia. Tratando da estrutura e funcionamento (acadêmico) da UNIR Duarte (2002), discorre que os NÚCLEOS e os CAMPI:

186 Exemplo de produtividade exigida em relatório de gestão anual: 03 (três) reuniões do CONSUN;01 (um) Ato

Decisório; 02 (duas) reuniões do CONSEA;13 (treze) resoluções aprovadas e redigindo as respectivas atas;05 (cinco) reuniões; c) Câmara de Pesquisa e Extensão: 04 (quatro) reuniões: convocou e secretariou 03 (três) reuniões

do CONSAD, redigindo as respectivas atas, elaborando certidão para cada processo

processos disciplinares; 21 manifestações relativas a processos judiciais; 25 outras manifestações/informações. Processos Judiciais: 52 execuções direta por títulos; 25 ações Cautelares Inominadas; 12 Ações Civis Públicas; 131 Ações Ordinárias; 18 Ações Rescisória; 205 Mandatos de Segurança; 22 Processos de Precatórios. Foram executadas todas as atividades necessárias à entrada, encaminhamento, andamento e conclusão dos processos (Reitor Ene Glória,2002).

267

estão vinculados diretamente a reitoria, participando na elaboração e implementação das políticas públicas da universidade. Assim, para o desenvolvimento de suas atividades os campi de Guajará-Mirim; Ji-paraná; Cacoal; Rolim de Moura e Vilhena apresentam a seguinte estrutura: Diretoria do Campus; Chefe de Departamento I e Departamento II. Assim, o que mais chama a atenção é o fato do Campus de Porto Velho não registrar na estrutura administrativa da UNIR, estrutura idêntica aos demais campi, confundindo a sua administração com a administração da própria reitoria, pois não existe a “figura” do diretor de campus. Consideramos urgente, a alteração do estatuto da

25 manifestações em

UNIR e respectiva estrutura específica para o Campus de Porto Velho.

Para compreender os campi universitários da UNIR, e responder o problema da pesquisa, elaboramos um roteiro inicial de questões que orientaram as entrevistas com dirigentes, lideranças das cidades e membros da comunidade acadêmica envolvida assim, na busca de uma visão de conjunto, questionamos: 1) as políticas formuladas e implementadas em cada campus; 2) a idéia de missão e compromisso; 3) problemas e ameaças impactantes; 4) políticas e estratégias; 5) debilidades e potencialidades dispersas; 6) perfil dos principais problemas enfrentados pelos campi; 7) iniciativa ações e resultados alcançados; 8) potencialidades e possibilidades de cada campus; 9) quadro docente e discente; 10) projetos de pesquisas e extensão universitária e relação com as necessidades sociais das localidades. Respectivas respostas colaboram no esclarecimento da constituição da UNIR numa instituição universitária multicampi.

Organograma da UNIR:

Fonte: Proplan-UNIR, 2002.

Nessa estrutura, verifica-se que as Pró-Reitorias, Núcleos e Campi estão no mesmo nível

hierárquico e apresentam orçamentos equivalentes. Na prática, os 5 campi: O Campus de Guajará- Mirim (CGM); Ji-paraná(CJP); Cacoal(CC); Rolim de Moura(CRM) e o Campus de Vilhena (CV) conta apenas como uma estrutura mínima de uma diretoria e dois departamentos, enquanto o Campus de Porto Velho

268

conta com todos os cargos da estrutura geral da UNIR, exceto 15 cargos comissionados dos campi de um total de 91 funções. O impacto dessa estrutura é revelado na distribuição dos recursos presente nos balancetes. Os cursos da UNIR estão vinculados aos Núcleos (NED, NUSAU, NUCT, NUCS), que são executados na cidade de PortoVelho. Os cursos da UNIR localizados no interior desse do Estado estão vinculados aos Campi universitários que na estrutura administrativa tem ligação direta à reitoria e autonomia em relação ao referidos Núcleos dessa instituição. Nesse ponto encontramos equívocos administrativos e desafios acadêmicos; entretanto no ano de 2002, afirma Padre Zenildo:

O NED - Núcleo de Educação (Porto Velho), composto pelos departamentos de Ciências da Educação, Sociologia e Filosofia, História, Línguas Estrangeiras e Línguas Vernáculas, apresentam os seguintes cursos de graduação:

História (166 alunos), Letras Espanhol (98 alunos), Pedagogia (199 alunos), Letras- Português (145alunos). Cursos Lato Sensu: Literatura (30alunos), Lingüística Aplicada ao Ensino de Língua Portuguesa (35 alunos), Filologia Espanhola (20 alunos), Administração e Gerenciamento Escolar (15 alunos), Metodologia do ensino superior (250 alunos) e Língua Portuguesa (35 alunos), o que corresponde a 1.093 alunos matriculados.

Tratando-se de uma instituição federal em tempos neoliberais destacamos o caráter “mercadológico” dos cursos de especialização Lato Sensu, isto é, esses cursos na sua maioria são administrados pela fundação RIOMAR com diplomas e professores da UNIR, bancado pelos alunos ou por patrocinadores externos (prefeituras, bancos, sindicatos, associações e empresas diversas). Isso se aplica em todos os campi. Entretanto constatamos resistência à proliferação desses cursos no âmbito da UNIR. No ano de 2002, esse núcleo contava com 67 professores: 2 (pós-doutorados), 20 (doutores), 32 (mestres), 11(especialistas) e 2 graduados (Relatório de Atividades da UNIR, 2003, p. 110). Assim, com base nos

relatórios de atividades o reitor Ene Glória (2003) enfatiza que:

O NASAU-Núcleo de Saúde (Porto Velho) é composto pelos departamentos de Ciências Biomédicas,

Enfermagem, Psicologia, Educação Física. Esses congregam os cursos de Medicina (80 alunos), Enfermagem (150 alunos), Psicologia (124 alunos) e de Educação física (221 alunos). Além dos cursos da graduação, são desenvolvidos os cursos Lato Sensu de Formação Pedagógica Profissional na área de Saúde (321 alunos), Gestão de Sistema de Serviços de Saúde (43 alunos), Saúde da Família (85 alunos) e ainda um mestrado em Biologia Experimental com (30 alunos). Nesse Núcleo o total de alunos atendidos pela UNIR corresponde a 1.084

matrículas. Os docentes permanentes vinculados nesse Núcleo totalizam 54 professores. 9 (doutores), 32(mestres), 8 (especialistas) e 5(graduados).

O NUCT - Núcleo de Ciências e Tecnologias (Porto Velho) está composto pelos departamentos de matemática,

Informática, Geografia, Química, Ciências Biológicas com os seguintes cursos e respectivas matriculas: Geografia

(168 alunos), Química (76 alunos) Matemática (149 alunos), informática (182 alunos) e Ciências Biológicas (202 alunos). Além desses cursos de graduação, são oferecidos os curso de Lato Sensu em análise ambiental (105 alunos) e Educação matemática (45 alunos) e um mestrado em Desenvolvimento regional com (30 alunos). Esses cursos são desenvolvidos com 50 professores do quadro permanente: 1(pós-doutor), 18 (doutores), 28 mestres, 2 (especialistas) e 1 (graduado). NUCS-Núcleo de Ciências Sociais (Porto Velho) é composto pelos departamentos de Ciências Jurídicas, Ciências Econômicas, Ciências Contábeis, Administração com os seguintes cursos e respectivos números de alunos:

Administração (167) Economia(192), Direito(233), Ciências Contábeis (241). Além desses cursos de graduação são desenvolvidos os cursos de lato sensu em Controladoria Institucional e Ambiental (24), Gestão Avançada de Negócios (50), Gestão Estratégica (50) e Administração Pública (57). Observamos que esse Núcleo, nesse ano de 2002 não oferece cursos de mestrado e doutorado. Atende um total de 1.014 alunos que contam com 50 professores do quadro permanente da UNIR: 6(doutores, 21(mestres), 13 (especialistas e 10 (graduados), números, dados do ano passado).

Observamos que os quatro núcleos são responsáveis pelo desenvolvimento acadêmico da UNIR no

Campus de Porto Velho, estabelecendo relação direta com as pró-reitorias e reitoria da instituição. Os cursos

269

localizados nas cidades do interior de Rondônia são administrados pelos cinco Campi. No ano de 2002 a UNIR como multicampi apresenta-se

Foto 079

Fonte: OLIVEIRA, Rosângela. Campus de Guajará-Mirim, 2002. Campus de Guajará-Mirim constituído por uma diretoria do campus, uma secretaria, Departamento de Administração e Departamento de Disciplinas de Cursos Finitos. Oferece os seguintes cursos com as respectivas matricula: administração (147 alunos), Letras português (171 alunos), pedagogia (214alunos). Nos curso de lato Sensu: Especialização em lingüística aplicada à educação (20 alunos). Conta com um curso de mestrado em lingüística (20 alunos). Para atender esses cursos o campus conta com 10 professores do quadro permanente da UNIR: 1 (pós-doutor), 6(doutores), 3 (mestres) e 1 (especialista) (UNIR, 2002, Grifo Nosso). Foto 080 Fonte: OLIVEIRA, Rosângela. Campus de Ji-paraná, 2002.

O Campus de Ji-paraná estruturado com uma diretoria de Campus, uma secretaria, departamento de Ciências

humanas e departamento de Exatas e da Natureza. Conta com os cursos de Física (116 alunos), matemática (146) e Pedagogia (180 alunos). Além dos cursos de pós-graduação desenvolve uma especialização em Educação Matemática (15 alunos). Assim, totaliza 457 alunos matriculados que contam com 14 professores do quadro permanente da UNIR: 3(doutores, 7(mestres), 1(especialista) e 3 (graduados) (UNIR, 2002, Grifo Nosso).

270

Foto 081 Fonte: OLIVEIRA, Rosangela. Campus de Cacoal, 2002.

O Campus de Cacoal conta com a seguinte estrutura: uma diretoria, uma secretaria e o departamento de ciências

jurídicas e departamento de ciências contábeis e administração. Oferece os seguintes cursos: administração (134 alunos), Ciências contábeis| (166 alunos) e Direito (339 alunos). Especialização em gestão de sistema de serviços de saúde (40 alunos) e saúde da família (30alunos), totalizando 709 alunos matriculados nesse campus. Para

desenvolver essas atividades conta co 10 professores do quadro permanente da UNIR: 8 (mestres) e 2 (especialistas).

O Campus de Rolim de Moura está estruturado com uma diretoria, uma secretaria, o departamento de pedagogia e o

departamento de agronomia. Desenvolve os seguintes cursos de graduação: Letras Português (55 alunos), letras/ inglês (35 alunos), pedagogia (268), agronomia (81 alunos). Conta ainda com uma especialização em alfabetização (20alunos). Esse campus totaliza 459 matriculas e conta com 13 professores do quadro permanente: 6(doutores, 1(mestre), 4 especialistas) e 2 (graduados.) (UNIR, 2002, Grifo Nosso).

Foto 082 Fonte: OLIVEIRA, Rosangela. Campus de Rolim de Moura, 2002.

O Campus de Rolim de Moura apresenta a seguinte estrutura administrativa: Uma diretoria, uma secretaria e o

Departamento de Pedagogia e um departamento de Agronomia. Esses dois departamentos congregam os cursos de Letras Português (55 alunos), Letras Inglês (35 alunos), Pedagogia (268 alunos) e o curso de agronomia (com 81 alunos). Desenvolve uma especialização em Alfabetização (com 20 alunos). Nesse ano de 002, o Campus de Rolim de Moura totaliza 459 alunos. Para as atividades acadêmicas, esse campus conta com 13 professores do quadro permanente da UNIR: 6(doutores), 1 (mestre), 4(especialistas) e 2 (graduados) (UNIR, 2002, Grifo Nosso).

271

Foto 083 Fonte: OLIVEIRA, Rosângela. Campus de Vilhena, 2002. Campus de Vilhena está estruturado com uma diretoria, uma secretaria, Departamento de Letras e Jornalismo e o Departamento de Ciências Contábeis e Pedagogia, com os seguintes cursos: Jornalismo (39 alunos), letras/português (272 alunos), pedagogia (199 alunos) e Ciências Contábeis (141 alunos), e ainda com um curso de especialização lato sensu em Educação matemática (45 alunos). Assim totaliza 696 alunos matriculados e contam com a atuação de 10 professores do quadro permanente da UNIR: 1 (doutor), 8(mestres) e 1 (especialista). (entrevista de Ene Glória com base no Relatório de Atividades da UNIR de 2003, referindo-se aos desafios e realizações da UNIR no ano de 2002) (UNIR, 2002, Grifo Nosso).

Esses registros possibilitam, a imagem e um perfil numérico dos cursos, alunos e professores que compõem a UNIR, como uma universidade multicampi na fronteira. 4.1 - Campus Universitário de Porto Velho187

187 População de Porto Velho (2004) é de 380.884 habitantes(IBGE). Porto Velho surgiu em 1909, de um aglomerado desordenado de barracas, em torno das instalações da Empresa Madeireira Mamoré Railway Company, arrendatário da estrada de ferro Madeira-Mamoré. A origem do seu nome deve-se a residência do senhor Pimentel na margem do rio Madeira, que os antigos moradores de Santo Antônio denominavam-na de Porto Velho de Caça e também de Porto Velho por ser o local referencial de reunião para suas caçadas e pescarias. Segundo o morador antigo de Porto Velho, Manoel Agostinho do Nascimento (2003) “quando a empresa de Percival Farquar empreendeu as ações afinal vitoriosas de construção da EFMM, decidiu mudar o ponto inicial. A insalubridade do histórico sítio de Santo Antônio do Madeira e as facilidades para atracação de navios 7 km abaixo, no mais saudável “porto velho dos militares”, orientaram essa decisão. Daí nasceu Porto Velho”. Os administradores da Madeira Mamoré ao se instalarem nesse local passaram a denominá-lo de Porto Velho. O Município foi criado através da Lei n.º 757, de 02 de outubro de 1914, ocorrendo sua instalação solene, em 24 de janeiro de 1915. Porto Velho através do Decreto Lei n.º 5812, de 13 de setembro de 1943, tornou-se capital do Território Federal do Guaporé (depois Rondônia) e capital do Estado de Rondônia, através da Lei Complementar n.º 41, de 22 de dezembro de 1981, estando situada à margem direita do rio Madeira, sete quilômetros abaixo da Cachoeira de Santo Antônio do Alto Madeira. Com uma Área de 35.928,9 Km² ;Altitude: 85,2 m;Latitude: 08º45’43’’ Longitude: 063º54’14’’ ;Limites:

o município de Porto Velho limita-se ao Norte, Noroeste e Nordeste com o Estado do Amazonas; Sudeste com os municípios de Cujubim, Machadinho e Candeias do Jamari; Leste com os municípios de Candeias do Jamary e Alto Paraíso; Sul com os municípios de Campo Novo e Nova Mamoré; Oeste com o Estado do Acre e República da Bolívia. Quanto a Hidrografia o sistema hidrográfico do município de Porto Velho é constituído pelo Rio Madeira no trecho compreendido, entre Maici na fronteira com o Estado do Amazonas e o limite com o município de Nova Mamoré e os baixos cursos de seus afluentes Ji-paraná, Jamary, Jaci-Paraná, Mutum-Paraná, Caracol, Abunã. Os afluentes destes rios tais como o Candeias, Garças, Preto, Machadinho. Destacam-se ainda os rios Ferreiros e Paraná-Pixuna, o lago Cuniã e uma quantidade expressiva de cursos de pequenos rios e igarapés, constituindo a rede hidrográfica do Município, tendo esse sistema botânico, relevante importância para a economia do município e do

272

A estrutura organizacional e administrativa da UNIR desenvolve-se no âmbito do Campus Universitário de Porto Velho. Há uma política protecionista, corporativista e geradora de conflitos entre a capital e o interior, que para efeito de relatórios e avaliação de desempenho, a identidade do Campus de Porto Velho revela-se nos dados comparativos com os demais campi. Sobre as dificuldades e desafios Ene Glória (2002), discorre que:

O Campus de Porto Velho apresenta deficiência nos seguintes aspectos: Falta de gestão democrática e a existência

de corporativismo, deficiência na comunicação interna provocando distorções nas informações, bem como a inexistência de um sistema de informações gerenciais, no descomprometimento e ausência de espírito institucional e ética de parte da comunidade acadêmica, na quantidade e qualidade insuficientes de recursos humanos, estrutura física, equipamentos e materiais de consumo e falta de programa de qualificação do corpo técnico-administrativo).

Tais deficiências impedem o aproveitamento de articulação com os movimentos organizados e intercâmbio com organismos governamentais, não-governamentais, nacionais e internacionais para

o

fomento do ensino, da pesquisa e da extensão; sua inserção na Amazônia que desperta interesse mundial, o que viabiliza a obtenção de recursos; as políticas alternativas para financiamento das universidades emergentes da Amazônica. Quando comparamos o Campus de Porto Velho, com os demais campi

da

UNIR, constatamos, por exemplo, que o Campus de Guajará-Mirim, foi mais articulado no sentido

de

viabilizar dinâmicas acadêmicas a partir das parcerias externas com interessados nas atividades e no

poder

da instituição universitária, como o caso da implantação do primeiro mestrado e doutorado em

Lingüística

Indígena, criado no Campus de Guajará-Mirim (1995). Em 2002, o reitor Ene Glória destaca aspectos favoráveis das políticas publicas aplicadas na UNIR em função:

da localização do Estado de Rondônia numa região que se constitui, hoje, num pólo rodo-hidroviário, podendo ampliar-se através de uma saída, economicamente viável, para o Pacífico, para que, apoiados numa universidade pública, federal, gratuita, multicampi, com estruturas autônomas e pessoal técnico e docente melhor e mais qualificado na Amazônia Ocidental que tem um pequeno número e na existência de pessoas comprometidas verdadeiramente com a instituição.

Sobre ações administrativas destaca a prioridade na “construção de salas individuais para todos professores e sistema de ar condicionado para todas salas do Campus de Porto Velho”(GLORIA,

2005),

enfatizando que os problemas da UNIR serão resolvidos:

Se nos apoiarmos numa universidade pública, federal, gratuita, multicampi, com estruturas autônomas e pessoal técnico e docente melhor e mais qualificado na Amazônia Ocidental que tem um pequeno número e na existência de pessoas comprometidas verdadeiramente com a instituição; na produção científica e alguns cursos de graduação e pós-graduação com qualidade; numa condutora e executora da política educativa no Estado de Rondônia em todos os níveis; numa instituição emergente e respeitada regionalmente, poderemos nos aproveitar, da articulação com entidades de classe, movimentos sociais, e intercâmbio com organismos governamentais e não-governamentais nacionais e internacionais para o fomento do ensino, pesquisa e extensão; de sua inserção em uma região que desperta interesse mundial, o que viabiliza a obtenção de recursos; das políticas alternativas para financiamento das universidades emergentes da região Amazônica, Nacional e Internacional através da criação de um fórum específico; da. captação de recursos nos órgãos de fomento nacionais e internacionais, organismos de governo e Estado. Os distritos de Porto Velho são: Jací-Paraná, Mutum-Paraná, Abunã, Fortaleza do Abunã, Vista Alegre do Abunã, extrema e Nova Califórnia, São Carlos e Calama.

273

organizações privadas, através de projetos bem elaborados e engajamento político.(Relatório de Gestão da UNIR,

2002).

Centramos nossa reflexão sobre o multicampi, que é colocado como necessidade estratégica da universidade como elaboradora e condutora de políticas públicas, permitindo pelo menos a identificação de dez objetivos destacados no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI 2004-2012).

1) Prover, cada curso de graduação ou pós-gradação stricto sensu institucional com o mínimo de 15 docentes do quadro permanente; 2) Implantar intranet, sistema de comunicação informatizado e sistema de informações gerenciais na UNIR para todos os serviços e instrumentalizam a biblioteca; 3) Contratar pessoal docente e técnicoadministrativo em quantidade suficiente para atingir, a média nacional no que tange aos critérios “relação professor x aluno; 4) Definir, as linhas prioritárias de pesquisa e consolidar os respectivos grupos, bem como implantar e consolidar em cada unidade acadêmica, programa de pós-graduação; 5) Criar um programa de avaliação institucional; 6) Implementar e consolidar grupos de pesquisa de modo que cada grupo tenha aprovado um projeto por órgão de fomento e seu PQI para que a UNIR tenha o seu quadro docente composto por mestres e doutores; 7) Intervir no processo de implantação da FAPERO; 8) Definir, a área de atuação de cada unidade acadêmica e consolidar, em cada campus do interior, até 2 cursos de graduação; 9) Criar campus urbano em Porto Velho, além de ampliar em 10% ao ano a área física, bem como dotar salas de aula e laboratórios de instrumentos adequados e suficientes para o desenvolvimento das ações; e, 10) Elaborar coletivamente o projeto pedagógico para a UNIR.

Tratando-se de objetivos na direção da universidade multicampi, a lacuna identificada é decorrente da confusão do Campus de Porto Velho aparecer como universidade e os demais campi como

apêndice da estrutura central. Existe um movimento trabalhando a idéia de repensar os Núcleos e de oficializar o Campus de

Porto Velho a partir de uma nova estrutura administrativa da UNIR e dos objetivos que constam no

PDI

(2004-2012). Esse campus está estruturado com cinco núcleos e vários departamentos de cursos e

cada

curso com seu respectivo coordenador. Entretanto, no momento em que a universidade se expande para o interior do Estado e implantando os novos campi esses não contam com mesma estrutura de Núcleo.

A

Direção de cada campus (local) assume a tarefa do núcleo e os núcleos instalados vinculados à reitoria e instalados no Campus de Porto Velho, assumem a tarefa de direção de “Campus”. Historicamente, os campi surgem como extensão dos cursos de Pedagogia, Ciências e Letras, da

UNIR (sede) em Porto Velho. Significa dizer que “os núcleos criaram os cursos, mas na foram juntos para as respectivas cidades”. As reformas internas não deram conta de redimensionar as responsabilidades “dos

núcleos” que na prática vinculam-se ao Campus de Porto Velho. Por exemplo, a Diretora do Núcleo

de

Saúde, Ana Escobar (2002) considera:

A unidade acadêmica que tem como missão exercer o papel de aglutinador das áreas específicas e afins ligadas a saúde de forma multidisciplinar gerando conhecimento, formando profissionais que atendam a demanda da sociedade por meio de ações efetivas que possibilitem a melhoria das condições biopsicosociais e ambientais

contribuindo para o desenvolvimento do país e para transformação social

saúde que congregue faculdades dentro da mesma área, exercendo o papel condutor do centro de formação permanente em saúde para a região.

Na perspectiva da direção desse núcleo são considerados como sujeitos importantes o corpo

docente e técnico, o Ministério da Saúde/Educação; Centro de Formação Permanente; Fundações Financiadoras de Fomento à Pesquisa; Instituições Governamentais (federais, estaduais e municipais),

274

Organizações Não-Governamentais e, como fatores importantes a infra-estrutura, carência de

pessoal

especializado em saúde regional, ampliação dos programas de qualificação, convênios e parcerias

com

outros institutos, órgãos e universidades, articulações políticas governamentais e institucionais,

orçamento

da união, política de gestão, fatores naturais regionais: localização amazônica. Afirma que existem “debilidades evidentes”; “fortalezas mais reconhecidas” e ameaças impactantes como: “falta de

infraestrutura

física e técnico-administrativa; de verbas para os departamentos; reduzida quantidade de pessoal com boa vontade e compromisso com o trabalho; acúmulo de funções para quem administra”; Da

mesma

forma como acontece nos outros núcleos da UNIR, destaca-se a “ falta de articulação e interação entre as unidades que integram o núcleo; poucas atividades práticas aliadas à teoria; distribuição física inadequada e fragmentada dos cursos de graduação e pós-graduação”, afirma Escobar (2002). Quanto aos desafios mais impactantes, prossegue essa diretora:

Imposição da dedicação exclusiva falta de apoio financeiro e aprovação para os projetos a serem desenvolvidos, falta de integração entre unidades acadêmicas e administrativas, política governamental de contratação, salarial, e corte de

Deve

tornar-se um centro de ciências da

verbas para as universidades, política neoliberal de desresponsabilização do governo federal para com a área de educação, aprovação do projeto de emenda constitucional nº 40 (aposentadoria do servidor público); localização da UNIR – distante e insalubre; ações governamentais; localização geográfica

Essa diretora enfatiza as “oportunidades potenciais” sugerindo o aproveitamento das tecnologias

disponíveis para o intercâmbio com outras instituições, na possibilidade de avanço tecnológico e

científico

nas pesquisas relacionadas às doenças tropicais, biodiversidade e biotecnologia, no financiamento

de

pesquisas através da RIOMAR e FAPERO, no “mercado de trabalho disponível”; na localização da Amazônia e no crescimento econômico regional. Sobre as articulações e estratégias para políticas públicas aplicadas, Ana Escobar aponta para: a) a

falta de infra-estrutura física e técnico-administrativa; b) a falta de verbas para os departamentos; c)

a

reduzida quantidade de pessoal com boa vontade e compromisso com o trabalho; d) o acúmulo de

funções

para quem administra; e) a falta de articulação e interação entre as unidades que integram o núcleo; f) as poucas atividades práticas aliadas à teoria e a distribuição física inadequada e fragmentada dos cursos de

graduação e pós-graduação (Escobar, 2002). Esse Núcleo da UNIR apresenta uma série de políticas:

de implantação da interdisciplinaridade nos projetos pedagógicos dos cursos de graduação; na qualidade dos egressos dos cursos do núcleo de saúde que atuam com competência no mercado de trabalho; no bom nível de qualificação dos professores e na alta concorrência no vestibular poderemos aproveitar as tecnologias disponíveis para o intercâmbio com outras instituições de ensino e pesquisa; a possibilidade de avanço tecnológico e científico nas pesquisas relacionadas às doenças tropicais, biodiversidade e biotecnologia; o financiamento de pesquisas através de órgãos como RIOMAR e FAPERO; o mercado de trabalho disponível e a localização amazônica.

Os principais problemas enfrentados nesse núcleo são: a falta de infra-estrutura física e

técnicoadministrativa;

política governamental de contratação, salarial, corte de verbas para as universidades; falta de verbas para os departamentos; acúmulo de funções para quem administra; reduzida quantidade

de

pessoal com boa vontade e compromisso com o trabalho; falta de apoio financeiro e aprovação para

os

projetos a serem desenvolvidos; imposição da dedicação exclusiva; falta de articulação e interação entre as

275

unidades que integram o núcleo; falta de integração entre unidades acadêmicas e administrativas;

política

neoliberal de desresponsabilização do governo federal etc. Os recursos partilhados na UNIR são decorrentes, desde 1992, do seguinte critério: “o tratamento financeiro dado aos Núcleos da UNIR são equivalentes aos recebidos pelos campi de Guajará- Mirim, Jiparaná, Cacoal, Rolim de Moura e de Vilhena” (Maria Cristina, 2002). O que causa conflito é o fato do orçamento de cada Núcleo ser equivalente ao valor aplicado pela UNIR nos campi do interior. Os campi apresentam despesas, de pessoal, manutenção física e os “Núcleos” não. Quanto ao Núcleo de Ciência e Tecnologia – NCT, segundo Júlio Militão (2002) o NCT é uma “unidade que cria, desenvolve, promove e difunde os conhecimentos científicos, tecnológicos e

humanísticos, articula ensino, pesquisa e extensão e contribui com o desenvolvimento regional”. O

objetivo

desse núcleo da UNIR é tornar-se um “centro de excelência, que congregue institutos e faculdades,

em

ciências e tecnologia visando criar, promover, incentivar, difundir e desenvolver conhecimentos

articulados

através do ensino, pesquisa e extensão”.Nesse Núcleo, são considerados importantes: as fundações de apoio; governos federais, estaduais e municipais; políticos da bancada regional; recursos humanos da UNIR; comunidade em geral; conselheiros da UNIR. Entretanto, afirma o Diretor do Núcleo de Ciência e Tecnologia:

Falta de transparência nas ações de ensino, pesquisa e extensão; corporativismo; falta de apoio e infra-estrutura ao ensino, pesquisa e extensão; limitação orçamentária; deficiência na articulação interdepartamental, de pessoal e falta de compromisso; burocratização dos serviços; má administração da prefeitura do campus.

Constata-se uma perspectiva crítica, de indignação e denúncias, por considerar a condição de instituição federal em estado de fragilização, onde Júlio Militão (2002) aponta enfrentamentos desfavoráveis:

No plano de aplicação de recursos extra-orçamentários privilegia interesses internos e externos à UNIR; na centralização das decisões que envolvem a distribuição dos recursos financeiros; na baixa remuneração do pessoal qualificado causando evasão dos mesmos; na incompatibilidade dos objetivos com a administração superior; na falta de investimento de agências locais, regionais e federais; no desconhecimento da comunidade externa sobre a competência do NCT; o indevido do nome do NCT e limitação da autonomia.

Por outro lado, existe um consenso acerca da dispersão de recursos e potencialidades que se encontram isoladas e os talentos mal aproveitados. O poder desse núcleo, enquanto “órgão gerencial” do Campus de Porto Velho, aponta problemas que confundem com a responsabilidade da reitoria e direção de campus universitário, segundo Militão (2002).

Nosso núcleo apresenta falta de transparência nas ações de ensino, pesquisa e extensão, corporativismo; falta de apoio e infra-estrutura ao ensino, pesquisa e extensão, limitação orçamentária, deficiência na articulação interdepartamental, de pessoal e falta de compromisso, burocratização dos serviços; má administração da prefeitura do campus; que não nos permite aproveitar os projetos de desenvolvimento regional e apoio das agências de fomento: CTINFRA / SIVAM / ANP / BASA / EMBRAPA / CPRM / GOV. ESTADO / PETROBRÁS / FINEP / FURNAS / BANCO DO BRASIL.

276

O plano de aplicação de recursos extra-orçamentários privilegia interesses internos e externos à UNIR, bem como o da centralização das decisões que envolvem a distribuição dos recursos financeiros, e ainda a baixa remuneração do pessoal qualificado que causa evasão, incompatibilidade dos objetivos com a administração superior, a falta de investimentos. Como solução estratégica, Júlio Militão (2002) aponta as seguintes alternativas:

apoiarmos em nossa qualificação do corpo docente, produção científica em fase de crescimento quantitativo e qualitativo, grupos de pesquisas, laboratórios de pesquisa atuantes, interdisciplinaridade; poderemos aproveitar os projetos de desenvolvimento regional e apoio das agências de fomento para financiamento para a construção de laboratórios e compra de equipamentos – MCT / CNPQ e na qualificação do corpo docente, produção de pesquisas atuantes, contratos interinstitucionais.

Os principais problemas elencados pelo diretor de Núcleo de Ciência e Tecnologia referem-se a baixa remuneração do pessoal qualificado causa evasão dos mesmos; limitação orçamentária; plano de aplicação de recursos extra-orçamentários que privilegia interesses internos e externos à UNIR; falta de investimento de agências locais; falta de transparência nas ações de ensino, pesquisa e extensão; falta de apoio e infra-estrutura ao ensino, pesquisa e extensão; centralização das decisões que envolvem a distribuição dos recursos financeiros; incompatibilidade dos objetivos com a administração superior; deficiência na articulação interdepartamental, de pessoal e falta de compromisso.

Conforme a professora Uda França, diretora do Núcleo de Ciências Sociais a missão desse núcleo é

“desenvolver políticas e capacidades para a produção de conhecimento, com ênfase na qualificação

de

profissionais, para o desenvolvimento sócio-econômico-ambiental” numa perspectiva de ser “referência na

produção e disseminação de conhecimento científico para o desenvolvimento sócio-econômico-

ambiental

da Amazônia”. No ano primeiro semestre de 2005, inicia-se no Campus de Porto Velho primeira turma do curso de Ciências Sociais da UNIR.

Foto 084 Fonte: VÊNERE, Mário. Primeira turma de alunos do Curso de Ciências Sociais, na aula do professor de filosofia Adilson Siqueira que oportunizou encontro com o pesquisador dessa tese, 2005.

Esse curso, segundo a acadêmica desse curso Quele Cristina (2005) “vêm preencher uma lacuna no conjunto de reclamos da comunidade acadêmica e reivindicações daqueles que acreditam na

contribuição

das ciências sociais no desenvolvimento local, regional e nas implicações internacionais”.

277

Segundo a diretora do Núcleo do Núcleo de Ciências Sociais da UNIR (UDA FRANÇA), são

considerados como sujeitos importantes: a comunidade acadêmica; governos federal, estadual e

municipal;

fundações de apoio; órgãos colegiados; agências de fomento; dirigentes; MEC; políticos regionais.

Como

fatores importantes: insuficiência de investimentos em tecnologia e infra-estrutura na UNIR; política de distribuição de recursos do governo federal para o desenvolvimento do ensino-pesquisa, extensão;

incremento de investimentos em infra-estrutura na Amazônia; políticas econômicas, previdenciárias

e

educacionais; política de emprego do governo federal; qualificação docente; processo de privatização da universidade; autonomia universitária; internacionalização da Amazônia; macro programa de desenvolvimento de tecnologia de informação da universidade. Quanto as debilidades enfrentadas por esse núcleo Maria Cristina França (2002) aponta para a:

Precariedade de infra-estrutura de tecnologia de informação e acervo bibliográfico ineficácia da política disciplinar docente ineficiência do processo de comunicação inexistência de mecanismos de avaliação de qualidade insipiência de projetos de pesquisa; precariedade de estrutura física e de instrumental de ensino, corporativismo docente, ausência de metas, amadorismo no processo de gestão, deficiência qualitativa e quantitativa de pessoal de apoio.

Quanto as potencialidades, destacamos ação de sujeitos envolvidos na política de qualificação dos professores, no processo seletivo dos discentes, programa de pós-graduação, envolvimento do docente com a instituição, avaliação positiva dos discentes (Provão), localização geográfica, intercâmbio científico com instituições congêneres nacionais e internacionais, desenvolvimento econômico da região gerando

demanda

por novos projetos; e credibilidade da UNIR pela sociedade, parcerias e intercâmbio comercial. Por

outro

lado, a direção desse núcleo registra a ausência de programas de qualificação docente em algumas

áreas;

restrições orçamentárias; saturação do mercado de trabalho, restrições de contratação de pessoal

qualificado,

dificuldades de acesso aos programas de fomento à pesquisa, reforma da previdência, política salarial, como obstáculos administrativos. Respondendo sobre as políticas e desafios Uda de Mel França (2002)

Pró-reitora do Núcleo de Ciências Sociais afirma que:

O Núcleo aposta na localização geográfica da UNIR e no intercâmbio e nas parcerias. Entretanto, destaca problemas não resolvidos como: a)inexistência de mecanismos de avaliação de qualidade; b)ausência de metas; c) Precariedade de infra-estrutura de tecnologia de informação e acervo bibliográfico; d)política salarial equivocada; e) ineficácia da política disciplinar docente; f)corporativismo docente; g) amadorismo no processo de gestão; h) restrições orçamentárias; i)ineficiência do processo de comunicação.

Quanto ao Núcleo de Educação (NED), Pe Zenildo Gomes da Silva (2002), diretor desse Núcleo afirma que é missão do NED “a formação de profissionais para atuarem na educação como sujeitos de transformação social, proporcionando um ambiente necessário para a produção do conhecimento fundamentado na articulação do ensino, da pesquisa e da extensão”. Na visão desse diretor o NED deve desdobrar-se em faculdades de Educação, Letras e Artes e de Ciências Humanas e Sociais, constituindo-se num fórum político-acadêmico atuante, tornando-se

um centro de excelência da Amazônia, enfatizando que “no NED-UNIR são considerados como principais sujeitos:

governo federal; MEC; conselho departamental, pró-reitores, reitor, professores e alunos; fundação RIOMAR; CONSUN (CONSEA/CONSAD) e CONED; representantes políticos; Secretaria de

278

Educação”.Esse diretor identifica potencialidades na ampliação de mestres e doutores, na produção acadêmica e científica e nas publicações, na implantação de centros de pesquisa e laboratórios didáticos; no

PROHACAP; na política de pós-graduação (lato sensu e stricto sensu); e nos projetos de extensão em andamento.

Foto 085 Fonte: VÊNERE, Mário. Pe Zenildo Gomes da Silva, esclarecendo os compromissos assumidos entre a UNIR e as cidades acerca da importância da universidade na luta contra os desafios regionais, 1992.

Os desafios mais impactantes estão relacionadas às políticas restritiva do governo federal relativa à distribuição de verbas para as universidades federais e a desvalorização do profissional da educação pela própria sociedade. O diretor desse núcleo Zenildo Gomes, defende a aplicação de investimentos previstos no orçamento da universidade para “intercâmbio profissional no âmbito nacional e internacional para técnicos, professores e acadêmico; convênios e parcerias com outras universidades públicas e órgãos de mesma origem; projetos e programas oferecidos pelos órgãos oficiais (CNPq, CAPES e outros)”. Assim Gomes (2002), entende que políticas devem ser direcionadas para os seguintes problemas:

Falta de infra-estrutura de apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão (tecnológica, instalações físicas – laboratórios didáticos, salas de aulas e salas de professores), deficiência na articulação política e do debate acadêmico entre departamentos e CONED, deficiência de operacionalidade nas decisões administrativas, falta de políticas de qualificação e contratação em recursos humanos (pessoal de apoio e docentes), falta de participação dos chefes de departamento nas ações efetivas do núcleo.

Como solução estratégica e respondendo pela direção do Núcleo de Educação, o Padre Zenildo Gomes

defende a qualificação e a titulação dos professores (mestres e doutores), produção acadêmica e científica; publicações, política de graduação, implantação de centros de pesquisa e laboratórios didáticos, PROHACAP; política de pós-graduação (lato sensu e stricto sensu), intercâmbio profissional no âmbito nacional e internacional para técnicos, professores e acadêmicos, convênios com outras universidades

públicas e órgãos de mesma origem, projetos e programas oferecidos pelos órgãos oficiais como, por exemplo, o CNPQ, a CAPES (GOMES, 2003).

279

Constata-se que o PROHACAP como política de parceria entre prefeituras e universidade e com participação direta do governo do estado de Rondônia destaca-se como prioridade emergencial acerca das necessidades sociais, pois são mais de dez mil professores “leigos” que estão realizando qualificação em curso de nível superior, durante as férias escolares. Universidade e sociedade são intermediadas pelos professores das diversas localidades que buscam aprimoramento para melhor responder as necessidades educacionais das localidades contempladas pelas atividades da UNIR. São considerados como problemas mais imediatos a serem resolvidos pelo Campus de Porto Velho a falta de infra-estrutura de apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão (tecnológicas instalações físicas – laboratórios didáticos, salas de aulas e salas de professores); priorização das áreas bio- tecnológicas em detrimento da área de ciências humanas, sociais e educação; falta de política de qualificação e contratação em recursos humanos; distribuição, sem critério claramente definido, das vagas de contratação de professores e técnicos pela administração da universidade; política restritiva do MEC para contratação de professores e técnicos administrativos; deficiência na articulação política e do debate acadêmico entre departamentos e o CONED; política restritiva do Governo Federal relativa à distribuição de verbas para as universidades federais; falta de participação dos chefes de departamentos nas ações efetivas do núcleo; desvalorização do profissional da educação pela sociedade; deficiência de operacionalidade nas decisões administrativas. Os dirigentes dos Núcleos vinculados diretamente a reitoria da universidade, no espaço do Campus de Porto Velho, demonstram que os Núcleos da UNIR assimilam e elaboram políticas que ocultam interesses e revelam práticas questionadas pela comunidade acadêmica, principalmente pelos campi localizados no interior do Estado. Na visão dos dirigentes de núcleos, conforme Uda Mel França (2004), há consenso quanto aos desafios enfrentados no trato com as políticas públicas em função dos problemas, como exemplo:

falta de articulação e interação entre as unidades que integram o Núcleo, falta de integração das ações pedagógicas, falta de trabalhos de pesquisa e extensão interdepartamental, Reduzida quantidade de pessoal com boa vontade, falta de integração entre unidades acadêmicas e administrativas, falta de estrutura física e técnico-administrativa, política governamental de contratação, salarial restritiva e cortes de verbas para as universidades, falta de verba para os departamentos, imposição da dedicação exclusiva, política neoliberal de desresponsabilização do governo Federal para com a área de educação, falta de apoio financeiro.

Quando questionamos que políticas seriam viáveis para responder as necessidades da UNIR e como essa visa responder as necessidades da sociedade local, temos, segundo Ana Escobar (2002):

Um conjunto de ações, oficinas de qualidade de vida, a avaliação do clima organizacional, comissão de conciliação ética, controlar os projetos de monitoramento ambiental e aterro sanitário, controlar o pessoal de serviço geral e manutenção que atuam no núcleo de saúde, explicitar como a política governamental de contratação de pessoal, salarial, garantir o mínimo de doutores, comissão de NUSAU para as discussões da política governamental de contração de recursos orçamentários e diagnósticos das implicações para o núcleo, buscar junto a Agências de Fomento recursos financeiros para a abertura de curso de mestrado na área de saúde que contemple as necessidades de formação do quadro permanente e que também vise a formação futura de profissionais para compor o Centro de Ciências da Saúde.

280

Do ponto de vista do Diretor Júlio Militão (2002) do Núcleo de Tecnologia (NCT), os principais desafios desse núcleo no sentido de contribuir na dinâmica e expansão da UNIR são:

baixa remuneração do pessoal qualificado causando evasão dos mesmos: falta de investimento de agências locais, regionais e federais. Falta de apoio e infra-estrutura do ensino, pesquisa e extensão; incompatibilidade dos objetivos com a administração superior; plano de aplicação de recursos extra-orçamentários privilegia interesses internos e externos à UNIR.

Sobre as políticas viáveis Júlio Militão (2004) aponta as seguintes estratégias: “venda de produtos e serviços” atuação política e administrativa junto aos colegiados e agências de fomento conseguir apoio político para aumento do orçamento da universidade, bem como a articulação de grupos de pressão, para enfrentar os seguintes desafios:

ausência de metas, precariedade de infra-estrutura de tecnologia de informações e acervo bibliográfico, ineficácia da política disciplinar docente, precariedade de estrutura física e de instrumental de ensino, restrições orçamentárias; inexistência de mecanismos de avaliação de qualidade, corporativismo docente, amadorismo no processo de gestão; ineficiência do processo de comunicação. Isso exige iniciativas na direção de política salarial, criar uma cultura de gestão estratégica, desenvolver e disseminar estudo para dimensionar real demanda, desenvolver um plano de audiência publica na comunidade acadêmica, desenvolver e disseminar estudos para dimensionar a real demanda; desenvolver e implementar programa de pós-graduação, extensão e educação continuada

Como políticas viáveis, destacamos a intenção de disseminar e efetivar práticas de planejamento estratégico de maneira participativa, coordenar equipes multidisciplinares para atingir o objetivo, designar comissão para atingir objetivo, estabelecer metas e programas de ações para captação de recursos financeiros, criar as normas e construir o comitê de avaliação, comparar a produção científica dos docentes da UNIR com outras IFES, tornar efetiva a gestão do Núcleo, integrar os departamentos acadêmicos na gestão do Núcleo e “ampliar a venda de serviços”, tendência a mercantilização da educação. A expressão “venda de serviço” está sendo naturalizada em todos os campi da UNIR, a idéia de que cada unidade deve “vender serviços educacionais”. O Núcleo de Educação apresenta os seguintes desafios segundo Gomes (2002):

a) falta de infra-estrutura de quanto aos apoios às atividades de ensino, pesquisa, extensão; b) Falta de participação dos chefes de departamento nas ações efetivas do Núcleo; c) deficiência de operacionalidade nas decisões administrativas; d) falta de política de qualificação e contratação de recursos humanos; e) política restritiva do governo federal relativa à distribuição de verbas para as universidades federais; f) distribuição sem critérios claramente definido das vagas de contratação de professores e técnicos pela Administração da UNIR; g) política restritiva do MEC para contratação de professores e técnicos administrativos; h) priorização das áreas biotecnologias em detrimento da área de ciências humanas, sociais e educação.

Tratando-se das estratégias, Gomes (2004) destaca diagnósticos das necessidades para suprir a infra-estrutura da universidade ampliar os canais de comunicação entre NED e chefes departamentais, acompanhamento e controle das decisões administrativas, permitir que espaços para discussão sejam criados, providenciar relatórios sobre as carências de cada departamento que compõe o núcleo, bem como

traçar um diagnóstico por setor, unidade e campi da universidade, ampliar as discussões acerca das políticas públicas etc.

281

Com base no documento da Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (UNESCO) sobre a política de mudança e desenvolvimento no ensino superior, os dirigentes da

UNIR destacam as tendências atuais e os novos desafios que o ensino superior está enfrentando, considerando a necessidade de repensar sua atuação e missão, identificando novos caminhos e

novas

prioridades onde são destacadas a expansão quantitativa, a diversificação e as dificuldades financeiras no

contexto da globalização, democratização, regionalização, polarização, marginalização e fragmentação do planeta, daí a necessidade de ensino superior relacionado ao desenvolvimento humano sustentável. Como a UNESCO propõe uma nova visão que leve em consideração a mudança como variável constante para a gestão, guiada por três palavras-chave: relevância, qualidade e internacionalização, o que

consideramos

problema, principalmente na questão da internacionalização do ensino superior advogado pela

OMC188.

Outros fatores relevantes são considerados por este documento que devem nortear a gestão

acadêmica: liberdade acadêmica e autonomia institucional, limitações de fundos públicos, o

conteúdo

interdisciplinar e multidisciplinar dos estudos, a pesquisa, o critério de qualidade e sua importância,

a

avaliação e o aumento desta qualidade, internacionalização e solidariedade internacional. Constatamos o interesse dos responsáveis pela implementação das políticas públicas na UNIR, em organizar o planejamento da universidade, com a participação de todos os chefes, diretores, pró- reitores e reitor. Como resultado o Plano de Desenvolvimento Institucional da UNIR (PDI-UNIR) é concebido na seguinte direção:

Desenhar uma base de planejamento pró-ativo que sirva como padrão de referência para a tomada de decisões e ponto de convergência das esferas administrativa e acadêmica; estimular a adoção de uma postura autocrítica e de conhecimento dos docentes, discentes, técnico-administrativos e sociedade diante do desempenho acadêmico oferecido pela UNIR; diagnosticar e avaliar como ser realizam e se inter-relacionam, na UNIR, as tarefas acadêmicas (ensino, pesquisa e extensão), administrativas e os recursos disponíveis para tal; criar e/ou redimensionar o projeto pedagógico e institucional a fim de estabelecer compromissos, responsabilidades e parcerias com a sociedade regional em busca de um desenvolvimento auto sustentado e participativo. (ENE GLÓRIA, 2002).

Por outro lado, a Associação Docente da UNIR (ADUNIR), que representa os professores da UNIR destaca a prioridade em estudar e implementar mudanças no cotidiano dos processos

decisórios

administrativos e acadêmicos tornando os projetos pedagógicos e considerando a conjuntura

política na qual está inserido o ensino público superior. Essa associação docente é vinculada a ANDES e participa

nos

eventos regionais e nacionais contribuindo no processo de análise, elaboração e implantação de

políticas

públicas aplicadas nas universidades federais. Do ponto de vista acadêmico, local, tem privilegiado

eventos

188 Em nota oficial do dia 7 de junho de 2006 o ministro da educação Tarso Genro, em audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, afirma que o Brasil não apresente qualquer oferta de abertura de seu mercado da educação, sob pena de perder seu poder regulatório. A audiência foi convocada para debater a Inclusão da Educação no Acordo Geral de Tarifas e Comércio da Organização Mundial do Comércio (OMC). Tarso Genro argumentou que, ao regulamentar e supervisionar a educação, pública ou privada, o Estado fortalece a identidade cultural do seu povo, seu compromisso ético e cívico com o país e com a elevação dos níveis de bemestar social. “O Brasil considera a educação um direito e um bem público, não uma mercadoria ou serviço comercializável, sujeito às leis de mercado”.

282

de caráter reflexivo através de palestras, seminários, congressos e encontros realizados, como por

exemplo,

no encontro com Paulo Freire (1997).

Foto 086 Fonte. VÊNERE, Mário. Inauguração do Centro de Vivência Paulo Freire. Reitor Osmar Siena, Secretário de Estado de Educação Dirceu Bettiol, Paulo Freire, Adilson Siqueira (Chefe de Gabinete da reitoria) e Aroldo Leite (primeiro presidente da RIOMAR).

O significado da presença de Paulo Freire na UNIR representa uma das tendências da prática

educacional realizada nessa universidade. Além do econômico é prioridade na comunidade

acadêmica

local, a luta pela inclusão social através da educação como meio articulatório político onde o

“social”

antecede os interesses mercadológicos. Essa tendência é representada pelos sujeitos da universidade

em

repensar a UNIR em uma perspectiva crítica na dinâmica multicampi.

Observamos outras tendências com pouco interesse em repensar os núcleos enquanto estrutura acadêmica, administrativa e hierárquica da UNIR.

O “jogo coorporativo” é reforçado pela existência das facções e partidárias de políticas diferentes

aplicadas no processo de interiorização e consolidação da UNIR enquanto instituição multicampi;

cinco

grupos trabalham na direção: a) movimento pró-interiorização da UNIR; b) movimento contra a interiorização da UNIR; c) movimento pró-novas universidades federais no Estado de Rondônia; d) movimento pró-universidade estadual de Rondônia; e) movimento pró-privatização da UNIR. Nesse

campo

de tensão e conflitos, o fortalecimento dos núcleos da forma como está estruturado, dificulta o

processo de

interiorização, pois todas as políticas aplicadas tratam os campi do interior como um apêndice do

Campus

de Porto Velho, que de fato existe, mas é legitimado pela presença física do reitor, pró-reitores e diretores de Núcleos que ocupam o espaço “inexistente” da direção do Campus de Porto Velho.

283

4.2 - Campus Universitário de Guajará-Mirim189

Foto 087 Fonte: OLIVEIRA, Rosângela. Campus de Guajará-Mirim, 2002.

Fazendo uma retrospectiva histórica e analisando o relatório assinado, em 1990, pela representação do Campus de Guajará-Mirim, destacamos a descrição da realidade universitária local acerca da

relação

entre a prefeitura, o Campus e a comunidade acadêmica da UNIR. Assim, passados dois anos do início das

atividades da dessa universidade na cidade, identificamos os desafios iniciais que foram superados

no

âmbito desse local. Embasado em documento redigido pelo professor Celso Ferrarezi Jr, o

documento

abaixo transcrito sintetiza a visão dos dirigentes da época (1988 a 1990) acerca dos problemas

enfrentados

pelos partidários da interiorização.

189População em 2004 é de 42.075 (IBGE). O nome do município de Guajará-Mirim é de origem indígena que significa Cachoeira (Guajará) Pequena (Mirim), assim já era conhecido o local desde o século XVIII, como um dos pontos de referência geográfica na rota Santa Maria Belém-do-Pará/Vila Bela da Santíssima Trindade em Mato Grosso. No início do século XX tornou-se mais conhecido ao ser o local escolhido para o ponto terminal da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (concluída em 30 de abril de 1912 e inaugurada oficialmente em 01 de agosto deste mesmo ano). No dia 12 de julho de 1928, o povoado de Guajará-Mirim era levado a categoria de cidade, passando a ser sede do Município do mesmo nome, através da Lei n.º 991, do Governo do Estado do Mato Grosso e foi instalado em 10/04/29. Em 1943, passou a constituir-se parte integrante do Território Federal do Guaporé

(Rondônia), nas condições de município, ostentando o seu nome original de Guajará-Mirim, cognominada a “Pérola do Mamoré”. Apresenta uma área de 25.214,0 Km²; Altitude: 195m; Latitude: 10º47’55’’Sul ;Longitude:

65º23’00’’ Oeste de Greenwich; com os seguintes limites: Iata e Surpresa Limites – Norte: Nova Mamoré; Nordeste: Campo Novo de Rondônia e Governador Jorge Teixeira; Leste: São Miguel do Guaporé e Seringueiras; Sul e Sudeste: Costa Marques; Sudoeste: República da Bolívia; Oeste: República da Bolívia; Noroeste: República da Bolívia.

284

Foto 088 Fonte: CCG. Prof. Celso Ferrarezi Jr. Coordenador do Curso de Letras e secretário da representação do Campus de Guajará-Mirim (a título de colaboração), responsável pela redação do documento abaixo transcrito. Essa foto ilustra o momento em que discursava como diretor pro tempore, na colação de grau da primeira turma de pedagogia do Campus, 1993.

Ferrarezi (1990) enquanto representante do Campus de Guajará-Mirim e demais membros da representação da reitoria enfatizam:

a) indefinição e não cumprimento do convênio 007/UNIR-PMGM; b) falta de coordenações de curso; c) isolamento total da Representação quanto a informações e trabalhos da sede da universidade; d) biblioteca composta de 300 títulos e duas estantes de madeira; e) patrimônio da UNIR, composto de quinze bibliocantos; f) trabalhos de secretaria totalmente desorganizados e desestruturados; g) falta total de recursos pedagógicos; h) interferência inadequada do corpo discente nas questões administrativas do campus; i) falta de relacionamento político entre a universidade e todas as autoridades locais; j) falta de conscientização comunitária quanto a importância da universidade no município.

Comprova-se desorganização e fragilidade acadêmica, institucional na realidade encontrada. Por outro lado, nesse mesmo ano, com a colaboração da comunidade acadêmica e determinados membros da cidade o Campus de Guajará-Mirim alcançou em dezembro de 1990, conforme documento “Relatório da Representação do Campus Avançado Pérola do Mamoré - RCA - 1990”, as seguintes conquistas:

a) aprovação das seguintes leis que resolvem a questão citada no tem a. supra: Lei 324/90-PMGM, Projeto de lei 020/90-PMGM, com conseqüente regularização do convênio 007/PMGM/UNIR; b) eleições das coordenações e respectivos colegiados; c) melhoria sensível das informações entre o campus e a sede, bem como presença constante de docentes deste Campus na sede; d) biblioteca composta por 3.300 livros, com mais de 2.300 títulos, angariados em doações e comprados, bem como, dez estantes de aço e duas de madeira, um arquivo de aço e um fichário com móvel de aço, bem como a disposição de uma diretora e três auxiliares, sendo a diretora co nível superior e os auxiliares com segundo grau; e) patrimônio da UNIR no Campus; f) através da orientação do Pe Zenildo G. Silva e do trabalho das coordenações (Carmen Tereza Velanga Moreira - Pedagogia e Celso Ferrarezi Jr. -Letras), hoje a secretaria encontra-se estruturada, organizada e em dia, com uma secretária para cada curso; g) hoje o campus possui boa biblioteca, um televisor de vinte polegadas a cores, um aparelho de vídeo-cassete, um retroprojetor, mapas e material de consumo para uso dos professores, além de uma máquina xerox, para a reprodução de material didático, entre outras coisas.

Esse campus é singular na medida em que seus representantes discentes, docentes e funcionários disponibilizados por outros seguimentos da comunidade local, num contexto onde no primeiro momento a

285

UNIR é a favor da construção do campus Universitário nessa cidade e paralelamente o poder

executivo

dessa cidade é contra (1984/1987), e em outro momento a cidade através dos movimentos sociais e

estratégias da representação local aglutinam forças pró-ensino superior a favor da construção do campus:

paralelamente é a UNIR sede, através da administração superior que tenta vetar a estrutura de

campus

universitário para a cidade de Guajará-Mirim articulando lideranças civis militares e religiosas para conseguir desde um televisor, livros e equipamentos até a vinda de representantes de universidades

do

exterior para a implementação de curso de pós-graduação stricto senso nessa localidade. E onde está

a

singularidade, senão na capacidade de articulação de indivíduos, forças e grupos num propósito

definido,

assimilado?

Segundo Paulo Medeiros, pioneiro no processo de implantação da UNIR “cabe a capacidade de

cada um, respeitando a condição de cada um, porque cada um tem seus sustentáculos e o diabo tem

os dele;

cabe a nós compreendermos a dimensão da política e a forma como manejamos tal política. Somos

e temos

que ser políticos para conseguir as coisas”.Constatamos uma seqüência de procedimentos que

resultaram

em conquistas políticas materializadas em condições favoráveis a consolidação do campus

universitário e

demonstrando como a UNIR foi se constituindo numa universidade multicampi. Assim, o

documento

RCA-1990 registra:

h) estruturação organogramática do campus definida; i) foi firmado um bom entrosamento entre a administração do campus e os poderes públicos municipais, além de outras instituições. Firmou-se, também, acordo de colaboração mútua e assessoramento da UNIR nos mais variados trabalhos da prefeitura; j) através de várias campanhas comunitárias, bem como difusão em rádio e jornais, hoje há reconhecimento local quanto a importância desta

instituição no município, o que se revela no compromisso firmado entre as lideranças municipais e a administração do campus para realização das diversas obras e dos programas do campus para o próximo ano, como por exemplo,

na doação de 154.000 m2 em área nobre do município (

)

O ônus para o início dos cursos da UNIR, no interior de Rondônia ficou a cargo e responsabilidade

de cada município – pagamentos de professores, livros, instalações físicas etc. – que até certo ponto

cumpriu

o compromisso assumindo. No caso específico do terreno para construção dos campi, enfatizamos

que

todas as áreas de terras que abrange os campi da UNIR, nenhuma foi comprada ou disponibilizada

pela

esfera federal, ao contrário, a União incorporou ao seu patrimônio todas essa áreas doadas, observando que

cada doação teve inúmeras ações e atitudes localizadas que implicava em articulação e desgaste pessoal dos envolvidos no processo, conforme atestam os depoimentos relatados e expressos nesse trabalho de pesquisa. Nesse documento que vai assinados pelo representante e coordenadores dos cursos registra as

ações:

Das coordenações: além de apresentar os relatórios das Coordenações de curso, que pensamos ser a melhor forma de

discorrer sobre as mesmas, são considerações gerais desta representação quanto a elas: a) além de desenvolverem seus trabalhos específicos sempre em dia, as coordenações atuaram decisiva e integralmente nos trabalhos desta representação; b) foram, também, as coordenações as responsáveis diretas pelos trabalhos realizados entre o campus e a prefeitura municipal; c) as coordenações agiram de modo abnegado e sóbrio, pois apesar de merecerem gratificações, trabalharam arduamente, com disciplina e dedicação e nada receberam em troca; sequer uma ajuda de

custo nas viagens por parte da UNIR (

quais apenas seis do quadro permanente da UNIR. Tal situação tem se revelado o maior problema desta administração, observando num grande desinteresse pela causa universitária por parte dos professores em situação de conveniados, os quais se apresentam como fazedores de “bico” na instituição. As próprias dificuldades de horário

286

para reuniões administrativas e pedagógicas se apresentam como empecilho para esses professores, de forma que sua desinformação passa a ser grande obstáculo aos corretos encaminhamentos do trabalho das coordenações e, por conseqüência, da representação. Há, certamente, casos isolados de professores conveniados que tem demonstrado interesse por uma carreira de magistério superior aos quais louvamos o interesse, ressaltando que são poucos. (

corpo discente: após a definição organogramática, definição das coordenações e estruturação do campus, percebeuse

sensível melhora no rendimento de grande parte do alunado, sendo que suas atenções forram voltadas para as questões de aprendizagem. Pensamos, porém, que a forma como se encaminham as questões apresentadas pelos discentes nem sempre - ou quase nunca - é a melhor. Uma série de vezes é ferida a própria estrutura do organograma da instituição, passando-se por cima das coordenações, representações e dos Departamentos, o que causa um desnecessário conflito interno de opiniões e informações que não se confirmam mutuamente. (Carmen

)

Do corpo docente: são professores neste Campus dezoito pessoas, das

) Do

Tereza Velanga Moreira – coordenadora do Curso de Pedagogia; Celso Ferrarezi Jr. – coordenador do Curso de Letras e – representante da Reitoria no Campus Avançado “Pérola do Mamoré”, dez. 1990).

O exemplo da descrição acima citada se repete em todos os campi, sendo constatado inúmeros conflitos decorrentes da desarticulação entre poderes constituídos e potencialidades dispersas nas localidades. Assim, toda vez que as lideranças se organizam em torno de uma motivação comum, os trabalhos na direção da consolidação dos campi avançam. Caso contrário verificamos alguns retrocessos, como por exemplo, o descredenciamento do curso de mestrado em lingüística do campus em questão, ocorrido no final do ano de 2004. Quanto as dificuldades e acertos apontados pela representação do campus, colaboram para o entendimento acerca das necessidades internas e externas à instituição universitária que chega na cidade com o status de Universidade Federal, mas na prática não traz os recursos necessários. Transfere tal responsabilidade para a comunidade local, o que obriga cada representante da reitoria em cada localidade cumprir o princípio da “teimosia”, do “salve-se quem puder”, ou ainda do “se vira”. Vários membros da administração superior respondem as reivindicações dos campi do interior da seguinte forma:

“vocês não queriam curso superior na cidade? Muito bem, então, agora se vira, corra atrás do prefeito”. (MAURO CARNEIRO, 1990, referindo-se ao diretor do Núcleo de Educação da UNIR – Porto Velho).