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informalidade e

insurgência
teoria e prática de
planejamento urbano

Frederico Leite sob orientação de Clarissa Freitas


resumo

O projeto de pesquisa “Informalidade urbana em Fortaleza: planejamento insurgente e a visualização das


disputas urbanas” buscou compreender os conceitos de insurgência e informalidade segundo a literatura
internacional com o intuito de ampliar a discussão sobre a teoria de planejamento urbano no Brasil e criar
um novo ponto de vista de análise sobre as ações empreendidas por movimentos sociais urbanos em
Fortaleza. No Brasil, têm se tornado cada vez mais frequente a atuação de movimentos sociais que não se
apoiam unicamente na democracia representativa, mas que questionam o status quo e transformam o
espaço urbano independente do Estado, processo denominado por Holston (2008) de cidadania
insurgente. A literatura internacional, por sua vez, observa um crescente movimento ao redor do globo
em que os cidadãos marginalizados e ignorados pelo planejamento urbano tomam para si práticas que
reivindicam o direito à cidade. Estas práticas foram conceituadas como planejamento urbano insurgente
(Miraftab, 2012) e são caracterizadas pela ação direta em oposição a uma ordem instaurada que
negligencia a coletividade e pela criação de espaços de discussão autônomos e não previstos no aparato
estatal. Esta nova dimensão do planejamento aflorou em diversos países nos últimos anos, por meio de
manifestações como passeatas e ocupações de espaços públicos. Compreendendo a influência desse
movimento global, pretende-se analisar o movimento Ocupe o Cocó, um exemplo de prática de
planejamento insurgente que nos permitiu identificar diversos elementos que contribuíram para a
consolidação da cidadania insurgente em Fortaleza.
introdução
projeto de pesquisa “Informalidade urbana em Fortaleza: planejamento
insurgente e a visualização das disputas urbanas”.
introdução

conceitos de insurgência e informalidade segundo a literatura internacional

ampliar a discussão sobre a teoria de planejamento urbano no Brasil

criar um novo ponto de vista de análise sobre as ações empreendidas por movimentos sociais urbanos em
Fortaleza
objetivos
relacionar o fenômeno da informalidade urbana com a teoria do
planejamento insurgente, enfatizando em particular a invisibilização das
disputas urbanas e territoriais nos atuais processos decisórios sobre o
planejamento urbano.
objetivos

● produzir conhecimento sobre o fenômeno da informalidade urbana e sua significância para a teoria
do planejamento urbano, contrastando as perspectivas dos atores políticos locais com a literatura
internacional a respeito do tema.
● ampliar o conhecimento sobre a teoria do planejamento urbano no Brasil.
● avaliar o grau de conhecimento dos diversos agentes políticos sobre os efeitos socioespaciais dos
planos urbano considerados.
● produzir informações sobre as disputas territoriais e os efeitos socioespaciais dos planos urbanos
em Fortaleza.
● identificar e apoiar instâncias de planejamento insurgente em Fortaleza.
metodologia

revisão da observação
literatura em participante e
estudo de caso
torno dos análise
temas centrais documental
resultados
formação da cidadania
Cidadania brasileira e a possível
Insurgente subversão do modelo
Holston, 2008 estabelecido

Informalidade
expansão do conceito de
Urbana
informalidade urbana
Roy, 2005
revisão da
literatura em
torno dos
temas centrais

Planejamento participativo x insurgente


Insurgente invited x invented
Miraftab, responsabilizar o estado
2012
Cidadania
Insurgente
Holston, 2008

Informalidade
Urbana
Roy, 2005
revisão da
literatura em informalidade como uma
torno dos das estratégias usadas
temas centrais pelos grupos vulneráveis
na luta por direitos

Planejamento
Insurgente
Miraftab,
2012
Encontros de
Ocupe o Cocó
grupos de Produção
Lagoa da
resistência de científica
Viúva
Fortaleza

ArqPET

observação
participante e
estudo de caso
análise
documental
Visita da
professora
Miraftab
Faranak
Insurgência,
Planejamento
e Urbanismo
Humano
discussão
informalidade e insurgência

- contrato social: abdicar de liberdades individuais em troca de representatividade


- conceito moderno de cidadania: engloba direitos e deveres associados ao pertencimento a uma
comunidade política enquadrada pelo estado-nação
- contra-poder: contesta o status-quo
- cidadania insurgente.
- políticas de planejamento como mediações tendenciosas
- canais de comunicação institucionalizados pouco representativos.
- os espaços convidados e espaços inventados
- planejamento urbano insurgente e são caracterizadas pela ação direta empreendida por um grupo
marginalizado em oposição a uma ordem instaurada que negligencia a coletividade e cria um
espaço de discussão autônomo e não-institucional.
- informalidade urbana como modo de urbanização que não é regulamentado pelo poder público
- estratégia para questionar questões essenciais do planejamento do Estado
teoria e prática: “Ocupe o Cocó”

- análise restrita à produção de artigos


- dois estudos de caso: Ocupe o Cocó e a Lagoa da Viúva
- “Ocupe o Cocó”, reação a uma obra rodoviarista que comprometeu um trecho de área verde do
Parque do Cocó.
- amplamente publicizado, visto que manifestantes acamparam na área do Parque durante cerca de
um mês, além do local em questão estar situado em uma região de grande visibilidade para o
mercado imobiliário.

- volta da discussão da poligonal do Parque no âmbito do Fórum Cocó e a criação do grupo Direitos
Urbanos Fortaleza. 
- criação de novos espaços de negociação
- ocupação de espaços públicos
- programação educativo/cultural
- concurso de propostas
- forte impacto na percepção de planejamento urbano
que tipo de insurgência?

- encabeçado por grupos organizados que não representam a militância periférica atuante na
cidade, principalmente no que concerne à problemática da falta de moradia.
- as intervenções contestadas estavam inseridas em uma área economicamente privilegiada da
cidade, fato que lhe concedeu maior visibilidade midiática.
- O Ocupe o Cocó representa um grupo específico de pautas urbanas, que não são as que
predominam no histórico de movimentos insurgentes no Brasil, mas que estão cada vez mais
conectadas em metrópoles que as questões de moradia, ambientais e mobilidade muitas vezes se
cruzam num mesmo território.
- Portanto, considera-se que o Ocupe o Cocó contribuiu no desenvolvimento de uma cidadania
insurgente que se consolida através da fiscalização popular das alterações de espaços públicos
propostas pelo Estado.
conclusões
conclusões

Pode-se considerar o Ocupe o Cocó como planejamento urbano insurgente por se tratar de uma ação
direta de ocupação de um espaço legitimamente público que reivindica um espaço urbano de qualidade e
uma maior atenção para a mobilidade urbana no âmbito dos pedestres, ciclistas e transporte coletivo.

Os casos ilustram como planejamento urbano serve de ferramenta de ordenamento espacial do Estado
que afeta diretamente o cotidiano da sociedade, e que faz a mediação entre as necessidades e
reivindicações dos diversos agentes nas cidades contemporâneas. A leitura dos casos estudados à luz dos
conceitos teóricos discutidos revelou algumas estratégias de participação social podem ser consideradas
instrumentos inovadores diante da metodologia tradicional do planejamento, na medida que se admite
que o Estado atende a diversos interesses e elabora um espaço específico para os interesses coletivos. No
entanto, esses ambientes revelaram-se com mais frequência ambientes rígidos, limitando-se a consultas
pontuais. A ineficácia dos invited spaces, representados pelo planejamento participativo, fomenta o
surgimento de um novo modelo de planejamento urbano, o planejamento urbano insurgente. 
obrigado