Você está na página 1de 13

1 INTRODUÇÃO direito desta demonstração de renda mostra a fonte

de todos os lucros da empresa, durante o ano. Neste


A demonstração de produto nacional dos
exemplo, convencionamos que a Companhia X
Estados Unidos é apresentada pelo Departamento
vendeu mercadorias num total de U.S.$2 milhões.
de Comércio daquele país de uma forma muito
Deste total, toda aquela importância, menos
similar de como o faz uma empresa particular. Este
U.S.$125 000, foi derivada de vendas de
fato não deve causar nenhuma surpresa, já que
mercadorias a outras empresas. Estes U.S.$125 000
ambas estas contas são formuladas por razões
advieram de vendas de mercadorias a unidades
muito semelhantes. Na verdade, uma grande parte
econômicas distintas das empresas, isto é, de
do material usado na confecção da conta do produto
vendas ao setor não empresarial da economia.
nacional é derivada dos balanços das empresas.
Estes balanços são tomados como nossos pontos de O lado esquerdo da demonstração de
partida. renda mostra a distribuição destes lucros entre os
vários custos em que tenha incorrido a empresa,
como consequência da efetivação do processo de
2 CONTAS DE RENDA E DE produção, assim como para a obtenção de lucros.
PRODUÇÃO DE UMA EMPRESA Para a Companhia X estes custos compreendem,
HIPOTÉTICA primeiro, os materiais comprados de outras

Ao final de um período contábil, uma empresas, num total de U.S.S780 000 Em segundo

empresa redigirá uma demonstração sumária de lugar, eles incluem os custos dos fatores, a saber,

suas operações, mostrando o seu progresso durante salários e ordenados, no total de U.S.S800 000,
aquele período. Esta demonstração, que condensa a contribuições de segurança social a cargo da

multidão de transações diárias em uma forma empresa, total de U.S.$25 000 e juros líquidos

organizada, é chamada a “demonstração de renda” pagos pela Companhia, U.S.$20 000\ O elemento

(*). É um histórico dos fluxos de produto e renda, final de custo são os pagamentos que não

tidos pela firma ao longo de um dado período de correspondem a pagamentos de fatores. A

tempo. Companhia cobrou U.S.$60 000 de seus lucros


correntes como uma quota para a depreciação por
A Tabela 1 apresenta um exemplo de uma
desgaste, quebra ou obsolescência de seu capital de
demonstração de renda para uma empresa
equipamento. Esta quota de depreciação é a
hipotética, que chamaremos Companhia X. O lado
redução calculada no valor do capital de
equipamento ao longo do período contábil. Os residual, a Companhia paga U.S.$148 000 de
impostos indiretos, tais como os impostos sobre o impostos sobre os lucros, e também U.S.$100 000
consumo e a propriedade, acrescentaram U.S.$30 aos acionistas, na forma de dividendos. Os
000 ao custo total. restantes U.S.$37 000 representam os lucros não
distribuídos, que podem ser utilizados como fundos
A dedução destes custos das receitas
operacionais, em futuras expansões e outros fins
correntes deixa um lucro residual, que é a renda do
análogos.
fator empresa, de U.S.$285 000. Deste lucro
Tabela 1 — Demonstração de renda simplificada, da Companhia X, do período de IV de janeiro de 1968 a 31
de dezembro de 1968 (milhares de dólares)
Despesas Receitas

Compras de outras empresas $ 780 Vendas a:


Salários e ordenados 800 Companhia A $ 810
Contribuições da segurança social 25 Companhia B 240
Juros líquidos 20 Companhia C 650
Depreciação 60 Companhia D 175
Impostos indiretos incidentes Outras vendas 125
sobre a empresa 30
Lucros antes dos impostos 285
Impostos sobre os lucros $ 148
Dividendos pagos 100
Lucros não distribuídos 37
Total das despesas correntes $ 2 000 Total de receitas correntes $2 000

*) Demonstração de Lucros e Perdas na terminologia brasileira (N. do T.).

1) Este total aparecerá no lado direito da demonstração de renda de outras companhias do sistema
econômico.

Ambos os lados da demonstração de renda produz. Somente quando as variações físicas dos
devem estar igualados. O lado direito dá as receitas estoques forem iguais a zero, o lado direito da
totais, e o esquerdo mostra como se distribuíram demonstração de renda se igualará ao valor da
estas receitas entre os vários itens de custo e o produção corrente. Consequentemente, as
lucro. O lucro é a partida que balanceia a conta que variações líquidas nos estoques devem ser
pode ser positivo ou negativo, ou, ainda, igual a conhecidas, se a produção corrente, em vez das
zero, dependendo das magnitudes relativas das vendas correntes, deve ser determinada.
receitas e dos custos.
Na Tabela 2 a demonstração de renda da
Apesar das demonstrações de renda das Tabela 1 foi transformada em uma demonstração
unidades econômicas de produção, existentes da produção. As diferenças entre as duas tabelas
dentro da economia, serem a base das contas resultam do fato de que um diferente conjunto de
nacionais, elas não proporcionam todas as mercadorias está sendo considerado. O lado direito
necessárias informações para a sua elaboração. E da Tabela 2 inclui o valor dos aumentos dos
isto porque uma demonstração de renda não mostra estoques, enquanto que os custos dos fatores, que
a produção total, mas tão somente as vendas figuram no lado esquerdo, foram ajustados para
correntes. Uma empresa pode vender mais do que incluir os custos de produção das mercadorias
produz, fazendo baixar os seus estoques de adicionadas àqueles estoques. Visto que no
produtos terminados, ou pode vender menos do que exemplo presente a variação líquida nos estoques é
positiva, o valor da produção total, como está
mostrado na Tabela 2, é maior do que os
recebimentos totais, que aparecem na Tabela 1.

Tabela 2 — Demonstração da produção para a Companhia X, para o período de 1º de janeiro de 1968 a 31


de dezembro de 1968 (milhares de dólares)
Distribuições Receitas

Compras de outras empresas $ 820 Vendas a:


Salários e Ordenados 846 Companhia A $ 810
Contribuições da Previdência Companhia B 240
Social 27 Companhia C 650
Juros líquidos 20 Companhia D 175
Depreciação 60 Outras vendas 125
Impostos indiretos sobre a Aumento dos estoques 100
empresa 30
Lucros antes dos impostos 297
Lucros não distribuídos 42
Dividendos pagos 100
ofícios $ 155
Impostos sobre os bene-

Distribuição do valor total da Valor total da produção $2 100


produção $2 100

Tivesse a Companhia vendido mais do intermediários). Esta diferença se chama “valor


que produziu, durante o período contábil, e o líquido adicionado”, ou “valor do produto final”.
oposto teria sido o caso. Com efeito, o lado direito Este valor líquido adicionado é que constitui a
da Tabela 2 teria mostrado um valor total de contribuição da Companhia X para o produto
produção de menos do que U.S.$2 milhões. Os nacional. Incluir o valor total da produção de cada
custos e os benefícios, no lado esquerdo, também unidade produtiva, seria contabilizar o valor de
teriam sido menores, sendo apenas estas alguns produtos tantas vezes quantas tivessem estes
quantidades atribuíveis à produção corrente produtos se movimentado no seio da economia.
realizada.
Uma ilustração bastante simples ajudará a
Apesar do valor total da produção da esclarecer este ponto. Tomemos, por exemplo, uma
Companhia X ter sido de U.S.$2,1 milhões, a sua fôrma de pão adquirida por um consumidor.
contribuição para a produção final foi ligeiramente Suponhamos que foram quatro as unidades
inferior a este número. A Companhia X comprou produtoras que contribuíram para a fabricação e a
matérias-primas e produtos semiacabados de outras distribuição do pão. Suponhamos, também, que o
empresas, aumentou os valores destes dois itens ao valor do trigo em grão produzido pelo agricultor
submetê-los ao processo de produção, e, ou vendeu seja de 5 centavos de dólar, e que o valor total da
os produtos terminados a outras unidades produção (para a fôrma de pão) do moageiro seja
econômicas, ou agregou-os aos seus estoques. A de 12 centavos e a do padeiro 20 centavos, e que o
quantia pela qual esta empresa aumentou o valor vendeiro a vende por 25 centavos. Adicionar os
dos materiais recebidos de outras empresas é valores totais da produção, mostrados nas diversas
mostrado pela diferença do valor total da produção contas de produção, dará um valor total de 62
e o custo dos referidos materiais (produtos centavos. Mas o consumidor pagou apenas 25
centavos pela fôrma de pão. O valor correto, que é incorre a empresa, como em se deduzindo o valor
de 25 centavos, é o resultado da adição dos valores dos produtos intermediários do valor total da
líquidos de cada uma das unidades produtoras. O produção. Os especialistas em renda nacional
valor líquido ganho pelo agricultor (supondo-se adicionam a cifra do valor líquido adicionado de
que não tenha adquirido nenhuma mercadoria ou uma unidade empresarial ao fluxo corrente do
material de terceiros) é de 5 centavos. O do produto (lado direito das contas nacionais) e ao
moageiro foi de 7 centavos (12—5). Do mesmo total equivalente dos custos em que se incorre no
modo, o do padeiro foi de 8 centavos e do vendedor fluxo de renda (que figura no lado esquerdo das
de pão 5 centavos. A soma destes valores líquidos contas nacionais).
é 25 centavos, ou seja, o valor do custo da fôrma de
pão para o consumidor. A cifra de 62 centavos
resulta da contabilização dos 5 centavos do 3 AS CONTAS NACIONAIS

agricultor, quatro vezes; dos 7 centavos do


moageiro, três vezes; dos 8 centavos do padeiro,
Na apresentação de suas estimativas de
duas vezes, e dos 5 centavos do vendedor, uma vez.
renda nacional, o Departamento de Comércio
Não haveria necessidade de considerar começa pela divisão básica da economia nos
este problema, se a economia fosse de tal modo setores: empresarial, pessoal (família e instituição),
integrada que umas certas empresas fabricassem de Governo e estrangeiro (resto do mundo). Este é
somente produtos finais, e que o resto das empresas o único dos diferentes esquemas que poderiam ser
não produzissem nenhum. Neste caso, a soma da usados, e estimativas são apresentadas por
produção das primeiras representaria o produto diferentes indústrias, níveis de instituições
finai total. Naturalmente, na realidade muitas estaduais e financeiras e associações não
empresas fabricam tanto produtos finais como financeiras. No entanto, como será esclarecido
intermediários, de tal modo que é necessário que depois, há sólidas razões baseadas nas diferentes
ambos sejam distinguidos, em cada empresa, antes posições em relação às decisões econômicas, que
que o produto nacional total possa ser determinado. fazem os quatro setores se aproximarem de maneira

Retomando à Tabela 2, observe que o mais útil para nossos propósitos.

valor líquido adicionado da Companhia X será Setor das empresas. — Em adição às


exatamente igual aos custos não incorridos pela empresas sociais, o setor das empresas, inclui todas
empresa na compra de produtos intermediários, as organizações produtoras de bens e serviços
como consequência da produção. Isto é, se o valor vendidos a um preço que tenha por fim cobrir, pelo
dos produtos intermediários é deduzido de ambos menos, o custo da produção. Esta definição é
os lados da conta de produção, o equilíbrio não é suficientemente ampla para incluir empresas do
alterado. Isto ilustra o fato de que o valor líquido Governo tais como a Tennessee Valley Authority.
adicionado pode ser calculado tanto em se somando Também ficam incluídas as empresas não sociais,
os custos dos fatores e dos não fatores em que tais como as empresas familiares, trabalhadores
agrícolas, profissionais independentes e os americana, baseada em dados de 1965, está
arrendadores de propriedades imóveis. Finalmente, demonstrada na Tabela 3. Muitos dos itens já são
inclui os intermediários financeiros, tais como conhecidos, eis que foram discutidos na
bancos, companhias de seguros e outros. demonstração de produção da Companhia X, dada
na Tabela 2; a apresentação de alguns itens, no
Uma conta consolidada de renda e de
entanto, é ligeiramente diferente.
produto do setor de empresas da economia
Tabela 2-3 — Conta consolidada de renda e produção das emprêsas, 1965
(Bilhões de dólares)
Vendas das emprêsas a:
1. Remuneração de empregados $ 307
2. Salários e ordenados $ 279 17. Setores pessoal, Govêrno
3. Suplementos 28 e estrangeiro $ 484
4. Renda do proprietário 56 18. Emprêsas em conta de
5. Renda pessoal por aluguéis 18 capital 98
6. Juro líquido 17 19. Variação líquida no estoque 9
7. Lucros de sociedades anô
nimas e ajustes de valorização de
estoque 71
8. Bxigível de imposto
sôbre lucros 31
9. Dividendos (internos) 18
10. Lucros não distribuídos 24
11. Ajustes de valorização
de estoque -2

12. Renda gerada 469


13 Impostos indiretos
sôbre emprêsas 62

14. Contrapartidas do pro
duto líquido das emprêsas 531
15. Depreciação 60
16. Contrapartidas do produto —
bruto das emprêsas $ 591 20. Produto bruto das emprêsas $591

Por exemplo, o lado direito da conta, que A renda do proprietário, no lado esquerdo,
inclui somente as figuras para a venda do produto é um item estranho. Esse item inclui a renda líquida
final, está dividido entre as vendas para os setores de empresas não constituídas em sociedades, tais
pessoal, do Governo e estrangeiro e vendas para o como profissionais, fazendeiros e vários pequenos
“setor de empresas em conta de capital”. empresários que não são legalmente associados. Se
Discutindo a demonstração da produção da essas empresas fossem consideradas sociedades,
companhia X, notamos que as vendas para as outras seus lucros, ordenados e juros sobre o capital
firmas representaram produto intermediário e não investido por proprietários, seriam incluídos em
final. No entanto, a venda dos bens de capital entre itens próprios, nas contas. Porém, esses vários itens
empresários é tratada como produto final. No repetidos usualmente, não são calculados
próximo capítulo, falar-se-á mais a esse respeito. O separadamente pela maioria das empresas não
item “variação líquida nos estoques” é o valor constituídas em sociedades, e assim a renda líquida
corrente da variação física total em todos os agregada que inclui alguns de todos os
estoques mantidos pelo setor das empresas. Apesar componentes (mais um ajuste de valorização de
disto representar produtos não vendidos, é, no estoques) é introduzida num item separado.
entanto, parte da produção corrente, e é, portanto,
O subtotal “renda gerada” no lado
incluída no fluxo de produto.
esquerdo da Tabela 3 de U.S.S 469 bilhões,
representa os pagamentos totais de fatores feitos
pelas empresas. Este total inclui salários e ligados aos negócios imobiliários. As empresas
ordenados, as rendas pessoais (inclusive as rendas imobiliárias são consideradas iguais a qualquer
imputadas), os juros líquidos pagos pelas empresas outra empresa, e as suas rendas por aluguéis são
(juros pagos menos os juros recebidos) e os tratadas como parte da renda do setor das empresas.
benefícios das empresas sociais e das não sociais.
O tratamento dos impostos é um dos
Em cada caso, o item de lucros inclui um ajuste da
problemas mais difíceis que se apresentam ao se
valorização dos estoques, com o objetivo de extrair
separar as rendas dos fatores das dos não fatores da
do mesmo qualquer elemento de “ganho” ou
conta consolidada de renda e de produto. Esta cifra
“perda” nos estoques, como resultado das variações
de U.S.$469 bilhões, de renda gerada que aparece
dos preços. Isto assegura que os dois lados da conta
na Tabela 3, inclui os impostos sobre as rendas
permanecerão equilibrados, posto que as variações
pessoais e as contribuições do seguro social a cargo
líquidas nos estoques no lado direito daquela conta
dos empregadores’, mas exclui os impostos
estão valorizadas a preços correntes.
indiretos sobre as empresas. As contribuições para
O item “renda pessoal por aluguéis” não a Previdência Social podem facilmente ser
havia aparecido nas Tabelas 1 e 2 porque esta justificadas como um custo de fator, baseado no
categoria inclui somente certos pagamentos de fato de que elas representam um custo para o
aluguéis. O Departamento de Comércio dos empregador como consequência do emprego de
Estados Unidos considera a propriedade de uma mão-de-obra. A inclusão dos impostos sobre a
casa residencial como uma atividade empresarial. renda como parte do custo dos fatores e a exclusão
Deste modo, o proprietário da casa é considerado dos impostos indiretos sobre as empresas são mais
como tendo aquela propriedade como um difíceis de serem justificados. Se o componente
“negócio”, alugando-a a si mesmo. A dificuldade custo dos fatores no produto da empresa houver de
está em que o aluguel não toma uma forma ser útil, então deverá variar de magnitude apenas se
monetária, e assim, não pode ser estimada houver uma variação no emprego ou preços dos
diretamente. Isto quer dizer que o Departamento de fatores. É sobre esta base que o Departamento de
Comércio americano tem que fazer uma estimativa Comércio dos Estados Unidos exclui do custo dos
do que seria o aluguel, se este tomasse uma forma fatores a totalidade dos impostos indiretos
monetária. Este aluguel imputado é adicionado ao incidentes sobre as empresas, os quais
lado do fluxo de renda como “rendas pessoais por compreendem impostos sobre o consumo, sobre os
aluguéis”, e os impostos e a depreciação imóveis etc. Uma variação em tais impostos
produziria uma variação na renda total' dos fatores,
da casa são agregados aos itens
sem uma variação correspondente no emprego, ou
apropriados. Uma importância equivalente é
nos preços dos fatores. Por outro lado, há razões
adicionada ao lado do fluxo do produto, na conta.
paia se crer que uma alteração nos impostos sobre
Estas “rendas pessoais por aluguéis” também
a renda não alterará a renda total dos fatores. Um
incluem os ganhos dos arrendatários da
aumento da taxa de impostos sobre os lucros, por
propriedade, que não estão fundamentalmente
exemplo, provavelmente não alteraria os lucros empregado de uma instituição de caridade seja
totais e, portanto, a renda total dos fatores. medido pela remuneração que recebe.

A adição dos impostos indiretos Antes de 1965, o Departamento de


incidentes sobre as empresas à renda gerada dá-nos Comércio incluía como parte do custo do fator ou
o total das contrapartidas do produto líquido renda gerada no setor pessoal os pagamentos de
daquelas empresas que, na Tabela 3, chega a juros por parte das famílias e instituições sem fim
U.S.$531 bilhões. Se a este total forem adicionadas lucrativo aos emprestadores não pessoais. O juro
as quotas de depreciação, a cifra resultante de pago sobre compras a prestações é um exemplo. O
U.S.$59l bilhões representa todas as contrapartidas juro sobre hipoteca sempre foi excluído do setor
do produto bruto total, mostradas no lado direito da pessoal e por isso aparece como parte da renda e
conta. A quota de depreciação de U.S.$60 bilhões produto do setor das empresas como resultado de
é a soma das estimativas feitas pelas várias tratar a propriedade residencial como um negócio.
empresas da perda de valor de seu equipamento Os pagamentos de juros provenientes de transações
capital, resultante do desgaste e da obsolescência. de empréstimos entre as famílias também sempre
foram excluídos porque tais pagamentos se anulam
Setor pessoal. — Consideraremos, em
reciprocamente na consolidação de todas as
seguida, a renda e o produto que se originam no
famílias.
setor pessoal da economia que é definido para
incluir as instituições de fins não lucrativos, tais A base lógica para incluir os pagamentos
como universidades, organizações de caridade e de juros do setor pessoal aos emprestadores não
outras semelhantes, além das economias pessoais (empresas) é semelhante àquela que
domésticas. O primeiro problema que se encontra justifica a inclusão dos pagamentos de juros das
ao estimar a renda e o produto do empresas aos emprestadores não empresas — tais
pagamentos de juros representam uma medida da
1) As quotas dos empregados estão
produtividade do capital real financiado com
incluídas em salários e ordenados.
fundos tomados por empréstimo. Em 1965 ficou
setor pessoal é que não existe um computo decidido que este procedimento já não era mais
duplo do produto, em termos tanto de produto adequado para o setor pessoal, porque muito do
como de custo, como há para o setor de empresas. capital desse setor não é financiado com dinheiro
Como não há nenhuma transação que represente a emprestado e muito do empréstimo do setor pessoal
venda do produto do empregado doméstico, por não se destina à compra de bens de capital, mas ao
exemplo, como algo distinto da aquisição do financiamento de despesas vitais. - O resultado
próprio serviço, o custo do fator que implica a desta mudança de definição tem sido reduzir o nível
remuneração do empregado deve, também, ser do PNB pela quantia dos pagamentos de juros
usado como uma medida da produção que ele ou agora excluídos. Seria bom notar que numerosas
ela efetivam. Semelhantemente, admite-se que o outras mudanças estatísticas e definidoras se
produto de um professor universitário ou do efetuaram ao mesmo tempo, nenhuma das quais foi
quantitativamente tão importante como a mudança pagamentos em espécie. Observe, que devido ao
no tratamento dos pagamentos de juros pessoais, valor da produção ser medida pela renda, os
mas que no agregado compensa seu impacto. O rendimentos totais, finais, líquidos e brutos deste
resultado de todas as mudanças feitas em 1965 foi setor são iguais.
aumentar ligeiramente as estimativas do PNB para
Para sermos estritamente corretos, os
anos recentes.
víveres e demais serviços utilizados pelos
A Tabela 4 mostra a conta de renda e empregados deveriam ser deduzidos, como
produto dos setores de família e instituições para os produtos intermediários. Nenhuma tentativa, no
Estados Unidos, baseada nos dados para o ano de entanto, é feita neste sentido. Todas estas
1965. O total de salários e ordenados de U.S.$18 aquisições são consideradas produtos finais. O
bilhões incluem, além de pagamentos monetários a empregado que mora com o seu patrão recebe uma
fatores, as contribuições dos patrões para a renda em espécie, que é imputada como parte do
Previdência Social e ao valor imputado dos custo do fator.

Tabela 4 Conta de renda e produto do setor pessoal, 1965 (Bilhões de dólares)


1. Salários e ordenados $ 17
2. Suplementos 1
3. Renda gerada $ 18 4. Produto bruto e líquido gerados $ 18

Setor do Governo. — O produto líquido e sentido teria esta política durante um período de
bruto resultante do setor governamental da déficits ou superávits governamentais? Durante um
economia é medido, como no setor pessoal, pelo período deficitário, a comunidade, provavelmente,
valor dos serviços dos fatores adquiridos. No caso estaria subestimando os serviços do Governo, e
do Governo, no entanto, excluem-se os pagamentos durante o período do superávit, por outro lado, teria
de juros sobre a dívida pública, tendo-se em conta a tendência a supervalorizá-los. Foram exatamente
que tais pagamentos não constituem na estes problemas de interpretação que persuadiram
remuneração de um serviço produtivo que tenha o Departamento de Comércio dos Estados Unidos
sido empregado no exercício, como o são os a avaliar o produto governamental pelo custo dos
pagamentos de salários. serviços de trabalho empregados.

A alternativa seria avaliar o produto do Estabelecidas estas premissas gerais, a


setor do Governo tomando- -se como base os efetiva formulação de uma conta para o setor do
tributos pagos pela comunidade. Neste caso, os Governo é uma tarefa simples. A Tabela 5
tributos seriam tratados como análogos aos preços apresenta a conta para os Estados Unidos, baseada
pagos pelo produto do setor das empresas. No nos dados para 1965. A cifra de U.S.$68 bilhões,
entanto, o uso de tal política está sujeito a críticas. para a renda gerada, é a soma dos salários e
Em primeiro lugar, os tributos são pagamentos ordenados pagos aos funcionários do Governo,
obrigatórios, diferentemente dos preços pagos por inclusive as forças armadas, mais as contribuições
bens e serviços, no mercado. Além disto, que governamentais para a Previdência Social. Este
total também inclui um valor imputado da viverem no estrangeiro, e que, não obstante, são
alimentação, equipamento e despesas pessoais das considerados como residentes norte-americanos. O
forças armadas, assim como o pagamento de mesmo total de U.S.$6& bilhões aparece no lado
salários e ordenados de funcionários direito da conta, como produto líquido e bruto
governamentais (inclusive as forças armadas) que gerados no setor governamental.
se vejam obrigados, por força de suas funções, a
Tabela 5 Conta de renda e produto do setor do Governo, 1965 (Bilhões de dólares)
1. Salários e ordenados $66
2. Contribuições à Previdência
social 2
3. Renda gerada $ 68 4. Produto bruto e líquido gerados $ 68
Fonte: Veja a Tabela 3.

Setor do resto do mundo. — Uma parte da negativo se os residentes americanos pagam mais
renda e do produto gerados nos Estados Unidos vai rendas de fatores aos estrangeiros do que vice-
ter às mãos de estrangeiros que controlam fatores versa. O emprego dos pagamentos de renda aos
de produção situados naquele país. Por outro lado, fatores, para medir o produto gerado no setor do
uma parte da renda gerada em países estrangeiros é resto do mundo, é um processo idêntico àquele
creditada em favor de residentes norte-americanos utilizado para calcular o produto gerado nos setores
que possuem fatores de produção localizados pessoal e governamental. A Tabela 6 apresenta esta
nestes países. A renda e o produto, gerados no setor conta em questão. O lado esquerdo discrimina os
do resto do mundo, são definidos como o pagamentos líquidos de fatores em quatro grupos,
movimento líquido de tais pagamentos de fatores e o lado direito dá o mesmo total, como medida do
aos residentes americanos. Este total pode ser produto líquido e bruto.

Tabela 6 Conta de renda e produto do setor do resto do mundo, 1965 (Bilhões de dólares)
1. Salários e ordenados (líquidos) *
2. Juros (líquidos) $1
3. Dividendos (líquidos) 1
4. Lucros de filiais (líquidos) 2
5. Renda gerada $4 6. Produto bruto e líquido gerados $ 4

(*) Menos que U. S. $ 0,5 bilhão. Fonte: Veja Tabela 3.

Não há necessidade de se considerar o e, por esta razão, o Departamento de Comércio dos


setor do resto do mundo separadamente. Os lucros Estados Unidos elabora uma conta separada para
das filiais de empresas norte-americanas, situadas tais transações.
no estrangeiro, poderiam ser considerados
Conta de renda e produtos nacionais. —
diretamente incluídos na conta consolidada de
Tendo-se obtido a renda e o produto líquido e bruto
renda e produto das empresas. Um acoplamento
gerados em cada um dos quatro setores, toma-se
semelhante poderia ser feito para os outros itens
fácil combiná-los em um total nacional. A Tabela 7
dos pagamentos líquidos de fatores que aparecem
representa este total, utilizando os dados de renda e
na Tabela 6. Mas, atribui-se um especial interesse
produto das Tabelas 3 a 6. O lado direito da Tabela
a estes fluxos líquidos gerados no resto do mundo,
7 apresenta a relação dos produtos gerados nos Todos os itens da tabela são seguidos por números
diferentes setores, apresentando o lado esquerdo os em parêntesis. Estes números indicam em que lugar
custos de fatores e de não fatores, em que se das tabelas dadas anteriormente aparecem estes
incorreram para a obtenção daquele produto total. itens.

Tabela 7 Conta de renda e produto nacionais por setores de origem, 1965


(Bilhões de dólares)
Renda gerada em: Produto bruto e líquido gerados em:
Setor pessoal $ 18 (4.3) Setor pessoal $ 18 (4.4)
Setor do Governo 68 (5.3) Setor do Governo 68 (5.4)
Resto do Mundo 4 (6.5) Resto do mundo 4 (6.6)
Setor das empresas 469 (3.12) Produto bruto gerado no

setor das empresas 591 (3.20)
Renda nacional 559
Impostos indiretos
sobre as empresas 62 (3.13)
Contrapartidas do produto
nacional líquido 621
Depreciação 60 (3.15)
Contrapartidas do pro- — —

duto nacional bruto $681 Produto nacional bruto $681


Fonte: Tabelas de 3 a 6. Os números de código usados nesta tabela referem-se às entradas nas Tabelas de
números 3 a 6. Veja o texto.

O item “impostos indiretos sobre as por meio de uma apresentação ligeiramente


empresas”, por exemplo, aparece na Tabela 7 com diferente. Esta formulação alternativa é a
o código (3.13). Isto quer dizer que os impostos materializada pelo Departamento de Comércio nas
indiretos sobre as empresas apareceram contas que publica. Este método apresenta o fluxo
anteriormente como item 13 na Tabela 3. de produto classificado segundo o setor que o
adquire, em vez de fazê-lo por setor de origem. É
A soma dos custos dos fatores, cujo total é
claro, que cada apresentação é baseada no princípio
U.S.$559 bilhões, é conhecida como renda
de contabilidade fundamental, que o valor do fluxo
nacional — a renda total dos fatores como
do produto final deve ser equilibrado pela
decorrência da sua participação no processo
circulação de custos de fatores e não fatores
produtivo corrente. A adição dos impostos
incorridos em produzir aquele rendimento.
indiretos, que incidem sobre as empresas, à renda
nacional, teremos o total de U.S.$621 bilhões, que Devido ao fato de estarmos mais
representa o total das contrapartidas do produto interessados nos setores que compram a produção
nacional líquido. da nação, do que nos setores que a produz, a conta
do resto do mundo deve ser reformulada, para
Finalmente, se agregarmos a esta última
mostrar em suplemento aos pagamentos de fatores
cifra a depreciação, os U.S.$ 681 bilhões
líquidos, a circulação líquida dos bens entre os
resultantes são as contrapartidas totais do produto
Estados Unidos e outros países. A Tabela 8 é uma
nacional bruto.
extensão da Tabela 6. De novo, ela está formulada
Apesar da Tabela 7 ser uma forma em termos líquidos. A Tabela 8 nos mostra que os
perfeitamente correta de apresentar a conta do países estrangeiros compraram dos Estados Unidos
produto nacional bruto, poder-se-ia lançar muito mercadoria que excede em U.S.$3 bilhões o valor
mais luz sobre a anatomia do sistema econômico, das compras dos Estados Unidos efetuadas em
outros países. Este superávit de U.S.$3 bilhões Unidos (mais uma pequena transferência oriunda
sobre troca de mercadoria mais os fluxos de renda dos indivíduos) de U.S.$3 bilhões e por
líquida de U.SJ4 bilhões significa que os Estados investimento exterior de U.S.$4 bilhões por parte
Unidos acumularam durante 1965, um total de de norte-americanos residentes. Este investimento
U.S.$7 bilhões de créditos contra países exterior por parte de norte-americanos tomou a
estrangeiros. Esses créditos, ou aumento nos forma de extensão de créditos comerciais de curto
débitos que os países estrangeiros deviam aos prazo para financiar fluxos de comércio e
Estados Unidos, foram financiados por países investimentos de longo prazo de empresas e
estrangeiros através de pagamentos de indivíduos norte-americanos em países
transferência efetuados pelo Governo dos Estados estrangeiros.

Tabela 8 Conta de transações estrangeiras, 1965 (Bilhões de


dólares)
1. Renda gerada e produto líquido e bruto$ 4
2. Compras líquidas de bens oriundos dos EUA 3
3. Exportação líquida de bens e serviços $ 7
4. Pagamentos de transferência a estrangeiros (líquido) $3
5. Investimento estrangeiro líquido 4
6. Pagamentos líquidos no exterior $ 7
Fonte: Ver Tabela 3.

A Tabela 9 apresenta a formulação A despesa nacional bruta. — Um último


costumeira da conta do produto nacional bruto. método de apresentar os dados contidos na conta de
Todas as cifras que aí aparecem foram tiradas de produto nacional bruto está apresentado na Tabela
tabelas anteriores neste capítulo. O total de salários 11. Esta demonstração, na qual os itens estão
e ordenados da Tabela 9 não traz número de código organizados de acordo com o tipo de despesa.
porque se compõe de cinco itens, os quais seriam Apenas o fluxo do produto é aqui mostrado; o fluxo
difíceis de serem manejados na referida tabela. A de renda é o mesmo que aquele mostrado na Tabela
dedução do total aparece na Tabela 10. 9.

O Departamento de Comércio dos Estados consumidos no momento de suas aquisições, são


Unidos agrupa todas as despesas de consumo em classificados como serviços; os que são
três categorias, na base de suas durações. Os bens consumidos dentro de um ano, são considerados
como bens não duráveis e aqueles que, por fim, líquidas nos estoques. Finalmente, as despesas do
durem mais do que um ano são catalogados como Governo são divididas, por um lado em despesas
bens duráveis. O investimento bruto privado é federais, e por outro, em despesas dos governos
dividido em três categorias: construção, estaduais e municipais.
equipamento duradouro de produção e variações
Tabela 10 Salários, ordenados e suplementos, 1965 (Bilhões de dólares)
Empresas: salários e ordenados $279 (3.2)
suplementos 28 (3.3)
Pessoal: salários e ordenados 17 (4.1)
suplementos 1 (4.2)
Governo: salários e ordenados 66 (5.1)
suplementos 2 (5.2)
Restante do mundo: salários e ordenados (6.1)

Total $ 393

O produto nacional bruto é uma medida do calcular o produto final. Com a exceção das
fluxo de bens e serviços finais resultantes da compras de bens de capital por parte das empresas,
produção corrente, pelos norte-americanos, durante que formam claramente uma parte do produto final,
um ano. Para cada setor da economia elabora-se as transações entre as firmas são excluídas. As
uma conta que mostre o produto final, sem transações entre as unidades econômicas no setor
duplicações, de todas as unidades econômicas do pessoal, tal como o emprego de servidor doméstico,
setor. As transações entre as unidades econômicas, são incluídas como parte do produto final.
dentro de um setor, são, em geral, excluídas ao se
Tabela 11 Despesas nacionais brutas por tipos de bens, 1965 (Bilhões de dólares)

Despesas de consumo $431


Bens duráveis $ 66
Bens não duráveis 190
Serviços 175
Investimento bruto privado interno 107
Construção 53
Equipamento duradouro de construção 45
Variação líquida nos estoques 9
Exportação líquida de bens e serviços 7
Despesas do Governo 136
Federal 67
Estadual e municipal 69
Produto nacional bruto $681

Fonte: Ver Tabela 3.

No que tange às contas, o consumidor é representando os dois aspectos da atividade


considerado como estando no centro do processo econômica — um fluxo de produção e um fluxo de
econômico. Qualquer coisa que contribua para o renda. As contas, portanto, mostram quem adquiriu
seu bem-estar presente ou futuro é considerada o produto final, e como a renda resultante desta
como produto final, e é incluída na conta. atividade produtiva foi dividida entre os vários
elementos do custo dos fatores e dos não fatores.
A real estrutura das contas segue
estreitamente as práticas contábeis utilizadas pelas
empresas. Cada transação é registrada duas vezes,
THOMAS F. DERNBURG
PROFESSOR DE ECONOMIA DO OBERLIN COLLEGE
DUNCAN M. McDOUGALL
PROFESSOR DE ECONOMIA DA UNIVERSIDADE DE KANSAS

MACROECONOMIA
MEDIÇÃO, ANÁLISE E CONTROLE DA ATIVIDADE ECONÔMICA AGREGADA

T radução
Luiz FERNANDO PEREIRA VIEIRA
EDITORA MESTRE J OU
SÃO PAULO