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QUAL É A MAIOR NECESSIDADE DO SER HUMANO HOJE?

Estava orando e meditando quando me ocorreu a seguinte questão: qual é a maior


necessidade do ser humano hoje? Não é uma pergunta simples de se responder. A resposta
para esta pergunta demanda honestidade, isenção e coragem. Contudo, muitos não hesitariam
em responder e, de forma estridente – o que para alguns denota forte convicção – que aquilo
que a humanidade mais precisa é de justiça, outros, com o mesmo ímpeto elegeriam o amor,
outros, ainda, o conhecimento. E as respostas continuariam cada qual com sua estridência e
convicção exclusivista.

Penso, em meu espírito, que precisamos de algo que reúna tudo isso em uma única voz. Afinal,
justiça sem coerência, já temos. Amor e conhecimento, sem abrangência, também já
experimentamos. Falta-nos uma voz que consiga conjugar todo aquilo que pensamos ser bom
e útil para ressuscitar o humano do ser. Um ser que se agigantou, que construiu impérios, que
ser tornou um verdadeiro alquimista, nas diversas ciências e inúmeras artes, mas que se
distanciou da proposta mais básica e, portanto, fundamental, a proposta do humano.

A nossa justiça incoerente segrega negros, mulheres, pobres, índios e muitas outras minorias.
Nosso amor é seletivo, e por ser seletivo não é, em essência, amor. Amamos aqueles que
comungam com os nossos ideais, que perambulam pelos caminhos validados pela convicção
da estridência. O nosso amor é consanguineamente, ideologicamente e geograficamente
delimitado, mas isso não é amor, isso é adesismo. O grande conhecimento ostentado por essa
civilização não é, definitivamente, para todos. O pobre parece viver na idade média, quando o
assunto é acesso à saúde e o rico, por sua vez, exalta os avanços científicos aplicados na
medicina. Mas a medicina que salva os ricos e é inacessível aos pobres não é ruim, o que
verdadeiramente é ruim é a capacidade deste SER – uma vez humano – de viver um egoísmo
que se disfarça no coletivismo de classe. Não posso me sentir confortável se apenas o meu
grupo, ou a minha classe, tem justiça, amor e conhecimentos úteis.

Mas que voz é essa, capaz de dar coerência aos avanços que pontilham esta tão vasta e diversa
humanidade e, que pode ajudar a reconstituir a identidade mutilada do humano? Essa voz é,
portanto, a maior necessidade do ser humano. Essa voz só pode ser a voz de Deus. Mas onde
ouvir esta voz? Agora vem a coragem que disse no primeiro parágrafo, necessária para
responder esta pergunta. Se a maior necessidade do ser humano é ouvir a voz de Deus,
devemos ouvi-la em nosso coração. Precisamos recuperar a capacidade de frequentar o nosso
próprio coração, em oração, meditação e confronto introspectivo.

Quando você confronta suas próprias convicções e de forma sincera busca e pede em oração
para ouvir a voz de Deus, creio piamente que a ouvirá. Para ouvir a voz de Deus, quando se
busca em espírito e em verdade, não é necessário estar em um determinado lugar. O que
conta – no empreendimento nobre de ouvir a voz de Deus – não é o lugar, mas a intenção
orante. Da mesma forma que estar em lugares sagrados, mas com outra disposição e sem a
devida sinceridade, não lhe garante ouvir a voz de Deus. Aliás, a igreja (templo) é o pior lugar
para aqueles que não são sinceros no desejo de ouvir a voz de Deus; pois muitos dão ouvidos à
sua própria arrogância e pretensão e, por estarem em um templo, dizem ter ouvido de Deus.
Muitas aberrações são atribuídas à voz de Deus, simplesmente porque homens corporalmente
presentes em templos ouviram seus próprios devaneios.
Se a humanidade buscar ouvir a voz de Deus, voz que fala de amor, justiça e conhecimento de
forma essencialmente abrangente e libertária, poderá evitar atrocidades que estão sendo
geradas pela nossa própria insensatez. A voz de Deus é a única capaz de convencer-nos da
mesquinhez existencial e operacional em que nos encontramos. A voz de Deus é a única capaz
de convencer o crente rico de que o sistema que o enriqueceu e empobreceu o outro é
claramente incoerente e espiritualmente desconcertante. A voz de Deus é a única que nos
torna verdadeiramente empáticos, ou como gostamos de falar, misericordiosos. Mas falo de
uma empatia e misericórdia que transcenda o sábado ou o domingo religiosos e, que prossiga,
como uma competência adquirida, para a vida.

Precisamos ouvir a voz de Deus.