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Reflexões sobre o golpe de 64 despertam preocupações com o futuro do governo Lu...

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Reflexões sobre
o golpe de 64
despertam
preocupações
com o futuro
do governo
Lula

Por Gustavo Falleiros, Maurício Hashizume


e Nelson Breve

30/03/2004 00:00

Brasília – Passados 40 anos do golpe


militar que mergulhou o país em duas
décadas de ditadura, o exercício da
memória praticamente não se justifica
mais no sentido de exorcizar os fantasmas

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do passado. O acerto de contas com os


porões da repressão está incompleto, mas
as instituições democráticas do país estão
suficientemente sólidas para conter
eventuais ímpetos saudosistas do
autoritarismo. A lembrança do passado se
justifica, no entanto, como uma
oportunidade de reflexão para se entender
melhor o presente e enxergar com mais
nitidez o caminho que leva ao futuro.
Com esse objetivo, a Agência Carta Maior
convidou três observadores para uma
conversa sobre o Golpe de 1964 e os
pontos de ligação daquele momento
histórico com a atualidade. A doutora em
História Política e professora do Instituto
de Ciência Política da Universidade de
Brasília (UnB) Flávia Biroli, que pesquisa a
evolução do pensamento político no Brasil
e as relações entre mídia e democracia; o
assessor especial da Secretaria de
Comunicação e Gestão Estratégica
(Secom) do governo federal Bernardo
Kucinski, professor titular do
Departamento de Jornalismo e Editoração
da Universidade de São Paulo (USP); e o
deputado federal Ricardo Zarattini (PT-SP),
engenheiro civil e militante da revolução
comunista naquele período, preso político
torturado durante a ditadura militar e
anistiado em 1979. Durante jantar de
quase duas horas em um restaurante de
Brasília, na noite de 25 de março passado,
eles refletiram sobre as razões do Golpe,
suas implicações na trajetória política
brasileira e as inevitáveis comparações
com o momento atual, no qual um governo
apoiado substancialmente por forças
políticas de esquerda tem dificuldades
para impor ao país uma agenda reformista
de combate à desigualdade social.
Na primeira parte da conversa, uma inevitável
comparação entre os governos de Juscelino
Kubitschek e João Goulart
(http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?
coluna=reportagens&id=1555), provocada
pela professora Flávia Biroli. Pesquisadora
daquele período, ela busca uma explicação

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para o fato de JK ser um símbolo de governo


vencedor no imaginário popular, enquanto
Jango sequer é lembrado nas campanhas
eleitorais. A hipótese levantada por ela é de
que JK representa a conciliação, com a
“velha promessa de crescimento para depois
nos depararmos com os confrontos sociais”,
e Jango está relacionado ao embate. “Essa
confrontação ninguém quer herdar, ninguém
quer se deparar com ela, ninguém quer lidar
com ela”, sustenta Flávia.
Bernardo Kucinski tem outra visão. Avalia
que Jango “era um político menor”, que
dividiu as forças políticas, criando a crise que
o derrubou. Enquanto JK teria sido um
“político maior” pela sedução e aglutinação,
que construíram uma imagem de agente do
progresso, elevando a auto-estima nacional.
O deputado Zarattini discorda, considerando
que Jango foi derrubado do governo pelos
seus acertos e não pelos seus erros. “Porque
ele colocava a questão nacional como a
questão decisiva no seu programa de
reforma de bases. A espinha dorsal desse
programa de reforma de bases sempre foi
criar uma economia nacional independente”,
assinalou Zarattini.
Predomina na segunda parte do debate a
discussão sobre a influência do imperialismo
norte-americano
(http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?
coluna=reportagens&id=1556) na
articulação do golpe e na trajetória da
política latino-americana até a atualidade.
Kucinski desenha uma trajetória que passa
pela derrubada de governos democráticos
com os golpes militares, pela derrubada de
regimes autoritários com projetos
nacionalistas e pelos processos de
privatização dos governos neoliberais. Na
terceira parte, nossos analistas traçam
um paralelo entre o governo Jango e o
governo Lula
(http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?
coluna=reportagens&id=1557). Observando
um certo padrão nos acontecimentos latino-
americanos que, desde a destituição do
presidente Fernando Collor de Mello do poder

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pela pressão popular, desencadearam a


derrubada de governantes
democraticamente eleitos, após um
processo de frustração de expectativas,
Kucinski teme que o povo brasileiro venha a
rejeitar o governo Lula, caso a resposta na
forma de crescimento econômico não
chegue logo.

O governo Lula é colocado em questão


(http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?
coluna=reportagens&id=1559) na quarta
parte do debate. O “dogmatismo
monetarista” da equipe econômica herdada
do governo anterior é considerado um erro
grave. “Colocamos em risco um projeto de 20
anos”, avalia Kucinski. Para ele, os
adversários do governo Lula enxergaram a
oportunidade de frustrar o projeto de governo
do PT. Zarattini lembra que a correlação de
forças políticas no Congresso forçou o
governo a montar um arco de alianças
heterogêneo, dificultando a execução do
programa de governo petista. Ele não deixa
de enxergar “um dedo do imperialismo” na
crise provocada pelas denúncias envolvendo
o ex-subchefe da Casa Civil para Assuntos
Parlamentares Waldomiro Diniz, mas
acredita que há tempo para reverter a
situação, com alguma mudança no rumo da
economia. Na quinta e última parte desse
debate, todos reafirmam a esperança no
governo Lula
(http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?
coluna=reportagens&id=1561), mas
Kucinski acredita que a melhor maneira de
ajudá-lo e abrindo o debate público sobre a
política econômica.

Leia trechos dos cinco tópicos:


- História reverencia imagem de JK e
relega Jango à polêmica (agencia.asp?
coluna=reportagens&id=1555)
- Brasil ainda sofre de complexo
“adolescente” de colônia (agencia.asp?
coluna=reportagens&id=1556)
- Desafio de Lula é driblar padrão latino
e destino de Goulart (agencia.asp?

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- Fortalecimento da auto-estima popular
exige respostas (agencia.asp?
coluna=reportagens&id=1559)
- Futuro do governo Lula depende
de mudanças no presente (agencia.asp?
coluna=reportagens&id=1561)

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