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DICAS RÁPIDAS:

FASE (PHASE) E POLARIDADE (POLARITY).


TEXTO AUDIO SEMINARS, CORREÇÃO: Fernando José Peixoto Lopes
Técnico de áudio
(27) 9-9518-4250
fernando@masterdbsound.com.br

APOIO
Fase e Polaridade:

Quantas vezes já ouvimos nos palcos a expressão: “Inverta a fase do microfone de


baixo da caixa”.

Essa com certeza é uma das expressões mais mal interpretadas do áudio profissional.

Por: Thiago Borges

Primeiro vamos entender a inversão de polaridade.


Para exemplificar, polaridade é binária.

Dentro ou fora, positiva ou negativa, alto ou baixo quente ou fria. Inverta os polos
de uma bateria de uma lanterna e você acaba de inverter a polaridade da tensão que
vai para a lanterna. Inverta o cabo positivo com o cabo negativo do alto-falante e
você terá um alto-falante com polaridade invertida.

Imagine a situação da expressão acima.

Uma caixa de bateria com um microfone na pele superior e outro microfone na pele
inferior (esteira). Ao bater na pele superior ela vibra em direção ao microfone inferior,
com isso o diafragma do microfone movimenta positivamente. Já no microfone
superior isso ocorre de forma contrária, com um transiente negativo. Isso ocorre por
que primeiro a pele vibra na direção contrária do microfone superior.
Ao somar esses dois sinais na mesa de som um cancelamento pode ser notado devido
à degradação do sinal. Essa degradação se dá porque os dois microfones não se
movimentam na mesma direção em relação ao mesmo sinal, ou seja, um tem
transiente positivo e outro negativo.

Praticamente toda mesa de som da atualidade já possui uma chave/botão de inversão


de polaridade, Ø, uma ferramenta bastante útil para instrumentos com microfones
em posições opostas.
Em outras palavras, seria algo parecido como ter dois sinais, porém um deles está de
cabeça para baixo, ou simplesmente, todos os Volts negativos agora são positivos e
vice-versa.

Imagens valem mais que mil palavras…


Abaixo irei demonstrar essa situação em uma imagem onde teremos um sinal dividido
em dois, ou seja, dois sinais iguais. Esses sinais são representados pelas senoide azul
e vermelha, onde a senoide vermelha é o sinal original e a senoide azul seria o sinal
processado. Digamos que os valores do eixo vertical sejam Volts =
https://pt.wikipedia.org/wiki/Volt.

Figura 1

Na Figura 1 é demonstrado que as senoides estão em fase, mas com a inversão de


polaridade aplicada a uma delas. Não há diferença de tempo entre uma e outra, logo,
não há diferença de fase entre as duas. O resultado da soma entre os dois elétricos é
um completo cancelamento, pois uma dos sinais está invertida 180º.

Figura 2

Observe na figura acima o resultado das duas senoides com a polaridade invertida em
uma delas. Eletricamente, esta é uma diminuição infinita da produção. Nas figuras
abaixo podemos notar o que acontece quando temos duas senoides iguais (sem
inversão de polaridade e sem deslocamento de fase).
Figura 3

Figura 4

As duas senoides em fase e com mesma polaridade somam-se para que os picos
estejam agora nas linhas de +/- 2 volts = 4 volts ou o dobro dos sinais originais.
Acusticamente, este é um aumento de 6 dB = 20 x log (1 + 1). Observe na figura 5 o
círculo de fase para determinadas somas e cancelamentos entre dois sinais.

Entendendo a diferença entre polaridade e fase


Uma vez que estamos lidando com oscilações cíclicas completas, a fase será medida
em graus, com um ciclo completo de 360 graus. Mas a velocidade do ciclo depende
da frequência da onda, que é uma função do tempo. Então, enquanto podemos
simplesmente inverter a polaridade de um sinal inteiro, não podemos “inverter a fase”
em um sinal – não existe tal coisa, a menos que o sinal seja uma onda senoidal pura
de uma única frequência.

Por quê? Porque, para causar dois sinais a 180 graus de distância, precisamos
apresentar a quantidade adequada de atraso: meio ciclo. E a quantidade de tempo
que é “meio ciclo” é diferente para cada frequência.

O deslocamento de fase de 90º


Abaixo veremos que a segunda onda de seno, mostrada em vermelho, inicia 1/4
milésimos de segundo mais tarde (90 graus mais tarde) do que a primeira, mostrada
em azul. Dito de outra forma, o segundo sinal foi adiado em 1/4 de milissegundo.
Figura 6

Logo abaixo teremos na figura 7 o resultado das senoides combinadas. Observem os


valores dos picos de +/- 1.5 volt, isso é um aumento de 3dB. Usando como exemplo
os dois alto-falantes citados anteriormente, teríamos então um ao lado do outro.
Contanto, o alto-falante do sinal vermelho estaria 8.5cm mais atrás em relação ao
falante do sinal azul, o primeiro alto-falante que você ouve é o que está na frente.

Vemos na imagem também o traço preto que é o início da soma do alto-falante do


sinal vermelho.

Figura 7

Suponhamos que o alto-falante do sinal vermelho estivesse com 5.7cm ao invés de


8.5cm. Haveria então um deslocamento de 60º. Consultando a Figura 5 (Círculo de
Fase) podemos notar um aumento de sinal de cerca de 4.5 dB. Ou seja, a quantidade
de deslocamento de fase é importante.

Podemos notar também a mudança da forma da senoide depois da soma dos dois
sinais.

Deslocamento de fase de 90º e polaridade invertida


Os nossos dois alto-falantes estão trabalhando ainda. Dessa vez o alto-falante do
sinal vermelho está com os mesmo 8.5cm, em outras palavras 90º mais distante em
relação ao sinal azul. Além disso, o alto-falante também está com conexões invertidas
(inversão de polaridade).

Em sequência podemos ver nos sinais combinados, que temos uma semelhança com
a figura 7, porém com duas características para observarmos. Em primeiro lugar
vemos como começa o sinal vermelho, e depois que a forma da onda sofre um
deslocamento de 45º para esquerda em comparação com a original.

Figura 8

Figura 9

Deslocamento de fase de 180º


O grande mal entendido é pensar que ao aplicar uma defasagem de 180º em um dos
sinais poderia então inverter a polaridade desse sinal. Você não está invertendo a
polaridade, você está apenas aplicando um atraso de meio ciclo nesse sinal. Dessa
forma, você ainda estaria ouvindo o alto-falante do sinal vermelho 17 cm atrasado
em relação ao azul.

Nas figuras que estou ultizando, cada onda senoidal dura 2 ciclos e meio. Como
demonstrado na figura 10, entre 180 e 900 graus os sinais se OLHAM como se
estivessem simplesmente fora de polaridade, mas NÃO estão.

É MUITO importante observar que, se você não pudesse ver o começo ou o final
desses sinais, não saberia se eles estavam com polaridade invertida ou 180 graus
fora de fase. Muitas vezes, isso é o que causa confusão entre um inversor de
polaridade e um deslocamento de fase de 180 graus.

Figura 10

Figura 11

Acima temos o resultado da soma dos dois sinais. Podemos notar que diferente da
inversão de polaridade, como demonstrado na figura 1, nesse caso o cancelamento
não é completo. Antes de 180º e depois de 900º ainda teremos duas metades das
senoides.

A primeira metade é o sinal que não sofre deslocamento, é o sinal azul. A última
metade é o sinal vermelho e essa é exatamente a quantidade de deslocamento
sofrido por esse sinal.

Deslocamento de fase de 180º e polaridade invertida


Abaixo teremos a mesma situação demonstrada na figura 10, mas nesse caso inverti
a polaridade também para mostrar os resultados.
Figura 12

A figura 13 mostra os resultados da combinação desses dois sinais. Podemos


observar que entre 180º e 900º temos uma soma, resultando em uma dobra do sinal.
Em comparação com a figura 4 desse artigo, nota-se que o primeiro 1/2 ciclo é
apenas a primeira metade do sinal azul e que no último 1/2 ciclo é apenas a última
metade do sinal vermelho. Dessa forma, mesmo somando entre 180º e 900º, ainda
sim teremos um sinal atrasado em relação ao outro.

Figura 13

Mais importante ainda, durante este período de tempo DIFERENTES partes do mesmo
sinal adicionaram-se. Por exemplo, você pode ver que entre 180 e 360 graus é a
segunda metade da primeira onda senoidal do sinal azul que adiciona à primeira
metade da primeira onda senoidal do sinal vermelho.

Aprofundando mais o assunto


Há uma coisa importante para entender sobre o deslocamento de fase. A quantidade
de tempo que um sinal é atrasado em relação ao outro terá efeitos diferentes em
diferentes frequências. Por exemplo, 100 Hz leva 10 milissegundos (ms) para
completar um ciclo. Se combinarmos uma onda de 100 Hz com uma cópia atrasada
de 5 ms de si mesma, teremos um sinal cancelado completamente, porque elas estão
180 graus fora de fase e os picos de uma onda negam os valores da outra.
No entanto, o mesmo atraso de 5ms introduzido em um sinal de 200 Hz causaria um
aumento de 6 dB. Isso porque 200 Hz passam por um ciclo completo de 360 graus,
de modo que o ângulo de fase entre os dois sinais é agora uma soma e não um
cancelamento. Eles estão a um “ciclo completo” separados.

A parte interessante é que todas as frequências entre 100 e 200 Hz terão completado
várias porções de um ciclo completo no período de 5 ms, e assim terá vários graus de
deslocamento de fase. Portanto, não há uma alteração de “fase” que possamos fazer
que não afete todas as frequências.

Mais exemplos…
Suponha que haja uma diferença de tempo de 1 milissegundo entre dois sinais
idênticos. A 500 Hz, o resultado será como mostrado na figura 11 porque, a 500 Hz, a
diferença de tempo de 1 milissegundo é um deslocamento de fase de 180 graus. Um
dos sinais está atrasado 1/2 ciclo em relação ao outro.

A 1 kHz, os sinais serão compensados por 1 ciclo completo. Em outras palavras, você
ouviria um ciclo a partir do primeiro sinal. Em seguida, ambos combinariam então
você ouviria o ciclo a partir do segundo sinal após o primeiro parar. A figura 14
representa a situação citada acima.

Figura 14

A 250 Hz, o efeito seria como mostrado na figura 7 porque uma diferença de tempo
de 1 milissegundo corresponde a um deslocamento de fase de 90 graus a 250 Hz ou a
um deslocamento de 1/4 do ciclo.

Em frequências mais baixas, o deslocamento de fase seria ainda menor e os sinais


tendem a somar como na figura 4, aproximando-se, mas nunca atingindo o aumento
de 6 dB mostrado nessa figura.

Resumo
Depois de toda essa informação já temos uma ideia das diferenças entre inversão de
polaridade e deslocamento de fase. Lembre-se de que a faixa de frequência de áudio
cobre os comprimentos de onda de mais de 10 metros nas mais baixas frequências.
Já nas frequências mais altas, menos de 2.5 cm.
A inversão de polaridade afetará todas as frequências de forma idêntica. Uma
diferença na chegada do tempo entre dois sinais, de modo idêntico terá efeitos muito
diferentes na fase entre eles. A quantidade de deslocamento de fase será diferente
em variadas frequências e isso dependerá da diferença de tempo entre a chegada dos
dois sinais.

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