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DICAS:

INTERFERENCIAS EM MICROFONES SEM FIO


Pesquisa: Fernando José Peixoto Lopes
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Tipos de interferência

A interferência é um problema, pelo menos ocasional, para a maioria dos


equipamentos de rádio, inclusive para os microfones sem fio. Os efeitos da
interferência vão desde um pequeno aborrecimento até a inutilização completa do
sistema sem fio. As interferências graves não são tão comuns como se costuma
pensar, principalmente se forem tomadas algumas precauções simples. Entretanto,
quando ocorrem, podem ser muito frustrantes.

Há três tipos básicos de interferência: interferência de radiofrequência (RF),


interferência elétrica e intermodulação. A interferência de RF é causada por
transmissores de rádio e TV, equipamentos de comunicação, sistemas de televisão a
cabo e outros tipos de equipamentos que geram energia de radiofrequência como
parte de sua operação. A interferência elétrica é causada por computadores e
equipamentos digitais, equipamentos elétricos pesados, sistemas de iluminação,
dispositivos elétricos defeituosos, etc. A intermodulação é um tipo de interferência
causado pela combinação interna de fortes sinais de rádio em receptores sem fio.

Um entendimento básico dos sintomas e das causas dos três tipos de interferência é
essencial para lidar de maneira eficiente com qualquer problema que possa surgir.
Um dos motivos pelos quais os problemas de interferência podem ser frustrantes é
que geralmente é difícil saber por onde começar. Às vezes, parece que tudo afeta o
problema, mas nada resolve. O simples conhecimento de qual tipo de interferência
está ocorrendo ajuda a evitar a perda de tempo com procedimentos improdutivos e
simplifica muito o processo de encontrar a origem real do problema.

Interferência de radiofrequência
Este tipo de interferência é causado por sinais de radiofrequência (RF) na frequência
do receptor sem fio afetado ou perto dessa frequência. Os sinais de interferência
podem ter sido transmitidos intencionalmente ou não intencionalmente, como
resultado de algum defeito ou característica indesejada da fonte. Não é necessário
que o sinal de interferência esteja exatamente na mesma frequência do sistema sem
fio para causar problemas. Sinais fortes de RF que estejam perto da frequência sem
fio podem afetar a operação do receptor sem fio, causando problemas de áudio e de
recepção.

É importante perceber que o que pode ser interferência para um usuário sem fio pode
ser diversão ou comunicação essencial para outros. Todos os sistemas de microfones
sem fio operam em faixas de frequência que são compartilhadas com broadcasts de
televisão ou vários tipos de radiocomunicações. Por isso, os usuários de microfones
sem fio devem ter em mente que não detêm direitos exclusivos sobre as frequências
que estão utilizando.

Muitos sistemas de microfones sem fio operam em faixas de frequências usadas para
broadcast de TV. Geralmente, os transmissores de TV são bastante potentes e podem
interferir nos receptores sem fio até distâncias consideráveis. Os sistemas sem fio que
usam frequências de operação em quaisquer frequências utilizadas para broadcast de
TV ou perto de alguma dessas frequências podem contar com interferência entre
moderada e grave, mesmo em locais além da distância onde é possível obter boa
recepção de TV.

Outros transmissores de microfones sem fio são fonte frequente de problemas de


interferência de RF. Em alguns casos, um sistema sem fio inclui tanto um transmissor
body-pack como um transmissor de mão. A menos que se tome um cuidado
considerável, não é raro que os dois transmissores sejam ligados inadvertidamente ao
mesmo tempo. Nessa situação, o receptor produzirá um tom de áudio extremamente
alto e o sistema ficará completamente inutilizável.

Da mesma forma, se dois sistemas sem fio usarem a mesma frequência, somente um
transmissor poderá ser usado de cada vez. A ocorrência de dois sistemas na mesma
frequência é mais frequente do que se poderia esperar, principalmente em situações
em que os usuários sem fio vão e vêm com seus próprios sistemas. Equipamentos
sintetizados também podem apresentar problemas desse tipo, já que um determinado
modelo geralmente compartilha um conjunto pequeno de frequências. Se a
frequência de um transmissor for alterada, há uma probabilidade relativamente alta
de que haja conflito com outro sistema do mesmo tipo.

A existência de outros sistemas sem fio próximos é uma possibilidade que precisa ser
considerada. Os sistemas sem fio podem causar interferência mútua a distâncias de
600 metros ou mais. Não é muito raro haver interferência de outro sistema sem fio
em uma área distinta de um edifício, em uma igreja no final da rua ou em um clube
na outra esquina. As equipes de reportagem de rádio e televisão usam microfones
sem fio intensamente, portanto é possível que ocorra interferência temporária perto
dos locais de acontecimentos importantes.

Outra fonte de interferência são as harmônicas de estações de rádio FM e


transmissores de comunicações. Os potentes transmissores das estações de FM
geralmente emitem uma pequena quantidade de potência no dobro da frequência de
operação (a "segunda harmônica") e isso pode ser uma fonte de interferência em
sistemas sem fio que operam na faixa de TV VHF. A menos que a potência do
transmissor FM seja alta e ele esteja próximo, a interferência com essa origem é rara.
Mesmo assim, é melhor evitar as frequências sem fio próximas das harmônicas das
estações locais de rádio FM.

Os transmissores de comunicações também emitem harmônicas que podem interferir


nos sistemas sem fio. Em geral, nos raros casos em que ocorre interferência por
transmissores de comunicações, ela é resultado da intermodulação de equipamentos
defeituosos. Transmissores de comunicações mal regulados ou com manutenção
precária podem emitir harmônicas ou sinais espúrios em excesso. As interferências
desse tipo de origem são prováveis somente quando o transmissor de comunicações
estiver próximo. As antenas dos transmissores de comunicações geralmente são
colocadas nos topos dos edifícios. Se o transmissor for potente e a antena estiver
próxima, a interferência em sistemas sem fio se torna uma possibilidade. O mesmo
pode ser verdade quando um veículo com um transmissor bidirecional potente estiver
passando por um local em que haja sistemas sem fio em uso. Nessa situação, os
sinais espúrios de um transmissor mal ajustado ou defeituoso podem causar
interferência. Em alguns casos, o sinal do transmissor forte pode sobrecarregar o
receptor sem fio e causar interferência, devido à intermodulação.

As saídas espúrias de vários tipos de equipamentos de RF são uma fonte ocasional de


interferência. Sistemas de televisão a cabo, receptores de comunicações, telefones
sem fio, controles remotos de portões de garagem e até receptores domésticos de TV
e FM podem causar interferência em raras ocasiões. Quando as causas óbvias de
interferência tiverem sido eliminadas, sempre é sensato suspeitar de qualquer
dispositivo eletrônico capaz de transmitir ou receber sinal de RF ou que use RF em
sua operação.

Às vezes, as estações de rádio AM são uma fonte de interferência. Porém, na grande


maioria dos casos, esse problema não se deve à interferência direta da estação AM.
Os sistemas sem fio operam em frequências muito acima da dos transmissores AM e
é muito pouco provável que a saída harmônica ou espúria de um transmissor afete
um receptor sem fio. Os transmissores de rádio AM às vezes interferem em muitos
tipos de equipamentos de áudio, como mixer, amplificadores de potência,
processadores e outros dispositivos que não são de RF.

Normalmente, a interferência de estações de rádio AM só é um problema quando o


transmissor está próximo. Os altos níveis de energia de RF presentes afetam
diretamente os circuitos de áudio sensíveis, geralmente introduzindo o programa de
AM no sistema de áudio. Normalmente, a interferência é captada pelos cabos de
áudio ou entra através das linhas de alimentação e pode continuar presente mesmo
quando o receptor sem fio está desligado. As soluções para esse problema envolvem
filtragem e blindagem dos cabos de áudio e alimentação, diferindo bastante das
técnicas necessárias para eliminar a interferência de RF direta.

A solução dos problemas de interferência de RF quase sempre envolve a eliminação


da fonte do sinal de interferência ou a alteração da frequência do sistema sem fio.
Muitos problemas de interferência desse tipo podem ser totalmente evitados
simplesmente escolhendo-se frequências diferentes das que já estão em uso pelas
estações locais de TV e por outros sistemas sem fio próximos. Na prática, nem
sempre é possível convencer alguém a mudar de frequência ou forçá-lo a consertar
transmissores defeituosos; portanto, mudar a frequência do sistema sem fio pode ser
a única opção realista.

Interferência elétrica
A interferência elétrica não beneficia ninguém e quase nunca é intencional. Com
poucas exceções, os equipamentos que causam problemas de interferência elétrica
não foram concebidos para ser fonte de energia de RF. Frequentemente, a
interferência resulta de um defeito, uma falha ou um problema de manutenção que
podem ser corrigidos rapidamente. Alguns tipos de equipamentos eletrônicos
simplesmente tendem a gerar interferência no curso normal de operação.

Geralmente, os fabricantes são obrigados a projetar e fabricar seus produtos de


forma a não causarem interferência danosa. Em muitos casos, essa é uma exigência
legal, pois o governo impõe regulamentações que definem limites estritos para a
geração não intencional de interferência de RF. Os fabricantes se esforçam ao
máximo para obedecer a essas regulamentações, pois pode haver sérias penalidades
no caso de venda de dispositivos que não atendam os padrões.

Entretanto, certos tipos de equipamentos, como equipamentos de iluminação e


equipamentos elétricos industriais, não estão incluídos nessas regulamentações. Além
disso, mesmo os equipamentos eletrônicos que obedecem as regulamentações do
governo podem interferir em sistemas sem fio se não forem tomadas certas
precauções. A idade, o desgaste e uma manutenção inadequada também podem fazer
com que o equipamento acabe se tornando uma fonte de interferência. Em algumas
situações, os equipamentos podem ter sido fabricados antes que as regulamentações
entrassem em vigor e pode não ter havido nenhum esforço para reduzir a
interferência.

Há três tipos básicos de interferência elétrica: ruído de equipamentos elétricos, ruído


gerado por dispositivos eletrônicos, tal como computadores, e interferência de fontes
naturais, como descargas atmosféricas. Pode ser surpreendente, mas todas as formas
de interferência elétrica são relativamente raras e contribuem apenas para uma
pequena parcela dos problemas de interferência em sistemas sem fio. Em grande
parte, isso se deve ao fato de a redução da interferência danosa ter se tornado uma
prioridade tanto do governo como da indústria nos últimos anos. Os aperfeiçoamentos
de projeto dos equipamentos sem fio também contribuíram.

Nos casos em que a interferência elétrica se torna um problema, o tipo mais


encontrado é o ruído de RF gerado por computadores e equipamentos digitais.
Geralmente, a interferência digital pode ser identificada por seu ruído característico
de lamúria áspera ou zumbido. O volume e a característica do som costumam mudar
conforme o computador realiza diferentes tipos de operações ou quando as
configurações de controle de um dispositivo digital são alteradas. Às vezes, um
determinado dispositivo causa interferência quando está em processamento, mas não
quando ocioso.

Retardos digitais, processadores de efeitos digitais e outros equipamentos que


contêm processadores de sinais digitais (DSPs) têm mais propensão a causar
interferência em sistemas sem fio do que os computadores. Isso porque tais
dispositivos geralmente são montados no mesmo gabinete ou na mesma estante que
os receptores sem fio. Geralmente, esse tipo de interferência só é um problema
quando o receptor está próximo do dispositivo digital. Por exemplo, um receptor sem
fio que esteja sofrendo séria interferência quando instalado diretamente sobre um
dispositivo digital pode se livrar dos problemas se for movido para apenas 30 cm de
distância da unidade digital.

Um dispositivo digital pode gerar uma interferência que viaje pelos cabos de
alimentação de AC ou dos cabos de áudio, terminando por alcançar o receptor sem
fio. Às vezes, em frequências mais altas, a interferência pode viajar pela parte
externa dos cabos até o receptor. Separar fisicamente tanto os dispositivos como
seus cabos de alimentação e de áudio costuma minimizar o problema. Em alguns
casos, pode ser necessário utilizar uma fonte de alimentação de energia independente
para o dispositivo digital ou instalar um filtro de linha.

Os fabricantes de computadores e equipamentos digitais são obrigados a controlar a


quantidade de interferência gerada por eles e a obter aprovação do governo para
cada modelo ou tipo que comercializarem. Entretanto, as regras permitem que os
dispositivos digitais deixem vazar uma pequena quantidade de interferência, às vezes
suficiente para perturbar um receptor sem fio sensível instalado perto do dispositivo.
Parafusos soltos ou ausentes também podem aumentar muito a quantidade de
interferência que vaza de um dispositivo digital aprovado. Além disso, equipamentos
mais antigos podem não ter sido projetados para minimizar interferência, pois no
passado as regulamentações não eram obedecidas com seriedade.

Fontes naturais, principalmente as descargas atmosféricas, contribuem apenas para


uma pequena parcela dos problemas de interferência elétrica. Projetos aprimorados
têm tornado os receptores menos vulneráveis a aumentos repentinos de ruído de RF
oriundos de descargas atmosféricas. Entretanto, os aumentos repentinos de ruídos na
linha de entrada da alimentação de AC ainda causam problemas em receptores sem
fio e outros dispositivos de áudio sensíveis, especialmente quando a descarga atinge
as linhas de alimentação. Em regiões onde as descargas atmosféricas são frequentes,
os protetores contra surtos com filtros de linha de AC de alto desempenho podem ser
um sábio investimento.

Máquinas elétricas e sistemas de iluminação são fontes de interferência elétrica. Na


maioria dos casos, a interferência é resultado de fagulhas, arcos voltaicos e descargas
elétricas. Em poucas ocasiões, a interferência é causada por dispositivos de controle
elétrico, tais como controles de velocidade do motor, controladores de temperatura e
reguladores de luminosidade. Equipamentos de alta voltagem, especialmente letreiros
de neon, também é uma fonte conhecida de interferência.

As fagulhas são comuns em motores elétricos com escovas, especialmente motores


mais antigos, certos tipos de motores industriais grandes e motores com controle de
velocidade. Muitos eletrodomésticos e ferramentas pequenas, tais como aspiradores
de pó, liquidificadores e furadeiras de mão também usam motores com escovas. É
possível adicionar filtros a esses tipos de motores e reduzir bastante à interferência
causada por fagulhas. Entretanto, essa prática não era muito comum no passado e
alguns motores atuais também são desprovidos de filtros para reduzir o custo.
Motores mais antigos, gastos, sujos ou com manutenção precária têm mais
possibilidade de causar interferência do que unidades novas.

Os arcos voltaicos não são apenas uma fonte de interferência como também
representam um sério risco de incêndio e de segurança. Além da solda a arco,
geralmente eles são causados por fiações e equipamentos defeituosos, conexões
frouxas e isoladores com problema. Embora os circuitos de alta voltagem sejam mais
propensos a arcos, eles ocorrem frequentemente em circuitos de voltagem mais baixa
quando fios soltos raspam entre si ou contra o terra. Contatos elétricos frouxos
também podem causar arcos quando perturbados por vibrações ou choques. Os arcos
voltaicos costumam ser intermitentes, já que um arco contínuo queimaria logo os
condutores ou dispararia um desligamento ou uma falha geral. As ocorrências
intermitentes tornam mais difícil encontrar a origem exata do problema.

Devido às altas voltagens envolvidas, os letreiros de neon são particularmente


propensos aos arcos voltaicos. Eles ocorrem geralmente perto dos suportes dos tubos
ou nos pontos de conexão. Frequentemente, os fios dos sistemas de neon são
meramente emendados, e não soldados. Isso não costuma afetar muito a operação
do tubo, mas pode criar sérios problemas de interferência nos sistemas sem fio. Os
tubos podem induzir altas voltagens dentro de objetos de metal próximos, causando
arcos secundários nas estruturas e nos suportes de montagem.

As altas voltagens nos sistemas de neon também podem causar descargas de


vazamento, conhecidas como corona, que criam ruído elétrico. Outros dispositivos
que usam altas voltagens, como televisores e aparelhos de raios X, também são
propensos à corona e podem causar interferência em sistemas sem fio. A descarga
nos tubos de neon em si gera uma quantidade surpreendentemente pequena de
interferência sob circunstâncias normais. Contudo, se a luminosidade dos tubos for
reduzida através da diminuição da voltagem aplicada, há um ponto em que eles
gerarão enormes quantidades de interferência de rádio. A diminuição da luminosidade
de lâmpadas de neon deve ser evitada se houver microfones sem fio em uso.
Os controladores elétricos, especialmente os reguladores de luminosidade de
lâmpadas e os controladores de velocidade de motores, podem ser causas
significativas de interferência. Os controladores de iluminação de cena são
particularmente propensos a causar interferência, principalmente os que são usados
com sistemas de neon. Ao usar lâmpadas fluorescentes com regulagem de
luminosidade, tanto os reguladores quanto as lâmpadas são fontes potenciais de
interferência. Os reguladores de luminosidade e controladores modernos têm muito
menos possibilidade de causar problemas de interferência, mas ainda é uma boa
prática manter as antenas de recepção sem fio distantes de tais dispositivos.

A interferência dos sistemas de ignição de automóveis costumava ser um sério


problema para os sistemas sem fio, mas isso não ocorre mais. Os aprimoramentos no
projeto dos receptores sem fio e a utilização de cabos de ignição resistivos e velas de
ignição a resistor nos carros praticamente eliminaram esse problema. Somente em
situações muito raras é possível observar interferência de ignição causada por um
carro com falha na fiação da vela de ignição. Entretanto, o problema ainda pode
ocorrer com carros antigos, motores de barco, motores industriais a gás, cortadores
de grama e outras máquinas sem uma adequada supressão do ruído de ignição.

Intermodulação
A intermodulação é um tipo de interferência às vezes encontrada em sistemas de
microfone sem fio. A intermodulação difere das outras formas de interferência pelo
fato de ser criada no próprio sistema sem fio, não diretamente por alguma fonte
externa. Outros tipos de interferência são causados por outros transmissores na
frequência de operação do sistema sem fio, por portadoras de estações de TV, pela
saída harmônica de transmissores em frequências mais baixas, por emissões espúrias
de vários tipos de equipamentos eletrônicos e por fontes externas semelhantes. Em
cada caso, o sinal interferente está em uma frequência muito próxima da frequência
do sistema sem fio.

A interferência devida à intermodulação é causada por sinais fortes que geralmente


não estão perto da frequência sem fio. Em vez disso, esses sinais fortes
sobrecarregam algum circuito do receptor sem fio, fazendo com que esse circuito
gere harmônicas dos sinais fortes internamente. Em seguida, essas harmônicas
combinam-se ou misturam-se no receptor para criar uma nova frequência que não
estava presente na entrada do receptor. A nova frequência criada, chamada de
"produto da intermodulação" interfere então no sistema sem fio de maneira muito
semelhante a outras fontes de interferência.

Por exemplo, suponha que existam sistemas sem fio operando em frequências de
200,050 e 210,450 MHz em um determinado local. Suponha ainda que haja um canal
de TV 12 nessa área; a sua portadora de imagens estará em 205,250 MHz. Como os
transmissores de TV são muito potentes, o receptor sem fio em 200,050 MHz será
ligeiramente sobrecarregado pela forte portadora de imagens do canal 12, criando
uma harmônica em 410,500 MHz no amplificador de RF do receptor. Em seguida, a
harmônica se mistura com o sinal do transmissor sem fio em 210,450 MHz, da
seguinte maneira:

410,500
MHz A segunda harmônica da
portadora de imagens do
canal 12
-210,450 Outro transmissor sem
MHz fio

200,050 A frequência do primeiro


MHz sistema sem fio

Nesta situação, pode-se esperar que o sistema sem fio em 200,050 MHz fique mais
ou menos inutilizável sempre que o transmissor do outro sistema sem fio estiver em
operação. O inverso também é verdadeiro, já que 410,500 – 200,050 = 210,450
MHz. Portanto, é provável que um ou outro sistema sem fio possa ser usado nesse
local, mas não os dois ao mesmo tempo. Se não houvesse um canal de TV 12 na
área, os dois sistemas sem fio deveriam ser capazes de operar simultaneamente sem
dificuldade.

Sinais de transmissores sem fio próximos geralmente são mais fortes do que os sinais
de estações locais de TV e frequentemente causam seu próprio conjunto de
problemas de intermodulação. A terceira e a quarta harmônicas de sinais de entrada
fortes também podem se misturar em diversas combinações e criar outros tipos de
produtos de intermodulação, assim como as combinações de três sinais de entrada.
Coletivamente, essas várias combinações problemáticas são geralmente chamadas de
"intermodulação". Uma operação sem fio confiável e livre de problemas depende de
evitar frequências que sejam vulneráveis à intermodulação.

É importante notar que, no exemplo acima, a harmônica de 410,500 MHz da


portadora de TV não estava efetivamente presente na entrada do receptor; ela foi
gerada dentro do próprio receptor. Contudo, o grau de sobrecarga e intermodulação
de um receptor depende quase que exclusivamente do projeto de seu circuito. Menos
produtos de intermodulação serão gerados em receptores com circuitos resistentes a
sobrecarga e os produtos gerados terão nível menor e serão menos danosos.

A qualidade da filtragem de RF no receptor também tem um efeito importante, já que


a redução do nível de um sinal interferente, mesmo que em pequena quantidade,
diminui o nível de quaisquer produtos de intermodulação gerados em uma quantidade
muito maior. Assim, aprimoramentos relativamente pequenos nas capacidades de
sobrecarga e na filtragem de um receptor podem melhorar muito seu desempenho de
intermodulação. Essa é uma das razões pelas quais os equipamentos de alta
qualidade têm menos propensão a sofrer problemas de interferência do que os
equipamentos de fabricação barata.

Os pré-amplificadores de RF ou divisores ativos também podem ser fontes de


problemas de intermodulação. Uma vez gerado um produto de intermodulação por
um desses dispositivos, o estrago está feito e nenhum receptor será capaz de rejeitar
a interferência. Por esse motivo, é importante manter os transmissores sem fio bem
longe das antenas receptoras, para evitar sobrecarga dos pré-amplificadores de RF. É
também por esse motivo que é melhor evitar os pré-amplificadores de RF e os
divisores ativos sempre que possível, usando antenas de alto desempenho e cabos
coaxiais de baixa perda.
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