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Maquete física como ferramenta de apoio para apresentação de um projeto arquitetônico.

Dezembro/2013

Maquete física
como ferramenta de apoio para apresentação de um projeto
arquitetônico.
Fabiana Souza Laurindo – fabiana@fortecconstrutora.com.br
Master em Arquitetura
Instituto de Pós Graduação e Graduação - IPOG
Florianópolis, SC, 16 de dezembro de 2012.

Resumo

Este artigo propõe ampliar as discussões sobre a importância da maquete física como
modelo de representação espacial do projeto arquitetônico a partir da pesquisa exploratória
em torno da maquete do edifício residencial vertical de alto padrão Bella Vita Residence,
localizado na cidade de Luís Eduardo Magalhães no oeste do estado da Bahia. Neste
trabalho, enfatiza-se, sobretudo, como esse artefato auxilia a compreensão do cliente e
estimula sua decisão de compra. A pesquisa foi realizada no próprio Plantão de Vendas da
construtora do empreendimento e dividida em quatro etapas: (i) apresentação do materal
gráfico; (ii) apresentação do espaço Plantão de vendas; (iii) apresentação da maquete física
e (iv) preenchimento de questionário. A primeira etapa correspondeu a apresentação do
folder como material gráfico, contendo a descrição do empreendimento com planta baixa do
apartamento tipo humanizada, maquete eletrônica da fachada e de alguns ambientes de lazer
coletivos como: salão de festas, academia, home theater, sala de jogos, piscina e espaço
baby. A segunda etapa consistiu na apresentação da construção do próprio Plantão de
vendas com destaque para os seguintes itens : partido arquitetônico - estilo adotado,
decoração refinada, material de alto padrão de acabamento, entre outros. Na terceira etapa
o entrevistado entrou em contato com a maquete fisica e, em seguida, respondeu ao
questionário que abordava assuntos sobre o grau de entendimento do projeto, sobre
marketing, credibilidade do empreendimento e a importância de cada meio de comunicação
para a apresentação da obra. Assim, partindo desses questionamentos e do confronto com as
reflexoes teóricas de pequisadores como Consalez (2001), Knoll (2003), Lemos (2003) e
Rozestraten (2003), pode-se conjecturar que mesmo com todo recurso digital, como a
maquete eletrônica, para as pessoas leigas prevalece o recurso da maquete física como sendo
o melhor meio de representação espacial, mas que não descarta os outros meios, pois cada
qual tem sua importância e juntos colaboram particularmente na exposição global do projeto
arquitetônico.

Palavras-chave: Arquitetura . Maquete física . Representação espacial . Ferramenta de


marketing.

1. Introdução

A maquete como modelo físico em escala reduzida do que está sendo projetado é
considerada uma ferramenta facilitadora da percepção projetual, já que se caracteriza por sua
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Maquete física como ferramenta de apoio para apresentação de um projeto arquitetônico.
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relação direta com a forma de representação da realidade miniaturizada. Ao longo da história,


a maquete vem exercendo papel importante no campo das artes e da arquitetura. Desde a
Antiguidade, e em cada cultura, as construções desses modelos arquitetônicos agregaram
características peculiares no que diz respeito à forma, aos materiais empregados na sua
confeccção, aos usos sociais e às relações com a época, tal como expoê Rozestraten (2003)
em seu estudo sobre as origens e as características das primeiras maquetes. Consalez (2001),
por sua vez, ressalta que a maquete como apresentação espacial do projeto arquitetônico é
capaz de representar objetos tridimensionais que integram a descrição técnica do desenho e
comunicam os aspectos proporcionais, formais e decorativos do projeto, facilitando, segundo
o autor, “a compreensão das relações espaciais, dos volumes, dos materiais, das cores e, em
geral, das características de um espaço e de um ambiente que ainda não existam ou se
encontrem longe, e portanto não são acessíveis pela experiência direta” (CONSALEZ, 2001,
p.9).
Nesse sentido, atualmente percebe-se que os materiais de alta qualidade e as técnicas
modernas de produção garantem, cada vez mais, a perfeição dos diversos detalhes que
compõem um projeto, ao passo que a utilização da maquete, seja de um residencial de alto
padrão ou de residências populares, estimula o receptor e aguça sua percepção espacial,
proporcionando um entendimento mais amplo dos espaços projetados. Essas constatações
levam os profissionais da área a (re)pensar o papel da maquete como ferramenta de apoio para
apresentação de um projeto, principalmente do ponto de vista mercadológico, onde as
constantes exigências do mercado competitivo atual apontam para um aumento da atenção
dada ao cliente, à qualidade dos serviços, ao emprego de novas tecnologias, ao uso de novos
meios de publicidade e à apresentação dos empreendimentos.
Ao se falar de um produto fictício - algo que ainda será construído - as construtoras
precisam, sobretudo, transmitir credibilidade, confiança e despertar a vontade ou necessidade
da aquisição do imóvel que está sendo ofertado. A intenção é sempre a de criar um produto
vendável. O grande desafio é fazer acreditar que será real e, acima de tudo, um bom negócio,
porque apesar de se tratar quase sempre de atender às necessidades de morar e abrigar,
também é preciso ser um bom investimento para o comprador. Essas constatações suscitam
alguns questionamentos sobre o papel da maquete nesse contexto, visto que é um dos maiores
investimentos de apresentação e divulgação de um empreendimento. Com isso, indaga-se:
Seria a maquete um meio de representação suficiente? Qual a sua contribuição na decisão de
compra de um empreendimento? Ou será que ela está perdendo seu espaço para as maquetes
eletrônicas e todo este universo virtual e tecnológico? Uma pessoa leiga consegue
compreender realmente o projeto através do material gráfico e da maquete eletrônica?
O presente artigo expõe essas indagações como linhas condutoras de uma pesquisa
exploratória sobre o impacto da maquete. Idéia que, a priori, surgiu em função da minha
participação na feira Bahia Farm Show, em 2011, na cidade de Luís Eduardo Magalhães/
Bahia – uma das mais importantes feiras de tecnologia agrícola e de negócios do país. Neste
evento dois empreendimentos estavam sendo expostos no mesmo stand, um que agregava a
maquete física do edifício de alto padrão Bella Vita Residence, e o outro, a Casa Modular
Fischer que atende ao programa social do Governo Federal “Minha Casa Minha Vida”.

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Figura1- Maquete da Casa Modular Fischer . Fonte: Fabiana Laurindo (2011).

Acompanhando as visitações no stand pude analisar a recepção das pessoas ao


observarem as maquetes físicas. De início, constatei o impacto e a expectativa em torno dos
espaços apresentados. Os visitantes projetavam-se, com entusiasmo, como moradores virtuais
de um lar imaginário, discutindo suas necessidades e as disposições dos ambientes. A partir
dessas observações surgiu a ideia da pesquisa sobre a maquete do empreendimento do Bella
Vita Residence, edifício residencial vertical de alto padrão que está em fase de construção na
cidade na cidade de Luís Eduardo Magalhães.
Outro fator preponderante para a escolha do tema foi que, como arquiteta do projeto,
também acompanho o empreendimento do edifício desde seu início, mensurando o quanto
agrega cada maneira de apresentar o produto. No que diz respeito especificamente à maquete
tradicional, o que chamou muito a atenção foi o fato de ser o material mais expressivo que a
construtora possuia na feira, recebendo visitas de pessoas de todos os lugares, inclusive
grupos de estudantes de escolas da região que chegavam para apreciar os detalhes do projeto
através da estrutura da maquete físca.
Assim, a fim de discutir as questões em torno da pesquisa exploratória e dos
pressupostos teóricos de autores como Consalez (2001) e Rozestraten (2003), apresenta-se, a
seguir, um panorama sobre a história da maquete física, as várias formas de utilização e sua
aplicação no âmbito da arquitetura.

2. Referencial teórico

As culturas europeias dominam conhecimentos e noções de proporções de escala


reduzida e as empregam como representação artística em madeira, ossos, chifres e pedras
desde o último período glacial do continente europeu (há cerca de 25 mil anos), destaca
Rozestraten (2003). Essas representações podem ser percebidas através de desenhos, pinturas
e esculturas de animais e de ídolos femininos. Esses modelos foram criados para caberem na
palma da mão e marcam a origem da história da atividade de modelagem artística. “Em certa
medida essas pequenas esculturas inauguram uma relação de “domínio” sobre a matéria
característica do prazer estético que as maquetes e os modelos reduzidos oferecem: a
satisfação de sentir e pensar um Mundo modelado na medida da mão humana”
(ROZESTRATEN, 2003, p. 31).
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Sabe-se, tal como destaca o pesquisador, que a criação dos modelos arquitetônicos, ou
dos objetos artísticos, confunde-se com o início de uma arquitetura voltada para as práticas
agrícolas. As primeiras formas arquitetônicas foram criadas por artesões que se dedicavam a
confecção das peças em cerâmica. A trajetória da história da maquete física também
acompanha a evolução da humanidade desde o início no século V a.C. e foi registrada pelo
historiador grego Heródoto ao fazer uma descrição do uso da maquete de um templo,
enfatizando, de certa forma, seu valor como modelo simbólico.
Na Idade Média, com a construção das catedrais, a maquete era utilizada pelos
pedreiros para apresentar suas especializações, como o uso do arco, ou como apoio ao
desenvolvimento do projeto arquitetônico até o século XIV, como se percebe abaixo no
exemplo da maquete da catedral de Florença, autoria de Phillipo Brunelleschi.

Figura 2 - Catedral de Florença, 1836 – Brunelleschi.


Fonte: Disponível em: <http: www. skyscrapercity.com; vitruvius.com.br>. Acesso em: 20 nov. 2012.

No Renascimento a maquete era utilizada para angariar patrocínios para as


construções e até o século XVIII usava-se apenas como método descritivo, de avaliação ou
para estudos estruturais. Foi em meados do século XVIII que esse artefato passou a ter função
educativa nas escolas técnicas e por volta do século XIX é que os arquitetos, como Antoni
Gaudi, começaram a usá-la como experimento para uma nova linguagem arquitetônica e
exploração estrutural. A partir desse momento que a utilização e a função da maquete ganham
significados participativos na fase de concepção do projeto.

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Figura 3 - Estudo da Sagrada Família – Arquiteto Antoni Gaudi.


Fonte: Disponível em: <http: www. gaudidesigner.com >. Acesso em: 20 nov. 2012.

Já no século XX os arquitetos modernistas, observando outros aspectos na concepção


do projeto, buscaram, com a técnica da maquete física, explorar a fluidez nos espaços, a
liberdade das formas, o movimento e a variação na volumetria das fachadas, bem como a
funcionalidade e os sentidos sensoriais de maneira, proporcionando maior conforto ao
usuário. Os arquitetos Mies Van Del Rohe, Frank Gehry, Frank Lloyd Wright e os da escola
Bauhaus1 (1919), por exemplo, empregavam a maquete como ferramenta auxiliadora no
trabalho. Juntamente com a escala, a forma e as cores para possibilitar a manipulação da
terceira dimensão, eles reforçaram a condição limitada de apresentação que as representações
ortográficas (planta e perspectiva) proporcionavam, além de auxiliar na percepção das
necessidades e dificuldades do processo construtivo.

1
Fundada em 1919 pelo arquiteto Walter Gropius, em Weimar, na Alemanha, a escola de Bauhaus agregou disciplinas como
arquitetura, pintura, escultura e desenho industrial, inovando substancialmente o design moderno ao interligar vários tipos de
arte e materiais, como cerâmica, tecelagem e marcenaria. Além de simplificar volumes, geometrizar as formas com o
predomínio de linhas retas. (Cf. Carmel-Arthur, 2001).

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Figura. 4 - Maquete da Casa Farnsworth (1951- Arquiteto Mies Van Del Rohe.
Fonte: Imagem disponível em: <http: www.archdaily.com.br/.../classicos-da-arquitetura-casa-farnsworth>. Acesso em: 20 nov.2012.

Figura 5 - Casa da Cascata, 1934 - Arquiteto Frank Lloyd Wright.


Fonte: Imagem disponível em: <http://www.archdaily.com.br/53156/classicos-da-arquitetura-casa-da-cascata-frank-lloyd-wright/>.
Acesso em: 20 nov. 2012.

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Figura 6 - Maquete Galeria de artes em Washington - Arquiteto Frank Gehri


Fonte: Imagem disponível em: http://picasaweb.google.com/lh/photo/CUA4ipivV80QIG_TRqbZ1w. Acesso em: 20 nov. 2012.

Na década de 50 há um abandono do uso da maquete física, pois as concepções


estéticas do Modernismo e suas formas minimalistas, de certa forma, relegam esse modelo de
representação arquitetônica. Somente na década de 70 a maquete retoma seu espaço e ganha
funções diversas agregando grande importância no processo de comunicação e compreensão
da arquitetura, mas nos anos 1990 com toda revolução tecnologia sua credibilidade e
aplicabilidade volta ser questionada, levando a crer que sua substituição pela maquete virtual
seria irreversível. Todavia, as práticas de mercado, os cursos de Arquitetura e Urbanismo e
grandes empreendimentos mostram que até hoje sua aplicação não caiu em desuso, houve
uma reconfiguração das funções e das novas técnicas de confecção, bem como profícuas
reflexões sobre o papel da maquete na comunicação do projeto, questões que também são
retomadas pelos autores Consalez (2001), Knoll (2003) e Rozestraten (2003), entre outros.

Figura 7- Maquete que simula o estilo Maneirismo, construída em sala de aula para a disciplina de
Linguagem do Design de Interiores, na Pós - graduação do IPOG em Goiânia/GO. Fonte: Fabiana Laurindo (2011).

Por outro lado, à descontento dos empreendimentos de pequeno porte, a aplicação da


maquete tornou-se inviável, devido ao elevado custo, sobretudo no caso de fabricação
artesanal que requer muito tempo, tornando onerosa a sua utilização, pois o tempo e prazo
para maioria dos projetos são extremamente curtos. Contudo, existem no mercado empresas
especializadas para esta finalidade, sendo que muitas estão aliadas às empresas de
comunicação visual (que trabalham com maquete eletrônica, representação técnica e tour
virtual, etc.) de modo a atender o mercado com todos os meios de comunicação.
Outro fator importante em relação ao emprego da maquete física é que, além do
desenvolvimento individual e estudo espacial da edificação, existe a possibilidade da
maximização deste espaço com a reprodução do entorno ao qual a edificação será inserida.
Desta maneira, a avaliação espacial avança para um nível mais complexo, onde a edificação
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passa a ter comunicação direta com o entorno. Assim, ao agregar o espaço urbano a
comunicação se efetiva de forma mais relevante, garantindo um entrosamento harmonioso e o
sucesso no projeto arquitetônico.

Figura 8 - Museu Guggenheim em Abu Dhabi, Frank Gehry.


Fonte: Imagem disponível em: http://picasaweb.google.com/lh/photo/CUA4ipivV80QIG_TRqbZ1w. Acesso em: 20 nov. 2012.

Em contrapartida, é importante salientar a desvantagem da maquete física em relação à


maneira como esta é exposta, sempre fixa em um único lugar. Já a maquete eletrônica, com
todos seu aparatos fotorrealísticos da computação gráfica, também é uma excelente forma
ilustrativa tridimensional, podendo ser apresentada através de impressos e animações virtuais,
somando-se a vantagem que o cliente poder ter acesso em qualquer momento e em qualquer
lugar. Por outro lado, maquete eletrônica não proporciona noção mais aproximada do espaço
real e dos detalhes da obra – papel desempenhado pela maquete física.
Vê-se, a seguir, como algumas colocações expostas acima são confrontados na pesquisa
exploratória que problematiza justamente o papel da maquete na apresentação do projeto
arquitetônico.

3. Metodologia da pesquisa

A pesquisa sobre a maquete física do Bella Vita Residence configura-se como do tipo
quantitativa e exploratória, pois, conforme Gil (1999), tem como objetivo formular
questionamentos e ampliar reflexões sobre maquete física enquanto modelo representação
arquitetônica e mercadológica.
A pesquisa de campo foi realizada durante o período de 09 de Julho a 20 de novembro
de 2012, no Plantão de vendas do empreendimento Bella Vita Residence, localizado na Rua
Jorge Amado, nº 556, Bairro Jardim Paraíso na cidade de Luís Eduardo Magalhães - estado da
Bahia. Para tanto, foram entrevistadas 38 pessoas com idade média entre 25 a 45 anos e

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profissões variadas, sendo oito clientes do empreendimento. Para coletar os dados dos
entrevistados foram estabelecidos os seguintes passos:

1º Passo – Apresentação do folder, material gráfico de divulgação do empreendimento;

2º Passo – Apresentação da construção do próprio Plantão de vendas, com destaque para o


partido arquitetônico - estilo adotado, decoração refinada, material de alto padrão de
acabamento, entre outros,. como amostra do padrão e estilo a ser seguido para o
empreendimento Bella Vita Residence;

3º Passo – Apresentação da maquete física no próprio espaço do Plantão de vendas;

4º Passo – Entrega do questionário de múltipla escolha. Em paralelo a pesquisadora registrou,


através de um questionário próprio e sucinto, sua impressão em relação às respostas dos
entrevistados, podendo assim anulá-las caso fossem duvidosas.

Figura 9 - Plantão de vendas do Bella Vita Residence - exposição da maquete ao lado esquerdo.
Fonte: Fabiana Laurindo (2012).

PESQUISA DE CAMPO – QUESTIONÁRIO Nº 001

Local: Plantão de vendas do Bella Vita Residence, Luís Eduardo Magalhães/ BA


Proprietária: Atual Empreendimento e Fortec Construtora & Incorporadora.

Data:........................................................................ Período: ...................................


Nome: ..................................................................... Sexo: ........................................
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Estado civil: ............................................................ Profissão: ....................................


Idade: ( ) de 22 a 35 ( ) de 36 a 50 ( ) de 51 a 65 ( ) acima de 65.
1. Há quanto tempo mora em Luís Eduardo Magalhães/ BA?
( ) menos de 2 anos ( ) de 2 a 5 anos ( ) mais de 5 anos ( ) não reside

2. Caso residente, por qual motivo veio morar na cidade?


( ) transferido/ trabalho ( ) espontaneamente a trabalho ( ) outros

3. Qual motivo abaixo defini sua participação nesta pesquisa?


( ) À convite ( ) visita espontânea ( ) eventualidade

4. Por que meio de comunicação soube do empreendimento?


( ) Jornal ( ) outdoor ( ) internet ( ) boca à boca ( ) ...........................

5. Qual sua primeira impressão ao saber deste empreendimento?


( ) curiosidade ( ) equívoco ( ) indiferença ( ) ...........................

6. Você acredita que esta edificação irá contribuir na valorização do espaço urbano?
( ) sim ( ) não ( ) não tenho opinião

7. Você já teve contato anteriormente com uma maquete?


( ) sim ( ) não

8. Qual foi sua primeira impressão ao ver a maquete física?


( ) boa ( ) ruim ( ) indiferente ( ) ...........................

9. Você acredita que a maquete pode valorizar a apresentação do empreendimento?


( ) pouco ( ) mediamente ( ) muito ( ) nada

10. Ao analisar a maquete, você consegue imaginar-se usuário (a) dos espaços propostos?
( ) sim ( ) não ( ) um pouco ( ) ...........................

11. Após apresentação de todo o material de divulgação (folder, maquete e amostra do tipo
de construção) você acredita compreender o empreendimento?
( ) sim ( ) não ( ) talvez ( ) ...........................

12. Qual dos meios de apresentação você achou mais esclarecedor para entender o
empreendimento?
( ) impressos: jornais, folders e outdoors ( ) internet ( ) maquete física

13. Quantificar o grau de importância de cada item, sendo que a soma de todos tem que ser
10 (dez) pontos.
( ) impressos: jornais, folders e outdoors ( ) internet ( ) maquete física

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14. Com base no que foi apresentado, qual o padrão você acredita se enquadrar este
empreendimento?
( ) baixo ( ) médio ( ) alto

15. Você acha que o empreendimento atendeu suas expectativas?


( ) sim ( ) não ( ) ...........................

FORMULÁRIO DA PESQUISADORA Nº 001

O entrevistado (a):

1- Houve hesitação em responder alguma das perguntas?


( ) sim – qual? ....................................................................... ( ) não

2- Pareceu ser sincera as respostas da pessoa entrevistada?


( )sim ( )não – por que? .......................................................................

3- Mostrou dificuldade de responder as questões?


( ) sim ( )não

Observações:
.......................................................................................................................................................
...................................................................................................................................

Figura 10 – Maquete física Bella Vita Residence e entrevistada. Fonte: Fabiana Laurindo (2012).

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4. Análise de dados

Como foi o primeiro empreendimento da construtora no estado da Bahia e por


representar uma contrução inovadora e de padrão mais elevado da região com 22 pavimentos,
heliponto, sistema construtivo de ponta, entre outros itens não abordados por outras
construtoras, constatou-se que todos participantes da pesquisa já sabiam do empreendimento,
sendo que 59% dos entrevistados souberam através do boca a boca, 13% pelo outdoor
instalado na BR-020 que corta a cidade, 13% pelos jornais e o restante dos 15% por outros
meios ou não lembraram. Vale lembrar que a construtora dispunha como meio de
comunicação o Plantão de vendas com a maquete física, folders, jornais, internet e outdoors.
Quando questionados sobre as expectativas criadas em relação ao empreendimento
antes dos entrevistados terem contato ao material (espaço do Plantão de vendas, o matrial
gráfico e a maquete fisíca), constatou-se que 100% dos entrevistados dentro do que havia sido
comentado, tiveram suas expectativas atendidas, isto mostra que o material de divulgação
apresentado conseguiu criar uma identidade condizente com o que se propunha para o
empreendiemento, e onde 100% dos entrevistados reconhecem uma identidade visual.
Do total dos entrevistados 61% já havia tido contato com alguma maquete
anteriormente e 39% nunca tiveram contato. Observou-se que 94% dos entrevistados
acreditam que a maquete física contribui muito na apresentação do empreendimento e no
entendimento geral. Dessa forma, podemos concluir que a maquete participa de maneira
efetiva na decisão de compra do mesmo.
Ademais, com seus 12 anos de emancipação de Barreiras, a cidade de Luís Eduardo
Magalhães - onde esta implantado o empreendimento - possui uma população basicamente
jovem e está entre as cidades mais promissoras do Brasil em termos de desenvolvimento
agrário e urbano. O que faz com a cidade receba a vista de muitos investidores. Os
entrevistados representavam 41% residentes há mais de 5 anos, 15% menos de 2 anos, 23%
entre 2 a 5 anos, sendo que o restante dos entrevistados, 21% não eram residentes ou
pretendiam adquirir alguns imóvel na cidade. Com isso, também pode-se observar que as
pessoas da cidade, bem como os entrevistados são de diversos lugares do país e com
diversidade cultural proeminente. Neste caso, a proposta do empreendimento não poderia ser
direcionada a um público específico; e teria que atender às culturas distintas e aos diferentes
modos de morar. Esta constatação é de extrema importância, pois considera que a maioria
compradores e clientes da construtora são pessoas de faixa etária mais madura (superior a 45
anos) e com situação financeira consolidada, mostrando sempre preocupação com segurança,
conforto e comodidade. Essas questões influenciam diretamente no partido arquitetônico visto
que, conforme discute Lemos (2003), está ligada às subjetividades individuais, aos aspectos
da personalidade e às condições financeiras.
No que diz respeito especificamente à maquete física, objeto central da pesquisa,
constatou-se ser a forma de apresentação mais elucidativa, atingindo 50% da prefêrencia dos
entrevistados, 47% destacaram os impressos e 3% a internet. É importante considerar que
os entrevistados eram pessoas leigas – não possuíam base de conhecimento dentro da área da
construção civil e a maquete por sua vez é agradável ao cliente, favorece e muito ao bom
entendimento do empreendimento, sana eventuais dúvidas e consolida a decisão, ou não,
daquilo que realmente o cliente procura.
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Dentre os relatos dos entrevistados, vale destacar alguns posicionamentos. Um


comprador do empreendimento, por exemplo, relatou que só após visualizar a maquete física
pôde ter a ideia real de como seria o espaço do terraço do apartamento diferenciado, pelo qual
estava interessado, pois julgava pela planta baixa apresentada ser possível subir paredes no
parapeito para isolar uma determinada área de terraço e criar um novo ambiente de
churrasqueira. Ao ver a maquete física percebeu a impossibilidade de sua ideia, pois alteraria
a fachada do prédio.
Outro entrevistado se posicionou sobre o início da rampa da garagem. Acostumado
com prédios de extrema com o passeio público acreditava que o portão do acesso da garagem
era direto no muro frontal, mas com a maquete constatou que existe o primeiro portão que
está no muro frontal, depois existe um recuo com o edifício e o portão que dará acesso à
garagem. Este mesmo entrevistado também salientou o tipo de revestimento da fachada como
algo que chamou sua atenção ao observar a maquete física. A partir dela reparou que havia
detalhes com pastilhas cerâmicas que antes não havia percebido.
Já outra entrevistada comentou que estava procurando um imóvel para comprar e em
visita a outra construtora ao observar a maquete física exposta desistiu do investimento por
completo, relatou que era de certa forma de gosto duvidoso a escolha dos materiais empregue
e sem critério de confecção causando até má impressão do empreendimento.
Compreensão

Entenderam
Mais ou menos
Não entenderam

Figura 11 – Gráfico referente à questão sobre o nível de compreensão.

Que meio de comunicação soube do


empreendimento

Jornal
Internete
boca a boca
outdoor

Figura 12 – Gráfico referente à questão sobre os meios de comunicação.

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Grau de importância

Impressos
Internete
Maquete física

Figura 13 – Gráfico referente à questão sobre os meios de apresentação mais esclarecedores para entender o empreendimento

Importância dada para cada meio de


apresentação

Impressos
Internet
Maquete física

Figura 14 – Gráfico referente á questão sobre grau de importância de cada item.

5. Conclusão

Com base nos dados da pesquisa realizada, concluiu-se que os vários meios de
comunicação para representação de um empreendimento possuem diferentes graus de
importância, mas quando somados são de grande valia para tornar elucidativo o projeto
arquitetônico apresentado.
No intuito de atender um mercado cada vez mais exigente, investe-se cada vez mais em
melhores apresentações dos projetos aos clientes. Um bom marketing está totalmente ligado
aos meios de exploração sensorial com mais apelo ao visual, sendo a maquete eletrônica
muitas vezes responsável para incetivo nas vendas e na visitação nos stands. Estrátegias de
divulgação quando bem elaboradas, além de informarem, servem para atrair, encantar,
despertar sensações e situações que irão mexer com o sentido lúdico dos clientes. Assim, vale
lembrar os apontamentos de Conzalez (2001) de que a descrição analítica e técnica não
consegue exaurir a exigência da representação, visto que a comunicação do projeto
arquitetônico requer outros instrumentos que dialogem mutuamente e facilitem a
compreensão do expectator.
Dessa forma, no que tange à maquete física, a pesquisa demonstra a importância do uso
do modelo tridimensional. No entanto, não se pode negar que ainda é um artefato de

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Dezembro/2013

apresentação insuficiente, pois a representação miniaturizada não equivale a uma observação,


in loco, de um empreedimento e oculta parte de informações valiosas. Ainda assim, é uma
ferramente que, agregada a outras estratégias, permite tornar mais próxima a vizualização de
um projeto, agregar valores, atender expectativas e incitar o desejo de compra. Sua função, de
certa forma, também emerge da base das concepções vitruvianas que, ao longo do tempo,
aponta para a solidez, utilidade e beleza como conceitos e concepções arqutetônicas (Cf.
Lemos, 2003).

6. Referências bibliográficas

CARMEL-ARTHUR, Judith. Bauhaus. Tradução de Luciano Machado. São Paulo: Cosac


Naify edições, 2001.

CONSALEZ, Lorenzo. Maquetes: a representação do espaço no projeto arquitetônico.


Barcelona: Editora Gustavo Gili, 2001.

GIL, Antônio C. Métodos e técnicas em pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999.

KNOLL, Wolfgang. Maquetes arquitetônicas. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2003.

LEMOS, Carlos A. C. O que é Arquitetura. São Paulo: Brasiliense, 2003.

ROZESTRATEN, Artur Simões. Estudo sobre a história dos modelos arquitetônicos na


antigüidade: origens e características das primeiras maquetes de arquiteto. 2003. Dissertação
(Mestrado em Estruturas Ambientais Urbanas) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/
disponiveis/16/16131/tde-09062009-145825/>. Acesso em: 25 nov. 2012.

ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 6ª Edição nº 006 Vol.01/2013 –dezembro/2013