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LIBER

Livro n a

Data:_

LIÇÕES DE RETÓRICA
SAGRADA

SEMINÁRIO COUGOflDIA
São Leopoldo
— BIBLIOTECA —
PREFÁCIO APRESENTANDO

Honrou-me a viúva de Herculano Gouvêa Júnior com


a incumbência de fazer a apresentação das LIÇÕES DE RE-
TÓRICA SAGRADA, obra póstuma que vem enriquecer a
0 leitor encontrará, nas páginas deste compêndio, literatura evangélica no Brasil.

as lições por longo tempo ministradas às classes de homi- O presente livro é incontestavelmente um conjunto de
princípios valiosos para o trabalho do pregador da palavra
lética do Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas.
de Deus. Constitue uma exposição prática, clara e comple-
ta de idéias que deveriam ter sido constantes nas aulas mi-
Cumpre-me declarar que, no curso de retórica sa- nistradas pelo autor, quando professor da Faculdade Teo-
grada, tomei por guia o Dr. R. L. Dabney, de quem derivei lógica da Igreja Presbiteriana em Campinas.
orientação e princípios. A teoria aqui exposta eu a devo, É uma contribuição valiosa para o pregador que dese-
em grande parte, ao referido teólogo. O próprio Dr. Dabney ja conseguir êxito no ministério de ensinar a palavra de
confessa que foi em outros autores que encontrou os ger- Deus e de apresentar as verdades bíblicas. O grande sábio
de Israel afirmou que "a palavra boa no momento oportu-
mes e mesmo as formas de expressão de quase todas as
no é semelhante à maçã de ouro em uma salva de prata".
suas idéias. Não teve qualquer pretensão de ser original.
O trabalho de Herculano Gouvêa Júnior é excelente
em si mesmo, não necessita de apresentação para revelar
. Grande alegria sinto em poder, mediante este vo- o seu mérito. É ótimo, quando se considera o fato de sua
lume, prolongar, no tempo e no espaço, meu magistério, oportunidade.

cooperando assim na preparação dos futuros continuado- Poderíamos aduzir várias razões para justificar a nossa
res da gloriosa tarefa de evangelizar o Brasil. afirmação.
Quando o sermão parece ir perdendo a sua importân-
cia em alguns setores evangélicos, quando o cuidado da
preparação do sermão torna-se quase lugar comum e, ain-
da, quando a escolha dos textos e dos assuntos passam pa-
ra um lugar inferior, o trabalho de Herculano Gouvêa Jú-
nior torna-se realmente oportuno.

A obra dividida em três partes, é constituída de uma


parte técnica, uma prática, com grande número de análi-

. f l P I l l l f t l Í M t M _ —. i.' .
PREFÁCIO APRESENTANDO

Honrou-me a viúva de Herculano Gouvêa Júnior com


a incumbência de fazer a apresentação das LIÇÕES DE RE-
TÓRICA SAGRADA, obra póstuma que vem enriquecer a
0 leitor encontrará, nas páginas deste compêndio, literatura evangélica no Brasil.

as lições por longo tempo ministradas às classes de homi- O presente livro é incontestavelmente um conjunto de
princípios valiosos para o trabalho do pregador da palavra
lética do Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas.
de Deus. Constitue uma exposição prática, clara e comple-
ta de idéias que deveriam ter sido constantes nas aulas mi-
Cumpre-me declarar que, no curso de retórica sa- nistradas pelo autor, quando professor da Faculdade Teo-
grada, tomei por guia o Dr. R. L. Dabney, de quem derivei lógica da Igreja Presbiteriana em Campinas.
orientação e princípios. A teoria aqui exposta eu a devo, É uma contribuição valiosa para o pregador que dese-
em grande parte, ao referido teólogo. O próprio Dr. Dabney ja conseguir êxito no ministério de ensinar a palavra de
confessa que foi em outros autores que encontrou os ger- Deus e de apresentar as verdades bíblicas. O grande sábio
de Israel afirmou que "a palavra boa no momento oportu-
mes e mesmo as formas de expressão de quase todas as
no é semelhante à maçã de ouro em uma salva de prata".
suas idéias. Não teve qualquer pretensão de ser original.
O trabalho de Herculano Gouvêa Júnior é excelente
em si mesmo, não necessita de apresentação para revelar
. Grande alegria sinto em poder, mediante este vo- o seu mérito. É ótimo, quando se considera o fato de sua
lume, prolongar, no tempo e no espaço, meu magistério, oportunidade.

cooperando assim na preparação dos futuros continuado- Poderíamos aduzir várias razões para justificar a nossa
res da gloriosa tarefa de evangelizar o Brasil. afirmação.
Quando o sermão parece ir perdendo a sua importân-
cia em alguns setores evangélicos, quando o cuidado da
preparação do sermão torna-se quase lugar comum e, ain-
da, quando a escolha dos textos e dos assuntos passam pa-
ra um lugar inferior, o trabalho de Herculano Gouvêa Jú-
nior torna-se realmente oportuno.

A obra dividida em três partes, é constituída de uma


parte técnica, uma prática, com grande número de análi-

. f l P I l l l f t l Í M t M _ —. i.' .
ses bíblicas e testos para sermões e as notas adicionais em
que apresenta os requisitos essenciais ao sermão.
Companheiro de estudos do autor, percebemos na pre-
sente obra, o aproveitamento do longo tempo de leitura
a anotação que caracterizou a sua vida, e hoje, testemunha-
mos o resultado desse trabalho silencioso cujos frutos se-
rão permanentes e abundantes. AUTORIA E ORIGINALIDADE
Apreciamos a maneira simples da exposição dos vá-
rios assuntos que constituem as LIÇÕES DE RETÓRICA SA- 1. — "Da retórica de Aristóteles se extraiu a maté-
GRADA. Distancia-se da obra de Dabney que lhes serviu ria de todos os tratados da arte oratória, antigos e moder-
de modelo, isto é, não é uma reprodução desse trabalho, nos." — Jules Senger.
avantajando-se até na apresentação de esboços de sermões
bem escolhidos. A análise bíblica foi uma das característi- 2. — "Depois de Quintiliano, que reuniu na sua obra
cas dos sermões do autor da presente obra. admirável todos os segredos da arte oratória do seu tempo,
não se acrescentou grande coisa ao ensino da eloqüência."
Releva-nos ainda salientar, que se percebe a índole jo-
cosa do saudoso professor que apresenta um assunto sério — Maurice Garçon.
e profundo com uma forma positivamente alegre e agradá-
vel. 3. — A "Instituição Oratória" de Quintiliano não con-
tém nenhuma idéia nova, constituindo apenas uma suma
Sentiria, certamente, grande alegria, visse o seu ma-
de tudo quanto fora anteriormente publicado sobre a arte
gistério, prolongado no tempo e no espaço, "cooperando
oratória." — Jules Senger.
assim na preparação dos futuros continuadores da glorio-
sa tarefa de evangelizar o Brasil".
4. — "Uma retórica para ser excelente deveria com-
Lamentamos que aparecesse após a morte do ilustre preender todos os belos preceitos de Aristóteles, de Cícero,
e piedoso servo de Deus, um, trabalho que, publicado sob a de Quintiliano, de Luciano, de Longino e de outros autores
sua direção, lhe faria sentir os aplausos de seus amigos pe- célebres." — Fènelon.
la obra que reflete o espírito do profundo pensador e pie-
doso servo de Cristo.

Cabe essa alegria à sua família e amigos, e à Igreja


Presbiteriana no Brasil.

Tancredo Costa
ses bíblicas e testos para sermões e as notas adicionais em
que apresenta os requisitos essenciais ao sermão.
Companheiro de estudos do autor, percebemos na pre-
sente obra, o aproveitamento do longo tempo de leitura
a anotação que caracterizou a sua vida, e hoje, testemunha-
mos o resultado desse trabalho silencioso cujos frutos se-
rão permanentes e abundantes. AUTORIA E ORIGINALIDADE
Apreciamos a maneira simples da exposição dos vá-
rios assuntos que constituem as LIÇÕES DE RETÓRICA SA- 1. — "Da retórica de Aristóteles se extraiu a maté-
GRADA. Distancia-se da obra de Dabney que lhes serviu ria de todos os tratados da arte oratória, antigos e moder-
de modelo, isto é, não é uma reprodução desse trabalho, nos." — Jules Senger.
avantajando-se até na apresentação de esboços de sermões
bem escolhidos. A análise bíblica foi uma das característi- 2. — "Depois de Quintiliano, que reuniu na sua obra
cas dos sermões do autor da presente obra. admirável todos os segredos da arte oratória do seu tempo,
não se acrescentou grande coisa ao ensino da eloqüência."
Releva-nos ainda salientar, que se percebe a índole jo-
cosa do saudoso professor que apresenta um assunto sério — Maurice Garçon.
e profundo com uma forma positivamente alegre e agradá-
vel. 3. — A "Instituição Oratória" de Quintiliano não con-
tém nenhuma idéia nova, constituindo apenas uma suma
Sentiria, certamente, grande alegria, visse o seu ma-
de tudo quanto fora anteriormente publicado sobre a arte
gistério, prolongado no tempo e no espaço, "cooperando
oratória." — Jules Senger.
assim na preparação dos futuros continuadores da glorio-
sa tarefa de evangelizar o Brasil".
4. — "Uma retórica para ser excelente deveria com-
Lamentamos que aparecesse após a morte do ilustre preender todos os belos preceitos de Aristóteles, de Cícero,
e piedoso servo de Deus, um, trabalho que, publicado sob a de Quintiliano, de Luciano, de Longino e de outros autores
sua direção, lhe faria sentir os aplausos de seus amigos pe- célebres." — Fènelon.
la obra que reflete o espírito do profundo pensador e pie-
doso servo de Cristo.

Cabe essa alegria à sua família e amigos, e à Igreja


Presbiteriana no Brasil.

Tancredo Costa
IMPORTÂNCIA DA PREGAÇÃO

É exatamente no púlpito que vamos encontrar o ponto


de contacto mais estreito e constante entre a Igreja e o
Seminário.

Disse Emerson que ao cristianismo deve o mundo duas


invenções de imenso valor: o domingo e o sermão. Pode-
mos acrescentar que ao protestantismo se deve uma coisa
não menos valiosa : a reabilitação do sermão evangélico.
Isso porque, na expressão feliz do grande historiador Philip
Schaff, "os reformadores colocaram o púlpito acima do
DUAS CITAÇÕES : DE BUSHNELL E DE LOETSCHER altar."

" A homilética consíitue a coroa da preparação minis- Não obstante os maravilhosos recursos de comunica-
terial". — Bushnell. ção de que dispõe modernamente a palavra humana, ainda
não existe o que se compare à influência, por assim dizer
"No Seminário Teológico da atualidade a cadeira de
catalítica, exercida pela presença do orador sobre o seu
homilética é o ponto para onde convergem as demais dis-
auditório.
ciplinas e onde a matéria do curso se transforma em poder
para o serviço do reino de Deus". — F. W. Loetscher. Se a eloqüência é a irradiação da verdade através de
um temperamento, a prédica só poderá ser a propagação
Biblical and Theological Studies, Princeton, 1912. da mensagem cristã mediante a personalidade de um lídimo
servo de Deus.

Por isso, de acordo com o autorizado sentir do mestre


Dabney, tenho igualmente por insubstituível a palavra do
pregador.

Disto, aliás, irrefragável comprovação se nos depara


na experiência da Igreja. Pattison, por exemplo, escreveu
sua História do Púlpito "para demonstrar que a voz do
pregador nunca deixou de atuar poderosamente na socie-
dade humana, desde os tempos apostólicos até os nossos
dias."
IMPORTÂNCIA DA PREGAÇÃO

É exatamente no púlpito que vamos encontrar o ponto


de contacto mais estreito e constante entre a Igreja e o
Seminário.

Disse Emerson que ao cristianismo deve o mundo duas


invenções de imenso valor: o domingo e o sermão. Pode-
mos acrescentar que ao protestantismo se deve uma coisa
não menos valiosa : a reabilitação do sermão evangélico.
Isso porque, na expressão feliz do grande historiador Philip
Schaff, "os reformadores colocaram o púlpito acima do
DUAS CITAÇÕES : DE BUSHNELL E DE LOETSCHER altar."

" A homilética consíitue a coroa da preparação minis- Não obstante os maravilhosos recursos de comunica-
terial". — Bushnell. ção de que dispõe modernamente a palavra humana, ainda
não existe o que se compare à influência, por assim dizer
"No Seminário Teológico da atualidade a cadeira de
catalítica, exercida pela presença do orador sobre o seu
homilética é o ponto para onde convergem as demais dis-
auditório.
ciplinas e onde a matéria do curso se transforma em poder
para o serviço do reino de Deus". — F. W. Loetscher. Se a eloqüência é a irradiação da verdade através de
um temperamento, a prédica só poderá ser a propagação
Biblical and Theological Studies, Princeton, 1912. da mensagem cristã mediante a personalidade de um lídimo
servo de Deus.

Por isso, de acordo com o autorizado sentir do mestre


Dabney, tenho igualmente por insubstituível a palavra do
pregador.

Disto, aliás, irrefragável comprovação se nos depara


na experiência da Igreja. Pattison, por exemplo, escreveu
sua História do Púlpito "para demonstrar que a voz do
pregador nunca deixou de atuar poderosamente na socie-
dade humana, desde os tempos apostólicos até os nossos
dias."
Eu creio, pois, profundamente na importância e na
permanência da pregação. E essa crença minha se firma
naquela derradeira ordem dada por Cristo aos seus discí-
pulos : "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda
a criatura."

(De uma alocução proferida pelo autor do compêndio,


em 29 de novembro de 1957).
Eu creio, pois, profundamente na importância e na
permanência da pregação. E essa crença minha se firma
naquela derradeira ordem dada por Cristo aos seus discí-
pulos : "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda
a criatura."

(De uma alocução proferida pelo autor do compêndio,


em 29 de novembro de 1957).
HOMILÉTICA
Notas reunidas das aulas dadas no Curso de Homilética do
Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas.

P R E L I M I N A R E S

1.— Lugar na Enciclopédia Teológica.


A Enciclopédia Teológica se divide em quatro partes
a saber: la.) Teologia Exegética, 2a.) Teologia Doutrinal,
3a.) Teologia Histórica, 4a.) Teologia Pragmática.
A Homilética pertence à última divisão, isto é, à Teo-
logia Pragmática, que também se denomina prática ou
pastoral.

2. •— Compêndios : 1) Burt, 2) Broadus, 3) Vinet, 4) Da-


bney, 5) Shedd.

3. —¡ Definição de retórica: Retórica é a arte de falar


em público. O termo "retórica" vem do grego rhetoriké,
que se deriva de rhétor, e finalmente, do verbo rhéo,
que significa correr, fluir, falar.
4. — Fins da eloqüência: 1) Convencer — elemento
intelectual; 2) Agradar —• elemento sentimental; 3) Persua-
dir — elemento volitivo. Nota o processo psicológico : a
idéia suscita o sentimento e o sentimento move a vontade.
5. —• Divisão da retórica : 1) literária, 2) jurídica e
3) sagrada (homilética).

6. — Definição de Homilética : Homilética é a arte de


pregar. Esse termo tem origem no verbo grego homiléo,
que quer dizer conversar.

SEMINÁRIO CONCÓRDIA
HOMILÉTICA
Notas reunidas das aulas dadas no Curso de Homilética do
Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas.

P R E L I M I N A R E S

1.— Lugar na Enciclopédia Teológica.


A Enciclopédia Teológica se divide em quatro partes
a saber: la.) Teologia Exegética, 2a.) Teologia Doutrinal,
3a.) Teologia Histórica, 4a.) Teologia Pragmática.
A Homilética pertence à última divisão, isto é, à Teo-
logia Pragmática, que também se denomina prática ou
pastoral.

2. •— Compêndios : 1) Burt, 2) Broadus, 3) Vinet, 4) Da-


bney, 5) Shedd.

3. —¡ Definição de retórica: Retórica é a arte de falar


em público. O termo "retórica" vem do grego rhetoriké,
que se deriva de rhétor, e finalmente, do verbo rhéo,
que significa correr, fluir, falar.
4. — Fins da eloqüência: 1) Convencer — elemento
intelectual; 2) Agradar —• elemento sentimental; 3) Persua-
dir — elemento volitivo. Nota o processo psicológico : a
idéia suscita o sentimento e o sentimento move a vontade.
5. —• Divisão da retórica : 1) literária, 2) jurídica e
3) sagrada (homilética).

6. — Definição de Homilética : Homilética é a arte de


pregar. Esse termo tem origem no verbo grego homiléo,
que quer dizer conversar.

SEMINÁRIO CONCÓRDIA
14 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 15

7. — Relação entre retórica e homilética : a retórica 13. — Natureza da homilética: A homilética não foi
é o gênero, a homilética é a espécie. criada artificialmente : mas consiste na fixação das leis da
natureza, no que se refere à eloqüência e de acordo com
A homilética, como diz Burt, é superior à retórica pe-
suas manifestações na pessoa dos grandes pregadores. Por-
lo fim que tem em vista; mas, pela sua natureza e méto-
tanto não pode ser contrária à natureza. Obedecer aos pre-
dos, como diz Vinet, está subordinada à retórica, de que
faz parte. ceitos da homilética, é obedecer à natureza, de que ela se
deriva.
8. — Discurso e Sermão.
14. — Necessidade de homilética : É um erro depen-
O sermão se distingue de qualquer outro discurso pela der exclusivamente do auxílio divino, e cair na indolência,
natureza de seu conteúdo e pelo propósito que tem em evitando todo estudo, esforço e trabalho. A promessa con-
mira. Diz Phelps : "O sermão é um discurso popular so- tida no evangelho de Mateus, capítulo 10, versículos 18 a
bre uma verdade religiosa contida nas E s c r i t u r a s e elabo- 20, se refere a uma situação diferente daquela em que se
rada convenientemente, com o propósito de levar o audi-
encontra o ministro, que tem a obrigação de pregar regu-
tório à "persuasão".
larmente em uma Igreja, e que para isso dispõe de pre-
Nessa definição, estão sublinhadas as palavras de paro, livros e tempo. O sermão que mais seguramente po-
maior importância. derá contar com a bênção de Deus, disse alguém, é aquele
que maior trabalho houver custado ao pregador.
9. — Fontes : 1) Direta : compêndios de homilética.
15. _ valor da homilética — "É um engano supor
2) Indireta : história do púlpito e sermões dos grandes pre-
gadores. que o ignorante não percebe o valor de um sermão bem
composto e ordenado: ele sente o efeito disso, embora
10. — Divisão da homilética: 1) Invenção, 2) Disposi- não saiba explicá-lo." Dean Howson.
ção, 3) Elocução. As duas primeiras se referem a matéria
p % ^ % #
do sermão e a última ao modo de transmití-lo.

11. — Partes do estudo : 1) parte teórica, 2) parte II


histórica e 3) parte prática. REQUISITOS E S S E N C I A I S DO S E R M Ã O

12- — Propósito da Homilética : A homilética não 1. — Os requisitos essenciais do sermão se dividem


tem por fim comunicar dons oratórios ao estudante, mas em dois grupos : os que são comuns a todos os discursos,
aperfeiçoar os dons que ele já possue a fim de que possa a saber — ponto, unidade, ordem e movimento; e os que
usá-los com eficiência. Se uma pessoa prega bem sem ho- são peculiares ao sermão, a saber — fidelidade textual,
milética, melhor pregará com ela.
tom evangélico e elemento didático.
14 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 15

7. — Relação entre retórica e homilética : a retórica 13. — Natureza da homilética: A homilética não foi
é o gênero, a homilética é a espécie. criada artificialmente : mas consiste na fixação das leis da
natureza, no que se refere à eloqüência e de acordo com
A homilética, como diz Burt, é superior à retórica pe-
suas manifestações na pessoa dos grandes pregadores. Por-
lo fim que tem em vista; mas, pela sua natureza e méto-
tanto não pode ser contrária à natureza. Obedecer aos pre-
dos, como diz Vinet, está subordinada à retórica, de que
faz parte. ceitos da homilética, é obedecer à natureza, de que ela se
deriva.
8. — Discurso e Sermão.
14. — Necessidade de homilética : É um erro depen-
O sermão se distingue de qualquer outro discurso pela der exclusivamente do auxílio divino, e cair na indolência,
natureza de seu conteúdo e pelo propósito que tem em evitando todo estudo, esforço e trabalho. A promessa con-
mira. Diz Phelps : "O sermão é um discurso popular so- tida no evangelho de Mateus, capítulo 10, versículos 18 a
bre uma verdade religiosa contida nas E s c r i t u r a s e elabo- 20, se refere a uma situação diferente daquela em que se
rada convenientemente, com o propósito de levar o audi-
encontra o ministro, que tem a obrigação de pregar regu-
tório à "persuasão".
larmente em uma Igreja, e que para isso dispõe de pre-
Nessa definição, estão sublinhadas as palavras de paro, livros e tempo. O sermão que mais seguramente po-
maior importância. derá contar com a bênção de Deus, disse alguém, é aquele
que maior trabalho houver custado ao pregador.
9. — Fontes : 1) Direta : compêndios de homilética.
15. _ valor da homilética — "É um engano supor
2) Indireta : história do púlpito e sermões dos grandes pre-
gadores. que o ignorante não percebe o valor de um sermão bem
composto e ordenado: ele sente o efeito disso, embora
10. — Divisão da homilética: 1) Invenção, 2) Disposi- não saiba explicá-lo." Dean Howson.
ção, 3) Elocução. As duas primeiras se referem a matéria
p % ^ % #
do sermão e a última ao modo de transmití-lo.

11. — Partes do estudo : 1) parte teórica, 2) parte II


histórica e 3) parte prática. REQUISITOS E S S E N C I A I S DO S E R M Ã O

12- — Propósito da Homilética : A homilética não 1. — Os requisitos essenciais do sermão se dividem


tem por fim comunicar dons oratórios ao estudante, mas em dois grupos : os que são comuns a todos os discursos,
aperfeiçoar os dons que ele já possue a fim de que possa a saber — ponto, unidade, ordem e movimento; e os que
usá-los com eficiência. Se uma pessoa prega bem sem ho- são peculiares ao sermão, a saber — fidelidade textual,
milética, melhor pregará com ela.
tom evangélico e elemento didático.
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA «
1G LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
Assegura Schaff que "a disposição natural, clara, ló-
11. — Requisitos do sermão como discurso.
gica é em si, meio sermão."
1) Ponfo é o termo técnico para designar o assunto Vinet, por sua vez, observa que " o discurso mal dis-
do sermão. Todo o sermão deve girar em torno dessa idéia posto, é obscuro, e oi que é obscuro é fraco."
principal e central, procurando sempre dar-lhe ênfase e
Quintiliano emprega a ilustração da estátua cujos bra-
destaque. Esse ponto de referência determina uma gravi-
ços, por mais belos que fossem, a tornariam monstruosa,
tação de todas as partes para um determinado centro.
se o escultor deixasse de colocá-los em seu devido lugar.
2) U n i d a d e : consiste na relação das partes com o Sabemos também que, para se compor um belo ramalhete,
ponto. " A unidade, disse Dabney, é tão necessária à força é preciso dar às flores uma disposição cuidadosa e artís-
como à beleza." Para que o sermão tenha unidade, necessá- tica.
rio é que tenha um só assunto e um só propósito, e também A associação de idéias, princípio básico da memória,
que o pregador evite qualquer espécie de digressão. constituo um recurso de que se utiliza o pregador para es-
tabelecer uma boa ordem em seu sermão, podendo assim
A unidade se consegue mediante à subordinação das
retê-lo e reproduzí-lo mais facilmente.
idéias secundárias à uma idéia geral.
Leis de associação :
A lente que concentra os raios solares em um foco, simultaneidade (tempo),
onde um combustível pode arder; a catapulta, que fazia continuidade (lugar),
uma brecha na muralha, desde que batesse em um só pon- semelhança (analogia),
to; o prego que se aprofunda muito mais, desde que so- antítese (contraste),
mente nele vibremos as pancadas que poderiam ser desfe- causalidade (relação de causa e efeito).
ridas em outros pregos; — são algumas ilustrações do va-
lor da unidade para a eficiência do sermão. 4) Movimento.
O movimento se relaciona com a elocução. É o que
Devemos ainda notar que a unidade não exclui a va-
riedade, como podemos ver na árvores que possuem a mes- comunica ao discurso vivacidade, entusiasmo e beleza. É
ma estrutura, porém formas diferentes. o segredo da eloqüência.
O movimento depende da boa disposição da matéria,
3) O r d e m : A ordem, considerada a primeira lei do
o que dará coerência ao desenvolvimento do sermão, evi-
céu, consiste na relação das partes entre si: "Bons pen-
tando que ele sofra qualquer solução de continuidade.
samentos podem ocorrer a qualquer pessoa; o que geral-
mente falta é a arte de organizá-los, convenientemente." Para que haja no sermão o necessário movimento,
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA «
1G LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
Assegura Schaff que "a disposição natural, clara, ló-
11. — Requisitos do sermão como discurso.
gica é em si, meio sermão."
1) Ponfo é o termo técnico para designar o assunto Vinet, por sua vez, observa que " o discurso mal dis-
do sermão. Todo o sermão deve girar em torno dessa idéia posto, é obscuro, e oi que é obscuro é fraco."
principal e central, procurando sempre dar-lhe ênfase e
Quintiliano emprega a ilustração da estátua cujos bra-
destaque. Esse ponto de referência determina uma gravi-
ços, por mais belos que fossem, a tornariam monstruosa,
tação de todas as partes para um determinado centro.
se o escultor deixasse de colocá-los em seu devido lugar.
2) U n i d a d e : consiste na relação das partes com o Sabemos também que, para se compor um belo ramalhete,
ponto. " A unidade, disse Dabney, é tão necessária à força é preciso dar às flores uma disposição cuidadosa e artís-
como à beleza." Para que o sermão tenha unidade, necessá- tica.
rio é que tenha um só assunto e um só propósito, e também A associação de idéias, princípio básico da memória,
que o pregador evite qualquer espécie de digressão. constituo um recurso de que se utiliza o pregador para es-
tabelecer uma boa ordem em seu sermão, podendo assim
A unidade se consegue mediante à subordinação das
retê-lo e reproduzí-lo mais facilmente.
idéias secundárias à uma idéia geral.
Leis de associação :
A lente que concentra os raios solares em um foco, simultaneidade (tempo),
onde um combustível pode arder; a catapulta, que fazia continuidade (lugar),
uma brecha na muralha, desde que batesse em um só pon- semelhança (analogia),
to; o prego que se aprofunda muito mais, desde que so- antítese (contraste),
mente nele vibremos as pancadas que poderiam ser desfe- causalidade (relação de causa e efeito).
ridas em outros pregos; — são algumas ilustrações do va-
lor da unidade para a eficiência do sermão. 4) Movimento.
O movimento se relaciona com a elocução. É o que
Devemos ainda notar que a unidade não exclui a va-
riedade, como podemos ver na árvores que possuem a mes- comunica ao discurso vivacidade, entusiasmo e beleza. É
ma estrutura, porém formas diferentes. o segredo da eloqüência.
O movimento depende da boa disposição da matéria,
3) O r d e m : A ordem, considerada a primeira lei do
o que dará coerência ao desenvolvimento do sermão, evi-
céu, consiste na relação das partes entre si: "Bons pen-
tando que ele sofra qualquer solução de continuidade.
samentos podem ocorrer a qualquer pessoa; o que geral-
mente falta é a arte de organizá-los, convenientemente." Para que haja no sermão o necessário movimento,
18 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 19

convém estudar cuidadosamente as transições ou ligações mente forma e beleza literária, ou que explore exclusiva-
entre as suas diversas partes. As transições devem ser apro-
mente o elemento sentimental.
priadas, lógicas, naturais.
3) T o m evangélico (unção).
3. — Requisitos peculiares ao sermão. É o que diferença o sermão de qualquer outro discur-
1) F i d e l i d a d e textual. so, estabelecendo nítida distinção entre a eloqüência sa-
grada e a secular.
Este requisito decorre da própria missão do ministro,
que é a de pregar a Palavra de Deus. Para esse fim, deve Embora a unção, como a vida, seja indefinível, pode-
ele fazer uma boa exegese do trecho bíblico que vai ser- mos contudo sentí-la e determinar as condições para pos-
vir de base ao seu sermão, e nunca sej desviar do texto as- suí-la, ou de que ela depende.
sim interpretado. Isso dará unidade ao seu sermão, e tam- São as seguintes : la.) a personalidade do pregador,
bém variedade à sua prédica, visto que, nas Escrituras, isto é, a sua vida espiritual; 2a.) o propósito que tem em
não existe uma passagem inteiramente idêntica a outra vista, que deve ser a conversão dos incrédulos e edificação
passagem. dos crentes; 3a.) o assunto de que trata, incluindo o modo
de considerá-lo e a matéria empregada em sua ampliação.
2) E l e m e n t o didático.

Este requisito também se relaciona com a missão do


pregador, porquanto Cristo mesmo ordenou aos seus dis-
III
cípulos : "Ide, pois, e ensinai todas as nações . . . " (Mat. 28:
19 a). O T E X T O
Não quer isso dizer que devamos reduzir o sermão
1. — Necessidade de um texto.
unicamente ao ensino ou a uma simples aula, visto que
ele, por sua natureza e propósito, apresenta característi- Todo sermão deve basear-se em um texto bíblico,
cas que lhe são próprias. pelas razões seguintes :
Entretanto, o pregador tem sempre a obrigação de la.) porque, como dissemos anteriormente, a missão
ensinar. Para ensinar é preciso saber, e para saber é pre- do ministro é pregar a Palavra de Deus;
ciso estudar. Portanto, a prédica exige estudo e prepa-
2a.) porque é das Sagradas Escrituras que o ministro
ração.
deriva sua autoridade para falar aos homens;
Do que acima ficou resumidamente exposto, devemos
3a.) porque é uma exigência imposta pelo conceito
deduzir que não pode satisfazer, o sermão que tenha so-
homilético do sermão. "Não é o sermão que determina o
18 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 19

convém estudar cuidadosamente as transições ou ligações mente forma e beleza literária, ou que explore exclusiva-
entre as suas diversas partes. As transições devem ser apro-
mente o elemento sentimental.
priadas, lógicas, naturais.
3) T o m evangélico (unção).
3. — Requisitos peculiares ao sermão. É o que diferença o sermão de qualquer outro discur-
1) F i d e l i d a d e textual. so, estabelecendo nítida distinção entre a eloqüência sa-
grada e a secular.
Este requisito decorre da própria missão do ministro,
que é a de pregar a Palavra de Deus. Para esse fim, deve Embora a unção, como a vida, seja indefinível, pode-
ele fazer uma boa exegese do trecho bíblico que vai ser- mos contudo sentí-la e determinar as condições para pos-
vir de base ao seu sermão, e nunca sej desviar do texto as- suí-la, ou de que ela depende.
sim interpretado. Isso dará unidade ao seu sermão, e tam- São as seguintes : la.) a personalidade do pregador,
bém variedade à sua prédica, visto que, nas Escrituras, isto é, a sua vida espiritual; 2a.) o propósito que tem em
não existe uma passagem inteiramente idêntica a outra vista, que deve ser a conversão dos incrédulos e edificação
passagem. dos crentes; 3a.) o assunto de que trata, incluindo o modo
de considerá-lo e a matéria empregada em sua ampliação.
2) E l e m e n t o didático.

Este requisito também se relaciona com a missão do


pregador, porquanto Cristo mesmo ordenou aos seus dis-
III
cípulos : "Ide, pois, e ensinai todas as nações . . . " (Mat. 28:
19 a). O T E X T O
Não quer isso dizer que devamos reduzir o sermão
1. — Necessidade de um texto.
unicamente ao ensino ou a uma simples aula, visto que
ele, por sua natureza e propósito, apresenta característi- Todo sermão deve basear-se em um texto bíblico,
cas que lhe são próprias. pelas razões seguintes :
Entretanto, o pregador tem sempre a obrigação de la.) porque, como dissemos anteriormente, a missão
ensinar. Para ensinar é preciso saber, e para saber é pre- do ministro é pregar a Palavra de Deus;
ciso estudar. Portanto, a prédica exige estudo e prepa-
2a.) porque é das Sagradas Escrituras que o ministro
ração.
deriva sua autoridade para falar aos homens;
Do que acima ficou resumidamente exposto, devemos
3a.) porque é uma exigência imposta pelo conceito
deduzir que não pode satisfazer, o sermão que tenha so-
homilético do sermão. "Não é o sermão que determina o
20 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 21

texto, mas o texto que determina o sermão." (Vinet). 5) Deve ser um texto isento de qualquer inconve-
niente.
2. — Valor do Texto.
Burt menciona o versículo 22 do capítulo 2.° da 2a.
O texto das Escrituras dá ao sermão autoridade, uni-
epístola de Pedro, como exemplo de passagem imprópria
dade e variedade: autoridade, por ser a Palavra de Deus; para sermão : "Com eles aconteceu o que diz certo adágio
unidade, por ser um só texto; variedade, por ser um texto verdadeiro. O cão voltou ao seu próprio vômito; e a porca
diferente dos demais textos. lavada tornou a revolver-se no lamaçal."
3. — Preceitos para a escolha do texto. 4. — Sugestões.
1) Deve ser texto da Bíblia. Em referência à escolha do texto, sugerimos ao pre-
Isto exclue qualquer outro livro, inclusive os apócri- gador os seguintes recursos :
fos, tanto os do Velho como os do Novo Testamento. 1) que faça uma lista de textos bíblicos e de assun-
tos, a que poderá recorrer nas ocasiões de necessidade;
2) Deve ser a Palavra de Deus.
Isto exclue textos bíblicos que não expressam o cará- 2) que procure corresponder às condições e exigên-
ter, a vontade ou o pensamento de Deus, visto que, na Bí- cias de seu auditório, o que dependerá do fiel desempenho
blia, também se encontra a palavra do homem e mesmo a de seu pastorado;
de satanás. 3) que ore a Deus, buscando orientação a fim de que
seja acertada a sua escolha.
3) Deve ser usado com o sentido que tem nas Escritu-
ras Sagradas..

Isto para que não se anulem os dois primeiros precei- IV


tos, porquanto o pregador pode atribuir ao texto uma in-
CLASSIFICAÇÃO, DOS SERMÕES
terpretação de acordo com a sua preferência e não com
os pricípios da verdadeira exegese. 1. — Há dois critérios para a classificação dos ser-
mões : pela extensão do texto escolhido e pelo assunto de
4) Deve ser um texto de sentido claro.
que trata esse texto.
Não recomendamos, por exemplo, que se pregue so- 2. — Pela extensão do texto, os sermões se dividem
bre a célebre passagem referente aos "espíritos em pri- em tópicos (texto breve), e expositivos (texto longo).
são" (la. ep. Pedro 3:19), porque, como observa Gloag, ela
é susceptível de sete diferentes interpretações. 1.°) O sermão tópico pode ser de duas espécies: a)
20 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 21

texto, mas o texto que determina o sermão." (Vinet). 5) Deve ser um texto isento de qualquer inconve-
niente.
2. — Valor do Texto.
Burt menciona o versículo 22 do capítulo 2.° da 2a.
O texto das Escrituras dá ao sermão autoridade, uni-
epístola de Pedro, como exemplo de passagem imprópria
dade e variedade: autoridade, por ser a Palavra de Deus; para sermão : "Com eles aconteceu o que diz certo adágio
unidade, por ser um só texto; variedade, por ser um texto verdadeiro. O cão voltou ao seu próprio vômito; e a porca
diferente dos demais textos. lavada tornou a revolver-se no lamaçal."
3. — Preceitos para a escolha do texto. 4. — Sugestões.
1) Deve ser texto da Bíblia. Em referência à escolha do texto, sugerimos ao pre-
Isto exclue qualquer outro livro, inclusive os apócri- gador os seguintes recursos :
fos, tanto os do Velho como os do Novo Testamento. 1) que faça uma lista de textos bíblicos e de assun-
tos, a que poderá recorrer nas ocasiões de necessidade;
2) Deve ser a Palavra de Deus.
Isto exclue textos bíblicos que não expressam o cará- 2) que procure corresponder às condições e exigên-
ter, a vontade ou o pensamento de Deus, visto que, na Bí- cias de seu auditório, o que dependerá do fiel desempenho
blia, também se encontra a palavra do homem e mesmo a de seu pastorado;
de satanás. 3) que ore a Deus, buscando orientação a fim de que
seja acertada a sua escolha.
3) Deve ser usado com o sentido que tem nas Escritu-
ras Sagradas..

Isto para que não se anulem os dois primeiros precei- IV


tos, porquanto o pregador pode atribuir ao texto uma in-
CLASSIFICAÇÃO, DOS SERMÕES
terpretação de acordo com a sua preferência e não com
os pricípios da verdadeira exegese. 1. — Há dois critérios para a classificação dos ser-
mões : pela extensão do texto escolhido e pelo assunto de
4) Deve ser um texto de sentido claro.
que trata esse texto.
Não recomendamos, por exemplo, que se pregue so- 2. — Pela extensão do texto, os sermões se dividem
bre a célebre passagem referente aos "espíritos em pri- em tópicos (texto breve), e expositivos (texto longo).
são" (la. ep. Pedro 3:19), porque, como observa Gloag, ela
é susceptível de sete diferentes interpretações. 1.°) O sermão tópico pode ser de duas espécies: a)
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 23
22 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
4 . - Q U A D R O S I N Ó T I C O .
tópico propriamente dito (deriva do texto só o assunto).
Ex.: Gálatas 6:14. Assunto : A glória do cristão. A s divisões 1) propriamente ditos.
-
são sugeridas pela análise do assunto; b) Textual (deriva
í 1. Tópicos 2) textuais
do texto o assunto e a divisões). Ex. João 14:6. Assunto: O
único mediador entre Deus e os homens. Divisões : l . — a

caminho, 2. — verdade, 3. — vida.


a a

ü) doutrinários (expo-
2.°) O sermão expositivo pode ser: a) Doutrinal. Ex. I - Pela ex .> sição de doutrinas).
2. Expositi-
1.° Coríntios, cap. 13 (sobre o Amor), b) Histórico (fato, tensão da vos
biografia, milagre, parábola). Ex.: A Conversão de Zaqueu. matéria. 2) históricos (exposi-
Lucas 19:1-10. ção de fatos).

3. — Pelo assunto de que trata, o sermão pode ser:


1.°) doutrinário (didático, apologético e polêmico); 2.°) prá-
tico (deveres); 3) histórico (ver divisão dos sermões expo- 1) didático (ensino)
sitivos).
CLASSIFI- 2) apologético (elogio)
CAÇÃO
DOS 1. Doutri- 3) polêmico (defesa)
SERMÕES nários.

2. Práticos (deveres).
II - Pelo as-
sunto de
que tratam. 1) fatos

2) biografias

3. HistÓTi-l m i l a g r e s
cos
4) parábolas.
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 23
22 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
4 . - Q U A D R O S I N Ó T I C O .
tópico propriamente dito (deriva do texto só o assunto).
Ex.: Gálatas 6:14. Assunto : A glória do cristão. A s divisões 1) propriamente ditos.
-
são sugeridas pela análise do assunto; b) Textual (deriva
í 1. Tópicos 2) textuais
do texto o assunto e a divisões). Ex. João 14:6. Assunto: O
único mediador entre Deus e os homens. Divisões : l . — a

caminho, 2. — verdade, 3. — vida.


a a

ü) doutrinários (expo-
2.°) O sermão expositivo pode ser: a) Doutrinal. Ex. I - Pela ex .> sição de doutrinas).
2. Expositi-
1.° Coríntios, cap. 13 (sobre o Amor), b) Histórico (fato, tensão da vos
biografia, milagre, parábola). Ex.: A Conversão de Zaqueu. matéria. 2) históricos (exposi-
Lucas 19:1-10. ção de fatos).

3. — Pelo assunto de que trata, o sermão pode ser:


1.°) doutrinário (didático, apologético e polêmico); 2.°) prá-
tico (deveres); 3) histórico (ver divisão dos sermões expo- 1) didático (ensino)
sitivos).
CLASSIFI- 2) apologético (elogio)
CAÇÃO
DOS 1. Doutri- 3) polêmico (defesa)
SERMÕES nários.

2. Práticos (deveres).
II - Pelo as-
sunto de
que tratam. 1) fatos

2) biografias

3. HistÓTi-l m i l a g r e s
cos
4) parábolas.
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 25
24 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
9) No sermão histórico, temos a doutrina concretiza-
5. — Observações.
da em um fato ou pessoa. Parábolas são fatos imaginários
1) Nesta classificação dos sermões, devemos notar o mas possíveis. Milagres são fatos reais, mas, em relação
uso convencional dos termos. A rigor, todo sermão é tó- ao ensino, podem ser considerados "parábolas em movi-
pico, porque tem assunto, e é textual, porque se baseia em mento."
um. texto.
10) Estudos bíblicos, palestras religiosas, explicações
2) Há também um sentido em que todo sermão é dou- ou comentários de alguns versículos da Bíblia — tudo isso
trinal, porque não há sermão que se não relacione com al- pode ser bom e útil, mas tecnicamente não é sermão.
guma doutrina.

3) Não podemos pregar só sermões textuais: 1.°) por-


que nem todos os textos contém divisões, e, 2.°) porque
V
precisamos pregar toda a Palavra de Deus. PARTES CONSTITUTIVAS DO SERMÃO

4) O sermão expositivo está sujeito aos mesmos pre- 1. _ Trata-se aqui das divisões do sermão, ou das
ceitos aplicados aos outros tipos de sermões, isto é, apre- partes de que ele se compõe.
senta a mesma estrutura, com assunto e divisões.
2. — São as seguintes:
5) Um sermão será doutrinal ou prático, de acordo 1) Exórdio (Introdução).
com a natureza de verdade exposta. 2) Exposição (Explicação, narração).
6) Pode considerar-se textual e não expositivo, o ser- 3) Proposição (Tema).
mão sobre uma parábola contida em um só versículo, ou 4) Argumentação (Demonstração).
em um texto breve. Ex.: A parábola do tesouro escondido.
5) Conclusão (Peroração).
Mateus 13:44.
# * ^ * *
7) Recomenda-se que, de preferência, o pregador in-
clua no mesmo sermão doutrinário os três elementos (didá- VI
tico, apologético e polêmico).
EXÓRDIO
8) Preceito de Dabney: "Prega a doutrina praticamen- 1. — Etimologia: do latim e x o r d i r i , exordium, come-
te e o dever doutrinariamente." Isto significa que de cada
ço, início.
doutrina decorre um dever e que cada dever tem sua ori-
2. — Importância: "Poucas cousas, neste domínio, são
gem em alguma doutrina.
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 25
24 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
9) No sermão histórico, temos a doutrina concretiza-
5. — Observações.
da em um fato ou pessoa. Parábolas são fatos imaginários
1) Nesta classificação dos sermões, devemos notar o mas possíveis. Milagres são fatos reais, mas, em relação
uso convencional dos termos. A rigor, todo sermão é tó- ao ensino, podem ser considerados "parábolas em movi-
pico, porque tem assunto, e é textual, porque se baseia em mento."
um. texto.
10) Estudos bíblicos, palestras religiosas, explicações
2) Há também um sentido em que todo sermão é dou- ou comentários de alguns versículos da Bíblia — tudo isso
trinal, porque não há sermão que se não relacione com al- pode ser bom e útil, mas tecnicamente não é sermão.
guma doutrina.

3) Não podemos pregar só sermões textuais: 1.°) por-


que nem todos os textos contém divisões, e, 2.°) porque
V
precisamos pregar toda a Palavra de Deus. PARTES CONSTITUTIVAS DO SERMÃO

4) O sermão expositivo está sujeito aos mesmos pre- 1. _ Trata-se aqui das divisões do sermão, ou das
ceitos aplicados aos outros tipos de sermões, isto é, apre- partes de que ele se compõe.
senta a mesma estrutura, com assunto e divisões.
2. — São as seguintes:
5) Um sermão será doutrinal ou prático, de acordo 1) Exórdio (Introdução).
com a natureza de verdade exposta. 2) Exposição (Explicação, narração).
6) Pode considerar-se textual e não expositivo, o ser- 3) Proposição (Tema).
mão sobre uma parábola contida em um só versículo, ou 4) Argumentação (Demonstração).
em um texto breve. Ex.: A parábola do tesouro escondido.
5) Conclusão (Peroração).
Mateus 13:44.
# * ^ * *
7) Recomenda-se que, de preferência, o pregador in-
clua no mesmo sermão doutrinário os três elementos (didá- VI
tico, apologético e polêmico).
EXÓRDIO
8) Preceito de Dabney: "Prega a doutrina praticamen- 1. — Etimologia: do latim e x o r d i r i , exordium, come-
te e o dever doutrinariamente." Isto significa que de cada
ço, início.
doutrina decorre um dever e que cada dever tem sua ori-
2. — Importância: "Poucas cousas, neste domínio, são
gem em alguma doutrina.
26 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 27

tão difíceis e de tão grande valor, como um exórdio bom, 2) D e v e conter matéria secundária o u acidental ao as-
apropriado, feliz." (Van Oosterzee). sunto. Se for uma idéia fundamental ou essencial ao assun-
to, estará antecipando matéria, que deve ser incluída no
3. — Objetivo: despertar atenção, interesse e sim-
corpo do discurso.
patia. As três palavras indicam o feito progressivo do
exórdio. 3) Deve ter uma só idéia dominante. Toda idéia aqui
introduzida precisa estar subordinada a essa idéia, ou ter
1) O interesse é que mantém a atenção despertada.
por fim exclusivo pô-la convenientemente em destaque. O
Uma pessoa pode fixar a atenção em uma cousa, e logo
exórdio conduz diretamente ao tema. Não há necessidade
desviá-la, desde que não haja interesse pelo assunto. A
de duas portas para o mesmo recinto.
importância do assunto é que deve ser posta em destaque.
4) D e v e ser despretencioso. Não prometer mais do
2) A simpatia também envolve a pessoa do orador.
que pode dar. O exórdio que promete muito e dá pouco,
3) A propósito, convém lembrar a habilidade com que produz necessariamente desapontamento.
os vendedores ambulantes atraem a atenção e o interesse
5) D e v e ser breve. Isso por duas razões: primeira, pa-
dos transeuntes, conseguindo assim pleno êxito em sua
ra não deixar de ser proporcional às outras partes do ser-
atividade comercial.
mão;segunda — para não retardar a apresentação do as-
4. —• Espécies de exórdio: sunto.

1) direto é aquele cuja matéria se relaciona direta- 6. — Requisitos quanto à forma.


mente com o assunto do sermão: 2) indireto é aquele cuja
1) D e v e ser composto cuidadosamente. Não quer isto
matéria tem uma relação velada ou remota com o assunto
dizer que se possa descuidar das outras partes do sermão.
de que se vai tratar; 3) abrupto: é aquele cuja matéria per-
O intuito deste preceito é realçar a importância do exórdio,
mite que o pregador entre sem demora a tratar do assunto
que determina a primeira impressão no auditório, e da
escolhido para o seu sermão.
qual depende, em parte, o bom êxito do orador.
5. — Requisitos quanto à matéria.
2) D e v e evitar referência à própria pessoa. Tudo o
1) Deve ser pertinente, isto é, apropriado ao assunto, que produzir no auditório a impressão de que o orador
que não convenha a outro sermão. O exórdio que pode ser- pretende exaltar-se, reverte em seu prejuízo, despertando
vir a diversos sermões corresponde ao chamado "nariz de antipatia para com ele.
cera", que se costumava aplicar, indiferentemente, ora a
3) D e v e ser modesto o u despretencioso. A pretensão
uma, ora a outra máscara.
gera antipatia, efeito este exatamente oposto ao propósito
26 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 27

tão difíceis e de tão grande valor, como um exórdio bom, 2) D e v e conter matéria secundária o u acidental ao as-
apropriado, feliz." (Van Oosterzee). sunto. Se for uma idéia fundamental ou essencial ao assun-
to, estará antecipando matéria, que deve ser incluída no
3. — Objetivo: despertar atenção, interesse e sim-
corpo do discurso.
patia. As três palavras indicam o feito progressivo do
exórdio. 3) Deve ter uma só idéia dominante. Toda idéia aqui
introduzida precisa estar subordinada a essa idéia, ou ter
1) O interesse é que mantém a atenção despertada.
por fim exclusivo pô-la convenientemente em destaque. O
Uma pessoa pode fixar a atenção em uma cousa, e logo
exórdio conduz diretamente ao tema. Não há necessidade
desviá-la, desde que não haja interesse pelo assunto. A
de duas portas para o mesmo recinto.
importância do assunto é que deve ser posta em destaque.
4) D e v e ser despretencioso. Não prometer mais do
2) A simpatia também envolve a pessoa do orador.
que pode dar. O exórdio que promete muito e dá pouco,
3) A propósito, convém lembrar a habilidade com que produz necessariamente desapontamento.
os vendedores ambulantes atraem a atenção e o interesse
5) D e v e ser breve. Isso por duas razões: primeira, pa-
dos transeuntes, conseguindo assim pleno êxito em sua
ra não deixar de ser proporcional às outras partes do ser-
atividade comercial.
mão;segunda — para não retardar a apresentação do as-
4. —• Espécies de exórdio: sunto.

1) direto é aquele cuja matéria se relaciona direta- 6. — Requisitos quanto à forma.


mente com o assunto do sermão: 2) indireto é aquele cuja
1) D e v e ser composto cuidadosamente. Não quer isto
matéria tem uma relação velada ou remota com o assunto
dizer que se possa descuidar das outras partes do sermão.
de que se vai tratar; 3) abrupto: é aquele cuja matéria per-
O intuito deste preceito é realçar a importância do exórdio,
mite que o pregador entre sem demora a tratar do assunto
que determina a primeira impressão no auditório, e da
escolhido para o seu sermão.
qual depende, em parte, o bom êxito do orador.
5. — Requisitos quanto à matéria.
2) D e v e evitar referência à própria pessoa. Tudo o
1) Deve ser pertinente, isto é, apropriado ao assunto, que produzir no auditório a impressão de que o orador
que não convenha a outro sermão. O exórdio que pode ser- pretende exaltar-se, reverte em seu prejuízo, despertando
vir a diversos sermões corresponde ao chamado "nariz de antipatia para com ele.
cera", que se costumava aplicar, indiferentemente, ora a
3) D e v e ser modesto o u despretencioso. A pretensão
uma, ora a outra máscara.
gera antipatia, efeito este exatamente oposto ao propósito
28 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 29

visado pelo exórdio. Há também o perigo de prometer vras: " A o Deus desconhecido". (Atos 17:22 e 23). Isso lhe dá
mais do que pode dar, o que redundará em detrimento do ocasião a que fale acerca do Deus revelado em Cristo.
orador e desapontamento para os ouvintes.
Será de grande efeito o emprego de ilustração deri-
4) D e v e ser proferido c o m c a l m a . Convém que o ora- vada de um fato atual, que tenha sido noticiado pelos jor-
dor se anime gradualmente, porque o auditório ainda não nais, e esteja empolgando a opinião popular.
está em condições de sentir entusiasmo pelo assunto. A
Os mestres recomendam que se deixe pera o fim a
infração deste preceito pode tornar ridículo o orador.
elaboração do exórdio, porque assim pode evitar-se o erro
7. — Como se compõe o exórdio. de introduzir nessa parte do discurso alguma idéia funda-
mental do assunto.
1) Mediante generalização. Consiste esses método 'em
generalizar a idéia particular contida na passagem bíblica ijí 3JC

escolhida para o sermão. Tomemos o texto de Gênesis, ca-


pítulo 23, versículo 6, onde se lê que os filhos de Hete dis- V II
seram a Abraão: "Tu és príncipe de Deus entre nós." Po- E X P L I C A Ç Ã O
demos iniciar o sermão referindo-nos ao fato de que o po-
vo costuma formar de uma pessoa um conceito bom ou 1. Propósito. É o ponto inicial do sermão, e tem
mau, de acordo com o seu caráter e procedimento, e que por objetivo derivar do texto o assunto de que o pregador
essa opinião, às vezes, se expressa por meio de epítetos, co- vai tratar.
mo estes, que a História registra: Alexandre, o Grande, 2. _ Processo. Consiste na exegese do texto com o
Herodes, o Cruel, etc. fim de determinar o seu verdadeiro sentido. Para isso,
2) Mediante oposição. Exemplo: "Cousa mais bem- deve o pregador consultar bons comentários.
aventurada é dar do que receber." (Atos 20:35). A opinião
3. — Valor. Demonstra que o sermão se fundamenta
é, em geral, exatamente contrária ao conceito expresso
na palavra de Deus, que é a fonte de autoridade de toda
nesse texto. A prova disto nós a temos na caricatura que
a oratória sagrada.
representa um indivíduo desferindo no rosto de outrem
violento soco. Em seguida, a citação irreverente daquela 4. — Espécies.
beaventurança cristã.
1) Explicação de termos: a) de termos obscuros, como
3) Mediante ilustração. Exemplo: o discurso de Paulo a palavra "marcas" empregada em Gálatas 6:17; b) de
em Atenas. Começa o apóstolo referindo-se a uma estátua termos ambíguos, como a palavra "cruz", que ocorre em
que viu na cidade, e em cujo pedestal se liam estas pala- Gálatas 6:14.
28 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 29

visado pelo exórdio. Há também o perigo de prometer vras: " A o Deus desconhecido". (Atos 17:22 e 23). Isso lhe dá
mais do que pode dar, o que redundará em detrimento do ocasião a que fale acerca do Deus revelado em Cristo.
orador e desapontamento para os ouvintes.
Será de grande efeito o emprego de ilustração deri-
4) D e v e ser proferido c o m c a l m a . Convém que o ora- vada de um fato atual, que tenha sido noticiado pelos jor-
dor se anime gradualmente, porque o auditório ainda não nais, e esteja empolgando a opinião popular.
está em condições de sentir entusiasmo pelo assunto. A
Os mestres recomendam que se deixe pera o fim a
infração deste preceito pode tornar ridículo o orador.
elaboração do exórdio, porque assim pode evitar-se o erro
7. — Como se compõe o exórdio. de introduzir nessa parte do discurso alguma idéia funda-
mental do assunto.
1) Mediante generalização. Consiste esses método 'em
generalizar a idéia particular contida na passagem bíblica ijí 3JC

escolhida para o sermão. Tomemos o texto de Gênesis, ca-


pítulo 23, versículo 6, onde se lê que os filhos de Hete dis- V II
seram a Abraão: "Tu és príncipe de Deus entre nós." Po- E X P L I C A Ç Ã O
demos iniciar o sermão referindo-nos ao fato de que o po-
vo costuma formar de uma pessoa um conceito bom ou 1. Propósito. É o ponto inicial do sermão, e tem
mau, de acordo com o seu caráter e procedimento, e que por objetivo derivar do texto o assunto de que o pregador
essa opinião, às vezes, se expressa por meio de epítetos, co- vai tratar.
mo estes, que a História registra: Alexandre, o Grande, 2. _ Processo. Consiste na exegese do texto com o
Herodes, o Cruel, etc. fim de determinar o seu verdadeiro sentido. Para isso,
2) Mediante oposição. Exemplo: "Cousa mais bem- deve o pregador consultar bons comentários.
aventurada é dar do que receber." (Atos 20:35). A opinião
3. — Valor. Demonstra que o sermão se fundamenta
é, em geral, exatamente contrária ao conceito expresso
na palavra de Deus, que é a fonte de autoridade de toda
nesse texto. A prova disto nós a temos na caricatura que
a oratória sagrada.
representa um indivíduo desferindo no rosto de outrem
violento soco. Em seguida, a citação irreverente daquela 4. — Espécies.
beaventurança cristã.
1) Explicação de termos: a) de termos obscuros, como
3) Mediante ilustração. Exemplo: o discurso de Paulo a palavra "marcas" empregada em Gálatas 6:17; b) de
em Atenas. Começa o apóstolo referindo-se a uma estátua termos ambíguos, como a palavra "cruz", que ocorre em
que viu na cidade, e em cujo pedestal se liam estas pala- Gálatas 6:14.
30 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 31
2) Exposição das circunstâncias em que foi escrito o
colocar o assunto. Por isso este deve ser formulado da
texto. Por exemplo, a exortação de Paulo "Regozijai-vos
no Senhor" (Filipenses 4:4), torna-se mais expressiva e útil maneira mais favorável ao orador e mais aceitável ao audi-
quando nos lembramos que ele a escreveu no fim de sua tório.
carreira, e quando se achava na prisão. 4. — Preceito quanto à linguagem. A proposição de-
3) Narração do fato referido no texto mediante uma ve ser simples, clara, breve. Portanto, clareza, exatidão e
paráfrase que o torne mais compreensível e facilite a for- brevidade são os requisitos da linguagem empregada para
mulação do assunto. Exemplo: A conversão de Paulo (Atos enunciar a proposição.
9:1-18).
5. — Lugar. Deve ser colocada depois da explicação
5. — O que se deve evitar. e antes dos argumentos.

1) Ser muito extenso: porque é apenas uma parte pre- 6. — Apresentação. Com o devido destaque para que
paratória para o estudo do assunto. os ouvintes fiquem absolutamente certos do assunto a res-
peito do qual o pregador pretende discorrer.
2) Ser muito erudito: porque basta empregar o que
for indispensável à explicação. 7. — Espécies. O assunto pode ser expresso:

3) Ser muito literário: porque a linguagem deve ser 1) mediante uma proposição gramatical, com sujeito,
de preferência didática ou informativa. verbo e predicado;

2) ou mediante um tema, palavra esta usada conven-


VIII cionalmente para designar uma fraes, que é apenas uma
parte da proposição gramatical. Exemplo: Deus é amor
TEMA OU PROPOSIÇÃO
(proposição); o amor de Deus (tema).
1. — Natureza. " A proposição é o sermão sintetizado;
8. — Demonstração do assunto. O assunto expresso
o sermão é a proposição desenvolvida." (Fènelon, citado
por Vinet). por uma preposição gramatical deve ser demonstrada por
meio de argumentos lógicos; o assunto expresso por um
2. — Valor. A proposição é que dá unidade ao ser- tema deve ser demonstrado mediante a análise em seus
mão, e, como ponto de referência, determina a matéria a diversos aspectos. A primeira forma exige maior esforço
ser selecionada. de raciocínio e mais recursos de orador; a segunda oferece
3. — Forma. O êxito do sermão depende da arte de bem mais liberdade e campo de ampliação, no desenvolvimento
ou ampliação do assunto.
30 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 31
2) Exposição das circunstâncias em que foi escrito o
colocar o assunto. Por isso este deve ser formulado da
texto. Por exemplo, a exortação de Paulo "Regozijai-vos
no Senhor" (Filipenses 4:4), torna-se mais expressiva e útil maneira mais favorável ao orador e mais aceitável ao audi-
quando nos lembramos que ele a escreveu no fim de sua tório.
carreira, e quando se achava na prisão. 4. — Preceito quanto à linguagem. A proposição de-
3) Narração do fato referido no texto mediante uma ve ser simples, clara, breve. Portanto, clareza, exatidão e
paráfrase que o torne mais compreensível e facilite a for- brevidade são os requisitos da linguagem empregada para
mulação do assunto. Exemplo: A conversão de Paulo (Atos enunciar a proposição.
9:1-18).
5. — Lugar. Deve ser colocada depois da explicação
5. — O que se deve evitar. e antes dos argumentos.

1) Ser muito extenso: porque é apenas uma parte pre- 6. — Apresentação. Com o devido destaque para que
paratória para o estudo do assunto. os ouvintes fiquem absolutamente certos do assunto a res-
peito do qual o pregador pretende discorrer.
2) Ser muito erudito: porque basta empregar o que
for indispensável à explicação. 7. — Espécies. O assunto pode ser expresso:

3) Ser muito literário: porque a linguagem deve ser 1) mediante uma proposição gramatical, com sujeito,
de preferência didática ou informativa. verbo e predicado;

2) ou mediante um tema, palavra esta usada conven-


VIII cionalmente para designar uma fraes, que é apenas uma
parte da proposição gramatical. Exemplo: Deus é amor
TEMA OU PROPOSIÇÃO
(proposição); o amor de Deus (tema).
1. — Natureza. " A proposição é o sermão sintetizado;
8. — Demonstração do assunto. O assunto expresso
o sermão é a proposição desenvolvida." (Fènelon, citado
por Vinet). por uma preposição gramatical deve ser demonstrada por
meio de argumentos lógicos; o assunto expresso por um
2. — Valor. A proposição é que dá unidade ao ser- tema deve ser demonstrado mediante a análise em seus
mão, e, como ponto de referência, determina a matéria a diversos aspectos. A primeira forma exige maior esforço
ser selecionada. de raciocínio e mais recursos de orador; a segunda oferece
3. — Forma. O êxito do sermão depende da arte de bem mais liberdade e campo de ampliação, no desenvolvimento
ou ampliação do assunto.
32 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 33

I X 5. — São estas as fontes da matéria: raciocínio, Bí-


A R G U M E N T A Ç Ã O blia, ilustrações.

1. — Constitue o corpo do discurso, ou a sua parte 6. — Preceitos quanto à matéria:


maior, mais desenvolvida.
1) Deve ser forte no elemento bíblico. Os textos pre-
2. — Quadro sinótico. cisam ser bem escolhidos, porque a qualidade vale mais
do que a quantidade.

2) Deve, de preferência, ser apresentado em forma


concreta.
a) fontes
1) Matéria (invenção) 3) Deve ser breve. A ampliação excessiva prejudica o
entendimento daquilo que o pregador procura demonstrar.
b) preceitos
4) Deve ser irrespondível. Isto se refere não tanto à
cultura como à honestidade do pregador.
Argumentação 5) Deve evitar o tom polêmico. O tom polêmico pode
colocar o auditório em atitude defensiva, prejudicial ao
bom êxito do sermão.
a) espécies
6) Deve ser apresentado em último lugar o argumen-
2) Forma (divisão)
to mais forte.
b) preceitos
7. — No que concerne à forma, devemos considerar
primeiramente as espécies de divisão. São as seguintes:
1) tópica (mediante argumentos); demonstrativa (median-
3. — A argumentação pode ser considerada em refe- te análise do assunto); escolástica (mediante o estudo de
rência à matéria, que se obtém mediante a invenção, e em cada termo da proposição). Exemplo da divisão escolástica:
referência à forma, que é a divisão. "Deus é amor". Primeiro argumento Deus; segundo argun-
mento — amor; terceiro argumento — Deus é amor.
4 — Quanto à matéria, devemos determinar as suas
fontes e preceitos; e quanto à forma, as espécies de divi- Defeitos da divisão escolástica: 1) consiste, nos dois
são os preceitos relativos à divisão.
e
primeiros argumentos, em definição de termos, o que deve
ser feito na explicação; 2) os termos Deus e Amor são to-
32 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 33

I X 5. — São estas as fontes da matéria: raciocínio, Bí-


A R G U M E N T A Ç Ã O blia, ilustrações.

1. — Constitue o corpo do discurso, ou a sua parte 6. — Preceitos quanto à matéria:


maior, mais desenvolvida.
1) Deve ser forte no elemento bíblico. Os textos pre-
2. — Quadro sinótico. cisam ser bem escolhidos, porque a qualidade vale mais
do que a quantidade.

2) Deve, de preferência, ser apresentado em forma


concreta.
a) fontes
1) Matéria (invenção) 3) Deve ser breve. A ampliação excessiva prejudica o
entendimento daquilo que o pregador procura demonstrar.
b) preceitos
4) Deve ser irrespondível. Isto se refere não tanto à
cultura como à honestidade do pregador.
Argumentação 5) Deve evitar o tom polêmico. O tom polêmico pode
colocar o auditório em atitude defensiva, prejudicial ao
bom êxito do sermão.
a) espécies
6) Deve ser apresentado em último lugar o argumen-
2) Forma (divisão)
to mais forte.
b) preceitos
7. — No que concerne à forma, devemos considerar
primeiramente as espécies de divisão. São as seguintes:
1) tópica (mediante argumentos); demonstrativa (median-
3. — A argumentação pode ser considerada em refe- te análise do assunto); escolástica (mediante o estudo de
rência à matéria, que se obtém mediante a invenção, e em cada termo da proposição). Exemplo da divisão escolástica:
referência à forma, que é a divisão. "Deus é amor". Primeiro argumento Deus; segundo argun-
mento — amor; terceiro argumento — Deus é amor.
4 — Quanto à matéria, devemos determinar as suas
fontes e preceitos; e quanto à forma, as espécies de divi- Defeitos da divisão escolástica: 1) consiste, nos dois
são os preceitos relativos à divisão.
e
primeiros argumentos, em definição de termos, o que deve
ser feito na explicação; 2) os termos Deus e Amor são to-
34
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 35

mados sem as limitações impostas pela proposição, o que


propósito de seu sermão, e em que procura levar o auditó-
daria lugar a uma ampliação excessiva ou indefinida do
rio a uma decisão, isto é, a aceitar ou praticar a verdade
assunto; 3) só no terceiro argumento é que realmente se
considera o assunto indicado na proposição. exposta ou demonstrada em sua prédica.

3. — É aínda a parte que distingue o sermão de um


8. — Preceitos quanto à forma de argumentação.
ensaio teológico, de uma simples preleção ou aula.
1) Os argumentos devem ser em reduzido número, (o
4. — Espécies.
mínimo — dois; o máximo —• cinco; o preferível — três).
1) Recapitulação: o pregador reúne os argumentos pa-
2) Devem ser distintos. Cada um precisa ser real-
mente um novo argumento e não apenas a repetição sob ra chegar a uma conclusão, como a lente converge os raios
uma forma diferente. solares para um só e determinado ponto.

2) Aplicação: geral ou particular. A todo o auditório


3) Devem ser coordenados. Além de relacionados com
a proposição, precisam estar relacionados entre si. ou a cada um dos grupos em que ele pode dividir-se. Mais
comuns: crentes e incrédulos.
4) Devem ser germinantes. Convém que um conduza
facilmente ao outro, como acontece com as partes de um 3) Demonstração das conseqüências de rejeitar a ver-
telescópio. dade ou doutrina exposta pelo pregador.

5) Devem ser completos. Isto se consegue mediante 5. — Preceitos.


uma demonstração cabal, ou uma análise satisfatória do
assunto. 1) A conclusão deve ser elaborada com particular cui-
dado, porque dela depende o êxito do sermão. Das impres-
sões produzidas no auditório, duas são de máxima impor-
tância: a primeira (exórdio) e a última (conclusão).
X
2) Deve estar de acordo com a argumentação. Os argu-
CONCLUSÃO
mentos conduzem necessariamente a um fim preestabele-
1. — A palavra peroração também é empregada para cido. Não convém o emprego de expressões vagas, gerais,
designar esta parte do discurso. A palavra peroração tem como "oxalá!", que podem servir de fecho a qualquer ser-
dois sentidos: 1) parte final do discurso; 2) discurso breve, mão.
hortatório, semelhante à conclusão. 3) Deve ser suficientemente geral para abranger todos
os argumentos, e não parcial, em que se aplica um só ar-
2. —• É a parte em que o pregador deixa patente o
gumento, mais provavelmente o último.
34
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 35

mados sem as limitações impostas pela proposição, o que


propósito de seu sermão, e em que procura levar o auditó-
daria lugar a uma ampliação excessiva ou indefinida do
rio a uma decisão, isto é, a aceitar ou praticar a verdade
assunto; 3) só no terceiro argumento é que realmente se
considera o assunto indicado na proposição. exposta ou demonstrada em sua prédica.

3. — É aínda a parte que distingue o sermão de um


8. — Preceitos quanto à forma de argumentação.
ensaio teológico, de uma simples preleção ou aula.
1) Os argumentos devem ser em reduzido número, (o
4. — Espécies.
mínimo — dois; o máximo —• cinco; o preferível — três).
1) Recapitulação: o pregador reúne os argumentos pa-
2) Devem ser distintos. Cada um precisa ser real-
mente um novo argumento e não apenas a repetição sob ra chegar a uma conclusão, como a lente converge os raios
uma forma diferente. solares para um só e determinado ponto.

2) Aplicação: geral ou particular. A todo o auditório


3) Devem ser coordenados. Além de relacionados com
a proposição, precisam estar relacionados entre si. ou a cada um dos grupos em que ele pode dividir-se. Mais
comuns: crentes e incrédulos.
4) Devem ser germinantes. Convém que um conduza
facilmente ao outro, como acontece com as partes de um 3) Demonstração das conseqüências de rejeitar a ver-
telescópio. dade ou doutrina exposta pelo pregador.

5) Devem ser completos. Isto se consegue mediante 5. — Preceitos.


uma demonstração cabal, ou uma análise satisfatória do
assunto. 1) A conclusão deve ser elaborada com particular cui-
dado, porque dela depende o êxito do sermão. Das impres-
sões produzidas no auditório, duas são de máxima impor-
tância: a primeira (exórdio) e a última (conclusão).
X
2) Deve estar de acordo com a argumentação. Os argu-
CONCLUSÃO
mentos conduzem necessariamente a um fim preestabele-
1. — A palavra peroração também é empregada para cido. Não convém o emprego de expressões vagas, gerais,
designar esta parte do discurso. A palavra peroração tem como "oxalá!", que podem servir de fecho a qualquer ser-
dois sentidos: 1) parte final do discurso; 2) discurso breve, mão.
hortatório, semelhante à conclusão. 3) Deve ser suficientemente geral para abranger todos
os argumentos, e não parcial, em que se aplica um só ar-
2. —• É a parte em que o pregador deixa patente o
gumento, mais provavelmente o último.
36 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 37

4) Deve ser a parte mais animada do discurso. Nela d o . . . " O padre Antônio Vieira é um mestre na arte de
o pregador procura mover a vontade dos ouvintes, no sen- exemplificar com a Bíblia as idéias expostas em seus ser-
tido da aceitação da verdade que acaba de Ih&l ser de- mões, demonstrando grande e minucioso conhecimento das
monstrada. Sagradas Escrituras.

5) Deve ser breve. Causa desagrado dar o pregador 2) Natureza: Afirma Philip Schaff que a revelação de
a entender que vai concluir, e, depois, prosseguir, acres- Deus se compõe de dois volumes: primeiro — a natureza
centando qualquer cousa desnecessária ou repeticiosa. Al- (revelação natural); segundo — a Bíblia (revelação escrita).
guém comparou isso ao aviador que faz várias tentativas Butler ("Analogia entre a Religião Natural e a Revelação")
de aterrissagem; ou, mais pitorescamente, ao cachorro que e Henry Drummond ("Lei Espiritual no Mundo Natural")
dá muitas voltas antes de se deitar. estudaram as possíveis relações entre essas duas esferas
de revelação. Cristo, no sermão da montanha, combatendo
a ansiedade, diz aos seus discípulos: "Considerai como
XI crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam."
I L U S T R A Ç Õ E S (Mat. 6:28). Maurice Maeterlinck escreveu um livro inti-
tulado " A Vida das Abelhas", cuja leitura nos mostra co-
1. — O valor das ilustrações se demonstra pelos se-
mo do mundo natural pode o pregador obter para os seus
guintes objetivos com que são elas empregadas: 1) para es-
sermões, excelente e copiosa matéria ilustrativa.
clarecer o assunto de que se trata; 2) par& d^r realce à
idéia que está sendo exposta; 3) para auxiliar a meitíria 3) História: A História tem sido considerada, com mui-
tanto do pregador como a dos seus ouvintes; 4) para atua- ta razão, a mestra da vida, porque nela se encontra o re-
lizar a verdade e aplicá-la mediante sua relação com a ex- gistro da experiência humana através dos séculos. Devemos
periência dos ouvintes. preferir os fatos oriundos da História às ficções produzidas
pela imaginação. Na seleção de ilustrações desse tipo, con-
2. — Fontes de ilustrações. vém seguir esta ordem: 1.°) História Eclasiástica, 2.°) His-
1) Bíblia: o elemento bíblico é imprescindível a todo tória Pátria, 3.°) História Universal. Um princípio que nos
sermão, seja em forma de doutrina, seja em forma de ilus- pode orientar nesse sentido é o de que ilustrações apropria-
trações. Cristo emprega com freqüência fatos do Velho Tes- das e atuais muito contribuem para a eficiência do ser-
tamento para elucidar o ensino ministrado aos seus discí- mão.
pulos. No quarto evangelho, cap. 3:14, encontra-se esta 4) Sociedade: A Sociologia, ciência tão em voga hoje,
comparação: "Como Moisés levantou a serpente no deser- constitue uma das fontes mais férteis de ilustrações. Es-
to, assim importa que o Filho do homem seja levanta- tas se nos deparam, freqüentes e sugestivas, nas páginas
36 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 37

4) Deve ser a parte mais animada do discurso. Nela d o . . . " O padre Antônio Vieira é um mestre na arte de
o pregador procura mover a vontade dos ouvintes, no sen- exemplificar com a Bíblia as idéias expostas em seus ser-
tido da aceitação da verdade que acaba de Ih&l ser de- mões, demonstrando grande e minucioso conhecimento das
monstrada. Sagradas Escrituras.

5) Deve ser breve. Causa desagrado dar o pregador 2) Natureza: Afirma Philip Schaff que a revelação de
a entender que vai concluir, e, depois, prosseguir, acres- Deus se compõe de dois volumes: primeiro — a natureza
centando qualquer cousa desnecessária ou repeticiosa. Al- (revelação natural); segundo — a Bíblia (revelação escrita).
guém comparou isso ao aviador que faz várias tentativas Butler ("Analogia entre a Religião Natural e a Revelação")
de aterrissagem; ou, mais pitorescamente, ao cachorro que e Henry Drummond ("Lei Espiritual no Mundo Natural")
dá muitas voltas antes de se deitar. estudaram as possíveis relações entre essas duas esferas
de revelação. Cristo, no sermão da montanha, combatendo
a ansiedade, diz aos seus discípulos: "Considerai como
XI crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam."
I L U S T R A Ç Õ E S (Mat. 6:28). Maurice Maeterlinck escreveu um livro inti-
tulado " A Vida das Abelhas", cuja leitura nos mostra co-
1. — O valor das ilustrações se demonstra pelos se-
mo do mundo natural pode o pregador obter para os seus
guintes objetivos com que são elas empregadas: 1) para es-
sermões, excelente e copiosa matéria ilustrativa.
clarecer o assunto de que se trata; 2) par& d^r realce à
idéia que está sendo exposta; 3) para auxiliar a meitíria 3) História: A História tem sido considerada, com mui-
tanto do pregador como a dos seus ouvintes; 4) para atua- ta razão, a mestra da vida, porque nela se encontra o re-
lizar a verdade e aplicá-la mediante sua relação com a ex- gistro da experiência humana através dos séculos. Devemos
periência dos ouvintes. preferir os fatos oriundos da História às ficções produzidas
pela imaginação. Na seleção de ilustrações desse tipo, con-
2. — Fontes de ilustrações. vém seguir esta ordem: 1.°) História Eclasiástica, 2.°) His-
1) Bíblia: o elemento bíblico é imprescindível a todo tória Pátria, 3.°) História Universal. Um princípio que nos
sermão, seja em forma de doutrina, seja em forma de ilus- pode orientar nesse sentido é o de que ilustrações apropria-
trações. Cristo emprega com freqüência fatos do Velho Tes- das e atuais muito contribuem para a eficiência do ser-
tamento para elucidar o ensino ministrado aos seus discí- mão.
pulos. No quarto evangelho, cap. 3:14, encontra-se esta 4) Sociedade: A Sociologia, ciência tão em voga hoje,
comparação: "Como Moisés levantou a serpente no deser- constitue uma das fontes mais férteis de ilustrações. Es-
to, assim importa que o Filho do homem seja levanta- tas se nos deparam, freqüentes e sugestivas, nas páginas
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 39
38 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA

dos jornais, que refletem a vida do homem em sociedade. Demóstenes disse, com evidente exagero, que a ação
Por isso, o periódico, que tem o nome mais apropriado é é tudo na oratória.
aquele que se publica em Londres, e se denomina "Es- Verdade é que o orador pode deitar a perder o melhor
pelho". Wesley justificou o seu hábito de ler os jornais, discurso pela maneira deficiente de transmití-lo ao seu au-
explicando que neles podia ter uma visão do mundo e da
ditório.
luta entre as forças do bem e do mal. Moody costumava
2. — A elocução compreende o estudo dos seguintes
trazer consigo uma caderneta em que anotava observações
elementos: 1) estilo, 2) voz, 3) gestos.
úteis acerca da sociedade humana, ou idéias provenientes
da convivência com seus semelhantes. 3. — Qualidades do estilo.

5) Experiência: trata-se de ilustrações derivadas da 1) C o r r e ç ã o . — Consiste no uso da linguagem de


experiência do próprio ministro. São as mais impressivas acordo com os preceitos gramaticais. As incorreções de lin-
e poderosas. Não tem por fim a exaltação do pregador, mas guagem depreciam grandemente os méritos do orador.
apenas o esclarecimento de sua mensagem.
2) Precisão. —• Consiste na exata correspondência en-
3. — Preceitos. A ilustração: tre os termos e as idéias. Para esse fim, recomenda-se o
1) Deve ser pertinente. "Não basta que uma cousa se- estudo cuidadoso e freqüente dos dicionários.
ja bela: é preciso que também seja apropriada ao assunto." 3) C l a r e z a . — Consiste no emprego de linguagem fa-
— Pascal. cilmente compreensível. Clareza de pensamento produz cla-
2) Deve ser breve. A ilustração deve fixar apenas o reza de expressão.
aspecto que se relacione diretamente com a idéia que está 4) Simplicidade. — Consiste no emprego de lingua-
sendo considerada.
gem comum, despretensiosa e acessível a todos os ouvintes.
3) Deve ser digna do assunto. Plínio Barreto, em re- " A simplicidade não é oposta a arte; pelo contrário, é o
ferência a Pedro Lessa: "Em seus escritos não encontrareis seu clímax." Walter Scott.
muitas imagens, mas também não encontrareis uma só to-
5) H a r m o n i a . — Consiste no efeito musical da lingua-
lice".
gem por meio da escolha e disposição conveniente das pa-
* * ^ * *
lavras. Para esse fim, recomenda-se a educação do ouvi-
X II do mediante a leitura em voz alta.
E L O C U Ç Ã O Recursos para aquisição das qualidades de estilo: co-
1. — Esta parte da retórica estuda os preceitos para nhecimento da gramática, estudo dos dicionários, leitura
bem proferir o discurso previamente composto. de bons autores.
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 39
38 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA

dos jornais, que refletem a vida do homem em sociedade. Demóstenes disse, com evidente exagero, que a ação
Por isso, o periódico, que tem o nome mais apropriado é é tudo na oratória.
aquele que se publica em Londres, e se denomina "Es- Verdade é que o orador pode deitar a perder o melhor
pelho". Wesley justificou o seu hábito de ler os jornais, discurso pela maneira deficiente de transmití-lo ao seu au-
explicando que neles podia ter uma visão do mundo e da
ditório.
luta entre as forças do bem e do mal. Moody costumava
2. — A elocução compreende o estudo dos seguintes
trazer consigo uma caderneta em que anotava observações
elementos: 1) estilo, 2) voz, 3) gestos.
úteis acerca da sociedade humana, ou idéias provenientes
da convivência com seus semelhantes. 3. — Qualidades do estilo.

5) Experiência: trata-se de ilustrações derivadas da 1) C o r r e ç ã o . — Consiste no uso da linguagem de


experiência do próprio ministro. São as mais impressivas acordo com os preceitos gramaticais. As incorreções de lin-
e poderosas. Não tem por fim a exaltação do pregador, mas guagem depreciam grandemente os méritos do orador.
apenas o esclarecimento de sua mensagem.
2) Precisão. —• Consiste na exata correspondência en-
3. — Preceitos. A ilustração: tre os termos e as idéias. Para esse fim, recomenda-se o
1) Deve ser pertinente. "Não basta que uma cousa se- estudo cuidadoso e freqüente dos dicionários.
ja bela: é preciso que também seja apropriada ao assunto." 3) C l a r e z a . — Consiste no emprego de linguagem fa-
— Pascal. cilmente compreensível. Clareza de pensamento produz cla-
2) Deve ser breve. A ilustração deve fixar apenas o reza de expressão.
aspecto que se relacione diretamente com a idéia que está 4) Simplicidade. — Consiste no emprego de lingua-
sendo considerada.
gem comum, despretensiosa e acessível a todos os ouvintes.
3) Deve ser digna do assunto. Plínio Barreto, em re- " A simplicidade não é oposta a arte; pelo contrário, é o
ferência a Pedro Lessa: "Em seus escritos não encontrareis seu clímax." Walter Scott.
muitas imagens, mas também não encontrareis uma só to-
5) H a r m o n i a . — Consiste no efeito musical da lingua-
lice".
gem por meio da escolha e disposição conveniente das pa-
* * ^ * *
lavras. Para esse fim, recomenda-se a educação do ouvi-
X II do mediante a leitura em voz alta.
E L O C U Ç Ã O Recursos para aquisição das qualidades de estilo: co-
1. — Esta parte da retórica estuda os preceitos para nhecimento da gramática, estudo dos dicionários, leitura
bem proferir o discurso previamente composto. de bons autores.
40 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 41

4. — Qualidades da voz. — 2) Naturalidade. — Os gestos devem ser espontâneos,


sem esforço nem artifício, sempre de acordo com a idéia
1) A u d i b i i i d a d e . — É preciso que o orador seja ouvido
ou sentimento que se pretenda comunicar aos ouvintes.
pela pessoa que se encontre mais distante em seu auditó-
Observe-se, por exemplo, no mercado, a naturalidade com
rio. Para isso conseguir, deve esmerar-se em sua dicção,
que gesticulam os que compram e vendem.
pronunciando com clareza as palavras, articulando bem
todas as sílabas. 3) H a r m o n i a . — É preciso que haja uma exata corres-
pondência entre o que diz o orador e o gesto que ele faz.
2) Entonação. — Refere-se à nota chave, ou normal,
Seria irrisório que ele cometesse a incongruência de alu-
do discurso, que serve de ponto de partida para a eleva-
dir ao céu e apontar para a terra.
ção e diminuição da voz. Tom de conversação não é mono-
tonia: ninguém conversa num tom só.

3) E x p r e s s ã o . — Idéias e sentimentos se comunicam


por meio da voz. O tom baixo é próprio para expressar as
coisas graves, solenes, tristes. O tom alto é próprio para
expressar prazer, alegria, entusiasmo. O médio é o tom des-
critivo, expositivo ou didático.

"Para a dicção, toda a arte se resume neste duplo


preceito: não falar muito alto; não falar muito depressa."
— Legouvé.

5. — A Gesticulação compreende: ,
1) Posição.
2) Movimento.
3) Expressão fisionômica.
4) Uso dos olhos.
6. — Requisitos da gesticulação.

1) Parcimônia. — O orador deve ser moderado em sua


gesticulação. Os gestos contínuos, ou freqüentes, causam
grave prejuízo à expressão do discurso.

CFMINÁR10 CONCORDIA
40 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 41

4. — Qualidades da voz. — 2) Naturalidade. — Os gestos devem ser espontâneos,


sem esforço nem artifício, sempre de acordo com a idéia
1) A u d i b i i i d a d e . — É preciso que o orador seja ouvido
ou sentimento que se pretenda comunicar aos ouvintes.
pela pessoa que se encontre mais distante em seu auditó-
Observe-se, por exemplo, no mercado, a naturalidade com
rio. Para isso conseguir, deve esmerar-se em sua dicção,
que gesticulam os que compram e vendem.
pronunciando com clareza as palavras, articulando bem
todas as sílabas. 3) H a r m o n i a . — É preciso que haja uma exata corres-
pondência entre o que diz o orador e o gesto que ele faz.
2) Entonação. — Refere-se à nota chave, ou normal,
Seria irrisório que ele cometesse a incongruência de alu-
do discurso, que serve de ponto de partida para a eleva-
dir ao céu e apontar para a terra.
ção e diminuição da voz. Tom de conversação não é mono-
tonia: ninguém conversa num tom só.

3) E x p r e s s ã o . — Idéias e sentimentos se comunicam


por meio da voz. O tom baixo é próprio para expressar as
coisas graves, solenes, tristes. O tom alto é próprio para
expressar prazer, alegria, entusiasmo. O médio é o tom des-
critivo, expositivo ou didático.

"Para a dicção, toda a arte se resume neste duplo


preceito: não falar muito alto; não falar muito depressa."
— Legouvé.

5. — A Gesticulação compreende: ,
1) Posição.
2) Movimento.
3) Expressão fisionômica.
4) Uso dos olhos.
6. — Requisitos da gesticulação.

1) Parcimônia. — O orador deve ser moderado em sua


gesticulação. Os gestos contínuos, ou freqüentes, causam
grave prejuízo à expressão do discurso.

CFMINÁR10 CONCORDIA
Ha. P A R T E

EXEMPLIFICAÇÃO

São Leopoldo
— BIBLIOTECA —
Ha. P A R T E

EXEMPLIFICAÇÃO

São Leopoldo
— BIBLIOTECA —
SERMÕES EM GERME

1. — Mateus 4:17. Reino ( o que a palavra sugere):


1) Território: esfera da vida superior à material: espiritua-
lidade; 2) povo (habitantes do território): sociedade com-
posta de pessoas regeneradas; 3) governo: o rei dos rei.

2. — Mateus 13:1-9. Atitudes para com a mensagem:


1) solo impenetrável (rejeição); 2) solo superficial (impres-
são passageira); 3) solo ocupado (mundo); solo bom (frutí-
fero).

3. — Mateus 15:21-28. Grandeza da fé: 1) humilde;


2) perseverante; 3) vitoriosa.

4. — Mateus 16:18. A Igreja Cristã: 1) seu construtor;


2) sua base; 3) sua permanência.

5. — Mateus 16:24. O preço do discipulado: 1) negar-


se a si mesmo (aspecto negativo); 2) tomar a cruz (aspecto
positivo); 3) seguir a Cristo (aspecto progressivo).

6. — Mateus 25:14-30 (Parábola dos talentos). Servi-


ço do Senhor: 1) requer os talentos de todos; 2) está de
acordo com os talentos de cada um; 3) será recompensado
de acordo cem o LISO dos talentos.

7. — Lucas 19:1-10. Conversão de Zaqueu: 1) con-


versão de um grande pecador; 2) conversão mediante um
encontro com Cristo; 3) conversão demonstrada pelos efei-
tos na vida.
SERMÕES EM GERME

1. — Mateus 4:17. Reino ( o que a palavra sugere):


1) Território: esfera da vida superior à material: espiritua-
lidade; 2) povo (habitantes do território): sociedade com-
posta de pessoas regeneradas; 3) governo: o rei dos rei.

2. — Mateus 13:1-9. Atitudes para com a mensagem:


1) solo impenetrável (rejeição); 2) solo superficial (impres-
são passageira); 3) solo ocupado (mundo); solo bom (frutí-
fero).

3. — Mateus 15:21-28. Grandeza da fé: 1) humilde;


2) perseverante; 3) vitoriosa.

4. — Mateus 16:18. A Igreja Cristã: 1) seu construtor;


2) sua base; 3) sua permanência.

5. — Mateus 16:24. O preço do discipulado: 1) negar-


se a si mesmo (aspecto negativo); 2) tomar a cruz (aspecto
positivo); 3) seguir a Cristo (aspecto progressivo).

6. — Mateus 25:14-30 (Parábola dos talentos). Servi-


ço do Senhor: 1) requer os talentos de todos; 2) está de
acordo com os talentos de cada um; 3) será recompensado
de acordo cem o LISO dos talentos.

7. — Lucas 19:1-10. Conversão de Zaqueu: 1) con-


versão de um grande pecador; 2) conversão mediante um
encontro com Cristo; 3) conversão demonstrada pelos efei-
tos na vida.
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LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 47

8. João 17:18. Missão dos apóstolos: 1) autoridade da monstra John Buyan, em seu livro " A Viagem do Pere-
missão; 2) propósito da missão; 3) universalidade da mis- grino". — Ainda assim, não deixa de ser estranhável que
são.
um profeta valoroso como Elias, tenha sido por ele domi-
9. Romanos 5:1. Justificação: 1) meio-Cristo; 2) con- nado. — Estudemos o nosso assunto sob o tema "Corretivos
dição — fé; 3) resultado — paz. do desânimo."
10. — Romanos 12:12. Atitudes do cristão: 1) alegria 1) V i s ã o — A primeira causa do desânimo de Elias:
na esperança; 2) paciência nas tribulações; 3) perseveran-
idéia de fracasso. Corretivo: visão de Deus e de seus ilimi-
ça na oração.
tados poderes. — Quando, certal vez, Lutero se achou
11. — Filip. 3:13 e 14. Sucesso na carreira cristã: 1) prostrado pelo desânimo, sua esposa lhe apareceu vestida
concentração "uma coisa faço"; 2) esquecimento "esque- de preto, alegando que Deus havia morrido. O reformador
cendo o que atrás fica"; 3) progresso "prossigo". imediatamente compreendeu a lição, e, reagindo, lançou-se
12. — 2.° Timóteo 2:1-13. Características de um bom sol- à luta com redobrado ardor. — Godell na Turquia: "O
dado: 1) obediência; 2) coragem; 3) perseverança. Grande Sultão do Universo pode mudar tudo isto."

13. — Tito 2:12. Como viver no mundo: 1) sobriamen- 2) C o m p a n h i a — A segunda causa do desanimo de
te (em referencia à própria pessoa); 2) justamente (em re- Elias: idéia de isolamento. Corretivo: sete mil não se ha-
ferencia ao próximo); 3) piamente (em referencia a Deus). viam ajoelhado perante Baal. — Na época da reforma, co-
14. — Hebreus 12:1 e 2. A carreira cristã: 1) condi- mo em outras épocas da igreja, tem-se repetido essa atitu-
ção; 2) estímulo; 3) poder. de de Elias, que só poderá ser combatida pela certeza de
15. — Hebreus 13:8. Imutabilidade de Cristo: 1) em que em todo o mundo há corações fiéis, corajosos solda-
referencia ao passado (ontem); 2) em referencia ao presente dos de Cristo, que lutam conosco pela implantação do rei-
(hoje); 3) em referencia ao futuro (para sempre). no de Deus na terra. — Declarou um eminente cristão que,
ta.o sentir-se abatido, procurava logo a Igreja, a companhia
dos crentes, e assim conseguia reanimar-se.
n
ESBOÇOS DE SERMÕES 3) Inércia — A terceira causa do desanimo de Elias:
inércia. Ele cruzou os braços e pediu a morte. Corretivo:
(Elaborados pelo autor do compêndio)
volta ao trabalho, cumprimento do dever, conclusão da
1 — O DESANIMO DE ELIAS
tarefa. — Disse Carlyle: "Trabalho é o grande remédio pa-
1.° Reis 19:1-16.
ra os males da vida." — Stanley Jones, com a graça de
Disse Max Nordau que o desânimo é "o mal do sécu- Deus, conseguiu vencer uma grave crise de sua vida física
lo". — O próprio cristão dele não esta isento, como o de- e espiritual, e, ainda hoje, é, no campo missionário, um
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LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 47

8. João 17:18. Missão dos apóstolos: 1) autoridade da monstra John Buyan, em seu livro " A Viagem do Pere-
missão; 2) propósito da missão; 3) universalidade da mis- grino". — Ainda assim, não deixa de ser estranhável que
são.
um profeta valoroso como Elias, tenha sido por ele domi-
9. Romanos 5:1. Justificação: 1) meio-Cristo; 2) con- nado. — Estudemos o nosso assunto sob o tema "Corretivos
dição — fé; 3) resultado — paz. do desânimo."
10. — Romanos 12:12. Atitudes do cristão: 1) alegria 1) V i s ã o — A primeira causa do desânimo de Elias:
na esperança; 2) paciência nas tribulações; 3) perseveran-
idéia de fracasso. Corretivo: visão de Deus e de seus ilimi-
ça na oração.
tados poderes. — Quando, certal vez, Lutero se achou
11. — Filip. 3:13 e 14. Sucesso na carreira cristã: 1) prostrado pelo desânimo, sua esposa lhe apareceu vestida
concentração "uma coisa faço"; 2) esquecimento "esque- de preto, alegando que Deus havia morrido. O reformador
cendo o que atrás fica"; 3) progresso "prossigo". imediatamente compreendeu a lição, e, reagindo, lançou-se
12. — 2.° Timóteo 2:1-13. Características de um bom sol- à luta com redobrado ardor. — Godell na Turquia: "O
dado: 1) obediência; 2) coragem; 3) perseverança. Grande Sultão do Universo pode mudar tudo isto."

13. — Tito 2:12. Como viver no mundo: 1) sobriamen- 2) C o m p a n h i a — A segunda causa do desanimo de
te (em referencia à própria pessoa); 2) justamente (em re- Elias: idéia de isolamento. Corretivo: sete mil não se ha-
ferencia ao próximo); 3) piamente (em referencia a Deus). viam ajoelhado perante Baal. — Na época da reforma, co-
14. — Hebreus 12:1 e 2. A carreira cristã: 1) condi- mo em outras épocas da igreja, tem-se repetido essa atitu-
ção; 2) estímulo; 3) poder. de de Elias, que só poderá ser combatida pela certeza de
15. — Hebreus 13:8. Imutabilidade de Cristo: 1) em que em todo o mundo há corações fiéis, corajosos solda-
referencia ao passado (ontem); 2) em referencia ao presente dos de Cristo, que lutam conosco pela implantação do rei-
(hoje); 3) em referencia ao futuro (para sempre). no de Deus na terra. — Declarou um eminente cristão que,
ta.o sentir-se abatido, procurava logo a Igreja, a companhia
dos crentes, e assim conseguia reanimar-se.
n
ESBOÇOS DE SERMÕES 3) Inércia — A terceira causa do desanimo de Elias:
inércia. Ele cruzou os braços e pediu a morte. Corretivo:
(Elaborados pelo autor do compêndio)
volta ao trabalho, cumprimento do dever, conclusão da
1 — O DESANIMO DE ELIAS
tarefa. — Disse Carlyle: "Trabalho é o grande remédio pa-
1.° Reis 19:1-16.
ra os males da vida." — Stanley Jones, com a graça de
Disse Max Nordau que o desânimo é "o mal do sécu- Deus, conseguiu vencer uma grave crise de sua vida física
lo". — O próprio cristão dele não esta isento, como o de- e espiritual, e, ainda hoje, é, no campo missionário, um
48 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 49

trabalhador incansável e brilhante, E, testifica ele, o desâ- fícil a prática do recolhimento e da meditação." — Cristo
nimo, que o dominara naquela época, nunca mais lhe apa- condena o espírito de ostentação dos fariseus e profere
receu. as palavras do nosso texto, de que derivamos o tema: A
Disse Moody, o conhecido evangelista: " O pregador oração secreta.
que, em cada domingo, toma, por assim dizer, em suas 1) Tempo: "Tu, porém, quando orares, entra no teu
mãos, um auditório triste e abatido, e o devolve para o quarto . . . " — Payson: " O gosto pela oração secreta cie —•
trabalho da semana reanimado e corajoso — essa pregador nota o grau de nossa espiritualidade." — Wesley registra,
tem cumprido galhardamente o seu dever." em suas memórias, que havia resolvido consagrar à oração
2 — A VISÃO DE I S A I A S . particular uma hora pela manhã, e outra à noite. — Gordon
Isaias 6:1-8. colocava um lenço à porta de sua tenda militar, como sinal
" A maior coisa que se pode fazer neste mundo é ver de que estava em comunhão com Deus e não atendia a nin-
alguma coisa e depois contar aos outros, com toda a clare- guém.
za, o que viu." (Ruskin).
2) Método: " e fechada a porta orarás ao teu Pai que
1) A morte de Uzias determina a visão de Deus: " N o está em secreto . . . " — O telefone público e a necessidade
ano em que o rei Uzias morreu, eu ví o Senhor assentado de fechar a porta para ouvir e falar. —j "Fechar a porta é
sobre um alto e sublime trono. . ." (vs. 1-4). excluir da oração o perigo da hipocrisia." — Mott. Bonar
2) A visão de Deus determina a visão de si mesmo: sobre Mc Cheyne: "Nada apreciava ele tanto como a opor-
"Então eu disse: A i de mim! Estou perdido! porque sou tunidade de estar sozinho em comunhão com Deus."
um homem de lábios impuros " (vs. 5-7). 3) Resultado: " e teu Pai que ve em secreto, te recom-
3) A visão de si mesmo determina a visão do mundo: p e n s a r á . " — Drumond: "dez minutos passados na presen-
"Disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim." (vs. 8). ça de Deus mudam a face do dia." — DAubigné, o gran-
de historiador da Reforma, declara que no aposento da
Disse Alexandre Duff, o grande missionário da índia, oração secreta é que devemos procurar o segredo do po-
que só teve interesse pela sorte dos pecadores quando teve der com que Lutero realizou sua obra. — O grande músi-
interesse pela sorte de sua própria alma. co: "Se deixo de tocar meu violino um dia, eu percebo;
3. — A O R A Ç Ã O SECRETA. dois dias, os amigos percebem; três dias todo o povo per-
cebe."
Mateus 6:6.
O livro de Theodoro Roosevelt intitulado " A Vida In- -— "Se a tua religião não te impele a orar, não és real-
tensa": "as solicitações da sociedade moderna tornam di- mente convertido."
48 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 49

trabalhador incansável e brilhante, E, testifica ele, o desâ- fícil a prática do recolhimento e da meditação." — Cristo
nimo, que o dominara naquela época, nunca mais lhe apa- condena o espírito de ostentação dos fariseus e profere
receu. as palavras do nosso texto, de que derivamos o tema: A
Disse Moody, o conhecido evangelista: " O pregador oração secreta.
que, em cada domingo, toma, por assim dizer, em suas 1) Tempo: "Tu, porém, quando orares, entra no teu
mãos, um auditório triste e abatido, e o devolve para o quarto . . . " — Payson: " O gosto pela oração secreta cie —•
trabalho da semana reanimado e corajoso — essa pregador nota o grau de nossa espiritualidade." — Wesley registra,
tem cumprido galhardamente o seu dever." em suas memórias, que havia resolvido consagrar à oração
2 — A VISÃO DE I S A I A S . particular uma hora pela manhã, e outra à noite. — Gordon
Isaias 6:1-8. colocava um lenço à porta de sua tenda militar, como sinal
" A maior coisa que se pode fazer neste mundo é ver de que estava em comunhão com Deus e não atendia a nin-
alguma coisa e depois contar aos outros, com toda a clare- guém.
za, o que viu." (Ruskin).
2) Método: " e fechada a porta orarás ao teu Pai que
1) A morte de Uzias determina a visão de Deus: " N o está em secreto . . . " — O telefone público e a necessidade
ano em que o rei Uzias morreu, eu ví o Senhor assentado de fechar a porta para ouvir e falar. —j "Fechar a porta é
sobre um alto e sublime trono. . ." (vs. 1-4). excluir da oração o perigo da hipocrisia." — Mott. Bonar
2) A visão de Deus determina a visão de si mesmo: sobre Mc Cheyne: "Nada apreciava ele tanto como a opor-
"Então eu disse: A i de mim! Estou perdido! porque sou tunidade de estar sozinho em comunhão com Deus."
um homem de lábios impuros " (vs. 5-7). 3) Resultado: " e teu Pai que ve em secreto, te recom-
3) A visão de si mesmo determina a visão do mundo: p e n s a r á . " — Drumond: "dez minutos passados na presen-
"Disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim." (vs. 8). ça de Deus mudam a face do dia." — DAubigné, o gran-
de historiador da Reforma, declara que no aposento da
Disse Alexandre Duff, o grande missionário da índia, oração secreta é que devemos procurar o segredo do po-
que só teve interesse pela sorte dos pecadores quando teve der com que Lutero realizou sua obra. — O grande músi-
interesse pela sorte de sua própria alma. co: "Se deixo de tocar meu violino um dia, eu percebo;
3. — A O R A Ç Ã O SECRETA. dois dias, os amigos percebem; três dias todo o povo per-
cebe."
Mateus 6:6.
O livro de Theodoro Roosevelt intitulado " A Vida In- -— "Se a tua religião não te impele a orar, não és real-
tensa": "as solicitações da sociedade moderna tornam di- mente convertido."
50 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 51

4. — A R E S S U R R E I Ç Ã O D E C R I S T O . um grande escritor e missionário..

Mateus 28:6. — Receita para que o fundador de uma nova religião


tenha êxito: deixar-se crucificar e ressuscitar ao terceiro
O quadro célebre do anjo anunciando a ressurreição
dia.
de Cristo. —• O convite do texto. — A mensagem da res-
surreição dirigida: 5. — T E S T E M U N H A S D E C R I S T O .
1) À mente — A dúvida em que se achavam os discí- Atos 1:8.
pulos se transformou em certeza. — O dr. Dale possuído
da convicção de que Cristo realmente havia rompido as O livro de Atos chamado livro do testemunho. — O
cadeias da morte, salta da cadeira em que se achava assen- versículo 8 do capítulo primeiro é o texto áureo desse li-
tado, e diz em altos brados: "Cristo está vivo ? Cristo res- vro. — Nesse texto, encontra-se o programa do cristianis-
suscitou !" — Gilberto West planeja destruir a evidência mo. — Os apóstolos não podiam esgotá-lo. — Daí o nosso
desse fato, e termina convertendo-se ao cristianismo. tema: Como ser testemunha de Cristo.

2) A o coração — A tristeza impede que os dois dis- 1) P e l a palavra — A testemunha no juri diz o que
cípulos reconheçam a Cristo no caminho de Emaús, mas sabe — Os apóstolos proclamaram o que sabiam. — Gibbon
depois eles se alegram com a presença do Senhor. — Na e o crescimento rápido do cristianismo mediante a lei do
capa de um livro dedicado à memória de sua esposa, o dr. contágio. — Os primeiro conversos no Brasil e a propa-
Jones manda imprimir a gravura do túmulo vazio de Jesus, ganda que faziam do evangelho. — Da. Belisária, viúva de
com um anjo à porta, anunciando o glorioso acontecimento. Júlio Ribeiro, evangelizava os hóspedes de sua pensão em
— A menina pagã que diz ao missionário que o evangelho São Paulo.
projetou uma nova luz sobre a sepultura de sua irmã. 2) Pelo exemplo — A palavra da testemunha no juri
3) À vontade — Pedro que, antes, desanimado, disse- depende do seu caráter. — Os apóstolos, como pregado-
ra aos companheiros: "eu vou pescar", vai agora à cidade res, tinham uma vida exemplar. — Emerson: " O que és
de Jerusalém e dá testemunho de que Cristo ressuscitara. tão alto fala, que não ouço o que tu dizes." — Stanley na
John R. Mott escreve ao seu pai contando que tivera uma África: "Não foram as palavras, mas a vida de Livingstone,
visão de Cristo e que dali em diante só teria um objetivo o que me levou a Cristo."
no mundo — difundir o conhecimento e a glória de seu 3) Pelo sofrimento — A testemunha no juri torna-se
Salvador. — Stanley Jones sofre uma enfermidade e passa mais valiosa, se está pronta a, sofrer pela verdade que diz.
por uma crise moral de que sai reabilitado pela graça de — A morte de Estevão e a conversão de Paulo. — A pala-
Deus e encontra em Cristo as forças necessárias para ser vra "mártir" e a mudança de seu sentido: de testemunha
50 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 51

4. — A R E S S U R R E I Ç Ã O D E C R I S T O . um grande escritor e missionário..

Mateus 28:6. — Receita para que o fundador de uma nova religião


tenha êxito: deixar-se crucificar e ressuscitar ao terceiro
O quadro célebre do anjo anunciando a ressurreição
dia.
de Cristo. —• O convite do texto. — A mensagem da res-
surreição dirigida: 5. — T E S T E M U N H A S D E C R I S T O .
1) À mente — A dúvida em que se achavam os discí- Atos 1:8.
pulos se transformou em certeza. — O dr. Dale possuído
da convicção de que Cristo realmente havia rompido as O livro de Atos chamado livro do testemunho. — O
cadeias da morte, salta da cadeira em que se achava assen- versículo 8 do capítulo primeiro é o texto áureo desse li-
tado, e diz em altos brados: "Cristo está vivo ? Cristo res- vro. — Nesse texto, encontra-se o programa do cristianis-
suscitou !" — Gilberto West planeja destruir a evidência mo. — Os apóstolos não podiam esgotá-lo. — Daí o nosso
desse fato, e termina convertendo-se ao cristianismo. tema: Como ser testemunha de Cristo.

2) A o coração — A tristeza impede que os dois dis- 1) P e l a palavra — A testemunha no juri diz o que
cípulos reconheçam a Cristo no caminho de Emaús, mas sabe — Os apóstolos proclamaram o que sabiam. — Gibbon
depois eles se alegram com a presença do Senhor. — Na e o crescimento rápido do cristianismo mediante a lei do
capa de um livro dedicado à memória de sua esposa, o dr. contágio. — Os primeiro conversos no Brasil e a propa-
Jones manda imprimir a gravura do túmulo vazio de Jesus, ganda que faziam do evangelho. — Da. Belisária, viúva de
com um anjo à porta, anunciando o glorioso acontecimento. Júlio Ribeiro, evangelizava os hóspedes de sua pensão em
— A menina pagã que diz ao missionário que o evangelho São Paulo.
projetou uma nova luz sobre a sepultura de sua irmã. 2) Pelo exemplo — A palavra da testemunha no juri
3) À vontade — Pedro que, antes, desanimado, disse- depende do seu caráter. — Os apóstolos, como pregado-
ra aos companheiros: "eu vou pescar", vai agora à cidade res, tinham uma vida exemplar. — Emerson: " O que és
de Jerusalém e dá testemunho de que Cristo ressuscitara. tão alto fala, que não ouço o que tu dizes." — Stanley na
John R. Mott escreve ao seu pai contando que tivera uma África: "Não foram as palavras, mas a vida de Livingstone,
visão de Cristo e que dali em diante só teria um objetivo o que me levou a Cristo."
no mundo — difundir o conhecimento e a glória de seu 3) Pelo sofrimento — A testemunha no juri torna-se
Salvador. — Stanley Jones sofre uma enfermidade e passa mais valiosa, se está pronta a, sofrer pela verdade que diz.
por uma crise moral de que sai reabilitado pela graça de — A morte de Estevão e a conversão de Paulo. — A pala-
Deus e encontra em Cristo as forças necessárias para ser vra "mártir" e a mudança de seu sentido: de testemunha
52 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 53

para quem sofre pelo testemunho que dá. Isso em conse- "mas também não pode dizer ao paralítico: "levanta-te e
qüência do testemunho apostólico. — O oficial do exército anda."
convertido pelo exemplo de sua esposa, ao morrer.
3) Apropriação — "Ele se pôs em p é " vs. 8. — Quer
—• Certa vez o rei de Sião hospedou-se em casa de um dizer: o paralítico fêz o que o apóstolo lhe mandara. — O
crente evangélico, que, na hora da refeição, deu graças a doente que deixa de usar o remédio, porque no vidro esta-
Deus. O rei: "Os missionários costumam fazer isso." E o va escrito: "Conseve fechado." — William James e seu li-
crente: "eu também sou missionário." vro intitulado " A Vontade de Crer".

6. — CONDIÇÕES DE SALVAÇÃO. O quadro de Rafael: contraste entre dois paralíticos:


um, curado e outro, não.
Atos 3:1-16.

Isaías e a era messiânica: "então os paralíticos salta- 7. _ PROVAS DE CONVERSÃO.


rão como os cervos." — Os três objetivos dos milagres: 1.° Tim. 1:16
misericórdia, apologia, ensino — Tema: Condições de Sal-
(Atos 9:1-22)
vação.
A conversão, como a vida, só se conhece mediante
1) V i s ã o . "Olha para nós." vs. 4. — O paralítico e a
seus efeitos. — "Todas as conversões não são semelhantes
lei do hábito: fixava atenção apenas em suas mãos, e nas
em referência às circunstâncias mas produzem os mesmos
moedas que lhe davam. — O avarento que escrevia o seu
resultados. — Paulo mesmo declara que sua conversão
nome com letra minúscula e a palavra "dinheiro" com le-
serviria de modelo a quantos em Cristo cressem para a
tra maiúscula em qualquer parte da sentença em que ela
vida eterna. — Tema: Provas de Conversão.
se encontrava. — Os missionários na África e seus habi-
tantes contentes com a situação em que se encontravam. 1) O r a ç ã o — Paulo: "Eis que ele ora" (Atos 9:11). —
" A criança, ao nascer, chora; assim, orar é a primeira coi-
2) F é . — "Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, an-
sa que o convertido faz." — "Se a tua religião não te leva
da!" vs. 6 ("E pela fé no seu nome fez o seu nome forta-
a orar, não é s realmente convertido."
lecer a este . . . " vs. 16 a). — Quer dizer: o paralítico creu
que Cristo tinha o poder para curá-lo. — O templo judai- 2) A f e i ç ã o — Paulo: "Que queres que eu faça ?" Atos
co era majestoso, possuía uma porta formosa, e não tinha 9:6) — " O poder expulsivo de uma nova afeição." (Chal-
poder. — O papa mostra a Tomás de Aquino todas as ri- mers) — A mulher que se dirige a Agostinho, exclamando:
quezas do Vaticano, e diz: Tomás, a Igreja não pode mais "Sou eu, Agostinho." E ele: "Mas eu não sou Agostinho."
dizer como Pedro: "prata e ouro não tenho." E o teólogo:
3) A ç ã o — Paulo prega logo nas sinagogas e dá tes-
52 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 53

para quem sofre pelo testemunho que dá. Isso em conse- "mas também não pode dizer ao paralítico: "levanta-te e
qüência do testemunho apostólico. — O oficial do exército anda."
convertido pelo exemplo de sua esposa, ao morrer.
3) Apropriação — "Ele se pôs em p é " vs. 8. — Quer
—• Certa vez o rei de Sião hospedou-se em casa de um dizer: o paralítico fêz o que o apóstolo lhe mandara. — O
crente evangélico, que, na hora da refeição, deu graças a doente que deixa de usar o remédio, porque no vidro esta-
Deus. O rei: "Os missionários costumam fazer isso." E o va escrito: "Conseve fechado." — William James e seu li-
crente: "eu também sou missionário." vro intitulado " A Vontade de Crer".

6. — CONDIÇÕES DE SALVAÇÃO. O quadro de Rafael: contraste entre dois paralíticos:


um, curado e outro, não.
Atos 3:1-16.

Isaías e a era messiânica: "então os paralíticos salta- 7. _ PROVAS DE CONVERSÃO.


rão como os cervos." — Os três objetivos dos milagres: 1.° Tim. 1:16
misericórdia, apologia, ensino — Tema: Condições de Sal-
(Atos 9:1-22)
vação.
A conversão, como a vida, só se conhece mediante
1) V i s ã o . "Olha para nós." vs. 4. — O paralítico e a
seus efeitos. — "Todas as conversões não são semelhantes
lei do hábito: fixava atenção apenas em suas mãos, e nas
em referência às circunstâncias mas produzem os mesmos
moedas que lhe davam. — O avarento que escrevia o seu
resultados. — Paulo mesmo declara que sua conversão
nome com letra minúscula e a palavra "dinheiro" com le-
serviria de modelo a quantos em Cristo cressem para a
tra maiúscula em qualquer parte da sentença em que ela
vida eterna. — Tema: Provas de Conversão.
se encontrava. — Os missionários na África e seus habi-
tantes contentes com a situação em que se encontravam. 1) O r a ç ã o — Paulo: "Eis que ele ora" (Atos 9:11). —
" A criança, ao nascer, chora; assim, orar é a primeira coi-
2) F é . — "Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, an-
sa que o convertido faz." — "Se a tua religião não te leva
da!" vs. 6 ("E pela fé no seu nome fez o seu nome forta-
a orar, não é s realmente convertido."
lecer a este . . . " vs. 16 a). — Quer dizer: o paralítico creu
que Cristo tinha o poder para curá-lo. — O templo judai- 2) A f e i ç ã o — Paulo: "Que queres que eu faça ?" Atos
co era majestoso, possuía uma porta formosa, e não tinha 9:6) — " O poder expulsivo de uma nova afeição." (Chal-
poder. — O papa mostra a Tomás de Aquino todas as ri- mers) — A mulher que se dirige a Agostinho, exclamando:
quezas do Vaticano, e diz: Tomás, a Igreja não pode mais "Sou eu, Agostinho." E ele: "Mas eu não sou Agostinho."
dizer como Pedro: "prata e ouro não tenho." E o teólogo:
3) A ç ã o — Paulo prega logo nas sinagogas e dá tes-
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 55
54 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
3) Para a glória de Deus.
temunho de sua fé em Jesus. — A samaritana: "Vinde,
vede um homem que me disse tudo quanto tenho fei- Paulo glorificou a Deus e deu testemunho do valor
to . . . " (João 4:29). — Na Coréia só é admitida à profissão do evangelho. — "O Novo Testamento é o livro mais ale-
de fé, quem já levou uma pessoa a Cristo. gre do mundo. — O missionário que afirmou que na índia
é fácil saber que é cristão pela expressão do rosto.
4) Aflição — Paulo sofre por Cristo (Atos 9:16 e 23).
— A parábola do semeador e o sol da provação. —• Na Chi- — Coral de Bach intitulado "Regozijai-vos todos vós
na, durante a perseguição, os chamados "cristãos de ar- cristãos."
roz", isto é, interesseiros, provam que são cristãos de ver- 9. — EM DEFESA DA DÚVIDA.
dade.
João 20:24-29.
— Doré, em uma de suas viagens, consegue provar
— O nosso século tem sido chamado o século da dú-
sua identidade, fazendo rapidamente um de seus célebres
vida, porque é o século da investigação e dos fatos.
desenhos.
— Essa dúvida estava de acordo com sua índole, com
Podemos demonstrar que somos realmente cristãos?
a tendência de seu espírito investigador.
8. — V A N T A G E N S DA ALEGRIA.
— À vista da experiência de Tomé, podemos propor
Filipenses 4:4. o tema seguinte: Em defesa da dúvida.
A epístola aos filipenses tem sido chamada a epístola 1) É legítima — Tomé queria firmar sua convicção
da alegria. — O nosso texto constituí a síntese dessa car- em provas robustas. —- Locke disse que a dúvida é uma
ta. — A situação de Paulo: velho, preso, doente. Entre- das fontes do conhecimento humano. — Lutero teve for-
tanto, ele dirige aos filipenses uma verdadeira mensagem tes razões para discutir as doutrinas e costumes de sua
de alegria. — Consideremos as razões dessa exortação. igreja.
1) Para o nosso prpóprio bem — O efeito benéfico 2) É sincera — A prova da sinceridade de Tomé está
dessa atitude sobre Paulo. •— A melancolia considerada na aceitação da prova que lhe foi dada. — Pasteur, caráter
uma doença. —• "O coração alegre é um bom remédio . . . " ilibado, duvidou da ciência de seu tempo. — John R. Mott,
2) Para o bem dos outros. em sua juventude, não deixou de ter incerteza quanto à
ressurreição de Cristo, mas depois se tornou perante sua
O benefício que tem produzido esta carta de Paulo. — geração, um valoroso defensor da fé cristã.
A menina no hospital que diz à enfermeira: "Ria para
mim." — Phiüps Brooks e sua influência alegre. 3) É benéfica — Exclamando "Senhcr meu e Deus
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 55
54 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
3) Para a glória de Deus.
temunho de sua fé em Jesus. — A samaritana: "Vinde,
vede um homem que me disse tudo quanto tenho fei- Paulo glorificou a Deus e deu testemunho do valor
to . . . " (João 4:29). — Na Coréia só é admitida à profissão do evangelho. — "O Novo Testamento é o livro mais ale-
de fé, quem já levou uma pessoa a Cristo. gre do mundo. — O missionário que afirmou que na índia
é fácil saber que é cristão pela expressão do rosto.
4) Aflição — Paulo sofre por Cristo (Atos 9:16 e 23).
— A parábola do semeador e o sol da provação. —• Na Chi- — Coral de Bach intitulado "Regozijai-vos todos vós
na, durante a perseguição, os chamados "cristãos de ar- cristãos."
roz", isto é, interesseiros, provam que são cristãos de ver- 9. — EM DEFESA DA DÚVIDA.
dade.
João 20:24-29.
— Doré, em uma de suas viagens, consegue provar
— O nosso século tem sido chamado o século da dú-
sua identidade, fazendo rapidamente um de seus célebres
vida, porque é o século da investigação e dos fatos.
desenhos.
— Essa dúvida estava de acordo com sua índole, com
Podemos demonstrar que somos realmente cristãos?
a tendência de seu espírito investigador.
8. — V A N T A G E N S DA ALEGRIA.
— À vista da experiência de Tomé, podemos propor
Filipenses 4:4. o tema seguinte: Em defesa da dúvida.
A epístola aos filipenses tem sido chamada a epístola 1) É legítima — Tomé queria firmar sua convicção
da alegria. — O nosso texto constituí a síntese dessa car- em provas robustas. —- Locke disse que a dúvida é uma
ta. — A situação de Paulo: velho, preso, doente. Entre- das fontes do conhecimento humano. — Lutero teve for-
tanto, ele dirige aos filipenses uma verdadeira mensagem tes razões para discutir as doutrinas e costumes de sua
de alegria. — Consideremos as razões dessa exortação. igreja.
1) Para o nosso prpóprio bem — O efeito benéfico 2) É sincera — A prova da sinceridade de Tomé está
dessa atitude sobre Paulo. •— A melancolia considerada na aceitação da prova que lhe foi dada. — Pasteur, caráter
uma doença. —• "O coração alegre é um bom remédio . . . " ilibado, duvidou da ciência de seu tempo. — John R. Mott,
2) Para o bem dos outros. em sua juventude, não deixou de ter incerteza quanto à
ressurreição de Cristo, mas depois se tornou perante sua
O benefício que tem produzido esta carta de Paulo. — geração, um valoroso defensor da fé cristã.
A menina no hospital que diz à enfermeira: "Ria para
mim." — Phiüps Brooks e sua influência alegre. 3) É benéfica — Exclamando "Senhcr meu e Deus
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA

meu", Tomé chegou a uma convicção mais completa e


3) "Em seu ardor" — "Ele era uma lâmpada que ar-
exata da pessoa de Cristo, e, no dizer de um grande es- dia". (João 5:35). — O símbolo de Calvino : um coração a
critor, "suplantou a opinião de todos os seus companhei- arder. — O intérprete de Stanley Jones na índia : a princí-
ros de apostolado". — Foi mediante a dúvida que Colombo pio calmo, depois vibrante. — Ator a um pregador: falo
descortinou perante o velho mundo um novo continente — de ficções como se fossem realidades, e voce de realidades
A América. — A dúvida levou Alexandre Bruce a escre- como se fossem ficções.
ver esse livro precioso "The Training of Twelve", que eu
gostaria de ver traduzido em nossa língua, para benefício 4) Em sua consagração — João decapitado a pedido
de Herodias (Mateus 14:10). — Crisóstomo exilado pela im-
de nossa Igreja e de nosso ministério.
peratriz Eudóxia — John Buyan na prisão: "se eu fôr
— Será a tua dúvida legítima, sincera, benéfica ? solto, voltarei a pregar."

10. — E X E M P L O D E BOM P R E G A D O R . Eis um modelo para os pregadores: saibamos imitá-


Mateus 3:1-12, 11:7-13 e João 5:33-35. lo para a glória de Deus e o bem das almas.
Os profetas constituem a linha dos grandes prega-
dores do Velho Testamento — João Batista é o último dos
! I!
profetas, o que teve o privilégio de apontar Jesus como o
realizador das promessas messiânicas do Velho Testamento BREVES SERMÕES
— Cristo fez a defesa e o elogio de João e de seu ministé- (Elaborados pelo autor do compêndio).
rio. — Tema : Exemplo de bom pregador.
1. — A O B R I G A Ç Ã O D E EVANGELIZAR.
1) Em sua mensagem —• "Eis o cordeiro de Deus que
tira o pecado do mundo." (João 1:19). — Spurgeon, o maior "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a
pregador do século XLX tinha como sua mensagem "Cris- criatura." — Marcos 16:15.
to crucificado." — Speer e o que a Igreja espera dos se-
A Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana dos Esta-
minários: pregadores com a antiga mensagem. dos Unidos, ao inserir em sua Confissão de Fé um capí-
2) Emi sua humildade — "Eu sou a voz do que clama tulo especial sobre missões e sua importância, declarou
no deserto." (João 1:23) — Rafael quando pintava costuma- que, no texto acima referido, se encontra não só a derra-
va usar uma lâmpada para que sua sombra não se proje- deira mas também a suprema ordem dada por Cristo aos
tasse na tela. — Leonardo da Vinci diminuiu a beleza dos seus apóstolos.
copos na mesa da santa ceia para que a atenção não se Com efeito, naquelas palavras, temos, traçado por Cris-
desviasse do rosto de Jesus. to, o programa de ação que a sua Igreja deveria realizar na
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA

meu", Tomé chegou a uma convicção mais completa e


3) "Em seu ardor" — "Ele era uma lâmpada que ar-
exata da pessoa de Cristo, e, no dizer de um grande es- dia". (João 5:35). — O símbolo de Calvino : um coração a
critor, "suplantou a opinião de todos os seus companhei- arder. — O intérprete de Stanley Jones na índia : a princí-
ros de apostolado". — Foi mediante a dúvida que Colombo pio calmo, depois vibrante. — Ator a um pregador: falo
descortinou perante o velho mundo um novo continente — de ficções como se fossem realidades, e voce de realidades
A América. — A dúvida levou Alexandre Bruce a escre- como se fossem ficções.
ver esse livro precioso "The Training of Twelve", que eu
gostaria de ver traduzido em nossa língua, para benefício 4) Em sua consagração — João decapitado a pedido
de Herodias (Mateus 14:10). — Crisóstomo exilado pela im-
de nossa Igreja e de nosso ministério.
peratriz Eudóxia — John Buyan na prisão: "se eu fôr
— Será a tua dúvida legítima, sincera, benéfica ? solto, voltarei a pregar."

10. — E X E M P L O D E BOM P R E G A D O R . Eis um modelo para os pregadores: saibamos imitá-


Mateus 3:1-12, 11:7-13 e João 5:33-35. lo para a glória de Deus e o bem das almas.
Os profetas constituem a linha dos grandes prega-
dores do Velho Testamento — João Batista é o último dos
! I!
profetas, o que teve o privilégio de apontar Jesus como o
realizador das promessas messiânicas do Velho Testamento BREVES SERMÕES
— Cristo fez a defesa e o elogio de João e de seu ministé- (Elaborados pelo autor do compêndio).
rio. — Tema : Exemplo de bom pregador.
1. — A O B R I G A Ç Ã O D E EVANGELIZAR.
1) Em sua mensagem —• "Eis o cordeiro de Deus que
tira o pecado do mundo." (João 1:19). — Spurgeon, o maior "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a
pregador do século XLX tinha como sua mensagem "Cris- criatura." — Marcos 16:15.
to crucificado." — Speer e o que a Igreja espera dos se-
A Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana dos Esta-
minários: pregadores com a antiga mensagem. dos Unidos, ao inserir em sua Confissão de Fé um capí-
2) Emi sua humildade — "Eu sou a voz do que clama tulo especial sobre missões e sua importância, declarou
no deserto." (João 1:23) — Rafael quando pintava costuma- que, no texto acima referido, se encontra não só a derra-
va usar uma lâmpada para que sua sombra não se proje- deira mas também a suprema ordem dada por Cristo aos
tasse na tela. — Leonardo da Vinci diminuiu a beleza dos seus apóstolos.
copos na mesa da santa ceia para que a atenção não se Com efeito, naquelas palavras, temos, traçado por Cris-
desviasse do rosto de Jesus. to, o programa de ação que a sua Igreja deveria realizar na
58 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 59

terra. Os apóstolos iniciaram a execução desse programa: obra missionária, afirmou que o maior obstáculo a essa
aos cristãos de hoje compete o prosseguimento dessa hon- obra é o dos crentes que só pensam em si mesmos, e dos
rosa tarefa. Decorre daí o nosso tema: Â Obrigação de que cuidam apenas de seus próprios interesses, conservan-
Evangelizar. Vejamos, suscintamente, algumas razões des- do-se de olhos fechados perante as necessidades enormes
sa obrigação. em que se debate um mundo — sem Deus e sem fé. Wil-
liam Carey, que era de outra estirpe, explica que a sua
1) Primeiramente, em atenção à ordem de Cristo. — chamada consistiu no seguinte — em uma Bíblia aberta
Houve uma época — embora pareça isso inacreditável — para ler a ordem de Cristo e em um mapa aberto — para
em que se alimentavam dúvidas quanto à necessidade de ver as necessidades do mundo.
evangelizar o mundo. Quando alguns ministros discutiam,
certa vez, essa questão, interveio Wellington, perguntan- É um engano supor que, sem o conhecimento do evan-
do-lhes : "Qual a ordem de Cristo a respeito deste assunto?" gelho, os povos pagãos sejam realmente felizes. Para Ale-
E eles, unânimes, responderam: "Ide por todo o mundo xandre Mackay, assim pensam somente aqueles que desco-
e pregai o evangelho a toda a criatura." Nesse caso, re- nhecem as superstições, os temores, as tristezas em que
plicou Wellington, há uma só coisa a fazer: por em execu- vive o paganismo.
ção o que determinou o nosso Chefe supremo. Foi por isso que sobreveio a Paulo uma visão, em que
um homem estava em pé e lhe rogava, dizendo: "Tu, pas-
Foi cm obediência a essa ordem que o bispo Kinsolving
sando à Macedónia, ajuda-nos." A voz do Brasil é a de um
— deixou a sua pátria para vir ao Brasil. Em seu embar-
gigante que se alevanta e, em sua indigência moral e espiri-
que, um amigo, surpreso, quis saber porque ele abria mão
tual, nos repete o clamor macedónio : "Ajuda-nos !"
de todo o conforto — que tinha nos Estados Unidos para
se expor a todos os riscos em terra desconhecida. Kin- 3) Por última, em atenção à espiritualidade da Igreja.
solving, sem proferir palavra, apontou-lhe em um exem- — A Igreja apostólica foi realmente viva e espiritual, por-
plar do Novo Testamento o mandato que recebera do Mes- que foi vigorosamente missionária. Podemos afirmar, co-
tre : "Ide por todo o m u n d o . . . " mo um princípio fartamente exemplificado na história ecle-
siástica, que a ausência de atividade missionária determina
Se a Igreja se lançasse, ardorosa, ao cumprimento de sempre a decadência na espiritualidade da Igreja. Foi o
sua missão, veríamos convertido em realidade aquilo com que sucedeu com a Igreja na idade média. Era essa tam-
que sonhara o grande John R. Mott. — o mundo evange- bém a situação da cristandade na Inglaterra, quando a pa-
lizado em nossa geração. lavra evangelizadora e missionária de Wesley a sacudiu,
despertando-a para uma vida nova.
2) Depois, em. atenção, às necessidades do mundo. —
James Denney, autor de três alentados volumes sobre a Uma experiência de Sundar-Sing, o famoso cristão in-
58 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 59

terra. Os apóstolos iniciaram a execução desse programa: obra missionária, afirmou que o maior obstáculo a essa
aos cristãos de hoje compete o prosseguimento dessa hon- obra é o dos crentes que só pensam em si mesmos, e dos
rosa tarefa. Decorre daí o nosso tema: Â Obrigação de que cuidam apenas de seus próprios interesses, conservan-
Evangelizar. Vejamos, suscintamente, algumas razões des- do-se de olhos fechados perante as necessidades enormes
sa obrigação. em que se debate um mundo — sem Deus e sem fé. Wil-
liam Carey, que era de outra estirpe, explica que a sua
1) Primeiramente, em atenção à ordem de Cristo. — chamada consistiu no seguinte — em uma Bíblia aberta
Houve uma época — embora pareça isso inacreditável — para ler a ordem de Cristo e em um mapa aberto — para
em que se alimentavam dúvidas quanto à necessidade de ver as necessidades do mundo.
evangelizar o mundo. Quando alguns ministros discutiam,
certa vez, essa questão, interveio Wellington, perguntan- É um engano supor que, sem o conhecimento do evan-
do-lhes : "Qual a ordem de Cristo a respeito deste assunto?" gelho, os povos pagãos sejam realmente felizes. Para Ale-
E eles, unânimes, responderam: "Ide por todo o mundo xandre Mackay, assim pensam somente aqueles que desco-
e pregai o evangelho a toda a criatura." Nesse caso, re- nhecem as superstições, os temores, as tristezas em que
plicou Wellington, há uma só coisa a fazer: por em execu- vive o paganismo.
ção o que determinou o nosso Chefe supremo. Foi por isso que sobreveio a Paulo uma visão, em que
um homem estava em pé e lhe rogava, dizendo: "Tu, pas-
Foi cm obediência a essa ordem que o bispo Kinsolving
sando à Macedónia, ajuda-nos." A voz do Brasil é a de um
— deixou a sua pátria para vir ao Brasil. Em seu embar-
gigante que se alevanta e, em sua indigência moral e espiri-
que, um amigo, surpreso, quis saber porque ele abria mão
tual, nos repete o clamor macedónio : "Ajuda-nos !"
de todo o conforto — que tinha nos Estados Unidos para
se expor a todos os riscos em terra desconhecida. Kin- 3) Por última, em atenção à espiritualidade da Igreja.
solving, sem proferir palavra, apontou-lhe em um exem- — A Igreja apostólica foi realmente viva e espiritual, por-
plar do Novo Testamento o mandato que recebera do Mes- que foi vigorosamente missionária. Podemos afirmar, co-
tre : "Ide por todo o m u n d o . . . " mo um princípio fartamente exemplificado na história ecle-
siástica, que a ausência de atividade missionária determina
Se a Igreja se lançasse, ardorosa, ao cumprimento de sempre a decadência na espiritualidade da Igreja. Foi o
sua missão, veríamos convertido em realidade aquilo com que sucedeu com a Igreja na idade média. Era essa tam-
que sonhara o grande John R. Mott. — o mundo evange- bém a situação da cristandade na Inglaterra, quando a pa-
lizado em nossa geração. lavra evangelizadora e missionária de Wesley a sacudiu,
despertando-a para uma vida nova.
2) Depois, em. atenção, às necessidades do mundo. —
James Denney, autor de três alentados volumes sobre a Uma experiência de Sundar-Sing, o famoso cristão in-
60 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 61

diano, ilustra bem a verdade que estamos expondo. Conta- crê." Era esse justamente o conceito que do evangelho ele
nos ele que, certa ocasião, durante intenso inverno, conse- precisava ter, para intentar pregá-lo na grande, rica e po-
guiu escapar à morte, carregando um homem que, enre- derosa cidade de Roma, a capital do mundo. Esse conceito
gelado, caíra na estrada recoberta de neve. O esforço pa- se apresenta na forma de uma definição, que constitue o
ra transportar aquela carga humana, agitara-lhe o sangue, tema da carta aos romanos. Será esse também o nosso te-
fazendo-o circular nas veias. Assim, ambos foram salvos. O ma.
companheiro, porém, que não quisera auxiliá-lo, exclaman-
do : "Estás maluco, Sundar-Sing, eu não posso nem com o Vamos submeter a urna breve análise o supra mencio-
corpo m e u ! " esse não pôde resistir ao frio, perecendo. nado texto, e assim, compreenderemos melhor a opinião de
Paulo a respeito do evangelho de Cristo.
Disse alguém que a atividade missionária da Igreja é
a circulação do sangue em suas veias. Para manter e de- De acordo com o apóstolo, o evangelho é :
senvolver suas energias espirituais, só existe um meio, mas
Primeiro, " o poder de Deus." Temos aqui a natureza
este infalível — é dedicar-se a Igreja, sem reserva, ao tra-
do evangelho. Ninguém jamais se envergonhou de qual-
balho árduo mas glorioso de salvar os pecadores e evange-
quer manifestação de poder, seja muscular, econômico, in-
lizar o mundo.
telectual ou moral. Como poderia Paulo envergonhar-se
2. — O PODER DO E V A N G E L H O . do evangelho, que não é poder do homem, mas de Deus ?
E ele mesmo o, experimentara em sua própria pessoa, quan-
"Eu não me envergonho do Evangelho, porque é o po-
do, à frente de soldados romanos, perseguia os cristãos,
der de Deus para a salvação de todo aquele que crê." e fora prostrado no caminho de Damasco. Quem diria tam-
— Romanos 1:16. bém que, ao impacto da cruz, seriam abatidas as orgulhosas
Estas palavras enfáticas, vívidas e fortes, põem em águias romanas, e que, exclamando "Venceste, Galileu!",
evidência a razão por que Paulo desejava pregar o evan- Juliano, o apóstata, terminaria a luta que empreendera
gelho na capital do Império romano. contra o cristianismo ? Passados séculos, Voltaire, em um
movimento de enfado, faz esta ousada, arrogante declara-
À primeira vista, poderia parecer-nos verdadeira lou- ção : "Estou cansado de ouvir dizer que doze homens revo-
cura pretender o apóstolo levar a efeito esse propósito lucionaram e venceram o mundo. Pois agora vou eu, sozi-
que, por largo tempo, acalentara era seu coração. Diante, nho, vencer o .cristianismo." A história registra, como sa-
porém, da expressão contida no referido texto, cessa toda bemos, que Voltaire não teve forças suficientes para levar
admiração ou surpresa que essa atitude nos poderia causar. a cabo o seu funesto desígnio.
Diz Paulo: "Eu não me envergonho do evangelho, porque
é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que Em meio às apreensões, aos perigos em que se debate
60 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 61

diano, ilustra bem a verdade que estamos expondo. Conta- crê." Era esse justamente o conceito que do evangelho ele
nos ele que, certa ocasião, durante intenso inverno, conse- precisava ter, para intentar pregá-lo na grande, rica e po-
guiu escapar à morte, carregando um homem que, enre- derosa cidade de Roma, a capital do mundo. Esse conceito
gelado, caíra na estrada recoberta de neve. O esforço pa- se apresenta na forma de uma definição, que constitue o
ra transportar aquela carga humana, agitara-lhe o sangue, tema da carta aos romanos. Será esse também o nosso te-
fazendo-o circular nas veias. Assim, ambos foram salvos. O ma.
companheiro, porém, que não quisera auxiliá-lo, exclaman-
do : "Estás maluco, Sundar-Sing, eu não posso nem com o Vamos submeter a urna breve análise o supra mencio-
corpo m e u ! " esse não pôde resistir ao frio, perecendo. nado texto, e assim, compreenderemos melhor a opinião de
Paulo a respeito do evangelho de Cristo.
Disse alguém que a atividade missionária da Igreja é
a circulação do sangue em suas veias. Para manter e de- De acordo com o apóstolo, o evangelho é :
senvolver suas energias espirituais, só existe um meio, mas
Primeiro, " o poder de Deus." Temos aqui a natureza
este infalível — é dedicar-se a Igreja, sem reserva, ao tra-
do evangelho. Ninguém jamais se envergonhou de qual-
balho árduo mas glorioso de salvar os pecadores e evange-
quer manifestação de poder, seja muscular, econômico, in-
lizar o mundo.
telectual ou moral. Como poderia Paulo envergonhar-se
2. — O PODER DO E V A N G E L H O . do evangelho, que não é poder do homem, mas de Deus ?
E ele mesmo o, experimentara em sua própria pessoa, quan-
"Eu não me envergonho do Evangelho, porque é o po-
do, à frente de soldados romanos, perseguia os cristãos,
der de Deus para a salvação de todo aquele que crê." e fora prostrado no caminho de Damasco. Quem diria tam-
— Romanos 1:16. bém que, ao impacto da cruz, seriam abatidas as orgulhosas
Estas palavras enfáticas, vívidas e fortes, põem em águias romanas, e que, exclamando "Venceste, Galileu!",
evidência a razão por que Paulo desejava pregar o evan- Juliano, o apóstata, terminaria a luta que empreendera
gelho na capital do Império romano. contra o cristianismo ? Passados séculos, Voltaire, em um
movimento de enfado, faz esta ousada, arrogante declara-
À primeira vista, poderia parecer-nos verdadeira lou- ção : "Estou cansado de ouvir dizer que doze homens revo-
cura pretender o apóstolo levar a efeito esse propósito lucionaram e venceram o mundo. Pois agora vou eu, sozi-
que, por largo tempo, acalentara era seu coração. Diante, nho, vencer o .cristianismo." A história registra, como sa-
porém, da expressão contida no referido texto, cessa toda bemos, que Voltaire não teve forças suficientes para levar
admiração ou surpresa que essa atitude nos poderia causar. a cabo o seu funesto desígnio.
Diz Paulo: "Eu não me envergonho do evangelho, porque
é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que Em meio às apreensões, aos perigos em que se debate
62 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 63

o mundo contemporâneo, perante as ameaças da hora pre- subiu mais, subiu sempre, até que, colocando-me fora do
sente, não nos tomemos de receios pela permanência da poço, me salvou !
Igreja, ou pela sorte.do cristianismo, certos de que as por-
Não foi sem razão que Max Müller, célebre filólogo,
tas do Hades não hão de prevalecer contra a Igreja, que é
depois de estudar as religiões da índia, concluiu que Pau-
de Cristo, nem contra o evangelho, que. é de Deus.
lo estava certo quando afirmou : "Eu não me envergonho
do evangelho . . . "
Segundo, "para a salvação." Temos aqui o propósito
do evangelho. Na esfera natural, Deus revela o,seu poder Terceiro, "a todo aquele que crê." Temos aqui a
sob diversos aspectos e com diferentes propósitos. Mas, condição estabelecida pelo evangelho. Não existe no mun-
para salvar, só no evangelho encontramos o poder de do poder que se exerça independente de qualquer con-
Deus. E era isto, precisamente, o de que a cidade de Roma dição. A eletricidade, por exemplo, nos é muitíssimo útil,
necessitava. Porque, embora possuísse todos os recursos, desde que nos submetamos às suas leis. A mais possante
lhe faltava um — aquele que a podia salvar. E a prova de usina só comunicará energias motoras às máquinas que
que é verdadeira esta afirmativa, nós a temos na ultima par- com ela estiverem em contacto. Lucas relata um episódio
te do capítulo primeiro da carta de Paulo, em que des- que ilustra muito bem este ponto : Uma pobre muiher
creve a profunda e terrível degradação dos costumes em enferma toca de leve a veste de Cristo, e ele, percebendo
todo o império romano. Quando Paulo se refere à salva- que da sua pessoa se havia desprendido algum poder,
ção pelo poder do evangelho, fala de ciência própria, vis- volta-se e pergunta: "Quem me tocou ? Vemos neste in-
to que ele mesmo fora salvo por esse poder. E que extra- cidente o toque da fé, mediante o qual a mulher se apro-
ordinária transformação se operara na vida, no caráter, na priou do poder, e foi instantaneamente curada.
personalidade, do grande apóstolo !
Há quem conteste a afirmação de Paulo contida em
nosso texto, alegando que o evangelho não salva todo o
E, em todos os tempos, esse efeito prodigioso tem
mundo. Entretanto, o argumento não procede, uma vez
tido plena confirmação. Um chinês assim narra sua con-
que se baseia na pressuposição de que no evangelho te-
versão : Eu havia caído em um poço. Passando por ali um
mos o casoi único e impossível de um poder que se exerça
discípulo de Confúcio, exortou-me a que tomasse cuidado incondicionalmente.
em não me achar outra vez em semelhante situação. Em
seguida, um sacerdote do budismo me convidou a subir O salto do Avanhandava oferecia aos espectadores
até a metade do poço, e ele me auxiliaria a subir a outra um panorama deslumbrante; hoje a sua força é utilizada
metade ! Cristo, porém, desceu até o lugar em que, sem em benefício do nosso povo e do nosso Estado. Muitos r e -
forças, eu jazia, tomou-me em seus fortes braços, subiu conhecem a beleza do evangelho. Convém, todavia, lem-
62 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 63

o mundo contemporâneo, perante as ameaças da hora pre- subiu mais, subiu sempre, até que, colocando-me fora do
sente, não nos tomemos de receios pela permanência da poço, me salvou !
Igreja, ou pela sorte.do cristianismo, certos de que as por-
Não foi sem razão que Max Müller, célebre filólogo,
tas do Hades não hão de prevalecer contra a Igreja, que é
depois de estudar as religiões da índia, concluiu que Pau-
de Cristo, nem contra o evangelho, que. é de Deus.
lo estava certo quando afirmou : "Eu não me envergonho
do evangelho . . . "
Segundo, "para a salvação." Temos aqui o propósito
do evangelho. Na esfera natural, Deus revela o,seu poder Terceiro, "a todo aquele que crê." Temos aqui a
sob diversos aspectos e com diferentes propósitos. Mas, condição estabelecida pelo evangelho. Não existe no mun-
para salvar, só no evangelho encontramos o poder de do poder que se exerça independente de qualquer con-
Deus. E era isto, precisamente, o de que a cidade de Roma dição. A eletricidade, por exemplo, nos é muitíssimo útil,
necessitava. Porque, embora possuísse todos os recursos, desde que nos submetamos às suas leis. A mais possante
lhe faltava um — aquele que a podia salvar. E a prova de usina só comunicará energias motoras às máquinas que
que é verdadeira esta afirmativa, nós a temos na ultima par- com ela estiverem em contacto. Lucas relata um episódio
te do capítulo primeiro da carta de Paulo, em que des- que ilustra muito bem este ponto : Uma pobre muiher
creve a profunda e terrível degradação dos costumes em enferma toca de leve a veste de Cristo, e ele, percebendo
todo o império romano. Quando Paulo se refere à salva- que da sua pessoa se havia desprendido algum poder,
ção pelo poder do evangelho, fala de ciência própria, vis- volta-se e pergunta: "Quem me tocou ? Vemos neste in-
to que ele mesmo fora salvo por esse poder. E que extra- cidente o toque da fé, mediante o qual a mulher se apro-
ordinária transformação se operara na vida, no caráter, na priou do poder, e foi instantaneamente curada.
personalidade, do grande apóstolo !
Há quem conteste a afirmação de Paulo contida em
nosso texto, alegando que o evangelho não salva todo o
E, em todos os tempos, esse efeito prodigioso tem
mundo. Entretanto, o argumento não procede, uma vez
tido plena confirmação. Um chinês assim narra sua con-
que se baseia na pressuposição de que no evangelho te-
versão : Eu havia caído em um poço. Passando por ali um
mos o casoi único e impossível de um poder que se exerça
discípulo de Confúcio, exortou-me a que tomasse cuidado incondicionalmente.
em não me achar outra vez em semelhante situação. Em
seguida, um sacerdote do budismo me convidou a subir O salto do Avanhandava oferecia aos espectadores
até a metade do poço, e ele me auxiliaria a subir a outra um panorama deslumbrante; hoje a sua força é utilizada
metade ! Cristo, porém, desceu até o lugar em que, sem em benefício do nosso povo e do nosso Estado. Muitos r e -
forças, eu jazia, tomou-me em seus fortes braços, subiu conhecem a beleza do evangelho. Convém, todavia, lem-
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 5
64

Ternos neste episódio do evangelho um dos pontos


brar que esse mesmo evangelho é também poderoso, é ca-
culminantes na carreira ministerial de Cristo. Era o mo-
paz de produzir no caráter e na vida efeitos maravilhosos.
mento de crise em sua popularidade. A multidão, que até
Agora, uma palavra final, como cristão e patriota. ali o acompanhara fascinada pelos seus prodígios e mila-
Temos um entranhado amor pelo Brasil e lhe almejamos gres, agora se escandaliza com o ensino de seu discurso,
um futuro de prosperidade, de grandeza e de glória. Mas, e o abandona. Cristo, que desejava ter unicamente segui-
para que isto se torne uma/radiosa realidade, não bastam dores espontâneos e sinceros, indiferentes ao exemplo da
os imensos recursos naturais de que Deus nos dotou, nem maioria, livres de ideal terreno e de interesses materiais,
a capacidade e o brilho intelectual ¡ de nossos compatricios. volta-se para os doze discípulos e pergunta-lhes: "Quereis
O caráter, a vida moral, é que constitue o verdadeiro vós também retirar-vos ?"
fundamento da nacionalidade. A este respeito, interrogai
os inossos políticos, estadistas e pensadores, e eles, se fo- A pergunta, no texto original, isto é, no grego, de-
rem sinceros, responderão que a maior fraqueza ou carên- nota que Cristo esperava uma resposta negativa, porque
cia do Brasil se encontra precisamente na ordem moral, Ele confiava na lealdade e no amor de seus verdadeiros
no domínio do caráter. discípulos. E de fato, Pedro, sempre impulsivo, o primei-
Pregar o evangelho ao nosso povo será, pois, a me- ro a enunciar ou a executar uma idéia, responde por si e
lhor maneira de amar e servir o Brasil. ,E só estaremos por seus companheiros : "Para quem havemos nós de ir,
habilitados a executar essa imperiosa, essa imprescindí- Senhor ? Tu tens palavras de vida eterna. E nós temos
vel tarefa, se houver em nós a mesma < convicção, profun- crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus."
da e veemente, que levou Paulo a dizer: "Eu não me en-
Vamos analisar ligeiramente esta declaração de Pe-
vergonho do evangelho,-porque é o poder de Deus para a
dro, subordinando nosso estudo ao tema seguinte: Algu-
salvação de todo aquele que crê."
mas razões por que não podemos abandonar a Cristo.
3. — A SUPREMACÍA DE CRISTO.
Primeira: "Para quem havemos nós de ir ?" — Na
O texto desta breve meditação encontra-se no evan- mente de Pedro logo se desenhara nítida a grande alter-
gelho de João, capítulo seis, versículos 66 a 70, e diz as- nativa: deixar a Cristo, para is a quem? Para voltar àsi bar-
sim : "Desde então muitos dos seus discípulos tornaram cas e às redes do mar da Galileia? Para voltar ao formalis-
para trás, e já não andavam com ele. Por isso disse Jesus mo estéril e hipócrita dos fariseus, ou ao materialismo in-
aos doze : Quereis vós , também retirar-vos ? E respondeu-
sensato da prebe judaica ? Impossível!
lhe Simão P e d r o : Senhor, para quem havemos nós de ir ?
Tu tens palavras de vida eterna. E nós temos; crido e co- William Bryan, o eminente estadista e orador norte-
nhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus." americano, afirmou que, em controvérsia com os incrédu-
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 5
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Ternos neste episódio do evangelho um dos pontos


brar que esse mesmo evangelho é também poderoso, é ca-
culminantes na carreira ministerial de Cristo. Era o mo-
paz de produzir no caráter e na vida efeitos maravilhosos.
mento de crise em sua popularidade. A multidão, que até
Agora, uma palavra final, como cristão e patriota. ali o acompanhara fascinada pelos seus prodígios e mila-
Temos um entranhado amor pelo Brasil e lhe almejamos gres, agora se escandaliza com o ensino de seu discurso,
um futuro de prosperidade, de grandeza e de glória. Mas, e o abandona. Cristo, que desejava ter unicamente segui-
para que isto se torne uma/radiosa realidade, não bastam dores espontâneos e sinceros, indiferentes ao exemplo da
os imensos recursos naturais de que Deus nos dotou, nem maioria, livres de ideal terreno e de interesses materiais,
a capacidade e o brilho intelectual ¡ de nossos compatricios. volta-se para os doze discípulos e pergunta-lhes: "Quereis
O caráter, a vida moral, é que constitue o verdadeiro vós também retirar-vos ?"
fundamento da nacionalidade. A este respeito, interrogai
os inossos políticos, estadistas e pensadores, e eles, se fo- A pergunta, no texto original, isto é, no grego, de-
rem sinceros, responderão que a maior fraqueza ou carên- nota que Cristo esperava uma resposta negativa, porque
cia do Brasil se encontra precisamente na ordem moral, Ele confiava na lealdade e no amor de seus verdadeiros
no domínio do caráter. discípulos. E de fato, Pedro, sempre impulsivo, o primei-
Pregar o evangelho ao nosso povo será, pois, a me- ro a enunciar ou a executar uma idéia, responde por si e
lhor maneira de amar e servir o Brasil. ,E só estaremos por seus companheiros : "Para quem havemos nós de ir,
habilitados a executar essa imperiosa, essa imprescindí- Senhor ? Tu tens palavras de vida eterna. E nós temos
vel tarefa, se houver em nós a mesma < convicção, profun- crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus."
da e veemente, que levou Paulo a dizer: "Eu não me en-
Vamos analisar ligeiramente esta declaração de Pe-
vergonho do evangelho,-porque é o poder de Deus para a
dro, subordinando nosso estudo ao tema seguinte: Algu-
salvação de todo aquele que crê."
mas razões por que não podemos abandonar a Cristo.
3. — A SUPREMACÍA DE CRISTO.
Primeira: "Para quem havemos nós de ir ?" — Na
O texto desta breve meditação encontra-se no evan- mente de Pedro logo se desenhara nítida a grande alter-
gelho de João, capítulo seis, versículos 66 a 70, e diz as- nativa: deixar a Cristo, para is a quem? Para voltar àsi bar-
sim : "Desde então muitos dos seus discípulos tornaram cas e às redes do mar da Galileia? Para voltar ao formalis-
para trás, e já não andavam com ele. Por isso disse Jesus mo estéril e hipócrita dos fariseus, ou ao materialismo in-
aos doze : Quereis vós , também retirar-vos ? E respondeu-
sensato da prebe judaica ? Impossível!
lhe Simão P e d r o : Senhor, para quem havemos nós de ir ?
Tu tens palavras de vida eterna. E nós temos; crido e co- William Bryan, o eminente estadista e orador norte-
nhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus." americano, afirmou que, em controvérsia com os incrédu-
66 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 67
los, os crentes muitas vezes cometem o erro de se limitar coisa alguma que se assemelhasse às verdades eternas e
a responder às questões dos adversários da fé, como se gloriosas da religião cristã.
fossem alunos perante a autoridade e a ciência de seus
Conta-se que, certa vez, uma pessoa entrou inespera-
mestres. A primeira pergunta, continua Bryan, podemos
damente em casa de Rousseau, e, surpreendendo-o a ler o
admitir que eles a façam, mas a segunda quem a faz so-
Novo Testamento à sua filha, lhe disse: "Que é isso, Rous-
mos nós, e é esta a nossa pergunta: Que nos ofereceis em
seau? Voce proclama-se incrédulo e está ensinando o evan-
lugar de Cristo ? Que pessoa ou coisa poderá substituí-lo
gelho à sua filha ? !" E ele, sem se perturbar, replicou, sor-
no trono de nossa conciência e de nosso coração ?
rindo: "Meu amigo, se você tem aí alguma coisa melhor do
Podemos estar certos de que nada existe no mundo que o evangelho para se ler a uma filha, faça o obséquio
que se compare ao nosso divino Mestre e Redentor. Foi es- de m'o dar." E o homem emudeceu.
sa precisamente a conclusão a que chegou um brilhante Realmente, para construir o caráter, formar a perso-
escritor, após demorada viagem por diferentes países da nalidade, desenvolver a vida espiritual, nada há como a
Europa e da Ásia, onde submeteu a meticuloso estudo mui- doutrina cristã, nada há que possa substituir as eternas
tas religiões e sistemas filosóficos. Por fim, resumiu suas verdades ensinadas pelo Senhor Jesus.
pesquisas nesta veemente exclamação: ou Cristo, ou na- "E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Fi-
da; ou Cristo, ou o vácuo, ou Cristo, ou uma lacuna im- lho de Deus." Temos agora a razão, o argumento da expe-
preenchível na vida e no espírito da humanidade. riência. Sabemos que os maiores homens, vistos de perto,
revelam suas fraquezas e imperfeições. Há mesmo um pro-
"Tu tens palavras de vida eterna", eis a segunda ra-
vérbio que assevera que não existe grande homem para o
zão de não abandonarmos a Cristo. Pedro ouvira do Mes-
seu doméstico, isto é, para aquele que o conhece intimamen-
tre, por longo tempo, as verdades sublimes do reino de
te. Com Cristo, porém, isto não sucede. Pedro conviveu com
Deus, e essas verdades haviam projetado na escuridão de
o Mestre durante três anos, e teve ocasião de observar aten-
sua alma uma luz celestial, a esperança radiosa da vida
tamente o seu procedimento particular e público. A sua
eterna. Os próprios inimigos se convenceram de que
palavra era sempre verdadeira, o seu caráter perfeito, a
"nunca homem algum falara como este homem."
sua vida ideal. Foi assim que se cristalizou na conciência
E, através do tempo e do espaço, esta convicção se do apóstolo a convicção inabalável de que Jesus era o Cris-
tem confirmado plenamente, Agostinho nos dá o seu tes- to, o Filho de Deus. Como podia ele, como podiam os seus
temunho nesse sentido, quando, em suas "Confissões", de- companheiros, abandonar tão grande Amigo e Salvador ?
clara que pôde apreciar nas obras antigas muito pri- Essa tem sido a atitude de todos quantos têm encon-
mor de linguagem c muita elevação de pensamento, mas trado em Cristo o Redentor de suas almas. Policarpo, por
66 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 67
los, os crentes muitas vezes cometem o erro de se limitar coisa alguma que se assemelhasse às verdades eternas e
a responder às questões dos adversários da fé, como se gloriosas da religião cristã.
fossem alunos perante a autoridade e a ciência de seus
Conta-se que, certa vez, uma pessoa entrou inespera-
mestres. A primeira pergunta, continua Bryan, podemos
damente em casa de Rousseau, e, surpreendendo-o a ler o
admitir que eles a façam, mas a segunda quem a faz so-
Novo Testamento à sua filha, lhe disse: "Que é isso, Rous-
mos nós, e é esta a nossa pergunta: Que nos ofereceis em
seau? Voce proclama-se incrédulo e está ensinando o evan-
lugar de Cristo ? Que pessoa ou coisa poderá substituí-lo
gelho à sua filha ? !" E ele, sem se perturbar, replicou, sor-
no trono de nossa conciência e de nosso coração ?
rindo: "Meu amigo, se você tem aí alguma coisa melhor do
Podemos estar certos de que nada existe no mundo que o evangelho para se ler a uma filha, faça o obséquio
que se compare ao nosso divino Mestre e Redentor. Foi es- de m'o dar." E o homem emudeceu.
sa precisamente a conclusão a que chegou um brilhante Realmente, para construir o caráter, formar a perso-
escritor, após demorada viagem por diferentes países da nalidade, desenvolver a vida espiritual, nada há como a
Europa e da Ásia, onde submeteu a meticuloso estudo mui- doutrina cristã, nada há que possa substituir as eternas
tas religiões e sistemas filosóficos. Por fim, resumiu suas verdades ensinadas pelo Senhor Jesus.
pesquisas nesta veemente exclamação: ou Cristo, ou na- "E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Fi-
da; ou Cristo, ou o vácuo, ou Cristo, ou uma lacuna im- lho de Deus." Temos agora a razão, o argumento da expe-
preenchível na vida e no espírito da humanidade. riência. Sabemos que os maiores homens, vistos de perto,
revelam suas fraquezas e imperfeições. Há mesmo um pro-
"Tu tens palavras de vida eterna", eis a segunda ra-
vérbio que assevera que não existe grande homem para o
zão de não abandonarmos a Cristo. Pedro ouvira do Mes-
seu doméstico, isto é, para aquele que o conhece intimamen-
tre, por longo tempo, as verdades sublimes do reino de
te. Com Cristo, porém, isto não sucede. Pedro conviveu com
Deus, e essas verdades haviam projetado na escuridão de
o Mestre durante três anos, e teve ocasião de observar aten-
sua alma uma luz celestial, a esperança radiosa da vida
tamente o seu procedimento particular e público. A sua
eterna. Os próprios inimigos se convenceram de que
palavra era sempre verdadeira, o seu caráter perfeito, a
"nunca homem algum falara como este homem."
sua vida ideal. Foi assim que se cristalizou na conciência
E, através do tempo e do espaço, esta convicção se do apóstolo a convicção inabalável de que Jesus era o Cris-
tem confirmado plenamente, Agostinho nos dá o seu tes- to, o Filho de Deus. Como podia ele, como podiam os seus
temunho nesse sentido, quando, em suas "Confissões", de- companheiros, abandonar tão grande Amigo e Salvador ?
clara que pôde apreciar nas obras antigas muito pri- Essa tem sido a atitude de todos quantos têm encon-
mor de linguagem c muita elevação de pensamento, mas trado em Cristo o Redentor de suas almas. Policarpo, por
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63

exemplo, convidado a escolher entre a morte e Cristo, não sas almas; leiamos sem preconceitos o evangelho, que
contém palavras de vida eterna; experimentemos, final-
hesita perante o angustioso dilema, e dá intrepidamente
mente, em nossa vida quão doce é o Senhor, quão
este admirável testemunho: "Há 86 anos que sirvo o meu
preciosas e inefáveis são as bênçãos que Ele nos
Mestre, e d'Ele até hoje só tenho recebido bênçãos, como
pode conferir. E, como Pedro, estaremos habilita-
poderei eu agora renegá-lo ?"
dos a exclamar com sinceridade e convicção: "Senhor,
Paulo, também, através de mil dificuldades e duras para quem havemos nós de ir ? Tu tens palavras de vida
provações, realizou galhardamente o seu glorioso aposto- eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo,
lado, porque podia sintetizar a sua experiência de Cristo o Filho de Deus."
nesta expressão enfática: "Eu sei em quem tenho crido".
4. — A EXCELÊNCIA DO MINISTÉRIO.
Calamitosas, desesperadoras são as condições da épo-
ca em que vivemos. Ainda recentemente, Gilberto Amado, (Discurso de paraninfo, proferido pelo Rev.
o nosso ilustre patrício e primoroso estilista, visitou a Eu- Herculano Gouvêa Júnior a 27 de novembro de
ropa, e, depois de um exame perspicaz da situação naque- 1954, por ocasião da entrega de diplomas aos
le continente, voltou ao Rid de Janeiro, e, ali, em uma con- bacharelandos do Seminário Teológico Presbi-
ferência magistral proferiu estas palavras de impressiva teriano de Campinas).
eloqüência: "Braceja no caos a humanidade. Na ordem po- A vossa extrema gentileza, prezados diplomandos, a
lítica e social os problemas transcendem os homens. Na or- ela exclusivamente, é que posso atribuir a incumbência de
dem do pensamento, tateia o espírito humano em direções vos dar nesta hora a aula derradeira de vosso curso teo-
contraditórias. A razão se mostra impotente para enqua- lógico em nosso Seminário. Das seguintes particularidades
drar os movimentos da vida. A experiência assenhoreando- se reveste esta lição: ela será proferida em público, o
se apenas dos resultados dos fenômenos^ deixa entre eles que aumenta consideravelmente a responsabilidade do pro-
um espaço angustiosamente vazio que em vão tentamos fessor; e ela não vos obrigará a exame, o que muito dimi-
preencher..." nui a preocupação com que me haveis de ouvir.
Se Gilberto Amado não se enganou nesta apreciação do Em uma solenidade como esta, com que encerrais
estado atual do mundo então só uma coisa nos resta dizer: vossa vida acadêmica para iniciardes vossa vida prática, a
Cristo é a única esperança nossa ; Cristo é a solução única nota característica, dominante, não pode ser outra senão
de todos os nossos problemas pessoais, sociais e políticos. a de entusiasmo e estímulo, e ela não só determina mas
Desiludamo-nos dos homens e das coisas materiais, impõe o meu assunto, e eu vou buscá-lo na primeira, Carta
que não podem satisfazer as supremas aspirações de nos- de Paulo a Timóteo, capítulo três e versículo primeiro, onde
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇõES DE RETÓRICA SAGRADA 69
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exemplo, convidado a escolher entre a morte e Cristo, não sas almas; leiamos sem preconceitos o evangelho, que
contém palavras de vida eterna; experimentemos, final-
hesita perante o angustioso dilema, e dá intrepidamente
mente, em nossa vida quão doce é o Senhor, quão
este admirável testemunho: "Há 86 anos que sirvo o meu
preciosas e inefáveis são as bênçãos que Ele nos
Mestre, e d'Ele até hoje só tenho recebido bênçãos, como
pode conferir. E, como Pedro, estaremos habilita-
poderei eu agora renegá-lo ?"
dos a exclamar com sinceridade e convicção: "Senhor,
Paulo, também, através de mil dificuldades e duras para quem havemos nós de ir ? Tu tens palavras de vida
provações, realizou galhardamente o seu glorioso aposto- eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo,
lado, porque podia sintetizar a sua experiência de Cristo o Filho de Deus."
nesta expressão enfática: "Eu sei em quem tenho crido".
4. — A EXCELÊNCIA DO MINISTÉRIO.
Calamitosas, desesperadoras são as condições da épo-
ca em que vivemos. Ainda recentemente, Gilberto Amado, (Discurso de paraninfo, proferido pelo Rev.
o nosso ilustre patrício e primoroso estilista, visitou a Eu- Herculano Gouvêa Júnior a 27 de novembro de
ropa, e, depois de um exame perspicaz da situação naque- 1954, por ocasião da entrega de diplomas aos
le continente, voltou ao Rid de Janeiro, e, ali, em uma con- bacharelandos do Seminário Teológico Presbi-
ferência magistral proferiu estas palavras de impressiva teriano de Campinas).
eloqüência: "Braceja no caos a humanidade. Na ordem po- A vossa extrema gentileza, prezados diplomandos, a
lítica e social os problemas transcendem os homens. Na or- ela exclusivamente, é que posso atribuir a incumbência de
dem do pensamento, tateia o espírito humano em direções vos dar nesta hora a aula derradeira de vosso curso teo-
contraditórias. A razão se mostra impotente para enqua- lógico em nosso Seminário. Das seguintes particularidades
drar os movimentos da vida. A experiência assenhoreando- se reveste esta lição: ela será proferida em público, o
se apenas dos resultados dos fenômenos^ deixa entre eles que aumenta consideravelmente a responsabilidade do pro-
um espaço angustiosamente vazio que em vão tentamos fessor; e ela não vos obrigará a exame, o que muito dimi-
preencher..." nui a preocupação com que me haveis de ouvir.
Se Gilberto Amado não se enganou nesta apreciação do Em uma solenidade como esta, com que encerrais
estado atual do mundo então só uma coisa nos resta dizer: vossa vida acadêmica para iniciardes vossa vida prática, a
Cristo é a única esperança nossa ; Cristo é a solução única nota característica, dominante, não pode ser outra senão
de todos os nossos problemas pessoais, sociais e políticos. a de entusiasmo e estímulo, e ela não só determina mas
Desiludamo-nos dos homens e das coisas materiais, impõe o meu assunto, e eu vou buscá-lo na primeira, Carta
que não podem satisfazer as supremas aspirações de nos- de Paulo a Timóteo, capítulo três e versículo primeiro, onde
70 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 71

se lêem estas palavras: "Se alguém deseja o ministério, Aliás, como acertadamente observa Alexandre Vinet, a
excelente obra deseja." excelência do Ministério decorre da própria excelência do
cristianismo.
Estas palavras se tornam mais significativas, quando
atentamos para as circunstâncias em que as escreveu o ,,A Excelência do Ministério — eis o meu tema. E eu
apóstolo. Ele estava na prisão e próximo do término de pretendo analisá-lo, de maneira perfunctória, em alguns
sua carreira, após uma vida em que sofrera toda sorte de de seus aspectos salientes, fundamentais. ,
contratempos e contrariedades. Deixemos, porém, que ele Primeiro, em relação ao próprio Ministro.
mesmo nos conte o que lhe aconteceu: "Dos judeus rece-
bi cinco quarentenas de açoites menos um; três vezes fui Disse consagrado pensador: "Uns se dedicam ao es-
açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri tudo das flores, outros ao das aves, ainda outros ao das
naufrágio, uma noite e um dia estive no profundo do mar, estrelas, mas incontestavelmente não há o que se compare
em viagens muitas vezes, em, perigo de rios, em perigo de ao estudo do próprio homem, de sua natureza, de seu ca-
salteadores, em perigos dos de minha nação, em perigo dos ráter, de sua missão terrena e de seu destino final e eter-
gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em no." William Hamilton condensou toda a sua filosofia nes-
perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em tra- te conceito: " N o mundo nada existe realmente grande a
balhos e fadigas, em muitas vigílias, em fome e sede, em não ser o homem; e no homem, nada existe realmente
jejum muitas vezes, em frio e nudez." Não foi sem razão que grande a não ser a sua alma." "O homem, afirmou Pas-
ele disse em outra parte: "Ninguém me seja molesto, por- cal, é um caniço, mas um caniço que pensa."
que eu trago em meu corpo as marcas do Senhor Jesus."
Ora, ao Ministro cabe exatamente o mister das al-
mas; sua grande obrigação consiste em cuidar das almas
Pois bem. Depois de todos esses revezes, a despeito de
e de seus interesses imortais. Para isso, o seu trato habi-
adversidades tamanhas, Paulo ainda escreve a Timóteo:
tual deve ser com realidades que pertencem a uma esfera
"Se alguém deseja o ministério, excelente obra deseja."
celestial, invisível. Ele intrui o ignorante, ampara o en-
fraquecido, reanima o desalentado, consola o aflito e res-
Ainda recentemente, uma revista católica romana con-
taura aquele que se transvia. A cada um e a todos outorga
siderava o desprestígio da dignidade sacerdotal como a ver-
sempre a proteção adequada e oportuna, em que se entre-
dadeira causa da escassez de vocações para o serviço ecle-
laçam e refulgem as tres virtudes cardiais do cristianismo
siástico. Mas essa diminuição da dignidade sacerdotal está
— a esperança, o amor e a fé. E nesse afanoso mister, ele
evidentemente em contradição com o ensino das Sagradas
usufrui suspreendentes compensações. Conta-nos o dr.
Escrituras, de cujas páginas um exegeta meticuloso pôde
Robért Dale que, certa vez, perambulava pelas ruas de sua
coligir 43 passagens referentes ao valor do Ministério.
70 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 71

se lêem estas palavras: "Se alguém deseja o ministério, Aliás, como acertadamente observa Alexandre Vinet, a
excelente obra deseja." excelência do Ministério decorre da própria excelência do
cristianismo.
Estas palavras se tornam mais significativas, quando
atentamos para as circunstâncias em que as escreveu o ,,A Excelência do Ministério — eis o meu tema. E eu
apóstolo. Ele estava na prisão e próximo do término de pretendo analisá-lo, de maneira perfunctória, em alguns
sua carreira, após uma vida em que sofrera toda sorte de de seus aspectos salientes, fundamentais. ,
contratempos e contrariedades. Deixemos, porém, que ele Primeiro, em relação ao próprio Ministro.
mesmo nos conte o que lhe aconteceu: "Dos judeus rece-
bi cinco quarentenas de açoites menos um; três vezes fui Disse consagrado pensador: "Uns se dedicam ao es-
açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri tudo das flores, outros ao das aves, ainda outros ao das
naufrágio, uma noite e um dia estive no profundo do mar, estrelas, mas incontestavelmente não há o que se compare
em viagens muitas vezes, em, perigo de rios, em perigo de ao estudo do próprio homem, de sua natureza, de seu ca-
salteadores, em perigos dos de minha nação, em perigo dos ráter, de sua missão terrena e de seu destino final e eter-
gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em no." William Hamilton condensou toda a sua filosofia nes-
perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em tra- te conceito: " N o mundo nada existe realmente grande a
balhos e fadigas, em muitas vigílias, em fome e sede, em não ser o homem; e no homem, nada existe realmente
jejum muitas vezes, em frio e nudez." Não foi sem razão que grande a não ser a sua alma." "O homem, afirmou Pas-
ele disse em outra parte: "Ninguém me seja molesto, por- cal, é um caniço, mas um caniço que pensa."
que eu trago em meu corpo as marcas do Senhor Jesus."
Ora, ao Ministro cabe exatamente o mister das al-
mas; sua grande obrigação consiste em cuidar das almas
Pois bem. Depois de todos esses revezes, a despeito de
e de seus interesses imortais. Para isso, o seu trato habi-
adversidades tamanhas, Paulo ainda escreve a Timóteo:
tual deve ser com realidades que pertencem a uma esfera
"Se alguém deseja o ministério, excelente obra deseja."
celestial, invisível. Ele intrui o ignorante, ampara o en-
fraquecido, reanima o desalentado, consola o aflito e res-
Ainda recentemente, uma revista católica romana con-
taura aquele que se transvia. A cada um e a todos outorga
siderava o desprestígio da dignidade sacerdotal como a ver-
sempre a proteção adequada e oportuna, em que se entre-
dadeira causa da escassez de vocações para o serviço ecle-
laçam e refulgem as tres virtudes cardiais do cristianismo
siástico. Mas essa diminuição da dignidade sacerdotal está
— a esperança, o amor e a fé. E nesse afanoso mister, ele
evidentemente em contradição com o ensino das Sagradas
usufrui suspreendentes compensações. Conta-nos o dr.
Escrituras, de cujas páginas um exegeta meticuloso pôde
Robért Dale que, certa vez, perambulava pelas ruas de sua
coligir 43 passagens referentes ao valor do Ministério.
72 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 73

cidade com a alma esmorecida e angustiada, quando lhe ligiosas, de que o Ministério é uma instituição inútil ou
surge pela frente uma velhinha que, a sorrir, lhe aper- desnecessária. Assim não pensava Paulo Plummer, em
ta a mão, exclamando: " ó dr. Dale, se o senhor soubesse seu luminoso comentário sobre as epístolas pastorais, con-
como os seus sermões me têm feito bem !" Foi como se clui que, para a consolidação da obra em que Paulo em-
uma onda de luz e doçura lhe inundasse o peito, e o que pregara todos seus recursos, o que mais inquietava o es-
ele experimentou naquele instante constituiu uma confir- pirito do grande apóstolo era precisamente a falta de mi-
mação do que dissera Paulo em nosso texto: "Se alguém nistros. Hooker, em seus memoráveis estudos concernen-
deseja o Ministério, excelente obra deseja." tes à política eclesiástica e o nosso Calvino, em suas não
menos famosas Instituías, comungam o mesmo pensamen-
Quando meu saudoso pai, através de obstáculos qua- to — o de que, sem a atividade ministerial, nenhum siste-
se invencíveis, se preparava para ingressar no Ministé- ma religioso logrará perpetuar-se neste globo, nem a
rio, o rev. Antônio Pedro de Cerqueira Leite, seu contra- Igreja poderá ter garantida sua preservação na sociedade
parente, lhe escreveu uma carta em que, entre outras humana. Posso mencionar também Hüffel, o historiador.
coisas, lhe assegurava: "Esta carreira tem espinhos, mas Esse, então, é ainda mais frisante, certificando que, sem
enche de alegria o coração." o ministério, o cristianismo teria deixado de existir den-
Por isso, Talmage, em um belo sermão, pôde recon- tro de dois séculos.
tar, deliciosamente, as alegrias que seu longo pastorado
Foi, sem dúvida, nessa persuasão que o Sínodo Pres-
lhe proporcionara, desde a data em que fora ordenado até
biteriano, organizado a 7 de setembro de 1888, logo no
aquela em que falava aos seus queridos paroquianos. Por
dia seguinte cuidou de fundar o seu Seminário Teológico.
isso, Modesto Carvalhosa, já velhinho, prestes a ouvir o
E este Seminário, com o favor divino, tem sabido corres-
toque de recolher, após haver cumprido a missão que
ponder regiamente ao fim para que foi criado, entregan-
Deus lhe adjudicara neste mundo, declarou a um seu cole-
do à Igreja, no decurso de um dilatado período de tempo
ga e amigo: "Se me fosse dado voltar aos dias da minha
e em turmas sucessivas, pregadores da Palavra e pastores
mocidade, eu certamente escolheria de novo a carreira do
de almas.
Ministério."
Por último, vejamos a excelência do Ministério em
Entretanto, a excelência do Ministério não se eviden-
relação ao mundo.
cia apenas em relação ao Ministro, mas também em rela-
ção à Igreja. , Wilson, o nobre presidente dos Estados Unidos, en-
grandeceu a pessoa do Ministro Evangélico, reconhecen-
Não podemos ter por judiciosa e exata a estranha e
do que lhe compete na sociedade humana uma obra de
extravagante opinião, sustentada por algumas seitas re-
real, de incalculável merecimento, e que essa obra nin-
72 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 73

cidade com a alma esmorecida e angustiada, quando lhe ligiosas, de que o Ministério é uma instituição inútil ou
surge pela frente uma velhinha que, a sorrir, lhe aper- desnecessária. Assim não pensava Paulo Plummer, em
ta a mão, exclamando: " ó dr. Dale, se o senhor soubesse seu luminoso comentário sobre as epístolas pastorais, con-
como os seus sermões me têm feito bem !" Foi como se clui que, para a consolidação da obra em que Paulo em-
uma onda de luz e doçura lhe inundasse o peito, e o que pregara todos seus recursos, o que mais inquietava o es-
ele experimentou naquele instante constituiu uma confir- pirito do grande apóstolo era precisamente a falta de mi-
mação do que dissera Paulo em nosso texto: "Se alguém nistros. Hooker, em seus memoráveis estudos concernen-
deseja o Ministério, excelente obra deseja." tes à política eclesiástica e o nosso Calvino, em suas não
menos famosas Instituías, comungam o mesmo pensamen-
Quando meu saudoso pai, através de obstáculos qua- to — o de que, sem a atividade ministerial, nenhum siste-
se invencíveis, se preparava para ingressar no Ministé- ma religioso logrará perpetuar-se neste globo, nem a
rio, o rev. Antônio Pedro de Cerqueira Leite, seu contra- Igreja poderá ter garantida sua preservação na sociedade
parente, lhe escreveu uma carta em que, entre outras humana. Posso mencionar também Hüffel, o historiador.
coisas, lhe assegurava: "Esta carreira tem espinhos, mas Esse, então, é ainda mais frisante, certificando que, sem
enche de alegria o coração." o ministério, o cristianismo teria deixado de existir den-
Por isso, Talmage, em um belo sermão, pôde recon- tro de dois séculos.
tar, deliciosamente, as alegrias que seu longo pastorado
Foi, sem dúvida, nessa persuasão que o Sínodo Pres-
lhe proporcionara, desde a data em que fora ordenado até
biteriano, organizado a 7 de setembro de 1888, logo no
aquela em que falava aos seus queridos paroquianos. Por
dia seguinte cuidou de fundar o seu Seminário Teológico.
isso, Modesto Carvalhosa, já velhinho, prestes a ouvir o
E este Seminário, com o favor divino, tem sabido corres-
toque de recolher, após haver cumprido a missão que
ponder regiamente ao fim para que foi criado, entregan-
Deus lhe adjudicara neste mundo, declarou a um seu cole-
do à Igreja, no decurso de um dilatado período de tempo
ga e amigo: "Se me fosse dado voltar aos dias da minha
e em turmas sucessivas, pregadores da Palavra e pastores
mocidade, eu certamente escolheria de novo a carreira do
de almas.
Ministério."
Por último, vejamos a excelência do Ministério em
Entretanto, a excelência do Ministério não se eviden-
relação ao mundo.
cia apenas em relação ao Ministro, mas também em rela-
ção à Igreja. , Wilson, o nobre presidente dos Estados Unidos, en-
grandeceu a pessoa do Ministro Evangélico, reconhecen-
Não podemos ter por judiciosa e exata a estranha e
do que lhe compete na sociedade humana uma obra de
extravagante opinião, sustentada por algumas seitas re-
real, de incalculável merecimento, e que essa obra nin-
74 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 75
guém a poderá executar a não ser o próprio Ministro.
Cristã, em cujo seio se percebe o latejar de uma energia
Lede as páginas maravilhosas de James Dermey, em
divina e regeneradora, capaz de transformar os indivíduos
que ele narra, com pena fulgurante e em três grossos vo-
e propelir a novos rumos todas as nações da Terra.
lumes, os prodigiosos efeitos da ação dos Missionários
Evangélicos em todos os setores-da vida humana e entre Revertamos ao objetivo específico, primordial da
todos os povos a que tem chegado sua influência benfa- Igreja. Em 1888, o representante do presbiterianisrno nor-
zeja. te-americano, em uma radiosa e panorâmica visão do fu-
turo de nossa pátria, advertiu aos presbiterianos nacio-
Perguntai a historiadores e moralistas, como foi que a
nais que sobre eles recairia a tarefa gigantesca de evange-
Inglaterra, no século XVIII, conseguiu livrar-se do abis-
lizar milhões de brasileiros.
mo de terror e anarquia em que a França se afundara,
e eles vos responderão apontando para esse extraordinário Tal é, distintos ouvintes, resumidamente exposta,
servo de Deus que se chamou João Wesley, e cuja atividade em sua natureza e benefícios, a excelência do Ministério.
espiritual, no sentir de um crítico eminente, fez mais pe-
la Inglaterra do que todas as conquistas de terra e mar Jovens colegas meus.
alcançadas sob o governo de Pitt.
A excelência dessa obra deve atuar em vosso espírito
Alexandre Maclaren externou a convicção de que, como um poderoso estímulo para que cumprais com ga-
pregando ao povo inglês, durante 38 anos, a pessoa de lhardia e destemor a missão que do céu recebestes.
Cristo como Rei e Senhor havia servido melhor aos inte-
Quero recordar-vos um lance da história das Mis-
resses sociais, políticos e econômicos de sua pátria, do
sões : Quando alguém pretendeu enaltecer os duros sacri-
que em qualquer outra função a que tivesse aplicado seus
fícios que Livingstone fizera na África, o heróico missio-
talentos e esforços. E William Carey, aludindo ao filho nário o interrompeu com esta exclamação : "Sacrifícios ! . . .
que aceitara um encargo político junto a um dos países da Benditos privilégios — isso sim !"
Ásia, asism comentou esse fato: "Meu filho degenerou em
embaixador!" Livingstone, sem dúvida, trazia em sua consciência,
com leiras de fogo, aquela exortação que Paulo endere-
Nos dias que correm, conturbados por agitações e çou a Timóteo, e que, neste momento, a cada um de vós
crises de ordem social, política, econômica, religiosa, a desejo repetir: "Sofre as aflições como um bom soldado
verdade contida no texto de Paulo se atualiza, adquirindo de Cristo Jesus."
novo prestígio e realce. Com efeito, políticos, estadistas
Durante a revolução paulista, um rapaz, gravemente
e diplomatas, perante o estado caótico em que a humani-
ferido, ao ser transportado em padiola para o hospital,
dade hoje se debate, volvem seus olhares para a Igreja
voltou-se para os companheiros que, solícitos, o cercavam,
74 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 75
guém a poderá executar a não ser o próprio Ministro.
Cristã, em cujo seio se percebe o latejar de uma energia
Lede as páginas maravilhosas de James Dermey, em
divina e regeneradora, capaz de transformar os indivíduos
que ele narra, com pena fulgurante e em três grossos vo-
e propelir a novos rumos todas as nações da Terra.
lumes, os prodigiosos efeitos da ação dos Missionários
Evangélicos em todos os setores-da vida humana e entre Revertamos ao objetivo específico, primordial da
todos os povos a que tem chegado sua influência benfa- Igreja. Em 1888, o representante do presbiterianisrno nor-
zeja. te-americano, em uma radiosa e panorâmica visão do fu-
turo de nossa pátria, advertiu aos presbiterianos nacio-
Perguntai a historiadores e moralistas, como foi que a
nais que sobre eles recairia a tarefa gigantesca de evange-
Inglaterra, no século XVIII, conseguiu livrar-se do abis-
lizar milhões de brasileiros.
mo de terror e anarquia em que a França se afundara,
e eles vos responderão apontando para esse extraordinário Tal é, distintos ouvintes, resumidamente exposta,
servo de Deus que se chamou João Wesley, e cuja atividade em sua natureza e benefícios, a excelência do Ministério.
espiritual, no sentir de um crítico eminente, fez mais pe-
la Inglaterra do que todas as conquistas de terra e mar Jovens colegas meus.
alcançadas sob o governo de Pitt.
A excelência dessa obra deve atuar em vosso espírito
Alexandre Maclaren externou a convicção de que, como um poderoso estímulo para que cumprais com ga-
pregando ao povo inglês, durante 38 anos, a pessoa de lhardia e destemor a missão que do céu recebestes.
Cristo como Rei e Senhor havia servido melhor aos inte-
Quero recordar-vos um lance da história das Mis-
resses sociais, políticos e econômicos de sua pátria, do
sões : Quando alguém pretendeu enaltecer os duros sacri-
que em qualquer outra função a que tivesse aplicado seus
fícios que Livingstone fizera na África, o heróico missio-
talentos e esforços. E William Carey, aludindo ao filho nário o interrompeu com esta exclamação : "Sacrifícios ! . . .
que aceitara um encargo político junto a um dos países da Benditos privilégios — isso sim !"
Ásia, asism comentou esse fato: "Meu filho degenerou em
embaixador!" Livingstone, sem dúvida, trazia em sua consciência,
com leiras de fogo, aquela exortação que Paulo endere-
Nos dias que correm, conturbados por agitações e çou a Timóteo, e que, neste momento, a cada um de vós
crises de ordem social, política, econômica, religiosa, a desejo repetir: "Sofre as aflições como um bom soldado
verdade contida no texto de Paulo se atualiza, adquirindo de Cristo Jesus."
novo prestígio e realce. Com efeito, políticos, estadistas
Durante a revolução paulista, um rapaz, gravemente
e diplomatas, perante o estado caótico em que a humani-
ferido, ao ser transportado em padiola para o hospital,
dade hoje se debate, volvem seus olhares para a Igreja
voltou-se para os companheiros que, solícitos, o cercavam,
76 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA

e bradou : "São Paulo merece muito mais do que i s t o ! "

Eu incito cada um de vós a arrostar com ânimo forte


e abnegação evangélica todos os perigos e vicissitudes do
ministério; e a dizer convicta e sinceramente: "Muito
mais do que isto merece minha igreja, merece minha Pá-
tria."

E por esta Igreja de tão gloriosas tradições e por es-


ta Pátria de tão esperançoso porvir, eu espero que haveis
de honrar a vossa vocação, e, como Paulo, cada um de vós
possa um dia testificar: "Eu não fui infiel à visão celes-
tial '
: [ [ fa. P A R T E

Seja vossa a aspiração fremente de colaborardes com


Deus na empresa sobrehumana e excelsa de conquistar NOTAS ADICIONAIS
almas para Cristo e de implantar no coração da naciona-
lidade brasileira o domínio, a soberania de seu único Rei
e Senhor!

(Discurso de paraninfo : suprimidas umas referências


determinadas pelas circunstâncias do momento, este
discurso apresenta na realidade a estrutura de um
sermão).

^Qnsüiuio (2>onc6à>La
S ã o Leopoldo
— BIBLIOTECA —
76 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA

e bradou : "São Paulo merece muito mais do que i s t o ! "

Eu incito cada um de vós a arrostar com ânimo forte


e abnegação evangélica todos os perigos e vicissitudes do
ministério; e a dizer convicta e sinceramente: "Muito
mais do que isto merece minha igreja, merece minha Pá-
tria."

E por esta Igreja de tão gloriosas tradições e por es-


ta Pátria de tão esperançoso porvir, eu espero que haveis
de honrar a vossa vocação, e, como Paulo, cada um de vós
possa um dia testificar: "Eu não fui infiel à visão celes-
tial '
: [ [ fa. P A R T E

Seja vossa a aspiração fremente de colaborardes com


Deus na empresa sobrehumana e excelsa de conquistar NOTAS ADICIONAIS
almas para Cristo e de implantar no coração da naciona-
lidade brasileira o domínio, a soberania de seu único Rei
e Senhor!

(Discurso de paraninfo : suprimidas umas referências


determinadas pelas circunstâncias do momento, este
discurso apresenta na realidade a estrutura de um
sermão).

^Qnsüiuio (2>onc6à>La
S ã o Leopoldo
— BIBLIOTECA —
CAPITULO I

P R E L I M I N A R ES

1. — Em uma obra de arte, a retórica acha-se re-


presentada por uma figura feminina, que empunha uma
espada.

2. — "Pode o orador reunir aos dotes corporais . . .


os requisitos morais; tudo, porém, será inútil se, despre-
zando o conselho e exemplo de Demóstenes e Cícero, o
orador não tomar a arte por guia, procurando na expe-
riência, no estudo e nos modelos os segredos e os recursos
que a natureza, só por si, não pode dar." — Simões Dias,

3. — "Há um método de organizar a matéria, de ex-


pandir e ilustrar a verdade, que produz efeito retórico.
Esse método só poderá ser adquirido pelo estudo e prática
da arte de fazer sermões." W. Shedd.

4. — Como o jovem pintor ou escultor não se con-


tenta com os livros de texto, mas gasta meses nas galerias
de Florença, Roma, etc, assim o jovem orador deve ana-
lisar os dissursos dos grandes mestres da oratória." Wil-
liam Matthews,

5. — " A eloqüência, dizia Marmontel, é um dom an-


tes de ser uma arte."
6. — " A arte é o conhecimento e o emprego dos
meios indicados pela natureza e pela experiência para al-
cançar um determinado fim." — A Vinet.

7. — Devemos distinguir entre matéria e forma: a


matéria pode ser medíocre apresentada em forma homilé-
CAPITULO I

P R E L I M I N A R ES

1. — Em uma obra de arte, a retórica acha-se re-


presentada por uma figura feminina, que empunha uma
espada.

2. — "Pode o orador reunir aos dotes corporais . . .


os requisitos morais; tudo, porém, será inútil se, despre-
zando o conselho e exemplo de Demóstenes e Cícero, o
orador não tomar a arte por guia, procurando na expe-
riência, no estudo e nos modelos os segredos e os recursos
que a natureza, só por si, não pode dar." — Simões Dias,

3. — "Há um método de organizar a matéria, de ex-


pandir e ilustrar a verdade, que produz efeito retórico.
Esse método só poderá ser adquirido pelo estudo e prática
da arte de fazer sermões." W. Shedd.

4. — Como o jovem pintor ou escultor não se con-


tenta com os livros de texto, mas gasta meses nas galerias
de Florença, Roma, etc, assim o jovem orador deve ana-
lisar os dissursos dos grandes mestres da oratória." Wil-
liam Matthews,

5. — " A eloqüência, dizia Marmontel, é um dom an-


tes de ser uma arte."
6. — " A arte é o conhecimento e o emprego dos
meios indicados pela natureza e pela experiência para al-
cançar um determinado fim." — A Vinet.

7. — Devemos distinguir entre matéria e forma: a


matéria pode ser medíocre apresentada em forma homilé-
80 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 81

tica. Entretanto, o melhor rendimento de qualquer sermão de uma só vez, o maior número de rolinhas.
só poderá obter-se mediante sua apresentação homilética. 6. -T- As transições constituem um dos pontos mais
8. — Quem com homilética prega mal, sem homilé- difíceis do trabalho oratório. — Um grande pregador afir-
tica pior pregará. ma que, às vezes, consome mais tempo no estudo dessa
parte do que em todo o resto do sermão. — " A s transa-
9. — Cícero testifica que os preceitos da retórica se ções bem feitas contribuem para preservar a continuida-
derivam da prática de falar em público. de do discurso e facilitam o seu desenvolvimento" Vinet
10. — William Shedd publicou um trabalho inti- — Notemos como são bem feitas as transições no dis-
tulado "ímportance of natural Rhetoric." curso proferido por Paulo em Atenas.

7. — No manuscrito de um sermão, de espaço a es-


paço, encontra-se, entre parênteses, esta advertência do
CAPITULO II
pregador: "Aqui o povo chora !"
REQUISITOS ESSENCIAIS AO SERMÃO

1. — "Toda obra de arte é uma obra de subordina- CAPITULO Hl


ção e coordenação." — A. Vinet.
O T E X T O
2. —• " A questão de simetria, isto é, da proporção
entre as várias partes do discurso tem muito que ver com 1. — Necessidade do texto: Webster, em seu dicio-
o seu efeito sobre o auditório." nário, declara que o sermão é um discurso proferido em
público com o propósito de transmitir instrução religiosa,
3. — Péricles rogava aos deuses que o livrasse de
e baseado em algum texto ou passagem das Escrituras.
proferir qualquer coisa que não estivesse diretamente re-
lacionada com o assunto. 2. — O sermão tem seu germe no texto bíblico. En-
tre os judeus já se relacionava a prédica com a passagem
4. — "O sermão deve tratar de uma idéia de modo
lida na ocasião. (Neemias 8:8). Cristo (Lucas 4:16-22), e
que para o auditório ela se torne cada vez mais inteligí-
os apóstolos (Atos 13:15) assim também procederam.
vel, razoável e poderosa." — John Watson.
3. — Alguém supreendeu seu auditório com a de-
5. — O pregador que introduz matéria, e matéria claração de que iria pregar sobre a conjunção adversati-
dispersiva, em seu sermão, pode ser comparado ao caça- va "mas", que ocorre em Lucas 9:61.
dor que, ao atirar, faz girar rapidamente a espingarda de
boca larga, para a carga de chumbo miúdo colha e mate, 4. — Alguém teve o evidente propósito de produzir
80 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 81

tica. Entretanto, o melhor rendimento de qualquer sermão de uma só vez, o maior número de rolinhas.
só poderá obter-se mediante sua apresentação homilética. 6. -T- As transições constituem um dos pontos mais
8. — Quem com homilética prega mal, sem homilé- difíceis do trabalho oratório. — Um grande pregador afir-
tica pior pregará. ma que, às vezes, consome mais tempo no estudo dessa
parte do que em todo o resto do sermão. — " A s transa-
9. — Cícero testifica que os preceitos da retórica se ções bem feitas contribuem para preservar a continuida-
derivam da prática de falar em público. de do discurso e facilitam o seu desenvolvimento" Vinet
10. — William Shedd publicou um trabalho inti- — Notemos como são bem feitas as transições no dis-
tulado "ímportance of natural Rhetoric." curso proferido por Paulo em Atenas.

7. — No manuscrito de um sermão, de espaço a es-


paço, encontra-se, entre parênteses, esta advertência do
CAPITULO II
pregador: "Aqui o povo chora !"
REQUISITOS ESSENCIAIS AO SERMÃO

1. — "Toda obra de arte é uma obra de subordina- CAPITULO Hl


ção e coordenação." — A. Vinet.
O T E X T O
2. —• " A questão de simetria, isto é, da proporção
entre as várias partes do discurso tem muito que ver com 1. — Necessidade do texto: Webster, em seu dicio-
o seu efeito sobre o auditório." nário, declara que o sermão é um discurso proferido em
público com o propósito de transmitir instrução religiosa,
3. — Péricles rogava aos deuses que o livrasse de
e baseado em algum texto ou passagem das Escrituras.
proferir qualquer coisa que não estivesse diretamente re-
lacionada com o assunto. 2. — O sermão tem seu germe no texto bíblico. En-
tre os judeus já se relacionava a prédica com a passagem
4. — "O sermão deve tratar de uma idéia de modo
lida na ocasião. (Neemias 8:8). Cristo (Lucas 4:16-22), e
que para o auditório ela se torne cada vez mais inteligí-
os apóstolos (Atos 13:15) assim também procederam.
vel, razoável e poderosa." — John Watson.
3. — Alguém supreendeu seu auditório com a de-
5. — O pregador que introduz matéria, e matéria claração de que iria pregar sobre a conjunção adversati-
dispersiva, em seu sermão, pode ser comparado ao caça- va "mas", que ocorre em Lucas 9:61.
dor que, ao atirar, faz girar rapidamente a espingarda de
boca larga, para a carga de chumbo miúdo colha e mate, 4. — Alguém teve o evidente propósito de produzir
82 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 83

efeito sentimental, pregando um sermão sobre estas pa- e corre maior risco de se tornar um ensaio teológico.
lavras de Lucas 7:12: "E ela era viúva." 3. — - O sermão tópico também exige uma boa exe-
5. — "Se o sermão tivesse bexiga, não teria pegado gese para que possa o pregador determinar acertadamen-
no texto", é o que se diz do sermão que nada tem com a te o assunto a respeito do qual ira discorrer.
passagem bíblica sobre a qual o pregador prometera falar.
4. — Para o sermão tópico, deve preferir-se o texto
6. — Melancton informa que certa vez ouviu em Pa- que mais facilmente se desligue do contexto, e que con-
ris um sermão a respeito de um princípio derivado da éti- tenha a idéia expressa mediante breve proposição gra-
ca de Aristóteles. matical. Hodge, em seu comentário sobre a carta aos ro-
manos, tem a preocupação de formular a doutrina ensi-
7. — Na escolha de textos para sermão, de grande
nada em cada texto, o que constitui um excelente auxílio
utilidade é a Concordância Bíblica, principalmente a que
prestado ao pregador.
classifica as passagens de acordo com os assuntos.
5. — Os sermões textuais podem ser de três tipos :
8. — Na escolha do texto, não devemos seguir ne- 1) aqueles cujas divisões são sugeridas pelos termos con-
cessariamente a divisão em capítulo e versículos, a qual tidos no texto. João 14:6 — caminho, verdade, vida. 2) Di-
muitas vezes é arbitrária, preferindo a limitação indica- visões sugeridas pelas partes da sentença expressa no
da pela unidade do assunto. texto. João 7:37 — a) "Se alguém tem sede"; b) "venha
9. — Para os sermões textuais, as passagens mais a mim"; c) "e beba"; 3) divisões sugeridas pelas cláusu-
apropriadas são as que apresentam uma análise ou divisão las de que se compõe o texto. João 7:68 e 69 — a) para
do assunto, e não as que apenas repetem frases equiva- quem havemos nós de ir; b) "tu tens palavras de vida
lentes ou palavras sinónimas. eterna"; c) " e nós temos crido e conhecido que tu és o
Cristo^, o Filho de Deus."

CAPITULO IV 6. — Um sermão tópico baseado em um texto que


sugere a análise do assunto, constitui uma aberração dos
CLASSIFICAÇÃO DOS SERMÕES preceitos inculcados pela homilética.

1. — A distinção entre sermões textuais e tópicos 7. — Derivar do texto só o assunto, quando ele su-
não provém de um artifício homilético, mas tem sua ori- gere as divisões ou partes, não deixa de ser um pecado
gem na própria natureza dos textos bíblicos. contra a homilética e a missão do pregador.

2. — O sermão tópico propriamente dito, principal- 8. — A generalidade dos mestres da homilética ad-
mente sobre uma doutrina, requer mais esforço intelectual mite que se inclua nos sermões expositivos matéria estra-
82 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 83

efeito sentimental, pregando um sermão sobre estas pa- e corre maior risco de se tornar um ensaio teológico.
lavras de Lucas 7:12: "E ela era viúva." 3. — - O sermão tópico também exige uma boa exe-
5. — "Se o sermão tivesse bexiga, não teria pegado gese para que possa o pregador determinar acertadamen-
no texto", é o que se diz do sermão que nada tem com a te o assunto a respeito do qual ira discorrer.
passagem bíblica sobre a qual o pregador prometera falar.
4. — Para o sermão tópico, deve preferir-se o texto
6. — Melancton informa que certa vez ouviu em Pa- que mais facilmente se desligue do contexto, e que con-
ris um sermão a respeito de um princípio derivado da éti- tenha a idéia expressa mediante breve proposição gra-
ca de Aristóteles. matical. Hodge, em seu comentário sobre a carta aos ro-
manos, tem a preocupação de formular a doutrina ensi-
7. — Na escolha de textos para sermão, de grande
nada em cada texto, o que constitui um excelente auxílio
utilidade é a Concordância Bíblica, principalmente a que
prestado ao pregador.
classifica as passagens de acordo com os assuntos.
5. — Os sermões textuais podem ser de três tipos :
8. — Na escolha do texto, não devemos seguir ne- 1) aqueles cujas divisões são sugeridas pelos termos con-
cessariamente a divisão em capítulo e versículos, a qual tidos no texto. João 14:6 — caminho, verdade, vida. 2) Di-
muitas vezes é arbitrária, preferindo a limitação indica- visões sugeridas pelas partes da sentença expressa no
da pela unidade do assunto. texto. João 7:37 — a) "Se alguém tem sede"; b) "venha
9. — Para os sermões textuais, as passagens mais a mim"; c) "e beba"; 3) divisões sugeridas pelas cláusu-
apropriadas são as que apresentam uma análise ou divisão las de que se compõe o texto. João 7:68 e 69 — a) para
do assunto, e não as que apenas repetem frases equiva- quem havemos nós de ir; b) "tu tens palavras de vida
lentes ou palavras sinónimas. eterna"; c) " e nós temos crido e conhecido que tu és o
Cristo^, o Filho de Deus."

CAPITULO IV 6. — Um sermão tópico baseado em um texto que


sugere a análise do assunto, constitui uma aberração dos
CLASSIFICAÇÃO DOS SERMÕES preceitos inculcados pela homilética.

1. — A distinção entre sermões textuais e tópicos 7. — Derivar do texto só o assunto, quando ele su-
não provém de um artifício homilético, mas tem sua ori- gere as divisões ou partes, não deixa de ser um pecado
gem na própria natureza dos textos bíblicos. contra a homilética e a missão do pregador.

2. — O sermão tópico propriamente dito, principal- 8. — A generalidade dos mestres da homilética ad-
mente sobre uma doutrina, requer mais esforço intelectual mite que se inclua nos sermões expositivos matéria estra-
84 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 85

nha às Escrituras, isto é, matéria derivada de outras fon-


7. — Dale Carnegie diz que o exórdio deve ser bre-
tes. Assim tem procedido os maiores pregadores, como
ve — somente uma sentença ou duas. Antes, porém, ha-
Alexandre Maclaren, que se natabilizou nesse tipo de ser-
via dito que se pode empregar no exórdio uma ilustração
mões.
ou história. Pergunto : como pode o orador narrar uma
$ $ ^ % história mediante uma ou duas sentenças ?

CAPITULO V 8. — Cícero estabeleceu a regra de que o exórdio


não deve ser composto em primeiro lugar.
E X Ó R D I O
9. — Uma coisa que particularmente impressiona os
1. — Exórdio abrupto — insistimos — é aquele que
críticos em referências a Fosdick como pregador, é sua ha-
se funde com a explicação, permitindo que o pregador
bilidade em descobrir adequados e brilhantes exórdios
entre imediatamente no estudo de seu assunto. para os seus sermões.
2. — A propósito do exórdio de John Hovve, assim $ $ ^ $ $

se expressou uma senhora: "Ele demorou tanto em esten-


der a toalha, que eu perdi a vontade de comer." CAPITULO VI

3. — Sobre o texto "aquilo que o homem semear, E X P L I C A Ç Ã O


isso também ceifará" (Gál. 6:7 b), Robertson de Brighton 1. — "Na explicação deixamos claro o sentido da
assim começa o seu sermão: "Há uma estreita analogia en- proposição que pretendemos demonstrar."
tre o mundo natural e o mundo espiritual..."
2. — " A primeira coisa a fazer com o texto é estu-
4. — Exórdio de Massillon, no funeral de Luiz XIV, dar exegeticamente o seu conteúdo, valendo-se para isso
o Grande: "Só Deus é grande, meus irmãos." do auxílio de bons comentários." — Oswaldo Dykes.
5. — O exórdio pode ser composto mediante uma
3. — " A verdadeira pregação requer que o sentido
ilustração, desde que ela seja pertinente ao assunto e
do texto bíblico seja cientificamente determinado." — Ha-
apresente apenas o aspecto relacionado com a idéia que
genbach.
está sendo exposta.
6. — O rev. Álvaro Reis inicia seu sermão intitu- 4. — A interpretação correta do texto exclui qual-
quer processo artificial de estudar e desenvolver o ser-
lado: "O Tribunal de Cristo" (2.° Cor. 5:10), narrando a
mão.
chegada de célebre criminoso à cidade de Campinas, on-
de, em sessão memorável de júri, foi submetido a julga- 5. — Calvino achava que, "na interpretação das Es-
mento, sendo condenado à pena de morte. crituras, nossa primeira obrigação é permitir que o texto
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nha às Escrituras, isto é, matéria derivada de outras fon-


7. — Dale Carnegie diz que o exórdio deve ser bre-
tes. Assim tem procedido os maiores pregadores, como
ve — somente uma sentença ou duas. Antes, porém, ha-
Alexandre Maclaren, que se natabilizou nesse tipo de ser-
via dito que se pode empregar no exórdio uma ilustração
mões.
ou história. Pergunto : como pode o orador narrar uma
$ $ ^ % história mediante uma ou duas sentenças ?

CAPITULO V 8. — Cícero estabeleceu a regra de que o exórdio


não deve ser composto em primeiro lugar.
E X Ó R D I O
9. — Uma coisa que particularmente impressiona os
1. — Exórdio abrupto — insistimos — é aquele que
críticos em referências a Fosdick como pregador, é sua ha-
se funde com a explicação, permitindo que o pregador
bilidade em descobrir adequados e brilhantes exórdios
entre imediatamente no estudo de seu assunto. para os seus sermões.
2. — A propósito do exórdio de John Hovve, assim $ $ ^ $ $

se expressou uma senhora: "Ele demorou tanto em esten-


der a toalha, que eu perdi a vontade de comer." CAPITULO VI

3. — Sobre o texto "aquilo que o homem semear, E X P L I C A Ç Ã O


isso também ceifará" (Gál. 6:7 b), Robertson de Brighton 1. — "Na explicação deixamos claro o sentido da
assim começa o seu sermão: "Há uma estreita analogia en- proposição que pretendemos demonstrar."
tre o mundo natural e o mundo espiritual..."
2. — " A primeira coisa a fazer com o texto é estu-
4. — Exórdio de Massillon, no funeral de Luiz XIV, dar exegeticamente o seu conteúdo, valendo-se para isso
o Grande: "Só Deus é grande, meus irmãos." do auxílio de bons comentários." — Oswaldo Dykes.
5. — O exórdio pode ser composto mediante uma
3. — " A verdadeira pregação requer que o sentido
ilustração, desde que ela seja pertinente ao assunto e
do texto bíblico seja cientificamente determinado." — Ha-
apresente apenas o aspecto relacionado com a idéia que
genbach.
está sendo exposta.
6. — O rev. Álvaro Reis inicia seu sermão intitu- 4. — A interpretação correta do texto exclui qual-
quer processo artificial de estudar e desenvolver o ser-
lado: "O Tribunal de Cristo" (2.° Cor. 5:10), narrando a
mão.
chegada de célebre criminoso à cidade de Campinas, on-
de, em sessão memorável de júri, foi submetido a julga- 5. — Calvino achava que, "na interpretação das Es-
mento, sendo condenado à pena de morte. crituras, nossa primeira obrigação é permitir que o texto
86 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 87

diga o que seu autor pretendia dizer, e não o que nós de- 13. — Embora seja indispensável a interpretação do
sejamos que ele diga." texto, não pode reduzir-se o sermão à simples exegese de
um trecho das Escrituras.
6. — A hermenêutica condena o método alegórico
empregado indiscriminadamente na exegese do texto sa-
grado
CAPITULO VH
7. — Refere alguém que, em uma cerimônia de casa- T E M A
mento, o celebrante falou a respeito da lua de mel, ba-
seando-se no salmo 72, vs. 7, onde ocorre a palavra lua ! 1. — "Da arte de bem colocar as questões depen-
de o bom êxito do discurso." — Simões Dias.
8. — "O sermão deixará de ser bíblico, se o texto
não for entendido e usado de acordo com o espírito das 2. — O modo de colocar o assunto facilita ou dificul-
Escrituras." ta o desenvolvimento do sermão.

3. — Quanto mais restringimos um assunto, mais


9. — Conta Blackwood que um pregador consumiu
quarenta minutos em provar que Paulo não é o autor da trabalhosa se torna a sua análise e ampliação, porque exi-
epístola aos hebreus! ge matéria mais específica, e quanto mais específica mais
rara, mais difícil de ser encontrada.
10. — "Houve um tempo em que se definiu e ex-
4. —- Não convém incluir no tema idéias distintas ou
plicava, mesmo o que não necessitava de explicação. As-
sim, tratando-se de Mateus 8:1: "E descendo do monte, contrárias, porque isso reverterá em prejuízo da unidade
seguiu-o uma grande multidão", o pregador disse o que do sermão.
era monte, o que era multidão, etc." — Van Oosterzee. 5. — Uma das máximas de F. W. Robertson é a de
que se deve fixar no tema o aspecto positivo da verdade,
11. — " O texto bíblico é uma verdadeira mina de
ouro em que devemos cavar profundamente para o fim deixando o lado negativo para ser considerado na argu-
de por em plena luz o precioso metal ali existente." — mentação.
Van Oosterzee. 6. — Um orador prometeu falar pouco sobre deter-
minado assunto e fêz longo discurso. Ainda assim, cum-
12. — Vale a pena ler o Novo Testamento no origi-
nal, porque, como diz A. T. Robertson, "ha sermões es- priu ele o que prometera, porque sobre o assunto mesmo
condidos na raízes verbais, nas preposições, tempos, ca- pouco falou !
sos, partículas de que se compõe o texto grego." 7. •— O tema deve ser formulado tendo em vista não
86 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 87

diga o que seu autor pretendia dizer, e não o que nós de- 13. — Embora seja indispensável a interpretação do
sejamos que ele diga." texto, não pode reduzir-se o sermão à simples exegese de
um trecho das Escrituras.
6. — A hermenêutica condena o método alegórico
empregado indiscriminadamente na exegese do texto sa-
grado
CAPITULO VH
7. — Refere alguém que, em uma cerimônia de casa- T E M A
mento, o celebrante falou a respeito da lua de mel, ba-
seando-se no salmo 72, vs. 7, onde ocorre a palavra lua ! 1. — "Da arte de bem colocar as questões depen-
de o bom êxito do discurso." — Simões Dias.
8. — "O sermão deixará de ser bíblico, se o texto
não for entendido e usado de acordo com o espírito das 2. — O modo de colocar o assunto facilita ou dificul-
Escrituras." ta o desenvolvimento do sermão.

3. — Quanto mais restringimos um assunto, mais


9. — Conta Blackwood que um pregador consumiu
quarenta minutos em provar que Paulo não é o autor da trabalhosa se torna a sua análise e ampliação, porque exi-
epístola aos hebreus! ge matéria mais específica, e quanto mais específica mais
rara, mais difícil de ser encontrada.
10. — "Houve um tempo em que se definiu e ex-
4. —- Não convém incluir no tema idéias distintas ou
plicava, mesmo o que não necessitava de explicação. As-
sim, tratando-se de Mateus 8:1: "E descendo do monte, contrárias, porque isso reverterá em prejuízo da unidade
seguiu-o uma grande multidão", o pregador disse o que do sermão.
era monte, o que era multidão, etc." — Van Oosterzee. 5. — Uma das máximas de F. W. Robertson é a de
que se deve fixar no tema o aspecto positivo da verdade,
11. — " O texto bíblico é uma verdadeira mina de
ouro em que devemos cavar profundamente para o fim deixando o lado negativo para ser considerado na argu-
de por em plena luz o precioso metal ali existente." — mentação.
Van Oosterzee. 6. — Um orador prometeu falar pouco sobre deter-
minado assunto e fêz longo discurso. Ainda assim, cum-
12. — Vale a pena ler o Novo Testamento no origi-
nal, porque, como diz A. T. Robertson, "ha sermões es- priu ele o que prometera, porque sobre o assunto mesmo
condidos na raízes verbais, nas preposições, tempos, ca- pouco falou !
sos, partículas de que se compõe o texto grego." 7. •— O tema deve ser formulado tendo em vista não
88 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 89

apenas o ensino das Escrituras, mas também as condições de cada argumento seja a porção do texto em que ele se
e necessidades do auditório. baseia.

8. — Tema de um sermão: " A s principais doutrinas 5. — Na disposição da matéria dentro de cada argu-
de Calvino como se encontram nas "Instituías." (!) mento, convém, quanto possível, preservar a ordem cro-
nológica.
9. — Tema de um sermão: "Os profetas maiores e
6. — As autoridades recomendam que os argumentos
menores." Aconteceu que o pregador de quando em quan-
sejam, quando possível, apresentados com uniformidade
do fazia uma pergunta retórica, indagando onde deveria
de expressão ou de termos. Exemplo: A paz de Cristo
colocar no esquema que traçara, o profela a ser conside-
(João 14:27): 1) em relação a Deus; 2) em relação a nós
rado. Aconíeceu íambém que havia no auditório um velho
mesmos; 3) em relação aos outros.
presbítero a cabecear de sono. De repente, pergunta com
ênfase o pregador: "Meus irmãos, onde havemos de colo- 7. — Erasmo cita um sermão de seu tempo em que
car o profeta Jeremias ?" E o velho, com voz arrastada: se divide a palavra "Jesus" em duas partes iguais, restan-
"Senhor ministro, o Jeremias pode ficar em meu lugar, por- do no centro a letra S, que significa s i n , isto é, pecado.
que eu já me vou embora." Daí a conclusão de que Jesus tira o pecado do mundo.

8. — Drake publicou um sermão com 176 divisões,


explicando que deixou de incluir muitos pormenores por-
VIII
que desejava limitar-se ao essencial.
A R G U M E N T A Ç Ã O
9. — Há compêndios de retórica que consideram lí-
1. — O número de argumentos será determinado pe- citos o emprego de falsos argumentos para persuadir os
la análise completa e satisfatória do assunto, ou pelas par- ouvintes !
tes em que se divide o texto do sermão.
*Í* ^t* "í*

2. — Cada argumento deve ser ampliado, não em


sentido geral, mas dentro dos limites estabelecidos pela IX
proposição. Isso produz simetria e ajuda a memória.
C O N C L U S Ã O
3. — Manda a homilética que os argumentos sejam
1- — A conclusão é tão importante que Spurgeon
ampliados proporcionalmente, o que coníribui para a uni-
chega a afirmar que "onde ela começa, aí começa o ser-
dade do sermão e para o efeiío de uma obra de arle. mão."
4. — O sermão textual exige que o ponto de partida 2. — O propósito do sermão não é apenas convencer,
88 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 89

apenas o ensino das Escrituras, mas também as condições de cada argumento seja a porção do texto em que ele se
e necessidades do auditório. baseia.

8. — Tema de um sermão: " A s principais doutrinas 5. — Na disposição da matéria dentro de cada argu-
de Calvino como se encontram nas "Instituías." (!) mento, convém, quanto possível, preservar a ordem cro-
nológica.
9. — Tema de um sermão: "Os profetas maiores e
6. — As autoridades recomendam que os argumentos
menores." Aconteceu que o pregador de quando em quan-
sejam, quando possível, apresentados com uniformidade
do fazia uma pergunta retórica, indagando onde deveria
de expressão ou de termos. Exemplo: A paz de Cristo
colocar no esquema que traçara, o profela a ser conside-
(João 14:27): 1) em relação a Deus; 2) em relação a nós
rado. Aconíeceu íambém que havia no auditório um velho
mesmos; 3) em relação aos outros.
presbítero a cabecear de sono. De repente, pergunta com
ênfase o pregador: "Meus irmãos, onde havemos de colo- 7. — Erasmo cita um sermão de seu tempo em que
car o profeta Jeremias ?" E o velho, com voz arrastada: se divide a palavra "Jesus" em duas partes iguais, restan-
"Senhor ministro, o Jeremias pode ficar em meu lugar, por- do no centro a letra S, que significa s i n , isto é, pecado.
que eu já me vou embora." Daí a conclusão de que Jesus tira o pecado do mundo.

8. — Drake publicou um sermão com 176 divisões,


explicando que deixou de incluir muitos pormenores por-
VIII
que desejava limitar-se ao essencial.
A R G U M E N T A Ç Ã O
9. — Há compêndios de retórica que consideram lí-
1. — O número de argumentos será determinado pe- citos o emprego de falsos argumentos para persuadir os
la análise completa e satisfatória do assunto, ou pelas par- ouvintes !
tes em que se divide o texto do sermão.
*Í* ^t* "í*

2. — Cada argumento deve ser ampliado, não em


sentido geral, mas dentro dos limites estabelecidos pela IX
proposição. Isso produz simetria e ajuda a memória.
C O N C L U S Ã O
3. — Manda a homilética que os argumentos sejam
1- — A conclusão é tão importante que Spurgeon
ampliados proporcionalmente, o que coníribui para a uni-
chega a afirmar que "onde ela começa, aí começa o ser-
dade do sermão e para o efeiío de uma obra de arle. mão."
4. — O sermão textual exige que o ponto de partida 2. — O propósito do sermão não é apenas convencer,
90 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 91

mas também persuadir: isto é, levar o ouvinte a por em X


prática a verdade por ele admitida.
I L U S T R A Ç Õ E S
3. — "Um sermão está para um ensaio teológico co-
1 — Cristo, o modelo dos pregadores, fala a res-
mo uma receita médica está para uma preleção sobre me- peito da impenitência, e cita o exemplo histórico de vá-
dicina." — Philips Brooks. rias cidades. (Mat. 11:20-24).
4. — "Se o ministro no púlpito não consegue mover
2. — "Os grandes oradores e pregadores têm sido
a vontade do auditório — efetivamente, ele não está pre-
sempre mestres na arte de expandir a idéia mediante o
gando". — Campbell Morgan.
emprego de ilustrações." G. Blackie.
5. — No decorrer do sermão, Jonathan Edwards dis-
3. — "O uso de esmeradas ilustrações constitui um
punha a bateria; na conclusão fazia fogo sobre os ouvintes.
dos atrativos da prédica de Crisóstomo; e é esse também
6. — Era extamente na peroração que Crisóstomo, um dos traços comuns entre os pregadores mais popu-
o grande pregador da igreja cristã no quarto século, reve- lares de nossos dias." — Kidder.
lava seu intenso amor para com os ouvintes, expressando
até com lágrimas o seu desejo de que todos fossem salvos, 4. — " A s melhores ilustrações são aquelas que têm
de que todos fossem edificados em sua vida espiritual. valor de prova." — Breed.

7. — Um velho ministro: "Se eu pudesse rever ago- 5. — "Geralmente, os ouvintes se lembram mais das
ra meus sermões, daria mais atenção à maneira de apli- ilustrações do que de qualquer outra coisa."
car as verdades ali consideradas. 6. — Quando menino, ouvi meu pai pregar um ser-
8. — Assim termina o maravilhoso sermão da mon- mão de cujo texto e assunto absolutamente não me lem-
tanha: "Todo aquele, pois, que ouve estas palavras e as bro. Entretanto, de uma ilustração por ele empregada
pratica, será comparado a um homem prudente, que edi- nunca mais me esqueci.
ficou a sua casa sobre a rocha . . ." (Mateus 7:24-27).
7. — Aristóteles, em sua retórica, dividiu os exem-
9. — Foi este o efeito do sermão proferido por Pe- plos em reais e inventados : os primeiros, quando são fa-
dro no dia de pentecoste: "Ouvindo estas cousas, compun- tos reais; os outros, quando são fruto da imaginação.
giu-se-lhes, o coração e perguntaram a Pedro e aos de-
8. — Spurgeon disse que fazia uma idéia pouco li-
mais apóstolos: "Que faremos, irmãos ? Respondeu-lhes
songeira do ministro que lesse um jornal sem encontrar
Pedro: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em
matéria apropriada a ilustrações de sua prédica.
nome de Jesus Cristo para remissão de pecados, e recebe-
reis o dom do Espírito Santo." Atos 3:37 e 38. 9. — As ilustrações derivadas da experiência do
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mas também persuadir: isto é, levar o ouvinte a por em X


prática a verdade por ele admitida.
I L U S T R A Ç Õ E S
3. — "Um sermão está para um ensaio teológico co-
1 — Cristo, o modelo dos pregadores, fala a res-
mo uma receita médica está para uma preleção sobre me- peito da impenitência, e cita o exemplo histórico de vá-
dicina." — Philips Brooks. rias cidades. (Mat. 11:20-24).
4. — "Se o ministro no púlpito não consegue mover
2. — "Os grandes oradores e pregadores têm sido
a vontade do auditório — efetivamente, ele não está pre-
sempre mestres na arte de expandir a idéia mediante o
gando". — Campbell Morgan.
emprego de ilustrações." G. Blackie.
5. — No decorrer do sermão, Jonathan Edwards dis-
3. — "O uso de esmeradas ilustrações constitui um
punha a bateria; na conclusão fazia fogo sobre os ouvintes.
dos atrativos da prédica de Crisóstomo; e é esse também
6. — Era extamente na peroração que Crisóstomo, um dos traços comuns entre os pregadores mais popu-
o grande pregador da igreja cristã no quarto século, reve- lares de nossos dias." — Kidder.
lava seu intenso amor para com os ouvintes, expressando
até com lágrimas o seu desejo de que todos fossem salvos, 4. — " A s melhores ilustrações são aquelas que têm
de que todos fossem edificados em sua vida espiritual. valor de prova." — Breed.

7. — Um velho ministro: "Se eu pudesse rever ago- 5. — "Geralmente, os ouvintes se lembram mais das
ra meus sermões, daria mais atenção à maneira de apli- ilustrações do que de qualquer outra coisa."
car as verdades ali consideradas. 6. — Quando menino, ouvi meu pai pregar um ser-
8. — Assim termina o maravilhoso sermão da mon- mão de cujo texto e assunto absolutamente não me lem-
tanha: "Todo aquele, pois, que ouve estas palavras e as bro. Entretanto, de uma ilustração por ele empregada
pratica, será comparado a um homem prudente, que edi- nunca mais me esqueci.
ficou a sua casa sobre a rocha . . ." (Mateus 7:24-27).
7. — Aristóteles, em sua retórica, dividiu os exem-
9. — Foi este o efeito do sermão proferido por Pe- plos em reais e inventados : os primeiros, quando são fa-
dro no dia de pentecoste: "Ouvindo estas cousas, compun- tos reais; os outros, quando são fruto da imaginação.
giu-se-lhes, o coração e perguntaram a Pedro e aos de-
8. — Spurgeon disse que fazia uma idéia pouco li-
mais apóstolos: "Que faremos, irmãos ? Respondeu-lhes
songeira do ministro que lesse um jornal sem encontrar
Pedro: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em
matéria apropriada a ilustrações de sua prédica.
nome de Jesus Cristo para remissão de pecados, e recebe-
reis o dom do Espírito Santo." Atos 3:37 e 38. 9. — As ilustrações derivadas da experiência do
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 93
92 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
vocabular é por todos reconhecida e admirada, recomenda
próprio pregador são de alta importância, porque dão a freqüente consulta aos dicionários, e cita esta opinião de
testemunho de sua fé, o que constitui um dos objetivos do Odorico Mendes: "Para a etimologia, Constâncio; para as
verdadeiro sermão. usanças clássicas é Morais o nosso melho Guia." (Boémia
10. — Webster declara que afinal encontrou opor- do Espírito, pg. 378).
tunidade para empregar uma ilustração que guardara du- "Rui Barbosa não se exauria lendo os dicionários com
rante 14 anos. redobrado desvelo, fazendo-lhe acréscimos ou correções.
11. — As ilustrações de Plutarco são vívidas e ori- O exemplar do Dicionário de Cândido de Figueiredo que
ginais, mas o seu uso excessivo deixa muitas vezes uma lhe pertenceu, está todo marginado de anotações." ("A
impressão de que se trata de substância e não de orna- Arte de Escrever", A. Tenório DAlbuquerque, pg. 92).
mento do discurso." — Lecky. Igual demasia ocorre nos O elogio da simplicidade de estilo foi pitorescamente
sermões de Thomas Guthrie, o eminente pregador inglês. expresso por um ouvinte, nestes termos: " O sr. hoje pre-
12. — A chamada escola futurista tornou-se triste- gou sem teologia e sem gramática !"
mente famosa pelas extravagâncias de suas comparações.
A título de sugestão, oferecemos esta pequena lista
13. — O pregador não pode depender exclusivamen- de bons autores: 1) Portugueses: a) Alexandre Herculano
te de üustrações alheias, que se encontram em livros e (vernaculidade); b) Camilo Castelo Branco (riqueza de vo-
outras publicações; cumpre que ele se habitue a obtê-las cabulário); c) Ramalho Ortigão (forma colorida e melódi-
por si mesmo, mediante seu próprio estudo, experiência e ca). 2) Brasileiros: a) Rui Barbosa (linguagem clássica);
observação. b) Euclides da Cunha (originalidade). "O estilo é o ho-
mem"; c) Monteiro Lobato ("possuidor de um dútil e vi-
goroso instrumento de expressão.").
XI
3. — V o z — "Tomaz Jefferson tinha todas as outras
E L O C U Ç Ã O qualidades, menos a voz, e por isso fracassou como ora-
1. — Campbell Morgan diz que são estes os elemen- dor." William Matthews.
tos essenciais do sermão; primeiro — verdade; segundo "Um dos Grachos fazia-se acompanhar de um toca-
clareza; terceiro — paixão. Quer dizer: conteúdo, estilo, dor de flauta, que lhe dava o tom, quer no princípio quer
elocução; o u : idéias contidas no sermão; a linguagem em no fim do discurso." — Simões Dias.
que essas idéias são expressas; e o ardor com que comu- "O tom médio é a predominante, e serve de ponto de
nicam ao auditório essas idéias. partida para ascender e descender. Nela é que se deve esta-
2. — Estilo — Camilo Castelo Branco, cuja riqueza belecer a normal da voz, no discurso."
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 93
92 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
vocabular é por todos reconhecida e admirada, recomenda
próprio pregador são de alta importância, porque dão a freqüente consulta aos dicionários, e cita esta opinião de
testemunho de sua fé, o que constitui um dos objetivos do Odorico Mendes: "Para a etimologia, Constâncio; para as
verdadeiro sermão. usanças clássicas é Morais o nosso melho Guia." (Boémia
10. — Webster declara que afinal encontrou opor- do Espírito, pg. 378).
tunidade para empregar uma ilustração que guardara du- "Rui Barbosa não se exauria lendo os dicionários com
rante 14 anos. redobrado desvelo, fazendo-lhe acréscimos ou correções.
11. — As ilustrações de Plutarco são vívidas e ori- O exemplar do Dicionário de Cândido de Figueiredo que
ginais, mas o seu uso excessivo deixa muitas vezes uma lhe pertenceu, está todo marginado de anotações." ("A
impressão de que se trata de substância e não de orna- Arte de Escrever", A. Tenório DAlbuquerque, pg. 92).
mento do discurso." — Lecky. Igual demasia ocorre nos O elogio da simplicidade de estilo foi pitorescamente
sermões de Thomas Guthrie, o eminente pregador inglês. expresso por um ouvinte, nestes termos: " O sr. hoje pre-
12. — A chamada escola futurista tornou-se triste- gou sem teologia e sem gramática !"
mente famosa pelas extravagâncias de suas comparações.
A título de sugestão, oferecemos esta pequena lista
13. — O pregador não pode depender exclusivamen- de bons autores: 1) Portugueses: a) Alexandre Herculano
te de üustrações alheias, que se encontram em livros e (vernaculidade); b) Camilo Castelo Branco (riqueza de vo-
outras publicações; cumpre que ele se habitue a obtê-las cabulário); c) Ramalho Ortigão (forma colorida e melódi-
por si mesmo, mediante seu próprio estudo, experiência e ca). 2) Brasileiros: a) Rui Barbosa (linguagem clássica);
observação. b) Euclides da Cunha (originalidade). "O estilo é o ho-
mem"; c) Monteiro Lobato ("possuidor de um dútil e vi-
goroso instrumento de expressão.").
XI
3. — V o z — "Tomaz Jefferson tinha todas as outras
E L O C U Ç Ã O qualidades, menos a voz, e por isso fracassou como ora-
1. — Campbell Morgan diz que são estes os elemen- dor." William Matthews.
tos essenciais do sermão; primeiro — verdade; segundo "Um dos Grachos fazia-se acompanhar de um toca-
clareza; terceiro — paixão. Quer dizer: conteúdo, estilo, dor de flauta, que lhe dava o tom, quer no princípio quer
elocução; o u : idéias contidas no sermão; a linguagem em no fim do discurso." — Simões Dias.
que essas idéias são expressas; e o ardor com que comu- "O tom médio é a predominante, e serve de ponto de
nicam ao auditório essas idéias. partida para ascender e descender. Nela é que se deve esta-
2. — Estilo — Camilo Castelo Branco, cuja riqueza belecer a normal da voz, no discurso."
34 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 95

Tom de conversação não é monotonia: ninguém con- Chalmers, um dos maiores oradores sacros, lia os
versa em um tom só. seus sermões.

" A monotonia da voz é um dos flagelos do auditório." Bossuet, glória do púlpito francês, usava notas para

É preciso ter cuidado em não elevar muito a voz para falar em público.

evitar que ela se torne metálica e estridente. 6. — No decurso de um sermão, aconteceu o impre-
Um famoso pregador (Beccher) explicou o motivo de visto: uma rajada de vento levou pela janela uma das" fo-
haver gritado muito durante um sermão: "Eu sempre falo lhas de esboço, que se achava sobre o púlpito. O prega-
dor, imperturbável, disse aos ouvintes: "Como tivestes
muito alto quando tenho pouco que dizer."
oportunidade de ver, o segundo argumento acaba de sair
Depois de ouvir prédica medíocre, alguém emitiu es-
pela janela. Passemos ao terceiro."
ta opinião: " O orador hoje exercitou bem a voz."
7. — Em uma reunião de quinta-feira, à noite, no au-
Garrick declarou que daria uma fortuna para dizer
ditório do Seminário Teológico Presbiteriano, quando pre-
"O !", como Whitefield.
gava um dos estudantes, houve uma repentina interrup-
4. — Gestos. "É tanto o poder do gesto, que chega
ção da luz. O orador continuava a falar, com toda a calma
a substituir a palavra" Simões Dias. Exemplo: "As mãos
e segurança, demonstrando assim que não estava inteira-
de Eurídice."
mente preso ao esboço do sermão.
5. — O discurso pode ser lido, decorado, esboçado e
8. — Dois são os objetivos do esboço: primeiro —
improvisado. O processo de decorar não é recomendável
orientar o pregador no momento de transmitir o sermão;
ao ministro que tem habitualmente obrigação de pregar
segundo — preservar o sermão para ser futuramente re-
três sermões por semana. O discurso esboçado pode ser
produzido. O esboço não deve ser muito longo nem muito
proferido com ou sem auxílio de notas. Neste último caso,
breve, mas o suficiente para dar um idéia geral e suscinta
tem o orador a condição mais própria para empregar ple-
do sermão. Às vezes uma palavra resume ou sugere um
namente todos os recursos de que dispõe. No discurso im-
raciocínio, ou uma ilustração.
provisado, isto é, sem anterior preparação, o orador re-
vela os dons, naturais que possui para falar em público. 9. — Não convém pregar o sermão logo depois de
haver concluído o seu preparo. Será melhor submetê-lo à
"Poincaré foi um grande advogado e escrevia t u d o . . .
ação do inconsciente, para que o assunto domine, de um
Sempre se mostrou incapaz de pronunciar um discurso
modo completo, a mente do pregador. Isto poderá chamar-
que não fosse totalmente redigido . . . É preciso entretan-
se período de incubação.
to dizer que as defezas do ilustre homem de Estado pro-
duziam um efeito enorme." — Maurice Garçon. 10. — Alguns aconselham que o ministro, na manhã
34 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 95

Tom de conversação não é monotonia: ninguém con- Chalmers, um dos maiores oradores sacros, lia os
versa em um tom só. seus sermões.

" A monotonia da voz é um dos flagelos do auditório." Bossuet, glória do púlpito francês, usava notas para

É preciso ter cuidado em não elevar muito a voz para falar em público.

evitar que ela se torne metálica e estridente. 6. — No decurso de um sermão, aconteceu o impre-
Um famoso pregador (Beccher) explicou o motivo de visto: uma rajada de vento levou pela janela uma das" fo-
haver gritado muito durante um sermão: "Eu sempre falo lhas de esboço, que se achava sobre o púlpito. O prega-
dor, imperturbável, disse aos ouvintes: "Como tivestes
muito alto quando tenho pouco que dizer."
oportunidade de ver, o segundo argumento acaba de sair
Depois de ouvir prédica medíocre, alguém emitiu es-
pela janela. Passemos ao terceiro."
ta opinião: " O orador hoje exercitou bem a voz."
7. — Em uma reunião de quinta-feira, à noite, no au-
Garrick declarou que daria uma fortuna para dizer
ditório do Seminário Teológico Presbiteriano, quando pre-
"O !", como Whitefield.
gava um dos estudantes, houve uma repentina interrup-
4. — Gestos. "É tanto o poder do gesto, que chega
ção da luz. O orador continuava a falar, com toda a calma
a substituir a palavra" Simões Dias. Exemplo: "As mãos
e segurança, demonstrando assim que não estava inteira-
de Eurídice."
mente preso ao esboço do sermão.
5. — O discurso pode ser lido, decorado, esboçado e
8. — Dois são os objetivos do esboço: primeiro —
improvisado. O processo de decorar não é recomendável
orientar o pregador no momento de transmitir o sermão;
ao ministro que tem habitualmente obrigação de pregar
segundo — preservar o sermão para ser futuramente re-
três sermões por semana. O discurso esboçado pode ser
produzido. O esboço não deve ser muito longo nem muito
proferido com ou sem auxílio de notas. Neste último caso,
breve, mas o suficiente para dar um idéia geral e suscinta
tem o orador a condição mais própria para empregar ple-
do sermão. Às vezes uma palavra resume ou sugere um
namente todos os recursos de que dispõe. No discurso im-
raciocínio, ou uma ilustração.
provisado, isto é, sem anterior preparação, o orador re-
vela os dons, naturais que possui para falar em público. 9. — Não convém pregar o sermão logo depois de
haver concluído o seu preparo. Será melhor submetê-lo à
"Poincaré foi um grande advogado e escrevia t u d o . . .
ação do inconsciente, para que o assunto domine, de um
Sempre se mostrou incapaz de pronunciar um discurso
modo completo, a mente do pregador. Isto poderá chamar-
que não fosse totalmente redigido . . . É preciso entretan-
se período de incubação.
to dizer que as defezas do ilustre homem de Estado pro-
duziam um efeito enorme." — Maurice Garçon. 10. — Alguns aconselham que o ministro, na manhã
96 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 97

de segunda-feira, escreva o sermão pregado no domingo,


9. — Dos fatos históricos cumpre fixar apenas o as-
desde que tenha sido particularmente feliz no elaborar e
pecto diretamente relacionado com o assunto, evitando
pronunciar o referido sermão. Assim também poderá pu-
pormenores que resultam em desnecessário prolongamen-
blicá-lo oportunamente.
to do semão.
11. — Henry Ward Beecher, quando tinha que pre-
10. — "Ele não sai uma polegada de seu caminho,
gar à noite, tomava um leve alimento, às 17 horas da tarde.
mesmo para apanhar uma flor."
11. — "O pintor também se dá a conhecer pelo que
xn deixa de por no quadro."
OBSERVAÇÕES DE ORDEM GERAL 12. — "Tudo o que embaraça o plano, tudo o que
1. — "Um texto bem escolhido vale meio sermão." perturba a marcha, tudo o que não conduz diretamente ao
— Hagenbach. fim, deve ser posto de parte, tanto nos discursos, como
também nos escritos."
2. — " O melhor sermão será feito por aquele que
dispuser de melhor material." 13. — "Quanto mais organizada a matéria, quanto
mais simples o plano — melhor o sermão."
3. — Bautain compara a preparação do orador ao
trabalho da abelha que colhe o que necessita para fazer 14. — Se o sermão é bom, não precisa ser longo; se
o mel." é mau, precisa ser breve.

4. — " A seleção do material é semelhante ao da ba- 15. — "Quando vou falar sinto minha garganta e
leia, que expele a água e retém os peixes." meus lábios com os de um homem que vai ser enforca-
do." — Earl of Duly.
5. — Wesley disse que lia os jornais para ver como
estava Deus governando o seu reino em todo o mundo. 16. — " O orador que não pode por fogo em seus dis-
cursos, deve por seus discursos no fogo." — William Mat-
6. — John De Witt, professor de história eclesiás-
thews.
tica, considerava de grande valor homilético os estudos
referentes à sua cadeira no Seminário de Princeton. 17. — Na formação de sua biblioteca, convém que o
ministro considere a importância dos livros que versem os
7. — "Chalmers fazia com que as estrelas e as flo-
seguintes assuntos: 1) Bíblia; 2) Oração; 3) Missões. Nessas
res pregassem o evangelho."
obras, encontrará o pregador precioso material para a
8. — Beecher: "Conservo os olhos sempre abertos, composição de seus sermões.
porque não me canso de ver e observar."
18. — O curso de homilética no Seminário consta de
96 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 97

de segunda-feira, escreva o sermão pregado no domingo,


9. — Dos fatos históricos cumpre fixar apenas o as-
desde que tenha sido particularmente feliz no elaborar e
pecto diretamente relacionado com o assunto, evitando
pronunciar o referido sermão. Assim também poderá pu-
pormenores que resultam em desnecessário prolongamen-
blicá-lo oportunamente.
to do semão.
11. — Henry Ward Beecher, quando tinha que pre-
10. — "Ele não sai uma polegada de seu caminho,
gar à noite, tomava um leve alimento, às 17 horas da tarde.
mesmo para apanhar uma flor."
11. — "O pintor também se dá a conhecer pelo que
xn deixa de por no quadro."
OBSERVAÇÕES DE ORDEM GERAL 12. — "Tudo o que embaraça o plano, tudo o que
1. — "Um texto bem escolhido vale meio sermão." perturba a marcha, tudo o que não conduz diretamente ao
— Hagenbach. fim, deve ser posto de parte, tanto nos discursos, como
também nos escritos."
2. — " O melhor sermão será feito por aquele que
dispuser de melhor material." 13. — "Quanto mais organizada a matéria, quanto
mais simples o plano — melhor o sermão."
3. — Bautain compara a preparação do orador ao
trabalho da abelha que colhe o que necessita para fazer 14. — Se o sermão é bom, não precisa ser longo; se
o mel." é mau, precisa ser breve.

4. — " A seleção do material é semelhante ao da ba- 15. — "Quando vou falar sinto minha garganta e
leia, que expele a água e retém os peixes." meus lábios com os de um homem que vai ser enforca-
do." — Earl of Duly.
5. — Wesley disse que lia os jornais para ver como
estava Deus governando o seu reino em todo o mundo. 16. — " O orador que não pode por fogo em seus dis-
cursos, deve por seus discursos no fogo." — William Mat-
6. — John De Witt, professor de história eclesiás-
thews.
tica, considerava de grande valor homilético os estudos
referentes à sua cadeira no Seminário de Princeton. 17. — Na formação de sua biblioteca, convém que o
ministro considere a importância dos livros que versem os
7. — "Chalmers fazia com que as estrelas e as flo-
seguintes assuntos: 1) Bíblia; 2) Oração; 3) Missões. Nessas
res pregassem o evangelho."
obras, encontrará o pregador precioso material para a
8. — Beecher: "Conservo os olhos sempre abertos, composição de seus sermões.
porque não me canso de ver e observar."
18. — O curso de homilética no Seminário consta de
98 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 99

duas partes: a teórica e a prática. Esta, por sua vez consis-


te em sermões escritos e orais. Os primeiros são submeti-
dos à crítica do professor da matéria; os orais, à crítica de
toda. os professores. Os alunos do primeiro ano preparam
sermões expositivos; os do segundo, textuais; e os do ter-
C O N S E L H O S
ceiro, tópicos. Assim, vai o estudante progressivamente do
mais fácil para o mais difícil.
Convém que o estudante se habitue a fazer o esboço
de todo sermão que ouve. 1. — "Cultiva o hábito de analisar um assunto ho-
19. — Na crítica de um sermão, cumpre, pelo me- mileticamente." — W. Shedd.
nos, averiguar o seguinte: 1) se corresponde ao tipo de ser-
mão que deve ser pregado; 2) se o texto foi bem escolhido; 2. — "Transforma em sermão tudo o que estiver ao
3) se a exegese está certa; 4) se o tema decorre necessa- teu alcance."
riamente do texto; 5) se os argumentos provam a proposi-
ção, ou demonstram o tema; 6) se a elocução (voz, gestos, 3. — "Prepara de joelhos o teu sermão." — Schaff.
linguagem) foi satisfatória; 7) se o aluno revela progresso
na arte de pregar. 4. — "Prega primeiro a ti mesmo e depois pregarás
20. — Fosdick, mesmo quando não se trata de ser- com autoridade aos outros."
mão, costuma dar forma homilética ao que produz. Aqui
estão alguns exemplos colhidos em diversas de suas obras. 5. — "Conserva e desenvolve a tua personalidade."
Tema : A importância da comunhão com Deus. Argumen-
tos: 1) é a atitude habitual do crente; 2) é a essência da 6. — "Se queres que eu me comova, comove-te."
oração; 3) é o que torna real a idéia de Deus. (The Meaning
of Prayer", capitulo II). Tema: O crente necessita da Igre- 7. — "Prega sugestivamente e não exaustivamente."
ja. Argumentos: 1) para enriquecimento de sua fé; 2) para
estabilidade de sua fé; 3) para expressão de sua fé (The 8. — "Prega a Cristo." — I Cor. 1:23.
Meaning of Faith, cap. XII). Tema: Razões de sermos, agra-
decidos. Argumentos: 1) as belezas do mundo natural; 2) 9. — "Prega a verdade com amor." — Efésios 4:15.
os benefícios provenientes de outras gerações; 3) o per-
dão mediante Cristo Jesus. (The Meaning of Service", cap. 10. — "Procura somente o bem das almas e a glória
XI). de Deus."
98 LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA 99

duas partes: a teórica e a prática. Esta, por sua vez consis-


te em sermões escritos e orais. Os primeiros são submeti-
dos à crítica do professor da matéria; os orais, à crítica de
toda. os professores. Os alunos do primeiro ano preparam
sermões expositivos; os do segundo, textuais; e os do ter-
C O N S E L H O S
ceiro, tópicos. Assim, vai o estudante progressivamente do
mais fácil para o mais difícil.
Convém que o estudante se habitue a fazer o esboço
de todo sermão que ouve. 1. — "Cultiva o hábito de analisar um assunto ho-
19. — Na crítica de um sermão, cumpre, pelo me- mileticamente." — W. Shedd.
nos, averiguar o seguinte: 1) se corresponde ao tipo de ser-
mão que deve ser pregado; 2) se o texto foi bem escolhido; 2. — "Transforma em sermão tudo o que estiver ao
3) se a exegese está certa; 4) se o tema decorre necessa- teu alcance."
riamente do texto; 5) se os argumentos provam a proposi-
ção, ou demonstram o tema; 6) se a elocução (voz, gestos, 3. — "Prepara de joelhos o teu sermão." — Schaff.
linguagem) foi satisfatória; 7) se o aluno revela progresso
na arte de pregar. 4. — "Prega primeiro a ti mesmo e depois pregarás
20. — Fosdick, mesmo quando não se trata de ser- com autoridade aos outros."
mão, costuma dar forma homilética ao que produz. Aqui
estão alguns exemplos colhidos em diversas de suas obras. 5. — "Conserva e desenvolve a tua personalidade."
Tema : A importância da comunhão com Deus. Argumen-
tos: 1) é a atitude habitual do crente; 2) é a essência da 6. — "Se queres que eu me comova, comove-te."
oração; 3) é o que torna real a idéia de Deus. (The Meaning
of Prayer", capitulo II). Tema: O crente necessita da Igre- 7. — "Prega sugestivamente e não exaustivamente."
ja. Argumentos: 1) para enriquecimento de sua fé; 2) para
estabilidade de sua fé; 3) para expressão de sua fé (The 8. — "Prega a Cristo." — I Cor. 1:23.
Meaning of Faith, cap. XII). Tema: Razões de sermos, agra-
decidos. Argumentos: 1) as belezas do mundo natural; 2) 9. — "Prega a verdade com amor." — Efésios 4:15.
os benefícios provenientes de outras gerações; 3) o per-
dão mediante Cristo Jesus. (The Meaning of Service", cap. 10. — "Procura somente o bem das almas e a glória
XI). de Deus."
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
ÍNDICE
— B I B L I O G R A F I A —

la. P A R T E
Lectures on Sacred Rhetoric — R. L. Dabney.

Homiletics — Alexandre Vinet. T E O R I A

Homiletics — William Shedd.

Prefácio 5
Practical Theology — Van Oosterzee. Autoria e Originalidade 7
Duas citações: de Bushnell e de
The Preccher and his models. — James Stalker. Loetscher 8
Importância de Pregação 9
For the work of the ministry — William G. Teoria 11
Blackie.
Cap. I — Preliminares 13
Cap. II — Requisitos Essenciais do Sermão 15
Preachurg — its ideal and inner life. — Tho-
Cap. III — O Texto 19
mas Armitage.
Cap. TV — Classificação dos Sermões 21

The Christian Ministry. — Charles Bridges Cap. V — Partes Constitutivas do Sermão 25


Cap. V I — Exórdio 25
Oratory and Orators. — William Matthews. Cap. VII — Explicação 29
Cap. VIII — Tema ou proposição 30
- "L'art de la lecture". — E. Legouvé.
Cap. IX — Argumentação 32
Cap. X — Conclusão 34
Cap. XI — Ilustrações 36
Cap. XII — Elocução 38
LIÇÕES DE RETÓRICA SAGRADA
ÍNDICE
— B I B L I O G R A F I A —

la. P A R T E
Lectures on Sacred Rhetoric — R. L. Dabney.

Homiletics — Alexandre Vinet. T E O R I A

Homiletics — William Shedd.

Prefácio 5
Practical Theology — Van Oosterzee. Autoria e Originalidade 7
Duas citações: de Bushnell e de
The Preccher and his models. — James Stalker. Loetscher 8
Importância de Pregação 9
For the work of the ministry — William G. Teoria 11
Blackie.
Cap. I — Preliminares 13
Cap. II — Requisitos Essenciais do Sermão 15
Preachurg — its ideal and inner life. — Tho-
Cap. III — O Texto 19
mas Armitage.
Cap. TV — Classificação dos Sermões 21

The Christian Ministry. — Charles Bridges Cap. V — Partes Constitutivas do Sermão 25


Cap. V I — Exórdio 25
Oratory and Orators. — William Matthews. Cap. VII — Explicação 29
Cap. VIII — Tema ou proposição 30
- "L'art de la lecture". — E. Legouvé.
Cap. IX — Argumentação 32
Cap. X — Conclusão 34
Cap. XI — Ilustrações 36
Cap. XII — Elocução 38
I la. P A R T E

E X E M P L I F I C A Ç Ã O

Cap. I — Sermões em Germe 45


Cap. II — Esboço de Sermões 46
Cap. III — Breves Sermões 57

I I la. P A R T E

N O T A S A D I C I O N A I S

Cap. I Preliminares 79
Cap. II Requisitos Essenciais do Sermão 80
Cap. III O Texto 81
Cap. IV Classificação dos Sermões 82
Cap. V Exórdio 84
Cap. VI Explicação 85
Cap. VII Tema 87
Cap. VIII Argumentação 88
Cap. IX Conclusão 89
Cap. X Ilustrações 91
Cap. XI Elocução 92
Cap. XII Observações de Ordem Geral 96
Conselhos 99
Bibliografia 100