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O Mundo é Plano

UMA BREVE HISTÓRIA DO SÉCULO XXI

Thomas L. Friedman

Jomar Silva – Julho 2007


Agenda
● Como o mundo se achatou
– Só um cochilo...
– Dez forças que achataram o mundo
– A tripla convergência
– A grande reestruturação
● Os Estados Unidos e o Mundo Plano
● Os Países em Desenvolvimento e o Mundo Plano
● As empresas e o Mundo Plano
● A Geopolítica e o Mundo Plano
● Uma dose de imaginação
Só um cochilo...
Só um cochilo...

"Eu havia cochilado. Depois de 11 de setembro (...) quase


todo o meu tempo foi dedicado ao mundo árabe e
muçulmano. Perdi o rastro da globalização. (...) Esse
achatamento quer dizer que estamos interligando todos os
centros de conhecimento do planeta e costurando uma única
rede global... Isso pode precipitar uma nova era notável de
prosperidade e inovação. A globalização ascendeu a um
patamar inédito"

Thomas Friedman
Só um cochilo...
● 15 dias de filmagens e entrevistas com a
equipe do Discovery Times.

● Objetivo da viagem: Entender porque os


indianos estavam tirando os trabalhos dos
americanos e se tornando referência em
terceirização de serviços e TI.

● No campo de golf em Bangalore na Índia:


“...mire na Microsoft ou na IBM...”
Só um cochilo...
Só um cochilo...
● Globalização 1.0:
– De 1492 a 1800.
– Viagem de Colombo ao Novo Mundo inaugurando o
comercio entre o Novo e o Velho Mundo.
– Reduziu o mundo de grande para médio.
– Países e músculos.
– Potência muscular (força física) e criatividade em sua
utilização.
– Motivados pela Religião e pelo Imperialismo.
– Questões:
● Como meu país se insere na concorrência e nas
oportunidades globais?
● Como posso me globalizar e colaborar com outras
pessoas, por intermédio do meu país?
Só um cochilo...
● Globalização 2.0:
– De 1800 a 2000 (interrompida apenas pela Grande
Depressão e pelas duas Guerras Mundiais).
– Reduziu o mundo de médio para pequeno.
– Revolução Industrial e empresas multinacionais.
– Dividida em dois períodos:
● Primeira Metade:
– Queda nos custos de transporte (motor a vapor e ferrovias).
● Segunda Metade:
– Queda nos custos de comunicação (difusão do telégrafo,
telefonia, PCs, cabos de fibra ótica e versão inicial da WWW).
– Grandes inovações em Hardware (de barcos a
vapor a mainframes)
Só um cochilo...
● Globalização 2.0:
– Grandes questões:
● Como a minha empresa se insere na economia global?
● Como tira proveito das oportunidades?
● Como posso me globalizar e colaborar com outras
pessoas, por intermédio da minha empresa?
Só um cochilo...
● Globalização 3.0:
– Iniciou por volta do ano 2000.
– Reduziu o mundo pequeno para minúsculo e
aplainou o terreno.
– Forças dinâmicas:
● 1.0 – Países
● 2.0 – Empresas
● 3.0 – Pessoas
– Principais meios: Software e redes óticas
● Questões:
– Como é que eu me posso, por minha conta própria,
colaborar com outras pessoas, em âmbito global?
Só um cochilo...
● Outras diferenças:
– 1.0 e 2.0 lideradas por europeus e americanos.
– 3.0 participação na liderança de não-ocidentais e
não-brancos.
– Novas oportunidades não apenas para indivíduos
mas para empresas grandes e pequenas.
Só um cochilo...
● Exemplo prático:
– MphasiS – Empresa indiana capacitada para a prestação de
serviços contábeis para pessoas físicas, jurídicas e para o
governo americano.
● Já atendem a diversos pequenos e médios escritórios de
contabilidade americanos.
● Diferencial: Pessoas + Software + Processos
● 70mil contadores formados por ano na Índia a um custo mensal
inicial de US$ 100.
– Declarações de IR americanas feitas na Índia:
● 2003 – 25 mil
● 2004 – 100 mil
● 2005 – estimado em 400 mil
– O que sobrará aos americanos: Estratégias complexas e
originais de planejamento tributário...
Só um cochilo...
● Laudos radiológicos de hospitais americanos
são feitos por especialistas indianos, na Índia
(durante a madrugada nos EUA)

● Estatísticas de mercado e “notas massificadas”


da Reuters são feitas por jornalistas indianos:
– Análises mais básicas feitas por indianos.
– Custo de analista em NY – US$ 80 mil.
– Custo de analista em Balgalore – US$ 15 mil.
– Custo de infraestrutura em Bangalore é 1/5 de NY.
Só um cochilo...
● Call center indiano (24/7) – 4 mil funcionários:
– Foco no mercado americano.
– Oferta de produtos (de cartões de crédito a pacotes
telefônicos).
– Suporte (de extravio de bagagens até consumidores
confusos).
– Maior duração de ligação registrada: 11 horas.
– Nomes americanos e aulas de sotaque.
● Na Índia, 245 mil indianos atendem ligações em call
center
● Salário inicial US$ 200 (indo a US$ 400 em 6 meses).
● Custo inicial US$ 500 (indo a US$ 700 em 6 meses).
Só um cochilo...
● Ciclo de produtos:
– Pesquisa básica
– Pesquisa aplicada
– Incubação
– Desenvolvimento
– Testes
– Fabricação
– Distribuição
– Assistência técnica
– Desenvolvimento continuado
● Globalização da inovação
● 1.000 pedidos de patentes nos EUA pelas unidades indianas
da Cisco, Intel, IBM, Texas Instruments e GE
Só um cochilo...
● Na área de administração de empresas na Índia:
– 2,5 milhões de recém-formados por ano na Índia.
– 89 mil MBAs por ano.
● Na China (Dalian):
– Digitalização de plantas residenciais
– Donas de casa fazem digitação de documentos
técnicos e laudos especializados
– Custo de eng. de software é 1/3 do custo japonês
– Atendente de call center custa US$ 90 por mês
– Base de terceirização do Japão e da Coréia
– Exportações de software crescem 50% ao ano
– Rota da produção ao desenvolvimento
Só um cochilo...
● JetBlue (Companhia aérea americana):
– Atendentes do call center do setor de reservas são senhoras
trabalhando em casa (homesourcing).
– Experiência anterior do fundador demonstrou que quem trabalha tem
produtividade e grau de satisfação 30% acima dos trabalhadores
convencionais.
– Jornada de 25 horas semanais.
– Uma visita a empresa por mês para treinamento e atualização sobre o
que a empresa está fazendo.
● Em 1997, 11,6 milhões de americanos trabalhavam em casa.
● Em 2004, 23,5 milhões (16% da força de trabalho do país) o
fazem.
● Grande motivação: Redução de custos e aumento da eficácia.
● Achatamento até da hierarquia militar com uso de aviões
teleguiados.
Só um cochilo...
● Centralização de atendimento de drive-thru de
lanchonetes americanas.
● Resultado:
– 1 minuto e 5 segundos no atendimento “remoto”.
– 2 minutos e 36 segundos no atendimento tradicional.
● Jornalistas independentes (gravador de voz e camera digital
como ferramentas de trabalho e uso de networking e blogs na
web para divulgação)
Dez forças que achataram o
mundo
Dez forças que achataram o mundo
● 1° - A queda do muro de Berlim:
– 9 de Novembro de 1989
– “Quando os muros ruíram e as janelas se abriam”
– Iniciou a libertação dos povos dominados pelo Império Soviético:
● Governança democrática
● Livre mercado
– Fim do planejamento centralizado
– Chegou a Índia em 1991:
● De US$1bi para US$118bi em reservas (em dez anos)
● Da autoconfiança discreta para a ambição arrojada

– Proliferação de Pcs
– Proliferação do Windows
– Modems (CompuServe e America Online)
– Conectividade e trabalho colaborativo global
Dez forças que achataram o mundo
● 2° - Netscape foi para a bolsa:
– 9 de Agosto de 1995.
– “O dia em que o Nestcape foi para a bolsa”.
– Consolidação do browser e da World Wide Web (WWW).
– O IPO da Netscape despertou o mundo para a Internet (iniciou o boom).
– Permitiu o acesso de qualquer pessoa a Internet.
– Uma semana depois foi lançado o Windows 95 (suporte nativo ao
protocolo TCP/IP – Padrão Aberto) permitindo a qualquer aplicativo o
acesso á Internet de forma simplificada.
– Potencialidade de desenvolvimento de e-sistemas (e-commerce, e-
banking, e-stock, e-tec...) deflagrou o investimento maciço em redes de
fibras óticas.
– Desregulamentação das Teles nos EUA em 1996: livre mercado.
Dez forças que achataram o mundo
● 2° - Netscape foi para a bolsa:
– O Mosaic (“semente” do Nestcape) começou em 1992 com 12 usuários.
– Primeira versão comercial do Netscape lançada em Dezembro de 1994:
● Quem fosse da área de educação ou de organizações sem fins lucrativos
poderia baixá-lo de graça.
● Pessoas físicas poderiam fazer uma avaliação gratuita por prazo ilimitado e
comprá-lo em disco, caso desejassem.
● Empresas podiam avaliar o software por noventa dias.
● Segundo Marc Anderssen:
“A lógica subjacente era a seguinte: se você pode pagar por ele, pague.

Se não, use mesmo assim.”
– Netscape não era somente um browser, era uma suite para a Internet baseada
em padrões abertos com o intuito de viabilizar a proliferação da utilização dos
padrões abertos e frear as iniciativas proprietárias da Microsoft.
– Deflagrou ainda a adoção de padrões abertos de comunicação na Indústria de
TI.
– Estimativa do IPO: US$ 14 por ação (foi fechado em US$ 56 no dia do IPO).
Dez forças que achataram o mundo
● 3° - Softwares de fluxo de trabalho:
– “Vamos trocar figurinhas: Coloque o seu aplicativo para conversar com
o meu”
– Necessidade de fazer qualquer coisa de qualquer lugar.
– Surgimento do XML (linguagem de descrição de dados) e SOAP
(protocolo para transporte de XML) – ambos padrões abertos.
– Desenvolvimento de softwares para automatizar e/ou integrar
processos.
– Pagamentos eletrônicos, comércio eletrônico, controle de manufatura,
estoques, desenvolvimento e gestão de projetos e etc...
– Permite a “explosão de tarefas”, sua execução em qualquer lugar e sua
integração final.
– Segundo Joel Cawley, estrategista da IBM:
“Não só passamos a nos comunicar entre nós numa escala sem
precedentes, como agora podemos colaborar: criar coalizões,
projetos e produtos juntos, como nunca antes.”
Dez forças que achataram o mundo
● 4° - Código Aberto:
– “Comunidades de colaboração que se Auto-Organizam”
– Servidor Apache:
● Alan Cohen da IBM:
“... os caras da correspondência assumiram o controle !!!”
● O Apache deixou para trás a IBM, Microsoft, Nestcape e Oracle.
● Servidor existente e mais usado na época (1997) era da NCSA não
era completo (não tinha funções de autenticação), era de domínio
público e foi “abandonado” pelos desenvolvedores originais.
● Desenvolvedores (hackers) que precisavam expandir as
funcionalidades para seu uso próprio começaram a desenvolver
patches para ele.
● A NCSA não conseguia centralizar e controlar os patches.
● Um grupo de desenvolvedores consultou a NCSA, juntou diversos
patches já desenvolvidos e iniciaram um projeto de servidor web
chamado Apache. Única obrigação: reconhecer a procedência.
Dez forças que achataram o mundo
● 4° - Código Aberto:
Números do APACHE:

Fonte: http://news.netcraft.com/archives/web_server_survey.html
Dez forças que achataram o mundo
● 4° - Código Aberto:
– Nenhum dos hackers tinha tempo integral para se dedicar ao projeto
(era o meio e não o fim da sua sustentabilidade financeira).
– Grande parte dos envolvidos no projeto haviam contribuído com o IETF
(Internet Engineering Task Force), força tarefa que desenvolve e
mantém os padrões (abertos) da Internet.
– Nome Apache:
● Os índios Apache foram os últimos a se render ao governo
americano.
● Trocadilho com a palavra APATCHY: cheio de patches
– Primeiro projeto de código aberto que chamou atenção de empresas e
recebeu o respaldo da IBM.
Dez forças que achataram o mundo
● 4° - Código Aberto:
– Criaram a Apache Software Foundation (com suporte jurídico da IBM):
● Empresas poderiam desenvolver softwares com base no Apache e
ganhar dinheiro com eles.
● Obrigações: Reconhecer a procedência e compartilhar as
modificações
● Única contribuição solicitada da comunidade à IBM: Designar seus
melhores engenheiros para contribuir com código (chegaram até a
recusar alguns profissionais indicados pela IBM).
– Resultado para a IBM: Lançamento do WebSphere em julho de 1998.
– Movimento do software livre (Free Software Foundation - GNU/Linux).
– Outros exemplos de utilização do modelo:
● Wikipedia
● Redes de blogs e portais colaborativos
● CreativeCommons*
* Não citado no livro
Dez forças que achataram o mundo
● 5° - Terceirização:
– “O ano 2000”
– O excesso de capacidade de fibra ótica foi fundamental para a Índia.
– Não começou do zero:
● Fundado o primeiro dos sete Institutos Indianos de Tecnologia (IIT)
em 1951 (critérios extremamente rígidos para entrada e aprovação
de alunos).
● Desde 1953, 25 mil profissionais formados nas melhores escolas de
engenharia Índia se estabeleceram nos EUA.
● Modelo:
– Profissionais indianos de sucesso nos EUA voltavam à Índia
trazendo filiais das empresas ou contratos de terceirização.
● Início com a Texas Instruments (1985) e com a GE (início da década
de 90).
● Na época os custos com telecomunicações eram muito elevados e a
tecnologia disponível muito ultrapassada.
Dez forças que achataram o mundo
● 5° - Terceirização:
● Exemplos de serviços:
– Desenvolvimento de software para a GE.
– Digitação de livros para uma editora americana.
– Transcrições médicas (gravações de voz).
● Início da queda nos custos das comunicações
● Bug do milênio:
– Milhões de linhas de código para serem corrigidas.
– Trabalho tedioso e não conferia nenhuma vantagem competitiva
(tudo isso ao menor custo possível).
– Início dos trabalhos entre empresas americanas e indianas em
larga escala.
– Oportunidade para a Índia deixar sua marca no mundo.
● Bolha da Internet: Necessidade de desenvolvimento de inúmeras
aplicações a baixo custo, gerenciamento de aplicativos de comércio
eletrônico e mainframes.
Dez forças que achataram o mundo
● 5° - Terceirização:
● Estouro da bolha: fibra ótica sobrado...e recursos para investimentos
desaparecendo.
● Na Índia: engenheiros de sobra que dominavam a língua inglesa e
com experiência comprovada em desenvolvimento de software
custando muito pouco quando comparados aos americanos.
● Com o estouro da bolha, muitos engenheiros indianos que estavam
trabalhando temporariamente nos EUA voltaram para casa.
● Os orçamentos para desenvolvimento começaram a secar e os
gestores tinham que fazer mais com menos e aí surgiu a sugestão:
“Lembra daquele indiano, o Vijay, que trabalhou na empresa nos
áureos tempos, mas teve que voltar para a sua terra?”

● Detalhe: Em alguns projetos, os computadores americanos podiam


ser utilizados por engenheiros indianos durante a noite, evitando
assim até a necessidade de investimentos em hardware...
Dez forças que achataram o mundo
● 6° - Offshoring:
– “Correndo com os Antílopes e comendo com os Leões”
– 11 de Dezembro de 2001: China entra para a OMC.
– Terceirização: uma função determinada.
– Offshoring: transferência de uma fábrica inteira.
– Em 1977 – Deng Xiaoping declara: “enriquecer é glorioso”
● Empresas se estabeleceram na China
● Falta de regras claras (não OMC)

● Muitos dos primeiros investidores perderam tudo

– Década de 1980:
● Já que não posso vender para eles, porquê não utilizar aquela
força de trabalho disciplinada para vender para os outros
(exportar).
● Raciocínio de acordo com os anseios do Governo Chinês
Dez forças que achataram o mundo
● 6° - Offshoring:
– Uma vez iniciado o Offshoring, não houve alternativa aos demais
(impossível competir em custos).
– Entrada na OMC assegurou às empresas estrangeiras a proteção
pelas leis internacionais e práticas empresariais de praxe.
– Segundo Kenichi Ohmae (consultor de empresas japonês), só na
área do delta do Zhu Jiang (norte de Hong Kong) é estimada a
existência de 50 mil fabricantes de componentes eletrônicos.
● A China , ao mesmo tempo, uma ameaça, um cliente e uma
oportunidade. É preciso internalizá-la para vencer. Não dá
para ignorá-la.
– Países como a Malásia, a Tailândia, a Irlanda, o México, o Brasil
e o Vietnã, que lhe fazem frente pensam:
“Caramba, melhor eu começar a oferecer estes mesmos
incentivos”
Dez forças que achataram o mundo
● 6° - Offshoring:
– Estudo do Conference Board americano revela que entre 1995 e 2002 o
setor privado chinês (sem participação do governo):
● Aumentou a produtividade em 17% ao ano.
● O setor secundário perdeu 15 milhões de empregos (contra 2 milhões nos
EUA).
● Com o aumento da produtividade fabril, a China perde empregos na
indústria e ganha no setor de serviços, seguindo um padrão que há muitos
anos ocorre no mundo desenvolvido.
– A longo prazo, sua verdadeira estratégia é superar os EUA e a Europa
pelo alto:
● Capacitação maciça de profissionais (baixar o custo da sua infra estrutura
física e de telecomunicações).
● Incentivos para atrair mais indústrias.
● De “vendido na China” para “fabricado na China” para “desenhado na China”
e para “sonhado na China”.
– Baixo custo, alta qualidade e extrema eficiência em tudo.
Dez forças que achataram o mundo
● 7° - Cadeia de fornecimento:
– “Comendo sushi no Arkansas”
– Sede do Wal-Mart em Bentonville, Arkansas:
● Centro de distribuição de 110 mil m2
● 20 Km de esteiras de transporte abastecidas 24 X 7
● Leitura de códigos de barras e separação automática de
mercadorias
● Quando o cliente passa com um produto pelo caixa, o fornecedor é
automaticamente notificado (em qualquer parte do mundo).
● Só a HP vende 400 mil computadores nas 4 mil lojas do Wal-Mart
espalhadas pelo mundo em um único dia na época de Natal.
● Transporte anual do Wal-Mart é de 2,3 bilhões de caixas pela sua
cadeia de fornecimento.
– Cadeia de fornecimento = colaboração horizontal (do fabricante ao
cliente) com vistas à geração de valor.
– Quanto mais a adoção de padrões avança, menores são os atritos na
cadeia
Dez forças que achataram o mundo
● 7° - Cadeia de fornecimento:
– Ambivalência entre papéis: consumidores x empregados.
– Problemas do Wal-Mart:
● Pressão por redução de custos nos fornecedores
● Problemas trabalhistas
– Fornecedores do mundo todo instalaram unidades próximas a sede do
Wal-Mart (por isso o sushi no Arkansas).
– Modelo inicial: reduzir os custos em 2% e investir em volume.
● Ferramenta primordial: tecnologia
● Principal motivo: necessidade (Bentonville fica no “meio do nada”)
– Em 2004:
● Comprou US$ 260 bi que passou por 108 centros de distribuição
nos EUA atendendo às 3 mil lojas no país.
– Aprimoramento constante
– Pioneira em monitoramento computadorizado das vendas e integração
com fornecedores
Dez forças que achataram o mundo
● 7° - Cadeia de fornecimento:
– Adoção de RFID:
● Em Junho de 2003 notificou seus cem maiores fornecedores que até
1° de janeiro de 2005 todas as caixas e contêineres deveriam ter
etiquetas inteligentes.
● Custo de 20 cents por etiqueta e por isso só é utilizada em caixas
maiores
● Permitirá uma visão mais aguçada e dados mais precisos para
alimentar o modelo de demanda.
– A cadeia de fornecimento se reconfigura de acordo com a necessidade
(ex. Furacões)
– Correspondente bancário (longe do que temos no Brasil), com base nos
serviços oferecidos aos funcionários.
– O Wal-Mart é a China do mundo empresarial:
● Chegaram a interferir na mudança de uma fábrica da Sanyo (o que
a tornou os maiores produtores de TV no mundo).
– Exportação do modelo: rede Seiyu do Japão
Dez forças que achataram o mundo
● 8° - Internalização:
– O que é que aqueles caras de bermudão marrom andam fazendo
– Internalização (Insourcing):
● Nova forma de colaboração e criação horizontal de valor.
● Pequenos que pensam grande (e agem como tal).
● Auxilia os grande a agir pequeno.
● Elevado grau de integração entre empresas.
Dez forças que achataram o mundo
● 8° - Internalização:
– UPS:
● Proposta de pôr em sincronia as cadeias globais de fornecimento das
empresas.
● Frota de 270 aeronaves (11° do mundo).
● US$ 36 bi de vendas .
● Envio de 13,5 milhões de pacotes por dia.
● Case de manutenção de notebooks Toshiba (retorno em 3 dias).
● Entrega de pizzas e coleta de ingredientes para a Papa John's.
● Nike on-line e Jockey.com.
● Impressoras HP.
● Peixes tropicais da Segrest Farms na Flórida.
● Entrou no ramo de “soluções de comércio sincronizado” em 1996 e já
despedeu US$ 1bi em aquisições de 25 empresas globais (logística e frete).
● Principais clientes e parceiros: Pequenas empresas.
● Serviços de consultoria em logística.
● Recebem pagamentos mediante entrega e avaliação de produtos.
Dez forças que achataram o mundo
● 8° - Internalização:
– UPS:
● Distribuição de veículos da Ford desde 2001:
– Redução em 40% do tempo de entrega.
– 6.500 revendas nos EUA.
● Possui um think tank (Divisão de Pesquisas e Operações):
–Pesquisa de algoritmos para cadeia de fornecimento.
– Tecnologia de fluxo de pacotes.
– Equipe de 60 profissionais com diversos Ph.D.'s.
● Meteorologistas próprios e analistas de ameaças estratégicas.
● Maior usuária de tecnologia sem fio do mundo (mais de 1 M de
telefonemas/dia pelos motoristas)
● 88 mil carros.
● Diariamente, 2% do PIB mundial encontram-se dentro de seus caminhões e
carros.
● UPS Capital – Financiamento de projetos de mudança de cadeia de
fornecimento para clientes.
Dez forças que achataram o mundo
● 8° - Internalização:
– UPS:
● Monitoramento de pacotes feito pelos próprios clientes pela Internet:
–Custo anterior por chamada telefônica: US$ 2.10
– Custo por consulta na Web: de US$ 0.05 a US$ 0.10
– 7 Milhões de pedidos de rastreamento em dias normais.
– 12 Milhões de pedidos de rastreamento nos picos.
– Pranchetas eletrônicas (DIAD – Driver Delivery Inf. Acquisition Dev.):
● Onde cada pacote está no caminhão.

● Localização da próxima entrega.

● Uso do GPS evita não permite a entrega de pacotes em endereços

errados.
● Receita com a Internalização em 2003:
– US$ 2,4 bilhões.
Dez forças que achataram o mundo
● 9° - In-Formação:
– Google, Yahoo!, MSN Web Search
– Google:
● Não há palavra ou assunto isolados que responda por mais de 1 a
2% de todas as buscas no site.
● Acesso básico e universal a dados gerais de pesquisa.
● É uma força equalizadora (comparação com as bibliotecas).
● Única limitação: Utilização de computadores.
– In-Formação é o equivalente individual ao código aberto, à
internalização, à cadeia de fornecimento e ao offshoring.
– Autocolaboração: busca por conhecimento, pessoas e comunidades.
– Expõe publicamente a vida das pessoas (não dá para se esconder)...
– Segundo Alan Cohen (VP da Airespace):
“O Google é igual a Deus: onipresente, onisciente e sem fio.
Pode perguntar qualquer coisa, que ele terá a resposta”
Dez forças que achataram o mundo
● 10° - Esteróides:
– Digital, Móvel, Pessoal e Virtual
– Tecnologias Wireless.
– Carly Fiorina:
● Digital: Conteúdos e processos digitalizados.
● Virtual: Manipulação de conteúdo digital muito simplificada.
● Móvel: De qualquer lugar através de qualquer dispositivo.
● Pessoal: Por você, para você no seu próprio equipamento.
– Exemplo: Caso da palestra sobre tratamento de câncer.
– Computação:
● Capacidade computacional
● Capacidade de armazenamento
● Capacidade de entrada e saída de dados (I/O)
Dez forças que achataram o mundo
● 10° - Esteróides:
– Em 1971 o processador 4004 da Intel:
● 0,06 MIPS (60 mil instruções por segundo)
● 2.300 transistores
– Atualmente, o Pentium IV Extreme Edition chega teoricamente a 10,8
bilhões de instruções por segundo.
– O Itanium 2 contém hoje 410 milhões de transistores.
– Crescimento exponencial dos dispositivos de armazenamento.
– A fibra ótica vai chegar a 1 terabit por segundo:
● Pode-se transmitir todo o material impresso do mundo por um único
cabo, em minutos.
– Compartilhamento de arquivos (P2P e Napster).
– Gadgets em geral.
– VoIP, futuro SoIP e videoconferência.
– Aposentadoria dos fios (case da DoCoMo).
Dez forças que achataram o mundo
● 10° - Esteróides:
– Internet “das coisas”.
– Expansão das aplicações para celulares.
– Turbinas da Rolls-Royce são conectadas por satélite com a sala de
operações da empresa.
A Tripla Convergência
A Tripla Convergência
● Em um aeroporto:
– Na globalização 1.0, um funcionário emitia a passagem.
– Na globalização 2.0, ele foi substituido por uma máquina.
– Na globalização 3.0, você cuida disso.
● Multifuncionais (que tratam e-mails)
● Primeira convergência (década de 1990):
– Criação de um campo de jogo global, mediado pela web,
que viabiliza diversas modalidades de colaboração
(compartilhamento de conhecimento e trabalho) em tempo
real, independente da geografia, distância ou, num futuro
próximo, até mesmo de idioma.
– O acesso ainda não é tão aberto.
A Tripla Convergência
● Segunda convergência:
– Desenvolvimento de novas práticas empresariais e
habilidades.
– Semelhante ao passo seguinte das máquinas a vapor.
– Novos modelos de negócios.
– Revisão e otimização de processos com base em TI.
– Colaboração e gerenciamento horizontal.
– HP:
●De 87 cadeias de fornecimento para apenas 5.
– Southwest Airlines e download de cartões de embarque.
– Equipes distribuídas compondo empresas virtuais.
– Adaptação dos jogadores ao novo campo de jogo.
A Tripla Convergência
● Terceira convergência:
– Inclusão de 3 bilhões de pessoas no mercado global (muitos
deles sem sair de casa).
– Novos jogadores, num novo campo de jogo, desenvolvendo
novos processos e hábitos para a colaboração horizontal.
– É a força mais significativa para moldar a economia e a
política globais neste início de século XXI.
– Segundo Richard B. Freeman – Harvard (11/2004):
● 1985:
– Mundo econômico global: América do Norte, Europa
Ocidental, Japão, Leste Asiático e pedaços da
América Latina e África
– 2,5 bilhões de pessoas.
A Tripla Convergência
● Terceira convergência:
● 2000:
– Colapso do comunismo no império Soviético,
abandono da autocracia na Índia, transição chinesa
para o capitalismo e crescimento populacional
generalizado.
– 6 bilhões de pessoas:
● 1,5 bi de novos profissionais.

● 150 milhões em condições competitivas (10% do

total que equivale a toda a força de trabalho dos


EUA).
● Novos jogadores sem compromissos com o legado
(maior agilidade com novas tecnologias).
● Globalização será cada vez mais comandada por
indivíduos.
A Tripla Convergência
● Terceira convergência:
● Zippies indianos: “filhos da libertação”:
– Jovens entre 15 e 25 anos.
– Moradores de cidades ou subúrbios.
– Confiantes e criativos.
– Transpiram atitude, ambição e aspiração.
– Querem desafios.
– Amam o risco e ignoram o medo.
– Ganham dinheiro e não tem culpa em gastá-lo.
– 54% da população indiana tem menos que 25 anos (555 milhões
de pessoas).
– Antigamente existiam livros e seminários de orientação para a
obtenção de vistos para os EUA.
– Atualmente trabalham sem sair de casa.
– Case Dhruva – Desenvolvimento de jogos.
– Concorrência crescente: China, Polônia, Hungria
A Tripla Convergência
● Terceira convergência:
● Como se diz Zippie em chinês?
– Cursos e palestras para obtenção de vistos americanos.
– Candidatos chineses em Yale: de 40 na turma de 2001 para 276
na turma de 2008.
– Livro: Yiting Liu, Aluna de Harvard (1999)
● 3 milhões de cópias vendidas em 2003.

– Segundo Bill Gates, a “loteria ovariana” mudou por conta da


avidez dos chineses e indianos:
● Se antes era melhor nascer “normal ”em uma pequena

cidade americana do que um “gênio” em Xangai ou


Bombaim. Hoje, o talento natural supera a geografia.
A Tripla Convergência
● Terceira convergência:
● Da Rússia com Carinho:
– A Boeing contratou engenheiros e cientistas russos que
trabalhavam com os MiGs para ajudar a projetar a próxima
geração de aviões de passageiros:
● 1991: Aerodinâmica e novas ligas metálicas.

● 1998: Escritório de projetos de engenharia aeronáutica em

Moscou
● 2004: 800 engenheiros e cientistas russos, tendendo a pelo

menos 1.000.
● Usando um software de colaboração francês.

● Dia de trabalho de 24 horas: 2 turnos na Rússia e 1 nos EUA

● Videoconferência

● Inicio da terceirização em caratér experimental (linha

secundária).
● Escassez de mão de obra qualificada nos EUA.

● Custo do profissional russo é 1/3 do americano.

● Russos terceirizam parte do seu trabalho para a Índia

(digitalização de projetos aeronáuticos)


A Tripla Convergência
● Terceira convergência:
● Da Rússia com Carinho:
– A Boeing enviava ao Japão os projetos das asas para que
fossem fabricados lá.
– Hoje envia os parâmetros gerais das asas e a Mitsubishi faz o
resto:
● A Mitsubishi terceiriza parte do trabalho para os russos.

– Hoje a Boeing leva 11 dias para construir um 737 (levava 28


dias)
– A próxima geração de jatos levará três dias.
– Utiliza “leilões ao contrário” de tempos em tempos para validar
os preços praticados pelos fornecedores tradicionais.
● A outra Tripla Convergência:
– Políticos americanos não prepararam o seu público, os
estupidificaram

A Grande Reestruturação
A Grande Reestruturação
● Reorganização da economia e da geopolítica
● Citação do Manifesto Comunista, de Karl Marx (1848).
● Capitalismo sempre foi cercado de obstáculos.
– Serão as fronteiras nacionais uma fonte de atrito que vamos
querer – o mesmo poder – preservar?
– Barreiras jurídicas ao livre fluxo de informações,
propriedade intelectual e capital ?
– Quanto mais os obstáculos são reduzidos, são maiores as
dificuldades enfrentadas pelos Estados-Nação, culturas,
valores, identidades nacionais, tradições democráticas e
elos específicos que de alguma forma resguardam e
oferecem proteção as pessoas.
– Quais manter e quais dissolver no ar em prol da
colaboração?
A Grande Reestruturação
● Índia versus Indiana: Quem está explorando quem?
– Licitação em Indiana para atualizar sistema de processamento
dos pedidos de seguro desemprego.
– Ganhadora: Tata America International:
● Lance de US$ 15,2 milhões (US$ 8,1 M abaixo das mais próximas).
● Contrato assinado e cancelado em seguida.
● Alteração na legislação para que não voltasse a ocorrer.
● Nova licitação dividida em partes para que pequenas empresas do
estado pudessem participar.
● Indenização de aprox. US$ 1M para a Tata por oito semanas de
trabalho capacitando 45 programadores locais nas melhores
práticas em engenharia de software.
– Dúvida: Quem foi o explorador e quem foi o explorado?
A Grande Reestruturação
● Índia versus Indiana: Quem está explorando quem?
– No mundo mais horizontal, é difícil saber quem está em cima e
quem está em baixo:
● Engenheiros indianos não foram explorados quando
estudaram nos IITs (ao custo do trabalho de inúmeros outros
indianos que não podiam deixar o país).
● Este engenheiros estão agora sendo explorados quando
estão trabalhando para a maior empresa de consultoria da
Índia (elevados salários para os padrões locais e
oportunidades).
● Eles estão explorando o povo de Indiana quando se dispõe a
reciclar um sistema a um custo tão baixo, ou estavam sendo
explorados por eles?
● Quem explora quem?
● De que lado fica a Esquerda tradicional?
● E a Direita?
A Grande Reestruturação
● Onde começam e onde acabam as empresas?
– Antigamente como estava a empresa estava o país (GM).
– Hoje como está a empresa é como estão os países:
● HP:
– 142 mil funcionários em 178 países.
– Maior empresa de TI da Europa (da Rússia, do Oriente Médio e
da África do Sul).
– Como pode ser uma empresa americana se a maioria dos seus
funcionários e clientes estão fora dos EUA?
● IBM e Lenovo (IBM possui 18,9% da Lenovo):
– Sede mundial em NY.
– Fábricas em Pequim e Raleigh, Carolina do Norte.
– Centros de P&D na China, EUA e Japão.
– Escritórios de vendas espalhados pelo mundo.
– Executivos de diversos países.
– Ações na bolsa de Hong-Kong.
A Grande Reestruturação
● Do comando e controle à colaboração e interconexão:
– Segundo Collin Powell disse que o Google é que lhe propiciou a
constatação do achatamento do mundo.
– Celulares, comunicadores instantâneos e BlackBerrys.
– Vertical (comando e controle) pelo Horizontal (colaboração e
interconexão).
● Transtorno de identidade múltipla:
– Nosso papéis cada vez mais em conflito:
● Consumidores
● Funcionários
● Cidadãos
● Contribuintes
● Acionistas
– Exemplo do Wal-Mart
– Enxugamento do processo de aprovação na FDA e o Vioxx.
A Grande Reestruturação
● Quem é dono do quê?
– Qual é a altura ideal da barreira de propriedade intelectual?
– Quem é dono de senhas em sites (ex. Yahoo!)?
● A Morte dos caixeiros-viajantes:
– Centrais de atendimento automatizadas.
– Negociações e relações de compra e venda feitas por meio digital
(quebra no poder de convencimento e argumentação).
– Dificuldade para forjar laços humanos.
– Corte das gorduras nos negócios e na vida.
– Nos EUA, quando o assunto é globalização:
● A direita dos Republicanos poderia se aliar à esquerda dos
Democratas (Partido do Muro).
● A ala empresarial dos Republicanos poderia se aliar aos
liberal-sociais dos Democratas (Partido da Web).
Os Estados Unidos e o
Mundo Plano
A Tripla Convergência
● Os Estados Unidos e o Livre-comércio:
– Seria possível continuar a acreditar em livre-comércio em
um mundo plano?
● Competição externa com os cidadãos americanos.
● Criação de barreiras e abolição de parte da terceirização
e do offshoring.
● Ricardo tem razão (David Ricardo 1772-1823)?
– Teoria da vantagem comparativa do livre comércio.
– Na época da elaboração, permutavam-se bens (não
serviços ou funções intelectuais).
● Infosys: 1 Milhão de candidatos para 9 mil vagas
A Tripla Convergência
● Os Estados Unidos e o Livre-comércio:
– Seria possível continuar a acreditar em livre-comércio em
um mundo plano?
● Ricardo ainda tem razão:
– Será mais proveitoso para os EUA se aterem aos
principios básicos do livre-comércio do que tentar resistir.
● Antiterceirização:
– Bens e serviços.
– Nivelamento por baixo dos salários.
● Defensores do livre-comércio:
– Queda de salários temporária.
– O “bolo” global continua crescendo.
● Premissa inválida de que nada de novo pode ser inventado.
● Muitas oportunidades para pequenas empresas que ninguém
vê.
A Tripla Convergência
● Os Estados Unidos e o Livre-comércio:
– Seria possível continuar a acreditar em livre-comércio em um
mundo plano?
● Nos EUA, mesmo com perda de empregos para outros países a taxa de
desemprego segue em 5% (o bolo está crescendo).
● Deslocamentos horizontais de profissionais americanos (atualização).
● Palm Romer, de Stanford:
– Salários chineses são baixos por conta do aprisionamento em uma
economia fechada.
– Com a abertura, os salários chegarão aos patamares americanos ou
mundiais (já está ocorrendo em Bangalore).
– Aumento na oferta de trabalhadores intelectuais impacta menos em sua
remuneração média do que para os trabalhadores braçais (1960 –
1980).
– Trabalho intelectual não tem relação de venda de 1 para 1.
● Trabalhadores “braçais” terão que se deslocar na vertical (capacitação e
qualificação).
● Existe um limite mundial para bons empregos fabris, mas para o número de
empregos gerados por idéias, não.
A Tripla Convergência
● Os Estados Unidos e o Livre-comércio:
– Seria possível continuar a acreditar em livre-comércio em um
mundo plano?
● Marc Andreessen:
“O bolo não para de crescer porque as coisas de hoje parecem
meros desejos são as necessidades de amanhã”
– Se desejos e necessidades humanas são infinitos, existem
infinitas indústrias a serem criadas...
● Reconstrução do Japão e da Europa no pós guerra com base na
ampliação da capacidade de fabricação, conhecimentos,
competências para serviços, não raro importando (ou até roubando)
idéias e equipamentos americanos (repetindo o que ocorreu entre
EUA e Inglaterra no final da década de 1770).
● Cerca de 150 anos atrás, 95% dos americanos trabalhavam na
agricultura e atividades correlatas. Hoje não passa de 3% ou 4%.
– Se o governo tivesse resolvido proteger e subsidiar todos estes
empregos (e não investir na industrialização) isso teria ocorrido?
A Tripla Convergência
● Os Estados Unidos e o Livre-comércio:
– Seria possível continuar a acreditar em livre-comércio em um
mundo plano?
● Indianos e chineses estão se deslocando verticalmente.
● Busca por inovação (ex. serviços de otimização de buscas)
● Indianos aplicam seu lucro na invenção de novos produtos para a
população de baixa renda, visando trocar a pobreza pela classe
média:
– Carro do Tata Group: US$ 2.2 mil
● Estudantes indianos atuam como tutotes de estudantes em
Cingapura em parceria com a Universidade de Cambridge.
● A demanda por produtos de tecnologia só aumenta (e esse aumento
é quase invisível).
Os Países em desenvolvimento
e o Mundo Plano
A Virgem de Guadalupe
● No México:
– Imagens da Virgem de Guadalupe importadas da China.
– Em 2001 as exportações para os EUA se reduziram (após duas
décadas).
– Em 2003, a China o suplantou como segundo exportador para os
EUA (apesar do NAFTA).
– Lider ainda em grandes volumes como automóveis, autopeças e
refrigeradores.
– Banco Central Chinês:
“Primeiro tinhamos medo do lobo, depois começamos a
dançar com o lobo, e agora queremos ser o lobo”
● No Egito:
– Lanternas (fawani) usadas pelas crianças durante o ramadã são
feitas na China.
– Os Fawani egípcios não passam de 5% do mercado.
A Virgem de Guadalupe
● Introspecção:
– Até que ponto meu país está ficando para trás?
– Até que ponto meu país está se adaptando e tirando vantagens?
– Países precisam de um Países em Desenvolvimento Anônimos
(P.D.A.).
– O desenvolvimento é um processo voluntário, e começa com a
introspecção.
A Virgem de Guadalupe
● Eu consigo para você por atacado:
– Reformas por atacado (amplas reformas macroeconômicas):
● Após a queda do muro de Berlim.
● China, Rússia, México, Brasil e Índia.
● Fôlego por conta dos regimes autoritários anteriores.
● Estratégia orientada para as exportações e o livre mercado:
– Privatizações, desregulamentação dos mercados financeiros,
ajustes no câmbio, investimentos extrangeiros diretos, subsídios
decrescentes, rebaixamento de barreiras tarifárias protecionistas
e introdução de legislação trabalhista mais flexível.
– De cima para baixo, sem consultar o povo:
● As decisões de abertura no México foram tomadas por três

pessoas.
● Quem não promoveu estas reformas, viu seu PIB encolher, como a
Coréia do Norte.
A Virgem de Guadalupe
● Na China, segundo o Banco Mundial:
– Pessoas vivendo em condições de extrema pobreza (menos de um
dólar por dia):
● 375 milhões em 1990.
● 212 milhões em 2001.
● 16 milhões em 2015 (projeção).
– No sul da Ásia (Índia, Paquistão e Bangladesh):
● 462 milhões em 1990.
● 431 milhões em 2001.
● 216 milhões em 2015 (projeção).
– África subsaariana (globalização mais lenta):
● 227 milhões em 1990.
● 313 milhões em 2001.
● 340 milhões em 2015 (projeção).
A Virgem de Guadalupe
● Reformas no varejo:
– Analogias (regiões do mundo como bairros):
● Europa = asilo de idosos.
● Estados Unidos = condomínio fechado (com uma pequena abertura
nos fundos para mexicanos e outros trabalhadores ativos ajudarem
a comunidade isolada funcionar).
● América Latina = lugar das diversões da cidade (clubes noturnos):
– Bons negócios só nas ruas dos chilenos.
– Os senhorios do bairro não reinvestem nele (depositam do outro
lado da cidade).
● Árabes = ruas escuras, onde ninguém se aventura a não ser em
quatro ruas laterais (Dubai, Catar, Jordânia e Marrocos):
– Único negócio novo são bombas de gasolina (investem como os
latinos).
– Casas com cortinas fechadas e placas de “Cuidado com o
cachorro”.
A Virgem de Guadalupe
● Reformas no varejo:
– Analogias (regiões do mundo como bairros):
● Índia, China e Leste Asiático = parte esquisita da cidade:
– Imenso e movimentado mercado:
● Pequenas lojas e fábricas em um único cômodo.

● Diversas escolas preparatórias e faculdades de engenharia.

– Ninguém nunca dorme.


– Todos trabalham e economizam para poder mudar para o “lado bom da
cidade”.
– Ruas chinesas são sem leis, mas:
● Pavimentadas, iluminadas e sem buracos.

– Ruas indianas:
● Lâmpadas queimadas, cheia de sulcos, polícia ativa.

● Para vender limonada precisa de licença (mas o suborno é comum).

● Geradores para as fábricas e celulares modernos.

● África:
– Lojas fechadas, expectativa de vida declina e os únicos edifícios novos
são as casas de saúde.
A Virgem de Guadalupe
● Reformas no varejo:
– Cada região tem pontos fortes e fracos, e todas precisam de reformas no varejo:
● Quatro aspectos da sociedade:
Infra-estrutura, instituições reguladoras, educação e cultura.

– Arcabouço jurídico e institucional.
– Inovar, fundar firmas e tornar-se parceiros atraentes para a cooperação
internacional.
– Todo ano o Egito garante emprego àqueles que completam o ensino superior:
● Continua atolado na pobreza.
● Crescimento lento a mais de 50 anos.
– Estudo do IFC do Banco mundial afirma que “o crescimento da produtividade, e
portanto a maneira de escapar da pobreza, não é simplesmente uma questão de
alocação de recursos, mas o seu uso adequado”.
– Estudo do IFC Doing Business in 2004 avalia a dificuldade de:
● Iniciar um negócio. ● Obter crédito.
● Contratar e demitir funcionários. ● Encerrar uma empresa que vá à
● Fazer valer os contratos falência ou esteja em dificuldades.
A Virgem de Guadalupe
● Reformas no varejo:
– Doing Business in 2004 (alguns números):
● Indonésia: 168 dias para abrir uma fábrica têxtil (capital mínimo é o triplo da
renda per capta).
● Panamá: 19 dias para abrir uma construtora (multa trabalhista para
demissão, com aprovação sindical, de 5 salários).
● Emirados Árabes: contrata e demite com facilidade, mas são necessários
550 dias para cobrar judicialmente uma dívida contratual.
● Etiópia: Crédito negado a quem não tem bens materiais (o histórico de
crédito não existe lá).
● Índia: até 10 anos para fechar a empresa após o pedido de falência (o
empresário simplesmente desaparece, deixando muitas dívidas).
● Austrália: 2 dias para abrir uma empresa.
● Haiti: 203 dias para abrir uma empresa.
● República Democrática do Congo: 215 dias para abrir uma empresa.
A Virgem de Guadalupe
● Reformas no varejo:
– Lista de pontos para as reformas no varejo (IFC):
● Falta de regulamentação prejudica, mas regulamentação excessiva
também.
● Valorização dos direitos de propriedade.
● Ampliar o uso da Internet para cumprimento de normas.
● Reduzir a participação dos tribunais nos assuntos de negócios.
● Transformar a reforma em um processo contínuo.
– Melhoria no acesso e na qualidade da educação.
– Investimentos em infra-estrutura.
– Segundo Jonh Chambers (Cisco Systems):
“Os empregos irão para onde a força de trabalho mais bem preparada
conviver com a infra-estrutura mais competitiva e com o ambiente criativo e
o governo disposto a cooperar.”
– Reformas no varejo são comumente de baixo para cima...
A Virgem de Guadalupe
● Aspectos culturais: A Glocalização:
– Desempenho econômico e cultura estão relacionados.
– A riqueza das nações – David Landes.
– Glocalização = Grau de abertura de uma cultura.
– Explica a dificuldade de muitos países islâmicos:
● Ataques terroristas atuais tem suas raízes na década de 70, no
movimento Juhaiman.
● Foco da educação nos impérios Islâmicos.
● Espanha muçulmana foi uma das mais tolerantes da história.
● Arábia Saudita muçulmana de hoje é uma das mais intolerantes.
● Dubai é um dos lugares mais cosmopolitas e tolerantes do mundo.
– Cultura se assenta no contexto e não no DNA.
A Virgem de Guadalupe
● Os elementos intangíveis:
– Em nova Delhi não exitem prédios elevados por causa da oscilação no
fornecimento de energia.
– Dalian, na China se transformou totalmente entre 1998 e 2004.
– Cairo, no Egito quase não se alterou entre 1974 e 2004.
– Cidade do México mais limpa mas não cresceu tanto em 10 anos de NAFTA:
● O México perdeu o ritmo (autoconfiança popular se reduziu).
– Elementos intangíveis:
● Disposição e capacidade de uma sociedade para unir-se e sacrificar-se em
prol do desenvolvimento econômico.
● Presença de líderes com suficiente visão para saber o que precisa ser feito
e disposição para usar o poder para promover as mudanças.
– Em 1990:
● México assinado o NAFTA e preparado para ser o trampolim dos EUA para
a Am. Latina, enquanto a China estava fechada (ao mundo e em seus
problemas).
– Hoje, a China se aproxima economicamente enquanto o México (que está
literalmente ao lado), se afasta.
A Virgem de Guadalupe
● Os elementos intangíveis:
– Jorge Castaneda (ex-ministro do Exterior mexicano):
● Foram apanhados entre a China e a Índia.
● Só podem competir com a China nas indústrias de alto valor agregado.
● Perdem da Índia no setor de serviços (como call-center).
– China possui maior foco em reformas no varejo.
– China e Índia culturalmente valorizam mais a educação:
● Alunos estudando nos EUA:
China e Índia: 100 mil

– México: 10 mil
– Não existe no México um programa rápido de capacitação na língua inglesa.
– Will Rogers:
“Mesmo estando no caminho certo, seremos atropelados se ficarmos
parados no mesmo lugar”
As Empresas
e o Mundo Plano
Como as empresas se ajustam
● Todos querem crescimento econômico, mas ninguém deseja a mudança.
● Estratégias dos empresários que se ajustaram ás mudanças:
– 1° Quando o mundo se achata – e você se sente achatado – procure uma pá e
cave dentro de si mesmo. Não tente construir muralhas.
● Case da empresa de multimídia.

– 2° Os pequenos se comportarão como os grandes.


“(...) Uma maneira para que as firmas pequenas sobrevivam no mundo plano é
aprender a comportar-se como se fossem realmente grandes. E a chave para
agir como grandes sendo pequenas é a rapidez em aproveitar todos os novos
instrumentos de colaboração afim de chegar mais longe, mais depressa, mais
ampla e mais profundamente.”
● Case da Aramex (entrega de entrega de encomendas domésticas e primeira
e única empresa árabe listada na Nasdaq)
– 1982 – Parceira com a Airbone
– 1997 – Abertura do capital
– 2003 – Airbone comprada pela DHL
– 2004 – Início da operação do seu próprio sistema
Como as empresas se ajustam
● Estratégias dos empresários que se ajustaram ás mudanças:
– 3° E os grandes se comportarão como pequenos.
“Uma maneira pela qual as grandes empresas aprenderam a prosperar no
mundo plano foi se habituando a agir como se fossem pequenas e permitindo a
seus clientes agir como grandes.”
● Case da Starbucks (designers de bebida).
● Case da corretora E*Trade.

– 4° As melhores companhias são as os melhores colaboradores.


“No mundo plano, cada vez mais negócios são levados a feito no interior das
empresas ou entre elas, por uma razão muito simples: as novas camadas de
criação de valor – seja na tecnologia, no marketing, na biomedicina ou nas
manufaturas – estão se tornando de tal maneira complexas que nenhuma firma
ou departamento individual será capaz de dominá-las sozinho.”
● Novas descobertas valiosas através da combinação de um número
crescente de especialidades cada vez mais granulares.
● Case do videogames.
● Case da Rolls-Royce (não fabrica mais carros desde 1972).
Como as empresas se ajustam
● Estratégias dos empresários que se ajustaram ás mudanças:
– 5° Num mundo plano, as melhores empresas se mantêm saudáveis fazendo
exames de raio X dos pulmões e em seguida vendendo os resultados aos
clientes.
● Case de consultoria da IBM (entre quarenta e cinquenta componentes –
25% deles em competências estratégicas e centrais).
● Case da HP com o Banco da Índia.

– 6° As melhores companhias terceirizam para vencer e não para encolher-se.


“Terceirizam para inovar com maior rapidez e a custos mais baixos a fim de
crescer, ganhar fatias de mercado e contratar mais funcionários de diferentes
especialidades, e não para economizar despedindo empregados”.
● Case LRN (instrução jurídica on-line, de cumprimento de obrigações e de
ética a funcionários de empresas globais) em parceria com a MindTree
Como as empresas se ajustam
● Estratégias dos empresários que se ajustaram ás mudanças:
– 7° Terceirização não é somente para os Benedict Arnolds (traidores). Também
serve para os idealistas.
● Case da empresa de Jeremy Hockenstein (Harvard) de digitação no
Camboja (Digital Divide Data).
A Geopolítica
e o Mundo Plano
“Para construir são necessários anos de lento e laborioso trabalho.
Para destruir, basta o ato impensado de um único momento”

Sir Winston Churchill


O Mundo não-plano
● Proibidas armas de fogo e os telefones celulares (Minnesota).
● 6/4/89 – Massacre da praça da Paz Celestial.
● No Sudão, foi espalhado um boato sobre aperto de mão a um infiel através de SMS.
● “Sou um determinista tecnológico! Sou culpado do que me acusam.”:
– Capacidades criam as intenções.
● “Não sou um determinista histórico.”
– A utilização das tecnologias torna as pessoas apenas capazes.
● “Sei que o mundo não é plano.”
– Centenas de milhões de pessoas estão fora do achatamento.
– Quais são os grandes fatores de apoio, forças ou problemas que impedem o
processo de achatamento, e como podemos colaborar melhor para vencê-los:
● Doentes demais.
● Incapacitados demais.
● Frustrados demais.
● Toyotas demais.
O Mundo não-plano
● Doentes demais:
– Jerry Yang (co-fundador do Yahoo!):
● Onde houver gente com esperança, haverá classe média.
– Escola “Refúgio da Paz”, a uma hora de carro do centro de Bangalore:
● 160 crianças entre 4 e 5 anos “intocáveis” .
● 700 milhões de pessoas estão na pobreza na Índia.
– A única coisa que brilha para eles é o sol e constantemente mata por insolação.
– Na África:
● 1/3 das mulheres grávidas são HIV-positivas.
● Muitos professores contaminados.
● Evasão escolar para cuidar dos pais doentes ou por serem órfãos.
– 1/5 da população mundial de risco do HIV tem acesso aos serviços de prevenção.
– A Malária mata mais de 1 milhão de pessoas por ano:
● 700 mil são crianças.
● Virus mutagêneo.
● Novas vacinas são raras pois não existe “mercado comprador”
O Mundo não-plano
● Doentes demais:
– Fundação Bill e Melinda Gates: US$ 27 bilhões:
● Ninguém financia nada para 3 bilhões de pessoas.
● US$ 50 milhões para o combate à Malária (dobrou o investimento mundial).
● Projeto “Grandes Desafios de Saúde Global”:
– Vamos pensar junto no problema e na solução.
– 8 mil páginas de idéias.
– 14 Grandes Desafios, como:
● Como criar vacinas eficazes em dose única que podem ser

utilizadas logo após o nascimento?


● Como preparar vacinas que não necessitem de refrigeração?

● Como compreender melhor as reações imunológicas que

proporcionam imunidade protetora?


● Como desenvolver sistemas de aplicação de vacinas sem agulhas?

– 1.600 propostas recebidas em um ano (oriundas de 75 países).


– US$ 250 milhões investidos.
● As mães são o sistema de saúde mais importante do mundo. Como
podemos colocar nas mãos delas coisas que elas compreendam, que
estejam a seu alcance e que saibam usar?
O Mundo não-plano
● Incapacitados demais:
– Zona cinzenta entre os dois mundos:
● Setor de alta tecnologia da Índia responde por dois décimos dos empregos
do país.
● Tipicamente são a população de zonas rurais:
Em 2004, o partido da situação na Índia foi derrotado.

– Grupo anti-globalização, composto inicialmente por cinco forças:
● Sentimento de culpa da classe média-alta norte americana.
● Antiga esquerda (socialistas, anarquistas, trotskistas).
● Grupo amorfo (protesto contra a velocidade da globalização).
● Antiamericanismo.
● Coalizão de grupos muito sérios, bem intencionados e construtivos
(tipicamente ONGs – Como globalizar).
– Conforme aumentava o número de beneficiários da globalização no terceiro
mundo, a quinta força começou a se enfraquecer.
– ONGs tem papel fundamental para o desenvolvimento (Índia) – Case HP.
– Populismo moderno (legislação).
O Mundo não-plano
● Frustrados demais:
– Diferentes culturas e sociedades em contato mais amplo e direto.
– Mundo muçulmano é vasto e diversificado, não é possível generalizar.
● Em muitos casos, sob governos autoritários.
● Busca por oportunidades no Ocidente.
● Definição de tudo o que é diferente como decadência.
● Bombardeio da confiança do Ocidente.
● Al-Qaeda são fundamentalistas políticos, não religiosos.
–Islamo-leninista:
● Ao invés do proletariado ou arianos defendem a religião perfeita...

– Seguem a mesma trajetória que o leninismo, facismo e o nazismo


seguiram.
– Corão é texto de referência em escolas.
● Humilhação via Internet, TV e etc...
● Foi divulgado em 2002 que a Espanha sozinha tinha um PIB mais elevado
do que todos os países árabes juntos (fato citado por Bin Laden).
– Comparação com O.J. Simpson - Não condenação de Bin Laden
O Mundo não-plano
● Toyotas demais:
– Demanda excessiva de energia.
– Em Pequim, as bicicletas estão se reduzindo rapidamente:
● 1.000 novos carros nas ruas por dia:
– SARS.
– Entrada na OMC.
● China já foi exportadora de petróleo e gás e hoje é o segundo maior
importador.
● 700 a 800 do 1,3 bilhão de habitantes ainda se situa nas regiões rurais.
● Controle do estreito de Malaca (entre Malásia e Indonésia), controlado pelos
EUA.
● Dois eixos políticos: Impedir a independência de Taiwan e buscar petróleo.
● Reduzir o consumo? Bem “na vez deles”? Como?
● Para atender a demanda gerada pelo atual consumo chinês de petróleo,
será necessária uma nova Arábia Saudita até 2012.
● 24 das 31 províncias estão passando por problemas de energia.

O Mundo não-plano
● A Teoria da Dell sobre prevenção de conflitos. (Antiquado vs Just In Time)
– Rastreamento de um notebook da Dell.
● Alteração da demanda.
– China “contra” Taiwan ou China “mais” Taiwan ?
– Teoria de prevenção de conflitos dos arcos dourados (McDonnald's).
– Teoria Dell sobre prevenção de conflitos:
● Países que fazem parte das cadeias de fornecimento global estão
menos suscetíveis a conflitos (conflito só em caso de defesa).
● Iraque, Síria, sul do Líbano, Coréia do Norte, Paquistão, Afeganistão
e Irã não fazem parte das cadeias de fornecimento.
– Em Taiwan, o partido que defendia a independência perdeu as eleições.
– Na Índia, as empresas prestadoras de serviço aos EUA interferiram no
conflito com o Paquistão em 2002.
O Mundo não-plano
● Infosys versus Al-Qaeda:
– Cadeias globais mutantes de suprimentos.
– Quem tem mais criatividade para explorar as cadeias de fornecimento?
● Al-Qaeda (Califado Virtual):
– Levantar dinheiro.
– Recrutar seguidores.
– Estimular e disseminar idéias.
– Recrutamento terceirizado.
– Distribuição de instrumentos (bombas).
● Globalização ajudou a Al-Qaeda a solidificar um renascimento da
identidade e solidariedade mulçumanas.
● Humilhação e frustração.
● Internet tem maiores possibilidades de transmitir irracionalidades do
que racionalidades (maior carga emocional e exige menor
conhecimento).
● Mesmo de dentro das cavernas, o acesso é tecnicamente possível.
O Mundo não-plano
● Demasiada insegurança pessoal:
– Bin Laden não usou força nuclear no 11/09 pois não tinha acesso a ela:
– Esforços mundiais para conter a ameaça nuclear:
● Limitação da oferta (sem controle).
● Compra de matéria físsil existente (especialmente na antiga URSS).
● Impedir que países se tornem nucleares.

Uma dose de imaginação
(Conclusão)
“A imaginação é mais iportante do que o conhecimento.”

Albert Einstein
11/9 versus 9/11
● Imaginação criativa: 9/11
● Imaginação destruidora: 11/9
● Em 1999, dois homens fundaram uma empresa aérea, do zero:
– David Neeleman – Jet Blue (US$ 130 milhões).
– Osama bin Laden – 11 de Setembro (US$ 400 mil).
● Com a globalização, emergiram duas variantes energéticas:
– Estimular mutações boas.
– Afastar as más mutações.
● 11/9 não foi descoberto por uma “falha de imaginação”.
● Olhar para frente, sonhar ao invés de olhar para trás e se ressentir.
– “Um país que luta contra o terrorismo olha para trás”.
– “Somos o quatro de julho, não o 11 de setembro”.
eBay
● Presidente da SEC ao telefone.
● No e-Bay:
– Poucas regras, que são cumpridas à risca.
– “Na e-Bay, Kyle não é deficiente”.
– Homens de negócio sem curso superior.
– Comunidade autogovernada ou contexto.
Índia
● Segundo maior país muçulmano do mundo.
● Nenhum indiano envolvido em ataques terroristas:
– Democracia (ou algo bem parecido).
– Tradição hinduista da não-violência.
● Na Turquia:
– 15 novembro de 2003, ataque às duas principais sinagogas de Istambul:
● Cerimônia de reabertura com o rabino e o principal clérigo muçulmano de
mãos dadas (sendo-lhes atirados cravos vermelhos pela multidão nas ruas).
● Primeiro ministro (islâmico) visita o principal rabino.
● Pai de um dos suicidas pede perdão a todos.
● Na Índia:
– Imã da maior mesquita de Nova Delhi pediu aos jovens indianos colaboração no
Afeganistão e nos dias seguintes foi a um debate na TV.
– Shabana Azmi (atriz e parlamentar) pediu-lhe ao vivo para se calar e ir
pessoalmente ao Afeganistão.
● Jovens precisam de um contexto para transformar imaginação positiva em realidade.
Índia
● História de um amigo muçulmano do sul da Ásia:
– Família indiana se separou em 1954:
● 50% permaneceu na Índia.
● 50% foi para o Paquistão.
● Perguntou ao pai o motivo pelo qual a metade indiana vivia melhor que a
metade paquistanesa:
– Quando ambos observam um homem que mora em uma bela casa, no
alto da colina:
● Na Índia se diz: “Papai, um dia serei como esse homem...”

● No Paquistão: “Papai, algum dia vou matar esse homem...”

– Orgulho também chega por fibra ótica (não apenas a humilhação)


A Maldição do Petróleo
● Sem taxação não há representação...
● 34 países menos desenvolvidos de hoje:
– 30% da receita de exportação com petróleo e gás.
– Em 12 deles a renda per capita é menor que US$ 1.500.
– 2/3 deles não são democráticos:
● Dentre os democráticos, somente três estão na metade superior da tabela
de liberdades políticas compiladas pela Freedom House.
● Em outras palavras: A imaginação é a filha da necessidade...
● O Barein foi o primeiro país do Golfo a descobrir e a esgotar o petróleo:
– Primeiro estado árabe com reformas trabalhistas modernas.
– Primeiro a assinar um tratado de livre-comércio com os EUA.
– Primeiro a realizar uma eleição direta honesta (inclusão de mulheres).
● A Jordânia iniciou a sua modernização em uma baixa dos preços do petróleo:
– Líderes de orações devem ter curso superior.
● Países muçulmanos representam 20% da população mundial mas apenas 4% do
comércio do planeta.
Basta um bom exemplo
● Um bom exemplo vale mil teorias.
● As pessoas mudam em consequência do que notam, não do que
lhes dizem.
● Faltam bons exemplos de como viver em um mundo plano no mundo
árabe.
De intocáveis a intocáveis
● Escola particular de jormalismo na Índia.
● Escola de ensino fundamental a 15Km e 10 séculos de Bangalore.
– Crianças abaixo da linha da pobreza e autorizadas pelos pais.
– Diversas disciplinas.
– Informática.
– Inglês (fora da Índia, poderão ser INTOCÁVEIS e não intocáveis).
● Mais do que tirar das ruas, capacitação e qualidade.
● Oportunidade:
– Jovens às margens do Jordão, do Tanzim (Yasser Arafat):
● Humilhação nas barreiras policiais.
● Viver pela namorada ou pela universidade.
● Morrer por Arafat.
● Crianças da escola indiana (intocáveis) querem ser:
– Astronautas, médicos, pediatras, poetisas, físicos, químicos, etc...
11/9 ou 9/11 ?