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História da Cultura e das Artes I Profª Marta Esteves AS FORMAS TARDIAS DO CANTO

História da Cultura e das Artes I Profª Marta Esteves

AS FORMAS TARDIAS DO CANTO GREGORIANO

Uma vez que em toda a Cristandade o repertório era obrigatoriamente o mesmo, os compositores tentaram inovar sem transgredir as regras, daí o aparecimento de novas formas musicais que mais não são que manifestações da inovação dos músicos medievais perante o canto oficial.

Estas formas surgem no século IX e vão-se desenvolver até mais tarde tornando-se importantes por terem aberto novos caminhos aos músicos e compositores da época. São elas:

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Tropos

o

Sequências

o

Dramas Litúrgicos

TROPO

O nome vem da palavra Tropare (= compor, procurar, inventar) e consiste em fazer acrescentos de textos ou de melodias a uma peça de canto gregoriano já existente.

Começaram por ser praticados no mosteiro de Jumiéges na Bretanha (França) mas foram os mosteiros de St.Gall na Suiça e St.Martial de Limoges na França que mais contribuíram para o reportório dos Tropos. Os seus livreiros e bibliotecários sempre zelaram, preservaram e colecionaram os seus manuscritos, de tal modo que, em St.Gall foram encontrados cerca de 850 Tropos num Antifonário.

Todos os tropos têm em comum um objetivo:

aumentar o tamanho dos cânticos litúrgicos de forma a destacar a solenidade das festas e da Missa. Era na Missa que o faziam com maior elaboração, sendo que o Credo era o único item que nunca era tropado. Também se faziam tropos nos cânticos do Ofício. Os tropos apresentam-se em diferentes estilos musicais e diferentes modos de composição e a sua prática tornou-se muito popular. Rapidamente se desenvolvem noutros países como a Itália e a Inglaterra.

Estas adições tardias ao repertório da época

mostram ideias artísticas novas e novos procedimentos de composição.

Há que referir que em 1563, o Concílio de Trento

decretou que a liturgia devia ser restaurada o mais possível até à sua forma original e, em resultado disso todos os tropos foram abolidos e apagados dos livros.

Durante muito tempo pensou-se que o que tinha

sido abolido eram coisas sem importância mas mais tarde, conseguiu-se saber o suficiente para dar a esta música um enorme mérito artístico e histórico. Ainda hoje os monges de Solesmes tentam restaurar essas melodias.

música um enorme mérito artístico e histórico. Ainda hoje os monges de Solesmes tentam restaurar essas

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• Assim, podemos encontrar 3 tipos: o Tropo musical – adição melódica ou melismática com

Assim, podemos encontrar 3 tipos:

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Tropo musical adição melódica ou melismática com fins ornamentais.

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Tropo textual adição de textos a cânticos, aplicando-os silabicamente a uma melodia existente.

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Tropo textual-musical as novas frases de texto e música são acrescentadas antes do cântico ou entre as frases deste. Ex: Kyrie , fons bonitatis, pater ingenite, a quo bona cuncta procedut, Eleison .

pater ingenite, a quo bona cuncta procedut, Eleison . SEQUÊNCIA • Não se sabe a origem

SEQUÊNCIA

Não se sabe a origem das sequências mas sabe-se que antes do Mosteiro de St.Jumiéges ser saqueado pelos Normandos em 862, um dos monges conseguiu fugir para St.Gall levando com ele um antifonário, onde novos versos eram adaptados a longas melodias dos Alleluias. Já em St.Gall, Notker Balbulus, monge, professor e poeta, parece ter gostado desta nova forma e começou ele próprio a escrever vários textos e sequências.

Assim, a sequência consiste numa outra espécie de Tropo, neste caso, é feito um acrescento de um texto novo ao melisma da última sílaba do Alleluia, a que se dá o nome de Jubilus.

Esta sequência era feita na Missa e ouvia-se na repetição do Alleluia.

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• Acabou por se tornar uma composição independente, tanto textual como musicalmente. • Na Idade

Acabou por se tornar uma composição independente, tanto textual como musicalmente.

Na Idade Média e no início do Renascimento foram compostas cerca de 4500 sequências, o que mostra o entusiasmo dos compositores e o abuso no uso desta forma.

Tal como aconteceu com os Tropos, no Concílio de Trento as sequências foram todas abolidas à excepção de 4:

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Victimae Paschali (Páscoa)

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Veni Sancte Spiritus (Pentecostes)

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Lauda Sion (Corpo de Deus)

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Dies Irae (Defuntos)

Mais tarde, em 1727, foi introduzida mais uma:

o Stabat Mater

DRAMA LITÚRGICO

Surge no séc.X em St.Gall, St.Martial e Fleury e é a primeira forma de teatro medieval que se conhece. Estas peças em forma de diálogo começaram a ser dramatizadas com encenações e tornaram-se quase peças de teatro religioso.

Faziam-se a partir do Introito da Páscoa e do Natal, onde se desenrolavam diálogos cantados que utilizavam tropos melódicos e textuais.

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do Introito da Páscoa e do Natal, onde se desenrolavam diálogos cantados que utilizavam tropos melódicos

Estes dramas musicais, depressa se transformaram em peças teatrais maiores, o que levou as autoridades a regulamentarem o seu uso na liturgia.

Este conceito acabaria por se desenvolver também fora da igreja com novas formas de encenação musical e com nomes como:

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Mistérios dramas da Paixão de Cristo.

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Peças representações sagradas ou profanas.

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Milagres representações de milagres.

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