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- PROCESSO PENAL -

Guia de Estudo para o Exame da OAB


1ª Fase
2

Sumário
I. PRINCÍPIOS DO PROCESSO PENAL ............................................................................................................................... 5

1. “Nemo tenetur se detegere” – Proibição de Prova contra si mesmo ................................................................... 5


2. Princípio do Devido Processo Legal (art. 5º, LIV da CF). ........................................................................................ 5

2. Princípio do Contraditório e Ampla Defesa (art. 5º, LV da CF) .............................................................................. 6

3. Princípio do Juiz Natural (art. 5º, incisos XXXVII e LIII da CF) ................................................................................ 7
4. Princípio do Estado de Inocência ou Presunção de Inocência (art. 5º, LVII da CF) ................................................ 7

II. SISTEMAS PROCESSUAIS PENAIS ................................................................................................................................ 8

1. Acusatório ............................................................................................................................................................. 8
2. Inquisitivo .............................................................................................................................................................. 8

3. Misto ..................................................................................................................................................................... 8

III. LEI PROCESSUAL NO TEMPO ..................................................................................................................................... 8

1. Art. 2º, CPP: A lei penal não retroage.................................................................................................................... 8


2. Princípio do Efeito Imediato (“tempus regit actum”) ............................................................................................ 9

3. Teoria do isolamento dos atos processuais........................................................................................................... 9

4. Conflito de leis processuais no tempo................................................................................................................... 9

IV. INQUÉRITO POLICIAL................................................................................................................................................. 9

1. Conceito ................................................................................................................................................................ 9

2. Características do IP .............................................................................................................................................. 9

3. Instauração do IP ................................................................................................................................................. 10

4. Desenvolvimento do IP ....................................................................................................................................... 11

4.1. Prazo do IP ................................................................................................................................................... 11

4.2. Encerramento do IP ..................................................................................................................................... 11

V. CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA ........................................................................................................................... 13

VI. CRIMES DE AÇÃO PENAL PRIVADA .......................................................................................................................... 15

VII. AÇÃO PENAL .......................................................................................................................................................... 15

1. Espécies: .............................................................................................................................................................. 15

1.1. Quanto à pretensão ou ao seu conteúdo .................................................................................................... 15

1.2. Quanto à titularidade .................................................................................................................................. 16

2. Ação Penal Pública X Ação Penal Privada ............................................................................................................ 16


3. Princípios que regem a ação penal ...................................................................................................................... 18

4. Ação Penal Pública Condicionada........................................................................................................................ 22

4.1. Direito de representação ............................................................................................................................. 22


VIII. AÇÃO CIVIL “EX DELICTO” ..................................................................................................................................... 25

1. Introdução ........................................................................................................................................................... 25

2. Independência entre as instâncias penal e civil .................................................................................................. 25

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3. Efeitos da condenação penal na esfera civil ........................................................................................................ 25

a) Antes do trânsito em julgado ......................................................................................................................... 25

b) Depois do trânsito em julgado ....................................................................................................................... 26

4. Efeitos da absolvição criminal na esfera extra-penal .......................................................................................... 27

IX. COMPETÊNCIA ........................................................................................................................................................ 29


1. Conceito .............................................................................................................................................................. 29

2. Fases ou Passos Para Fixação da Competência ................................................................................................... 29

3. Justiça Comum Federal ....................................................................................................................................... 30


a) Crimes políticos .............................................................................................................................................. 30

b) Crimes praticados em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas autarquias ou


empresas públicas .............................................................................................................................................. 30

c) Crimes a Distância previstos em tratado ou convenção internacional (Art. 109, V, CF) ................................. 32
d) Crimes praticados a bordo de navio ou aeronave, ressalvada a competência da Justiça Militar (Art. 109, IX,
CF) ...................................................................................................................................................................... 32

e) Crimes contra a organização do trabalho ....................................................................................................... 32

f) Crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro ........................................................................ 32

4. Justiça do Trabalho .............................................................................................................................................. 34

5. Justiça Eleitoral .................................................................................................................................................... 34

6. Justiça Militar ...................................................................................................................................................... 34

7. Justiça Comum Estadual ...................................................................................................................................... 34

8. Competência Hierárquica ou por Prerrogativa de função ................................................................................... 34

9. Competência Territorial ...................................................................................................................................... 35


10. Competência de Juízo........................................................................................................................................ 36

11. Conexão e Continência ...................................................................................................................................... 36

a) Conexão .......................................................................................................................................................... 36

b) Continência (Art. 77, CPP) .............................................................................................................................. 37

X. PRISÕES .................................................................................................................................................................... 40

1. Conceito .............................................................................................................................................................. 40

2. Espécies ............................................................................................................................................................... 40
3. Prisão em Flagrante (Art. 302 do CPP) ................................................................................................................ 41

3.1. Espécies de Flagrante .................................................................................................................................. 42

3.2. FORMALIDADES DA PRISÃO EM FLAGRANTE .............................................................................................. 45


4. PRISÃO TEMPORÁRIA = PROVISÓRIA .................................................................................................................. 46

5. PRISÃO PREVENTIVA (Cautelar) ........................................................................................................................... 46

5.1. Condições de Admissibilidade – art. 313 – CPP ........................................................................................... 47

5.2. Requisitos - Art. 312, CPP ............................................................................................................................ 47

6. CESSAÇÃO DA PRISÃO ......................................................................................................................................... 49

7. LIBERDADE PROVISÓRIA ...................................................................................................................................... 50

7.1. Situações em que não será concedida a fiança - Art. 323, CPP ................................................................... 50

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7.2. Situações em que será concedida a fiança .................................................................................................. 51

XI. PROCEDIMENTOS PENAIS ....................................................................................................................................... 54

1. PROCEDIMENTO ORDINÁRIO .............................................................................................................................. 54

2. Procedimento Sumário ........................................................................................................................................ 59

3. Procedimento Sumaríssimo – Lei 9099/95 .......................................................................................................... 59


4. Procedimentos especiais ..................................................................................................................................... 60

4.1. Procedimento especial dos Crimes contra a honra (calúnia, injúria e difamação). ..................................... 60

4.2. Procedimento Especial da Lei de Drogas – lei 11.343/2006 ........................................................................ 60


4.3. Procedimento Júri – Lei 11.689/08 .............................................................................................................. 61

XII. PROVAS NO PROCESSO PENAL ............................................................................................................................... 63

1. Sistema de apreciação das provas....................................................................................................................... 63

2. Prova ilícita .......................................................................................................................................................... 64


3. Provas em espécie ............................................................................................................................................... 64

3.1. PROVA PERICIAL .......................................................................................................................................... 64

3.2. INTERROGATÓRIO ....................................................................................................................................... 65

3.3. CONFISSÃO .................................................................................................................................................. 65

3.4. PROVA TESTEMUNHAL ................................................................................................................................ 66

3.5. DECLARAÇÕES DO OFENDIDO ..................................................................................................................... 66

XIII. RECURSOS ............................................................................................................................................................. 69

1. PRINCÍPIOS .......................................................................................................................................................... 69

2. EFEITOS DOS RECURSOS ...................................................................................................................................... 69

3. Recurso de ofício (reexame necessário) .............................................................................................................. 69


4. RECURSOS EM ESPÉCIE........................................................................................................................................ 70

4.1. Apelação ..................................................................................................................................................... 70

4.2. RESE (Recurso em Sentido Estrito) .............................................................................................................. 70

4.3. Agravo em execução (art. 197, da Lei de execuções penais) ....................................................................... 71


4.4. Embargos infringentes ................................................................................................................................. 71

4.5. Embargos de declaração.............................................................................................................................. 72

4.6. Carta Testemunhável................................................................................................................................... 72


4.7. Recurso Ordinário Constitucional (R.O.C).................................................................................................... 72

4.9. Recurso Especial (art. 105, III, CF) ................................................................................................................ 73

4.10. Recurso Extraordinário (art. 102,III CF) ..................................................................................................... 73


IX. AÇÕES AUTÔNOMAS IMPUGNATIVAS .................................................................................................................... 73

1. HABEAS CORPUS (“Traga-me o Corpo”) .............................................................................................................. 73

1.1. Rito do Habeas Corpus ................................................................................................................................ 73

1.2. Hipóteses de Cabimento (Art. 647/648 do CPP).......................................................................................... 74


2. MANDADO DE SEGURANÇA NA ÁREA CRIMINAL ................................................................................................ 74

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- Direito Processual Penal -

I. PRINCÍPIOS DO PROCESSO PENAL


1. “NEMO TENETUR SE DETEGERE” – PROIBIÇÃO DE PROVA CONTRA SI MESMO

1.1. LOCALIZAÇÃO: Este princípio não está expresso na CF, mas dele decorre o direito de ficar
calado, previsto no artigo 5º, LXIII, da Constituição Federal ("o preso será informado de seus
direitos, entre os quais o de permanecer calado,...").

LXIII - o preso será informado de seus direitos,


entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe
assegurada a assistência da família e de
advogado;

ATENÇÃO: O Pacto de San José da Costa Rica – Convenção Americana de Direitos Humanos
(1969) (introduzido no Brasil pelo Decreto Federal n. 678/92) previu expressamente este
princípio: “Toda pessoa tem o direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-
se culpada”. O pacto tem caráter supra-legal.

1.2. FUNÇÃO: A principal função do princípio nemo tenetur se detegere é proteger o acusado
no momento da produção das provas, não permitindo que seja violado além do direito ao
silêncio, mas também outros direitos do acusado, tais como a dignidade humana, a honra e a
intimidade.
 No sistema brasileiro, admite-se que o indiciado ou réu minta, que negue relação com o
fato, que cale a verdade, que fantasie, que amolde versões aos seus interesses.
 São proibidas intervenções corporais ou colaborações ativas sem concordância do acusado.
 Colaborações passivas são permitidas. Ex.: reconhecimento.

Trocando em miúdos: ninguém é obrigado a confessar crime de que seja acusada


ou colaborar com o Estado (Polícia Judiciária e Ministério Público) para o
descobrimento de um crime de que se é acusado ou do qual se possa vir a ser
acusado. Sobre o Estado, no sistema acusatório, recaem o ônus da prova e a
missão de desfazer a presunção de inocência que vigora em favor do acusado, sem
esperar qualquer colaboração de sua parte.

2. PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL (ART. 5º, LIV DA CF).

LIV - ninguém será privado da liberdade ou de


seus bens sem o devido processo legal;

Consoante à construção jurisprudencial da Suprema Corte norte americana, o devido processo


legal (due process of law), tem uma acepção procedimental ou formal (procedural due process)
e outra substancial ou material (substantive due process).
• Devido processo procedimental ou formal: As leis devem ser obedecidas, deve-se
assegurar o regular e justo andamento do processo judicial cumprindo as normas

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dispostas em Lei. É a soma de todos os direitos e garantias aplicados ao processo, que


as vezes estão expressos e outras estão implícitos.
o direito expresso na CF  contraditório art.5º, LV, CF.
o direito implícito na CF  o direito de recorrer.
• Devido processo substancial ou material: Há limites para a atividade do legislador.
o "a essência do substantive due process of law reside na necessidade de proteger os
direitos e as liberdades das pessoas contra qualquer modalidade de legislação que se
revele opressiva ou destituída do necessário coeficiente de razoabilidade" (STF,
ADIMC-1755/DF, rel. Ministro CELSO DE MELLO).

2. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA (ART. 5º, LV DA CF)

LV - aos litigantes, em processo judicial ou


administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com
os meios e recursos a ela inerentes;

 É aplicado ao processo judicial e ao processo administrativo.


2.1. Contraditório (também chamado de audiência bilateral): é a soma de uma informação
necessária + reação possível, ou seja, a necessária ciência, por ambas as partes, do que se faz
ou que se pretende que seja feito no processo e possibilidade de cooperar e contrariar.
*Informação necessária: as partes devem ser informadas sobre tudo o que ocorre no processo.

2.2. Ampla Defesa: Possui dupla manifestação.

Direitos de:
Presença

• Auto-defesa Audiência É RENUNCIÁVEL!

Postular pessoalmente

• Defesa Técnica: exercida por profissional habilitado perante a OAB. É IRRENUNCIÁVEL!

ATENÇÃO: Cuidado com o disposto no Art. 185, §2º, CPP:


§ 2o Excepcionalmente, o juiz, por decisão
fundamentada, de ofício ou a requerimento das
partes, poderá realizar o interrogatório do réu
preso por sistema de videoconferência ou outro
recurso tecnológico de transmissão de sons e
imagens em tempo real, desde que a medida seja
necessária para atender a uma das seguintes
finalidades: (Redação dada pela Lei nº 11.900, de
2009)
I - prevenir risco à segurança pública,
quando exista fundada suspeita de que o preso
integre organização criminosa ou de que, por
outra razão, possa fugir durante o deslocamento;

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II - viabilizar a participação do réu no


referido ato processual, quando haja relevante
dificuldade para seu comparecimento em juízo, por
enfermidade ou outra circunstância pessoal;
III - impedir a influência do réu no
ânimo de testemunha ou da vítima, desde que não
seja possível colher o depoimento destas por
videoconferência, nos termos do art. 217 deste
Código; (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009)
IV - responder à gravíssima questão de
ordem pública. (Incluído pela Lei nº 11.900, de
2009)

3. PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL (ART. 5º, INCISOS XXXVII E LIII DA CF)

XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;

LIII - ninguém será processado nem sentenciado


senão pela autoridade competente;

- É a proibição do Tribunal de Exceção.


*Tribunal de Exceção: criado para julgar um fato específico ou uma pessoa específica.

- Toda pessoa tem o direito de ser julgada pelo juiz competente.

4. PRINCÍPIO DO ESTADO DE INOCÊNCIA OU PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (ART. 5º, LVII


DA CF)

LVII - ninguém será considerado culpado até o


trânsito em julgado de sentença penal
condenatória;

- A prisão processual (decretada no curso do processo) é excepcional.


- O uso de algemas é excepcional - Súmula Vinculante nº 11 do STF.
OBS.: Art. 5º, LVII - O civilmente identificado submetido à identificação criminal, salvo nas
hipóteses previstas em lei.
- Ressalvas Lei 10.054/00 – Ex.: foto muito antiga.
Art. 3o O civilmente identificado por documento original
não será submetido à identificação criminal, exceto
quando:
I – estiver indiciado ou acusado pela prática de
homicídio doloso, crimes contra o patrimônio praticados
mediante violência ou grave ameaça, crime de receptação
qualificada, crimes contra a liberdade sexual ou crime
de falsificação de documento público;
II – houver fundada suspeita de falsificação ou
adulteração do documento de identidade;

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III – o estado de conservação ou a distância temporal da


expedição de documento apresentado impossibilite a
completa identificação dos caracteres essenciais;
IV – constar de registros policiais o uso de outros
nomes ou diferentes qualificações;
V – houver registro de extravio do documento de
identidade;
VI – o indiciado ou acusado não comprovar, em quarenta e
oito horas, sua identificação civil.

II. SISTEMAS PROCESSUAIS PENAIS


1. ACUSATÓRIO

- Há separação de funções. É contraditório, público, imparcial, assegura ampla defesa; há


distribuição das funções de defender, de acusar e de julgar a órgãos distintos.
- Segundo o STF é o sistema adotado no ordenamento brasileiro.
Ressalta-se, contudo, que a Lei de Combate ao Crime Organizado (Lei 9.034/95) prevê a hipótese de
diligências realizadas pessoalmente pelo juiz ainda na fase do inquérito, como a violação de sigilos
preservados pela Constituição ou pela lei.

2. INQUISITIVO

- Não há separação de funções: julgador e acusador são as mesmas pessoas. É sigiloso, não
contraditório e reúne na mesma pessoa as funções de acusar, defender e julgar. O réu é mero
objeto de persecução. A tortura é aceita.

3. MISTO

- Há uma fase inicial inquisitiva, na qual se procede a uma investigação preliminar e uma
instrução preparatória, e uma fase final, em que se procede ao julgamento com todas as
garantias do processo acusatório.

OBS.: todos os princípios “bons” (contraditório, ampla defesa etc.) são ligados ao sistema
acusatório.

III. LEI PROCESSUAL NO TEMPO


1. ART. 2º, CPP: A LEI PENAL NÃO RETROAGE.

(retroage = significa agir para trás = efeito ex tunc)

Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á desde


logo, sem prejuízo da validade dos atos
realizados sob a vigência da lei anterior.

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2. PRINCÍPIO DO EFEITO IMEDIATO (“TEMPUS REGIT ACTUM”)

– O tempo rege o ato.


• A nova lei processual será aplicada a todos os processos em curso, não importando se
beneficia ou não o réu.

3. TEORIA DO ISOLAMENTO DOS ATOS PROCESSUAIS.

• Os atos processuais já praticados permanecerão válidos.

Atos anteriores Vale pra frente


são válidos
Processo

LEI NOVA

PEGADINHA!: A lei processual NÃO retroage em favor do réu. A lei material SIM!

4. CONFLITO DE LEIS PROCESSUAIS NO TEMPO

ATENÇÃO: NORMA MISTA – art. 366, CPP.

Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não


comparecer, nem constituir advogado, ficarão
suspensos o processo e o curso do prazo
prescricional, podendo o juiz determinar a
produção antecipada das provas consideradas
urgentes e, se for o caso, decretar prisão
preventiva, nos termos do disposto no art. 312.

- É ao mesmo tempo uma norma de direito processual e de direito material (penal).


- Neste caso usa-se o sistema de direito penal material, ou seja, se a nova norma for mista e
for benéfica ao réu, ela retroagirá!

IV. INQUÉRITO POLICIAL


1. CONCEITO

É um procedimento administrativo voltado para a apuração de fato criminoso e de sua


autoria.

2. CARACTERÍSTICAS DO IP

a) Obrigatoriedade: é obrigatório para a autoridade policial, pelo dever de agir.


b) Dispensabilidade: é dispensável quanto á ação penal.
c) Inquisitivo: não possui contraditório. (art. 14, CPP)

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OBS.: Descabe falar em NULIDADES no IP, uma vez que é um procedimento administrativo, de
caráter preliminar e informativo, cujos vícios são considerados meras IRREGULARIDADES.

IMPORTANTE!  - As partes podem requerer oitiva de testemunhas no IP? – Sim.

Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal,


e o indiciado poderão requerer qualquer
diligência, que será realizada, ou não, a juízo
da autoridade.

d) Sigiloso: o sigilo não vale para o advogado. (Súmula Vinculante 14)

SÚMULA VINCULANTE Nº 14 - STF

É DIREITO DO DEFENSOR, NO INTERESSE DO


REPRESENTADO, TER ACESSO AMPLO AOS ELEMENTOS DE
PROVA QUE, JÁ DOCUMENTADOS EM PROCEDIMENTO
INVESTIGATÓRIO REALIZADO POR ÓRGÃO COM
COMPETÊNCIA DE POLÍCIA JUDICIÁRIA, DIGAM RESPEITO
AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA.

e) Escrito: os termos do inquérito são escritos.


f) Indisponível: significa que o delegado não pode arquivar o IP (quem tem esta prerrogativa é
o juiz a pedido do promotor).

3. INSTAURAÇÃO DO IP

a) Ação Penal Pública Incondicionada


• de ofício;
• requisição feita pelo MP ou da magistratura.
o Regra: delegado deve atender ao requerimento.
o Exceção: quando a ordem for manifestamente ilegal, o delegado não é obrigado a
atender.

• REQUERIMENTO do ofendido:
o Se o delegado indeferir o pedido de instauração, caberá reclamação ao chefe
de polícia.
b) Ação Penal Pública Condicionada a Representação
• É autorizada pelo ofendido mediante REPRESENTAÇÃO.
• O delegado não poderá instaurar IP de ofício, somente mediante requerimento do
ofendido.
 Depende de manifestação do ofendido.
c) Ação Penal Privada

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• Não pode ser instaurado de ofício.


• Por REQUERIMENTO do ofendido, a autoridade policial poderá deferir ou não a
instauração do IP. (Se o delegado indeferir o pedido de instauração cabe reclamação
ao chefe de polícia).
 Depende de manifestação do ofendido.

4. DESENVOLVIMENTO DO IP

4.1. Prazo do IP

Modalidade de IP PRESO SOLTO *Dicas para gravar

Regra Geral 10 dias 30 dias Que horas o delegado chega?

Justiça Federal* 15 dias 30 dias Que horas o del. federal sai?

Tráfico de Drogas* 30 dias 90 dias 30 - 90

IP Militar 20 dias 40 dias Jornal nacional

Crimes contra a 10 dias 10 dias Relógio do comercial


economia popular

*Únicas hipóteses em que o IP do indiciado preso pode ser prorrogado.

OBS.: Todo inquérito de indiciado solto pode ser prorrogado.

4.2. Encerramento do IP
- Ao final do IP a autoridade policial fará um relatório resumindo as diligências empreendidas
durante a investigação e o encaminha ao juiz (art. 10, § 1º, CPP).

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de


10 dias, se o indiciado tiver sido preso em
flagrante, ou estiver preso preventivamente,
contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia
em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo
de 30 dias, quando estiver solto, mediante fiança
ou sem ela.

§ 1º A autoridade fará minucioso relatório do que


tiver sido apurado e enviará autos ao juiz
competente.

- O juiz, recebendo os autos do IP, verifica:


• Se Ação Penal Pública  encaminha ao MP.

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• Se Ação Penal Privada  remete os autos ao cartório para aguardar iniciativa do


ofendido.

QUESTÕES SOBRE O TEMA


1. (OAB/CESPE – 2007.3.PR) Acerca das garantias constitucionais referentes aos direitos processual e
penal, assinale a opção correta.
a) São imprescritíveis, entre outros, os crimes de racismo, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes,
terrorismo e os definidos como hediondos.
b) Os princípios do contraditório, ampla defesa, devido processo legal, vedação das provas ilícitas e
publicidade têm expressa previsão constitucional.
c) A violação do sigilo das comunicações telefônicas pode ocorrer por ordem judicial, para fins de
investigação criminal, instrução processual penal ou civil.
d) A busca e apreensão em domicílio podem ocorrer durante o dia ou à noite, desde que mediante
determinação judicial.

2. (OAB/CESPE – 2007.3) Com relação ao inquérito policial, assinale a opção correta.


a) É indispensável a assistência de advogado ao indiciado, devendo ser observadas as garantias
constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
b) A instauração de inquérito policial é dispensável caso a acusação possua elementos suficientes para a
propositura da ação penal.
c) Trata-se de procedimento escrito, inquisitivo, sigiloso, informativo e disponível.
d) A interceptação telefônica poderá ser determinada pela autoridade policial, no curso da investigação,
de forma motivada e observados os requisitos legais.

3. (OAB CESPE 2008.3) Com base no CPP, assinale a opção correta acerca do inquérito policial.
a) O MP, caso entenda serem necessárias novas diligências, por considerá-las imprescindíveis ao
oferecimento da denúncia, poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial.
b) Se o órgão do MP, em vez de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial, o
juiz determinará a remessa de oficio ao tribunal de justiça para que seja designado outro órgão de MP
para oferecê-la.
c) A autoridade policial, caso entenda não estarem presentes indícios de autoria de determinado crime,
poderá mandar arquivar autos de inquérito.
d) Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a
denúncia, a autoridade policial não poderá proceder a novas pesquisas, ainda que tome conhecimento
de outras provas.

GABARITO:
1.B; 2.B; 3.A.

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V. CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA


- Titular  MP (art. 129, I, CF)
Art. 129. São funções institucionais do
Ministério Público:
I - promover, privativamente, a ação penal
pública, na forma da lei;

Havendo indícios de
autoria e prova da Denúncia
materialidade

MP
Não havendo base Requer diligências
pra denúncia complementares

NÃO SIM

Requer (ao juiz) Denúncia


arquivamento

Juiz

Discorda Concorda

Procurador Arquiva
Geral

Concorda Concorda Discorda

Denúncia Designa outro Insistir no


membro do MP arquivamento
para oferecer (o juiz está
denúncia (que obrigado ao
não seja aquele arquivamento).
que requereu o
arquivamento

- Com os autos de IP em mãos, o MP poderá propor a ação pública por meio de denúncia, se
verificar os indícios de autoria e prova de materialidade do crime. Fiscalizando os atos
processuais e observando a lei – (art. 100, § 1º do CP).

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§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério


Público, dependendo, quando a lei o exige, de
representação do ofendido ou de requisição do
Ministro da Justiça.

- Não havendo base para ação penal, o MP poderá requerer diligências complementares (art.
16, CPP). Nessa hipótese devolve o IP para o delegado, que irá proceder às novas diligências.

Art. 16. O Ministério Público não poderá


requerer a devolução do inquérito à autoridade
policial, senão para novas diligências,
imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.

- Se o MP entender que não há base para Ação Penal Pública, poderá requerer ao juiz o
arquivamento dos autos de IP.

OBS.: O delegado nunca arquiva IP, o MP é quem requer o arquivamento, que pode ser
deferido ou não pelo juiz.

- O juiz, concordando com o MP, poderá deferir o requerimento do MP. Se discordar da


opinião do MP, o juiz remeterá os autos de IP ao Procurador Geral “jus sperniandi” (art. 28,
CPP), que irá decidir se há ou não base para a proposição da ação penal.

Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao


invés de apresentar a denúncia, requerer o
arquivamento do inquérito policial ou de
quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de
considerar improcedentes as razões invocadas,
fará remessa do inquérito ou peças de informação
ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia,
designará outro órgão do Ministério Público para
oferecê-la, ou insistirá no pedido de
arquivamento, ao qual só então estará o juiz
obrigado a atender.

O procurador Geral tem três opções:


1) Oferecer denúncia, diretamente (se concordar com o juiz entender que há base
para ação penal);
2) Designar outro membro do MP (e não aquele que requereu o arquivamento) para
oferecer denúncia em seu lugar;
3) Se o Procurador Geral entender que não há base para ação, irá insistir (concordando
com o MP) no arquivamento e o juiz estará obrigado ao arquivamento do IP.

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OBS.: O MP poderá propor ação penal oferecendo denúncia de inquérito já arquivado nas
seguintes condições:
• Se surgirem novas provas que a fundamentem;
• Essas novas provas surjam antes de extinta a punibilidade.
SÚMULA STF Nº 524
Arquivado o inquérito policial, por despacho do
juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não
pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.

VI. CRIMES DE AÇÃO PENAL PRIVADA


- Art. 19, CPP

Art. 19. Nos crimes em que não couber ação


pública, os autos do inquérito serão remetidos ao
juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do
ofendido ou de seu representante legal, ou serão
entregues ao requerente, se o pedir, mediante
traslado.

- O IP ficará em juízo aguardando iniciativa (queixa) do ofendido ou poderá ser entregue ao


ofendido mediante traslado (cópia), se assim o pedir.

VII. AÇÃO PENAL


 Conceito: É o direito de invocar-se o Poder Judiciário no sentido de aplicar o direito
penal objetivo.

1. ESPÉCIES:

1.1. Quanto à pretensão ou ao seu conteúdo

conhecimento cautelar executiva

condenatória declaratória constitutiva

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1.2. Quanto à titularidade


ação penal

pública privada

condicionada incondicionada exclusiva subsidiária da púb. personalíssima

à requisição do MJ à representação

Diferenciam-se pelo sujeito que a promove


2. AÇÃO PENAL PÚBLICA X AÇÃO PENAL PRIVADA

Pública Privada

- Titular: MP, mediante denúncia. - Titular: em regra o ofendido, mediante queixa-


crime.
Pode ser:
*Poderá ser ajuizada pelo representante legal
• Incondicionada – regra, iniciativa livre do (profissional habilitado pela OAB) ou CADI (sucessores:
MP. cônjuge, ascendentes, descendentes, irmão).
• Condicionada, por meio de: - Subdivide-se em três tipos:
o Representação do ofendido; • Comum ou exclusivamente privada:
o Requisição do Ministro da Nunca poderá ser proposta pelo MP.
Justiça. • Subsidiária: ofendido e MP podem
*Representação é a manifestação de vontade do figurar como autores da ação.
ofendido ou de seu representante penal, no sentido o Surge se no crime de APPública o
de movimentar-se o jus persequandi in juditio. MP permanece inerte não
- Regra: a regra da ação pública é ser respeitando o prazo definido para
incondicionada, salvo se, no próprio artigo há oferecimento da denúncia, é
permitido ao ofendido oferecer
indicação de hipótese de ação condicionada à
queixa subsidiária para iniciar a
representação (ex.: art. 147, parágrafo único, CP / ação penal.
art. 145, parágrafo único, CP):
• Personalíssima: somente o ofendido
Ameaça
Art. 147 - Ameaçar alguém, poderá propor a ação, ninguém em seu
por palavra, escrito ou lugar.
gesto, ou qualquer outro
o Existe apenas um caso em que
meio simbólico, de causar-
lhe mal injusto e grave: caberá essa ação, a do art. 236,
(...) parágrafo único, CP:
Parágrafo único - Somente (induzimento ou ocultação de
se procede mediante impedimento ao casamento –
representação.
crime contra a família).
- Ação mediante queixa: art. 225, CP (art. 213, CP).
Retratação Ex.: Estupro, atentado violento ao pudor.
(...)
Art. 145 - Nos crimes
previstos neste Capítulo
somente se procede
mediante queixa, salvo

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quando, no caso do art.


140, § 2º, da violência
resulta lesão corporal.
Parágrafo único - Procede-
se mediante requisição do
Ministro da Justiça, no
caso do n.º I do art. 141,
e mediante representação
do ofendido, no caso do
n.º II do mesmo artigo.

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3. PRINCÍPIOS QUE REGEM A AÇÃO PENAL

AÇÃO PENAL PÚBLICA AÇÃO PENAL PRIVADA

Quanto a propositura: Quanto a propositura:


1 - Princípio da Obrigatoriedade: O MP está 1 - Princípio da Conveniência ou Oportunidade:
obrigado a oferecer denúncia, desde que haja Mesmo que tenha base para a ação, o ofendido
base para a mesma. (art. 24, CPP). não está obrigado a apresentar queixa,
ajuizando-a se quiser.
Art. 24. Nos crimes de ação pública,
esta será promovida por denúncia do - Pode se dar de 2 formas:
Ministério Público, mas dependerá,
quando a lei o exigir, de requisição • Renúncia (fazer) do direito de queixa;
do Ministro da Justiça, ou de
representação do ofendido ou de quem • Decadência (não-fazer) do direito de
tiver qualidade para representá-lo. queixa (seis meses)
- Ex.: Art. 103/104, CP:
Art. 103 - Salvo disposição expressa
em contrário, o ofendido decai do
direito de queixa ou de representação
se não o exerce dentro do prazo de 6
(seis) meses, contado do dia em que
veio a saber quem é o autor do crime,
ou, no caso do § 3º do art. 100 deste
Código, do dia em que se esgota o
prazo para oferecimento da denúncia
Art. 104 - O direito de queixa não
pode ser exercido quando renunciado
expressa ou tacitamente.

2 - Princípio da Indisponibilidade: o MP não 2 - Princípio da Disponibilidade: o ofendido, após


poderá desistir da ação penal pública (deverá exercer o direito de queixa no prazo decadencial e
seguir até o final, não estando obrigado a instaurada ação penal, poderá dispor da ação
requerer a condenação). Art. 42, CPP: penal oferecendo:

Art. 42. O Ministério Público não • perdão (art. 105, CP) ou


poderá desistir da ação penal.
• dando causa à perempção (prevê
desinteresse do querelante) (art. 60,
*Nas alegações finais o MP pode requerer a CPP).
condenação ou opiniar pela absolvição (Art. 385, Obs.: O perdão do ofendido é BILATERAL, uma vez que
CPP). depende de aceitação por parte do querelado.

Art. 385. Nos crimes de ação pública, • Perdão aceito  extinção da punibilidade.
o juiz poderá proferir sentença
condenatória, ainda que o Ministério • Perdão recusado  ação prossegue até o
Público tenha opinado pela absolvição, final.
bem como reconhecer agravantes, embora
nenhuma tenha sido alegada. OBS.: Art. 106, CP
Art. 106 - O perdão, no processo ou
fora dele, expresso ou tácito:
I - se concedido a qualquer dos
querelados, a todos aproveita.

3 - Princípio da Intranscendência: Segundo esse principio a ação penal não pode passar de quem
cometeu o fato, ou seja, a ação penal só pode ser interposta contra quem se imputa o fato criminoso.

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(Art. 5º, XLV da CF).

XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado,


podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas
aos sucessores e contra eles executadas, até o limite
do valor do patrimônio transferido;

4 - Princípio Divisível = dividir a ação entre 4 - Princípio Indivisível: Art. 48 CPP


sujeitos distintos.
• Pressupostos: Crime cometido em
• Pressupostos: concurso de agentes concursos de agentes.
(se mais de um concorre para
Ex.: Se o ofendido tiver conhecimento de todos,
mesma ação penal).
não poderá mover ação penal privada contra
Ex.: Temos 3 sujeitos indiciados. apenas um em detrimento dos outros.
No entanto só tem base para propor ação contra Se não incluir um dos acusados, é caso de
2 deles. renúncia tácita do direito de queixa (art. 104, §
único do CP).
Quando houver indício de autoria contra o 3º,
basta o MP aditar a denúncia para incluí-lo na Renúncia expressa ou tácita do
direito de queixa
mesma ação penal.
Art. 104 - O direito de queixa não
Se não conseguir indício de autoria contra o 3º só pode ser exercido quando renunciado
resta requerer arquivamento para este, pois por expressa ou tacitamente.

que não tem base de ação penal. Parágrafo único - Importa renúncia
tácita ao direito de queixa a prática
Porém, continua a ação contra o 1º e 2º. de ato incompatível com a vontade de
exercê-lo; não a implica, todavia, o
Ou seja, esse princípio pode se dividir no seu fato de receber o ofendido a
nascedouro. indenização do dano causado pelo
crime.

OBS.: Art. 49 CPP = Estende-se aos demais.

Art. 49. A renúncia ao exercício do


direito de queixa, em relação a um dos
autores do crime, a todos se
estenderá.

Inclui todos na ação, pois a ação é proposta


contra todos, não pode-se escolher quem vai ser
processado, para evitar mau uso do processo.

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Questões importantes: (extra aula)


Ofensa Propter Officium. Tratando-se de ofensa dirigida a juiz de direito em razão de seu ofício,
a ação penal pode ser iniciada pelo próprio ofendido, ou pelo Ministério Público mediante
representação. Esse é o novo posicionamento do STF, a partir do inquérito 726 (rel. Min.
Sepúlveda Pertence).
Ação Penal Popular. A Lei 1.059/50 prevê a ação penal popular, através da qual "qualquer
cidadão" é parte legítima para denunciar as autoridades nela indicadas por "crimes de
responsabilidade" (Presidente da República, Vice-Presidente da República, Ministros de Estado,
Procurador Geral da República, Ministros do Supremo Tribunal Federal, Governadores de Estado
e Secretário de Estado). Ressalte-se que a natureza desta "denúncia" não é bem de ação penal, mas
de mera notitia criminis. Ademais, a própria natureza "penal" dos crimes de responsabilidade é
questionável. Trata-se, na verdade, de infração ou delitos políticos, cuja sanção é estritamente
política (perda do cargo e inabilitação temporária para o exercício de cargos ou funções públicas).
Inimputabilidade. A inimputabilidade não se apresenta como impedimento ao processamento da
ação penal, devendo esta ter andamento com nomeação de curador (art. 151 do CPP).
Ação Penal nos Crimes contra a Ordem Tributária. Prescreve o art. 83 da Lei 9430/96: "A
representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts.
1.º e 2.º da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1.990, será encaminhada ao Ministério Público após
proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a existência fiscal do crédito tributário
correspondente". Com a promulgação dessa lei, discutiu-se se a ação penal nos crimes contra a
ordem tributária ainda seria pública incondicionada, podendo ser proposta pelo MP
independentemente da representação fiscal da autoridade administrativa ou se, ao contrário, estaria
condicionada à referida representação (argüindo-se, neste último caso, a inconstitucionalidade da
norma, pois se estaria retirando do MP a privatividade da ação penal pública). Julgando a matéria,
decidiu o Supremo que a norma não é inconstitucional, porquanto: a) dirige-se tão somente à
autoridade administrativa, indicando o momento em que será oferecida a representação; b) não
retira do MP a possibilidade de, independentemente de tal representação, propor desde logo a ação
penal pública. A meu ver, o oferecimento de denúncia pela prática de crime tributário
anteriormente ao término da discussão administrativa sobre a existência, validade ou quantidade do
crédito tributário, embora seja possível, conforme entendimento do STF, por certo se caracteriza
como ato temerário e, muitas vezes, implicará em abuso de autoridade.

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QUESTÕES SOBRE O TEMA


1. (OAB/CESPE – 2006.3) Assinale a opção correta acerca da ação penal.
A) Em se tratando de crime de ação penal pública condicionada, exige-se rigor formal na representação
do ofendido ou de seu representante legal.
B) O perdão do ofendido, seja ele expresso ou tácito, pode ser causa de extinção da punibilidade nos
crimes que se apuram por ação penal pública condicionada.
C) A representação será retratável depois de oferecida a denúncia.
D) Nos crimes contra os costumes, uma vez atestada a pobreza da vítima pela autoridade policial ou por
outros meios de prova, a ação penal passa a ser pública condicionada à representação, tendo o
Ministério Público legitimidade para oferecer a denúncia.

2) (OAB/CESPE – 2006.1) Com relação à ação penal, é correto afirmar que


A) a Constituição da República deferiu ao Ministério Público o monopólio da ação penal pública.
B) o inquérito policial é obrigatório e indispensável para o exercício da ação penal.
C) o princípio da indivisibilidade aplica-se à ação penal pública, já que o oferecimento da denúncia
contra um dos acusados impossibilita posterior acusação de outro envolvido.
D) o prazo para a ação penal privada é de seis meses, estando sujeito a interrupções e suspensões.

3) (OAB/CESPE – 2004.ES) Assinale a opção correta quanto à ação penal.


A) Na ação penal pública condicionada, a representação será retratável até a prolação da sentença de
primeiro grau.
B) A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a declare privativa do ofendido.
C) O direito de queixa, nas ações penais privadas, não pode ser renunciado, pois é direito
personalíssimo.
D) Admite-se o perdão do ofendido, nos crimes de ação penal privada, em qualquer tempo e grau de
jurisdição.

4) (OAB/CESPE - EXAME 136º) - Assinale a opção correta acerca da ação penal.


A) Se, em qualquer fase do processo, o juiz reconhecer extinta a punibilidade, deverá aguardar o
requerimento do MP, do querelante ou do réu, apontando a causa de extinção da punibilidade, para
poder declará-la.
B) A renúncia ao exercício do direito de queixa, em relação a um dos autores do crime, não se estende
aos demais agentes.
C) A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará ao processo de todos, e o MP velará pela sua
indivisibilidade.
D) O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos, inclusive ao querelado que o recusar.

GABARITO: 1.D; 2. A; 3. B; 4. C.

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4. AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA

 Começa com denúncia promovida pelo MP.

O MP necessita ser previamente autorizado a oferecer a denúncia, mediante duas condições,


quais sejam:

a) Representação do ofendido: O ofendido ou seu representante legal, no sentido de ter


interesse em punir o autor do fato, autorizam o Ministério Público iniciar a Ação Penal.

b) Requisição do Ministro da Justiça: A requisição é um ato público, havendo certos crimes em


que a conveniência da persecução penal encontra-se subordinada ao pronunciamento do
Ministro da Justiça, sem o qual o Ministério Público não estará autorizado a promover a
atividade persecutória penal.

4.1. Direito de representação

4.1.1. Representação do Ofendido

1) Quem são seus titulares:

a) Em regra ao ofendido desde que já tenha 18 anos completo;

b) Se o ofendido é menor de 18 anos ou doente mental, esse direito passa para seus
representantes legais (em via de regra, são seus pais).

c) Quando o ofendido é menor que 18 anos ou doente mental, mas não há representante legal
ou existe um conflito de interesse (ex: o patrão estuprou a filha do empregado e ameaça o
empregado que se denunciá-lo vai ser demitido), portanto, o juiz nomeia o Curador Especial
para exercer o direito de representação - Art. 33 do CPP.

Art. 33. Se o ofendido for menor de 18 anos, ou


mentalmente enfermo, ou retardado mental, e não
tiver representante legal, ou colidirem os
interesses deste com os daquele, o direito de
queixa poderá ser exercido por curador especial,
nomeado, de ofício ou a requerimento do
Ministério Público, pelo juiz competente para o
processo penal.

d) O ofendido morre ou declarado judicialmente ausente  Nesse caso o direito de


representação se faz pelo CADI = Cônjuge; Ascendente; Descendente ou Irmão.

2) Prazo para exercer o direito de representação:

• Decadencial (Art. 38 CPP e Art. 103 CP)


o 6 meses contados do conhecimento da autoria dos fatos.

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Art. 38. Salvo disposição em contrário, o


ofendido, ou seu representante legal, decairá no
direito de queixa ou de representação, se não o
exercer dentro do prazo de seis meses, contado do
dia em que vier a saber quem é o autor do crime,
ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar
o prazo para o oferecimento da denúncia.

Art. 103 - Salvo disposição expressa em


contrário, o ofendido decai do direito de queixa
ou de representação se não o exerce dentro do
prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que
veio a saber quem é o autor do crime, ou, no caso
do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que
se esgota o prazo para oferecimento da denúncia.

OBS.: Prescrição  começa da data da consumação do crime (Art. 111, I, CP).

Obs: Em penal temos:


Decadência Prescrição
- Pertence ao ofendido ou seu representante - Só se aplica contra o Estado;
legal;
- Atinge todos os tipos de ação penal.
- Só se aplica aos direitos de representação
(A.P.Pública Condicionada) ou

- Direitos de queixa (A.P.Privada).


*NUNCA haverá decadência em crimes de Ação Penal Pública Incondicionada.

3) Direito de Retratação da Representação (Art. 25, CPP)

- Caberá retratação, desde que feita antes do oferecimento da denúncia (6 meses).

Art. 25. A representação será irretratável,


depois de oferecida a denúncia.

- Exceção: Lei Maria da Penha (Lei de violência doméstica ou familiar contra a mulher) – Art.
16, Lei 11.340/06.

Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas


à representação da ofendida de que trata esta
Lei, só será admitida a renúncia à representação
perante o juiz, em audiência especialmente
designada com tal finalidade, antes do
recebimento da denúncia e ouvido o Ministério
Público.

- Retratação da retratação: A retratação, uma vez realizada, não gera extinção da


punibilidade, podendo o ofendido oferecer nova representação, se ainda estiver em curso o
prazo decadencial.

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4.1.2. Requisição do Ministro da Justiça

1) Titular: Ministro da Justiça.

2) Prazo: Não há prazo, o CPP é omisso a respeito. Assim, entende-se que poderá ser exercida
a qualquer tempo, enquanto não houver a extinção da punibilidade.

3) Hipóteses:

a) Crime contra honra do Presidente da Republica ou chefe de governo estrangeiro (Art.


145, § único, CP);
b) Crime contra honra do Presidente da República ou Chefe do governo (previsto na lei de
imprensa – não está vigente);
c) Código Penal - Art. 7º, § 3º, “b”- Extraterritorialidade – aplicação da lei brasileira à
fatos praticados fora do Brasil.

Representação do ofendido Requisição do Ministro da Justiça

- Titulares: - Titular: Ministro da Justiça.

• O ofendido (em regra), desde que c/ 18 - Prazo: Não há prazo, poderá ser exercida a qualquer
anos completos; tempo, enquanto não houver a extinção da
punibilidade.
• Se o ofendido < 18 anos ou doente
mental: 3) Hipóteses:
o representantes legais (em
regra são os pais). a) Crime contra honra do Presidente da
• Se o ofendido < 18 anos ou doente Republica ou chefe de governo estrangeiro;
mental, e ainda: b) Crime contra honra do Presidente da
o não há representante legal ou República ou Chefe do governo - lei de
imprensa – não vigente);
o existe um conflito de interesse
c) Extraterritorialidade – aplicação da lei
o  Curador Especial (Art. 33 do brasileira à fatos praticados fora do Brasil.
CPP).
• Se o ofendido morre/ausente

o CADI (Cônjuge; Ascendente;


Descendente ou Irmão)
mediante denúncia.

- Prazo:

• Decadencial (6 meses da autoria)

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VIII. AÇÃO CIVIL “EX DELICTO”


Ex delicto = proveniente de um delito

1. INTRODUÇÃO

Verificado no mundo naturalístico a ocorrência de um delito, surge ao ofendido o


direito de obter a reparação, isto porque todo ilícito penal é igualmente civil. Ao
entendimento da separação da jurisdição em civil e penal, e da independência entre estas, o
dever de indenizar não depende apenas da efetiva condenação penal, daí, ao dizer do Prof.
Vicente Greco Filho, "a possibilidade de dois tipos de ação civil ex delicto: a ação de
conhecimento, de natureza condenatória, e a execução da sentença penal condenatória
transitada em julgado".

Temos então que: o ilícito penal  sempre implica um ilícito civil, de sorte a suscitar
a pretensão ao ressarcimento do dano civil porventura suportado pelo ofendido em razão
da infração penal.

Uma infração penal proveniente de um delito, pode ensejar o surgimento da pretensão


de reparação do dano, tendo suporte no Direito Civil, na teoria da responsabilidade civil
por ato ilícito.

2. INDEPENDÊNCIA ENTRE AS INSTÂNCIAS PENAL E CIVIL

A responsabilidade civil é independente da criminal. Pelo nosso sistema, que é o da


independência, as jurisdições civil e criminal são independentes entre si; não há precedência,
tanto pode a ação civil preceder a criminal, como esta àquela; como serem propostas ao
mesmo tempo, oriundas da mesma fonte, nascidas do mesmo ato. Contudo, a independência
das ações é compensada pela atribuição de eficácia civil às sentenças penais, condenatórias ou
absolutórias.

3. EFEITOS DA CONDENAÇÃO PENAL NA ESFERA CIVIL

a) Antes do trânsito em julgado

A ação civil poderá ser proposta durante a tramitação da ação criminal, caso em que
terá a natureza de ação de conhecimento, em que a culpa do autor do ilícito (ainda não
apurada na ação penal) deverá ser comprovada.
Assim, se o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros desejarem, não
necessitarão aguardar o término da ação penal, podendo ingressar, desde logo, com a ação
civil reparatória.
Na hipótese da ação penal e da cível correrem paralelamente, o juiz, no intuito de
evitar decisões contraditórias, poderá suspender o curso da ação civil, até o julgamento
definitivo da ação penal (Art. 64, parágrafo único, CPP). Esta dependência de julgamento é o
que se denomina de questão prejudicial (Arts. 93 e 94, CPP).

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A ação civil de conhecimento pode ainda ser proposta tão logo o fato ilícito tenha
ocorrido, isto independente da iniciação da persecutio criminis.

Art. 64.
Parágrafo único. Intentada a ação penal, o juiz
da ação civil poderá suspender o curso desta, até
o julgamento definitivo daquela.

Art. 93. Se o reconhecimento da existência da


infração penal depender de decisão sobre questão
diversa da prevista no artigo anterior, da
competência do juízo cível, e se neste houver
sido proposta ação para resolvê-la, o juiz
criminal poderá, desde que essa questão seja de
difícil solução e não verse sobre direito cuja
prova a lei civil limite, suspender o curso do
processo, após a inquirição das testemunhas e

Art. 94. A suspensão do curso da ação penal, nos


casos dos artigos anteriores, será decretada pelo
juiz, de ofício ou a requerimento das partes.

OBS.: Com o trânsito em julgado da ação penal condenatória, torna-se prejudicado o


julgamento da ação civil.

b) Depois do trânsito em julgado


Um dos efeitos da sentença penal condenatória é tornar certa a obrigação de reparar o
dano causado pelo crime (artigo 91, inciso I, do Código Penal).

Art. 91 - São efeitos da condenação: (Redação


dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano


causado pelo crime;

- A sentença penal condenatória transitada em julgado funciona como título executivo judicial
no juízo cível;
- Faz coisa julgada no cível, impedindo a discussão do conteúdo da decisão;
- O ofendido pode obter a reparação do prejuízo sem a necessidade de propor ação civil de
conhecimento, uma vez que já se tem a certeza;
- Nesse caso, a parte requerente somente pleiteará a liquidação do dano para apurar o
quantum, não havendo qualquer discussão sobre a culpa ou sobre o evento, uma vez que essa
matéria já está acobertada pela autoridade da coisa julgada material no juízo criminal;
- De posse da certeza e liquidez poderá então o ofendido ingressar com a ação civil ex delicto
de execução.

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OBS.: Na decisão condenatória penal o juiz pode já fixar o valor mínimo de reparação civil.
Nesse caso, como já se tem certeza e liquidez, pode-se, não havendo questionamentos com
relação ao quantum, partir para a execução direta (Art. 387, IV do CPP).

Art. 387. O juiz, ao proferir sentença


condenatória: (Vide Lei nº 11.719, de 2008)

IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos


causados pela infração, considerando os prejuízos
sofridos pelo ofendido;

4. EFEITOS DA ABSOLVIÇÃO CRIMINAL NA ESFERA EXTRA-PENAL

A absolvição do réu no juízo criminal não faz coisa julgada fora da esfera penal,
qualquer que seja ela (civil, tributária, etc.), ou seja, a sentença penal absolutória não impedirá
o ofendido de exercer a actio civilis ex delicto.
Assim, não impedirão a propositura da ação civil:
• o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação;
• a decisão que julgar extinta a punibilidade;
• a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime;
• a sentença absolutória por insuficiência de provas;
• a sentença absolutória em face de causa excludente de culpabilidade.

Entretanto, em caráter de exceção, não caberá ação civil reparatória, portanto faz coisa
julgada na esfera extra-penal, a sentença absolutória quando:
a) o juiz criminal reconhecer a inexistência material do fato (Art. 66, CPP);

Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no


juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta
quando não tiver sido, categoricamente,
reconhecida a inexistência material do fato.

b) o juiz criminal reconhecer que o sujeito não participou do fato (Art. 386, I, CPP);

Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a


causa na parte dispositiva, desde que reconheça:

IV – estar provado que o réu não concorreu para


a infração penal;

c) o juiz criminal reconhecer uma causa excludente da ilicitude (Art. 64, CP):

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• legítima defesa;
• estado de necessidade;
• exercício regular de direito; ou
• estrito cumprimento do dever legal.

Essas causas excluem a ilicitude penal e civil. Há, entretanto, exceções:


a) no estado de necessidade agressivo, no qual o agente sacrifica bem de terceiro
inocente, ou seja, o prejudicado não teve culpa pela situação de perigo que determinou
a incidência do estado de necessidade, este pode acioná-lo civilmente, restando ao
causador do dano a ação regressiva contra quem provocou a situação de perigo (artigos
929 e 930 do Código Civil de 2002);
b) se o autor agiu acobertado pela legítima defesa putativa (imaginária), a vítima (ou seus
herdeiros) deverão ser indenizados;
o a legítima defesa putativa exclui a culpabilidade ou o dolo, subsistindo a ilicitude do fato.

c) na hipótese de legítima defesa, na qual, por erro na execução/erro de pontaria


(aberratio ictus ou aberratio criminis), vem a ser atingido terceiro inocente, este terá
direito à indenização contra quem o atingiu, ainda que este último estivesse em situação
de legítima defesa, restando-lhe apenas a ação regressiva contra seu agressor (parágrafo
único do artigo 930 c/c o artigo 188, inciso I, do novo Código Civil).

Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença


penal que reconhecer ter sido o ato praticado em
estado de necessidade, em legítima defesa, em
estrito cumprimento de dever legal ou no
exercício regular de direito.

CÓDIGO CIVIL
Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa,
no caso do inciso II do art. 188, não forem
culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à
indenização do prejuízo que sofreram.
Art. 930. No caso do inciso II do art. 188, se o
perigo ocorrer por culpa de terceiro, contra este
terá o autor do dano ação regressiva para haver a
importância que tiver ressarcido ao lesado.

NOTAS:

Em conformidade com o art. 68 do CPP, quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art.
32, §§ 1º e 2º), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a
seu requerimento, pelo Ministério Público, que atuará como substituto processual do ofendido.

É importante obsevar que a moderna jurisprudência vem admitindo a propositura dessa ação pelo
companheiro (união estável) para que este obtenha do autor do ilícito uma reparação pelos danos decorrentes
do homicídio praticado.

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IX. COMPETÊNCIA
1. CONCEITO

Competência é a delimitação do poder jurisdicional (fixa os limites dentro dos quais o


juiz pode prestar a jurisdição). É a medida de jurisdição que aponta quais os casos que podem
ser julgados pelo órgão do Poder Judiciário.

2. FASES OU PASSOS PARA FIXAÇÃO DA COMPETÊNCIA

Os critérios para estabelecer a competência penal, em cada caso concreto, demanda a


observância de uma sequência lógica de critérios abaixo descritos:

1º) Verificar a COMPETÊNCIA DE JUSTIÇA, que divide-se em:


• ESPECIAL:
o Eleitoral: consiste em processar e julgar os crimes eleitorais e os que lhe
forem conexos (Art. 35, II do Código Eleitoral).

Art. 35. Compete aos juizes:


II - processar e julgar os crimes eleitorais e os
comuns que lhe forem conexos, ressalvada a
competência originária do Tribunal Superior e dos
Tribunais Regionais;

 Estrutura:
• Tribunal Superior Eleitoral (Brasília)
• Tribunal Regional Eleitoral (capital do Estado)
• Juiz Eleitoral (Juízes de Direito da Justiça Estadual)

o Militar: possui competência para julgar os crimes militares definidos em lei,


constantes do Código Penal Militar, não cabendo-lhe julgar os crimes
conexos, que serão processados em apartado, perante a Justiça Comum. (Art.
79, I, CPP). Divide-se em Federal e Estadual.

Art. 79. A conexão e a continência importarão


unidade de processo e julgamento, salvo:

I - no concurso entre a jurisdição comum e a


militar;

o do Trabalho: não tem competência criminal.

• COMUM: Federal e Estadual.

o A Justiça Estadual também é conhecida como residual, pois sua competência


compreende o que não for da competência das Justiças Eleitoral, Militar e Federal.

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2º) Verificar a existência de PRERROGATIVA DE FUNÇÃO


É exercida pela pessoa do acusado, pode a competência ser atribuída originariamente a um
Tribunal, não se submetendo o processo e o julgamento da infração penal ao primeiro grau de
jurisdição.

3º) Verificar a COMPETÊNCIA TERRITORIAL (de Foro)


• Justiça estadual: comarca.
• Justiça Federal: seção judiciária.

4º) Verificar a COMPETÊNCIA DE JUÍZO (de Vara)

3. JUSTIÇA COMUM FEDERAL

O artigo 109 da Constituição Federal estabelece os crimes de competência da Justiça


Federal:

a) Crimes políticos
A lei não define o que é crime político. Os doutrinadores estabelecem dois critérios:
• subjetivo: leva em conta a finalidade, que deve ser política;
• objetivo: leva em conta o bem jurídico violado (crimes que violem o Regime
Democrático ou praticado contra as Instituições Políticas); crimes enquadrados na Lei
de Segurança Nacional.

b) Crimes praticados em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de


suas autarquias ou empresas públicas
A Justiça Federal, embora componha a estrutura da Justiça Comum, tem precedência
sobre a Justiça Estadual e sua competência está elencada no art. 109, inciso IV da CF.

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e


julgar:

IV - os crimes políticos e as infrações penais


praticadas em detrimento de bens, serviços ou
interesse da União ou de suas entidades
autárquicas ou empresas públicas, excluídas as
contravenções e ressalvada a competência da
Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;

- UNIÃO
Crimes B
praticados - ENTIDADES AUTÁRQUICAS FEDERAIS
contra I (Autarquias + Fundações Públicas) Ex.: INSS
S
- EMPRESAS PÚBLICAS FEDERAIS
Ex.: Correios, CEF

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*OBS.: BIS  Não basta ser praticado “por” ou “contra”, tem que ter relação.

Crimes praticados contra funcionário público federal, quando relacionados com o


exercício da função, são julgados pela Justiça Federal, conforme a Súmula n. 147 do Superior
Tribunal de Justiça. Também são de competência da Justiça Federal os crimes praticados por
servidor público federal no exercício de suas funções.

STJ Súmula nº 147 - STJ


Compete à Justiça Federal processar e julgar os
crimes praticados contra funcionário público
federal, quando relacionados com o exercício da
função.

PEGADINHA! Sociedades de Economia Mista (S/A) NÃO são da competência da Justiça


Federal, mas da Justiça Estadual! Ex.: Banco do Brasil, Petrobras.

A norma constitucional ao mencionar “empresas públicas” omitiu as sociedades de


economia mista, de sorte que as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços
ou interesse de sociedades de economia mista, ainda que controladas pela União, NÃO são da
competência da Justiça Federal, mas da Justiça Estadual.

SÚMULA STJ Nº 42 STJ

Compete à Justiça Comum Estadual processar e


julgar as causas cíveis em que é parte sociedade
de economia mista e os crimes praticados em seu
detrimento.

PEGADINHA! Art. 109, IV, CF  contravenções penais  justiça comum

Conforme a Súmula n. 38 do Superior Tribunal de Justiça, as contravenções praticadas


em detrimento de bens ou interesses da União serão julgadas pela Justiça Comum Estadual.

STJ Súmula nº 38 STJ


Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da
Constituição de 1988, o processo por contravenção
penal, ainda que praticada em detrimento de bens,
serviços ou interesse da União ou de suas
entidades.

 São de competência da Justiça Comum Estadual os crimes praticados por indígena


ou contra ele (Súmula n. 140 do Superior Tribunal de Justiça).

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c) Crimes a Distância previstos em tratado ou convenção internacional (Art. 109, V,


CF)
Crimes que comecem em um País e terminem em outro (crimes a distância ou espaço
máximo), ou seja, atravessou fronteiras, são de competência da Justiça Federal.
A exemplo dos crimes de tráfico internacional de entorpecentes, tráfico internacional
de crianças e tráfico internacional de mulheres (previsto na Convenção de Viena).

Art. 109 (omissis)


V - os crimes previstos em tratado ou convenção
internacional, quando, iniciada a execução no
País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido
no estrangeiro, ou reciprocamente;

ATENÇÃO! Se o tráfico for dentro do Brasil  Competência Estadual.

d) Crimes praticados a bordo de navio ou aeronave, ressalvada a competência da


Justiça Militar (Art. 109, IX, CF)
Só se aplica a crimes praticados a bordo de navios (de grande porte) e aeronaves
(durante o vôo ou em solo).
As embarcações de pequeno porte são de competência da Justiça Comum Estadual.

Art. 109 (omissis)

IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou


aeronaves, ressalvada a competência da Justiça
Militar;

e) Crimes contra a organização do trabalho


Trata-se de crimes contra a organização coletiva do trabalho.

f) Crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro


Fatos definidos no Estatuto do Estrangeiro (Lei n. 6.815/80).

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QUESTÕES SOBRE O TEMA


1. (OAB – 2008.3/CESPE) Considerando o sentido jurídico de território, tanto em direito internacional
público quanto em direito constitucional, assinale a opção incorreta.
A) Em sentido jurídico, o território nacional é mais amplo que o território considerado pela geografia
política, pois abrange áreas físicas que vão além dos limites e das fronteiras ditadas por esta.
B) O território nacional, em sentido jurídico, pode incluir navios e aeronaves militares,
independentemente dos locais em que estejam, desde que em espaço internacional e sob a condição de
que não se trate de espaço jurisdicional de outro país.
C) O território nacional, em sentido jurídico, pode possuir contornos inexatos, conforme ocorre na
delimitação da projeção vertical do espaço aéreo.
D) O território, em sentido jurídico, pode ser mais ou menos abrangente, a depender de manifestações
unilaterais dos Estados soberanos.

2. (OAB-2008.2/CESPE) - Em relação à delimitação da competência no processo penal, às prerrogativas


de função e ao foro especial, assinale a opção correta.
a) No caso de conexão entre um crime comum e um crime eleitoral, este deve ser processado perante a
justiça eleitoral e aquele, perante a justiça estadual, visto que, no concurso de jurisdições de diversas
categorias, ocorre a separação dos processos.
b) Não viola a garantia do juiz natural a atração por continência do processo do co-réu ao foro especial
do outro denunciado, razão pela qual um advogado e um juiz de direito que pratiquem crime contra o
patrimônio devem ser processados perante o tribunal de justiça.
c) O militar que, no exercício da função, pratica crime doloso contra a vida de um civil deve ser
processado perante a justiça militar.
d) Membro do Ministério Público estadual que pratica crime doloso contra a vida deve ser processado
perante o tribunal do júri e, não, no foro por prerrogativa de função ou especial, visto que a
competência do tribunal do júri está expressa na Constituição Federal.

GABARITO
1.B; 2. B

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4. JUSTIÇA DO TRABALHO

A Justiça do Trabalho nunca julga matéria Penal.

5. JUSTIÇA ELEITORAL

Julga: Crime Eleitoral + Crime Conexo.


Ex.: Crime de boca de urna + lesão corporal.

6. JUSTIÇA MILITAR

Julga os Crimes Militares, mas NÃO julga os conexos!

PEGADINHA! A justiça Militar não é competente para julgar o crime doloso contra a vida
praticado por militar contra civil. Neste caso vai ao tribunal do júri.

PEGADINHA! Se o civil cometer crime contra instituição militar federal, será julgado pela justiça
militar federal;
Se o civil cometer crime contra instituição militar estadual, será julgado pela justiça
comum estadual.

 Atenção para as seguintes súmulas do Superior Tribunal de Justiça:


Súmula n. 6 do Superior Tribunal de Justiça: “Compete à Justiça Comum
Estadual processar e julgar delito decorrente de acidentes de trânsito envolvendo viatura
militar, salvo se autor e vítima forem policiais militares em situação de atividade”.

Súmula n. 75 do Superior Tribunal de Justiça: “Compete à Justiça Comum


Estadual processar e julgar o policial militar acusado de facilitação de fuga de preso em
estabelecimento penitenciário”.

Súmula n. 78 do Superior Tribunal de Justiça: “O policial militar será julgado


pela Justiça Militar Estadual de seu Estado, ainda que o crime seja praticado em outro
Estado”.

Súmula n. 172 do Superior Tribunal de Justiça: “Compete à Justiça Comum


processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em
serviço”.

7. JUSTIÇA COMUM ESTADUAL

Tem competência residual. Sua competência é encontrada por exclusão. Assim, se o


crime não for militar, eleitoral e não estiver inserido na competência da Justiça Comum
Federal, será julgado pela Justiça Comum Estadual - julga o que sobrou.

8. COMPETÊNCIA HIERÁRQUICA OU POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO

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O foro por prerrogativa de função não é privilégio pessoal, mas sim garantia inerente a
cargo ou função.
A razão do legislador, ao atribuir o julgamento a um órgão colegiado, é evitar que um
juiz monocrático pudesse ceder a eventuais pressões, comprometendo sua imparcialidade.

- Qual a instância competente?


- Crime praticado por:
- Prefeito – TJ, mas se for crime federal – TRF
Ex.: crime de apropriação indébita previdenciária – crime contra o INSS.
- Governador – STJ
- Presidente – STF
- Deputado Federal ou Senador – STF
- Juiz estadual ou Membro do MP estadual – TJ
- Desembargador – STJ

Obs.: Encerrado o mandato da autoridade o processo descerá para a comarca onde o crime
aconteceu.

Obs.: A competência por prerrogativa de função se comunica entre os co-autores.


Ex.: o caso do mensalão.

Obs.: A competência por prerrogativa de função prevalece sobre o júri, se estiver prevista na
Constituição Federal.

9. COMPETÊNCIA TERRITORIAL

É aquela utilizada para verificar o foro competente.


- Regra geral: o lugar do resultado (Art. 70, CPP), no entanto há exceções na
jurisprudência.
- Se o crime não for consumado, competente será o lugar do último ato de execução.

Art. 70. A competência será, de regra,


determinada pelo lugar em que se consumar a
infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em
que for praticado o último ato de execução.

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DICA OAB: DICA OAB: DICA OAB: DICA OAB:


- Na AÇÃO PRIVADA o ofendido tem outra opção:
• pode processar no lugar do resultado; ou
• no domicílio do acusado.

DICA OAB: DICA OAB: DICA OAB: DICA OAB:


- Se eu não sei o lugar do crime?
• Competente será o domicílio do acusado.

- Em se tratando de crime continuado (passa por vários lugares) ou permanente (a


consumação se prolonga no tempo), o foro competente será o da prevenção.
Ex: seqüestro.

*Prevenção é o lugar do juiz que primeiro decidiu.

10. COMPETÊNCIA DE JUÍZO

É aquela utilizada para verificar a Vara competente.


- JURI  crimes dolosos contra a vida (tentados ou consumados) + crimes conexos.
Obs.: Latrocínio não é de competência do júri.

11. CONEXÃO E CONTINÊNCIA

São dois institutos que buscam a reunião de processos.

a) Conexão
A conexão existe quando duas ou mais infrações estiverem entrelaçadas por um
vínculo, um nexo, um liame que aconselha a junção dos processos. Nesse caso, as ações serão
reunidas e julgadas em conjunto, simultaneus processus, a fim de se evitar o inconveniente de
decisões conflitantes na área penal, bem como possibilitar ao juiz uma visão mais ampla do
quadro probatório (Art. 76, CPP).

Art. 76. A competência será determinada pela


conexão:
I - se, ocorrendo duas ou mais infrações,
houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por
várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em
concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou
por várias pessoas, umas contra as outras;
II - se, no mesmo caso, houverem sido umas
praticadas para facilitar ou ocultar as outras,
ou para conseguir impunidade ou vantagem em
relação a qualquer delas;

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III - quando a prova de uma infração ou de


qualquer de suas circunstâncias elementares
influir na prova de outra infração.

- A conexão ocorre em 3 casos:


• Agentes reunidos ou por simultaneidade: quando as infrações houverem sido
praticadas por várias pessoas, sem vínculo subjetivo, ao mesmo tempo, no
mesmo local.
o Ex.: um caminhão carregado de laranjas tomba, e vários moradores da
região apanham as laranjas.
• Conexão instrumental ou probatória: quando a prova de uma infração influir
na prova de outra infração.
o Ex.: prova de um crime de furto em relação à receptação.
• Conexão lógica ou material (ou ainda teleológica): quando as infrações
houverem sido praticadas para assegurar a execução de outra.
o Ex.: mata-se o segurança para seqüestrar o empresário.

b) Continência (Art. 77, CPP)

Art. 77. A competência será determinada pela


continência quando:
I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela
mesma infração;
II - no caso de infração cometida nas condições
previstas nos arts. 51, § 1o, 53, segunda parte, e
54 do Código Penal.

- Hipóteses:
• Concurso formal (Art. 70, CP): 1 conduta produzindo vários resultados.
o Ex.: envenenar a comida que será servida a várias pessoas.
• Aberratio ictus: erro na execução com resultado duplo (art. 73, parte final,
CP);
o Ex.: atirar em uma pessoa e acertar duas.
• Aberratio criminis: resultado diverso do pretendido com resultado duplo (art.
74, parte final, do Código Penal).
• Concurso de agentes: quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela
mesma infração.

Código Penal - Concurso formal

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Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação


ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das
penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas,
mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até
metade. As penas aplicam-se, entretanto,
cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e
os crimes concorrentes resultam de desígnios
autônomos, consoante o disposto no artigo
anterior.

Erro na execução

Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos


meios de execução, o agente, ao invés de atingir
a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa
diversa, responde como se tivesse praticado o
crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no
§ 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser
também atingida a pessoa que o agente pretendia
ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste
Código.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Resultado diverso do pretendido

Art. 74 - Fora dos casos do artigo anterior,


quando, por acidente ou erro na execução do
crime, sobrevém resultado diverso do pretendido,
o agente responde por culpa, se o fato é previsto
como crime culposo; se ocorre também o resultado
pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste
Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Obs.: Não serão reunidos os processos para julgamento em conjunto nos seguintes casos:
(Art. 79, CPP)

I – concurso entre jurisdição comum e militar.


Súmula n. 90 do STJ
“Compete à Justiça Estadual Militar processar e julgar o policial
militar pela prática de crime militar, e à Comum pela prática do crime comum
simultâneo àquele”.

II – concurso entre Justiça Comum e Justiça da Infância e Juventude.

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 Lugar de Atração

CONCURSO ENTRE JURISDIÇÕES DE Prevalece a mais graduada.


CATEGORIAS DIVERSAS (INSTÂNCIAS
DIFERENTES) Ex.:

TJ e juiz singular – prevalece o TJ


Justiça Estadual e Justiça Federal – JF

Súmula n. 122 STJ

“Compete à Justiça Federal o processo e


julgamento unificado dos crimes conexos de
competência federal e estadual, não se
aplicando a regra do artigo 78, inciso II,
‘a’, do Código de Processo Penal”.

CONCURSO DE JURISDIÇÕES DE MESMA Prepondera o local da infração mais grave (pena


CATEGORIA (MESMA GRADUAÇÃO) mais grave).
Ex.: Roubo em SP com furto em campinas 
prepondera SP

Obs.:
I - Se a pena máxima for igual, compara-se a pena
mínima.
II - Sendo iguais as penas (máxima e mínima),
prevalece o local onde foi praticado o maior
número de crimes.
Ex.: 3 furtos em Natal e 1 furto em Mossoró 
prepondera Natal

III - Se nenhum desses casos fixar a competência,


utiliza-se o critério da prevenção.

COMPETÊNCIA DO JÚRI E DE OUTRO ÓRGÃO Prevalecerá a competência do Júri.


DA JURISDIÇÃO COMUM Obs.:
- Se o crime for eleitoral E doloso contra a vida, os
processos serão julgados separadamente, não haverá a
reunião de processos, pois a competência de ambos é
fixada na Constituição Federal/88.

CONCURSO ENTRE JURISDIÇÃO COMUM E Prevalecerá a Especial.


JURISDIÇÃO ESPECIAL

CONCURSO ENTRE JURISDIÇÃO ELEITORAL E Prevalecerá a Eleitoral.


JURISDIÇÃO COMUM

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X. PRISÕES
1. CONCEITO

Prisão consiste na privação da liberdade de locomoção, mediante clausura, decretada


por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, ou decorrente de
flagrante delito.
Conforme o art. 5.º, inc. LXI, da Constituição Federal, ninguém será preso senão em
flagrante delito, ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente,
salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei.

O Código Eleitoral prevê que, 5 dias antes e 48h depois do dia da eleição, não podem ser
cumpridos mandados judiciais de prisão processual. Tal disposição visa assegurar o exercício do
direito político. Podem, entretanto, ser efetuadas as prisões em flagrante e as decorrentes de
sentença penal condenatória com trânsito em julgado.

2. ESPÉCIES

a) Prisão Penal: é a prisão decorrente de uma sentença penal condenatória irrecorrível.


b) Prisão Civil: segundo o STF, só é possível a prisão civil do devedor de alimentos.
c) Prisão Disciplinar: recai sobre o militar, decretada pelo superior militar (não admite HC) -
Art. 142, § 2º, CF.
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela
Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são
instituições nacionais permanentes e regulares,
organizadas com base na hierarquia e na
disciplina, sob a autoridade suprema do
Presidente da República, e destinam-se à defesa
da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais
e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da
ordem.
(...)
§ 2º - Não caberá "habeas-corpus" em relação a
punições disciplinares militares.

d) Prisão Administrativa: Prisão decretada para fins administrativos.


Ex.: prisão do estrangeiro em vias de ser extraditado.

e) Prisão Processual (Provisórias ou Cautelares): é a prisão decretada antes ou durante o


processo penal. São espécies:
• Prisão em FLAGRANTE;
o Art. 301 e 310, CPP/Art. 5º, LXI CF.

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o Justifica-se pela possibilidade da reação social imediata à prática da


infração e a captação, também imediata, da prova.
o Encontra-se flagrante, portanto, quem está cometendo ou acaba de cometer
a infração autorizando, a lei, a prisão de imediato.

• Prisão PREVENTIVA = CAUTELAR;


o É a modalidade de prisão cautelar por excelência, mormente quando
justifica a necessidade da prisão para assegurar a regularidade da
instrução criminal e para a aplicação da lei penal.
o A decretação poderá ocorrer desde o início da investigação policial até a
sentença.

• Prisão TEMPORÁRIA = PROVISÓRIA;


o É uma antecipação da prisão preventiva, tendo requisitos menos rigorosos.
o Exatamente pela maior facilidade, seu prazo é mais exíguo e apenas é
possível em número determinado de infrações.
o O momento da decretação dar-se-á da ocorrência da infração até o
recebimento da denúncia.

 Quem decreta prisão no Brasil é o Juiz, via de regra, salvo duas exceções:
- Prisão em flagrante;
- Prisão disciplinar.

3. PRISÃO EM FLAGRANTE (ART. 302 DO CPP)

• A palavra ‘flagrante’ vem do latim, significando ‘queimar’.


• Flagrante delito é o crime que ‘ainda queima’, isto é, que está sendo cometido ou
acabou de sê-lo.

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:


I - está cometendo a infração penal;
II - acaba de cometê-la;
III - é perseguido, logo após, pela autoridade,
pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação
que faça presumir ser autor da infração;
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos,
armas, objetos ou papéis que façam presumir ser
ele autor da infração.

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3.1. Espécies de Flagrante


a) Flagrante próprio: é o flagrante propriamente dito, real ou verdadeiro. O agente é preso
enquanto está cometendo a infração penal ou assim que acaba de cometê-la.

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:


I - está cometendo a infração penal;
II - acaba de cometê-la;

b) Flagrante impróprio ou quase flagrante: é o flagrante irreal. O agente é perseguido logo


após cometer o ilícito, em situação que faça presumir ser ele o autor da infração.
Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:
(...)
III - é perseguido, logo após, pela autoridade,
pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação
que faça presumir ser autor da infração;

* Esta espécie de flagrante não tem prazo, perdura enquanto durar a perseguição.

c) Flagrante presumido: O agente do delito é encontrado, logo depois, com papéis,


instrumentos, armas ou objetos que fazem presumir ser ele o autor do delito.

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:


(...)
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos,
armas, objetos ou papéis que façam presumir ser
ele autor da infração.

Obs.: O que não se enquadrar no art. 302 do CPP não é flagrante.


Ex: apresentação espontânea.

d) Flagrante obrigatório ou compulsório: as autoridades policiais e seus agentes têm o dever


de efetuar a prisão em flagrante, não possuindo qualquer discricionariedade.

e) Flagrante facultativo: é a faculdade que qualquer um do povo tem de efetuar ou não a


prisão em flagrante, conforme os critérios de conveniência e oportunidade (Art. 301, CPP)

Art. 301. Qualquer do povo poderá e as


autoridades policiais e seus agentes deverão

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prender quem quer que seja encontrado em


flagrante delito.

f) Flagrante esperado: É o flagrante regular da autoridade, que aguarda a prática da infração


para prender o agente.
Ex.: Policia faz campana em frente a casa de suposto traficante.

g) Flagrante forjado: É o flagrante irregular da autoridade, que simula uma situação de


flagrante. É o flagrante maquinado, fabricado ou urdido. Policiais ou terceiros criam provas de
um crime inexistente para prender em flagrante.
Ex. policial, ao revistar o carro, afirma ter encontrado drogas, quando na verdade foi ele
quem colocou a droga dentro do carro, visando a incriminação.
*Apesar da dificuldade de sua prova, quando ela se dá é considerado crime
inexistente, e o policial responde por abuso de autoridade.

h) Flagrante preparado: É o delito onde o agente é induzido a praticar a infração. O flagrante


preparado é irregular, por se tratar de crime impossível, é o entendimento majoritário.
O Supremo Tribunal Federal considera atípica a conduta, conforme a Súmula n. 145.
STF Súmula nº 145
Não há crime, quando a preparação do flagrante
pela polícia torna impossível a sua consumação.

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QUESTÕES SOBRE O TEMA

1) (OAB.CESPE.SP/2008.2) Assinale a opção correta acerca da conexão e da continência, segundo o


Código de Processo Penal (CPP).
A) No concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a
competência deste último.
B) No concurso de jurisdições da mesma categoria, preponderará a do lugar da infração à qual for
cominada a pena mais grave.
C) A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, inclusive no concurso entre
a jurisdição comum e a do juízo de menores.
D) No concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá aquela.

2) (OAB.CESPE/2008.1)Em relação à delimitação da competência no processo penal, às prerrogativas


de função e ao foro especial, assinale a opção correta.
a) No caso de conexão entre um crime comum e um crime eleitoral, este deve ser processado perante a
justiça eleitoral e aquele, perante a justiça estadual, visto que, no concurso de jurisdições de diversas
categorias, ocorre a separação dos processos.
b) Não viola a garantia do juiz natural a atração por continência do processo do co-réu ao foro especial
do outro denunciado, razão pela qual um advogado e um juiz de direito que pratiquem crime contra o
patrimônio devem ser processados perante o tribunal de justiça.
c) O militar que, no exercício da função, pratica crime doloso contra a vida de um civil deve ser
processado perante a justiça militar.
d) Membro do Ministério Público estadual que pratica crime doloso contra a vida deve ser processado
perante o tribunal do júri e, não, no foro por prerrogativa de função ou especial, visto que a
competência do tribunal do júri está expressa na Constituição Federal.

3)(OAB.CESPE/2008.1)No que se refere às disposições do CPP acerca da competência por conexão ou


continência, assinale a opção incorreta.
A) No concurso entre a competência do júri e de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a
competência do júri.
B) No concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá a jurisdição especial.
C) A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, inclusive no concurso entre
a jurisdição comum e a militar.
D) A conexão e a continência no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores importarão
separação de processos e de julgamento.

GABARITO

1.B; 2. B; 3.C

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3.2. FORMALIDADES DA PRISÃO EM FLAGRANTE

 FORMALIDADES LEGAIS:
• Verificada a falta de formalidade legal, torna-se ILEGAL a prisão, ensejando o
RELAXAMENTO – Art. 5º, LXV.
o LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

 FORMALIDADES:
1) Lavratura do AUTO de prisão em flagrante – art. 304, CPP.
• Assim que o preso for apresentado à autoridade competente, lavrar-se-á o auto de
prisão em flagrante.
• A lavratura do auto deveria ser imediata, mas a Jurisprudência tem admitido uma
elasticidade maior, devido ao número excessivo de prisões, podendo o auto ser
lavrado no máximo 24 horas da prisão.
o Ouvir o condutor do preso;
o Testemunhas;
o Interroga indiciado.
Art. 304. Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o
condutor e colherá, desde logo, sua assinatura, entregando a este cópia do
termo e recibo de entrega do preso. Em seguida, procederá à oitiva das
testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre
a imputação que lhe é feita, colhendo, após cada oitiva suas respectivas
assinaturas, lavrando, a autoridade, afinal, o auto.

2) Entrega da NOTA DE CULPA – art. 306, § 2º, CPP.

• Comunicação ao preso do motivo de sua prisão e por quem ele foi preso.

o É uma ciência do motivo da prisão.

• Prazo = 24 horas (contadas do momento da prisão)

• Lavrado o auto, deverá ser comunicada a prisão imediatamente à autoridade judicial


competente, que relaxará a prisão se esta for ilegal. (Art. 304, “caput”, CPP).

Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão


comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou a
pessoa por ele indicada.
§ 1o Dentro em 24h (vinte e quatro horas) depois da prisão, será
encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante acompanhado

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de todas as oitivas colhidas e, caso o autuado não informe o nome de seu


advogado, cópia integral para a Defensoria Pública.
§ 2o No mesmo prazo, será entregue ao preso, mediante recibo, a nota de
culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do
condutor e o das testemunhas.

3) Em 24 horas, o delegado deverá COMUNICAR a prisão ao juiz – art. 306, § 1º, CPP.

4) Comunicação à DEFENSORIA PÚBLICA


– Se o preso não disser o nome do seu advogado, impõe-se a comunicação à
defensoria pública, no prazo de 24 horas depois da prisão.

4. PRISÃO TEMPORÁRIA = PROVISÓRIA

É uma antecipação da prisão preventiva, tendo requisitos menos rigorosos.


• Segundo o Art. 1º de sua Lei, caberá:
o I – Quando for imprescindível às investigações;
Periculum in mora =
tornam necessária ou o II – Quando o sujeito não tiver residência fixa ou se houver dúvida quanto à
urgente sua identidade;

Fumus Boni Iuris =


o III – Quando houver indícios de autoria ou participação num dos crimes
aparência de cabimento elencados no rol (taxativo).

QUANDO CABERÁ A PRISÃO TEMPORÁRIA?


R.: Para sua decretação sempre será necessária a presença do fumus boni iuris +
periculum in mora = III + II ou III + I.

• Prazo: 5 dias, prorrogados uma única vez por mais 5 dias.


o OBS.: Lei 8.072/90 – Crimes Hediondos
 30 dias prorrogados por mais 30 dias.

5. PRISÃO PREVENTIVA (CAUTELAR)

• O pressuposto para a decretação é o fumus comissi delicti, ou seja, a existência de


indício suficiente de autoria e materialidade.
• Os fundamentos para a decretação são espécies de periculum libertatis e são
expressos nas hipóteses legais (Art. 312, CPP).

Art. 312. A prisão preventiva poderá ser


decretada como garantia da ordem pública, da
ordem econômica, por conveniência da instrução
criminal, ou para assegurar a aplicação da lei

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penal, quando houver prova da existência do crime


e indício suficiente de autoria.

5.1. Condições de Admissibilidade – art. 313 – CPP


O art. 313, caput, CPP, traz duas condições absolutas:
• Crimes Dolosos (1- ser crime / 2- ser doloso);
o OBS.: A CONTRAVENÇÃO PENAL nunca admite a prisão preventiva.
o OBS.: Crimes CULPOSOS nunca admitem prisão preventiva.

• Punidos com pena de reclusão (art. 313, I, CPP)


o Essa é a regra. Admite exceção (incisos II, III e IV).
 II - punidos com detenção, quando se apurar que o indiciado é
vadio ou, havendo dúvida sobre a sua identidade, não fornecer
ou não indicar elementos para esclarecê-la;
 III - se o réu tiver sido condenado por outro crime doloso, em
sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no parágrafo
único do art. 46 do Código Penal. (Reincidente em crime doloso).
 IV - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a
mulher, nos termos da lei específica, para garantir a execução
das medidas protetivas de urgência. (Lei Maria da Penha)
• Este inciso foi inserido pela Lei 11.340/06 – Lei Maria da Penha.

5.2. Requisitos - Art. 312, CPP


• “Fumus boni iuris”:

CUMULATIVOS, ambos
o indícios de autoria; e
têm que estar presentes. o prova de materialidade.
• - “Periculum in mora”: revela a necessidade da prisão.
o Que seja necessária para a garantia da ordem pública;
o Que seja necessária para a garantia da ordem econômica,
ALTERNATIVOS
o Para garantir a produção de provas ou conveniência da instrução criminal;
Basta a presença de um
desses 4.  Ex.: O sujeito está prejudicando a produção de provas.
o Para assegurar a futura aplicação da lei penal;
 Ex.: Risco de fuga  indícios concretos.

* Prisões que sumiram do CPP:


• Decorrente de pronúncia – 408 CPP;

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• Decorrente de condenação recorrível – 594 CPP.


o Nesses casos só não prendia se fosse primário e de bons antecedentes.

PRISÃO PREVENTIVA PRISÃO TEMPORÁRIA

- Art. 311 - 316, CPP. - Lei 7.960/89.


- Depende de ordem judicial. - Depende de ordem judicial.
- Cabe desde o inquérito, até o fim da - Só cabe na fase de investigação policial
ação penal (art. 311, CPP). (inquérito policial);

- O juiz poderá: - É o juiz quem decreta, mas nunca poderá


decretá-la de ofício. Art.2º, LPT.
• Decretar de ofício;
- Decretada a requerimento do MP ou por
• A requerimento do MP;
representação da autoridade policial.
• Representação a autoridade policial
- Cabimento – Art. 1º e incisos – LPT – rol
(delegado);
taxativo.
• A requerimento do querelante.
- Requisitos:
• fumus boni iuris (inciso III);
• periculum in mora (incisos I e II).
- Prazo: máximo de 05 dias (prorrogáveis +
5)
- Lei 8.072/90 – para os crimes hediondos
ou equiparados
(Tráfico/Tortura/Terrorismo):
• Nesses casos, a prisão pode chegar
a 30 dias (prorrogáveis + 30 dias).
• Art. 2º, § 4º, LCH.

Art. 311. Em qualquer fase do inquérito policial Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da
ou da instrução criminal, caberá a prisão tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e
preventiva decretada pelo juiz, de ofício, a drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis
requerimento do Ministério Público, ou do de:
querelante, ou mediante representação da
I - anistia, graça e indulto;
autoridade policial.
§ 1o A pena por crime previsto neste artigo
Art. 316. O juiz poderá revogar a prisão
será cumprida inicialmente em regime
preventiva se, no correr do processo, verificar a
fechado.
falta de motivo para que subsista, bem como de
novo decretá-la, se sobrevierem razões que a § 2o A progressão de regime, no caso dos
justifiquem. condenados aos crimes previstos neste
artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5
(dois quintos) da pena, se o apenado for

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primário, e de 3/5 (três quintos), se


reincidente.
§ 3o Em caso de sentença condenatória, o
juiz decidirá fundamentadamente se o réu
poderá apelar em liberdade.
§ 4o A prisão temporária, sobre a qual dispõe
a Lei no 7.960, de 21 de dezembro de 1989,
nos crimes previstos neste artigo, terá o
prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por
igual período em caso de extrema e
comprovada necessidade.

6. CESSAÇÃO DA PRISÃO

1) Prisão em Flagrante:
• Relaxamento (pressupõe ilegalidade da prisão – art. 5º, LXV, CF).
o Há relaxamento da prisão em flagrante sempre que incide vício formal ou
material.
o Houve ILEGALIDADE no flagrante.
o Há vício formal quando algum dos requisitos expostos não foi cumprido,
como a inversão de oitivas na lavratura do auto, a ausência de “nota de culpa”
ou a não comunicação imediata da prisão à autoridade judiciária competente.
Tais irregularidades não geram nulidade, que inexiste na fase inquisitiva, mas
ceifam a legitimidade da custódia em razão do flagrante.

• Liberdade Provisória (prisão é legal, mas desnecessária).


o É a situação substitutiva da prisão em flagrante, nos casos em que a lei a
considera desnecessária.

2) Prisão Temporária:
o Cessa por REVOGAÇÃO.
o Por ser um ato do juiz, é desconstituída também pelo juiz.

3) Prisão Preventiva: art. 316, CPP


o Cessa por REVOGAÇÃO a qualquer tempo, se cessarem os motivos que autorizam
a decretação, bem como nova decretação pela superveniência de motivo que a
justifique.
o Nesse caso, não haverá liberdade provisória, pois não haverá qualquer restrição à
liberdade do indivíduo.

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OBS.:
 RELAXAMENTO = DESCONSTITUIÇÃO DA PRISÃO.
 LIBERDADE PROVISÓRIA = SUBSTITUIÇÃO DA PRISÃO PELA LIBERDADE.

7. LIBERDADE PROVISÓRIA

Art. 310. Quando o juiz verificar pelo auto


de prisão em flagrante que o agente praticou
o fato, nas condições do art. 19, I, II e
III, do Código Penal, poderá, depois de
ouvir o Ministério Público, conceder ao réu
liberdade provisória, mediante termo de
comparecimento a todos os atos do processo,
sob pena de revogação.

• Aplicada em casos de prisão em flagrante desnecessária – art. 5º, LXVI, CF.


• É gênero de 2 espécies:
o COM FIANÇA: Arts. 323-324, CPP
o SEM FIANÇA: art. 310, CPP

• Art.323/324, CPP.
o Esses artigos trazem as hipóteses em que não cabe a fiança. A interpretação
deverá ser feita a contrário senso ou por exclusão para chegar às hipóteses em
que poderá ser arbitrada a fiança (sempre que não houver proibição).

7.1. Situações em que não será concedida a fiança - Art. 323, CPP
• Nos crimes punidos com reclusão em que a pena mínima cominada for superior a 2
anos;
• Nas contravenções tipificadas nos arts. 59 e 60 da Lei das Contravenções Penais;
• Nos crimes dolosos punidos com pena privativa da liberdade, se o réu já tiver sido
condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado;
• Em qualquer caso, se houver no processo prova de ser o réu vadio;
• Nos crimes punidos com reclusão, que provoquem clamor público ou que tenham
sido cometidos com violência contra a pessoa, ou, grave ameaça.

OBS.: Se ausentes todos os requisitos da prisão preventiva (art. 312, CPP), deve ser
substituída por prisão provisória.

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7.2. Situações em que será concedida a fiança


• Crime for apenado com detenção ou prisão simples;
• Apenado com reclusão com pena mínima de até dois anos.

 QUEM CONCEDE A LIBERDADE PROVISÓRIA...?


• COM FIANÇA
o AUTORIDADE POLICIAL Detenção e Prisão Simples;
o JUIZ  Reclusão (sem ouvir o MP – 333 CPP)
• SEM FIANÇA
o SOMENTE O JUIZ  depois de ouvir o MP.

Art. 321. Ressalvado o disposto no art. 323, III e IV, o réu livrar-se-á solto,
independentemente de fiança:
I - no caso de infração, a que não for, isolada, cumulativa ou alternativamente,
cominada pena privativa de liberdade;
II - quando o máximo da pena privativa de liberdade, isolada, cumulativa ou
alternativamente cominada, não exceder a três meses.

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COM FIANÇA: SEM FIANÇA:


Arts. 323-324, CPP Art. 310, CPP

• Exige a prestação de garantia real feita pelo • O réu livrar-se-á independente de fiança e
acusado ou em seu nome para liberá-lo da de qualquer vinculação quando a infração
prisão, quando a lei permite, com o objetivo cometida não for isolada ou
de vinculá-lo ao processo. cumulativamente cominada com pena
privativa de liberdade, não sendo o acusado
• Via de regra, a fiança é prestada em
vadio ou reincidente em crime doloso (Art.
dinheiro, mas nada impede que tenha por
321, I, CPP);
objeto pedras, metais e objetos preciosos,
títulos de crédito e até imóveis, desde que • Quando a infração for apenada com pena
avaliados por peritos. privativa de liberdade inferior a 3 meses,
não sendo o acusado vadio ou reincidente
em crime doloso (Art. 321, II, CPP).
• Preso e autuado em flagrante, o acusado
por infração de que se livra solto
independentemente de fiança, deverá ser
posto em liberdade após a lavratura do
auto.
• Será concedida igualmente quando o agente
agir acobertado por situação de excludente
de ilicitude, não importando saber se a
infração é ou não afiançável; também o juiz
verificar a ausência dos motivos
autorizadores da decretação da prisão
preventiva.
• Se não for possível constatar a existência de
motivos para a prisão preventiva, deve o
magistrado, de ofício ou a pedido da defesa
ou do Ministério Público, conceder a
liberdade provisória.
• Trata-se de direito subjetivo do acusado,
que será concedido pelo juiz, ouvido o
Ministério Público. O acusado assinará
termo de comparecimento aos atos do
processo, sob pena de revogação.
• Ocorrerá revogação da liberdade provisória
apenas até o transito em julgado da
sentença.
• Se a sentença for condenatória, a pena será
executada e se for absolutória, a liberdade
transformar-se-á em definitiva.

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QUESTÕES SOBRE O TEMA:

1. (OAB.CESPE/2008.2) De acordo com a Lei n.º 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da
Penha, constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, o juiz poderá
aplicar ao agressor, de imediato, a seguinte medida protetiva de urgência:
A) proibição de aproximar-se da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando limite
mínimo de distância entre estes e o agressor.
B) decretação da prisão temporária do agressor.
C) proibição de contato direto com a ofendida, seus familiares e testemunhas, salvo indiretamente,
por telefone ou carta.
D) arbitramento do valor a ser prestado a título de alimentos definitivos à ofendida e aos filhos
menores.

2. (OAB/CESPE – 2007.3) Acerca dos crimes hediondos, assinale a opção correta.


A O rol dos crimes enumerados na Lei n.º 8.072/1990 não é taxativo.
B É possível o relaxamento da prisão por excesso de prazo.
C O prazo da prisão temporária em caso de homicídio qualificado é igual ao de um homicídio
simples.
D Em caso de sentença condenatória, o réu não poderá apelar em liberdade, independentemente de
fundamentação do juiz.

3. (OAB/CESPE – 2007.3.PR) Acerca do instituto da prisão, assinale a opção incorreta.


A A prisão temporária não pode ser decretada de ofício e somente tem cabimento durante o
inquérito policial.
B As hipóteses legais para a decretação da prisão preventiva, incluem a garantia da ordem
pública, a conveniência da instrução criminal e o clamor público.
C Nos crimes de menor potencial ofensivo, em regra, não são admitidas a lavratura do auto de
prisão em flagrante nem a imposição de fiança quando o autor do fato for encaminhado ao juizado.
D A prisão penal é a que ocorre após uma sentença penal condenatória transitada em julgado e
admite, preenchidos os requisitos legais, o livramento condicional.

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XI. PROCEDIMENTOS PENAIS

• PROCEDIMENTOS ESPECIAIS
o Podem ser previstos no CPP (procedimentos dos crimes contra a honra, dos
crimes funcionais etc.) ou em leis extravagantes (Lei 11.343/06 – lei de
drogas).
• PROCEDIMENTO COMUM
o Não cabendo o rito especial, procede pelo rito comum (residual).
o O rito comum divide-se em: art. 394, CPP.
 1) Ordinário:
• Crimes cuja pena máxima seja igual ou superior a 4 anos.
 2) Sumário:
• Crimes cuja pena máxima seja menor que 4 anos e maior que
2 anos.
 3) Sumaríssimo:
• Procedimento do JECrim, aplica-se aos crimes de menor
potencial ofensivo.
o Contravenções penais;
o Crimes que tenham pena máxima de até 2 anos.

1. PROCEDIMENTO ORDINÁRIO

• Inicia-se a ação penal com a acusação propondo a ação penal – denúncia ou queixa.

 Procedimento:

1) Oferecimento denúncia/queixa
• Arrola testemunhas:
o Ordinário: 8 testemunhas
o Sumário: 5 testemunhas

2) Rejeição liminar – recebe a denúncia/queixa. (art. 396, CPP)


o Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se
não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para
responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.
o Rejeição – art. 395, CPP – hipóteses:

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 For manifestamente inepta;


 Faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal;
 Faltar justa causa para o exercício da ação penal (indícios de autoria /
prova da materialidade).

• OBS.: Todas geram extinção do processo sem exame de


mérito. Não faz coisa julgada material.

c) Citação do Acusado
• É o chamamento do réu para se defender em juízo.
• Deverá apresentar RESPOSTA em 10 dias.
o Caso o réu não a faça, juiz nomeia defensor para oferecê-la.
• Pode ser de 3 tipos:
o PESSOAL (regra): citado por mandado; carta precatória (outra comarca); carta
rogatória (outro país); na pessoa do superior (militar).
 Até o cumprimento da carta ROGATÓRIA a prescrição ficará
suspensa.
 Funcionário Público será citado PESSOALMENTE, devendo ser
comunicado o chefe de sua repartição.
 O preso será citado PESSOALMENTE.
 Réu não comparece?  processado a REVELIA.

o POR EDITAL: réu está em lugar incerto e não sabido.


 Réu não comparece?
• Se não constitui defensor, suspende o processo e suspende a
prescrição (Art. 366, CPP). Além disso, o juiz poderá
decretar a prisão preventiva, se o caso.

o POR HORA CERTA: Quando o réu se oculta para não ser citado pessoalmente.
 Mesmo procedimento do CPC.
 Não comparece?  processado a revelia.

d) Resposta do acusado – prazo de 10 dias. (art. 396, CPP)


• Defesa ESCRITA – art. 396-A, CPP:
o Preliminares;
o Exceções;
o Tudo que interessa a defesa.

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• Arrola testemunhas: no máximo 8 (ordinário).

e) Profere absolvição sumária ou recebe a denúncia ou queixa (recebimento – art. 399, CPP).
• ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA (397, CPP) - Cabimento:
 Existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;
 Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente,
salvo inimputabilidade (somente a doença mental não afasta a absolvição
sumária porque dela ocorrerá a Medida de Segurança);
 Que o fato narrado evidentemente não constitui crime (atipicidade);
 Extinta a punibilidade do agente.

 OBS.:
 SE CABE ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA  COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO.
 A ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA FAZ COISA JULGADA MATERIAL.

Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste


Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:
I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente,
salvo inimputabilidade;
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou
IV - extinta a punibilidade do agente.

 Não cabendo absolvição sumária, designa-se a AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E


JULGAMENTO

OBS.: CONTRA ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA CABE  APELAÇÃO.

• RECEBIMENTO DA DENÚNCIA:
 1º - No oferecimento (396, CPP)
• Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a
denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á
e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por
escrito, no prazo de 10 (dez) dias.
 2º - No não cabimento de absolvição sumária - após a verificação de
existência formal e material de crime. (posição minoritária)

 Audiência de Instrução e Julgamento

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Designada para no máximo 60 dias.


Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo
máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do
ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa,
nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos
esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e
coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado.

- Passos (ordem procedimental para a produção da prova oral):


• Declarações do ofendido;
• Testemunhas de acusação;
• Testemunhas de defesa;
• Peritos;
• Acareações;
• Reconhecimento;
o Ex.: de pessoas ou objetos.
• Interrogatório do acusado;
o Debates orais 20 minutos prorrogáveis por + 10 para cada parte.
• Alegações finais orais;
• Sentença;
o 10 dias para a decisão.

OBS.: 3 Hipóteses de conversão dos debates orais em memoriais escritos:


a) Vários réus;
b) Surgirem novas provas;
c) Caso complexo.

Nesse caso teremos os prazos:


- Acusação: 5 dias
- Defesa: 5 dias
- Juiz: 10 dias.

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 Procedimento Ordinário

Recebimento Resposta a
Denúncia ou Absolvição Audiência
da Denúncia ou CITAÇÃO acusação no SENTENÇA
queixa – Art. Sumária – Art. Instrução e
queixa prazo de 10
41, CPP 397 CPP Julgamento
dias

Dessa decisão NÃO


CABE RECURSO.
Somente HC.

QUESTÕES SOBRE O TEMA:

1) Os parâmetros previstos no CPP para que a autoridade determine o valor da fiança não
incluem
A) a natureza da infração.
B) o grau de instrução do acusado.
C) a vida pregressa do acusado.
D) o valor provável das custas do processo.

Art. 326. Para determinar o valor da fiança, a autoridade terá em consideração a


natureza da infração, as condições pessoais de fortuna e vida pregressa do
acusado, as circunstâncias indicativas de sua periculosidade, bem como a
importância provável das custas do processo, até final julgamento.

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2. PROCEDIMENTO SUMÁRIO

• Crimes cuja pena máxima seja menor que 4 anos e maior que 2 anos.

 Diferenças do procedimento ordinário (o restante será igual ao procedimento ordinário):


• 1ª Número de testemunhas = até 05.
• 2ª Prazo da audiência = 30 dias.
• 3ª Não há previsão de conversão dos debates em memorais.

3. PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO – LEI 9099/95

• Não se aplica a lei 9099/95: casos de violência doméstica e familiar contra mulher (Lei
Maria da Penha).
 3 Fases:
1ª Fase: FASE POLICIAL
• É lavrado o termo circunstanciado (TC é um boletim de ocorrência mais completo).

2ª Fase: AUDIÊNCIA PRELIMINAR


• Tentativa de composição dos danos;
• Representação do ofendido (se for o caso);
• Transação penal:
o É o acordo entre o Ministério Público e o suspeito para que não haja o
processo penal.
o Esse acordo consiste na aplicação imediata de pena de multa ou restritiva
de direitos.
• Homologada a transação penal ocorre à extinção da punibilidade;
• Denúncia oral.

3ª Fase: RITO SUMARÍSSIMO


• É uma audiência só;
o A primeira coisa que ocorre é a defesa prévia oral e logo depois o juiz
receberá a denúncia ou não.
• Oitiva de testemunhas;
o 5 ou 3, questão controversa!
• Interrogatório;

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• Debates orais;
o 20min + 10min.
• Sentença.

4. PROCEDIMENTOS ESPECIAIS

4.1. Procedimento especial dos Crimes contra a honra (calúnia, injúria e difamação).

• Calúnia: Imputar falsamente um fato definido com crime;


o Exemplo: Se “João” disser que “Joaquim” roubou a carteira de alguém,
sendo falsa essa alegação, estará cometendo crime de calúnia.
• Injúria: Injuriar alguém, atribuindo-lhe qualidade negativa, ofendendo-lhe a dignidade
ou o decoro;
o Exemplo: Se “João” chamar “Joaquim” de ladrão estará cometendo crime de
injúria.
• Difamação: Imputar fato negativo/ofensivo à reputação de alguém.
o Exemplo: Se “João” disser que “Joaquim” foi trabalhar embriagado estará
afetando sua reputação.

OBS.: Entre a queixa e o recebimento da queixa ocorre uma audiência de tentativa de


conciliação, na qual deverão estar presentes o querelante e o querelado.
PERGUNTA: E se o querelante (autor) faltar à audiência?
R.: Ocorrerá à extinção da punibilidade pela perempção – Art. 60, III, CPP.
PERGUNTA: E se o réu faltar?
R.: O juiz receberá a queixa.

4.2. Procedimento Especial da Lei de Drogas – lei 11.343/2006

1) No caso de PORTE – Art. 28 da lei:


• Será lavrado um Termo Circunstanciado e o procedimento será o da Lei
9099/95, pois é uma infração de menor potencial ofensivo.

2) No caso de TRÁFICO:
• Da denúncia à absolvição sumária aplica-se o procedimento ORDINÁRIO.

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 Na Audiência da lei de drogas os atos serão os seguintes:


• 1º Interrogatório;
• 2º Serão ouvidas Testemunhas de acusação = 05;
• 3º Serão ouvidas Testemunhas de Testemunha defesa = 05;
• 4º Debates Orais: 20 minutos + 10 minutos;
• 5º Sentença.

4.3. Procedimento Júri – Lei 11.689/08

A) Princípios – Art. 5º da CF:


No art. 5º, XXXVIII da CF, o procedimento do júri é regido por alguns princípios:
• 1ª Plenitude de defesa:
o Possibilidade de utilização de argumentos metajurídicos (são argumentos que
estão fora do direito);
• 2ª Sigilo das votações:
o A votação do júri é secreta. Apurados quatros votos iguais, encerra-se a
votação;
• 3ª Soberania dos veredictos:
o Via de regra, o tribunal não poderá alterar a decisão dos jurados.
o Exceção: REVISÃO CRIMINAL.
 O direito à liberdade é mais importante do que a soberania dos
veredictos.
• 4ª Competência:
o Crimes dolosos contra a vida (consumados ou tentados).
o Obs.: LATROCÍNIO NÃO  Crime contra o patrimônio.

B) Fases:
• 1ª Fase – JUÍZ: Judicium accusationis
• 2ª Fase – JÚRI: Judicium Causale

1ª FASE: Essa fase é a de admissibilidade da acusação, sendo também conhecida como


sumário de culpa.
• É igual o procedimento ordinário tendo apenas uma diferença:
o Sai a absolvição sumária (art. 397) e entra a réplica do Ministério Público no
prazo de 05 dias.

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• 1 - Oferecimento da denúncia ou queixa:


o Arroladas as testemunhas de acusação = máximo 8;
o Requeridas as diligências;
o Juntados os documentos, se necessário.

• 2 – Recebimento (juiz) da denúncia ou queixa:


o Citação do acusado, para apresentar resposta, por escrito, no prazo de 10 dias.
o Hoje é possível, além da citação pessoal (por mandado), a citação
por hora certa, na hipótese de acusado que se oculta para não ser
citado.
• 3 - Defesa escrita (resposta):
o Preliminares e matéria de mérito;
o Documentos e justificações;
o Especificar provas;
o Arrolar e requerer a intimação de testemunhas = até 8;
• 4 - Manifestação da acusação:
o Em 5 dias  se o acusado argüiu preliminares ou apresentou documentos.
• 5 - Audiência uma de instrução e julgamento:
o Audiência UNA;
o Primeiro será ouvido o ofendido, se possível;
o Após, serão ouvidas as testemunhas de acusação, as testemunhas de
defesa, esclarecimentos de peitos, acareações, reconhecimentos e,
por fim, o interrogatório.
• 6 - Sentença:
o Será proferida pelo juiz, podendo decidir:
o 1ª Pronúncia  Recurso Cabível = RESE (recurso em sentido estrito);
o 2ª Impronúncia  Recurso Cabível = Apelação
o 3ª Desclassificação  Recurso Cabível = RESE
o 4ª Absolvição Sumária  Recurso Cabível = Apelação

2ª FASE:
• Lei 11.689/08;
• No total serão sorteados 25 jurados para comparecer à audiência.
o Desses, deverão estar presentes 15 jurados,
o 07 irão compor o Conselho de Sentença;

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• Não existe mais o libelo acusatório, nem a contrariedade ao libelo;


• A segunda fase inicia-se com a intimação das partes para que arrolem testemunhas (até
05) no prazo de 05 dias;
• Obs.: As partes poderão fazer três recusas imotivadas.
• Após haverá a oitiva do ofendido e as testemunhas de acusação e de defesa, seguidas de
perito e assistentes técnicos;
• Interrogatório do réu;
• Debates orais (tempo de 01h30 para cada parte; acrescidas, no caso de réplica, de 01h00
para cada parte);
• Quesitos;
o Se os jurados julgarem os quesitos de forma contraditória, o juiz deverá esclarecê-
lo.
o Se um quesito prejudicar os demais, esses outros não serão indagados.

XII. PROVAS NO PROCESSO PENAL


- Arts. 155 ao art. 250 do CPP.
- Lei 11.690/08 e Lei 11.900/09.

1. SISTEMA DE APRECIAÇÃO DAS PROVAS

• O sistema utilizado pelo nosso ordenamento jurídico é o sistema da livre apreciação


da prova (art. 155, 1ª parte do CPP).
• Por esse sistema, quem atribui valor às provas é o juiz, que o fará de forma
fundamentada.
Exceção:
• Existe uma hipótese em que se aplica o sistema da íntima convicção (o juiz pode julgar
de acordo com suas impressões pessoais).
• Esse sistema é aplicado ao somente ao tribunal do júri.

OBS.: O juiz não pode condenar o réu, baseando-se apenas no IP, pois este não possui
contraditório e ampla defesa. (art. 155, 2ª parte, CPP).

OBS.: Existem algumas provas policiais com maior valor probatório: são as provas
cautelares não repetíveis e antecipadas.
Ex.: exame necroscópico.

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2. PROVA ILÍCITA

- Art. 157, CPP.


- É a prova que fere norma constitucional ou norma legal.
Ex.: confissão mediante tortura.
- A CF considera inadmissíveis no processo, as provas ilícitas (art. 5º, LVI).
- Se a prova ilícita ingressar no processo, deverá ser imediatamente desentranhada dos autos e
destruída.

 ILICITUDE POR DERIVAÇÃO: também chamada de “frutos da árvore envenenada”.


- Tudo o que deriva de uma prova ilícita também será ilícito.
Ex.: confissão obtida mediante tortura.
- Exceções (Art. 157, CPP):
a) Quando não for evidente o nexo causal entre as provas;
b) Quando a prova poderia ter sido produzida por uma fonte independente (quando a
atividade regular de investigação da polícia chegaria até aquela prova).

3. PROVAS EM ESPÉCIE

 São as provas previstas no CPP:


a) Prova pericial;
b) Interrogatório;
c) Confissão;
d) Declarações do ofendido;
e) Prova testemunhal;
f) Prova documental;
g) Acareação;
h) Reconhecimento;
i) Busca e apreensão.
OBS.: Esse rol é exemplificativo.

3.1. PROVA PERICIAL


- É uma prova técnica.
- Basta um perito oficial.
- Não havendo perito oficial, o juiz nomeará duas pessoas idôneas (devem ter curso superior e
habilitação para o exame).

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- As partes podem nomear assistentes técnicos (que atuarão somente depois de realizada a
perícia).
- A prova pericial não vincula o magistrado que poderá julgar contrariamente às provas.
 A prova ilícita poderá ser usada em benefício do réu, em razão do princípio da
proporcionalidade.

3.2. INTERROGATÓRIO
• É o ato processual pelo qual o acusado é ouvido pelo juiz sobre a imputação contra
ele formulada.
• O interrogatório possibilita ao acusado o exercício de autodefesa.
• Ato público (excepcionalmente, a publicidade poderá ser restringida, nos termos
do artigo 792 do Código de Processo Penal).
• Ato processual oral.
o Exceções: para o surdo, as perguntas serão feitas por escrito e respondidas
oralmente; para o mudo as perguntas serão feitas oralmente e
respondidas por escrito; para o surdo-mudo, as perguntas e as respostas
serão feitas por escrito. Se o réu for estrangeiro ou surdo-mudo e
analfabeto, será nomeado um intérprete que funcionará também como
curador.
• Ato personalíssimo. Só o réu pode ser interrogado.
• Ato individual.
• Ato privativo entre juiz e réu.
o As partes não podem fazer reperguntas. O defensor poderá, entretanto,
zelar pela regularidade formal do processo. Com a entrada do Novo Código
Civil, não se exige mais a presença de curador para o menor de 21 anos.

3.3. CONFISSÃO
• É a admissão pelo réu da autoria dos fatos a ele imputados.
o A confissão refere-se à autoria do fato. A materialidade do delito não é objeto
da confissão.
• Espécies:
o Simples: quando o réu admite a autoria de fato único, atribui a si a prática de
infração penal.
o Qualificada: quando o réu admite a autoria dos fatos a ele imputados, mas
alega algo em seu benefício, opõe um fato modificativo ou impeditivo, por
exemplo: excludente de antijuridicidade, culpabilidade.
o Complexa: quando o réu admite a autoria de fato múltiplo.

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o Judicial: é a confissão prestada perante o juiz competente, no próprio


processo.
o Extrajudicial: é a confissão prestada no Inquérito Policial, ou fora dos autos da
ação penal.
o Explícita: quando o acusado reconhece ser o autor da infração.
o Implícita: quando o acusado não admite a autoria, mas realiza atos que levam
indiretamente à conclusão de que ele é o autor do delito.
 Exemplo: quando o acusado procura ressarcir o ofendido dos prejuízos
causados pela infração.

3.4. PROVA TESTEMUNHAL


• Testemunha é toda pessoa estranha ao processo e eqüidistante das partes, chamada
em Juízo para depor sobre os fatos que caíram sobre seus sentidos.
- Classificação:
• direta ou “de visu”: depõe sobre os fatos que presenciou – teve contato direto;

• indireta ou “de audito”: depõe sobre os fatos que tomou conhecimento por terceiros, que
“ouviu dizer”;

• própria: presta depoimento acerca do tema probandu, do fato objeto da prova;

• imprópria ou instrumentária: é a testemunha chamada a presenciar a prática de atos


processuais ou atos do inquérito policial;

• referida: são aquelas citadas no depoimento de outra testemunha; serão ouvidas como
testemunhas do Juízo;

• informante: são as testemunhas que não prestam compromisso de dizer a verdade;

• numerária: testemunha arrolada pela parte de acordo com o número máximo legal e que
são compromissadas (número máximo: 8 no processo comum; 5 no processo sumário; 5
no plenário do júri; 3 no juizado especial criminal);

• extra-numerária: não entra no cômputo legal. São as referidas, informantes, testemunhas


que nada souberam a respeito dos fatos.

3.5. DECLARAÇÕES DO OFENDIDO


Sempre que possível, o juiz deverá ouvir o sujeito passivo da infração (artigo 201 do
Código de Processo Penal).

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A esse meio de prova se aplicam as mesmas regras da prova testemunhal, observado o


seguinte:

• Vítima presta declarações e não depoimento.

• Vítima não é computada no número legal de testemunhas.

• Vítima não responde pelo crime de falso testemunho (observação: se der causa a
investigação policial ou a processo judicial, imputando a alguém crime de que o sabe
inocente, responderá pelo crime de denunciação caluniosa).

• Vítima não precisa ser arrolada pelas partes, devendo ser ouvida de ofício pelo juiz.

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QUESTÕES SOBRE O TEMA


1. (OAB/CESPE – 2007.3.PR) No que se refere ao tribunal do júri, assinale a opção
correta.
A Os crimes que são submetidos ao tribunal do júri, incluem: aborto provocado pela
gestante, instigação ao suicídio e homicídio simples na forma tentada.
B O tribunal do júri compõe-se de um juiz de direito e quinze jurados, escolhidos dentre
cidadãos maiores de 18 anos.
C Caso sejam julgados quatro réus na sessão plenária do tribunal do júri, as partes terão
quatro horas para os debates e duas horas para réplica e tréplica.
D Os crimes de tortura, genocídio e latrocínio, por tutelarem o bem jurídico vida, são
submetidos ao procedimento do tribunal do júri.

2. (OAB/CESPE – 2007.1) Assinale a opção incorreta acerca do julgamento pelo


tribunal do júri.
A Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da
verdade substancial ou na decisão da causa.
B As nulidades posteriores à pronúncia devem ser argüidas, sob pena de preclusão, logo
depois de anunciado o julgamento e apregoadas as partes.
C A produção ou leitura de documento novo será comunicada à parte contrária com
antecedência de, pelo menos, três dias.
D Pode o tribunal, quando entender necessário para o julgamento do recurso, realizar
novas diligências, visando à complementação das provas já carreadas aos autos, o
que implica dizer que se trata de um direito do réu.

3. (OAB/CESPE – 2007.3.PR) Relativamente ao instituto da prova criminal, assinale a


opção correta.
A É permitida a juntada de documentos no plenário do tribunal do júri, desde que trate de
prova relativa ao fato imputado e esclareça a verdade real.
B A existência de prova da materialidade e de indícios de autoria são suficientes para o
recebimento da denúncia, para a determinação de interceptação telefônica e para a
inclusão do réu no rol dos culpados.
C As provas periciais, ainda que produzidas durante o inquérito policial, têm valor
probatório, visto que se submetem a contraditório diferido.
D A confissão feita durante o interrogatório judicial pode suprir a ausência do laudo de
exame cadavérico.

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69

XIII. RECURSOS
É o Mecanismo necessário destinado ao reexame das decisões judiciais.

1. PRINCÍPIOS

a) Duplo grau de jurisdição;


• Não está previsto expressamente na CF;
• Está previsto no Pacto de San José da Costa Rica.
b) Fungibilidade Recursal;
• Boa fé;
• Se interposto o recurso errado, e não se tratando de erro grosseiro, recebe-se
o recurso errado como se fosse o correto.

2. EFEITOS DOS RECURSOS

a) DEVOLUTIVO  Sua interposição serve para que a instância superior (TJ, Turma
Recursal, STJ, TRF etc.) analise, total ou parcialmente, a matéria combatida. Ou seja, é
a garantia de uma segunda opinião sobre o tema.
b) SUSPENSIVO  Suspende o andamento do processo principal enquanto não for
resolvida a questão discutida no recurso.
• Há diversos recursos que não possuem efeito suspensivo, mas em determinadas
ocasiões é possível entrar com um Mandado de Segurança para imprimir o efeito
suspensivo desejado ao recurso.
• Alguns exemplos: a apelação contra sentença condenatória; alguns tipos de RESE
(art. 584, CPP); os embargos de declaração; e quando demonstrado o risco de dano
irreparável caso não seja concedido o efeito suspensivo ao recurso.
c) REGRESSIVO  Juízo de retratação.
• Recurso em sentido Estrito (RSE); Agravo em execução; Carta Testemunhável.

d) EXTENSIVO (Art. 580, CP).

3. RECURSO DE OFÍCIO (REEXAME NECESSÁRIO)

Algumas decisões judiciais devem ser revistas obrigatoriamente pelo tribunal.


• Da decisão que concede habeas corpus (art. 574, I, CPP).
• Da decisão que concede reabilitação criminal (art. 746, CPP).
• Decisão que concede a absolvição sumária (júri).

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• Decisão que arquiva inquérito policial ou absolve o réu nos crimes contra a
economia popular.

4. RECURSOS EM ESPÉCIE

4.1. Apelação
É o recurso interposto da sentença definitiva ou com força de definitiva, para a segunda
instância, com o fim de que se proceda ao reexame da matéria, com a conseqüente
modificação parcial ou total da decisão.
Composto por 2 peças: interposição e razões.
• Interposição  para o JUIZ “a quo” (p/ que se faça o juízo de admissibilidade,
verificando os PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS).
 Cabe o RSE se ele negar.
• Razões  para o TRIBUNAL.
• Prazo:
 5 dias para interpor ;
 8 dias para oferecer as RAZÕES.
 Exceção:
 No JECRIM o prazo da apelação é de 10 dias para interposição e
razões.

• Hipóteses de cabimento: (art. 593, CPP)


 Contra sentença condenatória;
 Contra sentença absolutória;
o Própria  não impõe nenhuma sanção penal.
o Imprópria  absolve, mas impõe medida de segurança.
 Contra absolvição sumária (art. 397, CPP)
 1º fase do júri (impronúncia/ absolvição sumária)

• Algumas decisões do Júri são apeláveis:


 Nulidade posterior à pronúncia (pede-se um novo julgamento);
 Erro do juiz presidente (pede-se a reforma da decisão).
 Quando a decisão dos jurados é manifestamente contrária a prova dos autos
(pede-se um novo julgamento).

4.2. RESE (Recurso em Sentido Estrito)


• 2 peças:

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 Interposição para o Juiz “a quo” (p/ que se faça juízo de retratação);


 Razões para o Tribunal (juízo ad quem).
• Admitem juízo de retratação:
 RSE, Agravo em execução e a Carta testemunhável.
• Prazo:
 5 dias para interpor (contados da intimação);
 2 dias para razões.
• Quando cabe o RSE? (art. 581, CPP)
 Decisões que rejeitam a denúncia (queixa);
 Obs.: No JECrim ao se rejeitar denúncia ou queixa cabe APELAÇÃO em
10 dias!
 Decisões de Pronúncia;
 DESCLASSIFICAÇÃO (Júri;)
 Decisão que concede ou nega HC;
 Decisões que anulam o processo;
 Extinção da punibilidade.

4.3. Agravo em execução (art. 197, da Lei de execuções penais)


• Quando cabe?
o Contra toda decisão proferida na fase de execução da pena.
 Ex. Decisão que concede ou nega progressão de regimes.
o Decisão que concede ou nega livramento condicional.
• Qual é o rito?
o O mesmo do RSE!
• Prazo = 5 dias.

4.4. Embargos infringentes


• É o único recurso exclusivo da defesa.
• São opostos em 10 dias.
• Cabe  contra acórdão não unânime de apelação e RSE.
• Somente pode ser pedido o que foi concedido pelo voto vencido.

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4.5. Embargos de declaração


• Serão dirigidos ao relator, caso de acórdão, e ao juiz sentenciante, em caso de
sentença.
• Julgado pelo mesmo juiz ou tribunal que decidiu.
• Prazo = são opostos em 02 dias (05 dias no JECRIM)
• Cabimento: da decisão quem contém: CONTo AmbOBS!
o CONTradição
o Omissão
o AMBiguidade
o OBScuridade

A oposição dos embargos de declaração interrompe o prazo dos demais recursos. O prazo
volta para o zero.

4.6. Carta Testemunhável


• Finalidade: Evitar que o juiz impeça o Tribunal do conhecimento de algum
inconformismo (fazer subir recurso denegado).
• Prazo = 48 horas.
• Interposição = para o escrivão chefe do cartório.
• Cabe = contra decisão que nega seguimento ao RSE e ao Agravo em execução.
• Admite o juízo de retratação pelo Juiz.

4.7. Recurso Ordinário Constitucional (R.O.C)


• Prazo = 5 dias
• Cabe = contra decisão dos tribunais que negam o HC.
• Juiz nega – cabe RSE ou outro HC.
• Tribunal nega HC – cabe R.O.C ou outro HC.
• Pode ser julgado por:

Quem nega HC Quem Julga o ROC


- TJ ou TRF - STJ
- STJ - STF

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4.9. Recurso Especial (art. 105, III, CF)


• Prazo 15 dias.
• Competência do Superior Tribunal de Justiça - STJ.
• Da decisão que contrariar lei federal.
• Deve haver prequestinomento.

4.10. Recurso Extraordinário (art. 102,III CF)


• Prazo 15 dias
• Competência do STF.
• Cabe da decisão que for contra a Constituição Federal.
• Deve haver prequestionamento.
• Repercussão Geral.

IX. AÇÕES AUTÔNOMAS IMPUGNATIVAS


• Revisão Criminal;
• Mandado de Segurança;
• Habeas Corpus.

1. HABEAS CORPUS (“TRAGA-ME O CORPO”)

O habeas corpus não é recurso; não tem prazo para a sua interposição; não é
obrigatório sua existência em um processo. É ação constitucional de caráter penal e
procedimento especial.
A Constituição Federal de 1988 institui duas espécies de habeas corpus:
• habeas corpus preventivo ou salvo conduto: não houve dano consumado, havendo
risco futuro de se sofrer uma coação.
• habeas corpus repressivo ou liberatório: visa combater o dano à liberdade de
locomoção, coação ou violência que se encontram consumados.

1.1. Rito do Habeas Corpus


A impetração do habeas corpus se faz por meio de petição inicial, que deverá conter os
seguintes requisitos mínimos:
• nome do paciente;

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• descrição da atual ou futura violência ou coação à liberdade de locomoção;


• petição escrita em língua portuguesa;
• assinatura do impetrante ou de alguém a seu rogo;
• documentos que comprovem os fatos alegados.

1.2. Hipóteses de Cabimento (Art. 647/648 do CPP)


P.: O rol do artigo 648 do Código de Processo Penal é taxativo ou exemplificativo?
R: Discussão sem razão de ser, pois o rol do artigo 647 do Código de Processo Penal é
suficientemente amplo para abranger várias situações.

São hipóteses de cabimento do habeas corpus:


• Quando não houver justa causa: haverá justa causa sempre que a persecução penal
possuir fundamentos fáticos e jurídicos.
• Sempre que alguém estiver preso por mais tempo que a lei permita:
o dispositivo que vale para prisão penal e para prisão processual.
• Quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo.
• Quando houver cessado o motivo que autorizou a coação.
• Quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza.
• Quando o processo for manifestamente nulo: a nulidade deve ser manifesta.
• Quando extinta a punibilidade.
o Ex.: instaura-se inquérito policial para apurar crime prescrito.

P.: É possível o impetrante alegar em habeas corpus alguma hipótese e o tribunal conceder por
outra?
R.: Sim. O tribunal pode até conceder habeas corpus de ofício, não estando vinculado à alegação.

2. MANDADO DE SEGURANÇA NA ÁREA CRIMINAL

O mandado de segurança encontra-se previsto nos incisos LXIX e LXX do artigo 5.º da
Constituição Federal.
Desde seu surgimento discutia-se a possibilidade de cabimento contra ato
jurisdicional. Hoje não há dúvida: é cabível contra aquele ato jurisdicional para o qual não se
previu recurso.
Ex.: pedido de habilitação do assistente de acusação negado; decisão que determina a
apreensão de objetos não relacionados ao crime, para garantir as prerrogativas do advogado.
E se o ato for recorrível? Segundo a Lei do Mandado de Segurança não será cabível. É
válida essa restrição?

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Não. Essa restrição não é aplicada. Prevalece o entendimento de que o mandado de


segurança poderá ser impetrado contra ato jurisdicional que admita recurso, sempre que o
recurso não possuir efeito suspensivo, pois, nesse caso, a interposição do recurso não impede
que a decisão produza seus efeitos, de tal forma que não obsta a consumação da lesão a
direito líquido e certo em virtude de ilegalidade ou abuso de poder.
Cabe também o Mandado de Segurança para obter efeito suspensivo em agravo
interposto contra decisão que em sede de execuções concede livramento condicional ou
progressão de regime sem o preenchimento dos requisitos legais ou para obter efeito
suspensivo contra a concessão de liberdade provisória em crime hediondo.

Direito Líquido e Certo


Após grande discussão doutrinária, chegou-se ao consenso de que a expressão “direito
líquido e certo” deve ser tomada no sentido processual, para indicar direito apurável sem
necessidade de dilação probatória. Disso decorre a exigência de prova pré-constituída do
direito para que se cogite a concessão de mandado de segurança.

Partes
São legitimados para impetrar o mandado de segurança a pessoa física ou jurídica - e,
até, ente despersonalizado - titular do direito líquido e certo ameaçado ou violado pela
ilegalidade ou abuso de poder. Normalmente, no processo penal, esse remédio será utilizado
pela acusação – pois a defesa pode fazer uso do habeas corpus.
O órgão do Ministério Público pode impetrar mandado de segurança perante tribunais.
No pólo passivo, segundo a doutrina dominante, encontra-se a pessoa jurídica de
direito público a cujo quadro pertence a autoridade coatora.

Competência
Como se trata de mandado de segurança em face de ato jurisdicional, a competência
será sempre dos tribunais – originariamente.

Procedimento
• Prazo para impetração: 120 dias contados da ciência do ato impugnado.
• A petição inicial deve atender aos requisitos dos artigos 282 e 283 do Código de
Processo Civil e estar munida da prova pré-constituída do direito do impetrante.
• O tribunal pode ou não conceder a liminar.
• A autoridade coatora será notificada para prestar informações no prazo de 10 dias.
• O órgão do Ministério Público deve apresentar parecer em 5 dias – atua como custos
legis.

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Liminar
A lei do mandado de segurança assegura a possibilidade de concessão de liminar ao
impetrante sempre que a ameaça ao direito líquido e certo for atual e objetiva (art. 70, inc. II).

Obs.: a notificação da autoridade coatora para apresentação das informações tem valor de
citação.

Atenção: o Supremo Tribunal Federal entende que o mandado de segurança, quando


impetrado pelo Ministério Público contra decisão favorável a defesa, deverá também requerer
e o tribunal determinar a citação do réu como litisconsórcio necessário. Sem isso, o Supremo
Tribunal Federal anula o mandado de segurança.

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QUESTÕES SOBRE O TEMA


1. (OAB – CESPE 2009.1) Jaime foi denunciado pela prática de crime político perante a 12.ª
Vara Criminal Federal do DF. Acolhida a pretensão acusatória e condenado o réu, a decisão
condenatória foi publicada no Diário da Justiça. Nessa situação hipotética, considerando-se
que não há fundamento para a interposição de habeas corpus e que não há ambiguidade,
omissão, contradição ou obscuridade na sentença condenatória, contra esta cabe:
(A) recurso de apelação ao Tribunal Regional Federal da Primeira Região.
(B) pedido de revisão criminal ao próprio juízo sentenciante.
(C) recurso ordinário constitucional diretamente ao STF.
(D) recurso ordinário constitucional diretamente ao STJ.

(OAB/MG 2008 edição 1) O juízo de retratação em matéria de recursos é próprio:


(A) Do recurso em sentido estrito.
(B) Da apelação.
(C) Do protesto por novo júri.
(D) Da revisão criminal.

GABARITO:

1. C; 2. A

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