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UNIVERSIADE FUMEC

FACULDADE DE ENGENHARIA E ARQUITETURA – FEA

ENGENHARIA DE PRODUÇÃO CIVIL

FLÁVIO ZAULI BRAGA

FRANCISCO LIRA TORRES

JAVIER ETRUSCO CURILEM MARDONES

LEONARDO COELHO FERNANDES

LUCAS AMARAL SARAIVA FRAIHA

PEDRO HENRIQUE PEDROSA CRUZ

THAÍS NASCIMENTO CARVALHO

VICTOR THOMAZ MOURÃO MORAIS MATOS

VINÍCIUS CARVALHO ABISSAMARA

VINÍCIUS RODRIGUES NEIVA

DESAFIO ACADÊMICO: Análise Comparativa da Viabilidade Técnica e Econômica


da Produção e Distribuição entre a Energia Solar e a Energia Eólica

Prof. Márcio Aguiar

Belo Horizonte,

Outubro/2017
FLÁVIO ZAULI BRAGA

FRANCISCO LIRA TORRES

JAVIER ETRUSCO CURILEM MARDONES

LEONARDO COELHO FERNANDES

LUCAS AMARAL SARAIVA FRAIHA

PEDRO HENRIQUE PEDROSA CRUZ

THAÍS NASCIMENTO CARVALHO

VICTOR THOMAZ MOURÃO MORAIS MATOS

VINÍCIUS CARVALHO ABISSAMARA

VINÍCIUS RODRIGUES NEIVA

DESAFIO ACADEMICO: Análise Comparativa da Viabilidade Técnica e Econômica


da Produção e Distribuição entre a Energia Solar e a Energia Eólica

Desafio acadêmico apresentado à


Faculdade de Engenharia e Arquitetura
da Universidade Fumec, como requisito
parcial para a conclusão do curso de
Engenharia de Produção/Civil.

Prof. Márcio Aguiar

Belo Horizonte,

Outubro/2017
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Energia global por fonte de geração .............................................................. 6

Figura 2 – Capacidade instalada de geração elétrica no Brasil .................................... 11

Figura 3 – Principais centros de geração e consumo no Brasil ..................................... 12

Figura 4 – Mapa do potencial eólico brasileiro .............................................................. 14

Figura 5 – Funcionamento da turbina eólica ................................................................. 15

Figura 6 – Componentes da turbina de eixo horizontal ................................................. 16

Figura 7 – Radiação Solar no Brasil .............................................................................. 19

Figura 8 – Desenho das componentes da radiação solar ............................................. 20

Figura 9 – Estrutura simplificada do efeito fotovoltaico ................................................. 20

Figura 10 – Eficiência das células e módulos ............................................................... 21

Figura 11 – Participação por tecnologia fotovoltaica no mundo .................................... 22

Figura 12 – Classificação de sistemas fotovoltaicos ..................................................... 23

Figura 13 – Constituição do sistema fotovoltaico conectado à rede ............................. 24

Figura 14 – Radiação solar no plano inclinado média anual ......................................... 26

Figura 15 – Potencial anual médio de energia solar no Brasil ...................................... 27

Figura 16 – Efeito de redução de pico com adição de módulos PV em um centro urbano


...................................................................................................................................... 28

Figura 17 – Velocidade média anual do vento .............................................................. 30

Figura 18 – Curva típica de potência de turbinas eólicas .............................................. 31

Figura 19 – Rugosidade do Brasil ................................................................................. 32

Figura 20 – Potencial eólico para vento médio anual superior a 7 m/s ......................... 33

Figura 21 – Representação de um fluxo de caixa ......................................................... 34

Figura 22 – Composição do fluxo de caixa de um projeto de distribuição de energia ... 35


Figura 23 – Investimento do projeto .............................................................................. 37

Figura 24 – Fluxo de caixa projetado ............................................................................ 37

Figura 25 – Parâmetros utilizados no projeto ................................................................ 38

Figura 26 – Fluxo de caixa do projeto de Itaparica ....................................................... 39


5

SUMÁRIO

1 INTRODUÇAO ............................................................................................................. 6

2 OBJETIVO ................................................................................................................... 8

3 JUSTIFICATIVA........................................................................................................... 9

4 MÉTODO ................................................................................................................... 10

5 RESULTADO ............................................................................................................. 25

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 41

REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 42
6

1 INTRODUÇAO

A energia renovável é uma parte fundamental da transformação energética que


vem ocorrendo nos últimos anos. Cada vez mais, cria-se uma consciência política a
respeito da utilização de fontes renováveis, tornando-se a principal escolha nos governos
atuais para fornecer uma energia acessível, confiável e limpa.

A distribuição das principais fontes de energias no mundo pode ser visualizada na


Figura 1. Nota-se que a principal energia utilizada atualmente ainda é a proveniente de
fontes não-renováveis, porém já é observada uma porcentagem significativa de energias
limpas.

Figura 1 – Energia global por fonte de geração

Fonte: IRENA, 2016

Sob diferentes parâmetros, a energia renovável vem adquirindo espaço no


mercado. De acordo com dados coletados em 2017, uma a cada cinco unidades de
energia que é distribuída diretamente aos consumidores é proveniente de energias
renováveis. É esperado um crescimento deste valor, uma vez que desde 2012, a
instalação de capacidades renováveis aumentou, principalmente devido ao surgimento
de novas tecnologias (IRENA, 2017).
7

Neste cenário, o Brasil se posiciona de forma inesperada. Com a grande


participação das usinas hidrelétricas na nossa matriz energética, alcançamos um
montante de 85% de fontes renováveis na distribuição elétrica (Hallack, 2017).

No mercado mundial, as fontes de energia renovável que serão discutidas a


seguir, solar e eólica, comandam aproximadamente 90% dos investimentos feitos em
2015 em energia renovável, e agora já competem no mercado com as fontes
convencionais de eletricidade, uma vez que seus custos têm subido nos últimos anos.

No Brasil, o cenário é similar. Devido ao grande potencial eólico e solar têm sido
criados cada vez maiores incentivos para o desenvolvimento e utilização destas fontes
de energia para produção e abastecimento.

É com base nesse cenário energético e econômico brasileiro e mundial que surge
a iniciativa de elaboração do presente trabalho. A proposta aqui estudada é a viabilidade
técnica e econômica da produção e distribuição de energia solar e de energia eólica.
8

2 OBJETIVO

O trabalho tem como objetivo fazer uma comparação entre a viabilidade técnica e
econômica da produção e da distribuição de energia, sendo analisadas a energia solar
e a energia eólica. Esta análise funcionará como um embasamento técnico para definir
através da comparação entre as duas modalidades de energia, qual delas se aplica
melhor à diferentes cenários.
9

3 JUSTIFICATIVA

O objetivo selecionado é considerado de grande importância. Com a atual


divulgação de informações de conscientização ambiental, não restam dúvidas de que é
necessário buscar maior diversificação da matriz energética nacional através do uso de
energia renovável.

Para que isso possa ser concretizado, o primeiro passo é analisar a viabilidade
técnica da aplicação de novas tecnologias, uma vez que são serviços que tem recebido
crescentes investimentos em tecnologia e estão em constante mutação.

Ademais, deve ser analisada a viabilidade econômica, uma vez que a distribuição
só será concretizada se for possível obter o devido retorno nas áreas onde forem
instaladas as redes de distribuição de energias renováveis. Também deve ser levado em
consideração o retorno obtido com a estabilização do cenário climático.

A comparação entre duas fontes de energia, como a eólica e a solar, permite


definir qual é a melhor opção para implantação em países como o Brasil, inclusive em
regiões como Belo Horizonte.
10

4 MÉTODO

Este capítulo busca apresentar as principais pesquisas realizadas que contribuíram


para a elaboração do presente estudo. Um panorama do cenário energético brasileiro
será apresentado e também serão abordados os principais conceitos e especificidades
técnicas na produção e distribuição de energia solar e elétrica.

4.1 Organização do setor elétrico no brasil

A característica mais marcante para o planejamento da produção e da distribuição


elétrica talvez seja o fato de que a energia não pode ser armazenada e deve ser
consumida simultaneamente.

O funcionamento depende de duas etapas intermediárias, a transmissão e a


distribuição da energia. É devido à simultaneidade do processo que surge a necessidade
de compatibilizar as diferentes etapas, uma vez que a falha de qualquer uma delas
compromete o funcionamento do sistema como um todo.

No processo de geração, podem ser utilizadas diferentes tecnologias, como usinas


hidrelétricas, termoelétricas, eólicas, solares, entre outras. As características geográficas
brasileiras e fatores econômicos geraram uma disposição para a instalação de usinas
hidrelétricas.

Porém, nos últimos anos tem surgido uma crescente preocupação com a
diversificação da matriz energética brasileira. Em 2012, apesar da redução na proporção
de renováveis, a participação ainda se manteve consideravelmente acima da média
mundial (EPE, 2013).

Nota-se a predominância de fontes hidroelétricas através do gráfico a seguir:


11

Figura 2 – Capacidade instalada de geração elétrica no Brasil

Fonte: Balanço Energético Nacional, 2013

Especificamente quanto à etapa de transmissão de energia, ela é realizada através


da Rede Básica, que é constituída de subestações e linhas de transmissão com tensão
igual ou superior a 230 Kv (ANEEL, 1998). A seguir é exibido um mapa com a localização
das principais usinas e centros de consumo, comprovando a alta extensão da rede de
transmissão:
12

Figura 3 – Principais centros de geração e consumo no Brasil

Fonte: Atlas de Energia Elétrica do Brasil

A etapa final cabe às empresas distribuidoras, que direcionam a energia elétrica aos
consumidores finais. O serviço de distribuição é prestado por empresas concessionárias
que distribuem energia através de cabos de baixa tensão por ruas e avenidas.

Nota-se que a diferença entre as diferentes fontes de energia, está no processo de


obtenção de energia, e não na distribuição em si. É sob este panorama que a seguir
serão abordados os principais aspectos associados à geração de energia eólica e solar,
que são o foco do presente estudo.
13

4.2 Energia eólica

A energia eólica pode ser produzida através da utilização de diferentes tipos de


máquinas, divididas basicamente em grande ou pequeno porte. As maiores variações
ocorrem para as de pequeno porte, como o tipo de eixo, ou número de pás.

No presente estudo será adotada a hipótese de que a distribuição será feita a partir
de um parque eólico com máquinas de grande porte do tipo tripás com eixo horizontal,
que corresponde ao tipo de equipamento mais utilizado atualmente (PUC-RS, 2017).

4.2.1 Informações gerais

O vento é o movimento do ar entre uma área de alta pressão em direção a uma área
de baixa pressão. Isso ocorre porque o Sol aquece de maneira heterogênea a superfície
terrestre. Como o vento está diretamente ligado à natureza, tem sido utilizado como uma
fonte de energia a vários anos.

Era utilizado nos tempos antigos por camponeses para movimentar moinhos, moer
seus grãos e impulsionar uma bomba de água. Este foi o surgimento da energia eólica,
que é a transformação do vento em energia útil através do uso de aerogeradores.

Na década mais recente, o uso de turbinas eólicas tem aumentado 25% ao ano,
sendo, ainda assim, uma pequena parcela da energia utilizada no mundo (DELGADO,
2014). As inovações produtivas têm tornado os equipamentos ainda mais baratos,
portanto, uma vez que as turbinas estão instaladas, o seu custo de operação é
praticamente zero.

No Brasil, o litoral brasileiro apresenta velocidades de vento propícias ao


aproveitamento da energia eólica em grande escala. Também existem áreas
montanhosas no interior do país com um potencial que pode ser aproveitado. A região
menos propícia é o Norte, que possui baixa intensidade de ventos, que
consequentemente, não são explorados.

O mapa a seguir exibe as áreas do país com maior potencial eólico passível de
exploração:
14

Figura 4 – Mapa do potencial eólico brasileiro

Fonte: CRESESB, 2013

4.2.2 Princípio físico

A geração de energia é obtida através da conversão da energia cinética dos ventos


e dos deslocamentos de ar em energia elétrica.

Quando o vento passa pela turbina, as suas lâminas captam a energia cinética e
rotacionam, transformando-a em energia mecânica. A rotação age internamente,
aumentando a velocidade em até 100 vezes. Assim, é girado um gerador que produz a
eletricidade (SIMIS, 2010).

As lâminas das máquinas mais modernas são aerodinâmicas e especialmente


desenvolvidas para a conversão de energia, o seu design, similar ao das asas dos
aviões, faz com que as lâminas funcionem através do princípio da sustentação, conforme
exibido na Figura 5.
15

Figura 5 – Funcionamento da turbina eólica

Fonte: AWEA, 2013

A potência gerada pelas turbinas pode ser calculada de acordo com a equação
descrita a seguir:

𝑃= 𝑥𝜌𝑥𝐴 𝑥𝑣 𝑥𝐶 𝑥𝜂 (4.1)

Onde 𝜌 é a densidade do ar, Ar é a área do rotor, v é a velocidade do vento, Cp é o


coeficiente aerodinâmico de potência do rotor e η é a eficiência do conjunto gerador-
transmissão (LIMA E FILHO, 2012).

4.2.3 Componentes do sistema eólico

O sistema eólico é composto primordialmente pelos seguintes componentes: turbina,


gerador, caixa multiplicadora, sistemas de controle e torre da turbina.

As turbinas são classificadas de acordo com o seu eixo, e podem ser verticais ou
horizontais. As de eixo vertical movem as suas pás no mesmo sentido do fluxo de ar,
enquanto as horizontais movem perpendicularmente.

Na Figura 6 é exibida uma turbina eólica horizontal e seus principais componentes.


16

Figura 6 – Componentes da turbina de eixo horizontal

Fonte: Universidade do Minho, 2015

O rotor é o componente onde são fixadas as pás da turbina, efetua a transformação


da energia cinética em mecânica, o conjunto é conectado a um eixo que transmite a
rotação das pás a um gerador, o que ocorrer com o auxílio de uma caixa multiplicadora.
A nacele abriga o gerador e o sistema elétrico-eletrônico.

A torre é o elemento que sustenta o rotor e a nacele na altura adequada. Inicialmente,


eram constituídas de metal treliçado, mas com o aumento do peso da estrutura, o
material passou a ser metal tubular ou concreto.

O gerador converte a energia mecânica em energia elétrica. O transformador


converte a tensão gerada pelo gerador em uma que seja adequada à rede. Um sistema
de controle é utilizado para evitar danos no sistema, atuando na velocidade, passo, freio,
posicionamento do rotor e controle de carga. Os dois mais utilizados são o estol e o
17

passo. Eles se tornam necessários, uma vez que pequenas alterações nas condições
ambientes exigem uma imediata adaptação do sistema, evitando sobrecargas (DUTRA,
2008).

4.2.4 Impactos ambientais

A energia eólica não é diferente das outras modalidades de fornecimento e também


gera impactos ambientais devido à sua utilização.

Os equipamentos de pequeno porte oferecem poucos riscos, e o seu impacto pode


ser considerado praticamente desprezível. Já os parques eólicos causam maiores
impactos e os principais danos causados são:

a) Uso da terra: as turbinas devem obedecer a um espaçamento mínimo entre si,


que pode chegar até a 10 vezes o seu tamanho. Isso faz com que uma grande
área de terra tenha que ser completamente inutilizada para que seja viabilizada
a instalação de um número razoável de turbinas. Tal impacto pode ser amenizado
através da definição de usos alternativos para o solo simultaneamente, como
plantio agrícola, lazer ou turismo;
b) Poluição Sonora: a rotação das turbinas emite sons consideráveis proveniente do
fluxo de ar nas pás e dos mecanismos elétricos. Existe inclusive uma legislação
específica que visa regular a proximidade das ruínas de residências. O impacto
vem sendo reduzido com os avanços tecnológicos na área.
c) Poluição Visual: as pás produzem sombras e reflexos que afetam residências
vizinhas, principalmente em locais de alta latitude. Além disso, para
funcionamento do parque deve ser instalado um elevado número de turbinas,
sendo que não é levado em consideração o seu design, suas cores ou o seu
tamanho. Devido à interferência em áreas naturais, elas não devem ser
instaladas em áreas turísticas;
d) Fauna: o maior impacto das turbinas ocorre sobre as aves. Acredita-se que elas
são incapazes de enxergar as pás em movimento, e devido ao impacto, é gerado
um alto índice de mortalidade aviária. A construção de parques deve ser evitada
em locais de migração ou reprodução de aves e em reservas ambientais;
18

e) Eletromagnetismo: acontece quando a turbina está instalada entre antenas


receptoras ou transmissoras, seja de tv, telefone ou rádio. As pás são capazes
de refletir parte das ondas, fazendo com que elas causem interferências com a
transmissão do sinal.

4.3 Energia solar

O conceito de energia solar, de maneira simplificada, consiste na eletricidade gerada


a partir da energia eletromagnética proveniente da luz e do calor do Sol.

Atualmente, existem dois tipos principais de tecnologia disponíveis para a produção


de energia elétrica e aquecimento provenientes da radiação solar, que são: energia solar
concentrada e a energia solar fotovoltaica, que possui algumas variações.

Para o presente estudo, será considerada a implantação de um parque solar com o


uso de placas fotovoltaicas.

4.3.1 Informações gerais

A radiação emitida pelo Sol pode ser utilizada diretamente como uma fonte de energia
térmica e posterior conversão em energia elétrica ou mecânica. A incidência de radiação
sobre uma aparelhagem específica pode ser utilizada para conversão direta de energia
elétrica, com destaca para os sistemas termoelétricos e fotovoltaicos.

O principal fator que deve ser analisado ao se pesquisar sobre a energia solar, é a
radiação. A incidência de raios solares varia de acordo com a região, a estação e a hora
do dia, exibindo grandes variações de acordo com as alterações nestes fatores.

O Brasil está localizado próxima da linha do Equador e por isso não são observadas
significativas variações diárias. Em lugares mais ao Sul do país, onde as variações são
maiores, os painéis podem ser ajustados para minimizar os impactos. Na Figura 7 pode
ser observada a distribuição da radiação no Brasil:
19

Figura 7 – Radiação Solar no Brasil

Fonte: ANEEL, 2005

Para sistemas com utilização de placas fotovoltaicas, o índice de maior interesse é a


Irradiação Global Horizontal (GHI), que quantifica a radiação recebida por uma superfície
plana horizontal. A GHI é a soma da radiação difusa e da direta. Em dias nublados,
permanece a radiação difusa, enquanto que em dias de Sol, há maior incidência da
radiação direta. A situação pode ser visualizada na Figura 8:
20

Figura 8 – Desenho das componentes da radiação solar

Fonte: Viana, T., 2011

A energia solar captada é convertida diretamente em energia elétrica (corrente


contínua) e pode ser transmitida diretamente através de materiais semicondutores.

4.3.2 Princípio físico

As placas fotovoltaicas são constituídas de materiais semicondutores caracterizados


pela presença de bandas de energia, que variam entre bandas de valência com presença
de elétrons e bandas de condução vazias.

A junção das bandas alternadas em uma camada em uma região onde o campo
elétrico é diferente de zero gera uma corrente elétrica criando uma diferença de potencial
chamada de Efeito Fotovoltaico. A estrutura física simplificada da célula fotovoltaica é
exibida a seguir:

Figura 9 – Estrutura simplificada do efeito fotovoltaico

Fonte: Almeida, P.M., 2011


21

As células podem ser constituídas de diferentes materiais e cada um deles, produzirá


uma eficiência diferente para o sistema, e, também terá diferentes necessidades de área.
Os dados para os principais materiais podem ser vistos na Figura 10:

Figura 10 – Eficiência das células e módulos

Fonte: EPIA, 2008

4.3.3 Componentes do sistema fotovoltaico

O primeiro componente do sistema a ser definido é o tipo de placa que será utilizada.
A escolha será feita com base no tipo de tecnologia mais utilizada no mundo, a tabela a
seguir traz dados até 2010, considerando uma progressão linear dos dados coletados, a
placa mais utilizada é a de c-Si (silício cristalino).
22

Figura 11 – Participação por tecnologia fotovoltaica no mundo

Fonte: Photon International, 2011

Este tipo de placa vem crescendo no mercado devido a sua solidez e confiabilidade.
O custo de produção e elevado e apresenta baixas perspectivas de redução, mesmo
com o avanço das tecnologias. Ainda assim, é a preferência pois apresenta maior
eficiência de conversão.

A NBR 11704:2008 – Sistemas fotovoltaicos classifica os sistemas de conversão


fotovoltaica de energia solar em energia elétrica. A classificação é feita de acordo com o
tipo de alimentação dos condutores, a presença ou não de acumulação de energia
elétrica e os seus componentes básicos. A tabela resumo é apresentada a seguir:
23

Figura 12 – Classificação de sistemas fotovoltaicos

Fonte: NBR 11704:2008

Quanto ao tipo sistema a ser analisado no presente estudo, ele deve ser conectado
à rede elétrica para estar efetivamente conectado com o sistema público de fornecimento
de energia. A configuração deve ser pura, pois o objetivo é analisar sistemas solares
atuando isoladamente.

Portanto, deverá ser utilizado um inversor como o exibido na Figura 13, que é um
equipamento eletrônico destinado a converter tensão contínua oriunda do gerador
fotovoltaico em tensão alternada.
24

Figura 13 – Constituição do sistema fotovoltaico conectado à rede

Fonte: Viana, T. (2011)

4.3.4 Impactos ambientais

Um estudo realizado em 2016 pela Universidade Lancaster monitorou um parque


solar, próximo à Swindon durante um ano. Os resultados da análise foram comparados
com dados de uma área próxima sem a instalação do parque solar.

A principal constatação foi que o parque criou um microclima em seu entorno e


registrou quedas de 5 graus Celsius abaixo das placas durante o verão dependendo da
época do ano e do dia. Como o clima interfere em processos biológicos, como taxa de
crescimento das plantas, essa constatação é de extrema importância.

Os parques solares podem inclusive interferir nas atividades no seu entorno, como
agricultura e ocupação do solo. Ainda existem poucos estudos específicos a respeito do
tema, sendo necessário analisar mais detalhadamente os impactos causados pelo
parque solar.

A instalação das placas também reque um estudo de impacto ambiental na fauna


local. Em outros países já ocorreram relatos narrando altos índices de mortalidade aviária
devido ao calor refletido pelas placas em grandes áreas da natureza. Os parques
também já foram criticados previamente pelo seu impacto sobre tartarugas do deserto e
aves de rapina.
25

5 RESULTADO

O objetivo do presente capítulo é analisar a viabilidade técnica e econômica de dois


tipos diferentes de fornecimento de energia, a solar e a eólica. É a partir deste capítulo,
embasado em fundamentos técnicos, que será possível definir qual a melhor opção para
implantação de um sistema de produção e distribuição de energia.

5.1 Viabilidade técnica da produção e distribuição de energia solar

O primeiro ponto a ser analisado para que possa ser determinada a viabilidade
técnica da implantação de um sistema de produção de energia solar é a radiação
incidente na área.

O Brasil é um país privilegiado sob este aspecto quando comparado com outros
países. Os valores de radiação solar podem ser encontrados no Atlas Brasileiro de
Energia Solar (2006), como pode ser visto na Figura 14.
26

Figura 14 – Radiação solar no plano inclinado média anual

Fonte: Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2006

As áreas claras do mapa exibem maiores níveis de radiação solar, como Tocantins,
Bahia, norte de Minas Gerais e parte do Nordeste. Os valores variam entre 1500
kWh/m²/ano e 2500 kWh/m²/ano.

Esses valores comprovam o elevado potencial existente no Brasil. Pode ser feita uma
comparação com a Alemanha, onde os valores de radiação variam entre 1050
27

kWh/m²/ano e 1450 kWh/m²/ano, cerca de 40% abaixo dos valores brasileiros, e ainda
assim possui alto potencial para produção de energia solar (Tiepolo, 2013).

Com base nas disponibilidades energéticas e nas características climáticas de cada


região, é possível definir o potencial anual médio de energia solar para cada região do
Brasil, como visto na Figura 15.

Figura 15 – Potencial anual médio de energia solar no Brasil

Fonte: Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2006

A região Nordeste é a que apresente maior disponibilidade energética, seguido do


Centro-Oeste e do Sudeste. Além disso, a região Nordeste também é a que apresente a
menor variabilidade anual, entre 5,7 e 6,1 kWh/m² (PEREIRA et al., 2006).
28

De maneira geral, o Brasil está particularmente bem situado para a implementação


de sistemas PV interligados à rede urbana, podendo ser utilizado em qualquer região do
Brasil, devido tanto ao alto índice de radiação solar, quanto à baixa variação sazonal.

Outro fator importante para análise técnica, é a comparação entre os picos de carga
diários e anuais. Na maioria das capitais do Brasil, a demanda no verão é maior do que
no inverno, coincidindo com a disponibilidade de recursos. Além disso, regiões com
predominância de prédios comerciais, possuem pico de demanda no período diurno,
enquanto em áreas residências, os picos ocorrem ao entardecer.

Portanto, é importante que essa análise seja feita previamente à instalação do


sistema, para que seja possível selecionar os consumidores com maior potencial de
crédito. Essa definição embasa o conceito de Potencial Efetivo de Amenização de Carga
de PV, que consiste na redução de pico ao adicionar um pequeno número de módulos
para ajudar na redução de requisição de carga na rede.

Um exemplo do funcionamento do Efeito de Amenização de Carga de PV pode ser


visualizado na Figura 16.

Figura 16 – Efeito de redução de pico com adição de módulos PV em um centro urbano

Fonte: Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2006

Portanto, de forma geral, o Brasil possui um alto potencial para a instalação de


sistemas fotovoltaicos para produção de eletricidade. Porém, é importante analisar as
características de consumo da região onde será implantado o sistema para definir a
melhor estratégia para os fornecedores de energia e investidores.
29

5.2 Viabilidade técnica da produção e distribuição de energia eólica

Para avaliação da viabilidade técnica da produção de energia eólica, o primeiro passo


é definir o regime de ventos na região. O vento está relacionado à diferença de pressões
na atmosfera, que surge principalmente devido às diferenças de temperatura. A diferença
entre a incidência de raios solares em duas áreas diferentes, gera uma mudança na
pressão do ar existente e gera o movimento da atmosfera que caracteriza os ventos.

Existe uma certa dificuldade em se obter dados precisos a respeito do regime de


ventos no Brasil, o que também é comum em outros lugares do mundo. No Brasil, os
primeiros sensores para análise do potencial eólico foram instalados nos anos 90, no
Ceará e em Fernando de Noronha. Constatou-se que a região era propícia para a
instalação de aerogeradores, e sendo assim, outras cidades também se motivaram a
analisar o seu potencial eólico (Santos, 2006).

A análise, que foi feita principalmente no Nordeste, confirmou as características


almejadas para instalação de turbinas. Os ventos possuíam médias altas, pouca variação
nas direções e pouca turbulência durante todo o ano.

Com o objetivo de expandir o conhecimento a respeito do assunto, foi elaborado o


Atlas Eólico Brasileiro, que desenvolve modelos atmosféricos, analisa dados de ventos
e elabora mapas eólicos.

A Figura 17 exibe a velocidade média anual do vento no Brasil a uma altura de 100
m. No Brasil, a maioria das turbinas instaladas se encontram a uma altura de
aproximadamente 50m, porém, com os avanços da tecnologia, essa altura tem
alcançado patamares de 100m. Nota-se que a região com maior com maiores ventos
seria o litoral, principalmente na região de Ceará, alcançando cerca de 10 m/s.
30

Figura 17 – Velocidade média anual do vento

Fonte: Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, 2013

Outros fatores também são de extrema importância ao se analisar o potencial eólico


de uma região, entre elas: a curva de potência do aerogerador, o fator de disponibilidade
e as condições topográficas e a rugosidade do local (AMARANTE et al., 2001).

A curva de potência típica para as turbinas pode ser vista na Figura 18. Para dar
início ao giro, a turbina precisa de uma potência superior ao torque de arranque. E,
depois, é necessária uma velocidade ainda maior para dar início à produção de
eletricidade, uma vez que é necessário alcançar uma rotação mínima. A partir desse
valor, chamado de velocidade de partida, a potência aumenta até atingir a potência
nominal, que é o limite de extração pelos sistemas de controle (BRITO, 2008).
31

Figura 18 – Curva típica de potência de turbinas eólicas

Fonte: Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, 2001

A variação das condições topográficas e a rugosidade do local também interferem


com a produção. O cenário ideal seria um terreno plano, com pouca rugosidade e sem
obstáculos (FERNANDES, 2012). Esta análise também pode ser feita com base no Atlas
de Potencial Eólico, como pode ser visto na Figura 19.
32

Figura 19 – Rugosidade do Brasil

Fonte: Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, 2013

Por meio da análise integrada destes e outros mapas e cálculos de desempenho e


produção de eletricidade, é possível definir os valores da Figura 20.
33

Figura 20 – Potencial eólico para vento médio anual superior a 7 m/s

Fonte: Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, 2013

Os cálculos para elaboração do mapa foram realizados considerando algumas


premissas, entre elas: foi considerada a curva médio de desempenho para turbinas com
50m de altura, a densidade média de ocupação do terreno foi de 2 MW/km², valor
considerado conservativo, foi adotado um fator de disponibilidade de 0,98 (AMARANTE
et al., 2013).

Nota-se que a área com maior potencial eólico e consequentemente região mais
propícia para instalação de um sistema de produção eólica, é o litoral do Nordeste. Que
34

conforme analisado anteriormente, coincide com a região de menor rugosidade e maior


velocidade dos ventos.

Portanto, o projeto deve ser inicialmente validado com base nos fatores especificados
anteriormente para que posteriormente possa ser realizada a comparação econômica.

5.3 Viabilidade econômica da produção e distribuição de energia solar e eólica

Além da análise técnica, o projeto também deve ser validado economicamente. O


objetivo é comprovar que serão cobertos os custos de implantação e de manutenção,
além de apresentar baixo risco para o investidor e retorno para o investimento (ABREU,
2008).

Para análise de um investimento deve ser quantificado o fluxo de caixa, que pode ser
definido como todas as entradas e saídas de recursos financeiros. Com base no modelo
de fluxo de caixa descontado, um projeto é viável quando as entradas são maiores do
que as saídas, ou seja, possui um Fluxo de Caixa Descontado (FCD) positivo.

Figura 21 – Representação de um fluxo de caixa

Fonte: Tavares, 2016

A composição de um fluxo de caixa para um sistema de produção e distribuição de


energia pode ser visto a seguir:
35

Figura 22 – Composição do fluxo de caixa de um projeto de distribuição de energia

Fonte: Tavares, 2016

Entre os itens listados, as despesas operacionais, que estão relacionadas aos tributos
que incidirão sobre a receita bruta, independem do tipo de energia produzida. Assim
como as despesas financeiras, a contribuição social sobre o lucro e a provisão para
imposto de renda.

Os custos operacionais e o investimento serão as principais variáveis na análise das


saídas do fluxo de caixa, enquanto a receita direta será a principal variável na entrada.

Obtidos estes dados, deve ser feita uma análise através de indicadores financeiros
que auxiliem o processo de tomada de decisão. Os indicadores analisados comumente
são o VPL, a TIR e o período de Payback.

O VPL corresponde à diferença entre o valor líquido atual das entradas de caixa e o
investimento necessário. O seu valor é determinado subtraindo-se do valor inicial do
projeto, o valor líquido presente das entradas descontadas a uma taxa igual ao custo do
capital da empresa (SOUZA, 2003).
36

Portanto, o VPL é uma medida de quanto valor é criado hoje realizando-se um certo
investimento. Ele pode ser representado pela seguinte equação:

𝑉𝑃𝐿 = ∑ (5.4.1)
( )

Onde Rt é a receita, Ct é o custo do fluxo de caixa durante um período t, incluindo o


investimento e i representa o custo de capital. O projeto é considerado viável de o VPL
for maior ou igual a zero (EHRLICH; MORAES, 2005).

A TIR é a taxa interna de retorno que resulta em VPL igual a zero, indicando o período
para que se atinja o equilíbrio econômico do projeto. Ela é considerada interna pois não
leva em consideração taxas externas ao projeto (LEMES JÚNIOR, 2002).

∑ =0 (5.4.2)
( )

Se o valor da TIR for maior ou igual ao valor da taxa de desconto, o projeto pode ser
considerado viável.

O Payback é definido como o tempo em que os fluxos de caixa gerados pelo projeto
demoram para cobrir o investimento inicial. Deve ser estabelecido um tempo para
máximo de retorno para o investimento de acordo com as necessidades dos investidores.
O projeto é considerado viável se o período calculado estiver abaixo do estabelecido.

É com base nesses fatores que deve ser feita a análise da viabilidade econômica de
qualquer projeto. Devido à ausência de informações específicas sobre os tipos de
energia, o estudo de viabilidade econômica exige um grande tempo de estudo da
situação e de coleta de dados de mercado.

Com o intuito de exemplificar resultados obtidos para a análise da viabilidade


econômica serão exibidos a seguir os resultados obtidos para dois projetos diferentes,
um com uso de energia solar e outro com o uso de energia eólica.

5.3.1 Análise econômica de projeto fotovoltaico

O sistema proposto será a instalação de um sistema de energia fotovoltaica em uma


Instituição de Ensino Superior de Santa Catarina. Com base em uma coleta de dados
37

técnicos da região foi possível estabelecer qual seria o sistema utilizado e o investimento
necessário:

Figura 23 – Investimento do projeto

Fonte: XXII Congresso Brasileiro de Custos, 2015

Analisando as faturas elétricas anteriores foi possível perceber que o valor pago era
de R$ 0,4584 por kWh. O sistema seria capaz de gerar 13.691 kWh mensalmente, e
portanto, seria gerada uma economia de R$ 6.275,95, como pode ser visto na Figura 24.

Figura 24 – Fluxo de caixa projetado

Fonte: XXII Congresso Brasileiro de Custos, 2015

O cálculo do Payback resultou em um período de 13,5 anos, a TIR foi de 10,89% e o


VPL ao final do décimo quinto ano foi de R$ 28.025,50. Isso, associado à análise da
38

Figura 24 permite concluir que em aproximadamente 7,5 anos o sistema estaria pago e
gerando uma economia anual de R$ 75.311,45.

Portanto, para uma taxa de desconto de 10% ao ano, o projeto seria considerado
economicamente viável.

5.3.2 Análise econômica de projeto de parque eólico

O projeto analisado seriam 10 aerogeradores que constituem um parque eólico de 20


MW de potência total na região de Itaparica, na Bahia. Os principais parâmetros
utilizados para o estudo de caso são apresentados na Figura 25.

Figura 25 – Parâmetros utilizados no projeto

Fonte: Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas, 2016

Com base nestes parâmetros e na análise de fluxo de caixa exibida na Figura 26,
conclui-se que o valor de VPL obtido foi de R$ 296.000,00, a TIR é de 8,98% e o Payback
é de 11 anos, mostrando a viabilidade econômica do projeto.
39

Figura 26 – Fluxo de caixa do projeto de Itaparica

Fonte: Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas, 2016

5.4 Comparação entre a viabilidade da energia eólica e da energia solar

O primeiro aspecto a ser analisado é a viabilidade técnica dos diferentes tipos de


produção de energia. Sob este aspecto, ambos são extremamente dependentes das
condições ambientes do local, uma em relação à radiação solar e o outro em relação às
características dos ventos.

Analisando o território brasileiro, o uso de painéis fotovoltaicos pode ser aplicado mais
amplamente, uma vez que os índices de radiação possibilitam isto em todas as áreas.
Enquanto, a energia eólica poderia ser aplicada majoritariamente no Nordeste, que
oferece condições de vento favoráveis.

Em relação à tecnologia disponível no mercado, os métodos de produção de energia


solar são mais diversificados e possibilitam inclusive a instalação de sistemas individuais
com relativa facilidade, uma vez que atualmente existe um grande número de empresas
prestadoras deste serviço de instalação e manutenção.

Já os equipamentos para fornecimento de energia eólica vêm se desenvolvendo cada


vez mais, porém, ainda são mais restritivos em relação às condições ambientes
40

necessárias para viabilizar a sua instalação. No Brasil, a maior parte das turbinas
instaladas atualmente é de 50 m, com o aumento desta altura para cerca de 100m, seria
possível aumentar a potência dos parques eólicos.

Deve ser levado em consideração os impactos ambientais gerados por cada um dos
tipos de produção. Ambos possuem impactos que devem ser considerados e
minimizados dentro do possível.

Ademais, a energia solar possui maior área de atuação e por estar mais presente no
mercado nacional, possui preços mais acessíveis. Sendo assim, tecnicamente, pode ser
considerada a tecnologia mais viável.

Economicamente, deve ser feita uma análise para o projeto a ser elaborado,
fundamentando-se em características específicas, que dificultam uma comparação mais
generalista da viabilidade sem levar em consideração os diferentes cenários possíveis.
41

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho realizado permitiu a obtenção de dados e informações concretas que


viabilizaram uma comparação objetiva entre a viabilidade técnica e econômica da
produção e distribuição de energia solar e energia eólica.

O estudo foi baseado em um referencial teórico cujos conceitos apresentados têm


origem, principalmente, na engenharia energética associada a um estado financeiro
hipotético e representativo dos dados analisados.

Conforme apresentado no Item 5.5, tecnicamente, a energia eólica pode ser


considerada com a alternativa mais viável, enquanto economicamente é difícil definir a
modalidade mais viável dentro de um cenário amplo.

Porém, sempre devem ser levadas em consideração as características específicas


da área analisada, como disponibilidade de áreas, condições de transporte de
equipamentos, empresas disponíveis para gerenciamento e produção, demanda
energética, entre outros. Também deve ser considerada a possiblidade de integração
entre a modalidade já existente de fornecimento de energia com a nova modalidade a
ser implantada.

Por exemplo, a energia eólica pode ser explorada simultaneamente à energia gerada
nas hidrelétricas para balancear períodos de seca e elevadas taxas de consumo
energético.

Outro fator de extrema importância são os impactos ambientais na região. Conforme


explicado na apresentação do método, ambas geram impactos no clima e na fauna
existente no local, devendo ser feito um estudo de redução de impacto ambiental prévio
à implantação dos sistemas.

Sendo assim, este estudo apresentado deve ser considerado não somente como uma
comparação entra a viabilidade dos diferentes tipos de energia, mas também como um
referencial técnico que permite a aplicação dos diferentes conceitos apresentados para
um estudo de caso específico.
42

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