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Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB


Centro de Ciências Exatas e Tecnológica - CETEC

Notas de aula CET065 Álgebra Linear


Prof. Jarbas A. Fernandes

Teorema do Núcleo e da Imagem

Teorema 1 (Teorema do Núcleo e da Imagem). Sejam V e W espaços vetoriais de dimensão


finita sobre um corpo K. Se T : V → W é uma transformação linear , então

dim V = dim Ker(T ) + dim Im(T )

Prova. Temos três casos a considerar: o primeiro é quando Ker(T ) = {0} o que implica
T ser injetora, então se {v1 , .., vl } é uma base de V temos que {T (v1 ), .., T (vl )} é uma base
da imagem de T e vale o resultado. O segundo é quando Ker(T ) = V , ou seja, T é a
traformação nula, então dim [Im(T )] = 0 e também vale a igualdade a acima.

O último caso, considere Ker(T ) um subespaço próprio de V . Seja β1 = {v1 , .., vr }


uma base do núcleo de T . Esta base pode ser estendida a uma base β2 = {v1 , .., vr , u1 , ..., us }
de V . Vamos mostrar que β = {T (u1 ), ..., T (us )} é uma base da imagem de T . Primeiro
vamos mostrar que os vetores de β geram a Im(T ). Dado w ∈ Im(T ), existe um v ∈ V tal
que T (v) = w. Mas podemos escrever v como combinação linear de β2 , isto é,

v = a1 v1 + ... + ar vr + b1 u1 + ... + bs us

Assim,

w = T (v) = T (a1 v1 + ... + ar vr + b1 u1 + ... + bs us )

= a1 T (v1 ) + ... + ar T (vr ) + b1 T (u1 ) + ... + bs T (us )

Como os vetores v1 , .., vr ∈ Ker(T ) temos que T (v1 ) = ... = T (vr ) = 0. Então,

w = b1 T (u1 ) + ... + bs T (us )

Logo, [T (u1 ), ..., T (us )] = Im(T ).

Agora iremos mostrar que β é um conjunto linearmente independente. Suponha que


c1 T (u1 ) + ... + cs T (us ) = 0, como T é linear temos que T (c1 u1 + ... + cs us ) = 0, o que implica
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que c1 u1 + ... + cs us ∈ Ker(T ). Então existem d1 , ..., dr ∈ R tais que c1 u1 + ... + cs us =


d1 v1 + ... + dr vr . Daı́,
c1 u1 + ... + cs us − d1 v1 − ... − dr vr = 0

Como o conjunto β2 é linearmente independente, podemos concluir que todos os escalares


da última igualdade são nulos. Em paricular, c1 = ... = cs = 0. Logo, β é linearmente
independente.

Finalmente, basta observar que dim Ker(T ) = r, dim V = r +s e a dim Im(T ) = s.


Logo,
dim V = dim Ker(T ) + dim Im(T ).

Exemplo 1. Determine as dimensões do núcleo e da imagem das seguintes trans-


formações lineares, verificando a validade do Teorema do Núcleo e da Imagem:

a) T : R2 → R, dada por T (x, y) = x + y

b) T : R3 → R3 , dada por T (x, y, z) = (x, 2y, 0)


!
x+y 0
c) T : P2 (R) → M2×2 (R), dada por T (xt2 + yt + z) =
z z

Exemplo 2. Determine uma transformação linear T : R3 → R4 tal que Im(T ) =


[(1, 1, 2, 1), (2, 1, 0, 1)].

Corolário 2. Sejam V e W espaços vetoriais sobre um corpo K de mesma dimensão


(dim V = dim W = n) e T : V → W uma transformação linear. Então as seguintes
afirmações são equivalentes:

i) T é sobrejetora;

ii) T é bijetora;

iii T é injetora;

iv) T transforma uma base de V em uma base de W , isto é, se {v1 , ..., vn } é uma base de
V , então {T (v1 ), ..., T (vn )} é uma base de W .
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i ⇒ ii) Por hipótese T é sobrejetora, isto é, Im(T ) = W o que implica que
dim Im(T ) = n. Além disso, dim V = dim W = n e pelo teorema 1 dim Ker(T ) = 0, ou
seja, Ker(T ) = {0}.Então T é injetora. Logo, T é bijetora.

ii) ⇒ iii) Imediato.

iii) ⇒ iv) Suponha que β = {v1 , ..., vn } uma base de V . Como T é injetora o número
de vetores de β é igual ao número de vetores do conjunto βW = {T (v1 ), ..., T (vn )}, então
para mostrar que βW é uma base de W , basta mostrar que βW é um conjunto linearmente
independente. De fato, seja c1 , ..., cn escalares reais, escreva

c1 T (v1 ) + ... + cn T (vn ) = 0

T é linear, então T (c1 v1 +...+cn vn ) = 0. Mas T também é injetora, portanto c1 v1 +...+cn vn =


0. Assim, c1 = ... = cn = 0, já que {v1 , ..., vn } é uma base de V . Logo, βW é linearmente
independente.

iv) ⇒ i) Seja w ∈ W . Tome β = {v1 , ..., vn } uma base de V , por hipótese temos
que {T (v1 ), ..., T (vn )} é uma base de W . Então, podemos escrever w da seguinte forma,
w = c1 T (v1 ) + ... + cn T (vn ). Como T é linear temos que T (c1 v1 + ... + cn vn ) = w. Portanto,
cada w ∈ W é imagem de um elemento de V , ou seja, T é sobrejetora.

Definição 3. Sejam V e W espaços vetoriais e T : V → W uma transformação linear,


dizemos que T é um isomorfismo se T é bijetora. Um isomorfismo T : V → V é chamado
automorfismo.

Corolário 4. Sejam V e W espaços vetoriais de dimensão finita. Se T : V → W um


isomorfismo, então dim V = dim W

Prova. T é um isomorfismo, então Ker(T ) = {0} e Im(T ) = V . Pelo Teorma do Núcleo e


da Imagem, dim V = dim Ker(T ) + dim Im(T ). Logo, dim V = dim W

Teorema 5. Sejam V e W espaços vetoriais. Se T : V → W é um isomorfismo, então


T −1 : W → V é uma transformação linear.
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Prova.Sejam w1 e w2 vetores em W e seja c um escalar. Como T é sobrejetora, existem v1


e v2 em V de maneira que

w1 = T (v1 ) ⇒ T −1 (w1 ) = v1 e

w2 = T (v2 ) ⇒ T −1 (w2 ) = v2

Daı́,

T −1 (cw1 + w2 ) = T −1 (cT (v1 ) + T (v2 )) = T −1 (T (cv1 + v2 ))

= cv1 + v2 = cT −1 (w1 ) + T −1 (w2 )

Logo, T −1 é linear.

Exemplo 3. Verifique se as seguintes transformações lineares é um isomorfismo,


caso afirmativo determine a sua inversa.

a) T : R2 → R2 , dada por T (x, y) = (x − y, x)

b) T : R3 → R3 , dada por T (x, y, z) = (x − 2y, z, x + y)

c) T : P2 (R) → R3 , dada por T (xt2 + yt + z) = (x + z, y, z)

d) T : R3 → R3 , dada por T (x, y, z) = (x, 2y, 0)