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RESPOSTA À ACUSAÇÃO

RESPOSTA À ACUSAÇÃO

1. INTRODUÇÃO Embora muitas sejam as peças prático-profissionais possíveis, uma das mais relevantes e prováveis no Exame da Ordem dos Advogados é a Resposta à Acusação. Introduzida do Código de Processo Penal pela reforma de 2008 (Leis 11.689 e 11.719), referida peça está prevista tanto nos ritos ordinário e sumário (arts. 396 e 396-A do CPP) como no procedimento dos crimes dolosos contra a vida (art. 406 do CPP). A resposta à acusação, nos três procedimentos, consiste em peça única (petição simples), apresentada no início do processo, logo após o recebimento da denúncia ou queixa e a citação do acusado.

Vejamos os gráficos abaixo:

Absolvição sumária (at. 397 CPP) AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO oitiva do ofendido confirmação do
Absolvição
sumária
(at. 397 CPP)
AUDIÊNCIA DE
INSTRUÇÃO E
JULGAMENTO
oitiva do ofendido
confirmação do
recebimento da
denúncia ou
queixa
oitiva das
testemunhas
arroladas pela
acusação
oitiva das
testemunhas
arroladas pela defesa
peritos, acareações
etc
interrogatório
debates orais
sentença

Resposta à acusação nos Ritos Ordinário e Sumário

Resposta à acusação nos Ritos Ordinário e Sumário Recebimento Citação Resposta à Acusação (arts. 396
Recebimento Citação Resposta à Acusação (arts. 396 e 396-A CPP)
Recebimento
Citação
Resposta à
Acusação
(arts. 396 e
396-A CPP)
Denúncia ou Queixa Rejeição (art. 395 CPP)
Denúncia ou
Queixa
Rejeição
(art. 395 CPP)
Resposta à Acusação (arts. 396 e 396-A CPP) Denúncia ou Queixa Rejeição (art. 395 CPP) www.cers.com.br
AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO oitiva do ofendido oitiva das testemunhas arroladas pela acusação oitiva
AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO oitiva do ofendido oitiva das testemunhas arroladas pela acusação oitiva
AUDIÊNCIA DE
INSTRUÇÃO E
JULGAMENTO
oitiva do ofendido
oitiva das
testemunhas
arroladas pela
acusação
oitiva das
testemunhas
arroladas pela defesa
peritos, acareações
etc
interrogatório
debates orais
DECISÃO
(Pronúncia,
Impronúncia,
Desclassificação ou
Absolvição Sumária)

Resposta à acusação na 1 a . fase do Procedimento do Tribunal do Júri

Contra Recebimento Resposta à Acusação (arts. 406 CPP) resposta Citação da acusação (art. 409)
Contra
Recebimento
Resposta à
Acusação
(arts. 406 CPP)
resposta
Citação
da acusação
(art. 409)
Denúncia ou Queixa Rejeição (art. 395 CPP)
Denúncia ou
Queixa
Rejeição
(art. 395 CPP)
(art. 409) Denúncia ou Queixa Rejeição (art. 395 CPP) Verificamos que, em ambos os casos, a
(art. 409) Denúncia ou Queixa Rejeição (art. 395 CPP) Verificamos que, em ambos os casos, a

Verificamos que, em ambos os casos, a resposta à acusação caracteriza-se como a primeira peça de defesa, devendo ser apresentada em petição escrita, elaborada e assinada por advogado, dentro do prazo de 10 (dez) dias contados da data da efetiva citação do acusado. É o momento processual adequado para que a defesa do réu suscite preliminares, alegue as teses de mérito necessárias à absolvição sumária, apresente documentos e justificações, especifique as provas pretendidas e, ainda, aperesente o rol de testemunhas, conforme se verifica, nos ritos ordinário e sumário, dos arts. 396 e 396-A do CPP.

Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias. Parágrafo único. No caso de citação por edital, o prazo para a defesa começará

a fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído.

Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua

intimação, quando necessário.

1 o A exceção será processada em apartado, nos termos dos arts. 95 a 112

deste Código.

2 o Não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não

§

§

constituir defensor, o juiz nomeará defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias

Já no rito dos crimes dolosos contra a vida, o CPP prevê a resposta à acusação no art. 406, que estabelece:

Art. 406. O juiz, ao receber a denúncia ou a queixa, ordenará a citação do

acusado para responder a acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.

§ 1 o

cumprimento do mandado ou do comparecimento, em juízo, do acusado ou de

O prazo previsto no caput deste artigo será contado a partir do efetivo

defensor constituído, no caso de citação inválida ou por edital.

A acusação deverá arrolar testemunhas, até o máximo de 8 (oito), na denúncia ou na

A acusação deverá arrolar testemunhas, até o máximo de 8 (oito), na

denúncia ou na queixa.

3 o Na resposta, o acusado poderá argüir preliminares e alegar tudo que

interesse a sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, até o máximo de 8 (oito), qualificando- as e requerendo sua intimação, quando necessário.

§ 2 o

§

Destaque-se que o prazo para a apresentação da resposta, em ambos os casos, será de 10 dias, contados da efetiva citação do acusado, devendo tal prazo, de caráter processual, ser contado na forma do art. 798 do CPP.

Art. 798. Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e

peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia feriado.

§ 1 o

Não se computará no prazo o dia do começo, incluindo-se, porém, o do

vencimento.

Devemos nos lembrar que as alterações na contagem dos prazos no processo civil pelo novo CPC (Lei 13.105/2015) não se aplicam aos processos criminais.

Ressalte-se que a RA (resposta à acusação) depende da presença de três requisitos: (1) uma denúncia ou uma queixa foi oferecida e (2) recebida pelo juiz, que determinou a (3) citação do acusado, que foi positiva. Assim, uma vez regularmente citado, o réu deverá, através do seu advogado, apresentar sua defesa, através da resposta à acusação, a qual tem, por objetivo principal, alcançar a absolvição sumária do acusado. A absolvição sumária (4) é, portanto, a finalidade, o objetivo principal da resposta à acusação.

Recebimento da Absolvição Resposta à Denúncia ou Queixa denúncia ou Citação sumária (art. acusação
Recebimento da
Absolvição
Resposta à
Denúncia ou Queixa
denúncia ou
Citação
sumária (art.
acusação
queixa
397 CPP)

Mesmo nos crimes dolosos contra a vida, para o qual o procedimento previsto nos artigos 406 a 411 do CPP não consagra a absolvição sumária do art. 397 do CPP de forma expressa, devemos atentar ao que dispõe o § 4 o . do art. 394 do CPP, o qual acaba por consagrar a possibilidade daquela espécie de absolvição sumária em todos procedimentos criminais em curso na 1 a . instância. Assim, muito embora o rito do júri, como visto acima, não contemple o art. 397 do CPP, devemos inseri-lo por força do disposto do art. 394, § 4 o ., do mesmo código.

Art. 394. O procedimento será comum ou especial.

§

I - ordinário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada for igual ou superior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade; II - sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade; III - sumaríssimo, para as infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma da lei.

§

2 o Aplica-se a todos os processos o procedimento comum, salvo disposições em contrário deste Código ou de lei especial.

3 o Nos processos de competência do Tribunal do Júri, o procedimento

observará as disposições estabelecidas nos arts. 406 a 497 deste Código.

4 o As disposições dos arts. 395 a 398 deste Código aplicam-se a todos os

procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não regulados neste Código.

§

§

1 o O procedimento comum será ordinário, sumário ou sumaríssimo.

Desta forma, o rito dos crimes dolosos contra a vida passa a ser: Resposta à

Desta forma, o rito dos crimes dolosos contra a vida passa a ser:

Resposta à acusação na 1 a . fase do Procedimento do Tribunal do Júri

(considerando o § 4 o . do art. 394 do CPP)

Absolvição Sumária (art. 397 CPP)

. do art. 394 do CPP) Absolvição Sumária (art. 397 CPP) Audiência de Instrução e Julgamento

Audiência de

Instrução e

Julgamento

Citação
Citação

Resposta à Acusação (arts. 406 CPP)

Contra

resposta

da acusação

(art. 409)

Recebimento Denúncia ou Queixa
Recebimento
Denúncia ou
Queixa

Rejeição (art. 395 CPP)

Portanto, o pedido principal em uma resposta à acusação, seja nos ritos ordinário ou sumário, ou mesmo no rito dos crimes dolosos contra a vida, será o de absolvição sumária, na forma de um dos incisos do art. 397 do CPP.

Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:

I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou IV - extinta a punibilidade do agente.

Ressalte-se ainda que, nesses procedimentos, a RA é peça absolutamente indispensável, e sua ausência gera nulidade absoluta por cerceamento de defesa, o que se pode extrair do § 2 o . do art. 396-A do CPP, que estabelece que, no caso de não apresentação da resposta no prazo legal, deverá o juiz nomear defensor público ou dativo para a apresentação da peça de resposta, concedendo-lhe novo prazo de 10 dias para apresentá-la. Contudo, devemos nos lembrar que a defensoria pública detém prazo em dobro, conforme estabelece o art. 186 do CPC e art. 44, I, da LC 80/94.

2. MOMENTO PROCESSUAL ADEQUADO A resposta à acusação é, em regra, a primeira manifestação da defesa do acusado, devendo ser apresentada dentro do prazo de 10 dias contados da efetiva citação do réu. É peça apresentada já em fase processual, uma vez que a denúncia (ou queixa) foi oferecida e recebida; lembrando que o processo criminal tem início com o recebimento da petição inicial. Ao receber a denúncia ou a queixa, o juiz deve, necessariamente, determinar a citação pessoal do acusado, uma vez que, no processo penal, somente o réu pode ser citado, não sendo possível que outra pessoa, nem mesmo seu advogado, receba a citação. Caso o réu não seja encontrado para ser citado pessoalmente, será citado por edital ou por hora certa, dependendo do caso. Sobre a citação, devemos observar as explicações apresentadas no capítulo 14 da Parte II deste livro. Contudo, para relembrar, são espécies de citação no processo penal:

CITAÇÃO REAL por mandado Réu no território de jurisdição do juízo processante por precatória Réu

CITAÇÃO REAL

por mandado

Réu no território de jurisdição do juízo processante

por precatória

Réu em outra comarca ou seção judiciária

OU PESSOAL

por rogatória

Réu no estrangeiro, em local certo

CITAÇÃO

por edital

Réu em local incerto ou não sabido; ou em local inacessível. OBS.: Devemos nos lembrar que o juiz, antes de determinar a citação por edital, deve esgotar as chances de encontro do acusado. Atenção à súmula 351 do STF: "É nula a citação por edital de réu preso na mesma unidade da federação em que o juiz exerce a sua jurisdição."

FICTA OU

PRESUMIDA

por hora certa

Réu que se oculta para não ser citado OBS. O procedimento a ser adotado pelo oficial de justiça para a citação por hora certa é o previsto nos arts. 252 a 254 do CPP.

OBS. 1: É nula a citação realizada na pessoa do advogado. No processo penal, advogado

não pode ter poderes para receber citação.

OBS. 2: Réu preso deve ser citado pessoalmente (art. 360 do CPP e súmula 351 do STF).

OBS. 3: Os militares devem ser citados na forma dos artigos 358 e 359 do CPP, através do

chefe do respectivo serviço, ou seja, o dia designado para funcionário público comparecer em juízo, como

acusado, será notificado assim a ele como ao chefe de sua repartição.

OBS. 4: No caso de citação por edital, o edital deverá conter (art. 365 do CPP): o nome do

juiz que determinou a citação; o nome do réu, ou, se não for conhecido, os seus sinais característicos, bem como sua residência e profissão, se constarem do processo; o fim para que é feita a citação; o juízo e o dia, a hora e o lugar em que o réu deverá comparecer; o prazo, que será contado do dia da publicação do edital na imprensa, se houver, ou da sua afixação (em geral o edital se dá com prazo de 15 dias para comparecimento do réu em juízo (art. 361 do CPP). OBS. 5. Embora o edital busque dar ciência ao réu da existência e do conteúdo da acusação, prevalece o entendimento de que não há necessidade de transcrição da peça acusatória, bastando que faça menção ao tipo legal, ou seja, à classificação do delito indicada na exordial, conforme Súmula 366 do STF.

Súmula nº 366 do STF: “Não é nula a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal, embora não transcreva a denúncia ou queixa, ou não resuma os fatos em que se baseia”.

OBS. 6: Ocorrendo citação por edital, o prazo da resposta correrá da data do comparecimento do acusado em juízo. Lembre-se que em caso de não comparecimento do acusado, e se este também não mandar advogado, o processo será suspenso, sendo também suspenso o prazo prescricional, na forma do art. 366 do CPP. Entretanto, este artigo não se aplica aos crimes de lavagem de capitais (art. 2 o ., § 2 o ., da Lei 9.613/98).

Vícios na citação geram nulidade absoluta.

Novamente:

peça de resposta à acusação é apresentada em 10 (dez) dias contados da efetiva citação

do réu.

momento para sua apresentação é, portanto, após o recebimento da denúncia e a citação

do réu, ou seja, é anterior à instrução probatória. Ao elaborar a resposta à acusação o advogado deve buscar a absolvição sumária do acusado, com fundamento em um dos incisos do art. 397 do CPP. Entretanto, embora o juiz já tenha recebido a denúncia e, consequentemente, instaurado o processo criminal, se verificarmos a impropriedade daquela decisão, pois ausentes um ou mais requisitos necessários ao ajuizamento da ação penal, devemos suscitar tal vício em sede preliminar.

A

O

Assim, se analisamos o caso concreto apresentado e identificamos que a denúncia ou a queixa foi oferecida e recebida, e o réu foi citado, mas ainda não ocorreu a instrução probatória, a peça a ser apresentada será a RESPOSTA À ACUSAÇÃO.

3. PARTES DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO Como indicado anteriormente, a resposta à acusação é o

3. PARTES DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO Como indicado anteriormente, a resposta à acusação é o momento oportuno para que o réu apresente, por escrito, através do seu advogado:

1) arguição de preliminares; 2) teses necessárias à sua defesa, com o especial objetivo de alcançar sua absolvição

sumária;

3) documentos e justificações; 4) requerimento de produção de provas; 5) rol de testemunhas, com sua qualificação e requerimento de intimação das mesmas.

É o que nos diz o próprio art. 396/396-A do CPP, que fundamenta a peça de resposta. Basta, portanto, um breve passar de olhos pelo próprio dispositivo legal para lembrar como e o que devemos

incluir na petição. Assim, além do endereçamento, identificação do processo e do acusado, a RESPOSTÁ À ACUSAÇÃO, fundamentada nos arts. 396 e 396-A do CPP, deverá conter:

FATOS

PRELIMINARES

MÉRITO

PEDIDO

Passamos, então, à análise de cada um deles.

3.1. DA APRESENTAÇÃO DOS FATOS

Os fatos serão extraídos do próprio enunciado da questão. Devemos apresentar uma breve e estruturada narrativa dos fatos, extraindo os pontos relevantes e essenciais às teses de defesa. Basicamente seguindo o seguinte raciocínio: O que ocorreu? O que diz a denúncia? Existe algo no enunciado que evidencia que referida denúncia não deveria ter sido recebida? Há algo que possa ser suscitado em favor do réu? Mas lembre-se que você ainda não está apresentando a tese defensiva. Está apenas reproduzindo o que o enunciado apresentou. É simples descrição do que ocorreu. IMPORTANTE: Jamais, JAMAIS MESMO, crie fatos novos. Inventar coisas pode caracterizar identificação de peça e levar à anulação da sua prova. A narrativa dos fatos deve ser breve, com aproximadamente 5 ou 6 linhas. Se precisar de mais, use, mas não perca muito tempo com essa parte da peça.

3.2. DAS PRELIMINARES

Agora sim mostraremos nosso conhecimento jurídico. Devemos, primeiro, buscar todo e qualquer fundamento que poderia ter levado à rejeição da peça acusatória, bem como aqueles que prejudicam ou retardam o processo. Devemos apresentar cada uma das preliminares eventualmente existentes em parágrafos distintos, apontando qual a preliminar,

justificando-a e indicando os dispositivos legais pertinentes e eventuais súmulas relacionadas.

Assim, em preliminares, devemos indicar as falhas processuais relevantes, seguindo o PASSO A PASSO PRELIMINAR (PPPx2).

- Causas extintivas da punibilidade (art. 107 do CP etc)

- Prejudiciais de mérito (arts. 92 e 93 do CPP)

- Preliminares processuais (art. 95 do CPP)

- Outras nulidades (art. 564 III e IV do CPP)

- Ausência dos requisitos necessários ao recebimento da denúncia ou queixa (art. 395 do CPP)

- Ausência de proposta suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95) ou de outros benefícios despenalizadores Lembre-se: À exceção das causas extintivas da punibilidade, os aspectos arguidos em sede de preliminar, são, em regra, aspectos processuais.

Causas extintivas da punibilidade (art. 107 do CP etc) Na RA as causas extintivas da

Causas extintivas da punibilidade (art. 107 do CP etc) Na RA as causas extintivas da punibilidade, embora se caracterizem como uma das principais teses de mérito, na forma do art. 397, IV, do CPP, também podem e devem ser suscitadas como preliminar.

Isso porque se extinta a punibilidade, o Estado não possui direito de punir, o que, em consequência, deveria ensejar a rejeição da denúncia por falta de interesse de agir, ou seja, ausência de condição da ação (art. 395, II, do CPP). Portanto, verifique, desde logo, se presente alguma das causas extintivas da punibilidade, previstas no art. 107 do CP:

- morte do agente (art. 107, I do CP);

- anistia, graça ou indulto (art. 107, II do CP);

- retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso (art. 107, III do CP);

- prescrição, decadência ou perempção (art. 107, IV do CP);

- renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada (art. 107, V do CP);

- retratação do agente, nos casos em que a lei a admite (art. 107, VI do CP);

- perdão judicial, nos casos previstos em lei (art. 107, IX do CP).

Contudo, o art. 107 do Código Penal é exemplificativo, uma vez que existem causas extintivas da punibilidade fora desse artigo, seja no próprio Código Penal, seja na legislação extravagante. Dentre tais hipóteses encontramos, por exemplo:

- art. 7º, § 2º, d, do CP: cumprimento da pena no estrangeiro pelo crime lá cometido;

- art. 82 do CP: o término do período de prova da suspensão condicional da pena (sursis penal), sem motivo para revogação do benefício; - art. 90 do CP: o término do período de prova do livramento condicional, sem motivo para revogação do benefício;

- art. 168-A, § 2º, CP: pagamento da contribuição previdenciária antes do início da ação fiscal no crime de apropriação indébita previdenciária;

- art. 171, § 2º, VI, do CP e Súmula 554 do STF: ressarcimento do dano antes do recebimento da denúncia no crime de estelionato mediante emissão de cheque sem provisão de fundos;

- art. 236 do CP c/c art. 60 do CPP: morte da vítima no crime do art. 236 do Código Penal gera perempção, uma vez que o crime é de ação penal privada personalíssima;

- art. 312, § 3º, 1ª parte, do CP: a reparação do dano no peculato culposo, antes da sentença final irrecorrível;

- art. 337-A, § 1º, do CP: declaração ou confissão, sendo prestadas as informações necessárias à previdência social, antes do início da ação fiscal, no crime de sonegação de contribuição previdenciária;

- art. 342, § 2º, do CP: retratação do falso testemunho antes da sentença em que o mesmo foi prestado;

- art. 107, VI, do CP c/c art. 520 do CPP: a conciliação na audiência prevista no art. 520 do CPP para os crimes contra a honra;

- aquisição de renda superveniente na contravenção de vadiagem LCP, art. 59, par. único;

- art. 76 c/c art. 84 da Lei nº 9.099/95: cumprimento da transação penal;

- art. 89, § 5º. da Lei nº 9.099/95: decurso do prazo de suspensão condicional do processo sem que haja revogação;

- pagamento do tributo ou contribuição social, inclusive acessórios, no caso de sonegação fiscal. Neste caso, devemos ter atenção aos seguintes dispositivos legais: art. 34 da Lei 9.249/95; art. 83 da Lei 9.430/96; art. 15 da Lei 9.964/2000, art. 9 o . da Lei 10.684/2003 e art. 5º, da Lei

13.254/15.

Prejudiciais de mérito (arts. 92 e 93 do CPP) Como vimos na Parte II (Capítulo

Prejudiciais de mérito (arts. 92 e 93 do CPP)

Como vimos na Parte II (Capítulo 7), por questão prejudicial entende-se toda questão de valoração jurídica, seja de direito penal, seja extrapenal, que interfere diretamente no meritum causae, devendo, por tal motivo, ser decidida antes da questão principal, que é dela dependente. São, portanto, impedimentos ao desenvolvimento normal e regular do processo penal, devendo ser decidida, pelo próprio juiz criminal (quando se tratar de questão prejudicial homogênea), no mesmo processo, porém antes do julgamento da questão principal exemplo: falsidade documental no caso de um estelionato praticado através de um documento falso -, ou por juiz de competência distinta (prejudicial heterogênea), hipótese em que o processo criminal será suspenso.

Assim, as prejudiciais heterogêneas são aquelas de natureza extrapenal, cuja competência foge ao juízo criminal, como no exemplo da anulação do casamento anterior no caso de réu acusado de

bigamia. As prejudiciais heterogêneas são de suspensão obrigatória quando versam sobre o estado das pessoas (capacidade, estado civil e cidadania), conforme se verifica no art. 92 do CPP; e de suspensão facultativa nos demais casos, conforme art. 93 do CPP. Assim, em caso de prejudiciais homogêneas ou heterogêneas, devemos argui-las como preliminar, e, em caso de prejudiciais heterogêneas, requerer a suspensão do processo, conforme arts. 92 e 93 do CPP.

Preliminares processuais (art. 95 do CPP) e outras nulidades (art. 564 III e IV do CPP) Além das prejudiciais acima indicadas, devemos ter atenção a questões que, sendo de natureza processual, devem ser decididas antes da questão principal, já que influenciam na resolução de outros aspectos do processo, ensejando inclusive a discussão sobre a validade dos atos nele praticados. Tais questões, ditas preliminares, são arguidas, geralmente, por meio de EXCEÇÕES, que devem ser opostas conjuntamente à Resposta à Acusação, em regra, através de peça autônoma. No entanto, na prova de 2 a . fase da OAB, o candidato somente poderá elaborar uma única

peça. Assim, em tendo sido oferecida denúncia, recebida esta pelo juízo e citado o réu, deverá o candidato optar pela apresentação da Resposta à Acusação, peça mais ampla, na qual aquelas questões que seriam suscitadas através de exceções podem ser arguidas como preliminares. Ou seja, como as questões preliminares previstas no art. 95 do CPP configuram também hipótese de nulidade, devemos inseri-las como tese preliminar quando da apresentação da resposta à acusação. Vejamos tais hipóteses:

- suspeição ou impedimento do juiz (art. 95, I, CPP, que configura a nulidade prevista no art. 564, I, CPP ambos combinados com o art. 252 ou com o 254 do CPP);

- incompetência de juízo (art. 95, II, CPP, que configura a nulidade prevista no art. 564, I, CPP);

- coisa julgada (art. 95, V, CPP) ou litispendência (art. 95, III, CPP);

- ilegitimidade de parte (art. 95, IV, CPP, que configura a nulidade prevista no art. 564, II, CPP);

Além das "questões preliminares" acima indicadas, devemos observar se presentes outros vícios que ensejem arguição de nulidades, tais como:

- a falta da denúncia, da queixa ou da representação (art. 564, III, a, CPP);

- a falta do exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios (art. 564, III, b, c/c art. 158, CPP);

- a falta de intervenção do Ministério Público na ação penal privada (art. 564, III, d, CPP);

- a falta ou irregularidade da citação (art. 564, III, e, c/c art. 570, CPP);

- a falta de oportunidade para apresentação das defesas preliminares em mometo anterior ao recebimento da denúncia, quando previstas em lei (procedimento de crimes de responsabilidade de servidores públicos - art. 514 do CPP, e procedimento da Lei de Entorpecentes - art. 55 da Lei 11.343/2006);

- dentre outras.

Lembrando que todo e qualquer vício processual, previsto de forma expressa no art. 564 do

Lembrando que todo e qualquer vício processual, previsto de forma expressa no art. 564 do

CPP ou não, deve ser arguido como nulidade. Se referido vício estiver previsto no art. 564, incisos I, II ou III, utilize o dispositivo específico. Caso contrário, devemos alegar nulidade com base no art. 564, inciso

IV do CPP.

OBS.:. Toda vez que houver violação a garantias constitucionais, a nulidade será absoluta.

Ausência dos requisitos necessários ao recebimento da denúncia ou queixa (art. 395 do CPP)

Dispõe o art. 395 do CPP que o juiz rejeitará a denúncia ou a queixa quando houver:

- inépcia (art. 395, I, CPP);

- ausência dos pressupostos processuais (art. 395, II, CPP);

- ausência das condições da ação (art. 395, II, CPP);

- faltar justa causa (art. 395, III, CPP).

Assim, se a denúncia ou queixa foi recebida e o réu citado, embora ausentes os requisitos para o recebimento da exordial acusatória, devemos arguir tal vício em sede de preliminar na peça de resposta à acusação.

Inépcia da exordial Falamos em inépcia da exordial quando a denúncia ou a queixa não se amoldam aos requisitos exigidos no art. 41 do CPP, que dispõe:

Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.

Dentre os requisitos ali exigidos ganha destaque "a exposição do fato criminoso, com todas as suas circustâncias". É inepta a denúncia ou queixa que narra os fatos de forma superficial ou excessivamente resumida, ou ainda quando a descrição da conduta imputada ao réu restringir-se a transcrição do tipo penal. Nestes casos, a narrativa deficiente inviabiliza o adequado exercício do contraditório e da ampla defesa, motivo pelo qual a peça acusatória não estará apta ao recebimento, devendo ser rejeitada por inépcia da exordial. Assim, a narrativa dos fatos na peça acusatória, chamada de imputação, deve ser pormenorizada, não podendo haver lacunas ou omissões, contradições, ambiguidade ou mesmo confusão na apresentação dos fatos objeto da acusação. Da mesma forma, quando vários os acusados, a peça acusatória não pode ser genérica; os fatos devem ser individualizados, devendo a narrativa corresponder à conduta de cada um deles isoladamente, de forma a que cada um possa compreender do que, de fato, é acusado, defendendo-se do teor da acusação que recai contra si. Havendo concurso de agentes, portanto, a exordial deve destacar a quota de participação de cada um na infração penal. Resumindo, que se exige é uma narrativa clara, direta, bem estruturada e precisa, contendo a descrição adequada dos fatos, de forma a evitar dificuldades para a defesa do acusado. Além disso, a narrativa deve possuir características de concretude, não podendo nascer da

imaginação do órgão de acusação ou consistir numa peça de ficção, seja o acusador o Ministério Público

ou o querelante.

Pressupostos processuais São os mesmos observados para o processo civil, uma vez que decorrem da teoria geral do processo. Os pressupostos processuais classificam-se em pressupostos de existência e pressupostos de validade do processo. São eles:

PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DE EXISTÊNCIA subjetivos um órgão jurisdicional e da capacidade de ser parte (aptidão

PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DE EXISTÊNCIA

subjetivos

um órgão jurisdicional e da capacidade de ser parte (aptidão de ser sujeito processual)

objetivos

a própria demanda (ato que instaura um processo, ato de provocação)

 

subjetivos

- competência e imparcialidade do juiz - capacidade processual das partes - capacidade postulatória (presença de advogado)

PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DE VALIDADE

objetivos

intrínsecos

pressupostos que devem ser vistos dentro do processo, como o adequado desenrolar dos atos processuais

extrínsecos ou

ausência de coisa julgada e de litispendência

negativos

Condições da ação e Justa causa Como vimos ao tratar da ação penal na Parte II, são condições para o regular exercício do direito de ação a legitimidade das partes, o interesse de agir, e a possibilidade jurídica do pedido. Contudo, muitos autores consideram a justa causa como uma quarta condição da ação, motivo pelo qual vamos incluí-la neste mesmo tópico. Justa Causa é a existência de lastro ou suporte probatório mínimo (prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria) extraído de peças de informação, de forma a se evitar uma acusação temerária. Assim, sobre as condições da ação no processo penal:

 

O

interesse de agir relaciona-se ao princípio nulla poena sine iudicio. Sempre que

praticada uma infração penal, possuindo o Estado o direito de punir e não podendo exercê-lo senão através do processo, haverá interesse de agir. Por isso, é comum ouvirmos a seguinte afirmação: "No processo penal, o interesse de agir está sempre presente". Contudo, devemos interpretar esta assertiva da seguinte forma:

Se

o Estado possui direito de punir, haverá interesse de agir.

INTERESSE DE AGIR

Uma vez que não é possível aplicar a pena sem processo, e diante de um Judiciário inerte, não há processo sem ação.

Daí, se a conduta supostamente praticada pelo indivíduo se amolda, está adequada

a

um determinado tipo penal e não ocorreu qualquer causa extintiva da

punibilidade, o interesse de agir estará presente. Trata-se de interesse processual, conjugando o trinômio adequação-necessidade- utilidade.

 

Na

ação penal condenatória, a legitimidade ativa será do Ministério Público sempre

que o crime for de ação penal pública, incondicionada ou condicionada, ou do ofendido, nos casos de crimes de ação penal privada. Assim, a análise da legitimidade ativa está adstrita à verificação da natureza da ação penal, se pública ou privada, salvo em duas hipóteses, em que haverá legitimidade concorrente. São elas a ação penal privada subsidiária da pública,

LEGITIMIDADE DAS PARTES

possível nos casos de inércia do MP, ou ainda no caso de crimes contra a honra de servidor público no exercício de suas funções (Súmula 714 do STF).

a legitimidade ad causam passiva faz com que a ação seja proposta em face do

autor do fato. Contudo, não podemos confundir a análise da autoria enquanto tese

de

mérito (se, no curso da instrução criminal, ficar comprovado que o acusado não

é o autor da infração, deve ele ser absolvido) com a hipótese em que, durante o inquérito, há prova idônea de quem é o possível infrator e o MP denuncia pessoa diversa, situação na qual a denúncia não poderia ter sido recebida por manifesta ilegitimidade da parte, ou seja, por ausência de uma das condições da ação.

  Para que a ação seja regularmente exercida, a providência requerida pelo autor, na hipótese,
 

Para que a ação seja regularmente exercida, a providência requerida pelo autor, na

hipótese, deve estar prevista em lei. Assim, o fato narrado na petição inicial penal enquadrar-se em uma conduta típica e o pedido formulado deve ser admitido no direito pátrio.

A

análise da possibilidade jurídica do pedido observa o princípio da legalidade (art.

POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO

5°, XXXIX, da CRFB): "Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal". Assim, se a conduta praticada é flagrantemente atípica, não haverá possibilidade jurídica do pedido (e nem mesmo interesse de agir, uma vez que o Estado não possui direito de punir). Da mesma forma, será juridicamente impossível no Direito Brasileiro, por exemplo, um pedido de condenção à pena de morte ou de prisão perpétua.

 

Embora muitos sejam os posicionamentos acerca do que seria a justa causa para a

JUSTA CAUSA

a

ação penal, conforme posicionamento majoritário, consiste a mesma na prova da

materialidade ou da existência da infração E indícios suficientes de autoria,

 

extraídos de peças de informação válidas, evitando uma acusação temerária.

Além disso, devemos observar se estão presentes, quando a lei as exigir, as condições específicas de procedibilidade. Algumas delas são:

Nas infrações de ação penal pública condicionada à representação, faz-se necessária a manifestação do ofendido ou de quem tenha qualidade para

representá-lo, ou, no caso de morte da vítima, a manifestação de seus sucessores (art. 24, § 1 o . do CPP).

A jurisprudência firmou o posicionamento de que a representação do ofendido não

possui rigor formal, ou seja, um depoimento da vítima, prestado em sede policial, por exemplo, do qual se extraia sua vontade na investigação ou processo, é

suficiente para suprir esta condição específica de procedibilidade. Lembre-se de que a representação deve ser ofertada dentro do prazo decadencial de 6 (seis) meses, contados da data em que a vítima soube quem é o autor do fato (arts. 103 do CP e 38 do CPP).

REPRESENTAÇÃO DO OFENDIDO

REQUISIÇÃO DO

MINISTRO DA

JUSTIÇA

Nas infrações de ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça, faz-se necessária a manifestação daquele órgão do Executivo como condição específica de procedibilidade.

LAUDO DE CONSTATAÇÃO NOS CRIMES DA LEI

11.343/2006

Para a prova da materialidade, nos crimes previstos na Lei 11.343/2006, será indispensável o laudo de constatação ou laudo prévio (art. 50, § 1 o . da Lei), confirmando encontrar-se a substância dentre aquelas consideradas psicotrópicas, na forma da Portaria 344 da ANVISA.

SENTENÇA DEFINITIVA DE ANULAÇÃO DO CASAMENTO NO CRIME DO ART. 236 DO CP

No crime de induzimento a erro essencial ou ocultação de impedimento para o casamento, o oferecimento da queixa-crime dependerá do trânsito em julgado da sentença de anulação do casamento (art. 236, parágrafo único, do CP).

LEMBRE-SE ainda de que nos crimes da Lei nº 8137/90 (Crimes contra a Ordem Tributária),

LEMBRE-SE ainda de que nos crimes da Lei nº 8137/90 (Crimes contra a Ordem Tributária), para o oferecimento da denúncia, será necessário o exaurimento do processo administrativo-fiscal, conforme Súmula Vinculante 24:

Súmula Vinculante 24 do STF Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.

Ausência de proposta suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95) ou de outros benefícios despenalizadores Durante a elaboração da RA, deve-se observar ainda se o crime imputado ao acusado configura hipótese passível dos benefícios da Lei 9.099/95, em especial no caso de infrações com pena mínima de até 1 (um) ano, para as quais, preenchidos pelo denunciado os demais requisitos previstos no art. 89 da referida Lei, aplica-se o benefício da suspensão condicional do processo. Assim, oferecida a denúncia por infração que dê ensejo a oferta da suspensão condicional do processo, sem que a proposta do benefício tenha sido ofertada, deve-se sustentar a nulidade do recebimento da peça acusatória, com a consequente remessa dos autos ao Procurador-Geral de Justiça, na forma do art. 28 do CPP, para oferecimento da proposta de suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/95), conforme Súmula 696 do STF:

Súmula 696, STF: "Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do processo, mas se recusando o promotor de justiça a propô-la, o juiz, dissentindo, remeterá a questão ao Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do Código de Processo Penal."

OBS.: Caso a infração seja de menor potencial ofensivo, verifique também os demais benefícios despenalizadores da Lei 9.099/95, em especial aqueles previstos nos arts. 74 e 76 da referida lei.

3.3. DO MÉRITO

Em sede de mérito devemos descrever detalhadamente as teses de direito penal aplicáveis ao caso, abordando cada um dos institutos jurídicos, com objetividade e clareza. Assim, por exemplo, se a alegação for de legítima defesa, discorra sobre os requisitos dessa excludente de ilicitude, demonstrando sua presença no caso concreto. Evite parágrafos longos, e apresente as teses associando-as, necessariamente, aos fundamentos legais pertinentes. Como já vimos, na resposta à acusação, devemos ter por objetivo a ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA do acusado. Portanto, concentre-se nas hipóteses indicadas no art. 397 do CPP:

Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código,

o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:

I a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;

II a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo

inimputabilidade;

III que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou

IV extinta a punibilidade do agente.

Exemplificando a alegação de cada um dos incisos:

Existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato:

No caso do inciso I, a alegação refere-se à existência manifesta de uma das causas excludentes da ilicitude previstas no artigo 23 do Código Penal (estado de necessidade, legítima defesa, exercício regular do direito ou estrito cumprimento do dever legal) ou ainda ao consentimento do ofendido, como causa supralegal excludente da ilicitude.

Repare que o art. 396-A do CPP fala que o momento da RA é também

Repare que o art. 396-A do CPP fala que o momento da RA é também o momento para apresentar justificações. São hipóteses de justificação aquelas inseridas como causas de exclusão da ilicitude. Destaque-se que, se patente a excludente, podemos inclusive arguir a inexistência do crime e, portanto, sustentar também em sede de preliminar que a denúncia sequer poderia ter sido recebida por ausentes as condições da ação.

Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade No caso do inciso II, a alegação refere-se a uma das causas excludentes de culpabilidade (inimputabilidade prevista no 28 do Código Penal ou artigo 45 da lei 11.343/06; erro de proibição inevitável previsto no artigo 26, caput do Cógigo Penal ou inexigibilidade de conduta diversa, seja com base no artigo 22 do Código Penal, em caso de coação moral irresistível ou obediência hierárquica de ordem não manifestamente ilegal ou ainda a existência de eventual causa supralegal excludente de culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa).

ATENÇÃO: A inimputabilidade do artigo 26 do Código Penal (doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado) não deve lastrear o pedido de absolvição sumária, pois neste caso o réu deve ser absolvido, porém submetido à medida de segurança, o que não pode ocorrer nesta fase do processo, quando ainda não há prova submetida ao contraditório e ampla defesa.de culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa). Atipicidade da conduta No caso do inciso III, deverá

Atipicidade da conduta No caso do inciso III, deverá ser alegada alguma hipótese de atipicidade, formal ou material. Exemplo: pessoa que foi denunciada por ter cometido dano ou outra conduta atentatória ao próprio patrimônio.

Causa extintiva da punibilidade Já no caso do inciso IV, a alegação baseia-se em uma das causas extintivas da punibilidade, como por exemplo, as elencadas no rol exemplificativo do artigo 107 do Código Penal.

ATENÇÃO: Num mesmo caso concreto, podem estar presentes diversas teses defensivas, e neste caso, o espelho de correção provavelmente pontuará todas elas.no rol exemplificativo do artigo 107 do Código Penal. Mas como devem ser apresentadas essas teses

Mas como devem ser apresentadas essas teses defensivas?

Tente identificá-las uma a uma, em parágrafos distintos, explicando-as e indicando os dispositivos aplicáveis. Como tese principal para a absolvição sumária do art. 397 do CPP, devemos seguir os seguintes passos:

Primeiramente, verifique se há algo que exclua o crime. Considerando que crime é fato típico, ilícito e culpável, procure observar esta ordem. As excludentes de tipicidade levam à absolvição sumária na forma do art. 397, III do CPP. São exemplos de excludentes de tipicidade, ou hipóteses que impactar na tipicidade:

a) ausência de dolo,

b) falta de nexo de causalidade,

c) erro de tipo essencial,

d) princípio da insignificância,

e) ausência de previsão legal,

f) hipótese de crime impossível etc.

Atenção ao princípio da insignificância, que leva à atipicidade da conduta. Hipóteses que levem em consideração situações como esta são muito prováveis. A título de exemplo, vejamos a questão relacionada ao descaminho, conforme decisão a seguir:

HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL. CRIME DE DESCAMINHO. VALOR DO TRIBUTO INFERIOR A VINTE MIL REAIS. REITERAÇÃO DELITIVA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INCIDÊNCIA. REDUZIDO GRAU DE

REPROVABILIDADE DA CONDUTA. ORDEM CONCEDIDA. 1. A aplicação do Princípio da Insignificância, na linha do

REPROVABILIDADE DA CONDUTA. ORDEM CONCEDIDA. 1. A aplicação do

Princípio da Insignificância, na linha do que decidido por esta Corte, pressupõe ofensividade mínima da conduta do agente, reduzido grau de reprovabilidade, inexpressividade da lesão jurídica causada e ausência de periculosidade social.

2. Nos delitos de descaminho, a reiteração da conduta delitiva, por si só, não

impede que o juiz da causa reconheça a atipia material, à luz do princípio da insignificância. 3. O paciente foi denunciado pela suposta prática, em três dias distintos, do delito de descaminho, cujas mercadorias apreendidas e perdidas em favor da Fazenda Pública foram avaliadas em R$ 253,31; R$ 174,90 e R$ 96,83. O valor dos tributos elididos totalizou R$ 262,53. 4. Embora as três condutas tenham sido praticadas em curto lapso temporal, inexistem informações de eventual existência de outros procedimentos administrativos fiscais ou processos criminais em face do paciente; não se revela, portanto, criminoso habitual. 5. Ordem concedida para restabelecer a sentença de primeiro grau, que rejeitou a denúncia por falta de justa causa, ante a aplicação do princípio da insignificância. (STF. HC 130453, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Segunda Turma, julgado em 08/08/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-186 DIVULG 22-08-2017 PUBLIC 23-08-2017)

E ainda nos crimes patrimoniais:

PENAL. HABEAS CORPUS. PACIENTE CONDENADO PELO CRIME PREVISTO NO ART. 155, CAPUT, COMBINADO COM O ART. 61, I E ART. 65, III, TODOS DO CÓDIGO PENAL. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. CONDENAÇÃO ANTERIOR. POSSE DE ENTORPECENTES PARA USO PRÓPRIO. ART. 16 DA LEI 6.368/1976. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. ORDEM CONCEDIDA. I - O paciente foi condenado pela prática do crime descrito no art. 155, caput, combinado com o art. 61, I, e art. 65, III, todos do Código Penal, pelo furto de aparelho celular, avaliado em R$ 90,00 (noventa reais). II - Nos termos da jurisprudência deste Tribunal, a aplicação do princípio da insignificância, de modo a tornar a ação atípica, exige a satisfação de certos requisitos, de forma concomitante: a conduta minimamente ofensiva, a ausência de periculosidade social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a lesão jurídica inexpressiva. III - Assim, ainda que conste nos autos registro de uma única condenação anterior pela prática do delito de posse de entorpecentes para uso próprio, previsto no art. 16 da Lei 6.368/1976, ante inexpressiva ofensa ao bem jurídico protegido e a desproporcionalidade da aplicação da lei penal ao caso concreto, deve ser reconhecida a atipicidade da conduta. Possibilidade da aplicação do princípio da insignificância. Precedente. IV - Ordem concedida para trancar a ação penal. (STF. HC 138697, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 16/05/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-113 DIVULG 29-05-2017 PUBLIC 30-05-2017)

AGRAVO REGIMENTAL INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. HABEAS CORPUS CONCEDIDO DE OFÍCIO. FURTO TENTADO. SUBTRAÇÃO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS. PRINCÍPIO DA

INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. INEXPRESSIVA REPROVABILIDADE DA CONDUTA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. A aplicação do princípio da insignificância afigura-se recorrente no âmbito dos

Tribunais Superiores, que entendem configurada a hipótese de atipicidade quando se encontram cumuladas a lesividade mínima da conduta, a ausência de periculosidade social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento do agente e a inexpressividade da lesão jurídica provocada. Assim, não basta à configuração da atipicidade pretendida tratar-se de bens de valor econômico inexpressivo, sendo exigida a irrelevância global do cenário à luz

do ordenamento jurídico penal, sendo imperioso aferir, no caso concreto, se a conduta e o

do ordenamento jurídico penal, sendo imperioso aferir, no caso concreto, se a conduta e o histórico do ofensor também se revestem de reprovabilidade mínima. A meu ver, analisando de forma conglobante as circunstâncias do fato, constato o efetivo enquadramento da hipótese no crime de bagatela. Isso porque, malgrado o valor ultrapassar o patamar de 10% do salário mínimo vigente à época dos fatos (apenas R$ 1,72 a mais), entendo ser irrisório o valor econômico dos bens subtraídos, quase todos de natureza alimentícia, somada à circunstância de ser o acusado primário e de bons antecedentes, bem como a ausência de prejuízo ao estabelecimento comercial, demonstram flagrante ilegalidade no acolhimento da denúncia criminal contra o acusado, ante a pequena lesividade e reprovabilidade da conduta perpetrada. 2. Agravo regimental desprovido. (STJ. AgRg no HC 293.906/ES, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 03/08/2017, DJe 14/08/2017)

Ultrapassada a tipicidade, verifique a existência de excludentes de ilicitude, que levam à absolvição na forma do art. 397, I, do CPP:

a) estado de necessidade;

b) legítima defesa;

c) estrito cumprimento do dever legal;

d) exercício regular do direito;

e) consentimento do ofendido.

E, finalmente, verifique se a tese defensiva a se alegada envolve excludentes de culpabilidade (art. 397, II):

a) inimputabilidade (o que não se aplica à essa modalidade de absolvição sumária, pelos motivos anteriormente expostos);

b) erro de proibição inevitável;

c) inexigibilidade de conduta diversa.

Após a análise sobre as excludentes do crime, passamos a analisar se ocorreu qualquer das causas que levam à extinção da punibilidade, em regra previstas no art. 107 do CP. Neste caso, embora as causas extintivas da punibilidade já tenham sido objeto de análise em sede de preliminar, novamente a indicaremos em sede de mérito, uma vez que o inciso IV do art. 397 contempla referida tese de forma expressa. Assim, na RA devemos pleitear a absolvição sumária, com fundamento no art. 397, IV, do CPP sempre que estivermos diante de (repetindo):

 

- morte do agente (art. 107, I do CP);

- anistia, graça ou indulto (art. 107, II do CP);

Causas extintivas da punibilidade previstas no art. 107 do CP

retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso (art. 107, III do CP);

-

-

prescrição, decadência ou perempção (art. 107, IV do CP);

renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada (art. 107, V do CP);

-

 

- retratação do agente, nos casos em que a lei a admite (art. 107, VI do CP);

- perdão judicial, nos casos previstos em lei (art. 107, IX do CP).

 

- art. 7º, § 2º, d, do CP: cumprimento da pena no estrangeiro pelo crime lá cometido;

Outras causas

art. 82 do CP: o término do período de prova da suspensão condicional da pena (sursis penal), sem motivo para revogação do benefício;

-

art. 90 do CP: o término do período de prova do livramento condicional, sem motivo para revogação do benefício;

-

extintivas da

punibilidade

art. 168-A, § 2º, CP: pagamento da contribuição previdenciária antes do início da ação fiscal no crime de apropriação indébita previdenciária;

-

-

art. 171, § 2º, VI, do CP e Súmula 554 do STF: ressarcimento do dano antes do

recebimento da denúncia no crime de estelionato mediante emissão de cheque sem provisão de fundos;

recebimento da denúncia no crime de estelionato mediante emissão de cheque sem provisão de fundos;

art. 236 do CP c/c art. 60 do CPP: morte da vítima no crime do art. 236 do Código Penal gera perempção, uma vez que o crime é de ação penal privada personalíssima;

-

art. 312, § 3º, 1ª parte, do CP: a reparação do dano no peculato culposo, antes da sentença final irrecorrível;

-

-

art. 337-A, § 1º, do CP: declaração ou confissão, sendo prestadas as informações

necessárias à previdência social, antes do início da ação fiscal, no crime de sonegação de contribuição previdenciária;

art. 342, § 2º, do CP: retratação do falso testemunho antes da sentença em que o mesmo foi prestado;

-

art. 107, VI, do CP c/c art. 520 do CPP: a conciliação na audiência prevista no art. 520 do CPP para os crimes contra a honra;

-

aquisição de renda superveniente na contravenção de vadiagem LCP, art. 59, par. único;

-

- art. 76 c/c art. 84 da Lei nº 9.099/95: cumprimento da transação penal;

- art. 89, § 5º. da Lei nº 9.099/95: decurso do prazo de suspensão condicional do

processo sem que haja revogação; - pagamento do tributo ou contribuição social, inclusive acessórios, no caso de sonegação fiscal. Neste caso, devemos ter atenção aos seguintes dispositivos legais:

art. 34 da Lei 9.249/95; art. 83 da Lei 9.430/96; art. 15 da Lei 9.964/2000, art. 9 o . da Lei 10.684/2003 e art. 5º, da Lei 13.254/16.

OBS. 1.: Em sede de resposta à acusação não devemos discutir aspectos relativos à aplicação da pena. OBS. 2.: É possível sustentar, caso seja este o caso apresentado, a desclassificação do crime para outro, de menor gravidade. Neste caso, após a apresentação da tese de desclassificação, devemos novamente analisar o PPPx2 (Passo a Passo Preliminar), uma vez que uma ou mais das hipóteses ali constantes poderão surgir diante da conduta desclassificada. Foi o que ocorreu na RA cobrada no VIII Exame da OAB, ao qual remetemos o leitor (Parte IV dessa obra).

3.4. DOS PEDIDOS

Os pedidos a serem formulados em sede de Resposta incluem, primeiro, eventuais preliminares, conforme acima indicadas, e, o pedido principal estará sempre vinculado ao art. 397 do CPP.

3.5. DEMAIS REQUISITOS DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO

Apresentação de documentos e requerimento de produção de provas Após elaboração dos pedidos, deve-se requerer a juntada de documentos e requerer a produção de provas que se façam necessárias.

Rol de testemunhas e pedido de intimação

Ao final, deve-se ainda requerer a intimação das testemunhas, bem como apresentar, após o

fechamento da peça processual, o rol de testemunhas, as quais deverão ser listadas e, obrigatoriamente,

qualificadas. Não se admite arrolamento de testemunhas sem a devida qualificação. Contudo, se o enunciado da questão não apresentar dados relativos às testemunhas a serem arroladas, NÃO CRIE FATOS, apenas escreva:

"1. Testemunha (qualificação e endereço). 2. Testemunha (qualificação e endereço)."

O número de testemunhas depende do procedimento. Nos ritos ordinário e 1 a fase do

procedimento do Júri, serão 8 (oito) as testemunhas arroladas por cada parte. No rito sumário o número

será de 5 (cinco) testemunhas.

4. RESPOSTA À ACUSAÇÃO NO RITO DO TRIBUNAL DO JÚRI Muito embora o procedimento dos

4. RESPOSTA À ACUSAÇÃO NO RITO DO TRIBUNAL DO JÚRI

Muito embora o procedimento dos crimes dolosos contra a vida possua previsão específica de resposta à acusação no art. 406 do CPP, esse rito não possui, dentre seus dispositivos, de forma expressa, da aplicação da absolvição sumária do art. 397 do CPP.

Art. 406 do CPP O juiz, ao receber a denúncia ou a queixa, ordenará a citação do acusado para responder a acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.

§ 1º O prazo previsto no caput deste artigo será contado a partir do efetivo

cumprimento do mandado ou do comparecimento, em juízo, do acusado ou de defensor constituído, no caso de citação inválida ou por edital. § 2º A acusação deverá arrolar testemunhas, até o máximo de 8 (oito), na denúncia ou na queixa. § 3º Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo que interesse a sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, até o máximo de 8 (oito), qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário.

Contudo,

com

as

alterações

implementadas

no

Código

de

Processo

Penal

pela

Lei

11.719/2008, passou a dispor o art. 394, em seus §§ 4 o . e 5 o .:

Art. 394. § 4 o As disposições dos arts. 395 a 398 deste Código aplicam-se a todos os procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não regulados neste Código.

§

5 o Aplicam-se subsidiariamente aos procedimentos especial, sumário e sumaríssimo as disposições do procedimento ordinário.

Por tal motivo, a resposta à acusação no rito do Tribunal do Júri apresentará a mesma lógica da

resposta à acusação nos ritos ordinário e sumário, ou seja, formulando o pedido de absolvição sumária na forma dos incisos do art. 397 do CPP.

A hipótese de absolvição sumária específica do procedimento do Tribunal do Júri, prevista no

art. 415 do CPP, é específica para a fase posterior à instrução criminal da primeira fase do procedimento, portanto, tal pedido deverá ser formulado em sede de memoriais. Contudo, no caso da RA no rito do Júri, a fundamentação legal será a do art. 406 do CPP.

5. RESPOSTA À ACUSAÇÃO NA LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE

A resposta à acusação também está prevista na Lei 8.666/93, que institui normas para a licitação

e contratos. Neste caso, se a denúncia imputar ao acusado crime previsto naquela lei, a peça de Resposta deverá ter como fundamento o art. 104 da referida lei, uma vez que prevalece o critério da especialidade:

Art. 104. Recebida a denúncia e citado o réu, terá este o prazo de 10 (dez) dias para apresentação de defesa escrita, contado da data do seu interrogató- rio, podendo juntar documentos, arrolar as testemunhas que tiver, em número não superior a 5 (cinco), e indicar as demais provas que pretenda produzir.

Também o Código Eleitoral (Lei 4.737/1965) detém dispositivo específico para a resposta do acusado, que, contudo, apresenta igualmente o prazo de 10 dias para sua apresentação, e peça escrita. Vejamos o que estabele o art. 359, parágrafo único, do Código Eleitoral:

Art. 359. Recebida a denúncia, o juiz designará dia e hora para o depoimento pessoal do acusado, ordenando a citação deste e a notificação do Ministério Público. Parágrafo único. O réu ou seu defensor terá o prazo de 10 (dez) dias para oferecer alegações escritas e arrolar testemunhas.

Já a Lei 9.099/95 prevê a resposta apresentada oralmente, no início da própria audiência de instrução e julgamento:

Art. 81. Aberta a audiência, será dada a palavra ao defensor para responder à acusação,

Art. 81. Aberta a audiência, será dada a palavra ao defensor para responder à acusação, após o que o Juiz receberá, ou não, a denúncia ou queixa; havendo recebimento, serão ouvidas a vítima e as testemunhas de acusação e defesa, interrogando-se a seguir o acusado, se presente, passando-se imediatamente aos debates orais e à prolação da sentença.

6. CONTAGEM DO PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DA RESPOSTA Como já indicado, no processo penal, todos os prazos contam-se da data da efetiva ciência (citação, notificação ou intimação) e não da juntada do mandado. Assim, para a contagem do prazo, devemos utilizar a data em que o réu foi citado, data a partir da qual fluirá o prazo de 10 dias para a apresentação da

resposta à acusação. Súmula 710 STF No processo penal, contam-se os prazos da data de intimação, e não da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem.

aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem. O prazo da resposta à

O prazo da resposta à acusação é processual; e os prazos processuais são contados excluindo-se o dia do início e incluindo-se o dia do final. Se o termo inicial ou final do prazo final cair em dia não útil, prorroga-se o prazo para o primeiro dia útil subsequente, nos termos do art. 798, § 1º do Código de ProcessoPenal.

OBS.: NÃO são aplicáveis ao processo penal as modificações na contagem dos prazos do

CPC.

7. ESTRUTURA DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO

MODELO DE RESPOSTA À ACUSAÇÃO NOS RITOS ORDINÁRIO E SUMÁRIO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA (Regra Geral) EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO E FAMILIAR CONTRA A MULHER DA COMARCA DE Doméstica e Familiar contra a Mulher)

Pular 2 ou 3 linhas Processo número:

Pular 3 ou 4 linhas após o "processo número"

VARA CRIMINAL DA COMARCA DE

JUIZADO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (Crimes de Violência

(Fazer parágrafo para a qualificação) NOME DO ACUSADO, (inserir qualificação completa ou a expressão "já qualificado nos autos do processo supra indicado"), por seu advogado que a esta subscreve (procuração em anexo), vem à presença de Vossa Excelência, com fundamento nos artigos 396 e 396-A do Código de Processo Penal, (OU artigo 104 da Lei nº 8.666/1993 - no caso da lei de licitações - OU artigo 359, parágrafo único, do Código Eleitoral - em se tratando de crimes decorrentes da lei nº 4.737/1965), apresentar sua (sem saltar linhas e sem fazer abreviações) RESPOSTA À ACUSAÇÃO pelos motivos de fato e de direito que passa a expor. (Pula-se uma linha) DOS FATOS Apresentar uma breve e estruturada narrativa dos fatos, extraindo os pontos relevantes do enunciado da questão (aproximadamente 5 ou 6 linhas). (Pula-se uma linha) DAS PRELIMINARES Na resposta à acusação, devemos, primeiro, buscar todo e qualquer fundamento que poderia ter levado à rejeição da peça acusatória, bem como aqueles que prejudicam ou retardam o processo.

Assim, devemos indicar as falhas processuais relevantes, seguindo o PASSO A PASSO PRELIMINAR (PPPx2). Fazer

Assim, devemos indicar as falhas processuais relevantes, seguindo o PASSO A PASSO PRELIMINAR

(PPPx2).

Fazer um parágrafo para cada uma das preliminares eventualmente existentes, apontando qual a preliminar, justificando-a e indicando os dispositivos legais pertinentes e eventuais súmulas relacionadas. Lembre-se: A exceção das causas extintivas da punibilidade, os aspectos arguidos em sede de preliminar, são, em regra, aspectos processuais.

DO MÉRITO Em sede de mérito devemos descrever detalhadamente as teses de direito penal aplicáveis ao caso, abordando cada um dos institutos jurídicos, com objetividade e clareza. Assim, por exemplo, se a alegação for de legítima defesa, discorra sobre os requisitos dessa excludente de ilicitude, demonstrando sua presença no caso concreto. Evite parágrafos longos, e apresente as teses associando-as, necessariamente, aos fundamentos legais pertinentes. Como já vimos, na resposta à acusação, devemos ter por objetivo a ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA do acusado. Portanto, concentre-se nas hipóteses indicadas no art. 397 do CPP. ATENÇÃO: Num mesmo caso concreto, podem estar presentes diversas teses defensivas, e neste caso, o espelho de correção provavelmente pontuará todas elas. Por isso, tente identificá-las uma a uma, em parágrafos distintos, explicando-as e indicando os dispositivos aplicáveis.

DOS PEDIDOS

(Fazer parágrafo regra dos dois dedos) Diante de todo exposto, requer seja declarada a nulidade do

(apresentar a preliminar existente;

exemplo: "flagrante incompetência desse douto juízo"), ou, caso não seja esse o entendimento de Vossa Excelência, que julgue improcedente o pedido para absolver sumariamente o acusado, na forma do art.

397, inciso

sustentada), do Código de Processo Penal. Caso assim não entenda Vossa Excelência, requer sejam realizadas as diligências for o caso) e intimadas as testemunhas abaixo arroladas. Após terminar os pedidos, pular 1 linha e colocar, centralizado:

(se

processo ab initio (se houver tese de nulidade) em face da

(indicar o inciso ou os incisos do art. 397 correspondentes, a depender da tese

Nestes termos Pede deferimento.

Após, salte 2 ou três linhas e coloque, também centralizado:

Comarca, data.

Advogado, OAB

Pule duas linhas e inclua:

Rol de testemunhas:

1. Testemunha (qualificação e endereço).

2. Testemunha (qualificação e endereço).

3. Testemunha (qualificação e endereço).

MODELO DE RESPOSTA À ACUSAÇÃO NO RITO DO JÚRI

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA

COMARCA DE

DO JÚRI DA COMARCA DE

VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA

TRIBUNAL

(ou EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO

)

Pular 2 ou 3 linhas

Processo número:

Pular 3 ou 4 linhas após o "processo número" (Fazer parágrafo para a qualificação) Nome,

Pular 3 ou 4 linhas após o "processo número"

(Fazer parágrafo para a qualificação) Nome, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem por seu advogado e bastante procurador que a esta subscreve, conforme procuração anexada, muito respeitosamente à presença de Vossa Excelência, apresentar com fundamento no artigo 406 do Código de Processo Penal (sem saltar linhas e sem abreviar nada) RESPOSTA À ACUSAÇÃO pelos motivos de fato e de direito que passa a expor. (Pula-se uma linha)

DOS FATOS Apresentar uma breve e estruturada narrativa dos fatos, extraindo os pontos relevantes do enunciado da questão (aproximadamente 5 ou 6 linhas). (Pula-se uma linha)

DAS PRELIMINARES Na resposta à acusação, devemos, primeiro, buscar todo e qualquer fundamento que poderia ter levado à rejeição da peça acusatória, bem como aqueles que prejudicam ou retardam o processo. Assim, devemos indicar as falhas processuais relevantes, seguindo o PASSO A PASSO PRELIMINAR

(PPPx2).

Fazer um parágrafo para cada uma das preliminares eventualmente existentes, apontando qual a preliminar, justificando-a e indicando os dispositivos legais pertinentes e eventuais súmulas relacionadas. Lembre-se: A exceção das causas extintivas da punibilidade, os aspectos arguidos em sede de preliminar, são, em regra, aspectos processuais.

DO MÉRITO Em sede de mérito devemos descrever detalhadamente as teses de direito penal aplicáveis ao caso, abordando cada um dos institutos jurídicos, com objetividade e clareza. Assim, por exemplo, se a alegação for de legítima defesa, discorra sobre os requisitos dessa excludente de ilicitude, demonstrando sua presença no caso concreto. Evite parágrafos longos, e apresente as teses associando-as, necessariamente, aos fundamentos legais pertinentes. Como já vimos, na resposta à acusação, devemos ter por objetivo a ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA do acusado. Mesmo no procedimento do Tribunal do Júri, por força do art. 394, § 4 o ., do CPP, devemos buscar a absolvição sumária do art. 397, o qual não se confunde com a absolvição sumária do artigo 415 do Código de Processo Penal, próprio para o final da 1 a fase, no momento dos memoriais. Por isso, NO MÉRITO, ao indicar o artigo 397 do CPP, combine-o ao art. 394, § 4 o ., do mesmo código. Mas concentre-se nas hipóteses indicadas no art. 397 do CPP. ATENÇÃO: Num mesmo caso concreto, podem estar presentes diversas teses defensivas, e neste caso, o espelho de correção provavelmente pontuará todas elas. Por isso, tente identificá-las uma a uma, em parágrafos distintos, explicando-as e indicando os dispositivos aplicáveis.

DOS PEDIDOS

(Fazer parágrafo regra dos dois dedos) Diante de todo exposto, requer seja declarada a nulidade do

processo ab initio (se houver tese de nulidade) em face da

exemplo: "flagrante incompetência desse douto juízo"), ou, caso não seja esse o entendimento de Vossa Excelência, que julgue improcedente o pedido para absolver sumariamente o acusado, na forma do art.

(indicar o inciso ou os incisos do art. 397 correspondentes, a depender da tese

sustentada), do Código de Processo Penal. ATENÇÃO: Como vimos, o Código de Processo Penal não prevê a resposta à acusação com pedido de absolvição sumária para o rito do Tribunal do Júri, pois a absolvição sumária do art. 415 CPP é um instituto completamente diferente do art. 397 CPP. Não se deve confundir a absolvição sumária da resposta à

397, inciso

(apresentar a preliminar existente;

acusação com a absolvição sumária do art. 415 CPP, esta última cabível ao final da

acusação com a absolvição sumária do art. 415 CPP, esta última cabível ao final da 1 a . fase do Júri, após a instrução probatória, em sede de memoriais.

Caso assim não entenda Vossa Excelência, requer sejam realizadas as diligências for o caso) e intimadas as testemunhas abaixo arroladas. Após terminar os pedidos, pular 1 linha e colocar, centralizado:

(se

Nestes termos Pede deferimento.

Após, salte 2 ou três linhas e coloque, também centralizado:

Comarca, data.

Advogado, OAB

Pule duas linhas e inclua:

Rol de testemunhas:

1. Testemunha (qualificação e endereço).

2. Testemunha (qualificação e endereço).

3. Testemunha (qualificação e endereço).

8. MAPAS MENTAIS E QUADROS SINÓTICOS COMO IDENTIFICAR SE A PEÇA A SER APRESENTADA É

8. MAPAS MENTAIS E QUADROS SINÓTICOS COMO IDENTIFICAR SE A PEÇA A SER APRESENTADA É A RESPOSTA À ACUSAÇÃO?

SE A PEÇA A SER APRESENTADA É A RESPOSTA À ACUSAÇÃO? 1) Houve o oferecimento de
1) Houve o oferecimento de uma denúncia ou queixa? 2) O juiz recebeu a denúncia

1) Houve o oferecimento de uma denúncia ou queixa?

2) O juiz recebeu a denúncia ou a queixa?

3) O réu já foi citado?

4) A instrução probatória já teve início ou já ocorreu?

Em caso positivo, passe à pergunta 2

Se a reposta for SIM, passe à 3

Se sim, só falta uma pergunta!

Se a reposta for NÃO, a peça é a Resposta à

Acusação!

PASSO A PASSO PRELIMINAR

Causas extintivas da punibilidade (art. 107 do CP, dentre outros) Prejudiciais de mérito (arts. 92
Causas extintivas da punibilidade (art. 107 do CP, dentre
outros)
Prejudiciais de mérito (arts. 92 e 93 do CPP)
Preliminares processuais (art. 95 do CPP)
Outras nulidades (art. 564 III e IV do CPP)
Ausência dos requisitos necessários ao recebimento da
denúncia ou queixa (art. 395 do CPP) – no caso de
resposta à acusação ou defesas prévias**
Ausência de proposta suspensão condicional do processo
(art. 89 da Lei 9.099/95) ou de outros benefícios
despenalizadores
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