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DEFESAS PRÉVIAS OU PRELIMINARES

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Embora o Código de Processo Penal tenha sido alterado pelas Leis 11.689/2008 e 11.719/2008, que trouxe
para os ritos comum e do júri a figura da Resposta à Acusação (arts. 396, 396-A e 406, todos do CPP), determinados ritos
especiais apresentam peça processual própria, a ser apresentada pela defesa antes mesmo do recebimento da
denúncia.
Tais peças são denominadas defesas prévias ou preliminares, encontrando-se as mesmas previstas,
atualmente, nos ritos dos crimes de responsabilidade de servi- dores públicos (arts. 513 a 518 do CPP), da Lei de
Entorpecentes (arts. 54 a 58 da Lei 11.343/2006) e nos processos de competência originária dos tribunais (arts. 1º a 12
da Lei 8.038/90).
Em todos estes casos, após oferecida denúncia ou queixa e antes mesmo de recebê-la, o juiz
NOTIFICARÁ o acusado para apresentar sua defesa escrita, conforme quadro a seguir:

Defesa Preliminar Processo


Defesa ou Resposta Preliminar Ação
por crimes de Defesa Prévia Lei
Penal Originária (processo de réus com
responsabilidade de de Tóxicos
prerrogativa de função)
servidores públicos

Fundamento art. 55 da Lei


art. 514, CPP art. 4º da Lei 8.038/90
legal 11.343/06

Prazo 15 (quinze) dias 10 (dez) dias 15 (quinze) dias

As defesas preliminares têm estrutura muito semelhante à da Resposta à Acusação, devendo abordar
tudo aquilo que ali seria abordado, tanto em preliminares quanto no mérito.
Contudo, devemos atentar para o nome da peça, a fundamentação legal e o prazo (conforme quadro
acima), bem como ao pedido que será ao final formulado. Reiteramos que as defesas preliminares são apresentadas
após o oferecimento da denúncia ou queixa, PORÉM ANTES DO SEU RECEBIMENTO, motivo pelo qual, após adotada
a mesma estrutura e teses que seriam utilizadas em uma eventual resposta à acusação, os pedidos deverão seguir os
modelos abaixo.

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2. PROCEDIMENTO NOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE DE SERVIDORES PÚBLICOS – art. 514 CPP

O Código de Processo Penal prevê procedimento específico para os crimes de responsabilidade de


servidores públicos, procedimento este aplicável aos crimes previstos nos arts. 312 a 327 do Código Penal, ou seja,
os crimes funcionais próprios, desde que não se caracterizem como infração de menor potencial ofensivo, hipótese
na qual será a eles aplicável o procedimento sumaríssimo da Lei 9.099/95.
Ocorre que o referido procedimento, aplicável aos crimes funcionais próprios, que se encontra previsto
nos arts. 513 a 518 do CPP, possui como única peculiaridade a oportunidade do servidor acusado apresentar, antes
do recebimento da denúncia, defesa escrita, em 15 dias.
Assim, oferecida a denúncia, o servidor é NOTIFICADO para apresentar aquela peça processual, após
a qual o juiz decidirá se recebe a denúncia ou se a rejeita, julgando improcedente o pedido.

Ocorre que, ao longo dos anos, divergiram os Tribunais acerca da necessidade de apresentação da
referida peça processual. Ora entendendo ser a mesma absolutamente necessária, ora entendendo de forma
contrária.
Vejamos o posicionamento do STF em 2006:
HABEAS CORPUS - CRIME FUNCIONAL AFIANÇÁVEL - DENÚNCIA OFERECIDA COM
FUNDAMENTO EM INQUÉRITO POLICIAL - AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO PRÉVIA (CPP, ART. 514)
- NULIDADE PROCESSUAL INOCORRENTE - PEDIDO INDEFERIDO. - Revela-se dispensável a
notificação prévia, para efeito de defesa preliminar (CPP, art. 514), nos casos em que a denúncia é
apresentada com base em inquérito policial. Doutrina. Precedentes. (STF HC 85560 / SP, Relator: Min.
CELSO DE MELLO. Julgamento: 13/06/2006, Segunda Turma, Publicação: DJ 15-12-2006)

Tal posicionamento acabou levando à criação de duas súmulas relevantes. O STJ firmou o
posicionamento apresentado no enunciado 330 de suas Súmulas, e o próprio STF acabou editando a Súmula
Vinculante 5 que, embora referente ao processo administrativo disciplinar ao qual também se sujeita o servidor, fazia
surgir o entendimento que deu base à própria Súmula 330 do STJ.

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Súmula 330 do STJ - É desnecessária a resposta preliminar de que trata o artigo 514 do Código de Processo
Penal, na ação penal instruída por inquérito policial.

Súmula Vinculante 5 - A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a
Constituição.

Contudo, com a reforma do CPP em 2008 e o surgimento da resposta à acusação, o STF retomou o
entendimento original, anterior às decisões acima apresentadas, no sentido de que a ausência de oportunidade de
apresentação da defesa preliminar de que trata o art. 514 do CPP caracteriza cerceamento de defesa e, portanto,
nulidade absoluta. Neste sentido:

HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. CRIMES FUNCIONAIS AFIANÇÁVEIS. DENÚNCIA


LASTREADA EM INQUÉRITO POLICIAL. INOBSERVÂNCIA DO RITO ESTABELECIDO NO ARTIGO
514 DO CPP. VIOLAÇÃO DA GARANTIA DA AMPLA DEFESA (CONSTITUIÇÃO DO BRASIL, ART.
5º, INCISO LV). Crimes funcionais típicos, afiançáveis. Denúncia lastreada em inquérito policial,
afastando-se o rito estabelecido no artigo 514 do Código de Processo Penal. A não-observância de
formalidade essencial em procedimentos específicos viola frontalmente a garantia constitucional da
ampla defesa. Ordem concedida. (STF HC 95402 / SP, Relator: Min. EROS GRAU, Julgamento:
31/03/2009, Segunda Turma, publicado em 08.05.2009)

EMENTA: HABEAS CORPUS. DELITO DE CONCUSSÃO (ART. 316 DO CÓDIGO PENAL).


FUNCIONÁRIO PÚBLICO. OFERECIMENTO DE DENÚNCIA. FALTA DE NOTIFICAÇÃO DO
ACUSADO PARA RESPOSTA ESCRITA. ART. 514 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL.
PREJUÍZO. NULIDADE. OCORRÊNCIA. ORDEM CONCEDIDA.
[...] 3. Na concreta situação dos autos, a ausência de oportunidade para o oferecimento da resposta
preliminar na ocasião legalmente assinalada revela-se incompatível com a pureza do princípio
constitucional da plenitude de defesa e do contraditório, mormente em matéria penal. Noutros termos,
a falta da defesa preliminar à decisão judicial quanto ao recebimento da denúncia, em processo tão
vincado pela garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório, como efetivamente é o
processo penal, caracteriza vício insanável.
A ampla defesa é transformada em curta defesa, ainda que por um momento, e já não há como
desconhecer o automático prejuízo para a parte processual acusada, pois o fato é que a garantia da
prévia defesa é instituída como possibilidade concreta de a pessoa levar o julgador a não receber a
denúncia ministerial pública.
Logo, sem a oportunidade de se contrapor ao ministério público quanto à necessidade de instauração
do processo penal - objetivo da denúncia do Ministério Público -, a pessoa acusada deixa de usufruir
da garantia da plenitude de defesa para escapar à pecha de réu em processo penal. O que traduz, por
modo automático, prejuízo processual irreparável, pois nunca se pode saber que efeitos produziria na
subjetividade do magistrado processante a contradita do acusado quanto ao juízo do recebimento da
denúncia. 4. Ordem concedida.
(STF, HC 95.712/RJ, Rel. Min. Ayres Britto, Primeira Turma, j. 20/04/2010, DJe 21/05/2010)

HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. OBRIGATORIEDADE DE DEFESA PRÉVIA. ART.514 O


CPP. PACIENTE QUE NÃO MAIS EXERCIA O CARGO PÚBLICO À ÉPOCA DA DENÚNCIA.
PECULIARIDADE QUE AFASTA A EXIGÊNCIA. NULIDADE RELATIVA. NECESSIDADE DE
DEMONSTRAR O EFETIVO PREJUÍZO. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. ORDEM

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DENEGADA. I – A partir do julgamento do HC 85.779/RJ, passou-se a entender, nesta Corte, que é
indispensável a defesa prévia nas hipóteses do art. 514 do Código de Processo Penal, mesmo quando
a denúncia é lastreada em inquérito policial (Informativo 457/STF). II – A jurisprudência do STF,
contudo, firmou-se no sentido de que o “procedimento especial previsto no artigo 514 do CPP não é de
ser aplicado ao funcionário público que deixou de exercer a função na qual estava investido” (HC
95.402-ED/SP, Rel. Min. Eros Grau). III – Esta Corte decidiu, por diversas vezes, que a defesa
preliminar de que trata o art. 514 do Código de Processo Penal tem como objetivo evitar a propositura
de ações penais temerárias contra funcionários públicos e, por isso, a sua falta constitui
apenas nulidade relativa. IV – O entendimento deste Tribunal, de resto, é o de que para o
reconhecimento de eventual nulidade, ainda que absoluta, faz-se necessária a demonstração do
prejuízo, o que não ocorreu na espécie. Nesse sentido, o Tribunal tem reafirmado que a demonstração
de prejuízo, “a teor do art. 563 do CPP, é essencial à alegação de nulidade, seja ela relativa ou
absoluta, eis que (…) o âmbito normativo do dogma fundamental da disciplina dasnulidades pas de
nullité sans grief compreende as nulidades absolutas” (HC 85.155/SP, Rel. Min. Ellen Gracie). V –
Habeas corpus denegado.(STF HC 110361 / SC, Relator: Min. RICARDO LEWANDOWSKI ,
Julgamento: 05/06/2012, Segunda Turma, publicado em 01-08-2012)

HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. CRIME DE PECULATO. AUSÊNCIA DE DEFESA


PRELIMINAR DO ART. 514 DO CPP. NÃO DEMONSTRAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO À DEFESA
TÉCNICA. MATÉRIA NÃO ARGUIDA OPORTUNAMENTE. PRECLUSÃO. INVIABILIDADE DE
INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. VALOR QUE POSSUI RELEVÂNCIA PARA O
DIREITO PENAL.
1. É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de que, para o reconhecimento de nulidade
decorrente da inobservância da regra prevista no art. 514 do CPP, é necessária a demonstração do
efetivo prejuízo causado à parte. Improcede, pois, pedido de renovação de todo o procedimento
criminal com base em alegações genéricas sobre a ocorrência de nulidade absoluta.
2. Ademais, se a finalidade da defesa preliminar está relacionada ao interesse público de evitar
persecução criminal temerária contra funcionário público, a superveniência de sentença condenatória,
que decorre do amplo debate da lide penal, prejudica a preliminar de nulidade processual, sobretudo
se considerado que essa insurgência só foi veiculada nas razões de apelação.
3. A ação e o resultado da conduta praticada pela paciente assumem, em tese, nível suficiente de
reprovabilidade, destacando-se que o valor indevidamente apropriado não pode ser considerado ínfimo
ou irrelevante, a ponto de ter-se como atípica a conduta. Precedentes. 4. Ordem denegada.
(STF, HC 128109, Rel. Min. Teori Zavascki, Segunda Turma, julgado em 08/09/2015, DJe-189 divulg
22-09-2015 public 23-09-2015)

“HABEAS CORPUS” – ALEGADA NULIDADE CONSISTENTE NA SUPOSTA INOBSERVÂNCIA DO


RITO PREVISTO NO ART. 514 DO CPP – INOCORRÊNCIA – INAPLICABILIDADE DA REGRA DA
NOTIFICAÇÃO PRÉVIA PARA EFEITO DE DEFESA PRELIMINAR NO CASO DE O AGENTE HAVER
SIDO DENUNCIADO PELA PRÁTICA DE OUTRAS INFRAÇÕES PENAIS (NO CASO, ARTS. 171, §
3º, 288, 299 E 305, TODOS DO CÓDIGO PENAL) ALÉM DAQUELA CARACTERIZADORA DE
DELITO FUNCIONAL (CP, ART. 312) – PREJUDICIALIDADE, ADEMAIS, DESSA ALEGAÇÃO EM
FACE DA SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA – INEXISTÊNCIA DE
CONSTRANGIMENTO ILEGAL – SUSTENTAÇÃO ORAL EM SEDE DE “AGRAVO REGIMENTAL”
PERANTE O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – INADMISSIBILIDADE – VEDAÇÃO
REGIMENTAL (RISTJ, ART. 159) – RECONHECIMENTO, PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL,
DA CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA IDÊNTICA ESTABELECIDA EM SEU REGIMENTO
INTERNO (RISTF, ART. 131, § 2º) – PRECEDENTES – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO.
(STF, HC 126738 AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Segunda Turma, julgado em 09/06/2015, DJe-170
divulg 28-08-2015 public 31-08-2015)
Recurso ordinário em habeas corpus. Processual Penal. Ação penal. Funcionário público. Resposta
preliminar (art. 514, CPP). Renovação do ato pretendida, diante da ausência, à época de sua prática,
de documentos em que se baseou a denúncia. Descabimento. Imputação de crimes funcionais e não
funcionais. Inaplicabilidade do procedimento previsto nos arts. 513 e seguintes do Código de Processo

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Penal. Hipótese em que, com a posterior juntada desses documentos, foi reaberto o prazo para a
apresentação da defesa prevista no art. 396 do Código de Processo Penal. Ausência de prejuízo.
Nulidade inexistente. Superveniência, ademais, de sentença condenatória. Recurso não provido. 1.
Havendo imputação de crimes funcionais e não funcionais, não se aplica o procedimento previsto nos
arts. 513 e seguintes do Código de Processo Penal, a tornar prescindível a fase de resposta preliminar
nele prevista. Precedentes. 2. Em face da prescindibilidade desse ato, é irrelevante que, por ocasião
da apresentação da resposta prevista no art. 514 do Código de Processo Penal, facultada pelo juízo de
primeiro grau ao arrepio da jurisprudência do STF, ainda não constassem dos autos alguns dos
documentos em que se lastreava a denúncia. 3. A finalidade da resposta preliminar prevista no art. 514
do Código de Processo Penal é “permitir que o denunciado apresente argumentos capazes de induzir à
conclusão de inviabilidade da ação penal” (HC nº 89.517/RJ, Segunda Turma, Relator o Ministro Cezar
Peluso, DJe de 12/2/10). 4. As mesmas teses defensivas que nela podem ser deduzidas também
podem sê-lo na defesa preliminar prevista no art. 396 do Código de Processo Penal, na qual “o
acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa”, a afastar a alegação
de cerceamento de defesa. 5. É pacífica a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no sentido de
que eventual nulidade decorrente da inobservância do procedimento do art. 514 do Código de
Processo Penal não prescinde da efetiva demonstração do concreto prejuízo suportado. Precedentes.
6. A renovação do prazo da resposta prevista no art. 396 do Código de Processo Penal, após a juntada
dos documentos faltantes, assegurou aos recorrentes a oportunidade de reapresentar as suas teses
defensivas, a demonstrar a ausência de prejuízo concreto a sua defesa. 7. A superveniência da
sentença condenatória torna prejudicada a pretensão de anulação da ação penal para renovação da
resposta prevista no art. 514 do Código de Processo Penal. Precedentes. 8. Recurso não provido.
(STF, RHC 127296, Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em 02/06/2015, DJE-128 divulg 30-
06-2015 public 01-07-2015)

Contudo, o STJ continua adotando o posicionamento da Súmula 330, entendendo pela dispensabilidade
do art. 514 do CPP quando a denúncia for instruída por inquérito no qual o acusado tenha tido a oportunidade de se
manifestar.
[...] 2. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que “havendo a prévia instauração de
inquérito policial, não desponta a necessidade de observância do rito previsto no art. 514 do Código de
Processo Penal, a teor do que dispõe a Súmula 330/STJ”.
(STJ, AgRg no AREsp 342.925/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 6ª Turma, j. 06/02/2014,
DJe 26/02/2014)

[...] DELITO FUNCIONAL. NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DO ART. 514 DO CPP. NOTIFICAÇÃO


PARA A RESPOSTA PRELIMINAR. DISPENSÁVEL NO CASO DE AÇÃO PENAL INSTRUÍDA COM
INQUÉRITO POLICIAL. SÚMULA N. 330 DO STJ. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL.
AGRAVO DESPROVIDO.
(STJ, AgRg no HC 160.700/SP, Rel. Min. Marilza Maynard (Desembargadora convocada do TJ/SE), 5ª
Turma, j. 02/05/2013, DJe 08/05/2013)

Assim, resumimos:

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Destaque-se, portanto, que no procedimento de crimes de responsabilidade de servidores públicos,
tanto poderá o candidato ser instado a elaborar a peça de defesa preliminar como a de resposta à acusação.
E qual será a diferença?
Se a denúncia foi oferecida por um crime funcional próprio, e o denunciado foi NOTIFICADO, a peça a
ser apresentada será a DEFESA PRELIMINAR, com fundamento no art. 514 do CPP.
Se a denúncia já foi recebida e o réu foi CITADO, a peça será a resposta à acusação dos arts. 396 e
396-A do CPP.

3. PROCEDIMENTO DA LEI DE ENTORPECENTES (LEI 11.343/2006)

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* O juiz deve decidir acerca do recebimento da denúncia em 5 dias. Se entender imprescindível, no
prazo de 10 dias, determinará a apresentação do preso, realização de diligências, exames e
perícias.

** Decidiu o STF que, a partir do julgamento do HC 127900, em todos os procedimentos criminais,


previstos no CPP ou em legislação extravagante, o interrogatório deverá ocorrer ao final da instrução
probatória.

Da mesma forma que no procedimento do Tribunal do Júri, ou mesmo no procedimento de crimes de


responsabilidade de servidor abordado acima, o procedimento da Lei de Tóxicos acabou sendo modificado pela
reforma implementada no Código de Processo Penal pela Lei 11.719/2008, que deu nova redação ao art. 394. De
acordo com o § 4o daquele artigo, em todos os procedimentos criminais em curso no 1o. grau, previstos ou não no
CPP, deve-se garantir tanto a possibilidade da resposta à acusação, prevista nos arts. 396 e 396-A, como a
absolvição sumária do art. 397.
Art. 394. O procedimento será comum ou especial.
§ 4o As disposições dos arts. 395 a 398 deste Código aplicam-se a todos os procedimentos penais de
primeiro grau, ainda que não regulados neste Código.

Contudo, a exigência imposta pelo art. 394, § 4o., do CPP, não retira ou modifica a necessidade da
defesa prévia, específica do procedimento da Lei de Tóxicos, prevista no art. 55 da Lei 11.343/2006:
Art. 55. Oferecida a denúncia, o juiz ordenará a notificação do acusado para oferecer defesa prévia,
por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.
§1o Na resposta, consistente em defesa preliminar e exceções, o acusado poderá arguir preliminares e
invocar todas as razões de defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas que
pretende produzir e, até o número de 5 (cinco), arrolar testemunhas.

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Assim, da mesma forma que no procedimento de crimes de responsabilidade de servidores públicos, no
processo por tráfico de entorpecentes, tanto poderá o candidato ser instado a elaborar a peça de defesa prévia como
a de resposta à acusação.
E qual será a diferença?
Se a denúncia foi oferecida por crime da Lei 11.343/2006 e o denunciado for NOTIFICADO, a peça a
ser apresentada será a DEFESA PRELIMINAR, com fundamento no art. 55 da referida lei.
Se a denúncia já houver sido recebida e o réu for CITADO, a peça será a resposta à acusação dos arts.
396 e 396-A do CPP.

4. AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA – LEI 8.038/90

SEQUÊNCIA DE ATOS DO PROCEDIMENTO EM PROCESSOS DE COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA


(RÉUS QUE DETÊM PRERROGATIVA DE FUNÇÃO)
1. OFERECIMENTO DE DENÚNCIA OU QUEIXA EM 15 DIAS (art. 1o)
2. NOTIFICAÇÃO DO ACUSADO PARA OFERECER A SUA RESPOSTA EM 15 DIAS (art. 4 o)
3. OITIVA DO MP E/OU QUERELANTE SOBRE DOCUMENTOS EM 5 DIAS (art. 5o)
4. DESIGNAÇÃO DA SESSÃO DE JULGAMENTO (art. 6o)
- sustentação oral (15 minutos para acusação e 15 minutos para a defesa)
- decisão em segredo de justiça (se recebida a denúncia ou queixa, designação da data para interrogatório)
5. CITAÇÃO (art. 7o)
6. INTERROGATÓRIO (art. 7o)
7. DEFESA PRÉVIA EM 5 DIAS (art. 8o)
8. INSTRUÇÃO CRIMINAL CONFORME CPP, PODENDO OCORRER POR CARTA DE ORDEM (art. 9 o)
9. DILIGÊNCIAS EM 5 DIAS (art. 10)
10. ALEGAÇÕES ESCRITAS EM 15 DIAS (art. 11)
11. SESSÃO DE JULGAMENTO (conforme Regimento Interno de cada Tribunal)

Repare que o procedimento previsto para os processos de competência originária não prevê a resposta
à acusação e, da mesma forma, não contempla a aplicação do art. 394, § 4o., do CPP, como ocorreu nos ritos acima
abordados, uma vez que este procedimento (da Lei 8.038/90) não consiste em procedimento no 1o. grau, mas sim
nas instâncias superiores.
Desta forma, a defesa possível neste procedimento é realmente aquela do art. 4o. da Lei 8.038/90, não
havendo que se falar no art. 396 do CPP.
Importante alertar que situação com as quais nos deparamos eventualmente na jurisprudência, em que
se admite a resposta do art. 396 ou mesmo a absolvição sumária do art. 397, ambos do CPP, somente ocorrem se o
réu não era detentor da prerrogativa no momento de sua citação, tendo-a adquirido em momento posterior. Vejamos
as decisões colacionadas abaixo:

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DECISÃO 01 - STF - AP 630 - 2011
Ementa: PROCESSUAL PENAL. RECEBIMENTO DA DENÚNCIA EM MOMENTO ANTERIOR À
DIPLOMAÇÃO COMO DEPUTADO FEDERAL. CITAÇÃO NOS MOLDES DOS ARTS. 396 E 397 DO
CPP. DEFESA APRESENTADA NO JUÍZO MONOCRÁTICO. REMESSA DOS AUTOS AO STF.
NECESSÁRIO EXAME DA POSSIBILIDADE DE ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA DO ART. 397 DO CPP
ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA INSTRUÇÃO.
I - Recebida a denúncia antes de o réu ter sido diplomado como Deputado Federal, apresentada a
defesa escrita, é de ser examinada a possibilidade de absolvição sumária, segundo a previsão do art.
397 do Código de Processo Penal, mesmo que o rito, por terem os autos sido remetidos ao Supremo
Tribunal Federal, passe a ser o da Lei 8.038/90.
II - Na hipótese, tendo constado no mandado citatório menção expressa à sistemática dos arts. 396 e
397, ambos do Código de Processo Penal, não seria razoável exigir que o réu, ao invés de ofertar
defesa escrita, apenas noticiasse ao Juízo monocrático sua novel situação de parlamentar e
requeresse a remessa dos autos à Corte Suprema.
III - Entendimento diverso colocaria em risco o direito à ampla defesa, ante a supressão da
possibilidade de o acusado livrar-se do processo penal antes da instrução, o que é conferido tanto pelo
art. 397 do CPP, quanto pelo art. 4º da Lei 8.038/90, este último aplicável às ações penais originárias.
IV - Rejeitado o agravo regimental interposto pelo Ministério Público que pugnava pelo imediato início
da instrução, com a oitiva das testemunhas arroladas pela acusação. V - Remessa dos autos à
Procuradoria Geral da República para manifestar-se acerca da defesa escrita do réu.
(STF. AP 630 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em
15/12/2011, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-059 DIVULG 21-03-2012 PUBLIC 22-03-2012)

DECISÃO 02 – STF – AP 697 - 2012


EMENTA: AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA. PROCEDIMENTO ESPECIAL DISCIPLINADO NA LEI
8.038/90. AGREGAÇÃO DAS PROVIDÊNCIAS PREVISTAS NOS ARTS. 395 A 397 DO CPP,
PRÓPRIAS DO PROCEDIMENTO COMUM E SUMÁRIO. DESCABIMENTO, POR SE TRATAR DE
PROVIDÊNCIAS COM FINALIDADES SEMELHANTES ÀS JÁ ADOTADAS PELOS ARTS. 4º E 6º DA
LEI 8.038/90. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
(STJ. AgRg na APn 697 / RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, DJe
15/10/2012.)

DECISÃO 03 – STF – AP 679 - 2013


INFORMATIVO STF Nº 702 (15 a 19 de abril de 2013)
Resposta à acusação e foro por prerrogativa de função - AP 679 QO/RJ, rel. Min. Dias Toffoli,
18.4.2013. (AP-679)
O Plenário, ao resolver questão de ordem suscitada em ação penal, deliberou pelo prosseguimento do
feito nos termos do art. 397 do CPP, com a consequente intimação regular das partes, incluído o
processo em pauta para apreciação do tema. No caso, denunciado, na justiça comum, pela suposta
prática do crime de recusa, retardamento ou omissão de dados técnicos (Lei 7.347/85, art. 10) fora,
posteriormente, diplomado Senador, sem que, nesse intervalo, fosse-lhe oportunizado o oferecimento
de resposta à acusação (CPP, artigos 396 e 396-A) e sua respectiva análise pelo juízo (CPP, art. 397).
Ademais, não teria apresentado resposta escrita (Lei 8.038/90, art. 4º), haja vista que, quando
oferecida a exordial acusatória, o processo ainda não seria de competência do STF. O acusado
requeria, então, a nulidade do recebimento da denúncia. Considerou-se que, uma vez esta Corte
tendo reputado válido o recebimento da inicial ocorrido no juízo de 1º grau, seria possível analisar a
resposta à acusação — para a qual o juízo de piso já haveria citado a parte —, com os fins de
absolvição sumária.
Assim, seria válido o procedimento até o instante em que, com a superveniência da diplomação,
deslocara-se a competência para o STF. Consignou-se que, transitoriamente, a Corte adotaria o rito
previsto no CPP — exclusivamente para essa finalidade — e, em seguida, o procedimento previsto na
Lei 8.038/90.

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Anotou-se a semelhança entre a regra inscrita no diploma processual penal e a disposição da Lei
8.038/90 para essa finalidade. Registrou-se precedente no Plenário nesse mesmo sentido (AP 630
AgR/MG, DJe de 22.3.2012), embora, naquele caso, a defesa houvesse apresentado resposta à
acusação perante o juízo comum. Invocou-se o princípio tempus regit actum, a significar que os atos
praticados validamente, por autoridade judiciária então competente, subsistiriam íntegros.
Vencido o Min. Marco Aurélio, que resolvia a questão de ordem no sentido de acolher a nulidade
suscitada. Considerava, ainda, que o termo “recebê-la-á” contido no art. 396 do CPP [“Nos
procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar
liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no
prazo de 10 (dez) dias”] referir-se-ia à mera entrega da denúncia ao juízo, visto que a resposta à
acusação voltar-se-ia contra esta peça.
Não haveria lógica em se receber a inicial, com os efeitos jurídicos próprios, e oportunizar à defesa que
impugnasse o ato que ensejara esta decisão. O recebimento da denúncia deveria ocorrer, portanto, em
momento posterior à manifestação do acusado. Registrava que interpretação distinta implicaria afronta
à isonomia, pois a Lei 8.038/90 permitiria ao denunciado — detentor de foro por prerrogativa de função
— que se defendesse antes do recebimento da denúncia, e o Código de Processo Penal, voltado ao
cidadão comum, não. Isso violaria o princípio do contraditório. AP 679 QO/RJ, rel. Min. Dias Toffoli,
18.4.2013. (AP-679)

Da mesma forma, não podemos confundir a defesa prévia indicada no art. 8o. da Lei 8.038/90 com a
resposta do art. 396 do CPP. A defesa do art. 8o. é apenas o momento processual para apresentação do rol de
testemunhas e requerimento de diligências.
Portanto, a resposta ou defesa preliminar nos processos de competência originária dos tribunais será
aquela com fundamento no artigo 4º da Lei 8.038/90, apresentada em momento anterior ao recebimento da denúncia
pelo Tribunal:
Art. 4º - Apresentada a denúncia ou a queixa ao Tribunal, far-se-á a notificação do acusado para
oferecer resposta no prazo de quinze dias.
§1º - Com a notificação, serão entregues ao acusado cópia da denúncia ou da queixa, do despacho do
relator e dos documentos por este indicados.

Portanto, o PEDIDO a ser formulado será: "DIANTE DO EXPOSTO, requer seja rejeitada a denúncia ou
julgado improcedente o pedido na forma do art. 6º da Lei 8038/90."

5. ESTRUTURA DAS DEFESAS PRELIMINARES

Endereçamento nas defesas dos arts. 514 do CPP e 55 da Lei 11.343/2006:


EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ___________
(Regra Geral)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ____ VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE
___________ (Crimes da Competência da Justiça Federal)

Endereçamento na defesa do art. 4o. da Lei 8.038/90:

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EGRÉGIO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (OU SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA OU TRIBUNAL DE JUSTIÇA ____
OU TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ___ REGIÃO)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO (OU DESEMBARGADOR) RELATOR

Processo número:

Qualificação
NOME DO DEFENDENTE, já qualificado nos autos do processo às folhas ___, por seu advogado que a esta
subscreve, conforme procuração em anexo, vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, com fundamento no
artigo 514 do Código de Processo Penal (OU artigo 55 da Lei 11.343/06 OU art. 4o. da Lei 8.038/90) apresentar
DEFESA PRELIMINAR ou DEFESA PRÉVIA
pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

1. Dos Fatos
O candidato deve externar os fatos de forma sucinta.

2. Das Preliminares
Buscam-se falhas, defeitos que possam inviabilizar a defesa. NÃO se deve entrar no MÉRITO.
Apresentar as mesmas preliminares que seriam deduzidas em sede de Resposta à Acusação (não se esqueça do
PPPx2).

3. Do Mérito
Apresentar os mesmos argumentos que seriam deduzidos em sede de Resposta à Acusação.

4. Do Pedido
Pedido no procedimento de crimes de responsabilidade de servidor:
DIANTE DO EXPOSTO, requer seja rejeitada a denúncia, na forma dos arts. 395, inciso __, e 516, ambos do
Código de Processo Penal.
Contudo, caso assim não entenda Vossa Excelência, requer desde logo sejam realizadas as diligências e
arroladas as testemunhas abaixo indicadas.

Pedido no procedimento da Lei de Tóxicos:


DIANTE DO EXPOSTO, requer seja rejeitada a denúncia, na forma do art. 395, inciso ___, do Código de
Processo Penal.

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Contudo, caso assim não entenda Vossa Excelência, requer desde logo sejam realizadas as diligências e
arroladas as testemunhas abaixo indicadas.

Pedido no procedimento da Lei 8.038/1990:


DIANTE DO EXPOSTO, requer seja rejeitada a denúncia ou julgado improcedente o pedido na forma do art. 6º da
Lei 8038/90.

Nestes termos
Pede deferimento.

Comarca, data.
Advogado, OAB

Rol de testemunhas.
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6. MAPAS E GRÁFICOS

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