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CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS:

Uma ferramenta no incentivo à leitura e à escrita

Keithy Rubia de Andrade Pereira1


Edson José Gomes2

RESUMO

As histórias contadas sempre estiveram presentes em nossa cultura e é a mais antiga das artes,
sendo que o hábito de ouvi-las e de contá-las tem inúmeras vantagens, desde o desenvolvimento da
imaginação, capacidade de ouvir o outro e de se expressar, à construção de identidade e a
afetividade. Com o propósito de cativar os alunos para a prática da leitura e, assim, poder formar
leitores competentes e, consequentemente, indivíduos capazes de escrever com eficácia, é que a
escolha deste tema se justifica, pois este é um recurso valioso na formação dos educandos,
especialmente por proporcionar aos sujeitos envolvidos o contato do lúdico com a literatura, a
possibilidade de ampliar seus conhecimentos, estimular a leitura e a produção escrita, além de levá-
los a refletir sobre a prática vivenciada. Esse trabalho foi elaborado a partir de um estudo bibliográfico
por meio da internet, livros, revistas, entre outros caminhos, com o objetivo de ampliar a capacidade
leitora, a linguagem oral e escrita de alunos, a partir da contação de histórias.

PALAVRAS-CHAVE: Contação de histórias. Leitura. Escrita.

1Professora de Língua Portuguesa da Rede Estadual de Ensino do Paraná, participante do PDE


(Programa de Desenvolvimento Educacional) da SEED, em 2012/2013. keithyrubia@hotmail.com
2Professor do Departamento de Letras Modernas (DLM), da Universidade Estadual de Maringá
(UEM).
1 INTRODUÇÃO

Sabe-se que durante muito tempo, há muitos séculos, os seres humanos fazi-
am uso somente da fala como meio de comunicação e narração dos fatos do seu co -
tidiano, por este motivo a memória viva destes povos foi se perpetuando pela ação
de contar e ouvir histórias. A partir de sua leitura de mundo, estas civilizações remo-
tas transmitiam por intermédio da linguagem oral os acontecimentos vivenciados ou
repassados pelos seus ancestrais, constituindo-se num verdadeiro legado da cultura
popular, surgindo, assim, mitos, lendas e contos diversos.
Entretanto, após a invenção da imprensa, e mais recentemente com o avanço
tecnológico, a prática da narrativa se perdeu no tempo e praticamente desapareceu
das escolas os momentos lúdicos de consolidação da fantasia e da imaginação des-
pertadas pela oralidade e pela leitura de livros.
Desta forma, muitos alunos não tem contato sistemático com a leitura e com
adultos leitores. Assim, a escola torna-se o único veículo de interação desses alunos
com textos, cabendo a ela oferecer leituras de qualidade, apresentar diversidade de
textos, modelos de leitores e práticas de leituras eficazes e, consequentemente, for-
mar leitores competentes.
Porém, o que vemos nas escolas é que a literatura não recebe o estímulo
adequado e a contação de histórias é uma alternativa para que os alunos tenham
uma experiência agradável com a leitura, e não vê-la apenas como uma tarefa roti-
neira que transforma a leitura e a literatura em simples instrumentos para posterior
resolução de questionamentos sobre o que foi lido, afastando o aluno do prazer de
ler: “Porque para formar grandes leitores, leitores críticos, não basta ensinar a ler. É
preciso ensinar a gostar de ler. [...] com prazer, isto é possível, e mais fácil do que
parece” (VILLARDI, 1997, p. 2).
Por meio da contação de histórias é possível reproduzir conceitos, ampliar
simbologias, criar laços sociais e afetivos e proporcionar momentos de empatia com
a trajetória na escola, favorecendo o desenvolvimento criativo e inventivo do educan-
do. Por isso, é considerado um instrumento pedagógico prazeroso e de grande auxí-
lio no processo de ensino e aprendizagem e principalmente no incentivo a leitura e
escrita.
Com o propósito de cativar os alunos para a prática da leitura e, assim, poder
formar leitores competentes e, consequentemente, indivíduos capazes de escrever
com eficácia, é que a escolha deste tema se justifica, pois este é um recurso valioso
na formação dos educandos, especialmente por proporcionar aos sujeitos envolvi-
dos o contato do lúdico com a literatura, a possibilidade de ampliar seus conheci-
mentos, de estimular a leitura e a produção escrita, além de levá-los a refletir sobre
a prática vivenciada.
Um momento de contação de história bem planejado e apresentado surpreen-
de o ouvinte, tem o poder de quebrar as expectativas e trazer a fantasia à tona; esti -
mula a criatividade e a imaginação e chega a ser tão especial e marcante para o ou -
vinte que pode até mesmo influenciar na sua maneira de pensar e agir. Por isso, é
necessário saber o momento certo das pausas, do tempo certo para o imaginário de
cada criança construir o seu cenário, visualizar os personagens, suas vestimentas,
entre outros. A performance do contador é essencial na construção da ponte entre o
lúdico e a aprendizagem. “O conto oral é uma forma de narrativa que estabelece e
concretiza as interações entre dois parceiros: o contador e o seu público” (PATRINI,
2005, p. 143).
Quanto à questão do professor ler ou contar histórias, percebe-se que a maio -
ria dos docentes apenas lê histórias em sala de aula. Provavelmente, isso ocorre tal-
vez pela falta de desprendimento ou habilidade para um trabalho de contação de
histórias que, sem dúvida, exige mais preparo do profissional. Porém, atualmente,
pode-se contar com algumas tecnologias presentes nas escolas, como a TV pendri-
ve, Data show, que são excelentes aliados na reprodução de vídeos, imagens, etc.
Considerando os fatores apontados, é importante que os professores estejam
preparados para utilizar a contação de história como ferramenta de incentivo à leitu -
ra e à escrita, acreditando no potencial que o conto possui e em sua função no coti -
diano escolar enquanto estimulador e fonte de saberes.
Nos dias atuais o grande desafio que as escolas têm enfrentado é de adaptar
uma prática que atenda as necessidades do educando no processo da linguagem
oral e escrita, considerando que a escola deve oportunizar ao educando a
possibilidade de vivenciar situações de aprendizagem da leitura e escrita e levando
em consideração que vivemos em um mundo globalizado, no qual a utilização das
tecnologias cresce exacerbadamente. Os educandos passam horas em frente à
televisão, vídeo game, computador, e isso colabora ainda mais com a falta de
contato com os livros e consequentemente com a leitura.
Sabemos que a leitura é um grande aliado no desenvolvimento da escrita, co-
laborando também para com uma melhor reflexão dos acontecimentos lidos e me-
lhor compreensão e interpretação daquilo que lê. Conforme Gadotti (1988, p. 17), o
ato de ler é incompleto sem o ato de escrever. Um não pode existir sem o outro. Ler
e escrever não apenas palavras, mas ler e escrever a vida, a história.
Dessa forma, faz-se necessário que, como educadores, tenhamos consciên-
cia da nossa responsabilidade diante da importância da leitura para a vida social e
cultural do educando. Nessa perspectiva, a escola deve indicar leituras, valorizar o li-
vro além de mantê-lo sempre visível e de criar diretrizes que incentivem a prática da
leitura.

No ato de leitura, um texto leva a outro e orienta para uma política de


singularização do leitor que, convocado pelo texto, participa da elaboração
dos significados, confrontando-o com o próprio saber, com a sua
experiência de vida. (DIRETRIZES, 2008, p.57)

Diante das dificuldades encontradas para auxiliar os alunos no processo de


leitura e escrita, verifica-se que a contação de histórias pode ajudar na motivação
dos alunos na busca de leitura de textos de gêneros variados, e consequentemente
na produção de textos com mais dedicação e eficácia.
As histórias contadas sempre estiveram presentes em nossa cultura há muito
tempo, e é a mais antiga das artes, sendo que o hábito de ouvi-las e de contá-las
tem inúmeras vantagens, desde o desenvolvimento da imaginação, capacidade de
ouvir o outro e de se expressar, à construção de identidade e a afetividade. Abramo-
vich (1989, p. 16) salienta que “é importante para a formação de qualquer criança
ouvir muitas histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser leitor, é ter
um caminho absolutamente infinito de descobertas e de compreensão do mundo”.
A contação de história na escola é muito importante, pois é pela voz do adulto
que a criança faz sua primeira leitura, é por intermédio da prática de ouvir e contar
histórias que surge a sua relação com a leitura e os livros. Concernente a importân-
cia da contação de histórias, Abramovich diz:
É ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes,
como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem estar, o medo, a alegria, o pavor,
a insegurança, a tranquilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente
tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve- com toda amplitude,
significância e verdade que cada uma delas fez (ou não) brotar. Pois é ouvir,
sentir e enxergar com os olhos imaginários (1989, p.17).

Desta forma, ao incluir a contação de histórias no processo de leitura e escri-


ta, espera-se aguçar o imaginário no aluno, pois por não ver imagens, ele se torna
capaz de fantasiar, de imaginar cada cenário e/ou personagem descrito pelo conta-
dor. A contação de histórias contribui também no desenvolvimento do potencial críti-
co do educando, pois por intermédio da audição de histórias o mesmo é levado a re-
fletir, questionar, duvidar, inferir, estimulando o seu senso crítico. Com isso, entende-
mos que a oralidade presente nos momentos de contação de história se apresenta
para muito além do texto escrito:

A força da história é tamanha que narrador e ouvintes caminham juntos na


trilha do enredo e ocorre uma vibração recíproca de sensibilidades, a ponto
de diluir-se o ambiente real ante a magia da palavra que comove e enleva. A
ação se desenvolve e nós participamos dela, ficando magicamente envolvi-
dos com os personagens; mas sem perder o senso crítico, que é estimulado
pelos enredos (SILVA, 1997, p. 11).

Neste contexto, a contação de histórias é considerada uma atividade prazero-


sa que possibilita, tanto ao narrador quanto aos ouvintes, a sensação dos mais vari-
ados sentimentos, podendo vivenciar aquilo que as narrativas provocam em quem
as ouve ou em quem as lê, com toda a significância e verdade que cada uma delas
pode ou não despertar, desenvolvendo tanto o emocional do educando quanto a so-
cialização e a linguagem oral e escrita.
Além disso, a contação de histórias permite trabalhar com diversos gêneros
textuais, tais como: contos de fada, fatos reais, relatos de viagens, parlendas, poe-
mas, entre outros, conduzindo o educando a uma produção escrita mais eficaz. Per-
cebe-se, portanto, então que sua utilização no processo de ensino e aprendizagem
será essencial como incentivador, servindo, também, como forma de integração em
um trabalho em sala de aula.
Os benefícios da contação de histórias são indiscutíveis e apontados como
um importante auxiliar na formação dos educandos, na compreensão e assimilação
dos significados, assim como no desenvolvimento das práticas leitoras e das práti-
cas de escrita. Os educandos que são motivados a ouvir histórias, incorporam uma
postura crítica por intermédio do contador, observando seus comentários e as pro-
blematizações que surgem durante a contação de histórias, permitindo o desenvolvi-
mento do seu senso crítico.
Sabe-se, também, que a contação de histórias constitui uma
oportunidade favorável ao desenvolvimento do vocabulário, ao contexto verbal das
histórias, assim como a entonação e o ritmo do leitor, constituem uma fonte rica para
o desenvolvimento da leitura e principalmente nas produções escritas.
Essa prática também é muito importantes no processo de ensino-
aprendizagem, se levarmos em conta o conceito de letramento, atribuído por Bagno:

A consideração dessas práticas orais também é muito importante se


quisermos ampliar o conceito de letramento, aplicando-o também à
capacidade que os seres humanos sempre tiveram, nas distintas épocas e
culturas, de transmitir conhecimentos, preservar a memória do grupo e
estabelecer vínculos de coesão social por meio de práticas que independem
do conhecimento de qualquer forma de escrita (2002, p.55).

Por isso, a contação de histórias é fundamental para a formação de um


indivíduo letrado, pois esta prática não se preocupa apenas com o plano prático,
mas com a formação do pensamento, valorizando a capacidade de formar leitores e
valorizar outras culturas e estimular o imaginário, podendo levar para a sala de aula
histórias de outros povos, contribuindo para o respeito a diversidade cultural.
Sem dúvidas deve-se aproveitar o interesse e o fascínio que os educandos
têm pelas histórias e contos, para estimular o desenvolvimento da aprendizagem,
sem deixá-lo para segundo plano como mero instrumento pedagógico, mas, mostrar
aos educandos que eles já trazem consigo muitos saberes e que estes devem ser
respeitados e valorizados, reconhecendo-os como integrantes da nossa cultura.
Contar histórias é uma forma de o homem dar continuidade a sua cultura e as
suas descobertas. Na sala de aula, porém, este hábito não acontece com a
frequência e o planejamento desejado, suprimindo nos educandos a possibilidade de
desenvolver a imaginação e impedindo também o acesso as histórias que
fundamentaram várias gerações com seus ensinamentos.
Não se pode imaginar que os educandos que não são incentivados a ouvir
histórias possam ter concentração para ler livros e produzir textos, pois só se
constrói leitores através do incentivo a leitura e de possibilitar ao educando o contato
com livros variados aos quais ele possa descobrir o gênero ou leitura que mais lhe
agrade.
A atividade de contar histórias, então, serve para fundamentar o mundo dos
educandos e suas possibilidades de resolverem seus conflitos de forma lúdica en-
quanto aprendem a construir, mesmo sem perceber, suas próprias estratégias de
aprendizagem. Assim, a pesquisa bibliográfica tornou-se o ponto chave para que
fossem desenvolvidos os primeiros passos do presente projeto de contação de histó-
ria e posteriormente a implementação do mesmo junto aos alunos de 6º ano da Es -
cola Estadual Manuel Bandeira de Alto Piquiri – PR.
Ao valorizar o ato de contar histórias resgata-se uma atividade natural e es-
pontânea que é inerente a todos os seres humanos, desde as crianças aos mais ido-
sos, visto que esta prática é essencial à natureza humana, pois além de despertar o
imaginário e o encantamento, também favorece o aprendizado e as atividades inte-
lectuais, por isso são indispensáveis na prática educativa.

2 DESENVOLVIMENTO

Vivemos em um mundo globalizado, no qual a utilização das tecnologias


cresce exacerbadamente. Os educandos passam horas em frente à televisão, vídeo
game, computador, e isso colabora ainda mais com a falta de contato com os livros e
consequentemente com a leitura.
Sabemos que a leitura é um grande aliado no desenvolvimento da escrita, co-
laborando também com uma melhor reflexão dos acontecimentos lidos e melhor
compreensão e interpretação daquilo que lê. Conforme Gadotti (1988, p. 17), o ato
de ler é incompleto sem o ato de escrever. Um não pode existir sem o outro. Ler e
escrever não apenas palavras, mas ler e escrever a vida, a história.
Dessa forma, faz-se necessário que, como educadores, tenhamos consciên-
cia da nossa responsabilidade diante da importância da leitura para a vida social e
cultural do educando. Assim, a escola deve valorizar o livro, indicar leituras, mantê-
los sempre visíveis, e também criar diretrizes que incentive a prática da leitura.

No ato de leitura, um texto leva a outro e orienta para uma política de


singularização do leitor que, convocado pelo texto, participa da elaboração
dos significados, confrontando-o com o próprio saber, com a sua
experiência de vida. (DIRETRIZES, 2008, p.57)

Diante das dificuldades encontradas para auxiliar os alunos no processo de


leitura e escrita, verifica-se que a contação de histórias pode ajudar na motivação
dos alunos na busca de leitura de textos de gêneros variados, e consequentemente
na produção de textos com mais dedicação e eficácia.
As histórias contadas sempre estiveram presentes em nossa cultura há muito
tempo, e é a mais antiga das artes, sendo que o hábito de ouvi-las e de contá-las
tem inúmeras vantagens, desde o desenvolvimento da imaginação, capacidade de
ouvir o outro e de se expressar, à construção de identidade e a afetividade. Abramo-
vich (1989, p. 16) salienta que “é importante para a formação de qualquer criança
ouvir muitas histórias... Escutá-las é o início da aprendizagem para ser leitor é ter
um caminho absolutamente infinito de descobertas e de compreensão do mundo”.
A contação de história na escola é muito importante, pois é através da voz do
adulto que a criança faz sua primeira leitura, é através da prática de ouvir e contar
histórias que surge a sua relação com a leitura e os livros. Sobre a importância da
contação de histórias, Abramovich diz:

É ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes,


como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem estar, o medo, a alegria, o pavor,
a insegurança, a tranquilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente
tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve- com toda amplitude,
significância e verdade que cada uma delas fez (ou não) brotar. Pois é ouvir,
sentir e enxergar com os olhos imaginários (1989, p.17).
Desta forma, ao incluir a contação de histórias no processo de leitura e escri-
ta, busca-se aguçar o imaginário, pois por não ver imagens, é capaz de fantasiar,
imaginar cada cenário e/ou personagem descrito pelo contador. A contação de histó-
rias contribui também no desenvolvimento do potencial crítico do educando, pois por
intermédio da audição de histórias o mesmo é levado a refletir, questionar, duvidar,
inferir, estimulando desta forma o seu senso crítico. Com isso, entendemos que a
oralidade presente nos momentos de contação de história se apresenta para muito
além do texto escrito:

A força da história é tamanha que narrador e ouvintes caminham juntos na


trilha do enredo e ocorre uma vibração recíproca de sensibilidades, a ponto
de diluir-se o ambiente real ante a magia da palavra que comove e enleva. A
ação se desenvolve e nós participamos dela, ficando magicamente envolvi-
dos com os personagens; mas sem perder o senso crítico, que é estimulado
pelos enredos (SILVA, 1997, p. 11).

Neste contexto, a contação de histórias é considerada uma atividade prazero-


sa que possibilita, tanto ao narrador quanto aos ouvintes, a sensação dos mais vari-
ados sentimentos, podendo vivenciar aquilo que as narrativas provocam em quem
as ouve ou em quem as lê, com toda a significância e verdade que cada uma delas
pode ou não despertar, desenvolvendo tanto o emocional do educando quanto a so-
cialização e a linguagem oral e escrita.
Além disso, a contação de histórias permite trabalhar com diversos gêneros
textuais, tais como: contos de fada, fatos reais, relatos de viagens, parlendas, poe-
mas entre outros, conduzindo o educando a uma produção escrita mais eficaz. Per-
cebe-se então que sua utilização no processo de ensino e aprendizagem será es-
sencial como incentivador, servindo, também, como forma de integração em um tra-
balho em sala de aula.
É importante ressaltar que a postura do professor no momento de contação é
muito importante. O contador de histórias deve estar consciente de que a história é
que é importante, ele é apenas o transmissor, conta o que acontece e o faz com na-
turalidade, sem afetação, deixando as palavras fluírem. Nesse contexto afirma Mere-
ge:
Contar histórias não é um ato apenas intelectual, mas espiritual e afetivo.
Por isso, as melhores histórias são as que contamos espontaneamente, a
partir do que carregamos em nossa bagagem de cultura e de experiência de
vida. Independente de qualquer sentido, contar histórias pressupõe antes de
tudo a vontade de falar do que se sabe, de doar sabedoria e conhecimento,
de passar adiante aquilo que se aprendeu. (2007, p. 02)

Por meio de dinâmicas e vivências é possível despertar o contador de


histórias que existe em cada um, estimulando com técnicas e aprimorando a
capacidade expressiva e criativa, procurando sempre conhecer o universo do
público e a história que será contada.
A naturalidade no ato da narrativa depende de segurança que é adquirida
pela certeza de quem conhece a história, domina a técnica, sabe que a história está
adequada a faixa etária e ao interesse dos educandos e está convenientemente
preparado para contá-la. Porém quando se quer envolver o público com o que está
sendo contado é de grande importância vivenciar profundamente a narrativa oral a
ser exposta, e até criar improviso como recurso.
Lembrando que o prazer do narrador em contar uma história e do público em
ouvi-la são fundamentais para que o momento da contação seja realmente eficiente,
e que, as histórias nos permitam conhecer e criar mundos fantásticos, repletos de
seres mais extraordinários e das sensações mais diversas. Sem elas, sentimentos,
encantos, belezas, e ensinamentos perderiam-se no tempo. Várias são as formas de
conduzir o momento da história na direção mais eficaz do sucesso na superação das
dificuldades do estímulo da leitura e da escrita, daí a grande importância do contador
e seu ato de contar histórias.
Não se pode negar que o uso da contação de história efetiva-se de forma
construtiva, com objetivos ponderantes, por isso é importante que o educador esteja
preparado para realizar esta prática com um teor significativo e que utilize recursos
que complementem esta ação de forma diversificada e estimulante. E as escolas do
Paraná possuem laboratórios de informática, data show, TV's multimídias entre
outras ferramentas que auxiliam os educadores a trabalhem de forma prazerosa,
estimulando a sensibilidade dos educandos, para novas leituras de mundo com a
magia das palavras. É um espaço privilegiado onde pode ocorrer mais facilmente a
aquisição da leitura e da escrita.
2.1 METODOLOGIA

Foram realizados encontros semanais, desenvolvendo atividades variadas,


com o objetivo de proporcionar aos participantes um momento de contato com a lite-
ratura de forma prazerosa e envolvente. Por intermédio de dinâmicas e vivências de-
correntes, procurou-se despertar o interesse do aluno pela leitura e também pela es-
crita de textos de gêneros variados, estimulando sua capacidade expressiva e criati-
va.
A implementação do material didático teve início no dia 5 de março de 2013,
com 15 participantes do período vespertino, do 6º ano do Ensino Fundamental da
Escola Estadual Manuel Bandeira. A maior parte do grupo participou ativamente do
projeto, faltando, eventualmente, em um ou outro encontro.
Os encontros ocorriam as terças e sextas-feiras, nas dependências da escola,
onde ocorreram dezessete encontros, todos iniciados com a contação de uma
história de gêneros variados, troca de impressões e inferências sobre o texto lido e
encerrados, com uma atividade de interpretação e produção escrita.
Nos momentos de contação de histórias, optou-se por utilizar formas
diferentes de contação e a utilização de materiais didáticos variados, como
datashow para apresentação de imagens da história contada, vídeos das histórias,
etc.
A implementação do Material didático, teve início com uma conversa entre a
professora e os alunos, explicitando sobre os momentos de contação de histórias
que ocorriam frequentemente nos primórdios da humanidade e oportunizando uma
troca de impressões e inferências sobre o hábito de contar histórias na família, etc.
Após a discussão provocada pelos questionamentos, organizar a turma para
uma visita à Biblioteca Municipal, onde a bibliotecária esclareceu sobre o funciona-
mento da biblioteca, formas de empréstimos, regulamento, entre outras informações
pertinentes.
Em seguida, os alunos tiveram contato com vários livros, previamente
selecionados, de acordo com a faixa etária, e tiveram um tempo para realizarem a
leitura do livro escolhido e, de forma resumida, puderam contar aos colegas a
história que foi lida.
Apesar de serem utilizadas técnicas diferentes no momento da contação, as
oficinas foram realizadas seguindo sempre o mesmo roteiro:
1º – Conversação explicitando em um breve e introdutório estudo de gêneros,
apresentando a modalidade textual em estudo e oportunizando a troca de
impressões e inferências para identificação do conhecimento prévio que o alunos
possui sobre o gênero e a história em estudo;
2º – Momento de contação utilizando formas diferentes de contação e
gêneros diferentes;
3º – Oportunizou-se outro momento de conversação com o intuito de
confirmar ou não, as expectativas dos alunos antes da apresentação da história e as
novas impressões deixadas pela história contada e aproveitando a oportunidade
para estimular os alunos a expressarem-se oralmente;
4º – Realização de atividades de interpretação e compreensão estimulando
sua capacidade expressiva e criativa na produção de textos.
É importante ressaltar que as histórias foram escolhidas pelo seu aspecto
lúdico, pois o material foi elaborado como estratégia para levar os alunos a
momentos de diversão, de estímulo da imaginação e de criatividade.
Concomitantemente a implementação do Material Didático Pedagógico,
ocorreu o GTR – Grupo de Trabalho em Rede, onde foi possível compartilhar todo o
processo da implementação e contar com a colaboração dos professores que
participavam.

2.3 RESULTADOS OBTIDOS E DISCUSSÃO

Por intemédio da implementação deste trabalho, percebeu-se um resultado


satisfatório, pois nos encontros realizados com os educandos pode-se observar que
eles se interessavam muito pelas histórias que foram contadas, participando quando
lhes era questionado, perguntando quando sentiam alguma dúvida, realizaram as
atividades propostas com entusiasmo e dedicação e se mostravam extremamente
motivados a participar do momento da contação.
Foi gratificante verificar que alguns alunos não ficavam apenas nos momentos
da contação, mas que buscavam junto à biblioteca da escola livros com histórias
similares aos lidos durante a implementação. É evidente que esse interesse por
outras leituras não ocorreu com todos os alunos que participaram do projeto, mas
aqueles que apresentaram interesse, pode-se considerar uma evolução, visto que já
se sabia que esse trabalho tem de ser uma constante, não podendo parar apenas
durante a realização deste trabalho, mas continuamente até que chegue a atingir a
grande maioria dos educandos.
Como foi citado anteriormente, paralelamente à implementação do Material
Didático Pedagógico, acontecia o GTR - Grupo de Trabalho em Rede, onde foi
exposto todas as etapas da elaboração deste trabalho e os professores participavam
de fóruns onde podiam se expressar sobre a importância do projeto, a aplicabilidade
do Material Didático Pedagógico, inferir ideias e opiniões que muito colaboraram
para o bom resultado deste trabalho. Foi gratificante perceber o entusiasmo, a
criatividade e o profissionalismo dos professores participantes do grupo, e
principalmente a importância que tiveram nos momentos de troca de experiências
práticas e sugestões de novas abordagens em sala de aula.
Nos momentos abertos as discussões, pode-se perceber que os profissionais
da educação tem conhecimento da extrema importância da leitura e das inúmeras
contribuições da contação de histórias, uma vez que pode possibilitar a se ter uma
nova percepção de fatos. No entanto, verifica-se a necessidade de expandir o
espaço e o tempo para essa tarefa, com o objetivo de abrir novos caminhos para
experiências futuras e melhorar a qualidade das leituras no que se refere ao prazer e
às cobranças feitas por meio delas. Assim, a responsabilidade passa a ser maior, já
que o educador é o mediador do processo de construção de saberes no ensino-
aprendizagem.
Observou-se ainda que, mesmo diante de uma série de dificuldades que
atravessam no processo de ensino e aprendizagem, os educadores não deixam de
insistir em metodologias e técnicas que auxiliem no prazer, na alegria, na magia, na
emoção e na intensa necessidade de ouvir e ler uma boa história e aproximar o
educando do texto escrito. Os participantes foram unânimes em concluir que a
contação de histórias instiga no leitor o fascínio e o encantamento, dando ao leitor a
possibilidade e o interesse de se aproximar cada vez mais da leitura.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto e a partir das vivências na efetivação do projeto pela imple -


mentação do Material Didático Pedagógico, pode-se observar que a contação de
histórias contribui na formação do educando em vários aspectos, pois notou-se me-
lhoria no desenvolvimento da oralidade, uma vez que foram oportunizados vários
momentos de conversação, também quanto ao interesse pela leitura e estímulo a
imaginação na construção de imagens e do acesso aos universos da realidade e da
ficção, dos cenários, personagens e ações narradas nas histórias, poemas e demais
gêneros trabalhados.
Em relação ao estímulo da imaginação vislumbrou-se, a partir das produções
de textos realizadas sempre ao final de cada contação, que realmente eles
expressavam sua imaginação, pois criavam novas personagens e/ou as situações,
cenários, enredos, etc.
Outro ponto que considera-se importante destacar pela implementação do
Material Didático Pedagógico foi o desenvolvimento da interação sócio-cultural por
intermédio da interação entre os educandos e a criação de laços sociais e a
formação de gosto pela literatura e escrita de novos textos. O desenvolvimento da
capacidade de comunicação em virtude da provocação da oralidade leva o
educando a dialogar com seus colegas e (re)contar histórias vivenciadas ou não por
eles. Isso foi percebido nos momentos em que eram oportunizados momentos de
conversação e os educandos tinham liberdade para expor suas impressões e
inferiam sobre as histórias que haviam sido contadas anteriormente.
Constatou-se o que já havia sido estudado por intermédio dos estudos
bibliográficos, que ouvir e contar histórias é uma atividade prazerosa que desenvolve
tanto o emocional do educando quanto a socialização e a linguagem oral. Além
disso, ela proporciona um desempenho positivo no processo de escrita. Trabalhar
com a contação de história é muito importante e traz bons resultados pelo fato de
ser um instrumento pedagógico que chama a atenção dos alunos, oferecendo
grande ajuda no processo de ensino e aprendizagem.
Somente quando a leitura é desenvolvida com muito entusiasmo e com muita
vontade é que ela pode então se tornar interessante e atrativa para os seus
ouvintes. Durante a realização deste projeto, buscou-se trabalhar com gêneros
textuais variados, no intuito de se obter a compreensão, o interesse e o fascínio dos
educandos no tocante à leitura.
Constatou-se, por intermédio desta experiência, que o contato com a literatura
pela contação de histórias é um dos meios que mais desenvolvem no educando o
interesse e a descoberta das palavras, de novas aventuras pela histórias. Esse
trabalho proporcionou a ampliação de conhecimentos nessa área e levou a refletir
sobre a continuidade das práticas desenvolvidas com a contação de histórias na
sala de aula.
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