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EDUCAÇAO

CRISTÃ

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Telma Bueno
Telma Bueno

EDUCAÇÃO
CRISTÃ
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R io de Janeiro
2012
Todos os direitos reservados. Copyright © 2012 para
a língua portuguesa da Casa Publicadora das Assem-
bleias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina.

Preparação dos originais: Daniele Pereira


Capa: Suzane Barboza
Projeto gráfico e diagramação: Suzane Barboza

CDD: 268 - Educação Cristã


ISBN: 978-85-263-1115-2

As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida


Revista e Corrigida, edição de 1995, da Sociedade Bí­
blica do Brasil, salvo indicação em contrário.

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Jesus Cristo, o maior Pedagogo de todos os
tempos, e a todos os seus discípulos que acreditam no
poder transformador da educação cristã.
íiç p r r ^ p í- s ^ r '

EDUCAÇÃO CRISTÃ

que enche a mente e aquece o coração

Dissipa as trevas da ignorância fazendo a luz de Cristo brilhar

Conhecimento capaz de transformar e nova vida gerar

Esperança que leva o homem a pensar, acreditar, confiar

E sua realidade transformar

Semente que germina, e faz flores e frutos brotar

Alegria que vem da Verdade e que jamais terminará

Água cristalina que está sempre a jorrar e a alma pode saciar

Alimento para o faminto que deseja sua fome fartar

Sombra para o viajante que em breve para a sua pátria amada irá

E ali com Cristo para sempre permanecerá

E seu conhecimento completo será.


A MOÇA DAS MUITAS MALAS

(—' / uma das primeiras vezes em que vi a Telma, ela estava


usando um chapéu grande e engraçado — uma mistura de coifa de
chefe touca de babá — que, verdade seja dita, nada tinha a ver com a
sua maneira discreta e elegante de vestir.

Nesse dia, porém, estávamos realizando um Encontro da Família


CPAD, em um sítio, e ela assumira a responsabilidade de cuidar dos
bebês presentes no evento. Postada à porta do berçário, com o seu
chapéu amarelo, vermelho, azul, preto e laranja, ela recebia os bebês
com um carinho maternal, que os punha imediatamente à vontade.
Os pais e avós, ao contrário, eram proibidos de entrar no recinto. Sem
lhes pronunciar um “não” audível, mas visível em sua postura firme,
ela guardava a entrada do berçário para que nenhum adulto contami­
nasse com os sapatos o assoalho onde os bebês se arrastavam.

Ao entregar-lhe o meu neto, que na época tinha pouco mais de


um ano, dei um jeito de espiar para dentro e ter um vislumbre de sua
dedicação aos pequeninos: brinquedos, tapetes emborrachados, al­
mofadas, livros coloridos, giz de cera e outras coisas do gênero faziam
o “cantinho da história”, o “cantinho das brincadeiras”, o “cantinho da
música”, enfim, o paraíso dos bebês.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Qualquer receio dos pais, em deixar os filhinhos aos cuidados de


desconhecidos, era logo dissipado ao olhar para a Telma com o seu
chapéu multicor e sorriso bondoso. Durante toda a manhã, enquanto
os pais assistiam a palestras, ela cuidou das crianças, brincou com elas,
contou-lhes histórias bíblicas e ninou-as com canções que falavam do
Salvador Jesus.

Depois desse dia, encontrei-a novamente no aeroporto Santos Du-


mont, rumo a Cacoal, no Estado de Roraima, onde a CPAD realizaria
mais uma Conferência de Escola Dominical. Aquela era a primeira vez
que eu viajava com a equipe de Educação Cristã, acompanhando meu
esposo, e surpreendi-me ao ver a quantidade de malas — uma delas enor­
me — que a Telma empilhava num carrinho. Alguns membros da equipe
disseram-me, em tom jocoso, que ela era muito vaidosa e levava muitas
roupas e sapatos. A grande mala, confidenciaram eles, era só para a ma­
quiagem. Claro que percebi ser uma brincadeira, mas continuei intrigada
com toda aquela bagagem.

A minha curiosidade foi satisfeita quando assisti aos seminários e


workshops ministrados pela Telma. Você que já foi aluno dela num even­
to de Educação Cristã não só já descobriu como usufruiu o conteúdo
de suas malas: fantoches, quadros cênicos, maquetes, figuras de papel
e feltro, e uma infinidade de outros objetos resultados de reciclagem
— todos eles destinados à comunicação da Verdade e da Vida aos pe­
queninos.

Desde então, tenho viajado muitas vezes com a equipe, a diferentes


estados brasileiros, e sempre me delicio com as aulas da Telma. Com seu
tom de voz calmo e seguro, a pedagoga vai conduzindo-nos à reflexão so­
bre a educação cristã, especialmente no que tange à salvação das crianças.
E enquanto fala, vai tirando da bagagem os recursos didáticos, visuais e
táteis, capazes de atrair não só as crianças, mas também os adultos. E en­
quanto expõe a riqueza de suas malas, oferece-nos também a bondade e a
sabedoria que tira do bom tesouro de seu coração.
A M O Ç A DAS MUITAS MALAS

Trabalhando na CPAD desde 2005, esta querida pedagoga-escritora-


conferencista tem feito muito pelo Reino de Deus, especialmente pelos
pequeninos, a quem pertence o Reino dos céus. Durante dez anos, ela
coordenou o Departamento Infantil de sua igreja, e hoje treina professo­
res, além de lecionar para jovens e adultos na Escola Dominical. Também
já atuou, por vários anos, como coordenadora pedagógica no Seminário
Teológico Evangélico Filadélfia. Ao falar de suas atividades, a sua frase
que melhor lhe expressa a satisfação é: “Como é bom servir ao Senhor!
E um privilégio!”

E agora, a irmã Telma Bueno presenteia-nos com este livro, Educação


Cristã: Reflexões e Práticas. Ler-lhe os originais foi como levantar a tampa
de um grande e precioso baú, onde ela reuniu toda a sua experiência de
educadora cristã. Com a mesma generosidade com que ela nos permite
revirar-lhe as malas nos workshops, franqueia-nos, agora, o baú de suas
reflexões e práticas pedagógicas. Fique à vontade para explorar cada pará­
grafo e ser abençoado com toda a sua bagagem.

Marta Doreto de Andrade


Escritora e tradutora
A Aíoffl íias Muitas Malas 7

Introdução 13

Capítulo 1
Etariedade e Segmentação na Escola Dominical:
Personalizando o Ensino para Garantir a Frequência 17

Capítulo 2
Professor: Líder de um Pequeno Rebanho 25

Capítulo 3
Superintendente: Gestor e Professor 35

Capítulo 4
Escola Dominical e Família: Uma Parceria Bem-Sucedida 45

Capítulo 5
Recursos Didáticos: Ferramentas que Motivam e Ensinam 59

Capítulo 6
O Ensino na Primeira Infância 67

Capítulo 7
O Louvor e a Adoração na Educação Cristã 79

Capítulo 8
A Influência da Publicidade no Comportamento de
Crianças e Adolescentes 85

Capítulo 9
Métodos de Ensino 95

Referências Bibliográficas 135


O homem, por ser inacabado, não sabe de maneira absoluta.
Somente Deus sabe de maneira absoluta.
—Paulo Freire

/ v—^sta obra é resultado de minhas experiências como docente em


congressos, conferências, seminários teológicos e nas classes de Escola
Dominical em minha igreja. Logo, ela será vista de uma forma diferen­
te, pois além de auxiliar na reflexão a respeito da relevância da educa­
ção cristã na atualidade, também traz algumas questões práticas, como
por exemplo, recursos e dinâmicas para crianças e adolescentes. Outra
especificidade desta obra é o fato de que em momento algum procuro
apresentar fórmulas ou receitas para os professores de educação cris­
tã. O objetivo é a reflexão, a problematização. Não existe um modelo
pronto e eficiente de Escola Dominical. Cada igreja, cada professor,
deve buscar, mediante o diálogo, resolver suas questões, pois não po­
demos copiar modelos, já que cada Escola Dominical é única assim
como as igrejas. É bom ressaltar o fato de que mais importante do que
o fazer é o discutir, mediante o diálogo, possibilidades e limites. Muitos
se esquecem de que o nosso Deus é um Deus de diálogo. Ele não é um
ditador. Muitos têm uma visão errada a respeito do Pai. Ele é justiça,
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

mas também é amor. Jesus não repreende aJoão quando este questionou se
Ele era realmente o Messias (Mt 11.1-6).
Veremos inicialmente o desafio da Escola Dominical em atrair novos
alunos e garantir a frequência deles. Como a maior agência de educação
religiosa da igreja, a Escola Dominical não so deve atrair e manter novos
alunos, mas precisa trabalhar de modo que os alunos antigos , os já ma­
triculados, sejam assíduos e continuem a crescer na graça e no conheci­
mento de nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos vivendo na era da informa­
ção, da comunicação, em que a concorrência com a mídia é grande e até
desleal. Veremos o quanto precisamos de novas estratégias, metodologias
e recursos se realmente queremos um ensino personalizado, relevante e
que atenda às questões do nosso tempo (questões teológicas, filosóficas,
éticas, etc.).
Vamos um pouco mais além em nossas reflexões, discutindo o papel
da família na educação cristã de nossas crianças e jovens. A Escola Domi­
nical é a reunião de várias famílias, por isso precisamos trabalhar unidos.
As famílias estão sendo atacadas pelo inimigo e a disfunção familiar vem
crescendo a cada dia. Muitos pais estão terceirizando a responsabilidade
de educar seus filhos. Eles estão delegando essa responsabilidade aos pro­
fessores da Escola Dominical, à escola secular, aos avós, babá, pastores, etc.
O que compete à igreja por meio da Escola Dominical? O que compete à
família? Vale ressaltar que não existe família perfeita, porém se as famílias
seguirem os princípios bíblicos divino, trabalhados na Escola Dominical, a
disfunção familiar certamente não vai ter vez em nossas famílias.
Você, leitor, também encontrará uma reflexão a respeito dos recursos
didáticos. Temos visto a dificuldade de professores na utilização dos re­
cursos. Vivemos em uma sociedade midiática. Nossos alunos estão diante
de um mundo repleto de imagens, sons e cores. O que eles encontram
quando chegam à Escola Dominical? Fica impossível ensinar determina­
dos conteúdos sem o auxílio de recursos. Como ensinar a respeito do
Tabernáculo e das viagens de Paulo sem o auxílio de imagens e mapas?
IN T R O D U Ç Ã O

É quase impossível. Os recursos visuais são indispensáveis nas classes


infantis. Vamos apresentar também algumas dinâmicas que podem ser
utilizadas nas classes infantis e de jovens. O objetivo e dinamizar o ensino
e atrair a atenção dos alunos para uma realidade bíblica que queremos
ressaltar. A dinâmica precisa ter aplicabilidade! Não é só para passar um
tempo ou divertir a classe.
Vamos avançar na nossa discussão e concluir tratando da questão da
mídia, em especial a publicidade. A influência da televisão atualmente é
inegável. Tomando esse fato como ponto de partida, procuro analisar os
perigos da exposição excessiva à mídia, em especial a TV, já que a televisão
está presente e tem exercido influência em muitos lares evangélicos. Nós
evangélicos passamos por dois extremos. Houve uma época em que tudo
era pecado; agora vivemos um tempo em que alguns acreditam que “tudo é
permitido” e, erradamente, estão relativizando tudo. É o chamado relativis-
mo ético moral. Com isso, não fomos ensinados a fazer uma leitura crítica
dos meios de comunicação. A igreja não se tornou uma contracultura, mas
acabou por se deixar influenciar pelos meios de comunicação. A Palavra de
Deus nos adverte quanto a isso (Rm 12.2). Não podemos nos conformar
com a mentalidade deste mundo. Nossos alunos precisam interagir com
a mídia, porém devem aprender a fazer uma leitura crítica dos meios de
comunicação. O professor de Escola Dominical tem a responsabilidade de
ajudar os alunos a ser críticos e seletivos.
Na minha caminhada como educadora, em muitos momentos ensinei;
todavia, em outros, aprendi. Aprendi com colegas e alunos, com os pais,
pois o saber do homem é sempre incompleto. Continuo aprendendo, ques­
tionando, refletindo... por isso, gostaria de partilhar com você algumas das
minhas aprendizagens e questionamentos.
Que esta obra seja uma bênção para você, que venha somar ao seu mi­
nistério. Espero que goste! Estou aberta para sugestões, perguntas e deba­
tes. Sinta-se à vontade para escrever e partilhar suas impressões e sugestões.
Escreva para bytelmabueno@gmail.com.
ETARIEDADE E SEGMENTAÇÃO
NA ESCOLA DOMINICAL:
PERSONALIZANDO O ENSINO PARA
GARANTIR A FREQUÊNCIA
Aplica o coraçao ao ensino e os ouvidos
às palavras do conhecimento.
- Provérbios 23.12 (ARA)

a atualidade, atrair novos alunos e garantir a frequência de


les na Escola Dominical é um grande desafio. Também não é uma tarefa
nada fácil fazer com que os alunos “antigos” os já matriculados, sejam
assíduos e continuem a crescer na graça e no conhecimento de nos­
so Senhor Jesus Cristo. Estamos vivendo na era da informação, da co­
municação, em que a concorrência com a mídia é grande e até desleal.
Precisamos de novas estratégias, metodologias e recursos se realmente
queremos um ensino personalizado, relevante e que atenda às questões
do nosso tempo (questões teológicas, filosóficas, éticas, etc.).
Não cabe aqui discutir a respeito das características e necessidades
das respectivas faixas etárias da Escola Dominical (do Berçário a Jovens
e Adultos), pois acreditamos que temos uma liderança consciente da im­
portância e da necessidade de termos um ensino individualizado, dosado
de acordo com as características do desenvolvimento humano. Todavia,
muitos professores ainda têm uma visão equivocada sobre o próprio ato
de ensinar. Por isso, o objetivo deste capítulo é aprofundar nossa reflexão
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

sobre ensino personalizado, a pessoa do professor, metodologia, recursos e


outras questões que podem garantir a frequência e o aprendizado. Em nossa
reflexão, também vamos tratar de alguns entraves que levam à evasão ou ao
comodismo (que consiste em alunos que apenas freqüentam a Escola Domi­
nical). Que esta reflexão venha contribuir dando um maior apoio àqueles que
estão convivendo e ensinando, todos os domingos, na Escola Dominical.

Principais fatores que justificam a necessidade de segmentar o


ensino e personalizá-lo
a) Alcançar o aluno como um todo. Esse deve ser o alvo do professor
de educação cristã, independentemente da faixa etária em que leciona. Pre­
cisamos ter uma visão holística do aluno. Jesus cuidava do corpo, da alma e
do espírito. Precisamos conhecer nossos alunos para que possamos ajudá-
los. Quais são as reais necessidades de seus alunos? Agostinho afirmou que
a educação cristã é, antes de tudo, um serviço ao próximo. Você conhece as
características da faixa etária com a qual trabalha? Suas aulas são preparadas
de modo a suprir as carências individuais de seus alunos?
b) Utilizar uma linguagem apropriada à fa ix a etária. Muitos profes­
sores se utiüzam de uma linguagem inadequada, muito intelectualizada ou
infantilizada demais (cuidado com o uso do diminutivo quando estiver le­
cionando para crianças); outros estão mais preocupados em fazer da aula
um show. Aula não é lugar para o professor promover seu conhecimento e
erudição. O foco deve ser o aluno, e não o professor.
c) Elaborar um plano de aula mais eficiente. Não hesite em traçar um
plano de aula que atenda a sua classe. Observe quais são os assuntos princi­
pais e secundários de cada lição. Ao elaborar seu plano de aula, faça pergun­
tas do tipo: O quê? Como? Por quê?
d) Utilizar métodos apropriados. Jesus, o maior pedagogo de todos os
tempos, fez uso de diferentes métodos para alcançar seu público. O que é
um método? É um caminho ou um meio para atingir um fim. Muitos per­
guntam: Qual o melhor método? Todo método tem os seus prós e contras.
ETARIEDADE E S EG M EN TA ÇÃ O N A ESCOLA D O M IN IC A L

Mas quer saber qual o pior? Segundo Kenneth O. Gangel,1“o pior método
que um professor pode usar no domingo é o mesmo método usado no do­
mingo passado”. E preciso variar os métodos utilizados. Existe uma infini­
dade de métodos (expositivo, estudo dirigido, solução de problemas, etc.),
todavia, domingo após domingo utilizamos somente o método expositivo.
Tanto os métodos quanto os recursos devem corresponder às necessidades
das faixas etárias. Tomemos como exemplo as igrejas que têm uma única
revista para as classes de jovens e adultos. O conteúdo é o mesmo para os
jovens, adultos e a terceira idade, mas as necessidades são diferentes. O que
podemos fazer? Como personalizar o ensino?
Observe algumas questões que são fundamentais e que precisam ser
observadas na escolha dos métodos e dos recursos.
• Quais são os objetivos propostos na lição? Quais são os seus objetivos?
• Quantos alunos têm a sua classe?
• Qual o tamanho (espaço físico) da sua sala?
• Quanto tempo de aula você tem? Em geral, na Escola Dominical te­
mos 1 hora de aula.
• Qual a idade dos seus alunos?

Ensino de qualidade garante a frequência


De acordo com Luckesi,2 ensinar não significa ir para uma sala e “des­
pejar” sobre os alunos uma quantidade de conteúdos. Muitos infelizmente
agem dessa forma, contribuindo para que haja, segundo Paulo Freire, uma
“educação bancária”,3 onde o aluno não é sujeito da sua própria aprendiza­
gem, mas apenas um receptáculo. Ele não pensa; apenas recebe o que lhe é
ensinado. O resultado é um grupo de pessoas sem capacidade de reflexão.
Fica então a pergunta: O que é ensinar? Segundo Paulo Freire, “ensinar não
é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria

1 GANGEL, Kenneth O., et al. M anual de ensino para o educador cristão: compreendendo as bases, a natureza e o
alcance do verdadeiro ensino cristão. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
2LU CKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. 1. ed. São Paulo: COR.TEZ, 2008.
3FR EIR E , Paulo. Pedagogia do oprim ido. 33. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

produção ou construção”. Dentre as várias concepções de ensino, vejamos


uma que é bem basilar: Ensinar é “estimular” “guiar” “orientar” o proces­
so de ensino-aprendizagem. Segundo Regina Célia C. Haydt,4 “ensinar é a
atividade pela qual o professor, através de métodos adequados, orienta a
aprendizagem do aluno”.
O ensino precisa ser centrado no aluno, e não no professor ou no con­
teúdo. Todas as nossas ações didáticas devem ser elaboradas pensando no
aluno, visando à sua aprendizagem. Na escola tradicional, o professor era
o centro do processo de ensino-aprendizagem. Ele era visto como o úni­
co detentor do saber. Ele falava e os alunos apenas ouviam atentamente.
A aprendizagem se dava de forma mecânica, por meio da repetição e da
cópia. Atualmente sabemos que a aprendizagem é um processo dinâmico
que envolve uma infinidade de esquemas mentais. Por isso, o ensino deve
ser participativo. É preciso abrir espaço para que os alunos questionem,
pesquisem, manipulem, experimentem, pois na Escola Nova não há lugar
para a passividade.
É importante que professor compreenda que o aluno chega à classe
com um conhecimento prévio do assunto que será estudado. Logo, não
podemos ignorar esse conhecimento, mas temos que partir do que eles já
sabem a respeito do assunto para depois apresentar novos conteúdos. O en­
sino deve visar ao contato do aluno direto com a sua realidade, ou seja, deve
haver aplicabilidade. Precisamos construir uma ponte entre o conteúdo en­
sinado e a nossa realidade. Atualmente os cristãos não são mais jogados na
cova dos leões como no tempo de Daniel, mas quantos “leões” não temos
que enfrentar no nosso dia a dia (desemprego, enfermidades, decepções,
etc.). Temos que aplicar o ensino ao nosso tempo e à nossa realidade.
Muitos professores se preocupam apenas em passar todo o conteúdo
da lição. Às vezes os alunos querem perguntar, contar alguma experiência
significativa, mas o professor não permite, pois ele acredita que todos os

4 HAYDT, Regina Célia C. Curso de didática geral. 8. ed. São Paulo: Ática, 2010.
ETARIEDADE E S E G M EN TA Ç Ã O N A ESCOLA D O M IN IC A L

tópicos da lição devem ser comentados. O mais importante em uma aula


não são os tópicos, o conteúdo, mas sim que o aluno aprenda.
Fica claro que ensinar não é uma tarefa fácil. Ensinar exige:
• Pesquisa - De acordo com Paulo Freire,5 “não há ensino sem pes­
quisa e pesquisa sem ensino”. O professor deve ser um pesquisador.
E por intermédio da pesquisa que o professor pode detectar e resol­
ver os problemas em sala de aula. O professor José Carlos Libâneo
afirma que a pesquisa no ensino “é uma forma de trabalho colabo-
rativo para a solução de problemas da escola e da sala de aula e tem
como resultado a produção de conhecimentos pelos professores
sobre o seu trabalho. É uma das formas mais eficazes de articular a
prática e a reflexão sobre a prática, ajudando o professor a melhor
sua competência profissional”.6 O professor de Escola Dominical
é, na verdade, um pesquisador. Sua fonte primária de pesquisa é a
Bíblia, mas suas pesquisas devem ultrapassar as páginas do Livro
Sagrado.
• Reflexão - O professor precisa adquirir o hábito da reflexão, a fim de
que ensine os alunos a refletir sobre a fé e a prática cristã.
• Diálogo - O professor que não dialoga com os alunos em breve verá
o esvaziamento de sua classe ou a apatia dos alunos. É preciso abrir
espaço para que os alunos questionem, a fim de que encontrem as
soluções.
• Reflexão crítica sobre a prática - É fácil avaliar os alunos e atribuir tão
somente a eles a falta de atenção, a apatia e a evasão. Todavia, o professor
precisa fazer constantemente uma autoanálise do seu trabalho.
• Pôr em prática o discurso - Quantos já não ouviram: “Faça o que
digo e não o que eu faço”? Nossos alunos precisam pensar de acordo
com a Palavra e agir de acordo com ela (Tg 1.22). Ensino e prática
precisam ser coerentes.

* FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 33. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
6 LIBANEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5. ed. Goiânia: M F Livros, 2008, p. 91,92.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

. Querer bem o outro - Esta deve ser a nossa motivação: que o outro, o
aluno, seja alcançado como um todo — corpo alma e espirito.
. Dedicação - “... se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b). É
preciso que todos façam a sua parte com dedicação e zelo (superinten­
dentes, professores, coordenadores, secretários, etc.).

O processo de aprendizagem
Como educadores cristãos, temos um alvo: que os nossos alunos
aprendam a Palavra de Deus. A aprendizagem é um processo, cujo obje­
tivo é a mudança de comportamento. Todo professor precisa saber como se
dá o processo de aprendizagem. Também não podemos nos esquecer de
que cada aluno tem um modo peculiar de aprender. Nem todos aprendem
da mesma forma, afinal, somos únicos. Em nossas classes, existem aqueles
alunos que, segundo Howard Gardner,7 possuem uma inteligência lógico-
matemática, lingüística, musical, intrapessoal, etc. Ele classifica a inteligên­
cia em oito tipos, ou seja, oito formas diferentes de aprender. Observe os
processos que um professor deve seguir independentemente da faixa etária

com que trabalhe:


a) Abordar: Despertar, logo na chegada, a curiosidade do aluno para
o tema que será ensinado. Quando trabalhamos com jovens e adultos, po­
demos elaborar uma atividade em que os alunos possam expressar-se so­
bre o que pensam sobre tal tema. Exemplo: Mostre algumas manchetes de
jornais que contenham algumas mazelas da nossa nação ou do seu Estado.
Enquanto os alunos observam as manchetes, pergunte: “A oração traz mu­
dança?” “Se cremos nessa verdade, podemos mudar determinadas situa­
ções com nossas orações?”
b) Descobrir: Levar os alunos a vivenciar determinada situação. Veja­
mos um exemplo: “Colocar uma venda em um jovem e pedir que ele vá até
você sendo orientado apenas pelo som da sua voz’. Depois da experiência,

7 G A RDN ER, Howard. Inteligência: um conceito reformulado. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
ETARIEDADE E S EG M E N TA Ç Ã O N A ESCO LA D O M IN IC A L

você pode perguntar: “Como será que Bartimeu se sentiu após Jesus abrir
seus olhos?” Num minuto cego, num minuto curado. Os alunos vão reter
mais o ensino do que se o professor apenas disser: “Jesus abriu os olhos de
um cego”.
c) Aplicar: Os alunos precisam aplicar a Palavra de Deus a suas vidas.
Não basta ouvir; é preciso viver, saber aplicar a Palavra de Deus no dia a
dia (Tg 1.22), fora dos muros da igreja. O aluno precisa saber como vai
aplicar o conteúdo à sua vida. De que adianta, ao terminar a aula, o aluno
sair da classe com a cabeça cheia de informação, mas com o coração vazio?
Exemplo: “Os amigos de Jó, ao ouvirem acerca de seus infortúnios, logo
teceram muitas críticas (jó 42.8-10). Em nosso dia a dia, temos que lidar
com as críticas e os relacionamentos problemáticos. Qual é a solução que
Deus tem para nós? A mesma de Jó: orar por essas pessoas. A oração tem o
poder de restaurar e melhorar os relacionamentos”.

Algumas "etariedades" que existem dentro da faixa etária de


jovens e adultos
Como já foi dito anteriormente, a revista de jovens e adultos é uma
só, mas dentro dessa faixa etária existem grupos, ou etariedades, com ca­
racterísticas peculiares que precisam ser alcançados. Vejamos alguns desses
grupos que estão inseridos na classe de jovens e adultos e suas principais
necessidades:
• Classe de jovens - É importante que o ensino ajude o jovem a estabe­
lecer metas, de acordo com a Palavra de Deus, em sua vida espiritual,
social, profissional e sentimental. O objetivo é contribuir para que o jo­
vem desenvolva um relacionamento mais íntimo com Deus (Os 6.3) e
estabeleça relacionamentos saudáveis (família, amigos, namorados).
• Classe de adultos - Pessoas adultas aprendem por iniciativa própria.
Logo, querem saber qual a relevância do assunto que vão aprender. Não
querem ser tratados como crianças; querem debater e argumentar, den­
tro de uma perspectiva bíblica e teológica, as questões de nosso tempo.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

• Classe de jovens casados - Em muitas igrejas, esses irmãos não são


mais aceitos na classe de jovens e, por outro lado, não se sentem bem
na classe de senhores e senhoras. O que fazer? Abrir espaço para que
seja criada uma classe que atenda às necessidades desse grupo. Os
jovens casados precisam aprender mais sobre a convivência em fa­
mília, relacionamento esposa e marido, pais e filhos, etc.
• Adultos idosos (60 anos em diante) - É importante olhar o idoso
com consideração e respeito, e ajudá-los a lidar com questões do tipo:
aposentadoria, novas maneiras de ser útil (servir a Deus), compreen­
der o processo de envelhecimento como algo natural, manter a boa
aparência pessoal e aprender a viver com netos ou sozinho.

Se quisermos um ensino relevante, que faça a diferença em nossas


igrejas, precisamos estar conscientes de que estamos diante de uma nova
geração (geração da informação, das novas tecnologias). Geração que ca­
rece de um ensino segmentado e personalizado que a faça discernir entre
o falso e o verdadeiro, pois as novas tecnologias (em especial a mídia), que
já fazem parte do nosso “mundo”, vão mudando, de modo sutil, a forma de
comportamento das pessoas, a forma de pensar.
Precisamos pesquisar, dialogar, encontrar novos métodos e recursos
para apontar caminhos a fim de conhecer nossos alunos e saber preparar
aulas que supram suas carências individuais.
PROFESSOR: LÍDER DE UM
PEQUENO REBANHO

E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos


apascentem com ciência e com inteligência.
-Jeremias 3.15

(I/L-■h) 5 crianças, adolescentes, jovens e adultos precisam de lí­


deres em suas casas e na igreja. Pelas Escrituras, podemos ver que Deus
estabeleceu, no Antigo Testamento, líderes para cuidar do seu povo:
reis, profetas, juizes e sacerdotes. Quando os líderes falhavam e não
cumpriam com sua missão, todo o povo sofria junto. No Novo Testa­
mento fica evidente que a Igreja Primitiva reconhecia os mestres como
líderes e ministros (1 Co 12.28; Ef 4.11). A liderança do professor tem
um propósito específico: a edificação do Corpo de Cristo. Logo, o líder
deve ter uma conduta ilibada e ética (Cl 1.22).
A Escola Dominical não é somente um espaço de aprendizagem.
Ela também auxilia na descoberta e na formação de futuros líderes. Por
que o professor é tão essencial para o desenvolvimento de autênticos
líderes? Vamos refletir a respeito analisando três razões, que acredito
serem as principais:
• Quando se trata de crianças e adolescentes, já sabemos que eles
estão em pleno desenvolvimento. Isso significa que são mais mol-
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Exemplo de duas líderes


Ao longo dos anos, Deus tem levantado homens e mulheres para
conduzir crianças e adolescentes a Cristo. Vários são os líderes que têm
trabalhado de forma incansável na seara do Senhor. Todavia, quero res­
saltar o exemplo de duas mulheres. Seus nomes podem soar um pouco
estranho, mas são exemplos de coragem e dedicação: Sifrá e Puá (Êx
1.15-21). Por temerem a Deus, essas mulheres se recusaram a matar os
meninos hebreus, desobedecendo a uma ordem de Faraó. E interessante
o fato de que seus nomes foram citados nas Escrituras. O escritor sagrado,
no capítulo 2 de Êxodo, omitiu o nome de Faraó, assim como o nome dos
pais de Moisés (“foi-se um varão da casa de Levi e casou-se com uma filha
de Levi”), mas essas parteiras tiveram seus nomes registrados na história
do povo hebreu. Não sabemos se essas mulheres eram hebreias ou egíp­
cias, pois, segundo Victor P. Hamilton,4 “no texto hebraico lê-se ‘parteiras
hebreias’; no grego, ‘parteiras dos hebreus’”. Porém, o importante é que
essas parteiras foram tementes a Deus (v. 17). O temor do Senhor é o
princípio da sabedoria. Muitos desprezam as crianças e os jovens porque
já perderam o temor do Senhor. O líder autêntico teme ao Senhor, por
isso sua liderança é eficiente.
As parteiras também demonstraram coragem, pois arriscaram suas
vidas (w. 18,19) para salvar as crianças hebreias. Desobedecer a uma or­
dem de faraó era colocar a cabeça a prêmio. Você está disposto a enfrentar
riscos? Liderar implica correr riscos. Por causa dessa atitude destemida e
desinteressada, a Bíblia diz que “Deus fez bem às parteiras” (v. 20), estabe­
lecendo-lhes casa (v. 21). Não espere recompensa de homens. Espere em
Deus. O texto bíblico diz que o Senhor abençoou, recompensou essas mu­
lheres pelo trabalho que realizaram. Deus não mudou! Ele vai recompensar
seu esforço e sua dedicação. Siga em frente. Enquanto você cuida das crian­
ças e jovens, Deus vai abençoar sua família. As bênçãos de Deus vêm sobre

4 HAM ILTON , Victor P. M anual do Pentateuco. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 157.
PROFESSOR: LÍDER DE UM P E Q U E N O R EBAN H O

nós e nossas famílias quando servirmos ao Senhor com fidelidade. Essas


líderes arriscaram suas vidas e a vida de suas famílias, porém receberam a
bênção do Todo-Poderoso.
As parteiras ajudaram no nascimento de algumas crianças, trazendo-
as à vida fora do útero materno. Educação é vida. Quando você ensina a Pa­
lavra de Deus, ajuda outros a encontrarem a vida de Deus. Nosso trabalho
é como daquelas parteiras. Uma nação foi poupada pelo trabalho de duas
mulheres. Já pensou o que Deus pode fazer mediante o trabalho dos educa­
dores nas nossas igrejas e nação?
Às vezes, alguns professores/líderes questionam: “Vale a pena tantos
gastos e trabalho?” Essa pergunta geralmente é decorrente do cansaço e da
falta de reconhecimento de alguns líderes. Sim, é válido todo e qualquer
esforço que contribua para que uma pessoa (criança ou adulto) venha a
receber aJesus como Salvador. Não desanime. Siga em frente. Muitas crian­
ças neste momento, assim como as hebreias, também estão correndo risco
de morte. Quem vai livrá-las do perigo? Quantas Sifrás e Puás temos em
nossas igrejas? Com a matança dos pequeninos, Satanás queria extermi­
nar uma nação. Ele mudou algumas de suas táticas, porém o seu intento
é destruir as crianças e as famílias de nossa nação, pois assim estará colo­
cando em risco o futuro do nosso país. Quantas crianças estão morrendo
pelas ruas, vítimas do abandono, da miséria e das drogas? Quantas mulhe­
res ousadas nós temos capazes de riscar a própria vida para salvá-las? Essas
crianças são alvo do amor de Deus e precisam de pessoas, de líderes, que as
levem até Jesus Cristo.

Como estão os nossos professores (líderes)?


Se você já andou de avião e prestou atenção nas instruções que são
dadas pelos chefes de cabine dos voos comercias antes da decolagem, com
certeza já ouviu algo mais ou menos assim: “Em caso de despressurização
da cabine, cairão máscaras de oxigênio dos compartimentos acima. Puxe
uma máscara e ajuste ao seu rosto. Se estiver acompanhado de crianças ou
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

idosos, coloque primeiro a sua máscara e depois ajude a criança ou idoso .


A recomendação pode parecer estranha, mas para ajudar ao outro, preci­
samos estar bem. Temos vistos professores cansados e estressados, alguns
doentes (no corpo e na alma). Não descuide de sua saúde física e mental.
Tenha cuidado de você em primeiro lugar. “Tem cuidado de ti mesmo e da
doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto
a ti mesmo como aos teus ouvintes” ( l Tm 4.16). Paulo exorta Timóteo a
cuidar primeiro dele mesmo para depois cuidar das coisas do Senhor.
Estamos vivendo tempos difíceis. O Diabo tem atacado a mente de
muitos professores trazendo preocupação, medo, confusão, tristeza, levan­
do alguns a enfermar no corpo e na alma. A obra de Deus fica prejudicada,
pois a pessoa doente não tem força para o trabalho. Precisamos cuidar da
nossa mente assim como cuidamos do nosso corpo; afinal, temos uma a
responsabilidade de orientar nossos alunos para que cresçam no conheci­
mento de Deus. A mente é tão importante que deve estar espiritualmente
protegida pelo capacete da salvação (Ef 6.17).

O que uma mente cansada ou doente é capaz de gerar


Uma mente cansada, doente e afadigada causa reações em todo o corpo.
Este dá vários sinais: irritabilidade, dores de cabeça, dores pelo corpo, insô­
nia, etc. Conforme Mateus 15.19, as más ações têm início no coração. Nesse
contexto, a palavra coração tem o sentido de “mente”, que pode produzir:
• Palavras más (Mt 12.33-37; E f 4.29; Pv 13.3) - Quando estamos
bem emocional e mentalmente, guardamos nossos lábios. O falar de­
mais é sintoma de que algo está errado (Pv 21.23).
• Enfermidade (Pv 4.20-24) - Principalmente as doenças psicosso-
máticas (Pv 14.30).
• Ações erradas (Pv 20.11; Jr 26.13; M t7.17,18) - ações que não condi­
zem com a Palavra de Deus.
• Emoções erradas - “As emoções são um conjunto complexo de rea­
ções químicas e neurais”. Segundo o neurologista Antônio Damásio,
PROFESSOR: LÍDER DE UM P E Q U E N O R EB AN H O

em seu livro Mistérios da Consciência, “elas afetam o modo de operação


de inúmeros circuitos cerebrais e a variedade de reações emocionais é
responsável por mudanças profundas no corpo e no cérebro”.5

Não podemos nos esquecer de que Jesus veio para nos dar vida
abundante (Jo 10.10). Deus deseja restaurar todas as áreas da nossa vida:
“Porque restaurarei a tua saúde e sararei as tuas chagas, diz o Senhor...” (Jr
30.17). Se você está atravessando um momento difícil, observe alguns pas­
sos que podemos dar em direção a uma vida saudável:
• Faça uma autoanálise. Enxergar os problemas dos outros sempre é mais
fácil. Mas olhar para dentro de nós é difícil, pois muitas vezes vamos
ver o que não queremos. Olhe para você (SI 43.5), mesmo que doa.
Resgate, assuma o controle, a liderança de seus pensamentos, senti­
mentos e ações. Você pode mudar e consertar o que está quebrado.
Não dependa do outro para ser saudável e feliz.
• Fale com Deus. Verbalize o que está sentindo. O caminho da cura está
no falar. Ore e conte onde está doendo.
• Faça tudo conforme as suasforças. Aprenda a dizer não. Priorize as ativi­
dades, evite o estresse e o ativismo.
• Procure a ajuda de um especialista (psiquiatra, psicólogo, etc.). Deus tem
poder para nos curar e solucionar nossos problemas, mas Ele também
usa os médicos e alguns profissionais para isso. Mas procure um bom
profissional, de preferência aqueles que são servos de Deus. Procure
não se isolar; reforce os laços de amizade.

Dicas para sua saúde mental efísica


• Procure ter uma alimentação saudável. Segundo especialistas, alguns ali­
mentos só fazem aumentar os níveis de estresse. Por exemplo: açúcar,
café, alimentos ricos em gorduras, farinha branca.

s DAMÁSIO, Antônio. O m inistério da consciência. Sao Paulo: Companhia das Letras, 2005.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

♦ Não descuide das atividades físicas. Uma boa caminhada faz bem para a
mente e o corpo, além de diminuir os níveis de estresse.
♦ Beba água. A água ajuda a purificar o organismo de toxinas, além de
hidratá-lo.
♦ Alugue um DVD ou assista a um bom filme na TV. Você pode se reunir
com amigos em família.
♦ Ligue para um(a) amigo(a). Quantos amigos(as) você já não conversa
há tempos? Coloque o papo em dia.
♦ Leia um bom livro ou sua revista preferida. Leitura agradável e despre­
tensiosa.
♦ Ouça música. Uma boa música faz bem para a alma e para o corpo.
Aproveite o momento para adorar e louvar a Deus.
♦ Entre em contato com a natureza. Aprecie o pôr do sol ou uma bela pai­
sagem. Tome sol pela manhã (até às 10 horas). O sol estimula nutrien­
tes que fazem bem ao corpo.
♦ Separe uma manhã ou tarde para cuidar de você. Hidrate os cabelos, lim­
pe a pele. Lembre-se: O seu corpo é templo do Espírito Santo (1 Co
3.16,17).
♦ Saiba dizer não. Às vezes é preciso aprender a dizer não para algumas tare­
fas que vão surgindo, sem se sentir culpado por isso. Muitos querem abra­
çar o mundo com as mãos. É preciso priorizar nossas ações, rever o que é
mais importante. Temos que fazer tudo conforme as nossas forças.

Desafios da liderança
Na atualidade temos muitos desafios. Todavia, um líder cansado, estres­
sado ou doente não vai dar conta de resolvê-los. Vejamos alguns desafios:
♦ Ter consciência do que é ensinar e por que ensinar. Segundo Elmer
Towns, “o ensino é a preparação e orientação de aprendizagem. A fina­
lidade do ensino é que o evangelho mudará a vida de seus ouvintes”.6

6 TO W N S, Elmer T. E x p a n s ã o ) d o e n s i n o . 6 0 Congresso Nacional de Escola Dominical. R io de Janeiro: CPAD, 2010.


PROFESSOR: LÍDER DE UM P E Q U E N O R EBAN H O

Utilizar recursos e metodologias capazes de atrair e manter essa nova


geração na Escola Dominical. A Palavra de Deus é imutável, toda­
via os recursos devem acompanhar o seu tempo. Muitos professores
ainda insistem em utilizar somente o quadro e o giz, sendo as aulas
quase sempre expositivas.
Criatividade para driblar as dificuldades econômicas, ética e filosófica
enfrentadas em nosso tempo.
Trabalhar em conjunto com as famílias.
Delegar responsabilidade. Alguns líderes pensam que podem fazer
tudo sozinhos. Puro engano! Todos precisam de cooperadores (Rm
16.3). Você tem seus cooperadores? Se a sua resposta foi afirmativa,
você com certeza terá mais condições de desenvolver uma liderança
bem-sucedida.
Compreender a realidade de seus alunos, a realidade da comunidade
onde a igreja está inserida.
Competência no campo do conhecimento bíblico e teológico.
SUPERINTENDENTE:
GESTOR E PROFESSOR

Os líderes eficientes conhecem a arte de se entender


com as pessoas que lideram.
—John MacArthur Jr.

n /t
L ^ Z js s u m ir a gestão de uma Escola Dominical é uma grande
responsabilidade, um desafio a ser vencido no decorrer de um ano. Ge­
ralmente o superintendente dá início ao seu trabalho logo no primeiro
mês do ano. Iniciamos, ainda que temerosos, com muito entusiasmo e
muita disposição, apesar do grande desafio que é gerir, coordenar o tra­
balho de professores e alunos. Tanto os que estão assumindo a função
pela primeira vez como os já veteranos na função estarão diante de no­
vos alunos, novos professores, material didático novo, novas revistas,
novos desafios, etc. Iniciamos com a cabeça repleta de boas e ideias e
uma vontade enorme de elaborar muitos projetos e de ver tudo funcio­
nando bem, classes repletas de alunos, professores motivados, e por aí
vai. Mas com o passar do tempo, o trabalho árduo e as adversidades nos
fazem perder o vigor e o entusiasmo. Não demora muito para que os
alunos também fiquem desanimados e deixem de comparecer às aulas.
Os que ficam não estão preocupados com a aprendizagem: a ida à clas­
se no domingo de manhã é mais uma questão de hábito, torna-se um
36 E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

ritual religioso. O tempo vai passando, e quando nos damos conta as classes
estão vazias. Nessa hora o coração fica apertado e questionamos: “O que
fazer?” “Onde encontrar ajuda?” Bom seria se todo superintendente fizes­
se esse tipo de questionamento. Infelizmente alguns não fazem, pois ficam
mais preocupados em encontrar culpados do que resolver as questões que
são cruciais para o crescimento de uma Escola Dominical. Não adianta ten­
tar jogar a culpa nos alunos, nos professores, no Diabo ou na liderança da
igreja. Também não adianta vir com o discurso de que a Escola Dominical
é uma instituição já ultrapassada.
Quando tentamos buscar culpados, perdemos o foco do problema e
acabamos não chegando a lugar algum. Parta do princípio de que não exis­
te um único culpado. Segundo Heloísa Lück, “o trabalho educacional, por
sua natureza, demanda um esforço compartilhado”.1Educação cristã não é
diferente — exige a participação de todos os membros da igreja. Quando
falamos em participação, vale lembrar que participação implica comparti­
lhar a tomada de decisões.

Participação implica compartilhar poder, vale dizer, impli­


ca compartilhar responsabilidades por decisões tomadas
em conjunto com uma coletividade e o enfrentamento dos
desafios de promoção de avanços, no sentido da melhoria
^ contínua e transformações necessárias.2

Como garantir o crescimento da Escola Dominical


Como atrair novos alunos e garantir a frequência deles na Escola Domi­
nical? Como gestor, este é um dos nossos grandes desafios: atrair novos alu­
nos e fazer com que os alunos “antigos” sejam assíduos e queiram continuar
aprendendo. Estamos vivendo na era da informação, em que a concorrência
com a mídia é grande e até desleal. Quantos não vão à Escola Dominical, que

* LÜ CK , Heloísa. A gestão participativa na escola. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.


2 Idem.
SUPER IN TEND ENTE: G ESTO R E PROFESSOR

geralmente é no domingo pela manhã, porque não conseguem acordar cedo,


já que passaram a madrugada toda conversando com os amigos nas redes
sociais, como o Facebook e o Twitter? A Escola Dominical não é uma insti­
tuição ultrapassada, obsoleta. Todavia, é evidente que precisamos de novas
estratégias, metodologias e recursos. Se não houver uma mudança de para­
digmas, certamente veremos o esvaziamento de algumas classes. Precisamos
refletir e discutir mais a respeito da educação cristã na atualidade, pois não
existem “fórmulas mágicas” ou “receita” que seja eficiente e que caiba em to­
das as igrejas. A igreja é única, assim como cada Escola Dominical. O que dá
certo em uma comunidade pode não dar certo em outra. Porém, sabemos
que independentemente da especificidade de cada Escola Dominical, o ensi­
no de qualidade ajuda a manter a frequência e o aprendizado.

Gestor e professor
Muitos superintendentes são excelentes gestores. Todavia, antes de
ser um gestor o superintendente deve ser um professor. No ensino secular
o professor assume, por um determinado período, o cargo de gestor, mas
ele não deixa de ser um professor. Naquele período ele apenas está como
gestor. É preciso que o superintendente tenha uma visão correta do que
é ensinar. Precisa ser alguém que entenda de educação, pois sua função
não se restringe à elaboração de relatórios e fichas de presença. Como
gestor de uma instituição de ensino, ele precisa saber se relacionar bem
com os professores, alunos, liderança. Necessita conhecer como se dá a
aprendizagem. E preciso que se tenha várias competências para exercer a
função, como por exemplo, a habilidade de gerenciar pessoas. Sabemos
que na Escola Dominical nem todos têm formação profissional na área
da educação, mas isso não é desculpa para não buscar o conhecimento
e o crescimento. Atualmente temos uma infinidade de livros e revistas a
respeito do assunto, além de vários congressos e conferências na área de
educação cristã que nos capacitam e nos ajudam a alavancar o crescimento
da Escola Dominical.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

O quefazer para trazer os alunos de volta e investir no aprendizado


Que fique bem claro que não existe uma “fórmula mágica” que seja
única para todas as igrejas. A Palavra de Deus é uma só, porém volto afirmar
que cada igreja é única, singular e tem as suas especificidades. Mas existem
algumas ações educativas que se enquadram bem em qualquer realidade,
e devem fazer parte da rotina de um gestor que deseja ser bem-sucedido.
Vejamos algumas dessas ações que podem melhorar a frequência e o apren­
dizado em sua Escola Dominical.

Aprenda a ouvir
Alguns gestores gostam de falar, mas na hora de ouvir deixam a de­
sejar. Precisamos aprender a ouvir com atenção o outro. Ouça o que os
alunos estão tentando lhe dizer, ouça os professores e secretários. O pri­
meiro passo para uma mudança significativa está no ouvir o que o outro
tem a dizer, mesmo que você discorde do posicionamento da pessoa. Não
leve nada para o lado pessoal. Para se chegar a um diagnóstico de deter­
minada situação é preciso primeiro ouvir. Um gestor que não sabe ouvir
em breve verá o esvaziamento das classes. O esvaziamento de uma Escola
Dominical é uma forma de comunicação, os alunos estão sinalizando que
alguma coisa não vai bem. Não dá para tapar os ouvidos e fingir que nada
está acontecendo. Muitos adotam o silêncio como uma fuga. Não falam
nada e não fazem nada também. Estes estão fadados ao fracasso. Admiro
Moisés como líder e gestor do povo de Deus. O Senhor falava com seu
servo face a face, mas ele não hesitou em ouvir o que seu sogro, Jetro,
tinha a lhe dizer: “O sogro de Moisés, porém, lhe disse: Não é bom o que
fazes” (Êx 18.17). Moisés era humilde e “deu ouvidos à voz de seu so­
gro”, porém ele não somente ouviu, mas tomou a iniciativa de fazer tudo
quanto Jetro dissera (Êx 18.24). Ouvir o que o outro tem a dizer é uma
questão de humildade. Deixe de lado a soberba, pois ela precede à ruína.
Estabeleça uma gestão participativa.
SUPER IN TEND ENTE: GESTO R E PROFESSOR

Faça reuniões periódicas


É importante reunir-se periodicamente com os professores, mas não use
a reunião para apontar o fracasso ou as faltas de ninguém. Utilize as reuniões
como um espaço democrático, participativo, onde prevaleça a troca de ideias
e de informações. Um espaço onde todos possam compartilhar suas dificulda­
des sem medo de ser criticado ou sofrer represálias. Um espaço de aprendizado
mútuo, onde a troca de experiências faz com que todos possam crescer. A Es­
cola Dominical deveria incentivar os grupos de estudos entre os professores.
Na China, umas das economias que mais crescem no mundo, os professores
do Ensino Médio, procuram fazer parte de no mínimo três grupos de estudos.
E nós professores da Escola Dominical, quando nos reunimos? Quando temos
dúvidas, a quem recorremos? Por que não se reunir para aprender junto? Não
estou falando aqui de classe de professores, onde alguém dá uma aula, digamos
modelo, para os demais professores. Essas classes são até válidas, mas não estou
falando de uma aula onde uma pessoa fala e os outros apenas ouvem, como
acontece em algumas classes para professores. Refiro-me a um momento em
que os professores tenham a oportunidade de trocar ideias e aprender uns com
os outros.

Trate a sua Escola Dominical deforma individualizada


Somos únicos, e como você já sabe, cada igreja é única. Mas sempre
achamos que tudo funciona do mesmo jeito para todos. Criamos regras
onde elas não existem. No Brasil, quando se trata de educação, temos a
tendência de “copiar” modelos. Meu irmão é pastor de uma igreja onde a
Escola Dominical não funcionava bem no domingo pela manhã. Depois
de várias tentativas, chegou-se à conclusão de que aquele não era o melhor
horário, pois muitas pessoas trabalhavam no sábado até tarde e não conse­
guiam chegar às 9 horas, e com disposição para estudar. A solução foi passar
a Escola Dominical para a tarde, antes do horário do culto vespertino. O re­
sultado foi bem positivo, e houve um crescimento quantitativo e qualitativo
significativo. O que não se enquadra na sua localidade? Não tenha medo
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

de mudar. A palavra mudança às vezes assusta, pois o novo sempre gera


insegurança, mas mudar às vezes é preciso. O que precisa ser mudado em
sua Escola Dominical? Metodologia? Recursos? Horário? Grade de profes­
sores? A única coisa que não podemos mudar é o ensino bíblico ortodoxo.

Seja ético e transparente


Em educação cristã, os fins não podem justificar os meios. Mesmo que
tudo esteja dando errado, seja transparente e não abra mão da ética. Os pro­
fessores e alunos precisam confiar em você, porém sabemos que confiança
é algo que não se compra, não se obtém por intermédio de cargos, não se
adquire nos bancos escolares, mas é algo que se conquista pelas atitudes.
Não adianta ter um discurso, mas na prática agir de forma contrária. O ges­
tor tem que agir com ética e transparência se deseja ser bem-sucedido em
sua função. Por que as pessoas passavam horas ouvindo Jesus e aprendendo
com o Mestre? Será que naquele tempo as pessoas não tinham nada para
fazer? Ao contrário, a vida era bem dura, pois não existiam os recursos da
chamada pós-modernidade. As pessoas passavam horas ouvindo o Mestre
porque Ele não era como os escribas ou os publicanos. Jesus falava com
autoridade, ou seja, ensinava aquilo que vivia (Mt 7.28,29). Seu discurso
era coerente com a sua maneira de viver.

Cuide da sua saúde física e mental


Paulo adverte a Timóteo a fim de que ele tenha cuidado de si mesmo.
Como um líder autêntico, ele prioriza a saúde física e mental de Timóteo.
Observe que o cuidado com o ensino, com a doutrina, aparece em segun­
do plano. A prioridade não é a igreja, a instituição ou o ensino. A pessoa
doente (seja no físico, seja no emocional) ou submetida a um grau elevado
de estresse não tem condições de cuidar de ninguém, por isso Paulo faz a
seguinte recomendação ao jovem pastor: “Tem cuidado de ti mesmo e da
doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a
ti mesmo como aos teus ouvintes” (1 Tm 4.16, ARA). Segundo o psiquiatra
Augusto Cury, “cuidar de nosso futuro emocional e interpessoal é de capi­
SUPER IN TEND ENTE: GESTO R E PROFESSOR

tal relevância”.3 O gestor da Escola Dominical tem como função cuidar de


pessoas, por isso não pode colocar sua saúde em segundo plano. Uma men­
te cansada produz muitos males, um deles é o falar em demasia. Acabamos
nos ferindo e ferindo outras pessoas com nossas palavras e atitudes.
No decorrer da semana trabalhamos, estudamos e corremos de um
lado para o outro para ganhar o pão nosso de cada dia. Além das obrigações
profissionais, aqueles que são casados têm que cuidar do cônjuge e dos fi­
lhos. E muita correria. Quando chega o final de semana, nada de folga, pois
é quando geralmente vamos preparar as aulas, caso algum professor venha
a faltar e seja necessário substituí-lo. É a leitura da revista, da Bíblia, dos
livros de apoio e por aí vai. Como reunir forças para, no dia de folga, estu­
dar, preparar a aula e descansar a fim de que no domingo pela manhã esteja
bem, tanto no físico como na mente? E um desafio! Mas esse desafio pode
ser vencido com fé, determinação e planejamento. Procure estabelecer um
planejamento anual e um trimestral. Um planejamento bem elaborado vai
facilitar a sua vida e a dos professores. A desorganização também é causa de
estresse. Já se foi o tempo em que tudo na Escola Dominical era tratado na
base da improvisação.
Essas são apenas algumas sugestões que precisam ser observadas com
cuidado por aqueles que querem ver o avanço da Escola Dominical. Quan­
do falamos em avanço e crescimento da Escola Dominical, estamos falando
do avanço do Reino de Deus na terra. A Igreja de Cristo tem uma missão
integral a cumprir, e essa missão deve estar firmada em um tripé: evangeli-
zação (proclamação), comunhão e serviço.

Passos que podem ajudar na hora de realizar reuniões de avaliação


Os professores, secretários e coordenadores que trabalham com
você precisam estar conscientes de que o trabalho desempenhado está
atendendo às expectativas. Eles precisam de um feedback. Por isso, es­

3 CURY, Augusto. A fascinante construção do eu: como desenvolver uma mente saudável em uma sociedade estressante. Sao
Paulo: Planeta, 2011, p. 20.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

tabeleça em seu planejamento alguns encontros em que o desempenho


da equipe possa ser avaliado. Essa avaliação deve ser feita com bastante
cuidado. Observe algumas regras na hora de conduzir essas reuniões de
avaliação.
1. Providenciar um lugar adequado. O primeiro cuidado para que
a reunião seja produtiva é o espaço onde ela vai acontecer. Escolha um
lugar reservado onde você possa conversar com tranqüilidade, sem in­
terferências de outras pessoas que não fazem parte da Escola Domini­
cal. Avalie o crescimento de cada classe, porém tenha cuidado com as
críticas, pois ouvir críticas quanto ao desempenho, ainda mais na frente
de outras pessoas, não é nada agradável. Resista à tentação de conversar
com os professores a respeito de desempenho ou problemas referentes
a alunos ou direção nos corredores, dentro do templo ou em locais mo­
vimentados.
2. Aponte primeiro os pontos positivos. Inicie a reunião sempre
destacando o esforço e a dedicação de cada um. Procure evidenciar as ca­
racterísticas positivas de todos, demonstrando o quanto são importantes
na realização da obra de Deus e na Escola Dominical. Quem não gosta de
receber um elogio? Nunca vá direto ao ponto que tem gerado problemas,
como atrasos e faltas, por exemplo. É preciso ser franco e sincero, mas co­
meçar ressaltando os pontos positivos vai demonstrar que você sabe fazer
críticas positivas.
3. Diga o que precisa ser mudado de forma polida. Fale de forma
educada. Não aponte ou se dirija diretamente a uma pessoa, como por
exemplo: “Você está fazendo a obra de Deus relaxadamente”. Mas diga que
servir a Deus é um privilégio e que a Bíblia diz que se temos o ministério do
ensino, devemos nos dedicar a ele. Você poderá citar Romanos 12.7.
4. Troque de posição. Abra um espaço para uma inversão de papéis.
Isso mesmo! Pergunte à sua equipe se estão satisfeitos com o seu trabalho
e com o ambiente da Escola Dominical. É hora de pedir sugestões para que
os pontos negativos e de conflito sejam melhorados e solucionados.
SUPER IN TEND ENTE: GESTO R E PROFESSOR

5. Trabalhe com metas. Precisamos aprender a estabelecer metas a


cada trimestre, pois na Escola Dominical a cada três meses temos um novo
conteúdo e um novo material didático. A reunião em si não terá sentido
caso você não tenha metas bem definidas. Todos que fazem parte da Escola
Dominical, assim como o pastor da igreja, precisam estar conscientes das
metas e saber exatamente o que você espera de cada um. Procure ter um
caderno de registro e tome nota de cada resolução que foi tomada. Anote
tudo para que nada caia no esquecimento.
Depois de se reunir e ouvir as sugestões, faça uma avaliação geral (essa
avaliação é pessoal). Depois, mantenha o foco na solução dos problemas.
Ore e nunca se esqueça de pedir a orientação e a ajuda de Deus. Ele é o
maior interessado no crescimento quantitativo e qualitativo da Escola Do­
minical. Não confie na suas habilidades; confie sempre no Senhor! Ele tem
a solução, a resposta certa para cada situação.
^ r - ^

ESCOLA DOMINICAL E FAMÍLIA:


UMA PARCERIA BEM-SUCEDIDA

... porém e u e a minha casa serviremos ao Senhor.


-Josué 24.15

forte, igreja forte. A Igreja do Senhor não é fraca, e ja­


mais poderá ser derrotada, pois está firmada sobre a rocha que é Jesus
Cristo (Mt 16.18). Todavia, o Corpo de Cristo é formado por diferen­
tes famílias. Quando a família vai bem (permanece firmada em Jesus
Cristo), podemos dizer que a igreja também vai bem e segue vitoriosa
cumprindo a sua missão. Quando a disfunção familiar se estabelece na
família, a igreja deixa de cumprir com a sua missão integral. A disfun­
ção familiar reflete na vida da igreja.
A Escola Dominical consegue reunir todos os membros de uma
família, pois no geral temos classes para todas as faixas etárias, do be-
bezinho ao ancião. Este é um grande privilégio e uma grande respon­
sabilidade. Como uma instituição que busca o crescimento do Reino
de Deus, por intermédio do ensino das Escrituras Sagradas, a Escola
Dominical deve trabalhar unida com as famílias a fim de buscar estra­
tégias e projetos, em Deus, para enfrentar os vários inimigos (Diabo,
as obras da carne, as filosofias mudanas, etc.) que tentam destruir a
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

família. Neste capítulo vamos refletir a respeito do papel da família e da


igreja na educação cristã. É possível igreja e Escola Dominical, embora ten­
do propósitos diferentes, trabalharem unidas no processo de ensino-apren-
dizagem? A Escola Dominical pode ajudar a família?

A Escola Dominical contribuindo para edificarfamíliasfuncionais


A família faz parte do plano de Deus para o homem. Ele mesmo a criou
e continua considerando-a como o esteio na formação integral do ser huma­
no. Na atualidade, temos visto a disfunção familiar destruindo muitos lares, até
mesmo dos cristãos. Temos visto maridos que não amam mais suas esposas.
Mulheres que não respeitam mais seus maridos. Filhos que não respeitam mais
os pais. Pais que não respeitam e não cuidam dos seus filhos. O caos tem se ins­
talado em muitos lares. Não podemos cruzar os braços e assistir passivamente
ao sofrimento e à desestruturação familiar. A disfunção familiar é perigosa e traz
conseqüências nefastas para a igreja e para a sociedade como um todo.
A disfunção familiar tem feito aumentar os casos de violência contra a
criança. Segundo pesquisas do Conselho Tutelar, na sua grande maioria o
agressor faz parte da família (são pais, tios, padrastos, madrastas, avós, etc.).
O governo precisou criar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para
proteger e garantir o bem-estar da criança brasileira. Esse cuidado deveria ser
responsabilidade dos pais. Mas infelizmente o abuso e o desrespeito contra a
criança e o adolescente continuam. São milhares os casos de violência física
e psicológica contra as crianças cometida por aqueles que deveriam cuidar
delas e protegê-las. Toda essa violência é resultado da maldade do coração do
homem, pois o homem sem Deus é capaz de cometer as piores atrocidades.
Sabemos que pessoas que foram feridas tendem a ferir os outros. Adul­
tos que sofreram abuso e violência física ou psicológica quando crianças
tendem a se tornar adultos também violentos. É instalado o que chamamos
de ciclo da violência. Somente o evangelho tem o poder de transformar es­
sas pessoas e quebrar esse ciclo maligno de dor e sofrimento. Sabemos que
o Diabo veio para matar, roubar e destruir. Mas Jesus veio para nos dar vida
ESCO LA D O M IN IC A L E FAMÍLIA: U M A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

abundante e derrotar Satanás. “O ladrão não vem senão a roubar, a matar


e a destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância”
(Jo 10.10). O Diabo tem dado conta da sua missão. E nós, como igreja do
Senhor, temos cumprido com a nossa missão?
A disfunção familiar é prejudicial para a saúde física, mental e emo­
cional de homens, mulheres e crianças. Quantos casais feridos e doentes.
Mulheres maltratadas, feridas no físico e no emocional, e que acabam des­
contando toda a sua dor e sofrimento nos filhos. Crianças que, se não forem
tratadas, vão carregar traumas por toda a sua vida. A violência nos lares não
é somente física, mas psicológica, pois algumas palavras ferem tanto quanto
uma arma. Não podemos fingir que tudo está bem, mas precisamos ajudar
aqueles que estão enfrentando a disfunção em seus lares. Precisamos aju­
dar com nossas orações, ensinando a Palavra de Deus e quem sabe levando
aqueles que precisam de um tratamento específico até um especialista.
Muitos que estão atualmente nas penitenciárias ou nas casas de corre­
ção para menores infratores vieram de famílias disfuncionais. A família é a
base da sociedade, se alguma coisa vai mal, todos sofrem. Por isso, a Palavra
de Deus nos alerta para o fato de que nenhum reino (instituição) ou casa
dividido poderá subsistir (Mt 12.25)

“Fórmula" para uma família funcional


Na verdade, não existe família perfeita. Família perfeita é um mito; só
existe em comercial de margarina. Todavia, segundo Ed Young, em sua obra
Os 10 Mandamentos da Criação dos Filhos,1 a fórmula real para uma família
feliz é a seguinte: “C + PB - P = FF. Isto é, Cristo (C) mais princípios bíblicos
(PB) menos o pecado (P) produz uma família funcional (FF) ”. Podemos afir­
mar que essa é a fórmula da Escola Dominical. Primeiro, a Escola Dominical
tem a função evangelizadora. Ela deve proclamar aJesus Cristo, pois somente
o Salvador tem o poder de transformar vidas, mediante a ação do Espírito

1YO UN G, Ed. O s 10 m andam entos da criação dos filhos: o que fazer e o que não fazer para criar ótimos filhos. 1. ed.
Rio de Janeiro, CPAD, 2007, p. 22.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Santo. Um homem ou mulher que tem a Jesus em seu coração, dificilmen­


te fere o seu próximo, trai, mente, mata, falta com o respeito. Temos visto
atualmente que muitos se tornam membros de uma igreja, mas nunca tive­
ram uma real experiência com Jesus Cristo; jamais experimentaram o novo
nascimento. Na Escola Dominical anunciamos a Cristo e a transformação de
vida que Ele nos oferece. Evangelho é transformação radical de vida. E uma
transformação que vem de dentro para fora. Ninguém verá o Senhor e será
salvo somente por freqüentar uma igreja ou fazer parte de uma Escola Do­
minical. A salvação é pela fé em Jesus Cristo. Na Escola Dominical, também
trabalhamos com princípios bíblicos, que são imutáveis e inegociáveis. Esses
princípios ajudam os membros da família, independentemente da idade, a ter
uma vida santa, sem pecado. Quando os membros de uma família entregam
suas vidas a Jesus Cristo e procuram cumprir os princípios bíblicos, vivendo
uma vida de santidade, esta é uma família feliz. Não significa que essa família
não enfrentará problemas, mas ela será bem-sucedida nos relacionamentos.
Deus tem princípios elevados para as famílias, e esses princípios de­
vem ser ensinados na Escola Dominical. A Palavra de Deus tem o poder de
curar, de transformar, pois ela alcança os compartimentos mais secretos da
nossa alma e do nosso espírito (Hb 4.12). APalavra de Deus nos desnuda,
mostrando as nossas misérias, nossos ressentimentos e dores, por isso o
Diabo faz de tudo para que as pessoas não participem da Escola Dominical
e assim não sejam abençoadas. Paulo, escrevendo aos Éfésios (Ef 5.22-33;
6.1-4), nos mostra qual é o padrão de Deus para a família. Já sabemos que
não existe família perfeita, mas se seguirmos esse padrão evitaremos muitos
problemas e não daremos chance para que a disfunção familiar se instale
em nossa família. Paulo nos mostra quais devem ser os deveres dos mari­
dos, esposas e filhos, mostrando que a família deve viver unida.

♦ "Vos, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor” (v. 22).


A princípio esta parece uma recomendação fácil, mas não é. As mu­
lheres, em geral, em virtude de sua natureza, têm certa dificuldade
ESCOLA D O M IN IC A L E FAMÍLIA: UM A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

em ser submissa, por isso a ordenança bíblica. Ser submissa não sig­
nifica que a mulher é inferior ao marido. Submissão também não é
escravidão, mas é estar em conformidade com a missão do marido.
Qual a missão do marido? Ser o sacerdote do lar. Então estar em con­
formidade com ele significa auxiliar o seu sacerdócio. A Bíblia é bem
clara ao mostrar que existe uma hierarquia determinada por Deus
dentro do lar. Muitos casamentos estão indo por água abaixo porque
as mulheres não querem mais ser submissas, achando que submissão
é coisa do passado. Em 1 Coríntios 11.3, Paulo escreveu: “Quero,
porém, que entendam que o cabeça de todo homem é Cristo, e o
cabeça da mulher é o homem, e o cabeça de Cristo é Deus” (NVI).
Submissão é uma ordenança para todos os tempos. Sem submissão
não há família que subsista. Não importa de quanto seja sua renda
mensal ou se seu grau de instrução é superior ao do marido, a mulher
deve ser submissa ao esposo. Quando uma mulher não respeita o
esposo, dificilmente seus filhos vão respeitá-lo. E mais tarde não vão
respeitá-la também.

♦ “Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja”
(v. 25). Os maridos não estão isentos de responsabilidades. Para os
homens, que são mais racionais, amar não é uma tarefa muito fácil. O
amor deve ser cultivado, pois ele é como uma plantinha que precisa
ser regada diariamente. Essa rega vem com as pequenas ações do dia a
dia: dizer obrigado, pedir perdão, por favor, fazer um mimo no final do
dia, etc. são ações que fortalecem o amor. O padrão do amor para os
homens deve ser como o de Cristo pela sua igreja, um amor altruísta,
abnegado. Amar uma mulher bonita, gentil, que cuida bem da casa e
dos filhos é relativamente fácil, porém é preciso amar mesmo quando
não se é correspondido, quando a mulher fica gordinha e já não se en­
quadra mais nos padrões de beleza da nossa sociedade. Mesmo que a
esposa esteja agindo como a mulher de Jó (Jó 2.9), é preciso amá-la.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

No versículo 33, temos um resumo do relacionamento familiar ideal. Ma­


rido amando a esposa com a mesma intensidade com que ama a si próprio. A
esposa respeitando o marido da mesma forma que gostaria de ser respeitada.

« “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais" (6.1). Os filhos devem obe­
decer aos pais, pois esta é uma atitude justa. A obediência traz muitas
conseqüências boas, como prosperidade e longevidade. É o primeiro
mandamento com promessa (Êx 20.4-6). A obediência é demonstra­
ção de sabedoria. Os pais devem estabelecer a disciplina no lar a fim
de que as crianças aprendam o caminho da obediência. Disciplinar é
diferente de castigar. A disciplina deve ser feita com amor.

Os filhos devem ser ensinados a obedecer, e os pais devem respeitar os


filhos (v. 4). Um pai que ama corrige seu filho. Mas, infelizmente, muitos
pais acabam exagerando na regras e deixando os filhos desanimados. Deve
haver equilíbrio. As regras e a disciplina devem ser acompanhadas de amor,
pois este tudo suporta e tudo espera. O equilibro está no amor.
O propósito de Deus ao criar a família é que todos vivam em unidade,
sejam prósperos e felizes. Porém, com a Queda do homem a disfunção al­
cançou a família fazendo-a enfermar.
Embora não exista família perfeita, é possível se estabelecer uma famí­
lia funcional. Basta que venhamos cumprir os princípios bíblicos que Deus
estabeleceu para nós. A estrutura familiar muda. Já tivemos a período da
família patriarcal, monogâmica, etc., contudo, os princípios de Deus para a
família são imutáveis e inegociáveis.

A disfunção familiar na casa de Davi


Davi era um homem segundo o coração de Deus, mas isso não evitou
que a disfunção entrasse em sua família. Quando era jovem, ele matou um
gigante. Sua história de vida é de um homem bem-sucedido. Começou a
carreira como pastor e terminou como rei. Fez com que a nação de Israel
se tornasse um poderoso reinado que controlava a maior parte do Oriente
ESCOLA D O M IN IC A L E FAMlLIA: UM A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

Médio. Ele era um homem segundo o coração de Deus (At 13.22), mas isso
não significa que não tivesse falhas. Como seres humanos, erramos, porém
precisamos reconhecer nossos erros, buscar o perdão de Deus, pedir per­
dão e tentar reparar as falhas. A família desse homem segundo o coração de
Deus passou por situações terríveis de conflitos. Satanás fez tudo para des­
truir a família da qual sairia o Messias. O Inimigo também vai fazer de tudo
para que os planos de Deus não se realizem em sua família. Davi teve muitas
esposas (2 Sm 3.1-5) e filhos. Um de seus filhos chamava-se Absalão. Este
era um jovem bonito, mas rebelde. Ele deu muito trabalho aos seus pais.
Matou um irmão (2 Sm 13.23-36), tentou tomar o lugar do pai no trono,
que fugiu para não ter que matar o próprio filho (2 Sm 15). As maldades
de Absalão não param por aí. Ele envergonhou o pai (2 Sm 19.5). Mas Davi
amava seu filho e pediu que ele fosse poupado (2 Sm 18.5).
A disfunção familiar na família de Davi colocou em risco todo o seu
reino. Como já dissemos, ela é perigosa para toda a sociedade, não so­
mente para a família envolvida. Os problemas e conflitos foram muitos
na família de Davi. A Bíblia diz que Amnon, primogênito de Davi, meio
irmão de Tamar, a forçou cometendo um incesto (2 Sm 13.1-22). Davi
ficou irado ao tomar conhecimento dessa tragédia (2 Sm 13.21). Porém,
parece que não repreendeu ou corrigiu o jovem. Se fossemos relatar tudo
que aconteceu de ruim na família de Davi faltaria espaço. Porém Davi
nunca abriu mão de sua família. Creio que ele lutou por ela, assim como
lutou em favor do seu país.
Como é sua família? Talvez você também tenha sérios problemas,
como Davi. Mas não abra mão de seu esposo, esposa ou filhos. Continue
lutando por eles, não desista! Davi não deixou que seus problemas o afas­
tassem da presença do Senhor. Certamente derramou muitas lágrimas,
porém seus lábios não se calaram. Davi adorava a Deus, amava estar na
casa do Senhor e com certeza intercedia pelos seus (Sl 122.1). Não deixe
que os problemas enfrentados em sua família o afastem da presença de
Deus e da Escola Dominical. Lembre-se de que não existe família per­
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

feita, porém se Jesus estiver em nossos corações e procurarmos viver os


princípios de Deus estabelecidos em sua Palavra, conseguiremos vencer
os obstáculos e teremos uma família funcional, feliz.

A responsabilidade dos pais na educação cristã


É no lar que a criança deve aprender suas primeiras lições a respeito da
Palavra de Deus. Tudo ficaria mais fácil para os professores da Escola Do­
minical se os alunos fossem orientados pelos pais em casa. Todavia, muitos
pais transferem a responsabilidade de educar para os professores. Alguns
pais estão terceirizando sua responsabilidade. Delegam a responsabilidade
de educar à igreja, à escola, à babá, aos avôs, e esquecem-se de que é função
dos pais instruir as crianças no caminho em que devem andar. Quem nos
adverte quanto a isso é a Palavra de Deus (Pv 22.6; Dt 6.6-9).
Encontramos no livro de Deuteronômio a importância e a necessidade
de os pais ensinarem as crianças. Observe as referências:

Tão-somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma,


que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto,
e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as
farás saber a teusfilhos e aosfilhos de teusfilhos. (Dt 4.9)

E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração;


e as intimarás a teusfilhos e delas falarás assentado em tua
casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-
te. (Dt 6.6,7)

Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até


quando envelhecer, não se desviará dele. (Pv 22.6)

“Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração


futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as
maravilhas que fez. Porque ele estabeleceu um testemunho
em Jacó, e pôs uma lei em Israel, e ordenou aos nossos pais
que afizessem conhecer a seusfilhos. (Sl 78.4,5)
ESCOLA D O M IN IC A L E FAMÍLIA: UM A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

O pai não deve ser apenas o provedor do lar, mas deve ser o sacerdote.
Deve proteger sua casa espiritualmente (Êx 12.3,7,13). O psiquiatra Içami
Tiba escreveu: “A herança genética está nos cromossomos. Mas desde o
nascimento a criança absorve o modo de viver, o como somos, da fa m ília ” 2
Os pais devem ser exemplo, por isso o Senhor ordenou “guarda-te a ti mes­
mo”. A primeira forma de aprendizagem que as crianças experimentam é
pela imitação. Não adianta repetir a Palavra a todo o momento para o seu fi­
lho se você não a pratica. Também não adianta levá-lo à Escola Dominical e
já na volta para casa não cumprir com a Palavra ali ensinada. Os pais devem
ser modelos para os filhos. Quero citar cinco tipos de pais que são exemplo
negativo para seus filhos e que acabam gerando uma série de reações nega­
tivas, comprometendo a saúde espiritual, física e emocional das crianças:
1. Pais opressivos - Estes não respeitam os filhos, são autoritários,
não abrem espaço para o diálogo. Os filhos não são propriedade dos pais.
Lembre-se: “Os filhos são herança do Senhor”. Como você tem tratado a
sua herança? Não confunda autoridade espiritual com autoritarismo. O au­
toritarismo é quando a pessoa excede, extrapola a autoridade que lhe foi
conferida.
2. Pais superprotetores - A proteção, o zelo em excesso, muitas vezes
impede o amadurecimento e o crescimento mental e emocional. Pais que su­
focam os filhos, não dando espaço para a autonomia, para novas descobertas.
Estes acabam criado filhos dependentes, que não têm iniciativa própria.
3. Pais omissos - Esses pais não tomam parte na vida dos filhos. Ge­
ralmente os filhos ficam largados diante da televisão ou passam horas dian­
te do computador “jogados” na rede (internet), sem ter a presença dos pais
por perto. Na Bíblia, temos o exemplo trágico de Eli. Esse sacerdote sabia
das atitudes erradas de seus filhos, mas não os disciplinou. Deus trouxe
juízo sobre o sacerdote e seus filhos. A disfunção familiar na casa de Eli
prejudicou toda a nação de Israel. Não seja omisso, participe da vida do

2 TIBA , Içami. Q uem Ama, Educa: Formando Cidadáos Éticos. 1. ed. São Paulo: Editora Integrare, 2007.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

seu filho. Você conhece bem seu filho? Conhece seus gostos e preferências?
Conhece os amigos dele? Quando os pais não disciplinam os filhos, estão
sendo omissos, pois a falta de limites é também omissão. Todos nós preci­
samos de disciplina. Quando os filhos não têm parâmetros a seguir, ficam
perdidos e inseguros. Provérbios 29.17 declara: “Discipline seu filho, e este
lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma” (NVI). Você estabelece limites
para seus filhos? Determina horários para acessar a internet ou jogar video-
game? Em sua casa existe uma rotina a ser seguida?
Durante muito tempo, os filósofos discutiram se o homem nascia com
a índole boa e depois se tornava má, ou se ele já nascia mau. Hoje, isso já
não é mais discutido. Os psicólogos chegaram à conclusão de algo que já
estava explícito na Palavra de Deus — o indivíduo precisa ser instruído,
necessita de disciplina para ser uma pessoa de bem desde que nasce. Quem
ama não tem medo de disciplinar.
4. Pais que priorizam somente a igreja - Devemos fazer a obra
do Senhor e servi-lo, porém temos que ter equilíbrio. Muitos pais, em­
bora sejam crentes fervorosos e fiéis, estão deixando os filhos de lado.
Pais que nunca saíram com seus filhos para tomar um sorvete ou fazer
um passeio. Pais que não conversam ou brincam com as crianças, pois
estão na igreja de segunda a segunda. De que adianta realizar a obra de
Deus e deixar a sua “herança” de lado? Faça a obra do Senhor, mas não
descuide de sua família.
5. Pais “colegas” - Não há nada de mal em ser amigo — bom seria
se os pais fossem os melhores amigos dos filhos. Mas o problema é que
alguns se tornam na verdade “colegas”. Existe diferença entre amizade e
coleguismo (basta dar uma olhada no dicionário). As crianças não que­
rem ter em casa um “colega”, elas querem um pai e uma mãe. Pessoas que
disciplinem, que saibam dizer “não” na hora certa, que cobram o dever de
casa, que estabeleçam um rotina, que não os deixem comer guloseimas
fora de hora, que os mandem tomar banho, escovar os dentes e por aí vai.
É preciso ser pai!
ESCOLA D O M IN IC A L E FAMÍLIA: UM A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

As responsabilidades da igreja por meio da Escola Dominical


O que compete à igreja, mais precisamente à Escola Dominical, e o que
compete às famílias? As duas devem trabalhar em unidade. A igreja deve:
• Dar oportunidade para que pessoas vocacionadas lecionem na Escola Do­
minical. Cada um tem um lugar, uma função no Corpo de Cristo (Ef 4.11;
Rm 12.4). Nem todos foram vocacionados pelo Senhor para o ensino.
• A igreja, por intermédio da Escola Dominical, deve promover recur­
sos para que os professores, os vocacionados, possam se aperfeiçoar,
pois o objetivo do nosso trabalho é o “aperfeiçoamento dos santos”
(Ef 4.12,13; Rm 12.7). Professores despreparados não cumprem sua
função e não podem ajudar as famílias. Ninguém sabe de forma abso­
luta. O saber do homem será sempre relativo, temos sempre alvo novo
a aprender. Não podemos parar.
• Trabalhar em prol da unidade (Rm 12.16a). Uma Escola Dominical
dividida não pode atender as famílias e cumprir com a sua missão en­
quanto agência do Reino de Deus.
• A igreja precisa investir no ensino a fim de que possa combater os fal­
sos ensinos que tanto prejudicam as famílias (Ef 4.14,15).
• Combater o “inchaço”, isto é, as pseudoconversões (jo 3.3). Não que­
remos pessoas “convencidas”, mas convertidas a Jesus Cristo.

Como melhorar a relação entre asfamílias e a Escola Dominical


Gosto muito de uma frase de John Maxwell que diz: “Nada muito
significativo foi alcançado por um indivíduo que tenha agido sozinho”.
Precisamos nos unir. A discussão deve avançar na procura das melhores
oportunidades de promover um encontro positivo entre pais e professo­
res. Para que isso aconteça, algumas questões precisam ser observadas:
Vejamos:
• Perceba a construção da família de seus alunos e não critique se não
seguem o modelo ideal (bíblico). Quantos chegam à igreja já divorcia­
dos? Quantas crianças são criadas pelos avôs ou tios?
E D U C A Ç Ã O CR ISTÃ : R EFLEXÕES E PR Á TIC A S

• Tenha claro que é direito dos responsáveis opinarem e fazerem suges­


tões a respeito do ensino na Escola Dominical.
• Faça reuniões de pais a cada trimestre, porém não reúna os pais somente
para arrecadar dinheiro ou fazer queixa dos alunos. Muitos professores
só se aproximam dos pais na hora de organizar alguma festa ou congres­
so. Nunca use a reunião para falar mal dos alunos. Caso tenha alguma
queixa, converse com os pais em particular e com muita sabedoria.
• Não se esqueça de que a Escola Dominical precisa das famílias, e não
o inverso.

Algumas ideias que podem ajudar a integrar as famttias na Escola


Dominical
Vejamos algumas sugestões que podem aproximar mais as famílias da
Escola Dominical:
• Os professores podem ser orientados e incentivados afazer visitas periódicas
aos lares. A visita deve ser agendada e não pode se estender muito. Assim
você terá a chance de conhecer melhor as famílias fora da igreja, além de
ter a oportunidade de orar em favor dos pais e filhos.
• Os professores podem confeccionar livretos para os pais. Faça um livreto
informando os objetivos do trimestre, o crescimento dos alunos e as
atividades que foram ou serão desenvolvidas.
• Envie cartas ou e-mails. Quem não gosta de receber um elogio, um incenti­
vo e estar informado a respeito do que os filhos estão aprendendo?
• Anuário da classe. Faça um relatório a respeito de todas as atividades
desenvolvidas e todos os temas estudos durante o ano.
• Participação dos pais em uma aula. Marque um dia especial onde os
pais possam assistir a uma aula. Arrume a sala de modo que pai e filho
se sentem juntos. Mostre o quanto os pais são bem-vindos e o quanto a
participação deles é importante para o crescimento do aluno. Os filhos
precisam estar conscientes de que a família os apoia.
• Faça um café da manhã com as famílias. Ê um bom momento de confra­
ternização e união das famílias, além de proporcionar o fortalecimento
ESCOLA D O M IN IC A L E FAMÍLIA: UM A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

dos laços de amizades. É uma forma de começar bem o dia. Muitas


vezes com a correia do dia a dia acabamos que não nos reunimos ao
redor da mesa para o café da manhã.
• Retiro com a família. É uma oportunidade de lazer onde os laços de
amizade entre pais e filhos podem ser fortalecidos.
• Blog da família. Esta é uma oportunidade de as famílias se conhecerem
e se informarem sobre temas atuais. Vamos utilizar os recursos da in­
formação a nosso favor. Fotos, recados, estudos bíblicos, sugestões de
livros podem fazer parte do blog.
• Acampamentos de férias com atividades para todos os membros da fam í­
lia. Quantos por falta de recursos financeiros não têm a oportunidade
de viajar ou fazer alguma atividade em família? A Escola Dominical
estaria com o apoio da igreja propiciando essa oportunidade ímpar.
• 'Acampadentro" — um acampamento dentro da própria igreja com
várias atividades para a família.
• Noite do vídeo. Um vídeo evangélico que possa ser visto por toda a
família. Depois de assistirem ao filme, elabore uma questão, basea­
da no filme, para que seja discutida em família. Peça que as famílias
se reúnam e que cada uma possa ter um tempo para expor seus
comentários.
• Convidados especiais. Você pode convidar um psicólogo para conversar
com os pais ou uma assistente social para conversar a respeito da vio­
lência doméstica.
• Jornal das famílias que participam da Escola Dominical. Todos poderão
ver o quanto as famílias que participam da Escola Dominical são aben­
çoadas. Este também seria um veículo para evangelizar os não crentes.

O caminho para uma formação cristã segundo os padrões bíblicos é a


educação, em casa e na Escola Dominical. Que possamos trabalhar unidos
a fim de que nossas famílias sejam funcionais e possam glorificar o nome do
Senhor com seu testemunho.
RECURSOS DIDÁTICOS: FERRAMENTAS
QUE MOTIVAM E ENSINAM

Ser didático é, antes de tudo, ser simples, acessível, claro.


- Rafael Grissi

^ V istam os na era da informação, da comunicação, e podemos


afirmar que esta é a geração “multimídia”. Estamos diante de uma gera­
ção que está a todo momento em contato com a mídia. Todavia, quan­
do esses alunos chegam à Escola Dominical, o que eles encontram? O
que os professores têm oferecido a essa nova geração de alunos?
Os servos de Deus que ensinam na Escola Dominical não podem
deixar de compreender as diferentes linguagens que cercam nossos alu­
nos na atualidade, por isso precisam conhecer a linguagem dos livros,
revistas, jornais, televisão, internet, etc.

Definição de recursos didáticos


Existem várias definições de recursos didáticos. De acordo com o
pastor e educador Marcos Tuler, “os recursos são meios físicos utiliza­
dos com o fim de apresentar estímulos ao educando”.1

1 T U L E R , Marcos. R ecu rsos didáticos para a escola dom inical. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

O homem sempre fez uso dos recursos visuais para se comunicar. Prova
disso são os hieróglifos nas cavernas. É importante ressaltar que Deus, o maior
Educador (comunicador) de todos os tempos, fez uso de recursos para ensinar
o homem. Se Deus fez uso de recursos, porque nós, seres mortais, não faríamos?
Deus se utilizou de recursos para ensinar grandes verdades espirituais ao seu
povo. Alguns desses recursos são hoje utilizados pela publicidade. Vejamos:
• Habacuque 2.2 - “Escreva em tábuas a visão que você vai ter, escreva
com clareza o que vou lhe mostrar, para que possa ser lido com facili­
dade” (NTLH).
• Exodo 25.9 - O Tabernáculo. Deus deseja ensinar ao seu povo que Je ­
sus, o Cordeiro de Deus, o Sacerdote dos sacerdotes, viria a este mun­
do oferecendo-se em sacrifício perfeito por nós.
• Isaías 8.1 - “O Senhor Deus me disse: — Pegue uma tabuleta grande
e escreva nela, em letras bem grandes, o seguinte...” (NTLH).
• Ezequiel 4.1-3 - “Tu, pois, ó filho do homem, toma um tijolo, e po-lo-
ás diante de ti, e grava nele a cidade de Jerusalém”.
• Jesus em seu ministério usou vários exemplos visuais: lírio do campo,
videira, pastor, ovelha, etc.

Os recursos podem fazer muito em favor de nossos alunos. Determi­


nados conteúdos não podem ser ensinados sem a utilização de recursos.
Não dá para ensinar a respeito das viagens de Paulo sem mapas. Não pode­
mos ensinar uma criança a colocar o cadarço em um tênis oralmente.

Os recursos audiovisuais estimulam o interesse. O olho hu­


mano é atraído pelo movimento, brilho e cor. Mesmo o sim­
ples ato de ligar um projetor desperta atenção involuntária
na audiência, porque gera movimento, core brilho nafrente
da sala. O comunicador sábio capitalizará este momento
propício ao ensino e transformará a atenção involuntária
em voluntária. Apropriados materiais visuais capturam e
mantêm a atenção.
RECURSOS D ID ÁTICO S : FERRAMENTAS Q U E M OTIVAM E ENSINAM

Os recursos devem ser significativos para os alunos. Suafinali­


dade não é ilustrar uma apresentação oral do professor, e sim
ajudar o aluno a pensar e sentir uma realidade. Sua função
principal é auxiliar o aluno a pensar, possibilitando o desenvol­
vimento de sua imaginação e de sua capacidade de estabelecer
analogias (é aproximar o aluno da realidade e auxiliá-lo a ti­
rar dela o que contribui para sua aprendizagem).2

E preciso ter objetivos claros


Se voce não sabe aonde está indo, é difícil selecionar meios para che­
gar lá ,3 Os objetivos que o professor deseja alcançar devem sempre prece­
der sua ação. Por isso, antes de pensar em realizar qualquer atividade, por
mais interessante que pareça ser, o ideal é estabelecer primeiro um objetivo
e, depois, um caminho para alcançá-lo, o que inclui definir o conteúdo, a
metodologia e os recursos. No planejamento de ensino de uma determina­
da classe, o professor deve perguntar:
• Quem são meus alunos? Você precisa conhecer seus alunos para que
possa atendê-los, contextualizando o ensino de forma que seja rele­
vante para o aluno.
♦ Quais são suas experiências? Seus alunos têm acesso a internet, livros,
viagens, vão a teatros e programas culturais? Essas questões devem ser
levadas em consideração na hora da escolha dos recursos.
♦ Em que região minha igreja está situada? É preciso contextualizar o
ensino usando recursos próprios de sua região.
• Quefatos históricos esses alunos estão vivendo no momento ? Você pode
aproveitar uma olimpíada para falar da disciplina dos atletas, aplican­
do à vida do crente. Utilize jornais e revistas, que são um excelente
recurso.

GANGEL, Kenneth O.; H EN DRICKS, Howard G. M anual de ensino para o educador cristão. 1. ed. Rio de Taneiro-
CPAD, 1999, p. 223.
3 M A G ER, Robert F. A form u lação d e o b jetiv o s de e n sin o. Porto Alegre: G lobo: 1976, p. 5
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

• Como eles aprendem? O ensino chega ao nosso cérebro por meio dos
sentidos. Quanto mais sentidos utilizarmos, mas fácil será o processo
de ensino-aprendizagem.
• O que eles esperam das minhas aulas? Esse é um questionamento que
todo professor deve fazer. Precisamos saber quais são as expectativa de
nossos alunos em relação às aulas.

Vantagens do uso de recursos na educação infantil


As vantagens do uso dos recursos são inúmeras, porém veremos algumas:
• Os recursos estimulam a experiência sensorial do aluno, independen­
temente da faixa etária em que ele esteja. A experiência sensorial é a
base do processo de aprendizagem, pois tudo passa previamente pelos
sentidos antes de chegar ao nosso cérebro.
• Facilitam a aprendizagem e a fixação dos conteúdos trabalhados.
• Os recursos motivam e incentivam os alunos a aprenderem um conteú­
do que a princípio parece ser complexo e difícil.
• Estimulam a imaginação, pois vários sentidos poderão ser utilizados
ao mesmo tempo. Também ajudam os alunos a abstrair alguns concei­
tos mais abstratos como justiça, salvação, vida eterna, santidade, etc.
. Economizam tempo, já que longas explicações são substituídas. “Uma
imagem vale mais que mil palavras.”
• Enriquecem o vocabulário dos alunos. Porém, para que isso aconteça,
você deve fazer perguntas apropriadas sobre o que os alunos viram ou
ouviram.
• Motivam e despertam o interesse.
• Ilustram noções mais abstratas.
• Permitem a fixação da aprendizagem.

Cada aluno tem um modo de aprender


Deus nos criou de forma única. E isso também ocorre no processo
de aprendizagem: não aprendemos todos da mesma forma. Cada pessoa
tem sua própria maneira de assimilar o ensino, cada aluno tem sua forma
RECURSOS D ID ÁTICO S : FERRAMENTAS Q U E M OTIVAM E ENSINAM

própria de aprender. Susan Morris afirma que “algumas pessoas aprendem


ouvindo e partilhando idéias, outras aprendem analisando o que ouviram.
Há aquelas que aprendem testando teorias e, ainda outras que aprendem
sintetizando conteúdo e contexto”.4

Fundamentada nos estilos de aprendizagem da Dra. Bernice McCar-


thy (Sistema 4MAT),5 podemos identificar os alunos de acordo com a se­
guinte classificação:
• Aluno visual - precisa ver e escrever para aprender melhor. Geral­
mente prefere um ambiente silencioso e um professor que apresenta
informações acompanhadas de gráficos, mapas, vídeos, etc.
• Aluno auditivo - precisa ouvir e falar sobre o que está sendo ensina­
do. Gosta de debates, de expor suas ideias.
• Aluno tátil - precisa tocar ou manusear objetos para aprender eficaz­
mente. Gosta de desmanchar os objetos para saber como funcionam.
A pergunta que mais costuma fazer é: Como funciona?
• Aluno cinestésico - precisa movimentar-se e ter participação ativa
na lição. Esses alunos aprendem com mais facilidade quando com­
partilham suas ideias, e gostam de perguntas do tipo “Por quê?” e
“Para quê?”

Atitudes que dificultam o uso de recursos


Determinadas atitudes podem dificultar a utilização de recursos, e por
isso devem ser evitadas pelo professor. Vejamos:
a) Valorização do conteúdo em detrimento do aluno. Alguns professo­
res acabam por valorizar de modo demasiado os recursos, e estes acabam
sendo o “centro” da aula. Esses professores acabam não permitindo que os

4 M O R R IS, Susan apud LE FEV ER , Marlene D. E stilo s de aprendizagem : com o alcançar cada um que Deus lhe
confiou para ensinar. CPAD: Rio de Janeiro, 2005, p. 9.
s LE FEV ER, Marlene D. E stilo s de aprendizagem : como alcançar cada um que Deus lhe confiou para ensinar.
CPAD: Rio de Janeiro, 2005.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

alunos aprendam ou interroguem. O mais importante em uma aula são os


alunos. Eles devem ser o centro da aula, e não os recursos.
b) Não conhecer o público-alvo. Quando não conhecemos nossos
alunos, acabamos por utilizar recursos inadequados. Para cada faixa etária
existe um recurso adequado. Temos que respeitar essa regra.
c) Falta de contextualização. Crianças que moram na região norte do
país que não estão acostumadas a plantões de uvas, ou nunca viram um
pastor ou uma ovelha. Utilize aquilo que é próprio de sua região.
d) Falta de planejamento. Precisamos colocar o material em ordem. Já
no plano de aula precisamos definir o que vamos utilizar.
e) N ão ser você mesmo. As crianças percebem. Não adianta querer re­
presentar. O professor deve ser espontâneo.

Além de prestar atenção a fim de evitar atitudes como as citadas acima,


o professor deve observar alguns critérios na utilização de recursos. Veja os
itens a seguir:
• Alvos e objetivos da lição. Os recursos vão ajudar você a alcançar o seu
alvo. Por isso, é preciso primeiro definir os objetivos.
• Número de alunos. Determinados tipos de recursos pedem uma classe
menor. Por exemplo, como realizar uma dinâmica em uma classe com
duzentos alunos?
• Distribuição do tempo. Se você vai exibir um vídeo, deve estar atenta
ao tempo de duração, pois em média uma aula de Escola Dominical
tem 50 minutos. O recuso não deve “roubar” todo o tempo da aula.
• Equipamento, instalações, localização da sala. Se você for utilizar data
show, precisa verificar se sua classe tem tomada, se a claridade vai atra­
palhar a visão dos alunos, etc.

É bom ressaltar que o preparo de uma boa aula não depende só dos
recursos. Em geral, uma “boa aula” é sempre atribuída à qualidade do tra­
balho do professor, tendo por pressuposto que ele, por si só, pode e deve
RECURSOS D ID ÁTICO S : FERRAMENTAS Q U E M OTIVAM E ENSINAM

realizar uma boa aula. Em parte, é verdade que a boa aula depende do em­
penho e do preparo do professor, mas não apenas dele. Então vejamos o
que contribui para o desenvolvimento de uma aula de qualidade:
• A clareza do professor nas ideias a serem trabalhadas. E preciso domi­
nar o conteúdo de ensino.
• A organização e exposição das ideias de maneira adequada, o que de­
termina a afetividade da comunicação entre professor e alunos e facili­
ta a compreensão por partes destes últimos.
• Propostas de situações de aprendizagem estimulantes e agradáveis, o
que propicia a participação e o compromisso de todo o grupo de alu­
nos, além de evitar tensões e ansiedades.

Precisamos nos preparar para planejar uma aula e escolhermos o modo


mais eficaz de torná-la compreensível a todos os alunos. Então, cabe a você,
professor, ter claro que há diferentes recursos didáticos e procedimentos de
ensino, e que você deve escolher quais os mais adequados para cada mo­
mento e usá-lo em suas aulas. Não se esqueça de envolver todos os alunos
no processo de ensino-aprendizagem, evitando que suas aulas se tornem
uma atividade rotineira, uma mesmice.
O ENSINO NA PRIMEIRA INFÂNCIA

E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem


fazer-te sábio para a salvação, pela f é que há em Cristo Jesus.
- 2 Timóteo 3.15

os últimos anos, a educação infantil vem ganhando des-


taque no cenário educacional brasileiro. A igreja do Senhor também
vem demonstrando um interesse maior na educação da criança na
primeira infância, contribuindo para que a ordenança do Senhor,
a Grande Comissão, seja cumprida (Mt 28.19,20). Todavia, ainda
existe uma longa caminhada a trilhar, pois muitas igrejas, embora
tenham classes voltadas para as crianças de 0 a 6 anos, não atendem
às necessidades dessa faixa etária. Houve um avanço, mas precisa­
mos investir mais em educação infantil, em especial nas crianças do
pré-escolar. Um dos fatores que impedem investimentos e esforços
nessa área é a crença, infundada e equivocada, de que nascer em um
lar evangélico e freqüentar a Escola Dominical é o suficiente para
uma criança receber a salvação em Jesus Cristo. Jamais podemos
nos esquecer de que o evangelismo e o ensino na infância é uma or­
denança divina para a igreja do Senhor (Mc 16.15; Mt 28.19,20). As
crianças também são “criaturas”, por isso não foram excluídas desse
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

família. Neste capítulo vamos refletir a respeito do papel da família e da


igreja na educação cristã. É possível igreja e Escola Dominical, embora ten­
do propósitos diferentes, trabalharem unidas no processo de ensino-apren-
dizagem? A Escola Dominical pode ajudar a família?

A Escola Dominical contribuindo para edificarfamttiasfuncionais


A família faz parte do plano de Deus para o homem. Ele mesmo a criou
e continua considerando-a como o esteio na formação integral do ser huma­
no. Na atualidade, temos visto a disfunção familiar destruindo muitos lares, até
mesmo dos cristãos. Temos visto maridos que não amam mais suas esposas.
Mulheres que não respeitam mais seus maridos. Filhos que não respeitam mais
os pais. Pais que não respeitam e não cuidam dos seus filhos. O caos tem se ins­
talado em muitos lares. Não podemos cruzar os braços e assistir passivamente
ao sofrimento e à desestruturação familiar. A disfunção familiar é perigosa e traz
conseqüências nefastas para a igreja e para a sociedade como um todo.
A disfunção familiar tem feito aumentar os casos de violência contra a
criança. Segundo pesquisas do Conselho Tutelar, na sua grande maioria o
agressor faz parte da família (são pais, tios, padrastos, madrastas, avós, etc.).
O governo precisou criar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para
proteger e garantir o bem-estar da criança brasileira. Esse cuidado deveria ser
responsabilidade dos pais. Mas infelizmente o abuso e o desrespeito contra a
criança e o adolescente continuam. São milhares os casos de violência física
e psicológica contra as crianças cometida por aqueles que deveriam cuidar
delas e protegê-las. Toda essa violência é resultado da maldade do coração do
homem, pois o homem sem Deus é capaz de cometer as piores atrocidades.
Sabemos que pessoas que foram feridas tendem a ferir os outros. Adul­
tos que sofreram abuso e violência física ou psicológica quando crianças
tendem a se tornar adultos também violentos. É instalado o que chamamos
de ciclo da violência. Somente o evangelho tem o poder de transformar es­
sas pessoas e quebrar esse ciclo maligno de dor e sofrimento. Sabemos que
o Diabo veio para matar, roubar e destruir. Mas Jesus veio para nos dar vida
ESCOLA D O M IN IC A L E FAMÍLIA: U M A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

abundante e derrotar Satanás. “O ladrão não vem senão a roubar, a matar


e a destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância”
(jo 10.10). O Diabo tem dado conta da sua missão. E nós, como igreja do
Senhor, temos cumprido com a nossa missão?
A disfunção familiar é prejudicial para a saúde física, mental e emo­
cional de homens, mulheres e crianças. Quantos casais feridos e doentes.
Mulheres maltratadas, feridas no físico e no emocional, e que acabam des­
contando toda a sua dor e sofrimento nos filhos. Crianças que, se não forem
tratadas, vão carregar traumas por toda a sua vida. A violência nos lares não
é somente física, mas psicológica, pois algumas palavras ferem tanto quanto
uma arma. Não podemos fingir que tudo está bem, mas precisamos ajudar
aqueles que estão enfrentando a disfunção em seus lares. Precisamos aju­
dar com nossas orações, ensinando a Palavra de Deus e quem sabe levando
aqueles que precisam de um tratamento específico até um especialista.
Muitos que estão atualmente nas penitenciárias ou nas casas de corre­
ção para menores infratores vieram de famílias disfuncionais. A família é a
base da sociedade, se alguma coisa vai mal, todos sofrem. Por isso, a Palavra
de Deus nos alerta para o fato de que nenhum reino (instituição) ou casa
dividido poderá subsistir (Mt 12.25)

“Fórmula”para uma família funcional


Na verdade, não existe família perfeita. Família perfeita é um mito; só
existe em comercial de margarina. Todavia, segundo Ed Young, em sua obra
Os 10 Mandamentos da Criação dos Filhos,' a fórmula real para uma família
feliz é a seguinte: “C + PB - P = FF. Isto é, Cristo (C) mais princípios bíblicos
(PB) menos o pecado (P) produz uma família funcional (FF)”. Podemos afir­
mar que essa é a fórmula da Escola Dominical. Primeiro, a Escola Dominical
tem a função evangelizadora. Ela deve proclamar aJesus Cristo, pois somente
o Salvador tem o poder de transformar vidas, mediante a ação do Espírito

'Y O U N G , Ed. O s 10 m andam entos da criação dos â lh o s: o que fazer e o que nao fazer para criar ótimos filhos. 1. ed.
Rio de Janeiro, CPAD, 2007, p. 22.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Santo. Um homem ou mulher que tem a Jesus em seu coração, dificilmen­


te fere o seu próximo, trai, mente, mata, falta com o respeito. Temos visto
atualmente que muitos se tornam membros de uma igreja, mas nunca tive­
ram uma real experiência com Jesus Cristo; jamais experimentaram o novo
nascimento. Na Escola Dominical anunciamos a Cristo e a transformação de
vida que Ele nos oferece. Evangelho é transformação radical de vida. E uma
transformação que vem de dentro para fora. Ninguém verá o Senhor e será
salvo somente por freqüentar uma igreja ou fazer parte de uma Escola Do­
minical. A salvação é pela fé em Jesus Cristo. Na Escola Dominical, também
trabalhamos com princípios bíblicos, que são imutáveis e inegociáveis. Esses
princípios ajudam os membros da família, independentemente da idade, a ter
uma vida santa, sem pecado. Quando os membros de uma família entregam
suas vidas a Jesus Cristo e procuram cumprir os princípios bíblicos, vivendo
uma vida de santidade, esta é uma família feliz. Não significa que essa família
não enfrentará problemas, mas ela será bem-sucedida nos relacionamentos.
Deus tem princípios elevados para as famílias, e esses princípios de­
vem ser ensinados na Escola Dominical. A Palavra de Deus tem o poder de
curar, de transformar, pois ela alcança os compartimentos mais secretos da
nossa alma e do nosso espírito (Hb 4.12). A Palavra de Deus nos desnuda,
mostrando as nossas misérias, nossos ressentimentos e dores, por isso o
Diabo faz de tudo para que as pessoas não participem da Escola Dominical
e assim não sejam abençoadas. Paulo, escrevendo aos Efésios (Ef 5.22-33;
6.1-4), nos mostra qual é o padrão de Deus para a família. Já sabemos que
não existe família perfeita, mas se seguirmos esse padrão evitaremos muitos
problemas e não daremos chance para que a disfunção familiar se instale
em nossa família. Paulo nos mostra quais devem ser os deveres dos mari­
dos, esposas e filhos, mostrando que a família deve viver unida.

♦ “Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor” (v. 22).


A princípio esta parece uma recomendação fácil, mas não é. As mu­
lheres, em geral, em virtude de sua natureza, têm certa dificuldade
ESCOLA D O M IN IC A L E FAMÍLIA: UM A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

em ser submissa, por isso a ordenança bíblica. Ser submissa não sig­
nifica que a mulher é inferior ao marido. Submissão também não é
escravidão, mas é estar em conformidade com a missão do marido.
Qual a missão do marido? Ser o sacerdote do lar. Então estar em con­
formidade com ele significa auxiliar o seu sacerdócio. A Bíblia é bem
clara ao mostrar que existe uma hierarquia determinada por Deus
dentro do lar. Muitos casamentos estão indo por água abaixo porque
as mulheres não querem mais ser submissas, achando que submissão
é coisa do passado. Em 1 Coríntios 11.3, Paulo escreveu: “Quero,
porém, que entendam que o cabeça de todo homem é Cristo, e o
cabeça da mulher é o homem, e o cabeça de Cristo é Deus” (NVI).
Submissão é uma ordenança para todos os tempos. Sem submissão
não há família que subsista. Não importa de quanto seja sua renda
mensal ou se seu grau de instrução é superior ao do marido, a mulher
deve ser submissa ao esposo. Quando uma mulher não respeita o
esposo, dificilmente seus filhos vão respeitá-lo. E mais tarde não vão
respeitá-la também.

♦ “Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja"
(v. 25). Os maridos não estão isentos de responsabilidades. Para os
homens, que são mais racionais, amar não é uma tarefa muito fácil. O
amor deve ser cultivado, pois ele é como uma plantinha que precisa
ser regada diariamente. Essa rega vem com as pequenas ações do dia a
dia: dizer obrigado, pedir perdão, por favor, fazer um mimo no final do
dia, etc. são ações que fortalecem o amor. O padrão do amor para os
homens deve ser como o de Cristo pela sua igreja, um amor altruísta,
abnegado. Amar uma mulher bonita, gentil, que cuida bem da casa e
dos filhos é relativamente fácil, porém é preciso amar mesmo quando
não se é correspondido, quando a mulher fica gordinha e já não se en­
quadra mais nos padrões de beleza da nossa sociedade. Mesmo que a
esposa esteja agindo como a mulher de Jó (Jó 2.9), é preciso amá-la.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

No versículo 33, temos um resumo do relacionamento familiar ideal. Ma­


rido amando a esposa com a mesma intensidade com que ama a si próprio. A
esposa respeitando o marido da mesma forma que gostaria de ser respeitada.

♦ “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais" (6 .l). Os filhos devem obe­
decer aos pais, pois esta é uma atitude justa. A obediência traz muitas
conseqüências boas, como prosperidade e longevidade. E o primeiro
mandamento com promessa (Êx 20.4-6). A obediência é demonstra­
ção de sabedoria. Os pais devem estabelecer a disciplina no lar a fim
de que as crianças aprendam o caminho da obediência. Disciplinar é
diferente de castigar. A disciplina deve ser feita com amor.

Os filhos devem ser ensinados a obedecer, e os pais devem respeitar os


filhos (v. 4). Um pai que ama corrige seu filho. Mas, infelizmente, muitos
pais acabam exagerando na regras e deixando os filhos desanimados. Deve
haver equilíbrio. As regras e a disciplina devem ser acompanhadas de amor,
pois este tudo suporta e tudo espera. O equilibro está no amor.
O propósito de Deus ao criar a família é que todos vivam em unidade,
sejam prósperos e felizes. Porém, com a Queda do homem a disfunção al­
cançou a família fazendo-a enfermar.
Embora não exista família perfeita, é possível se estabelecer uma famí­
lia funcional. Basta que venhamos cumprir os princípios bíblicos que Deus
estabeleceu para nós. A estrutura familiar muda. Já tivemos a período da
família patriarcal, monogâmica, etc., contudo, os princípios de Deus para a
família são imutáveis e inegociáveis.

A disfunção familiar na casa de Davi


Davi era um homem segundo o coração de Deus, mas isso não evitou
que a disfunção entrasse em sua família. Quando era jovem, ele matou um
gigante. Sua história de vida é de um homem bem-sucedido. Começou a
carreira como pastor e terminou como rei. Fez com que a nação de Israel
se tornasse um poderoso reinado que controlava a maior parte do Oriente
ESCOLA D O M IN IC A L E FAMÍLIA: UM A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

Médio. Ele era um homem segundo o coração de Deus (At 13.22), mas isso
não significa que não tivesse falhas. Como seres humanos, erramos, porém
precisamos reconhecer nossos erros, buscar o perdão de Deus, pedir per­
dão e tentar reparar as falhas. A família desse homem segundo o coração de
Deus passou por situações terríveis de conflitos. Satanás fez tudo para des­
truir a família da qual sairia o Messias. O Inimigo também vai fazer de tudo
para que os planos de Deus não se realizem em sua família. Davi teve muitas
esposas (2 Sm 3.1-5) e filhos. Um de seus filhos chamava-se Absalão. Este
era um jovem bonito, mas rebelde. Ele deu muito trabalho aos seus pais.
Matou um irmão (2 Sm 13.23-36), tentou tomar o lugar do pai no trono,
que fugiu para não ter que matar o próprio filho (2 Sm 15). As maldades
de Absalão não param por aí. Ele envergonhou o pai (2 Sm 19.5). Mas Davi
amava seu filho e pediu que ele fosse poupado (2 Sm 18.5).
A disfunção familiar na família de Davi colocou em risco todo o seu
reino. Como já dissemos, ela é perigosa para toda a sociedade, não so­
mente para a família envolvida. Os problemas e conflitos foram muitos
na família de Davi. A Bíblia diz que Amnon, primogênito de Davi, meio
irmão de Tamar, a forçou cometendo um incesto (2 Sm 13.1-22). Davi
ficou irado ao tomar conhecimento dessa tragédia (2 Sm 13.21). Porém,
parece que não repreendeu ou corrigiu o jovem. Se fossemos relatar tudo
que aconteceu de ruim na família de Davi faltaria espaço. Porém Davi
nunca abriu mão de sua família. Creio que ele lutou por ela, assim como
lutou em favor do seu país.
Como é sua família? Talvez você também tenha sérios problemas,
como Davi. Mas não abra mão de seu esposo, esposa ou filhos. Continue
lutando por eles, não desista! Davi não deixou que seus problemas o afas­
tassem da presença do Senhor. Certamente derramou muitas lágrimas,
porém seus lábios não se calaram. Davi adorava a Deus, amava estar na
casa do Senhor e com certeza intercedia pelos seus (SI 122.1). Não deixe
que os problemas enfrentados em sua família o afastem da presença de
Deus e da Escola Dominical. Lembre-se de que não existe família per­
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

feita, porém se Jesus estiver em nossos corações e procurarmos viver os


princípios de Deus estabelecidos em sua Palavra, conseguiremos vencer
os obstáculos e teremos uma família funcional, feliz.

A responsabilidade dos pais na educação cristã


É no lar que a criança deve aprender suas primeiras lições a respeito da
Palavra de Deus. Tudo ficaria mais fácil para os professores da Escola Do­
minical se os alunos fossem orientados pelos pais em casa. Todavia, muitos
pais transferem a responsabilidade de educar para os professores. Alguns
pais estão terceirizando sua responsabilidade. Delegam a responsabilidade
de educar à igreja, à escola, à babá, aos avôs, e esquecem-se de que é função
dos pais instruir as crianças no caminho em que devem andar. Quem nos
adverte quanto a isso é a Palavra de Deus (Pv 22.6; Dt 6.6-9).
Encontramos no livro de Deuteronômio a importância e a necessidade
de os pais ensinarem as crianças. Observe as referências:

Tão-somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma,


que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto,
e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as
farás saber a teusfilhos e aosfilhos de teusfilhos. (Dt 4.9)

E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração;


e as intimarás a teusfilhos e delas falarás assentado em tua
casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-
te. (Dt 6.6,7)

Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até


quando envelhecer, não se desviará dele. (Pv 22.6)

"Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração


futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as
maravilhas que fez. Porque ele estabeleceu um testemunho
em Jacó, e pôs uma lei em Israel, e ordenou aos nossos pais
que afizessem conhecer a seus filhos. (Sl 78.4,S)
ESCO LA D O M IN IC A L E FAMÍLIA: UM A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

O pai não deve ser apenas o provedor do lar, mas deve ser o sacerdote.
Deve proteger sua casa espiritualmente (Êx 12.3,7,13). O psiquiatra Içami
Tiba escreveu: “A herança genética está nos cromossomos. Mas desde o
nascimento a criança absorve o modo de viver, o como somos, da família”.2
Os pais devem ser exemplo, por isso o Senhor ordenou “guarda-te a ti mes­
mo”. A primeira forma de aprendizagem que as crianças experimentam é
pela imitação. Não adianta repetir a Palavra a todo o momento para o seu fi­
lho se você não a pratica. Também não adianta levá-lo à Escola Dominical e
já na volta para casa não cumprir com a Palavra ali ensinada. Os pais devem
ser modelos para os filhos. Quero citar cinco tipos de pais que são exemplo
negativo para seus filhos e que acabam gerando uma série de reações nega­
tivas, comprometendo a saúde espiritual, física e emocional das crianças:
1. Pais opressivos - Estes não respeitam os filhos, são autoritários,
não abrem espaço para o diálogo. Os filhos não são propriedade dos pais.
Lembre-se: “Os filhos são herança do Senhor”. Como você tem tratado a
sua herança? Não confunda autoridade espiritual com autoritarismo. O au­
toritarismo é quando a pessoa excede, extrapola a autoridade que lhe foi
conferida.
2. Pais superprotetores - A proteção, o zelo em excesso, muitas vezes
impede o amadurecimento e o crescimento mental e emocional. Pais que su­
focam os filhos, não dando espaço para a autonomia, para novas descobertas.
Estes acabam criado filhos dependentes, que não têm iniciativa própria.
3. Pais omissos - Esses pais não tomam parte na vida dos filhos. Ge­
ralmente os filhos ficam largados diante da televisão ou passam horas dian­
te do computador “jogados” na rede (internet), sem ter a presença dos pais
por perto. Na Bíblia, temos o exemplo trágico de Eli. Esse sacerdote sabia
das atitudes erradas de seus filhos, mas não os disciplinou. Deus trouxe
juízo sobre o sacerdote e seus filhos. A disfunção familiar na casa de Eli
prejudicou toda a nação de Israel. Não seja omisso, participe da vida do

2 TIB A , Içami. Quem Ama, Educa: Formando Cidadãos Éticos. 1. ed. São Paulo: Editora Integrare, 2007.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

seu filho. Você conhece bem seu filho? Conhece seus gostos e preferências?
Conhece os amigos dele? Quando os pais não disciplinam os filhos, estão
sendo omissos, pois a falta de limites é também omissão. Todos nós preci­
samos de disciplina. Quando os filhos não têm parâmetros a seguir, ficam
perdidos e inseguros. Provérbios 29.17 declara: Discipline seu filho, e este
lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma” (NVI). Você estabelece limites
para seus filhos? Determina horários para acessar a internet ou jogar video-
game? Em sua casa existe uma rotina a ser seguida?
Durante muito tempo, os filósofos discutiram se o homem nascia com
a índole boa e depois se tornava má, ou se ele já nascia mau. Hoje, isso já
não é mais discutido. Os psicólogos chegaram à conclusão de algo que já
estava explícito na Palavra de Deus — o indivíduo precisa ser instruído,
necessita de disciplina para ser uma pessoa de bem desde que nasce. Quem
ama não tem medo de disciplinar.
4. Pais que priorizam somente a igreja - Devemos fazer a obra
do Senhor e servi-lo, porém temos que ter equilíbrio. Muitos pais, em­
bora sejam crentes fervorosos e fiéis, estão deixando os filhos de lado.
Pais que nunca saíram com seus filhos para tomar um sorvete ou fazer
um passeio. Pais que não conversam ou brincam com as crianças, pois
estão na igreja de segunda a segunda. De que adianta realizar a obra de
Deus e deixar a sua “herança” de lado? Faça a obra do Senhor, mas não
descuide de sua família.
5. Pais “colegas” - Não há nada de mal em ser amigo — bom seria
se os pais fossem os melhores amigos dos filhos. Mas o problema é que
alguns se tornam na verdade “colegas”. Existe diferença entre amizade e
coleguismo (basta dar uma olhada no dicionário). As crianças não que­
rem ter em casa um “colega”, elas querem um pai e uma mãe. Pessoas que
disciplinem, que saibam dizer “não” na hora certa, que cobram o dever de
casa, que estabeleçam um rotina, que não os deixem comer guloseimas
fora de hora, que os mandem tomar banho, escovar os dentes e por aí vai.
É preciso ser pai!
ESCOLA D O M IN IC A L E FAMÍLIA: U M A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

As responsabilidades da igreja por meio da Escola Dominical


O que compete à igreja, mais precisamente à Escola Dominical, e o que
compete às famílias? As duas devem trabalhar em unidade. A igreja deve:
• Dar oportunidade para que pessoas vocacionadas lecionem na Escola Do­
minical. Cada um tem um lugar, uma função no Corpo de Cristo (Ef 4.11;
Rm 12.4). Nem todos foram vocacionados pelo Senhor para o ensino.
• A igreja, por intermédio da Escola Dominical, deve promover recur­
sos para que os professores, os vocacionados, possam se aperfeiçoar,
pois o objetivo do nosso trabalho é o “aperfeiçoamento dos santos”
(Ef 4.12,13; Rm 12.7). Professores despreparados não cumprem sua
função e não podem ajudar as famílias. Ninguém sabe de forma abso­
luta. O saber do homem será sempre relativo, temos sempre alvo novo
a aprender. Não podemos parar.
• Trabalhar em prol da unidade (Rm 12.16a). Uma Escola Dominical
dividida não pode atender as famílias e cumprir com a sua missão en­
quanto agência do Reino de Deus.
• A igreja precisa investir no ensino a fim de que possa combater os fal­
sos ensinos que tanto prejudicam as famílias (Ef 4.14,15).
• Combater o “inchaço”, isto é, as pseudoconversões (Jo 3.3). Não que­
remos pessoas “convencidas”, mas convertidas a Jesus Cristo.

Como melhorar a relação entre asfamttias e a Escola Dominical


Gosto muito de uma frase de John Maxwell que diz: “Nada muito
significativo foi alcançado por um indivíduo que tenha agido sozinho”.
Precisamos nos unir. A discussão deve avançar na procura das melhores
oportunidades de promover um encontro positivo entre pais e professo­
res. Para que isso aconteça, algumas questões precisam ser observadas:
Vejamos:
• Perceba a construção da família de seus alunos e não critique se não
seguem o modelo ideal (bíblico). Quantos chegam à igreja já divorcia­
dos? Quantas crianças são criadas pelos avôs ou tios?
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

• Tenha claro que é direito dos responsáveis opinarem e fazerem suges­


tões a respeito do ensino na Escola Dominical.
• Faça reuniões de pais a cada trimestre, porém não reúna os pais somente
para arrecadar dinheiro ou fazer queixa dos alunos. Muitos professores
só se aproximam dos pais na hora de organizar alguma festa ou congres­
so. Nunca use a reunião para falar mal dos alunos. Caso tenha alguma
queixa, converse com os pais em particular e com muita sabedoria.
• Não se esqueça de que a Escola Dominical precisa das famílias, e não
o inverso.

Algumas ideias que podem ajudar a integrar asfamílias na Escola


Dominical
Vejamos algumas sugestões que podem aproximar mais as famílias da
Escola Dominical:
• Os professores podem ser orientados e incentivados a fazer visitas periódicas
aos lares. A visita deve ser agendada e não pode se estender muito. Assim
você terá a chance de conhecer melhor as famílias fora da igreja, além de
ter a oportunidade de orar em favor dos pais e filhos.
• Os professores podem confeccionar livretos para os pais. Faça um livreto
informando os objetivos do trimestre, o crescimento dos alunos e as
atividades que foram ou serão desenvolvidas.
• Envie cartas ou e-mails. Quem não gosta de receber um elogio, um incenti­
vo e estar informado a respeito do que os filhos estão aprendendo?
• Anuário da classe. Faça um relatório a respeito de todas as atividades
desenvolvidas e todos os temas estudos durante o ano.
• Participação dos pais em uma aula. Marque um dia especial onde os
pais possam assistir a uma aula. Arrume a sala de modo que pai e filho
se sentem juntos. Mostre o quanto os pais são bem-vindos e o quanto a
participação deles é importante para o crescimento do aluno. Os filhos
precisam estar conscientes de que a família os apoia.
• Faça um café da manhã com asfamílias. É um bom momento de confra­
ternização e união das famílias, além de proporcionar o fortalecimento
ESCOLA D O M IN IC A L E FAMÍLIA: UM A PARCERIA BEM -SUCEDIDA

dos laços de amizades. É uma forma de começar bem o dia. Muitas


vezes com a correia do dia a dia acabamos que não nos reunimos ao
redor da mesa para o café da manhã.
• Retiro com a família. É uma oportunidade de lazer onde os laços de
amizade entre pais e filhos podem ser fortalecidos.
• Blog da família. Esta é uma oportunidade de as famílias se conhecerem
e se informarem sobre temas atuais. Vamos utilizar os recursos da in­
formação a nosso favor. Fotos, recados, estudos bíblicos, sugestões de
livros podem fazer parte do blog.
• Acampamentos de férias com atividades para todos os membros da fam í­
lia. Quantos por falta de recursos financeiros não têm a oportunidade
de viajar ou fazer alguma atividade em família? A Escola Dominical
estaria com o apoio da igreja propiciando essa oportunidade ímpar.
• "Acampadentro" — um acampamento dentro da própria igreja com
várias atividades para a família.
• Noite do vídeo. Um vídeo evangélico que possa ser visto por toda a
família. Depois de assistirem ao filme, elabore uma questão, basea­
da no filme, para que seja discutida em família. Peça que as famílias
se reúnam e que cada uma possa ter um tempo para expor seus
comentários.
• Convidados especiais. Você pode convidar um psicólogo para conversar
com os pais ou uma assistente social para conversar a respeito da vio­
lência doméstica.
• Jornal das famílias que participam da Escola Dominical. Todos poderão
ver o quanto as famílias que participam da Escola Dominical são aben­
çoadas. Este também seria um veículo para evangelizar os não crentes.

O caminho para uma formação cristã segundo os padrões bíblicos é a


educação, em casa e na Escola Dominical. Que possamos trabalhar unidos
a fim de que nossas famílias sejam funcionais e possam glorificar o nome do
Senhor com seu testemunho.
RECURSOS DIDÁTICOS: FERRAMENTAS
QUE MOTIVAM E ENSINAM

Ser didático é, antes de tudo, ser simples, acessível, claro.


- Rafael Grissi

^ V _ ^ sta m o s na era da informação, da comunicação, e podemos


afirmar que esta é a geração “multimídia. Estamos diante de uma gera­
ção que está a todo momento em contato com a mídia. Todavia, quan­
do esses alunos chegam à Escola Dominical, o que eles encontram? O
que os professores têm oferecido a essa nova geração de alunos?
Os servos de Deus que ensinam na Escola Dominical não podem
deixar de compreender as diferentes linguagens que cercam nossos alu­
nos na atualidade, por isso precisam conhecer a linguagem dos livros,
revistas, jornais, televisão, internet, etc.

Definição de recursos didáticos


Existem várias definições de recursos didáticos. De acordo com o
pastor e educador Marcos Tuler, “os recursos são meios físicos utiliza­
dos com o fim de apresentar estímulos ao educando”.1

1 T U L E R , Marcos. R ecursos didáticos para a escola d om inical. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

O homem sempre fez uso dos recursos visuais para se comunicar. Prova
disso são os hieróglifos nas cavernas. É importante ressaltar que Deus, o maior
Educador (comunicador) de todos os tempos, fez uso de recursos para ensinar
o homem. Se Deus fez uso de recursos, porque nós, seres mortais, não faríamos?
Deus se utilizou de recursos para ensinar grandes verdades espirituais ao seu
povo. Alguns desses recursos são hoje utilizados pela publicidade. Vejamos:
• Habacuque 2.2 - “Escreva em tábuas a visão que você vai ter, escreva
com clareza o que vou lhe mostrar, para que possa ser lido com facili­
dade” (NTLH).
• Êxodo 2 5 . 9 - 0 Tabernáculo. Deus deseja ensinar ao seu povo que Je ­
sus, o Cordeiro de Deus, o Sacerdote dos sacerdotes, viria a este mun­
do oferecendo-se em sacrifício perfeito por nós.
. Isaías 8.1 - “O Senhor Deus me disse: — Pegue uma tabuleta grande
e escreva nela, em letras bem grandes, o seguinte...” (NTLH).
. Ezequiel 4.1-3 - “Tu, pois, ó filho do homem, toma um tijolo, e po-lo-
ás diante de ti, e grava nele a cidade de Jerusalém”.
• Jesus em seu ministério usou vários exemplos visuais: lírio do campo,
videira, pastor, ovelha, etc.

Os recursos podem fazer muito em favor de nossos alunos. Determi­


nados conteúdos não podem ser ensinados sem a utilização de recursos.
Não dá para ensinar a respeito das viagens de Paulo sem mapas. Não pode­
mos ensinar uma criança a colocar o cadarço em um tênis oralmente.

Os recursos audiovisuais estimulam o interesse. 0 olho hu­


mano é atraído pelo movimento, brilho e cor. Mesmo o sim­
ples ato de ligar um projetor desperta atenção involuntária
na audiência, porque gera movimento, cor e brilho na frente
da sala. O comunicador sábio capitalizará este momento
propício ao ensino e transformará a atenção involuntária
em voluntária. Apropriados materiais visuais capturam e
mantêm a atenção.
RECURSOS D ID ÁTICO S: FERRAMENTAS Q U E M OTIVAM E ENSINAM

Os recursos devem ser significativos para os alunos. Suafinali­


dade não é ilustrar uma apresentação oral do professor; e sim
ajudar o aluno a pensar e sentir uma realidade. Sua função
principal é auxiliar o aluno a pensar, possibilitando o desenvol­
vimento de sua imaginação e de sua capacidade de estabelecer
analogias (é aproximar o aluno da realidade e auxiliá-lo a ti­
rar dela o que contribui para sua aprendizagem).2

É preciso ter objetivos claros


Se você não sabe aonde está indo, é difícil selecionar meios para che­
gar lá .3 Os objetivos que o professor deseja alcançar devem sempre prece­
der sua ação. Por isso, antes de pensar em realizar qualquer atividade, por
mais interessante que pareça ser, o ideal é estabelecer primeiro um objetivo
e, depois, um caminho para alcançá-lo, o que inclui definir o conteúdo, a
metodologia e os recursos. No planejamento de ensino de uma determina­
da classe, o professor deve perguntar:
♦ Quem são meus alunos? Você precisa conhecer seus alunos para que
possa atendê-los, contextualizando o ensino de forma que seja rele­
vante para o aluno.
♦ Quais são suas experiências? Seus alunos têm acesso a internet, livros,
viagens, vão a teatros e programas culturais? Essas questões devem ser
levadas em consideração na hora da escolha dos recursos.
♦ Em que região minha igreja está situada? É preciso contextualizar o
ensino usando recursos próprios de sua região.
♦ Quefatos históricos esses alunos estão vivendo no momento ?Você pode
aproveitar uma olimpíada para falar da disciplina dos atletas, aplican­
do à vida do crente. Utilize jornais e revistas, que são um excelente
recurso.

GANGEL, Kenneth O.; H EN DRICKS, Howard G. M anual de ensino para o educador cristão. 1 ed Rio de Janeiro-
CPAD, 1999, p. 223.
3 M A G ER, Robert F. A form u lação de o b jetiv o s d e ensin o. Porto Alegre: G lobo: 1976, p. 5
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

• Como eles aprendem? O ensino chega ao nosso cérebro por meio dos
sentidos. Quanto mais sentidos utilizarmos, mas fácil será o processo
de ensino-aprendizagem.
• O que eles esperam das minhas aulas ? Esse é um questionamento que
todo professor deve fazer. Precisamos saber quais são as expectativa de
nossos alunos em relação às aulas.

Vantagens do uso de recursos na educação infantil


As vantagens do uso dos recursos são inúmeras, porém veremos algumas:
• Os recursos estimulam a experiência sensorial do aluno, independen­
temente da faixa etária em que ele esteja. A experiência sensorial é a
base do processo de aprendizagem, pois tudo passa previamente pelos
sentidos antes de chegar ao nosso cérebro.
• Facilitam a aprendizagem e a fixação dos conteúdos trabalhados.
• Os recursos motivam e incentivam os alunos a aprenderem um conteú­
do que a princípio parece ser complexo e difícil.
• Estimulam a imaginação, pois vários sentidos poderão ser utilizados
ao mesmo tempo. Também ajudam os alunos a abstrair alguns concei­
tos mais abstratos como justiça, salvação, vida eterna, santidade, etc.
• Economizam tempo, já que longas explicações são substituídas. Uma
imagem vale mais que mil palavras.”
• Enriquecem o vocabulário dos alunos. Porém, para que isso aconteça,
você deve fazer perguntas apropriadas sobre o que os alunos viram ou
ouviram.
• Motivam e despertam o interesse.
• Ilustram noções mais abstratas.
• Permitem a fixação da aprendizagem.

Cada aluno tem um modo de aprender


Deus nos criou de forma única. E isso também ocorre no processo
de aprendizagem: não aprendemos todos da mesma forma. Cada pessoa
tem sua própria maneira de assimilar o ensino, cada aluno tem sua forma
RECURSOS D ID ÁTICO S: FERRAMENTAS Q U E M OTIVAM E ENSINAM

própria de aprender. Susan Morris afirma que “algumas pessoas aprendem


ouvindo e partilhando idéias, outras aprendem analisando o que ouviram.
Há aquelas que aprendem testando teorias e, ainda outras que aprendem
sintetizando conteúdo e contexto”.4

Fundamentada nos estilos de aprendizagem da Dra. Bernice McCar-


thy (Sistema 4MA.T),5 podemos identificar os alunos de acordo com a se­
guinte classificação:
• Aluno visual - precisa ver e escrever para aprender melhor. Geral­
mente prefere um ambiente silencioso e um professor que apresenta
informações acompanhadas de gráficos, mapas, vídeos, etc.
• Aluno auditivo - precisa ouvir e falar sobre o que está sendo ensina­
do. Gosta de debates, de expor suas ideias.
• Aluno tátil - precisa tocar ou manusear objetos para aprender eficaz­
mente. Gosta de desmanchar os objetos para saber como funcionam.
A pergunta que mais costuma fazer é: Como funciona?
• Aluno cinestésico - precisa movimentar-se e ter participação ativa
na lição. Esses alunos aprendem com mais facilidade quando com­
partilham suas ideias, e gostam de perguntas do tipo “Por quê?” e
“Para quê?”

Atitudes que dificultam o uso de recursos


Determinadas atitudes podem dificultar a utilização de recursos, e por
isso devem ser evitadas pelo professor. Vejamos:
a) Valorização do conteúdo em detrimento do aluno. Alguns professo­
res acabam por valorizar de modo demasiado os recursos, e estes acabam
sendo o “centro” da aula. Esses professores acabam não permitindo que os

4 M O RRIS, Susan apud LE FEV ER , Marlene D. E stilos de aprendizagem : como alcançar cada um que Deus lhe
confiou para ensinar. CPAD: R io de Janeiro, 2005, p. 9.
5 LE FEV ER , Marlene D. E stilos de aprendizagem : como alcançar cada um que Deus lhe confiou para ensinar.
CPAD: Rio de Janeiro, 2005.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

alunos aprendam ou interroguem. O mais importante em uma aula são os


alunos. Eles devem ser o centro da aula, e não os recursos.
b) Não conhecer o público-alvo. Quando não conhecemos nossos
alunos, acabamos por utilizar recursos inadequados. Para cada faixa etária
existe um recurso adequado. Temos que respeitar essa regra.
c) Falta de contextualização. Crianças que moram na região norte do
país que não estão acostumadas a plantões de uvas, ou nunca viram um
pastor ou uma ovelha. Utilize aquilo que é próprio de sua região.
d) Falta de planejamento. Precisamos colocar o material em ordem. Já
no plano de aula precisamos definir o que vamos utilizar.
e) Não ser você mesmo. As crianças percebem. Não adianta querer re­
presentar. O professor deve ser espontâneo.

Além de prestar atenção a fim de evitar atitudes como as citadas acima,


o professor deve observar alguns critérios na utilização de recursos. Veja os
itens a seguir:
• Alvos e objetivos da lição. Os recursos vão ajudar você a alcançar o seu
alvo. Por isso, é preciso primeiro definir os objetivos.
. Número de alunos. Determinados tipos de recursos pedem uma classe
menor. Por exemplo, como realizar uma dinâmica em uma classe com
duzentos alunos?
• Distribuição do tempo. Se você vai exibir um vídeo, deve estar atenta
ao tempo de duração, pois em média uma aula de Escola Dominical
tem 50 minutos. O recuso não deve “roubar” todo o tempo da aula.
• Equipamento, instalações, localização da sala. Se você for utilizar data
show, precisa verificar se sua classe tem tomada, se a claridade vai atra­
palhar a visão dos alunos, etc.

É bom ressaltar que o preparo de uma boa aula não depende só dos
recursos. Em geral, uma “boa aula” é sempre atribuída à qualidade do tra­
balho do professor, tendo por pressuposto que ele, por si só, pode e deve
RECURSOS D ID ÁTICO S: FERRAMENTAS Q U E M OTIVAM E ENSINAM

realizar uma boa aula. Em parte, é verdade que a boa aula depende do em­
penho e do preparo do professor, mas não apenas dele. Então vejamos o
que contribui para o desenvolvimento de uma aula de qualidade:
• A clareza do professor nas ideias a serem trabalhadas. É preciso domi­
nar o conteúdo de ensino.
• A organização e exposição das ideias de maneira adequada, o que de­
termina a afetividade da comunicação entre professor e alunos e facili­
ta a compreensão por partes destes últimos.
• Propostas de situações de aprendizagem estimulantes e agradáveis, o
que propicia a participação e o compromisso de todo o grupo de alu­
nos, além de evitar tensões e ansiedades.

Precisamos nos preparar para planejar uma aula e escolhermos o modo


mais eficaz de torná-la compreensível a todos os alunos. Então, cabe a você,
professor, ter claro que há diferentes recursos didáticos e procedimentos de
ensino, e que você deve escolher quais os mais adequados para cada mo­
mento e usá-lo em suas aulas. Não se esqueça de envolver todos os alunos
no processo de ensino-aprendizagem, evitando que suas aulas se tornem
uma atividade rotineira, uma mesmice.
O ENSINO NA PRIMEIRA INFÂNCIA

E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem


fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.
- 2 Timóteo 3.15

anos, a educação infantil vem ganhando des­


taque no cenário educacional brasileiro. A igreja do Senhor também
vem demonstrando um interesse maior na educação da criança na
primeira infância, contribuindo para que a ordenança do Senhor,
a Grande Comissão, seja cumprida (Mt 28.19,20). Todavia, ainda
existe uma longa caminhada a trilhar, pois muitas igrejas, embora
tenham classes voltadas para as crianças de 0 a 6 anos, não atendem
às necessidades dessa faixa etária. Houve um avanço, mas precisa­
mos investir mais em educação infantil, em especial nas crianças do
pré-escolar. Um dos fatores que impedem investimentos e esforços
nessa área é a crença, infundada e equivocada, de que nascer em um
lar evangélico e freqüentar a Escola Dominical é o suficiente para
uma criança receber a salvação em Jesus Cristo. Jamais podemos
nos esquecer de que o evangelismo e o ensino na infância é uma or­
denança divina para a igreja do Senhor (Mc 16.15; Mt 28.19,20). As
crianças também são “criaturas”, por isso não foram excluídas desse
68 E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

mandamento. O ser humano é alvo do amor e do cuidado de Deus, não


importando a sua idade.
Muitos professores ainda têm uma visão equivocada sobre a infância
e o próprio ato de ensinar, o que precisa ser revertido. Por isso, o objeti­
vo neste capítulo é aprofundar nossa reflexão sobre a infância. Veremos
também como se dá o desenvolvimento das crianças nessa fase, como elas
aprendem e o que não pode faltar no currículo das classes iniciais. Que as
reflexões aqui apresentadas venham contribuir, dando um maior apoio
àqueles que estão convivendo e ensinando, todos os domingos, às crianças
de 0 a 6 anos.

O que é a infância
Como é a criança que freqüenta sua classe aos domingos? Você já pa­
rou para refletir a respeito? Para que o professor possa tentar compreender
e atender às necessidades dessa criança, ele precisará pensar sobre como
ela é. Segundo Márcia Franco, em sua obra Compreendendo a Infância como
Condição de Criança, “muitas vezes, pensamos em criança como oposição
ao adulto. Um ser inacabado e incompleto, que precisa evoluir”.1 Para Ed-
mir Perrotti, “esta visão adultocêntrica do que seja uma criança é redutora.
Nela, a criança é apenas um ‘vir-a-ser’, um ‘futuro adulto’. Este por sua vez,
não é jamais alguém em transformação constante”.2 A visão que temos a
respeito da infância vai influenciar nossa visão com relação ao trabalho que
desenvolvemos nas classes infantis, pois ainda citando Perrotti, “a criança
não é um simples organismo em mudança, não é apenas uma quantidade
de anos, um dado etário, mas algo bem mais complexo e completo”.3
O conceito de infância como temos atualmente é uma construção his­
tórica social, por isso está sujeito a mudanças de acordo com o contexto em
que estiver inserido. Foi só no século XVII que surgiu a ideia de infância. Já

1 FRANCO, Márcia Elizabete Wilke. C om preendendo a infância com o con d ição de crian ça. 2. ed. Porto Alegre:
Mediação, 2006, p. 29.
2 P ERR O TTI apud FRAN CO, 2006, p. 30.
3 Idem.
O ENSINO N A PRIMEIRA IN FÂ N C IA

o termo criança existe desde o nascimento de Abel e Caim. Lendo a obra de


Airès,4podemos perceber que o conceito de infância é relativamente novo.
Sônia Kramer destaca que a infância surgiu com a sociedade capitalista.

Se, na sociedade feudal, a criança exercia um papel produ­


tivo direto ( “de adulto") assim que ultrapassava o período
de alta mortalidade, na sociedade burguesa ela passa a ser
alguém que precisa ser cuidada, escolarizada e preparada
para a atuação futura. Este conceito de infância é, pois, de­
terminado historicamente pela modificação deform as de
organização da sociedade.5

Estamos lidando com crianças na primeira infância. Logo, é impor­


tante saber como o conceito de infância foi sendo construído ao longo dos
tempos. Não podemos aceitar que pessoas que se propõem a ensinar as
crianças não conheçam a respeito da infância.
Na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento, o conceito de
infância era bem diferente do nosso. A criança, em especial os meninos,
passava da infância para o mundo dos adultos aos treze anos de idade. A
adolescência não existia, pois este é também é um conceito bem novo. Se­
gundo Márcia Aparecida na obra Adolescentes e Jovens... em Ação, “a ado­
lescência foi confundida com a infância até o século XVffl”.6 Foi somente
por volta do século XVI que começou a se fazer a diferença entre infância,
juventude e velhice. Até meados de 1950, o termo adolescência não era co­
mum. No Brasil, usávamos a expressão “de menor” quando nos referíamos
ao adolescente.
No Novo Testamento, por volta dos treze anos o menino judeu se tor­
nava “filho da lei”. Este era um ritual judeu de passagem para a idade adulta.

4A RIÈS, Philippe. H istória social da criança e da famüia. 2. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1981.
s K RA M M ER apud FRAN CO, 2006, p. 29.
6 PRATTA, Márcia Aparecida Bertolucci. A dolescentes e Jo v en s... E m A ção !: aspectos psíquicos e sociais na educa­
ção do adolescente hoje. 1. ed. São Paulo: Editora UNESP, 2008, p. 91.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Jesus foi levado pela primeira vez para visitar Jerusalém e o Templo quando
tinha doze anos de idade (Lc 2.41-49). Ele foi encontrado por seus pais no
Templo conversando com os doutores da lei. Esta foi a última Páscoa dEle
como uma criança.
Deus sempre viu a infância, assim como cada fase do desenvolvimen­
to humano, como algo singular. Ele sempre respeitou, valorizou e amou as
crianças. Sua maior demonstração de amor por essa fase da vida está no fato
de que Jesus se faz carne e veio a este mundo como um bebê. Sim, o Sal­
vador foi criança. Ele não chegou a este mundo como um adulto, e em seu
ministério terreno acolheu as crianças. Jesus usou a criança como exemplo
em suas mensagens e estudos (Mt 18.2,4,5); devolveu a vida a uma menina
(Mc 5.39); alimentou as crianças, provendo uma necessidade básica do ser
humano (Mt 14.21). Ele também as acolheu com carinho e as abençoou,
pois o ensino do Mestre era inclusivo (Mc 9.36). Deus ama e respeita as
crianças. Seu amor e cuidado pelo ser humano tem início já na concepção,
no útero materno. Tomemos como exemplo o profeta Jeremias, chamado
para exercer o ministério profético ainda no ventre materno: “Antes que eu
te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísse da madre, te san-
tifiquei e às nações dei por profeta” ( jr 1.5). Como Criador, Ele bem sabe
que cada fase da vida é única. O Senhor ensinou seu povo a amar e respeitar
a criança. As famílias judias reconheciam que os filhos (as crianças) eram
uma dádiva de Deus. Feliz era o homem que tinha muitos filhos (Sl 127.5).
Alguns povos pagãos tinham por hábito matar os bebês do sexo feminino,
mas entre os judeus esta era uma prática abominável. Oito dias depois do
nascimento, os meninos judeus deveriam passar pelo ritual da circuncisão
(Gn 17.10). A circuncisão, além de ser um ato de purificação, era também
um ato de fé e obediência a Deus, como o qual os pais declaravam publica­
mente que aquela criança pertenceria à comunidade da aliança (Lv 12.30).
Dentro da cultura judaica a criança recebia uma atenção especial. Quan­
do Esdras reúne o povo para a leitura da Lei, podemos ver a preocupação
com as crianças na primeira infância. Observe: “Esdras levou o livro para
O EN S IN O N A PRIMEIRA IN FÂ N C IA

o lugar onde o povo estava reunido: os homens, as mulheres e as crianças


que já tinham idade para entender” (Ne 8.2, NTLH). Eles se importavam
com o bem-estar dessas crianças, não as submetendo a um longo período
de estudo, pois o tempo de atenção da criança na primeira infância é bem
curto. Havia também um cuidado com a compreensão, a aprendizagem dos
pequeninos.
Que venhamos a seguir os passos do Mestre e dar às crianças, que estão
na primeira infância, toda a atenção, respeito e carinho que elas merecem.

Aspectos gerais do desenvolvimento infantil


A Bíblia diz que “tudo tem o seu tempo determinado” (Ec 3.1). O
homem nasce, cresce, se casa, reproduz-se e morre. Este é o ciclo natural
da vida. Deus criou os seres humanos com a capacidade de se desenvol­
verem de modo pleno. Ninguém nasce “pronto”: todos experimentam um
desenvolvimento (físico, cognitivo, emocional, etc.). Segundo Jane Feli­
pe, “desenvolvimento é um processo dinâmico, ativo e interativo, que vai
acontecendo ao longo da vida”.7 Existem muitas teorias que são úteis para
descrever e explicar o desenvolvimento humano. O professor de educação
infantil precisa conhecer, ainda que de modo superficial, essas teorias.

[...] O educador deve conhecer não só teorias sobre como


cada criança reage e modifica sua forma de sentir; pensar,
falar e construir coisas, mas também o potencial de apren­
dizagem presente em cada atividade realizada na institui­
ção de educação infantil.8

A psicologia é a ciência que estuda o desenvolvimento humano. Como


ciência, a psicologia se utiliza de várias teorias que explicam o desenvolvi­
mento do ser humano. Mas como foram construídas essas teorias? Elas foram

7 FEL IPE. Jane. A spectos do desenvolvim ento infantil. O educador de todos os dias: convivendo com crianças de 0
a 6 anos. 5. ed. Porto Alegre: Mediação, 2 006, p. 7.
8 O LIVEIRA, Zilma Ram os de. E du cação infantil: fundamentos e métodos. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2008, p. 124.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

desenvolvidas, ou melhor, construídas, a partir da observação de diferentes


grupos de pessoas de diferentes faixas etárias, e das mais diversas pesquisas.
Quando falamos em desenvolvimento, é bom que fique claro que não
estamos nos referindo aos aspectos físicos, orgânico, biológico, mas sim ao
mental.

[...] O desenvolvimento mental é uma construção contínua,


que se caracteriza pelo aparecimento gradativo de estruturas
mentais. Estas são formadas de organização da atividade
mental que vão se aperfeiçoando e solidificando até o momen­
to em que todas elas, estão plenamente desenvolvidas, caracte­
rizarão um estado de equilíbrio superior quanto aos aspectos
da inteligência, vida afetiva e relações sociais. Algumas dessas
estruturas mentais permanecem por toda a vida.9

Principais concepções a respeito do desenvolvimento humano


• Inatismo - Essa concepção valoriza a hereditariedade. Reforça a ideia
de que herdamos de nossos pais nossos talentos, aptidões e habilidades.
Existe um antigo ditado popular que se enquadra perfeitamente aqui:
“Filho de peixe, peixinho é”. Tudo era explicado por meio dos genes. Ao
vir ao mundo por intermédio do nascimento, o homem já trazia em si
conhecimentos armazenados. Esse tipo de pensamento se deve ao fato
de que para os gregos, em especial Platão, a alma precede o corpo. Não
se levava em consideração o ambiente, nem a interação com o sujeito. O
precursor dessa concepção foi o famoso filósofo grego, Platão.
• Ambientalismo - Essa concepção valoriza muito o ambiente no de­
senvolvimento humano. Sabemos que o meio exerce forte influência
sobre o sujeito, não podemos ignorar isso. Mas não é o fator determi­
nante. Se assim fosse, como explicar as crianças que não receberam
nenhum estímulo do meio e se tornaram indivíduos com grande po­

9 BO C K , Ana Mercês et al. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 98.
O ENSINO N A PRIMEIRA IN FÂ N C IA 73

tencial e poder criativo? O meio exerce influência, mas não é tudo.


Quando falamos em ambientalismo, não podemos deixar de falar de
Skinner. Ele se preocupava em explicar que as variações no ambiente
interferem nos comportamentos operantes.
• Interacionismo - Esta é a concepção mais aceita. Apregoa que o
desenvolvimento é o resultado da interação do sujeito com o meio.
Quando falamos de interacionismo, não podemos deixar de falar em
Vygotsky. Ele não via o homem como um ser passivo, mas como al­
guém ativo. Para esse teórico, quando se trata de desenvolvimento, a
palavra-chave é “interação”.

O desenvolvimento está, pois, alicerçado sobre o plano das


interações. O sujeitofa z uma ação que tem, inicialmente, um
significado partilhado. Assim, a criança que deseja um ob­
jeto inacessível apresenta movimentos de alcançá-los, e esses
movimentos são interpretados pelo adulto como "desejo de
obtê-lo”, e então lhe dá o objeto. Os movimentos da criança
afetam o adulto e não o objeto diretamente; e a interpretação
do movimento pelo adulto permite que a criança transfor­
me o movimento de agarrar em gesto de apontar. O gesto é
criado na interação, e a criança passa a ter controle de uma
forma de sinal, a partir das relações sociais.10

A criança deO a 6 anos


Jean Piaget, que produziu uma das mais importantes teorias sobre o desen­
volvimento humano, dividiu o desenvolvimento infantil em quatro estágios:
I o) sensório-motor (0 a 2 anos);
2o) pré-operatório (2 a 7 anos);
3o) operações concretas (7 a 12 anos);
4o) operações formais (12 anos em diante).

“ B O C K , 2005, p. 98.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

P eríodo sensório-m otor (Berçário - 0 a 2 anos) - No período


sensório-motor, a criança conquista, descobre o mundo por meio da
percepção e dos movimentos. Elas conhecem o mundo pela manipu­
lação, por isso é importante que o espaço físico do berçário seja um
lugar seguro, onde as crianças possam engatinhar, brincar e receber os
cuidados de que necessita de modo seguro, sem riscos de acidentes.
Nesta fase, as crianças não podem ficar sentadinhas, somente ouvindo
histórias bíblicas. O desenvolvimento físico delas é bem intenso, e vai
contribuir para que desenvolva outras habilidades motoras. A oralida-
de está em fase de construção, quando as primeiras sílabas aparecem,
como por exemplo: dá, pá, ma, etc. Esse período é caracterizado pela
inteligência prática, ou seja, a criança precisa de material concreto para
aprender. Não adianta dizer para a criança: “Deus criou as frutas”. As
crianças precisam ver uma fruta de verdade, necessitam pegar, cheirar,
colocar na boca, morder. Elas necessitam utilizar o maior número pos­
sível de sentidos, a fim de que aprenda.
Período pré-operatório (M aternal - 3 e 4 anos) - As criança já têm
o domínio da linguagem, facilitando a interação com as pessoas. Elas
se tornam mais sociáveis e brincam de modo amigável com crianças de
ambos os sexos. Elas estão aprendendo a compartilhar seus objetos. Já
têm o controle da mão, por isso conseguem utilizar o giz de cera, lápis
e pincel.
Período pré-operatório (jardim - 5 e 6 anos) - Nesta faixa etária se
inicia o processo de letramento e alfabetização. As características mais
importantes são: crescimento físico rápido (como perdem calçados e
roupas, para desespero dos pais!); curiosidade aguçada, o que faz com
que a criança faça muitas perguntas; período de atenção ainda curto;
gosta de desenhar e pintar. Conceitos importantes podem e devem ser
trabalhados como, por exemplo, altruísmo, honestidade, fidelidade, amor
ao próximo, etc. Uma vez que esses conceitos sejam bem trabalhados, elas
vão levá-los para a vida toda.
O EN SIN O N A PRIMEIRA IN FÂ N C IA

O que não pode faltar no ensino dessasfaixas etárias

Brincar
A brincadeira tem o seu valor. Muitos professores de educação infantil
na igreja ainda pensam que brincar é perder tempo, pois as crianças não
estão “produzindo” nada. Mas o brincar tem um valor inestimável para a
criança. Observe o que Zilma Ramos de Oliveira nos diz sobre o brincar
nas séries iniciais.

Ao brincar, afeto, motricidade, linguagem, percepção, re­


presentação, memória e outras funções cognitivas estão
profundamente interligados. A brincadeira favorece o afe­
tivo da criança e contribui para o processo de apropriação
de símbolos.11

Por isso é importante que os professores que trabalham na Escola


Dominical com essas classes façam uso de jogos e brincadeiras. Procure
utilizar jogos sensoriais onde são estimulados a visão, o tato, a audição e o
olfato. Porém tenha sempre uma aplicação bíblica para a criança. Durante
as brincadeiras, diga frases curtas, como por exemplo: “Deus é bom”, “Papai
do céu ama você”. Nas revistas da CPAD para essas faixas etárias (Berçário,
Maternal e Jardim), há seções que foram elaboradas a fim de atender a essa
necessidade. Vide as seções: “É hora de brincar” (Berçário), “Hora de Brin­
car” (Maternal) e “Vamos Brincar?” (jardim).

E spaço p a r a tra ba lh a r a linguagem oral


Ao longo dos primeiros anos de vida, a criança vai se dando conta do
sentido da fala e fazendo uso dela. O adulto com o qual a criança se rela­
ciona exerce um importante papel na aquisição da linguagem. Por isso, o
professor deve ter alguns cuidados com sua fala, pois tudo que você disser

“ O LIVEIRA , 2008, p. 160.


E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

será tomado como referência pelas crianças. Procure falar pausadamente,


articule as palavras de maneira correta, não fale como um bebê. Para desen­
volver essa habilidade, o professor deve contar histórias, cantar, conversar
com as crianças nomeando objetos, orar, etc. Em nosso currículo de Escola
Dominical são apresentadas sugestões de atividades que, além de ensina­
rem as crianças a respeito do Papai do céu, vão possibilitar o desenvolvi­
mento da oralidade. Observe nas revistas do mestre as seções que apresen­
tam histórias bíblicas, cânticos, oração, palavra-chave.

Espaço para atividades manuais e cânticos


A música, associada às atividades manuais, vai facilitar o contato das
crianças com o desconhecido, aquilo que é novo para ela. Através da ex­
ploração de inúmeros materiais e atividades, as crianças vão desenvol­
vendo a motricidade fina, a imaginação, criatividade, concentração, etc.
O professor deve propor atividades em que as crianças recortem, colem,
pintem, desenhem e utilizem materiais variados. Também pode utilizar
CDs com músicas relacionadas ao tema da aula. Elas podem louvar a
Deus e aprender ao mesmo tempo, por isso, cante. Permita que a música
faça parte de sua aula.

Espaço para o desenvolvimento de atividades que contribuam


para o desenvolvimento da autonomia e identidade
Ao nascer, a criança precisa do adulto para sobreviver. Ela tem total de­
pendência. Porém, com o passar do tempo, necessita desenvolver a autono­
mia. Precisa aprender a fazer suas próprias escolhas, pois só assim poderá
descobrir as conseqüências de suas decisões. Por isso, é importante que nas
fases iniciais o ambiente seja organizado em espaços de atividades, os famo­
sos “Cantinho da História”, “Cantinho das Artes”, “Cantinho do Versículo”,
a fim de que as crianças possam escolher qual atividade trabalhar. Quando
você permite que as crianças de sua classe comam o lanche sozinhas — ain­
da que sujem as mesas, o chão e a roupa — , você está contribuindo para a
autonomia delas.
O EN SIN O N A PRIMEIRA IN FÂ N C IA

Para trabalhar a identidade, sugiro que nas classes de berçário e mater­


nal você tenha um espelho preso à parede (não pode oferecer riscos). Sabe
para quê? Para que de frente para o espelho, junto com a criança, você possa
nomear as partes do corpo. Você pode conversar com a criança dizendo:
Quem fez esses lindos olhinhos? Seus olhos são bem pretinhos, parecem
um feijão. Foi o Papai do céu que criou seus olhinhos. Vamos agradecer por
Ele ter criado olhos tão lindos?”

Quatro aspectos que precisam ser observados pelos professores de


educação infantil
Alcançar a criança como um todo deve ser o alvo do professor de edu­
cação infantil cristã. Em Lucas 2.52, lemos que “crescia Jesus em sabedoria,
e em estatura, e em graça para com Deus e os homens”. Que nossos alunos
tenham um desenvolvimento saudável! Para que isso aconteça, o professor
precisa observar os seguintes aspectos:
1. Aspecto afetivo-emocional. A criança precisa se sentir amada e
aceita para que ela aprenda. Nosso relacionamento com a criança deve ser
cercado de afetividade. É preciso abraçar, pegar na mão, olhar nos olhos.
2. Aspecto físico-motor. Seu aluno está em franco desenvolvimento.
Ele precisa de atividades que o ajudem a crescer e a desenvolver os múscu­
los. Por isso é tão importante as atividades de pular, saltar, atividades com
massa de modelar, recortar, pintar, etc. A criança precisa movimentar seus
músculos.
3. Aspecto intelectual (cognitivo). Atividades que levem a criança a
desenvolver a inteligência, o raciocínio lógico.
4. Aspecto social. Somos seres sociáveis. Vivemos em comunidade, e
as crianças precisam aprender a amar, respeitar o próximo.

Não podemos privar as crianças de ter a oportunidade de conhecer


a Deus ainda na primeira infância. Precisamos educá-las segundo os pre­
ceitos das Sagradas Escrituras a fim de que elas possam desenvolver uma
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

imagem positiva de si mesmas, estabelecendo uma autoestima saudável. É


preciso também ajudar as crianças a perceber que existe um Deus bondoso
que criou todas as coisas e que nos ama muito, por isso enviou seu único
Filho ao mundo para nos salvar. Deus chamou você para essa importante
tarefa. Prepare-se. Leia e estude.
O LOUVOR EAAD ORAÇÃO
NA EDUCAÇÃO CRISTÃ

Entrai pelas portas dele com louvor e em seus átrioscom


hinos; louvai-o e bendizei o seu nome.
- Salmos 100.4

música é divina e exerce uma atração especial sobre as


crianças e os jovens. Eles gostam de cantar, e são na grande maioria
espontâneos e sinceros em sua adoração. Eles cantam porque gostam.
Quando não querem participar, não tem jeito — não abrem nem a
boca — e não há regente ou professor que os faça cantar.
A música é um importante “instrumento” no processo de ensino-
aprendizagem, principalmente na educação infantil. Mas alguns pro­
fessores não sabem como utilizar esse instrumento. Observe o que nos
diz a doutora Ruth Beechick a respeito da música e dos versos.

A música, os versos e o ritmo se constituem numaforma


quase natural de ensinar. Uma das principais aquisi­
ções das crianças do maternal é o desenvolvimento da
linguagem. Os versos as auxiliam nesta tarefa. A rima,
a aliteração, a repetição e o ritmo atraem as crian­
ças. Elas ouvem, imitam e praticam suas habilidades
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

de linguagem: fonética, gramática e vocabulário. Acima


dessas aprendizagens sérias e acadêmicas existem outras
muito maiores — a da comunicação e literatura, do que
significa ser humano, do experimentar o mundo ao nosso
redor e do refletir de Deus.1

Na infância e na adolescência, nossos alunos devem ter acesso aos


mais variados estilos musicais (gospel) para que possa ampliar o repertó­
rio. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a música
ajuda a desenvolver a percepção auditiva e a memória musical das crianças
e adolescentes.

Jesus e o louvor dos pequeninos


Certa vez, Jesus entrou no Templo e ficou indignado com a falta de
reverência das pessoas. O louvor e a adoração haviam sido substituídos
pelo comércio (Mt 21.12). O que se ouvia ali não eram aleluias e glórias
ao Todo-Poderoso, mas o grito dos cambistas e dos que comercializam
os pombinhos que eram utilizados nos sacrifícios. O Mestre ficou indig­
nado! Jesus colocou toda aquela “turma” no seu devido lugar. O louvor,
a adoração e a oração estavam sendo substituídos. Porém o texto bíblico
no versículo 15 mostra que os sacerdotes (os principais) e os escribas
ficaram muito revoltados com a adoração das crianças (Mt 21.15). Pas­
mem! Eles não se envergonharam com o fato de a Casa de Deus ter sido
transformada num “covil de salteadores” (v. 13), porém ficaram aborre­
cidos com o louvor e adoração espontâneos dos pequeninos. As crianças
não tiveram dificuldades em perceber que diante delas estava o Salvador.
Elas louvavam e adoravam ao Messias, não pelas maravilhas que viram
Jesus operar. Atualmente, para adorar a Deus, muitos precisam ver mi­
lagres. Esses se esquecem de que o maior milagre de Deus, Jesus, está

1BEE C H IC K , Ruth. C om o ensinar crianças do maternal. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 69.
O LO U V O R E A A D O R A Ç Ã O N A E D U C A Ç Ã O CRISTÃ

presente. Na sua pureza, humildade e sinceridade, as crianças percebe­


ram que aquEle homem era o Filho de Deus e que somente Ele merecia
receber a honra, a adoração e o louvor. O Mestre então declara: “Sim;
nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o
perfeito louvor?” (Mt 21.16) Jesus não aceitou a ideia absurda de calar
os pequeninos. Ele recebeu o louvor das crianças (v. 16), mostrando que
não existe idade para adorar ao Senhor. O Pai procura os que o adoraram
em Espírito e em verdade. E muito bom ver o amor e o carinho que Jesus
dedicou às crianças.

A criança na atualidade
A cada dia a infância parece ficar mais curta. São tantas as atividades
e responsabilidades a que elas são submetidas que não sobra tempo para
ser criança. Já se foi o tempo em que a vida de criança era “boa”. Agora
é escola pela manhã, à tarde curso de inglês e espanhol, informática, na­
tação, balé e outras coisas mais. Até na adoração e no louvor na igreja a
situação está mudando. E a tal da adultização precoce no louvor. As crian­
ças já não querem cantar mais as músicas infantis. Elas querem cantar as
músicas dos adultos, dos grupos gospel que estão fazendo sucesso. Por
quê? Porque esses louvores agradam os adultos. Certa vez, um grupo de
crianças falou: “A igreja pega fogo, tia, quando cantamos esse corinho!”
As crianças precisam louvar a Deus com hinos que elas compreendam
a letra. Precisam saber o que estão cantando. Porém, vale dizer que há
muita música infantil sem conteúdo. Não podemos subestimar a capaci­
dade da criança e do adolescente. A letra da música precisa ter conteúdo
bíblico. Por isso, leia com atenção a letra.

Um convite à adoração
Muitos são os motivos para adorar a Deus. Todavia, a maior parte do
tempo que passamos na presença do Senhor, em oração, é para pedir. Torna-
mo-nos pedintes, e não adoradores. Ficamos tão preocupados com as nos­
sas necessidades que nos esquecemos de adorar ao Pai. Adore ao Senhor!
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Enquanto adoramos, o Bom Pastor supre as nossas necessidades (Sl 23.1).


Não que não devamos colocar diante de Deus as nossas necessidades, po­
rém o nosso maior desejo, a nossa motivação, deve ser a presença do Pai. A
Palavra de Deus nos ensina: “Servi ao Senhor com alegria e apresentai-vos
a ele com canto” (Sl 100.2). Como educadores, devemos ensinar nossos
alunos, independentemente da idade, que a base da nossa adoração deve
ser Salmos 40.2: “Tirou-me de um lago horrível, de um charco de lodo; pôs
os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos”.
O momento de adoração e louvor não é somente para preencher, ou
melhor, passar o tempo. Infelizmente, muitos professores utilizam o louvor
durante suas aulas porque não fizeram um planejamento. No entanto, os
cânticos devem estar de acordo com o tema da lição, e devem ser escolhi­
dos com antecedência pelo professor.
O louvor contribui para:
• Preparar a mente e o coração do aluno para o aprendizado da Palavra
de Deus, despertando o interesse do aluno. E importante cativar os
alunos e despertar seu interesse logo no início da aula, por isso, é im­
portante iniciar o estudo com oração e louvor a Deus.
• Dá forças para enfrentar as adversidades da vida, relacionando o ensi­
no bíblico com as necessidades e experiência dos alunos.
• Reforça os conceitos bíblicos a serem ensinados de forma agradável.
Torna o aprendizado da Palavra de Deus em algo prazeroso.
• Ajuda os alunos a compreenderem as verdades bíblicas que estão sen­
do enfocadas na lição.
• Aponta maneiras práticas de viver a Palavra de Deus.

A música infantil
Para cada faixa etária, temos um tipo de música. Para as crianças do
pré-escolar, por exemplo, a letra deve ter frases diretas, palavras simples,
de fácil compreensão e repetidas, o que torna a aprendizagem mais fácil. A
música não deve variar muito o tom. A melodia deve ser fácil.
O LO U V O R E A A D O R A Ç Ã O N A E D U C A Ç Ã O CRISTÃ

Em uma classe de Escola Dominical ou culto infantil, não cantamos


por cantar. Em primeiro lugar, cantamos para adorar a Deus. O louvor tam­
bém é uma forma de gratidão. Cantamos porque a música facilita a apren­
dizagem. Por intermédio da música, as crianças aprendem, de forma lúdica,
verdades fundamentais da Palavra de Deus, aprendem doutrina. A criança
até pode se esquecer das histórias, mas com os cânticos dificilmente se es­
quecem, nem que seja o refrão. Por meio do louvor elas também evange-
lizam os familiares. Quantos pais foram alcançados pela Palavra de Deus
mediante o louvor das crianças? Elas podem levar a mensagem da salvação
por meio dos cânticos. Quem não gosta de ouvir uma criança cantar?
Faça sempre do período de cânticos um momento especial. As crian­
ças precisam saber que esse é um momento de adoração a Deus e que o
Senhor merece o melhor.
Que o louvor de nossas crianças continue a ecoar na Casa de Deus:
“Hosana ao Filho de Davi!”
A INFLUÊNCIA DA PUBLICIDADE NO
COMPORTAMENTO DE CRIANÇAS E
ADOLESCENTES

E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela


renovação do vosso entendimento...
- Romanos 12.2

/ v—'ste capítulo tem como objetivo discutir acerca das diversas


formas (linguagens) que vêm sendo utilizadas pela publicidade para
transmitir ao público infantojuvenil o desejo de comprar de forma in­
consciente. O objetivo das peças publicitárias é um só: tornar as crian­
ças e os jovens mais consumistas e materialistas.
Estamos vivendo na era da informação, e a influência da mídia,
em especial a televisão, é inegável. Basta uma olhada rápida ao nosso
redor para percebermos que a publicidade está em toda parte — nas
ruas, rádio, revistas, internet, igrejas — , mas em especial na televisão.
A TV está presente e tem exercido influência em muitos lares evangéli­
cos. Mesmo com o avanço das tecnologias digitais, a televisão continua
ocupando um espaço privilegiado no cotidiano das famílias brasileiras.
Hoje ela é o principal veículo por meio do qual as crianças e os adoles­
centes são atingidos pela propaganda.
Antes de adotar uma postura crítica frente ao uso da televisão e
da mídia, é preciso ter consciência de que esta não é a única respon­
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

sável pelo mau comportamento das crianças e jovens. Caso fosse a única,
bastaria termos uma TV perfeita para vivermos um Éden aqui na Terra. O
que acontece é que as crianças e os adolescentes (e adultos também) estão
se excedendo diante de um veículo de comunicação que tem o poder de
manipular o pensamento, as ideias.

A publicidade na “telinha”
As Escrituras Sagradas nos advertem: “Não porei coisa má diante dos
meus olhos...” (SI 101.3). Atualmente, essa advertência não é apenas divina,
pois psicólogos e psiquiatras também alertam e advertem sobre os proble­
mas causados pelo excesso de exposição à mídia, em especial a TV. A crian­
ça brasileira é uma das que passam a maior parte do tempo livre diante da
televisão. Segundo uma pesquisa do Painel Nacional de Televisão do Ibope,
publicada no livro Crianças do Consumo, de Susan Linn, as crianças brasi­
leiras de 4 a 11 anos assistem em média a 4h51min de TV por dia. O Brasil
ficou em primeiro lugar — antes dos Estados Unidos — na quantidade de
tempo que as crianças ficam diante do televisor, principal veículo pelo qual
as crianças são atingidas pela propaganda. A criança e o adolescente evangé­
lico, que freqüentam a Escola Dominical, não estão de fora desses números.
Eles também são alvo da propaganda e acabam se tornando consumistas
inconscientes, adquirindo hábitos que são prejudiciais à saúde física, men­
tal e espiritual, contrariando os princípios bíblicos. As crianças são um alvo
fácil, pois não conseguem abstrair. O pensamento delas é concreto, literal.
Veja o que nos diz a pesquisadora Susan Linn sobre isso.

Até a idade de cerca de oito anos, as crianças não conse­


guem realmente entender o conceito de intenção persuasiva
— segundo o qual cada detalhe de uma propaganda foi
escolhido para tornar o produto mais atraente e para con­
vencer as pessoas a comprá-lo.1

1LINN, Susan. Crianças do consum o: infância roubada. São Paulo: Instituto Alana, 2006, p. 22.
A IN FLUÊN C IA D A PUBLICIDADE N O C O M P O R TA M E N TO DE CR IA N ÇA S E ADO LESC ENTES 87

As cores, a música, o cenário, os personagens e os muitos efeitos especiais


são estrategicamente pensados a fim de tornar o produto mais atraente. Obje­
tivo é somente um: o lucro. Eles querem vender. Não estão pensando no que é
realmente bom para as crianças e os jovens. A propaganda mexe com as emo­
ções, e os publicitários sabem como fazer isso — e o fazem muito bem. Pare e
pense: Qual é seu comercial predileto? Você verá que a maior parte deles está
relacionada à sua infância. Quantas recordações eles trazem até a sua mente.
Você acaba sendo envolvido por um turbilhão de sentimentos e toma-se mais
susceptível a adquirir alguns produtos, mesmo que não precise deles.

Esquemas de convencimento na propaganda


Adilson Citelli, na sua obra Linguagem e Persuasão,2 apresenta alguns
dos esquemas básicos utilizados pela publicidade para o convencimento.
Vejamos:
1. Velhas fórmulas (uso de estereótipos). Exemplo: A figura de um
jovem bonito e bem vestido com roupas de grife passa a ideia de pessoa
bem-sucedida, honesta. E o convencimento pela aparência. “A grande ca­
racterística do estereótipos é que ele impede qualquer questionamento
acerca do que está sendo anunciado, visto ser algo de domínio público, uma
‘verdade’ consagrada”.3
2. Substituição de nomes. Os termos são alterados com o objetivo de
influenciar positiva ou negativamente certas situações. Exemplo: “Glamo-
rosas” para jovens corresponde a “elegantes”, “bonitas”, “charmosas”.
3. Apelo à autoridade. Utilização de profissionais de determinadas
áreas a fim de validar a mensagem, o conceito que a propaganda quer trans­
mitir. Exemplo: Dentistas, atletas, professor, etc.
4. Afirmação e repetição. O slogan utilizado por uma grande marca
de chocolate que não saía da nossa cabeça: “Compre Baton!” Essa era uma
estratégia utilizada pelos nazistas. “Goebbels, o teórico da propaganda na­

2 C IT E L L I, Adilson. Linguagem e persuasão. 15. ed. São Paulo: Ática, 2002.


3 Idem, p. 69.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

zista, apregoava que uma mentira repetida vezes era mais eficaz do que a
verdade dita uma única vez”.

Os efeitos nocivos da propaganda


Os resultados negativos da publicidade são muitos, mas vamos desta­
car apenas alguns:

Aumento da obesidade infantil


As crianças já não brincam mais como deveriam e estão cada dia mais
sedentárias. De acordo com dados apresentados pela Escola Paulista de Me­
dicina, na “PrimeiraJornada de Alimentos e Obesidade na Infância e Adoles­
cência” no Brasil 14% das crianças são obesas e 25% estão acima do peso.
As empresas de alimentos infantis têm investido no marketing de seus
produtos colocados à disposição das crianças, uma vitrine atraente, repleta
de guloseimas. Segundo os especialistas, a propaganda tem o poder de afe­
tar as crianças mais profundamente do que aos adultos, levando-as a con­
sumir alimentos nem sempre saudáveis. O Instituto Alana publicou uma
pesquisa que mostra dados bem alarmantes. Observe os dados da pesquisa:
“50% das propagandas vistas na televisão pelas crianças são de alimentos,
sendo 34% de guloseimas e salgadinhos, 28% de cereais, 10% defastfood,
1% de suco de frutas e nenhuma de frutas e legumes”.

Aumento da agressividade
As crianças ficam expostas a imagens violentas e repletas de sexualidade,
o que acaba por afetar seu comportamento social e seus valores. As crianças
que assistem à violência gratuita estão propensas a enxergá-la como uma ma­
neira eficaz de resolver conflitos. Segundo a Academia Americana de Pedia­
tria, “assistir à violência pode levar à violência na vida real”.

Aumento da atividade sexual precoce efora do casamento


A infância e a adolescência tornaram-se curtas, e o número de ado­
lescentes grávidas virou uma questão de saúde pública. Brandon Tartikoff,
antigo presidente da NBC, declarou: “Realmente, acredito que as imagens
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influenciam os comportamentos [...] a TV é financiada por comerciais e a


maioria usa comportamentos imitativos”.

Diminuição do diálogofamiliar
Os pais já não conversam como deveriam com seus filhos, pois o tem­
po que lhes sobra é gasto diante da “telinha” quando se exige silêncio. Em
sua obra Subjetividade em Questão, Solange Jobim e Souza afirma:

Nos lares de hoje as famílias não mais contam suas histó­


rias. O convíviofamiliar se traduz na interação muda entre
as pessoas que se esbarram entre os intervalos dos progra­
mas da TV e o navegar através do éden eletrônico [...]. O
tato e o contato entre as pessoas, na casa ou no trabalho,
cedem lugar ao impacto televisual.4

De acordo com os terapeutas de família, o problema número um em


nossos dias é o colapso da família. Na pós-modernidade, um novo termo
tem sido utilizado pelos terapeutas para descrever a difícil situação das fa­
mílias: disfuncional.

Consumismo
Fica difícil para as crianças e adolescentes resistirem aos apelos do con­
sumo. A verdade é que acabamos por aceitar a cultura consumista. Muitos
pais fazem o possível e o impossível para que a pseudofelicidade prometida
pelo consumo esteja ao alcance de seus filhos. Isso se deve ao fato de que na
atualidade o “ter” passou a ser mais importante que o “ser”.

Não observância dos princípios bíblicos


Muitos dos princípios de Deus para a família vão sendo deixados de
lado, já não sendo mais observados. O que mais ouvimos das crianças e

4SOUZA, Solange Jobim e. Subjetividade em questão: a infância como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Editora 7
Letras, 2005.
90 E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

dos jovens é: Todo o mundo faz” “Todo o mundo tem”. Mas os princípios
bíblicos são imutáveis.

Podemos interagir com a mídia


Diante de tantos malefícios, fica a pergunta: É lícito interagir com a
mídia? Para o cristão, todas as coisas são lícitas, mas nem tudo é proveitoso
ou edificante ( l Co 10.23; 16.12). Devemos fazer uso da mídia com pru­
dência e discriminação. De acordo com Charles Colson e Nancy Pearcey,
podemos desfrutar da mídia desde que estejamos treinados para ser seleti­
vos e definamos limites para que as sensibilidades da cultura popular não
moldem o nosso caráter.
E importante ressaltar que a mídia e a publicidade comunicam cren­
ças de valores, expressam sempre uma ideologia. Michael Palmer, no livro
Panorama do Pensamento Cristão, diz que “os cristãos que veem a cultura de
mídia de entretenimento têm de aprender a ler essas imagens e rejeitar as
que são incompatíveis com os padrões cristãos e a Escritura”.5 Esse é o pro­
blema. As crianças e adolescentes conseguem fazer essa leitura? É difícil!
Eles precisam ser ensinados a fazer isso. Quem vai ensiná-los? Em primeiro
lugar os pais, mas a igreja e a Escola Dominical também têm sua parcela de
responsabilidade e podem contribuir com a família.

Tem "alguém"por trás da propaganda


Esse alguém a que me refiro não são os técnicos, redatores, editores,
pessoas de carne e osso como nós. Esse alguém não possui um corpo físico.
Ele é o Inimigo de nossas almas, lembrando que a sua função neste mundo
é matar, roubar e destruir. As estratégias de Satanás para destruir as famí­
lias mudam de tempos em tempos, e de modo específico nos tempos pós-
modernos. Temos visto o mundanismo na mídia, principalmente na TV,
ridicularizando a fé cristã e refletindo de modo negativo em algumas famí­
lias. Quando a família não dá muita ênfase à TV, as crianças, por influência

s PALM ER, Michael. Panoram a do pensam ento cristão. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p. 400.
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dos amigos, concluem que sua família é “estranha” por priorizar Jesus e a
igreja, uma vez que as famílias exibidas nos programas televisivos e nos
comerciais não vivem como a sua. As pessoas estão hipnotizadas diante
da subjetividade das imagens; muitas já não conseguem discernir as arti­
manhas de Satanás. Precisamos clamar por um avivamento de contrição
e santificação ( l Pe 1.15,16; 1 Ts 5.23).
No livro Criança Pergunta Cada Coisa..., Doris Sanford afirma que “os
pais devem assistir a no mínimo um episódio do programa antes de permi­
tir que as crianças assistam”. E preciso selecionar cuidadosamente a progra­
mação que a família vai assistir. Uma pesquisa feita na Argentina mostrou
que 95% das crianças conhecem toda a programação televisiva, mas apenas
5% dos pais sabem o que seus filhos assistem.

Riscos na infância e adolescência


Na atualidade, a criança vem correndo vários riscos. O modo como
uma nação trata suas crianças e jovens diz muito sobre como será o seu
futuro. Observe o que nos diz Solange Jobim e Souza:

[...] a criança contemporânea tem como destino flutuar er­


raticamente entre adultos que não sabem mais o que fazer
com ela. Crianças passam assim a compartilhar entre si
suas experiências mais freqüentes, as quais se limitam, na
maioria das vezes, ao contato com o outro televisivo, remo­
to, virtual e maquínico. (1997)6

Como temos tratado nossas crianças? Como Igreja do Senhor, o que


temos feito? Qual tem sido a nossa preocupação com a educação cristã?
A televisão e a propaganda estão impregnadas em nós de tal forma que
podemos vê-la até na Escola Dominical. Na Escola Dominical? Isso mesmo!
Está presente na fala das “tias”, nas músicas que as crianças cantam, no modo

6S O UZA, Solange Jobim e. Subjetividade em questão: a infância como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Editora 7
Letras, 2005.
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como se vestem, nos gestos, nos brinquedos e nas brincadeiras. A televisão


nos leva a consumir não somente mercadorias, mas também imagens, lingua­
gem, modo de ser... A educação cristã não deve se restringir às salas de aula
da Escola Dominical, pois nossos alunos são indivíduos afetados pelo meio
em que vivem. A reflexão a respeito da publicidade é relevante e fundamental
para que possamos oferecer às crianças e jovens uma educação que lhes pos­
sibilite, de fato, dialogar com a mídia e com a nossa cultura.
Para Gilka Giradello, coordenadora do Ateliê Aurora, é fundamental
fazer com que as crianças e jovens compreendam que a televisão não é uma
“janela para o mundo — como gostam de caracterizar os mais otimistas:
Ela é um recorte muito bem produzido e montado da realidade — e não a
realidade”.

O papel dafamüia, da igreja e da Escola Dominical


Os pais são os responsáveis em alertar os filhos e protegê-los dos efeitos
nefastos da mídia e da publicidade. Todavia, os pais precisam de nossa ajuda,
como servos de Deus e profissionais. Se a família tem uma visão correta a res­
peito da mídia e da publicidade não terá dificuldade de passar isso aos filhos.
O marketing infantil é uma indústria enorme, que envolve vários pro­
fissionais e mexe com muito, muito dinheiro. A igreja e a Escola Dominical
devem se unir na luta contra esse “gigante”. Gosto da frase de John Maxwell
que diz: “Nada muito significativo foi alcançado por um indivíduo que te­
nha agido sozinho”. Precisamos nos unir para que o ensino seja relevante.
Os alunos precisam aplicar a Palavra de Deus a suas vidas. Não basta ouvir:
é preciso viver, saber aplicar a Palavra de Deus no dia a dia (Tg 1.22), fora
dos muros da igreja, diante da TV e de uma peça publicitária. Nossos alu­
nos precisam saber como vão aplicar o conteúdo à sua vida.

É hora de pegar o controle


É possível neutralizar os efeitos maléficos da televisão e da publicida­
de? Podemos ter o “controle” de volta? Vejamos algumas sugestões que po­
dem nos ajudar a combater os perigos da publicidade.
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• Procure dedicar mais momentos para estar com seus filhos. A sua
companhia, com certeza, é melhor do que a das apresentadoras dos
programas infantis. Qual o filho que não quer ficar perto dos pais?
• Estabeleça um horário e confeccione um calendário com os dias, ho­
ras e programas que as crianças possam assistir.
• Logo no início da semana, pegue o guia da TV e, em família, discuta os
programas que podem ser vistos e estarão disponíveis.
• Compre alguns adesivos e determine que cada adesivo valha uma hora
de TV, mas para cada hora de televisão a criança deverá ler um capítu­
lo de um livro.
• Se a criança ficou uma hora assistindo à TV, depois ela deve brincar
com os colegas ou sozinha.
• Assista, pelo menos, a metade do programa que seu filho está assistin­
do, pois só assim terá condições de discutir com ele o comportamento
dos personagens. Caso ache necessário, durante a exibição, faça algumas
considerações. Você poderá dizer: “Esse personagem agiu dessa forma.
Ele agiu de modo correto? O que a Palavra de Deus nos diz sobre isso?”
• Faça perguntas sobre os programas. As crianças gostam de ser provo­
cadas a opinar, a falar o que pensam.
• Procure adquirir alguns vídeos evangélicos para as crianças. Existem
excelentes trabalhos no mercado.
• Nunca use a televisão como forma de recompensar a criança. Por
exemplo: “Você comeu tudo; agora pode assistir à T V ”.
• A televisão não deve ficar no quarto da criança ou adolescente, e nem
escondida em um lugar de difícil acesso, pois o controle fica mais di­
fícil. Ela deve estar em um local onde todos possam ver, onde você
esteja sempre supervisionando.
• Peça que as crianças façam uma lista de cinco coisas que gostariam de
fazer em vez de assistir à TV. Depois, discuta com elas o que poderia
ser feito de imediato. A televisão vai ficando para depois, e a criança vai
perceber que existem atividades mais divertidas.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Como educadores, temos a responsabilidade de alertar nossos alunos


e os pais sobre o poder sedutor da linguagem televisiva e da propaganda.
Não podemos nos calar diante dos estragos que a mídia vem produzindo.
MÉTODOS DE ENSINO

Um assunto bem planejado éfácil de ensinar; éfácil de aprender.


-Jam es O. Proctor

Q 7io.
udo que é bom, se em excesso, acaba enjoando. Você concor­
da? Arroz e feijão é uma delícia, mas todo dia enjoa. Nossos alunos ficam
entediados quando o professor utiliza sempre os mesmos métodos, se­
mana após semana. Não existe um método único, perfeito. Todavia, os
métodos devem ser variados. Na sua grande maioria, os professores da
Escola Dominical não variam os seus métodos, caindo numa mesmice
sem fim. Antes de utilizar um método, o professor deve fazer as seguintes
perguntas: “O que pretendo ensinar? Qual o meu objetivo?”
O método deve estar de acordo com a faixa etária, com o número
de alunos, com o tempo de aula que temos e com o tamanho do espaço
físico. Jesus, nosso modelo de Mestre, fez uso de diferentes métodos.
Todos muito criativos e adequados a realidade de seus alunos. Segundo
Kenneth O. Gangel, se os métodos forem aplicados de forma correta,
tornam-se ferramentas preciosas.

Métodos de ensino criativos e corretamente aplicados


servem de ferramentas preciosas. Utilizados impro­
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

priamente, podem ser reduzidos a efeitos efêmeros e superfi­


ciais que fascinam em vez de iluminar. As necessidades dos
estudantes devem estar em primeira consideração, porque
são elas que indicam que verdade bíblica é de maior impor­
tância ao atual desenvolvimento dos alunos.
O método muito inovador ou bizarro pode obscurecer a lição,
mas a perfeita combinação de mensagem e meio pode instilar
novos conhecimentos, alterar atitudes e mudar visitas.1

Com o objetivo de ajudar o professor na sua práxis, apresento nes­


te espaço algumas atividades que podem ser desenvolvidas nas classes
infantojuvenis da Escola Dominical. As dinâmicas apresentadas são o
resultado de um trabalho que venho realizando para a revista Ensinador
Cristão, publicada pela CPAD. O meu desejo é que se tornem ferramen­
tas que possam ajudar os professores a aplicar, de modo dinâmico, a
Palavra de Deus.

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Atividades para o Berçário

Um mural diferente
(Também pode ser utilizada no Maternal e Jardim)
Quando iniciamos um novo ano em uma turma de Escola Dominical,
geralmente começamos com muito entusiasmo e muita disposição. Novos
alunos, material didático novo, novas revistas... Mas com o passar do tem­
po, o trabalho árduo e as adversidades nos fazem perder o vigor e o entu­
siasmo. Por isso, fica a pergunta: Como anda seu entusiasmo e disposição?
Continuam os mesmos? Espero que o seu coração continue a “arder” com
o mesmo entusiasmo e a mesma disposição do início. Que você realize a

1GANGEL, Kenneth O.; H EN D RIC K S, Howard G. M anual de ensino para o educador cristão : compreendendo a
natureza, as bases e o alcance do verdadeiro cristão, l.e d . Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
M É TO D O S DE ENSINO

obra do Senhor com alegria, zelo e esperança, tendo a certeza de que todo
o trabalho realizado para o Senhor nunca será em vão.
A cada início de trimestre, é preciso substituir a decoração da classe,
criando um clima de novidade, pois sabemos que o espaço físico exerce forte
influência no processo de ensino-aprendizagem. Então, que tal criar um mu­
ral diferente, confeccionado com caixas de papelão? Além enfeitar sua classe
você estará contribuindo com o meio ambiente, pois estará reciclando um
material que seria jogado no lixo e levaria um bom tempo para se decom­
por. Você poderá utilizar seu mural durante todo o trimestre. Esse recurso
oferece-lhe várias possibilidades, e também poderá ser utilizado para revisar
as lições no final do trimestre ou na hora de contar a história bíblica.
Se você trabalha com as classes de Maternal eJardim de Infância, peça a aju­
da dos alunos. É importante que todos participem na ornamentação do espaço.

Material: caixas de papelão de tamanhos diferentes, cola, papel para


encapar as caixas, lápis de cor, papel ofício.
Confecção: Com a ajuda dos alunos, encape as caixas. Cole figuras
de revistas antigas que estejam relacionadas às lições. As crianças do
Maternal e Jardim podem recortar as figuras e colar nas caixas.

Peixinhos coloridos
(Também pode ser utilizada no Maternal e Jardim)
Talvez seja a sua primeira experiência como professor(a) da Escola Domi­
nical. E natural que você fique um pouco ansioso (a). Saiba que, independen­
temente do tempo que temos como professores da Escola Dominical, sempre
que estamos diante de uma classe, nosso coração parece bater mais acelerado,
nossas pernas tremem e nossas mãos ficam frias. Será que estamos tendo uma
crise de pânico? Claro que não! Isso acontece com muitos professores, até mes­
mo os mais experientes. Todavia, sabemos que não estamos sozinhos. Quando
temos a certeza de que Deus está conosco, nos tomamos mais fortes, e temos
condições para enfrentar e vencer as dificuldades e os desafios. A cada aula fica­
mos mais tranqüilos e aproveitamos melhor cada momento com os alunos.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Deus é a nossa fonte de energia; nEle encontramos forças. Procure


estar ligado (a) ao Pai durante o decorrer do ano letivo para que a luz dEle
brilhe em você. Que as crianças possam aprender mais sobre o Pai por in­
termédio de sua vida. No final deste ano, você verá o quanto Deus fez por
você e através de você.
Férias de verão. Tempo de sol, banho de mar, cachoeira, rio... São
momentos especiais em que muitas crianças podem viajar e passear com
a família. Por isso, sugerimos alguns peixinhos bem coloridos. E impor­
tante explicar às crianças que Deus criou os peixes, os mares, os rios e as
estações do ano.

Justificativa: As crianças, já na primeira infância, precisam ouvir e


aprender que Deus é o grande Criador.
Objetivo: Explicar que Deus é o grande Criador.
Material: E.V.A. de cores variadas, tesoura, tubos plásticos (pasta de
dente ou cremes), tesoura, tinta acrílica e cola de contato.
Atividade: Lave bem o tubo e seque-o com uma toalha. Remova a
tampa (dependendo do tubo que você deseja utilizar). Corte o tubo
pela metade (depende do tubo você tem disponível). Faça no E.V.A.
a cauda (não precisa de molde; use a sua criatividade). Cole a cauda
no tubo utilizando a cola de contato. Faça os olhos em E.V.A. e pinte
o peixe com a tinta acrílica (as crianças vão pintar os peixes). Faça os
peixinhos bem coloridos. Cada aluno deverá ter o seu peixe.

Atividade para o Maternal

Livro do papai
(Também pode ser utilizada no Jardim)
No segundo domingo do mês de agosto, comemoramos o Dia dos Pais.
E importante que as crianças confeccionem uma lembrancinha e orem, agra­
M É TO D O S DE EN SIN O

decendo a Deus pela vida do papai. Apresentamos uma sugestão que não cus­
ta caro, e que você poderá realizar com as crianças do Maternal e do Jardim.

Justificativa: Os pais gostam e sempre esperam receber uma lembran­


ça da Escola Dominical no seu dia.
Objetivo: Homenagear os pais e mostrar às crianças que Deus ordena
que os filhos honrem e obedeçam aos pais.
Material: tinta guache (cores variadas), avental para pintura (você po­
derá improvisar utilizando alguns sacos plásticos), cola, régua, tesou­
ra, papel ofício, pincéis e retângulos de papelão (40 cm x 20 cm).
Atividade: Pegue dois pedaços de papelão e dobre-os ao meio, for­
mando um “livro”. Coloque os aventais nas crianças para que elas
não sujem a roupa. Em seguida, distribua a tinta guache e os pincéis
para que pintem as faces internas dos dois livrinhos de cores dife­
rentes. Utilize a cola para colar um “livro” no outro. Depois, peça às
crianças que pintem as palmas das mãos com o guache e em seguida
carimbem na capa e na contracapa, do “livro”, enfeitando-as. Para
finalizar, cole em cada página um retângulo de papel ofício e peça
que as crianças façam um desenho para o papai, em cada página. As
crianças dos primários poderão copiar alguns versículos ou criar al­
gumas frases para os pais. Caso você deseje, embale o livro em papel
celofane transparente.

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Atividade para o Jardim

Lembrancinha de Natal
(Também pode ser utilizada no Maternal e Primários)
O Natal é a festa cristã religiosa mais bonita do ano e você não vai dei­
xar que essa data passe em branco, vai? Então, que tal confeccionar algumas
lembrancinhas para presentear as crianças? Elas merecem! Passaram o ano
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

juntinho de você aprendendo a Palavra de Deus. Esta é uma sugestão que


não custa caro, e que você poderá confeccionar para as crianças da classe do
Maternal, Jardim e Primários.
Antes de oferecer as lembrancinhas, é importante explicar às crianças
que o Natal não é só presentes, festas ou comidas gostosas. O Natal é o nas­
cimento de Jesus, o nosso Salvador.

Justificativa: As crianças gostam e esperam receber uma lembranci-


nha do final do ano pela participação na Escola Dominical.
Objetivo: Oferecer uma lembrança e mostrar às crianças que no Natal
comemoramos o nascimento de Jesus, nosso Salvador.
Material: E.V.A. verde escuro, retalhos de E.V.A. colorido, cola quen­
te, cola acripuff, régua, tesoura e papel ofício.
Atividade: Corte um pedaço de E.V.A. (verde escuro) de 34 cm x 25
cm e uma tira de 34 cm x 6 cm (verde escuro). Cole a tira na parte
superior utilizando a cola quente. Recorte duas cantoneiras e cole.
Confeccione os bonecos utilizando os retalhos de E.V.A. e cole com
a cola quente na tira. Com a cola acripuff, escreva Feliz Natal. Você
também poderá decorar o risque e rabisque utilizando estrelinhas ou
sinos. Caso você deseje, embale em papel celofane transparente.

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Atividades para os Primários

Os amigos de Jesus
O objetivo dessa atividade é fazer com que as crianças aprendam que
podemos ter muitos amigos, mas Jesus será sempre o nosso maior e o me­
lhor Amigo.

Material: Uma caixa de presente, o nome Jesus escrito em um pedaço


de cartolina.
M É TO D O S DE ENSINO

Confecção: Encape uma caixa como se fosse para presente ou utilize


uma já pronta. Coloque dentro da caixa o nome de Jesus que você es­
creveu em um pedaço de cartolina. Sente-se em círculo com as crianças
no chão da classe. Diga que você trouxe um “presente” muito especial
e que gostaria de partilhar com todos, pois todos são amigos. Instigue
a curiosidade das crianças e pergunte quem sabe o que tem dentro da
caixa. Pergunte o que elas gostariam de oferecer a um amigo. Depois de
ouvir as crianças com atenção, peça que elas formem uma fila. Coloque
a caixa sobre uma mesa. Abra a caixa com cuidado e peça que a criança
leia o nome do nosso maior e melhor Amigo. Diga que Jesus é o melhor
presente que podemos receber e oferecer aos nossos amigos.

A igreja é...
Professor, ensinar a respeito da Casa de Deus é um privilégio. O ob­
jetivo desta atividade é fazer com que as crianças aprendam que a igreja
é um lugar especial onde Deus se faz presente. Que seus alunos possam
declarar como o salmista: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa
do Senhor!”

Justificativa: Muitos já não consideram mais a igreja como a Casa de


Deus e existe muita irreverência. Por isso as crianças precisam apren­
der que a igreja é um lugar especial.
Objetivo: Compreender que a igreja é a Casa de Deus.
Material: folha de papel ofício, folhas de papel pardo e canetinha hi-
drocor.
Atividade: Sente-se em círculo com as crianças no chão da classe.
Converse com elas explicando o significado da palavra “reverência”.
Depois, pergunte aos alunos o que eles consideram falta de reverência.
Vá anotando tudo em uma folha de papel pardo. Depois, mostre que
precisamos ter reverência na Casa de Deus, pois a igreja é um lugar
especial. Em seguida, peça que os alunos, em dupla (depende do nú­
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

mero de alunos de sua classe), utilizando as folhas de papel ofício e as


canetinhas, confeccionem pequenos cartazes sobre o que a igreja é.
Utilize os cartazes para enfeitar a classe durante o trimestre. Exemplos
de cartazes (frases):
“A igreja é a Casa de Deus.”
“A Casa de Deus é lugar de curas.”
“A Casa de Deus é lugar de perdão.”
“A Casa de Deus é lugar de louvor e adoração.”
“A Casa de Deus é lugar de alegria.”
“Na Casa de Deus há salvação.”
“Na Casa de Deus ouvimos a Palavra de Deus.”

Sirva a Deus com alegria


Professor, vivemos num tempo em que todos querem ser servidos,
mas ninguém quer servir a Deus ou ao próximo. Precisamos aprender com
o Mestre o que é servir. Jesus é o nosso maior exemplo, Ele tem muito a nos
ensinar. Certa vez, Jesus declarou que não veio a este mundo para ser servi­
do, mas para servir (Mt 20.26-28). Que você possa seguir, bem de perto, o
exemplo do Mestre. Aproveite a oportunidade ímpar de ensinar às crianças
que elas também podem servir ao Senhor.

Justificativa: Muitos já não querem mais servir a Deus e à sua igreja, e


não compreendem que servir a um Deus fiel é um grande privilégio.
Objetivo: Compreender que servir a Deus é uma honra, um grande
privilégio.
Material: folha de papel pardo ou papel manilha, canetinha hidrocor.
Atividade: Sente-se em círculo com as crianças, no chão da classe.
Converse com elas explicando o significado da palavra servir. Depois,
peça que os alunos citem alguns personagens bíblicos que serviram ao
Senhor. Depois, pergunte-lhes o que gostariam de fazer para servir ao
Pai. Vá anotando tudo em uma folha de papel ofício. Logo em segui­
M É TO D O S DE ENSINO

da, diga que podemos servi-lo com as nossas ofertas, com as nossas
orações, com o nosso louvor... É muito bom servir a Deus, por isso,
devemos servir ao Senhor com alegria. Em seguida, divida a classe em
dois grupos, meninos e meninas (dependendo do número de alunos),
e peça-lhes que completem o quadro. As crianças podem pesquisar
em suas Bíblias o nome dos personagens. Ganha o grupo que acertar
mais vezes e escrever o nome dos personagens corretamente. Conclua
a atividade explicando que servir ao Senhor é muito bom; quando o
servimos com alegria, todos ganham. Recite com eles Salmos 100.2.
Utilize o quadro sugerido para enfeitar a classe durante o trimestre.

Depois da morte de Moisés, servi a Deus


liderando seu povo.

Servi a Deus como profetisa e juíza.

Servi a Deus lutando contra os midianitas.

Servi a Deus ajudando minha sogra.

Servi a Deus lutando contra os profetas de Baal.

Servi a Deus ajudando uma viúva que


não tinha dinheiro para pagar suas dívidas.

Servi a Deus ajudando Naamã a ser curado.

Servi a Deus tocando minha harpa.

Servi a Deus construindo os muros de minha cidade.

Servi a Deus costurando para os necessitados.

Uma caminhada defé


Por intermédio da vida de alguns heróis da fé, as crianças podem
aprender alguns princípios bíblicos (obediência, fé, perdão, paciência)
que vão contribuir para que tenham uma vida cristã vitoriosa. Aprende­
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

mos com os patriarcas que, para alcançarmos as promessas de Deus, pre­


cisamos percorrer o caminho da fé e da obediência. Utilize esta atividade
para ensinar as crianças a respeito da chamada de Abraão. Que você e
seus alunos possam seguir o exemplo desse homem que foi chamado de
Amigo de Deus.

Justificativa: Muitos já não querem mais obedecer a Deus e esperar o


tempo para que suas promessas se cumpram.
Objetivo: Compreender que a obediência ao chamado de Deus con­

duz à vitória.
Material: uma mochila.
Atividade: Sente-se em círculo com as crianças no chão da classe.
Converse com elas, explicando a respeito dos patriarcas. Pergunte às
crianças se elas sabem o significado da palavra patriarca. Em seguida,
diga que os patriarcas são os pais da nação de Israel. Tudo começou
com Abraão. Ele deixou sua casa, seus parentes e amigos, e foi para
uma terra que Deus lhe mostraria. Abraão caminhou por fé. Você dei­
xaria tudo para seguir ao Senhor?
Entregue a mochila ao aluno (a) que estiver sentado à sua direta e de­
pois faça a seguinte pergunta: Se você tivesse de acompanhar Abraão
em sua viagem, o que você levaria em sua mochila? A criança deverá
dizer: Meu nome é Thayná, e levaria minha Bíblia. Em seguida pas­
sará a mochila para o colega ao lado que deverá dizer o seu nome e o
que levaria, e mais o que foi dito pelo colega anterior. O último aluno
deverá tentar repetir tudo que foi dito pelos colegas. Este é um bom
exercício para a memória.

Agradecendo a Deus pela provisão


Professor, esta atividade poderá ser utilizada ao estudar a respeito da
história do povo de Deus. O Senhor sempre teve um carinho especial para
com o povo hebreu. Mas o propósito do Senhor nunca foi trazer favores
M É TO D O S DE ENSINO

e privilégios somente para os israelitas. O propósito do Pai era que Israel,


como nação santa, mostrasse ao mundo que só o Senhor é Deus. Nós tam­
bém fomos escolhidos pelo Senhor para mostrar ao mundo as virtudes do
evangelho de Cristo. Desfrute desse privilégio, proclame a Palavra de Deus
e seja uma bênção nas mãos do Senhor.

Justificativa: Muitos alunos, embora na primeira infância, já expe­


rimentam algum tipo de privação. Em nossas vidas atravessamos
desertos; todavia, o Senhor está conosco. Ele supre as nossas neces­
sidades.
Objetivo: Compreender que Deus supre as nossas necessidades, por
isso devemos agradecer.
Material: Folha de papel pardo, cola, revistas antigas e caneta hidrocor.
Atividade: Divida a classe em grupos. Entregue a cada grupo uma
folha de papel e o restante do material. Peça às crianças que re­
cortem das revistas figuras de alguns dos alimentos que Deus nos
dá. Em seguida, elas vão colar as figuras na folha de papel pardo.
Depois peça que escrevam o seguinte título: “Toda a nossa comida
vem de Deus”. Concluída a atividade, fixe as folhas em uma das
paredes da classe expondo o material. Reúna-se com as crianças e
peça que observem tudo que Deus nos dá. Depois faça as seguintes
perguntas: Quando o povo de Israel ficou sem comida, o que eles
fizeram? Oraram ou reclamaram? Eles reclamaram. Mas Deus é tão
bondoso que enviou a comida necessária para eles. Deus, todos os
dias, enviava o suficiente para seu povo. O Senhor também manda
o suficiente para nós. Talvez você não coma um bifinho ou batata
frita todos os dias, mas com certeza você tem o feijão, o arroz e
o pão. Vamos agradecer a Deus, pois todo o alimento vem dEle.
Quando faltar alguma coisa, não reclame, ore. Conclua orando
com as crianças pela provisão de Deus.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Jesus, o Salvador
Você já apresentou o plano da salvação aos seus alunos? Não podemos
nos esquecer de que os filhos dos crentes não são “crentinhos”. A salvação
é individual, pessoal, e as crianças precisam ser conduzidas a Cristo. Seus
alunos já compreendem com clareza o plano da salvação. Que eles possam
tomar a decisão mais importante de suas vidas — receber a Jesus como
único e suficiente Salvador.

Justificativa: Mostrar às crianças por que precisamos de um Salvador.


Objetivo: Conscientizar seus alunos de que só Jesus Cristo perdoa
pecados e nos salva.
Material: folhas de papel ofício e palitos de picolé.
Atividade: Sente-se com as crianças no chão da classe. Distribua as
folhas de papel ofício. Peça que os alunos observem a folha. Ela está
bem limpinha e bem esticadinha. Diga que Deus criou o homem e a
mulher (Adão e Eva) para serem felizes. Eles moravam em um lindo
jardim. O coração de Adão e Eva era bem parecido com a folha de
papel que vocês estão segurando, bem limpinho, pois eles não tinham
pecado. Em seguida pergunte aos alunos: “O que é pecado?” Diga que
pecado é tudo aquilo que desagrada a Deus (dê exemplos). Adão e Eva
desobedeceram ao Senhor. A desobediência é pecado. Agora peça que
os alunos amassem bem a folha e em seguida tentem desamassá-la.
O pecado deixou o coração de Adão e Eva assim, parecido com esta
folha, todo amassado, enrugado, sujo e feio. Mas Deus nos ama muito,
por isso Ele enviou Jesus ao mundo para nos salvar. (Ensine os alunos
a fazer uma cruz com os palitos de picolé) Jesus, o Salvador morreu
na cruz por amor a nós. Ele foi sepultado, mas ao terceiro dia voltou a
viver. Jesus está vivo! “Você deseja convidá-lo para entrar em seu co­
ração?” Quer pedir para Ele deixar seu coração limpinho como essa
folha? (Mostre uma nova folha de papel ofício.) Se você deseja que
Jesus limpe o seu coração e venha habitar nele, ore comigo: “Querido
M É TO D O S DE ENSINO

Jesus, eu te aceito como meu Salvador. Entra no meu coraçao. Perdoa


os meus pecados e me salva. Amém”.

Jesus, o melhor Amigo


As crianças da classe de primários são bem sociáveis. Os meninos e as
meninas gostam de brincar juntos e quase não há atritos ou disputas entre
eles. Aproveite essa característica para explorar bem o tema amizade. Pro­
cure mostrar que os amigos são como presentes de Deus. É bom ter amigos,
mas existe alguém que nos ama muito e deseja ser o nosso maior e melhor
amigo: Jesus.

Justificativa: Mostrar às crianças que emborajesus seja o nosso Salva­


dor, Ele também deseja ser o nosso melhor amigo.
Objetivo: Conscientizar seus alunos de que Jesus é o maior e melhor
amigo que podemos ter.
Material: caixas de papelão (de preferência quadrada), folhas de pa­
pel ofício, lápis de cor, canetinha hidrocor, papel silhueta lustroso ou
papel pardo e cola.
Atividade: Que tal preparar com a ajuda dos alunos um mural para
enfeitar a classe durante o trimestre? Providencie as caixas de papelão
já encapadas com papel pardo ou papel silhueta lustroso. Sente-se com
as crianças no chão da classe. Depois pergunte: “Quem é o seu melhor
amigo?” Ouça os alunos e explique que é bom ter amigos, mas Jesus é
sempre o melhor e maior amigo que podemos ter. Em seguida, leia os
títulos das lições. Depois, de acordo com o número de alunos, divida
a turma em grupos. Distribua folhas de papel ofício, cola, lápis de cor
e canetinha hidrocor para os alunos. Cada grupo deverá ilustrar, com
desenhos, o título de uma lição (de acordo com o tamanho da turma).
Depois, cole os desenhos nos lados da caixa. Está pronto o seu mural.
Coloque o mural sobre uma cadeira ou mesa. Procure utilizar caixas
quadradas, pois assim você poderá utilizar os quatro lados.
108 E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

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Atividades para os Juniores


Meu verdadeiro Herói
O objetivo desta atividade é levar as crianças a perceber que Jesus é o
Herói dos heróis. Quando confiamos nEle, também nos tornamos heróis
da fé. A fé em Cristo Jesus transforma o fraco em forte, faz dele um campeão
de verdade.

Material: Quadro de giz, giz, folhas de papel ofício e lápis.


Desenvolvimento: Peça que os alunos sentem-se em círculo no chão
da classe. Depois, solicite que eles formem dois grupos (podem ser
meninos x meninas). A seguir, escreva no quadro de giz os nomes de
alguns heróis da fé, sem as vogais. Por exemplo: Mss (Moisés), Dv
(Davi), br (Abraão), PI (Paulo). Determine um tempo para que os alu­
nos descubram as palavras. O grupo que acertar mais palavras será o
vencedor. Ainda em grupo, conclua a atividade mostrando aos alunos
o quanto é bom fazer parte de um grupo vencedor. Aqueles que creem
em Jesus e entregaram sua vida a Ele já fazem parte desse grupo, que é
mais que vencedor.

A Bíblia é...
As crianças também precisam de doutrinas, pois estamos vivendo
tempos trabalhosos, onde muitas heresias têm sido disseminadas. As crian­
ças precisam conhecer o que a Bíblia ensina sobre Deus, Jesus Cristo, céu,
inferno, etc. Precisam explicar no que creem e por que creem, por isso, para
auxiliá-lo, sugerimos esta dinâmica.

Justificativa: Na atualidade, muitos têm a Bíblia apenas como um li­


vro- Todavia, as crianças precisam saber que a Bíblia não é somente um
livro como os outros, mas é a inerrante Palavra de Deus.
M É TO D O S DE ENSINO

Objetivos: Compreender que a Bíblia é o Livro de Deus.


Material: caixa de presente, quadro de giz, giz e cartões com os seguin­
tes desenhos: espada, fogo, mel, lâmpada, martelo, semente, água.
Atividade: Providencie a caixa de presente e os cartões com os dese­
nhos: espada, fogo, mel, lâmpada, martelo, semente e água. Coloque
os cartões dentro da caixa. Peça que os alunos fiquem em círculo. A
caixa deverá passar de mão em mão. Quando você disser pare, a crian­
ça que estiver com a caixa na mão deverá abri-la e pegar um cartão.
Peça que ela, utilizando apenas gestos, mímica, diga à turma o que está
no cartão. Se as crianças não conseguirem acertar, o aluno deverá de­
senhar no quadro de giz. Conclua a atividade fixando os desenhos no
quadro de giz e explicando que a Palavra de Deus é como o martelo
que esmiúça a penha (Jr 23.29); como uma lâmpada que ilumina o
nosso caminho (Sl 119.105); como o mel (Sl 119.103), etc. Explique
que devemos ler e obedecer a tudo o que a Bíblia diz.

O título é...
O objetivo desta atividade é levar os alunos a colocarem a fé em prá­
tica, pois a Escritura Sagrada nos ensina que a fé sem obras é morta (Tg
2.26). Os crentes da Igreja Primitiva viviam o que criam e pregavam, por
isso, a igreja cumpriu sua missão evangelística e social experimentando a
manifestação do poder divino. Antes de sua ascensão, Jesus estabeleceu al­
guns princípios para a sua Igreja. Como servos seus, desejamos que nossos
alunos observem esses princípios, que são imutáveis e que nos ajudarão a
alcançar a vida eterna.

Justificativa: A nossa fé deve ser demonstrada em ações, pois, como


Igreja do Senhor, devemos ser “sal” e “luz” neste mundo.
Objetivos: Que os alunos compreendam que precisamos colocar nos­
sa fé em ação.
Material: Frases sobre a igreja em tiras de papel e caixa de papelão.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Atividade: Sente-se em círculo com seus alunos. Depois, pergunte


aos alunos: “O que é a igreja? A igreja é um prédio onde as pessoas
se reúnem para cultuar a Deus?” Ouça as reposta com atenção e, em
seguida, explique o significado da palavra Igreja. Diga que a palavra
“igreja” vem do grego ekklesia e significa “os que são chamados para
fora”, ou seja, aquelas pessoas que deixaram o mundo e pela fé pas­
saram a seguir a Jesus. Fale que a Igreja tem uma importante missão
aqui na Terra: “Anunciar o evangelho de Jesus Cristo”. Para isso fo­
mos salvos. Em seguida, divida a turma em dois grupos (meninas x
meninos). Depois, pegue a caixa e peça que um aluno do grupo dos
meninos retire uma tira, e, por meio de gestos (mímica), diga o que
está escrito no papel. A classe terá que adivinhar o título. Conclua
mostrando que, para a igreja cumprir sua missão, precisamos colocar
a nossa fé em ação.

Sugestões de frases:
• Igreja, Casa de Deus;
• Igreja, lugar de adoração a Deus e serviço;
• Igreja, família de Deus;
• Igreja, o inferno não pode contra ela;
• Igreja, comunidade de amor;
• Igreja, lugar de refugio.

Vamos sonhar...
Quais são os seus sonhos em relação à sua classe? O que você tem
feito para alcançá-los? O objetivo desta atividade é conscientizar os alu­
nos de que Deus tem poder para realizar os nossos sonhos que estive­
rem de acordo com a vontade dEle. Seus alunos estão iniciando a vida
cristã, por isso é importante que aprendam que sonhar é algo salutar,
pois logo eles estarão sonhando com uma carreira profissional, com um
casamento, viagens, etc. Porém, mostre a eles que devemos apresentar,
colocar nossos sonhos diante de Deus. Precisamos sonhar, confiar em
M É TO D O S DE ENSINO

Deus e fazer a nossa parte. Sonhar que deseja ser médico e não querer
estudar é bobagem. Precisamos também ter paciência para esperar o
tempo de Deus. Quanto tempo José teve de esperar para que seus so­
nhos se realizassem?
Os juniores também terão a oportunidade de aprender que Deus pode
reverter uma situação difícil em bênção. José passou por maus momentos
em sua vida, mas não deixou de acreditar, confiar e esperar no Senhor.
Passou grande parte da sua mocidade em uma prisão. Mas, naquele lugar
terrível, Deus estava preparando seu servo para que seus sonhos fossem
realizados.

Justificativa: Vivemos tempos difíceis; muitos já perderam a espe­


rança e não têm mais sonhos. Porém, sonhar é algo salutar. Os que
confiam em Deus podem continuar sonhando, mesmo que as circuns­
tâncias sejam contrárias.
Objetivos: Mostrar que Deus pode realizar nossos sonhos que este­
jam de acordo com sua vontade.
Material: Quadro de giz e giz.
Atividade: Sente em círculo com os alunos. Depois, peça que um alu­
no vá até o quadro de giz e, utilizando apenas um desenho, demonstre
qual o seu maior sonho. Os colegas terão de descobrir qual é o sonho.
Quem acertar ganha um ponto. Todos os alunos devem participar.
Conclua mostrando que Deus tem poder para realizar nossos sonhos
se estes estiverem em conformidade com a vontade dEle.

Enigma do rei
Professor, seus alunos já estudaram a respeito dos reis de Israel? Du­
rante muito tempo, Israel não teve um rei como as outras nações. Era Deus
quem governava o seu povo por intermédio dos líderes. Mas os israelitas
queriam um rei. Não era errado Israel querer um rei, pois Deus já havia
mencionado essa possibilidade em Deuteronômio 17.14-10. O erro estava
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

no fato de que o povo rejeitava a Deus como seu líder. Porém, o Senhor, na
sua infinita misericórdia e bondade, instituiu a monarquia.
Para ensinar a respeito de alguns reis, sugerimos uma atividade com
enigmas. De forma lúdica, você vai introduzir o assunto e descobrir o que
seus alunos sabem a respeito do tema.

Justificativa: E importante saber o que seus alunos já conhecem sobre


o assunto que será tratado.
Objetivo: Conhecer o nome de alguns reis de Israel.
Material: Folha de papel ofício com as letras do alfabeto, canetinha
hidrocor.
Atividade: Escreva as letras do alfabeto em folhas de papel ofício. En­
tregue uma letra para cada aluno. Eles não poderão trocar as letras com
os colegas. Faça o primeiro enigma: “Estava procurando as jumentas
de meu pai e acabei me tornando rei. Quem sou eu? Dado um sinal,
cada um deverá procurar se juntar ao outro colega que possua as letras
que vão formar o nome do rei: “Saul”. O grupo que conseguir formar
mais rápido a resposta ganha um ponto. Vencerá os alunos que conse­
guirem mais pontos.

Sugestões de enigmas:
• Tomava conta dos rebanhos de meu pai quando o profeta foi à minha
casa e me ungiu dizendo que seria o novo rei de Israel. Quem sou eu?
• Escrevi vários provérbios. Meu reino foi muito próspero. Quem
sou eu?
• Deixei de ouvir o conselho dos mais velhos e a minha nação acabou
dividida. Quem sou eu?
• Fiz muitas coisas erradas. Pequei muito. Fui casado com uma rainha
muita malvada. Quem sou eu?
• Ganhei uma guerra louvando a Deus. Quem sou eu?
• Confiei em Deus e o Senhor me livrou do rei da Assíria. Quem sou eu?
M É TO D O S DE ENSINO

Profetas de Deus
Professor, seus alunos já estudaram ou vão estudar a respeito dos pro­
fetas? Esses homens foram chamados por Deus para advertir e consolar o
seu povo, levando-os a cumprir os preceitos divinos. Explique aos alunos
que Deus sempre procurou comunicar-se de modo pessoal com os homens.
Os profetas eram os porta-vozes de Deus, ou seja, eles falavam em nome do
Todo-Poderoso, estabelecendo um canal de comunicação entre os homens
e Deus. Porém, no Novo Testamento, o Pai se revelou a toda a humanidade
de uma forma sublime e surpreendente, falando conosco por intermédio de
seu Filho, o maior Profeta de todos os tempos (Hb 1.1). Hoje, quando re­
cebemos a Jesus como nosso Salvador, passamos a ter um relacionamento
pessoal com Deus. Podemos ouvir a voz do Pai falando diretamente conosco.
Todavia, Deus não encerrou o ministério profético no Novo Testamento; Ele
continua a utilizar os seus profetas para revelar sua vontade ao seu povo.

Justificativa: É importante que os alunos saibam que Deus sempre


desejou se comunicar com o homem. Ele utilizou-se de vários meios
para que seu povo pudesse ouvir sua voz e conhecer sua vontade.
Objetivo: Compreender que Deus utilizou vários métodos para se
comunicar com os homens. Ele utilizou a palavra escrita, os anjos, so­
nhos e os profetas.
Material: Folha de papel pardo e caneta hidrocor.
Atividade: Divida a classe em grupos. Entregue a cada grupo uma fo­
lha de papel e a canetinha hidrocor. Peça que as crianças façam uma
pesquisa, utilizando a Bíblia, e desenhem os vários meios que Deus
utilizou para comunicar-se com o homem. Depois peça que escrevam
o seguinte título: “Deus fala conosco”. Concluída a atividade, fixe as
folhas em uma das paredes da classe expondo o material. Reúna-se
com os juniores e faça as seguintes perguntas: “Quem gostaria ser um
profeta de Deus? A vida de profeta é fácil? Por que ser profeta no tem­
po do Antigo Testamento e atualmente é difícil?” Conclua a atividade
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

orando com a classe. Peça a Deus que cada um possa agir como um
profeta, pregando a Palavra de Deus para aqueles que ainda não acei­
taram a Jesus como Salvador.

Aprendendo com Jesus


Jesus é o Mestre por excelência e o maior Pedagogo de todos os tem­
pos. Seu ensino era inclusivo. Ele sabia aproveitar bem as oportunidades,
ensinando a todos a respeito do amor do Pai. Sua metodologia era única
e atraía multidões. Esta é uma oportunidade ímpar não somente para os
seus alunos, mas para você como docente da Escola Dominical. Observe os
recursos didáticos que Ele utilizou, sua metodologia e principalmente o seu
amor para com as pessoas. Aprenda com o Mestre e você verá os resultados
em sua classe.

Justificativa: E importante que os alunos saibam que Jesus nos deixou


ensinos preciosos. Esses ensinamentos, se aplicados em nosso dia a
dia, nos ajudam a viver de modo santo e a ser mais felizes.
Objetivo: Compreender que os ensinos de Jesus são para os homens
de todos os tempos e culturas.
Material: folhas de papel ofício com as frases sugeridas abaixo, lápis de
cor, lápis preto e caneta hidrocor, fita adesiva e folhas de papel pardo.
Atividade: Sente-se com os alunos em círculo no chão da classe. Peça
que eles citem o nome de um professor da Escola Dominical ou do en­
sino secular de que mais gostaram. Pergunte o que esse professor tinha
de especial. Pergunte também se alguém gostaria de ser um profes­
sor quando crescer. Diga que eles vão aprender a respeito do melhor
Professor de todos os tempos. Isso mesmo, vamos aprender a respeito
dos ensinos de Jesus. O Mestre ensinou a respeito do perdão, da feli­
cidade, da oração, das riquezas, sobre o amor ao próximo, o amor a
Deus, sobre o sal e a luz do mundo e a respeito do caminho do céu.
Peça que os alunos formem grupos. Distribua as folhas de papel ofício
M É TO D O S DE EN SIN O

com as frases sugeridas entre os grupos, os lápis de cor e as canetinhas.


Dependendo do número de alunos de sua classe, os grupos podem
ficar com uma ou mais folhas. Em seguida explique que cada grupo
terá que ilustrar a frase com desenhos. Depois que os grupos forem
terminando, fixe as folhas de papel ofício no papel pardo montando
um cartaz. Coloque como título o tema: “Os ensinos de Jesus”. Utilize
o cartaz para enfeitar sua classe. Caso deseje, peça que o grupo leia as
referências bíblicas depois de ilustrarem as frases.

Sugestões de frases:
• Jesus ensina sobre o perdão (Mt 18.21-35);
• Jesus ensina a respeito do amor ao próximo (Lc 10.25-37);
• Jesus ensina a orar (Mt 6.5-13);
• Jesus ensina sobre o amor a Deus (Mt 22.34-40);
• Jesus ensina sobre a humildade (Mt 18.1-5);
• Jesus ensina sobre a felicidade (Mt 5.1-12);
• Jesus ensina sobre a amizade (Mt 4.12-25).

Herói de verdade
Basta dar uma olhada na mídia para encontrarmos vários tipos de “he­
róis” e “heroínas” que foram fabricados para impressionar nossas crianças.
Eles estão presentes nos filmes, nos desenhos animados, revistas em quadri­
nhos, videogames, etc. Em geral estes pseudo-heróis lutam muito bem, usam
armas “poderosas” e “poderes” mágicos. Mas não queremos que nossas crian­
ças se iludam com esses falsos heróis e heroínas. Por isso, ao realizar esta ati­
vidade, você terá a oportunidade ímpar de mostrar aos seus alunos que para
ser um herói nem sempre é preciso estar com uma espada na mão ou lutar
com vários inimigos, como ocorre nos filmes ou desenhos animados. Jesus,
o maior herói de todos os tempos, não lutou com ninguém e nem pegou em
armas, porém Ele fez o que ninguém jamais faria — dar a sua vida em favor de
pessoas malvadas que não mereciam ser amadas ou perdoadas.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Justificativa: É importante imprimir na mente e no coração de nos­


sos alunos valores cristãos, como por exemplo, fé, amor, obediência e
fidelidade.
Objetivo: Compreender que a fé em Deus nos faz heróis de verdade.
Material: caixa de papelão, figuras representando os personagens da
lição, por exemplo: um cestinho (a figura estará representando Joque-
bede); um cordão de fio vermelho, que pode ser confeccionado com
lã (Raabe); mãos unidas em oração (Abigail); uma harpa (josafá);
um muro (Neemias); um pergaminho (jeremias); gafanhoto e mel
(João Batista); várias pedras (Estêvão); uma manjedoura e uma cruz
(Jesus).
Atividade: Sente-se com os alunos em círculo no chão da classe. Faça
as seguintes perguntas: “Você tem um super-herói favorito? Qual o
nome dele? Cite algumas características do seu super-herói favorito”.
Incentive a participação e ouça com atenção as respostas dos alunos.
Explique que esses super-heróis foram todos criados pelo homem.
Estes não são heróis de verdade. Porém, na Bíblia encontramos mui­
tos heróis e heroínas de verdade, mas isso não significa que esses
homens e mulheres tinham “super-poderes”, “armas especiais” ou lu­
taram com vários inimigos ao mesmo tempo. Não! Eles se tornaram
heróis porque tinham fé em Deus. A confiança no Senhor fez com
que eles tivessem coragem para obedecer a Deus e fazer a coisa certa,
vencendo os inimigos. A nossa fé em Deus é uma “arma” poderosa
que nos faz vencer e nos torna heróis de verdade. Em seguida, expli­
que aos alunos que uma caixa deverá ser passada de mão em mão e
quando você disser a frase “Meu herói favorito!” eles devem parar. O
aluno que ficou segurando a caixa deverá abri-la, retirar uma figura e
dizer o nome do herói que a figura representa. Se não conseguir acer­
tar, a figura volta para caixa e a brincadeira continua até que todas
as figuras tenham sido retiradas e que todos tenham acertado. Você
também poderá dar algumas pistas, como por exemplo: “Quem teve
M É TO D O S DE ENSINO

a ideia de fazer esse cesto e foi uma mãe muito corajosa que confiava
em Deus? Ela queria salvar o seu filho da morte, por isso, colocou-o
num cesto e o levou até um rio. Seu nome é ...”

'- 4 -

Atividades para Pré-Adolescentes


O pecado
Seus alunos já estudaram a respeito do plano da salvação? Está será
uma oportunidade ímpar para mostrar aos seus alunos o plano traçado pelo
Senhor, desde o Éden, para salvar a humanidade da maldição do pecado
(Gn 3.15). A salvação é o maior presente de Deus para o homem. Ela cus­
tou um preço muito alto, a morte de Cristo na cruz do Calvário.

Justificativa: Os adolescentes precisam estar conscientes de que o pe­


cado nos separa de Deus.
Objetivo: Compreender que o sangue de Jesus nos purifica de todo
pecado.
Material: Folhas de papel ofício.
Atividade: Professor, sente-se com seus alunos em círculo. Apresente
o tema do trimestre e em seguida distribua uma folha de papel ofício
para cada aluno. Peça que balancem a folha e ouçam o barulho que
ela faz. Em seguida, sugira que observem a textura do papel. Diga que
quando nascemos somos como a folha branca de papel, pois anda não
temos consciência do pecado. Porém, à medida que vamos crescen­
do, cometemos erros, falhas e passamos a ter consciência dos nossos
erros. Sabemos a diferença entre certo e errado. Peça que amassem a
folha e em seguida tentem desamassá-la. Diga que o pecado nos deixa
assim. Marcados, enrugados. Já não temos mais o mesmo som (peça
que balancem a folha). Não temos a mesma textura (reparem que o
papel fica mais pesado, encorpado e até menor). O pecado nos fere,
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

nos machuca e nos afasta de Deus. Mas Jesus veio a este mundo para
nos libertar do poder do pecado. Ele morreu e ressuscitou para nos
dar uma nova vida. Quando confessamos a Deus nossos pecados e
pedimos o seu perdão, Ele limpa a nossa vida com o sangue de Jesus
(1 Jo 1.7). Jesus apaga os nossos pecados, cura as feridas e nos dá
uma nova vida (mostre uma nova folha de papel ofício). Conclua
lendo 2 Coríntios 5.17.

Faça a escolha certa


Não podemos escolher a cor dos nossos olhos, o nosso tom de pele
ou a nossa família. Mas na vida há escolhas que podemos fazer. Você pode
escolher qual profissão seguir, pode escolher com quem deseja se casar e
também o número de filhos que vai ter. Porém, o mais importante em nos­
sas escolhas é procurar sempre saber qual é a vontade de Deus em nossas
vidas. Não devemos escolher nada sem antes consultar ao Senhor.

Justificativa: É importante mostrar aos pré-adolescentes que as nos­


sas escolhas devem ser sempre orientadas por Deus.
Objetivo: Compreender que quando tomamos decisões sábias o
nome de Deus é glorificado em nossas vidas.
Material: Duas bacias plásticas e bolinhas de papel de duas cores dife­
rentes (uma cor para as meninas e outra para os meninos). Você pode­
rá utilizar papel crepom para confeccionar as bolinhas. Cole em uma
das bacias uma folha de papel ofício com a seguinte frase: “Decisões
certas”. Na outra bacia, cole a folha com o seguinte título: “Decisões
erradas.”
Atividade: Divida a turma em dois grupos, meninos e meninas. Os
grupos deverão ficar a certa distância das bacias. Cada aluno vai re­
ceber duas bolinhas de papel e terá duas chances. Na primeira deverá
tentar acertar a bolinha de papel na bacia com as “decisões certas’ e
na segunda a bacia com as “decisões erradas”. Ganha o grupo que tiver
mais bolas nas bacias.
M É TO D O S DE ENSINO

Depois se reúna com os alunos em círculo e mostre que às vezes to­


mar a decisão certa não é tão fácil; todavia, com a ajuda de Deus, é
possível. Conclua lendo o texto bíblico de Salmos 143.10: “Ensina-
me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus; guia-me o teu bom
espírito por terra plana”.

A verdadeira beleza
Professor, como já é do seu conhecimento, os adolescentes estão em
uma fase de mudanças — psicológicas e físicas. Porém, muitos não acei­
tam essas mudanças, pois estamos vivendo a chamada “ditadura da beleza”.
Os padrões de beleza do mundo são difíceis de alcançar, ou melhor, quase
impossíveis. Muitos adolescentes influenciados pelos padrões de beleza da
nossa sociedade acabam por enfermar no corpo e na alma. Temos visto um
crescente número de casos de bulimia e anorexia. Outros acabam desenvol­
vendo uma baixa autoestima. Logo, dá para perceber a relevância do tema
que será estudado. Esta atividade vai permitir que você perceba os padrões
de beleza de seus alunos.

Justificativa: E importante mostrar aos pré-adolescentes que Deus


nos criou de forma especial e que não podemos nos deixar influenciar
pelos padrões de beleza mundanos.
Objetivo: Compreender que Deus nos criou de modo especial. Todos
têm habilidades e aos olhos do Pai são especiais e belos.
Material: Folhas de papel pardo, revistas velhas e cola.
Atividade: Distribua revistas antigas, folhas de papel pardo, tesoura
e cola. Divida os alunos em grupos e distribua os materiais entre eles.
Peça que os alunos encontrem figuras de homens e mulheres que con­
siderem “bonitos” e elegantes. Oriente para que eles colem as figuras
na folha de papel pardo.
Depois se reúna com os alunos em círculo, peça que cada grupo
mostre as figuras que escolheram e digam o porquê da escolha. Ouça
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

com atenção os alunos e faça as considerações que achar necessárias.


Explique que estamos vivendo a chamada “ditadura da beleza”. Os pa­
drões de beleza mudam de uma cultura para a outra. O que é bonito
para o chinês pode não ser bonito para o brasileiro. Todavia, cada povo
tem a sua beleza. Explique que o conceito de beleza da nossa socieda­
de não está baseado em princípios bíblicos. O mundo “exige” que os
jovens sejam “sarados”, as meninas têm que ser magras (estilo Barbie),
louras e de cabelos bem lisos. Este não é o padrão de beleza dos brasi­
leiros (cite algumas características do nosso povo). Conclua lendo Ro­
manos 12.2. Explique que devemos cuidar do nosso corpo, pois ele é o
templo do Espírito Santo, porém a beleza deve vir de dentro para fora.
Não podemos aceitar a “forma” deste mundo. Deus nos criou de modo
especial e Ele não olha a nossa beleza exterior, mas vê o nosso interior
( l Sm 16.7). Cada criatura de Deus tem algo especial. Conclua pedin­
do que os alunos se virem para a pessoa que está ao seu lado e ressaltem
uma característica positiva.

Parábolas utilizando colagem


Quem não gosta de ouvir uma boa história? Jesus, como ninguém, uti­
lizou este método tão criativo em seu ministério de ensino para instruir
acerca das verdades fundamentais do Reino de Deus. Apesar da forma
criativa, as parábolas têm ensinos preciosos que contribuem para o nosso
crescimento espiritual.

Justificativa: É importante mostrar aos pré-adolescentes que nas pará­


bolas de Jesus encontramos ensinos preciosos que nos ajudam a cres­
cer na graça e no conhecimento.
Objetivo: Compreender o que é uma parábola e que para elaborar
uma é preciso sabedoria e criatividade.
Material: Folhas de papel pardo, revistas antigas, cola, canetinha hi-
drocor e tesoura.
M É TO D O S DE ENSINO

Atividade: Sente-se com os seus alunos em círculo e faça as seguintes


perguntas: “O que é uma parábola? Você tem alguma parábola favorita?”
Explique que uma parábola, segundo Lawrence Richards, “é uma histó­
ria ou objeto colocado ao lado de uma verdade espiritual para esclarecer
seu significado ou importância”. Em seguida, divida os alunos em grupos
e distribua os materiais entre eles. Peça que os alunos, utilizando as figu­
ras de revistas e as canetinhas, ilustrem uma parábola que será estudada
no trimestre. Eles deverão fazer um trabalho de colagem.
Depois se reúna com os alunos em círculo. Peça que cada grupo mos­
tre o seu trabalho e digam o porquê da escolha. Ouça com atenção os
alunos e faça as considerações que achar necessárias. Explique que as
parábolas de Jesus têm ensinos preciosos para nossas vidas.

Atividades para Adolescentes

Meu pai se parece com...


Esta atividade é a respeito da instituição mais importante de uma so­
ciedade — a família. O objetivo é ensinar aos jovens que, embora a família
venha sofrendo, ao longo dos tempos, com os ataques do Inimigo, ela con­
tinua sendo uma bênção de Deus para o homem.

Justificativa: Muitos conflitos na família são resultados de não mais se


observar os princípios bíblicos.
Objetivo: Mostrar que os membros da família não são todos iguais;
todavia, se todos procurarem cumprir os princípios de Deus, a família
será bem-sucedida.
Material: Caixa com vários objetos (molho de chaves, caneta, espe­
lho, pente, etc.), quadro de giz e giz.
Atividade: Professor, sente-se com os alunos em círculo. Coloque
no centro do círculo a caixa com os vários objetos que você trouxe.
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Depois peça que os alunos escolham um objeto que possa represen­


tar um membro de sua família. Dê um tempo para que façam suas
escolhas. Em seguida, peça que eles digam qual membro da família
o objeto representa e o porquê da escolha. Ouça-os com atenção e
faça as observações que julgar necessárias. Explique que a família é a
reunião de pessoas com temperamentos e personalidades diferentes.
Para que a vida em família seja uma bênção é preciso que os mem­
bros da família cumpram os princípios bíblicos. Peça que os alunos
leiam estes princípios:
•Princípios para os maridos - Ef 5.25,26
•Princípios para as esposas - Ef 5.22,23
•Princípios para os filhos - Ef 6.1,2
•Princípios para os pais - Ef 6.4

Quem sou eu?


O objetivo desta atividade é ensinar aos jovens que, embora vivamos
neste mundo, não podemos nos conformar com sua filosofia, ou seja, a ma­
neira de pensar das pessoas (Rm 12.2). Precisamos viver como cidadãos do
céu, porém isso não significa que tenhamos de viver alienados, isolados de
tudo e de todos.

Justificativa: Como indivíduos, os adolescentes precisam conhecer a


si mesmos. Eles estão numa fase de mudanças, logo, precisam estar
conscientes de seus defeitos e de suas qualidades para que venham
crescer, como pessoa, de modo saudável.
Objetivo: Mostrar que às vezes as outras pessoas têm uma imagem de
nós que desconhecemos.
Atividade: Com antecedência, converse com alguns adolescentes e peça
que eles imitem alguns colegas. Tenha o cuidado para que as imitações
não sejam ofensivas, faça de modo que ninguém fique aborrecido.
Sente-se com os alunos em círculo. Peça que um aluno (já escolhido
M É TO D O S DE ENSINO

anteriormente) imite um colega da classe. Depois pergunte se eles sa­


bem quem é. Converse com a pessoa que foi imitada pelo colega. Per­
gunte o que achou e se concorda que age daquela forma. Explique que
muitas pessoas ficam muito preocupadas com a imagem que os outros
têm delas, porém o mais importante é a imagem que temos de nós.
Se quisermos fazer uma avaliação sobre nós, precisamos nos conhe­
cer. Conclua enfatizando o fato de que não somos todos iguais. Somos
únicos. Não podemos abrir mão da nossa individualidade usando as
mesmas roupas que os outros, ou cortando e arrumando o cabelo só
porque todos estão fazendo de determinada forma. Se desejar, leia e
discuta com os alunos os seguintes versículos: Mateus 5.48; Salmos
17.15; 139.1,2,15.

O atleta cristão
Professor, que tal mostrar aos alunos como fazer parte da equipe de
Cristo e quais os exercícios diários que temos que fazer para subirmos ao
pódio? Como atletas, precisamos de muita disciplina e muitas horas de trei­
namento, pois, afinal, pertencemos a um time de vencedores.

Justificativa: Os adolescentes precisam estar conscientes de que o


crente faz parte de uma equipe vencedora, pois Jesus é o Grande Trei­
nador. E, como parte de uma equipe vencedora, precisa de disciplina.
Objetivo: Compreender que fazemos parte de uma equipe de campeões,
por isso precisamos ser disciplinados.
Material: Uma folha de papel pardo.
Atividade: Professor, sente-se com seus alunos em círculo. Depois, peça
que os alunos citem o que faz parte da rotina de um atleta. À medida
que forem falando, vá relacionando na folha de papel. Explique que a
rotina de um atleta não é fácil. E preciso horas de treinamento, ter uma
boa alimentação, um bom treinador, material de esporte adequado, rou­
pas adequadas, dormir cedo, etc. Eles trabalham duro em busca de uma
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

medalha ou troféu. Também é assim na vida cristã. Temos que ter dis­
ciplina: disciplina da oração, da leitura da Palavra, ida à igreja, disciplina
na adoração, nos dízimos e ofertas, etc. Em seguida, pergunte à classe:
Podemos viver de qualquer maneira? Quais são as disciplinas que temos
que observar? Depois de ouvir as respostas, peça que um aluno, utilizan­
do apenas gestos, demonstre uma das disciplinas que precisamos obser­
var para obtermos a vitória na vida cristã. O restante da turma terá que
descobrir qual disciplina o colega está mostrando.

Sabedoria x inteligência
No livro de Provérbios encontramos conselhos que são indispensá­
veis para termos uma vida bem-sucedida. Esta atividade vai proporcionar a
oportunidade ímpar de mostrar aos alunos a riqueza do livro de Provérbios
e incentivá-los a ler um provérbio por dia.

Justificativa: Os adolescentes precisam estar conscientes de que o li­


vro de Provérbios possui vários conselhos para aqueles que querem ter
uma vida feliz e próspera.
Objetivo: Compreender que o livro de Provérbios nos ajuda a aplicar
a sabedoria de Deus em nosso dia a dia.
Material: Quadro de giz.
Atividade: Sente-se com seus alunos em círculo. Depois, escreva no
quadro de giz: inteligência x sabedoria. Peça que os alunos expliquem
qual a diferença entre ser sábio e ser inteligente. Depois faça a seguin­
te pergunta: “Salomão era sábio ou inteligente?” Ouça os alunos com
atenção. Explique que segundo a Bíblia do Adolescente Aplicação Pes­
soal, ser sábio significa “pôr em prática aquilo que sabemos”. Muitos
são inteligentes, mas não aplicam aquilo que sabem para o bem. Então
de que adianta tanta inteligência? Salomão foi sábio e inteligente, mas
quando ele deixou de aplicar os princípios de Deus em sua vida deixou
de agir com inteligência e acabou cometendo tolices. Conclua expli­
M É TO D O S DE ENSINO

cando que para ser sábio e viver com inteligência precisamos conhecer
e aplicar a Palavra de Deus em nosso dia a dia.

Você tem uma missão: iluminar e salgar


Não fomos salvos porJesus para somente usufruirmos dos benefícios da
salvação. Temos uma missão neste mundo: testemunhar a toda criatura que
só Jesus Cristo salva, cura, liberta e batiza com o Espírito Santo (At 1.8). O
crente, não importa a idade que tenha, é sal da terra e luz do mundo. Logo, é
nossa responsabilidade iluminar, dar sabor e preservar o mundo da corrup­
ção do pecado.

Justificativa: Os adolescentes precisam estar conscientes de que temos


uma missão, dada por Jesus, para cumprir neste mundo (Mt 28.19,20).
Objetivo: Conscientizar os alunos de que os filhos de Deus precisam
agir como “sal” e “luz” do mundo.
Material: cartolina preta, cotonete, um pouco de cloro e um punhado
de sal.
Atividade: Sente-se com seus alunos em círculo, dê as boas-vindas a to­
dos e depois, escreva no quadro de giz: “sal da terra” e “luz do mundo”.
Em seguida, leia o texto bíblico de Mateus 5.13-16. Mostre o punhado
de sal para a turma e peça que os alunos citem algumas características e
utilidades do sal. Em seguida explique que o sal tem várias propriedades,
ele serve como um antibactericida natural impedindo que os alimentos
se deteriorem, também serve para realçar o sabor dos alimentos. O sal é
símbolo de equilíbrio, pois em excesso faz mal a saúde, porém a ausência
dele deixa os alimentos sem sabor. O crente traz equilíbrio e impede que
o mundo se deteriore no pecado. Em seguida, pegue a cartolina preta,
umedeça o cotonete no cloro e faça alguns pontinhos na cartolina. Ex­
plique que a cartolina preta representa o mundo sem Deus nas trevas
do pecado. Esses pontinhos brancos, embora pequenos, se destacam.
Assim somos nós. Embora estejamos no mundo, chamamos a atenção,
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

pois a luz de Cristo brilha em nós. Não pertencemos a este mundo. So­
mos de Jesus e estamos aqui para brilhar sua luz, preservar da corrupção
do pecado, trazer equilíbrio e dar sabor. Esta é a nossa missão!

-------------- + --------------

Atividades para os Juvenis

A assinatura de Deus
O objetivo desta atividade é ensinar aos jovens as principais doutrinas
bíblicas que fundamentam a fé cristã. Você estará ajudando a construir ali­
cerces sólidos.

Justificativa: Muitos adolescentes, influenciados pela teoria da evolu­


ção, passam a ter dúvidas a respeito da existência de Deus.
Objetivo: Conscientizar os jovens de que Deus é único e verdadeiro.
Material: Folhas de papel pardo e lápis.
Atividade: Estenda a folha de papel pardo no chão da sala. Sente-se
com os alunos ao redor da folha. Peça que cada aluno assine o nome
na folha. Depois que todos tiverem assinado, observe com os alunos
cada assinatura. Diga que cada um tem um jeito próprio de assinar o
nome. Algumas assinaturas são bem grandes, outras pequenas, umas
mais elaboradas, outras mais simples (faça as considerações que achar
necessárias). Alguns assinaram no cantinho da folha, outros no meio.
Segundo os especialistas, nossa assinatura reflete nosso temperamento
e personalidade. Alguns são mais tímidos, outros mais descontraídos.
Depois pergunte aos alunos: Deus tem uma assinatura? Como pode­
mos ver a assinatura de Deus? Ouça os alunos com atenção. Explique
que podemos ver a assinatura de Deus por suas obras (Sl 111.13; Rm
1.20). Deus pode ser visto através da sua criação. Ele é real, nos ama
e se preocupa conosco. Deus é o Todo-Poderoso (Jr 32.17), e a sua
“assinatura” reflete todo o seu poder e glória.
M É TO D O S DE ENSINO

E hora de refletir
O objetivo desta atividade é ensinar aos jovens que precisamos ter al­
guns cuidados com a mídia, pois o seu uso excessivo e sem critérios pode
trazer muitos malefícios para nossa vida espiritual, emocional e física. As
pesquisas mostram que o adolescente brasileiro passa muito tempo dian­
te da TV ou na internet (em sites de relacionamentos), por isso, aproveite
bem essa oportunidade para que seus alunos reflitam a respeito dos meios
de comunicação. O que a TV brasileira tem oferecido? Uma programação
de qualidade? Esta dinâmica poderá ser utilizada para tratar deste assunto
tão relevante.

Justificativa: Pesquisas mostram que a exposição excessiva à mídia


pode causar prejuízos à saúde física e mental.
Objetivo: Conscientizar os jovens dos perigos da exposição excessiva
à mídia.
Material: Revistas, jornais, trailer de um filme (você poderá baixar
da internet) ou utilizar um DVD, folhas de papel ofício, giz e quadro
de giz.
Atividade: Professor, divida a turma em três grupos. O primeiro gru­
po deverá escolher uma propaganda (extraída das revistas ou jornais)
e analisá-la, seguindo os critérios relacionados abaixo. O segundo gru­
po deverá fazer uma análise do trailer de um filme. O terceiro grupo
deve analisar uma revista secular destinada ao público jovem.
Escreva, no quadro de giz, as questões que devem ser analisadas pe­
los grupos:
• Qual a mensagem que transmite sobre Deus?
• Qual a mensagem que fornece a respeito da mulher?
• Influencia o consumismo? Qual artifício foi utilizado para induzir a
compra?
• Você pode extrair, segundo os padrões bíblicos, alguma lição impor­
tante para sua vida? Qual?
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Depois que todos responderem às questões, faça um único grupo onde


todos vão expor seus trabalhos. Depois de todas as apresentações, faça a se­
guinte pergunta: “É lícito interagir com a mídia?” Explique que para o cris­
tão todas as coisas são lícitas, mas nem tudo é proveitoso ou edificante (1
Co 10.23; 16.12). Devemos fazer uso da mídia com prudência e discrimina­
ção. De acordo com Charles Colson e Nancy Pearcey,2 podemos desfrutar
da mídia desde que estejamos treinados para sermos seletivos e definamos
limites para que as sensibilidades da cultura popular não moldem o nosso
caráter. É importante ressaltar que a mídia comunica crença de valores, ex­
pressa sempre uma ideologia. Aí é que mora o perigo.

Quem é Jesus
Esta dinâmica poderá ser utilizada para que os alunos compreendam
que Jesus não foi apenas um homem importante que viveu nesta terra. Jesus
era Deus. Ele tinha a natureza humana, mas também a divina. Ao assumir a
forma humana, Jesus não perdeu a sua divindade. Ele é Deus!

Justificativa: Alguns jovens acreditam na pessoa do Senhor Jesus, po­


rém não creem nEle como Deus.
Objetivo: Conscientizar os adolescentes de que Jesus é Deus.
Material: Quadro de giz, folhas de papel ofício, caneta.
Atividade: Divida a turma em grupos. Entregue a cada grupo uma
folha de papel ofício. Explique aos alunos que eles devem, em grupo,
relacionar na folha de papel ofício cinco coisas que Jesus fez ou falou
que provam que Ele é Deus e não um homem comum. Depois que
todos terminarem, reúna os jovens novamente formando um único
grupo. Em seguida, peça que um aluno de cada grupo leia a relação em
voz alta. Faça algumas considerações caso seja necessário. Conclua a
dinâmica explicando que a Bíblia afirma que Jesus é Deus e tem todos

2 C O L S O N , Charles; PEARCY, Nancy. E agora com o viveremos? 2. ed. Rio de Janeiro, C PA D , 2 0 0 0 .


M É TO D O S DE ENSINO

os atributos divinos: Jesus é eterno (Jo l.l) , onipresente (Mt 18.20),


onisciente (Mt 17.27). Leia com os alunos as referências.

Telefone semfio
Poderíamos fazer várias afirmações a respeito da Bíblia, mas que fique
gravado na mente e no coração de seus alunos que ela é a inerrante e eterna
Palavra de Deus.

Justificativa: Muitas pessoas na atualidade não creem que a Bíblia é a


Palavra de Deus.
Objetivo: Conscientizar os jovens de que a Bíblia não é apenas o
maior best-seller do mundo — ela é a inerrante Palavra de Deus.
Atividade: Sente-se em círculo com os alunos e discuta com eles a
seguinte questão: “O que teria acontecido se a Bíblia fosse transmitida
apenas oralmente, de geração em geração?” Em seguida, faça a dinâmi­
ca do “telefone sem fio”. Comece cochichando no ouvido do primeiro
aluno a seguinte frase: “A Bíblia é a inspirada, infalível e inerrante Pa­
lavra de Deus”. A distorção que, com certeza, a frase sofrerá até que o
último aluno a repita vai dar à classe a ideia do que teria acontecido se
a Palavra de Deus não houvesse sido escrita.
Conclua enfatizando que a Bíblia é a inerrante, infalível e inspirada Pa­
lavra de Deus. Leia com os alunos os seguintes textos: Salmos 68.11;
1 Coríntios 11.23; 2 Timóteo 3.16; Hebreus 4.12; 2 Pedro 1.21.

Alicerce sólido
Para que uma edificação seja segura, é necessário um firme fundamen­
to. Na vida espiritual não é diferente. Nossa casa deve estar construída na
Rocha que é Cristo. Vivemos tempos trabalhosos, nossos jovens precisam
conhecer os fundamentos da fé cristã. Nossa fé não está alicerçada em filo­
sofias, na ciência ou em teorias humanas, mas na Palavra de Deus. Por in­
termédio da Palavra, podemos conhecer mais ao Pai, vivendo de modo que
seu nome seja glorificado em nossas vidas. Que o texto bíblico do profeta
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

Oseias 6.3 seja o lema da vida dos nossos alunos: 'Conheçamos e prossiga­
mos em conhecer o Senhor”.

Justificativa: Muitos jovens não conhecem as bases da fé cristã. Estes


se tornam presas fáceis das falsas doutrinas.
Objetivo: Conscientizar os jovens a respeito da importância de esta­
belecer um sólido alicerce espiritual.
Atividade: Professor, confeccione na cartolina seis “tijolos”. Escreva
nos “tijolos” os seguintes vocábulos: Deus, Jesus, Espírito Santo, Sal­
vação, Igreja e Fim. No domingo, fixe alguns rolinhos de fita adesiva
nos “tijolinhos”.
Sente-se com os seus alunos em círculo e faça a seguinte pergunta: “O
que dá sustentação a uma construção?” Ouça as respostas com atenção.
Em seguida, diga que é o alicerce que sustenta uma construção. Se um
alicerce for mal feito, toda a construção estará comprometida. Na vida
espiritual não é diferente. Precisamos de alicerces sólidos que tragam
segurança. Depois diga que nossas vidas devem estar alicerçadas sobre
Deus, Jesus e o Espírito Santo. Essa é base segura para qualquer pessoa.
Fixe os três primeiros tijolos no quadro de giz. Diga que a nossa fé
deve estar firmada em Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
Diga que o salvo em Cristo Jesus tem prazer em estar com o Senhor
(coloque o tijolo com a palavra salvação), orar e ler a Bíblia e estar na
Igreja (coloque o tijolo com a palavra igreja). Se o nosso alicerce for
sólido, estaremos firmes até o fim (coloque o tijolo com a palavra fim).
Conclua lendo Mateus 7.24-27. Explique que aqueles que estão fir­
mados em Cristo não se abatem diante das tempestades da vida, pois
estão firmados na Rocha. Cavar na rocha não é algo fácil, mas traz se­
gurança, paz, alegria, etc.

Cuidado, éfalácia do Inimigo!


Vivemos tempos trabalhosos, a iniqüidade tem se multiplicado, e mui­
tos já não creem na Palavra de Deus. Alguns preferem crer no budismo,
M É TO D O S DE ENSINO

espiritismo e tantos ismos que têm surgido. O povo de Deus precisa, de


discernimento para não ser enganado pelas falácias de Satanás, embora elas
estejam sempre bem disfarçadas. Todavia, sabemos que o discernimento é
resultado do ensino e do aprendizado da Palavra de Deus. Dificilmente um
servo de Deus que prioriza o estudo das Sagradas Escrituras será enganado
ou confundido pelas sutilezas do Diabo.

Justificativa: Os jovens precisam estar conscientes dos perigos das


práticas ocultistas para o homem e a sociedade em geral. Eles também
precisam estar preparados para refutar, à luz da Palavra de Deus, tais
heresias e práticas.
Objetivo: Conscientizar os jovens de que precisamos, mediante a Pa­
lavra de Deus, rejeitar qualquer manifestação de ocultismo.
Material: Um copo com água e anilina.
Atividade: Mostre aos alunos o copo com água. Diga que a água está lim­
pa, translúcida e própria para o consumo. Em seguida, jogue um pouco
de anilina. Mostre que a anilina vai se misturando à água aos poucos. Ex­
plique que as mentiras de Satanás são parecidas com essa ilustração. Ele é
mentiroso e enganador, e tenta sempre misturar um pouco de verdade em
suas teorias para nos enganar. É o que acontece com a teoria da evolução
e as manifestações ocultistas, como por exemplo, horóscopo, terapia das
cores, etc. Mas depois que a anilina se mistura totalmente na água, esta já
não fica mais translúcida e não é mais própria para o consumo.
Explique que em toda a Bíblia o ocultismo é condenado, pois ele man­
cha, corrompe o homem. Essas práticas são abomináveis diante de
Deus. No Antigo Testamento, quem as praticava era morto (Lv 20.27).
E no Novo Testamento, quem praticar tais ações não entrará no Reino
de Deus (G15.20,21; Ap 22.15).

Adorando ao Senhor
O objetivo desta atividade é conscientizar os jovens de que podemos
encontrar ensinamentos preciosos em cada Salmo. São lições importantes
E D U C A Ç Ã O CRISTÃ: REFLEXÕES E PRÁTICAS

que podem ser aplicadas em nosso dia a dia. Muitos salmos foram escritos
por Davi. Porém é importante ressaltar que as composições sempre mar­
caram algum momento especial na vida dos autores ou da nação. Algumas
canções também são messiânicas. Os poetas descreveram a vida e a morte
do Salvador. O próprio Jesus vez várias referências ao livro de Salmos.

Justificativa: Os jovens precisam conhecer a origem e autoria dos sal­


mos, reconhecendo que a música é divina.
Objetivo: Conscientizar os jovens a respeito da importância dos sal­
mos para nossa vida diária.
Material: quadro de giz.
Atividade: Escreva no quadro de giz o seguinte título: “Encontramos
no livro de Salmos”. Logo abaixo escreva as seguintes palavras: con­
forto, socorro, perdão, adoração, agradecimento, porque ler a Bíblia,
amor de Deus, esperança, confiança, etc.
Divida a turma em grupos. Peça que os grupos escolham uma das pa­
lavras relacionadas. Depois de fazer a escolha, explique que eles terão
que encontrar um salmo que tenha como tema a palavra escolhida.
Depois de encontrar o salmo, o grupo terá que colocar uma música
no salmo. Dê um tempo para os grupos e depois cada grupo deverá
apresentar o salmo encontrado e cantá-lo para a turma.

Qual a sua vocação?


A escolha de uma profissão não é algo fácil, principalmente quando
ainda estamos na adolescência. Os testes vocacionais ajudam muito, porém
Deus também deseja nos ajudar. Podemos contar com a sua ajuda, afinal
Ele conhece muito bem nossas habilidades e talentos.

Justificativa: Os jovens, em breve, terão que escolher uma carreira


profissional. Essa escolha nem sempre é fácil, mas podemos contar
com a ajuda do Senhor.
M É TO D O S DE ENSINO

Objetivo: Conscientizar os jovens de que Deus se preocupa conosco


e deseja nos ajudar na escolha da carreira a seguir.
Material: folhas de papel ofício, caneta e giz.
Atividade: Escreva no quadro de giz algumas profissões. Divida a
turma em duplas. As duplas devem relacionar cinco características
do colega. Depois, baseados nessas características, vão escolher
uma das profissões que acreditam que o colega melhor se enquadra.
Quando todos terminarem, reúna a classe em círculo e cada dupla
deverá relatar as características, qual curso escolheria para o colega e
porquê. Conclua mostrando que às vezes as pessoas conseguem ver
habilidades e características em nós que não percebemos. Todavia,
Deus nos conhece muito bem, por isso podemos orar e pedir a sua
ajuda na hora de escolhermos uma carreira a seguir, seja ela ministe­
rial, seja profissional.
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YOUNG, Ed. Os 10 mandamentos da criação dos filhos: o que fazer e o que não fazer
para criar ótimos filhos. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

www.institutoalana.org.br
www.criancaeconsumo.org.br
www.aurora.ufsc.br
EDUCAÇÃO
CRISTÃ
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Esta obra tem como principal objetivo contribuir para


uma reflexão mais ampla a respeito da importância da
educação cristã e da prática docente nas várias escolas
dominicais espalhadas pelo Brasil. Os temas tratados são
bem atuais e vão auxiliar não só aqueles que, de uma for­
ma ou de outra, estão envolvidos com educação cristã,
mas também os pais.

Você ainda vai encontrar várias sugestões de atividades,


todas testadas, que podem ser realizadas nas classes de
berçário, maternal, jardim de infância, primários, junio­
res, pré-adolescentes e juvenis. Essas atividades vão faci­
litar a aprendizagem e enriquecerão ainda mais suas au­
las, fazendo com que cada manhã de domingo na Escola
Dominical seja ainda mais especial.