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LENDA DO ATORI

Oxaguiã, em sua primeira batalha, conheceu Oyá Ònírà, uma guerreira suprema.

Ogún Já, Oxaguiã Ajagunã e Oyá Ònírà estavam lutando na guerra nas terras de Oyó, quando
Oxaguiã perdeu sua espada.

Oyá Ònírà para ajuda - lo, tinha uma vara nas costas (Atori), que ela carregava, pois esta vara era
enfeitiçada e tinha muitos poderes: servia para defesa e guerra, afastava a Ikú a morte, as
desgraças, os Eguns, trazia fartura, riqueza, longevidade e bençaos.

Oyá Ònírà para não ver Oxaguiã perder a guerra, deu sua vara " Atori" de presente a ele, para
que pudesse se defender.

- Oxaguiã, você tem essa vara enfeitiçada e use para se defender, eu gosto de sangue, gosto de
guerrear fique com ela para você, respondeu Oyá Ònírà.

Sendo assim, Oxaguiã se tornou o dono do temido Atori!

Sobreviveu a guerra, e com aquele Atori , queria conquistar um reino, e assim partiu para as
terras de Ejigbô, terra sem rei nem rainha ali se tornou um grande Patrono, chegando nesta Terra
tocou o solo com o Atori por tres vezes e ali abençoou aquele lugar.

ATORI

Atori ou Isã é um apetrecho da cultura Nagô, em forma de "vara", na Africa era feito de uma
planta já extinta, substituida no Brasil pela Goiabeira ou Amoreira, inerente aos Orixás Oxaguiã e
Oyá Onira (goiabeira) e principalmente a Oya Igbalé sendo neste caso feita com amoreira muito
utilizada nos cultos de Egungun.

Suas hastes são simbolizadas com os Ancestrais e tem finalidade de: afastar os espíritos (eguns)
para o seu espaço sagrado, afastar a morte (ikú), eliminar as energias negativas , trazer saúde,
paz. fartura, riqueza, bençãos e longevidade, servindo ainda como arma de defesa para a
guerra.

Atorí é indispensável na festa do pilão de Oxaguiã, nos quartos dos Oxalás devem se ter muitos
atoris enfeitando.

Em cima dos igbás de Oxaguiã (independente da qualidade) devem ter 8 feixes de Atori (de mais
ou menos 60 cm) amarrados com ojá curto branco. Estes Atoris não recebem ejé (sangue)
devem ser lavados com folhas de Oxalá, impregnados de efun e deixados sempre em cima do
igbá deste orixa, sendo utilizada uma outra vara maior para o orixá sair na sala, porem
consagrada com folhas e efun tambem e que tambem poderá repusar ao lado do Igbá de
Oxaguiã.

No caso das Oyás Igbalés, devem em cima de seus igbás ter 9 feixes de Atori porem feitos de
amoreira (de mais ou menos 60 cm) amarrados com ojá curto branco. Estes Atoris não recebem
ejé (sangue) devem ser lavados com folhas de Oyá, impregnados de efun e deixados sempre em
cima do igbá desta orixa, sendo utilizada uma outra vara maior para a Orixá sair na sala, porem
consagrada com folhas e efun tambem e que tambem poderá repusar ao lado do Igbá de Oyá
Igbalé.

No caso de Oyá Onira, quando essa Oyá é iniciada, deve ter em seu igbá uma unica vara de Atori
feita de goiabeira de mais ou menos 60 cm - que tambem não recebe ejé (sangue) somente é
consagrada com folhas de oxala + oya e impregnada de efun, enfeitada com ojá curto branco ou
rosa, e quando ela se manifesta e vem para a sala, é de costume colocarem preso em suas
costas ou em sua saia este Atori.

Sem este fundamento Oyá Onira não caminha e não fica completa, pois Onira foi a primeira
dona do Atori, esta foi sua primeira arma encantada de guerra.

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