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Supremo

Chamado
Quanto mais tempo você passar na presença de Deus, mais perceberá que a oração é o
maior de nossos ministérios - o nosso Supremo Chamado

Rua Manguaba, 124 - CEP 04650-020 - São Paulo / SP Tel /Fax (011) 246-7046
Supremo Chamado Larry Lea
© Abba Press Editora e Divulgadora Cultural Ltda
Categoria: Vida Cristã Cód. 01.02.101.1193.1
1a Edição no Brasil
Novembio de 1993
Originalmente publicado em inglês por Creation House Strang Communications
Company sob o título: Highest Calling © 1991 Larry Lea
Traduzido para o português por Pr. João Bentes Tradutor e Enciclopedista
Revisão e Estilo de texto por
Tavares de Castro
Professor de língua portuguesa
em cursos universitários
Arte e Composição Cida Paião
Foto da Capa Photo Rent
Coordenação Editorial
Oswaldo Paião Jr.
Fotolito
REFRAN Studio Gráfico Impressão
Gráfica Camargo Soares
É permitida a reprodução de partes desse livro, desde que citada a fonte e com a
autorização escrita dos editores

Rua Manguaba, 124


CEP 04650-020 São Paulo / SP
Tel/Fax (011)246-7046
Conteúdo
Prefácio da Obra no Brasil........................................
Prefácio da Obra nos Estados Unidos .......................

Um
Chamados Para Algo Novo ........................................

Dois
Você É Um Sacerdote ...............................................

Três
Não Há Sacerdotes-Espectadores .............................

Quatro
Conhecendo o Coração e a Mente de Deus ...............

Cinco
Intercedendo Diante do Altar do Incenso.... ..............

Seis
O Problema do Pecado ..............................................

Sete
Em Paz Com Deus....................................................

Oito
Cuidando do Candeeiro de Ouro

Nove
Substituindo os Pães da Proposição

Dez
Intercedendo diante do Propiciatório
Prefácio da Obra no Brasil
Larry Lea não somente expõe com muito fervor e
entusiasmo a doutrina do sacerdócio universal dos
crentes, como também revela sua profunda experiência
como sacerdote. Ele mesmo diz -«"Fiz uma tremenda
descoberta, a qual transformou para sempre minha
vida. Descobri que Larry Lea foi chamado para ser mais
que um pregador, pastor ou professor. Larry Lea foi
chamado para ser um sacerdote do Deus Eterno, Santo
e Onipotente". Seu livro certamente servirá para que
muitos descubram sua vocação. Outros, que já têm a
consciência de seu sacerdócio, poderão ser desafiados
para a prática de seu ministério, tornando-se
intercessores ativos e dinâmicos.

Um grave problema se instalou no Cristianismo, a partir


do terceiro século, aproximadamente: um clero formado
de homens especiais, trajados com roupas especiais,
incumbidos de especial tarefa: a de serem especialistas
da religião.
Em geral, esses religiosos terminam sendo mantidos por
suas igrejas, para executarem o sacerdócio alheio, isto é,
do próprio crente-mantenedor. Desta forma, o crente
passa a ser uma espécie de sacerdote - espectador. Diz
Larry Lea: "O corpo laico precisa entender que não pode
pagar a um pastor, a fim de que ele aja em seu lugar. A
Igreja tem um sacerdócio a exercer'.'

Fico, assim, na esperança de que este livro ajude os


crentes a realmente assumirem sua tarefa de
sacerdotes.
No capítulo "Não Há Sacerdotes-Espectadores", Larry
Lea mostra como as igrejas eram comunidades
carismáticas, nos dois primeiros séculos do
Cristianismo. Os crentes curavam enfermos,
expulsavam demónios e traziam pessoas a Jesus. A
partir do terceiro século, começou a haver mudança:
pouco a pouco foi-se acentuando a divisão entre o clero
e os leigos; até chegar ao ponto em que somente os
membros do clero eram considerados sacerdotes, de
fato.

Na Reforma e nos movimentos protestantes


subseqüentes, houve uma volta ao princípio bíblico do
sacerdócio universal dos crentes. Os reformadores
ensinaram tal verdade bíblica e trabalharam com afinco,
para a retomada dessa prática. Houve um grande
avanço nessa direção; na verdade, é esta herança um
dos fatores primordiais do crescimento evangélico em
muitas partes do mundo.

Todavia, com o estabelecimento do que se pode Chamar


de "clero evangélico", retorna-se ao erro de se pôr sobre
os ombros dos líderes religiosos pagos, toda a tarefa do
trabalho da igreja. É preciso voltarmos a ser o que era a
igreja primitiva. Cada igreja era uma comunidade
carismática, com todos os seus membros ativos na obra
do Senhor. A prática do sacerdócio universal impõe aos
crentes a aprendizagem da oração.

Fico feliz com o apelo-desafio de Larry Lea, para que nos


dediquemos à oração. Todos nós; não somente os
pastores e obreiros em geral, mas todos os crentes. Diz
ele: "Quanto mais tempo passo na presença de Deus,
mais percebo que a oração é o mais importante de todos
os nossos ministérios. A oração é a obra mais santa que
existe".

Larry mostra como a oração é importante, com relação


ao Corpo de Cristo. "Se eu fraquejar, diz, pessoas que
precisam desesperadamente de muita intercessão
poderão sucumbir diante do diabo. Estratégias fortes de
pressão poderão causar danos à causa de Cristo e do
Reino de Deus".

Lendo-o, senti-me movido a orar, para que sua


mensagem atinja os nossos corações, e, assim
dediquemo-nos ao trabalho mais importante e que todos
os crentes devem realizar - a oração.

Tive o privilégio de escrever dois livros sobre o


Tabernáculo. Pesquisei, estudei e meditei muito sobre a
construção dele: sua cobertura, sua estrutura, suas
pesadas cortinas de linho fino, com bordados de azul,
púrpura e carmesim. Os dois altares - o de bronze, para
os sacrifícios, e o de ouro, para se oferecer o incenso. A
mesa dos pães e o candelabro. O Santo dos
Santos, onde ficava a Arca da Aliança. O culto ali
oferecido todos os dias, sem falhar um sequer, desde a
manhã até à tarde. O fogo que não se apagava, nem de
dia e nem de noite.

Assim, leio com profundo interesse o que Larry Lea


descreve do Tabernáculo e do culto diário ali efetuado.
Tudo se aplica aos sacerdotes - crentes do Novo
Testamento! Lá, apenas uma tribo cuidava dos serviços
religiosos, e só uma família, tirada dessa tribo, exercia o
sacerdócio. Somente o Sumo Sacerdote entrava no
Santo dos Santos, um dia a cada ano. Aqui, o véu do
templo foi rasgado. O acesso ao Santo dos Santos foi
aberto a todos os crentes! Cada crente da Nova Aliança
tornou-se um sacerdote. Sacerdote - de dia e de noite!
Sacerdotes que entram à presença da Majestade a cada
dia, e todos os dias, com o incenso de suas intercessões!

Sim, o Tabernáculo do Antigo Testamento tem muito a


ensinar aos Sacerdotes do Novo Testamento. E Larry Lea
tem uma compreensão profunda dessa revelação. O
leitor, certamente, será beneficiado e edificado para
exercer diariamente, o seu sacerdócio.

A aplicação que o autor traz à luz, relacionando os


procedimentos dos sacerdotes no Tabernáculo, ao
oferecerem os sacrifícios diários, ao queimarem o
incenso diante do Senhor, de manhã e à tarde, ao
limparem os pavios do candelabro de manhã e à tarde,
reabastecendo-o com azeite; sim, ao aplicar tudo isto à
vida dos sacerdotes do Novo Testamento, ele faz que
vejamos, de forma muito clara, a nossa vocação pri-
mordial, para ministrarmos ao Senhor. A prioridade um
do nosso ministério é dispensarmos tempo com o nosso
Pai: lendo Sua Palavra, orando, intercedendo, adorando-
O, louvando-O!

Aqui meu testemunho pessoal de que esse livro me


levou à reavaliação de minha própria vida devocional,
conduzindo-me a dar prioridade absoluta ao Senhor.
Desejo que o mesmo aconteça com todos os crentes-
sacerdotes que o lerem.

Já há, em nosso país, vários movimentos que têm o


objetivo de levantar milhares de crentes-sacerdotes-
intercessores. Supremo Chamado, certamente nos
ajudará nessa tarefa.
Inverno de 1993.
Pr. Jonathan F. dos Santos
Presidente da Organização Vale da Bênção
Prefácio da Obra nos Estados Unidos

Nunca esquecerei os sentimentos que me dominaram no


dia em que recebi uma chamada telefônica da parte de
Larry Lea. Nós nos ^ conhecêramos havia poucas
semanas. Ele tinha vindo a Kilgore, estado do Texas, a
fim de visitar seus pais. Visto que eu o convidara para
falar a um grupo especial de jovens da minha igreja, ele
resolvera fazer-nos uma visita, para familiarizar-se com
a situação.
Enquanto conversávamos em meu gabinete, na Primeira
Igreja da Assembléia de Deus, o pastor de Larry, Howard
Conatser, estava hospitalizado em Dallas, à beira da
morte.
O Senhor, ao que me parecia, dera-me as palavras de
que Larry precisava. Ficamos conversando e orando
durante horas. Compartilhei com ele muitas das coisas
que Deus me havia ensinado acerca da fé e da oração, e
aquele jovem pareceu absorver tudo aquilo, com grande
interesse.
Não muito depois, Howard Conatser foi para a
companhia do Senhor. Compreendendo os princípios da
autoridade espiritual, Larry começou a pedir a Deus
orientação a respeito de quem ele deveria buscar como
seu pastor.
Corria julho de 1978. A voz de Larry Lea soava clara ao
telefone: "Pastor Whillhite, quando eu estava-me
barbeando, nesta manhã. Deus falou comigo e disse-me
que você é o meu pastor. Estou deixando o meu
ministério sob sua autoridade".
Fiquei atordoado. Lembro-me de haver pensado que o
maior se inclinava diante do menor. Na ocasião, Larry
ainda não era bem conhecido; mas certamente o era
mais do que eu. Antes mesmo de tê-lo ouvido falar,
compreendi que Deus tinha grandes planos para Larry
Lea; ele teria um ministério muito maior do que o meu.
Lembro-me de ter-lhe dito, não muito tempo mais tarde,
que ele tinha potencial para influenciar o mundo, mais
ou menos como sucedia a Billy Graham.
Não há dúvidas de que Deus ungiu esse homem para
convocar a nação norte-americana e o mundo para orar
de forma significativa. Seus livros, agora, estão sendo
traduzidos para diversos idiomas, e surtindo o mesmo
eleito em toda parte.
O apóstolo Paulo deixa cristalinamente claro, no
primeiro capítulo de I Coríntios, que Deus escolhe as
coisas fracas deste mundo, para confundir as fortes; e,
as coisas tolas do mundo, para confundir as sábias.
Deus escolhe as coisas humildes deste mundo e aquelas
que são insignificativas aos olhos do homem, para
realizarem a Sua obra. Isso tem acontecido comigo e
com Larry Lea. Deus não buscou o mais sábio, o mais
forte ou o mais puro. Por quê? Porque é necessário que
os homens dêem a Deus a glória daquilo que Ele fizer,
utilizando-se de vasos de barro.
Supremo Chamado é um livro que encoraja o leitor a
elevar-se até ao nível de sua chamada para ser um
sacerdote e para que, nesse ofício sacerdotal, passe a
interceder, diante de Deus, por outras pessoas. "Na
verdade, muitos são chamados, mas poucos são
escolhidos". Na qualidade de crentes, todos fomos
chamados para sermos sacerdotes e para nos
colocarmos em uma posição de autoridade e
responsabilidade na presença de Deus. Há, também,
crentes chamados para ajudar a esses sacerdotes. Larry
Lea parece ser um desses vasos escolhidos.
B. J. Willhite
Washington, D.C. Fevereiro de 1991
UM

CHAMADOS PARA ALGO NOVO

R espondi à chamada de Deus, para ser um


sacerdote dedicado à oração, quando estava com
vinte e sete anos de idade. Era o ano de 1978. Eu
era o jovem pastor-auxiliar da Igreja Batista Beverly
Hills, de Dallas, no Texas, com três mil membros.
Uma vez por ano, durante cinco anos consecutivos, o
pastor-presidente, Howard Conatser, havia-me chamado
ao seu gabinete, para oferecer-me o mesmo conselho.
Dizia ele com sua voz profunda e rouca: "Larry, o
sucesso sem um sucessor é um fracasso. Você é o
escolhido por Deus, para ser o pastor desta igreja,
quando eu sair de cena. Você é o meu Timóteo'.
Portanto, termine a sua formação acadêmica. Prepare-
se!"
Então, em 1978, os médicos descobriram que o pastor
Conatser tinha câncer. Todos jejuamos e oramos em
favor dele. Acreditamos que ganhávamos a batalha. Um
dia, porém, quando eu visitava meus pais em Kilgore, no
Texas, o telefone tocou e disse-me uma voz: "Howard
Conatser acaba de ser levado para o hospital".
Nunca me esquecerei do que aconteceu em seguida.
Imediatamente comecei a orar por meu querido amigo.
Quando repreendi o tumor e reivindiquei a cura, uma
voz familiar falou em meu espírito. Era como se alguém
tivesse deixado cair uma pedra de cristal, despedaçando
-a em mil pedacinhos: "Howard Conatser vai morrer",
disse a voz, suavemente, "e você será rejeitado como
pastor da igreja".
Dentro de dez semanas, Howard Conatser faleceu.
Quando tive um encontro com ajunta da igreja, a fim de
discutir o futuro, eles disseram que se dispunham a ter-
me como seu pastor, enquanto eu quisesse pregar
sermões de fogo e levantar grandes ofertas; enquanto
uma fileira contínua de pessoas avançasse entre os
bancos, em resposta aos convites feitos aos domingos de
manhã. Porém, não queriam liberar-me para continuar
guiando os crentes, na direção da visão
neotestamentária da igreja, da qual o pastor Conatser e
eu tínhamos compartilhado.
A fim de manter a paz e impedir uma divisão na igreja,
resignei-me ao pastorado. Eu me sentia como se
estivesse caindo em queda livre, dentro de um abismo
negro e sem fundo. Junto com minha esposa e meus
filhos, voltei para a minha cidade natal, na parte
oriental do estado do Texas, tornei-me um evangelista e
comecei a pregar em lugares grandes - como no Arp, no
Texas.
De súbito, quase tudo quanto eu mais valorizara tinha
ficado no meu ontem. Lutando internamente para
compreender o que poderia ter ocorrido ou deveria ter
ocorrido, busquei a face de Deus, como nunca antes o
fizera.

A semelhança de Paulo. . . o que para mim era lucro considerei


como perda, por amor a Cristo

Estava eu orando, certa noite, em Los Angeles, quando o


Senhor falou em meu espírito e me ordenou que lesse o
trecho de Isaías 43.18,19. Abri a Bíblia e li estas
palavras:

"Não vos lembreis das cousas passadas,


nem considereis as antigas.
Eis quejaço cousa nova,
que está saindo à luz;
porventura não o percebeis?
Eis que porei um caminho no ermo,
e rios no ermo".

Então Deus me disse: "Se queres encontrar a coisa


nova, então deves deixar para trás o passado." Meu
passado havia sido bom; mas à semelhança de Paulo,
conforme ele disse em Filipenses 3.7, o que para mim
era lucro, tive de contar como perda, por amor a Cristo.
Deus estava chamándome para deixar atrás todo o meu
sucesso passado, todas as minhas conexões c
oportunidades. E deixei todas aquelas coisas enterradas
no passado - o que era bom e o que era ruim; tudo aos
cuidados de Jesus.
E o que Deus fez? Ele cumpriu a Sua promessa. Ele me
proporcionou um novo andar com Ele e uma nova
mensagem.
Depois de ter-me mudado com minha família para
Kilgore, reconheci que Deus estava-me enviando para
ali, a fim de que pudesse responder a uma chamada
mais alta do que a chamada para pregar: estava sendo
chamado para orar, e dei ouvidos a essa chamada, sob
as asas acolhedoras de Bob Willhite, pastor da Igreja
Assembléia de Deus, local. Durante mais de trinta anos,
o pastor Willhite vinha pondo em prática persistente
aquilo por que meu coração mais clamava: uma vida
diária e consistente de oração.
Passamos a formar uma equipe de dois: cada nova
manhã, ao surgir o sol, lá estávamos nós, com o rosto
em terra, diante de Deus no templo de sua igreja,
clamando a Ele e pedindo-Lhe unção e orientação. E,
estando eu, assim, a responder ao chamado de Deus,
Ele foi revelando-me como orar, com base na oração ao
Pai Nosso.
Provido de uma nova mensagem, comecei a pregar em
reavivamentos entre jovens e a evangelizar por todos os
Estados Unidos da América e por todo o Canadá. E sem
deixar de levantar-me cedo a cada manhã, a fim de
buscar a face de Deus, com grande anelo de alma eu
compartilhava aquela revelação acerca de como devemos
orar. Uma revelação capaz de transformar a vida e de
moldar a alma.
Em seguida, Deus também me deu um novo ministério.
Estava eu ocupado em um reavivamento, no Canadá,
quando, de novo, a voz do Senhor falou em meu espírito:
"Vai a Rockwall e estabelece ali o Meu povo". E foi assim
que sucedeu. Em 1980, treze crentes e eu, como pastor,
fundamos a Igreja da Rocha, em Rockwall, no estado do
Texas. Subseqüentemente, Deus me chamou para
levantar um exército nacional de oração, com trezentos
mil membros, a fim de que os julgamentos proferidos
contra a nossa nação pudessem ser anulados e fosse
impedida a sua destruição.
As mudanças miraculosas que houve em minha vida e
em meu ministério nunca poderiam ter ocorrido se eu
não tivesse feito duas coisas: (1) deixado para trás o
passado; e (2) respondido à chamada para dedicar-me à
oração.

Trocando O Velho Pelo Novo


O apóstolo Paulo, que sabia bem o que está envolvido
nessa troca, escreveu:

"E todos nós com o rosto desvendado, contemplando,


como por espelho, a glória do Senhor, somos
transfomados de glória em glória, na sua própria imagem,
como pelo Senhor, o Espírito" (II Cor. 3.18, os itálicos
são meus).

Se você não quer ir sendo cada vez mais transformado,


mantenha-se longe de Deus. Ele o ama demais, para deixá-lo
como você é

O vocábulo grego acima traduzido por "transformados" é


metaforfoumetha, de onde obtemos a palavra portuguesa
metamorfose. O termo esclarece o processo através do
qual um girino perde sua cauda, adquire pernas e
torna-se uma rã. Trata-se do mesmo processo mediante
o qual uma lagarta acaba virando borboleta. A
metamorfose envolve mudança para outra forma. Em II
Coríntios 3.18, Paulo, pois, descreveu como os crentes
vão sendo transformados, "metamorfoseados", mediante
o poder do Espírito Santo, para que adquiram a imagem
de Cristo, passando de um grau de glória, para outro.
Se você não quiser ir sendo cada vez mais transformado,
mantenha-se longe de Deus. Ele o ama demais para
deixá-lo como você é. Mas nem sempre esse processo é
agradável para nós. Paulo esclareceu que vamos sendo
transformados segundo a imagem de Cristo: "de glória
em glória." E em Romanos 1.17 ele também asseverou
que a justiça de Deus revela-se "de fé em fé." Fé e glória
nos parecem coisas admiráveis, sem dúvida; mas existe
algo que nos é necessário compreender e que envolve
essas coisas.
Entre cada nível de fé e cada nível de glória há sempre
alguma cruz, alguma mortificação, alguma rendição do
próprio eu. O girino, se quiser transformar-se em uma
rã, deve estar disposto a mudar. A lagarta deve estar
preparada para deixar de ser aquilo que sempre foi:
tecer um casulo ao seu redor, e esperar até que se
transforme em borboleta. Por semelhante modo,
devemos estar dispostos a morrer para o passado; e
esperar e aceitar o que de novo Deus tem para nós. É
mister que morramos para aquilo que costumávamos
ser, se quisermos ser transformados em algo novo. Esse
é o segredo da transformação bem sucedida.
A maioria dos líderes judeus, à época de Jesus,
desconhecia tal segredo. Antes, eles confiavam em suas
tradições (a maneira como sempre tinham feito as
coisas), e foi por isso que acabaram desconhecendo o
seu próprio Messias. Suas interpretações teológicas
tornaram-se tão rígidas que eles acabaram incapazes de
aceitar a coisa nova que Deus estava querendo fazer
entre eles.
Davam mais valor a símbolos externos do que às
realidades invisíveis, representadas por aqueles
símbolos. Jesus ofereceu-lhes um templo espiritual, mas
eles preferiam um templo material. Jesus falou em um
reino espiritual, mas eles estavam interessados somente
em um reino terreno, político. Jesus acenou, diante
deles, com poder sobre o diabo; mas os judeus só
queriam poder contra os romanos. Não estavam
preparados para liberar as suas expectatJvass acerca do
plano de Deus para eles. Não queriam tomar parte na
coisa nova que Deus estava oferecendo-lhes.
A transformação espiritual impõe a alguns de nós
mudanças mais severas do que a outros. Foi uma coisa
difícil para mim, um pastor-auxiliar de vinte e sete anos
de idade, obedecer à chamada de Deus, para deixar
Dallas, tomar meus familiares e mudar-me para a parte
oriental do estado do Texas. Mas pensemos na coragem
exigida de Bob Willhite - um homem com muitos anos
de experiência no ministério de uma denominação -
quando Deus pediu-lhe para desarmar a sua tenda: ele
estava pastoreando uma igreja com oitocentos membros,
na parte noroeste do estado de Arkansas - uma igreja
que fora iniciada por ele - quando Deus ordenou-lhe que
se mudasse para a minúscula cidade de Kilgore, para
ser pastor de uma igreja com cerca de duzentos e
cinqüenta membros! Era ali que eu me achava, quando
Deus me ordenou que mudasse para minha terra, em
Kilgore, a fim de atender à Sua vocação, para dedicar-
me à oração.
Quando conheci o pastor Willhite, ele me pediu que
trabalhasse por um reavivamento em sua igreja. MI i !. -, «i , «o
1

lo começamos a orar, Deus nos enviou um reavivamento


- de tão grandes proporções, que a esli ul ma religiosa de
que dispúnhamos não foi capaz de conter.
Pessoas, muitas das quais com a cor de pele "errada",
começaram a ser salvas. Alguns dos membros líderes da
igreja não gostaram disso, e nem gostaram de algumas
das outras coisas que o Espírito Santo estava instruindo
ao pastor Whillhite, para que ele as fizesse. Alguns dos
membros mais abastados da igreja estavam resolvidos a
controlar tanto a igreja local, quanto o seu pastor.

A transformação espiritual impõe a alguns de nós mudanças


mais severas do que a outros

Mas, exatamente naquele tempo, Deus achou correto


enviar um missionário que estava em férias, à nossa
igreja, como orador especial. Embora o homem não
tivesse conhecimento do que acontecia entre nós, ele
tomou como base da mensagem o texto de Juízes 17, e
falou sobre o sacerdote contratado por Mica -um
sacerdote que estava vendendo o seu ministério a quem
melhor pagasse.
Terminado o sermão, o pregador voltou-se para o pastor
Willhite e disse-lhe: "Não sei o que isso significa, mas
Deus está dizendo-me que você tem uma palavra para a
congregação. Convém que você obedeça a Deus".
Então, o pastor Wilhite caminhou até ao púlpito e
declarou: "Quero que todos saibam: de hoje em diante,
não receberei mais nenhum centavo de vocês. Estou
devolvendo à igreja o meu salário".
Quando os membros ricos da igreja não puderam mais
exercer controle através do dinheiro, disseram
textualmente ao pastor Whillhite: "Você pode ir embora,
e também poderá levar consigo o seu garoto [eu]." Visto
que Bob Willhite dispusera-se a obedecer a Deus, e
deixou para trás o passado, agora ele dirige a
Embaixada da Oração, com sede em Washington, D.C.,
ajudando a liderar uma reavivamento internacional de
oração. E sabe o que mais? Ele continua aberto à
transformação espiritual!
Não devemos sentir-nos demasiadamente confortáveis
em nossas carreiras seguras e com nossos cronogramas
inalteráveis. Quando Deus diz: "Levante-se, deixe o seu
ninho, e voe!" o melhor que faremos é começar a bater
as asas.
Depois que Oral Roberts falou em nossa igreja pela
primeira vez, meu filho, John Aaron, veio até mim e
perguntou: "Papai, Oral Roberts é um homem velho? Ele
disse que havia celebrado seu sexagésimo oitavo
aniversário neste ano. Isso é ser velho?"
Respondi: "Não, meu filho. Oral Roberts não é um
homem velho. Ninguém é velho enquanto não começa a
viver a sua vida no passado. Embora Oral Roberts já
esteja com sessenta e oito anos de idade, continua
planejando para o futuro".
Ao dizer isso, lembrei-me do devastado e desiludido
Larry Lea que deixara a Igreja Batista Beverly Hills. Eu
ainda não tinha completado trinta anos de idade, mas,
por dentro, eu já era um homem idoso, uma vez que
estava vivendo a minha vida no passado. Graças a Deus
que liberei o que era bom e o que era mau, em meu
passado, e respondi à chamada divina, para dedicar-me
à oração!
Você é uma pessoa "velha"? Está vivendo a sua vida no
passado? Você anda lamentando pelo que poderia ter
sido, pelo que deveria ter sido? Entregue tudo aos
cuidados de Deus. Responda à vocação divina, para ser
um sacerdote consagrado à oração!
Pergunte de Bob Willhite. Pergunte de mim. O próximo
passo poderá parecer-lhe uma longa descida; mas, em
Seu próprio tempo, Deus haverá de exaltá-lo. Ele
construirá uma estrada em seu deserto, e fará rios
regarem seu deserto. Ele fará alguma coisa nova!
Firmando-se Nos Caminhos de Deus

Todo crente, toda igreja deve buscar a Deus para os dias


de hoje, avançando pela corrente principal do fluxo do
Espírito. Substituir o caudal do Espírito de Deus por
reputações, programas ou tradições dos homens é sinal
evidente de declínio na saúde espiritual. Se
observarmos, em lugar de desfrutarmos os movimentos
do Espírito e de segui-los, atentarmos para os nossos
programas e tradições, estaremos ditando o que Deus
pode ou não pode fazer.

"Ninguém é velho enquanto não começa a viver a sua vida no


passado"
Em 1860, Andrew Murray - amado líder espiritual e
autor, nascido na África do Sul, o qual se tornou
conhecido por sua doutrina de santidade e por seu
cristianismo prático - caiu na armadilha de ditar a
Deus. Conforme narra W. J. Hollenweger, em seu livro
The Pentecostals: The Charismatic Movement in the Churches
(Os Pentecostais: O Movimento Carismático nas Igrejas),
ao ténnino de um culto, em fim de tarde, de domingo,
sessenta jovens da igreja pastoreada por Murray,
reuniram-se em uma sala; e, depois de terem cantado
um hino e lido a Bíblia, quatro ou cinco daqueles jovens
começaram a liderar em oração, um após outro.
Em meio à comovente intercessão de uma das jovens, foi
ouvido um som, que parecia rugir à distância. O som
foi-se aproximando cada vez mais, até que a sala
pareceu estremecer; e então, de repente, cada jovem
pesente parecia estar orando ao mesmo tempo, alguns
aos sussurros, outros em tom normal de voz.
Naquele meio ambiente formal e bem arrumado da igreja
presbiteriana, as vozes de cerca de sessenta jovens que
oravam ao mesmo tempo pareciam quase
ensurdecedoras. Um dos anciãos, que ouvira o som e
vira o que estava acontecendo, correu para avisar ao
pastor. Entrando na sala, Murray exigiu silêncio. Mas as
orações não pararam. Novamente, Murray clamou:
"Gente, eu sou o pastor de vocês, enviado por Deus.
Silêncio!" Porém, envolvidos profundamente em sua
intercessão, pedindo misericórdia e perdão, os jovens
nem o ouviram.
Depois de mais algumas tentativas ineficazes de fazer
parar aquela maneira de orar, Andrew Murray disse,
desolado: "Deus é Deus de ordem, e aqui tudo está em
desordem". Proferindo essas palavras, ele abandonou a
reunião.
Naquela semana, noite após noite, o próprio Murray
dirigiu reuniões de oração, e a multidão foi ficando tão
numerosa, que acabaram tendo de mudar-se para outro
edifício. Ele tentou - mas sem sucesso -dirigir as
reuniões de oração, em uma cadência tranqüila,
controlada.
E então, no sábado à noite, quando Murray dirigia a
reunião, aquele som misterioso foi ouvido novamente,
aproximando-se cada vez mais. E, tal como na ocasião
anterior, a congregação inteira mergulhou em
intercessão simultânea.
Quando Murray exortou o grupo, para que fizesse
silêncio, um estranho, que estivera contemplando a
cena na entrada do edifício, caminhou até ao agitado
pastor e o acautelou: "Cuidado com o que está fazendo,
pois o Espírito de Deus está operando aqui. Acabo de
chegar da América do Norte, e isso é precisamente o que
pude ver ali".
Quando Murray atendeu ao apelo do estranho,
cinqüenta jovens ofereceram-se para o ministério, e o
reavivamento espalhou-se para a comunidade toda e
para as aldeias circunvizinhas.1
À semelhança de Andrew Murray, temos a tendência de
nos mostrar receosos, diante do que houvéramos
experimentado, e recuamos em face daquilo que não
compreendemos.
Dizem alguns, dando um passo atrás, por temerem que
algo ameace seus hábitos confortáveis: "Se isso é que é
consagração, então não quero consagrar-me". Outros,
fungando piedosamente, apontando para o azeite que
rebrilha e recende o seu perfume, comentam: "Se isso é
que é a unção, então não deixes isso cair sobre mim. Se
não te importas, Senhor, prefiro permanecer dentro dos
limites seguros de minhas honrosas tradições".
Mas a vida com Jesus não vai muito longe, sem o toque
de Seu sangue. E as bênçãos e o poder do Seu Espírito
só chegam até onde o azeite da unção tem permissão de
fluir em seu curso livre. Assim acontece nas
denominações, nas instituições, nas igrejas e nos
crentes individualmente. Se tivermos de ser seguidores
de Jesus, não poderemos ser como aqueles que se
agarram aos seus antigos e familiares caminhos. O que
Deus me disse, aplica-se a todos: Se quiser descobrir a
coisa nova, terá de desprender-se do passado".
Fiz uma tremenda descoberta, a qual transformou para
sempre a minha vida. Descobri que Larry Lea foi
chamado para ser mais do que um pregador, pastor ou
professor. Larry Lea foi chamado para ser um sacerdote
do Deus Eterno, Santo e Onipotente. À semelhança dos
sacerdotes levitas do Antigo Testamento, fui chamado
para oferecer sacrifícios diários ao Senhor. Fui chamado
para anunciar a mensagem divina de reconciliação a
pessoas desesperadas, alquebradas. Tenho um
propósito na vida que ultrapassa em muito o acumular
bens materiais, - e outro tanto acontece com o leitor.
Você também é um sacerdote! Possui uma vocação e um
propósito dado por Deus. Foi encarregado de obrigações
sagradas e dotado de privilégios extraordinários! Você foi
chamado para orar e louvar, como sacerdote do Deus
Altíssimo! Essa é a chamada feita a todos os crentes do
Novo Testamento. Não siga o exemplo daqueles que
negligenciaram o propósito de Deus, quanto a eles
mesmos. Antes, siga a Jesus, que o chamou para ser
um sacerdote!
DOIS

VOCE É UM SACERDOTE

O s crentes em Jesus Cristo foram escolhidos por


Deus, para um propósito sem igual. Foram-nos
dados privilégios indizíveis e responsabilidades
extraordinárias que excedem sobremaneira comparecer
aos cultos de domingo pela manhã, a fim de criticar o
desempenho do pregador ou recolher bênçãos. Somos
sacerdotes do Deus Altíssimo! Será isso alguma coisa
difícil de crer - que todo crente é um sacerdote?
Nos período pós-adâmico, cada indivíduo oferecia
sacrifícios pessoais e servia como sacerdote diante de
Deus. Cada pessoa podia ir diretamente a Deus, sem
qualquer advogado ou intermediário (leia Gn 4.3-5).
Posteriormente, enquanto os filhos de Abraão eram
escravos no Egito, o chefe de cada família atuava como
sacerdote, em favor de todos os membros de sua casa.
No capítulo 12 do livro do Êxodo, por exemplo, cada pai
hebreu foi instruído i abater um cordeiro e aspergir do
sangue nas ombrsras da porta de entrada de sua casa, a
fim de que o njo da morte passasse por cima daquela
casa, sem ferir a nenhum filho primogênito ali residente.
Mas, depois que os filhos de Israel pairam do Egito, o
método pelo qual Deus tratava com o S:i povo sofreu
uma modificação drástica. Após três mesesque estavam
em jornada para a terra de Canaã, o Mérceles, Moisés,
em obediência a uma ordem direta do Senhr, tirou o
povo de Israel do acampamento, para vir encontrarse
com Deus. De pé, diante do sopé fumegante do
monfeSinai, o povo de Israel estremeceu, aterrorizado,
diante i cena que se desdobrava à frente de seus olhos.
E quando o Senhor desceu, entre efanas, o monte
estremeceu violentamente. Imensas nuvas de fumaça
espiralavam para o alto QeiaEx 19.18,19; 2GB).
Eemmeio ao som estridente de uma trombeta invisívl,
Deus falou com Moisés por meio de uma voz audível.
Ftgindo de terror, os israelitas imploraram de Moisés:
"Fai-nos tu, e te ouviremos; porém, não fale Deus
conosco,jara que não morramos". (Ex 20.19)

Mas Deus tencionava fazer da naçcointeira um sacerdócio santo.


. . Na terra, elesíeriam os instrumentos divinos de cura e
recouiliação

O versículo 21 desse capítulo resine tudo: "O povo


estava de longe, em pé; Moisés, porei, se chegou à
nuvem escura, onde Deus estava". 0> israelitas,
cônscios somente de sua própria ixlignidade, incapazes
de suportar a santa preserça de Deus, bateram em
retirada. Mas Moisés, qz conhecia intimamente a
natureza e o caráto de Deus, aproximou-se do Senhor.
Acreditando qt< Moisés era mais aceitável diante de
Deus do que eles, os israelitas quiseram que Moisés
interviesse e se tornasse o mediador deles diante de
Deus.
No entanto, a intenção de Deus era fazer da nação de
Israel inteira um santo sacerdócio. Apenas três dias an-
tes, Deus havia entregue a Moisés a seguinte mensagem
para ser transmitida ao povo:

"Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e


guardardes a minha aliança, então sereis a minha
propriedade peculiar dentre todos os povos... vós me sereis
reino de sacerdotes e nação santa . ." (Êx 19.5,6; os itálicos
sãos meus).

Israel foi escolhida e separada por Deus. Em Êxodo


19.5, Deus prometeu que Israel seria a Sua propriedade
peculiar, o Seu tesouro. A palavra hebraica
correspondente refere-se à caixa do tesouro de um rei,
reservada para guardar as suas mais preciosas riquezas.
A terra toda pertence a Deus, e, não obstante, Ele
escolheu a Israel acima de todos os demais povos e
nações para ser o Seu tesouro mais precioso e mais
carinhosamente guardado. O povo de Israel foi separado
para Yahweh, como o Seu próprio povo. A intenção
divina era que eles fossem um santo reino de
sacerdotes, dotados do alto privilégio de se aproximarem
diretamente do próprio Deus.
Na qualidade de sacerdotes, os israelitas foram
convidados a ministrar ao Senhor, atuando como
mediadores entre Deus e os povos pecaminosos e
necessitados. O destino deles era tornarem-se os
instrumentos terrenos de Deus, de cura e reconciliação.
Por meio de Israel, todos os demais povos da terra
seriam abençoados (leia Gn 12.3).
Os Levitas Como Substitutos

Imediatamente após os espantosos eventos


testemunhados por todo o povo de Israel, no monte
Sinai, Moisés subiu ao topo do monte, para receber os
mandamentos da Lei, para o povo em pacto com Deus
(leia Êxodo 24,28). Foi naquela ocasião que Deus
escolheu uma das doze tribos, a tribo de Levi, para ser
separada, a fim de ministrar diante dEle. O Senhor
também escolheu um dos homens dessa tribo, Aarão,
para ser o sumo sacerdote de Israel, e ordenou que os
filhos de Aarão fossem instalados, para servir o povo de
Deus, na qualidade de sacerdotes.
Embora Deus tivesse reivindicado os filhos primogênitos
de todas as doze tribos, quando os poupou do ataque do
anjo da morte (leiaÊx 13.11-16), permitiu que os
homens da tribo de Levi substituíssem seus
compatriotas das demais tribos (leia Números 3.9-13;
8.14-19).
O sacerdócio arônico foi selecionado, a fim de oferecer,
pelo povo de Israel, orações, ações de graças e
holocaustos a Deus, e para transmitirem a misericórdia,
a salvação e a bênção divinas ao povo. Dali em diante,
cada israelita deveria trazer uma oferenda, até um lugar
especificado, onde um levita pudesse representar sua
família diante de Deus.
Chegou, todavia, o triste dia em que o povo de Israel,
juntamente com os seus sacerdotes, as suas orações e
os seus sacrifícios, tornaram-se fonte de profundo
desapontamento para Deus. Na rebelião e iniqüidade
deles, desconsideraram, de forma flagrante, os santos
propósitos do Senhor.
Trovejou Deus: "Vossos sacrifícios não são oferecidos de
todo o coração! Tais sacrifícios não passam de
cerimônias religiosas ocas. Não agüento mais as vossas
ofensivas cerimônias, desacompanhadas da obediência,
ou vossos sacrifícios piegas, desacompanhados da
retidão. Não convidei os vossos pés profanos para
pisarem os Meus átrios. Meus ouvidos não ouvem mais
as vossas orações, porquanto vossas mãos estão sujas
de sangue" (leia Isaías 1.11-17).
Deus deixou claro quais medidas Israel teria de tomar,
se quisesse restaurar a sua interrompida relação com
Ele. A nação teria que purificar-se, descontinuando as
suas más ações. Os sacerdotes teriam de tornar-se
justos intermediários entre Deus e a humanidade. Em
suma, o povo de Israel e os seus sacerdotes deveriam
arrepender-se e voltar a seu propósito original. Deus
ordenou-lhes que fossem embaixadores, e cuidassem
dos necessitados e quebrantados do mundo,
ministrando aos mesmos.

Deus. . . tencionava que o sacerdócio deles fosse um serviço e


um testemunho para o resto do mundo. Gradualmente, porém,
eles foram-se afastando dessa intenção divina

Lembremo-nos de que Deus tinha a intenção de que a


nação inteira se compusesse de sacerdotes, e não que
estes fossem uns poucos indivíduos escolhidos. Ele
tencionava que esse o sacerdócio fosse um serviço e um
testemunho para o resto do mundo. Gradualmente,
porém, eles afastaram-se da intenção original de Deus.

O Ministério Sacerdotal de Cristo

Cumpre-nos entender que os sacerdotes do Antigo


Testamento serviam apenas de tipo ou sombra de
Cristo, o grande Sumo-Sacedote que haveria de vir. E os
sacrifícios oferecidos por esses sacerdotes arônicos eram
apenas símbolos de Jesus, o Cordeiro de Deus, que viria
à Terra tirar os pecados do mundo.
Porquanto que os sacrifícios do Antigo Testamento eram
somente um remédio temporário para os pecados, de
modo algum eram capazes de aperfeiçoar seus
ofertantes; assim, os israelitas e os seus sacerdotes
eram forçados a oferecer os mesmos sacrifícios, ano
após ano (leia Hebreus 10.1).
No tempo em que Jesus nasceu, os judeus continuavam
confusos, no tocante ao propósito de Deus para com
eles. Apesar de esforçarem-se por ser um povo santo,
separado, os escribas e os fariseus substituíram a
obediência pela banal religiosidade, e o amor pelo
inócuo legalismo. De acordo com a tradição dos fariseus,
para que alguém fosse santo era necessário que
devotasse todo o seu tempo a regras mteimináveis. Em
conseqüência, o acesso a Deus estava fora do alcance do
homem comum.
Jesus fez o seguinte pronunciamento para os líderes
religiosos dos judeus: "Portanto vos digo que o reino de
Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe
produza os respectivos frutos" (Mt 21.43). Que povo é
esse, ao qual Jesus se referiu? Ele referiu-se àqueles
que haveriam de crer nEle e de anunciar o Seu
Evangelho pelo mundo. Pedro, um dos doze apóstolos
originais de Cristo, explicou isso em uma epístola
endereçada aos crentes perseguidos, espalhados pela
Ásia Menor:

"Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação


santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de
proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das
trevas para a sua maravilhosa luz, vós, sim, que antes
não éreis povo, mas agora sois povo de Deus..." (IPe
2.9,10).

O povo de Israel negligenciou sua obrigação de ser o


instrumento divino de cura e reconciliação. Os mais
intensos esforços do sacerdócio arônico, para cumprir
esse
I mopósito eram lamentavelmente inadequados (leia
Hebreu 10.1-4). Mas Jesus Cristo, o Messias, veio
cumprir o Sei ininistério, ao oferecer-se a Si mesmo,
como sacrifício pel< pecado. Em todos os sentidos, o
sacerdócio de Jesus Cristo ultrapassou ao ministério da
linhagem de Arão e cumpriu < ininistério sacerdotal que
Deus tinha determinado, desde < começo, para que
Israel manifestasse ao mundo.
Depois da crucificação de Cristo - o sacrifício definitivo
cessou a necessidade de sacrifícios de animais. A morte
expiatória de Cristo, sobre a cruz, realizou a "purificação
pelos pecados" (Hb 1.3), o que não podia ser realizado
pelo; sacrifícios de animais. O sacrifício de Cristo foi
muito mai que um símbolo, porquanto Ele, o Cordeiro
de Deus, provor a morte em favor de cada ser humano
(leia Hebreus 2.9] realizando assim a expiação de uma
vez por todas (lei< Hebreus 7.27 e 9.26).

Você é um sacerdote, chamado para ser representante da


humanidade na presença de Deus, e, também, representante
de Deus, na presença da humanidade

E qual é o nosso propósito, como sacerdócio santo > real


de Deus? Pedro explicou esse ponto como segue: ". .a
fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamói
das trevas para a sua maravilhosa luz..." e ".. .a fim d
oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus po
intermédio de Jesus Cristo" (I Pe 2.9 e 5).
Como crentes, fomos chamados para cumprir o:
mesmos propósitos sacerdotais que foram entregues;
nação de Israel: ministrar ao Senhor em oração e
adoraçãc ministrar a outras pessoas, demonstrando o
poder e ; bondade do Senhor, e para servir de
instrumento, mediant o qual a vontade de Deus pode ser
feita na Terra, tal comi é feita no Céu. Você é um
sacerdote, chamado para se representante da
humanidade diante de Deus, e também, representante
de Deus, na presença da humanidade.
Na posição de sacerdotes do Deus Altíssimo, somos
possuidores de privilégios extraordinários e de
excitantes responsabilidades. Cabe-nos acolher
favoravelmente o santo chamado de Deus, ou então,
imitando o povo de Israel, renunciar a tal vocação.
Fiz uma tremenda descoberta, a qual transformou para
sempre a minha vida. Descobri que Larry Lea foi
chamado para ser mais do que um pregador, pastor ou
professor. Larry Lea foi chamado para ser um sacerdote
do Deus Eterno, Santo e Onipotente. À semelhança dos
sacerdotes levitas do Antigo Testamento, fui chamado
para oferecer sacrifícios diários ao Senhor. Fui chamado
para anunciar a mensagem ciivina de reconciliação a
pessoas desesperadas, alquebradas. Tenho um
propósito na vida que ultrapassa em muito o acumular
bens materiais, - e outro tanto acontece com o leitor.
Você também é um sacerdote! Possui uma vocação e um
propósito dado por Deus. Foi encarregado de obrigações
sagradas e dotado de privilégios extraordinários! Você foi
chamado para orar e louvar, como sacerdote do Deus
Altíssimo! Essa é a chamada feita a todos os crentes do
Novo Testamento. Não siga o exemplo daqueles que
negligenciaram o propósito de Deus, quanto a eles
mesmos. Antes, siga a Jesus, que o chamou para ser
um sacerdote! (N.E.: Recomendamos a leitura de
Vencendo a Guerra Real, de James Robison).
TRÊS

NÃO HÁ
SACERDOTES-ESPECTADORES

Que é você?" Se você se pusesse a saída do templo no


próximo domingo, e fizesse essa pergunta aos membros
da igreja, enquanto por ^^ali passassem, terminada a
reunião, que tipo de respostas você obteria? Alguns
deles lhe responderiam: "Sou médico". Outro diria: "Sou
programador de computador". Uma jovem talvez
retrucasse: "Sou secretária". E se eu dirigisse essa
mesma pergunta a você, o que responderia?
Alguma vez você já parou para pensar que aquilo que
você faz não é, necessariamente, o que você é? Seu
trabalho não é aquilo que você é; o que você faz é
apenas o trabalho para sustentar o seu sacerdócio. Não
importa se você trabalha com a cabeça, com as mãos ou
com as costas: você é um sacerdote! Enquanto não
compreender esse conceito fundamental, você sentirá
uma "coceira profissional",e continuará
Indagando por que seu trabalho não garante realização
plena. O Cristianismo quase se tem reduzido a um
esporte para espectadores. Muitos crentes parecem ter
adotado o seguinte procedimento: ganho a vida, vou à
igreja e pago os meus dízimos; aqueles que estão na
liderança no púlpito é que são os sacerdotes.
Seria impossível um clero profissional fazer tudo quanto
o povo de Deus foi chamado para fazer. Deus nomeia e
implanta apóstolos, profetas, evangelistas e
pastores/mestres, para que equipem plenamente o Seu
povo, para anunciarem o Evangelho e ministrarem uns
aos outros. E então, enquanto os crentes realizam o
trabalho ministerial, o Corpo de Cristo vai sendo
edificado, e ocorre o crescimento espiritual. Se
examinarmos cuidadosamente o texto de Efésios 4.11-
13, descobriremos essa relação de causa e efeito:

"E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para


profetas, outros para evangelistas, e outros para
pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos
santos para o desempenho do seu serviço, para a
edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos
à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de
Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da
plenitude de Cristo". (N.E.: Recomendamos a leitura de
Descubra Seus Dons Espirituais, de C.Peter Wagner).

Nunca foi a intenção de Deus que o mundo fosse


conquistado para Cristo, somente por meio de ministros
ordenados, que trabalhassem por tempo integral.
Conquistar o mundo, é óbvio, é tarefa que cabe a cada
crente, sem importar se ele é ordenado ao ministério ou
não.
Você já parou para pensar que aquilo que você faz não é,
necessariamente, o que você é? Seu trabalho não é aquilo que
você é; o que você faz é apenas o trabalho para sustentar o seu
sacerdócio

Quase toda igreja concorda com a necessidade de se


escolher um líder qualificado e equipá-lo com
autoridade, a fim de que cumpra deveres específicos.
Têm elas notado a obrigação de liberar tal homem de
Ioda responsabilidade de ganhar a própria vida no
mundo secular, ou pelo menos de parte dela, para que
tenha tempo de devotar-se ao serviço da igreja (leia I
Coríntios 9.14). O corpo laico precisa entender, todavia,
que não pode pagar a um pastor, para que ele faça
aquilo para o qual eles foram chamados.
A esfera primária de serviço, de um pastor, é a igreja, ao
passo que a esfera primária de serviço dos leigos é o
mundo. Em seus empregos e em sua vizinhaça e
comunidade, os crentes leigos estão em contato e com
pessoas, com quem o pastor jamais estará. Sei que isso
é verdade, porque concorda com isso muito de minha
experiência pessoal. Eis um exemplo desse fato.
Entreguei meu coração a Deus quando estava com
dezessete anos de idade. Cerca de três anos mais larde,
quando eu era estudante no Dallas Baptist Col-lege, o
Senhor impressionou meu coração com a necessidade
de andar no Espírito Santo e mostrar-me sensível para
com a orientação dEle. Certa noite, quando eu estava
orando, desceu sobre rnim poderosa unção, e prometi
ao Senhor que, dali por diante, eu sempre tentaria
obedecer a Ele.
Penso que no dia seguinte, quando eu estava almoçando
em um restaurante, não longe do colégio em que eu
estudava, o Espírito de Deus falou claramente a meu
coração: "Quando você sair daqui, Eu lhe mostrarei um
homem com quem você terá de falar."
Pensei que o homem seria alguém da minha faixa de
idade, algum jovem, de quem eu poderia aproximarme
sem qualquer dificuldade. Mas o homem já era de meia-
idade. Ele estava sentado sozinho, meio derriado sobre
uma mesa, com a cabeça amparada pelas mãos,
contemplando, de olhos fixos, uma xícara de café.
Caminhando, passei pela mesa, hesitei por um momento
e continuei o meu trajeto, até chegar à porta de saída.
Eu não sabia o que dizer. Minha boca parecia
paralisada.
Fui até meu carro e liguei a chave da partida; mas o
Espírito de Deus não me largava. "Você vai falar com ele,
ou não?" perguntou-me. Isso posto, desliguei o motor e
voltei ao interior do restaurante.
Sem esperar um convite ou ao menos um olhar
amigável, sentei perto dele, à mesa. E disse: "Senhor,
tenho algo para dizer-lhe. Fiquei muito impressionado e
parei para falar-lhe".
Um tanto surpreso, mas por demais desanimado para
protestar, ele retrucou: "E o que você pode fazer para me
ajudar? Eu sou um alcoólatra."
É claro que ele não sabia que meu pai havia sido salvo e
libertado do vício do álcool, fazia apenas seis semanas.
"Puxa, tenho uma história para lhe contar!" exclamei,
mergulhando no testemunho a respeito de meu pai. No
espaço de alguns minutos, eu tinha conduzido aquele
homem aos pés de Cristo.
É isso que quero dar a entender quando digo que
crentes sozinhos, não separados para cargos,
encontram-se com pessoas necessitadas,
desesperadas, com quem seus pastores jamais entrarão
em contato. Os crentes deparam situações de vida que
são "salas de pronto-socorro," e que não podem esperar
que alguém, oficial da igreja, venha ao encontro delas. A
enfermidade, o pecado e a depressão dificilmente
coincidem com as horas de trabalho do escritório das
igrejas. A morte e o desespero não podem ser refreados.
Você e eu precisamos abrir os nossos ouvidos ao
Espírito de Deus e obedecer quando Ele nos impulsionar
a "dizer boa palavra ao cansado" (Is 50.4). Nós temos um
ministério a desempenhar, e Deus nos considera
responsáveis por esse desempenho.
Uma vez que nem todo crente é bom conhecedor da
história eclesiástica, um breve exame dos lances da
História da Igreja poderia aclarar essa questão que
envolve clérigos e leigos.
Um estudo criterioso do livro de Atos e das epístolas do
Novo Testamento revela que o Cristianismo surgiu,
principalmente, como um movimento leigo. A Igreja
primitiva tinha bem pouca oganização formal. De fato, a
chave para o ministério e a chamada divinos dependia
dos dons espirituais com que Deus agraciava os crentes.
Era fato bem entendido que todo o povo de Deus era
chamado para trabalhar para Ele. Os leigos mostravam-
se ativos em seu serviço de adoração (leia I Coríntios
14.16,26), e envolviam-se na disciplina eclesiástica (leia
Tiago 5.16; I Coríntios 5; Mateus 18.15-20).

A chave para o ministério e a chamada divinos [na Igreja


primitiva] parece ter sido os dons espirituais que o próprio Deus
dava aos vários crentes
Naquele tempo, os membros da Igreja apreciavam
participar plenamente do ensino, do evangelismo
missionário e da instrução dada a novos convertidos.
Um exemplo disso seriam Priscila e seu marido, Áquila,
que eram fabricantes de tendas. O casal tinha uma
igreja em sua casa (ver I Coríntios 16.19), à qual o
apóstolo Paulo ajudava (ver Atos 18.18), e que também
recebia a instrução teológica de Apolo (vs. 26). Curas,
expulsões de demônios e manifestações dos dons
espirituais eram comuns, durante os primeiros trezentos
anos da história da Igreja. Ouçamos este fascinante
relato feito por Irineu, no século II D. C, extraído de sua
obra Contra as Heresias:
"Pois alguns, certa e verdadeiramente, expelem
demônios, de tal modo que aqueles que foram assim
limpos dos espíritos malignos tanto crêem [em Cristo]
quanto se unem à Igreja. Outros recebem conhecimento
prévio de coisas vindouras: esses têm visões ou
proferem expressões proféticas. Ainda outros curam os
enfermos, impondo-lhes as mãos, os quais são curados.
Sim, ademais, conforme eu já disse, até mesmo mortos
têm voltado à vida, tendo permanecido entre nós por
muitos anos. E que mais direi? Não é possível falar
sobre todos os dons que a Igreja, [dispersa] pelo mundo,
tem recebido da parte de Deus, no nome de Jesus
Cristo, o qual foi crucificado, sob Pôncio Pilatos, e que
ela exerce, dia após dia, para benefício dos gentios, não
ludibriando a quem quer que seja, e nem recebendo
deles qualquer paga. Pois assim como ela recebeu
gratuitamente da parte de Deus, assim também, de
graça, ela ministra..."1
Os relatos históricos do trabalho de missões, nos três
primeiros séculos da era cristã, revelam que as
atividades médico-missionárias entre os pagãos eram
altamente eficazes, porquanto os crentes em Jesus
curavam mais pessoas do que o faziam os exorcistas
pagãos. (N.E.: Recomendamos a leitura de Batalha
Espiritual, de Ray C. Stedman).
Gradualmente, porém, os leigos abdicaram de seu
ministério, e a Igreja organizada passou a ser dominada
por uma hierarquia clerical. Aí pelos fins do século III D.
C, a Igreja não era mais encarada como uma
comunidade Carismática (dotada de dons espirituais),
na qual todos os crentes apareciam como ministros e
sacerdotes. Em lugar disso, os crentes foram divididos
em duas partes: clero e corpo leigo, sagrado e secular,
macho e fêmea. Na prática, o ensino de que o reino de
sacerdotes inclui todos os membros do corpo de Cristo
já não significava grande coisa.
Já no século IV D. C, nenhum leigo podia administrar as
ordenanças. Nenhum salmo, escrito por crentes leigos,
podia ser entoado nas igrejas; dos leigos esperava-se,
somente, que se sentassem passivamente, no decorrer
de toda a reunião.
Pelo século V D.C., os ministérios de leigos haviam-se
reduzido ainda mais. As viúvas, mesmo que, fossem
mulheres educadas, não podiam batizar ou ensinar a
homens, e era subentendido que leigos não podiam
pregar. Aqueles que buscassem ordenação eram
obrigados a fazê-lo através de uma elaborada rede de
ofícios eclesiásticos, antes de poderem tornar-se anciãos
ou presbíteros.
Pelos fins do século III D. C , a Igreja não era mais considerada
como uma comunidade carismática (espiritualmente dotada),
na qual todos os crentes eram ministros e sacerdotes
A Reforma do século XVI, inspirada por Martinho
Lutero, tentou restaurar o princípio e a prática do
sacerdócio de todos os crentes e sua prática. Entre as
muitas modificações instituídas por Lutero, temos a
volta de pequenos grupos - agrupamentos de crentes,
constituindo-se o que se chamou de "igrejas que se
reúnem em casas".
João Wesley (1703 - 1791), fundador do Movimento
Metodista, levou avante essa idéia da igreja em casas.
Ele ensinava que deveria haver três reuniões por
semana: uma reunião de pregação, uma reunião de
ensino e uma reunião em que todos os participantes
compartilhavam o que o Senhor estava fazendo em suas
vidas.
Lutero, Wesley e outros, que vieram depois, procuraram
restaurar a Igreja naquilo que ela havia sido
originalmente: uma comunhão de crentes, todos
ativamente participando na obra do ministério. Com o
decorrer do tempo, entretanto, novamente os crentes
adquiriram uma mentalidade própria de espectadores, e
aquilo, que deveria ser tarefa realizada por todo o povo
de Deus, lentamente passou a ser atribuição de poucos -
o clero profissional.
Atualmente, muitos crentes vêm às igrejas com o
seguinte pensamento: "Vim buscar uma bênção",
quando deveria assumir: "Vim para servir de bênção a
outros". Em lugar de obedecerem à ordem de Cristo e
visitarem os enfermos, crentes apáticos telefonam para o
gabinete do pastor, para que faça essas visitas.
Informam ao pastor que algum irmão está acamado, e,
assim, julgam cumprido o seu dever.
Conforme já salientei, os pastores, mesmo quando
contam com auxiliares pagos pela igreja, não conseguem
fazer aquilo que os crentes leigos têm a fazer por
convocação divina. Em nossos dias, esperase que o
pastor implemente um eficaz programa de visitas a
enfermos, una apaixonados, pelo matrimónio e sepulte
mortos. Assim, os pastores são forçados a desempenhar
função de conselheiros, administradores, professores,
levantadores de fundos, arquitetos, faxineiros e líderes
que dirijam a adoração pública. Contudo, espera-se dos
pastores o preparo de mensagens inspiradoras que
conquistem vintenas de pessoas para Cristo, a despeito
de lhes darmos tão pouco tempo para orar e estudar a
Bíblia.
Que estou dizendo? Digo que, nisso de alguém ser
membro de uma igreja, há muito mais do que aparecer
no templo em dia da Ceia do Senhor. Se não estivermos
desempenhando as nossas responsabilidades
sacerdotais no dia a dia, estaremos apenas brincando de
religiosidade.
Creio firmemente que, se tivermos de fazer o mundo
sofrer grandes mudanças, por causa de Cristo, conforme
fazia a igreja primitiva, será necessário entender três
princípios fundamentais do Novo Testamento:

<*- Todos os crentes são chamados (I Pedro 2.9). <*■


Todos os crentes recebem algum dom espiritual
(I Coríntios 12.4-11; Romanos 12.4-8). »• Todos os
crentes são ministros (I Pedro 4.10,11;
I Coríntios 12.5; Atos 11.29).

Resumindo, essa é a teologia neotestamentária acerca


dos leigos e do clero. Comissionados pelo próprio Senhor
Jesus, para serem um reino de sacerdotes, todos os
crentes têm uma vocação divina e uma responsabilidade
para com Deus. Devemos cumprir os nossos deveres
sacerdotais, edificando, assim, o corpo de Cristo.

Cabe, agora, fazer uma pergunta: "- Quem é você? Que a


sua resposta seja: "- Eu sou um Sacerdote do Deus
Altíssimo!
Quatro

CONHECENDO O CORAÇÃO E A
MENTE DE DEUS

D eus está chamando-o para tornar-se um sacerdote


consagrado à oração. De fato, Deus está
convocando um enorme exército de sacerdotes da
oração. Ele quer que o Seu povo componha-se de
homens e mulheres dedicados à oração e à intercessão.
Se não perseverarmos na atmosfera da oração,
perderemos a adequada relação com o que ocorre no
reino de Deus.
Para sentir o que está no coração de Deus e para
entender o que Ele tem em mente, é necessário passar
(empo na presença do Senhor.

O Espírito de Revelação

Enquanto o crente não aceitar a chamada divina para


ser um intercessor, e não desenvolver o seu próprio
relacionamento íntimo com Deus, terá pouco
discernimento espiritual, em princípio. Só poderá imitar
outros homens de Deus.
Se quiser ouvir a voz de Deus, terá de começar a falar
com Ele favor de si mesmo e de outras pessoas.
Precisará formar o hábito santo de ministrar [leitourgeo)
ao Senhor, separando tempo para o serviço sacerdotal
sagrado que todo crente deve oferecer a Deus, através
da oração e da adoração pessoal (ver Atos 13:2). Quando
o crente assim o fizer, de seu espírito fluirão revelações
claras, refrigeradoras.
Quero assegurar-lhe que Deus quer falar com o crente,
mais do que ele. Deus quer, apenas, que se j ponham em
ordem as prioridades. Isso aplica-se tanto a pregadores
quanto a suas congregações.
Grande parte daquilo que prego, ocorre-me quando
estou orando. Sento-me ou ajoelho-me em meu
gabinete, com a Bíblia perto de mim. Enquanto oro e
ouço o Espírito Santo, Deus segreda alguma palavra ao
meu coração.
Muitos pregadores empregam processo contrário. Sabe-
se que, nos seminários, somos ensinados a preparar os
sermões de maneira metódica: estudando a Bíblia;
extraindo dali alguma idéia, usando as ferramentas da
exegese, da hermenêutica e da homilética, a fim de
edificar um sermão, em torno daquela idéia. Então, orar
e pedir a Deus que abençoe o sermão.

Quero assegurar-lhe que Deus quer falar com você. mais ainda
do que você quer que Ele lhe fale. Ele está apenas esperando
que você coloque em ordem suas prioridades

Acredito na importância do estudo bíblico. Sigo um


programa diário de leitura e estudo sistematicamente a
Palavra de Deus. Já atuei como deão do Seminário da
Universidade Oral Roberts. Creio no valor da educação e
do estudo diligente.
Mesmo assim, cabe aos pastores permanecer em oração
até que a Verdade divina nasça em seus corações,
através da oração e das lágrimas a fim de que a
mensagem seja entregue com a unção do Espírito Santo.
Quando um pregador pode levantar-se e declarar,
"Assim vos diz hoje o Senhor!", a voz que fala "dentro da
voz do pregador" compunge os corações ouvintes e
arranca-os de sua complacência.
No passado, Deus falava a Seu povo de fora para dentro.
A fim de ouvir a Deus. era necessário buscar um
sacerdote ou profeta. Mas, agora, Ele fala de dentro para
fora, por meio de Seu Santo Espírito, o qual habita em
nós e se comunica com nosso espírito e através dele.
Jesus, nosso grande Sumo Sacerdote, prometeu:

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a


fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da
verdade, que o mundo não pode receber, porque não o
vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita
convosco e estará em vós. . . mas o Consolador,' o
Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome,
esse vos ensinará todas as cousas e vos fará lembrar
tudo o que vos tenho dito". (João 14.16,17,26)

O crente deveria orar, como segue, todos os dias:

"Por essa razão, também nós, desde o dia em que o


ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que
transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em
toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de
viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro
agrado, frutificando em toda boa obra, e crescendo no
pleno conhecimento de Deus". (Cl 1.9,10)

Deus conferiu aos sacerdotes do Novo Testamento fontes


orientadoras e conselho, para que possam discernir a
Sua vontade. Temos acesso à Palavra de Deus, ao
Espírito Santo e aos dons de revelação do Espírito — a
palavra da sabedoria, a palavra de conhecimento e a
profecia. À medida que nos revestimos de nossos
peitorais da retidão (leia Efésios 6.14) e mantemos
nossos corações sensíveis e abertos, a voz do Espírito
Santo toma as realidades do Pai e as mostra para nós.
Ele nos guiará a toda a verdade.
Por que os pastores e seus rebanhos precisam de tal
revelação? A fim de desmascarar a linha de ataque do
inimigo; a fim de esboçar as manobras espirituais
capazes de destroçar as forças de Satanás. Por meio de
Suas revelações, o Espírito de Deus fala com clareza,
outorga diretrizes distintas e oferece soluções para as
circunstâncias problemáticas, sem importar quais sejam
elas - financeiras, físicas, espirituais ou emocionais. A
revelação é um aspecto indispensável do equipamento
do crente-sacerdote dedicado à oração.
Após a revelação, o sacerdote dedicado à oração
necessita das manifestações do poder sobrenatural. Tais
manifestações divinas, porém, não ocorrem auto-
maticamente. Elas dependem de nossa coragem -
coragem para obedecer à revelação que tivermos
recebido, coragem para nos mantermos firmes dentro da
revelação recebida, coragem para pormos em prática
essa revelação.

Um sacerdote dedicado à oração necessita do espírito da


intercessão, que leva à revelação. A revelação deve ser
acompanhada pela coragem de obedecer ao Senhor e isto
conduz aos resultados da manifestação divina

Pense nas ocasiões em que você tem falhado <


spiritualmente. Provavelmente, você fez isso por uma
destas duas razões: Sem ter recebido qualquer revelação
da parte do Senhor, prosseguiu, de forma presunçosa, e
disse: "No nome de Jesus, farei isto, nem que isso me
mate" (e assim quase aconteceu). Ou então, depois de
receber uma revelação, você não exibiu coragem
suficiente para firmar-se sobre a Palavra de Deus e
prosseguir até ao fim. A coragem, neste último (■aso, é o
elo perdido entre a revelação e a manifestação do poder
de Deus. (N.E.: Recomendamos a leitura de O Poder da
Visão, de George Barna).
Um crente-sacerdote que queira dedicar-se à oração
necessita do espírito de intercessão, que conduz à
revelação. Em seguida, a revelação, misturada com a
coragem de obedecer ao Senhor, conduz a resultados na
manifestação. Continuam de pé as promessas de Deus:
"Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei cousas
grandes e ocultas, que não sabes" (Jr 33.3). Só Deus
sabe os maravilhosos feitos que poderão ser realizados,
pelos crentes que optarem por passar tempo diante
dEle, em intercessão, recebendo a Sua revelação c
obedecendo corajosamente a essa revelação, para então
contemplarem as manifestações sobrenaturais c seus
resultados.
Sentindo o Coração de Deus

"Dr. Lea! Dr. Lea!"


"O que será agora?" murmurei, suspendendo a
respiração, naquela gélida manhã de outono, em 1988.
Eu estava procurando usar dois chapéus ao mesmo
tempo: pastor da Igreja da Rocha, em Rockwall, e deão
da Escola Graduada de Teologia da Universidade Oral
Roberts, em Tulsa. Já havia uma dúzia de coisas que eu
precisava fazer, antes de apanhar um vôo de fim de
tarde, de Tulsa até ao estado do Texas.
Deixei escapar um suspiro quando olhei para o salão da
entrada, estreito e apinhado de estudantes da
Universidade Oral Roberts, que se precipitavam para as
suas salas de aula. Foi então que vi o homem que tinha-
me chamado pelo nome. Ele estava sentado em uma
cadeira de rodas, agitando algo na mão que parecia uma
caderneta. Dei um passo na direção dele; mas, outra
pessoa qualquer me segurou por um braço, para fazer-
me uma pergunta. Nunca me voltei, realmente, na
direção do jovem na cadeira de rodas.
Dali, voltei para o meu gabinete, a fim de terminar a
preparação do sermão acerca da compaixão, o qual
deveria pregar naquela noite, em minha igreja, quando
chegasse a Rockwall. Porém, não conseguia concentrar-
me. Alguma coisa continuava roendo-me no fundo da
mente. O que seria? Do que eu teria-me esquecido?
Foi então que me lembrei do homem na cadeira de
rodas. Era como se Deus me dissesse: "Filho, enquanto
não fores receber a anotação dele e não ministrares a
ele, não terás o direito de pôr-te de pé, diante de tua
congregação, e de pregar sobre o tema da compaixão".
Assim sendo, chamei uma de minhas secretárias,
descrevi para ela o homem, e pedi-lhe que o encontrasse
- bem como a sua anotação.
Ela me trouxe a nota dele, a qual dizia mais ou menos
como segue: "Caro Dr. Lea, pedi a Felícia que se case
comigo. Talez ela seja a minha única oportunidade de
casar-me. Tenho orado intensamente a esse respeito,
mas deixei a questão aos pés de Jesus. Sem me
importar com o que Deus faça, continuarei a amá-Lo;
mas espero, sinceramente, que ela diga sim. Fia ainda
não me deu sua resposta. Gostaria de orar por mim?
Posso esperar sua oração?"
Meu coração constrangeu-se por causa daquele homem
solitário, cuja vida não estava bem, e clamei a Deus, em
favor dele e de Felícia.
Embora, em parte alguma da amassada nota estivesse
escrito qualquer coisa assim, de alguma forma consegui
ler, nas entrelinhas, uma outra mensagem: "Dr. Lea,
você é outro figurão que anda por estes corredores, ou
realmente se importa com as pessoas?"
Inclinei a cabeça e renovei um voto que eu fizera a Deus,
havia muitos anos. Eu tinha feito o voto de que amaria
as pessoas. Eu fizera o voto de que seria um crente-
sacerdote, dotado de um coração compassivo.

Mas [um sacerdote do Antigo Testamento] não estava bem


equipado para apresentar-se diante do Deus santo em favor de
um povo pecaminoso, a menos que fosse possuidor de um
coração compassivo

Como se pode perceber, um sacerdote do Antigo


Testamento podia ter-se vestido de vestes santas e ter
sido consagrado. Mas não estaria plenamene equipado
para apresentar-se diante de Deus, em favor de um povo
pecaminoso, a menos que tivesse um coração
compassivo, que chorasse com os entristecidos e
rejubilasse com os alegres. Um sacerdote-intercessor
precisava ser compassivo.
Não somos diferentes nisso. Enquanto não formos
batizados na compaixão, não chegaremos a interceder
de modo eficaz. Poderemos aprender todas as fórmulas
de oração. Poderemos praticar, até aquirir, a inflexão
certa em nosso tom de voz. Poderemos memorizar tudo
quanto alguém deva aprender sobre a oração. Mas,
enquanto nós mesmos não possuirmos corações
compassivos, não seremos crentes-sacerdotes eficientes.

O Modelo de Compaixão

Jesus é o nosso modelo de compaixão. Ao escreverem


seus respectivos Evangelhos, Mateus e Marcos
escolheram muitas vezes, o termo grego splanxnizomai,
que significa "comover-se em suas emoções internas",
"comover-se até às entranhas", ao descreverem a reação
de Cristo, diante das multidões e dos sofredores
individuais.
Ao cruzar cidades e aldeias, curando toda variedade de
doença, debilidade e aleijão, e pregando, Jesus, vendo
"as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam
aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor" (Mt
9.36, os itálicos são meus).
No capítulo catorze de Mateus relata-se a história da
morte de João Batista. Ao ouvir a notícia de sua morte,
Jesus, de coração partido, retirou-se para um lugar
solitário. E quando a aflita multidão pôs-se a segui-Lo,
Jesus não se deixou perturbar. Pelo contrário, Ele
"compadeceu-se dela, e curou os seus enfermos" (Mt
14.14).
Vê-se uma clara progressão nos atos de Jesus. Em
primeiro lugar, Ele viu uma numerosa multidão. Em
seguida, deixou-se dominar pela compaixão e por
profunda simpatia por ela. Ato contínuo, curou os
enfermos; pois, contemplando as pessoas em suas
necessidades, Seu coração compassivo transbordou do
desejo de curá-las.
Como é fácil ver, a compaixão é algo que nos agita por
dentro e que nos faz dizer: "Preciso fazer algo. Não posso
simplesmente aquietar-me e furtar-me de lazer algo.
Tenho que comover Deus acerca dessa gente".
O misericordioso ministério de Cristo consistia no
extravasamento de um coração compassivo que se
mantinha em contato constante com o Pai, cujo amor
descobrira uma maneira de tocar, redimir e curar um
inundo enfermado pelo pecado. No decorrer dos anos,
lenho percebido que algumas pessoas são levadas a
orar, devido a certo senso de dever. Outros oram, na
esperança de obter, assim, alguma vantagem
pecuniária. Mas, o compassivo coração de Jesus com
freqüência impelia-O a erguer-se ainda bem de
madrugada, a fim de que pudesse buscar a face do Seu
Pai.
. Algumas vezes, imaginamos Jesus, tomado por uma
justa indignação, com olhos chamejantes. Há um
chicote em Sua mão, e Ele está expulsando negociantes
que exploravam as dependências do templo, vendendo
ovelhas e pombos. Mas, esquecemo-nos de que apenas
minutos antes desse severo julgamento, Jesus tinha-se
compadecido e chorado de compaixão, ao aproximar-se
da cidade de Jerusalém (leia Lucas 19.41).
A compaixão ê algo que nos agita por dentro e que nos faz
dizer: "Preciso fazer algo. Tenho que comover Deus acerca
dessa gente".

A compaixão de Cristo é muito mais profunda do que a


lágrima fácil. Lucas escolheu o vocábulo grego klaio, a
fim de descrever o chorar de Jesus - uma palavra para
indicar qualquer expressão de tristeza em voz alta;
sobretudo, a lamentação pelos mortos. Signfica
"irromper em pranto, lamentar." Essa mesma palavra é
usada, em Lucas 22.62, para descrever a maneira como
Pedro chorou e se lamentou, após ter negado ao Senhor
Jesus.
Jesus derramou a Sua tristeza sobre Jerusalém em
lamentos e soluços audíveis. Ele sabia que o tempo da
graciosa misericórdia de Deus, pela cidade, era curto; a
profetizada destruição da cidade de Jerusalém
aproximava-se céleremente!
E não foi aquela a única vez em que Jesus chorou em
público. João selecionou a palavra grega dakruo, que
significa "verter lágrimas," a fim de descrever a tristeza
visível de Cristo, quando viu Maria e seus amigos
angustiados, devido à morte do irmão dela, Lázaro (João
11.35). E contemplando as lágrimas de Jesus, os
circunstantes sussurraram: "Vede quanto o amava!"
(João 11.36).
Onde obtivemos a noção que homens "reais", homens
"machos", não choram? O homem, em seu estado
natural, é apenas uma cópia pervertida e deformada do
Deus de amor, em cuja imagem foi criado. Se quisermos
saber como Deus é, se quisermos ver homens e
mulheres conforme Deus tencionava que eles fossem,
precisamos contemplar a Jesus, o qual é "a imagem do
Deus invisível" (Cl 1.15): a representação visível do Deus
invisível!
Jesus verteu lágrimas. Jesus chorou. Por quê? Por estar
tomado de compaixão; e a compaixão nos move para
fazer algo que alivie os problemas ou sofrimentos
alheios. A compaixão sente-se impelida a clamar a Deus,
em favor de outrem.
Há excesso de sofrimento ao nosso redor; mas, a nossa
condolência e a nossa simpatia não bastam. Se tivermos
de influenciar, precisaremos ter corações que se
compadeçam e solucem com a compaixão de Cristo:
uma compaixão que nos ponha de joelhos, intercedendo
em favor dos sofredores.
Quem sente compaixão emprega o tempo necessário
para deixar-se envolver, esforça-se e chega a suar;
rebaixa-se até ao pó. A compaixão atua onde I iá
tristeza: compartilha das desgraças, sofre as agonias e
se deixa comover pelo sentimento de fraqueza alheia. A
compaixão cuida em investir horas preciosas de
intercessão diante de Deus, pelos que sofrem, pelos que
padecem necessidades, e até mesmo pelos rebeldes.
CINCO

INTERCEDENDO DIANTE DO
ALTAR DO INCENSO

A intercessão fazia parte do ministério dos sacerdotes


do Antigo Testamento. Pela manhã e à noitinha, os
sacerdotes deveriam postar-se no Lugar Santo,
diante do altar do incenso, apresentando as
necessidades do povo de Israel e comungando com
Deus.
. No átrio, do lado de fora do tabernáculo, havia o altar
de bronze, onde eram oferecidos os holocaustos - um
lugar de sacrifício e sofrimento: um lugar em lavor dos
pecadores. Aquele altar era de solene testemunho de
que, sem o derramamento de sangue, não há acesso a
Deus e nem perdão de pecados.
Mas pelo lado de dentro do tabernáculo, no Lugar
Santo, bem defronte do véu que impedia a entrada ao I
remendo Santo dos Santos, havia um outro altar, o aliar
do incenso (ver Êxodo 30.6; 40.5). Esse pequeno aliar de
ouro ficava bem no trajeto através do qual o sumo-
sacerdote se aproximava do propiciatório, onde habitava
a presença de Deus, por detrás desse véu ou cortina.
Somente sacerdotes purificados e limpos tinham o
direito de acesso ao altar do incenso; nenhum pecador
podia aproximar-se do mesmo.
Sobre esse altar os sacerdotes ofereciam uma espécie de
incenso especial, prescrito pelo próprio Deus. A cada
manhã, quando as lâmpadas eram recompletadas de
azeite e os pavios eram aparados, e, novamente, no
começo da noite, quando as lâmpadas eram acesas, um
sacerdote, vestido em linho fino, limpo, aproximava-se
do altar dos holocaustos e enchia um incensário de ouro
com brasas vivas, tiradas desse altar. Tomando consigo
as brasas e um incensário de ouro, com fragrante
incenso, ele entrava, reverentemente, no Lugar Santo e
depunha as brasas acesas sobre o altar do incenso.
Então, ele aplicava liberalmente o incenso em pó, sobre
as brasas. Logo nuvens perfumadas tomavam conta do
Lugar Santo e do Santo dos Santos.
Tanto no Antigo quanto no Novo Testamentos, o incenso
é símbolo das orações dos justos. Clamou o salmista:

"Suba à tua presença a minha oração, como incenso, e


seja o erguer de minhas mãos como oferenda
vespertina". (SI 141.2)

João, o discípulo amado de Jesus, referiu-se ao incenso


como representação simbólica das orações do povo de
Deus. Ao descrever a sua gloriosa visão celestial,
escreveu João:

"Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um


incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para
oferecê-lo com as orações de todos os santos, sobre o
altar de ouro, que se acha diante do trono; e da mão do
anjo subiu à presença de Deus o fumo do incenso, com
as orações dos santos". (Ap 8.3,4)

A Palavra de Deus deixa claro que as nossas orações deleitam


o Senhor, subindo, como nuvens de perfumado incenso, até ao
Seu trono.

A Palavra de Deus deixa claro que as nossas orações


deleitam o Senhor, subindo, como nuvens de perfumado
incenso, até ao Seu próprio Trono. Não podemos
permitir que um comportamento indigno, ou atitudes de
apatia impeçam nossa aproximação de Deus, a cada dia,
para Lhe oferecer orações fragrantes, como o incenso
perfumado.

Os Dois Altares dos Crentes-Sacerdotes do Novo


Testamento

Como corpo do crente é templo, é santuário do ICspírito


Santo (leia I Coríntios 6.19). Dentro desse santuário
existem dois altares, cada um com o seu propósito
distinto.
Em primeiro lugar, consideremos o altar dos
holocaustos: o altar sobre o qual nos apresentamos
diante do Senhor e Lhe prestamos serviço. Nossos
sacrifícios são necessários e agradáveis a Deus; mas,
não são tudo quanto Deus quer de nossa parte. O
serviço e o sacrifício não podem substituir as nossas
orações. Todos os labores e sacrifícios pessoais a Deus
não podem tomar o lugar de nossa comunhão com ICle;
diante do altar do incenso. Ele anela por nossa
comunhão com Ele; por nossas orações e louvores, que
Lhe são tão agradáveis! Se tivermos de ser crentes
plenos, jubilosos, que conservam o devido equilíbrio
entre o dever e a devoção, teremos que dedicar algum
tempo, a cada dia, para ministrarmos perante o Senhor,
diante de ambos os altares.
O altar do incenso ê emblema das nossas orações e da
comunhão entre nós mesmos e Deus. Vemos ali a
representação da intercessão contínua de Cristo em
nosso favor, como também das nossas orações e
intercessões, feitas em Seu nome.
Jesus Cristo, nosso Salvador e nosso exemplo, atuava e
continua atuando como intercessor. Durante todo o Seu
ministério terreno, Jesus ia de um lugar de oração para
outro lugar de oração; e entre um lugar e outro, Ele
operava milagres.
Ele intercedeu durante uma noite inteira, antes de
escolher os Seus discípulos. Ele orou por ocasião de Seu
batismo. Ele retirava-se da agitação das multidões e
orava. Por muitas vezes, levantou-se antes do raiar do
dia, a fim de buscar a Face do Pai Celeste. Ele orava, e
então, fazia ver olhos cegos. Ele orava, e então,
caminhava por sobre a superfície do mar. Ele orava, e
então, multiplicava uns poucos pães e peixinhos, para
alimentar multidões de homens, mulheres e crianças
famintos. Ele orava, e então, curava pessoas de coração
partido, ou libertava os cativos de Satanás. Jesus orou
no Jardim "do Getsêmani. Ele orou encravado no
madeiro. E agora mesmo, estando no Céu, Ele continua
intercedendo continuamente por nós (leia Hebreus
7.25).
Jesus, agora, comparece na presença de Deus Pai, em
nosso favor. À mão direita do Pai, Jesus faz petições a
Deus, intercedendo e intervindo em prol da
humanidade. Estou na lista de orações de Jesus, e o
leitor também o está.
E como se isso não bastasse, Jesus também nos
conferiu o Espírito Santo, para socorrer-nos com a Sua
ajuda e para tolerar-nos em nossas fraquezas. Quando
não sabemos orar como convém, o Espírito Santo
pleiteia em nosso favor com gemidos indizíveis,
profundos demais para serem expressos em linguagem
humana, orando em perfeita harmonia com a vontade
de Deus (leia Romanos 8.26,27).

Se tivermos de ser crentes plenos e jubilosos, mantendo o


equilíbrio devido entre o dever e a devoção, teremos de dedicar
tempo para ministrar diante do Senhor, em ambos os altares.
Compreendendo a graciosa provisão de Deus, o escritor
da epístola aos Hebreus redigiu este jubiloso convite:
"Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao
trono da graça, a fim de recebermos i Misericórdia e
acharmos graça para socorro em ocasião oportuna" (Hb
4.16). Jesus Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote,
convidou-nos a participar, juntamente com ICle, do
ministério da intercessão. Jesus ensinou uma parábola
"sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer" (Lc
18.1). E também nos instruiu: "Pedi, e dar-se-vos-á;
buscai, e achareis; batei,e abrir-se-vos-a" (Mt 7.7). Ele
declarou que algumas coisas só podem ser realizadas
por meio da oração e do jejum (ver Marcos 9.29). E
Jesus também prometeu: ". . .se dois dentre vós, sobre a
terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que
porventura pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai
que está nos céus" (Mt 18.19). 10 também que tudo
quanto pedirmos em oração, se crermos, receberemos
(leia Mateus 21.22).
Portanto, Vós Orareis Assim

Jesus, no entanto, não ordenou simplesmente que


oferecêssemos o incenso da oração; Ele também nos
ensinou como fazê-lo. Os sacerdotes do Antigo
Testamento ofereciam somente o incenso especificado
por Deus; nenhum outro incenso era apropriado. Nossas
orações também deveriam ser oferecidas de acordo com
as especificações do Senhor. Quando os discípulos
pediram que Jesus lhes ensinasse a orar, Ele disse:

"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos


céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino,
faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o
pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as
nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos
nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação;
mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e a
glória para sempre. Amém". (Mt 6.9-13)

Anos atrás, em desespero, pedi de Deus que me


ensinasse a orar. Eu tinha o desejo apaixonado de
conhecer a Deus e de comungar com Ele, mas eu me
sentia, como se estivesse ressecando e perecendo
espiritualmente, por não saber como o crente deve orar.
Certo dia, quando, de novo, eu estava clamando a Deus,
rogando-Lhe que me ensinasse a orar, Ele me enfatizou
a familiar oração do Pai Nosso, no sexto capítulo de
Mateus.
Protestei: "Mas Deus, posso recitar essa oração em
trinta segundos e entoá-la em minuto e meio."
O Senhor me respondeu: "Recita-a bem d-e-v-a-g-a-r".
E obedeci. "P-a-i n-o-s-s-o q-u-e e-s-t-á-s n-o c-é-u",
recitei bem devagar toda a oração, fazendo uma pausa
no fim de cada palavra: ". . .s-a-n-t-i-f-i-c-a-d-o s-e-j-a o
t-e-u n-o-me".
Foi então que o Senhor me mostrou uma maravilhosa
visão. Vi Jesus segurando uma bacia grande. Eu
observava fascinado, enquanto Ele caminhava para um
altar, onde depôs o conteúdo da bacia - o Seu próprio
Sangue. Ao fazer assim, a massa viva e vertiginosa do
Sangue Precioso de Cristo, vertido sobre o altar,
começou a testificar, explicando o que Jesus tinha
provido para mim, através da Nova Aliança.
"Por causa do sangue de Jesus, teus pecados foram
perdoados e tu podes aproximar-te da presença de
Deus. Em Cristo, tu és a Justiça de Deus, pois Ele é o
Yahweh-tsidkenu, o Senhor Justiça Nossa. O pecado não
terá domínio sobre ti, pois Ele é o Yahweh-m'kaddesh, o
Senhor Teu Santificador.
"Podes sentir a Sua presença habitadora e a plenitude
do Espírito Santo. Ele esta contigo e em ti, pois Ele é o
Yahweh-shammah, o Senhor Está Ali. Teu coração e tua
mente podem ser tomados pela paz de Deus, pois Ele é o
Yahweh-shdLom, o Senhor Tua Paz.
"Podes viver em plena saúde física, mental e emocional,"
continuou revelando o sangue testificador, "pois pelas
Suas pisaduras foste sarado. Ele é o Yahweh-rophe, o
Senhor Que Te Cura.
"Podes experimentar sucesso, pois Cristo te redimiu da
maldição da Lei. Ele vê com antecedência as tuas
necessidades e providencia quanto às mesmas, pois Ele
é Yahweh-jireh, o Senhor Cuja Provisão Será Vista. Não
tens necessidade de temer a morte ou o inferno, e nem
qualquer ataque por parte do inimigo, pois Ele é Yahweh-
nissi, o Senhor Tua Bandeira, e lambem Yahweh-rohi, o
Senhor Teu Pastor".

Podes entrar na presença de Deus mediante a oração,


meditando sobre o que Deus significa para nós e agradecendo-
Lhe por tudo quanto o Sangue de Jesus adquiriu para nós

Por essa altura, eu estava arrebatado na presença de


Deus, em um êxtase de ação de graças pelo Sangue de
Cristo. Eu me achava glorificando a Deus, santificando
os Seus belos nomes; quando, então, o Espírito de Deus
relembrou-me que essa era somente a primeira estrofe da
oração. Eu apenas tinha dito "alô", e ali estava eu, arrebatado
na presença de Deus.
Foi assim que aprendi que podemos entrar na presença
de Deus em oração, meditando sobre o que Deus
significa para nós, e agradecendo-Lhe por tudo quanto o
Sangue de Jesus adquiriu para nós. Todos os dias em
que tenho orado, tenho aprendido a chegar diante de
Deus, conforme Jesus nos ensinou. Separo tempo para
bendizer o Seu Santo Nome, e me aqueço
espiritualmente em Sua gloriosa presença; porquanto,
se eu precisar de qualquer coisa, acima de tudo precisarei
Dele.
Naquele dia, lá em 1978, ao continuar a série de visões,
o Senhor mostrou-me que a oração do Pai Nosso na
verdade, é um esboço de oração, que Jesus nos forneceu
e no qual destaca seis tópicos, como padrão a ser
seguido e elaborado, sob a orientação do Espírito Santo.
Esses seis tópicos cobrem todas as áreas de nossas
necessidades.
"Portanto, orareis assim", instruiu Jesus. Se, de súbito,
Jesus aparecesse diante do crente, olhasse-lhe os olhos
e lhe dissesse: "Quando orares, ora conforme Eu
ensinei. Esse é o caminho correto para alguém
aproximar-se do Pai, a fim de Lhe expor as suas
necessidades", Por que insistir em orar de outra maneira
qualquer, se é possível aprender a orar conforme Ele
ensinou?
Os crentes-sacerdotes de Deus não devem oferecer
incenso estranho a Ele, mas devem aprender a orar em
obediência ao Seu mandato.

O Protocolo do Sacerdócio

Em setembro de 1986, seis outros homens e eu fomos


convidados a participar de uma reunião, seguida de
almoço, com um senador dos Estados Unidos da
América em seu escritório. A primeira coisa que observei
foi o protocolo - as regras de etiqueta e o modo de
proceder adequado. O senador e seus auxiliares tinham
a sua própria terminologia e usavam uma espécie de
linguagem política e diplomática com a qual eu não
estava acostumado.
Usualmente mostro-me muito descontraído, quando
entro em contato com alguém; mas, daquela vez, Larry
Lea teve todo o cuidado, para fazer tudo da forma mais
correta possível. Antes de tudo, eu não estava usando o
meu blusão azul. Não dei tapinhas nas costas do
senador e nem o chamei pelo seu primeiro nome.
Também não estava mascando chicletes! A tentação de
inclinar-me para trás, em minha cadeira ou de apoiar os
pés sobe a beira de sua escrivaninha, nem ao menos
entrou em minha mente. Eu o tratava como: "Sim,
senador," ou: "Não, senador". Quando deixei o gabinete
dele, naquele dia, e me disse: "Quero que você faça
certas coisas para mim", retruquei: "Sim, senhor".
Os crentes-sacerdotes do Novo Testamento também têm
um certo protocolo a ser seguido. Nós nos vestimos
apropriadamente em nossas vestes sacerdotais,
sobrenaturais. Só nos podemos aproximar de Deus de
uma maneira - mediante o sangue de Jesus. Entramos
na presença de Deus com ação de graças e louvamos ao
Seu santo nome. Usamos as palavras certas, quando
nos inclinamos diante Dele. Quando saímos pela porta,
vamos cumprir aquilo que Ele nos ordenou fazer. É isso
que quero dizer, ao falar no protocolo a ser seguido
pelos crentes-sacerdotes.
Jesus, nosso Irmão mais velho, ensinou-nos o protocolo
da oração sacerdotal - o que devemos falar, como
devemos orar - quando nos acercamos de nosso Pai
Celeste. Ele também nos forneceu a linguagem
diplomática do Reino - uma linguagem ensinada pelo
Espírito e que deve ser usada em nossas orações - que
nos convém usar quando a nossa limitada linguagem
natural é insuficiente para exprimir o que está guardado
em nossos corações, ou quando não sabemos orar como
convém.
Meu livro, Could YouNot Tarry One Hour?(N.E.: Nem Uma
Hora? - Editora Betânia), trata de explicar uma forma
de oração adequada àquela que Jesus nos ordenou.
Contudo, vale relembrar alguns pontos.

Promessas

Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome.
Como sacerdote dedicado à oração, o crente deve
começar seu ministério diário com louvor, santificando e
exaltando o nome de nosso Pai Celeste. Em princípio,
deve agradecer a Deus, por haver enviado Seu Filho, a
fim de nos redimir: se não fora Jesus, não poderíamos
chamar a Deus nosso Pai (leia Gálatas 4.4-6).
Em seguida, santificar o nome de Deus, concordando
sobre Quem é nosso Pai e o que Ele já fez, por
intermédio de Jesus Cristo. Deve louvar a Deus pelas
promessas que Ele fez ao Seu povo, dentro do Novo
Pacto - promessas cumpridas na pessoa e na obra de
Cristo. Mediante o louvor, entra na presença mesma de
Deus, abrindo o caminho para apresentar, diante Dele,
as suas petições.

Prioridades

Venha o Teu Reino, faça-se a Tua Vontade.


O reino de Deus estalece-se quando se obedece a Deus e
se aceita a vontade e a autoridade do Senhor.
Prosseguindo em oração, deve declarar que venha o
reino divino de retidão, alegria e paz (leia Romanos
14.17), e que a Sua vontade e Suas prioridades serão
estabelecidas nestas quatro áreas: (1) pessoal; (2) fa-
miliar; (3) eclesiástica; e (4) nacional. Cumpre orar
especificamente para cada uma dessas áreas, uma por
uma. O reino de Deus deve ocupar o primeiro lugar no
coração de quem aspira ao sacerdócio.

Provisão

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.


Depois que se tiver entregue à vontade de Deus e feito
de Seu reino a sua prioridade, peça-se pela provisão
para as necessidades físicas e materiais. Para receber a
provisão de Deus, em primeiro lugar deve-se estar dentro
da vontade de Deus (leia Hebreus 10.22,25; I João 1.7;
Hebreus 13.7,17; I Tessa-lonicenses 4.11,12; II
Tessalonicenses 3.10-12; Malaquias 3.10).
Em segundo lugar, deve-se reivindicar as promessas de
Deus e crer que é da vontade de Deus a prosperidade; isso
dará confiança para vir diariamente perante o Senhor.
(Leia Mateus 6.33; Tiago 1.6,7; Lucas 6.38; Marcos
10.29,30; Filipenses 4.19).
Em terceiro lugar, deve-se ser especifico (leia Filipenses
4.6; Mateus 6.11). Não se ora acerca de generalidades.
Façam-se petições bem definidas.
Em quarto lugar, evidencie a tenacidade. (Leia Daniel
10.12-4; Mateus 7.7; Lucas 18.1; Hebreus 11.6). O
desencorajamento ou a incredulidade não podem roubar
as respostas das orações.

Em suas orações diárias resolva como tratará as pessoas.


Lembre-se que você é um sacerdote, cujo propósito é ministrar o
amor e a misericórdia de Deus a outras pessoas.

Pessoas

Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado


aos nossos devedores.
Se o crente quiser dar-se bem com as pessoas, precisará
pedir a Deus que perdoe os seus relacionamentos
errados, as suas atitudes erradas. Precisará perdoar aos
outros e liberar-lhes a bênção, se quiser que Deus lhe
perdoe os pecados, e lhe remova as culpas e memórias
atormentadoras.
Em suas orações diárias, o crente deve decidir novas
maneiras de tratar o seu irmão. O crente é um sacerdote
com o propósito de ministrar o Amor e a Misericórdia de
Deus a outras pessoas. Em sua vontade, deve tomar a
decisão de que amará as pessoas, mesmo que elas
odeiem. Nada nem ninguém deve roubar a paz e alegria
do crente.
Poder

Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.


Ao iniciar o dia, na qualidade de sacerdote-in-tercessor,
o crente deveria orar, invocando uma cerca de proteção
em torno de si mesmo, de seus entes queridos e de seus
bens materiais. O Salmo 91 oferece-nos três razões
pelas quais se pode reivindicar a proteção divina: (1)
Porque o Senhor é a nossa habitação (vs. 9); (2) Porque
fixamos nEle o nosso amor (vs. 14); e (3) Porque
conhecemos o Seu nome (vs. 14). É bom certificar-se
diariamente de que se está fazendo tal reivindicação, a
fim de experimentar a proteção de Deus.
A defesa contra as astúcias do diabo é revestir-se de
toda a armadura de Deus, pedir e pedir, conforme está
mencionado em Efésios 6.14-17, crendo e declarando
que Jesus é a armadura de luz (ver Romanos 13.12,14).
Essas são as vestes espirituais do sacerdócio.
Inteiramente revestido com a armadura de Deus, e
protegido pela cerca protetora do Senhor, poderá o
crente sentir-se seguro na vitória conquistada por
Jesus. Assim, poderá combater o bom combate da fé e
derrotar os poderes das trevas.
Louvor

Pois Teu é o Reino, o Poder e a Glória para sempre. Amém.


A oração do Pai Nosso começa e termina com louvor.
Aqui, nesse último tópico, o cristão deve louvar a Deus,
por Ele tê-lo convidado para ser participante de Seu
reino (II Timóteo 4.18; Lucas 12.32), de Seu poder
(Salmos 68.35; Lucas 10.19) e de Sua glória (II
Coríntios 3.18; Hebreus 2.9,10). Os crentes-sacerdotes
de Deus jamais deveriam entrar à presença de Deus,
sem se prostrarem humildemente diante Dele,
oferecendo-Lhe uma oferta de aroma suave: o louvor.

Desejo, Disciplina e Avanço para o Deleite

Quando o crente começar a orar, conforme Jesus


ensinou aos Seus discípulos, ficará admirado diante da
enorme eficácia de seu ministério de oração e do
aprofundamento de seu relacionamento com o Senhor.

Quanto mais tempo passo na presença de Deus, mais percebo


que a oração é o mais importante de todos os nossos
ministérios. A oração é a obra mais santa que existe

A disciplina não vem de fora para dentro, e, sim, de


dentro para fora. Quando o Espírito de Deus ensina
como se deve orar e implanta o desejo de orar, tal desejo
reveste-se de disciplina. Então, a disciplina conduzirá o
crente a um santo deleite. A oração tornar-se-á o deleite
da vida cristã.

O Mais Sagrado Serviço

O mais honroso e desejado serviço, no ministério diário


dos sacerdotes do Antigo Testamento consistia em
queimar o incenso sobre o altar de ouro, no interior do
Lugar Santo. Na verdade, era habitual lançar-se sorte a
fim de se conhecer o privilegiado. Outro tanto deveria
acontecer no caso dos crentes-sacerdotes do Novo
Testamento, ao desenvolverem o cumprimento do
deleitoso e santo trabalho da oração.
Quando desperto a cada manhã, meu coração
Ja anseia por entrar na presença de Deus. O fogo
sagrado já está à espera de meu sacrifício. As
lamparinas de ouro cintilam fracamente e fumegam,
prontas para terem os seus pavios aparados e, para
serem cheias, de novo, com o azeite do Espírito. Deus
espera a minha comunhão com ele; anela por isto...
Minha alma precipita-se ao encontro do Senhor! lx)go o
santuário interior de meu coração enche-se com o suave
cheiro do louvor. Enquanto intercedo, perigos são
afastados, e as armadilhas de Satanás disparam em vão.
Corações são franqueados à verdade. Fardos pesados
são retirados. Ministérios são abençoados. Corpos são
fortalecidos e curados. Necessidades são satisfeitas.
\ O fogo acende-se! O fumo do incenso eleva-se! ICu me
esforço, sabendo que, se fraquejar, pessoas que
precisam desesperadamente de minha intercessão
poderão sucumbir, diante do diabo. Estratégicos pontos
de pressão poderiam perder-se para a causa de Cristo e
do reino de Deus, para sempre. Por conseguinte,
persevero em oração, confiando que a eficaz e fervorosa
"oração dos justos muito pode em seus efeitos" (leia
Tiago 5.16).
Levanto-me dos joelhos, mas a presença de Deus vai
comigo. No decorrer do dia, dedico os meus pensa- ,
mentos, palavras e atos como um sacrifício oferecido a
Ele. Ouço Suas palavras de conselho. Recebo Suas
palavras de correção. Dele extraio forças. Habito no
lugar secreto do Altíssimo. Visto-me com os trajes do
louvor, fragrante como o perfume do incenso. E onde
quer que as tarefas do dia me levem, tenho consciência
de que a Sua presença santifica o solo onde piso.
Serviço e sacrifício nunca deveriam tomar o lugar (la
oração. Um altar de ouro está no santuário da alma
cristã. Isso não deve ser negligenciado.
SEIS

O PROBLEMA DO PECADO

D eus ordenou explicitamente aos sacerdotes


levíticos: "A meu povo ensinarão a distinguir entre
o santo e o profano, e o farão discernir entre o
imundo e o limpo" (Ez 44.23). Vivemos uma época em
que o ser humano perdeu o senso da santidade de Deus
e da gravidade do pecado. Para ( xercer o papel
determinado por Cristo, a Igreja precisa reconhecer a
grande exigência Divina de Santidade e lambem a
abundante provisão do Senhor nesse sentido.

Confrontando O Pecado

Os crentes-sacerdotes do Novo Testamento precisam


combater o pecado diariamente. Precisamos enfrentar os
nossos próprios pecados, se quisermos que as nossas
orações façam diferença e sejam ouvidas nos Céus,
porquanto "muito pode, por sua eficácia, a súplica do
justo" (Tiago 5.16). A Palavra de Deus claramente
adverte que se dermos lugar à iniqüidade, em nossos
corações, o Senhor não nos ouvirá (leia Salmos 66.18).
Os crentes-sacerdotes do Novo Testamento precisam
combater os pecados alheios, fazendo intercessão pelos
rebeldes e restaurando os caídos. Temos o dever de
avisar fortemente aos ímpios, pleiteando com eles para
que abandonem o seu pecado, pois, de outro modo, o
sangue deles estará em nossas mãos (leia Ezequiel 3.18-
21).
Também precisamos abordar os pecados de nossa nação,
porque a vida e existência dela correm perigo; a menos
que se arrependa, receba perdão e se reconcilie com o
Deus santo a quem tem ofendido.
Sendo sacerdotes do Novo Testamento, precisamos
aprender uma lição, acerca da qual os sacerdotes do
Antigo Testamento eram continuamente relembrados: o
pecado é uma ocorrência muito séria!
Na adoração do Antigo Testamento, ninguém podia
aparecer na presença de Deus, sem o sacrifício de algum
animal, pois o sacrifício abria o caminho até à presença
de Deus. Por causa desse ato central de adoração, o
altar de bronze: lugar em que os animais eram mortos e
totalmente queimados, dominava o tabernáculo. Quando
os judeus e os seus sacerdotes entravam no átrio
cercado do tabernáculo, o altar dos holocaustos era o
primeiro objeto do culto, que eles podiam ver.
Todos os rituais de sacrifício - até mesmo o arranjo do próprio
tabernáculo - tinham por finalidade revelar a distância imensa
entre a humanidade perdida e o Deus santo
E, quando nos pomos a estudar os sacrifícios do Antigo
Testamento, vemos que todos os rituais de sacrifício - e,
até mesmo, o arranjo do próprio tabernáculo - foram
designados para revelar a distância imensa entre a
humanidade pecaminosa e o Deus santo.

O Tabernáculo

O tabernáculo, propriamente dito, era dividido em dois


compartimentos, um dos quais media o dobro das
dimensões do outro. O primeiro e mais espaçoso,
chamado Lugar Santo, era separado do segundo, por
uma cortina ou véu de estofo azul, púrpura e carmesim.
Esse véu não podia ser ultrapassado por pessoas
comuns. O segundo compartimento, chamado Santo dos
Santos, era a porção mais importante do tabernáculo.
Por detrás do véu ou cortina estava a Arca da Aliança:
uma caixa recoberta de ouro, cujas dimensões eram,
aproximadamente, l,20m de comprimento e 0,60m de
largura e de altura. A tampa dessa caixa era o
propiciatório. O propiciatório era formado de uma única
peça de ouro, em cujas extremidades havia as figuras de
dois querubins, cujas asas superiores se tocavam no
alto. No vazio, assim formado, rebrilhava a shechinah,
isto é, a nuvem visível, luminosa, que manifestava a
presença gloriosa de Deus.
Somente o sumo - sacerdote podia avançar para além da
cortina ou véu. Os demais sacerdotes, mediadores e
representantes do povo, não podiam ultrapassar do véu;
só podiam entrar no Lugar Santo. O acesso à presença
do Deus santo era limitado a um único homem. Mas até
mesmo esse homem, o sumo-sacerdote, só podia
aproximar-se do propiciatório e da espantosa nuvem da
glória de Deus, uma vez por ano, no dia da expiação. E,
nesse dia, arriscava-se a uma morte certa, se ousasse
entrar na presença de Deus e aproximar-se do
propiciatório sem o incenso perfumado e sem o sangue
expiatório do animal sacrificado, que cobria
simbolicamente o pecado.
Fora do tabernáculo, dentro do átrio aberto, o povo
adorava e apresentava as suas ofertas sacrificiais. Perto
do centro do átrio havia um grande altar, cujas
dimensões laterais eram, mais ou menos 2,40m e cerca
de l,50m de altura. Esse altar era mantido sempre
acessível e disponível a qualquer israelita culpado. No ar
do átrio, a fumaça de uma chama miraculosamente
acesa, cuidada pelos sacerdotes e alimentada dia e noite
sobre o altar de bronze, misturava-se com os odores do
sangue aspergido e da carne dos animais que
queimavam.
O altar do sacrifício servia de memorial constante de que
o pecado saía muito caro, e que o perdão não era barato.
Nenhum israelita comum ou sacerdote, nos dias do
Antigo Testamento, podia mostrar-se superficial no
tocante ao pecado, fingindo que o pecado pouco
importava. Pois o sangue de milhares e milhares de
animais sacrificados, que manchavam o altar, era
lembrete visível da seriedade do pecado, da desesperada
necessidade humana e da abundante provisão divina.

Os Sacrifícios

No sistema de sacrifícios que Deus entregou aos


israelitas por meio de Moisés, havia cinco diferentes
sacrifícios: a oferta pelo pecado, a oferta pela culpa, o
holocausto ou oferta queimada, a oferta de manjares e a
oferta pacífica. Quando consideradas em seu conjunto,
essas cinco ofertas revelam as bênçãos que seriam
dadas aos crentes do Novo Testamento, por meio do
único e completo sacrifício de Cristo na cruz. Nenhum
dos cinco sacrifícios, isoladamente, era capaz d e retratar
toda a obra final e perfeita de Cristo no Calvário.
Neste capítulo, estudaremos dois dos cinco sacrifícios: a
oferta pelo pecado e a oferta pela culpa. 10, no próximo
capítulo, abordaremos as três ofertas i estantes.

O sangue de milhares de animais sacrificados. . . servia de


memorial visível da seriedade do pecado, da desesperadora
necessidade humana e da abundante provisão divina

\ A compulsória oferta pelo pecado, o mais importante


de todos os cinco tipos de sacrifícios, era necessária
porque Deus julga aquilo que somos, tanto (|iianto
aquilo que fazemos. Ele vê a raiz de nosso pecado, a
nossa natureza maligna, bem como o fruto do nosso
pecado e de nossas ações. A oferta pelo pecado fazia
expiação pela pessoa do ofensor, em lugar de sua "tensa,
e simbolizava a redenção geral, não apenas ledenção por
algum erro específico, embora estivesse Incluído o
perdão por tal pecado.
A oferta pelo pecado expiava por um ofensor cujos
pecados se originassem da fraqueza humana, da falta de
conhecimento, de consideração insuficiente pelo
próximo, da pressa ou da falta de cautela (leia Levítico
5.1,4,15; Números 35.11,15,22). Essa era a oferta
requerida, quando o dano causado pelo pecado de uma
pessoa não podia ser aquilatado ou desfeito.
Essa forma de pecado ofendia a Deus, mas também
resultava uma profunda inquietação no íntimo do
pecador. Tal senso de culpa apresentava barreiras para
a adoração prestada por aquela pessoa, para a
comunhão dela com Deus e para seu testemunho diante
dos semelhantes; uma vez que o coração humano deve
estar em paz diante de Deus, antes que possa adorá-Lo
em espírito e em verdade, ou antes que possa extravasar
de amor e interesse pelo bem-estar de outras pessoas.
Um coração invadido pelo temor ou pela culpa não pode
estar pronto a adorar ou testificar.
Embora a oferta pelo pecado fizesse expiação pela
pessoa que pecasse sem intenção, não fazia expiação
pela rebeldia presunçosa e desafiadora contra Deus e
contra, os Seus mandamentos. A pessoa que cometesse
um pecado assim, voluntariamente, presunçoso,
desprezando e rejeitando a Palavra de Deus, teria de ser
cortada dentre o povo de Deus; a expiação que se fizesse
pelo povo de Deus não podia incluir tal pessoa (leia
Números 15.30,31).
Embora para os israelitas não houvesse qualquer oferta
pelo pecado de presunção; para nós existe tal oferenda!
Até mesmo os nossos pecados de presunção foram
postos sobre Jesus: os nossos pecados voluntários e os
nossos pecados contra a verdade revelada, são todos
perdoados pelo poder de Seu sangue.
Algumas vezes, os homens pensam que a misericórdia é
algo merecido, e não um dom da graça divina. E a
ignorância, com freqüência, é encarada como se fosse
um sinônimo de ausência de culpa; mas nenhum pecado
- mesmo um pecado de ignorância -pode ser expiado,
sem o derramamento de sangue.
Nós, que tendemos a tolerar e ignorar as nossas más
ações, deveríamos parar e perguntar a nós mesmos: Se
o pecado de ignorância me deixa culpado diante de
Deus, qual não será a gravidade de um pecado
voluntário, deliberado? Somente assim poderemos
começar a entender a enorme necessidade que temos de
nosso Salvador sofredor e de Sua cruz manchada de
sangue! Quão tremenda é a lei que amarra a
humanidade! Quão severa! Quão perscrutadora! Quão
santo e quão puro é o nosso Deus!
Por causa da pureza e da santidade de Deus, por causa
da profunda necessidade de perdão e libertação da
culpa, o caminho escolhido por Deus, para libertar os
pecadores não poderia, mesmo, ser a negação do pecado
e o esquecimento dele. Somente uma providência divina
poderia solucionar o problema: a expiação por Cristo
Jesus, no Calvário! A oferta pelo pecado representava a
desesperadora necessidade do homem e acerca da qual
um Deus abundante de graça e misericórdia fez uma
maravilhosa provisão!
"V
Um Quadro da Gravidade do Pecado

A oferta pelo pecado servia de vívido quadro da dureza


do pecado e de suas conseqüências. Para restaurar a
comunhão com Deus, o ofertante trazia seu animal
sacrificial a um sacerdote levítico. E para demonstrar
que aquele animal seria um substituto pelo ofensor, este
impunha as mãos sobre a cabeça do animal, fazendo
forte pressão sobre o sacrifício, com todo o peso de seu
corpo, como que depositando sobre o animal o pleno
peso de seu corpo, transmitindo assim a sua culpa para
o animal sacrificado.
Enquanto o ofensor impunha as mãos sobre o animal a
ser sacrificado, também confessava o pecado específico e
repetia uma oração de arrependimento, pedindo a Deus
a permissão que aquele sacrifício servisse de expiação,
ou cobertura, para o seu pecado. Então, assumindo
sobre si a plena responsabilidade pela morte da vítima,
o ofertante abatia o animal. Fosse o pecador um
dirigente ou um cidadão comum, o sacerdote derramava
o sangue do animal abatido, sobre o altar de bronze, e
queimava toda a sua gordura, como sacrifício.
Terminada a oferenda, o sacerdote tomava uma porção
da carne do animal e a comia, no átrio do tabernáculo.
Esse ato simbolizava que o pecado do indivíduo passara
para a própria substância corpórea do sacerdote, e, ao
comer daquela carne, o sacerdote tornava-se um tipo
Daquele que foi feito "pecado por nós" (II Co 5.21).
Tal modo de proceder, sem dúvida diferia da oferta pelo
pecado, realizada em favor de um sacerdote ou em favor
da congregação de Israel. Nesse caso, o sacerdote
conduzia parte do sangue do sacrifício, até ao interior do
Lugar Santo do tabernáculo. Ali, ele as^\ pergia o
sangue, fora da cortina, por detrás da qual manifestava-
se o Senhor; simbolizando, assim, que nossa comunhão
com Deus está alicerçada no sangue de Cristo. O
procedimento a respeito do altar do incenso
demonstrava que o poder da intercessão que prevalece
também depende do sangue de Cristo; e que as orações
do pecador só podem ser atendidas por meio desse
sangue. Em seguida, o sacerdote oficiante voltava ao
átrio externo, onde derramava o resto do sangue sobre o
altar de bronze, dando assim a entender que a expiação
estava realizada. Ele queimava toda a gordura do animal
sobre o altar. O que restasse do novilho - o couro, a
carcaça e a carne - era levado para fora do
acampamento e queimado (leia Levítico 4.11,12). Visto
que representava o pecado, tudo tinha que ser
totalmente destruído.

Responsabilidade e Prestação de Contas do


Sacerdote

Os crentes do Novo Testamento poderão Sentirse


surpresos ao lerem cuidadosamente o quarto capítulo do
livro de Levítico. O tipo de animal oferecido como oferta
pelo pecado dependia da posição social do ofertante.
Da parte de um dirigente, requeria-se que ele oferecesse
um bode. Um novilho, entretanto, era a oferenda
requerida da parte de um sacerdote, em razão de algum
pecado pessoal. Outro tanto se requeria, no caso do
pecado da congregação inteira de Israel. Isso significa
que Deus considerava o pecado de um líder espiritual
como se fosse o pecado da congregação inteira. Por quê?
Uma vez mais isso enfatiza a seriedade e a gravidade do
pecado. Um líder religioso, ungido e posto na posição de
autoridade, para representar a Deus e ensinar o
caminho do Senhor, podia conduzir ao pecado, por
causa do seu mau exemplo e seu errado modo de vida, a
congregação inteira, a nação toda! Diz um adágio
popular: "O mestre que peca, ensina a pecar." Quanto
mais elevada for a posição, a proeminência e a
iluminação recebida por alguém, mais grave será o seu
pecado. Um líder se assemelha a um relógio da cidade,
com base no qual, os cidadãos acertam os seus
horários. É fácil ver por que uma pessoa, colocada em
posição de autoridade era - e continua sendo -
responsável diante de Deus, por seu exemplo e
influência. Terá de prestar contas diante do Senhor!

Se a oferta pelo pecado fazia expiação pela natureza


pecaminosa do ofensor, a oferta pela culpa fazia expiação por
alguma ofensa específica

A Oferta Pela Culpa

A oferta pelo pecado e a oferta pela culpa eram


similares, devido ao fato de que ambas eram efetuadas
para restaurar a comunhão interrompida com Deus.
Mas, se a oferta pelo pecado [hattcCth) relacionava-se à
raiz da condição pecaminosa de uma pessoa, ou seja, à
sua natureza maligna, a oferta pela culpa {'asham) dizia
respeito ao fruto dessa natureza: maligna a má ação. Ou,
de outra forma, se a oferta pelo pecado fazia expiação
pela natureza pecaminosa do ofensor, a oferta pela culpa
fazia expiação por alguma ofensa especifica
Quando eram violados certos direitos de Deus ou dos
homens, o erro tinha que ser corrigido, a lei quebrada
tinha que ser honrada, e o pecado cometido tinha que
ser expiado, mediante uma oferta pela culpa. Deus
enumerou vários pecados específicos que requeriam a
oferta pela culpa.
Atualmente, quando a Igreja parece dar maior ênfase ao
perdão do que à obediência, os crentes precisam
entender que Deus não fecha os olhos para as
"pequeninas" coisas que, algumas vezes, tratamos de
forma tão negligente. Todos podemos beneficiar-nos
estudando com cuidado a lista de pecados pelos quais
Deus requeria uma oferta pela culpa:
>*- retenção da verdade (Levítico 5.1);
(#- contaminação do corpo (ou espírito), mediante o
toque em algo imundo (Levítico 5.2,3);
i#- a quebra de votos, promessas ou contratos (Levítico
5.4);
i*- desonestidade contra Deus ou
contra o homem (Levítico 5.15,16);
té- pecados cometidos devido à ignorância da Palavra de
Deus ou devido
f
à falha em descobrir e obedecer à Sua vontade (Levítico
5.17); i#- irresponsabilidade diante dos bens
alheios (Levítico 6.2); i*- injustiça em uma sociedade ou
relacionamento (Levítico 6.2); !*• exercício indevido de
força ou poder
no tocante aos direitos ou bens de
outrem (Levítico 6.2); s*~ obtenção de algo por meio de
ludíbrio (Levítico 6.2); vê- deixar de devolver objetos
achados
(Levítico 6.2,3).

Que tal meditarmos sobre esses itens? Quão


freqüentemente temo-nos desculpado, superficialmente,
de tais pecados em nós mesmos?

O Princípio da Restituição

A mais notável diferença entre a oferta pelo pecado e a


oferta pela culpa era a seguinte: A oferta pela culpa
exigia que fosse feita restituição do bem à pessoa
prejudicada, e que fosse paga uma multa ao sacerdote,
equivalente a um quinto do valor do objeto restituído. O
animal a ser sacrificado (da mesma forma que no caso
da oferta pelo pecado) fazia expiação a Deus; ao passo
que a restituição fazia compensação à vítima.
Outrossim, quando alguém era enganado, a restituição
precisava ser feita antes de a oferta pela culpa ser
trazida ao sacerdote. O ofensor precisava lazer
indenização antes de buscar perdão da parte de I )eus.
Em outras palavras, no caso em que Deus fosse a pessoa
defraudada, a ordem apropriada era, primeiramente,
sacrifício, e então restituição; mas, no caso de uma
pessoa ser a defraudada, a ordem era, primeiramente,
restituição e posteriormente sacrifício.
O princípio da restituição nunca foi abolido. O próprio
Jesus reforçou essa verdade prática, ao dizer:

"Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te


lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti,
deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro
reconciliar-te com teu irmão; e então, voltando, faze a
tua oferta" (Mt 5.23,24).

Aproximar-nos de Deus com um erro praticado contra o


próximo, sem que tenha sido corrigido, impede que
sejamos aceitos. Mas quando vamos até à pessoa e
corrigimos o erro, podemos reivindicar a graciosa
promessa de perdão da parte de Deus (leia Efésios 4.32
e Colossenses 3.13).

Se Deus tivesse sido o defraudado, a ordem certa era primeiro


sacrifício, depois, restituição; se uma pessoa tivesse sido
defraudada, a ordem certa era primeiro restituição, depois,
sacrifício

A oferta pela culpa requeria uma expressão visível de


culpa, humilhação, confissão e também restituição. A
pessoa culpada precisava fazer confissão "numa destas
cousas" (Lv 5.5). Essa confissão não consistia em repetir
algum ritual vago ou alguma fórmula litúrgica; antes,
era a confissão do pecado específico cometido. Ficava
entendido que essas oferendas expiavam pelo pecado
somente quando acompanhadas por arrependimento
efetivo..
Tal simbolismo nos estimula o pensar sobre alguns
itens: a) Oferecimento de um sacrifício dispendioso, b)
Confissão pública de pecado, c) Imposição de mãos e
transferência da culpa, d)
Abatimento de uma vítima inocente, e) Sofrimento e
derramamento de sangue por causa do pecado do
ofertante. Assim, a gravidade do pecado e a absoluta
santidade de Deus eram visível e tangivelmente
expressas diante do povo de Israel.
Se o princípio divino da restituição tivesse de voltar à
vigência, em nosso próprio sistema legal, todo o
conteúdo judiciário seria modificado. A restituição não é
aplicável somente a trangressores contumazes; aplica-se
também à Igreja: no relacionamento entre crentes. Uma
das principais causas da hipocrisia, do julgamento
injusto, da amargura e da falta de unidade nas igrejas
atuais deriva de ignorarmos o princípio divino da
restituição e de não o pormos em prática.
Quando nós, crentes, negligenciamos esse importante
princípio, lançamos o nome do Senhor no opróbrio e
fazemos outros crentes se desiludirem e se
desapontarem conosco. Na qualidade de crentes-sacer-
dotes, precisamos respeitar os nossos compromissos,
honrar os nossos contratos, pagar as nossas dívidas,
fazer restituição pelos erros cometidos e demonstrar
autêntico arrependimento por nossos pecados.
Mas no que consiste um autêntico arrependimento?
Alguns crentes comparam, nivelam o arrependimento,
ao choro diante do altar, ou à triseza por haverem sido
"apanhados" em seus pecados. Mas nenhuma das três
palavras gregas para arrependimento, usadas no Novo
Testamento, encerra tais idéias. A primeira delas,
metanoeo, significa "mudar de atitude mental" (Mateus
3.1; Marcos 1.15). A segunda, metanolomai, quer dizer
"mudança de coração" (Mateus 21.29,32; Hebreus 7.21).
E a terceira, metanoia, significa "mudança de curso" na
vida. Todos esses vocábulos cooperam para dar-nos o
sentido completo do autêntico arrependimento. Todos
três indicam com a vara de Aarão também estavam
dentro da arca (leia Êxodo 25.16,22; Hebreus 9.4).
Tudo isso formava uma bela e impressionante cena. Mas
quando o sumo sacerdote entrava no santuário sagrado,
era a visão da ofuscante e espantosa nuvem shechinah,
representação visível da santa presença de Deus, a qual
pairava por cima do propiciatório, entre os querubins,
que fazia o coração do sumo-sacerdote bater forte, e os
seus joelhos estremecerem.
Separado de todo o povo, o sumo-sacerdote comparecia
sozinho, trazendo as brasas vivas e o incensário,
brilhando na escuridão em que estava o Santo dos
Santos. Pode-se imginar o seu espanto mudo, enquanto
ele se postava, de pé, diante daquela nuvem
resplendente, a presença visível de Deus, plenamente
cônscio de que se os seus próprios pecados não fossem
cobertos, se o seu serviço sacerdotal não fosse aceito, ele
seria fulminado.
O sumo-sacerdote entrava no Santo dos Santos, pela
primera vez, para oferecer o incenso. Fazendo o incenso
passar entre os seus dedos, para cair sobre as brasas
vivas, ele esperava que as nuvens de fumaça perfumada
enchessem o Santo dos Santos. Finalmente, o sumo-
sacerdote emergia do santuário, e assim os israelitas
compreendiam que Yahweh havia aceito o serviço
prestado por ele.
Naquele mesmo dia, o sumo sacerdote ainda entrava no
Santo dos Santos, mais três vezes. Na segunda vez, ele
introduzia, ali, o sangue do novilho e o aspergia no
centro do propiciatório, cuidando, para que o sangue,
simbolicamente recoberto de pecado, nunca manchasse
as suas vestes brancas. Na terceira vez que ele entrava,
aspergia o sangue de um bode. Na quarta e última vez,
ele entrava no Santo, dos Santos para tirar o incensário
e a bandeja de incenso que deixara ali dentro.

Terminada a expiação, o sumo sacerdote. . .erguia ambas as


mãos para abençoar o povo, e clamava: "Estais limpos de todos
os vossos pecados!"

Por meio desses sacrifícios e aspersões de sangue, o


sumo sacerdote purificava o santuário, obtinha perdão
para os pecados e restaurava e garantia os privilégios
veterotestamentários dos sacrifícios, com o conseqüente
acesso a Deus.
Quando a expiação, finalmente, se completava, o sumo
sacerdote saía do tabernáculo, indo ao encontro da
grande multidão que esperava por ele, do lado de fora.
Então, erguendo ambas as mãos, em atitude de bênção,
ele asseverava: "Estais limpos de todos os vossos
pecados!"
No fim das solenes cerimônias, o sumo-sacerdote despia
as vestes de linho, que até ali usara. Tais vestes eram
então escondidas, para nunca mais serem usadas.
Jesus, Nossa Expiação

Assim como o sumo-sacerdote trocava as suas vestes


suntuosas por humildes vestes de linho, também nosso
grande Sumo-Sacerdote, o Senhor Jesus Cristo, deixou
com o Pai a Sua glória e se revestiu de uma pobre
humanidade, quando veio fazer expiação por nós. Paulo
escreveu que Jesus:
". . .a si mesmo se esvaziou [de todos os privilégios e de
uma merecida dignidade], assumindo a forma de servo
[escravo], tornando-se em semelhança de homens; e,
reconhecido em figura humana, a si mesmo se
humilhou
[mais ainda], tornando-se obediente até à morte,
e morte de cruz" (Fp 2.7,8).
Nesse passo bíblico, Paulo retratou a Jesus, tanto como
o Sumo-Sacerdote oficiante, quanto como o sacrifício
expiatório pelos nossos pecados. Ele atuou
simultaneamente como a vítima e como o sumo-
sacerdote que ofereceu a vítima. Ele é o Cordeiro sem
mácula, como também é o Sumo-Sacerdote que colocou
o sacrifício sobre o fogo e aspergiu o seu sangue sobre o
altar. O autor da epístola aos Hebreus diz a respeito
dessa questão: "a si mesmo se ofereceu" (Hb 7.27).
A Palavra de Deus também retratou Jesus como oferta
pela culpa em favor dos crentes do Novo Testamento,
porquanto Ele tomou sobre Si a nossa culpa e
humilhação, fazendo restituição a Deus pelos nossos
pecados contra Ele. Nas palavras proféticas de Isaías:
"Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões..."
(Is 53:5). Paulo esclareceu como foi concretizada a
maravilhosa obra do perdão dos pecados:

"E avós outros, que estáveis mortos pelas vossas


transgressões. . . vos deu vida juntamente com ele,
perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o
escrito de dívida que era contra nós e que constava de
ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o
inteiramente, encra-vando-o na cruz" (Cl 2.13,14).

Posto que não havia como nós mesmos pagássemos a


pena pelas nossas más ações, Jesus Cristo pagou uma
dívida que não era Sua, fazendo expiação em nosso
lugar. Assim, Ele tornou-se tanto a nossa oferta pelo
pecado quanto a nossa oferta pela culpa.
Estando Jesus a sofrer por nós na cruz, a luz do sol,
inexplicavelmente, se apagou. Pelas 15:00 horas daquele
dia, as trevas envolveram a Terra. Aquela era, mais ou
menos, a hora em que se costumava oferecer o sacrifício
vespertino. Um sacerdote, naquela hora, estaria diante
do véu, no Lugar Santo, a oferecer o incenso. Foi, então,
igualmente, que Jesus clamou: "Pai, nas tuas mãos
entrego o meu espírito!" E morreu. Naquele instante, a
pesada cortina que separava o Lugar Santo do Santo
dos Santos rasgou-se ao meio, de alto a abaixo, e um
terremoto abalou a Terra (ver Mateus 27.45-51; Lucas
23.45,46; Marcos 15.33-38).
Visto que Jesus, o Perfeito Cordeiro de Deus, verteu o
Seu sangue, o véu do santuário, que proibia a entrada
no Santo dos Santos, rasgou-se de alto a baixo, dando,
assim, a entender que o acesso agora estava aberto, até
à presença de Deus. A cortina que, durante muitos
séculos, tinha excluído a todos do mais íntimo recesso
do santuário, excetuando o sumo-sacerdote -e isso
apenas um dia a cada ano - agora, permitia a entrada de
qualquer um! Podemos caminhar diretamente até à sala
do Trono de Deus. Podemos apresentar os nossos
louvores e as nossas petições, diretamente à presença
de Deus! (N.E.: Recomendamos a leitura de Os Santos
Em Guerra, de Ricardo Gondim).

Se os levitas tinham o dever de oferecer sacrificios,


debaixo da antiga ordem, quanto mais nós, que somos crentes-
sacerdotes do Novo Testamento

As Escrituras nos instruem a não negligenciarmos tão


grandiosa salvação. Servir como crente-sacerdote do
Deus Altíssimo não é algo que uma pessoa remida faça
apenas vez por outra, quando lhe reste algum tempo
vago. Enorme responsabilidade, porém, está vinculada a
esse tão grande privilégio: o sacerdotal. Se os levitas
tinham a obrigação de oferecer sacrifícios, debaixo da
antiga ordem, muito mais nós, como crentes-sacerdotes
do Novo Testamento - que temos o privilégio de penetrar
até além do véu - temos a responsabilidade de oferecer
sacrifícios diários de louvor e orações intercessórias,
como incenso fragrante na presença do Senhor.
SETE
EM PAZ COM DEUS
Venha cá, Benjamim", chamou Zadoque, da
entrada de sua tenda, para o seu filho mais jovem, que
caminhava sem descanso ao redor de uma fogueira
próxima. "Venha cá e sente-se perto de mim. Vamos
conversar um pouco, enquanto sua mãe prepara o bebê
para ir para a cama".
Zadoque estendeu um cobertor sobre o solo úmido do
orvalho da noite, sentou-se sobre o mesmo e fez um
sinal para que seu filho se juntasse a ele. Quando o
rapazinho ajeitou-se sobre o cobertor, Zadoque indagou:
"Há alguma coisa que o está perturbando, Benjamim?"
O jovem olhou para longe, por alguns momentos, e
então respondeu: "Sim, meu pai. Há uma coisa que
venho desejando perguntar-lhe, alguma coisa que eu
não compreendo. Todos os dias, pela manhã e à tarde,
os sacerdotes sacrificam um cordeiro sobre o altar do
átrio, defronte do tabernáculo. Venho observando isso,
faz agora algumas semanas, e sempre acontece a
mesma coisa.
"E que dizer do fogo sobre o altar, papai?" continuou o
rapazinho, absorvido na profundeza de seus
pensamentos. "O fogo nunca se apaga. A cada noite,
quando me recolho para dormir, vejo o débil resplendor
das chamas entrando fracamente pela entrada da nossa
tenda".
Zadoque, sentado e quase sem se mexer, desfrutando a
calmaria do começo da noite, esperava que as
preocupadas perguntas do filho emergissem, como as
minúsculas bolhas de água em início de fervura.
"Por que os cordeiros precisam morrer, a cada
nascimento e pôr-do-sol, papai?" Assim indagando, o
menino fez uma longa pausa, e depois juntou: "Por que
o fogo?"
Longos momentos passaram-se, enquanto Zadoque
rebuscava em seu coração palavras simples que
descrevessem as arraigadas crenças, por meio das quais
vivia e ordenava os seus atos. Finalmente, falou.
"Benjamim", disse ele, ao mesmo tempo em que passava
os dedos pela barba hirsuta e negra, "a eterna justiça de
nosso Deus, que requeima todo mal e toda ação injusta,
é declarada a Israel, nas chamas do altar. Nosso
acampamento inteiro vê esse fogo a queimar no átrio
aberto, consumindo o sacrifício, durante a noite toda; e
as chamas falam conosco".
"As chamas/aiam a você? E o que elas lhe dizem,
papai?" perguntou o rapaz, prendendo a respiração.
"Enquanto as chamas famintas vão devorando vítima
após vítima, dia após dia, elas nos avisam: Assim
também vocês perecerão, se não se arrependerem!"
retrucou Zadoque. E, então, continuou: "Mas o estalido
das chamas também sussurra para nós que há um
caminho de escape. As chamas dizem-nos que os
sofrimentos de suas vítimas são vistos, dia e noite, pelo
nosso santo e amoroso Deus, e que esses sofrimentos
são aceitos por Ele em nosso lugar".

Algum dia uma vítima perfeita será depositada sobre o altar de


Deus, cujo sangue satisfará, misericordiosamente, as chamas
que o céu acendeu em juízo contra o pecado

"Compreenda, Benjamim," prosseguiu Zadoque, "o fogo é


um sinal do pacto que Deus firmou conosco, de que,
algum dia, uma vítima perfeita será depositada sobre o
altar de Deus, cujo sangue satisfará, miseri-
cordiosamente, as chamas que o céu acendeu em juízo
contra o pecado. Mas, enquanto aguardamos esse
evento, mantemos acesas as chamas de nosso amor a
Ele, nos altares ocultos de nossos corações, pois amor
gera amor. Sempre amaremos a Deus, o qual primeiro
nos amou, e cuja misericórdia tem conservado as
chamas famintas a queimar, até que seja achado aquele
sacrifício perfeito em nosso lugar".
Zadoque fez uma pausa, para permitir que as tremendas
verdades se enraizassem na mente do filho, e, então,
continuou com voz suave: "Mas você não precisa temer
nem o fogo e nem os sacrifícios, meu filho", "Nós,
homens de Israel, que compreendemos a linguagem do
fogo, vamos dormir a cada noite e descansamos em paz.
Benjamim, desta noite em diante, sempre que você abrir
os olhos em meio às trevas e vir os raios tênues do fogo,
passando pela porta de nossa tenda, lembrará que o
fogo está falando-lhe da misericórdia e do amor de nosso
Deus, e, assim será consolado".
O perfeito sacrifício de Jesus Cristo que Ele ofereceu a
Si mesmo, o Seu sangue vertido no Calvário - satisfez as
exigências da santidade de Deus, fazendo provisão de
perdão e de paz com Ele, para toda a humanidade. Por
conseguinte, não mais precisamos oferecer o sangue de
cordeiros, novilhos ou bodes, em oferta por nossos
pecados e transgressões. Também não precisamos
esforçar-nos, na tentativa de obter a salvação. As
lágrimas e os labores de uma vida inteira não podem
comprar a nossa redenção. Graças a Deus, os homens
não mais precisam dessas tentativas inúteis. Jesus pagou
tudo em nosso lugar!
A oferta pelo pecado e a oferta pela culpa falavam sobre
a necessidade de purificação, reconciliação e
restauração da humanidade, para que os homens
pudessem ter comunhão com Deus. Uma vez que o
problema do pecado foi resolvido, mediante o sangue de
Jesus, os demais sacrifícios adquiriram um novo
sentido.
Os três sacrifícios do Antigo Testamento, que
descrevemos neste capítulo, exprimem uma correta
relação e comunhão com Deus. Eram ritos de consa-
gração, dedicação e ação de graças, que celebravam o
pacto que o antigo povo de Deus desfrutava com Ele.
Nesses sacrifícios, aliavam-se a santidade e a alegria.

Os Holocaustos

Os holocaustos ou ofertas queimadas, descritos em


Levítico 6.8-13, eram oferecidos a cada dia, pela manhã
e ao entardecer. Em dias ordinários era sacrificado um
cordeiro de um ano de idade; aos sábados, dois
cordeiros eram oferecidos pela manhã e dois, ao
entardecer (ver Números 28.9,10). Por causa da
regularidade e freqüência com que esses sacrifícios eram
oferecidos, eram também chamados de "holoeaustos
contínuos" (Êx 29.42).
Em adição aos holocaustos contínuos, os israelitas
também podiam oferecer particularmente. ofertas
queimadas. Esse era o sacrifício normal de um judeu
que estivesse em apropriado relacionamento com Deus.
Os holocaustos representavam a auto-devoção e a busca
pelo favor divino. Tal sacrifício era inteiramente
voluntário (leia Levítico 1.3), conforme devem ser todas
as nossas dádivas a Deus, se tiverem de ser agradáveis e
aceitáveis a Ele.
O ofertante impunha as mãos sobre o animal a ser
sacrificado, reconhecendo que esse animal servia de
substituto por ele. E então o próprio ofertante, em favor
de quem o animal estava sendo oferecido, abatia o
animal. Em seguida os sacerdotes, filhos de Aarão.
aspergiam o sangue do animal sacrificado sobre o altar,
e preparavam a oferta para o sacrifício.

Uma vez resolvido o problema do pecado por meio do sangue,


os demais sacrifícios adquiriram um novo sentido. . . correto
relacionamento e comunhão com Deus

Visto que o animal inteiro, excetuando o seu sangue, era


reduzido a cinzas e fumaça, a oferenda simbolizava a
completa consagração do indivíduo; a outorga
irrevogável do ser inteiro para cumprimento da vontade
e dos propósitos de Deus. O autor da epístola aos
Hebreus informa-nos que os holocaustos retratavam o
sacrifício voluntário que Cristo fez de Seu próprio corpo,
objetivando à nossa santificação: "Nessa vontade é que
temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de
Jesus Cristo, uma vez por todas" (Hb 10.10).
Os crentes-sacerdotes do Novo Pacto também receberam
a ordem de oferecer sacrifícios espirituais. □ apóstolo
Pedro ordenou aos crentes o sacerdócio dedicado a
Deus, que eles oferecessem sacrifícios espirituais
aceitáveis e agradáveis a Deus, por intermédio de Jesus
Cristo (leia I Pedro 2.5), dando a Seu nome a glória
devida.
Tal como os sacerdotes do Antigo Testamento afereciam
holocaustos diários ao Senhor, nós, os trentes-
sacerdotes do Novo Testamento, deveríamos apresentar-
nos diariamente a Deus - na totalidade de nossas
pessoas, com todos os nossos membros e faculdades.
Nas palavras de Paulo:

"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,


que apresenteis os vossos corpos por sacrificio vivo, santo
e agradável a Deus, que é o vosso culto racional"
(Romanos 12.1; os itálicos são meus).
Depois de nos termos dedicado a Deus, Doderemos
entregar a Ele o nosso serviço.
Deus quer que também Lhe ofereçamos a nossa é,
mesmo que isso signifique perdermos a vida por imor ao
evangelho. Diz o trecho de Hebreus 11.6: "De ato, sem fé
é impossível agradar a Deus". Paulo, gualmente, falou
de uma oferenda de fé, nestas Dalavras, dirigidas aos
crentes de Filipos:

". . .preservando a palavra da vida, para que, no dia de


Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, nem me
esforcei inutilmente. Entretanto, mesmo que seja eu
oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa
fé, alegro-me e com todos vós me congratulo. Assim, vós
também, pela mesma razão, alegrai-vos e congratulai-
vos comigo" (Fp 2.16-18).

Antecipando a proximidade de sua morte, Paulo, homem


dotado de grande coração, deixou clara a sua disposição
de ser martirizado por amor àqueles amados crentes, se
necessário fosse. Para explicar a sua devoção, ele usou a
impressionante analogia de um sacerdote assassinado
no cumprimento fiel de seus deveres. Paulo retratou a si
mesmo como um sacerdote ministrante, que oferecia a
fé dos crentes filipenses a Deus, ao mesmo tempo em
que ele mesmo era morto. O sangue do sacerdote foi
derramado como libação, sobre o sacrifício da fé deles,
da mesma forma que os judeus costumavam oferecer
uma libação de vinho, em um dos lados do altar, ou
como os pagãos da época ofereciam vinho, sobre suas
vítimas sacrificiais.
O idoso apóstolo prosseguiu, a fim de explicar aos
crentes filipenses que a mistura da fé deles com o
sangue dele, sobre o altar, como um sacrifício mútuo,
seria motivo de alegria, tanto deles, quanto do apóstolo.
Em meio a testes de fogo e às chamas das provações
mais severas, porventura paramos para pensar que
estamos oferecendo a nossa fé, por fraca que ela seja,
como um sacrifício sobre o altar de Deus? À semelhança
de Jó, olhamos para Deus e fazemos o voto: "Eis que me
matará, já não tenho esperança; contudo, defenderei o
meu procedimento" (Jó 13.15)?

Em meio a testes de Jogo e às chamas das provações


mais severas, costumamos parar para pensar que estamos
oferecendo a nossa fé. . . como um sacrificio, sobre o altar de
Deus?
Nestes dias de crescente perseguição, porventura em
ocorrido aos descansados membros de igreja que dguns
de nós podem juntar-se ao grupo, cada vez mais
lumeroso, de crentes, de outras nações, que já foram
convocados para dar suas vidas pela causa de Cristo?
jaso chegue esse dia, que à semelhança de Paulo,
estejamos prontos a oferecer, com alegria, as nossas
próprias vidas.

A Oferta de Manjares

A oferta de manjares era voluntária e represen-ava as


primícias do trabalho dos adoradores. Essa nodalidade
de oferta era o único dos cinco sacrifícios, im que não
era usada a carne de animal sacrificado. Síesse caso, os
ingredientes eram farinha de trigo crua, çrãos assados e
bolos sem fermento (leia Levi tico 2.1-16; 6.14-18). O
sacerdote tomava um punhado da iferta de manjares
(também chamada oferta de cereais), punha-o em um
vaso, espalhava, incenso e sal sobre a oferenda, e então
colocava-a mesma sobre ) fogo. O restante da oferta
pertencia aos sacerdotes.
Essa oferta, que simbolizava a comunhão e o
companheirismo com Deus, relembrava aos israelitas
jue Deus lhes dera o seu alimento e sustento. Então
cies, por sua vez, reconheciam que Lhe deviam as suas
ridas, oferecendo-Lhe o seu serviço, como uma outorga.
Os crentes-sacerdotes do Novo Testamento não riais
sacrificam cereais, de fato, a Deus. Eni lugar disso, a
generosidade, a bondade e as boas obras servem le
sacrifícios agradáveis a Deus. Atualmente, o autor la
epístola aos Hebreus nos ordena: "Não negligencieis,
gualmente, a prática do bem e a mútua cooperação;
30is com tais sacrifícios Deus se compraz" (Hb 13.16).
Todos sabemos o que significa a "prática do bem," mas o
que significará a "mútua cooperação"? Essa expressão,
mui surpreendentemente, no grego é koinonia, e significa
"comunhão", "companheirismo". Portanto, esse versículo
poderia ser traduzido assim: "Não negligencieis...a
prática do bem e o companheirismo".
É possível crer no ensino dado pelo autor da epístola aos
Hebreus? Dedicando-nos ao companheirismo e
praticando boas obras, oferecemos sacrifícios que
comprazem a Deus. Praticamente, a cada semana, sabe-
se de crentes que oferem tais sacrifícios.

Segundo ordenou o autor da epístola aos Hebreus: "Não


negligencieis igualmente a prática do bem e a mútua
cooperação: pois com tais sacrifícios Deus se compraz"

Por exemplo, certa noite, um casal, membro de uma de


nossas células familiares, recebeu a desagradável
notícia de que seus três filhos tinham sofrido um
gravíssimo acidente com automóvel, e tinham sido
conduzidos, em ambulância, para um hospital da cidade
de Dallas.
Quando dois dos anciãos da igreja correram para o
hospital, encontraram cinco líderes de células familiares
e suas respectivas esposas, que já estavam ali na sala
de espera, intercedendo pelos três jovens, os quais, em
estado desesperador. Na Unidade de Terapia Intensiva,
seus pais - agraciados com a calma e a paz que vêm de
Deus - andavam ao redor dos leitos de seus filhos.
Enquanto os anciãos juntavam as suas orações às
intercessões que já estavam sendo feitas, em favor dos
rapazes e de seus pais, Deus ouviu e deu resposta às
orações: Todos os três jovens se recuperaram
completamente!
As pessoas, ao que parece, encontram oportunidades
para ministrar, em todos os lugares. Certo casal dirige
um lar para mulheres desamparadas. Uma viúva rica,
com mais de setenta anos de idade, apresenta-se como
voluntária, e dedica várias horas por semana, para
ministrar a adultos que não se podem locomover. Ela faz
favores, transmite recados e entra em contato com eles,
por telefone, para certificar-se de que estão todos bem.
Certa mulher, cuja profissão exige-lhe muitas horas, por
dia, um suprimento de belos cartões. Quando sabe que
algum amigo ou conhecido está enfermo, desencorajado
ou passando por tempos difíceis, envia-lhe um cartão e
mantém aquela pessoa em sua lista de orações.
Um casal, cujas mães idosas e débeis moram distante,
envia-lhes meios com que sobrevivam.
Esses crentes, não estão ministrando somente para
pessoas em necessidade; estão ministrando para Deus.
Nossos sacrifícios espirituais de companheirismo,
compaixão e devoção altruísta não passam des-
percebidos pelo Senhor. Agora experimentamos a alegria
e a satisfação de ajudar a nossos semelhantes.Um dia,
porém, Deus haverá de agradecer-nos pessoalmente:
". . .então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita:
Vinde, benditos de meu Pai! entrai na posse do reino
que vos está preparado desde a fundação do mundo.
Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me
destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava
nu e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso e
fostes ver-me. Então perguntarão os justos: Senhor,
quando foi que te vimos com fome e te demos de comer?
ou com sede, e te demos de beber?. . . O
Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que
sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos
irmãos, a mim o fizestes" (Mt 25.34-37,40).
Tiago, conhecido como irmão de nosso Senhor, reduziu
a verdadeira religião a uma fórmula muito simples: "A
religião pura e sem mácula, para com o nosso Senhor e
Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas
tribulações, e a si mesmo guardar-se incontaminado do
mundo" (Tg 1.27).
O próprio Jesus disse a mesma coisa aos fariseus, que
eram justos aos seus próprios olhos. Ele ordenou,
severamente: "Ide, porém, e aprendei o que significa:
"Misericórdia quero, e não holocaustos" (Mt 9.13). Isso
quer dizer que Deus anela por ver nossos corações e
nossas mãos estendidos na direção dos carentes. Seu
coração compassivo clama pelo dia em que dedicaremos
tempo para visitar os enfermos, os solitários e os aflitos,
a fim de abençoá-los com os dons de nossa presença, de
nosso encorajamento e de nossas orações. Também
significa que nossa obediência e aceitação voluntária
das gentis leis do amor e da misericórdia são muito mais
desejáveis para Deus do que a gordura de carneiros (leia
I Samuel 15.22). Significa que se não Lhe oferecermos
os dispendiosos sacrifícios de vidas puras e de corações
compassivos, Ele não estará interessado em substitutos
carnais. Não importa quão profundamente busquemos
em nossos bolsos algum donativo de caridade.

Em sua epístola aos crentes de Filipos, os quais haviam


contribuído para suprir-lhe as necessidades, Paulo chamou-lhe
as doações de "aroma suave, sacrificio aceitável, agradável a
Deus"
Quando se trata de sermos transformados segundo a
imagem de Cristo, o que importa não é freqüentar
alguma igreja, pagar os dízimos, testificar, cantar no
coro ou memorizar as Escrituras. O que importa é o
Amor. Disse Jesus Cristo: "Se vocês querem ser como
Eu, então terão de sentir e demonstrar compaixão." Um
crente-sacerdote do Novo PaCto não tem outra opção.
Um dos sentidos das ofertas de cereal é similar ao
oferecimento dos dízimos. Isso foi expresso nas palavras
de Davi:

"Porque teu é tudo quanto há nos céus e na


terra...Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos"
(I Cr 29.11,14).

Deus se agrada de nossos sacrifícios de boas práticas e


de comunhão, mas também nos ordenou que, como
crentes-sacerdotes do Novo Testamento, oferecêssemos
as nossas dádivas. A raiz da palavra que, no Antigo
Testamento, foi traduzida por oferta significa
"aproximação." Quando pensamos em uma oferta como
aquilo através de que nos aproximamos de Deus, o ato
de dar torna-se um privilégio e um deleite, e não uma
obrigação desagradável.
Em sua epístola aos crentes de Filipos, os quais haviam
contribuído para suprir-lhe as necessidades, Paulo
chamou-lhes as doações de "aroma suave... sacrifício
aceitável e aprazível a Deus" (Fp 4:18; os itálicos são
meus). Quando doamos algum bem para que a obra do
Senhor progrida e para que os obreiros de Deus sejam
supridos, temos a alegria de saber que as nossas
doações são aceitáveis diante do próprio Deus.
À semelhança dos adoradores judeus antigos, nós, os
crentes-sacerdotes do Novo Testamento, nos deveríamos
dedicar-nos, antes de tudo, a Deus. Depois de nos
termos entregue a Ele, então Ele nos ungirá e aceitará o
nosso serviço e as nossas doações: as primícias de
nossos trabalhos. A ordem de coisas não pode ser
alterada. Boas obras e dinheiro jamais serão aceitos por
Deus como substitutos de corações obedientes e
devotos.

A Oferta Pacífica

Dentre os cinco sacrifícios do Antigo Testamento, a


oferta pacífica era aquela que manifestava maior jubilo.
Chamada "oferta pacífica" por ser oferecida por aqueles
que estavam em paz com Deus, exprimia gratidão e
obrigação a Deus; era uma oportunidade de exprimir
comunhão com Ele.
De todos os sacrifícios, a oferta pacífica era aquela
observada em último lugar. Talvez isso servisse para
frisar o fato que a paz nos vem como resultado de
obedecermos a Deus e de atendermos ao que Ele
requisita.
As ofertas pacíficas podiam ser oferecidas pública ou
privadamente. Os dois cordeiros, oferecidos a cada ano,
na festa de Pentecoste, eram uma oferta pacífica
pública, considerada santíssima. A carne dos animais
era comida dentro do Lugar Santo pelos sacerdotes
oficiantes. Ofertas pacíficas públicas também eram
oferecidas em ocasiões de grande regozijo ou solenidade
coletiva.
As ofertas pacíficas privadas eram de três variedades:
sacrifícios de ação de graças, oferecidos em
reconhecimento das misericórdias recebidas (leia
Levítico 7.12), de votos (leia Levítico 7.16) e de ofertas
voluntárias da parte de corações cheios de amor (leia
Levítico 7.16). Esses sacrifícios eram sempre
acompanhados por uma libação e por uma oferta de
manjares (também chamada oferta de cereais), que
consistia em um bolo de cereais ralados e de farinha de
trigo misturada com azeite, ou bolos asmos (sem
fermento), que podiam ser preparados de três maneiras
diferentes, com azeite (leia Levítlco 7.11-14).
Do ofertante requeria-se que impusesse as mãos sobre o
sacrifício, que fizesse confissão e que prestasse ação de
graças a Deus. Depois que o ofertante abatia o animal
do sacrifício, o sacerdote aspergia o sangue sobre o
altar, e então oferecia ao Senhor a gordura e as
entranhas. A oferta pacífica terminava em uma festa
jubilosa, na qual se consumia a carne do animal e os
bolos asmos.

Era chamada "oferta pacifica" porque era oferecida por quem


estava em paz com Deus. . . era uma oportunidade de ter
comunhão com Ele

O ofertante, os seus amigos e os sacerdotes reuniam-se


em feliz comunhão com o seu Deus, no átrio do
tabernáculo (leia Deuteronômio 12.17,18). Essa refeição
denotava a comunhão entre os adoradores e Deus. E
também simbolizava e prometia amizade e paz com
Deus.
Nas ofertas pacíficas observadas no pacto antigo, os
judeus ofereciam ações de graças juntamente com os
seus sacrifícios. Louvores em agradecimento também
serviam como emblema dos sacrifícios que os sacerdotes
do Novo Testamento devem oferecer.

"Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre,


sacrificio de louvor, que é o fruto de lábios que confessam
o seu nome" (Hb 13.15; os itálicos são meus).
O escritor sagrado ordenou-nos oferecer sempre os
sacrifícios de louvor - não somente como faziam os
judeus, em certas ocasiões, mas continuamente! Em
nossos louvores também somos instruídos a confessar o
Seu nome, em meio a ações de graças. Jesus Cristo
ensinou-nos a louvar o nome de Deus, logo na primeira
sentença da oração do Pai Nosso: "Pai nosso que estás
nos céus, santificado seja o teu nome." Ao assim
fazermos, confessamos Quem Deus ê e também
exaltamos o Seu nome por causa do que Ele tem feito
em nosso benefício.
Mas louvar a Deus por quem Ele é e por Suas obras
admiráveis não é o único sacrifício de louvor que Deus
aceita. A Palavra de Deus ensina que Ele considera a
confissão de nossos pecados como uma forma de
oferenda de louvor. Deus, que criou o fruto dos lábios
(ver Isaías 57.19), diz-nos exatamente o que devemos
fazer quando tropeçamos e caímos, por causa de nossas
iniquidades:

'Tende convosco palavras de arrependimento, e


convertei-vos ao Senhor; dizei-lhe: Perdoa toda
iniqüidade, aceita o que é bom, e, em vez de novilhos, os
sacrifícios dos nossos lábios" (Os 14.2).

O salmista, de igual modo, escreveu acerca dos


sacrifícios de arrependimento:
"Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito
quebrantado; coração compungido e contrito não o
desprezarás, ó Deus" (SI 27.6).

A instrução dada por Paulo aos crentes de Colossos


serve de bom conselho para nós, crentes modernos:

"Habite ricamente em vós a palavra de Cristo; instruí-


vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria,
louvando a Deus, com salmos e hinos e cânticos
espirituais, com gratidão, em nossos corações. E tudo o
que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em
nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus
Pai" (Cl 3.16,17).

Enquanto nos ocupamos em nossas atividades diárias,


aprendamos a oferecer contínuos sacrifícios espirituais
de louvor e ação de graças.
A oferta pacífica é a meta para onde somos conduzidos
pelos outros sacrifícios: uma vez que tenhamos sido
aproximados de Deus, mediante o mérito do sacrifício de
Cristo, não somente não há mais condenação para nós,
mas também nos é assegurado o acesso à graça divina,
e temos o direito de desfrutar de alegria.
Tal como os sacerdotes e crentes do Antigo Testamento
deviam participar jubilosamente das ofertas pacíficas, os
crentes do novo pacto, que se reúnem para participar
Ceia do Senhor, devem banquetear juntos em torno de
Sua abundante provisão, relembrando, com atitude de
agradecimento, como Jesus sofreu e morreu por eles.
"Porventura o cálice da bênção que abençoamos, não é a
comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos,
não é a comunhão do corpo de Cristo?" (I Co 10.16).
As ofertas pacíficas simbolizam a maravilhosa promessa
expressa em Apocalipse 3.20: "Eis que estou à porta e
bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta,
entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo."
Aguardam por nós uma jubilosa celebração e uma
comunhão íntima com o Senhor. Basta-nos abrir a
porta!

Lições Para Hoje

Cerimônias impressionantes, ritos elaborados,


sacrifícios simbólicos - tudo aponta para a pessoa de
Jesus; todas essas coisas nos ensinam mais sobre o que
Deus requer do nosso serviço e adoração, em nossos
dias.
Porventura, o Espírito Santo já instou com o irmão para
apresentar diante do Senhor uma oferta pacífica - um
voto ou oferenda voluntária, que partisse de um coração
amoroso, algum sacrifício de ação de graças, em
reconhecimento das misericórdias que você tem
recebido? Talvez você tenha trazido parte de suas
riquezas ou tenha feito uma oferta especial por causa de
alguma bênção financeira inesperada. Talvez ele tenha
extravasado a sua gratidão pela bondade de Deus, e
então tenha resolvido abster-se de uma refeição e passar
o tempo ministrando ao Senhor, em louvor e adoração.
As ofertas pacíficas, para nós, são ocasiões festivas
maravilhosas, de amizade e comunhão com Deus.
Outras vezes, entretanto, Deus nos pede que façamos
algo que nos abate profundamente, em lugar de nos
infundir felicidade. Passei por isto, quando Deus me
pediu que Lhe desse meu filho.
Corria o ano de 1977. Eu ainda era um jovem pastor-
auxiliar da Igreja Batista Beverly Hills. Melva e eu
estávamos residindo em uma confortável casa, de quatro
dormitórios, na parte sul da cidade de Dallas. John
Aaron, nosso primeiro filho, na época estava com três
anos de idade. Ele era um lindo garoto loirinho, e nós o
adorávamos. Na realidade, estávamos chegando ao
ponto a que chegam muitos jovens pais: Estávamos
quase idolatrando o nosso garotinho.

As ofertas pacíficas são ocasiões maravilhosas e jubilosas de


amizade e de comunhão com Deus

No entanto, comecei a ter um horrível sonho, que se


repetia vez por outra. Por três vezes, sonhei que John
Aaron tinha morrido. Na primeira vez, pensei que se
tratava apenas de um pesadelo. Mas, ao sonhar, pela
segunda vez, dei alguma atenção ao sonho, mas acabei
me desvencilhando das impressões deixadas em minha
mente. Porém, quando sonhei pela terceira vez, percebi
que o Senhor estava procurando dizer-me alguma coisa.
Arrastei-me para fora da cama e fui, nas pontas dos pés,
para a sala de visitas, que eu havia dividido para
também servir de estúdio e lugar de oração. Fechei
calmamente a porta. Começamos a tratar a sério sobre a
questão, Deus e eu.
Ajoelhado ali no escuro da sala, o Espírito de Deus falou
comigo, em meu coração, e perguntou: "Você quer dar-
Me o seu filho?"
Aquela foi uma das vezes, em minha vida, em que
compreendi a necessidade de cuidar sobre como
responderia ao Senhor. Lembrei-me de uma ocasião -
quando eu estava pregando na índia - quando Deus me
perguntou se eu venderia tudo quanto nós possuíamos,
para doar à Sua obra. Eu respondi "sim". E o Senhor me
fez cumprir o acordo. (Mas devo acrescentar que, depois
que obedecemos, inesperadamente o Senhor permitiu-
nos comprar e pagar a casa na qual estávamos vivendo).
Eu sabia que jamais poderia dar a Deus alguma
resposta petulante, quando
Ele me pedisse para fazer alguma coisa.
Ajoelhei-me nas trevas da noite, chorando e lutando
com aquela decisão capaz de retorcer a alma. Alguns
minutos mais tarde, quando a pergunta me foi feita pela
segunda vez, Deus conferiu-me a graça de responder:
"Sim, Senhor. Eu Te dou o meu filho".
Lembro-me de que também disse: "Senhor, dediquei
John Aaron a Ti, quando ele nasceu, e não o tirarei de
volta agora. Sim, ele é Teu".
No momento em que essas palavras saíram de minha
boca, recebi uma visão: meu pequeno menino
caminhava na direção de Jesus e se aninhava em Seus
braços. Tanto o rosto de John Aaron quanto o rosto do
Senhor Jesus estavam irradiando uma glória e uma
alegria tais, que todo temor de perder meu filho único
apagou-se totalmente.
Contemplando os dois na visão, eu disse: "Senhor, se
John Aaron tiver de subir para Ti, nunca haverei de
desejar tê-lo de volta, depois do que vi agora à noite".
A visão desapareceu, e o Senhor falou estas palavras em
meu espírito: "Visto que o deste para Mim, eu to devolvo
para que Me sirva contigo por muitos anos".
Ali estava eu sentado, regozijando-me diante daquelas
maravilhosas palavras, quando ouvi que alguém batia
devagarinho na porta. O som me deixou ligeiramente
assustado, porque eram apenas quatro horas da
madrugada, e ninguém mais na família, além de mim,
deveria estar acordado. Mas, ao abrir a porta, ali estava,
diante de mim, meu pequeno John Aaron.
Esfregando os olhos, ele disse: "Papai, tive um sonho".
Afagando-o nos braços, perguntei: "E sobre o que você
sonhou?"
A resposta dele me fez retroceder, meio cambaleante.
"Eu estava nos braços de Jesus", sussurrou ele, "e nós
estávamos tão felizes, papai. O rosto de Jesus estava
brilhando, e estávamos tão felizes".
Chorando como um bebê, despertei Melva e disse-lhe o
que havia acontecido. Ficamos de pé o resto da noite,
orando e engrandecendo a Deus.
Aquela experiência confirmou algo que eu já sabia:
Quando Deus nos pede para Lhe darmos um bem, não é
porque Ele precise disto. Mas é porque precisamos dá-
lo. O Deus do universo não precisa de meu dinheiro ou
de minhas "coisas", e nem mesmo de meu filho.
Diamantes e dinheiro não são moeda corrente no céu.
Mas, se eu tivesse permitido que qualquer coisa se
interpusesse entre Deus e mim, se eu me tivesse negado
a dar-lhe o meu filho, não estaria livre para o Senhor.
Não posso permitir que qualquer coisa se interponha
entre a minha alma e o meu Salvador.

Quando Deus nos pede para Lhe darmos algo, não é porque Ele
precise disto. Mas, porque nós precisamos dá-lo

Aqui estão os sacrifícios que os crentes-sacer-dotes do


Novo Testamento devem oferecer a Deus:

sua própria pessoa;


sua fé e, se necessário for, o próprio sangue;
suas boas obras e sua comunhão; seus dons, oferendas
e seu louvor.

Nossas vidas, em todos os seus aspectos, devem ser


sacrifícios vivos que oferecemos a Deus. Com
grande eloqüência, Charles Spurgeon, o grande pregador
britânico diz: "O pecado é morte. Esforce-se para
manter-se longe do mesmo. Apegue-se a coisas vivas.
Ofereça a Deus orações vivas e lágrimas vivas; ame-O
com amor vivo; confie Nele com fé viva; sirva-O com uma
obediência viva". Que devemos oferecer a Deus? Tudo!
Todos haveremos de comparecer à presença de Deus.
Aos crentes que, nesta vida, negligenciaram o grande
altar do sacrifício, Deus poderá dizer algo como isto:

Vocês receberam a ordem de oferecer-Me sacrifícios.


Manhã após manhã, dia após dia, Jesus, seu Sumo-
Sacerdote, esperou-o diante do altar do sacrifício, mas
nada Lhe trouxeram para oferecer.
Não se apresentaram a Ele como um sacrifício vivo.
Também não apresentaram a Ele qualquer louvor ou
ação de graças. Preferiram duvidar e questionar, em
lugar de depositarem Nele a sua fé e de confiarem-se às
Suas mãos. Não lhes requeri o sangue, pedi apenas o
seu testemunho. Contudo, chegado o momento de
darem testemunho, vacilaram, envergonhados de falar a
Meu respeito.
Não ofereceram a Jesus qualquer serviço ou boas ações.
Recusaram-se a separar uma porção daquelas coisas
boas que eu lhes tinha confiado, a fim de que outras
pessoas se beneficiassem e fossem abençoadas. Antes,
consumiram tudo sozinhos, e, então, jogaram o resto,
aos pés traspassados de seu Sumo-Sacerdote. Por que
negligenciaram o Meu altar? Por que deixaram o Meu
Filho de pé, ao lado do Meu altar, manhã após manhã,
sem coisa alguma agradável para apresentar-Me? Ele os
redimiu com o Seu próprio sangue. Por que nada
tinham de digno para Lhe oferecer?

Oro para que jamais tenhamos que responder a essa


tremenda pergunta. Mas, dirigindo-me ao leitor: O que
tem a dizer? Você está negando alguma coisa ao
Senhor? Seu tempo? Algum talento? Alguma pessoa?
Algum prazer? Alguma memória? Se assim for, por amor
a si mesmo, entregue isso a Deus, sem considerar
quanto isso lhe possa custar. A exemplo do rei Davi,
você precisa declarar: ". . . não tomarei o que é teu, para
o Senhor, nem oferecerei holocausto que não me custe
nada" (I Cr 21.24).
Deus não desperdiçará a sua doação. Antes, Ele a
investirá de forma que possa colher os maiores
galardões. Enquanto você cuidar daquilo que é mais
caro para Ele, Ele cuidará daquelas coisas que são mais
queridas para você. Afinal, o Deus que amou o mundo
de tal maneira que deu o Seu Filho unigénito,
compreende o que significa sacrificar-se.

OITO

CUIDANDO DO CANDEEIRO DE
OURO

Homem onde você quer chegar?" exclamou o


pastor, incrédulo. Eu já tinha ouvido perguntas
semelhantes, antes daquela ocasião. Rindo-me diante de
sua expressão admirada, repliquei: "Que você quer dizer
com isso: onde você quer chegar?"
"Você sabe o que eu quero dizer," insistiu ele, resolvido a
não se incomodar com a minha brincadeira. 'Tenho visto
como a sua agenda é repleta; no entanto, você exibe
toda essa energia. E está sempre pronto para novas
tarefas. Como consegue isso? Você toma remédios,
vitaminas, ou o quê?"
Outros pastores têm-me inquirido acerca desse mesmo
assunto, mas por um ângulo diferente: procuram
acautelar-me: "Larry, você faria bem se diminuísse o seu
ritmo. Você não tem medo de ficar esgotado?"
"Eu teria medo," costumo asegurar-lhes, "se o fogo fosse
Compreendo a preocupação deles. Lembro-me muito
bem da exaustão e da frustração contra as quais tive de
batalhar na década de 1970, enquanto tentava
equilibrar um orçamento que deixaria nervoso um
mágico. Eu estava pastoreando um dinâmico grupo de
jovens que, com o tempo, cresceu até tornar-se a Igreja
Batista Beverly Hills, em Dallas, no Texas, com mil
membros. Ao mesmo tempo, eu tentava completar
minha formatura como Mestre em Artes, num seminário
que ficava a cerca de sessenta quilômetros. Eu via
trezentos a quinhentos garotos serem salvos por mês,
em concertos e cruzadas. Eu tentava ser bom marido.
Esforçava-me para amar meus dois filhos pequenos, e
um terceiro, que viria; além de prover-lhes o necessário.
Não admira que fui parar em um hospital, fisicamente
exausto.
Grande parte de minha frustração e exaustão originava-
se do fato de que eu não sabia dizer não às pessoas. Em
conseqüência disso; vivia correndo para cá e para lá.
Mas isso não era novidade. Relembrando, penso que
todos quantos me conheciam, incluindo minha esposa,
imaginavam-me como um ponto de exclamação, dotado
de pernas.
No primeiro ano em que nos casamos, Melva e eu
residíamos em uma pequena casa móvel, estacionada
atrás da igreja. Não percebendo a grande necessidade de
Melva e eu estarmos juntos, eu costumava convidar
duas dúzias de garotos para virem lanchar e estar em
comunhão conosco. Melva vivia tão ocupada
aprendendo a cozinhar, a arrumar a casa e a entreter
pessoas! Eu andava tão atarefado, rninistrando na igreja
e trabalhando em minha formatura universitária, que só
nos restava negligenciar um ao outro. Depois de alguns
poucos meses, convivendo com tal tolice, percebi que
não era suficiente o tempo que estávamos passando
juntos.

Eu não estava rejeitando o Senhor; tão-somente tinha caído no


hábito perigoso de negligenciá-Lo

Certa tarde, entrei em casa, disposto a mostrar-me


amoroso com minha esposa. Mas Melva estava muito
ocupada, a varrer, a espanar e a cozinhar, preparando-
se para receber as pessoas que eu tinha convidado. Por
alguma razão, porém, ela não estava interessada em
abraços e beijos, naquele momento. Bem, meu ofendido
ego masculino, com vinte e um anos de idade, resolveu
que aquele era o momento de exigir seus direitos. Ergui
a voz e ordenei: "Melva Jo, deixe tudo para um lado e
venha, imediatamente, aqui, comigo!"
Melva irrompeu em lágrimas; e foi exatamente aí que o
Espírito Santo também ergueu a Sua voz. E ordenou:
"Filho, você é que deve vir aqui, Comigor
Entrei no minúsculo dormitório que eu usava como
gabinete, fechei a porta e sentei-me. O Senhor disse-me:
"Suas atitudes não Me agradam e fazem sua mulher
sentir-se abandonada e cheia de tarefas".
Quando o Senhor e eu terminamos de conversar, fui
tropeçando até à cozinha, tomei minha esposa nos
braços e solucei: "Oh, Melva, desculpe-me! Desculpe-
me!"
Eu não vinha rejeitando o Senhor; entretanto, havia caído
no hábito perigoso de negligenciá-Lo. Minhas prioridades
estavam erradas. Tempo para orar e para estudar a
Bíblia ocupava o último lugar em minha lista de "Coisas
a Serem Feitas Hoje".
Eu vivia me consumindo - queimava a minha vela em
ambas as extremidades. Agora eu estava em apuros.
Não havia fonte de poder que me mantivesse capacitado
a continuar.
Em uma época em que a produtividade é comparada à
espiritualidade, é difícil manter em boa ordem as nossas
prioridades. Algumas vezes, é difícil empregar o tempo
devido para fazermos o trabalho de um sacerdote
cristão, cuidando do candeeiro de ouro, no santuáro de
nossas almas. Se negligenciarmos esse privilégio, antes
que nos demos conta, as lâmpadas estarão fumegando e
rareando, a ponto de se apagarem. Trevas e tristeza
haverão de abater-se sobre os nossos espíritos.
No trabalho de um sacerdote há muito mais a ser feito
do que apenas oferecer sacrifícios. Em adição aos cinco
sacrifícios do Antigo Testamento, sobre os quais já
estudamos, três outras oferendas também eram
regularmente apresentadas pelos sacerdotes levíticos, no
Lugar Santo: (1) os doze pães da proposição eram
trocados a cada sábado; (2) o candeeiro de ouro era
cheio de azeite a cada manhã; e (3) o incenso para o
altar de ouro era renovado todas as manhãs e todas as
tardes.
Conforme já tivemos oportunidade de estudar, o
santuário dos judeus estava dividido em duas câmaras:
o Lugar Santo e o Santo dos Santos. A primeira delas
tinha três peças do mobiliário. Um pequeno altar para o
incenso, recoberto de ouro, estava centrado diante da
cortina que impedia a entrada para o Santo dos Santos.
Ao lado direito havia uma pequena mesa, recoberta de
ouro, onde eram postos doze pães, os pães da
proposição. À esquerda, diretamente defronte da mesa
dos pães da proposição, havia um candeeiro com sete
ramos, de ouro puro e com cerca de l,50m de altura.
Suas lâmpadas, alimentadas a azeite, iluminavam o
Lugar Santo.
Visto que os antigos usavam geralmente, uma lâmpada
feita de argila, que queimava azeite, sobre um tripé - o
conjunto formava o candelabro. O conceito de velas é
estranho ao texto bíblico, pois as lâmpadas ou
lamparinas davam luz, consumindo azeite, ao passo que
a vela (tal como fazem muitos crentes sinceros, mas
destituídos de sabedoria) dá luz, consumindo a si
mesma.
As espevitadeiras (pinças) e os apagadores (pires para as
pontas queimadas dos pavios) do belo candelabro eram
feitas de um talento (cerca de trinta quilogramas) de
ouro puro (leia Êxodo 25.38). O candeeiro de sete ramos,
elaboradamente trabalhado, tinha por enfeite um motivo
floral (leia Êxodo 25.31-40; 37.17-24; 39.37). Os pires
de ouro puro eram usados para trazer brasas vivas do
grande altar dos holocaustos, ao passo que as pinças
eram usadas para retirar as pontas queimadas dos
pavios e para segurar alguma brasa acesa, enquanto o
sacerdote soprava sobre a mesma para iluminar as
lâmpadas.
As lâmpadas externas podiam ser acesas a partir de
uma das outras lâmpadas externas, mas a lâmpada
central, na direção da qual as outras todas se
inclinavam, só podia ser acesa mediante uma brasa
viva, tirada do altar dos holocaustos.
O azeite para o candeeiro de ouro era preparado a partir
de azeitonas cuidadosamente lavadas antes de serem
batidas. Bater nas azeitonas, em lugar de esmagá-las no
lagar, produzia um azeite de superior qualidade, o qual
ficava esbranquiçado.
Deus deu a Moisés uma ordem explícita acerca do
candeeiro de ouro. Suas lâmpadas deveriam queimar
continuamente, desde a manhã até à noite:

"Disse o Senhor a Moises: Ordena aos filhos de


Israel que te tragam azeite puro de oliveira, batido para
o candelabro, para que haja lâmpada acesa
continuamente. Na tenda da congregação fora do véu,
que está diante do testemunho, Arão a conservará em
ordem, desde a tarde até pela manhã, de contínuo,
perante o Senhor; estatuto perpétuo será este pelas
suas gerações. Sobre o candeeiro de ouro puro
conservará em ordem as lâmpadas perante o Senhor
continuamente" (Lv 24.1-4).

As lâmpadas eram acesas por ocasião do sacrifício


vespertino (leia Êxodo 30.8), e então eram apagadas,
aparados os seus pavios e replenadas de azeite por
ocasião do sacrifício matinal (leia Êxodo 30.7; I Samuel
3.3). A tradição diz-nos que as lâmpadas continham
somente um sextário de azeite, ou seja, pouco mais de
uma xícara; e, por essa razão, era preciso encher
diariamente as lâmpadas de azeite.

Enchendo De Azeite

Nas Escrituras, o azeite é símbolo do Espírito Santo.


Compreendendo que o Espírito de Deus, e não o vinho,
deve ser a fonte de força e de alegria para o crente,
Paulo determinou:
"E não vos embriagueis com vinho, no qual há
dissolução, mas enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18). No
texto grego original, a idéia é que os crentes devem estar
"continuamente cheios" pelo Espírito, tal como as
lâmpadas do Lugar Santo precisavam ser
continuamente reabastecidas de azeite.
O que Paulo quis dar a entender com esse
mandamento? Penso que sei aonde Paulo queria chegar.
Meu pai foi homem que bebeu muito, durante anos,
antes de chegar a conhecer ao Senhor. Tenho tido
contato com o vinho e outras bebidas alcoólicas o
bastante para saber que é preciso mais do que um
pequeno gole, uma ou duas vezes por semana, para
alguém continuar embriagado. Não; uma pessoa só pode
ficar embriagada - e continuar embriagada - se continuar
bebendo.
O mesmo princípio aplica-se aos crentes. Se quisermos
ser cheios do Espírito Santo, precisamos "estar sendo
continuamente cheios." Sentar-se nos bancos da igreja
ou cantar no coro não nos mantém cheios do Espírito.
Precisamos de um novo suprimento de azeite todos os
dias, e não somente aos domingos.

Se quisermos iluminar nossas obras negras com a luz de Deus,


então devemos encher diariamente o candeeiro de ouro de
nossa alma com um novo suprimento de azeite

Eis por que devemos aprender a dar a Deus o primeiro


lugar todos os dias, a fim de receber Dele purificação e
unção reiterada. Além disso, durante o dia, precisamos
"tomar pequenos goles" do vinho do Espírito, criando
melodias ao Senhor, em nossos corações, falando entre
nós com salmos, hinos e cânticos espirituais e orando
sempre no Espírito (leia Efésios 5.19; Judas 20).
Se quisermos iluminar o nosso mundo tenebroso com a
luz de Deus, devemos encher diariamente o candeeiro de
ouro de nossa alma com um novo suprimento de azeite.
Isso nos leva a um outro ponto: o candeeiro,
propriamente dito, não era a luz que espantava as
trevas. Ele apenas continha o azeite que servia de
combustível para as lâmpadas. Nós, em posição de
serviço, conforme tivermos sido convocados por Deus,
somos apenas os candeeiros, os vasos que contêm o
azeite do Espírito. Sem Jesus e sem o Espírito Santo,
nada poderemos fazer, porquanto Ele é a nossa luz e a
nossa salvação (leia Salmos 27.1). Ele é a nossa justiça
e santificação, a nossa paz e cura, a nossa força e
sabedoria.
Jesus ensinou que os Seus seguidores são a luz do
mundo (leia Mateus 5.14). Não podemos peimitir que a
nossa luz brilhe fracamente, ameaçando apagar-se.
Antes, devemos permitir que ela brilhe de tal maneira,
que as pessoas ao nosso redor possam ver as nossas
boas obras, e assim glorifiquem a nosso Pai celeste (leia
Mateus 5.16).
Há mais de cem anos, George Müller, de Bristol,
Inglaterra, descobriu esse princípio de renovar, todos os
dias, o nosso suprimento de azeite. Müller, relembrado
por seu andar na fé e por sua obra abundante, em favor
de milhares de órfãos, durante o século XIX, chegou a
tal ponto, em sua consagração pessoal, que resolveu não
mais passar no leito as suas horas mais produtivas.
Embora se estivesse recuperando de uma enfermidade
que sempre retornava e que causava uma tremenda
debilidade física, Müller determinou levantar-se cedo a
cada manhã, às quatro horas da madrugada, ao invés
de dormir até às seis ou sete horas da manhã.
Seu hábito de levantar-se cedo garantiu-lhe longos
períodos ininterruptos de oração e meditação sobre as
Escrituras. Para sua surpresa, Müller ficou mais forte
fisicamente, e se encheu de tal satisfação, diante de seu
novo vigor físico e espiritual, obtido por estar esperando
em Deus enquanto outras pessoas dormiam, que ele
continuou nesse hábito pelo resto de sua vida. Como
resultado disso, leu a Bíblia, de capa a capa, por quase
duzentas vezes, e, por meio da fé, financiou um notável
ministério em favor dos órfãos.
Não faz muito tempo, um pastor que faz parte de meu
círculo de amizades, ficou agradavelmente surpreso ao
descobrir que essas miraculosas experiências não estão
reservadas somente a alguns poucos reverenciados
santos, como George Müller.
Resolvido a ver crescimento espiritual e numérico em
sua igreja, aquele pastor passou a dedicar duas ou três
horas, a cada dia, entregar-se à intercessão e à
comunhão com Deus. Foi grande, porém, a sua
surpresa, ao descobrir que sua mãe idosa, uma mulher
pequenina e frágil, cuja saúde nunca fora boa,
levantava-se às quatro e meia da madrugada. Ela se
sentia impelida por Deus, a passar duas horas por dia
em oração por seus filhos, vários dos quais estavam
ocupados no ministério.
Sentindo-se frustrado, ele chorou diante de Deus, certo
dia: "Senhor, por que pediste que minha mãe se
levantasse tão cedo? Tu sabes que ela nunca foi mulher
forte e saudável".
A pergunta do preocupado pastor foi respondida
algumas semanas mais tarde, ao receber de sua mãe
uma carta que dizia: "Filho, desde que passei a levantar-
me cedo a cada manhã, a fim de orar por vocês, meus
flhos, meu estado de saúde vem melhorando, e me sinto
mais forte do que me tenho sentido em muitos anos".
Enquanto fazemos o possível, levantando-nos cedo para
cuidar das lâmpadas e para receber um novo
suprimento do azeite do Espírito, Deus cuidará do
impossível. Ele suprirá daquilo que nos estiver faltando,
a fim de que O possamos glorificar. Ele fez uma promes-
sa especial para aqueles que se dedicarem à oração:
". . .mas os que esperam no Senhor renovam as suas
forças, sobem com asas como águias, correm e não se
cansam, caminham e não se fatigam" (Is 40.31).

Está você lutando contra a fraqueza física e a exaustão,


contra a fadiga e o desânimo? Então é tempo de
reabastecer o suprimento de azeite.

Aparando Os Pavios Das Lâmpadas

O ministério de um sacerdote aarônico, a cada manhã,


diante do candeeiro de ouro, não estava terminado
enquanto ele não aparasse os pavios das lâmpadas.
Nesse trabalho, ele retirava as pontas requeimadas e
endurecidas dos pavios, depositando-as em um pires de
ouro. Ele limpava a fuligem e retirava completamente as
fibras queimadas, para que não houvesse pontas que
impedissem uma chama perfeita. O ato de retirar as
pontas queimadas dos pavios permitia que as lâmpadas
produzissem uma luz brilhante.
Se nós, os crentes, não estivermos brilhando, algo
estará impedindo a nossa luz. Por isso mesmo, devemos
dar permissão ao Espírito de Deus, para que Ele retire
os empecilhos que, porventura, estejam turvando o
nosso testemunho, e para que extinga os nossos
pecados, que ameaçam apagar as chamas do fogo de
Deus. Temos que esperar na presença de Deus,
enquanto Ele vai aparando os nossos pavios queimados
e estragados, para que se renovem! Sabedores de que
Ele não haverá de apagar a torcida que fumega,
precisamos confiar-nos às Suas mãos, enquanto Ele vai
retirando gentilmente as pontas queimadas e as fibras
estragadas, soprando sobre as nossas chamas
rarefeitas, até que o seu resplendor se renove.
Uma vez eliminados esses empecilhos e pecados, as
nossas vidas serão recobertas pelo sangue de Jesus, e
todos aqueles impedimentos serão esquecidos. Satanás
tentará trazê-los de novo à superfície, condenando-nos e
fazendo-nos lembrar de nossas falhas passadas.
Contudo, é nosso dever recusar as mentiras do diabo.
Nossos fracassos e pecados estarão sendo gentil e
sistematicamente removidos e cobertos; eliminados da
memória divina, pelo Deus que nos prometeu:

"Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões


por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro" (Is
3.25).

A cada novo dia, quando você e eu nos erguermos de


nossos joelhos, com os nossos pavios aparados e as
nossas lâmpadas reenchidas de novo suprimento de
azeite, não precisaremos temer qualquer
obscurecimento em nossa luz. Teremos, apenas, de
permanecer em nosso lugar, ante um mundo cheio de
trevas do pecado, a fim de permitir que Jesus rebrilhe
através de nós.
NOVE

SUBSTITUINDO OS PÃES DA
PROPOSIÇÃO

T endo-se levantado antes do raiar do sábado, o


sacerdote levítico lavava-se na bacia de bronze e
vestia as suas vestimentas brancas. Era chegado o
momento de substituir os doze pães da proposição, por
pães cozidos naquele mesmo dia. Quando o sacerdote
entrava no Lugar Santo, à sua direita, iluminada pelo
resplendor suave do candeeiro de ouro, ficava a mesa
dos pães da proposição.
A mesa de madeira, recoberta de ouro, tinha as
seguintes dimensões aproximadas: 0,60m de altura,
0,90m de comprimento e 0,45m de largura. Sobre a
mesa eram arranjados doze pães, em duas pilhas de seis
pães.
A quantidade - doze - representava as tribos de Israel.
Os próprios pães, na forma de broas, lembravam os
sacerdotes aarônicos do maná, com o qual Deus havia
alimentado miraculosamente a Sua nação, que consistia
em, pelo menos, dois milhões de pessoas, por mais de
quarenta anos, enquanto vagueava por um deserto
estéril! Ali, Deus tinha tentado ensinar a um povo
teimoso e rebelde que a sobrevivência deles dependia
tanto da obediência às Suas palavras, como do maná,
da carne e da água, miraculosamete providos pela Sua
poderosa mão (leia Deuteronômio 8.3).
Os doze pães da proposição permaneciam sobre a mesa
por sete dias, como uma oferenda a Deus, no Lugar
Santo. Agora, tendo chegado o dia de sábado, o
sacerdote tirava os pães da proposição, que ali
permaneceram por sete dias e substituía-os por doze
pães frescos. Uma vez removidos da mesa, como uma
oferenda a Deus, os pães tornavam-se provisão para as
necessidades alimentares dos sacerdotes.
Os sacerdotes reuniam-se e consumiam os pães da
proposição a cada sábado, prefigurando os crentes-
sacerdotes do Novo Testamento, os quais se reúnem em
torno da mesa do Senhor para o partir do pão, a
comunhão. Também podemos ver nisso um tipo da
comunhão exaltadora que os crentes usufruem, ao se
reunir, a cada semana, a fim de estudar a Palavra de
Deus e festejar em torno dela.

Festejando Em Torno Do Pão Da Vida

Enquanto ensinava na sinagoga de Cafarnaum, Jesus, o


Messias longamente esperado pelos filhos de Israel,
avisou a Seus seguidores para não lutarem pelo pão que
perece, e, sim, pelo pão que perdura para a vida eterna,
o qual é Ele quem dá (leia João 6.27). Quando os judeus
murmuraram e protestaram contra o ensino de Cristo -
de ser Ele o Pão da vida - Jesus declarou:
"Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram.
Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele
comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu;
se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que
eu darei pela vida do mundo, é a minha carne. . . quem
de mim se alimenta, por mim viverá" (João 6.49-51,57).

Jesus, o Messias há muito esperado, avisou a Seus seguidores


que não lutassem pelo pão que perece, mas pelo pão
permanente, que Ele mesmo dá
Estamos alimentando-nos, ou estamos perecendo de
fome? Se nossas almas estão famintas e sedentas, em
busca de justiça, podemos fartar-nos. Se nossos
espíritos estão intranquilos, insatisfeitos e destituídos
do senso de realização, Deus convida-nos para a Sua
mesa, conforme se lê em Isaías 55.1-3:

Ah! Todos nós os que tendes sede, vinde ás águas;


e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei;
sim, vinde, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço,
vinho e leite.
Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso
Suor naquilo que não satifaz?
Ouvi-me atentamente, comei o que é bom,
E vos deleitareis com finos manjares.
Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim;
Ouvi, e a nossa alma viverá.

Por que Deus nos faz um convite tão magnânimo?


Porque Ele nos criou, a fim de que a nossa profunda
fome espiritual por Deus só possa ser satisfeita, se nos
deleitarmos na gloriosa presença de Jesus, no mtimo,
alimentando-nos da Sua Palavra viva.
O verdadeiro nome dos pães da proposição é "pães da
face" (no hebraico, lechem panim; leia Êxodo 25.30; 35.13;
39.36). Tal designação sugere que podemos levantar-nos
a cada manhã, comungando com Jesus face a face e
coração a coração. À semelhança do salmista, podemos
entoar:

"Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a


sua presença" (SI 105.4).

Sabendo que jamais cessa o amor de Deus, e que as


Suas misericórdias se renovam a cada manhã, podemos
orar diariamente: "O pão nosso de cada dia dá-nos
hoje." E quando nos alimentamos da Palavra de Deus,
aquecendo-nos em Sua presença santifi-cadora,
experimentamos, pessoalmente, aquilo que, para os
crentes do Antigo Testamento, era apenas uma bênção
da parte de um sumo-sacerdote terreno:

"O Senhor te abençoe e te guarde;


o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti,
e tenha misericórdia de ti;
o Senhor sobre ti levante o seu rosto,
e te dê a paz" (Nm 6.24-26, os itálicos são meus).

O Poder Transformador Da Palavra

Em meu livro Could You Not Tarry One Hour? (N.E.: Nem
Uma Hora? - Editora Betânia), afirmo que conheci a
Jesus, como meu Salvador, em 1968, quando estava
com dezessete anos. Minha família era abastada.
ICu tinha de tudo; no entanto, não tinha coisa
nenhuma. Eu sabia que algo estava faltando-me,
embora não fosse capaz de avaliar o que era. Certa
manhã de domingo, fui a uma igreja evangélica, e
quando o pregador fez o convite, fui à frente. Porém,
embora fosse homem sincero, o pastor nada me disse a
respeito do sangue de Jesus e do poder de Deus. Tudo
quanto recebi dele foi um tapinha nas costas e um
cartão para ser preenchido.
Não muito mais tarde, eu estava na enfermaria de um
hospital psiquiátrico das proximidades, confuso e quase
alheio ao que sucedia à minha volta. Depois que um
médico me submeteu a um regime de dezesseis
tranqüilizantes por dia, eu passava quase todo o meu
tempo deitado de costas, com os olhos voltados para
dentro da cabeça.
Chegou o dia em que meu pai, de coração partido,
forçou a si mesmo a falar-me sobre um quarto que ele e
o médico estavam reservando para mim, na instituição
psiquiátrica do Estado. Meu pai procurou mostrar-se
corajoso e consolador, ao dizer-me que tudo correria
bem; mas a sua voz estremeceu ao explicar que eu
precisava acostumar-me com os muros que cercavam o
terreno e os edifícios da instituição.
Meu futuro era tão negro e desesperador como um
túmulo. Mas um dia, antes de iniciar o tratamento com
choques, sem nenhuma razão aparente, meu nevoeiro
mental pareceu sumir. Repetidamente, quase sem
cessar, uma palavra irrompia de meu coração vazio,
reboando em meus ouvidos. Essa palavra era o nome de
Jesus.
Eu nem ao menos sabia que na Bíblia hã um versículo
que promete: "E acontecerá que todo aquele que invocar
o nome do Senhor será salvo" (Atos 2.21). Mas Jesus
sabia.
Dentro de meu frio e desagradável quarto de hospital,
ouvi a voz de Jesus, e, daquele dia em diante, tenho-me
banqueteado com as palavras que Ele me disse: "Agora
tu és meu filho. Tu serás um ministro Meu e Minha
boca". Então, Ele disse: "Podes levantar-te e ir para
casa".
Meu médico não acreditou em mim. Meu pai não
acreditou em mim. Ninguém acreditou em mim. Mas
dentro de mais quatro dias, meu médico, totalmente
atônito, me deu alta do hospital.
Onde quer que me permitissem fazê-lo, eu pregava sobre
Jesus. Eu não me forçava a pregar; simplesmente para
mim era inevitável. Eu sentia o impulso de dizer que
Jesus é real. Eu sabia que assim é, porquanto Ele falava
comigo. Ele tinha transformado o meu coração e tinha
conferido significado e propósito ao meu coração.
Continuei a consultar aquele médico pelo restante
daquele ano, porque eu havia tomado tantos
tranqüilizantes que ele precisou ir suspendendo-os
gradualmente. Eu ainda estava tonto, devido ao colapso
nervoso. Mas comecei a viver a Palavra de Deus, e ela se
tornara a minha meditação dia e noite. Quando a
Palavra de Deus começou a viver em mim, ocorreu um
outro milagre:
Até onde me posso lembrar, ler sempre havia sido uma
luta frustrante para mim. Eu enfrentava tremendas
dificuldades para ler em voz alta. Nunca fui submetido a
algum teste de dislexia; mas um tio, que é médico, e
seus filhos, padecem dessa deficiência; assim, estou
convencido de que a dislexia foi um dos meus
problemas, durante toda a minha infância e
adolescência.
Eu podia olhar para uma página impressa, mas as
palavras não "saltavam" da página para a minha mente.
Eu podia soletrar palavras e sílabas, se fizesse um
grande esforço, mas não conseguia fazê-las tornarem-se
uma sentença. Eu tentava e tornava a tentar: depois de
algum tempo eu acabava desistindo. Logo, eu não me
interessava pelo ato de ler, porque isso era uma
atividade frustrante para mim.

Deus, literalmente, enviou a Sua Palavra e me curou... Houve


um milagre em mim, e atribuo esse milagre basicamente ao
começo da leitura da Palavra de Deus e à meditação sobre ela

Porém quando Jesus me salvou, comecei a ler e a


estudar a Bíblia, bem como a memorizar trechos
bíblicos. Quase imediatamnte observei uma diferença
espantosa: minha mente e minha incapacidade de ler
foram curadas. Até onde sou capaz de relembrar, a
Bíblia foi o primeiro livro que consegui ler de capa a
capa. Literalmente, Deus enviou a Sua Palavra e me
curou. Em conseqüência, fui capaz de matricular-me ná
Universidade, onde terminei graduando-me com louvor.
Sim, houve um milagre em mim, e atribuo esse milagre,
basicamente ao começo da leitura da Palavra de Deus e
à meditação sobre ela - saturando assim, a minha
mente com Suas palavras renovadoras e revivificadoras.
Quando quis ingressar no seminário, foi necessário
conseguir a aprovação de meu médico, por causa de
meu histórico de saúde. Não tendo mais me visto desde
o meu primeiro ano de faculdade, o médico ficou
admirado ao ouvir sobre minhas realizações. Ele nem
podia acreditar que o jovem, que antes tão devastado na
mente, estava bem de saúde e pretendia matricular-se
em uma escola graduada. Finalmente, admitiu: "Nunca
antes eu tinha visto o que consideraria um milagre, em
boa fé; mas você é um milagre!"
Depois de termos conversado durante algum tempo, ele
se inclinou para a frente, em sua cadeira, e perguntou:
"Você não consideraria ingressar em uma faculdade de
Medicina? Depois de tudo quanto você já experimentou,
realmente tem um jeito especial para ajudar às
pessoas".
Então respondi que apreciava o que ele me dissera; mas
a isso acrescentei que, realmente, eu havia sido
chamado para pregar.
Enquanto eu lhe falava sobre Jesus Cristo, ele segredou
que era crente - um crente que fora ferido, quando ainda
era aluno universitário: alguns crentes se recusaram a
aceitá-lo, por seu desejo de tornar-se psiquiatra. Nosso
encontro terminou, quando ambos chegamos a chorar e
a nos regozijar juntos, no Senhor.
Fui aceito na escola graduada e consegui excelentes
notas, durante todo o programa de oitenta e oito horas
de aulas, para tornar-me Mestre em Divindades. Na
realidade, o grego foi uma das minhas disciplinas
favoritas, tanto na faculdade quanto no seminário.
Recebi vinte horas de aulas de grego, e consegui a nota
"A" em todas as provas. Por ocasião de minha
formatura, eu podia ler um segundo idioma, melhor do
que tinha sido capaz de ler em minha própria língua, o
inglês, quando estava com dezessete anos de idade.
Tudo é uma questão de nutrir diariamente a nossa
mente com a Palavra de Deus. Os sacerdotes do antigo
pacto recebiam forças, participando dos pães da
proposição. Os crentes-sacerdotes do Novo Testamento
recebem forças banqueteando-se com a Palavra de
Deus, participando do Pão da Vida, poderoso para nos
fortalecer, curar e sustentar física, mental e
espiritualmente.
Uma verdade final a respeito dos pães da proposição.
Embora os descendentes de Aarão, que tivessem defeitos
físicos desqualificadores ou deformidades, não
pudessem ministrar, não lhes era vedado comer dos
pães da proposição. Podiam sentar-se à mesa, com seus
parentes sacerdotes, e comerem a sua porção dos pães.
Agradeço a Deus por Sua misericordiosa provisão para
pessoas imperfeitas, como eu! Ele não baniu de Sua
mesa um jovem de dezessete anos, que gaguejava e se
sentia derrotado; antes Ele permitiu alimentar-me com a
Sua Palavra vivificadora e extrair forças de Sua presença
curadora. Atualmente, estou ministrando, como um de
Seus sacerdotes.
Se você é um homem imperfeito, se você tem defeitos e é
fraco em sua fé, então lembre-se disto: A cura é o pão
das crianças. Corra até a mesa do Senhor todos os dias.
Alimente-se da Palavra de Deus; receba a nutrição de
que você carece. E não se esqueça de esperar o seu
milagre.
DEZ

INTERCEDENDO DIANTE DO
PROPICIATÓRIO

E ra um sábado à noite, em 1976, e eu estava


exausto, depois de haver dirigido o carro desde
Dallas até ã pequena cidade da parte ocidental do
Texas, onde estava previsto um reavivamento, com uma
semana de duração. Depois de ter entrado em contato
com o pastor da igreja em que eu estaria pregando, fui-
me hospedar em um hotel. Ali chegando, arrumei as
coisas que trouxera no carro e passei algum tempo
estudando a Bíblia e orando. Depois de tanto cansaço,
eu estava preparado para uma boa noite de sono.
Algum tempo depois da meia-noite, acordei
repentinamente. Eu tivera um sonho terrível, que era
tão vívido, tão real, que eu simplesmente não o podia
esquecer. Eu fora perseguido por uma visão do rosto de
minha esposa, o qual estava distorcido pelo terror,
contorcido de dor, enquanto era brutalmente violentada
e, depois, arrastada por entre pedaços de vidro
quebrado. Se era apenas um sonho, por que parecera
tão real?
Tomado de grande impulso para interceder, rolei para
fora da cama, caí de rosto em terra, e orei no Espírito,
com todas as minhas forças. Quando o dia começava a
raiar, ouvi a voz de Deus em meus ouvidos: "Minha
noiva, aqui, foi violentada", disse o Senhor. "Levanta-te e
deixa este lugar. Não pregues aqui".
Abalado, mas resolvido a obedecer a Deus, telefonei para
o pastor que me havia convidado e lhe expliquei o que
havia acontecido. E eu disse a ele que não pregaria em
sua igreja, naquela manhã. Então vesti-me e comecei a
arrumar meus pertences para irme embora.
Em menos de uma hora, o pastor estava batendo à porta
de meu quarto, no hotel. Ele insistia, iracundo: "Você
vai pregar! Fiz propaganda por toda esta cidade, e você
vai pregar!"
Mas eu não o atendi. Expliquei de novo a visão tivera e
repeti aquilo que Deus me dissera, recusándome a
desobedecer a Deus. Entrei em meu carro e parti.
Duas semanas mais tarde, quando o pastor-auxiliar
daquele igreja me chamou pelo telefone, foram
respondidas as perplexidades que tinham ficado em
minha mente. Ele confidenciou: "Larry, o que Deus lhe
mostrou acerca da igreja é a pura verdade. O pastor tem
estado por aí com mulheres e tem furtado dinheiro da
igreja".
Meu coração condoeu-se por aquela congregação de
crentes enganados e aviltados, e também pelo pastor
deles, o qual permitira que seu coração fosse dominado
pela concupiscência e pela desonestidade. Relembrando
a severa ordem de Deus, para que eu fosse embora e
não pregasse naquele lugar, no mais profundo do meu
coração entendi que o entristecido Espírito de Deus
havia partido dali, levando em Sua companhia a nuvem
da glória de Deus.

Ao raiar do dia, a voz de Deus falou em meus ouvidos: "Minha


noiva, aqui, foi violentada. Levanta-te e deixa este lugar. Não
pregues aqui!"

O Espírito de Deus Entristecido


Nos dias do antigo pacto, quando o povo de Israel
pecava contra Deus Pai, Ele lhes tirava a vida. Nos
evangelhos, quando as pessoas pecavam na presença de
Jesus, Ele as repreendia. Mas, por toda a Palavra de
Deus, quando as pessoas pecam voluntária, flagrante e
habitualmente contra o Espírito Santo, Ele as deixa.
Na época de Cristo, no segundo templo dos judeus, em
Jerusalém — o templo restaurado por Herodes — todos
os elementos reais de sua glória anterior tinham deixado
de existir. Os sacerdotes não eram mais admitidos ao
ministério por serem descendentes de Levi e através da
unção sagrada; antes, eram formalmente nomeados. Até
mesmo o elevado ofício sumo sacerdotal era cedido
mediante os abusos da simonia, da conspiração política,
do crime e do suborno. O sacerdócio tinha-se
corrompido. Até os rabinos admitiam que o espírito da
profecia tinha desaparecido.
Infelizmente, a decadência espiritual de Israel havia
penetrado nas forças vivas da nação cada vez mais
profundamente. Os sacerdotes não mais podiam ser
ungidos com azeite santo, porque até a sua fórmula de
preparação havia sido esquecida. E o fogo sagrado, que
tinha descido do céu sobre o altar dos holocaustos, e
que deveria estar queimando continuamente, há muito
se extinguira.
E o mais triste de tudo é que o Santo dos Santos estava
vazio. A arca da aliança, recoberta de ouro, e seu
propiciatório, feito de uma única peça de ouro batido,
haviam-se perdido desde o cativeiro babilónico.
Igualmente ausentes estavam os artigos incalculavel-
mente preciosos que, antes, ficavam dentro da arca: as
duas tábuas da lei; o vaso de maná, colhido ainda no
deserto; e a vara de Aarão, que tinha florescido:
emblema do sacerdócio aarônico, divino e cheio de
autoridade. A maior tragédia de todas, porém, era a
ausência da nuvem shechinah, que antes residia no
Santo dos Santos.
Durante todos os quarenta anos em que Israel esteve no
deserto, a nuvem resplendente havia pairado sobre a
arca da aliança, onde quer que as doze tribos
acampassem. E quando o povo de Deus se punha em
movimento, a nuvem expandia-se para formar uma
coluna de nuvems que os guiava durante o dia, ou uma
coluna de fogo que os guardava e guiava durante a
noite. Mas agora o Santo dos Santos estava vazio e em
trevas, excetuando uma grande pedra que ocupava o
lugar, onde antes tinham estado a arca com a sua
tampa, ou propiciatório. E era sobre essa pedra que o
sumo sacerdote costumava aspergir o sangue, no dia da
expiação.
O propiciatório, que no hebraico significa "cobertura de
sangue," não mais cobria os pecados de Israel. Durante
séculos, aquela tampa de ouro, besuntada de sangue,
tinha ocultado o registro das transgessões e iniquidades
de Israel. Agora, contudo, nenhum sumo sacerdote
ungido postava-se diante do propiciatório para clamar,
com o coração cheio de terna compaixão, rogando pelo
perdão divino. A lei desobe-
(lecida, quebrada, clamava, testificando contra Israel c
reclamando por julgamento.
Foi em meio a esse horrendo estado de declínio
espiritual que Jesus apareceu. O profeta Ageu havia
predito que o Senhor encheria com a Sua glória o templo
de Jerusalém (leia Ageu 2.7). Mas, quando Jesus chegou
anunciando o reino de Deus, curando os enfermos,
perdoando pecados e expelindo demônios, os principais
sacerdotes e os escribas estavam cegos para os
caminhos e para as obras do próprio Deus a quem
diziam servir.
A maior de todas as tragédias era a ausência da gloriosa
nuvem shechinah, que antes residira no Santo dos Santos

Acostumados com a sua decadência espiritual, os


líderes de Israel preferiam seguir as suas tradições de
feitura humana a observar a verdade. Citando o profeta
Isaías, Jesus repreendeu-os, porquanto, davam mais
valor à letra da lei do que ao poder de Deus:

"Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de


vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me
com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E
em vão me adoram, ensinando doutrinas que são
preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de
Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes
ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para
guardardes a vossa própria tradição" (Mc 7.6-9).

Nem todos os olhos, porém, estavam cegos para a


majestade de Cristo. João, -um ex-pescador e discípulo
fiel do Senhor, declarou:
"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de
graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do
unigénito do Pai" (João 1.14).
No final do primeiro dia da festa judaica dos
tabernáculos, para exemplificar, os sacerdotes e o povo
de Israel observavam uma cerimônia que envolvia a
iluminação do templo. No átrio das mulheres, eram
postos grandes candeeiros de ouro, cujas lâmpadas
eram munidas de pavios feitos dos calções e dos cintos
já desgastados dos sacerdotes. Em seguida, as
lâmpadas eram cheias de azeite e então eram acesas.
Enquanto os homens, entoando hinos e cânticos de
louvor, dançavam com tochas acesas na mão, o
magnífico templo ficava intensamente iluminado. A luz
criada pelos homens, que chegava a sair para fora do
templo, iluminando a noite, servia de nostálgica
memória da nuvem shechinah que antes havia enchido o
templo de Jerusalém.
Não foi por mera coincidência que Jesus, apenas alguns
dias antes, tinha-se posto de pé, no átrio do templo, a
fim de proclamar corajosamente à multidão que se
acotovelava à Sua volta: "Eu sou a luz do mundo; quem
me segue não andará nas trevas, pelo contrário terá a
luz da vida" (João 8:12; os itálicos são meus). A luz da
glória de Deus havia retornado ao templo, cumprindo
assim a profecia de Ageu.
No último dia da festa dos tabernáculos, Jesus pôs-se
de pé no átrio do templo a observar calmamente
enquanto um dos sacerdotes, de acordo com um cos-
tume, voltava do poço de Siloé. Ele trazia na mão um
balde de ouro cheio de água, que então derramou à base
Hr> altar de bronze.
Os rabinos interpretavam a cerimônia como um símbolo
das chuvas anuais, supostamente determinadas por
Deus por ocasião daquela festividade; mas Jesus
percebeu que a cerimônia representava o jubiloso
derramamento do Espírito Santo, predito no trecho de
Isaías 12.3. Jesus, recusando-se a reverenciar os ritos
mortos dos judeus, deu um passo à frente e clamou em
voz alta:

"Se alguém tem sede, venha a rnim e beba. Quem crer


em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão
rios de água viva" (João 7.37,38).

Milhares de crentes, ministros e congregações, por toda a


nossa pátria, estão despertando para a realidade de que a
glória divina abandonou muitas das nossas igrejas
João, o discípulo de Jesus que registrou esses eventos,
passou então a explicar que Jesus estava falando sobre
o Espírito Santo, a Quem os crentes receberiam depois
que Jesus fosse glorificado e exaltado nas alturas (vs.
39).

Que Se Deve Fazer Quando A Glória Se Vai?

Jesus chorou amargamente ao predizer a sorte de


Jerusalém e de seu magnífico templo. Ao rejeitar a Ele, o
povo de Israel tinha rejeitado o sangue que faz expiação
pelo pecado e remove a culpa. Eles tinham-se negado a
reconhecer o sangue que firmaria o nove > pacto. Eles
haviam escarnecido do sangue libertado! e protetor do
Cordeiro Pascal de Deus. Ora, uma vez rejeitada a
misericórdia e provisão de Deus, tanto Jerusalém como
todo o sistema religioso judaico tinham mergulhado no
juízo divino e na destruição. A hora da visitação de
Israel havia chegado ao fim (leia Lucas 19.42-44; 21.24).
Milhares de crentes, ministros e congregações, por todo
o nosso território, estão despertando para a realidade de
que a^glória tem abandonado a muitas de nossas
igrejas. Como podemos reverter o julgamento e evitar a
destruição? Como podemos fazer a glória retornar?
Quatro passos seguros, para desviarmos o juízo divino,
são esboçados nas familiares palavras de II Crônicas
7.14:

Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se


humilhar, orar e me buscar, e se converter dos seus
maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os
seus pecados e sararei a sua terra.

Devemos Humilhar-nos
É difícil para seres humanos humilharem-se e
confessarem que a glória divina afastou-se de suas
vidas. No entanto, esse é o primeiro passo para a
restauração. Precisamos tratar com o nosso pecado.
Como? É muito simples. Basta admiti-lo e abandona-lo.
Basta pedir o perdão, o livramento e a restauração da
parte do Senhor.
Se quisermos ver a glória divina retornar, perdoemos os
pecados e falhas de outras pessoas, e paremos de
criticar. Abandonemos o estado rancoroso!
Devemos Orar

Se perdemos o rumo da glória de Deus, é porque t e m o s


negligenciado a oração. Lucas registrou, no capitulo
dezenove do livro de Atos, que todos os habitantes da
Ásia Menor tinham ouvido falar de Jesus, causa da
igreja em Éfeso. Quarenta anos mais tarde , entretanto,
João prestou relatório no sentido que ; iquela mesma
igreja havia perdido o seu primeiro amor (leia Apocalipse
2). A oração tornara-se apenas um ritual, e não uma
consumidora força divina. Eles não tilnham mais um
amor fervoroso ao Senhor Jesus.
Se o nosso amor anda morno, se a oração é a apenas
um dever enfadonho e não um deleite, não nos
desesperemos: ainda há um remédio. Peçamos que o
Espirito Santo implante em nós o desejo de orar e a
disciplina. Separemos um tempo, a cada dia, para
ministrar como crentes-sacerdotes dedicados à oração,
illante de Deus, no santuário de nossa alma.

A (¡loria se vai quando buscamos a Deus somente para que Ele


faça coisas para nós, em lugar de O adorarmos por aquilo que
Ele é para nós

Devemos Buscar A Face De Deus


Já se pôde observar que o trecho de II Crônicas 7 . 1 4
não diz "buscar a minha mão"? Não. Ali é nos
recomendado "me buscar". Não devemos somente
buscar a mão de Deus - o que Ele pode fazer por nós, o
que Ele nos pode dar. Essa mentalidade egoísta precisa
desaparecer de nosso meio. Se quisermos experinentar o
poder da mão de Deus, precisaremos buscar a
aprovação de Seu rosto - o Seu sorriso; o Seu
assentimento; a Sua correção; o Seu olhar reas
segurador; a Sua plena atenção. Mas a glória divina
desaparece, quando constantemente buscamos o que
Deus pode fazer por nós, em vez de O adorarmos por
aquilo que Ele é para nós.

Devemos Abandonar Os Nossos Maus Caminhos

A despeito do custo pessoal em termos de sacrifício,


precisamos afastar-nos de tudo quanto desagrada ao
Espírito Santo. Não podemos permitir que as
preocupações e pressões deste mundo nos distraiam.
Podemos ouvir mil sermões por dia, e, mesmo assim,
não mudarmos para melhor. Mas se houvesse
humildade e resolução para passarmos uma hora diante
de Deus a cada dia, ministrando a Ele como sacerdotes
dedicados à oração; intercedendo por nós mesmos e por
outras pessoas, então acontecerá algo sobrenatural. A
glória do Senhor retornará e transformará nossa vida e a
vida de nossos familiares.

Intercedendo Diante Do Propiciatório

Deus me convocou para levantar trezentos mil


intercessores que se ponham diante Dele a cada dia,
lamentando-se e arrependendo-se pelos pecados de
nossa terra, clamando pelas Suas promessas do pacto e
rogando que Ele use de misericórdia.
Jeremias, o profeta que chorava, declarou:

"As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos


consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;
renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade" (Lm
3.22,23, os itálicos são meus).
Jamais se esgota a misericórdia de Deus. As
misericórdias de Deus são tão boas hoje, quanto foram
nos dias passados.
Penso sobre o meu passado: cresci no lar de um
alcoólatra. Também me lembro dos dias, já distantes,
em que passei em enfermaria de um hospital
psiquiátrico. Lembro-me de quão derrotado eu me senti,
quando parecia que meu ministério estava terminado,
depois que deixei a Igreja Batista Beverly I li lis. Mas
quando respondi à chamada divina, para I ornar-me um
crente-sacerdote dedicado à oração, a misericórdia do
Senhor reescreveu a minha vida. Deus me conduziu a
Rockwall, no Texas, para dar nascimento a uma
poderosa igreja, e agora está-me usando para levar a
Sua mensagem sobre a oração, à minha nação inteira.
Isso me diz que, se há misericórdia para um homem na
América do Norte, então todos podem ser alvos da
misericórdia divina. Ainda não é tarde demais para as
famílias da Terra! Diferente do que sucedeu com
Jerusalém, nossa hora de visitação ainda não terminou.
Não nos resta mais muito tempo; mas, há (empo
suficiente para responder à chamada de Deus,
lornando-nos crentes-sacerdotes que se dedicam à
oração.
Um ser humano, tomado pelo poder e pela presença do
Espírito Santo, é um dos melhores dons que Deus pode
dar à Sua Igreja. Um exército de I rezentos mil
sacerdotes que oram, cheios do poder e da presença do
Espírito Santo, pode ser o maior dom que Deus pode dar
a uma nação que se tornou corrupta <• que nem ao
menos pensa Nele.

Se há misericórdia para um homem na América do Norte, então


todos podem receber essa misericórdia. Não é tarde demais
para as famílias da Terra

O Espírito Santo está selecionando e testando os


crentes. (N.E.: Sugerimos a leitura de Plantar Igrejas
Para a Grande Colheita de C.Peter Wagner). Ele está
convocando o Seu poderoso exército, agora mesmo. Se
assumirmos nossas responsabilidades e reivindicarmos
nossos privilégios sagrados, então poderemos tomar
parte ativa no desvio dos julgamentos divinos,
recuperando a unção e trazendo de volta a glória divina.
Poderemos estar nas fileiras da frente do exército que
ora, derrubando os portões do inferno.
Somos sacerdotes! É tempo de entrarmos decididamente
em nossa missão!

NOTAS Capitulo Um

1.Alexander Roberts e James Donaldson, editores, The Ante-Nicene Fathers,


primeiro volume, Against Heresies (Grand* Rapids: Eerdmans, 1973), päg. 409.

Capitulo Tres

1 .W. J. Hollenweger, The Pentecostals: The Charismatic Movement


in the Churches (Minneapolis: Augusburg Publishing House, 1972), päg. 112.