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31/01/2018 Calor sob controle | Téchne

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Calor sob controle


Concretagem de peças estruturais de grande volume exige controle tecnológico
rigoroso para evitar fissuras e patologias que afetem sua durabilidade
Ana Sachs

Edição 190 - Novembro/2012

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Grandes problemas
O excessivo calor gerado pela hidratação do
cimento pode causar dois problemas imediatos
ao concreto, segundo Kuperman. "Ambos
indesejáveis, pois podem abrir caminho para o
ingresso de agentes agressivos e levar a
APLICATIVOS
deteriorações mais severas", avalia ele.

O primeiro deles e mais comum é a fissuração de


origem térmica, que pode ocorrer quando as
tensões de tração causadas pela queda de Estratégias de controle do calor de hidratação passam pela
temperatura e pela existência de restrições à refrigeração do concreto, uso de aditivos plastificantes e
movimentação do concreto superam sua retardadores e o monitoramento da temperatura durante a

resistência à tração. dosagem, a aplicação e a cura

O segundo, mais raro, é a etringita tardia, conhecida também como etringita retardada ou Revista Téchne
secundária, que se forma no concreto já endurecido e implica um mecanismo expansivo com 48.825 curtidas

consequente formação de um quadro fissuratório em estruturas de concreto simples, armado ou


protendido. "As pesquisas mais recentes indicam que esse problema pode, eventualmente, ocorrer
caso a temperatura do concreto ultrapasse 65°C na fase inicial de hidratação do cimento e depende Curtiu Compartilhar
ainda da presença de água em contato com o concreto", diz ele.
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Para evitar esses problemas, as soluções adotadas são as mais variadas, mas todas passam pelo
crivo de uma equipe que inclui tecnologista de concreto, engenheiro de produção de usina de
concreto, engenheiro residente da obra, engenheiro projetista da estrutura e consultor em
tecnologia de concreto. "Tem de haver um perfeito entrosamento dos responsáveis pela execução
da obra - projetista, tecnologista e construtor", frisa Curti.

Como está ligado a uma série de fatores, o sucesso da concretagem das peças de grande volume
também depende da equalização e da correta avaliação de todos esses itens. É preciso definir o
tipo de cimento a ser utilizado, seus agregados e aditivos. Avaliar o abatimento e escolher a melhor
forma de lançamento, desenforma e cura também são fundamentais.

Antes de serem colocadas em prática, em um processo que começa com avaliação das tensões
térmicas que atuarão no concreto e dos riscos de eventuais fissurações, as medidas a serem
aplicadas são amplamente estudadas e testadas. "Essa avaliação é efetuada por meio de
simulações da concretagem com o emprego de modelos matemáticos, por meio do método dos
elementos finitos", explica Kuperman.

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De acordo com ele, nessa etapa, já estão sendo empregados no Brasil softwares avançados que
possibilitam calcular temperaturas e tensões tridimensionalmente, como o B4Cast, usado na
construção da base da chaminé da fábrica Eldorado Celulose, construída pela Azevedo Travassos
em Três Lagoas (MS), e na simulação das tensões térmicas do bloco de fundação do edifício
Paulista Corporate, obra da Gafisa na capital paulista. Por meio desses sistemas, fica mais fácil
determinar o traço ideal do concreto em cada caso e a forma como o problema das tensões de
origem térmica será resolvido.

Caso haja possibilidade de fissuração nas peças, a etapa seguinte consiste em avaliar as
temperaturas máximas que o concreto poderá ser lançado sem que ocorra o problema. "Em função
dos resultados dos estudos, pode ser necessária uma nova alteração na dosagem, com tentativas
de redução do consumo de cimento, eventual troca de tipo de cimento para algum que gere menos
calor ou introdução de outros aditivos ao concreto", afirma Kuperman. "Após novos estudos, é
possível determinar em cada ponto da peça a temperatura máxima de lançamento e, daí, a
quantidade de refrigeração necessária", continua ele.

Estratégias de controle do calor de hidratação durante a concretagem

● Usar cimentos compostos com escória de alto-forno ou cimentos de baixo calor de


hidratação, tais como CP III e CP IV. Fazer sempre os ensaios de calor de hidratação para
comprovar valores
● Utilizar aditivos retardadores de pega e de endurecimento
● Utilizar aditivos que possibilitem reduzir o consumo de cimento da dosagem
● Reduzir a resistência à compressão na fase de projeto ou aumentar o prazo para que a
resistência à compressão especificada seja atingida
● Reduzir o consumo de cimento mediante a utilização de materiais pozolânicos, como sílica
ativa ou metacaulim, entre outros
● Utilizar armaduras específicas (vínculos internos) para limitar ou impedir a formação de
fissuras por retração térmica
● Sempre que viável, empregar agregados que conferem maior capacidade de deformação
ao concreto, além de menor módulo de deformação
● Aumentar a dimensão máxima do agregado graúdo, produzindo, assim, concretos com
baixo teor de argamassa
● Na cura, substituir parte da água de amassamento por água gelada, gelo (em escamas ou
triturado) ou nitrogênio líquido
● Diminuir a temperatura dos agregados graúdos, seja com proteção contra a insolação por
meio de mantas geotérmicas, seja com umidificação ou refrigeração
● Utilizar serpentinas embutidas no concreto, pelas quais circulará água gelada. Elas ficam
imersas nos elementos estruturais que serão concretados e devem ser controladas por
termômetros ou termopares embutidos
● Adotar, quando possível, concretagem em camadas com altura moderada e intervalos de
lançamento do concreto que possibilitam maior dissipação de calor
● Além de baixar a temperatura da água, baixar também a temperatura dos outros materiais
constituintes do concreto (agregado graúdo, cimento e areia). A água, que tem o maior calor
específico (4,18 kJ/kg.K), entra na composição do concreto com uma porcentagem muito
pequena, entre 10% e 15% do volume total. O agregado graúdo (brita), que tem um calor
específico de 0,92 kJ/kg.K, ocupa porcentagem de cerca de 65% do volume total do
concreto
● Sempre que possível, empregar concreto lançado com caçamba para que o abatimento
seja pequeno e, com isso, as dimensões máximas do agregado possam ser aumentadas
para 38 mm ou 50 mm e, consequentemente, o consumo de cimento possa ser reduzido

Fontes: Rubens Curti, especialista em concreto da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Ercio Thomaz, engenheiro do

Centro Tecnológico do Ambiente Construído do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (Cetac-IPT), e Selmo Kuperman, diretor da consultoria

em engenharia Desek e conselheiro vitalício do Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon).

Possíveis soluções
Não existe uma fórmula mágica que diga qual a melhor opção para uma concretagem bem-
sucedida nas peças de grande volume, segundo os especialistas. A medida a ser adotada para
tentar retardar a diferença de temperatura no concreto durante alguns dias, até que ele seja capaz
de resistir às tensões de tração, dependerá de análises e estudos caso a caso das relações de
custo-benefício e do cronograma da obra.

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Algumas vezes, as construtoras lançam mão até de mais de um artifício para se alcançar o
resultado ideal. "É melhor dividir a concretagem em algumas etapas e, com isso, atrasar o término
daquela peça? Ou é melhor empregar concreto gelado? Ou, caso não haja gelo disponível, deve-se
apelar para o nitrogênio líquido ou empregar pós-refrigeração? Definida a solução, a próxima etapa
entra nos detalhes das operações de concretagem propriamente ditas, tais como quantidades de
equipamentos de lançamento disponibilizados, tipos de controle durante a execução e preparo das
equipes", aponta o conselheiro do Ibracon.

Entre as soluções mais comuns, estão os cimentos de baixo calor de hidratação (usados quando
isso é possível), os aditivos que possibilitam reduzir o consumo de cimento da dosagem e a
utilização de água gelada, gelo ou nitrogênio líquido na cura, o que faz baixar a temperatura interna
a níveis suportáveis.

Em peças muito pesadas, pode-se usar ainda tubulações embutidas (serpentinas) para retirar o
calor interno por passagem de água fria ou dividir a concretagem em etapas, de modo a reduzir as
alturas de camadas e intervalos de lançamento do concreto que possibilitem maior dissipação de
calor (veja mais no quadro acima).

Controle da temperatura
Nas peças volumosas, além dos controles normais (abatimento, verificação se não está ocorrendo
exsudação ou segregação, entre outros), é fundamental, independentemente da medida escolhida,
monitorar a temperatura do concreto antes e depois do lançamento.

Essa medição é feita, em geral, por termômetros ou termopares introduzidos no interior da


estrutura, em locais indicados nas simulações teóricas prévias. As medições devem acontecer com
maior frequência até que seja atingida a máxima temperatura na peça - o que ocorre entre dois e
três dias - e, em seguida, por pelo menos mais 15 dias, de acordo com Kuperman. "Esse prazo
depende muito dos valores encontrados nas simulações efetuadas por meio dos cálculos teóricos",
diz ele.

Caso o concreto seja fornecido por uma concreteira, a prática recomendada é a de serem
amostrados todos os caminhões-betoneira para realização de ensaios de abatimento e medição da
temperatura com termômetro, antes do lançamento. "Devem ser moldados corpos de prova de
todos os caminhões para ensaios de resistência à compressão pelo menos aos 7, 28 e 90 dias,
bem como para ensaios de módulo de elasticidade", continua o conselheiro do Ibracon.

Para a concreteira, um dos fatores determinantes é a localização da central dosadora em relação à


obra, já que pode haver perda de temperatura e abatimento nesse meio tempo. "Não se deve levar
em consideração somente a distância, mas também o tempo de trajeto", diz Caracik.

Na avaliação de Caracik, devido à importância dessa operação para a obra, a contratação do


fornecedor de concreto não pode ter como foco somente o valor do metro cúbico, mas a
capacidade técnica e operacional para esse fornecimento. "O controle tecnológico tem papel
fundamental nesse processo e deve ser feito, preferencialmente, por empresas que já realizaram
esse tipo de serviço, uma vez que não podem ser realizados 'testes de aprendizado' para essa
responsabilidade de concretagem", avalia.

Ele lembra ainda que a temperatura ambiente e a umidade do ar necessitam de monitoramento no


ato da concretagem, pois influenciam diretamente na temperatura final esperada. "Pela influência
grande do fator da temperatura ambiente no ato da concretagem, o início previsto sempre é às
6h00, pois assim se aproveitam as baixas temperaturas do ambiente", explica.

Kuperman aponta que, em alguns casos, é necessária ainda a realização de ensaios de teor de ar
incorporado e de massa específica do concreto. "É importante a existência de um laboratório
idôneo de controle da qualidade na frente de serviço, bem como a presença de fiscal, seja da
construtora, seja do laboratório ou da projetista na central de concreto, acompanhando todas as
pesagens dos materiais", frisa.

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