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4ª VARA FEDERAL DE EXECUÇÃO FISCAL

Processo número: 0011982-36.2009.4.02.5001 (2009.50.01.011982-5)


Autor(a): CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E
AGRONOMIA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO - CREA/ES
Ré(u): CRISTIANO MATTOS DE SIQUEIRA
DESPACHO
O falecimento faz surgir a figura do espólio, que representa o conjunto de bens e
direitos deixados pelo de cujus. Tal conjunto permanece indisponível perante o juízo
sucessório, até que se conclua a partilha. Nessa hipótese, o inventariante nomeado
pelo Juízo competente deve ser devidamente citado, e a garantia da execução fiscal
deve ser implementada pela penhora no rosto dos autos do inventário.
Por outro lado, não havendo notícia da abertura de processo de inventário, o
exequente deve diligenciar a abertura do processo, nos termos do art. 988, IX do
CPC. A citação pessoal de herdeiro, por sua vez, somente é cabível após o
encerramento da partilha, sendo que a responsabilidade do herdeiro ficará limitada ao
limite da herança efetivamente recebida.
Com o falecimento do devedor, a execução deve ter seu polo passivo regularizado
com a citação do espólio ou herdeiros, conforme acima exposto, o que pressupõe a
existência de bens a inventariar. Se não houver bens, sequer há a configuração do
espólio. Nesta hipótese, descabe a suspensão da execução, pois a ausência de
devedor (falta de pressuposto processual) não configura a hipótese do art. 40 da LEF.
Nesse sentido, já decidiu o STJ:
PROCESSUAL CIVIL. FALECIMENTO DO DEVEDOR. INEXISTÊNCIA DE BENS A
INVENTARIAR. AUSÊNCIA DE HERDEIROS. INAPLICABILIDADE DO ART. 40 DA
LEF. EXTINÇÃO. 1. A teor das Súmulas 282/STF, é inadmissível recurso especial
para exame de matéria que não foi objeto de prequestionamento. 2. No campo
processual, a morte do devedor sem deixar testamento conhecido, bens a inventariar
e, portanto, herdeiros, enseja a extinção da execução dada à ausência de pólo
passivo e impossibilidade jurídica do pedido. 3. No campo material, a presença de
sujeito passivo da obrigação é condição de existência dela mesma. Sem sujeito
passivo, a obrigação padece de incerteza, tornando a inscrição em dívida ativa
indevida. Com a morte do devedor, deve a Fazenda Nacional corrigir a sujeição
passiva da obrigação e verificar a existência de bens onde possa recair a execução.
Para tal, é necessário realizar diligências no sentido de se apurar a existência de
inventário ou partilha e, caso inexistentes, a sua propositura por parte da Fazenda
Nacional na forma do art. 988, VI e IX do CPC. Em havendo espólio ou herdeiros, a
execução deverá contra eles ser proposta nos termos do art. 4º, III e IV da Lei nº
6.830/80 e art. 131, II e III do CTN. 4. O comando do art. 40 da Lei 6.830/80, que
prevê hipótese de suspensão da execução fiscal, pressupõe a existência de devedor
que não foi localizado ou não foram encontrados bens sobre os quais possa recair a
penhora. O intuito da Fazenda de diligenciar na busca e localização de co-
reponsáveis pela dívida não se amolda a quaisquer das hipóteses autorizadoras da
suspensão do executivo fiscal constantes do art. 40 da LEF, mormente quando já
concedido prazo para tal (ver AgRg no REsp 758.407/RS, 1ª Turma, Min. José
Delgado, DJ de 15.05.2006; AgRg no REsp 738.362/RS, 1ª Turma, Min. Francisco
Falcão, DJ de 28.11.2005; REsp 718.541/RS, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de
23.05.2005; REsp 912.483/RS, 2ª Turma. Min. Eliana Calmon, DJ de 29.06.2007). 5.
Recurso especial conhecido em parte e, nessa parte, improvido.
(RESP 200500082042, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ -SEGUNDA TURMA, DJE
DATA:16/09/2008.)
Contudo, antes da abertura do inventário, havendo notícia de bens, como no caso
concreto, poderia ser feita a citação em nome do administrador provisório, que, de
acordo com os arts. 985 e 986 do CPC, assume a representação ativa e passiva do
espólio enquanto não nomeado inventariante e prestado compromisso. O
administrador provisório, comumente, é o cônjuge sobrevivente, ou, na sua ausência,
o herdeiro que estiver na posse direta e a administração dos bens hereditários (art.
990, I a IV, do CPC e art. 1.797 do CC/2002).
Fixadas essas premissas, indefiro o requerimento às fls. 23/24, uma vez que não
houve individualização, pelo exequente, da pessoa do administrador provisório do
bem indicado na petição.
Desde logo indefiro requerimento de suspensão do feito com base no art. 40 da LEF,
tendo em vista que a ausência de devedor (falta de pressuposto processual) não
configura a hipótese do art. 40 da LEF.
Intime-se. Mantendo-se inerte o exequente por prazo superior a 60 dias, ou, na
hipótese de ter sido requerida a prorrogação, por mais de 120 dias, voltem conclusos
para sentença.
Vitória/ES, 23 de AGOSTO de 2012.
MARCELO DA ROCHA ROSADO
Juiz(a) Federal Substituto(a) no exercício da Titularidade

FICAM INTIMADAS AS PARTES E SEUS ADVOGADOS DAS