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Colecção Autores Gregos e Latinos

Série Textos

Putco

Vidas Paralelas
Sóon

Pubíco

Tradução do grego, introdução e notas


Delfim F. Leão e José Luís Lopes Brandão
P

Vidas Paralelas:
Sólon e Publícola

Tradução do grego, introdução e notas


Delfim F. Leão e José Luís L. Brandão
U  C
Todos os volumes desta série são sujeitos a arbitragem científca independente.

Autor: Plutarco
Título: Vidas Paralelas – sólon e Publícola
Tradução do grego, introdução e notas: Delfim F. Leão e José Luís L. Brandão
Editor: Centro de Estudos Clássicose Humanísticos
Edição: 1ª/2012

Coordenador Científico do Plano de Edição: Maria doCéu Fialho


Conselho editorial: José Ribeiro Ferreira, Maria de Fátima Silva,
Francisco de Oliveira, Nair Castro Soares
Director técnico da colecção: Delfim F. Leão
Concepção gráfica e paginação: Rodolfo Lopes, Nelson Ferreira

Obra realizada no âmbito das actividades da UI&D


Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos

Universidade de Coimbra
Faculdade de Letras
Tel.: 239 859 981 | Fax: 239 836 33
3000-44 Coimbra

ISBN: 98-989-21-01-4
ISBN Digital: 98-989-21-018-1
Depósito Legal: 34562/12

Obra Publicada com o Apoio de:

© Classica Digitalia Vniversitatis Conimbrigensis (://..)


© Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra

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total ou parcial por qualquer meio, em papel ou em edição electrónica, sem autorização
expressa dos titulares dos direitos. É desde já excepcionada a utilização em circuitos
académicos echados para apoio a leccionação ou extensão cultural por via de e-learning.
Índice

Nota prévia 7
Vida de Sólon
Introdução 11
Vida de sólon 43

Vida de Publícola
Introdução 111
Vida de Publícola 135

comParação de sólon com Publícola 181


Bibliografia 189

Índice de nomes 19


Introdução

Nota Prévia

por K.Para a tradução,


Ziegler usa‑se oPlutarchi
(5‑), texto grego estabelecido
Vitae Parallelae,
Leipzig, Teubner. Os casos, raros, em que se optou por
outra lição vêm especifcados. Seguiu‑se Ziegler também
para a versão portuguesa dos ragmentos da poesia
de Sólon citados por Plutarco ao longo da obra, mas
é sempre indicado o número que lhes corresponde na
colectânea de M. L. West (1992): Iambi et elegi Graeci
ante Alexandrum cantati. vol. II, Oxord, University
Press (e.g. Sol. .4 = rg. 3.‑ West). O mesmo se diga
dos ragmentos das leis, que são classifcados segundo a
catalogação de E. Ruschenbusch (66), Solonos Nomoi.
Die Fragmente des solonischen Gesetzeswerkes mit einer Text-
und Überlieferungsgeschichte, Wiesbaden (e.g. Sol. 0. =
rg. 3d Ruschenbusch).

7
Henrique Manso

Delfm F. Leão traduziu e anotou a Vida de Sólon,


escrevendo ainda a introdução na parte respeitante
ao herói ateniense. José Luís L. Brandão procedeu à
mesma operação no que se reere à Vida de Publícola e à
comparação fnal entre as duas fguras.
As notas à tradução visam esclarecer o público em
geral sobre alguns aspectos da cultura clássica e chamar
a atenção para os principais problemas colocados na
interpretação das Vitae de Sólon e de Publícola. O leitor
interessado em inormação mais pormenorizada poderá
consultar a sugestão bibliográfca apresentada no fnal
do volume.
Os autores gostariam de expressar o seu

agradecimento ao Conselho Editorial dos Classica


Digitalia e à Coordenadora do Centro de Estudos
Clássicos e Humanísticos, Doutora Maria do Céu
Fialho, por terem acolhido este trabalho no âmbito
da pesquisa desta unidade de investigação e da sua
política editorial. Uma última palavra é devida também
ao Nelson Henrique, pelo empenho colocado na
transormação do manuscrito em livro, e ao Rodolo
Lopes, pelas diligências fnais na tarea de pré‑impressão
e de carregamento da publicação na plataorma digital.

Coimbra, Junho de 0


Delfm F. Leão e José Luís L. Brandão

8
Vida de Sólon
Introdução

introdução

Quando, em meados do séc. I d. C., Plutarco


nascia na pequena cidade de Queroneia, na Beócia,
havia muito tempo já que o poderio de Roma dirigia e
moldava os destinos do mundo mediterrâneo. O biógrao
conheceu uma existência muito ocupada, distribuindo
o seu tempo entre o desempenho de unções públicas
e religiosas e entre requentes viagens, durante as quais
reorçava conhecimentos e cimentava amizades. Apesar
destes
de umamúltiplos aazeres, Plutarco
obra monumental é ainda assim
que representa, autor
de alguma
maneira, o carácter polimórco do império e da época
em que viveu. A tradição divide os seus trabalhos em
duas partes: por um lado, os Moralia, pequenos tratados
que abarcam questões tão vastas como a ética, losoa,
religião, retórica, crítica literária e política; no outro
grande bloco encontram‑se as Vitae, que, ao delinearem
o retrato paralelo de grandes personalidades, vêm
salientar a pertinência da noção de uma unidade da
cultura clássica.
É ao conjunto das biograas que se ca a dever
inormações preciosas sobre um número considerável

 Vide observações de Scardigli () ‑. Este estudo


introdutório, bem como a tradução da biograa de Sólon e respectivas
notas, recuperam o essencial do trabalho eito em Leão (),
embora inteiramente revisto e reorçado com novos elementos.
11
Delfim F. Leão

de individualidades oriundas do mundo grego e romano


que podem, assim, ser conrontadas proveitosamente
com outras ontes, quando não acontece serem as únicas
agora disponíveis. Para o caso de Sólon, existem mais
dados, mas, ainda assim, o testemunho de Plutarco é
de capital importância, pois o biógrao dedica‑lhe uma
atenção especial em dois trabalhos que azem parte dos
grandes blocos acima reeridos. Assim, entre as obras
morais, Sólon integra, juntamente com outras guras,
a galeria de personagens do Banquete dos Sete Sábios.
No entanto, este opúsculo constitui uma cção literária
de tonalidades idealizadas e, por este motivo, detém
um interesse relativamente pequeno na reconstituição
histórica da vida
não se poderá e obra
dizer, do grande
elizmente, do estadista.
espaço queOPlutarco
mesmo
lhe dedica nas Vidas Paralelas. De acto, a Vida de Sólon
representa o mais signicativo dos testemunhos antigos
relativos ao legislador ateniense.

1.1. Plutarco e tradição biográfica


Antes de se avançar para a tradução dessa
importante biograa, será vantajoso tecer algumas
considerações sobre a orma como o autor se servia das
ontes que tinha à sua disposição e das quais, não raras
vezes, se conservam agora somente ragmentos e alusões
breves. A questão é, em si, muito complexa e obrigaria
à refexão alargada sobre toda a obra de Plutarco,
tarea que não pode, obviamente, ser empreendida


Versão portuguesa deste trabalho em Leão ().
12
Introdução

em proundidade nos limites reduzidos deste estudo


introdutório. Serão assim usadas, como ponto de
reerência, as inormações que, em determinados
momentos, o biógrao aculta sobre o seu método de
trabalho e sobre as razões que o levaram a escrever vidas
paralelas. Uma dessas ‘explicações’ ocorre na abertura
do preácio às Vitae de Timoleonte e de Emílio Paulo,
num passo que vale a pena evocar (Aem. ..):

Aconteceu‑me ter iniciado a composição destas biograas


por instigação de outros, mas, se continuo essa tarea,
aço‑o já no meu próprio interesse; é como se a história
[dos grandes homens] osse um espelho onde procuro, de
alguma orma, ordenar e conormar a minha vida à imagem
das suas virtudes.

No contexto que engloba o excerto agora


transcrito, Plutarco inorma que começou por se dedicar
à elaboração de biograas a pedido de amigos, entre os
quais se contavam personalidades importantes, tanto
gregas como romanas. No entanto, a esta motivação
cedo ele juntou o gosto e proveito pessoais decorrentes
do convívio com o exemplo das grandes personalidades
do passado. Portanto, parece de admitir que a elaboração
de um ‘espelho de virtudes’ é que constitui o objectivo
principal da sua escrita biográca. Porém, a presença,

 Ao longo desta análise, serão evocados com requência passos


de Plutarco e de outros autores antigos, cuja tradução é sempre da
responsabilidade do autor deste estudo.

C. Stadter () ‑.
13
Delfim F. Leão

neste passo, do conceito de história tem levado alguns


estudiosos a procurar descobrir em Plutarco as marcas
desse tipo de indagação, com resultados nem sempre
elogiosos para o autor das Vitae. Contudo, e prevendo
certamente críticas deste cariz, o próprio Plutarco teve
o cuidado de esclarecer melhor a natureza dos retratos
paralelos, conorme acontece na abertura da Vida de
Alexandre (.‑):

Ao azermos neste livro a biograa do rei Alexandre e


de César (que derrubou Pompeio), não aremos outros
preâmbulos, dada a grande quantidade de acontecimentos
envolvidos, para além de ormular u m pedido aos leitores:
de, no caso de não relatarmos em pormenor todo e
cada um dos eventos célebres, mas antes abreviarmos a
maior parte, nos não julgarem mal. Na verdade, nós não
escrevemos histórias mas sim biograas, nem é sequer
nos acontecimentos mais espectaculares que reside
especialmente a demonstração da virtude ou do víci o; pelo
contrário, muitas vezes um pequeno gesto, uma palavra
ou uma brincadeira refectem melhor o carácter do que
combates com baixas incontáveis ou leiras cerradas ou os

maiores cercos a cidades.


Este passo, justamente célebre, não só dene de
maneira mais precisa a índole dos bioi como esclarece
melhor os seus objectivos, que já se adivinhavam no
texto anteriormente comentado. Plutarco não pretende
ser um historiador, mas antes um biógrao. Por este
motivo, pede aos leitores que lhe não censurem o acto
de passar em branco acontecimentos que, pela sua

14
Introdução

importância, eram bem conhecidos e sobre os quais


havia à disposição outros relatos de natureza histórica.
Na verdade, há que reconhecer que seria mais ácil aos
leitores do tempo do biógrao do que aos estudiosos
modernos acatar o pedido ormulado. Com eeito,
muitas das obras e autores que então existiam mais não
são hoje do que simples nomes e, por esse motivo, é
compreensível que haja estudiosos que se lamentem
de Plutarco não se comportar como o historiador de
que necessitariam. No entanto, ele próprio revela
claramente que não era esse o seu objectivo. Por outro
lado, se Plutarco se arma como um biógrao, também
não o az na orma plena com que hoje se entende o
termo. As Vitae
determinado não pretendem
homem ou mesmo descrever a carreira
denir o lugar de
que ele
ocupa na história, embora possam acabar por azê‑lo,
até porque as personalidades retratadas correspondem
geralmente a grandes estadistas do passado. Os eitos
destes heróis, qualquer que osse o seu teor, só lhe
interessavam na medida em que permitissem esclarecer
a verdade sobre o carácter que eles possuíam. É natural,
por conseguinte, que as opções que toma na selecção
do material nem sempre coincidam com as que tomaria
um historiador. Plutarco pressupõe, assim, uma relação
estreita entre ethos e praxis, ou seja, deende a ideia de
que o carácter se maniesta através do comportamento.
Ora este princípio remete para a questão dos critérios
metodológicos do autor bem como da evolução do
género biográco, problema a que convirá dedicar
alguma atenção, através de um esboço rápido dos

15
Delfim F. Leão

principais marcos da tradição grega que puderam exercer


alguma infuência sobre Plutarco e sobre a orma como
concebeu a Vida de Sólon.
O material de natureza biográca está presente
na poesia e na prosa desde tempos muito recuados,
o que não signica que atingisse logo o carácter de
género autónomo. Homero, por exemplo, podia
ornecer o modelo para determinadas aspectos,
sobretudo quando estavam envolvidos sentimentos
mais íntimos, que se tornarão muito do agrado do
público leitor de biograas. Hesíodo reere elementos
autobiográcos nos seus versos, acto que exercerá uma
grande infuência em poetas posteriores, a ponto de o
encontro
literatura.com
De asmaneira
Musas se tornar
mais um lugar‑comum
sistemática, na
Sólon usara
também a poesia quer como orma de armar as suas
reormas quer como justicação e deesa contra os
ataques de críticos e descontentes. Por outro lado, a
comédia antiga, com o jogo de alusões e de paródias,
implica reerências à vida quotidiana da cidade e de
certas personalidades mais importantes, como ilustram
as peças de Aristóanes, onde é abundante o material
biográco e autobiográco. No que diz respeito à


É o caso da amosa despedida de Heitor e Andrómaca (Ilíada,
.‑).
 De resto, as notas de natureza pessoal haveriam de tornar‑

‑se uma das características dos poetas da época arcaica. Um


dos exemplos mais signicativos encontra‑se representado por
Arquíloco.

Neste último domínio, torna‑se particularmente signicativo
o momento da parábase.
16
Introdução

historiograa, o objectivo essencial prende‑se com o


conhecimento dos eventos políticos e materiais, onde
tem maior peso o Estado e a comunidade do que o
indivíduo. Porém, mesmo sem contar com obras como
as Genealogias de Hecateu de Mileto ou os excursos
biográcos que aparecem, por exemplo, em Heródoto,
a historiograa não deixa de representar também uma
onte de inormação importante para o delineamento
do carácter de personalidades singulares. A juntar a
estes elementos, há ainda o contributo determinante
das recolhas de episódios anedóticos, de máximas, do
registo epistolar e dos discursos apologéticos, ligados
muitas vezes à vida de poetas ilustres (como Homero e
Hesíodo) ou ao ciclo dos Sete Sábios, entre os quais se
conta Sólon.
Não obstante a antiguidade dos primeiros
desenvolvimentos da tradição biográca, será ao séc. IV
a. C. que vão caber os avanços mais importantes neste
domínio. Parte deles é motivada pela gura de Sócrates,
por vezes mais idealizada do que real, tratada, em especial,
tanto em alguns dos diálogos de Platão como nas obras
de Xenoonte centradas nesta personalidade ou então
em outras guras como Ciro. Determinante, ainda, em
termos metodológicos será oPeripatos, sobretudo a partir
das refexões desencadeadas por Aristóteles e Teorasto.
Aristóteles e seus discípulos procederam à pesquisa
sistemática de material histórico (nomeadamente de


C. .‑, para o caso de Ciro, ou .‑, para o de
Cambises.

Vide Momigliano () ‑; Scardigli () ‑.
17
Delfim F. Leão

Politeiai), que continha também dados biográcos. Por


outro lado, uma das obras mais conhecidas de Teorasto,
seu sucessor na direcção do Liceu, são osCaracteres,
que ilustram de orma clara o interesse dispensado à
denição do ethos. No entanto, nenhum deles escreveu
biograas, o que não implica necessariamente que a
escola não explorasse esta área e a excluísse dos métodos
desenvolvidos pela nova abordagem histórica. Na
verdade, há vários indícios do contrário. Antes de
mais, o Peripatos demonstra interesse por episódios
anedóticos, em especial os que permitem ilustrar virtudes
e vícios. Depois, os aristotélicos produziram estudos
sobre determinados escritores, que, sendo embora
interpretações históricas
biograas, incluíam de passosreerências
certamente seleccionados e não
a aspectos
reais ou imaginários sobre a vida do autor escolhido para
análise. O mesmo se poderá armar a respeito da crítica
que aziam a outras escolas losócas, onde o actor
anedótico encontrava de novo um campo értil, tanto
mais que o Peripatos desempenhou um papel de relevo na
elaboração de colectâneas deste tipo de material, que viria
a ser muito usado pelas literaturas helenística e latina.
Ora é possível reconhecer a presença programática destes
elementos no texto, atrás comentado, com que Plutarco
abre a Vida de Alexandre. Se a história dá preerência aos
grandes acontecimentos políticos e militares, à biograa

 Como se pode ver, por exemplo, nas guras tratadas na


Constituição dos Atenienses, entre as quais se encontra Sólon.

Vide Momigliano (), ‑, que explora, com mais
pormenor, os argumentos agora reeridos.
18
Introdução

podem ser de maior utilidade certos episódios que,


embora mais ‘domésticos’, ilustrem melhor o carácter da
personalidade em questão. Naquele passo ressalta ainda,
como acima armámos, a aliança entreethos e praxis, ou
seja, a ideia de que o carácter se revela através das acções.
Na verdade, este princípio está de acordo com a ética
aristotélica, de modo que também na orma de abordar a
questão se denota a presença do magistério do Peripatos.
Até agora procurou‑se sublinhar a necessidade
de não conundir os bioi de Plutarco com uma obra
de história, distinção essa que o próprio autor teve de
resto o cuidado de delinear. Uma das consequências
desta opção de undo incide sobre a orma de recolher
inormação, que leva oPor
dos acontecimentos. biógrao
outroa resumir
lado, sea maior parte
a exposição
segue usualmente a linha temporal que vai desde o
nascimento até à morte da personalidade em análise,
isso não impede que a cronologia seja desrespeitada para
avorecer o peso ou ordem ‘ética’ dos acontecimentos.
Por último, há exemplos onde, ao serviço da pintura do
carácter, o autor chegou a aceitar erros e anacronismos,
mesmo estando consciente deles, conorme se verá mais
adiante.
Estas considerações, que se prendem com o
acto de Plutarco escrever biograas, levantam o

 Maiores desenvolvimentos em Barbu (); Momigliano


() ‑; Connor () ‑; Scardigli () ‑;
Frazier ().

Sobre dierentes ormas de organizar a exposição biográca,
vide Momigliano () .
19
Delfim F. Leão

problema das suas ontes e da maneira como as tratava.


É impressionante o caudal de autores e estudos que o
biógrao cita, sobretudo ao longo das Vitae, embora
também aplique a mesma prática nos Moralia. Por
esse motivo, o erudito de Queroneia ez, durante
décadas, as delícias da Quellenforschung, atraindo as
atenções não pelo seu engenho, mas pelo campo értil
de citações, onde cada estudioso ia tomar as ‘fores’ da
sua predilecção. Plutarco cava, assim, reduzido a mero
colector de testemunhos, muitas vezes incoerente, que
reunia, sem ponderar, os contributos mais díspares,
tanto na pertinência como na qualidade. A crítica
das ontes chegou a ir mais longe, a ponto de negar
que o biógrao
indiciava; tivesse realmente
pelo contrário, eitoa asconhecer
limitar‑se‑ia leituras uma
que
única onte (Mittelquelle) onde ia buscar inormação
não só sobre o que esse autor pensava como também
sobre o que disseram os seus antecessores. Ao citar em
segunda mão, alardeava uma erudição que, na verdade,
não possuía. Felizmente, nas últimas décadas têm sido
abandonados estes exageros da crítica e já nenhum
estudioso sério deenderá que Plutarco derivou todo o
seu conhecimento de uma única onte. Aastado este
espectro, os lólogos puderam dedicar‑se com mais
segurança e proveito à qualidade artística do biógrao
e à orma como conseguiu combinar todo o material
reunido, servindo‑se de uma consistência temática e de
uma abordagem psicológica próprias.

Vide as observações de Stadter () ‑; Frazier () ;
Piccirilli () ‑.
20
Introdução

Ora, antes de testar esta orma de abordagem com


a Vida de Sólon, interessaria também refectir, ainda que
muito brevemente, sobre as condições de trabalho do
seu autor. Na pequena cidade de Queroneia, dividido
entre assuntos locais e a redacção de inúmeros outros
escritos para além das Vitae, Plutarco enrentava a
diculdade acrescida de não ter à sua disposição boas
bibliotecas, à imagem das que havia em centros como
Atenas e Roma. É natural que ele possuísse em casa
algumas obras, mas não a ponto, certamente, de poder
conrmar a cada momento as armações que azia.
Portanto, o biógrao teria de se basear largamente numa
boa memória e em notas tiradas quando das leituras
entretanto eitas,
as viagens que muitas delas
empreendera. provavelmente
 Para mais, este durante
método
parece conrmado por uma carta de Plínio o Moço
a Bébio Macro, onde descreve a obra e a orma de
trabalhar do seu tio, Plínio o Antigo:

Muitas vezes, depois de tomar a reeição, que, durante o dia,


era ligeira e simples à maneira antiga, ele, no verão, quando
tinha vagar, estirava‑se ao sol e, enquanto lhe liam um livro,
tirava notas e extraía passos. Pois nada havia que lesse de
que não zesse um extracto; costumava mesmo dizer que
nenhum livro era tão mau que não tivesse utilidade em
algum ponto.

 C. Moralia, , onde Plutarco parece aludir a esses


apontamentos.

Cartas, ... Segundo Xenoonte (Memoráveis, ..),
Sócrates cultivava hábitos de leitura semelhantes.
21
Delfim F. Leão

Este processo de aproveitar não só o tempo como


ainda de tirar apontamentos à medida que a leitura
avançava ajuda, de acto, a compreender a operosidade
e erudição de Plínio o Antigo. Portanto, anotações
semelhantes às reeridas no texto e o recurso a uma
memória notável devem ter constituído a base das
numerosas citações eitas também por Plutarco, acto
que permite, de resto, explicar muitas das imprecisões
de pormenor que aparecem nas Vitae. Em todo o
caso, a redacção teve de ser precedida por um paciente
trabalho de leitura, mesmo admitindo que o biógrao
se possa ter socorrido em parte de Mittelquellen, ossem
obras de outros autores ossem colectâneas de episódios

anedóticos e ditos
destes actores que secélebres. É com a consciência
avançará, nalmente, para o caso
particular da Vida de Sólon.

1.2. o tratamentodaS fonteS em A vidA de Sólon


Nesta biograa, para além da reerência a
quatro oráculos délcos e de uma única menção dos
Anais de Delfos, aparecem cinquenta e três citações
de vinte autores dierentes. Entre as citações, um
número superior a duas dezenas diz respeito a versos
de Sólon, acto que torna a poesia do legislador na
principal onte expressa da biograa. Dos restantes
passos, apenas nove pertencem a autores cujas obras


Vide Piccirilli () ‑, que chama também a
atenção para a carta de Plínio.

Sol. .; .; .; .; e ., respectivamente.
22
Introdução

se preservaram. Finalmente, estão as citações, ainda


19

em grande número, retiradas de obras hoje perdidas. 


Há ainda outra classe de opiniões e comentários que
o biógrao não atribui a ninguém em particular,
introduzindo ‑os com expressões indeterminadas,
como ‘dizem’ ou ‘contam’ ( φασιν, μαρτυροῦσι ). 
Discutir todas estas reerências em pormenor iria
alargar demasiado um estudo que pretende somente
diagnosticar o modo como Plutarco trabalhava as
suas ontes. Po r esse motivo, optou‑se por ponderar a
questão a partir de alguns casos ilustrativos, tratados
não segundo um critério cronológico, mas pela ordem
por que aparecem na obra.

citadoO primeiro
logo autordaque
na abertura importa
biograa, analisar aparece
a propósito de uma
questão que tem todo o sentido em ser colocada nesse
ponto, ou seja o problema da liação de Sólon:

O Gramático Dídimo, na sua Réplica a Asclepíades a


propósito dos “axones” de Sólon, aduz um passo de certo
Fílocles, onde este arma que Sólon era lho de Euórion,
contra a opinião de todos quantos se ocuparam de Sólon.


Os autores nem sempre são reeridos directamente. Pela
ordem de ocorrência, são os seguintes: Eurípides (.), Sóocles
(.), Hesíodo (.), Homero (.; .), Ésquines (.),
Aristóteles (.) e Platão (.; .).
 Elenco dos passos e autores envolvidos em Piccirilli ()

‑; Manredini & Piccirilli () ix‑xi. É destes estudos


que deriva parte da sistematização eita nas páginas seguintes.

E.g. Sol., .; .; .; ..

Sol. ..
23
Delfim F. Leão

Dídimo de Alexandria, que viveu entre a


segunda metade do séc. I a.C. e inícios do séc. I d. C.,
era considerado um caso excepcional de erudição e de
operosidade, como ilustram as alcunhas que tinha. 
O
ragmento da obra em questão aparece reerido somente
em Plutarco e integra‑se na classe de escritos polémicos. A
discussão aqui é com Asclepíades, que se deve identicar,
provavelmente, com o gramático homónimo autor de
uma obra intituladaInterpretações dos “axones”. Plutarco
cita Dídimo a propósito não daquilo que deveria ser a
especialidade da obra em questão (as leis de Sólon), mas
somente por causa de nela aparecer reerida a opinião de
certo Fílocles que, contra a visão generalizada, armava
que
curto,o mostra
pai de como
Sólonumaera sóEuórion. Este passo,
obra (Dídimo embora
=Mittelquelle)
permitia chegar a outros autores (Asclepíades e o
desconhecido Fílocles). Plutarco não volta a reerir
Dídimo, mas é provável que o usasse mais, em especial
na parte relativa às leis, mas não a ponto de nele se ver a
hipotética onte única daVida de Sólon.
Ainda dentro do mesmo contexto do parentesco,
o biógrao apela com requência ao testemunho de uma
outra autoridade:


Pessoa ‘de vísceras de bronze’ e ‘olvida‑livros’ (no sentido de
que havia escrito tantas obras que nem se conseguia lembrar delas).
C. FGrHist  F  e comm. ad loc. de Jacoby (‑).
 FGrHist  F . C. Manredini & Piccirilli () ‑

‑. Sobre a natureza e unção dos axones, vide Sol. .‑.



Deixamos para depois uma quarta reerência (Sol., .),
onde Heraclides é citado juntamente com Fânias.
24
Introdução

(Sol. .) Quanto à mãe de Sólon, Heraclides Pôntico reere


que ela era prima da mãe de Pisístrato.
(Sol. .) Ainda mais severa é aquela cláusula que dispõe
que os lhos nascidos de uma prostituta não têm sequer a
obrigação de manter os pais, tal como reeriu Heraclides
Pôntico.
(Sol. .) Quanto a isso, porém, Heraclides arma que
já antes Sólon tinha aprovado um decreto para Tersipo,
mutilado de guerra, e que Pisístrato simplesmente o imitara.

Heraclides Pôntico nasceu no primeiro quartel


do séc. IV a.C. e oi aluno de Espeusipo e depois de
Platão. Talvez por infuência das ligações amorosas
presentes no Banquete deste último, Heraclides terá sido
tentado a alterar a tradição prevalecente na altura, que
azia opor Sólon a Pisístrato, enquanto representantes
da democracia e da tirania, respectivamente. Mas quer
esta inormação já se encontrasse em Heraclides ou não,
certo é que Plutarco aproveita a sugestão do parentesco
entre Sólon e Pisístrato para explorar as possibilidades
de uma união amorosa entre ambos. Este tipo de
inormação é pouco seguro, justamente por ir ao
encontro
indelével do
na gosto pelode
biograa abuloso
grandesquepersonalidades.
se xou de orma
No
entanto, compreende‑se que Plutarco se sinta tentado
pela exploração das potencialidades éticas da ligação
entre os dois homens. Ainda assim, o biógrao não

 C. Sol. .. À relação amiliar entre os dois homens, aliam‑


‑se também as qualidades naturais e o viço do jovem. Esta hipótese
já deveria ter conhecido outros tratamentos, a avaliar pela orma
como o biógrao aí se exprime (“como contam alguns”).
25
Delfim F. Leão

deixa de acusar Heraclides de ser “abulista e inventor de


histórias”. Parece, assim, viável que os dados reeridos
proviessem de uma sua obra intitulada Sobre os amantes.
As outras duas inormações, relativas às obrigações dos
lhos nascidos da ligação com uma prostituta (hetaira)
e da lei reerente ao apoio a dar aos mutilados de guerra,
devem ser provenientes do Sobre as leis. Contudo, a
reerência à segunda norma, sobre a qual se diz que
Pisístrato se limitou a copiar um decreto anteriormente
promulgado por Sólon, parece enquadrar‑se ainda na
lógica das relações entre os dois estadistas.
Outro autor que vem citado com alguma
requência é Hermipo de Esmirna, activo na segunda
metade do séc.
personalidade III a.C.
de Sólon em eduas
queobras,
discutiu
cadaauma acção
come
vários volumes: Sobre os Sete Sábios e Sobre os legisladores.
Plutarco reere‑o por três vezes:

(Sol. .) Ora uma vez que o pai havia diminuído o


património em obras de benecência e de caridade, segundo
arma Hermipo, Sólon, não por míngua de quem o desejasse
ajudar, mas por vergonha de aceitar apoio de outros, quando
provinha de uma casa que, habitualmente, os socorria a eles,
decidiu voltar‑se, ainda novo, para o comércio.


Vida de Camilo. .. C. Cícero (Da natureza dos deuses,
..), que o apresenta como narrador de pueriles fabulae.
 Assim crê Barbu (), , para quem toda a segunda parte

deste primeiro capítulo deriva de Heraclides.


 Chamado também peripateticus, o que parece indicar que

este termo já não tinha uma conotação losóca, mas designava


somente alguém que escrevesse antiguidades, em especial biograas.
Vide Manredini & Piccirilli () xxi e n. .
26
Introdução

(Sol. .) Ora isto, nas palavras de Hermipo, era o que dizia
Pateco, ele que alardeava possuir a alma de Esopo.
(Sol. .) No entanto, não chegou a ser designado estratego
para este confito, como, segundo Hermipo, armava
Evante de Samos; na verdade, o orador Ésquines não reere
esse acto e, nos Anais de Delfos, está gravado como estratego
dos Atenienses Alcméon e não Sólon.

A primeira ocorrência, que coloca Sólon


a empreender viagens, ainda novo, ilustra uma
versão dierente da mais comum, segundo a qual o
reormador saíra de Atenas somente após o arcontado,
a m de evitar pressões no sentido de alterar as leis
promulgadas.  A variante interessava aos que, como
Hermipo, preeriam ver Sólon a proceder à legislação
quando já tivesse bastante experiência. Daí a história
de o pai ter perdido boa parte dos bens, não de orma
dissoluta, mas em empresas de mérito. No entanto,
logo a seguir, o próprio biógrao salienta que, segundo
outras variantes, o móbil ora não a necessidade mas a
ânsia de conhecimento. À parte o valor relativo desta
notícia, o que parece seguro é que decorre da memória
dos Sete Sábios, que pressupõe, de igual orma, a
existência das viagens. De resto, o passo transcrito
seguinte, que se integra no relato do encontro entre
Tales e Sólon, enquadra‑se na mesma tradição. Tanto
a discussão à volta do celibato como a história do
lho de Sólon são certamente imaginárias, embora


C. Heródoto, .‑; [Aristóteles], Constituição dos
Atenienses, ..
27
Delfim F. Leão

interessem para a denição do carácter do sábio que


não deve ligar ‑se em demasia a coisas passageiras.
Hermipo é reerido como Mittelquelle , já que a história
remontava, segundo ele, a Pateco.  Situação análoga
ocorre no último passo, relativo à Primeira Guerra
Sacra. Este exemplo tem a vantagem de ornecer
uma imagem relativamente clara sobre a orma como
Plutarco trabalhava as ontes. Evante, com o provável
acordo tácito de Hermipo, a rmava que o comando da
operação ora conado a Sólon. No entanto, Plutarco
corrige essa inormação, baseando ‑se em argumentos
de natureza díspar: o primeiro, é deduzido ex silentio
de Ésquines; o segundo, mais pertinente, encontra ‑o

ora Anais
nos de Delfos
Alcméon e não. Neles se armava
Sólon, hipótese que o estratego
verosímil, não
só pela importância da amília em questão e pela sua
conhecida ligação a Delos, mas ainda pelo acto de
Plutarco ter sido, durante vários anos, sacerdote em
Delos, pelo que deveri a conhecer bem os documentos
aí existentes. Pelo teor, estas citações poderiam
pertencer ao tratado Sobre os Sete Sábios , que Plutarco
teria lido de orma directa. É provável ai nda que usasse
o Sobre os legisladores para retirar algumas inormações
relativas às leis.  Apesar da importância que pode ter


Esta gura deveria ser, tal como Esopo, um autor de ábulas
e possivelmente pitagórico, pois parece acreditar na metempsicose.
C. Manredini & Piccirilli () .
 O valor desta obra mantém‑se indeterminado, até porque

Hermipo não deve ter conhecido o comentário de Aristóteles aos


axones de Sólon, escrito que não terá integrado o grupo de trabalhos
do lósoo trasladados para Alexandria. C. Stroud () ‑.
28
Introdução

tido para o biógrao, Hermipo não ocupa também,


certamente, o estatuto de onte única, como se pode
constatar, de resto, através da análise do último passo. 
As citações mais requentes, contudo, são ocupadas
por versos de Sólon, o que torna Plutarco numa das
ontes principais para a transmissão da poesia do antigo
legislador ateniense. De resto, esse lugar de primazia só
lhe é disputado pela Constituição dos Atenienses atribuída
Aristóteles, embora com reservas. Antes da redescoberta
desta obra, poderia pensar‑se que o biógrao a usara
de uma orma mais sistemática do que realmente terá
acontecido. Na verdade, são vários os versos de Sólon
citados em ambos os autores, mas nem sempre com

total identidade.
do legislador, Além destas
há também oscilações
dierenças de no uso da obra
pormenor. Por
exemplo, o biógrao relata as ligações amorosas entre o
legislador e Pisístrato, bem como a expedição conjunta
na disputa da ilha de Salamina; porém, o autor do
tratado aristotélico nega esses actos, usando argumentos
de ordem cronológica. Plutarco apresenta a subdivisão
da Ática em três partidos como uma realidade anterior
ao arcontado; contudo, na Constituição arma‑se que


Vide Hönn () ; von der Mühl () ‑;
Paladini (), ‑, que incide essencialmente sobre a
tradição dos Sete Sábios; Momigliano () ‑.

C. as dierenças entre Sol. . (= rg. . West) e
Constituição dos Atenienses, .; Sol. . (= rg. .‑ West) e
Constituição dos Atenienses, .; Sol. . (= rg. .‑ West) e
Constituição dos Atenienses, .; Sol., . (= rg. .‑ West)
e Constituição dos Atenienses, .; Sol., . (= rg.  West) e
Constituição dos Atenienses, ..

Sol. .; .; Constituição dos Atenienses, ..
29
Delfim F. Leão

essa medida ocorreu depois do governo de Sólon, mas


antes da subida ao poder por Pisístrato.  Por outro
lado, há semelhanças que tornam muito improvável que
o biógrao desconhecesse por completo a obra atribuída
ao Estagirita. Entre os vários pontos de contacto, podem
enumerar‑se o período xado para a validade das leis,
que, em ambos os autores, é de cem anos, bem como
a ocorrência de termos e expressões idênticos. Uma
orma de explicar estas dierenças poderá residir no uso
de uma ou várias Mittelquellen, mas talvez baste pensar
no método de trabalho do biógrao, segundo a orma
que atrás se analisou, isto é, que Plutarco se estivesse a
basear na memória e em notas retiradas durante as suas

leituras.
Igualmente importante é a questão relativa ao
conhecimento dos poemas de Sólon. É impossível
saber se o legislador os divulgou em orma escrita ou
não. No entanto, o carácter autobiográco dos carmes
avorece a hipótese de que eles tenham começado por
ser transmitidos oralmente, pormenor que ajudaria a
explicar tanto a superior popularidade deste legislador
por comparação com Clístenes, bem como o acto de


Sol. .‑; Constituição dos Atenienses, ..

Sol. .; Constituição dos Atenienses, ..

E.g. Sol. . e Constituição dos Atenienses, .; Sol. .
e Constituição dos Atenienses, .; Sol. . e Constituição dos
Atenienses, ..
 Assim crê Piccirilli () ‑. Também não é de pôr

de lado a possibilidade do uso de ontes comuns, como aconteceu


seguramente com Andrócion, que Plutarco cita (Sol. .) e que
Aristóteles conhecia.
30
Introdução

o Sólon poeta ser citado em público. O uso que dele


aziam os oradores compreende‑se melhor se os seus
versos ossem bem conhecidos. No que diz respeito às
pequenas variantes na citação de versos por Aristóteles
e Plutarco, talvez possam ser explicadas uma vez mais
pelo uso da memória, ou simplesmente pela utilização
de uma colectânea onde essas dierenças já estivessem
presentes. A segunda hipótese é mais provável, até
porque o biógrao mostra conhecer certos pormenores
importantes, como o número de versos que teria a
‘Elegia a Salamina’.
Além da leitura da Constituição dos Atenienses e
da possível consulta do comentário aos axones, Plutarco
cita directamente
a obras Aristóteles por duas vezes, reerindo‑se
hoje perdidas:

(Sol. .) [Sólon], contudo, granjeou ainda admiração


e notoriedade, especialmente entre os Helenos, ao alar
em deesa do santuário de Delos, no sentido de que se


Recorde‑se o testemunho de Platão, que, para além de reerir
os poemas com alguma requência, inorma que eles eram recitados
em público durante a celebração das Apatúrias (Timeu, b).
De resto, Élio Aristides (.) inorma que, no seu tempo,
havia recolhas das obras do legislador. Bowie (), ‑,
argumenta que Plutarco não só leu os versos de Sólon como as
dierenças em relação à Constituição dos Atenienses se devem ao
uso de uma edição melhor, pois o biógrao não comete o erro de
atribuir a Teógnis certos versos que são do legislador.
 Sol. .: ‘Este poema intitula‑se Salamina e consta de cem

versos elaborados com grande beleza.’ Estranhamente, Plutarco


não az uso de um poema tão importante como rg.  West, citado
na íntegra por Demóstenes (.). É possível que isso se deva a
um simples acaso.
31
Delfim F. Leão

impunha auxiliá‑lo e não permitir que os habitantes de


Cirra ultrajassem o oráculo, mas antes acorrer aos Délos
em nome do deus. Persuadidos por ele, os membros da
Anctionia avançaram para a guerra, conorme atestam
muitos outros e também Aristóteles, que, na Lista dos
vencedores dos Jogos Píticos, atribui a Sólon esta proposta.
(Sol. .) Quanto à história da dispersão das cinzas,
depois de cremado o corpo, pela ilha de Salamina, é, pela
sua estranheza, completamente inverosímil e lendária,
embora seja registada por outros autores de peso, entre eles
o lósoo Aristóteles.

A ocorrência inicial prende‑se com as


circunstâncias que levaram à Primeira Guerra Sacra. E
se, a propósito do comando da expedição, o biógrao
pusera em causa a posição de Evante de Samos (e também
a de Hermipo), deende, agora, a atribuição da iniciativa
‘moral’ do evento ao legislador ateniense. Plutarco
deve ter razão em ambos os pontos, acto que ilustra
a sua capacidade para ponderar a inormação acultada
pelas ontes. Operação idêntica se pode observar no
segundo passo, onde o polígrao de Queroneia arma a
inverosimilhança da tradição
Sólon a serem espalhadas pela que
ilha colocava as cinzas
de Salamina, de
embora
autores ilustres sustentassem o contrário. Entre eles não
hesita em colocar uma autoridade como Aristóteles,
acto que leva a suspeitar da antiguidade da história. A
opção de Plutarco é tanto mais notável na medida em
que um episódio como o descrito se enquadrava bem no
gosto pelo espectacular e anedótico, que já remontava à
biograa peripatética. Por outro lado, não é de excluir

32
Introdução

a hipótese de que a argumentação apresentada estivesse


já na Mittelquelle usada pelo Estagirita e que alguns
estudiosos identicaram com Dídimo.
Uma das outras ontes importantes corresponde a
Fânias de Éreso ou de Lesbos, cuja autoridade o biógrao
cita por duas vezes:
(Sol. .) Contudo, Fânias de Lesbos relata que oi o
próprio Sólon quem, valendo‑se do dolo no conronto
com ambas as partes, no interesse da salvação da cidade,
prometeu em segredo aos que estavam em diculdades uma
redistribuição da terra, e aos proprietários a conrmação
dos títulos.
(Sol. .) Ora Sólon terá ainda vivido bastante tempo
depois de Pisístrato haver instaurado a tirania, ao que relata
Heraclides Pôntico; porém, segundo Fânias de Éreso, viveu
menos de dois anos. Na verdade, Pisístrato instaurou a
tirania no arcontado de Cómias e, pelo que arma Fânias,
Sólon morreu durante o mandato de Hegéstrato, que
ocupou o lugar depois de Cómias.

Fânias nasceu entre  e  a.C., oi aluno de


Aristóteles
anedótico, eque
é um
em representante da propensão
parte caracterizava para o
a historiograa
peripatética, bem como da tendência para a análise
psicológica. A primeira ocorrência é particularmente
curiosa, pois mostra uma imagem discrepante do

Assim crêem Manredini & Piccirilli () xxvi.



Vide Mühl () ‑; Mühl () ‑, esp.
‑, onde analisa a relação entre Pisístrato e Sólon à luz do
infuxo da historiograa peripatética.
33
Delfim F. Leão

Sólon tradicional indierente à política, na qual se


viu envolvido contra vontade. A versão de Fânias,
pelo contrário, apresenta‑o como um político hábil e
calculista, que não hesita em azer promessas secretas
e contraditórias às partes em confito (e que por isso
não podia cumprir), embora com o intuito de atingir
um m louvável. Embora tentadora, esta pintura
comprometida e pouco usual do estadista ateniense não
deve ter valor histórico. O segundo passo é igualmente
complexo. Nele se põe em causa a autoridade de
Heraclides Pôntico, que armava que Sólon ainda
teria vivido muito tempo depois de Pisístrato haver
instaurado a tirania. Esta inormação está de acordo
com o interesse,
ter pela já discutido,
ligação entre os dois que Heraclides
estadistas. parecia
O próprio
Plutarco se mostrava, por vezes, renitente em aceitar
a perspectiva daquele autor, pelo que não surpreende
que se incline para a versão de Fânias, que também se
agura preerível. Desta orma, Sólon teria alecido
mais cedo, ainda durante o arcontado de Hegéstrato,
que ocorreu em /. Em todo o caso, este passo
denuncia um interesse notável pela precisão cronológica
num domínio onde deveria haver muitas dúvidas. De
Fânias parece derivar também a notícia relativa a uma


Esta actuação pragmática está de acordo com a astúcia
característica dos Sete Sábios e, de alguma orma, aproxima Sólon
do retrato eito para Temístocles pelo mesmo biógrao.
 Assim crê Mühl (), esp. ‑, que não hesita em

colocar o episódio no domínio da lenda moralizadora, de cariz


peripatético.

C. Manredini & Piccirilli () xxvii.
34
Introdução

apreciação valorativa de Sólon sobre a tirania: “a tirania


é uma bela praça orte, mas sem saída”. A autenticidade
desta inormação tem sido posta em causa, dada a
conhecida aversão que o legislador exprime nos poemas
relativamente a esta orma de regime. É uma objecção
que tem a sua pertinência, embora Sólon, neste juízo,
acabe por condenar a tirania à mesma, por constituir
uma via irreal. No entanto, a conjugação destes
elementos reorça a possibilidade de que o biógrao
tenha lido Fânias directamente. Em todo o caso, é
impossível saber com segurança em que obra o autor
alava de Sólon: se nos Prítanes de Éreso, se no Sobre os
poetas.

locais Plutarco
áticas, poismostra conhecer também
cita directamente um dos as crónicas
atidógraos
mais importantes, Andrócion, cuja Atthis terá sido
publicada pouco depois de /. O ragmento
 Sol. ..

Pela atribuição a Sólon se exprime Ferrara (),  e n.
, que pensa que a oposição do legislador à tirania é somente de
princípio. Houve ainda quem quisesse ver neste juízo a adaptação
de um verso de Sólon; assim crê den Boer (), ‑, sugerindo
uma ligeira alteração da ordem das palavras que permitiria obter um
verso iâmbico; esta hipótese, a ser aceite, reorçaria a pertinência da
atribuição da sentença ao antigo reormador. Ponderar, no entanto,
as objecções de Martina () ‑.

Em especial se tomarmos em conta que Plutarco utiliza o
peripatético com requência na Vida de Temístocles, onde, aliás, o
reere em termos bastante elogiosos (.). Barbu (), ‑, é
de opinião que o polígrao de Queroneia usou esta onte também
para o cap.  da Vida de Sólon.

Jacoby () . Harding (), , arrisca somente uma
data anterior a , pois nos últimos anos da década de  terá
sido publicada a primeira versão da Constituição dos Atenienses
35
Delfim F. Leão

que, desta obra, Plutarco transmite diz respeito à


interpretação da seisachtheia, num momento em que
se discute a possível etimologia do termo. Depois de
inormar que esta medida, designada metaoricamente
por ‘alijamento de um ardo’, ora a primeira que Sólon
empreendera, o biógrao reere a interpretação que
outros autores davam da mesma realidade:

No entanto, alguns, entre os quais se encontra Andrócion,


escreveram que os pobres se contentaram em car aliviados
não com a abolição das dívidas, mas antes com a moderação
das taxas de juro, chamando seisachtheia a esta acção
humanitária e ao concomitante aumento das medidas e do
valor da moeda. Na verdade, ez a mina de cem dracmas,
quando dantes era de setenta e três, de orma que, ao
entregarem idêntica soma em número mas inerior no
valor, os devedores cavam muito beneciados, enquanto
os credores em nada saíam prejudicados. A maioria, porém,
está de acordo ao entender que a seisachtheia consistiu na
remoção de todas as dívidas e os poemas [de Sólon] vão
mais ao encontro desta perspectiva.

A importância
conclusões deste
que permite ragmento
retirar em trêscira ‑se pelas
importantes
áreas: a proundidade do espírito crítico de Andrócion,
a natureza da relação que estabelece com a Constituição

e, uma vez que Aristóteles usou a obra de Andrócion, esta teria


orçosamente que sair algum tempo antes.

Sol. .‑ = FGrHist 324 F 34.

Vide Harding () . Elenco das ontes antigas
relacionadas com esta questão em Martina () ‑.
36
Introdução

dos Atenienses e a ideologia política segundo a qual terá


orientado a elaboração da sua crónica. Um dos aspectos
que diculta a avaliação da teoria de Andrócion reside
no acto de apenas se possuir a parárase de Plutarco,
possivelmente em segunda mão. Mas o que Plutarco
(ou a sua onte) entendeu da perspectiva com que
o atidógrao via a seisachtheia agura‑se claro: para
Andrócion, esta medida consistiu numa desvalorização
da moeda, de que resultava a descida das taxas de
juro. A mina, que até então era composta por setenta
e três dracmas, passaria agora a corresponder a cem
novas dracmas mais leves. Portanto, um devedor
sairia beneciado desde que lhe osse permitido pagar
anovas.
antiga
 dívida através de igual número de dracmas
Contudo, se, por exemplo, alguém devesse
trinta e seis dracmas, que correspondiam a cerca de
meia mina na cunhagem anterior, e o credor as zesse
equivaler à meia mina posterior à reorma, o resultado
seriam cinquenta dracmas das novas, não havendo, por
conseguinte, um ‘abatimento’ à dívida. Por outro lado,
se o credor aceitasse a situação contrária, é diícil crer
que não saísse prejudicado, já que o valor real recebido
seria menor. Por último, esta teoria enrenta outra


A orma de introduzir o discurso (“alguns, entre os quais
se encontra Andrócion, escreveram...”) parece indicar que
haveria outras autoridades, inclusive anteriores a Andrócion, que
discutiriam o problema de orma análoga.
 Mas, para isso, a dívida teria de estar calculada em dracmas e

não em minas, já que o valor desta última se mantivera inalterado.



Por esta ordem de razões, Harding (), ‑,
argumenta com acerto que Andrócion não se revelava, com tal
37
Delfim F. Leão

grave diculdade. Não só o conceito de desvalorização


é anacrónico quando aplicado à época de Sólon, como
pressupõe que a cunhagem de moedas osse corrente
na Atenas da altura, hipótese que está sujeita a sérias
reservas. Em conclusão, a perspectiva que Andrócion
teria desta medida de Sólon, ao menos pelo que se pode
inerir da parárase de Plutarco, não serve de alternativa
válida à interpretação mais corrente, representada no
tratado aristotélico antes reerido, e segundo a qual a
seisachtheia consistira numa abolição geral das dívidas.
De resto, é também esta a versão que Plutarco preere.
Será evocado somente um exemplo mais dos
autores que serviram de onte ao biógrao de Queroneia.
É o caso de de
a propósito Polizelo de Rodes,
eventuais citadomenos
manobras uma única
claras vez,
do
antigo legislador: 

Contudo, esta acusação oi rapidamente deseita com os tais


cinco talentos: na verdade, ele achava‑se credor dessa soma e
oi o primeiro a perdê‑la, tal como determinava a lei. Alguns
armam que o montante era de quinze talentos, entre os
quais também se encontra Polizelo de Rodes. Quanto aos
seus amigos, daí em diante passaram a ser chamados de
‘bancarroteiros’.

Polizelo era um historiador local, que viveu na


primeira metade do séc. III a.C. Vem citado a propósito

interpretação da seisachtheia, um bom economista.



Constituição dos Atenienses, ..

C. ainda Sol. ..

Sol. . (= FGrHist  F ).
38
Introdução

de uma acusação que envolvia Sólon e pessoas a ele


chegadas, por altura da implantação da seisachtheia:
tendo o legislador conado aos amigos a intenção
de abolir todos os débitos (públicos e privados),
estes haviam aproveitado para contrair importantes
empréstimos e assim comprar vastas extensões de terra.
Quando a medida passasse a vigorar, eles lograriam car
com todos aqueles valores, sem quaisquer encargos. Esta
acusação teria sido alargada de orma a incluir também
o legislador, que saíra ilibado pelo acto de ele próprio
perder uma soma importante. No entanto, a notícia não
deve possuir qualquer valor histórico, já que o próprio
nome dos ‘bancarroteiros’ indicia que se está perante
uma invenção
séc. V.
Apesardecorrente
de tudo, odas lutas políticas
episódio de nais
oerece uma do
óptima
oportunidade para reorçar a excelência de carácter de
Sólon, razão pela qual Plutarco o reere. O acto de
Polizelo, e outras ontes, apontar quinze talentos, em vez
de cinco, deve corresponder simplesmente à amplicação
lendária e, portanto, será ainda mais inverosímil que a
cira inerior. Não se sabe em que parte da História de
Rodes Polizelo aria reerência a Sólon; mesmo assim, é
possível que Plutarco, neste caso concreto, se esteja a
servir de uma Mittelquelle, geralmente identicada com
Hermipo, até porque a notícia também aparece em
Diógenes Laércio, que terá usado a mesma onte.

C. Sol. ..



C. Diógenes, .. Assim pensam Manredini & Piccirilli
(), xxx, que aventam ainda a possibilidade de que o momento
para mencionar o legislador ocorreria a propósito da undação de
39
Delfim F. Leão

Tal como acontece neste último exemplo e


noutros que para trás caram analisados, a Vida de Sólon
apresenta como verdade aspectos que estão abertos
a sérias dúvidas ou são altamente improváveis. Em
alguns dos casos o biógrao não teria sequer consciência
dos erros em que estava a incorrer, como acontece na
apresentação da gura de um Sólon democrático, acto
que ecoa a tradição que deve ter‑se iniciado em nais
do séc. V e que para os antigos correspondia à própria
realidade. No entanto, essa inconsciência não basta
para explicar todas as inexactidões, já que, por vezes,
Plutarco estava a par da polémica acesa que envolvia
determinados episódios. Convirá, por isso, recordar o
exemplo mais conhecido,
passo analisado (Sol. .): que será também o último

Quanto ao seu encontro com Creso, alguns são de opinião


que não passa de uma invenção, argumentando com a
cronologia. Pela minha parte, contudo, um relato assim
amoso, atestado por tantos testemunhos e, o que é mais
importante, conorme ao carácter de Sólon e digno da sua
magnanimidade e sabedoria, não me parece que seja de o
pôr de lado à conta de uns quadros cronológicos, que um ror
de estudiosos procurou, até hoje, corrigir, sem que tenham
conseguido reduzir as contradições a algum resultado que
eles próprios aceitem.

Na parte inicial desta introdução, comentava‑se a


preocupação que Plutarco mostrava em esclarecer que,

Solos, na Cilícia.
40
Introdução

ao elaborar as Vitae, o seu objectivo era compor não


obras de história, mas sim biograas, onde tinha um
papel essencial a denição do carácter das personagens
retratadas. Que ele estava a ser coerente mostra‑o este
passo uma vez mais. Plutarco conhecia os problemas
cronológicos à volta do encontro entre Creso e Sólon;
no entanto, esta objecção parece‑lhe pequena, quando
comparada com a riqueza que oerece para a denição
do ethos do legislador. Embora o encontro entre os dois
estadistas seja improvável do ponto de vista histórico,
há que reconhecer pertinência ao juízo ormulado pelo
biógrao. A entrevista está ligada, de orma indelével, à
tradição de Sólon e, ainda que ctícia, não pôde nunca
ser
dias.ignorada, tanto na antiguidade como nos nossos

Em conclusão: apesar de Plutarco denunciar a


presença de erros e anacronismos, acolhidos sobretudo
em nome do valor que tinham para o desenho do
carácter de Sólon, ele representa, contudo, a maior onte
de inormação sobre o estadista ateniense. Tem ainda a
vantagem de conjugar muitas leituras e refexões sobre
o mesmo assunto. Há, no entanto, que admitir que esta
característica o pode induzir em erro e na tentação do
anedótico. Ainda assim, o polígrao discute e avalia,
com relativa requência, as dierentes versões, acto
que o torna, se não num historiador, pelo menos em
algo mais que um simples colector passivo e acrítico de
inormação alheia. A conjugação destes actores torna a
Vida de Sólon num documento muito importante para

41
Delfim F. Leão

a compreensão da Grécia antiga num período muito


conturbado da história de Atenas. É com o convite à
sua leitura que se encerra esta breve análise introdutória.

42
Vida de Sólon
Vida de Sólon

1.. O gmático Díimo,  u Répic 


Acpí  popóito o “xo”  Sóo, uz
um po  cto Fíoc, o t m qu
Sóo  ho  Euóio, cot  opiião  too
quto  ocupm  Sóo. . N v, too
à um uttm   ho  Excéti, homm
qu, p iquz  po, guo mm,  itu 
c méi, m qu, to à tip, ptci 
um c otáv: ,  cto, ct  Coo.
.
quQuto
  àpim
mã 
 Sóo,
mã Hci
Piítto. Pôtico 
. D iício,
gou‑ t o oi um g miz, vi
qu o ptco qu à qui  juvi bz
 Piítto, já qu, como cotm gu, Sóo ti
cutivo com  um ção moo. . Dqui


T como m Putco,  mioi o uto tigo
iic Excéti como pi  Sóo. E.g. Diooo, .; Lucio,
Diálogos dos Mortos, .; Dióg Lécio, .. Cotuo, é
igu  tição  qu  ci  Coo, i  Átic,
ho  Mto, cuj ihgm cu té Nu  Poéio. É
poív qu t ii iv  popg pomovi po tio
Piítto. Vi Hóoto, ..‑; Dióg Lécio, .. Em
too o co, Sóo  oiuo  míi ob.
 O ptco t Sóo  Piítto, p pt  mã 

mbo, ão é  too impováv  po t o oigm à ii


 qu  hvim io mt, hipót btt mi igu
 qu já tv  cític  [Aitót], Constituição dos
Atenienses, .. C. Sol. .
45
Plutarco

ut, ptmt, qu, mi t, poi  


tom opoito  poític,  hotii ão o
th vo  uti timto u ou cuéi, m
qu mtivm, m u píito, qu civimo 
gum, “umgt,  chm i viv o ogo
 Zu”,  gt coção o mo. . D to,
qu Sóo ão mtih  compotu  pç 
bo pz m pouí âimo btt p iti
o mo, “t como o pugiit o puho”, é o qu 
po uzi o u pópio pom, bm como 
um i, po  pomug, qu impi o cvo
 qutm  pt   moicm com o
jov. Ito poqu coocv t pátic o úmo
o
ctcotum
om, bo  ouvávi
 tí o qu tmbém poqu,
m igo 
 
xcuí o iigo. . Am‑, i, qu Piítto
oi mt  Cmo  qu icou  tátu  Eo
qu  cot  Acmi, o ug o o tt
cm o chot go.

2..
O um vz qu o pi hvi imiuío o
ptimóio m ob  bcêci   ci,
guo m Hmipo, Sóo, ão po mígu 
qum o j ju, m po vgoh  cit
poio  outo, quo povih  um c qu,
 Euípi, Bacantes, .
 Sóoc, Traquínias, .
 Fg. b Ruchbuch.

A Acmi  um jim ituo  cci  At 
cogo o hói Acmo, m cujo giáio Ptão uou  u
co, imotizo im o om o ug.
46
Vida de Sólon

hbitumt, o ocoi  , ciiu vot ‑,


i ovo, p o comécio. No tto, gu
mtêm qu oi mi  buc  xpiêci  
cohcimto o qu  uco qu Sóo mp u
 u vig.  . D boi, ctivmt,
 ávio ( opiião  too),  qu, já  i
vç, mv  «vhc, mp muit coi
po». . Poém, ão miv  iquz   izi
t qu  igumt ico qum 

muit pt poui


 ouo   t éti m gão píci,
cvo  mu;  o qu ó com t o cot:
tômgo, fco  pé, tuo bm tto;
o jovm ou  muh — m chgo  ocião —
 cu ui, quo à i  jut.

. Cotuo, m outo poto m:

Riquz jo poui, m quii‑ ijutmt


ão pto: ixoáv  gui vm  jutiç.


Putco é  úic ot  mcio cmt um vigm
juvi, cuo‑  utoi  Hmipo. Et pimi
ocção, motiv po ci coómic i o
it comci, é voáv o qu m qu Sóo pô,
im, quii xpiêci qu vii  pic, mi t,  u
ob gitiv. Et o tuioo  qutão, vi Reeker
(1971); Alessandrì (1989).

Fg.  Wt.

Fg. .‑ Wt.

Fg. .‑ Wt.
47
Plutarco

. O  imp o homm bm omo 


bom cião , m mbicio m mi  po
o upéfuo, ão pz  uição o cáio 
o ucit. . Nqu tmpo m qu, guo 
pv  Híoo “tbho gum  vgohoo”
 hum oício tzi céito, tmbém o comécio
gozv  bo m. E um om  poxim pí
tgio,  ui obo po ço  miz 
 gh xpiêci m muito omíio. . Agu
tom‑, im, uo  g ci, como
cotcu com Póti p Mái, poi   to
co o Ct  zo o Róo. . E m‑ qu
tmbém T  o mtmático Hipóct  icm
o comécio
vigm,  qu Ptão,
tá vio gum p
zitupot p 
o Egipto.

3.. O o goto qu Sóo uti p poig


i
 p vi u, bm como  om mi vug o
qu oóc com qu, o u pom, ico ob o
pz, ão  imput, o qu  p, à uctivi
comci. Et, o compot muito  g pigo
cm, m toc, gum gi  pz. . M qu
 mmo  coocv mi  i o pob o qu
 o ico, motm‑o bm t vo:


Trabalhos e Dias, ; t ob z, obtuo, um ogio o
tbho   jutiç. Híoo (qu u jugm  cotmpoâo
 Homo, outo tio  outo i potio) é mi
cohcio como uto  Teogonia.

Actu Mh, u cc   .C.

C. tmbém Aitót,Política, ; Dióg Lécio, ..

Fg.  Wt.
48
Vida de Sólon

.

Muito viõ tão ico  o ob  miéi,


m ó com  ão tocímo
o méito p iquz: poi qu m  mtém;

 iquz, cotuo, o um homm o outo  poui.


. D poi pc qu,  iício,  tá vio
m um objctivo éio, m omt po ivtimto
 cição po o píoo  z. Mi t,
poém, vicou tmbém tç oóc 
ttcu com o pom muit qutõ  poític,
ão p  z  xpoição ou gito, m como
juticção  u cout , m cto momto, p
vicu xotçõ, vio ou cu o Ati.
. Agu mm qu  ti comço mmo 
pubic  u i, poo‑ m vo,  com o
pom qu im comçv:

Em pimio ug, upiqumo  Zu Cói obo


qu  t i bo otu  gói coc.

. No cmpo  oo étic, u pêci,


t como  mioi o ábio  tão, à imão
poític; já o  ciêci tui, v‑ muito
impit  cico, como iutm t vo:

 Fg.  Wt.
 Fg. .‑   Wt. O cto  Sóo,  p  outo
ábio o u tmpo (vtumt o gupo o St Sábio),
t cutivo  pt  étic t à poític poxim‑ 
poiçõ  Dicco, t como pcm xpot m Dióg
49
Plutarco

.

D uvm pt  úi  v  o gizo,


 o tovão  g o biht âmpgo.
Com o vto o m  cp; m quo 

o ptub,  to  coi é  mi ct.


. Em um, pc qu omt o b  T
tá, qu tu, vço p ém  utii
pátic, o vi‑  igção tóic. Quto
o tt, é  xcêci poític qu h vm 
putção  boi.

4..
Cot‑ qu o ábio  tão coto
too m Do ,  ovo, m Coito, o
Pio hvi ogizo  u uião cojut
 um bqut. . Poém, mi i h xtou o

Lécio (.). Putco cit i quto vo (povit


 oi gmto it) como om  uci  ii
citíc  Sóo. Não  gu, o tto, muito gítimo
tom t tipo  ib itpttiv, um vz qu o gio
tá  u impmt um mtáo  tuz p xpo o
ito  cção  um tio ob o povo.
 Com t obvção, Putco pp ‑ p vov

 imão étic  gu  Sóo. O gupo o St Sábio é


mcioo p pimi vz m Ptão (Protágoras, ), m
 tição v  tio o pópio Hóoto (.‑), qu
já   mo tvit com Co. A it t ábio
cohcm gum viçõ, m Sóo — jutmt com T,
Bi  Pítco — cotv‑ m to . Dióg Lécio
(.‑) oc um quo ucitivo  vit. Sob
t qutão, vi Lão (a)  (b).

A igção o St Sábio à moi poí tá bm
ptt o cto  o tuáio  Do  um o oci pio
50
Vida de Sólon

ptígio  m o pcuo cito p típo qu po


too cicuou, po  mão m mão m i 
miz  mução mútu. . Ao qu  cot, to
o pco  Có ço  , u otio
 Mito compm  pci mmo t  
tm à vit. Ao puxm  mh, pcu um
típo  ouo,  qu — guo   — H,
o g  Tói, i tih ço bo o, m
mmói  um tigo oácuo. . Gou‑,  iício,
um icuão t o otio  o pco po
cu  típo. E poi qu  pópi ci 
vovm o io  poto  vçm p 
gu,  Píti ituiu mbo o ptio o tio 
gm
pimioug,
típo
oi o mi ábio
vi  
 T, too. . O,
Mito,   m
bo
vot o hbitt  Có  cm  um pticu,
quo, po cu , hvim, à um, to m
cofito com too o Miéio. M poqu T
coiv Bi mi ábio o qu  mmo,  típo
oi p juto t,  í guiu,  ovo, p outo
qu  jugv mi bo. . E poi  cicu 
 mti  um p outo, á chgou p gu
vz  T, té qu, mt, oi v  Mito
p Tb  cog  Apoo Iméio. . Toto

p cooc o coto t gu, o qu  um om 


h coi ptígio. Nt po, Putco  tmbém  cot
o tio Pio como um o ug o ocom 
uiõ  é pcimt  mbit qu o biógo imgi o
u Banquete dos Sete Sábios. É, o tto, muito pouco pováv
qu ti to poum vo hitóico. O mmo  po iz o
pióio  típo, qu  gui vm o.
51
Plutarco

utt qu, m pimio ug,  típo hvi io


vi p Pi  Bi  ó poi p Mito 
T, cmih po Bi;  im qu, pcoio
too,  ovo tigiu Bi, tá io, mt,
mti  Do. . É t  tição mi iui,
 bm qu gu uttm qu  o, m vz
um típo, coiti um vo vio po Co, 
outo qu  um tç g po Bátic.

5..Sob  tvit piv  Sóo com


Acái,  mi t com T,  ob  impõ
toc, co um éi  pomo. . Quto
 Acái, iz‑ qu  iigiu  At,  c 
Sóo, btuo àituito
vih com pot cou qu,
 to uo
migotgio,
  com
 m ço  hopiti. Ao po‑h


Sóo qu  miz  mho zê‑ m c,


toquiu Acái: “O bm, já qu t cot m
c, coc‑m tão  tu miz  hopiti.”
. E im, impioo com  guz o homm,
Sóo cohu‑o vovmt  mtv‑o juto 
i ut gum tmpo, quo já v ocupo


Vi Hóoto (.‑), qu um o ico pt
qu o moc íio ocu o tuáio  Apoo m Do.

Não é gu  iti t Bátic, m gu tuioo
m qu á  iticá‑o com o cuto homóimo 
Mgéi.
 Dióg Lécio (.), cito Soíct, cooc t

viit ut  ª Oimpí (= ‑), povvmt m


, um vz qu Sóo i  cotv ocupo com 
gição.
52
Vida de Sólon

com o uto púbico  com  coicção  i.


. Ao bê‑o, Acái iu‑ o pojcto  Sóo,
o qu citv qu, com ómu cit, poi
cobo à ijutiç  igu t o cião.
É qu  i m  iim  ti  h:
, como t, tvm pt  p o co 
pquo qu coguim ph, im cotuo
pç po pooo  po ico. . Cot‑
qu,  t obvçõ, Sóo toquiu qu o
hom tmbém obvm o coo qu  hum
 pt cottt it tgi. Aim, 
pocuv jut  t om  i o cocião,
 poto  p too  to vit  pív
pit  om  ioi
o cotcimto cot
mi. . M o o
coom o
p
 Acái o qu à pç  Sóo. Ai 
pito  um outo cto xpimiu Acái o u
pto, o iti  um uião  mbi: qu,
t o Ho, om o ábio  , m qu 
ciõ coubm o igot.

6..
No qu pit  T, quo Sóo o
viitou m Mito motou  u mição po  t
ciio ão  pocup  too m c  t ho.
N tu, T cou m iêcio, m, tcoio
gu i, ptou‑h um tgio qu ogo
cou t vio  At hvi z i. . Ao


Ecot‑ um mção mht m Dióg Lécio
(.), qu pc i‑ à ctução o juíz o cocuo
mático.
53
Plutarco

pgut‑h Sóo p ovi m At, o


ujito, qu hvi io iutio ob o qu covih
iz, pou: “N  pci, po Zu,  ão  o
u  cto jovm, qu to  ci comphv.
. E ho — o qu izim —  um homm otáv,
pimio t o cião p xcêci, m qu —
cotiuvm  — ão  cotv á, poi pti
m vigm hvi já btt tmpo.” . “Coito!” —
xcmou Sóo — “Como  chmv ?” O homm
picou: “Ouvi iz o om, m ão m coo
,  ão  qu  v muito  u boi
 tio  jutiç.” . A c pot, mi  mi
Sóo  ivio po cio, té qu, po m, já
muito ptubo,
tgio, itou o moto
pguto‑h mmoãoo i
omho
o
 Sóo. . M o homm comou,  comçou 
bt  cbç   z  iz quio qu comph
o oimto pouo. Foi tão qu T o z p
, t i, xcmou: “É po coi t, Sóo,
qu m uto o cmto   t ho, poi mmo 
ti, qu t um âimo tão ot,  ixm poto.
M c co quto  t otíci:  têm
 v.” . O ito,  pv  Hmipo, 
o qu izi Ptco,  qu v poui  m 
Eopo.

 Putco u Hmipo como Mittelquelle p 


um pióio qu moti  Ptco. No tto,  hitói
é ctmt ctíci, mbo  comp o it qu
ptv o tigo,   om como cotibui p 
ição o cáct o oi ábio m qutão.
54
Vida de Sólon

7.. É, poém, iâi  viz qu, po cio 


p,  uci à po o b cáio. A 
im, ão  vi pi à uição m  iquz,
m  m ou boi, com cio   vi  p.
. Poi  pópi vitu, o mio  mi gáv o
b, ó  vmo poj p cção  oç
 o vo. E mmo T, o ão c, 
cctou à guç,  mo qu uci i
o migo, o mii  à páti. D to, tmbém
 optou um ciç, o ho  u imã, Cibito,
o qu izm. . N v, tm  o m m i
um popão p o cto  como é tumt
pt o timto,
tmbém à fxão
o é p o mo;  àmmói,
vt‑ im
gum om
t pição  ig‑ o tho, com o qui
ão tm ququ miii. E t como um c
ou t piv  hio gítimo, im o cto
o ocupm   cuim o cohcio, bto
 vo, qu, jutmt com  tu, ipim
cuio  cio. . Aim, pom v‑ po qu
cotim gicmt o mi ot po  tuz
p o cmto  pocição,  ão  mm
qu, quo o ho  um cio ou o bbé  um
cocubi oc  mo,  totum com u 
çm mto impópio. Agu há i  qum
 o cu p mot  cã ou cvo toou 
vi oio  impoív. . M outo, p  tm
pio ho xct, ão  ixm bt po um
pixão xciv m umim um compotmto

55
Plutarco

vgohoo; po cotáio, comptm  coo com


 zão o tmpo qu h tv  vi. N v,
é  quz  ão o cto qu ct p  cio
iávi ob  po qu ão  cum 
zão cot o gop  otu, qu ão bm qu
ut o u jo  ocião pópi,   qum
o utuo tz cotiumt p, mo  gúti,
po cio  p. . Não é, poém, cáio
ugi‑  pobz cot  pivção o b, m
 t  migo cot  u p, m  úci
o ho cot  u mot, m im  zão, cot
too  ququ vé. M t fxõ, o mo 
momto, já ão mi o qu ucit.

8..O quo o Ati  cm 


imt um gu moo  gtt cot o
Mg po cu  ih  Smi, poibim
po i qu guém vot  popo, po cito ou 
viv voz, qu  ci iviic Smi, ob p
 mot. Etão Sóo, m po upot  vgoh
 o v qu muito jov p guvm um i
p comç  gu, m m  tvm  tom
 iicitiv po cu  i, giu qu tih pio 


A cotituição o pticu tivo à iput 
Smi é um pobm qu já mot à tigui  o
tuioo moo i ão tigim um coo. Et 
cocuõ qu ocm gum guç cot‑   qu o
cofito oi ogo  cohcu vái   qu, um , Sóo
tv um pp impott, gtio  upmci (tmpoái?)
 At. A m tão gj v t cotibuío p  u
ubi o coto.
56
Vida de Sólon

zão, pho‑ p ci,  pti  u c,


o umo  qu v o  i. Ettto, compô
m go um gi, pu‑  om  citá‑
 mmói ,  impovio, pcipitou‑ m icção
à ágo, com um pquo goo  cbç. . Acou
um g mutião  , ubio à p o uto,
toou  gi qu comç t om:

Eu mmo vim, como uto,  oáv Smi,


 compu um cto, otiégio  pv, m vz  um
[icuo.

Et pom ititu ‑ Smi  compot cm


vo boo com g bz. . Aim qu
tmiou o cto, o migo  Sóo comçm 
ouvá ‑o, o mmo tmpo qu Piítto, m pci,
icitv o cião  o xot v  obcm à u
pv. Etão,  vogm  i  cm
 gu, poi  com o como  Sóo. 
. Et  vái tiçõ,  mi vugiz é 
guit: Sóo oi  bco té Cói  comphi
 Piítto, o cotou to  muh
 poto  ocm  Dmét o ciício
ticio. Eviou, tão,  Smi um homm
 u coç, qu gi  um to, com 

 Fg.  Wt.
 É impováv qu Piítto th juo Sóo  coquit
 Smi. A couão v ut o vtu ptco t
o oi tit,  u () ção moo  o cto 
Piítto t oço, mi t,  po  ih com  coquit
o poto  Nii. C. Hóoto, ..
57
Plutarco

mião  xot o Mg  qu,  quim


pt  mi impott  muh ti,
vgm té Cói  u comphi  com to
 piz. . Puio, o Mg vim o
hom mo. Aim qu vitou o bco  zp
 ih, Sóo oou à muh qu  tim
p og  o qu, t o mi jov, i m
imbb mou qu  phm com  oup,
im  cço qu  i qu, com puhi
coio,  pum  jog   ç pto 
o o m, té qu o iimigo mbcm  
v o cptu. . Equto  cumpim t
ituçõ, o Mg, iuio p pêci,
ccm‑  tm
i po cu  p
muh...  t, à compit t
D om qu hum
ogou cp, t pcm too  o Ati,
vgo m tç p Smi, coquitm
 ih.

9..
Outo, poém, uttm ão t io t
om qu  u  tom, m qu, m pimio ug,
o u  Do cocu  Sóo o guit oácuo:

O uo  gião, hói oci, com ciício


popici, o qu m u io  t  Aopo coh
 qu, moto, cotmpm o o qu mguh.

Etão, Sóo vijou ut  oit p  ih 


imoou vítim m ho o hói Pimo  Cicu.


Ocoêci  um pqu cu.
58
Vida de Sólon

. Em gui, tomou t o Ati quihto


voutáio, poi  povo um cto guo
o qu,   coguim tom  ih, cim
ho o u govo. . Fê‑o t um g
úmo  bco  pc , coto po um v
 tit mo, çm âco juto  um o
pomotóio  Smi, o qu á p  Eubi.
. O Mg qu  cotvm m Smi, o
tomm cohcimto o cto tvé  um umo
pouco guo, com à m m g gitção 
vim um bco,  m  vigim  movimtçõ
o iimigo. Quo   poximou, Sóo omiou‑
‑o  piioou o Mg. . Dpoi, z mbc
o mhom
vgm oo ti,
icção à ci,com ituçõ po
iimuo‑
mi poív. Tomo coigo o tt Ati,
tcou m t o Mg. Ai o combt uv,
quo o o bco  itm  tomm  ci.
. Pcm com t vão tmbém  cimói
commotiv:  v, um u átic poximv‑
‑ pimio m iêcio  poi, quto o tt
vçvm com io  gito  gu, um homm
mo tv bo o  coi o gito m icção
o pomotóio Ciáio... poximo‑ o qu
vihm po t. . N imiçõ, cot ‑ o

 Ou  poc  um cocção o txto (po xmpo m


‘Nii’) ou  mit um o  Putco (ou mi povvmt
 um copit), já qu t  Eubi  Smi  cot o
titóio  Átic.

Pqu cu. O Ciáio é um o mot  Smi.
59
Plutarco

tmpo  Eiáio, qu oi igio po Sóo. Vcu,


potto, o Mg , o qu ão pcm m
combt,  too ixou pti, t como ipuh o
coo.

10.. Ai im, o Mg itim, té


qu, poi  muito m hvm,  cofito,
cuo  oio, igm o Lcmóio como
ábito  juíz. . Cotuo,  mioi m qu
Sóo cotou  utoi  Homo um io:
ou j, poi  itpo um vo o Catálogo das
naus, u‑o po tu o jugmto:

Ájx  Smi
 ê‑o couzi
tcio o oz vio
 cotvm  g
[ti.

. O Ati, poém, uttm qu  tt


 um boto m umto  jutm qu Sóo
ptou o juíz pov  qu Fiu  Euíc,
ho  Ájx, o cbm  cii ti, h
ocm  ih   tbcm um m Báuo
 Átic  o outo m Méit; í qu hj um mo


Ilíada, .‑. Et Catálogo é um ogo tcho o cto
guo  Ilíada, o   o úmo  vio com qu c
um o ch  coigção o Aquu cotibuí p  gu 
Tói. O vo cito cm imitmt  gui à cição
o cotigt ti  í  ução  pcii çõ qu
At ti com Smi,  tmpo cuo. No tto,
é pouco pováv qu  tição  itpoção it po Sóo
th umto hitóico.
60
Vida de Sólon

cujo om iv  Fiu — o mo o Fií —


 o  oigiáio Piítto. . P mi, com
 itção  mho ut o Mg, tá
coto poio o cto   putu o moto
ão obc o cotum t, m im o  At.
É qu o Mg poitm o moto vio p
ct, quto o Ati o zm p pot.
. No tto, Hé  Még, icoo, m
qu tmbém o Mg coocm o to moti
o cio vio p pot. M pomo i
mi ptit o qu t é o cto  c um o
Ati poui um tumb iiviu, quto
qu, m Még,  mm jzm tê  quto po.
.
N ‑,oácuo
gu poém, qu Sóoo
pítico, cotouo i
u com o poio
pocmv
qu Smi ptci à Iói. O io oi
ovio po bítio  cico pto: Citoí,
Amoáto, Hipíqui, Axi  Cóm.

11..
O já o guimto t vto Sóo
 hvi too moo  iut. Cotuo, gjou
i mição  otoi, pcimt t o
Ho, o  m  o tuáio  Do, o
tio  qu  impuh uxiiá‑o  ão pmiti qu
o hbitt  Ci utjm o oácuo, m t

 A g vi  cuo qu ão tibuío o


gio p tom  ih  gitim  u po ug qu já
 tigui ão hvi ctz quto à om como  opção
hvi io iz.
61
Plutarco

co o Déo m om o u. Puio po


, o mmbo  Actioi vçm p  gu,
coom tt, t muito outo, Aitót,
qu,  Lista dos vencedores dos Jogos Píticos, tibui 
Sóo t popot. . No tto, ão chgou  
igo ttgo p t cofito, como, guo
Hmipo, mv Evt  Smo. N v, o
oo Équi ão   cto , o Anais de
Delfos, tá gvo como ttgo o Ati
Acméo  ão Sóo.

12..
O ciégio comtio quo o gop
 Cío ptubv  ci hvi já btt tmpo,
  tucomo
ptm m qu o cojuo
upict à u 
 oCío 
cot
Mégc o covcu  cm  ubmtm‑ 
jugmto. Et igm à tátu  u um o
tocio  qu  mtihm go. M cotcu
qu, o momto m qu,  ci, pvm 


O vto m qutão é  Pimi Gu Sc, qu  v
t iicio poi  tom  Smi  t o coto 
Sóo, potto um époc compi, povvmt, t
  , mbo o cofito  t té /.

A om como Putco icut  iti o comt
 xpição  Do é um co xmpo  mi como 
iv citicmt  ot à u ipoição.

O objcto  úpic o cojuo é um pimitiv
imgm  At, gu  Acópo. O gop  qu Putco
 copo à tttiv  imptção  um tii m
At, po pt o tt vco oímpico Cío, qu, p 
vtu m uci, cotou com o poio o tio  Még,
Tág. A t pováv  ci é  ou . C. Hóoto
(.), Tucíi (..‑).
62
Vida de Sólon

imiçõ o tuáio  Du V, o


o  ptiu oziho, po qu Mégc  o outo
cot  çm ob , com  cup  qu
 u cuv  úpic. Ao qu já  cotvm
o, pim‑o, o qu bucm úgio juto
o t, mcm‑o. Ecpm omt
o qu pm à muh o mgito. . Po
 motivo, pm   chmo ‘cígo’ 
tom‑ oioo. Aém io, o ptiáio 
Cío qu obvivm, poi   cotm 
ovo oço, vm pmtmt m ut
com o guio  Mégc. . N momto,
m qu  gitção tigi o cum  o povo v
iviio, Sóo, já céb,
cçõ, jutmt com o vçou po t t
mi impott  u
o
Ati, , t pio  coho, covcu o
chmo ‘cígo’  ubmtm‑  jugmto,
poco‑ à coh  tzto juíz, t 
míi ob. . A cução oi movi po Mío
 Fi  o éu om coio cupo. O qu
i vivim om xio, o to o qu já hvim
moio om to  ço p á 
oti. . O Mg cotm to t
gitção, po qu o Ati ão ó pm Nii
como om ovmt xpuo  Smi. . Aém

Euméi.
 Nt momto, Putco v t  i‑ o
cotcimto qu vm à itução xpot o cp. ‑  qu,
potto, ão tio à cção  Sóo, qu o biógo iu
qu tu po tcipção.
63
Plutarco

io, cto cio upticioo   ocoêci 


viõ omivm  ci. O iviho pocmvm
qu o xm  vítim g vv ciégio 
cotmiçõ qu xigim puicção. . E im, oi
chmo p vi  Ct p juto , Epiméi
 Fto, qu é coto t o úmo o St
Sábio po gu uto qu ão citm  icuão 
Pio. E tih m   potgio o u
 pciit m mtéi igio cio com
 boi ipi  iiciátic. Po t motivo, o
u cotmpoâo coivm‑o ho  um
i  om Bt  um ovo Cut. . Com 
u vi  At, toou‑ migo  Sóo,  qum
ppou  oitou
ob gitiv.  o pitt
N v, toou og ptmi
Ati 
imp  pátic igio  mi moo 

 A iticção o Cut vi, m  itptção


mi cot á‑o como géio qu potgm  iâci 
Zu m Ct. A   tibuío tmbém o om  poci.
A impotâci  Ct o poto  vit igioo é viív m
muit tiçõ; o pópio Apoo í  iigiu p  puic o
gu o gão qu mt p ocup o oácuo  Do (.g.
Puâi, ..; ..).
 D coo com Dióg Lécio (.), Epiméi ti

viito At  ª Oimpí (= ‑)  Euébio (Hieron.,


v. ll ., .) itu  ocção o guo o  mm
Oimpí (= /). Cocom, potto, gobmt com
Putco, qu cooc o vto t o coto  Sóo. No
tto, o biógo m qu Epiméi uxiiou o gio,
o qu impicá qu qu th pmcio m At ut
gum tmpo. Aém  putção m qutõ igio, Ct
gozv i  g m o poto  vit juíico. Com
ito, é  um  u ci qu povém um o ocumto
mi itt o iito ggo: o cóigo  Goti.
64
Vida de Sólon

mitçõ  uto, ém  itouzi imitmt


gu ciício o ui   upimi qu
cotum uo  bábo, qu  mioi  muh
 tho obvv. . Cotuo,  mi mi
impott oi qu, o xociz  tic  ci com
xpiçõ, puicçõ  uçõ igio,  toou
óci à jutiç  mi pipot à uião. . Cot‑
qu, o v o poto  Muíqui,  pou ut
um bom boco, comto p o pt como
o homm  cgo m ção o utuo. É qu o
Ati im cpz  o vo com o pópio
t,  pum pv quto oimto qu
pç ot hvi  cu à ci. . Ququ
coi  mht
 cot:  v, uguou tmbém T,
ixou ituçõ guo
o tio 
qu, um vz moto, o coocm um cto ququ
 Mito, iigict  qucio, pizo qu
um i  ug  hvi  to  pç púbic
o Miéio. . Quto  Epiméi, qu pt
g mição, quim o Ati coc‑
‑h muit iquz  g hoi, m  
piu ém  um mo  oivi g , im qu
o obtv, z‑ o cmiho.


Dióg Lécio (.)  tmbém t pmoição
 ão é  xcui qu  th io oj post eventum, ou
j, poi qu Atípto ocupou qu pç ot com um
guição mcói, m .

Tt‑  oivi g qu, guo  tição (c.
Hóoto, .), hvi io pt po At, o iput com
Poéio o omíio  Átic.
65
Plutarco

13..Aim qu cou  gitção g po


co  Cío,  xio o cígo  mi
i, o Ati tomm  ovo  tig
iput o po  im,  qut pt 
compuh  gião, m out tt cçõ  iviiu
 ci. . O  gt  moth m  mi
pop à mocci,  à oigqui   píci;
já o tcio gupo, o  gt  zo coti,
v pêci  um om  govo itméi
 mit , como tv  opoição, impi  out
cçõ  pvc. . Ettto, um vz qu o
quiíbio t o pob  o ico hvi tigio,
po im iz, o címx,  ci cotv‑ um
to
vi pvimt cítico, 
gti  tbii pômoo
tmoqu  úic
à gitçõ
pci   itução  um tii. . N v,
too o povo tv ivio p com o ico. É
qu ou cutivvm  t  tgvm  t  xt
pt o pouto obtio — po qu m chmo
‘hctêmoo’  ‘tt’ — ou tão cotím ívi,
o como gti  pópi ib,  cbvm
po c ujito à cvião po co. U
vvm i mmo xitêci  vião, outo m


P ém  icutív icição poític t gupo, 
mgêci  cçõ gioi é um i mi tu 
oci átic potio à om  Sóo, já qu pupõ
um cociêci cívic mi pu. C. Sol. .; Hóoto,
..; [Aitót], Constituição dos Atenienses, .‑. Nt
momto,  ut tm‑ mho como iput t
pooo cã itoct ou tão t t   tt
cm  popução.
66
Vida de Sólon

vio p o tgio. . Muito chgvm


mmo   oço  tc o pópio ho —
hum i o poibi —   ugi  ci, t 
uz o co. . A mioi, cotuo,  o mi
pot uim‑  xotm‑ mutumt o
tio  ão cotium  upot qu itução,
m  cohm p ch um homm  coç
qu ibt o vo ttáio, z um
ov ptição  t  t comptmt o
itm poítico.

14..
O,  tu, o mi vio  t
o Ati, o cottm qu Sóo  o úico ou
opticipv
qu mio v
ijutiç qu
o ico m t
tv(poi m
vicuo
p ci o pob), iitim com  p
qu  ocup o uto púbico  pu tmo à
iõ. . Cotuo, Fâi  Lbo t qu oi o
pópio Sóo qum, vo‑ o oo o cooto
com mb  pt, o it  vção  ci,
pomtu m go o qu tvm m icu
um itibuição  t,  o popitáio 
comção o títuo. . M o pópio Sóo m
qu,  iício,  icou à poític com hitção, po
cio  vz  u   ogâci  outo. No
 A xpicção  Putco ob o igico  hctêmoo
(‘o qu pg  xt pt’) v   mi coct, p mbo 
g poémic g à vot t uto.

Fg. b Ruchbuch.

Et mob poític (compávi  pom itoi
pouco éi) ão vm t umto hitóico.
67
Plutarco

tto, oi cohio p cot  gui  Fiômboto,


o mmo tmpo como ábito  gio, poi too o
cohm vovmt: o ico po  bto, o
pob po  hoo. . Cot‑ tmbém qu um
ito u qu o poto m cicução (hvi mo
t qu  igu ão  uto o cofito)
g tto o ico como o pouco bto:
u p igi  obz, outo p quti 
úmo, pvm too tigi  igu. Um
vz qu mb  cçõ hvim cio um g
xpcttiv, o u ch iiuvm‑ juto  Sóo
com o ituito  itu  tii   o covc 
gi com mão ot  ci, too‑ u ho.
. D to, tmbém
coio qu ummuito
muçcião  c
op méi,
p zão
p i  coi po  iíci, ão puivm  ii
 cooc à cbç o govo  po qu o mi
jut  mi po. . Agu uttm qu Sóo
cbu m Píto um oácuo t to:

St‑t o cto  u, o tbho o pioto


iigio: muito Ati t juão.


A tção o coto  Sóo é tmbém objcto 
cotovéi. Um o po umti p uci  qutão
é Dióg Lécio (.), qu cit  utoi  Soíct;
guo , o coto cii o tcio o  ª Oimpí
(= /). Há zõ p c qu t t é pci  coct,
 bm qu out hipót thm io i, como  qu
cooc o coto cc  vit o mi t.

Stuáio  Apoo m Do;  igção  Píto iv
o om  pt ou gão qu Apoo mt p  to
ho o oácuo.
68
Vida de Sólon

. Cuvm‑o m pci o migo po 


pv moqui o uc, como  o méito 
qum   c ão  tom ogo m z
gítim, ou ão tiv io cotcio t com
Tio  Eubi  go m Miti, o Pítco
o ito tio. . Nhum t gumto
coguiu vi Sóo o u objctivo. Po
cotáio, guo  cot,  i o migo qu 
tii  um b pç ot, m qu ão tih í,
cvo o pom ico  Foco o guit:

S  t poupi


ãomih páti,mcho
m gi,  à tii àuto
vioêci m
 mih m,
m  m vgoho: mio im  vitói,  mu v,
ob too o hom.

Aqui  ot cmt qu, mmo t 


mp  gição, já pouí um m pciáv.
. Quto o qu muito comtvm, io‑  
t vito  tii, im o comtou  mmo po
cito:
D u tu, ão é Sóo poo m homm 
[vião;
otu um u h coci,   ão  povitou.

 Sob  ção t  gu o tio  o ábio  ob o


co pcíco  Pítco, quto tio ito, vi Lão ().

Fg.  Wt.

Fg.  Wt.
69
Plutarco

Lç  , o ito ão tou  t


pci: o âimo,  um tmpo,  o o h vcim.
Bm qu u ji o po  um iquz pigu tom
 tio  At omt um i ,
i qu  p poi c vi  iqui  ç.

15.. Et  pv qu ob i põ  tub


mquih  poi. No tto, p  pi 
tii,  ão iigiu o govo  om mi oc 
 i pomugou‑ ão com quz, m cuo
pt o pooo m p go o qu o hvim
cohio. Quo, poém,  itução  citáv ão
cui com méio ou iovçõ, po cio  qu, “
vi  tom totmt  ci,  ci
mio quci p tá‑  ovo” 
oá‑  mho om. Quto à ituçõ m
qu  pv qu o cocião com 
u pv  ctm impoiçõ, zi io mmo,
como  pópio m:

A um tmpo  oç com  jutiç hmoizo.

. Dí qu, mi t, itogo ob 


hvi cito  mho i p o Ati, 
th poio: “A mho t  qu 
poim cit.” E quto o qu o uto mi
ct izm o cto  o Ati ubmt
içm  i po, tuo ‑


Fg.  Wt.

Fg. . Wt.
70
Vida de Sólon

com tmo gávi  béco (à potitut


chmm ‘comphi’, o impoto ‘cotibuiçõ’,
‘vigit’ à guiçõ  ci, ‘c’ o các),
pc qu tá io Sóo o pimio  u  hbii ,
poi chmou ‘ijmto o o’  à xtição 
ívi. Et oi,  v,  u pimi mi:
tmiou qu  ívi xitt om boi
 qu,  utuo, iguém pu mpt ihio
ob cução po.  . No tto, gu, t
o qui  cot Aócio,  cvm qu o
pob  cottm m c ivio ão com
 boição  ívi, m t com  moção
 tx  juo, chmo seisachtheia  t cção
humitái
 o vo  o cocomitt
mo. umtoz
. N v, mi
 mi 
cm cm, quo t   tt  tê, 
om qu, o tgm iêtic om m úmo
m iio o vo, o vo cvm muito
bcio, quto o co m  ím
pjuico. . A mioi, poém, tá  coo o
t qu  seisachtheia coitiu  moção 
to  ívi  o pom vão mi o coto
t ppctiv. . Ectivmt,  Sóo goi‑
‑ poqu  t hipotc 

 Seisachtheia, om po qu t mi é gmt


cohci, po qu, o t ocoêci, á   titção
o tmo ggo  ão  u tução poxim.

Fg. c Ruchbuch.

FGrHist  F .

Fg. .‑ Wt
71
Plutarco

o mco cou, po to  pt to:


t  v, go é iv.

E quto o cião uzio à cvião po


ívi,  u ê‑o g o tgio,

quo  ígu átic


já ão vm, po tto m t;
 outo qu qui mmo vião igóbi
upotvm

m hv too iv. . Sutt‑, poém, qu,


com t mi, tiu ob i  mi iig 
imçõ. D cto, quo   ppv p
upimi  ívi  bucv o tmo popio 
 ocião covit, cotcu‑h v o pojcto
o migo mi éi   u itimi (ou j,
Cóo, Cíi  Hipoico), iomo‑o  qu ão
tih itção  toc  t, m tv ciio 
boi  ívi. . O , ito‑  imito,
um gop  tcipção, coguim o ico o
mpétimo  um mott vo  compm po


Fg. .‑ Wt.

A hitói qu  gu tmbém é i po [Aitót],
Constituição dos Atenienses, , qu  coi . Ectivmt,
o pióio v t io ivto o cotxto  iput t
moct ici  ptiáio  oigqui, m i o éc. V.
A ugi‑o tá icuiv o pomo  o pumívi ‘migo’
 Sóo (Cóo, Cíi  Hipoico) m tpo,
pctivmt,  Cóo, Acibí  Cái, too 
poi impott  útim   Gu o
Popoo (‑).
72
Vida de Sólon

tco g xtõ  t. Aim qu o cto


oi pubico,  cotium  ut  b 
ão vovm  om cotí m mpétimo, po
qu zm Sóo ico m gv cução  cúi,
como   ão o tmbém um ijutiço m t
cúmpic qu ijutiç. . Cotuo, t cução
oi pimt it com o ti cico tto: 
v,  chv‑ co  om  oi o pimio
 pê‑, t como tmiv  i. Agu mm
qu o mott   quiz tto, t o qui
tmbém  cot Poizo  Ro. Quto o
u migo, í m it pm   chmo 
‘bcotio’.

16..E cbou po ão g  hum


 pt, t icomoou o ico o upimi o
cotto , mi i, o pob, poi ão pocu
à itibuição  t,  coo com  u
xpcttiv, m o moo  vi o z totmt
igui  mht, à imgm  om 
Licugo. . Et, poém,  o uécimo ct

 FGrHist  F . A ci  quiz tto ut,


ctmt,  um mpicção ái o mmo pióio.

Chreokopidai. O tmo tvz th io ojo po
mhç com Hermokopidai (o mutio  tátu 
Hm), m tmbém ão é impováv qu hj um jogo 
pv com Kekropidai, vocábuo qu igv coctivmt o
Ati, quto ct  Cécop. Vi Mii
& Picciii () .

Ticio uo  cotituição pt  o u
itm oci  miit, m já   tigui qu hvi
umt úvi quto à hitoici t gu.
73
Plutarco

 Héc  o, ut muito o, o obo


o Lcmóio  gozv  g tim, migo
 po, com o qui cotou  cujo poio pô o
viço o govo. E uo  oç  pêci à
puão,  poto  p um vit, mpu
 mho mi p gti  vção  cocói
 um ci: qu, t o cião, iguém o
m pob m ico. Sóo, poém, ão chgou  t
poto com  u cção poític, poi  um homm o
povo   c méi, m ão z  mo o qu
h pmitim  u cpci, ptio omt 
bo vot   coç qu m i poitvm o
cião. . Po io, ixou cott  mioi o
Ati, qu pvm
 mmo cohc outo
o z tipo  mi,
o guit como
comtáio:

Vã pç tão ctvm; go, comigo io,


oh  oio m çm too, como  um iimigo.

. Ajut, poém, qu  outo ququ houv


pouío o mmo po

m hvi cotio o povo m po


t qu, bti,  t c o it.

. No tto, p o Ati


cohcm  vtgm  mi , ixo
 o  cític  c um, cbm m comum

Fg. .‑ Wt.

Fg. .‑ Wt.
74
Vida de Sólon

um ciício, o qu m o om  seisachtheia,


 igm Sóo omo  cotituição 
gio,   coo ão um com xcuão 
out, m to  á po igu: mgittu,
mbi, tibui, coho. P c um 
cou  tmi o co, o úmo   ução,
upimio ou covo  itituiçõ xitt 
tbci, coom h pc mho.

17..Em pimio ug, potto,  com


xcpção  pt tiv o homicíio, vogou to
 i  Dáco, po cu  uz  mgitu
 p. . N v,  tmi qu ó

um
potop  pic
 m m tooà o
coo ito,
mot  mot,
o éu cuo
 ocioi,   o qu hvim oubo gum
ou ut om  mm puição qu o õ 
tmpo  o homici. . Dí qu, mi t, th
co mo  ti  Dm  qu Dáco hvi
cito  u i com gu  ão com tit. . Aiá,
o qu  comt,  mmo, quo h pgutm
o motivo po qu, p  mio pt o ito, x
 p  mot, tá poio qu, m u opiião,
o pquo m mco  ctigo  p o
g ão tih um mio.
 Fg. b Ruchbuch.
 A xtm vi o cóigo  Dáco, pomugo
cc  , cot‑ tt com quêci  ot 
 ii iv, icuiv, o jctivo ‘coio’. No tto,
 i o homicíio ( qu xit um cópi m p  /)
mtv‑ pticmt it té  o éc. IV  v, po
75
Plutarco

18..
Em guo ug, Sóo, com o ituito
, como já cotci, ix to  mgittu
 mão o ico  , o tt, oci o povo
o govo  ci, o i ão tomv pt,
z o vtmto o co o cião. O qu,
m pouto co  íquio, pzim  quiht
mi coocou‑o  pimi c, pio‑
‑o  pentakosiomedimnoi;  gu c, cm
o qu m cpz  mt um cvo ou coh
tzt mi     chmv ‘o qu pgvm o
co  cvio’ (hippeis); zeugitai oi o om o
o  tci c citái, qu qu, o too,
ui uztomi.
‑h tibuío om .tt
Quto
(theteso
); tt, oi‑
, Sóo
ão cocu o xcício  hum mgittu,
m omt o iito  pticip o govo tvé
 mbi  o tibui. . D iício, t
cocão ão pci , m, com o tmpo, vio
 v‑ muito impott, poi  mio pt o
io cí  á  comptêci o juíz.
N v, o co m qu tibuí o po 

cotáio, um humi pouco uu p  époc. Po t


zão, gu tuioo moo tm  p qu  tição
 vi é  omção ti, tvz omt o éc. IV, tu
m qu vivu o oo Dm, cito po Putco.
 Embo  cicção o cião  coo com o

imto j ob  Sóo, o gio v t povito


tmo já xitt, poi omt o pentakosiomedimnoi (‘o 
quiht mi’) cum um omção ct,  coo
com  ov oitção.
76
Vida de Sólon

cião o mgito, tmbém tivmt  


cocu o iito,  qum o j,  p o
tibui. . Comt‑ i qu, o igi  i
 um om mi obcu  com muit cotiçõ,
oçou o po o tibui. Não coguio
ov o cofito tvé  i cuj itptção 
motivo  icói, hvi cottmt ci
 cout o juíz   v too o pito à pç
t, qu,  gum om, m ho  i.
. E mmo ç o vo  u mi t
mi:

Ao povo i tto po quto bt


 ho ão h tii m ccti;
o qu tihm  oç   iquz gjvm pito,
tmbém   gti qu hum ot om.
D pé, ci um ot cuo ob mbo:
vc com ijutiç, ão o pmiti  hum .

. No tto, covcio  qu  mi ugt


oco  quz  tub,  cocu  too o cião

 Ruchbuch () coi púi  gumtçõ


tiv à pogtiv  c o thetes (g. 
Ruchbuch). No tto, há iício ucit p c qu
t c poi t tio co à mbi  iito  po,
juto  Hii, ob  ciõ o mgito.
 A ção  obcui  i é um timto

xpimto po qum, como Putco, cohci um itm


g mi vovio, o qu ão impic qu Sóo tiv
qu cocit  icu , muito mo, qu  tiv
cio voutimt.

Fg. .‑ Wt.
77
Plutarco

o iito  mov um poco m vo o  o. Aim,


 guém o vítim mu tto, vioêci ou o, 
pmitio  qum pu  j cu pgui
 o
pvico. Com zão, qui o gio cotum


o cião  ptih  ibii   coo ‑


mutumt, t como pt  um mmo <copo>. .
Com t i tá  coo um ito u  qu cov
 mmói. Com ito, qutioo, o qu pc, ob
qu i  mho ci p  viv,  pou:
“Aqu o mmo o qu ão om vítim  ijutiç
pgum  pum o cupo com ão mo zo o
qu o qu om  ot.”

19.. Itituiu o coho o Aópgo, qu


é compoto po qu hvim xcio o coto
u, , poqu tih mpho  mgittu,
tmbém z pt . M poi, o v qu o povo
 to tuo  ogt com  ução 
ívi, uou um guo coho, tvé  coh
 cm hom po c um  tibo (qu m
quto). Dtmiou qu t coho xmi 
mtéi t o povo  qu ão ix gui 
p  mbi m  pcição pévi. . Itou,
cotuo, o pimio coho como upvio 


Fg. b Ruchbuch.
 Et guo coho, cohcio como boule o
Qutocto, cotitui um  picipi iovçõ  Sóo  é
tibuío o gio tmbém po [Aitót], Constituição dos
Atenienses, ..

Aópgo; o u om iv o cto  t coho ui
gmt  ‘coi  A’.
78
Vida de Sólon

too o cto  guião  i, covcio  qu,


mp oimt po qu oi coho
como po u âco,  ci ti mo ujit à
gitção  o povo  moti mi tquio. . Com
ito,  mio pt o uto m qu o coho
o Aópgo oi, t como  iu, itituío po
Sóo  pc ttmuh  vo  obtuo o
cto , m pt gum, Dáco  ou mcio
o Aopgit, m   iigi mp o Ét
p o co  homicíio. . No tto, o écimo
tcio axon  Sóo cotém  oitv i igi
txtumt t tmo: “Sob o qu pm
o iito cívico: too o qu pm o iito
cívico t o coto
com xcpção o qu  Sóocoo
om ão mitio,
po
Aópgo, po Ét ou o Pitu po cião o
Basileis, po cim  homicíio, mc ou tttiv
 imptção  tii,  qu  cotvm o
xíio quo  pt i oi pomug”. . Et


Não é impováv qu  mtáo  u âco oco
 poi  Sóo, m,   im, o vo m qutão pm‑
‑. O cto  Putco ão o cit pc utt  hipót
cotái, ito é, qu  imgm i cição o pópio biógo.
Em too o co, t gumto ão  v ciivo, um vz
qu Putco ix  o pom qu ão cohcio po out
ot.

Ephetai;  tuz t copo juíico ão é totmt
c.
 Fg.  Ruchbuch.
 Um o upot mtii o om icit  i 

Sóo. C. Sol. .



Fg.  Ruchbuch. Et é  i qu mitiv po
tiomt pui com atimia. Putco t t p
79
Plutarco

pv motm, po cotáio, como já t


o coto  Sóo   u cção gitiv xiti
o coho o Aópgo. Poi qum é qu poi t
io coo t  Sóo o Aópgo,  o
Sóo o pimio  coc o coho o Aópgo
o po  jug? A mo qu, po Zu, hj gum
ictz o txto ou um cu,  om qu  v
 “o coo po qu cim, qu ão jugo
go po Aopgit, Ét  Pít, pmcm,
po tu  pomugção  pt i, m iito
cívico, quto o tt o cupm.” Em too
o co, po tu mmo  qutão, ito.

20.. D to  out u i, é pcimt


pcui  pox  qu o  pivção o iito
cívico à po qu, m co  ição, ão tom o
ptio  hum o o. O popóito coit,
o qu pc, m vit  pti   iiç pt
 comui, cooco  vo o it poi
 goio‑  ão hv ptiho  gç 
m  páti. Po cotáio, impot jut ‑, 
ogo, o qu vicim um compotmto mho
 mi juto, co o mmo pigo  pt ‑h
uxíio, m vz  gu, m guç,  ipoiçõ
o vco. . Pc tmbém th  iícu

como  pivção  iito cívico, mbo, o tmpo  Sóo, o


tio copo  c um to  pocito ou  o
 i.

F  Ruchbuch.

A xpicção qu Putco oc p  i v t coct.
No tto, t gumtção, qu já cuv ppxi o
80
Vida de Sólon

 i qu pmit à hi, quo o homm 


qum  p   qum ptc po i  v
impott, ui‑ o pt mi póximo o
mio. Tmbém t i tá coct,  opiião 
gu, p o qu om impott, poi cm com
 hi omt po cu o ot , o bigo 
i, cotim  tuz. . N v, o vm
qu  hi po ui‑ com qum h pouv, ou
ucião o cmto ou com vgoh o mtão,
oo  p po  viz  ioêci. Aém io,
tm‑ po bm qu  hi  jut ão  ququ
homm, m àqu qu, t o pt o mio,
 p,  om qu  coi  mth m míi

cotibui
 po ptç
tmbém àqu mm ç..ch
 po Po
o mmo
quto m
com
o poo, poi  t comio um mmo,  qu o 

mio  hi  cot com  o mo tê


vz po mê. . Poi, mmo qu ão çm ho,
i im t é um gto  pito   miz o
mio p com um muh hot, qu vit,  c
vz,  cumução  coti  ão ix qu, po
cu  icuõ,  it um tot boo. . Do

tigo, cotiu  motiv mp icuão.



F  Ruchbuch.

Ao cotáio o qu pv Putco,  muh hi
(epikleros) ão poi ig‑  qum j; t ti 
pit o picípio g  pcêci o mii cito
 mio (c. Dmót, . = g. b Ruchbuch).
 A ipoição tiv o mmo (= g.  Ruchbuch)

cu  ifuêci  ito  tii  ão é, ctmt, 


Sóo.

Fg.  Ruchbuch.
81
Plutarco

tt cmto upimiu o xovi, pcvo


qu  muh c v coigo tê vt, utíio
 pouco vo   mi. É qu ão qui qu o
mtimóio o um gócio ou mcoi, m qu
 covivêci t homm  muh tiv m vit 
pocição, o it  ição. . N v, Dioíio,
quo  mã h pi p   m cmto  um
o cocião, pou qu tih tgio 
i o Eto o z‑ tio, m qu   tuz
ão  cpz   viot, o voc cmto
cotáio à i. Nm  ci há qu miti t
om m ti m igçõ ôi  m gç,
qu hum ução ou objctivo mtimoi poum.
. Poém,
poi um um vho qu
mgito tiv co
put ou um com um jovm
gio pti
 pv iigi  Fioctt:


tá o mo m coiçõ  c, gço?

E, o cot‑ o quto  um vh ic um


jovm qu, t como o mcho  piz, tiv 
go com  ção, mho i muá‑o p
c  um jovm pig qu pci  mio.
M quto  t uto já bt.

21.. Louv‑ tmbém  i  Sóo qu poíb


Fg.  Ruchbuch.

Tio  Sicu (‑).

Fg.  p. Nuc.
82
Vida de Sólon

qu  ig m o moto. N v, é pioo


coi go o qu já pm p o outo
o, juto ix m pz o ut  cívico cb
com o óio to. . Do vivo, poibiu qu 
 m o tuáio, o tibui, o iício
o mgito  i ut  itêci o jogo,
pcvo qu  pgm tê cm o oio
 mi u o áio púbico. O ão omi uc
 pópi có é i  má ucção   t  uto‑
‑cotoo, m omiá‑ mp to‑ iíci , p
gu, mmo impoív. Impot, po coguit,
igi  i to m cot o poív,  o objctivo
é pui utimt gu  ão muito  om iúti.
.
oCotibuiu tmbém
ttmto. p  u
N v, putção  i
tiomt ãotiv
hvi
 poibii  z ttmto  o b   c
tihm  pmc  míi o cio. Sóo, o
pmiti g  qum  j o pópio b, 
coição  ão hv ho, pivigiou  miz ob
o ptco  o cto ob  ci, zo
com qu o b om vimt popi
 qum o poui. . Em too o co, ão pmitiu
 pátic iicimi  tói  oçõ, m
omt quo t ão om it ob ifuêci 
oç,  og,  pião ou po coção ou i po
itigção  um muh. E,  cto, com cto
 poção qu Sóo pv qu  puio 


Fg.  Ruchbuch.

Fg.  Ruchbuch.

Fg. b Ruchbuch.
83
Plutarco

vi‑ o mho cmiho m  ii  o


mmo  oço. Aim, ctogv o go o o
 cotição, o pz o o oimto, como om
ão mo cpz   o  humo  zão.
. Tmbém ob  ocçõ, mitçõ  uto
 tivi  muh tbcu um i qu
pimi  om  o xco: tmiou qu ão
ím com mi  tê vt, qu ão vm comi
 bbi  cuto upio  um óboo, m um cto 
compimto upio  um côvo, qu ão vijm
 oit,  ão  tpot um co  pci
po um uz c. . Impiu‑   cm com
gop,  zm mtçõ gi   chom
um
itho
qu o u um
imo  out
boi mpo.
hoNão
o pmitiu
moto,
qu  ixm mi  tê pç  oup com o
uto  qu  viitm  putu th à
míi, xcpto o i o u. . Dt pátic,
 mio pt i cotiu   poibi  o
i. Jut‑, poém, à o qu qum  tg
 t xco j puio po mgito qu
cotom  moi  muh, po icom
m o  mitçõ  uto, com titu 
vii  mi.

 A gumtçõ tiv à í  muh, p


ém  otm pocupção com  u guç  i cto
cotoo ob  u movimtçõ, motm tmbém qu 
ão  cotvm co o pço o gicu.

Fg. c Ruchbuch.
 Gynaikonomoi
.
84
Vida de Sólon

22.. Cottou qu  ci  chi 


otio qu ão pvm  fui  too o o,
tío p guç  Átic. Poém, como  mio
pt  t  impoutiv   bix qui ,
p mi, o qu  icm o comécio mítimo
gmt  tzm  qum  tm  oc,
Sóo xotou o cião  pm um mt.
Aém io, cvu um i, guo  qu o ho
ixv  t obigção  imt o pi qu h ão
tiv io um oício. . N v, Licugo
hbitv um ci ão mc po um mutião 
tgio  qu pouí t, como iz Euípi,

p muito but , p u vz  xciv.


[i úmo,

E, m pci, hvi,  cicu  Lcmói,


um mutião  hiot qu  mho ão ix
ocupo, m tz cottmt bixo
po cço  p ig. Po io, pocu bm o
t o cião  ocupçõ po  o oício,
vo‑o p  m, o úico oício  p 
o qu  ic. . Sóo, cotuo, o jut  i

Fg.  Ruchbuch. Et ipoição  um om 
compmt o oço p vov  iúti átic (m
pci  poução câmic).
 Fg.  Nuc.
 O hiot cotvm‑ um itução itméi

t o ttuto  homm iv  o  cvo. Cohcm‑


cimt o  Lcmói, o o u úmo utpv
m g c o cião pto, qu o omivm   qum
o hiot tihm  imt.
85
Plutarco

à i mi o qu  i à i  o cott


qu  t, p u tuz, btv omt o
gicuto, ão to cpci p imt um
mutião iot  ocio, cocu igi o
mt  tibuiu o coho o Aópgo  ução
 vigu o é qu c um i buc o utto 
  pui o iot. . Ai mi v é qu
cáuu qu ipõ qu o ho cio  um
potitut ão têm qu  obigção  mt o pi,
t como iu Hci Pôtico. N v, um
homm qu, o cmto, cu  igi ix
co qu, o ig‑  um muh, o z ão po cu
o ho m à cot o pz, po qu obtém  u
pg  ãoo
m ção hho,
c ocujo
iito   pouci
cimto pt,qu
m i
mmo, um ot.

23..No cojuto, poém,  mio thz


pc ii  i  Sóo tiv à muh. D


Fg. c Ruchbuch.

A vigução o imto o cião  cái
p o comto  c citái, qu  bv,
pcimt, o povto  c um. M qu o Aópgo
tiv  ução  pui o iot é um ipoição qu tm
io jutmt pot m cu. Tt‑ o moo nomos argias,
qu  tição tibuí o  Dáco, o  Sóo o  Piítto
(c. g. ‑ Ruchbuch).
 Fg.  Ruchbuch.
 O ho igítimo ão tihm  obigção  mt o

pi  vhic, cto qu ão ix   tivmt juto, um
vz qu  tmbém ão pouím quiqu iito gi ob 
hç pt (c. Dmót, . = g. b Ruchbuch).
86
Vida de Sólon

cto, pmit mt um úto  qum o ph m


fgt; o tto,  guém pt um muh
iv   viot,  p x é  cm cm , 
 potitui, vit cm, com xcpção qu qu
à c  pim p cim  p bixo, io‑
à mi: t,  v, mviivmt m
buc  qum h oç ihio. . Aém io,
ão pmit  iguém v  h ou imã,  ão
 qu  cub qu tivm com um homm t
o cmto. O pui o mmo ito, um vz
com uz  ifxibii , out, com iugêci
 igiz, xo como p um ctigo o co,
é iógico;  mo qu, o tão  mo 
ci,
 mut icu
pcuiái. m  cogui to
. Ectivmt, p o p
cácuo
o vo  vítim cicii,  xou  quivêci
 um cio ou  um cm  um mimo
 gão; tbcu qu  tg o vco
o Jogo Ítmico cm cm  o o Oímpico
quiht;  qum ph um obo vm‑
cico cm,   um obito um cm,  om
qu, guo Dmétio  Fáo, copoim o


Fg.  Ruchbuch.

Fg.  Ruchbuch.

Fg.  Ruchbuch.
 Fg.  Ruchbuch.
 Fg.  Ruchbuch.
 A i tiv à comp motái  tibui o

vco t Jogo P‑héico (g.  Ruchbuch)


povvmt ão é  Sóo.

Fg.  Ruchbuch.
87
Plutarco

pço  um boi   um cio, pctivmt.


. O o pço  vítim cohi qu  x
o écimo xto axon ão poivmt vái vz
mi vo o qu o cot, m i im 
motm iio o ptico go. É já tig,
t o Ati,  cç o obo, poi  u t
é mho p  ptgm o qu p  gicutu.
. Há mmo qum m qu  tibo ivm o
om ão o ho  Ío, m o tipo  vi qu,
iicimt, o itiguim. Aim, o Hopt m
 cção gui  o Agu  o tão; quto
à u tt, o Got m o gicuto  o
Egicou o qu  icvm à ptg  à cição 
go. . Um
poi ão vz qu
poui io  p
gião ão
mtmgo
águ ucit,
ou ot
but, m  mioi  po  v  poço
ticii, Sóo tmiou po i qu, o houv
um poço comum to o pço  um coi 
cvo (cujo compimto   quto táio), 
z uo ; o  itâci o upio, cbi
o pópio pocu águ. S, poi  cv té à
poui  z bç, ão  cotm o
u to, tão poim vi‑  o viziho,
cho um híi  i mi, u vz
o i. Pv, potto,  cáio cui à
 Fg.  Ruchbuch.
 Um stadion quiv  cc  uzto mto  o moo
 êci povih o táio  Oímpi.

Como o pópio om iic,  um vo pópio p
tpot águ,  g cpci.

Fg.  Ruchbuch.
88
Vida de Sólon

ci m coj  ioêci. . Dtmiou,


i, com g xpiêci, o itvo  ix
t  ptçõ, ito qu qum pt gum
ávo o cmpo ti  gu  itâci  cico
pé m ção o to o viziho; o um gui
ou oivi, ixi ov pé. N v, t ávo
tm mi og  íz   u vizihç ão é
iócu  to  pt, poi oubm‑h o imto 
çm mçõ qu ão pjuicii  gum .
. Etbcu tmbém qu qum j cv um
buco ou um o vi gu m ção o
viziho  mm itâci  qu v  pução
,  it xm  bh, ti  t‑
tzto pé po
tiomt pti opo.
out qu tivm
 io cooco

24..
Do pouto  t, pmitiu  v 
tgio omt o zit  poibiu  xpotção
 too o outo, coo o cot  icumbêci
 ç miçõ ob qum o xpot ou tão
 obigção  pg  mmo cm cm o áio
púbico. . É o pimio axon qu  cot t i.
Po io, ão á  coi totmt iigo 
céito o qu mm qu  xpotção  go tá
io poibi o po  qu o cto  uci
 Fg. b Ruchbuch.
 Fg.  Ruchbuch. A i mcio t útim
cção poão pc miuêci o ito moo, m
ptm pomo muito impott um itm gáio
bo, como cotci  Átic, o miiúio.

Fg.  Ruchbuch.
89
Plutarco

qum o xpotv  igo po ‘ icot’.


. Ecvu i um i tiv o tgo o
quúp, o, t out coi, o qu um
cão qu mo  tgu po  um ci  tê
côvo; é um ttgm ghoo  m  gti 
guç. . Cu ppxi tmbém  i tiv
à cocão  cii, poi  ão pmiti qu 
tom cião ão o qu hvim boo
 páti  oigm m xíio ppétuo ou o qu, com
too o  u c,  tivm muo p At
 m  xc um mt. Tomou t mi,
guo  cê, ão tto p t  out po,
m t p ti  At t, com  ctz 
vim
igo ptih
coç cii,
o qu, po ci,
i po coi
 vim
xpuo  u t, bm como o qu  ixm 
iv vot. . Sigu é i  i  Sóo qu
 Jogo com  poív timoogi o tmo uo p
ig o to: sykon (‘go’)  phainein (‘v’). A
poibição  xpot pouto gíco, com xcpção o zit,
qu  xctáio, vii imiui  pêci imt
c o xtio  pmiti  bix  pço o b  pimi
ci.
 Fg.  Ruchbuch.

Dicut‑ o igico  atribuir a κλοιῷ, que oci t
‘ci’  ‘coi’. Com um ci cut, i poív coto
mi cimt o movimto o im; com um coi  tê
côvo, o cão ci impoibiito  mo. Embo mb 
hipót jm citávi, tmo gum pêci p pimi.
 Fg.  Ruchbuch.
 A xpicçõ  Putco ão voími,  bm qu  v

it tmbém o pcto pgmático  ti  At tíc,


com  pom  cocão  cii. T mi i‑
o oço  çmto  coomi, m pci  poução
90
Vida de Sólon

iz pito à imtção m oci púbico,  qu u


 igção  ‘ pit’. E ão pmit qu 
mm po  imt  oci muit vz,
m,  o qu á v i ão o z, pu‑o, poi coi
o pimio co um buo  o guo um pito
à comui.
25.. Cocu  to  i  vi  cm
o  om icit m xo  mi gitóio,
iio m tutu qugu,   i
o oo i  covm, o Pitu, pquo
gmto. Sguo Aitót, m igo
po kyrbeis. . Tmbém o cómico Ctio m, m

tmio poto:
Po Sóo  Dáco, cujo kyrbeis
go vm omt p tot cv.

Poém, gu uto m qu po kyrbeis


 igvm pcimt o qu cotihm  i
ob o cuto  ciício, po axones o tt.
. O, o coho cou m jumto cojuto
obv  i  Sóo  o mmo z,  mi

iuti  o comécio. C. Sol. .‑.



À t, o tmo igic ‘com juto ’, ‘ com’.

Fg.  Ruchbuch.
 Constituição dos Atenienses, ..
 Fg.  Koc.
 A poémic tiv à tuz  ução o kyrbeis  o

axones já mot à tigui, como  cott po t po, 


i hoj  ão tigiu um coo  mtéi. Vi  icuão
o ttmuho m Ruchbuch () ‑; Stou (1979).
91
Plutarco

iiviu, c um o tmótt,  ágo, juto


 p o uto, compomto‑, o co 
tgi gum  om,  ic m Do
um tátu  ouo m tmho tu. . Ao cott
 igui o mê  qu o movimto  Lu ão
tv  om gum m copoêci com o pô 
o c o So, m qu, muit vz ut o mmo
i,  tigi  utpv o So, ciiu chm‑h
‘Lu vh  Lu ov’. Pv, im, qu  pt o
i tio à cojução ptci o mê qu v,
  tt já o qu comçv, o o pimio, o
qu pc,  t coctmt o guit vo
 Homo:

quo  um mê  outo  vt.

Ao i guit chmou oviúio. . M o


ivé  cct o i  pti o vigéimo, 
cotv‑o ubtio  coto té o tigéimo,
à imgm o qu vi cotc com  umioi 
Lu. . Dpoi   i tm m vigo, hvi po
qu, too o i, vihm t com Sóo o p
ouv o p cu, o p coh ccto
o txto o o cot qu h vihm à cbç. Em,
potto, muito o qu ptim iomçõ,
zim pgut  h pim qu uci  xpic
com to  cz o qu cotih c i  com qu


Odisseia, .; .. A i m qutão (g. b
Ruchbuch) é mt tibuí  Sóo tmbém po
Aitó (Nuvens, ‑)  Dióg Lécio (.).
92
Vida de Sólon

ituito o tbci. Ao cott qu ão t


o pio  icómoo  qu ‑h mto
i to‑ oioo, jou cp totmt
 t icu  ugi o cottmto 
chichmto o cocião. N v, como
 pópio mou, “m qutõ impott,  too
g é iíci”. Evocou, tão, como ptxto p
 vigm, motivo comcii  z‑ o go, poi 
pi o Ati pmião p  ut ut
z o. Epv,  v, qu ut  tmpo
 cbm po  hbitu à i.

26.. Em pimio ug, potto, iigiu‑ o



Egipto  í tciou, como  pópio iz:
N mbocu o Nio, juto à cp o Copo.

Pou gum tmpo m icuõ oóc com


Pó  Hiópoi  Sôqui  Si, qu m o
mi ábio o cot. Foi tmbém  qu cutou
o mito  Atâti, como m Ptão,  comçou
 pô‑o m vo p o   cohc o Ati.


Fg.  Wt.

A ução  vigm  Sóo é coobo po Hóoto
(.)  po [Aitót], Constituição dos Atenienses, ..

Fg.  Wt.
 Timeu, ‑; Crítias, , ‑b. A izção  vigm

o Egipto v  gu, poi cot poio icto  poi


 Sóo. Quto o o tivo o Atlantikos logos, tto
pom t gum uo hitóico como  imp cição ctíci
o pópio Ptão, qu o ti ivto  m  coi mio
igi o mito.
93
Plutarco

. Em gui, vgou p Chip  oi pticumt


bm cohio po Fiocipo, um o i oci, qu
govv um ci ão muito g, u po
Dmoot, ho  Tu, juto o io Cáio, itu
um gião com bo poibii iv, m
qu m tuo o mi  gt  míoc. . Etão,
um vz qu pto  ti um b píci, Sóo
covcu‑o  mu  ci  ítio   toá‑ mi
pzív  mio. E mmo, coto‑ o oc, 
ocupou  u ov ução  ogizou‑ o tio
 mho  qui  vi   guç,  poto 
muito hbitt  jutm  Fiocipo, p ivj o
outo obo. Aim, p ho  po  Sóo,
à chm
ci qu t
Soo,  igv
 pti o om po Epi pou
o gio. o i
. Aiá,
tmbém  co t ução. D cto,  u
gi, iig‑  Fiocipo  iz:

E go, ob  gt  Soo po go tmpo qui


[io,
po t ci tu mi  tu tip hbit;
quto  mim, ob um u voz, t iut ih
 vo m vov Cípi, coo  viot.
A t ução vo  gói coc
  mim um bom go à mih páti.

 Coom  po v p gi qu Putco  gui


tcv, é pováv qu o coto com Fiocipo th ocoio
 cto, poi  icu cooógic vt po gu
tuioo ão pcm iupávi. Vi copcto  picipi
ih  gumtção m R () ‑.

Fg.  Wt.
94
Vida de Sólon

27. .
Quto o u coto com Co,
gu ão  opiião qu ão p  um ivção,
gumto com  cooogi. P mih pt,
cotuo, um to im moo, tto po tto
ttmuho
o cáct ,Sóo
o qu éigo
mi impott, coom
u mgimi
 boi, ão m pc qu j  o pô  o
à cot  u quo cooógico, qu tto
tuioo pocum, té hoj, coigi, m qu
thm coguio uzi  cotiçõ  gum
uto qu  pópio citm.  . Cot ‑,
potto, qu Sóo, viito S  covit 
Co,
hommxpimtou
qu, cio um çãop
o itio, mht
pimià vz
o
cu o m. . Com ito,  c vz qu vi um
io, jugv qu já  o m. Tmbém im Sóo, qu,
o tv o pátio  o v tto cotão, vtio


D cto, o io  Co é cooco t  
/, tu m qu S ciu  mão  Cio. A mot 
Sóo v t ocoio cc  / (c. Sol. ), po qu,
toicmt,  poi t coto com Co. No tto, 
tição impic qu  tvit  tiv o ut  vigm
potio o coto, potto o mi t té . Há, im,
um icomptibii cooógic, oç po cto , cc
 , Sóo t m At  iti à tom o govo
po Piítto. No tto,  zão vç po Putco p
i o moo pióio, i qu ctício, é vái tto p
 como p o u ito:  hitói ju  i o ethos o
ábio   tbc  opoição  vo t bábo  ggo,
tão o go o Ho. Po t motivo, Putco põ um
g cuio  cição  tvit t o oi hom,
ogo‑ m copioo pomo.
95
Plutarco

com to  pomp  cmiho ciimt t 


um mutião  compht   gu, pv
qu c um  o Co, té qu oi couzio à
u pç. Et ptou ‑ cobto  pi,
 vt cooi,  títico omto 
ouo,  too o tvio qu pouí  coiv
itito, mgíco  ivjáv,  om qu  u
cotmpção o o pctácuo mi váv 
vigo  too. . Sóo, poém, poi  tc
it , ão tiu m xcmou, pt t
vião,  o qu Co pv. Po cotáio, 
otóio,  qum tiv bom timto, qu 
pzv t t  goto  mquihz. Oou,
tão,
 uo iquz
i qu h
 o om
vmquo o póito
 v o tt pto
 mgicêci. Poém, ão hvi ci:
. btv  m i mmo p  um ii  u
mi  . . Quo, poi  t vito too
qu pctácuo, Sóo oi ovmt couzio à
pç  Co, t pgutou ‑h   cohci
gum homm mi itoo o qu  pópio, o qu
Sóo pou qu cohci To, u cocião.
E cotiuou, xpico qu To o um homm
 bm, ix ho timo  qu, poi  t
vivio m  t  hum  coi cii,
mo goiomt o combt com oo m
  páti. Nt tu, já Co tomv Sóo
po um po útic  goi, poi ão putv 
ici guo  tu m pt  ouo, m tih
po cotáio m mio cot  vi  mot  um

96
Vida de Sólon

homm o povo  imp pticu o qu tmho


po  utoi. . Ai im, pgutou ‑h 
ovo , poi  To, bi  outo qu o o
mi iz o hom. Out vz h toquiu Sóo
qu tih cohcio tmbém Céobi  Bíto, oi
imão qu icvm um o outo  à mã um mo
xcpcio. Num tu m qu o boi tvm,
 mmo  coocm ob o jugo o co  vm
té o tuáio  H  mã, qu cou xutt 
gi  oi icit po cocião. Dpoi o
ciício  o bqut , o jov já  ão vtm
p mhã, m om coto moto, cohio
po um m m o  m mto, um momto
 tmh“Egói.
xcmou:  mim,Etão
ãoCo, já hum
tibui poto poto
 i,
o
úmo  po iz?” . Sóo, qu o ão qui
u m umt ‑h  iitção, toquiu: “Ri
o Líio, o Ho cotiu o u m tuo
obv  jut mi   t moção vmo
um boi put — como covém —  pbi,
ão  ou pct. E à vit  viciitu 
too o géo  qu mp  ujit  vi, ão
pmit t m g cot o b pt m
mi  otu  um homm quo  i
tá  tmpo   t. . Em bo v,  c
um v o utuo ot vái  cohci. Aqu
 qum té o m  ivi cocu o uco,
  coimo iz. M put itoo qum
i viv  cuj xitêci tá ujit o pigo é,
t como cm vitoioo  coo qum i ut,

97
Plutarco

iguo  m vo.” Poi t pv, Sóo


tiou‑, poi  t pto iquitção —
m ão icimto — m Co.

28.. O buit Eopo — qu tão  cotv

m S,  covit  Co  po   tto com


êci — iquitou‑ o v qu Sóo ão tih
io objcto  hum ibi  i‑h, m jito
 vio: “Sóo, com o obo impot ou piv o
míimo ou iz o mi gto poív.” Ao qu Sóo
ipotou: “Não, po Zu, ou piv o míimo ou iz
o mho poív.” . Po  tu, Co pzou
im o coho  Sóo. M poi qu tou
Cio  oi omio
ito piioio, tvm poto
combt, pu
   ci
quimo ,
vivo,
poi  o tm poto, coto, ob  pi já
ph. Too o P tihm o oho xo 
 Cio cotv‑ pt, quo, vo  voz
p  pojct quto o cpz, Co gitou, po tê
vz: “Sóo!” . Supu‑, tão, Cio  oou
qu h pgutm qum, t hom ou u, 
 t Sóo,  úic ti   ivoc qu
c xtmo. . E Co, m  ocut, pou:
“E homm  um qu ábio  Hé, qu u
covii, ão com  itção  cut gum coi

 Sguo Diooo (.), Eopo ti vivio  époc o


St Sábio; Dióg Lécio (.) cooc  akme o buit 
ª Oimpí (= ‑). Toicmt poi, im, t‑
vito com Sóo; gu‑, cotuo, mi pováv qu tto
 coto como  toc  tç jm ctíci.
98
Vida de Sólon

m  p o qu m zi t, m t p


 pcto  mih po , o pti, ttmuh
qu ici, cuj p é mi ooo o qu o
goto   poui. . N v, quto o tih,
 bm ão pv  m   pêci. M 
u muç tmim ctivmt p mim m
oimto tívi  m m méio. E  homm,
vio p coiçõ  tão o qu hvi  uc
go, xotv‑m  coi o m  vi   ão 
iot, cojo po upoiçõ ict.” . Dpoi
 t pv m tmiti  Cio,  um vz qu
t  mi poo o qu Co  vi  ptiêci
o coho  Sóo o xmpo pt,  ão ó
ibtou
qutoo moc íio, como
vivu. Quto igjou
 Sóo, o cobiu  ho
m ,
com um ó icuo, t vo um i  io outo.


29. .
Dut  vigm  Sóo, o cião
 At hvim tomo  gitção. À cbç 
gt  píci cotv ‑ Licugo, à t 
po  cot tv Mégc, ho  Acméo,
 Piítto  o ch o qu vihm  zo
motho, qu cotv com  mutião o tt,


Ai t o to  Hóoto (.‑), o tio 
Co à mão  Cio já hvi cohcio outo ttmto. Aim
o motm um âo  gu vmh (t  iício o
éc. V)  cico gmto  um híi  Coito, tmbém 
gu vmh (c. ‑), qu pcm pt Co 
pi. O mmo tm oco, com vit, um o (.‑) 
Bquíi, compot m ho  Hião  Sicu, qu gh
 coi  co o Jogo Oímpico  .
99
Plutarco

o mio opoito o ico.  Em coquêci, 


ci obvv i  i, m já too pvm
um voução  jvm um out cotituição, 
xpcttiv , com  muç, vim  obt ão 
igu, m  upmci   omi totmt
o váio. . E t o poto  itução quo
Sóo gou  At, o oi cbio com
pito  ho po too, m, à cot  vhic,
ão tih já m  oç m o tuimo p 
m púbico  gi como tigmt. Po cotáio,
cotv ‑ m pticu com o ch  vái
cçõ, um tttiv  cocii ção   coo, 
Piítto, m pci, pci  ‑h tção. . N
v,
gáv t tih gotv
o tto, ququ
 coi
juouto
pob  

iugt  moo com o váio. . Mmo
 qui  qu, po tuz, ão ipuh,
pocuv imitá ‑  ipiv mi coç o qu
qum  pouí, o vito como homm put,
ogizo , obtuo, ptiáio  igu 
hoti  qum pocu t  itução xitt
 pi  um voução. E com t mio á i
go  mioi. . Sóo, poém, p h
ituiu o cáct  oi o pimio  pcb ‑ o
u ígio. No tto, ão h guv co,

Tmbém Hóoto (..)  [Aitót],Constituição dos


Atenienses, .‑, com t mm itibuição  oç
poític  é pováv qu  copo, ctivmt, o cim
 tão qu  tá voumo ut  uêci  Sóo,
mboco o gop  Piítto. C. Sol. ..
100
Vida de Sólon

t pocuv icuti ‑h moção  z ‑h


vtêci. Comtv com   com o outo
qu,  guém cogui c  u m 
mbição  omi  cu  âi  tii, tão
ão hvi out po mi pop à vitu m
mho cião.  . Ettto, Tépi  o u
comphio comçvm já   impuo à tgéi
  ovi o cotcimto tí muit gt,
i qu  ão chg o poto   ogiz um
cocuo comptitivo. Sóo, po tuz joo 
cut   p  qu,  vhic,  bov
i mi o z, à ivão , po Zu, à bbi
 à múic, oi iti o pctácuo  Tépi, qu
citv m po
o tigo. . o u m,
Dpoi guo o cotum
 ptção, Sóo
iigiu‑h  pv, pguto ‑h  ão tih
vgoh , it  tt gt, iz tmh
mti. Tépi toquiu‑h qu ão hvi m ,
po ivtimto,   gi qu mi,
m Sóo btu viotmt  t com o btão
 xcmou: “Bm p, tão, à i  ogi 
pci im t bici,  imo cot o
uto éio.”


Embo  v oh com um pot  cpticimo 
tibuição t ábio coho  Sóo, ão ix   poív
qu o vho gio th,  cto, pocuo icuti bom o
o u cocião, coom iutm gu o u pom.
E.g. Sol. ..

Sguo  tição, Tépi ti io o pimio  vc
um comptição  pot tágico. É, o tto, uvio 
otíci o u coto com Sóo.
101
Plutarco

30. . O, poi   i 


i mmo, Piítto
iigiu‑ à ágo, zo ‑ tpot um co, 
comçou  xcb o povo, izo qu, po cu
 u ii poític, hvi io vítim  um
copição mot po váio. Rcohi já 
iigção  o io  muito poit, quo
Sóo  itou , poto m t , i: “É
com pouco jito, ho  Hipóct, qu mph
o pp o Ui homéico: é qu t v, com o
objctivo  g o tu cocião, o mmo
tiício qu  uou p bu o iimigo, quo
 i mmo  iu.”  . Dpoi t icit, 
tub tv
 o povo ipotm mbi.
uiu‑ combt o.o  Piítto
Aíto popô 
tibuição  Piítto  ciqut hom mo
 mço,  qui  gu po. Sóo,
poém, vtou‑  ou cot  popot, uzio
muito gumto mht  t qu cvu
o u pom: 

N ígu tti   pv  um homm cit;


c um  vó, oziho, com po  po cmih,
m  too juto it um píito vão.

. Ao v qu o pob  ipuhm 


poi Piítto, cuo gitção,  qu o ico
bvm, coo, oi ‑ mbo, izo 


C. Odisseia, .‑.

Fg. .‑‑ Wt.
102
Vida de Sólon

mi ábio o qu u  mi cojoo o qu o


outo: mi ábio o qu o qu ão compim
o qu  pv; mi cojoo o qu o qu,
compo, tihm mo   opo à tii.
. Dpoi  tic o cto, o povo ão icutiu
qu com Piítto o pomo o úmo o
pot ‑mço, m pmitiu qu  utt 
ui quto qui, à c, té qu cbou
po ocup  Acópo. . Quo ito cotcu, 
ci cou m g gitção, po qu Mégc
ugiu  imito, jutmt com o outo
Acmói. Quto  Sóo, já   i muito
vç  ão poi cot com poit. 
Ai im, o
cocião, ptou‑
p citic ágo
 u  icuou
bui o
 quz,
o i p o icit  p  qu ão ix m
ugi  ib. Foi tão qu pouciou qu
ito mmoáv: qu, pouco t, h ti io mi
áci impi qu  tii  om; m go,
qu  já tv tbci  impt, mp
mio i  mi goio btê ‑  tuí ‑. . No
tto, o qu iguém, po cio, h ptv
tção, gou  c, pgou  m  coocou‑
‑ it  pot qu á p  u, izo: “P
mih pt, i à páti  à i o uxíio qu m
 poív .”  . Dí p  t, mtv ‑

 O gop  Piítto ocou m / (c. [Aitót],


Constituição dos Atenienses, .), um tu m qu Sóo
vi o o tt o.

Com  ção  Putco cocom, m tço gi,
103
Plutarco

tquio, m t o migo qu o cohvm


 ugi. Po cotáio, icv ‑  cv pom
o cuv o Ati: 

S pci, po vo viz, o pio m,

ommo
Vó u ocup ão tibui.
gct  bigo coct
, m toc, cbt im vião.

31. . À cot t vo, muito o vtim


 qu  cbi po  mo to po tio  quo
iquiim m qu  v  p im vi, 
poi: “N vhic.” . No tto, Piítto, o
to‑ ho  itução,  t  om cobiu Sóo
 vo,  ho  mitçõ  miz,
chmo‑o p juto  i, qu t cbou po
tom‑ m u cohio  ouv muito o
u cto. . N v, o tio covou  mio
pt  i  Sóo   pópio  o pimio
 obvá ‑   obig o migo o mmo.  Foi
im qu, o  cito po homicíio it o
Aópgo, quo já  tio,   ptou
guo  g, p   , m o cuo ão

o to  [Aitót], Constituição dos Atenienses, ., 


Dióg Lécio (.).

Fg. .‑ Wt.
 É btt pováv qu Piítto th mtio, o

ci,  gição  Sóo. C. Hóoto (.)  Tucíi


(..‑); cot  hipót, [Aitót], Constituição dos
Atenienses, .. Já  tção pcimt áv ip 
Sóo ão v t vo hitóico, à imgm o qu cotci com
 otíci  ção moo t o oi hom (c. Sol. ).
104
Vida de Sólon

compcu. E mmo pomugou out i, t


 qui  cot  qu tmi qu o topio
 gu jm imto  xp púbic.
. Quto  io, poém, Hci m qu já
t Sóo tih povo um cto p Tipo,
mutio  gu,  qu Piítto impmt o
imit. . M, gu o  xpoição  Toto, ão
oi Sóo qum tbcu  i tiv à ocioi,
m im Piítto, com  qu toou  t mi
poutiv   ci mi tqui.  . O Sóo,
qu iiciou  cção  um g ob ob 
hitói ou   Atâti, qu hvi cuto o
ábio  Si  qu itv o Ati, cbou
po iti,
Ptão,  vio
m tão à t qu
à vhic, tmpo, comoc
h zi m
mgitu o tbho. . D to, qu  tih
vg motm‑o o guit vo: 

vhço, mp muit coi po

 i:

Ago m ão gt  ob  Cípi,  Dioio


  Mu, qu tzm o hom gi.

32..
Como  o o to boo 
um b quit, qu  gum om h chg à
 Vi Sol. ..

Timeu, c‑.

Fg.  Wt.

Fg.  Wt.
105
Plutarco

mão po ptco, z Ptão um qutão  ho


tmi  mbz o tm  Atâti. Eigiu, 
btu, g pótico, ccu  pátio ti como
hum out hitói,  ou poi gum vz
tv. M, poqu t  iiciou, tmiou  vi t
 ob,  quto mi it  pt já cit, mi 
mt  qu cou po cv. . E t como  ci
 At m ção o Olympieion, im o géio 
Ptão, t tt b ob, omt o to ob
Atâti ixou po tmi. . O Sóo tá
i vivio btt tmpo poi  Piítto hv
ituo  tii, o qu t Hci Pôtico;
poém, guo Fâi  Éo, vivu mo  oi
o. N 
coto v,
CómiPiítto ituou
, po qu  tii
m Fâi, o
Sóo
mou ut o mto  Hgétto, qu ocupou
 mgittu poi  Cómi. . Quto à
hitói  ipão  ciz, poi  cmo o
copo, p ih  Smi, é, p u thz,
comptmt ivoími  ái, mbo j


Sob  vtu (m ão gu) ção mii  Sóo
com Ptão, vi icuão m Dvi () ‑.

O Olympieion, iicio m tmpo  Piítto, i
tmio omt po Aio, m / .C., t
qu cotitui tmbém  úic iicção cooógic gu
p tbc um terminus ante quem p  Vida de Sólon.
Cotimt o qu m Putco,  Leis (o mio  tvz o
útimo o iáogo) tmbém cou po tmi.
 É pív  vão  Fâi, guo  qu Sóo tá

moio ut o coto  Hgétto, potto t  


, pouco poi  itução  tii po Piítto, qu 
u ut o mto  Cómi (/).
106
Vida de Sólon

git po outo uto  po, t  o óoo


Aitót.

 A tição  ipão  ciz  Sóo po Smi v


obc o mmo impuo qu vv gu uto  cooc í
o cimto o gio; po out pv, cotitui omt
um co o pp qu o tit mph  coquit 
ttégic ih. Tm, im, zão   o cpticimo  Putco.
107
Vida de Publícola
Introdução

Introdução

A Vida de Publícola trata um período assaz obscuro


da história romana, sobre o qual divergem as tentativas
de reconstituição. Com eeito, há que ter em conta o
género de ontes usadas por Plutarco. rata-se de um
período que depende em muito da tradição consolidada
pelos escritores de Annales do nal da República, que
tendiam a plasmar a história do início segundo os
problemas políticos que vivenciavam no tempo em que
escreviam. O resultado
uma antecipação é que alguns relatos
de acontecimentos, leis ou parecem ser
instituições
bastante tardios.
Em primeiro lugar, é diícil saber onde termina a
história e começa a lenda. A tradição romana atribuía o
m da Monarquia romana a um drama amiliar que levou
a uma revolta palaciana envolvendo o conronto entre
pessoas próximas do último rei, arquínio o Soberbo.

rata-selho
Sexto, do daquele
relato darei,tragédia
depois de oLucrécia, violada
receber em por
sua casa
como hóspede e amiliar que era (.). Consumado o
estupro, a jovem mandou chamar o esposo, arquínio
Colatino, o pai, erêncio, e os amigos Lúcio Júnio
Bruto e Públio Valério, a quem relatou o crime,
suicidando-se em seguida, para que nenhuma mulher
vivesse desonrada à sombra do exemplo de Lucrécia. Os
presentes, horrorizados, decidiram expulsar arquínio e

111
José Luís Brandão

não mais aceitar a presença de reis na cidade (c. Liv.


.-). Levanta suspeita que a tradição literária retrate
arquínio segundo os lugares-comuns tradicionais da
retórica contra a tirania. O relato tem vários elementos
em comum com o da queda da tirania dos Pisistrátidas
em Atenas (T. .-); as personagens têm um
carácter romanesco de conto popular; a saga pode até
ter srcem dramática. Não se percebe muito bem como
é que são os sucessores ao trono que lideram o golpe;
como é que, sendo da amília dos arquínios, são eleitos
cônsules Colatino e Bruto; ou como é que, depois de
uma tentativa abortada de restabelecer o rei, Colatino
teve de ser banido da cidade por pertencer à amília e

Bruto Anão . de Publícola salienta de orma veemente o
Vida
preconceito republicano contra a tirania, nas reerências
a arquínio o soberbo (.), nas suspeitas do povo sobre
Publícola (.-), e que ele próprio desmente, e na lei
radical que Publícola az passar para prevenir tentativas
de restauração da monarquia (.). arquínio é expulso
por ser um tirano, como diz Plutarco: «E quando
arquínio o Soberbo – que nem tinha tomado o poder
honradamente, mas de orma sacrílega e ilegítima, nem o
tinha exercido à maneira de um rei, mas com arrogância
tirânica —, se tornou odioso e opressivo para o povo,
este tomou como motivo da sublevação a desgraça de
Lucrécia, que, por ter sido violada, pôs m à vida») (.).
É verdade que muitos manuais repetem que a abolição


Vide análise de Cornell ()  ss; Forsythe ()  ss.
112
Introdução

da Monarquia marcou o m de um governo etrusco de


Roma, como se se tratasse de uma libertação da opressão
estrangeira. Esta teoria traz consigo a implicação de
que o reino dos arquínios consistiu num eectivo
domínio etrusco de Roma e aparece a par da suposição
de que oi um poder etrusco a trazer a prosperidade
a Roma. al ideia, introduzida pelos historiadores
modernos, está hoje posta em causa, sobretudo por .
J. Cornell. O autor demonstra cabalmente que não
há vestígios literários ou arqueológicos de que assim
tenha acontecido. Não houve expulsão dos Etruscos de
Roma. As ontes literárias reerem apenas a expulsão da
amília de arquínio (que além disso seria também de
ascendência grega);
ser um tirano. e não por
Não houve ele serrejeição
qualquer etrusco,damas por
cultura
(pelo contrário oram adoptados símbolos de poder e
práticas divinatórias) nem se observa diminuição do
comércio com a região etrusca até meados do século V (e
então devido a uma aparente recessão no Mediterrâneo
Ocidental que aectou também o comércio com a
Grécia). A presença, nos Fasti, de nomes como os
Lárcios ( e ), Hermínio () e Aquílio usco
(), apesar de parecerem ter sido interpolados, mostra
que há amílias etruscas associadas ao poder republicano
nascente, ou que os autores antigos não viram razão para
os não interpolarem. O próprio Publícola não mostra
qualquer preconceito ao propor o etrusco Porsena como
mediador do conito com arquínio e ao concluir uma


Vide Cornell () -.
113
José Luís Brandão

aliança com ele (). A Vida de Publícola reecte uma


opinião bastante avorável em relação àquele rei de
Clúsio, que é retratado como homem de grande honra
(.; .-).
A tradição patriótica estabelecida pelos escritores
de Annales do nal da República, repetida em Lívio e
acolhida por Plutarco, diz que Porsena atacou Roma
com a intenção de restabelecer arquínio no trono, mas
que acabou por desistir ao ver a coragem dos Romanos,
maniesta nos eitos exemplares de Horácio Cócles
(.-), Múcio Cévola (.-) e da jovem Clélia
(). É evidente o carácter patriótico e moralizante
destas aventuras heróicas. Nenhum general desistiria de
uma guerra
Plutarco no comovido
geral seguepela determinação
a tradição. do adversário.
A verdade é que duas
ontes antigas romanas contam que Porsena tomou de
acto Roma – ácito (Hist. .) e Plínio (Nat. .)
–, o que revela a presença de uma versão alternativa
à “ocial”. Alöldi ( -) sustenta que a
monarquia caiu na sequência da tomada de Roma por
Porsena, e arquínio, deposto ou em uga, encontrou
apoio junto dos Latinos. Porsena parece, de acto, ter
vindo quebrar a unidade que se estabelecera no Lácio.
Perante a tomada de Roma, os Latinos renovaram a Liga
Latina, centrada agora em volta do santuário de Arícia
(e não já do templo do Aventino, undado por Sérvio
úlio segundo a tradição), Roma aparece excluída deste
pacto, por estar nas mãos de Porsena, e úsculo torna-se

114
Introdução

predominante. Sabemos por outra via – a chamada


Crónica de Cumas – que a tentativa deste rei de Clúsio
de controlar o Lácio, depois de ter eito as pazes com
Roma, terá conduzido à batalha de Arícia em ,
na qual Arrunte, lho de Porsena, oi derrotado pelos
Latinos, apoiados por Aristodemo, tirano de Cumas.
Como consequência desta alteração de poder e de
alianças no Lácio, os Romanos viram-se rente a rente
com uma coligação latina que apoiava as pretensões de
arquínio, situação resolvida na batalha do Lago Regilo,
em  (segundo Lívio, .-) ou  (segundo
Dionísio de Halicarnasso, .ss), na qual se disse que
o próprio arquínio, já nonagenário, terá combatido.
Uma questão
da instauração bastante controversa
da República. O acto de éosa cônsules
da data
darem o nome ao ano tornava-se uma reerência para os
escritores de Annales: dava-lhes uma ideia aproximada
de quando a República teve início. As listas de cônsules


O número de povos que integraram esta conederação varia
segundo os autores: Dionísio de Halicarnasso (..) diz que
oram todos os Latinos; e Lívio (..; c. Plin. Nat. .) diz
que oram  povos. Mas Dionísio (..), no elenco das cidades,
apresenta  e exclui Roma (c. ..).

DH .. Da Crónica de Cumas (Kumaika) sobrevive um
excerto sobre a vida do tirano de Cumas, Aristodemo o Eeminado,
da autoria de Hipéroco, interpolado pelo próprio Dionísio no seu
texto (.-). A narrativa patenteia o estilo trágico da historiograa
helenística (claramente distinto do de Dionísio, que anuncia o
excurso em .) e que não parece ter sorido a contaminação dos
escritores de Annales romanos. Esta onte, cuja cronologia diverge
alguns anos da dos historiadores romanos, provará que a gura de
Porsena é histórica. Vide Alöldi ()  ss.

Vide Forsythe () -.
115
José Luís Brandão

chegam-nos principalmente através de Dionísio de


Halicarnasso, ito Lívio, Diodoro Sículo e da inscrição
colocada por Augusto no Foro, conhecida como Fasti
Capitolini. Estas ontes devem-se basear nos registos
anuais dos Pontíces, compilados no século II a.C. nos
Annales Maximi. Mas a este método de contagem outro
se acrescentava: o costume de se colocar anualmente,
pelo aniversário da dedicação do templo do Capitólio
(a  de Setembro), um prego na cella de Minerva do
reerido templo, modo de numeração que remonta
a uma ase em que os relatos escritos eram escassos.
Havia, pois, uma tradição ortemente enraizada de que
o templo do Capitólio ora dedicado no primeiro ano
da República,
Plínio o Velhoo(Nat.
que ..)
parece demasiada
acrescentacoincidência.
outro dado:
diz que, em , o edil Gneu Flávio contou  anos
da dedicação do emplo de Júpiter, apontando, assim,
para a data de  a.C., precisamente um ano depois da
data tradicional da queda de arquínio. Em desacordo
com Políbio (..), Lívio (..-), Valério Máximo
(..) e Plutarco (Publ. .; .) apresentam-se
ácito (.) e Dionísio de Halicarnasso (..), que
colocam a consagração do monumento no terceiro ano
da República, no segundo consulado de Horácio, o
que az suspeitar que se tenha inventado um primeiro
consulado, em , para azer coincidir a consagração


C. Serv. Ad Aen. I, ; Cic. De orat. .. Vide Gabba
() .

Liv. .. ss
116
Introdução

com o início da República. Outros acham que oi


consagrado em , mas antes do m da monarquia.
A lista de cônsules parece ser orjada, através
da inserção articial de nomes, para azer coincidir
o início da República com a data tradicional de :
há quem pense que só tem valor a partir de , e
que, antes dessa data, pode ter sido completada com
guras lendárias ligadas ao m da monarquia, como
Bruto, Colatino, Lucrécio e o próprio Publícola .
Além disso, a presença entre os cônsules da lista de
 a  de nomes que sabemos serem plebeus
na República tardia parece contradizer a tradição
de que o primeiro cônsul plebeu oi eleito em .
Suspeita-se de que
por redactores tais dos
plebeus nomes tenham
Annales dossido inseridos
pontíces, na
mira de honrarem a classe. Mas também não é insólito
que certas amílias plebeias tenham adoptado nomes
patrícios de amílias extintas, visto que era comum
amílias apresentarem ramos plebeus . Além disso,
vê-se que os cognomina destes primeiros magistrados
são, na verdade, alcunhas, com um sentido pejorativo,
como é o caso de Brutus ‘estúpido’, mas também de


Vide Forsythe () .

Segundo Alöldi () -; ; , o templo oi
consagrado em  ainda por arquínio, rei que teria sido expulso
em . E o nome de M. Horácio, que, segundo as ontes, se lia
na arquitrave, seria o de M. Horácio tribunus militum consulari
potestate que levou a cabo a nova dedicação em , depois do
saque gaulês.

Segundo Alöldi () -, a lista só é ável a partir de
. Vide Heurgon () -.

Vide Cornell () ss; Forsythe () -.
117
José Luís Brandão

Publícola , nome problemático cuja inserção na lista de


cônsules ( fasti ) alguns consideram ser tardia .
Se a própria gura de Publícola tem sido
considerada lendária por alguns estudiosos, a
descoberta em  do chamado Lápis Satricanus (a
pedra de Sátrico) veio relançar o debate: a inscrição,
datada de cerca de  a.C., reere uma dedicatória a
Marte por parte dos companheiros (sodales) de Poplios
Valesios, que poderá ser identicado com Públio Valério
Publícola. rata-se do testemunho de um grupo que se
identica não por reerência a um estado ou a uma etnia
mas como companheiros de um líder; uma evidência
arqueológica que vem corroborar a existência naquela
época de “conrarias”
comandados por senhoresaristocráticas de parece
da guerra, como guerreiros
ser
também o caso de Porsena . al senhor da guerra parece


estar de acordo com as qualidades militares exaltadas


nesta Vida, sobretudo na guerra contra os Sabinos e


Vide Alöldi () -. Este autor considera que a
justicação populi colendi causa é errada, porque populus nos
primeiros tempos incluía também o senado, assim como é também
orjada a interpretação plebicola. O nome também pode signicar
‘aquele que habita em público’; ou ainda ‘o que honra a juventude
(pubes)’: vide Gagé () -.

Vide Flacelière, Chambry & Juneaux () ; Alöldi
() -.

Na época era comum senhores de guerra de srcem
aristocrática cruzarem as ronteiras com os seus bandos de clientes
ou companheiros (sodales). Parece ser esse o caso, por exemplo, do
massacre dos  Fábios apanhados numa emboscada na guerra
contra Veios em . Não se trataria pois de membros da mesma
amília em sentido restrito, mas mais provavelmente dos Fábios e
dos seus clientes. Vide Cornell () -.
118
Introdução

Latinos (.-.); mas, em contrapartida, parece


ter pouco a ver com a ideia de um constitucionalista
democrático que a história romana transmite sobre
Publícola.
A esta distância, o que poderemos dizer é que por
volta de  a.C. ocorreu uma transormação de um
regime monárquico para o regime republicano. É diícil
precisar o ano, se é que ocorreu só num ano; é diícil
reconstituir os actos que levaram a esta transormação –
se oi um conito dinástico que Porsena aproveitou em
seu beneício, ou se oi o culminar de uma transormação
política natural, acaso avorecida por problemas
económicos e conitos sociais. Havia então na Itália
Central
dos reis,uma
pelo tendência para a aristocracia
que aproveitavam tomarquando
a oportunidade o lugar
o trono vagava. Porsena pode ter intererido de
alguma maneira e inuenciado a transição de poder.
E a presença de nomes etruscos na lista de cônsules
do início pode indiciar tal inuência. Mas, por outro
lado, se excluirmos erros menores nas listas de cônsules
e algumas variações de onte para onte, no essencial a
cronologia parece ser ável, uma vez que há conrmação


Como nota Wiseman () .

Vide Cornell () .

Como arma Alöldi () -.
 Uma hipótese, deendida por Forsythe (), -, é a

de que, com a tomada de Roma, Porsena tenha dividido o poder


entre a amília real, representada por Colatino, e Bruto, como
contra-poder Com a derrota de Arícia, Porsena perdeu as suas
.

aspirações, e as amílias aristocráticas mantiveram o poder entre


dois chees.
119
José Luís Brandão

de ontes independentes com resultados aproximados.


odas as sequências de cônsules apontam para um
começo para o nal do século VI a.C., entre  e .
Políbio (..-) estabelece que os primeiros cônsules,
Bruto e Horácio, exerceram a magistratura  anos antes
da travessia de Xerxes para a Grécia, provavelmente
a pensar no ano da batalha de Salamina ( a.C.).
Dionísio de Halicarnasso (..) diz que a República
teve início no ano da º Olimpíada (/ a.C.),
seguindo visivelmente a tradição romana. Fontes gregas
reerem a batalha de Arícia contra o lho de Porsena em
 a.C. e o saque de Roma pelos Gauleses em 
ou .
Outro estabelece
A tradição problema éumade natureza
transiçãoconstitucional.
imediata da
Monarquia para a República, mas não é improvável
que um período de instabilidade tenha existido antes
de as instituições republicanas uncionarem. As ontes
principais apresentam a mudança de orma simplista:
o rei oi substituído por dois cônsules nos comícios
por centúrias – é o que nos diz ito Lívio (..); e
Dionísio de Halicarnasso (..) salienta que a eleição
se ez segundo o costume dos antepassados. Os cônsules
eram magistrados epónimos, detentores de imperium,
pelo que podiam comandar exércitos; e eram eleitos nas
assembleias por centúrias (os comitia centuriata – cuja

 É o que reporta o excerto de Hipéroco (a chamada Crónica


de Cumas) transcrito por Dionísio de Halicarnasso (. ). Vide
Forsythe () -.

D.H. ...
120
Introdução

criação era atribuída a Sérvio úlio), dada a natureza


militar. Detinham poder igual (eram collegae) e podiam
bloquear-se um ao outro. Como insígnias tinham a
toga pretexta, a cadeira curul e eram acompanhados por
lictores, os  ociais que transportavam os eixes de
varas (fasces), símbolo do poder de castigar (inicialmente
os fasces eram usados activamente nas punições, como se
vê na Vida de Publícola .). No meio das varas estava
encastrado um machado, que mais tarde seria suprimido
dentro da cidade (.), em resultado da aprovação do
direito de appelatio ad populum perante uma decisão de
um magistrado e para minorar a aparência de pompa
ligada aos símbolos do poder.
Parece
praetores queireno
(de prae : ‘ir início seriam
à rente’, designados
‘comandar’), por
segundo
Festo (L), dada a sua unção de comandantes
militares. Os historiadores modernos começaram a
perceber que a palavra consul salienta a natureza colegial
da unção e alguns, na sequência de De Martino,
sugerem que talvez seja uma criação de . A tradição
reere que os magistrados superiores eram dois desde
o início da República com igual autoridade. Mas a já
reerida passagem de Lívio (.) sobre a restauração da
prática antiga (lex uetusta) de nomear um ditador para
colocar um prego no templo do Capitólio, esclarece
 Wardman () .
 Poderá ter sido modelada sobre Praesul, correspondente
religioso de praetor, em que consul patenteia pela mudança de
prexo (cum em vez de prae) a evolução constitucional, salientando
a colegialidade da unção. Vide Heurgon () ; Forsythe
() -.
121
José Luís Brandão

que era uma observância levada a cabo no início pelo


praetor maximus. A expressão tem causado perplexidade
porque o superlativo parece supor mais do que dois
magistrados, mas há dúvidas de que assim osse. Há
quem sugira que o rei oi substituído pelo ditador (o
magister populi), que por sua vez se azia acompanhar
do mestre de cavalaria (o magister equitum); e como
os dois nomes apareciam emparelhados na lista (os
Fasti), oram interpretados como cônsules. Realmente,
Publícola no relato de Plutarco parece apresentar-se por
vezes como magister populi. Outros continuam a achar
que não há razões válidas para negar que os magistrados
superiores oram sempre dois, porquanto a colegialidade

era
queum
emprincípio antiquíssimo
/ estivesse . Não
um praetor pareceaimprovável
maximus encabeçar
os colegas e que acabasse por ser esquecido devido
aos desenvolvimentos posteriores da nomenclatura


Forsythe () , assinala que, tal como praetor
corresponde ao grego strategos, praetore maximum corresponderia
a strategos hypatos. Nessa altura, praetor designaria genericamente
‘magistratrura’. Ora hypatos é a palavra geralmente usada para
traduzir cônsul. Maximus, neste caso, poderia ser para distinguir
do seu colega o que detinha os asces.

Vide Mazzarino () -. A tradição dizia que o
primeiro ditador ora nomeado em  a.C.

É a hipótese de Alöldi () . Vide Gagé () .
 Vide Gagé () -.
 É o que pensa Giovanini () . A ditadura nunca oi na

época histórica uma magistratura independente (os cônsules que


o nomeavam mantinham o cargo) e as competências do ditador
limitavam-se a um campo bem denido. Vide Forsythe ()
.
122
Introdução

institucional. Mas também é plausível que, nos


primeiros dois séculos da denominada República, não
houvesse apenas um sistema político em Roma.
Bruto mereceu ser considerado o undador da
liberdade republicana porque era o primeiro da lista
dos cônsules. Segundo Forsythe ( -),
Bruto e Colatino devem ser retidos como os primeiros
cônsules, mas Lucrécio, Publícola e Horácio devem
ser removidos do primeiro ano da República, porque
oram adicionados posteriormente para azer coincidir
a prouocatio (que muitos consideram uma antecipação
da lei de ) e a dedicação do templo do Capitólio
com o primeiro ano da República. Quanto ao direito
de apelo ( prouocatio
aparecesse ormulada ), causou
em trêssuspeita que,
ocasiões: a lex Valeria
 e
 a.C. ende-se a aceitar como genuína a última
e a considerar a primeira como pura cção . Mas é
preciso evitar conundir prouocatio ad populum com


Vide Heurgon () -; Wiseman () .

É o que pensa Flower () -. A autora apresenta uma
hipótese de periodização que tenta reconstruir as ases em que
existiram dierentes modelos. A primeira ase, pré-republicana no
carácter, da experimentação com largos quadros de magistrados
diíceis de denir num padrão e não imitados na República tardia. A
segunda ase, com início em  (data que considera mais provável
da dedicação dos templos do Capitólio e do Aventino) e termo
em /, seria a ase proto-republicana. A terceira ase consistiria
em experimentação política: a alternativa dos tribunos militares. A
partir de /, temos a substituição dos quadros de magistrado
por dois cônsules anuais, cargo partilhado entre patrícios e plebeus:
entre  e  temos como que uma segunda República em que
os nobiles se consolidam no poder.

Vide Forsythe () .
123
José Luís Brandão

conquistas da plebe, quando são coisas diversas .


Independentemente de o relato poder ser ccionado
e etiológico, há indicações de que o direito de apelo,
prouocatio ad populum , de todos os cidadãos contra as
decisões dos magistrados já existia há muito, e estava
ora da alçada dos tribunos da plebe. É um direito não
da plebe, mas do povo, isto é, de qualquer cidadão,
enquanto cidadão romano. E é válido mesmo ora
da cidade. Por outro lado, não há meio de provar
que as três leis eram de acto idênticas, como assinala
Cornell ( ). O propósito da lei de  seria
não a garantia de apelo em si, mas proibir a criação
de magistraturas que não estivessem submetidas a tal
direito:
apelo jáassim,
existia,a lei de 
como, de pressupõe
resto, está que o direito
expresso na de
lei
das XII tábuas (.-). Além disso, era hábito dos
Romanos legislarem repetidamente sobre os mesmos
assuntos, incorporando determinações anteriores
e garantindo, assim, dinamismo à constituição
republicana. Portanto, há que através da crítica reter
o undamental: apesar das inserções ou omissões na
listas dos cônsules, das dierenças dos relatos que nos
chegaram, e da possível actualização da terminologia
constitucional, a memória sobre o início da República
seria orte e era controlada por autoridades religiosas

rata-se da conusão de populus com plebs e de prouocatio ad


populum com o ius auxilii – que era uma conquista revolucionária
especíca da plebe: o direito dos tribunos de se oporem a uma
decisão de um magistrado mesmo que osse legal. Um protecção
contra o estado patrício. Vide Giovannini () -.
124
Introdução

que garantiam a continuidade: conheciam bem o


essencial da tradição de cor e poderiam reazê-la em
caso de destruição de documentos nas catástroes.
Outra questão resulta da abilidade dos
historiadores antigos no que respeita à interpretação
dos dados que tinham ao dispor sobre os primeiros
tempos da República. Em comparação com os Gregos,
a historiograa em Roma inicia-se muito tarde – com
Fábio Pictor, em nais do século III a.C. E seria baseada
na transmissão oral, que é ável apenas durante algumas
gerações: os estudiosos sugerem três. De qualquer modo,
Fábio Pictor (e, segundo parece, outros historiadores da
época) debruça-se sobre o período da undação e sobre
os tempos primitiva.
República mais próximos de si, descartando
Este senador, membro daaelite
asedos
da
nobiles que se desenvolveu no decorrer do século IV,
regista em grego os eitos dos Romanos, para celebrar
a gesta da classe a que pertence e os valores que cultiva.
Nos Annales de Énio e de L. Calpúrnio Pisão Frúgi, a
monarquia é tratada de modo mais detalhado do que
os primeiros tempos da República, e a inormação só
volta a expandir-se mais tarde. udo indica, pois, que
o princípio da República oi esquecido uma vez que as
instituições oram suplantadas por desenvolvimentos
políticos posteriores. No entanto, a inormação sobre
o início da República apresenta-se mais detalhada
em Lívio e em Dionísio de Halicarnasso. Há indícios
de que os relatos que possuímos sobre o início da
República se baseiam em ontes que representaram os
acontecimentos à luz do momento político que viviam

125
José Luís Brandão

e projectaram retroactivamente actos do seu tempo


marcados pelos conitos entre aristocratas e populares.
Os responsáveis por esta expansão dos relatos do
início da República terão sido Gneu Gélio, autor de
uns Annales (c.  a.C.), carregados de pormenores
de antiquária, e Licínio Macro, amoso tribuno de
, que se terá interessado pelo desenvolvimento das
instituições da plebe, escrevendo annales de um ponto
de vista democrático, com o intuito de gloricar os
seus antepassados plebeus. Valério Ântias, escritor do
tempo de Sula (citado nas Vidas de Rómulo, de Numa
e de Flamínio), pode ser o responsável pela imagem
positiva de Publícola, na tentativa de engrandecer o
seu
dos antepassado. Este
três consulados autor pode
contínuos ter sidoPublícola,
de Valério o inventordo
consulado do irmão no quarto ano, de Publícola de
novo no quinto e dos eitos de Valéria, lha daquele. É
igualmente possível que Valério Messala Corvino tenha,
nas suas Memórias ou noutra obra, engrandecido o seu
antepassado, uma vez que o próprio Plutarco reporta
a Publícola a nobreza desta linhagem (.). Outra
inuência importante para o engrandecimento do herói
desta Vida será Cícero (Rep. .; .).
Na Vida de Publícola, há, de acto, diversos sinais
de retrospecção. Figuram, pois, diversos episódios que
remetem para o nal da República e que aproximam
Publícola ora dos populares ora dos optimates. Por


Vide Raaaub () -.

Vide Alöldi ()  e n. 

Vide Flacelière, Chambry & Juneaux () -.
126
Introdução

exemplo, a renúncia voluntária de Colatino ao consulado


(.), em vez da demissão orçada, parece reectir uma
versão menos conhecida (posta a circular pelos populares)
de uma renúncia legal do tribuno da plebe Octávio que
sustinha a posição aristocrática contra a reorma Agrária
de ibério Graco em  a.C. A mudança da casa de
Publícola para um local menos aparatoso (.-)
espelha uma deslocação semelhante por parte de Gaio
Graco (Plutarco, C. Gr. .). A undação da colónia de
Sígnia em tempo de guerra com Porsena (.) parece
antecipar a ausência de Gaio Graco para a undação da
colónia de Cartago no auge da luta com os optimates.
A contradição entre a lei da prouocatio e a permissão,
explicitamente
julgamento quem declarada anti-popular,
aspirasse de eliminar
à tirania parece sem
antecipar
conitos legais que se levantaram no caso da morte
dos Gracos, de Saturnino e dos cúmplices de Catilina
em resultado de senatusconsulta ultima, considerados
depois ilegais pelos populares. Rabírio oi, mais tarde,
perseguido pela morte de Saturnino, e Cícero, que o
deendera, não se livrou ele próprio do exílio, por, no
exercício do seu consulado, ter ordenado a execução
dos sequazes de Catilina. As acusações de simpatia pela
monarquia eitas a Publícola (.; .; .) parecem
reexo da adfectatio regni de que eram acusados os
Gracos, Saturnino, Sula, Catilina e César. A intersecção e
uso das cartas dos Aquílios e dos Vitélios para arquínio
remete para a apreensão das cartas dos cúmplices de
Catilina na posse dos Alóbroges. ambém o juramento
de sangue pronunciado pelos que preparam o golpe

127
José Luís Brandão

para o restabelecimento de arquínio no trono (.)


evoca um mórbido episódio da conspiração de Catilina,
narrado com contornos dramáticos por Salústio (Cat.
). As críticas ao aparato do triuno, desvalorizadas
pelo autor (.), lembram o triuno decretado a César
(D.C. ..), e o uneral a expensas públicas recorda
o de Sula, a quem tal oi concedido pela primeira vez.
Parece ter havido, quer por parte dos optimates quer
dos populares, uma busca de undamento para a sua
actividade na gura de Publícola que deixou reexos
por vezes contraditórios na tradição historiográca.
al oscilação é aproveitada por Plutarco para a
caracterização do herói como modelo de equilíbrio entre
uma autoridade
avoráveis ao povopessoal moderada
(-), e salutar
pregurando e políticas
de certo modo
a concordia ordinum almejada por Cícero.
O acto de versar sobre um período obscuro
torna esta Vida algo especial, onde se percebe a alta de
material biográco para a composição. al lacuna pode
justicar as requentes digressões em que a gura central
é como que esquecida (; ; ; ) e uma recorrente
busca de reúgio no tempo da redacção da Vida (.; .;
.; .; .; .; ; .; .). Ao descrever
a primeira morada de Publícola e a indignação que esta
causou entre o povo, acto que levou o herói a arrasá-la,
numa demonstração de democraticidade (.-),
Plutarco exagera a opulência de uma orma que se não


Para o desenvolvimento destes e de outros pontos de contacto
entre esta Vida e o nal da República, vide Afortunati & Scardigli
() -; Afortunati () -.
128
Introdução

coaduna com os hábitos do início da República, pelo que


parece sorer a inuência dos topoi da retórica contra a
arrogância e e sumptuosidade dos tiranos. Mas Plutarco
parece estar a pensar concretamente, como nota Stadter
( ), na desmesura do palácio de Domiciano,
cuja sumptuosidade increpa mais adiante (.-), num
à parte sobre os excessos arquitectónicos do imperador,
integrado na digressão sobre as vicissitudes do templo de
Júpiter Capitolino. E da associação entre a primeira casa
de Publícola e o palácio do terceiro dos Flávios resulta
implícita a aprovação da decisão democrática de Nerva
e rajano por terem transormado a Domus Flavia
em Aedes Publicae. Já o poeta Marcial (Sp. ) havia
louvado Vespasiano
pelo acto e ito (pai eoirmão
de, ao construírem de Domiciano)
Anteatro Flávio (o
chamado Coliseu), terem devolvido à Urbe o que antes
pertencera à Domus Aurea, o palácio do tirânico Nero.
A tirania estava associada a sumptuosidade, rapacidade
e arrogância, e a retórica contra a autocracia incluía o
tratamento destes vícios.
Ao contrário de Domiciano, a política construtiva
de Vespasiano é considerada oportuna, nomeadamente
a reconstrução do templo de Júpiter, pela qual o
imperador é considerado mais aortunado que Sula,
uma vez que viveu para ver a sua construção, mas não
 Segundo Frazier () -, a tónica na grandiosidade
da construção (em Liv. .., só está em questão a localização)
evoca os palácios e a pompa helenísticos. Vide também Wardman
() -.

C. Plin. Pan. .; CIL .. Vide Stadter () -;
Boatwright () .
129
José Luís Brandão

para ver a destruição (Publ. .). Plutarco guarda uma


imagem positiva de Vespasiano. Com eeito, oi Méstrio
Floro, íntimo do imperador (c. Suet. Ves. ), quem
garantiu a cidadania Romana ao Queronense e oi ele
que o acompanhou na viagem ao campo de batalha
de Betríaco, onde se derontaram as tropas de Otão
e Vitélio, como o autor testemunha (Plu. Oth. .;
.). Vemos que Plutarco, como Suetónio, segue
uma tradição já denida avorável a Vespasiano e a ito
e desavorável a Domiciano. E a tomada de posição
hostil a Domiciano (Publ. .-) sugere uma data de
composição da Vida de Publícola seguramente posterior
a , ano do assassínio daquele imperador.
A colocação
na synkrisis em paralelo
pelo acto com Sólon
de Publícola imitaré justicada
o modelo
grego e este ornecer o undamento para a excelência
daquele varão romano (.; .). Pode-se perguntar
porque é que Plutarco não emparelhou Sólon antes
com Sérvio úlio, dada a natureza das reormas que a
tradição lhe atribui. Além disso, Plutarco agrupa uma
gura histórica grega com uma gura considerada
em grande parte lendária. Há tentativas anteriores
a Plutarco, nomeadamente de Cícero e Dionísio de
Halicarnasso, de conectar com Sólon Valério ou os
seus descendentes, no que se reere à prouocatio, à
 Vide Jones () ; Brandão () ; .
 Se tomássemos em sentido estrito a reerência (.) aos
seiscentos anos da morte de Publícola (ocorrida em  segundo
a tradição) apontaríamos para . Vide Flacelière, Chambry &
Juneaux () ; Jones () .
 Vide Alöldi () .

130
Introdução

abolição das dívidas e à proibição do enterro dentro


da cidade, com excepção para a amília dos Valérios.
De acto, Plutarco parece ter à mão a obra de Dionísio
de Halicarnasso. A ligação de legislação undamental
a Sólon aparenta ser um lugar-comum ligado à tradição
das XII tábuas, e as matérias constitucionais presentes em
Cícero deviam ser conhecidas de Plutarco. Mas, à parte
ligações preestabelecidas pelas ontes, o Queronense
dá bastante relevo à questão da luta contra a tirania
que, incompleta em Sólon, se consuma em Publícola,
como diz o autor na comparação nal (.-; .).
Apresenta Publícola como uma espécie de ensaiador
na prática política das determinações de Sólon. Como
vimos,
no seu Plutarco,
tempo e ao compor moralizadores;
objectivos o Publícola, teme, osao olhos
criar
o duo Sólon-Publícola, estabelece implicitamente uma
potencial relação entre o sage e o imperador, como
sugere Stadter ( ).
Esta Vida revela-se uma onte de inormação
relevante e mesmo srcinal: não só atribui a Publícola
eitos ou decisões que o resto da tradição atribui a terceiros,
o que pode resultar da técnica biográca de se centrar
no herói em causa, mas apresenta também alguns dados
novos; e não só sobre aspectos histórico-biográcos,


C. Cic. Rep. .-. Dionísio de Halicarnasso (..) cita
o exemplo de Sólon para sustentar o perdão das dívidas proposto
pelo lho de Publícola.
 C. Cic. Leg. ..

Vide Flacelière, Chambry & Juneaux () .

Vide Afortunati & Scardigli () -; Afortunati
() -.
131
José Luís Brandão

como o receio do povo de que Publícola se aliasse aos


arquínios, depois de não ter sido eleito como colega
de consulado de Bruto (.), e a entrada triunal em
Roma numa quadriga (.), mas é também onte de
inormação relevante sobre legislação, como a da multa
por desobediência aos cônsules, uma lei considerada
popular (.) , sobre a da eleição dos questores para
o erário (.) e sobre a da permissão de matar sem
julgamento quem aspirasse à tirania (.-). Se as
biograas tendem a centrar-se na pessoa do biograado,
a verdade é que esta Vida apresenta excursos para tratar
outros heróis do mesmo contexto histórico-lendário:
Horácio Cocles, Múcio Cévola, Clélia. Parece mais

uma monograa antiga
por conseguinte, que se
acaba por uma biograamais
interessar toutdo
court , e,
é usual
nas Vidas pela inuência histórica do herói. Com a
composição desta obra Plutarco apresenta ao leitor grego
não só uma análise caracterológica de Publícola, como
seria de esperar numa biograa, mas uma visão global
sobre a undação e consolidação da República romana e


A colocação de um limite para a multa era uma novidade
avorável aos cidadãos. Plutarco atribui a Publícola as determinações
da lex Aternia Tarpeia sobre o valor da multa (c. D.H. ..).
Sobre estas leis, vide Peruzzi () -; ; .

Vide Afortunati & Scardigli () -

Vide, neste volume, observações de D. Leão, na introdução
à Vida de Sólon, sobre o desenvolvimento do género biográco na
antiguidade; Leão () -.
 Se Plutarco, mais preocupado com as qualidades individuais,

raramente salienta a inuência histórica dos biograados, abre, no


entanto, uma excepção para os legisladores Licurgo e Sólon, Numa
e Publícola, como nota Russel () .
132
Introdução

sobre a perenidade dos seus princípios político-morais,


que são repristinados a uma época heróica da história
de Roma.

133
Vida de Publícola
Vida de Publícola

1.. Uma vez que assim se revelou Sólon, a par


dele colocamos Publícola, para quem o povo romano
encontrou mais tarde este nome a título de honra. É
que antes chamava-se Públio Valério, e parece que
era descendente daquele Valério dos tempos antigos,
o varão responsável por os Romanos e os Sabinos, de
inimigos que eram, se tornarem um só povo, já que
oi sobretudo ele que convenceu os reis a reunirem-se
e a reconciliarem-se. . Sendo, pois, descendente dele,
segundo
por reis,dizem, Valério,pela
distinguia-se enquanto
palavraRoma
e pelaoiriqueza:
governada
da


O nome era Voluso Valério. O contexto é o dos conitos
entre Romanos e Sabinos, cujo episódio mais amoso é o rapto das
mulheres sabinas, conito que terminou na união dos dois povos,
sob a liderança de Rómulo e ito ácio, como relata Plutarco na
sua Vida de Rómulo (.).
 A tradição, em que lenda e actos históricos se misturam,

fxa-se em sete reis (oito com ito ácio, que terá governado com
Rómulo). Estes apresentam diversas srcens: latina (Rómulo, ulo
Hostílio), sabina (ácio, Numa Pompílio, Anco Márcio) e etrusca
(os arquínios); incluem mesmo um antigo escravo (Sérvio úlio).
Uma tradição, conhecida do imperador Cláudio (estudioso dos
Etruscos) e pintada num túmulo de Vulcos, identifca Sérvio úlio
com um caudilho etrusco de nome Mastarna. Os arquínios teriam
srcem etrusca (pelo menos em parte), o que levou os historiadores
modernos a alarem de um domínio etrusco de Roma. Esta ideia
tem sido nos nossos dias posta em causa. Quando arquínio oi
derrubado, os etruscos que viviam em Roma não oram expulsos
e o comércio, bem como as trocas comerciais e artísticas com as
cidades etruscas, continuaram orescentes.
137
Plutarco

primeira azia uso com rectidão e denodo na deesa da


justiça; com a última dava assistência aos necessitados
de orma liberal e caritativa. Era por demais evidente
que, se surgisse a República, ocuparia o primeiro lugar.
. E quando arquínio o Soberbo – que nem tinha
tomado o poder honradamente, mas de orma sacrílega
e ilegítima, nem o tinha exercido à maneira de um
rei, mas com arrogância tirânica –, se tornou odioso
e opressivo para o povo, este tomou como motivo da
sublevação a desgraça de Lucrécia, que, por ter sido
violada, pôs fm à vida. Ora Lúcio Bruto, empenhado
em mudar a situação política, oi, antes de mais, ter
com Valério, e com a sua mais que pronta ajuda tratou
de
povoexpulsar
elegesseos um
reis.general
Enquanto
paraseoestava
lugar àdoespera que o
rei, Valério
manteve-se sossegado, no pressuposto de que governar
competia preerencialmente a Bruto, que se tornara
o guia para a liberdade. . Mas, quando o povo, que
estava agastado com o nome de monarquia e julgava
que seria menos penoso submeter-se a um poder


Plutarco traduz Respublica pelo grego demokratia.

rata-se do último rei de Roma, que se tornou modelo retórico
de tirano: a tirania oi o motivo da expulsão, e não a srcem etrusca.

inha usurpado o poder sem passar pelo escrutínio do
interregnum (que alguns investigadores azem remontar à época
monárquica), e tinha inclusive assassinado o sogro, o rei Sérvio
úlio, considerado bom pela tradição.

Segundo a lenda, Lucrécia, esposa de arquínio Colatino,
oi violada por Sexto arquínio, flho de arquínio o Soberbo.
Depois de revelar o crime e reclamar vingança, suicidou-se para
que nenhuma mulher vivesse desonrada à sombra de Lucrécia. C.
D. H. .-; Liv. ..-.
138
Vida de Publícola

partilhado, propôs e reclamou dois magistrados, ele,


que acalentava a esperança de ser escolhido a seguir a
Bruto e de ser seu colega de consulado, apanhou uma
desilusão. . Contra a vontade de Bruto, oi, pois, eleito
como seu colega de magistratura, em lugar de Valério,
arquínio Colatino, o esposo de Lucrécia; não que ele
excedesse o valor de Valério, mas os inuentes, temendo
os reis, que continuavam a azer diversas tentativas de
ora e a aplacar a cidade, queriam ter no comando o
mais encarniçado inimigo deles, na suposição de que
não se deixaria subjugar.

2.. Então Valério fcou ressentido por não


acreditarem que tudo aria em prol da pátria, só pelo acto
 A tradição apresenta a mudança de orma simplista: o rei
é substituído por dois cônsules segundo ito Lívio (..) e
Dionísio de Halicarnasso (..). Mas não é improvável que um
período de instabilidade tenha existido antes de as instituições
republicanas uncionarem. A reerência, neste passo, à proposta de
um poder partilhado parece sugerir um apereiçoamento de uma
situação inicial em que um só magistrado governaria. A pesquisa
arqueológica parece confrmar a transormação política por volta
de  a.C. A maioria dos autores aceita esta data arredondada.

Os cônsules (o termo grego é hypatos) eram magistrados
epónimos, detentores de imperium (podiam comandar exércitos),
eleitos nas assembleias por centúrias (os comitia centuriata), dada
a natureza militar do cargo. Os cônsules detinham poder igual
(eram collegae) e podiam bloquear-se um ao outro. Como insígnias
usavam a toga praetexta (bordada a púrpura), a cadeira curul e eram
acompanhados por  lictores. Parece que no início, segundo Festo
(L), seriam designados por praetores (de prae ire: ‘ir à rente’,
‘comandar’), dada a sua unção de comandantes militares. Os
historiadores modernos azem notar que a palavra consul salienta
a natureza colegial da unção. Há quem pretenda que estes
magistrados epónimos poderiam já existir no tempo dos reis.
139
Plutarco

de nenhum mal pessoal ter sorido da parte dos tiranos.


Manteve-se aastado do senado, renunciou ao tribunal e
abandonou por completo toda a vida pública, ao ponto
de dar que alar a muitos e lhes provocar inquietação,
com medo de que ele, por melindre, se passasse para o
lado dos reis e arruinasse a situação política e a cidade
ainda instável. . E quando Bruto, que nutria suspeitas
em relação a alguns outros, quis que o senado fzesse um
juramento sobre uma vítima imolada e anunciou a data,
logo Valério, descendo a transbordar de alegria ao Foro,
oi o primeiro a jurar que não se submeteria nem cederia
aos arquínios, mas que combateria com todas as orças
em deesa da liberdade, atitude que agradou ao senado
e, ao mesmo
obras tempo, encorajou
dele confrmaram os cônsules.
o juramento. . E logo
Chegaram, as
pois,
mensageiros da parte de arquínio, portadores de uma
carta atractiva para o povo e de palavras razoáveis, com
as quais esperavam corromper sobretudo a multidão,
por serem proeridas por um rei que parecia pôr de lado
o orgulho e azer exigências moderadas. . Enquanto os
cônsules pensavam que eles se deviam apresentar diante
da plebe, Valério não o permitiu, mas manteve-se frme
em evitar que se encontrassem com homens pobres e
para quem é mais penosa a guerra que a tirania, o que
constitui princípios e motivos para a revolução.

arquínio tinha-se reugiado em Cere (Cerveteri), segundo
Lívio (..), ou em Gábios e depois em arquínia, segundo
Dionísio de Halicarnasso (.. e ..). Finalmente reugiou-se
na corte de Aristodemo de Cumas (Liv. ..; D. H. ..),
embora outra tradição, presente em Eutrópio (.), o coloque em
úsculo.
140
Vida de Publícola

3..Depoisdisto, chegaram outros embaixadores


a dizer que arquínio desistia da pretensão ao reino e
deixava de azer guerra, mas reclamava para si, para os
amigos e para os parentes a devolução das suas riquezas e
dos seus haveres, de modo a terem meios de subsistência
no exílio. . Na altura em que muitos se inclinavam a
ceder – e sobretudo Colatino, que apoiou a causa –,
Bruto, varão irredutível que era e severo na ira, correu
para o Foro a chamar traidor ao colega de magistratura,
por querer dar de mão beijada os recursos para a guerra
e para a tirania àqueles a quem, de acto, era já perigoso
conceder as provisões para o exílio. . Reunidos os
cidadãos, alou em
cidadão privado, primeiro
Gaio Minúcio,lugarpara
na exortar
assembleia
Brutoume
advertir os romanos a providenciarem para que tais bens
combatessem do lado deles contra os tiranos, e não do
lado dos tiranos contra eles. Mas o parecer dos Romanos
oi no sentido de, uma vez conseguida a liberdade pela
qual lutavam, não desperdiçarem a paz à conta de tais
bens, mas tratarem de despachar os bens juntamente
com os tiranos. . Em boa verdade, arquínio não azia
caso algum dos bens, e a sua reclamação era ao mesmo
tempo para experimentar o povo e preparar uma traição.
E nisso se empenhavam os embaixadores, enquanto
permaneciam na cidade com o álibi dos bens, a vender
estes, a preservar aqueles, a enviar aqueloutros – diziam
eles –, até que corromperam duas amílias consideradas
 Plutarco designa-o por agora, o espaço público grego
correspondente.
141
Plutarco

nobres e excelentes: a dos Aquílios, com três membros


no senado, e a dos Vitélios, que tinha dois. . odos
eram sobrinhos do cônsul Colatino pelo lado materno;
e os Vitélios, por seu turno, tinham também laços de
parentesco com Bruto, pois ele casara com uma irmã
deles, da qual tinha vários flhos. A dois desses, já
adultos, os Vitélios, aproveitando os laços de parentesco
e de intimidade, incitaram-nos e convenceram-nos a
participar na traição, mediante a associação à grande
amília dos arquínios e à sua expectativa em relação
ao trono, e a urtarem-se à toleima e severidade do pai
– diziam eles que a severidade era a inexibilidade dele
para com os desonestos. Quanto à toleima, parece que
se serviu para
desculpa dela sua
durante muitoem
segurança tempo como
relação aos disarce
tiranos; ee
depois não se livrou de fcar com um nome derivado de
tal comportamento.

4..Uma vez que os jovens oram convencidos


e se puseram em contacto com os Aquílios, oi opinião
unânime que proerissem um importante juramento,
além do mais, terrível, porquanto juravam pelo
sangue de um homem degolado e tocavam as suas
vísceras. Com tais propósitos se reuniram na casa
dos Aquílios. . E a dependência onde os iam levar a


Evidentemente o nome de Brutus ‘estúpido’.

A ideia do sacriício poderá ser uma projecção retrospectiva
de histórias que corriam no fnal da República, como o juramento
de sangue atribuído a Catilina. C. Sal. Cat. ; Plu. Cic. ; D.
C. ..
142
Vida de Publícola

cabo era convenientemente isolada e escura. Sem eles


darem conta, um caseiro de nome Víndico tinha-se ali
escondido, não de orma planeada ou por pressentir
que algo estava para acontecer, mas por se encontrar
por acaso lá dentro. E quando os outros entraram
com ar aadigado, receando ser por eles avistado,
tratou de se esconder numa arca vazia, de modo a ter
possibilidade de ver o que eles aziam e de ouvir o que
planeavam. . Eles tomaram a decisão de eliminar os
cônsules e, depois de escreverem cartas a arquínio a
revelar o acordado, entregaram-nas aos embaixadores,
já que estes ali habitavam, na qualidade de hóspedes
dos Aquílios, e tomavam então parte na conspiração.
. Quando eles,
dispersaram, depoissaiu
Víndico de sorrateiramente,
tratarem deste assunto, se
sem saber
que uso dar ao que lhe tinha caído em cima. É que se
encontrava em apuros, pois, se por um lado considerava
que era terrível, como de acto o era, acusar do crime os
flhos ao pai, Bruto, ou os sobrinhos ao tio, Colatino,
por outro, considerava que não havia romano privado
que osse digno de confança em tamanho segredo. .
Acima de tudo, não sendo capaz de fcar sossegado,
angustiado pelo conhecimento do sucedido, tratou de ir
ter com Valério, impelido sobretudo pela aabilidade e
humanidade do homem. De acto, ele era acessível para
todos os necessitados, mantinha a porta sempre aberta e
não negava a palavra ou um serviço a ninguém humilde.

5.. Assim que Víndico subiu então até à casa


dele e lhe contou tudo, na presença somente do irmão

143
Plutarco

Marco e da mulher de Valério, este, chocado e receoso,


não deixou o homem ir embora, mas, depois de o echar
num compartimento e colocar a mulher de guarda à
porta, mandou o irmão rondar a casa de campo do rei
e, se possível, apoderar-se das cartas e montar guarda
aos escravos. Ele próprio, acompanhado dos numerosos
clientes e amigos que estavam sempre ao seu redor e de
muitos escravos, encaminhou-se para casa dos Aquílios,
que se encontravam ausentes. . Sem que alguém o
esperasse, irrompeu pela porta adentro e oi dar com
a carta depositada no lugar onde estavam alojados os
embaixadores. Enquanto ele procedia a esta busca, os
Aquílios regressaram apressadamente a casa e, dando de
caras com
a carta. tais intrusos
. Mas à porta, tentaram
eles deenderam-se arrebatar-lhe
e, lançando as togas
à volta do pescoço, ora empurrados, ora a empurrar à
orça, e a custo lá conseguiram através de vielas chegar
ao Foro. Semelhante oi o que aconteceu ao mesmo
tempo na casa de campo: Marco apoderou-se das outras
cartas, que eram levadas na bagagem, e do pessoal do rei
que conseguiu apanhar e arrastou-os até ao Foro.


C. capítulos  e . É identifcado com o ditador de ,
altura em que reconcilia a plebe com o senado, depois da secessão,
pelo que recebe o título de Máximo.
 Plutarco traduz por um conceito grego aproximado: pelatai.

Em Roma, os clientes estavam ligados ao patronus por uma relação


de lealdade (fdes). Estavam obrigados a dar apoio político e por
vezes militar ao seu patrono, a ir saudá-lo a casa pela manhã, a
integrar o seu séquito nas deslocações ao oro, uma vez que o
tamanho do acompanhamento demonstrava o prestígio do senhor.
Em contrapartida, o cliente recebia protecção do patrono e oertas
em comida ou dinheiro (a sportula).
144
Vida de Publícola

6.. Logo que os cônsules fzeram cessar o


tumulto, Víndico oi, por ordem de Valério, trazido da
casa dele e, depois de produzida a acusação, oram lidas
as cartas, e os homens nada se atreveram a contraditar.
Entre os restantes havia consternação e silêncio, e
só alguns, querendo agradar a Bruto, mencionavam
o exílio. . anto as lágrimas de Colatino como o
silêncio de Valério lhes inundiam alguma esperança
de indulgência. Mas Bruto, chamando à vez os flhos
pelo nome, disse-lhes: «Vamos, ito; Vamos lá, ibério;
porque não se deendem da acusação?». . Como eles,
interrogados por três vezes, nada responderam, limitou-se

acompetência
voltar o rostovossa!».
para os.lictores e a dizer: imediatamente
Estes, agarrando «agora o resto é
os jovens, retiram-lhes as togas, ataram-lhes as mãos
atrás das costas e puseram-se a agelar-lhes o corpo
com as varas. Enquanto os outros não eram capazes de


Esta alternativa à pena capital, transmitida unicamente por
Plutarco, parece ser decalcada da proposta de César no que respeita
à condenação dos cúmplices de Catilina (Sal. Cat. ): também
neste caso prevaleceu a pena de morte, proposta pelo severo Catão.
Os lictores eram os ofciais que acompanhavam os
magistrados e carregavam no ombro esquerdo os asces (os eixes
de varas), símbolo do poder de castigar. Inicialmente, os asces
eram usados activamente nas punições, como se vê neste passo. No
meio das varas estava encastrado um machado, que mais tarde seria
suprimido dentro da cidade em resultado da aprovação do direito
de appelatio ad populum perante uma decisão de um magistrado,
como se verá mais à rente (.). Durante a República, cumprem
a unção de apparitores – abrem caminho para os magistrados.
Cada cônsul tinha direito a  lictores, um pretor a , e o ditador a
. Os lictores organizavam-se corporativamente em decúrias.
145
Plutarco

olhar ou suportar tal cena, diz-se que Bruto não virou


nunca os olhos para outro lado, nem a ira e aspereza
impressa no rosto oi vergada pela piedade, mas antes
olhava fxamente o terrível castigo dos flhos, até que
os estenderam no chão e lhes cortaram as cabeças com
machados. . Depois de entregar os outros ao colega
de magistratura, retirou-se, tendo realizado um eito
que, por mais que se queira, não é ácil de aprovar ou
de censurar. Ou a elevação da virtude lhe modifcou o
espírito até à ausência de sorimento, ou a magnitude do
sorimento o tornou indierente à dor. Em nenhum dos
casos é um acto de somenos ou próprio de um homem;
mas ou é de um deus ou de um animal selvagem. . Mas
é, no entanto,
homem, antes justo
que aque o juízodeconcorde
raqueza comdesacredite
quem julga a ama do
a virtude dele. É que os romanos consideram que a obra
de Rómulo ao undar cidade não oi tão grande como a
de Bruto ao criar e estabelecer a República.

7.. Depois que ele deixou então o Foro, a


consternação, o temor e o silêncio tomaram conta de
todos por longo tempo devido aos actos sucedidos.
Perante a tibieza e hesitação de Colatino, os Aquílios
ganharam coragem e reclamaram a concessão de tempo
para se deenderem e para que lhes osse consignado
Víndico, uma vez que era escravo deles e não devia estar
na posse dos acusadores. . Embora Colatino pretendesse
anuir e dissolver a assembleia com esta decisão, Valério
não tinha a intenção de deixar partir o homem, que
se tinha misturado com a multidão à sua volta, nem

146
Vida de Publícola

permitia que o povo dispersasse, deixando escapar os


traidores. . Por fm, deitando-lhes as mãos, chamou
por Bruto, enquanto clamava que Colatino actuava de
orma perigosa: se colocara o colega de magistratura
na necessidade de matar os flhos, ele próprio pensava
que se devia entregar às esposas os traidores e inimigos
da pátria. . O cônsul fcou indignado e mandou levar
Víndico; e os lictores, avançando através da multidão,
prenderam o homem e batiam em quem o resgatava.
Mas os amigos de Valério colocaram-se à rente em
atitude de deesa, . enquanto o povo gritava, a reclamar
a presença de Bruto. Este chegou então, tendo voltado
para trás, e, perante o silêncio que se ez, disse que para

os flhos tinha
a respeito dos bastado ele próprio
outros entregava comoaojuiz
o voto livre, mas que
arbítrio
dos cidadãos: quem quisesse podia tomar a palavra e
persuadir o povo. Não oi, no entanto, preciso mais
discursos; oi votada por unanimidade a condenação, e
eles oram decapitados. . Colatino estava, parece, sob
alguma suspeita, dado o seu parentesco com os reis; e
odiavam-no pelo seu segundo nome, o de arquínio,
para eles execrável. Depois que tal aconteceu, perante
a animadversão de todos, Colatino renunciou
voluntariamente ao poder e retirou-se discretamente da
cidade. . Feitas novas eleições, Valério oi claramente
aclamado cônsul, recebendo o digno prémio do seu zelo.
Considerando que também Víndico devia benefciar
disso, votou que osse ele o primeiro liberto a tornar-se
Alusão ao poder do pateramilias, que tinha direito de vida ou
de morte (ius vitae necisque) sobre os seus dependentes.
147
Plutarco

cidadão em Roma e pudesse votar na cúria em que


desejasse ser inscrito. . Aos outros libertos oi atribuído
o poder de voto muito tempo mais tarde por Ápio ,
na sua busca de popularidade. E a alorria completa
chama-se até hoje uindicta, segundo se diz, por causa
de Víndico.
8..Na sequência destes acontecimentos, oi
concedido aos Romanos saquearem os bens dos reis e
arrasaram quer a casa da cidade quer a de campo. A mais
bela parte do Campo de Marte, que arquínio possuía,

 Phratria (que corresponde a curia em latim) é talvez um


equívoco por phyle (tribo), as divisões administrativas urbanas e
rústicas em que os cidadãos eram inscritos. oda a pessoa ao adquirir
a cidadania devia ser inscrita numa tribo, o que oi particularmente
sensível com o alargamento da cidadania aos Itálicos no fnal
da Guerra Social, em inícios do século I a.C. A tribo era pois a
base do censo e consequentemente da cobrança de impostos e do
recrutamento militar. Quanto às curiae, constituíam a mais antiga
divisão do povo romano atribuída a Rómulo, provavelmente
a base mais antiga da organização militar. Discute-se se seriam
abertas a todo o povo. De qualquer modo, terão uncionado como
assembleias de voto em algumas cidades do Lácio.
 Ápio Cláudio Ceco, Censor em  (célebre também pela

construção da Via Ápia) que abriu o senado aos flhos de libertos e


distribuiu os libertos pelas  tribos.

Será mais o contrário: o nome do escravo é uma etiologia
para a manumissio uindicta – a alorria de um escravo, tocando-lhe
com a vara.
 O Campo de Marte, que retira o nome de um altar a Marte

que aí existia, correspondia à planura junto ao ibre rodeada pelos


montes Capitólio, Quirinal e Píncio. Situado ora do recinto
sagrado da cidade (o pomerium), era um local vocacionado para
exercícios militares e onde se reuniam os exércitos antes do começo
dos cortejos triunais. Lá também se reuniam as assembleias
por centúrias (comitia centuriata). Durante a República, oi-se
148
Vida de Publícola

consagraram-na ao deus. . Como, por acaso, tinha


acabado de ser colhido e os eixes estavam ainda por
terra, pensaram que não deviam debulhar o grão nem
usá-lo por causa de estar consagrado, mas, reunindo os
esorços, lançaram-nos ao rio. . De igual modo, cortaram
também as árvores e lançaram-nas ao rio, deixando ao
deus uma terra completamente inculta e estéril. . Ora
a corrente, ao arrastar aquele emaranhado de objectos
uns sobre os outros, não os levou muito longe; mas uma
vez que os primeiros se eneixavam e aundavam num
compacto sedimento, os que iam na corrente deixaram
de ter passagem: condensaram-se e enredaram-se, e a
mole ganhou orça e raiz, aumentando com a corrente.
. É que
dava esta levava
alimento bastante
e solidez. E ossedimento,
impactos que
não ao juntar-se
produziam
estragos, antes pressionavam suavemente, reunindo e
plasmando tudo nessa massa. . Graças à magnitude e
posição, ia adquirindo maior dimensão e território que
recebia a maior parte dos materiais transportados pelo
rio. Este local é agora uma ilha sagrada, junto à cidade;
tem templos dos deuses e pórticos cobertos e chama-se
em língua latina “o centro das duas pontes”. . Alguns
historiadores, no entanto, relatam que tal não aconteceu

povoando de monumentos, como templos e imensos pórticos. Ali


se encontrava por exemplo o eatro de Pompeio, osSaepta Iulia (o
recinto das votações), o Mausoléu de Augusto, o Panteão etc. Os
imperadores criam ali diversos espaços de entretenimento e vida
social.
 Inter duos pontes; as pontes Fabrício e Céstio (Liv. ..-; D.

H. .). rata-se da “Ilha iberina” onde existia um importante


templo de Esculápio.
149
Plutarco

aquando da consagração do terreno de arquínio ao


deus, mas tempos mais tarde, quando arquínia
consagrou outra porção adjacente. . arquínia era uma
sacerdotisa virgem, uma das vestais, e obteve por tal
acção grandes honras, entre as quais se conta o acto
de ser a única mulher admitida como testemunha em
tribunal. Foi-lhe até concedida por voto permissão para
se casar, o que ela não aceitou. E assim aconteceram as
coisas segundo reza a lenda.

9..
A arquínio, que perdera a esperança de
recuperar o poder pela traição receberam-no de boa
mente os Etruscos  e traziam-no de volta com um

 arquínia deve ser erro de Plutarco ou dos manuscritos por


arácia (também chamada Fuécia), a quem tais privilégios oram
outorgados segundo Plínio (Nat. .) e Gélio (.).

As Vestais eram as sacerdotisas de Vesta (deusa relacionada
etimologicamente com a grega Héstia), encarregadas de guardar
o ogo sagrado e de preparar a arinha misturada com sal ( mola
salsa) para os sacriícios. O culto tinha sido, segundo a tradição,
introduzido em Roma por Numa Pompílio (ou mesmo Rómulo)
a partir de Alba Longa. O templo, em orma circular, situava-se
no oro e continha o ogo e os símbolos sagrados, mas não uma
estátua da deusa. As sacerdotisas, em número de , escolhidas pelo
Pontiex Maximus, deviam abster-se de comércio carnal durante
um mínimo de  anos (sob pena de serem emparedadas vivas),
mas tinham grande poder que lhes advinha do carácter sagrado:
estavam inclusivamente livres da patria potestas.
 De Veios e arquínia, segundo Dionísio de Halicarnasso

(..) e Lívio (.-). Etruscos (irrenos para os Gregos) era


uma designação genérica de uma série de cidades-estado a norte
de Roma, que usavam uma língua não indo-europeia ainda não
decirada. Eram peritos na arte da adivinhação e conhecidos pelos
seus gostos requintados. Segundo uma tradição eram autóctones;
segundo outra, eram srcinários da Lídia. Desde cedo tiveram uma
150
Vida de Publícola

grande exército. . Os cônsules conduziram os Romanos


contra eles e enrentaram-nos nuns locais sagrados, um
dos quais era o chamado Bosque Horácio , e o outro
o Prado Névio. . Quando começaram o combate,
encontraram-se corpo-a-corpo Arrunte, o flho de
arquínio, e Bruto, o cônsul romano; não oram um
ao encontro do outro por acaso, mas por causa do
ódio e da úria. Impeliram os cavalos para o mesmo
sítio, um contra um tirano e um inimigo da pátria,
e o outro para vingar o exílio. . Lutando mais com
paixão que com ponderação, descuraram a segurança
pessoal e mataram-se um ao outro. Com tão terrível
começo, o combate não teve um fnal mais moderado:
depois
exércitosde oram
terem separados
inigido epor
sorido
umaiguais danos, os
tempestade. .
De acto, Valério estava desnorteado, sem perceber a
dimensão da batalha, vendo os soldados quer aterrados
com os seus mortos, quer inamados com os dos
inimigos, de tal maneira era incalculável e semelhante
elevado número dos mortos. . Mas para cada um dos
exércitos a visão próxima dos seus próprios mortos,
em comparação com os do inimigo, confrmava mais
a derrota do que a vitória. Ora, quando sobreveio a
noite, do jeito que seria esperar depois do combate, e
os acampamentos estavam em silêncio, dizem que o
bosque oi sacudido e dele brotou uma voz possante a

comunidade em Roma, na zona do Célio.


 Dionísio de Halicarnasso ala de um bosque consagrado a

Horácio (..). Segundo outra versão, seria a Silva Arsia (c. Liv.
..).
151
Plutarco

dizer que, na batalha, os Etruscos contavam um morto


a mais que os Romanos. . Era certamente alguma voz
divina , pois imediatamente inspirou altos gritos de
confança entre estes últimos, ao passo que os Etruscos
fcaram aterrorizados e ugiram do acampamento em
desordem, e a maior parte dispersou-se. Caindo sobre
os que fcaram para trás, que eram pouco menos de
cinco mil, os Romanos aprisionaram-nos e saquearam
à vontade. . Depois de contabilizados os mortos,
obtiveram a soma de onze mil e trezentos da parte do
inimigo e menos um da parte dos Romanos. Diz-se
que esta batalha teve lugar na véspera das calendas
de Março . . Por ela Valério celebrou um triuno,
sendo o primeiro
cerimónia cônsulproporcionou
, e o evento a conduzir uma
umquadriga na
espectáculo


Para Lívio (..) era Silvano; para Dionísio de Halicarnasso
(.) era a voz de Fauno ou do herói Horácio, de que o bosque
tirava o nome, como se disse atrás.

Ou seja, no dia  de Dezembro, na altura em que o ano
ainda tinha só  meses.
 Na Vida de Rómulo (.), Plutarco diz que oi este rei o

primeiro a celebrar o triuno, embora admita a outra versão. O


triuno era realmente um ritual muito antigo de srcem diícil de
descortinar, mas que parece ter sorido inuência etrusca, a avaliar
pelas pinturas etruscas que representam cortejos semelhantes.
O cortejo entrava em Roma pela Porta riunal e dirigia-se para
o templo de Júpiter no Capitólio. O general a quem tinha sido
concedido tal honra, vestido como um rei (incluindo um ceptro
na mão), era transportado num carro puxado por quatro cavalos
e acompanhado pelos soldados, senadores e magistrados, cativos e
despojos de guerra e animais destinados ao sacriício. Um escravo
segurava uma coroa de louros sobre a cabeça do general enquanto
lhe lembrava que era apenas um homem, ao mesmo tempo que
os soldados entoavam invectivas em versos esceninos, para evitar
152
Vida de Publícola

solene e magnifcente, mas não suscitou a inveja nem


o agravo dos espectadores como alguns dizem. Caso
contrário, não perseveraria por tantos anos como
motivo de tal emul ação e ambição. . Foram também
bem recebidas as honras que Valério prestou ao colega
no cortejo e ritos únebres. Proeriu ainda em sua
honra um discurso únebre, que oi objecto de tal
estima e de tamanho agrado entre os Romanos, que,
desde então, fcou estabelecido o uso de, por morte
de todos os cidadãos excelentes e notáveis, se azer o
elogio em sua honra por parte dos mais distintos. .
Há quem diga que aquele discurso é mais antigo que
os elogios únebres gregos, se é que estes últimos não

remontam a Sólon, como relata Anaxímenes o Rétor .
10.. Mas oi mais pelo seguinte que os Romanos
fcaram zangados e oendidos com Valério. É que
Bruto, que o povo considerava o pai da liberdade, não
quis governar sozinho, mas escolheu um colega de
magistratura tanto da primeira vez como da segunda.
«Mas este», diziam eles, «ao açambarcar para si todos
os poderes, não é o herdeiro do consulado de Bruto,
nem tal lhe compete, mas da tirania de arquínio. .
Porque é que ele tem de elogiar Bruto com palavras e
imitar arquínio nas obras, ao descer com todos os asces

a inveja dos deuses – embora a mais perigosa inveja proviesse dos


rivais políticos do triunador. Uma alternativa menos honrosa era a
ouatio, um cortejo menor.
 rata-se de Anaxímenes de Lâmpsaco, historiador e autor de

um manual de retórica anterior ao de Aristóteles.


153
Plutarco

e machados sozinho de uma casa, que, na verdade, é tão


grandiosa como a do rei que ele destruiu?!». . E, de
acto, Valério vivia majestosamente no chamado Vélia,
numa casa virada para o oro, com uma vista geral lá do
alto, mas de diícil acesso por um caminho árduo; de
tal modo que quando ele descia, o seu aparecimento era
imponente, e a majestade do séquito era digna de um
rei. . Ele então mostrou o quanto era bom, no poder
e nos grandes cargos, prestar ouvidos à ranqueza e à
verdade das palavras, em vez de admitir a adulação. .
endo, pois, ouvido comentar, pelo relato que lhe aziam
os amigos, que muitos achavam que procedia mal, não
se obstinou nem encolerizou, mas, reunindo numerosos
operários, ainda antes
arrasou a moradia que osse noite
completamente até deitou-a abaixo
ao nível do chão.e
De modo que, no dia seguinte, os Romanos, ao verem e
ao reunirem-se, oram movidos pelo amor de tal homem
e pela admiração da sua grandeza de alma, mas fcaram
tristes quer pela casa, de cuja grandeza e beleza sentiam
a alta, como se se tratasse de uma pessoa destruída
injustamente por causa da inveja, quer pelo governante,
que habitava em casas alheias como um sem-abrigo. .
Os amigos acolheram, pois, Valério, até que o povo lhe
concedeu um terreno em que ele construiu uma casa
mais modesta que a outra, no lugar onde existe agora


Colina que fcava entre o Palatino e o Ópio, local tradicional
da residência do rei Sérvio úlio. Seria aí, mais tarde, o vestíbulo
do palácio de Nero, o templo de Vénus e Roma construído por
Adriano e a Basílica de Maxêncio.
154
Vida de Publícola

um santuário dito da “Vica Pota”. . Desejando que


não só ele próprio, mas também o seu poder, em vez
de aterrorizar, gerasse proximidade e aeição entre a
maioria, retirou os machados dos asces e, quando
se apresentava na assembleia, azia descer os mesmos
asces ao povo e mantinha-os em baixo, para sublinhar
a insigne maniestação de democracia. E os magistrados
guardam tal uso até aos nossos dias. . No entanto, a
maioria não se apercebeu de que ele próprio não agia
da orma submissa que eles pensavam; mas, como ele
minorava e cortava cerce a inveja pela moderação e
parecia separar da sua autoridade o enorme poder que
tinha reservado para si próprio, o povo submeteu-se
aponto
ele com prazer
de lhe e suportou-o
chamar voluntariamente,
“Publícola” . ao
– nome que signifca
“dedicado ao povo”. al nome prevaleceu sobre os
anteriores, e é também este o nome que nós próprios
vamos usar para a narrativa do resto da vida deste varão.

11..Quanto ao consulado, permitiu que quem


o desejasse se propusesse e se candidatasse. Mas antes da
designação, não sabendo quem viria a ser o eleito, mas
temendo que se lhe opusesse por inveja ou ignorância,

 “Vencedora Possuidora” antiga divindade itálica identifcada


com a Vitória.

Sobre os asces, vide nota a ..

Segundo a restante tradição o nome deriva do acto de propor
leis avoráveis ao povo (c. Cic. Rep. ..; D. H. ..; Liv.
.). ambém pode signifcar ‘aquele que habita em público’; ou
ainda ‘o que honra a juventude’. Vide introdução.
155
Plutarco

usou o poder exclusivo para implementar as melhores


e mais importantes medidas políticas. . Antes de mais,
completou o senado que estava desalcado de elementos,
pois uns tinham sido anteriormente entregues à morte
por arquínio, outros tinham perecido recentemente
na batalha. Os membros por ele inscritos perfzeram,
segundo se diz, o número de cento e sessenta e quatro.
. Depois disto, promulgou leis com as quais ortalecia
sobretudo as massas: uma era a que permitia a um
acusado o direito de apelo para o povo contra a decisão
dos cônsules; outra decretava a pena de morte para
os que assumissem o poder sem que o povo lho tivesse
conerido; a terceira, nesta ordem, oi a que veio ajudar

 O termo usado é monarchia.


 Segundo a tradição, o senado ora undado por Rómulo,
mediante a escolha de  patres; ulo Hostílio duplicou-os, e
arquínio o Antigo elevou-os para , número que se manteve
até Sula. Este ditador elevou o número para , e Júlio César
para . Augusto reduziu-os a . Primeiro, seriam escolhidos
pelos reis, depois pelos cônsules. Segundo o antiquário Festo, antes
da lex Ovínia ( a.C.) a pertença ao senado dependia do avor
pessoal dos detentores do imperium e era temporária, sem que a
dispensa implicasse desonra. Seria um grupo de conselheiros ad
hoc e requente a mutabilidade de membros. Depois, passaram os
censores a escolhê-los de acordo com critérios fxos para toda a vida;
ou eram admitidos depois de ocuparem magistraturas. Podiam ser
excluídos por má conduta moral.
 A prouocatio ad populum visava regular a arbitrariedade dos

magistrados. Esta lex Valeria de  a.C., tal como a homónima de


, é vista por muitos autores como uma antecipação da lex Valeria
de  a.C. al posição talvez seja extrema, e parece ser resultado
de se conundir prouocatio ad populum com conquistas da plebe
(o ius auxilii). Há, todavia, indicações de que o direito de apelo
ad populum de todo o cidadão contra as decisões dos magistrados
já existia há muito, e estava ora da alçada dos tribunos da plebe.
156
Vida de Publícola

os pobres: por ela mitigava os impostos dos cidadãos


e ez com que todos se aplicassem a trabalhar com
maior diligência. . A lei promulgada visando os que
desobedeciam aos cônsules não oi considerada menos
popular e era mais avorável às massas que aos poderosos.
Propunha, pois, como multa pela desobediência o valor
de cinco bois e duas ovelhas . . O preço de uma ovelha
era de dez óbolos e o de um boi era de cem. Nessa
altura, os Romanos ainda não usavam muito a moeda,
mas rebanhos e manadas tinham em abundância. . É
por isso que ainda agora se designa o património como
‘pecúlio’ a partir de ‘gado’ e que as moedas mais antigas
tinham gravados um boi, uma ovelha ou um porco. .
E punhamCaprário
Bubulco, até aos epróprios
Pórcio –flhos
capraenomes como‘cabras’,
quer dizer Suílo,
e porci, ‘porcos’.


Muitos estudiosos corrigem πολιτῶν (‘dos cidadãos’) em
πολλούς (‘de muitos’, ‘da plebe’).

Só Plutarco ala desta lei.
 Óbolo equivale à sexta parte da dracma e corresponde a ,
g de prata.

Em grego probaton, em latim pecus. Plutarco parece ter-se
esquecido de pecunia, o património do pater amilias; peculium era
mais propriedade dos subordinados do pater amilias, incluindo os
escravos.
 A cunhagem de moeda propriamente dita em Roma começou

por volta de  a.C. Mas antes existiam certos pesos de bronze (aes
rude; aes signatum) como unidades de valor. Plínio (Nat. .-)
diz que o rei Sérvio úlio oi o primeiro a cunhar o bronze a( es
signauit) com fguras de animais.
 raduz para grego: respectivamente aiges e choiroi. Muitos dos

nomes eram também reexo da produção agrícola, como Fabius,


Lentulus, Cicero.
157
Plutarco

12..Se nestes assuntos revelou ser um legislador


avorável ao povo e moderado, em altas [não] moderadas
agravou as penas. Promulgou, pois, uma lei a permitir
matar sem julgamento quem aspirasse à tirania e ilibava
o assassino do crime, se este apresentasse as provas da
transgressão. . Pois, se é verdade que não épossível levar
a cabo tamanha intentona em completo segredo, também
não é impossível que alguém, mesmo a descoberto, se torne
demasiado poderoso antes de ser acusado; pelo que deu a
quem tivesse possibilidade autorização para agir contra o
criminoso antes do julgamento que anularia o crime. .
Foi ainda louvado por causada lei sobre o erário público.
Uma vez que era necessário que os cidadãos contribuíssem
com
queriaos fcar
seus bens para o esorço
ele próprio ligadodeà guerra, e porquenem
administração não
concedê-la aos amigos, nem de todo levar os dinheiros
públicos para uma casa particular, indicou como tesouro
o templo de Saturno, uso que lhe continuam ainda hoje
a dar, e entregou ao povo o direito de eleger dois novos
questores. Os primeiros a serem eleitos oram Públio


Os editores usam normalmente a crux desesperationis.

Plutarco indica o correspondente grego: Chronos. O emplo
de Saturno encontra-se no oro Romano. O Aerarium Saturni era
o principal tesouro público de Roma. Ali eram também guardados
documentos, leis e senatoconsultos. Era durante a República
controlado por questores.

A srcem dos questores é um tanto obscura e pode mesmo
remontar ao tempo da monarquia, com unções judiciais – os
quaestores parricidii. Mas a unção fnanceira, seu principal encargo,
deve ser mais tardia em virtude da escassa circulação da moeda no
início da República. ácito (Ann. .) diz que a eleição pelo
povo teve início só em . A onte de Plutarco seria talvez um
158
Vida de Publícola

Vetúrio e Marco Minúcio, e oram numerosasas riquezas


recolhidas: pois estavam recenseados cento e trinta mil,
fcando isentos de contribuição os órãos e as viúvas .

. Depois destas providências, tratou de eleger


para seu colega Lucrécio, pai de Lucrécia. A este, que era
mais velho, concedeu o primeiro lugar na autoridade,
entregando-lhe os chamados “asces”. E, desde então,
este privilégio em relação aos mais velhos continua
preservado até aos nossos dias. . Mas, poucos dias
depois, Lucrécio chegou ao fm da sua vida. Reunida de
novo a assembleia para votar, oi eleito Marco Horácio,
que governou com Publícola na restante parte do ano.

. . Estava
guerra13contra os arquínio
Romanos anacomeçar
Etrúriauma segunda
, quando

aconteceu um grande prodígio. Ainda arquínio


reinava e não tinha ainda acabado o templo de Júpiter

analista de tendência democrática. Em  oram acrescentados


mais dois, quando os plebeus tiveram acesso à magistratura. Em
, apareceram mais , colocados em vários pontos de Itália.
Outros oram mais tarde acrescentados para a administração
provincial. Os questores acompanhavam também os magistrados e
podiam inclusivamente comandar o exército na ausência do cônsul
ou pretor.

O census era levado a cabo pelo rei, depois pelos cônsules e, a
partir de , pelos censores (eleitos a cada  anos). Os nomes das
mulheres e das crianças não eram incluídos no recenseamento, mas
eram dados detalhes sobre a amília, residência e seu património.
Com base em tal inormação, os censores distribuíam os cidadãos
pelas tribos (segundo a localização) e pelas centúrias (de acordo
com a riqueza e idade).
 Sobre os asces, vide nota a ..


Em grego Tyrrhenia.
159
Plutarco

do Capitólio, osse por causa de um oráculo, ou osse


por uma ideia pessoal, comissionou a uns artesãos
etruscos de Veios a colocação no topo do ediício de
um carro de guerra em barro; só que, pouco depois, oi
derrubado do trono. . Quando os artesãos lançaram a
quadriga já moldada no orno, o barro não soreu no
ogo o processo que lhe é devido – solidifcar e contrair
com a evaporação da humidade –, mas cresceu e inchou
e tornou-se descomunal, além de que ganhou tal
resistência e rigidez, que só a custo oi retirada, depois
de desmanchado o tecto do orno e removidas as paredes
em volta. . Como os adivinhos oram do parecer que
se tratava de um sinal divino de elicidade e poder
para quemnão
decidiram possuísse a quadriga,
abrir mão os os
dela para habitantes
Romanos,deque
Veios
a
reclamavam; pelo que responderam que ela pertencia aos
arquínios; não aos que baniram os arquínios. . Mas,
poucos dias depois, realizavam-se entre eles umas provas
hípicas, que proporcionavam o espectáculo e o zelo
costumados. O auriga coroado conduzia calmamente a


Plutarco, escrevendo em grego, diz que é o templo de Zeus.
Neste templo, Júpiter partilhava o espaço com Juno e Minerva – a
tríade capitolina. O aniversário do templo era celebrado nos Idos
de Setembro (dia ), durante a esta dos Ludi Romani.
 Veios era a mais próxima cidade etrusca, situada a apenas 

km de Roma. A cidade oi conquistada em  a.C., depois de


um cerco que durou  anos segundo a tradição – uma suspeita
imitação do cerco de róia. Os ceramistas desta cidade eram muito
requisitados – seria produção da cidade o amoso Apolo de Veios,
em terracota policroma, atribuído ao escultor etrusco Vulca,
estátua que oi encontrada em  num santuário das imediações
da cidade.
160
Vida de Publícola

quadriga vencedora para ora do hipódromo, e eis que


os cavalos, incitados sem nenhuma causa aparente, osse
por intervenção divina ou do acaso, dirigiram-se a toda
a brida para a cidade de Roma com o auriga e tudo,
já que ele não era capaz de os rerear ou de os acalmar
com palavras. Mas, arrebatado, cedeu ao ímpeto e oi
transportado, até que, ao chegarem às proximidades do
Capitólio, o arremessaram ali, junto à porta que agora se
chama Ratúmena. . Face a tal sucesso, os habitantes
de Veios, tomados de admiração e temor, permitiram
que os artesãos entregassem o carro.

14. . Quanto ao templo de Júpiter do Capitólio,



oi arquínio,
construção flho de
durante Demarato
a guerra , quem
contra votou a mas
os Sabinos, sua
quem o construiu oi arquínio o Soberbo, que era


Porta de localização hoje incerta, provavelmente na muralha
dita de Sérvio, entre o Capitólio e o Quirinal, ou junto ao recinto
Capitolino. Pela ormação, a palavra parece derivar do nome do
auriga etrusco Ratumenna (Fest. , ; Plin. Nat. .). Ou
talvez osse antes o auriga da conhecida amília dos Ratúmena, que
poderá ter emigrado para Roma e se ter instalado junto ao ibre,
como a gens Spurinna de arquínia. A lenda, construída sobre
um undo verosímil, contribui para atestar a srcem etrusca das
corridas de circo romanas. Vide Tuillier () -.

rata-se de arquínio o Antigo, que segundo a tradição (c.
D. H. ..) era flho de um comerciante de Corinto chamado
Demarato, reugiado na Etrúria. Nesta época, havia grande
mobilidade horizontal entre a aristocracia no mundo mediterrânico,
sem que o estatuto fcasse diminuído com a mudança. Uma
das razões apontadas para também em Roma terem reinado reis
estrangeiros, entre os quais o greco-etrusco arquínio. Depois de ir
para Roma, arquínio tornou-se o braço direito de Anco Márcio e
oi escolhido como seu sucessor.
161
Plutarco

flho ou neto daquele que o votou. Não teve, contudo,


tempo de o consagrar, mas pouco altava para o
terminar quando arquínio oi derrubado. . Quando o
templo oi, então, levado a cabo e recebeu o ornamento
apropriado, Publícola nutria ambição de ser ele próprio
a consagrá-lo. . Só que muitos dos nobres tinham
inveja, e, se colocavam menos objeções a outras honras
menores que ele detinha por direito enquanto legislador
e comandante, não pensavam que se lhe devesse
acrescentar também esta, que era devida a outros,
pelo que trataram de persuadir e encorajar Horácio a
reclamar para si a sagração. . Quando então Publícola
se viu na necessidade de assumir uma campanha militar,
atribuíram
ao Capitólio,a consagração a Horácio
cientes de que não o econseguiriam
conduziram-no
se
aquele estivesse presente. . Alguns, no entanto, dizem
que ao primeiro calhou por sorteio a expedição militar
contra a sua vontade, enquanto ao último calhou a
sagração. É possível avaliar como tudo se passou pelos
acontecimentos que rodearam a sagração. . Então,
nos Idos de Setembro, que calhava precisamente na
lua cheia de Metagítnion, com toda gente reunida
no Capitólio, Horácio, eito o silêncio, depois de
realizar os restantes rituais, chegando-se à porta como
manda o costume, pronunciava as habituais palavras de

C. Liv. ..; D. H. .. No passo citado, Dionísio de
Halicarnasso verbaliza o cepticismo dos historiadores antigos
ace às inconsistências cronológicas. Há quem sugira que os dois
arquínios poderão ser uma reduplicação da mesma pessoa.
  de Setembro.


O segundo mês do ano ático: Agosto-Setembro.
162
Vida de Publícola

consagração. Mas eis que o irmão de Publícola, Marco,


que estava há longo tempo postado à porta a aguardar
o momento propício, exclamou: «Ó cônsul, o teu flho
morreu de doença no acampamento!». . al nova
angustiou todos quantos a ouviram, mas Horácio, sem
se perturbar, disse só o seguinte: «Lancem então o corpo
onde quiserem, pois eu não autorizo as lamentações».
E levou a cabo a restante parte da consagração. . A
notícia não era verdadeira, mas Marco mentira para
azer Horácio suspender o acto. O homem, todavia,
mostrou-se admirável no seu autodomínio, quer
entrevisse imediatamente a artimanha, quer, mesmo
acreditando, tais palavras o não comovessem.

15. .
Parece que também por altura da sagração
do segundo templo aconteceu algo semelhante. Quanto
ao primeiro, c onstruído, como eu disse, por arquínio
e consagrado por Horácio, destruiu-o o ogo durante
as guerras civis . O segundo construiu-o Sula , mas

 Segundo Lívio (.), o templo oi consagrado por Horácio


em  a.C., no consulado de Horácio e Publícola. Segundo
Dionísio de Halicarnasso (.) o templo oi consagrado em
 a.C., durante o segundo consulado daqueles. Segundo outra
tradição, Horácio é Pontífce (Cic.Dom. ; Val. Max. ..).

De acordo com Lívio (..) a cerimónia não podia ser
presidida por um membro de uma amília enlutada.
 Foi destruído em  a.C., durante as guerras civis entre

Mário e Sula.

L. Cornélio Sula Felix (c. - a.C.), de srcem patrícia,
depois de uma brilhante carreira militar (como questor de Mário
e comandante na Guerra Social e na guerra contra Mitridates do
Ponto), tornou-se ditador em Roma e ez importantes reormas do
estado com o fm de reafrmar o poder do senado.
163
Plutarco

oi Cátulo encarregado de o consagrar  já que Sula


morreu antes. . Mas também este acabou por sua
vez arruinado nos conrontos durante o principado
de Vitélio . Quanto ao terceiro, Vespasiano , com
a ortuna de que gozou tanto neste aspecto como
em outros, conduziu a construção do início ao fm,
e viveu o sufciente para o ver de pé, mas não para
ver a sua destruição pouco tempo depois . Foi, por
conseguinte, tanto mais aortunado do que Sula ,

 Foi consagrado em , por Q. Lutácio Cátulo. Para a


construção Sula tinha trazido de Atenas algumas colunas do templo
de Zeus Olímpico, na sequência do saque de Atenas em  a.C.

Em  d.C. Os partidários de Vespasiano, entre os quais o
irmão deste, barricaram-se no templo, e o monumento acabou
pasto das chamas, por culpa dos sitiantes ou mesmo dos sitiados.
Vitélio oi imperador por um breve tempo (entre Abril e Dezembro
de  d.C.), no conturbado período que se seguiu ao suicídio de
Nero. Aclamado pelos exércitos da Germânia, derrotou Otão, que
tinha sido aclamado pela guarda pretoriana em Roma. E, depois de,
por sua vez, ter sido derrotado pelas tropas de Vespasiano, acabou
linchado em Roma.

Vespasiano oi imperador entre  e  d.C. e iniciou
a dinastia dos Flávios. Coube-lhe, como já antes a Augusto,
restabelecer a cidade do ponto de vista material e moral, depois dos
eeitos neastos das guerras civis de -. Reconstruiu e construiu
de raiz diversos monumentos, entre os quais se destaca o Anfteatro
Flávio (Coliseu), inaugurado por ito, seu flho, no ano . A
Vespasiano sucederam os flhos, ito, que governou de  a , e
Domiciano, que oi assassinado em .
 Com eeito, Vespasiano morre em , e o templo arde em

, já no principado de ito. Pouco tempo antes, em Agosto de ,


ito teve de arcar com outra catástroe no seu império: a erupção
do Vesúvio que destruiu Herculano, Pompeios e Estábias, entre
muitas quintas da região.
 Sula tinha adoptado o cognomen de Felix ‘aortunado’. Vide

Plut. Sull. ; ; .


164
Vida de Publícola

quanto este morreu antes da dedicação da obra, e


aquele antes da sua destruição. . Portanto, logo que
Vespasiano morreu, o Capitólio oi pasto das chamas.
Quanto a este, o quarto, oi levantado e consagrado
por Domiciano . Diz-se que arquínio gastou com as
undações quarenta mil libras  de prata, mas quanto
ao dos nossos dias, a maior soma calculada de entre
os mais ricos particulares de Roma não chegaria para
cobrir as despesas do douramento, que fcou em mais
de doze mil talentos . . As colunas de mármore
pentélico  tinham uma belíssima relação entre altura
e largura – pois eu vi-as em Atenas. Mas, uma vez em
Roma, de novo marteladas e polidas, não granjearam
tanta elegância
simetria, quanto perderam
apresentando-se na pereição
fnas e delicadas. da
. Quem
quer que tenha fcado admirado com a sumptuosidade
do Capitólio, se visse um pórt ico da casa de Domiciano,
ou uma basílica, ou uns banhos, ou uma sala de estar
das concubinas, tomaria aquele dito de Epicarmo para
o perdulário – «u não és um flantropo; é s um insano:
deleitas-te a dar!» – . e iria dizer a Domiciano algo
como «tu não és devoto nem generoso; és um insano:
tal como Midas , queres que tudo quando tens se

 Provavelmente em .

Unidade de peso romana, de . g.Libra signifca balança.

Unidade de medida grega (em prata e em ouro) que varia
entre  e  kg. Corresponderia a cerca de  libras romanas.
 Do monte Pentélicon na Ática.
 Lendário rei da Frígia a quem Dioniso dera a aculdade de

transormar em ouro tudo em que tocava.


165
Plutarco

transorme em ouro e mármore!» . Mas já chega deste


assunto.

16..
arquínio, depois da grande batalha em
que perdeu o flho em combate singular contra
Bruto, reugiou-se em Clúsio, e suplicou ajuda a Lars
Porsena, varão dos mais poderosos entre os reis itálicos e
de reconhecido valor e honra. . Este prometeu ajudá-lo
e, antes de mais, enviou para Roma ordens no sentido
de receberem arquínio. Uma vez que os Romanos
não obedeceram, depois de lhes declarar guerra e o
tempo e local onde iria atacar, chegou com uma grande
orça. . Quanto a Publícola, oi eleito in absentia
cônsul
Lucréciopela segundadevez,
. Depois e, juntamente
regressar a Roma e,com ele, ito
querendo ser
o primeiro a superar Porsena em coragem, undou a
cidade de Sígnia, e, quando aquele já estava próximo,
tratou de ortifcar a cidade com grandes despesas e de
enviar para lá setecentos colonos, de modo a mostrar
que considerava a guerra ácil e nada temível. . Mas,
quando se deu um impetuoso ataque ao Janículo, a


O exagero de Domiciano nas construções dedicadas a
engrandecer a sua pessoa terá motivado mesmo graftos anónimos
humorísticos (c. Suet. Dom. .).
 Arrunte. C. ..
 Cidade da Etrúria, onde Lars Porsena reinava.

alvez irmão de Espúrio Lucrécio, cônsul no ano anterior
( na cronologia tradicional).

Ou Sigliúria.
 O Janículo teria sido ortifcado por Anco Márcio segundo

a tradição, transmitida por ito Lívio (..) e Dionísio de


Halicarnasso (..).
166
Vida de Publícola

guarnição oi expulsa por Porsena, e, na uga, por pouco


não atraíram juntamente com eles os inimigos para
dentro da cidade. . Publícola, antecipou-se a ir prestar
ajuda diante das portas, e, travando combate à beira do
rio, susteve com a turba o ímpeto dos inimigos, até que
por ter recebido graves erimentos oi retirado em braços
da batalha. . Quando aconteceu o mesmo também a
Lucrécio, seu colega de magistratura, o desalento tomou
conta dos Romanos, pelo que buscaram salvação na uga
para a cidade. E com os inimigos a orçarem a passagem
através da ponte de madeira, Roma corria o risco de
ser tomada de assalto. Mas Horácio Cocles, em primeiro
lugar, e, juntamente com ele, mais dois varões ilustres,
Hermínio
de madeira.e .
Lárcio, opuseram
Quanto resistência
a Horácio, junto Cocles
era chamado à ponte
por ter perdido um dos olhos na guerra; ou, segundo
dizem outros, por ter o nariz achatado e metido para
dentro, de tal modo que não havia separação entre os
olhos e os sobrolhos estavam juntos: embora a maioria
quisesse chamar-lhe Ciclope, por um lapso da língua
acabou por ser chamado Cocles. . Pois este homem,
postando-se diante da ponte, deendeu-a dos inimigos,
até que os outros cortaram a ponte atrás dele. E, deste
modo, atirando-se ao rio com armas e tudo, escapou

 O chamado pons Sublicius. Era a mais antiga ponte de Roma,


construída segunda a tradição por Anco Márcio. Estava ao cuidado
dos pontífces, pelo que a sua preservação era assunto religioso. Era
totalmente construída em madeira, o que contribui para atestar a
sua antiguidade (anterior ao uso do erro); mas talvez osse também
uma orma de acilitar o seu desmantelamento em caso de ataque.

C. Liv. ..
167
Plutarco

a nado e conseguiu chegar à outra margem, ainda


que alvejado numa nádega por uma lança etrusca. .
Publícola, tomado de admiração por tal coragem, propôs
imediatamente que todos os Romanos lhe dessem como
tributo o alimento que cada um consome num dia, e, de
seguida, a porção de terra de um dia de lavoura. Foi-lhe
erigida, além disso, um estátua de bronze no santuário
de Vulcano, para através da honra reconortarem o
varão pela deormidade que resultou da erida.

17.. Enquanto Porsena atacava a cidade,


também a ome oprimia os Romanos, e um outro
exército etrusco invadia por sua conta o território.
Mas
deviaPublícola, cônsul pela
resistir a Porsena terceira
de orma vez, pensava
estática que sea
e protegendo
cidade, pelo que marchou contra os outros Etruscos e,
travando combate, rechaçou-os e matou cinquenta mil
inimigos.
. Quanto ao episódio de Múcio, é relatado de
modo diverso por muitos autores, mas devo narrá-lo
na versão mais credível. Era, pois, um varão exemplar
em todas as qualidades, mas excelente na arte da guerra.
Com o propósito de eliminar Porsena, introduziu-se
no acampamento deste, envergando roupas etruscas e a

 Plutarco reere o correspondente grego: Hephaistos. Esta


estátua e a de Clélia teriam sido as primeiras a serem erigidas no
local a expensas públicas, segundo Plínio (Nat. .). A lenda de
Horácio Cocles poderá ser uma etiologia para uma estátua.
 O exército de úsculo, liderado pelos flhos e genro de

arquínio, segundo Dionísio de Halicarnasso (.).



C. a versão de ito Lívio (.) sobre Múcio Cévola.
168
Vida de Publícola

alar a mesma língua. . Acercando-se da tribuna em que


o rei estava sentado, como não o conhecia bem e receava
pôr-se a azer perguntas sobre ele, puxou da espada e
matou aquele que de entre os que estavam sentados lhe
pareceu mais ser o rei. . E, na sequência do eito, oi
preso e interrogado. Ora como tinha sido trazida uma
braseira com lume a Porsena, que se preparava para azer
um sacriício, Múcio colocou a mão direita sobre ela
e, enquanto a carne ardia, manteve-se imóvel, ftando
Porsena de semblante temerário e inexível, até que
este, tomado de admiração, o libertou e lhe devolveu a
espada, estendendo-lha da tribuna. . Ele esticou a mão
esquerda e recebeu-a; e dizem que oi por causa disto
que
Afrmoulhe adveio o apelido
que, depois de Cévola,
de vencer o medo isto é, “canhoto”.
de Porsena, tinha
sido derrotado pela nobreza deste e que, por gratidão, lhe
iria revelar o que à orça lhe não conessaria. . «Pois são
trezentos os romanos» – disse ele – «que com a mesma
intenção que eu vagueiam pelo teu acampamento
à espera do momento oportuno. Quanto a mim, a
quem coube por sorteio ser o primeiro a atacar-te, não
lamento a ortuna, já que alhei um homem de valor,
mais digno de ser amigo que inimigo dos Romanos».
. Ao ouvir estas palavras, Porsena acreditou e achou
melhor cessar as hostilidades, não tanto por medo dos
trezentos, parece-me a mim, mas por estar encantado e
cheio de admiração pelo brio e a valentia dos Romanos.
. A este varão, Múcio, todos os autores de igual modo
Mas enganou-se e matou o secretário: c. Liv. .. e D.H.
..-.
169
Plutarco

lhe chamam também Cévola, mas Atenodoro, flho de


Sândon, na obra dedicada a Octávia, irmã de César,
diz que era apelidado de Póstumo.

18.. A verdade é que o próprio Publícola,


considerando que Porsena não era tão temível como
inimigo, quanto seria de grande valor para a cidade ao
torna-se amigo e aliado, não hesitou em escolhê-lo para
julgar a sua causa contra arquínio, mas até encorajou e
desafou amiúde este último, de modo a deixar provado
que era o pior dos homens e que oi com justiça que
ora aastado do poder. . Quando arquínio respondeu
rudemente que não indicava nenhum juiz, e muito
menos Porsena,
lado, Porsena que sendo
mostrou-se aliado estava
desagradado a mudar de
e pronunciou-se
contra ele, ao mesmo tempo que o flho Arrunte tomava
zelosamente partido a avor dos Romanos; pelo que pôs
fm à guerra, na condição de que estes devolvessem o
território da Etrúria que tinham tomado e libertassem
os prisioneiros, levando, por sua vez, de volta os
desertores. . Em acordo com tal pacto, entregaram
dez reéns de amílias aristocratas com togas bordadas


Filósoo estóico natural de arso e um dos preceptores do
jovem Augusto.
 rata-se da irmã de Augusto, que oi casada com Marcelo

e, durante o triunvirato, com António. Em  a.C., mediou as


conversações que levaram ao pacto de arento. O Pórtico de
Octávia preserva a sua memória.
 As sete áreas administrativas (pagi) que os Romanos tinham

tomado na guerra que Rómulo moveu a Veios. C. D.H. ..;


Liv. ...
170
Vida de Publícola

de púrpura e outras tantas donzelas, entre as quais se


encontrava também Valéria, flha de Publícola.

19..
No decorrer de tais concertações, quando
Porsena tinha já descurado todo o aparato bélico
por causa do pacto, as donzelas romanas desceram
a tomar banho, no local onde a margem do rio az
uma curva em orma de crescente, proporcionando
um grande remanso e ausência de ondas. . Como
não viam qualquer guarda nem mais ninguém por
perto ou a atravessar de barco, oram tomadas pela
tentação de escapar a nado para uma corrente orte
e com remoinhos proundos. Dizem alguns que uma
delas, chamada
enquanto Clélia,
instigava atravessou as
e encorajava a passagem a cavalo,
outras que iam a
nado. . Quando chegaram a salvo junto de Publícola,
este não mostrou admiração nem aeição, mas fcou
atormentado por ir parecer a Porsena homem de muito
má é , e por a proeza das donzelas vir a implicar a
acusação de raude para os Romanos. . Por isso, depois
de as mandar prender, tratou de as enviar de novo a
Porsena. Mas os homens de arquínio, tendo sabido
de tais acontecimentos, montaram uma emboscada aos
que conduziam as donzelas e atacaram-nos em número
superior durante a travessia do rio. . No entanto, eles

Quer dizer que ainda não eram adultos – usavam a toga
praetexta (com uma aixa de púrpura, como a dos magistrados)
que, na passagem ofcial à idade adulta, era trocada pela toga virilis.
 A palavra usada é pistis, que traduz a fdes, um dos valores

romanos mais prezados: o respeito pela palavra dada, ‘a fdelidade’


entre amigos, aliados, ou entre patrono e cliente.
171
Plutarco

opuseram resistência, e a flha de Publícola, Valéria,


investindo pelo meio dos combatentes escapou; e
três criados, que tinham ugido juntamente com ela,
protegeram-na. . Enquanto as outras estavam não
sem perigo misturadas com os combatentes, Arrunte,
flho de Porsena, apercebendo-se, veio rapidamente
em ajuda e, pondo em uga os inimigos, salvou os
Romanos. . Quando as donzelas oram levadas a
Porsena, este, vendo-as, perguntou qual é que tinha
tido a iniciativa da acção e tinha encorajado as outras.
endo ouvido o nome de Clélia, olhou para ela com
um semblante aável e divertido e mandou trazer
um cavalo real fnamente adornado que lhe deu de
presente. . al donativo
os que asseveram consideram-no
que Clélia como prova
atravessou sozinha o rio
a cavalo. Outros contestam, dizendo que o etrusco
estava era a honrar a sua coragem viril. Na Via Sacra 
a caminho do Palatino, eleva-se um estátua equestre
dela, escultura que alguns dizem ser, não de Clélia,
mas de Valéria .
. Quanto a Porsena, reconciliado com os Romanos,
deu muitas outras provas da sua magnanimidade para
com a Urbe. Inclusivamente, deu ordens aos Etruscos
para levarem as armas e nada mais, mas para deixarem o

 Via Sacra, a mais antiga rua de Roma, era o caminho que


atravessava o Foro Romano e ia da colina Vélia ao Capitólio. Junto
a ela se elevavam os mais importantes lugares de culto da Urbe e
por ela desflavam os cortejos triunais, a caminho do templo de
Júpiter.
 Para uma versão dierente da história de Clélia, c. Liv.

..-.
172
Vida de Publícola

acampamento recheado de abundante trigo, bem como


de toda a sorte de recursos, bens que ele oereceu aos
Romanos. . Por isso, ainda agora entre nós, quando
se procede à venda de bens públicos, os primeiros são
proclamados bens de Porsena, preservando eternamente
na memória a honra devida ao homem por tal
generosidade. E existia até junto à Cúria uma estátua
dele em bronze, de abrico simples e arcaico.

20..
Depois destes acontecimentos, quando
os Sabinos invadiram a região, oram eleitos cônsules
Marco Valério, irmão de Publícola, e Postúmio
uberto. Servindo-se para as maiores empresas do
conselho e da presença
grandes batalhas, de Publícola,
na segunda Marco
das quais, venceutreze
eliminou duas
mil inimigos sem perder um único Romano. . E teve
como prémio, além de dois triunos, uma casa para si
próprio, construída a expensas públicas no Palatino. .
Então as portas das outras casas abriam-se para dentro,
para o átrio, e só as daquela moradia oram concebidas
de modo a dar para o exterior, para que pela outorga
de tal honra ele usuruísse sempre do espaço público.


Bouleuterion em grego. A Cúria era o ediício habitual da
reunião do senado no Foro e a sua construção atribuída a ulo
Hostílio. Durante as sessões, as portas permaneciam abertas.
 É a única reerência a uma estátua de Porsena. A sua existência

parece reorçar a afrmação de ácito e Plínio de que este rei


conquistou de acto Roma e a governou durante algum tempo, ao
contrário do que a tradição nacionalista deende. Vide introdução.
 Cônsul duas vezes: em , com Marco Publícola, e em ,

com Agripa Mémnio Lanato.



Vide nota a ..
173
Plutarco

. Diz-se que, nos princípios, todas as casas da Grécia


se apresentavam assim – e tal se deduz das comédias,
pois os que se preparam para sair batem e azem barulho
nas suas portas a partir de dentro, de modo a que se
apercebam de ora os que passam ou estão parados em
rente e não sejam colhidos pela abertura das portas para
a rua.

21..No ano seguinte, Publícola oi de novo


cônsul, pela quarta vez. Havia a expectativa de uma
guerra com uma coligação de Sabinos e Latinos. . E,
ao mesmo tempo, a cidade oi tomada de uma certa
superstição, pois todas as mulheres grávidas pariam
aleijões, e nenhumadegestação
razão, Publícola, acordo chegava
com os aolivros
fm. sibilinos
. Por esta
,

tratou de azer um sacriício expiatório a Plutão e uns


Em , junto com ito Lucrécio.

Os Livros Sibilinos eram uma antiga recolha de proecias da
Sibila de Cumas, que segundo a tradição tinham sido vendidos a
arquínio o Antigo, depois de um ruinoso processo de regateio.
Eram consultados por ordem do senado em ocasiões especialmente
diíceis para o estado romano: dissenções civis, graves derrotas
militares, aparecimento de sinais e prodígios. Com o advento do
Cristinismo as proecias da Sibila de Cumas oram muitas vezes
interpretadas em sentido cristão.

Plutarco reere o correspondente grego: ‘Hades’.
174
Vida de Publícola

jogos sugeridos pelo oráculo pítico; e restabelecida


a cidade pela esperança no avor divino, voltou-se para
os receios causados pelos homens, pois apresentavam-se
grandes os preparativos e a coligação dos inimigos.
. Habitava então entre os Sabinos Ápio Claus o ,
varão poderoso pela riqueza e de assinalável robustez
pela pujança do corpo, mas acima de tudo inexcedível
pela ama de integridade e pela veemência da palavra.
. Mas não evitou sorer o que sobrevém a todos os
grandes: tornou-se objecto de inveja. E, ao propor
o fm da guerra, oereceu a quem o invejava motivo
para o acusarem de estar a aumentar o poder romano
com o fto na tirania e de se preparar para reduzir a
pátria à escravatura.
pactuava . Aoeaperceber-se
com tais boatos de que
que ele próprio o povo
provocava
a animadversão da maioria, quer dos deensores da
guerra quer dos soldados, temia um julgamento. Mas,


rata-se dos Ludi Tarentini ou Taurii, que, mais tarde,
receberam o nome de Ludi Saeculares. Segundo Valério Máximo
(..), surgiram na sequência da recuperação de umas crianças da
gens Valéria vítimas de peste, depois de beberem água de um local
no Campo de Marte chamadoTarentum – que veio a dar o nome
aos jogos. Eram inicialmente celebrados em honra de DiteDis (,
Ditis) (identifcado com Plutão) e Prosérpina, deuses dos reino dos
mortos. Durante a República, só terão sido celebrados três vezes.
Modifcados, na intenção e na orma, oram celebrados com pompa
e circunstância por Augusto ( a.C.), e depois também por Cláudio
( d.C.), por Domiciano ( d.C.) e, pela última vez, por Filipe
(), supostamente nos estejos dos mil anos da undação da cidade.

al reerência ao oráculo de Apolo em Delos deve ser
resultado da ligação de Plutarco àquele oráculo.
 Em língua sabina, chamava-se Attus Clausus, segundo Lívio

(..). O nome oi depois romanizado em Ápio Cláudio.


175
Plutarco

contando com a união e a orça de apoio dos amigos


e amiliares ao seu redor, mantinha a oposição. . E
tal porfa oi para os Sabinos um motivo para perder
tempo e adiar a guerra. Ora Publícola, sem se poupar a
esorços, não só para estar a par destes acontecimentos,
mas também para impulsionar e apressar a sedição,
tratou de arranjar homens de confança que oram
transmitir a Clauso da sua parte o seguinte: «Publícola
pensa que tu, sendo um homem leal e justo, não deves
deender-te dos teus concidadãos por recurso a algum
mal, ainda que estejas a ser tratado injustamente
por eles. Se quiseres buscar a tua salvação no exílio
e na uga aos que te odeiam, ele irá receber-te em
público e em privadodosdeRomanos».
da magnanimidade modo digno. daConsiderando
tua honra e
repetidamente estas palavras, pareceu a Cláudio que,
dados os constrangimentos, esta era a melhor solução,
pelo que tratou de convocar os amigos, que por sua vez
convenceram muitos outros, e, transplantando cinco
mil amílias com crianças e mulheres, sobretudo gente
tranquila que existia entre os Sabinos, de vida pacífca
e ordenada, conduziu-os para Roma . Publícola, que
já tinha conhecimento de que iam chegar, recebeu-os
de orma amigável e solícita, em observância de toda
a equidade: . integrou imediatamente as amílias
nas estruturas de organização dos cidadãos e atribuiu a
cada qual uma porção de terra de dois pletros  junto

 Outra tradição, transmitida por Suetónio (Tib. ), az


remontar esta migração ao tempo de Rómulo.

Medida assimilada ao iugerum latino. Seria o correspondente
176
Vida de Publícola

ao rio Ânio . A Clauso deu vinte e cinco pletros de


terra e ainda o ins creveu no senado. Foi assim que este
deu início a uma actividade política que, gerida com
sabedoria, elevou ao primeiro plano e atingiu grande
poder. E a amília Cláudia, que dele descende, não oi
menor que nenhuma outra em Roma .
22.. No que toca às dissensões
entre os Sabinos,
apesar de resolvidas com a migração daqueles homens,
não consentiram os líderes do povo que se restabelecesse
a calma e a normalidade. Clamavam indignados
que Clauso, depois de se tornar exilado e inimigo,
conseguira aquilo de que não os convencera enquanto
estava
pela suapresente: que .
arrogância. os Pondo-se
Romanosentão
não ossem punidos
a caminho com

a um dia de lavoura de uma junta de bois.



O moderno Aniene, rio que separa a Sabina do Lácio.
Junta-se ao ibre a norte de Roma. Era navegável até íbur (actual
ivoli).

Suetónio (Tib. ) inicia a Vida de Tibério com uma súmula
da história dos Cláudios ao longo da República, incluindo eitos
louváveis e censuráveis. Esta poderosa estirpe, unida à amília
dos Júlios, em consequência do casamento de Octávio (flho
adoptivo do Divus Iulius) com Lívia, deu srcem aos imperadores
Júlio-Cláudios que governaram Roma até  d.C., altura em
que Nero se suicidou. ibério era flho de ibério Cláudio Nero
(primeiro marido de Lívia), mas oi depois adoptado por Augusto.
Gaio (Calígula) era neto de Druso (flho de Lívia) por parte do pai
Germânico, e neto de Júlia (a flha de Augusto) por parte da mãe
Agripina Maior. Cláudio era, como Germânico, flho de Druso.
Nero (nome que recebera ao ser adoptado por Cláudio) era neto
de Germânico por parte da mãe Agripina Menor e sobrinho de
Calígula. Era também um Aenobarbo por parte do pai biológico,
nome por que não apreciava ser chamado.
177
Plutarco

um grande exército, acamparam na zona de Fidenas


e montaram uma emboscada nos terrenos arborizados
e valados em rente a Roma com dois mil soldados de
inantaria, com a intenção de, ao romper do dia,
conduzirem abertamente uma razia com uns poucos
cavaleiros. . inham-lhes dado ordens para, assim que
se aproximassem da Urbe, retirarem pouco a pouco, de
modo a atraírem os inimigos para a cilada. Publícola,
inormado de tais planos no próprio dia pelos desertores,
tratou de tudo rapidamente e dividiu as orças: . o seu
genro, Postúmio Balbo, saiu ao fm da tarde com três
mil soldados de inantaria para ir ocupar as cristas dos
montes sob os quais os Sabinos estavam emboscados, e aí
montou guarda; o na
fcou estacionado seu cidade
colega de
commagistratura, Lucrécio,
os mais ligeiros e os
mais jovens para atacar os cavaleiros que conduziam a
razia; e ele próprio tomou consigo o resto do exército
e oi montar um cerco ao acampamento inimigo. .
E, por sorte, tinha sobrevindo uma orte neblina ao
romper da aurora, quando, de uma assentada, Postúmio
se precipitou do alto dos montes com grande alarido
sobre os que estavam emboscados; Lucrécio lançou
os seus homens contra os cavaleiros que avançavam; e

 Cidade do Lácio, local estratégico para o controlo da Via


Salaria. Foi conquistada por Roma em  a.C.

Plutarco diz ‘hoplitas’, o conhecido modelo de soldado de
inantaria grego, com armamento custeado pelo próprio e técnicas
de combate em alange. A arqueologia mostra que as técnicas
hoplíticas terão sido introduzidas em Roma no século VI a.C.,
pelo que parecem ter sido anteriores às reormas atribuídas a Sérvio
úlio (divisão por classes e centúrias) que serão do séc. V.
178
Vida de Publícola

Publícola avançou contra o acampamento inimigo. .


Por toda a parte houve desgraça e destruição entre os
Sabinos. Os que lá estavam ugiram sem se deender,
mas mataram-nos os Romanos. A esperança depositada
nos outros tornou-se a sua maior desgraça. . É que cada
grupo, julgando que o outro estava a salvo, não cuidava
de combater ou manter a posição; mas uns corriam a
buscar a salvação junto dos que estavam emboscados,
e estes, por seu turno, corriam para os que estavam
no acampamento; pelo que, na uga, esbarravam com
aqueles para junto dos quais ugiam e encontravam
a precisar de ajuda aqueles que esperavam que os
ajudassem. . E se, em vez de terem perecido todos,
alguns escaparam,
estar perto, oi a cidade
o proporcionou, de Fidenas
e acima de tudoque, por
àqueles
que debandaram do acampamento, quando este oi
capturado. Aqueles que não lograram chegar a Fidenas
ou oram mortos ou, se sobreviveram, oram levados
por quem os capturou.

23.. Perante tal sucesso, os Romanos, habituados


embora a imputar todos os grandes empreendimentos
a uma orça divina, consideraram o eito como mérito
unicamente do comandante. E até se ouvia dizer aos
combatentes que Publícola lhes entregara os inimigos
conusos e cegos – só altou atá-los – para serem passados
ao fo da espada. . E o povo viu acrescentada a sua riqueza
com os despojos e os prisioneiros de guerra. . Quanto a
Publícola, logo depois de celebrar o triuno e de transerir
a cidade para os cônsules eleitos depois de si, terminou

179
Plutarco

os seus dias, tendo levado a sua vida à pereição, tanto


quanto é possível para os homens, especialmente os
que são considerados nobres e bons. . E o povo, como
se nada tivesse eito para o honrar em vida, mas osse
devedor de toda a gratidão, decretou azer o uneral a
expensas públicas, ecada qual contribuiu para o honrar
com um quadrante . ambém as mulheres por acordo
privado entre si fzeram luto por tal varão durante um
ano inteiro, numa maniestação de pesar honrosa e
invejável. . Foi sepultado, também neste caso por voto
popular, dentro da cidade, junto ao chamado Vélia,
pelo que toda a sua linhagem tinha direito à sepultura.
. Mas, nos dias de hoje, já nenhum membro da amília
édepositam-no
sepultado; transportam, contudo,
no chão. Então alguémo deunto
pega numaparatocha
ali e
unerária e aproxima-a, mete-a por baixo e retira-a logo,
para confrmar o direito a cumprir ali o acto. E depois,
levam o corpo de volta.


Um quadrante era uma moeda de bronze que valia um
quarto do asse e pesava . g.
 A Lei das XII tábuas proibia o enterro dentro da cidade, com

excepção para Fabrício e Publícola (c. Cic.Leg. ..)



Há uma ligação da Gens Valeria à colina Vélia: c. ..
180
Comparação de Sólon Com
publíCola 1


Tradução de José Luís Brandão
Vida de Publícola

24.. Subsistirá, então, algo de particular no


que respeita a esta comparação, que não tem qualquer
paralelo com os já tratados, porquanto o segundo se
revela imitador do anterior, e o primeiro constitui uma
undamentação para o segundo. É pois o caso do dito que
Sólon pronunciou a Creso sobre a elicidade: diz mais
respeito a Publícola do que a Telo. . É que em relação a
Telo, que ele disse ser o mais eliz dos homens pela boa
ortuna, pela virtude e pela bênção dos lhos, não ez
qualquer menção
nem os lhos nos seusvirtude
ou alguma versos lhe
como homem ama.
granjearam bom;
. Já Publícola, enquanto viveu, oi o primeiro entre os
Romanos pelo poder e pela ama da virtude; e, depois de
morto, são os Publícolas, os Messalas, os Valérios que,
seiscentos anos depois, continuam a carregar entre nós a
ama da sua virtude nas mais coroadas estirpes e ramos
amiliares. . Quanto a Telo, oi morto pelos inimigos
enquanto combatia no seu lugar, como homem de valor
que era. Ora Publícola, depois de aniquilar muitos
inimigos, o que é mais venturoso que cair morto, depois
de viver para ver a pátria vencer graças ao seu próprio
governo e comando, depois de conseguir honras e
triunos, é que lhe coube em sorte um m, no dizer
de Sólon, invejável e bem-aventurado. . E mais, as


C. Sol. .
183
Plutarco

palavras que este proeriu sobre o tempo de vida em


controvérsia com Mimnermo – «que a minha morte não
chegue sem pranto, / mas que aos meus amigos eu, ao
morrer, induza pena e lamentos!» – azem de Publícola
um homem abençoado. . É que, quando se nou, não
oram só os amigos e amiliares, mas oi toda a cidade,
várias dezenas de milhares de pessoas, acometidas pelas
lágrimas, pela saudade e pelo pesar. Pois as mulheres
romanas choraram-no como se tivessem perdido um
lho, um irmão ou um pai comum. . «Riquezas
desejar ter» – diz Sólon – «mas não as desejar adquirir
ilegitimamente, porque a punição segue-as». Ora,
em Publícola, não só não se encontra enriquecimento
torpe, como
ao serviço dosainda um gasto.decente,
necessitados. ao pôr os se
Por conseguinte, recursos
Sólon
oi o mais sábio de todos os homens, Publícola oi o
mais eliz, pois os bens, que aquele havia desejado como
mais belos e mais nobres, Publícola teve oportunidade
de os alcançar e de os preservar, para deles ruir até ao
m dos seus dias.

25.. Assim, Sólon honrou Publícola, e este


honrou por sua vez Sólon, ao tomá-lo pela sua acção
política como o melhor dos modelos de governante
de uma democracia. Pois, ao eliminar a altivez do
poder, estabeleceu-o agradável e tolerado por todos e
empregou várias leis daquele estadista. . Tornou, pois,
a multidão soberana na escolha dos magistrados e deu

Frg.  West.

Frg. .- West.
184
Vida de Publícola

aos acusados o direito de apelarem para o povo, como


Sólon para os jurados. Não criou um segundo conselho,
como ez Sólon, mas aumentou o existente, duplicando
o número. . Também a instituição de questores para o
tesouro proveio daquela mesma onte, de modo a que
o cônsul, se é honesto, tenha tempo livre para as coisas
mais importantes, e, se é vil, não tenha mais meios de
cometer injustiças, por ser senhor tanto dos assuntos do
estado como das riquezas.
. Quanto ao ódio à tirania, era mais ardente em
Publícola que em Sólon. Este último, a quem tentasse
tornar-se um tirano, impunha-lhe a pena depois da
condenação, enquanto aquele permitia que osse
eliminado
orgulho queantes do julgamento.
Sólon . Foi
declarou que, com recto
mesmo e justo
quando os
assuntos de estado e os cidadãos lhe permitiam tornar-se
um tirano, não aceitou; mas não menos belo é o acto de
Publícola ter transormado o poder tirânico que tomara
em poder democrático, sem que lhe osse permitido
gozar de quanto tinha tido. . E tal parece ter sido uma
intuição prévia de Sólon, quando disse que o povo
«segue muito melhor os líderes / se não está demasiado
livre nem demasiado oprimido».

26..
Pessoalmente associada a Sólon é a remissão
das dívidas: oi sobretudo com esta medida que garantiu
a liberdade aos cidadãos. De acto, nada ajudam as leis
que propõem a igualdade, se esta é arrebatada pelas


Frg. .- West.
185
Plutarco

dívidas aos pobres; mas onde eles parecem sobretudo


gozar de liberdade são acima de tudo escravos dos
ricos, isto é, nos julgamentos, no exercício do poder
e no uso da palavra, estão sempre submetidos a eles e
ao seu serviço. . E o mais relevante é que, apesar de
o corte de dívidas ser sempre seguido de sedição, só
daquela vez, por recurso a um remédio perigoso, mas
orte, pôs m à sedição que estava em curso. Através da
virtude e prestígio pessoal, venceu a má reputação e as
recriminações que a medida provocara.
. De toda a carreira política, Sólon oi mais
brilhante no início, porque oi um inovador, em vez de
um continuador, e executou, por si só, sem colaboração
de
da outrem, a maior.eNo
vida pública. a mais
querelevante
toca ao parte
nal das matérias
da vida, oi
mais aortunado e invejável o de Publícola. Com eeito,
Sólon viu ainda em vida a sua constituição dissolver-se;
enquanto a de Publícola manteve a cidade em ordem até
às guerras civis. Sólon, mal instituiu as leis, deixou-as
escritas em madeira, destituídas de um deensor, quando
abandonou Atenas; mas Publícola, pela permanência
na cidade, pelo exercício da magistratura e gestão dos
assuntos do estado assentou e consolidou a constituição
com rmeza. . Sólon, percebendo embora o que
Pisístrato preparava, não teve possibilidade de o evitar,
e cedeu à instauração da tirania; enquanto Publícola
expulsou e destruiu uma monarquia que já era poderosa
há muito tempo. Apresentando-se embora semelhante
na virtude e nos princípios, este gozou da ortuna e de
um poder eectivo como complemento da virtude.

186
Vida de Publícola

27.. No que diz respeito aos comandos militares,


Daímaco de Plateias não reconhece a Sólon nem a
guerra contra Mégara, tal como a narrei. Já Publícola
oi bem sucedido em batalhas assaz importantes como
combatente e como comandante. . E além disso, no
que toca à acção política, o primeiro, por algum tipo
de brincadeira ou disarçada loucura, apresentou-se a
discursar a avor da devolução de Salamina. O segundo,
arriscou correr perigos imensos: além de enrentar os
Tarquínios, ainda pôs a descoberto a traição, pelo que
oi ele também o principal responsável por os culpados
não terem escapado ao castigo. Não só expulsou
sicamente os tiranos deles.
cerce as expectativas da cidade, como enrentou
. Assim, também cortou
rme
e aoitamente os assuntos que implicavam combate,
bravura e conrontação, e ainda melhor os que exigiam
conversação pacíca e persuasão estratégica, como
quando enrentou elegantemente Porsena, homem
então invicto e temível, e o transormou em amigo.
. Alguns dirão então que Sólon recuperou para
os Atenienses Salamina, que eles tinham perdido,
enquanto Publícola retirou de terras que os Romanos
tinham possuído. Mas é preciso analisar as acções ace
às circunstâncias do momento. . Pois, sendo fexível,
um político trata cada caso da orma como se apresenta
mais propícia, e muitas vezes perde a parte para salvar
o todo, e desiste dos pequenos resultados para ganhar
nos grandes. Assim, aquele varão, desistindo, na altura,
dos territórios alheios, garantiu a salvação dos seus. Para

187
Plutarco

os Romanos, cuja preservação da cidade era já grande


empresa, ganhou o acampamento dos sitiantes. E
conando ao inimigo o julgamento, ganhou a causa e
recebeu tudo quanto seria desejável que eles dessem para
vencer. . E, com eeito, o inimigo desistiu e deixou-lhes
as provisões da guerra, por causa da conança que o
cônsul lhe inspirava sobre a virtude e a nobreza de todos
eles.

188
Vida de Publícola

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19
Vida de Publícola

Índice de nomes

Academia: Sol. ..


Ájax: Sol. 0.2-3.
Alcméon: Sol. .2; 2..
Alcmeónidas: Sol. 30.6.

Anacársis: Sol.Sol.
Amonfáreto: 0.6.
5.-6.
Anaxilas: Sol. 0.6.
Anaxímenes: Publ. ..
Andrócion: Sol. 5.3-4.
Anfictionia ( D): Sol. ..
Ânio: Publ. 2.0.
Ápio C C: Publ. ..
Ápio C: Publ. 2.4-0.
Apolo I: Sol. 4.6.
Aquílios: Publ. 3.4; 4.; 4.3; 5.; 5.2; ..
Areópago: Sol. .-5; 22.3; 3.3.
Areopagitas: Sol. .2-5.
Argadeus: Sol. 23.5.
Aríston: Sol. 30.3.
Aristóteles: Sol. .; 25.; 32.4.
Arrunte: Publ. .3; .2; .6; (6.).
Asclepíades: Sol. ..
Asopo: Sol. ..
Atenas: Sol. passim; Publ. 5.4; Comp. Sol. Publ. 26.4.
Atenienses: passim.
Atenodoro: Publ. ..
Ática: Sol. 0.3.
Atlântida: Sol. 26.; 3.6; 32.-2.
Augusto: vide C. ..
Báticles: Sol. 4..
Bias: Sol. 4.5; 4..
Bíton: Sol. 2..
Blastes: Sol. 2..
Bosque H: Publ. .2.
Bráuron: Sol. 0.3.
Bruto, L J: Publ. .3; .4; .5; 2.2; 2.3; 3.2; 3.3; 3.5; 4.4; 6.;
6.2; 6.4; 6.6; .3; .5; .3; 0.; 0.2; 6..
Bubulco: Publ. ..
Campo de Marte: Publ. ..
197
Plutarco

Canopo: Sol. 26..


Capitólio: Publ. 3.; 3.4; 4.; 4.4; 4.6; 5.3; 5.5.
Caprário: Publ. ..
Carmo: Sol. ..
Cátulo: Publ. 5..
Celtas: Sol. 2..
César (A.): Publ. ..
Chipre: Sol. 26.2.
Cibisto: Sol. .2.
Cicreu: Sol. ..
Cílon: 2.-3..
Cípria: Sol. 3..
Cípris: Sol. 26.4.
Cirádion: Sol. .6.
Ciro: Sol. 2.2-6.
Cirra: Sol. ..
Clário: Sol. 26.2.
Cláudia,  (gens): Publ. 2.0.

Cléobis:Publ.
Clélia: .2-.
Sol. 2..
Cleómenes: Sol. 0.6.
Clínias: Sol. 5..
Clúsio: Publ. 6..
Codro: Sol. .2.
Colatino, T: Publ. .5; 3.2; 3.5; 4.4; 6.2; .; .2; .3; .6.
Cólias: Sol. .4.
Cómias: Sol. 32.3.
Cónon: Sol. 5..
Corinto: Sol. 4..

Cós: Sol. 4.3;


Cratino: Sol. 4.5.
25.2.
Creso: Sol. 4.; 2.-2.6; Comp. Sol. Publ. 24..
Creta: Sol. 2..
Critolaídas: Sol. 0.6.
Crónida: Sol. 3.5.
Cureta: Sol. 2..
Daímaco de Plateias: Comp. Sol. Publ. 2..
Délfios: Sol. ..
Delfos: Sol. 4.; 4.; .; .-2; 25.3.
Demades: Sol. .3.
Demarato: Publ.4..

198
Vida de Publícola

Deméter: Sol. .4.


Demétrio: Sol. 23.3;
Demofonte: Sol. 26.2;
Dídimo: Sol. .;
Dionísio: Sol. 20..
Dioniso: Sol. 3..
Domiciano: Publ. 5.3; 5.5; 5.6.
Drácon: Sol. .-4; .3; 25.2.
Éfetas: Sol. .3-5.
Egicoreus: Sol. 23.5.
Egipto: Sol. 2.; 26..
Eniálio: Sol. ..
Epeia: Sol. 26.3.
Epicarmo: Publ. 5.5.
Epiménides: Sol. 2.-2.
Éreso: Sol. 32.3.
Eros: Sol. ..
Esopo: 6.; 2..
Ésquines: Sol. .2.
Etrúria: Publ. 3.; .2.
Etruscos: Publ. .; .6; .; .; ..
Eubeia: Sol. .3; 4..
Eufórion: Sol. ..
Eurípides: Sol. 22.2.
Eurísaces: Sol. 0.3.
Eante: Sol. .2.
Execéstides: Sol. .2.
Fáleron: Sol. 23.3.
Fânias: Sol. 4.2; 32.3.

Festos: Sol.
Fidenas: 2..
Publ. 22.2; 22..
Filaídas: Sol. 0.3.
Fileu: Sol. 0.3.
Filocipro: Sol. 26.2-4.
Fílocles: Sol. ..
Filoctetes: Sol. 20..
Filômbroto: Sol. 4.3.
Flias: Sol. 2.4.
Foco: Sol. 4..
Geleontes: Sol. 23.5.
Grécia: Publ. 20.4.

199
Plutarco

Hegéstrato: Sol. 32.3.


Hélade: Sol. 2.4.
Helena: Sol. 4.3.
Helenos: 5.6; .; 2..
Heliópolis: Sol. 26..
Hera: Sol. 2..
Héracles: Sol. 6.2.
Heraclides Pôntico: Sol. .3; 22.4; 3.4; 32.3.
Héreas: Sol. 0.5.
Hermínio: Publ. 6.6.
Hermipo: Sol. 2.; 6.; .2.
Hesíodo: Sol. 2.5.
Hipócrates: Sol. 2.; 30..
Hiponico: Sol. 5..
Hipsíquidas: Sol. 0.6.
Homero: Sol. 0.2; 25.4.
Hopletes: Sol. 23.5.
Horácio Cocles: Publ.6.6-.
Horácio, M: Publ. 2.6; 4.3; 4.4; 4.6; 4.; 4.; 5..
Íon: Sol. 23.5.
Iónia: Sol. 0.6.
Janículo: Publ. 6.4.
Jogos Ístmicos: Sol. 23.3.
Jogos Olímpicos: Sol. 23.3.
Júpiter,  : Publ. 3.; 4.; 5.
Lacedemónia: 22.2.
Lacedemónios: Sol. 0.; 6.2.
Lárcio: Publ. 6.6.
Latinos: Publ. 2..

Lesbos: Sol.
Licurgo: Sol.4.2.
6.; 22.2; 2..
Lídios: Sol. 2..
Liros Sibilinos: Publ. 2.3.
Lua: Sol. 25.4-5.
Lucrécia: Publ. .3; .5; 2.5.
Lucrécio, E: Publ. 2.5; 2.6.
Lucrécio, T: Publ. 6.3; 6.6; 22.4; 22.5.
Massália: Sol. 2..
Mégacles: Sol. 2.-2; 2.; 30.6.
Mégara: Sol. 0.5; Comp. Sol. Publ. 2..
Megarenses: Sol. .; .4-6; .4-; 0.4-5; 2.5.


Vida de Publícola

Mélite: Sol. 0.3.


Messalas: Comp. Sol. Publ. 24.3.
Metagítnion: Publ. 4.6.
Midas: Publ. 5.6.
Milésios: Sol. 4.5; 2..
Mileto: Sol. 4.3; 4.5-; 6.; 2..
Mimnermo: Comp. Sol. Publ. 24.5.
Minúcio, G: Publ. 3.3.
Minúcio, M: Publ. 2.3.
Míron: Sol. 2.4.
Mitilene: Sol. 4..
Múcio Céola: Publ..2-.
Muníquia: Sol. 2.0.
Musas: Sol. 3..
Niseia: Sol. 2.5.
Octáia: Publ. ..
OlympieiOn: Sol. 32.2.
Oráculo Pítico: Publ. 2.3.

Pateco: Sol.Publ.
Palatino: 6...; 20.2.
Periandro: Sol. 4.; 2..
Perifemo: Sol. ..
Persas: Sol. 2.2.
Pisístrato: Sol. .3-; .3-4; 0.3; 2.-3.5; 32.3; Comp. Sol. Publ. 26.5.
Pítaco: Sol. 4..
Pítia: Sol. 4.4.
Píton: Sol. 4..
Platão: Sol. 2.; 26.; 3.6; 32.-2.
Plutão: Publ. 2.3.

Polielo:
Pórcio: Sol. ..
Publ. 5..
Porsena: Publ. 6.-4; .-; .-2; .; .3; .4; .6; .; .;
.0; Comp. Sol. Publ. 2.3.
Postúmio Balbo: Publ. 22.4; 22.5.
Postúmio Tuberto:Publ. 20..
Prado Néio: Publ. .2.
Priene: Sol. 4..
Prítanes: Sol. .5.
Pritaneu: Sol. .4; 25..
Prótis: Sol. 2..
Psenófis: Sol. 26..

1
Plutarco

Publícola, V: Publ. passim; comp. Sol. Publ. 24-2


Ratúmena, : Publ. 3.4.
Ródano: Sol. 2..
Rodes: Sol. 5..
Roma: Publ. .2; .; 3.4; 5.3; 6.2; 6.3; 6.6; 22.2.
Romanos: Publ. .; 3.3; 6.6; .; .2; .6; .; .; .0; 0.; 0.5;
.5; 3.; 3.3; 6.2; 6.6; 6.; .; .6; .; .2; .3; .6;
.; 2.; 22.; 22.6; 23.; Comp. Sol. Publ. 24.3; 2.4; 2.5.
Rómulo: Publ. 6.6.
Sabinos: Publ. .; 4.; 2.; 2.4; 2.; 2.; 22.; 22.4; 22.5; 22.6.
Sais: Sol. 26.; 3.6.
Salamina: Sol. .-0.; 2.5; 32.4; Comp. Sol. Publ. 2.2; 2.4.
Samos: Sol. .2.
Sândon: Publ. ..
Sardes: Sol. 2.2; 2..
Saturno,  : Publ.2.3.
Sete Sábios: Sol. 2..
Sígnia: Publ. 6.3.
Sol: Sol. 25.4;
Sólon: Sol. passim; Comp. Sol. Publ. 24-2.
Solos: Sol. 26.3-4.
Sônquis: Sol. 26..
Suílio: Publ. ..
Sula: Publ. 5..
Tales: Sol. 2.; 3.; 4.5-; 5.; 6.-6; .2; 2..
Tarquínia: Publ. .; ..
Tarquínio o Soberbo: Publ. .3; .5; 2.3; 3.; 3.4; 4.3; .6; .; .;
.; .3; 0.; 0.2; .2; 3.; 4.; 5.; 5.3; 6.; 6.2; .;
.2; .4.

Tarquínio Prisco:
Tarquínios: Publ.
Publ. 2.2; 4..
3.5; 3.3; Comp. Sol. Publ. 2.2.
Tebas: Sol. 4.6.
Telo: Sol. 2.6-; Comp. Sol. Publ. 24.-2; 24.4.
Teofrasto: Sol. 4.; 3.5.
Tersipo: Sol. 3.4.
Teseu: Sol. 26.2.
Téspis: Sol. 2.6-.
Tibério Valério: Publ. 6.2.
Tinondas: Sol. 4..
Tito Valério:Publ. 6.2.
Tróia: Sol. 4.3.


Vida de Publícola

Ulisses: Sol. 30..


Valéria: Publ. .3; .5; ..
Valério, M:Publ. 5.; 5.3; 4.6; 4.; 20..
Valério, V: Publ. ..
Valérios: Comp. Sol. Publ. 24.3.
Veios: Publ. 3.; 3.3; 3.5.
Vélia: Publ. 0.3; 23.5.
Vespasiano: Publ. 5.2; 5.3.
Vestais: Publ. ..
Vetúrio, P: Publ. 2.3.
Via Sacra: Publ. ..
Vica Pota:Publ. 0.6.
Víndico: Publ. 4.2; 4.4; 5., 6.; .; .4; .; ..
Vitélio: Publ. 5.2.
Vitélios: Publ. 3.4; 3.5.
Vulcano, : Publ. 6..
Zeus: Sol. .5; 3.5; 6.2; .5; 2.; 2.6.


Volumes publicados na ColeCção Autores
GreGos e lAtinos – série textos GreGos
1. D F. L  M  C F: Plutarco. Vidas
Paralelas – Teseu e Rómulo. Tç  ,
ç   (C, CECH, 200).
2. D F. L: Plutarco. Obras Morais – O banquete dos
Sete Sábios. Tç  , ç  
(C, CECH, 200).
3. A E P: Xenofonte. Banquete, Apologia de
Sócrates. Tç  , ç  
(C, CECH, 200).
4. C  J, J L B, M S,
R L: Plutarco. Obras Morais – No Banquete
I – Livros I-IV. Tç  , ç
 . Cç  J R F
(C, CECH, 200).
5. Á R, A E P, Â Sç, C
 J, J R F:Plutarco. Obras Morais
– No Banquete II – Livros V-IX. Tç  ,
ç  . Cç  J R
F (C, CECH, 200).
6. J P: Plutarco. Obras Morais – Da Educação
das Crianças. Tç  , ç  
(C, CECH, 200).
7. A E P: Xenofonte. Memoráveis. Tç 
, ç   (C, CECH, 200).


8. C  J: Plutarco. Obras Morais – Diálogo
sobre o Amor, Relatos de Amor. Tç  ,
ç   (C, CECH, 200).
9. A M G F  Á R Cç
R: Plutarco. Vidas Paralelas – Péricles e Fábio
Máximo. Tç  , ç  
(C, CECH, 200).
10. P B D: Plutarco. Obras Morais - Como
Distinguir um Adulador de um Amigo, Como Retirar
Benefício dos Inimigos, Acerca do Número Excessivo
de Amigos. Tç  , ç  
(C, CECH, 200).
11. B M: Plutarco. Obras Morais - Sobre a
Face Visível no Orbe da Lua. Tç  ,
ç   (C, CECH, 200).
12. J. A. S  C: Licurgo. Oração Contra
Leócrates. Tç  , ç  
(C, CECH /CEC, 200).
13. C S  Rv R: Plutarco. Obras
Morais - Sobre o Afecto aos Filhos, Sobre a Música.
Tç  , ç   (C,
CECH, 200).
14. J L L B: Plutarco. Vidas de Galba
e Otão. Tç  , ç  
(C, CECH, 200).


15. M Vz: Plutarco. Vidas de Demóstenes e Cícero.
Tç  , ç   (C,
CECH, 200).
16. M  C F  N S R:
Plutarco. Vidas de Alcibíades e Coriolano. Tç 
, ç   (C, CECH, 200).
17. G Oy  A L C: Apolodoro. Contra
Neera. [Demóstenes] 59. Tç  , ç
  (C, CECH, 20).
18. R L: Platão. Timeu-Critías. Tç 
, ç   (C, CECH, 20).
19. P R M: Pseudo-Xenofonte. A Constituição
dos Atenienses. Tç  , ç,  
 (C, CECH, 20).
20. D F. L  J L L. B: Plutarco.Vidas
de Sólon e Publícola. Tç  , ç,
   (C, CECH, 202).

7
Impressão:

Simões &
A. Fernando Linhares,
Namora, n.ºLda.
3 - Loja 4
3000 Coimbra

9