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ELETRICIDADE BÁSICA

PROF° ENG° FLÁVIO RAMIRES

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1 – Eletricidade – Pequeno Histórico
A seguir colocamos em ordem cronológica alguns fatos de grande importância no
desenvolvimento de teorias e conceitos sobre eletricidade.

600 a. C. Tales de Mileto – Observação de um pedaço de âmbar atrai pequenos


fragmentos de palha, quando previamente atritado.
William Gilbert – Outras substâncias além do âmbar são capazes de
1600 adquirir propriedades elétricas. Estudos sobre imãs e interpretação do
magnetismo terrestre.
1672 Otto von Guericke – Invenção da primeira máquina eletrostática.
Stephen Gray – Os metais tem a propriedade de transferir a
1729 eletricidade de um corpo a outro. Primeira caracterização de condutores e
isolantes. Experiências sobre indução elétrica.
Robert Symmer – Teoria dos Dois Fluidos: o corpo neutro tem
quantidade “normal” de fluido elétrico. Quando é esfregado uma parte do
1763 seu fluido é transferida de um corpo para outro ficando um com excesso
(carga positiva) e outro com falta (carga negativa). Fato importante: lei da
conservação da carga.
1785 Charles A. Coulomb – Experiências quantitativas sobre interação
entre cargas elétricas, com auxílio da balança de torção.
1800 Alessandro Volta – Invenção da Pilha.
1820 Hans Christian Oersted – Efeito Magnético da Corrente Elétrica.
1825 Andre Marie Ampere – Lei que governa a interação entre os imãs e
correntes elétricas.
1827 George Simon Ohm – Conceito de resistência elétrica de um fio.
Dependência entre diferença de potencial e corrente.
1831 Michael Faraday – Lei da indução eletromagnética entre circuitos.
1832 Joseph Henry – Fenômenos da auto-indução.
1834 Heinrich Friedrich Lenz – Sentido da força eletromotriz induzida.
1834 Michael Faraday – Leis da eletrólise: evidência de que íons
transportam a mesma quantidade de eletricidade proporcional a sua
valência química.
1864 James Clerk Maxwell – Teoria do Eletromagnetismo. Previsão da
existência de ondas eletromagnéticas. Natureza da luz.
1887 Heinrich Hertz – Produção de ondas eletromagnéticas em laboratórios.
1897 Joseph John Thomson – Descoberta do elétron.
1909 Robert Milikan – Medida da carga do elétron. Quantização da carga.

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2 – Introdução
2.1 – Estrutura da Matéria – Carga Elétrica
A matéria é constituída por átomos, que são estruturados basicamente a partir de três
partículas elementares: o elétron, o próton e o nêutron (é importante ressaltar que
essas não são as únicas partículas existentes no átomo, mas para o nosso
propósito elas são suficientes). Em cada átomo há uma parte central muito densa,
o núcleo, onde estão os prótons e os nêutrons. Os elétrons, num modelo simplificado,
podem ser imaginados descrevendo órbitas elípticas em torno do núcleo (fig. 1), como
planetas descrevendo órbitas em torno do Sol. Essa região periférica do átomo é
chamada de eletrosfera.

Figura 1

Experimentalmente provou-se que, quando em presença, prótons repele prótons,


elétrons repele elétrons, ao passo que próton e elétron atraem-se mutuamente. O
nêutron não manifesta nenhuma atração ou repulsão, qualquer que seja a partícula da
qual se aproxima. Na figura 2 procuramos esquematizar essas ações.

Figura 2

Dessas experiências é possível concluir que prótons e elétrons apresentam uma


propriedade, não manifestada pelos nêutrons, denominada carga elétrica.
Convenciona-se:

Carga elétrica positiva (+) ⇒ próton


Carga elétrica negativa (–) ⇒ elétron

Verifica-se que, quando um átomo apresenta um número de prótons igual ao número


de elétrons, o átomo é eletricamente neutro. Se o átomo perder um ou mais elétrons, o
número de prótons no núcleo passa a predominar e o átomo passa a manifestar
propriedades elétricas, tornando-se um íon positivo. Se o átomo receber elétrons, ele
passará a manifestar um comportamento elétrico oposto ao anterior e tornar-se-á um
íon negativo.

Portanto, um corpo estará eletrizado quando o número total de prótons for diferente
do número total de elétrons.

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IMPORTANTE:

 NP < N → corpo eletrizado negativamente


E

 NP > N → corpo eletrizado positivamente


E

 NP = N → corpo neutro
E

 PRINCÍPIO BÁSICO DAS AÇÕES ELÉTRICAS estabelece que: “corpos com


cargas de mesmo sinal repelem-se e corpos com cargas de sinais
contrários atraem-se”.

OBS: Ne é o número de elétrons e NP o número de prótons.

Unidade de Carga Elétrica (Q)

UNIDADE NO SI:

Q → carga elétrica ⇒ Coulomb (C)

CARGA ELEMENTAR (e)

A carga elétrica do elétron é chamada de carga elementar, em módulo, o seu valor é


igual a carga elétrica do próton. Através de experiências, foi possível determinar seu
valor:
e = 1,6 x 10-19 C

Tendo em vista que a eletrização de um corpo se deve a falta ou excesso de elétrons,


podemos escrever que a carga elétrica de um corpo é calculada da seguinte forma:

Q = ± n .e
UNIDADES NO SI:
Q → carga elétrica ⇒ Coulomb (C)
n → número de elétrons em excesso (-) ou em falta (+)
e → carga elementar ⇒ Coulomb (C)

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3 – Processos de Eletrização
3.1 – Eletrização por Atrito
Duas substâncias de naturezas diferentes, quando atritadas, eletrizam-se com igual
quantidade de cargas em valor absoluto e de sinais contrários.
Se atritarmos vidro com seda, elétrons migrarão do vidro para seda, portanto o vidro
ficará eletrizado positivamente e a seda negativamente.

3.2 – Eletrização por Contato


Quando um corpo neutro é posto em contato com um corpo eletrizado, eletriza-se com
carga do mesmo sinal.
Antes do Contato Após o
Contato Contato

Corpo Transferência Corpo Corpo


Positivo de elétrons Positivo Positivo

Figura 3

3.3 – Eletrização por Indução


Quando um corpo neutro é colocado próximo de um corpo eletrizado, sem que exista
contato, o corpo neutro tem parte das cargas elétricas separadas (indução
eletrostática), podendo ser eletrizado.

Ao atritarmos um pente e aproximamos o mesmo


de um filete de água, a água será atraída pelo
pente por indução.

Figura 4

O processo de indução, simplesmente, não eletriza um corpo. O que ocorre é um


rearranjo no posicionamento das cargas.

6
Na Indução Após a
Antes da Indutor Indução
Indução

Corpo Corpo Neutro


Positivo Corpo Corpo Neutro
Induzido

Figura 5

Podemos, dentro deste procedimento, fazer uma ligação a terra do corpo induzido e
eletrizá-lo.

Ligando o corpo Induzido à terra, teremos, neste Como o corpo estava neutro,
caso, o deslocamento de elétrons da terra para o bastava um único elétron que ele
corpo ficaria negativo.
Figura 6

OBS: Caso a região ligada à terra seja negativa, haverá


deslocamento de elétrons do corpo para terra, fazendo com
que o corpo fique positivo.

3.4 – Eletroscópios
Para constatar se um corpo está ou não eletrizado, utilizamos dispositivos
denominados eletroscópios. Existem os eletroscópios de folhas e o de pêndulo.

O eletroscópio de pêndulo é baseado no processo de


indução para detectar se um corpo está ou não
eletrizado. Ele possui um fio isolante amarrado a uma
esfera metálica.

Figura 7

7
O eletroscópio de folhas também se utiliza do
processo de indução para detectar se um corpo
está ou não eletrizado. Caso seja aproximado
um corpo eletrizado positivamente da esfera
condutora, as cargas negativas serão atraídas
para a esfera, já as cargas positivas se
acumularão nas lâminas metálicas que irão
abrir, devido a repulsão de cargas iguais.

Figura 8

3.5 – Princípio de Conservação da Carga


Num sistema eletricamente isolado a carga elétrica total permanece constante.

Q A + Q B = Q 'A + Q 'B

Figura 9

IMPORTANTE:
Um corpo eletrizado, cuja dimensão é desprezível em relação às distâncias
que o separam de outros corpos, será chamado de carga puntiforme.

EXERCÍCIOS

1> Quantos elétrons devemos colocar num corpo neutro para que o mesmo fique
eletrizado com –1,0 C de carga ?

8
2> Quatro esferas metálicas idênticas estão isoladas uma das outras; X, Y e Z estão
neutras enquanto W está eletrizada com carga Q. Indicar a carga final de W se ela
for colocada em contato:
(a) sucessivo com X, Y e Z;
(b) simultâneo com X, Y e Z.

3> Um bastão de vidro, eletrizado positivamente, é aproximado de uma esfera


condutora, sem tocá-la. Verifica-se que o bastão atrai a esfera. O que se pode
afirmar sobre a carga elétrica da esfera?

4 – Lei de Coulomb

No fim do século XVIII, o físico francês Charles Augustin Coulomb realizou uma
série de experiências que permitiram medir o valor da força eletrostática que age sobre
uma carga elétrica puntiforme, colocada uma em presença de uma outra.
Para duas cargas puntiformes q e Q, separadas por uma distância d, Coulomb
concluiu:

• A intensidade da foça elétrica é diretamente proporcional ao produto das cargas e


inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa.

Podemos então escrever:


Qq
F= k
d2

A constante k mostra a influência do meio onde a experiência é realizada. No vácuo,


utilizando as unidades do SI seu valor será: k = 9 . 109 N.m2/C2.

UNIDADES NO SI:

Q e q → carga elétrica ⇒ Coulomb (C)


d → distância entre as duas cargas ⇒ metro (m)
k → constante eletrostática ⇒ N. m2/C2

DIREÇÃO E SENTIDO:

Direção → Coincidente com a direção da reta que une as cargas.


Sentido → depende dos sinais das cargas; casos as cargas possuam
sinais iguais, teríamos:

9
EXERCÍCIOS
4> Duas cargas puntiformes q1 = 2 µC e q2 = - 4µC estão separadas por uma
distância de 3 cm, no vácuo. Qual a intensidade da força elétrica que atua nessas
cargas ?

5> Sabendo que as cargas A e B possuem valores respectivamente iguais a - 10 µC,


9 µC, determine a força elétrica e sua natureza (atrativa ou repulsiva) na situação
dada abaixo:
A B
3 cm
6> Duas cargas puntiformes Q1 e Q2, separadas por uma distância d, repelem-se com
uma força de intensidade F; se as cargas forem alteradas para 4.Q 1 e 3.Q2 e a
distância entre elas for quadruplicada, qual será a nova intensidade da força de
repulsão entre as cargas ?

7> Na figura dada a seguir, temos que q = 10-4 C e as cargas extremas são fixas nos
pontos A e C. Determine a intensidade da força resultante sobre a carga – q, fixa
em B.

8> Duas cargas puntiformes Q1 = 6 µC e Q2 = - 8 µC encontram-se fixadas nos pontos


A e B como mostra a figura abaixo.

Determinar a intensidade da força resultante que atua sobre uma carga Q3 = 1 µC


colocada no ponto C. Considere o meio como sendo o vácuo.

5 – Campo Elétrico
5.1 – Analogia do Campo Elétrico Com o Campo Gravitacional
Para entendermos o conceito de campo elétrico façamos uma analogia com o campo
gravitacional.

Sabemos que a Terra cria um campo gravitacional em torno de si e cada ponto desse
campo existe um vetor campo gravitacional g. Assim um corpo colocado num ponto
desse campo fica sujeito a uma força de atração gravitacional chamada Peso.

10
m

P

Figura 10

Com as cargas elétricas o fenômeno é semelhante, um corpo eletrizado cria em torno


de si um campo elétrico. Cada ponto desse campo é caracterizado por um vetor campo
elétrico E. Qualquer carga colocada num desses pontos ficará submetida a uma foça
elétrica. A grande diferença aqui é que a força poderá ser de atração ou repulsão.

Figura 11

Para determinarmos o módulo do vetor campo elétrico podemos recorrer a analogia


feita anteriormente com o campo gravitacional. Sabemos que a aceleração da
gravidade local pode ser calculada como sendo a razão do Peso e da massa de um
corpo colocado na região do campo gravitacional.

P
g=
m
Portanto o campo elétrico de uma carga de prova q colocada em um ponto desse
mesmo campo será dado pela razão da Força sobre ela (natureza elétrica) e o valor
dessa carga.
F
E=
q

DIREÇÃO E SENTIDO:

Direção → É a mesma direção da Força Elétrica.


Sentido → se q > 0, o sentido é o mesmo da força;
se q < 0, o sentido é o contrário da força.

11
UNIDADES NO SI:
q→ carga elétrica ⇒ Coulomb (C)
F → Força Elétrica ⇒ Newton (N)
E → Campo Elétrico ⇒ Newton/Coulomb (N/C)

EXERCÍCIOS

9> Uma carga q = -2 µC é colocada num ponto A de um campo elétrico, ficando


sujeita à ação de uma força de direção horizontal, sentido para a direita, e de
módulo F = 8 . 10-3 N. Determine as características do vetor campo elétrico nesse
ponto A.

10>Uma partícula de massa m = 2,0 g e carga elétrica q = 5,0 C está em equilíbrio


estático, sujeita simultaneamente a ação de um campo elétrico vertical e ao campo
gravitacional terrestre (g = 10 m/s2). Determinar as características do vetor campo
elétrico no ponto onde se encontra essa partícula.

5.2 – Campo Elétrico Gerado por Uma Carga Puntiforme


Consideremos uma carga puntiforme Q. Colocamos uma carga de prova q a uma
distância d da carga geradora Q. Imaginando que as duas cargas são positivas, termos
a situação que se segue:

Figura 12

12
Partindo da definição de campo F
E=
elétrico, temos: q

Pela Lei de Coulomb, sabemos Q.q


F= k
que: d2

Substituindo a lei de Coulomb Q.q


k
na definição de Campo, temos:
E= d2
q

Q
Simplificando, fica: E= k
d2

IMPORTANTE:

Como conseqüência, do que vimos acima, podemos concluir que o campo


elétrico no ponto estudado não depende da carga de prova e sim da carga
que gera o campo.

5.3 – Campo Elétrico Gerado por Várias Cargas Puntiformes.

Caso tenhamos mais do que uma carga puntiforme gerando campo elétrico, como na
figura abaixo, o campo elétrico resultante será dado pela soma vetorial dos vetores
campos elétricos produzidos por cada uma das cargas.

Q1

   
E = E 1 + E 2 + ... + E n
Q2 Qn
Figura 13

13
5.4 – Campo Elétrico Uniforme.
Um campo elétrico é chamado uniforme quando o vetor campo elétrico for o mesmo
em todos os pontos desse campo. Este tipo de campo pode ser obtido através da
eletrização de uma superfície plana, infinitamente grande e com uma distribuição
homogênea de cargas.

Figura 14

EXERCÍCIOS

11>Determinar a intensidade do campo elétrico gerado por uma carga puntiforme


Q= 4,0 µC, num ponto situado a 3,0 cm, admitindo que o meio seja o vácuo.

12>A intensidade do campo elétrico gerado por uma carga Q, puntiforme num ponto
P, a uma distância d, é igual a E; qual a nova intensidade do campo elétrico gerado
por uma carga 3 Q num ponto situado a uma distância igual 4 d ?

13>Duas cargas puntiformes Q1 = 2,0 µC e Q2 = -2,0 µC estão fixas em dois vértices


de um triângulo equilátero de lado l = 6,0 cm. Determinar as características do
vetor campo elétrico resultante no terceiro vértice.

14>Duas cargas puntiformes, Q1 = 4 µC e Q2 = 9 µC, estão separadas por uma


distância de 15 cm; em que ponto da reta que une essas cargas o campo elétrico
resultante é nulo ?

15> Determine a intensidade, a direção e o sentido do


vetor campo elétrico resultante no ponto P, criado
pelas cargas elétricas. Considere Q = 3µC, d = 2 cm.

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5.5 – Linhas de Força.
Quando quisermos visualizar a distribuição de um campo elétrico através do espaço,
nós o faremos através do contorno das suas linhas de força que, por definição, são
linhas imaginárias construídas de tal forma que o vetor campo elétrico seja tangente a
elas em cada ponto. As linhas de força são sempre orientadas no mesmo sentido do
campo.

Figura 15
No caso de um campo elétrico gerado por uma carga puntiforme isolada, as linhas de
força serão semi-retas.
Caso a carga geradora seja puntiforme e positiva, teremos:

Figura 16

Se a carga geradora for negativa:

Figura 17

A seguir você tem o aspecto do campo elétrico resultante, gerado por duas cargas
puntiformes iguais e positivas.

Figura 18

15
EXERCÍCIOS

16>Uma carga elétrica puntiforme q = 1µC, de massa m = 10-6 kg é abandonada do


repouso num ponto A de um campo elétrico uniforme de intensidade E = 105 N/C,
conforme a figura.

Determinar:
(a) a intensidade da força que atua em q;
(b) o módulo da aceleração adquirida por q;
(c) a velocidade de q ao passar por B, situado a 0,2 m do ponto A.

6 – Trabalho Realizado pelo Campo Elétrico

6.1 – Introdução

Consideremos uma carga de prova q colocada num


ponto A de um campo elétrico; sob ação da força
elétrica, essa carga irá se deslocar até um ponto B
desse campo.

O campo elétrico irá realizar sobre esta carga um trabalho τAB. Uma propriedade
importante do campo elétrico é que ele é conservativo, ou seja, o valor do trabalho
realizado independe da trajetória.

6.2 – Potencial Elétrico e Tensão Elétrica


Uma carga elétrica q, ao ser colocada num ponto A de um campo elétrico, adquire
uma certa quantidade de energia potencial elétrica EP. Definimos o potencial elétrico
do ponto A através da relação:

EP
VA =
q

Essa relação não depende da carga q utilizada, pois se mudarmos a carga q


EP
mudaremos também o valor da EP, mas a relação , permanecerá constante.
q

16
UNIDADES NO SI:
q→ carga elétrica ⇒ Coulomb (C)
EP → Energia Potencial ⇒ Joule (J)
V → Potencial Elétrico ⇒ Joule/Coulomb (J/C) ou Volt (V)

Se considerarmos dois pontos A e B de um campo elétrico, sendo VA e VB os seus


potenciais elétricos, definimos tensão elétrica ou diferença de potencial, ddp, entre os
pontos A e B, através da expressão:

U AB = VA − VB

IMPORTANTE:
Observe ainda que as grandezas trabalho, energia potencial, potencial
elétrico e tensão elétrica são grandezas escalares e por este motivo,
deveremos trabalhar com os sinais + e – das grandezas envolvidas na
resolução dos exercícios.

EXERCÍCIOS

17>Uma carga de prova q = 2 µC adquire uma certa quantidade de energia potencial


elétrica 2 . 10-4 J ao ser colocada num ponto A de um campo elétrico; ao ser
colocada em outro ponto B, adquire 3 . 10-4 J. Determinar:
(a) os potenciais elétricos dos pontos A e B;
(b) a diferença de potencial entre os pontos A e B.

6.3 – Energia Potencial Elétrica de Um Par de Cargas Puntiformes


Seja Q e q duas cargas elétricas puntiformes, separadas por uma distância d, sendo q
fixa.

Figura 19

Se quisermos determinar o valor da energia potencial elétrica adquirida pela carga q


ao ser colocada no ponto A, temos que calcular o trabalho realizado pelo o campo
elétrico ao transportar a carga q do ponto A até o nível de referência.

Q.q
EP = k
d
Observamos que se as cargas Q e q tiverem o mesmo sinal, a energia potencial do
sistema será positiva e caso tenham sinais opostos a energia será negativa.

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6.4 – Potencial Elétrico Devido a Várias Cargas Puntiformes
Para determinarmos o potencial elétrico num ponto A de um campo elétrico gerado
por uma carga puntiforme Q, coloquemos neste ponto uma carga de prova q.

Figura 20

Partindo da definição de EP
VA =
Potencial Elétrico, temos: q

Sabemos que a energia Q.q


EP = k
potencial é: d

Substituindo a expressão de Q.q


k
energia potencial na expressão VA = d
de Potencial Elétrico: q

Q
Simplificando, fica: VA = k
d

Se tivermos uma situação na qual existem várias cargas puntiformes, o potencial num
ponto P desta região será dado pela soma algébrica dos potenciais devido a cada uma
dessas cargas.

Figura 21

18
VP = V1 + V2 + V3 + ... + Vn

Q1 (− Q 2 ) (− Q 3 ) Q
VP = k + k + k + ... + k n
d1 d2 d3 dn

EXERCÍCIOS

18>Qual o valor do potencial elétrico gerado por uma carga puntiforme Q = 6µC,
situada no vácuo, num ponto A a 20 cm da mesma ?

19>Duas cargas puntiformes Q1 = 4 µC e Q2 = - 8µC estão separadas por uma


distância d = 50 cm. Determinar:
(a) o potencial elétrico resultante num ponto A, situado na reta que une as cargas e a
20 cm de Q1;
(b) o valor da energia potencial elétrica das cargas.

6.5 – Relação Entre Trabalho e Energia Elétrica


Consideremos uma carga q, deslocada de um ponto A até outro ponto B de um campo
elétrico, e sejam VA e VB os valores dos potenciais elétricos nesses pontos.

Figura 22

O trabalho realizado pelo campo elétrico nesse deslocamento é igual à diferença entre
a energia potencial armazenada pela carga nos pontos A e B:

τ AB = E PA − E PB
EP
Lembrando que V= ou E P = q.V , resulta:
q

τ AB = q.VA − q.VB

τ AB = q.( VA − VB )
Esta expressão nos dá o valor do trabalho realizado pelo campo elétrico quando uma
carga elétrica q se desloca no seu interior.

19
EXERCÍCIOS

20>Uma pequena partícula de massa m = 30 mg, eletriza-se com carga q = 1µC, é


abandonada a partir do repouso num ponto A situado a uma distância de 2 m de
uma carga puntiforme Q = 4µC, situada no vácuo e fixa. Com que velocidade a
carga q irá passar por um ponto B situado a uma distância de 3 m da carga Q ?

6.6 – Trabalho de Um Campo Elétrico Uniforme


Seja q uma carga de prova que se desloca de um ponto A para um ponto B, no interior
de um campo elétrico uniforme; para calcularmos o trabalho realizado pelo campo
neste deslocamento vamos escolher uma trajetória retilínea, uma vez que o trabalho
não depende da trajetória.

Figura 23

Sendo F constante, o trabalho do campo elétrico pode ser obtido a partir da expressão:

τ AB = F.AB. cos θ ,
onde F = q . E e AB . cos θ = d;
substituindo:
τ AB = q.E.d

É importante reconhecer que o valor da distância d nessa expressão não corresponde,


necessariamente, à distância entre os pontos A e B, mas corresponde à distância entre
dois planos perpendiculares às linhas de força contendo os pontos A e B.

Como conseqüência dessa expressão, podemos estabelecer uma relação entre a tensão
elétrica existente entre os pontos A e B e a intensidade do campo elétrico E, na forma
que se segue.
τ AB = q.( VA − VB ) => τ AB = q.U AB

Mas como vimos no caso de campo elétrico uniforme, o valor do trabalho é dado por:

τ AB = q.E.d

Igualando as duas expressões, resulta:


q.U AB = q.E.d => U AB = E.d

20
EXERCÍCIOS

21>Uma carga q = 4 µC, de massa m = 20 g, é abandonada em repouso num ponto A


de um campo elétrico uniforme de intensidade E = 4 . 103 V/m; conforme mostra a
figura a seguir.

Determinar:
(a) o trabalho realizado pelo campo elétrico no deslocamento AB;
(b) a diferença de potencial entre os pontos A e B;
(c) a velocidade da partícula ao atingir o ponto B; despreze as ações gravitacionais

6.7 – Superfícies Eqüipotenciais


Chamamos de superfície eqüipotencial ao conjunto de pontos do espaço, tais que
todos eles apresentem o mesmo potencial elétrico.

Vejamos os exemplos a seguir:

Figura 24
As superfícies eqüipotenciais de uma carga puntiforme são esféricas.

V1 > V2 > V3 > V4

Figura 25

Num campo uniforme, as superfícies eqüipotenciais são planos paralelos entre si.

21
IMPORTANTE:

• AS LINHAS DE FORÇA DE UM CAMPO ELÉTRICO SÃO PERPENDICULARES ÀS


SUPERFÍCIES EQÜIPOTENCIAIS;

• QUANDO CAMINHAMOS NO MESMO SENTIDO DAS LINHAS DE FORÇA, O POTENCIAL


ELÉTRICO DIMINUI.

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7 – Eletrodinâmica

7.1 – Corrente Elétrica


Um condutor sujeito a uma tensão elétrica (contínua ou alternada) produz um
movimento ordenado de elétrons, devido ao aparecimento de um campo elétrico entre
dois pontos desse condutor. Se essa tensão for mantida indefinidamente, criar-se-á um
movimento contínuo dessas cargas elétricas, que é a corrente elétrica. Uma corrente
elétrica só pode ser mantida continuamente se houver um circuito fechado.
Lanterna:

7.2 - Sentido da Corrente Elétrica


No início dos estudos sobre a corrente, eram utilizados materiais gasosos e líquidos,
nos quais o sentido de cargas elétricas livres podia ocorrer nos dois sentidos. Por
convenção, adotou-se que o sentido da corrente elétrica seria o de deslocamento de
cargas positivas, ou seja, o mesmo sentido do campo elétrico.
Nos condutores sólidos metálicos, utilizados hoje, só há movimento de cargas
negativas portanto, nesses materiais, o sentido convencional da corrente elétrica é o
sentido oposto ao do deslocamento dos elétrons, ou seja, do potencial maior para o
menor.

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7.3 - Intensidade da Corrente Elétrica (Intensitè = I)
A corrente elétrica é medida através da contagem da quantidade de cargas elétricas
(∆Q) que passam através de uma seção transversal S do condutor em um intervalo de
tempo ∆t.

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7.3 - Corrente Contínua e Alternada

7.4 - Fontes de Alimentação

25
7.5 - Bipolos Gerador e Receptor

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7.6 - Terra (GND) ou Potencial de Referência

7.7 - Multímetro, Voltímetro e Amperímetro

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28
7.8 - Analogia entre Eletricidade e Hidráulica

8 – Resistência e Resistividade
8.1 – Resistência

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8.2 – 1a Lei de Ohm
Em 1829, o físico George Simon Ohm realizou uma experiência onde demonstrou
que, num circuito elétrico, para o mesmo trecho de condutor, mantido à temperatura
constante, é constante o quociente da diferença de potencial entre dois pontos pela
intensidade de corrente elétrica que os atravessa, ou seja:

A resistência é um bipolo passivo, pois consome energia elétrica, provocando queda


de potencial no circuito.

A constante R é chamada de resistência elétrica. Se representarmos por V a queda de


potencial no circuito e I a intensidade de corrente que o
atravessa, podemos escrever:

Genericamente, a 1a lei de Ohm pode ser assim representada:

30
31
8.3 – 2a Lei de Ohm

32
33
8.4 – Condutância e Condutividade
Condutância
Expressa a facilidade de condução da corrente elétrica.

A condutividade σ representa a característica do material associada à condutância:

σ = 1/ ρ , medida em (Ω*m) ou S/m


- Lei de Ohm para condutância:

8.5 – Resistores Reais

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8.6 – Resistores Variáveis

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8.7 – Ohmímetro

Procedimento para medida com ohmímetro analógico


1) Escolhe-se a escala desejada, que é um múltiplo dos valores da escala graduada:
X1, X10, X100, X1k, X10k e X100k;
2) Curto-circuitam-se os terminais do ohmímetro, provocando a deflexão total do
ponteiro;
3) Ajusta-se o pontenciômetro de ajuste de zero até que o ponteiro indique R=0;
4) Abrem-se os terminais e mede-se a resistência;
5) A leitura é feita multiplicando-se o valor indicado pelo ponteiro pelo múltiplo da
escala selecionada.
Observações:
i- Por causa da não-linearidade da escala, as leituras mais precisas no ohmímetro
analógico são feitas na região central da escala graduada.
ii- No procedimento de ajuste de zero (item 3), caso o ponteiro não atinja o ponto
zero, significa que a bateria do multímetro está fraca, devendo ser substituída.
iii- O procedimento de ajuste de zero deve ser repetido a cada mudança de escala.

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9 – Potência e Energia Elétrica
9.1 – Trabalho Realizado Sobre as Cargas Elétricas

9.2 – Potência Elétrica


A potência elétrica pode ser definida como a rapidez (velocidade) com que a tensão
realiza trabalho ao deslocar elétrons de um ponto para o outro. Então:

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9.3 – Energia Elétrica

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40
10 – Métodos de Análise de Redes Resistivas em C.C.
10.1 – Equivalência Série de Resistores
A topologia chamada SÉRIE, é composta de resistores organizados como na figura
abaixo:

Observamos que os resistores estão conectados de forma SERIAL. Este tipo de


conexão implica na que, a corrente I que passa pelo circuito é a mesma para todos os
resistores:

I=I1=I2=I3

Ao contrário, quando observamos as diferenças de potenciais em cada um dos


resistores notamos que as tensão total da fonte de alimentação é igual às tensões
parciais em cada resistor:

V=V1+V2+V3

Utilizando o mesmo raciocínio, sendo a resistência elétrica, uma característica física


construtiva de cada resistor, seus efeitos se SOMAM nesta topologia.

REQ=R1+R2+R3
Onde
REQ =Resistência Equivalente do Circuito

Exemplo:

41
V1 = (500 µA)(3 kΩ) = 1.5 V
V2 = (500 µA)(10 kΩ) = 5 V
V3 = (500 µA)(5 kΩ) = 2.5 V

V=1.5+5+2.5=9V

42
10.2 – Equivalência Parelela de Resistores
Esta topologia se caracteriza pela igualdade de potencial entre os terminais dos
resistores em questão:

Observamos que os pontos 1,2,3,4 estão no mesmo potencial do terminal positivo(+)


da fonte, assim como os pontos 5,6,7,8 estão no mesmo potencial do terminal
negativo(-) da fonte. Sendo assim, fica claro que TODOS os resistores se encontram
no mesmo potencial da fonte:

V=V1=V2=V3

Ao contrário, a corrente encontra uma série de NÓS elétricos tendo que se dividir ao
londo do trajeto.Porém a divisão se dá seguindo o que chamamos de LEI DOS NÓS
DE KIRCHHOFF (veremos mais adiante) que indica que a corrente total do circuito
é igual à somatória das correntes que passam em cada resistor:

I=I1+I2+I3

O cálculo da resistência equivalente(REQ) se dá através da seguinte equação:

Esta particularização funciona APENAS para cada dupla de resistores.

Exemplo:

43
I1=9 V/10 kΩ= 0.9 mA
I2 =9 V/2 kΩ= 4.5 mA
I3 =9 V/1 kΩ= 9 mA

ITOTAL = 0.9 mA+4.5 mA+9 mA=14.4 mA

REQ=1/((1/10K)+(1/2K)+(1/1K))=625Ω

V=14.4 mA . 625Ω=9V

44
10.3 – Equivalência Mista de Resistores
Esta topologia se apóia nas duas anteriormente estudadas: SÉRIE e
PARALELO como no circuito abaixo:

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49
10.4 – Topologias de Circuitos

10.5 – Lei dos Nós de Kirchhoff (ou LCK ou 1a Lei de Kirchhoff)

50
10.6 – Lei das Malhas de Kirchhoff (ou LTK ou 2a Lei de Kirchhoff)

10.7 – Divisor de Tensão

51
10.8 – Divisor de Corrente

10.9 – Fontes Ideais de Tensão e Corrente

52
10.10 – Fontes Reais de Tensão e Corrente

53
10.11 – Equivalência Entre Fontes de Tensão e Corrente

10.12 – Conversão Estrela↔Triangulo(۞↔∆)

54
10.13 – Ponte de Wheatstone(Ohmímetro em Ponte)

11 – Métodos de Resolução de Circuitos


11.1 – Pelas Leis de Kirchhoff

55
11.2 – Método das Proporções

56
11.3 – Método das Correntes de Malhas Independentes

57
11.4 – Método das Tensões nos Nós

58
59
11.5 – Teorema da Superposição

11.6 – Teoremas de Norton e Thévenin

60
61
11.7 – Método das Malhas
O segundo método de análise a ser descrito é chamado de método das malhas. Embora
este método seja mais sofisticado do que o método das correntes nos ramos, ele
incorpora muitos dos conceitos previamente ensinados. Entre os dois métodos, o das
malhas é o mais utilizado. Essencialmente, esse segundo método simplesmente
elimina a necessidade de substituir os resultados da LKC nas equações deduzidas a
partir da LKT.
Para aplicar o procedimento simplificado para o método das malhas devemos seguir
os seguintes passos:
Passo 1: Adote uma corrente de malha para cada malha independente, no sentido
horário;
Passo 2: o número de equações necessárias é igual ao número de malhas
independentes. A coluna 1 de cada equação é formada pela soma dos valores dos
resistores pelos quais a corrente da malha de interesse circula, multiplicada por esta
corrente;
Passo 3: precisamos considerar agora os termos comuns, que são sempre subtraídos
da primeira coluna. Um termo comum é simplesmente qualquer elemento resistivo
percorrido por mais de uma corrente de malha. É possível haver mais de um termo
comum se a corrente de malha de interesse possuir um elemento em comum com mais
de uma outra corrente de malha. Cada termo é o produto da resistência em comum
pela outra corrente de malha que passa pelo mesmo elemento;
Passo 4: a coluna à direita da igualdade é a soma algébrica das tensões das fontes de
tensão através das quais passa a corrente de malha de interesse. São associados sinais
positivos às fontes de tensão com uma polaridade, tal que a corrente de malha circule
do terminal negativo para o positivo. São associados sinais negativos às fontes para
as quais o inverso acontece; e
Passo 5: resolva as equações simultâneas resultantes para obter as correntes de malha
desejada.

Exemplo: Escreva as equações de malha para o circuito da figura abaixo.

62
Solução: Para a solução deste exemplo partiremos de algumas considerações iniciais
para que possamos obter as equações através da LKT. Utilizaremos de um método
totalmente algébrico e na seqüência resolveremos o mesmo exemplo utilizando um
método simplificado empregando os passos descritos.
Determinação das equações pelo método algébrico:
a) admitimos a existência de duas correntes de malha ( I1 e I2 ) no sentido horário, nas
“janelas” do circuito. Uma terceira malha (I3) poderia ser usada, ao longo do contorno
externo do circuito, mas a informação que obteríamos já está contida nas equações
decorrentes da análise das outras duas;
b) Determinamos as polaridades no interior de cada malha, de acordo com os sentidos
das correntes. Note que, neste caso, as polaridades entre os terminais do resistor de 4Ω
são opostas para as duas correntes de malha; e

c) Aplica-se a LKT a cada malha, no sentido horário.

LKT 1 malha 1 Σv = +E1 – VR1 – VR2 – E2 = 0


5 – 1.I1 - 6 (I1 – I2) – 10 = 0
5 - 1.I1 - 6.I1 + 6.I2 – 10 = 0
5 - 7.I1 + 6.I2 – 10 = 0
- 7.I1 + 6.I2 = 5
LKT 2 malha 2 Σv = +E2 – VR2 – VR3 = 0
+ 10 - 6 (I2 – I1) – 2.I2 = 0
+ 10 - 6.I2 + 6.I1 – 2.I2 = 0
+ 10 + 6.I1 - 8.I2 = 0
6.I1 - 8.I2 = -10
Multiplicando ambas expressões por (-1), temos, finalmente:

7.I1 - 6.I2 = - 5
- 6.I1 + 8.I2 = +10

Determinação das equações pelo método proposto:


Passo 1 – como vemos na figura 7, adotamos o sentido horário para as correntes de
malha
Passo 2 a 4 - são obtidas as equações diretamente do circuito

63
Conhecida as equações, podemos calcular o valor das correntes I1, I2 e I3, através da
“determinante”.

Observação: a coluna à direita da igualdade é a soma algébrica das fontes de tensão


naquela malha. Portanto, este método só pode ser aplicado a circuitos cujas fontes de
corrente tenham sido convertidas em fontes de tensão equivalentes.

64
11.8 – Teorema da Máxima Transferência de Potência
Para o circuito abaixo, temos:

Um gerador real apresenta perdar internas, fenômeno este que faz com que
a tensão de saída diminua seu valor com o aumento de consumo de
corrente. Analisando em termos de potência, podemos dizer que a
POTÊNCIA ÚTIL(PU) na saída é a POTÊNCIA GERADA(PG) menos a
POTÊNCIA DE PERDAS(PP), ou seja:

PU=PG - PP

Analisando o circuito acima temos que a tensão absorvida pela carga é:

V=Eth-Rth.I

PU=V.I
PG= Eth.I
PP= Rth.I2

ou:

PU=Eth.I-Rth.I2
ou ainda:
PU=I.(Eth-Rth.I)

Sendo PU = 0, quando I = 0 ou quando Eth-Rth.I, resulta que:

Icc= I = Eth/ Rth(corrente de curto circuito)

65
Pela parábola acima, temos que:

Io = Icc/2

Temos então:

Io = Eth/2. Rth

Substituindo nas equações de potência temos:

PUMAX=Eth 2/4.Rth

Substituíndo na equação do gerador, quando em máxima potência, temos


que:

RL=Rth

O rendimento de nosso circuito é de:

η=PU/PG=(( Eth/2)/ Eth) .100 = 50%

66
12 – Apêndice
12.1 - Determinantes

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12.2 – Sistemas Lineares

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12.3 - Capacitores
Alguns capacitores, apresentam uma codificação que é um pouco estranha
para os técnicos experientes, e muito difícil de compreender, para o técnico
novato. Observe o desenho abaixo.

O valor do capacitor,"B", é de 3300 pF (Picofarad = x10-12 F) ou 3,3 nF


(Nanofarad = x10-9 F) ou 0,033 µF (Microfarad = x 10-6 F). No capacitor "A",
devemos acrescentar mais 4 zeros após ao 1ª e 2ª algarismo. O valor do
capacitor, que se lê 104, é de 100000 pF ou 100 nF ou 0,1µ F.

Capacitores usando letras em seus valores.

O desenho ao lado, mostra capacitores que tem os seus valores, impressos


em nanofarad (nF) = 10-9F. Quando aparece no capacitor uma letra "n"
minúscula, como um dos tipos apresentados ao lado por exemplo: 3n3,
significa que este capacitor é de 3,3nF. No exemplo, o "n" minúsculo é
colocado ao meio dos números, apenas para economizar uma vírgula e
evitar erro de interpretação de seu valor.
Multiplicando-se 3,3 por x10-9 = ( 0,000.000.001 ), teremos 0,000.000.003.3
F. Para se transformar este valor em microfarad, devemos dividir por 10 -6 =
( 0,000.001 ), que será igual a 0,0033µF. Para voltarmos ao valor em nF,
devemos pegar 0,000.000.003.3F e dividir por 10 -9 = ( 0,000.000.001 ), o
resultado é 3,3nF ou 3n3F. Para transformar em picofarad, pegamos
0,000.000.003.3F e dividimos por x10-12, resultando 3300pF. Alguns
fabricantes fazem capacitores com formatos e valores impressos como os
apresentados abaixo. O nosso exemplo, de 3300pF, é o primeiro da fila.

81
Note nos capacitores seguintes, envolvidos com um círculo azul, o
aparecimento de uma letra maiúscula ao lado dos números. Esta letra refere-
se a tolerância do capacitor, ou seja, o quanto que o capacitor pode variar de
seu valor em uma temperatura padrão de 25° C. A letra "J" significa que este
capacitor pode variar +/- até 5% de seu valor, a letra "K" = +/-10% ou "M" =
+/-20%. Segue na tabela abaixo, os códigos de tolerâncias de capacitância.

Agora, um pouco sobre coeficiente de temperatura "TC", que define a


variação da capacitância dentro de uma determinada faixa de temperatura. O
"TC" é normalmente expresso em % ou ppm/°C ( partes por milhão / °C ). É
usado uma seqüência de letras ou letras e números para representar os
coeficientes. Observe o desenho abaixo.

Os capacitores ao lado são de coeficiente de temperatura linear e definido,


com alta estabilidade de capacitância e perdas mínimas, sendo
recomendados para aplicação em circuitos ressonantes, filtros,
compensação de temperatura e acoplamento e filtragem em circuitos de RF.
Na tabela abaixo estão mais alguns coeficientes de temperatura e as
tolerâncias que são muito utilizadas por diversos fabricantes de capacitores.

82
Outra forma de representar coeficientes de temperatura é mostrado abaixo.
É usada em capacitores que se caracterizam pela alta capacitância por
unidade de volume (dimensões reduzidas) devido a alta constante dielétrica
sendo recomendados para aplicação em desacoplamentos, acoplamentos e
supressão de interferências em baixas tensões.

Os coeficientes são também representados com seqüências de letras e


números como por exemplo: X7R, Y5F e Z5U. Para um capacitor Z5U, a
faixa de operação é de +10°C que significa "Temperatura Mínima" e +85°C
que significa "Temperatura Máxima" e uma variação de "Máxima de
capacitância", dentro desses limites de temperatura, que não ultrapassa
-56%, +22%. Veja as três tabelas abaixo para compreender este exemplo e
entender outros coeficientes.

83
Capacitores de Cerâmica Multicamada

Capacitores de Poliester Metalizado usando código de cores.

A tabela abaixo, mostra como interpretar o código de cores dos capacitores


abaixo. No capacitor "A", as 3 primeiras cores são, laranja, laranja e laranja,
correspondem a 33000, equivalendo a 3,3 nF. A cor branca, logo adiante, é
referente a +/-10% de tolerância. E o vermelho, representa a tensão, que é
de 250 volts.

84
Conceitos Básicos Sobre Capacitores
Capacitores são basicamente dispositivos que armazenam cargas elétricas.
São componentes indispensáveis para a maioria dos equipamentos
eletrônicos e são usados também em instalações elétricas, como na
correção de fator de potência e na partida de motores.
O capacitor mais simples e mais fácil de estudar, que chamaremos de
capacitor básico, é dado na figura abaixo:

duas placas metálicas retangulares planas e paralelas, de espessura


desprezível, de dimensões a e b, separadas por um espaço d.
A igualdade fundamental do capacitor (para qualquer forma geométrica. Não
somente o básico mencionado) é a proporcionalidade entre acarga elétrica
armazenada e a tensão aplicada:

q=C.V

q – quantidade de carga armazenada no capacitor


V – tensão aplicada aos terminais do capacitor
C – constante de proporcionalidade

Temos que:

C=q/V

No Sistema Internacional, a unidade de carga elétrica é o coulomb (C) e a


de tensão elétrica, o volt (V). Portanto, a unidade de capacitância é o
coulomb por volt (C/V), que é denominada farad(F). O farad é uma unidade
muito grande para a maioria dos valores usuais e quase sempre são usados
os submúltiplos microfarad (µF), nanofarad (nF) e picofarad (pF).

Entre as placas do capacitor é posicionado um material chamado de


DIELÉTRICO cuja função é potencializar o armazenamento de cargar,
portanto aumentar a sua capacitância.

P.S.: Existem os capacitores ditos POLARIZADOS (eletrolíticos) cujos


terminais indicam pólos positivos(+) e negativos(-) os quais devem ser
respeitados quando do seu uso específico.

85
Associação de Capacitores
Em geral, os circuitos elétricos e eletrônicos são constituídos de vários
componentes, associados de diferentes maneiras. Uma forma simples de
abordar esse tipo de problema é considerar a associação dos componentes
de um mesmo tipo. Veremos agora como tratar a associação de capacitores.
A associação em paralelo é ilustrada na
Figura 5.4, para o caso de dois capacitores.
O que caracteriza esse tipo de associação é a
igualdade de potencial entre as placas dos
capacitores. Na ilustração, as placas
superiores estão com o mesmo potencial,
dado pelo pólo positivo da baterial. Da
Figura 5.4 mesma forma, as placas inferiores estão com
Capacitância equivalente de uma o mesmo potencial negativo. Portanto, as
associação em paralelo diferenças de potencial são iguais, i.e.,
V1=V2=V.
Pela equação (5.1), obtém-se
Q1 = C1V (5.7a)
Q2 = C2V (5.7b)
A carga, Q, fornecida pela bateria, é distribuída entre os capacitores, na proporção de
suas capacidades. Assim, Q=Q1+Q2. Substituindo (5.7a) e (5.7b), tem-se:

Q = (C1+C2)V
Portanto,
Ceq = C1+C2

No caso mais geral, com ‘n’ capacitores, (5.8)

No caso da associação em série (Figura 5.5), é fácil


concluir que são iguais as cargas acumuladas nas
placas de todos os capacitores. Então, se as cargas são
iguais, mas as capacitâncias são diferentes, então os
potenciais também serão diferentes. Portanto,
Figura 5.5 Q1 = Q2 = Q = C1V1 = C2V2
Capacitância equivalente de
uma associação em série

Portanto, (5.9)

86
13 - Índice

1 – Eletricidade – Pequeno Histórico.............................................................................3


2 – Introdução.................................................................................................................4
2.1 – Estrutura da Matéria – Carga Elétrica...............................................................4
3 – Processos de Eletrização..........................................................................................6
3.1 – Eletrização por Atrito.......................................................................................6
3.2 – Eletrização por Contato....................................................................................6
3.3 – Eletrização por Indução....................................................................................6
3.4 – Eletroscópios....................................................................................................7
3.5 – Princípio de Conservação da Carga..................................................................8
4 – Lei de Coulomb........................................................................................................9
5 – Campo Elétrico.......................................................................................................10
5.1 – Analogia do Campo Elétrico Com o Campo Gravitacional...........................10
5.2 – Campo Elétrico Gerado por Uma Carga Puntiforme......................................12
5.3 – Campo Elétrico Gerado por Várias Cargas Puntiformes................................13
5.4 – Campo Elétrico Uniforme..............................................................................14
5.5 – Linhas de Força...............................................................................................15
6 – Trabalho Realizado pelo Campo Elétrico..............................................................16
6.1 – Introdução.......................................................................................................16
6.2 – Potencial Elétrico e Tensão Elétrica...............................................................16
6.3 – Energia Potencial Elétrica de Um Par de Cargas Puntiformes.......................17
6.4 – Potencial Elétrico Devido a Várias Cargas Puntiformes................................18
6.5 – Relação Entre Trabalho e Energia Elétrica.....................................................19
6.6 – Trabalho de Um Campo Elétrico Uniforme...................................................20
6.7 – Superfícies Eqüipotenciais.............................................................................21
7 – Eletrodinâmica........................................................................................................23
7.1 – Corrente Elétrica.............................................................................................23
7.2 - Sentido da Corrente Elétrica............................................................................23
7.3 - Intensidade da Corrente Elétrica (Intensitè = I)...............................................24
7.3 - Corrente Contínua e Alternada........................................................................25
7.4 - Fontes de Alimentação....................................................................................25
7.5 - Bipolos Gerador e Receptor............................................................................26
7.6 - Terra (GND) ou Potencial de Referência........................................................27
7.7 - Multímetro, Voltímetro e Amperímetro..........................................................27
7.8 - Analogia entre Eletricidade e Hidráulica........................................................29
8 – Resistência e Resistividade....................................................................................29
8.1 – Resistência......................................................................................................29
8.2 – 1a Lei de Ohm................................................................................................30
8.3 – 2a Lei de Ohm................................................................................................32
8.4 – Condutância e Condutividade.........................................................................34
8.5 – Resistores Reais..............................................................................................34
8.6 – Resistores Variáveis.......................................................................................36
8.7 – Ohmímetro......................................................................................................37
9 – Potência e Energia Elétrica.....................................................................................38
9.1 – Trabalho Realizado Sobre as Cargas Elétricas...............................................38
9.2 – Potência Elétrica.............................................................................................38
9.3 – Energia Elétrica..............................................................................................39
10 – Métodos de Análise de Redes Resistivas em C.C................................................41

87
10.1 – Equivalência Série de Resistores..................................................................41
10.2 – Equivalência Parelela de Resistores.............................................................43
10.3 – Equivalência Mista de Resistores.................................................................45
10.4 – Topologias de Circuitos................................................................................50
10.5 – Lei dos Nós de Kirchhoff (ou LCK ou 1a Lei de Kirchhoff).......................50
10.6 – Lei das Malhas de Kirchhoff (ou LTK ou 2a Lei de Kirchhoff)...................51
10.7 – Divisor de Tensão.........................................................................................51
10.8 – Divisor de Corrente......................................................................................52
10.9 – Fontes Ideais de Tensão e Corrente..............................................................52
10.10 – Fontes Reais de Tensão e Corrente.............................................................53
10.11 – Equivalência Entre Fontes de Tensão e Corrente.......................................54
10.12 – Conversão Estrela↔Triangulo(۞↔∆ ).......................................................54
10.13 – Ponte de Wheatstone(Ohmímetro em Ponte).............................................55
11 – Métodos de Resolução de Circuitos.....................................................................55
11.1 – Pelas Leis de Kirchhoff................................................................................55
11.2 – Método das Proporções................................................................................56
11.3 – Método das Correntes de Malhas Independentes.........................................57
11.4 – Método das Tensões nos Nós.......................................................................58
11.5 – Teorema da Superposição.............................................................................60
11.6 – Teoremas de Norton e Thévenin...................................................................60
11.7 – Método das Malhas.......................................................................................62
11.8 – Teorema da Máxima Transferência de Potência...........................................65
12 – Apêndice...............................................................................................................67
12.1 - Determinantes................................................................................................67
12.2 – Sistemas Lineares.........................................................................................70
12.3 - Capacitores....................................................................................................81
13 - Índice.....................................................................................................................87

88

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