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O Sistema de Zonas sem Mitos na

Fotografia de Moda, Retrato e Beauty


Postado por: Fernando Bagnola 19 de Novembro de 2012

O Sistema de Zonas está baseado numa escala completa de cinzentos (11 zonas que
variam de 0 a 10) e também deve ser aplicado no pensamento técnico de uma
boa fotografia a cores.

Quando a cena é uma mistura equilibrada de tons (luzes/sombras), o fotômetro irá obter
uma medição confiável, mas não é sempre assim que acontece já que sempre que um grupo
dos tons predomina, haverá um desvio que conduzirá inevitavelmente à sobreexpor ou
subexpor esta parte da cena. Aqui acontece algo muito comum que é uma certa falta de
aprofundamento da questão “o que é exatamente o sistema de zonas” criado por um dos
maiores Mestres de sempre na fotografia Black & White, Mr. Ansel Adams (aplausos para
ele!).
Isso gera uma certa confusão porque fica a ideia errada de que “uma coisa é uma coisa e
outra coisa é outra coisa” … … mas não é!!
Por isso, resolvi abordar o assunto pelo fato de utilizar já há alguns bons aninhos o Sistema
de Zonas em tudo o que faço seja em preto e branco, à cores, exterior, estúdio, moda,
beauty, retrato, produtos, arquitetura, etc.
É importante que se diga que a Zona 5 (em destaque) é a base de leitura de todos os
fotômetros e equivale ao cartão cinzento 18% que todos ouviram falar mas que poucos
utilizam da maneira correta, infelizmente. Quando fazemos a medição das luzes
(fotometria), seja pelo visor ou pelo fotómetro/flashmeter, e achamos a combinação correta
entre velocidade x abertura, a camera está a “dizer” que estamos na zona 5 do sistema, o
que na prática é a leitura média entre as altas luzes (brilhos) e as baixas luzes (sombras) que
é como o olho humano funciona mas com muito mais acuidade do que o filme ou o sensor.
A partir dai o fotógrafo é quem deve escolher qual será o aspecto pretendido da imagem
(contraste, volumetria, brilhos, densidade, etc) alterando para mais ou para menos menos os
valores de exposição (EV) na abertura ou velocidade fazendo com que a imagem mude de
zona para cima ou para baixo na escala de cinzentos o que também pode ser configurado na
função AEB de cameras dslr para 3 variações 0, +1 -1). Na prática, se medir uma parede
branca iluminada pelo sol, o fotómetro vai enxergar como um cinza 18%.
O mesmo raciocínio se aplica à uma parede preta nas mesmas condições de iluminação
muito superior ou inferior a medida padrão (Zona 5=cartão 18%).
É aqui que o fotógrafo deve estar bastante atento para compensar eventuais desvios e obter
uma exposição correta.
É de extrema importância que antes de avançarmos você leia com atenção as definições dos
sistemas de medição incorporada na sua camera porque sem isso perde-se a precisão
técnica e a acuidade na avaliação:
(FONTE: MANUAL CANON 5DMII)

O sistema de zonas vale igualmente para as cores e um bom exemplo é o que uso em
estúdio quando queremos que um fundo branco fique cinzento, ou seja, o tiramos da zona
10 (branco puro 100%) e ao variarmos a potência da iluminação ou a distância colocando
numa zona mais baixa do sistema até transformarmos em zona 0 (preto puro 100%).

[private] Este é um retrato que fiz da atriz Vanusa Spindler onde podemos ver brancos na
zona 9 (fundo, dentes, olhos e brilhos nos cabelos) e pretos na zona 1 (make up nos olhos e
parte interna da boca), ambos com detalhes visíveis. Coloquei a moldura branca para que
fosse possível comparar com os tons mais claros da foto.
Modelo: Vanusa Spindler / Make up/Hair: Andre Claret / Styling: Ed Alcântara e Renato
Da mesma forma, nesta foto para a Revista Estética com a Ana Paula Arósio, onde podem
ver que o fundo está na zona 4 da escala mas quando fiz a medição que deu o tom da zona
5 ficou muito claro em comparação com o baton e por isso fiz com que descesse para
a zona 4 conforme o cliente queria.
Modelo: Ana Paula Arósio / Make up/Hair: Henrique Mello / Styling: Wania Barroso

Nesta foto da modelo/dj Alexandra Ferreira (Casa dos Segredos), usei o Sistema de
Zonas para uma escala mais alta e destacar os lindos cabelos escuros do fundo preto
evitando que tudo virasse uma coisa só e coloquei photogel CTB ½ nos flashes do fundo.
Modelo: Alexandra Ferreira (Casa dos Segredos)/ Make up/Hair: Alessandra Ferreira

Neste outro exemplo de uma foto que fiz da Ana Paula Arósio em High-Key, foi
exatamente o contrário da foto anterior já que as plumas e o fundo são brancos. Por esta
razão joguei o fundo para a Zona 10 mantendo os valores da pele na zona 9.
Modelo: Ana Paula Arósio / Make up/Hair: Henrique Mello / Styling: Wania Barroso

EXPLICAÇÃO TÉCNICA
(válida também para quem não usa flashmeter/fotómetro)
1) Tudo deve começar pela iluminação do fundo e se quer que ele esteja “estourado” ou
com alguma informação dentro da escala de cinzentos do Sistema de Zonas (que agora já
conhecem bem!!!).
PARA FLASH OU LUZ CONTINUA EM ESTÚDIO:
Meçam a luz incidente sobre o fundo para quem usa flashmeter e para quem não usa a saída
é medir a luz refletida fazendo o enquadramento através do visor da camera e chegar ao
tom pretendido ajustando através da variação da abertura dentro da faixa de sincronismo de
flash. Se ficou “estourado”, feche o diafragma de fstop em fstop até que o tom do fundo
fique dentro da zona que quer e, ao contrário, se ficou escuro abra de fstop em fstop até que
esteja satisfeito com o resultado.

Zona 0: Preto Máximo (Padrões RGB 000).


Zona I: Densidade visível, sem textura tom cinzento quase preto.
Zona II: Tons profundos, as partes mais escuras da imagem com algum detalhe.
Zona III: Sensação de textura reconhecível.
Zona IV: Tom considerado médio-baixo, sombra com bom detalhe.
Zona V: CINZA MÉDIO 18% usado para calibrar sistemas de medição incorporados
nas cameras, flashmeter e cartão cinzento.
Zona VI: Tom considerado médio-alto correspondente a +2EV.
Zona VII: Tom considerado ideal para as zonas de sombras da pele masculina.
Zona VIII: Tom padrão para zonas mais claras da pele e sombras de ambientes muito
claros como neve ou paredes iluminadas.
Zona IX: Branco sem textura. High-Key no retrato ou céu que aparece como um cinza
muito claro.
Zona X: O branco 100% sem qualquer informação (RGB 255).
Particularmente, gosto muito de uma outra forma sintética de simplificar o raciocínio que
coloca as 11 zonas em 3 grupos distintos dividindo a Escala de Cinzentos em:

DICAS:
1) Dentro do estúdio o flash é controlado pela abertura e a luz ambiente (e contínua) é
controlado pela velocidade, ou seja, se estiver usando flash mantenha a mesma velocidade
de obturação e varie os fstops na camera ou pela potência fracionada 1/1, ½,1/4, 1/8, 1/16,
1/32, 1/64, 1/128 e 1/256.
2) A minha experiência aponta para dos EV (valores de exposição) numa relação muito
próxima do 1:1 entre a abertura e a mudança de zona na escala.
Exemplo: Se a medição deu abertura 5.6 com 1/125 s de velocidade, se fecharmos para 8
(1 fstop ou -2EV) descemos 1 zona e se abrirmos para 5.6 (1 fstop ou + 2EV) subimos uma
zona da escala.

O SISTEMA DE ZONAS NO PHOTOSHOP


A partir daqui vamos entrar juntos em outro mundo …
Se você chegou até aqui é porque é do meu time, daqueles que querem aprender de verdade
e isso me motiva a ir mais fundo!!!
Dentro do Photoshop podemos escolher de forma seletiva, exatamente qual é a cor que
queremos encaixar em outra zona da escala e vou pegar nesta foto para demonstrar como se
faz:
Um recurso poderoso do é o “Adjustment Layer” que tem a vantagem de não aumentar o
tamanho do arquivo (ficheiro) não sobrecarregando o processador e também porque
transforma-se automaticamente em “Layer Mask” (máscara) mantendo o workflow não
destrutivo o que não “estraga” os pixels e pode ser alterado com um clic sobre o ícone ao
lado do “olhinho” na caixa de layers). São os valores Doc: que aparecem no lado inferior
esquerdo da interface do Photoshop onde o primeiro número é o tamanho do documento
original e o segundo a soma que neste caso não se alterou mesmo com os dois layers ativos.

Supondo que queira melhorar o resultado de uma imagem já produzida, vou mostrar como
reencaixar o fundo numa zona da escala conforme expliquei na abordagem da técnica
fotográfica.
Repare que na escala acima da foto o fundo está entre a Zona 5 e eu vou fazer com que ele
fique mais escuro e passe para a Zona 2 através de um processo rápido e descomplicado.
Primeiro passo: Identificar os tons que formam o fundo que neste caso são Red e
Magenta facilmente reconhecíveis pelo tom “vermelho-cereja”.
Segundo passo: Criar um adjustment layer (em destaque vermelho) através do menu
“Layers” que fica do lado direito:
Terceiro passo: Clique em “Adjustment Layers” e escolha a opção “Selective Color”:
Quarto passo: Dentro das opções “Colors” comece por uma das cores que formam o tom
do fundo (descrito no Primeiro Passo), neste caso o Magenta, e vamos mexer no slider do
Black do Magenta que define a intensidade desta cor na composição do “vermelho-cereja”.
Atenção que depois de aberto, não será preciso fechar e abrir um novo adjustment layer
para mexer em outra cor bastando para isso ir ao menu Colors novamente e selecionar o
RED e também colocar 100% no Black do RED (sempre com o relative ativo):

Para poderem sentir melhor as mudanças vão aqui 2 print Screens:


ORIGINAL:
ZONA 5

ADJUSTMENT LAYER COM 100% NO BLACK DO MAGENTA E RED:

ZONA 2
Entretanto, todos os tons vermelhos da maquiagem também desceram para a Zona 2
ficando mais escuros alterando completamente as cores originais.

Para devolver à Zona 5 somente os tons vermelhos originais na modelo, vamos aproveitar o
“adjustment layer” (máscara não destrutiva gerada automaticamente) e com a ferramenta
“brush” (atalho B na tool box à esquerda da interface) vamos deixar só o fundo na Zona 2,
da seguinte forma:
Certifique-se de que tem os layers ativados e o adjustment brush seleccionado como mostra
a figura abaixo:

Escolhemos uma opacidade intermediária no para podermos ter maior controle sobre a
acção do “Brush”:
 Mode: Normal
 Opacity: 30%
 Flow: 100%

Como configurar a ferramenta “Brush”:


Clique sobre a imagem com o mouse do lado direito e vai aparecer essa caixa de diálogo:
 Size: 577 px
 Hardness: 37% (as bordas ficam mais suaves quanto menor for a %)
Agora escolha a opção de cor preta que pode ser trocada pela cor branca através da seta
curva sobre os quadrados ou pelo teclado pelo atalho na tecla X:

Feito isso, com muita calma e paciência vá passando o “Brush” sobre a parte que quer
recuperar, no caso, ao redor da imagem da Ana Paula Arósio e vai reparar que começa a
aparecer a imagem original que está com os tons vermelhos na Zona 5.
A grande vantagem deste método é não ser destrutivo, ou seja, a qualquer momento
podemos clicar na tecla X e trocar a cor preta pela branca e assim a imagem volta na
medida em que vamos pintando.
Vai reparar que a máscara do adjustment layer fica pintada de preto com o contorno exato
de onde você pintou para revelar a imagem original:
Se acontecer de ultrapassar os limites da imagem da modelo é só clicar na tecla X para
trocar a cor do “Brush” de preto para branco e passar novamente sobre a área a ser retocada
tomando muito cuidado para pintar o fundo e não invadir os limites do cabelo e da modelo.

Veja que onde passei o “Brush” branco o fundo ficou perfeito, ao contrário da parte à
esquerda onde não corrigi para poder mostrar o processo.
Vamos comparar as duas:
Essa é a primeira com o fundo na Zona 5
:
Essa é a segunda com o fundo na Zona 2 com maior contraste geral e com os tons da
maquiagem originais:
Falando agora sobre fotografia a Preto & Branco, o processo é o mesmo com a única
diferença de escolher “Neutrals” (cinzas) quando for criar o Adjustment Layer:
Para facilitar a comparação e reforçar a sua memória quanto ao processo todo, vou
transformar em preto & branco a mesma foto da Ana Paula Arósio através de um caminho
já conhecido que é criar um Adjustment Layer (não destrutivo) pelas vantagens que traz
conforme aprenderam até aqui.
Primeiro passo: Criar um Adjustment Layer através do botão na pasta “Layers”:
Segundo passo: Escolher a opção “Black & White”:
O resultado é:
Detalhe do menu de cores e ajustes feitos nos sliders:

Terceiro passo: Criar um outro Adjustment Layer Selective Color usando o mesmo
processo que ensinei na foto colorida para mexermos nos tons do fundo, que neste caso, por
serem tons de cinza, será em “Neutrals” e não em Red e Magentas como anteriormente para
alterarmos o “vermelho-cereja”:

No menu “Colors” ache a opção “Neutrals” que representa a gama de cinzas presentes na
imagem convertida para preto & branco e faça os seguintes ajustes no slider “Black” dos
Neutrals:
Quarto passo: Como no exemplo anterior, aproveitamos que o Adjustment Layer é uma
máscara e com a ferramenta “Brush” vamos revelar os tons originais da Ana Paula Arósio,
configurando assim:

Mode: Normal / Opacity: 30% / Flow: 100%


Pode parecer estranho, mas para que fique bem memorizado todo o processo, vou repetir
exatamente todo passo a passo a configuração do “Brush” para preto e branco porque desta
forma você não terá que ficar voltando nas páginas para encontrar as indicações (funciona
como uma revisão, acredite!!).
Como configurar a ferramenta “Brush”:
Clique sobre a imagem com o mouse do lado direito e vai aparecer essa caixa de diálogo:
 Size: 577 px
 Hardness: 37% (as bordas ficam mais suaves quanto menor for)
Agora escolha a opção de cor preta que pode ser trocada pela cor branca através da seta
curva sobre os quadrados ou pelo teclado pelo atalho na tecla X:

Vá passando com calma o “Brush” sobre a parte que quer recuperar, no caso, ao redor da
imagem da Ana Paula Arósio e repare que começa a aparecer a imagem original que está
com os tons de cinza na Zona 5. Vale recordar que a grande vantagem deste método é não
ser destrutivo, ou seja, a qualquer momento podemos clicar na tecla X e trocar a cor preta
pela branca e assim a imagem volta na medida em que vamos pintando. Vai reparar que a
máscara do adjustment layer fica pintada de preto com o contorno exato de onde você
pintou para revelar a imagem original:
Se acontecer de ultrapassar os limites da imagem da modelo é só clicar na tecla X para
trocar a cor do “Brush” de preto para branco e passar novamente sobre a área a ser retocada
tomando muito cuidado para não invadir os limites do cabelo e da modelo.
Veja que onde passei o “Brush” branco o fundo ficou perfeito, ao contrário da parte à
esquerda onde não corrigi para poder mostrar o processo.
Vamos comparar as duas:
Essa é a primeira com o fundo na Zona 5:
Essa é a segunda com o fundo na Zona 1 com maior contraste geral e com os tons da
maquiagem originais:
[/private]

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora o Sistema de Zonas tenha sido criado pelo (super) fotógrafo Ansel Adams como
uma ferramenta de controle de tons captados na fotografia a Preto e Branco de paisagens
em grande formato e no processo de ampliação em laboratório químico, é totalmente
aplicável à tecnologia digital e à fotografia colorida.
Posso citar o exemplo comum que ouço de muitos alunos onde reclamam que “o céu que
aparece no LCD mais claro do que é” (para os olhos). A partir de agora você já sabe que
isso se deve à forma como a camera enxerga em tons de cinza médio 18% dentro de uma
média matricial de várias situações de luz. Se quiser o céu mais escuro, feche 1 fstop (ou
3/3 de fstop) e estará fazendo com que os tons desçam uma zona da escala.
É um método eficaz para explicar a densidade espetacular de alguns azuis que vemos em
fotografia de moda, por exemplo.
O uso de filtros graduados de densidade neutra (Graduated Neutral Density) acaba por criar
subexposição localizada e o resultado é idêntico considerando que é outra maneira de
subexpor as zonas mais iluminadas fazendo com que desçam na escala mantendo o
primeiro plano na zona média da medição original (como demonstrei no capítulo “Sistema
de Zonas no Photoshop”).

Espero que tenham gostado da abordagem e da forma como ela foi feita por mim dentro de
uma dinâmica que procura desmistificar alguns conceitos equivocados a respeito da
aplicabilidade do Sistema de Zonas fora do ambiente em que foi criado da fotografia a
preto&branco de paisagem em grande formato.
Entender o funcionamento do sistema assim como das 11 zonas que o compõem facilita o
formato de raciocínio do fotógrafo a partir dos padrões médios automatizados que o
equipamento digital oferece criando assim novas possibilidades de expressão pessoal
agregada à uma técnica mais desenvolvida.
Aqui falamos do que é o Sistema, de como ele se adequa perfeitamente ao pixel da mesma
forma que fazia com o grão da emulsão, da aplicação direta durante o nascimento de uma
obra fotográfica, de como podemos alterar na pós-produção através do photoshop e,
principalmente, de ser algo apropriado, também, para a fotografia a cores melhorando
aquilo a camera “enxerga”.
Um grande abraço a todos e até breve, meus amigos!

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