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Nota Técnica

Assunto: Avaliação do nível de contaminação do óleo do carter através do analisador de 4


gases.
Objetivo: O objetivo deste documento é apresentar um parecer técnico sobre o uso de
analisador de 4 gases na avaliação do nível de contaminação do óleo do carter.
O método a ser discutido é aquele que implica em colocar a sonda do analisador no
respiro do Carter, com o objetivo de medir o valor de HC.
Introdução
A contaminação a ser considerada é aquela provocada pela diluição de hidrocarbonetos de cadeia
curta (HC) no óleo do carter.
Esse tipo de contaminação é o resultado do excesso de vapores de combustível não queimado
que penetram no carter através do processo de "blow-by". Neste processo, vapores de HC
passam da câmara de combustão, para o carter, durante o ciclo de compressão, devido à folga
existente entre os anéis e as paredes do cilindro. Em função do desgaste, entre 1% e 2% da
mistura que é admitida pode passar para o carter. No entanto, isto não significa que esses
vapores se diluam imediatamente no óleo. Considerar que a função do sistema de blow-by é
precisamente, recircular tais vapores e reintegrá-los à mistura.
O valor medido pelo analisador, em condições normais de funcionamento do motor, estará
constituído de:
1. Vapores de blow-by que serão recirculados; não necessariamente se diluirão no óleo.
2. Vapores de hidrocarbonetos (parafínicos; de cadeia longa) resultantes da vaporização do
óleo com a alta temperatura existente no carter; não fazem parte da eventual contaminação
que pretende-se avaliar.
3. Parte do HC contaminante diluído no óleo, que vaporiza devido à alta temperatura existente
no carter. É este valor, o único que daria uma idéia do nível de contaminação, mas não com
precisão.
Os analisadores infravermelhos atuais medem HC total, ou seja, o conjunto de 1, 2 e 3.
Portanto, para que a medição seja conclusiva, quanto ao nível de contaminação, o primeiro passo
é encontrar um método para separar o valor de 3 dos valores 1 e 2.
Mesmo assim, nada diz respeito da quantidade de HC que resta ainda, diluída no óleo.
Importante
Um outro fator de risco ao utilizar o método que está sendo discutido, é o da possível
condensação dos vapores de óleo (parafínicos) dentro da câmara de medição do analisador.
Lembrar que as referidas câmaras são aquecidas a uma temperatura em torno dos 40 graus, o
que resulta suficiente para manter o HC ainda vaporizado. No entanto, pode não ser suficiente
para manter vaporizados os parafínicos.

Conclusão
Face à incerteza dos valores medidos e o risco envolvido, o método discutido não parece ser o
mais adequado para a avaliação do nível de contaminação.

Obs.: Esta matéria contou com a colaboração do Eng. Fernando Landulfo, da Assessoria Técnico-
Tecnológica do Senai.